Trabalho elaborado para a disciplina de Psicologia Organizacional Curso de Tecnologia em Processos Gerenciais. Edner A.

Brasil

Introdução O ritmo acelerado e a grande dedicação que executivos e empresários devotam aos seus negócios são frequentemente associados à motivação para enfrentar o turbilhão do cotidiano. É comum ouvir declarações sobre o ritmo puxado e os níveis de pressão e exigência por qualidade como componentes que trazem a satisfação àqueles que conseguem vencer os desafios e subir os degraus de uma carreira promissora ou ver os índices de ganho de sua empresa em uma curva ascendente. Mas é importante considerar que estes mesmos fatores são apontados também como causadores de males à saúde, como por exemplo, a síndrome do esgotamento profissional ou burnout. FREUDENBERGER (apud. KRAFT 2006) definiu o burnout como “um estado de esgotamento físico e mental cuja causa está intimamente ligada à vida profissional”. Essa síndrome está associada a sintomas variados, que vão da dificuldade de concentração e oscilações no humor a taquicardia, tontura, distúrbio do sono, tremores, falta de ar e problemas digestivos. Burnout deriva do verbo em inglês burn e, em sua forma composta – to burn out –, significa esgotar-se, queimar por completo. A enfermidade advém diretamente dos agentes de estresses, que podem estar associados ao ambiente de trabalho, bem como a questões de ergonomia e organização do espaço e também a questões ligadas à organização das tarefas, como sobrecarga de tarefas no cotidiano e tarefas caracterizadas por ocupações que mantêm contato direto com outras pessoas, principalmente quando estão relacionadas com prestar ajuda, como ocorre com médicos, professores, operadores de telemarketing, entre outros. Segundo BALLONE (2005), atualmente a síndrome está associada às mais diversas profissões. Para ele, “as observações já se estendem a todos profissionais que interagem de forma ativa com pessoas, que cuidam e/ou solucionam problemas de outras pessoas, que obedecem a técnicas e métodos mais exigentes, fazendo parte de organizações de trabalho submetidas a avaliações”.

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De fato. Estes são alguns dos danos diretos ao indivíduo. que também conduziram experimentos para monitorar a ação do estresse sobre a memória. o que ocorre são alterações de humor. mas com algumas ressalvas conforme apontado por SCHMIDT e SCHWABE (2011). por exemplo. Mas. por muito tempo. em alguns casos. que dá seu depoimento no artigo de KRAFT (2006): “De vez em quando. a tese de Marian era que o estresse só é benéfico à memória ‘quando há convergência no tempo e no espaço´.Causas e consequências do estresse Aparentemente. Brasil. por exemplo. no aparecimento de conflitos entre os colaboradores que pode gerar desarticulação das equipes. confirmaram com experimentos realizados em 2009 em um grupo de pesquisa do Instituto Max Plank de Psiquiatria. mas.. que camundongos submetidos a situações estressantes no início da vida não apresentaram bom desempenho em testes de memória na idade adulta ao serem comparados com outros da mesma ninhada que pertenciam ao grupo de controle. SCHMIDT e SCHWABE (2011). Outros problemas podem surgir associados ao desgaste total. no absentismo. um verdadeiro barato”.) o estresse só contribui para a memorização quando é experimentado mais ou menos ao mesmo tempo que o evento que precisa ser lembrado e quando seus hormônios acionam os mesmos sistemas biológicos ativados pela situação. Email: simetriagestao@gmail. toda aquela exigência. Para as organizações o reflexo está diretamente na queda da produção. conforme sentido pelo consultor Lauro N.. Galafassi & Hashimoto Ltda. Os pesquisadores afirmam que “o estresse intenso ou permanente pode até mesmo prejudicar as habilidades cognitivas a longo prazo”. com desmaios seguidos de convulsões. alguns estudos apontam para benefícios à memorização. na Holanda: (. provocados pela exposição prolongada a situações estressantes somadas a outros fatores como o sedentarismo. que descrevem os estudos realizados pela pesquisadora Marian Joëls. da Universidade de Amsterdã. mas as consequências são maiores quando pensamos no contexto organizacional. o estresse ligado ao trabalho surge das condições ambientais e de fatores organizacionais. mas há que considerar que suas causas também estão associadas ao tipo de vida e preocupações outras que não apenas aquelas relacionadas ao ambiente do trabalho como. eu sentia quanto era puxado. o trabalho sob pressão e os níveis de excelência que eu mesmo me impunha me davam enorme prazer. Com maior frequência. esta somatória pode levar o indivíduo até a uma pane total do sistema. depressão dificuldade de concentração etc.com . Em suma. Influências na qualidade de vida dos profissionais e na dinâmica organizacional. a preocupação com a saúde mental e física que cada um de nós tem para consigo mesmo e para com o próximo. ansiedade. o estresse pode ter consequências positivas. em Munique. Ao extremo.

