Campos Vetoriais

c _2011 Vinicius Cifú Lopes
UFABC, 2
o
quad. 2011
Este capítulo continua com o desenvolvimento necessário para responder às perguntas que
fizemos no início de “Derivação Espacial”. Estudaremos, principalmente, as funções cujo domínio
e contradomínio estão contidos no mesmo espaço euclideano lR
n
e introduziremos o conceito de
gradiente.
Campos vetoriais
Qual é a reta tangente a uma reta dada?
Qual é o plano tangente a um plano dado?
lR
n
é tanto um espaço de pontos (sistema de coordenadas) como um espaço tangente em
cada ponto (vetores com módulo, direção e sentido).
O campo vetorial associará, a cada ponto, um vetor “tangente” a esse ponto, que funcionará
como origem de um espaço vetorial ajustado. Em geral, pede-se que o campo, como função,
seja contínuo ou (como definiremos futuramente) suficientemente derivável.
Um campo vetorial é uma função
F : lR
n
.¸¸.
pontos (pode ser subcjto.)
→ lR
n
.¸¸.
direções
(note mesmo n).
Representação: em cada x ∈ lR
n
, desenhe a seta de x a x + F(x).
F é central ou radial (com respeito à origem) se (∀x) F(x) | x.
(Um campo escalar é simplesmente uma função escalar de várias variáveis: lR
n
→lR.)
Para definir um campo, tudo o que precisamos é, dadas as n coordenadas de um ponto,
combiná-las para produzir as n coordenadas de outro vetor, que será desenhado com sua base
localizada no ponto dado. Em outras palavras: Simbolicamente, um campo geralmente se
apresenta como uma lista entre parênteses de n expressões, sendo cada expressão uma função
escalar, sempre das mesmas n variáveis. Graficamente, veremos alguns exemplos a seguir.
Para compreender a definição de campo central, lembre que um ponto x também é um vetor,
que pode ser especialmente representado como a seta da origem até o próprio ponto x. Então F
é central se F(x) e x são vetores paralelos para qualquer x, ou seja, se sempre F(x) é múltiplo
escalar de x, existindo λ
x
∈ lR de modo que F(x) = λ
x
x. (Esse escalar pode variar, dependendo
de x.) Nesse caso, quando aplicamos o vetor F(x) ao ponto x, a reta que ele determina também
deve passar pela origem, daí o nome “radial”.
1
Dentre várias possibilidades, destacam-se duas: Quando o escalar λ
x
, acima, é sempre po
sitivo, dizemos que o campo é centrífugo; nesse caso, as setas que representam F graficamente
apontam sempre para o sentido oposto à origem. Quando λ
x
é sempre negativo, dizemos que
o campo é centrípeto e as setas no gráfico apontam sempre para a origem, mesmo que (por ter
um comprimento muito grande) cheguem a ultrapassá-la.
Exemplo (n = 2): F(x, y) = (2, 1).
(Diagrama na lousa.)
seta de (x, y) a (x + 2, y + 1).
Exemplo (n = 2): F(x, y) = (−x, −y).
(Diagrama na lousa.)
seta de (x, y) a (x −x, y −y) = 0.
centrípeto.
Exercício (n = 2): Represente F(x, y) = (−2, 3).
Exercício (n = 2): Represente
F(x, y) =
(x, y)
|(x, y)|
=
_
x
_
x
2
+ y
2
,
y
_
x
2
+ y
2
_
.
(Marque uma bola aberta na origem.) Esse campo é central (exceto na origem)? Por quê?
(É dito centrífugo.)
(Note que cada vetor é unitário.)
Dica: Será muito trabalhoso e impreciso desenhar tal campo a partir de um punhado de
pontos (x, y) através do cálculo repetido de (x, y)+F(x, y); vale a pena tentá-lo somente com uso
de computador gráfico. O espírito do exercício é perceber isto: Comece mostrando que o campo
é centrífugo e unitário, com base nas definições teóricas. Então bastará desenhar setas por todo
o plano, sempre sobre retas que passam pela origem (radiais), apontadas em oposição à origem
(centrífugas) e com comprimento 1 (unitárias). Isso será suficiente porque, ao determinar sua
direção, seu sentido e seu módulo, descrevemos esses vetores completamente.
Convém conhecermos mais dois exemplos importantes:
Exemplo (n = 3): Campo gravitacional A de grande massa M centrada na origem.
Força gravitacional sobre massa m distante d:
GMm
d
2
Aceleração de m:
Módulo: ma =
GMm
d
2
⇒a =
GM
d
2
.
Direção e sentido: centrípeta (unitário u =
(−x, −y, −z)
|(x, y, z)|
).
2
Então
|A(x, y, z)| =
GM
|(x, y, z)|
2
e
A(x, y, z) = |A(x, y, z)|.u =
GM
|(x, y, z)|
2

(−x, −y, −z)
|(x, y, z)|
=
= −
GM
(x
2
+ y
2
+ z
2
)
3/2
(x, y, z) (centrípeto).
Cargas elétricas de mesmo sinal: centrífugo.
Exemplo (n = 2): F(x, y) =
1
(x,y)
(−y, x).

não se define na origem;

é ortogonal ao campo identidade: ¸F(x, y)[(x, y)¸ = 0;

circular anti-horário.
(Diagrama na lousa.)
O operador ∇
É o “vetor”
∇ =
_

∂x
1
, . . . ,

∂x
n
_
.
Podemos aplicá-lo de três modos:
Lê-se ∇ como “nabla” ou ainda “del” (cuidado para não confundir com o “del” ∂).
Usaremos ∇ em três operações: gradiente, divergente e rotacional. Essas operações são
diferentes “formas de derivar” funções escalares e campos, cada uma adequada a uma aplicação,
como veremos futuramente.
(a) multiplicá-lo por escalar: dada f : lR
n
→lR,
grad f = ∇f =
_
∂f
∂x
1
, . . . ,
∂f
∂x
n
_
é o gradiente de f e campo sobre lR
n
.
Ex.: f = x
3
sen y + z ⇒grad f = (3x
2
sen y, x
3
cos y, 1).
(b) tomar seu produto interno com vetor: dado F : lR
n
→lR
n
,
div F = ¸∇[F¸ =
∂F
1
∂x
1
+ . . . +
∂F
n
∂x
n
é o divergente de F e função lR
n
→lR.
Ex.: F = (x
2
y, 2
x
z sen y, x + 3) ⇒div F = 2xy + 2
x
z cos y + 0.
3
A notação para o divergente, para cada autor, dependerá obviamente da notação para pro
duto interno: você poderá encontrar, por exemplo, ∇ F.
(c) tomar seu produto vetorial com vetor: dado F : lR
3
→lR
3
,
rot F = ∇F =
¸
¸
¸
¸
¸
¸
ı 

k

∂x
1

∂x
2

∂x
3
F
1
F
2
F
3
¸
¸
¸
¸
¸
¸
é o rotacional de F e campo sobre lR
3
.
Ex. (lousa):
F = (x
2
y, z ln [x[, y + sen z) ⇒rot F = (1 −ln [x[, 0, x
−1
z −x
2
).
Em inglês, o rotacional chama-se curl.
Existem regras de soma e produto para grad, div e rot. (Demidovich 2375, 2381, 2384).
Também:
(i) div(grad f) =
n

i=1

2
f
∂x
2
i
laplaciano de f, indicado ∇
2
f ou ∆f.
(ii) div(rot F) = 0 (Schwarz).
(iii) rot(grad f) = 0 (Schwarz).
Por exemplo, a primeira componente de rot(grad f) é
∂F
3
∂x
2

∂F
2
∂x
3
=

∂x
2
_
∂f
∂x
3
_


∂x
3
_
∂f
∂x
2
_
= 0.
Um campo U : lR
3
→lR
3
é dito conservativo quando existe um potencial f : lR
3
→lR tal
que U = grad f.
Teorema: Isso ocorre se e somente se rot U ≡ 0.
(Para domínio ⊂ lR
3
, é preciso conectividade simples, isto é, domínio sem buracos.)
O potencial é simplesmente um campo escalar; em alguns estudos, pode-se entender −f em
vez de f.
Se rot U ,= 0, então U não é conservativo. Se rot U = 0, então U é conservativo de alguma
função escalar f, e veremos como encontrar f nestes exemplos:
Exemplo: U(x, y, z) = (xy, yz, 3x
2
). Temos
rot U =
¸
¸
¸
¸
¸
¸
ı 

k

∂x

∂y

∂z
xy yz 3x
2
¸
¸
¸
¸
¸
¸
=
=
_

∂y
3x
2


∂z
yz,

∂z
xy −

∂x
3x
2
,

∂x
yz −

∂y
xy
_
=
= (−y, −6x, −x) ,≡ 0.
Então U não é conservativo.
4
Exemplo: U(x, y, z) = (4xy + z, 2x
2
+ 5z
3
, 15yz
2
+ x). Temos
rot U =
¸
¸
¸
¸
¸
¸
ı 