devido ao enorme desafio que as organizações enfrentam para manter seus talentos. desde que não seja uma constante na vida organizacional. mesmo durante sua rotina diária. aprender a dosar a pressão pode ser um passo para prevenção.Avalie o quanto as condições de trabalho estão interferindo em sua qualidade de vida e prejudicando sua saúde física e mental. é preciso ter cuidado extra com situações que geram o estresse. em determinados momentos a pressão existe e serve de estímulo. Email: simetriagestao@gmail. Mudanças no estilo de vida podem ser a melhor forma de prevenir ou tratar a síndrome de burnout. Incluo aqui algumas sugestões que o Dr. Como a extensão de problemas associados à saúde é sempre difícil de ser analisada. podendo levar um tempo considerável para uma pessoa que chegou a um estágio crônico se recuperar totalmente. em nossa reunião on-line (01/10 17h): “É preciso se antecipar às mudanças e se preparar para elas”. No contexto organizacional da atualidade. Galafassi & Hashimoto Ltda. Sugestão de práticas institucionais para solução do problema Como apontado pela professora Valquíria Vallone. Para os líderes e gestores. pois a influência negativa deste processo é bastante ampla com impactos e danos diretos aos envolvidos. podem ser úteis para os colaboradores desopilarem os canais que acumulam a pressão exercida pelas obrigações e rotina que o aborrece.Não use a falta de tempo como desculpa para não praticar exercícios físicos e não desfrutar momentos de descontração e lazer. Avalie também a possibilidade de propor nova dinâmica para as atividades diárias e objetivos profissionais. . o impacto na organização com a perda de produção e outras consequências que podem levar até a perda de seus colaboradores deve ser avaliado com o mesmo peso que os danos produzidos pelo esgotamento na saúde e na qualidade de vida dos indivíduos. Outras questões como as relacionadas ao ambiente de trabalho no que diz respeito à organização do espaço e preocupações com a ergonomia deste ambiente devem ser levadas em considerações para investimentos em melhoria e adequações necessárias.As decorrências do estresse certamente colocam em pauta a necessidade de mudanças. Espaços para o descanso e opções de interatividade que desvinculem o indivíduo de sua função e de suas preocupações. .com . Assim.Conscientize-se de que o consumo de álcool e de outras drogas para afastar as crises de ansiedade e depressão não é um bom remédio para resolver o problema. Brasil. Dráuzio Varella recomenda em sua enciclopédia online: .

out. Mathias V. 2005.com. junho de 2006 Disponível em: http://www2.com. Os indivíduos reagem de diferentes maneiras a estas pressões – alguns têm maior capacidade de suportar e resolver os problemas mesmo estando sob pressão. mantendo o controle e consciência dos possíveis danos à saúde que uma situação como esta pode ocasionar.br/?art=311&sec=27> Acessado em: 23 set. em casos crônicos. trazendo a possibilidade de perda para o próprio indivíduo e também para a organização. Esgotamento Total.uol. Revista Mente e Cerebro: Edição 225.br/doencas-e-sintomas/sindrome-de-burnout/> Acessado em: 01 Brasil. Outubro de 2011.com.Conclusão A sobrecarga do trabalho no contexto das organizações exerce pressões tanto sobre aqueles que dirigem a organização quanto sobre os colaboradores operacionais. Curso Superior de Tecnologia em Processos Gerenciais. Fundação Getúlio Vargas. Síndrome de Burnout.html. As duas faces do estresse. Outubro 2011. Síndrome de burnout. Referências bibliográficas BALLONE. Revista Mente e Cerebro: Edição 161. VALLONE. Disponível em: < http://drauziovarella. SCHWABE. Eciclopedia on-line. Assim a melhor ferramenta contra a síndrome do esgotamento profissional é a prevenção. PsiqWeb. 2011 Drausio. Acesso em: 25 set. KRAFT. Walquiria. Ulrich.. VARELLA. Disponível em: < http://virtualpsy. Galafassi & Hashimoto Ltda. SCHMIDT. Email: simetriagestao@gmail. 2011. outros podem entrar em uma espiral descendente que os levam a estados de crise e.br/vivermente/reportagens/esgotamento_total_5. Apontamentos feitos na reunião on-line do Fórum na disciplina de Psicologia Organizacional. Lars. que os fazem sucumbir. Ediouro Duetto Editorial. 2011.locaweb.com . José Geraldo.

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