k

∂x

∂y

∂z
4xy + z 2x
2
+ 5z
3
15yz
2
+ x
¸
¸
¸
¸
¸
¸
=
=
_

∂y
(15yz
2
+ x) −

∂z
(2x
2
+ 5z
3
),


∂x
(2x
2
+ 5z
3
) +

∂z
(4xy + z),

∂x
(15yz
2
+ x) −

∂y
(4xy + z)
_
=
= (15z
2
−15z
2
, −1 + 1, 4x −4x) = (0, 0, 0) ≡ 0.
Então U é conservativo ⇒U = grad f para alguma f. Vamos achar f:
U = ∇f ⇔(4xy + z, 2x
2
+ 5z
3
, 15yz
2
+ x) = (
∂f
∂x
,
∂f
∂y
,
∂f
∂z
) ⇔

_
¸
_
¸
_
∂f
∂x
= 4xy + z
∂f
∂y
= 2x
2
+ 5z
3
∂f
∂z
= 15yz
2
+ x
Então
f =

∂f
∂x
dx =

(4xy + z) dx = 2x
2
y + zx + A(y, z)
(constante da integração quanto a x: independe de x; depende de y, z).
Assim,
∂f
∂y
= 2x
2
+
∂A
∂y
e
∂f
∂z
= x +
∂A
∂z
.
Agora, repetimos o procedimento:
Obtemos
_
2x
2
+
∂A
∂y
= 2x
2
+ 5z
3
x +
∂A
∂z
= 15yz
2
+ x
De
∂A
∂y
= 5z
3
vem
A =

∂A
∂y
dy =

5z
3
dy = 5z
3
y + B(z)
(constante da integração quanto a y: independe de y; depende de z — x não aparece porque
não consta em A(y, z)).
Tínhamos
∂A
∂z
= 15yz
2
, mas agora
∂A
∂z
= 15yz
2
+
dB
dz
⇒B

(z) = 0 ⇒B(z) = C constante.
5
Assim:
A(y, z) = 5z
3
y + B(z) = 5z
3
y + C e
f(x, y, z) = 2x
2
y + zx + A(y, z) = 2x
2
y + zx + 5z
3
y + C.
De fato, temos ∇f = U ! (Verifique!!)
Exercício: Decida se o campo
U(x, y, z) = (5x
4
y
3
−7, 3x
5
y
2
+ z cos(yz), y cos(yz))
é conservativo; em caso afirmativo, de qual função U é gradiente?
(Verifique U = grad f.)
Para n = 3, está disponível o teste de conservação com o rotacional nulo. Para outros valores
de n, porém, ainda vale esse método para determinar a “primitiva” (cujo gradiente será o campo
dado): basta eliminar repetidamente as variáveis até chegar a n = 1, quando se trata de uma
primitiva tradicional.
Uso do gradiente em cálculos
Tome

γ : lR →lR
n
curva;

f : lR
n
→lR função escalar;

f ◦ γ : lR →lR composta FUV.
(Diagrama na lousa.)
Veremos (“Diferenciação”) condições em que valem estas regras:
(f ◦ γ)

(t) = ¸∇f(γ(t))[γ

(t)¸ (regra da cadeia)
∂f
∂u
(a) = ¸∇f(a)[u¸ para u unitário
Lembre que, quando calculado em um ponto qualquer (a), o gradiente de f é um vetor. A
primeira equação é uma forma da Regra da Cadeia: em relação à regra que já conhecemos, a
diferença é a substituição do produto de números pelo produto interno de vetores.
Usaremos isso com curvas de nível e direção de maior crescimento.
Exercício (Demidovich 1879): Usando ∇f, derive novamente f(x, y, z) = x
2
− 3yz + 5 no
ponto (1, 2, −1) na direção (1, 1, 1).
Curvas/superfícies de nível
Assuma f : D →lR, D ⊆ lR
n
, c ∈ lR.
S
c
= ¦ x ∈ D [ f(x) = c ¦ é a superfície de nível c. (Diagrama na lousa.)
(Para n = 2, diz-se “curva de nível”.)
Você já conhece curvas de nível de seus estudos de Geografia: isotérmicas, isobáricas e
isoietas são curvas em um mapa ao longo das quais, respectivamente, a temperatura, a pressão
e a precipitação são constantes.
6
Suponha γ : I →lR
n
curva contida em S
c
, isto é, Imγ ⊆ S
c
. (Diagrama na lousa.)
Então f(γ(t)) = c para todo t ∈ I.
Derive:
¸∇f(γ(t))[γ

(t)¸ = c

= 0.
Se I ¸ 0, γ(0) = a e γ

(0) = v, temos
¸∇f(a)[v¸ = 0, donde ∇f(a) ⊥ v.
Tomando todos os γ’s (todos os v’s tangentes a S
c
em a):
∇f(a) ⊥ S
c
.
Na última passagem do raciocínio, generalizamos o cálculo feito para uma curva γ qualquer,
desde que passe por a no instante 0, mas com qualquer direção. Desse modo, obtemos o mesmo
resultado para qualquer vetor v (correspondente a γ

(0)) tangente à superfície em a. Como
∇f(a) é um vetor ortogonal a todos eles, então é ortogonal à própria superfície.
Exemplo: Determinar a reta normal e o plano tangente à superfície de nível de f(x, y, z) =
x
2
+ 3y
2
+ 4z
2
com c = 8 por a = (1, −1, 1).
Temos ∇f(x, y, z) = (2x, 6y, 8z),
f(a) = f(1, −1, 1) = 1 + 3 + 4 = 8 = c (importante),
S
c
= ¦ (x, y, z) ∈ lR
3
[ x
2
+ 3y
2
+ 4z
2
= 8 ¦ é um elipsóide (dim = 2).
É importante, ao determinar-se uma tangência, verificar se o ponto realmente pertence à
superfície dada, ou seja, se a ∈ S
c
.
Então ∇f(a) = (2, −6, 8) ⊥ S
c
.
Reta normal por a:
(x, y, z) = a + λ∇f(a) (λ ∈ lR)
= (1 + 2λ, −1 −6λ, 1 + 8λ) (λ ∈ lR)
Plano tangente por a: (diagrama na lousa)
(x, y, z) = a + v onde v ⊥ ∇f(a);
mas
v ⊥ ∇f(a) ⇔¸v[∇f(a)¸ = 0 ⇔2v
x
−6v
y
+ 8v
z
= 0
e também
v = (x, y, z) −a = (x −1, y + 1, z −1),
donde o plano é
2(x −1) −6(y + 1) + 8(z −1) = 0,
ou seja, x −3y + 4z −8 = 0.
7
É fácil abstrair a fórmula geral para o plano tangente: basta simplificar a equação ¸∇f(a)[x−
a¸ = 0, obtendo-se
n

i=1
(
∂f
∂x
i
(a))x
i

n

i=1
(
∂f
∂x
i
(a))a
i
= 0.
Exercício: Determine a reta normal e o plano tangente a x
2
+ 2y
2
− 3z
3
= 5 no ponto
(0, 1, −1). (Quais são f, c, a ?)
Direção de maior crescimento
(Diagrama na lousa.)
Temos:
∂f
∂u
(a) = ¸∇f(a)[u¸ = |∇f(a)|.

>
1
|u|. cos θ
proj
u
∇f(a) = (|∇f(a)|. cos θ).u
Então
∂f
∂u
(a) é a componente escalar de ∇f(a) na direção de u.
Neste raciocínio, mantenha o ponto a fixo, de modo que o vetor ∇f(a) também é constante.
Conforme u assume todas as possíveis direções e sentidos, o ângulo θ varia e também
∂f
∂u
(a)
varia.
Temos
∂f
∂u
(a) = |∇f(a)| cos θ e (quando ∇f(a) ,= 0):
∂f
∂u
(a) é
_
_
_
máximo
mínimo
zero
_
_
_
⇔cos θ =
_
_
_
1
−1
0
_
_
_
⇔θ =
_
_
_
0
π
±π/2
_
_
_
.
Então, no ponto a,
f
_
_
_
cresce mais
decresce mais
mantém-se
_
_
_
na direção e sentido
_
_
_
∇f(a)
−∇f(a)
ortogonais a ∇f(a)
_
_
_
.
Note que, quando cos θ = −1, esse número é negativo e f diminui!
Exemplo (Guidorizzi): Para (x, y) no plano, montanha com altura f(x, y) = 5 − x
2
− 4y
2
.
Alpinista em (1, 1) quer caminho mais íngreme (f(1, 1) = 0).
Escalará sempre no sentido do gradiente
∇f(x, y) = (−2x, −8y).
8
Para determinar caminho γ(t) = (x(t), y(t)), t 0, resolvemos PVI:
γ(0) = (1, 1), γ

(t) | ∇f(γ(t)).
Pondo γ

(t) = ∇f(γ(t)), vem:
x

(t) = −2x(t), x(0) = 1 ⇒x(t) = e
−2t
y

(t) = −8y(t), y(0) = 1 ⇒y(t) = e
−8t
Então y = x
4
e altura do alpinista é f(x, x
4
) = 5 −x
2
−4x
8
.
Nesse raciocínio, substituímos diretamente paralelismo por igualdade, entre γ

(t) e ∇f(γ(t)),
porque a velocidade de escalada do alpinista não importa para o traçado de seu percurso; essa
simplificação possibilitou-nos eliminar uma função desconhecida (o fator de proporcionalidade
em função do tempo).
Resolvemos as EDOs correspondentes pelo método comum de separação de variáveis e ob
tivemos uma parametrização do caminho do alpinista, cujas coordenadas horizontais então
obedecem a relação y = x
4
. Isso não significa, imediatamente, que no instante t o alpinista
esteja em (x(t), y(t)), porque essa solução para γ não considerou a dificuldade da escalada, as
condições do alpinista, etc. Ainda mais: note que, por essa parametrização, o alpinista jamais
chegará ao cume localizado na origem (por quê?), afinal, x(t), y(t) → 0 somente com t → ∞.
Outra parametrização possível e mais realista é tomar x = 1 − s e y = (1 − s)
4
, que também
satisfaz y = x
4
, com s ∈ [0, 1]; verifique que a curva δ assim descrita satisfaz δ(0) = (1, 1),
δ(1) = (0, 0) e δ

(s) | ∇f(δ(s)) (de fato, δ

(s) = 2(1 −s) ∇f(δ(s))).
Exercício: Temperatura no plano: f(x, y) = 5x
2
− 2y
3
. No ponto (1, 3), identifique as
direções e sentidos em que a temperatura mais cresce; mais diminui; a isoterma estende-se.
Esquematize isso graficamente.
9

(Diagrama na lousa. y − y) = 0. Isso será suficiente porque. sempre sobre retas que passam pela origem (radiais). dizemos que o campo é centrífugo. as setas que representam F graficamente apontam sempre para o sentido oposto à origem. Força gravitacional sobre massa m distante d: GM m d2 Aceleração de m: Módulo: ma = GM GM m ⇒a= 2 . Exemplo (n = 2): F (x.Dentre várias possibilidades. y) = (x. z) Direção e sentido: centrípeta (unitário u = 2 . y + 1). y) a (x + 2.) (Note que cada vetor é unitário. descrevemos esses vetores completamente. vale a pena tentá-lo somente com uso de computador gráfico. destacam-se duas: Quando o escalar λx . y x2 + y2 . y) = (−2.) seta de (x. apontadas em oposição à origem (centrífugas) e com comprimento 1 (unitárias). y) = (−x. é sempre po sitivo. 1). (x.) Dica: Será muito trabalhoso e impreciso desenhar tal campo a partir de um punhado de pontos (x. −y. nesse caso. Quando λx é sempre negativo. acima. y) x x2 + y2 . com base nas definições teóricas. centrípeto.) seta de (x. (Diagrama na lousa. −y). y. y) através do cálculo repetido de (x. mesmo que (por ter um comprimento muito grande) cheguem a ultrapassá-la. seu sentido e seu módulo. y) = (x. 3). y). y) a (x − x. Exercício (n = 2): Represente F (x. Exercício (n = 2): Represente F (x. −z) ). 2 d d (−x. y) = (2. Exemplo (n = 2): F (x. y)+F (x.) Esse campo é central (exceto na origem)? Por quê? (É dito centrífugo. Então bastará desenhar setas por todo o plano. Convém conhecermos mais dois exemplos importantes: Exemplo (n = 3): Campo gravitacional A de grande massa M centrada na origem. (Marque uma bola aberta na origem. O espírito do exercício é perceber isto: Comece mostrando que o campo é centrífugo e unitário. dizemos que o campo é centrípeto e as setas no gráfico apontam sempre para a origem. ao determinar sua direção.

. + ∂x1 ∂xn é o divergente de F e função lRn → lR. z) = A(x. z) = e A(x. Ex. y) = 0. y. z) (centrípeto). 1). • não se define na origem. • circular anti-horário... . divergente e rotacional.y) (−y.. y. y. x3 cos y. 2x z sen y. −y. y.. y) = (x. Usaremos em três operações: gradiente. div F = |F = ∂F1 ∂Fn + . como veremos futuramente. y. (Diagrama na lousa. (a) multiplicá-lo por escalar: dada f : lRn → lR..) O operador É o “vetor” = Podemos aplicá-lo de três modos: ∂ ∂ . z) GM =− 2 · (x. 3 . • é ortogonal ao campo identidade: F (x.. Essas operações são diferentes “formas de derivar” funções escalares e campos. z) . x + 3) ⇒ div F = 2xy + 2x z cos y + 0. 1 Exemplo (n = 2): F (x. Ex.: f = x3 sen y + z ⇒ grad f = (3x2 sen y. y. cada uma adequada a uma aplicação. (b) tomar seu produto interno com vetor: dado F : lRn → lRn . z) 2 2 (−x. ∂x1 ∂xn Lê-se como “nabla” ou ainda “del” (cuidado para não confundir com o “del” ∂). −z) = (x. grad f = f= ∂f ∂f ..Então A(x. x).u = GM (x. y..: F = (x2 y. ∂x1 ∂xn é o gradiente de f e campo sobre lRn . (x + y 2 + z 2 )3/2 Cargas elétricas de mesmo sinal: centrífugo.. y)|(x. z) · GM (x.

(iii) rot(grad f ) = 0 (Schwarz). a primeira componente de rot(grad f ) é ∂F3 ∂F2 ∂ ∂ ∂f ∂f − − = ∂x2 ∂x3 ∂x2 ∂x3 ∂x3 ∂x2 = 0. dependerá obviamente da notação para pro duto interno: você poderá encontrar. então U não é conservativo. x−1 z − x2 ). div e rot. 4 . Se rot U = 0. então U é conservativo de alguma função escalar f . (Para domínio ⊂ lR3 . domínio sem buracos. · F . Em inglês. Ex. 3x2 ). isto é. 2381. y + sen z) ⇒ rot F = (1 − ln |x|. Temos ı rot U = ∂ ∂x  ∂ ∂y k ∂ ∂z 2 = ∂ 2 ∂ ∂ ∂ 2 ∂ ∂ 3x − yz. Também: n ∂ 2f (i) div(grad f ) = laplaciano de f .A notação para o divergente. 2384). z ln |x|. ı rot F = ×F = ∂ ∂x1  ∂ ∂x2 k ∂ ∂x3 F1 F2 F3 é o rotacional de F e campo sobre lR3 . Teorema: Isso ocorre se e somente se rot U ≡ 0. pode-se entender −f em vez de f . Existem regras de soma e produto para grad. ∂x2 i i=1 (ii) div(rot F ) = 0 (Schwarz). Se rot U = 0. 0. y. −6x. Por exemplo. z) = (xy. (lousa): F = (x2 y. é preciso conectividade simples.) O potencial é simplesmente um campo escalar. indicado 2 f ou ∆f . (Demidovich 2375. xy − 3x . por exemplo. xy yz 3x = Então U não é conservativo. o rotacional chama-se curl. yz. (c) tomar seu produto vetorial com vetor: dado F : lR3 → lR3 . e veremos como encontrar f nestes exemplos: Exemplo: U (x. −x) ≡ 0. em alguns estudos. Um campo U : lR3 → lR3 é dito conservativo quando existe um potencial f : lR3 → lR tal que U = grad f . yz − xy = ∂y ∂z ∂z ∂x ∂x ∂y = (−y. para cada autor.

mas agora ∂z dB ∂A = 15yz 2 + ⇒ B (z) = 0 ⇒ B(z) = C constante. z) = (4xy + z. . 15yz 2 + x) = ( ∂f ∂f ∂f . 2x2 + 5z 3 . depende de y. repetimos o procedimento: Obtemos 2x2 + ∂A = 2x2 + 5z 3 ∂y x + ∂A = 15yz 2 + x ∂z De ∂A ∂y Então = 5z 3 vem A= ∂A dy = ∂y 5z 3 dy = 5z 3 y + B(z) (constante da integração quanto a y: independe de y. z)). Assim. depende de z — x não aparece porque não consta em A(y. ∂y ∂y ∂z ∂z f= Agora. 2x2 + 5z 3 . 4x − 4x) = (0. )⇔ ∂x ∂y ∂z  ∂f  ∂x = 4xy + z  ⇔ ∂f = 2x2 + 5z 3 ∂y  ∂f  = 15yz 2 + x ∂z ∂f dx = (4xy + z) dx = 2x2 y + zx + A(y. 0) ≡ 0. z). z) ∂x (constante da integração quanto a x: independe de x. Então U é conservativo ⇒ U = grad f para alguma f . Vamos achar f : U= f ⇔ (4xy + z.Exemplo: U (x. ∂ ∂ (15yz 2 + x) − ∂y (4xy + z) = ∂x 2 2 = (15z − 15z . 15yz 2 + x). Temos ı rot U = ∂ ∂x  ∂ ∂y k ∂ ∂z 2 = 4xy + z 2x2 + 5z 3 15yz + x = ∂ ∂ (15yz 2 + x) − ∂z (2x2 + 5z 3 ). ∂f ∂A ∂f ∂A = 2x2 + e =x+ . ∂y ∂ ∂ − ∂x (2x2 + 5z 3 ) + ∂z (4xy + z). y. ∂z dz 5 . Tínhamos ∂A = 15yz 2 . −1 + 1. 0.

de qual função U é gradiente? (Verifique U = grad f . 1. A primeira equação é uma forma da Regra da Cadeia: em relação à regra que já conhecemos. derive novamente f (x. temos f = U ! (Verifique!!) Exercício: Decida se o campo U (x.) Para n = 3. Para outros valores de n. 2. (Diagrama na lousa. z) = (5x4 y 3 − 7. 6 . Sc = { x ∈ D | f (x) = c } é a superfície de nível c. De fato. • f ◦ γ : lR → lR composta FUV. 3x5 y 2 + z cos(yz).) (Para n = 2. Curvas/superfícies de nível Assuma f : D → lR. 1). respectivamente. ainda vale esse método para determinar a “primitiva” (cujo gradiente será o campo dado): basta eliminar repetidamente as variáveis até chegar a n = 1. a pressão e a precipitação são constantes. a temperatura. em caso afirmativo. D ⊆ lRn . quando calculado em um ponto qualquer (a). está disponível o teste de conservação com o rotacional nulo. Exercício (Demidovich 1879): Usando f . (Diagrama na lousa. z) = x2 − 3yz + 5 no ponto (1. isobáricas e isoietas são curvas em um mapa ao longo das quais. z) = 2x2 y + zx + 5z 3 y + C.) Veremos (“Diferenciação”) condições em que valem estas regras: (f ◦ γ) (t) = f (γ(t))|γ (t) (regra da cadeia) ∂f (a) = f (a)|u para u unitário ∂u Lembre que. z) = 2x2 y + zx + A(y. −1) na direção (1. z) = 5z 3 y + B(z) = 5z 3 y + C e f (x. Usaremos isso com curvas de nível e direção de maior crescimento.Assim: A(y. Uso do gradiente em cálculos Tome • γ : lR → lRn curva. quando se trata de uma primitiva tradicional. y.) Você já conhece curvas de nível de seus estudos de Geografia: isotérmicas. • f : lRn → lR função escalar. y. a diferença é a substituição do produto de números pelo produto interno de vetores. c ∈ lR. porém. o gradiente de f é um vetor. diz-se “curva de nível”. y. y cos(yz)) é conservativo.

7 . Se I 0. 6y. z) ∈ lR3 | x2 + 3y 2 + 4z 2 = 8 } é um elipsóide (dim = 2). Im γ ⊆ Sc . então é ortogonal à própria superfície. ao determinar-se uma tangência. Exemplo: Determinar a reta normal e o plano tangente à superfície de nível de f (x. −1 − 6λ. obtemos o mesmo resultado para qualquer vetor v (correspondente a γ (0)) tangente à superfície em a. verificar se o ponto realmente pertence à superfície dada. y. z) − a = (x − 1. y. f (a) = f (1. y. ou seja. desde que passe por a no instante 0. Tomando todos os γ’s (todos os v’s tangentes a Sc em a): f (a) ⊥ Sc . se a ∈ Sc . Na última passagem do raciocínio. 8z). f (a) ⇔ v| f (a) = 0 ⇔ 2vx − 6vy + 8vz = 0 f (a). −1. isto é. Então f (a) = (2. temos f (a)|v = 0.Suponha γ : I → lRn curva contida em Sc . z) = x2 + 3y 2 + 4z 2 com c = 8 por a = (1.) Então f (γ(t)) = c para todo t ∈ I. −6. y. generalizamos o cálculo feito para uma curva γ qualquer. 1). x − 3y + 4z − 8 = 0. mas com qualquer direção. 8) ⊥ Sc . Temos f (x. z − 1). Sc = { (x. 1) = 1 + 3 + 4 = 8 = c (importante). z) = a + λ f (a) (λ ∈ lR) = (1 + 2λ. z) = (2x. É importante. Reta normal por a: (x. y. ou seja. donde o plano é 2(x − 1) − 6(y + 1) + 8(z − 1) = 0. donde f (a) ⊥ v. (Diagrama na lousa. y + 1. Derive: f (γ(t))|γ (t) = c = 0. −1. y. γ(0) = a e γ (0) = v. Desse modo. Como f (a) é um vetor ortogonal a todos eles. z) = a + v onde v ⊥ mas v⊥ e também v = (x. 1 + 8λ) (λ ∈ lR) Plano tangente por a: (diagrama na lousa) (x.

Exercício: Determine a reta normal e o plano tangente a x2 + 2y 2 − 3z 3 = 5 no ponto (0.É fácil abstrair a fórmula geral para o plano tangente: basta simplificar a equação a = 0. 8 . no ponto a. de modo que o vetor f (a) também é constante. 1. obtendo-se n ∂f ( ∂xi (a))xi i=1 n f (a)|x− − i=1 ∂f ( ∂xi (a))ai = 0. −8y). Temos ∂f (a) ∂u = f (a) cos θ e (quando f (a) = 0):        0   1 máximo ∂f π . cos θ u f (a) = ( f (a) .     mantém-se ortogonais a f (a) Note que. (Quais são f.) Temos: ∂f (a) ∂u 1 = proju > f (a)|u = f (a) . Alpinista em (1. y) = (−2x. montanha com altura f (x. Escalará sempre no sentido do gradiente f (x. Neste raciocínio. −1). quando cos θ = −1. y) no plano. Conforme u assume todas as possíveis direções e sentidos.     f (a)  cresce mais    − f (a) f decresce mais na direção e sentido . (a) é mínimo ⇔ cos θ = −1 ⇔ θ =       ∂u ±π/2 0 zero Então. y) = 5 − x2 − 4y 2 .. a ?) Direção de maior crescimento (Diagrama na lousa. mantenha o ponto a fixo. c. 1) quer caminho mais íngreme (f (1.u Então ∂f (a) ∂u é a componente escalar de f (a) na direção de u. o ângulo θ varia e também ∂f (a) ∂u varia. 1) = 0). cos θ). esse número é negativo e f diminui! Exemplo (Guidorizzi): Para (x.

verifique que a curva δ assim descrita satisfaz δ(0) = (1. y(t)). vem: 0. resolvemos PVI: f (γ(t)). que também satisfaz y = x4 . Exercício: Temperatura no plano: f (x.Para determinar caminho γ(t) = (x(t). entre γ (t) e f (γ(t)). t γ(0) = (1. Esquematize isso graficamente. 9 . 0) e δ (s) f (δ(s)) (de fato. Ainda mais: note que. δ(1) = (0. porque essa solução para γ não considerou a dificuldade da escalada. imediatamente. a isoterma estende-se. γ (t) Pondo γ (t) = f (γ(t)). porque a velocidade de escalada do alpinista não importa para o traçado de seu percurso. substituímos diretamente paralelismo por igualdade. identifique as direções e sentidos em que a temperatura mais cresce. x(t). 1). δ (s) = 2(1 − s) · f (δ(s))). Nesse raciocínio. 1]. No ponto (1. as condições do alpinista. x4 ) = 5 − x2 − 4x8 . x (t) = −2x(t). etc. mais diminui. x(0) = 1 ⇒ x(t) = e−2t y (t) = −8y(t). y) = 5x2 − 2y 3 . y(0) = 1 ⇒ y(t) = e−8t Então y = x4 e altura do alpinista é f (x. cujas coordenadas horizontais então obedecem a relação y = x4 . o alpinista jamais chegará ao cume localizado na origem (por quê?). Isso não significa. por essa parametrização. y(t) → 0 somente com t → ∞. com s ∈ [0. que no instante t o alpinista esteja em (x(t). essa simplificação possibilitou-nos eliminar uma função desconhecida (o fator de proporcionalidade em função do tempo). Outra parametrização possível e mais realista é tomar x = 1 − s e y = (1 − s)4 . 1). afinal. y(t)). Resolvemos as EDOs correspondentes pelo método comum de separação de variáveis e ob tivemos uma parametrização do caminho do alpinista. 3).

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful