Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL

Elementos estruturantes da enfermagem da criança e do jovem
Teoria Geral dos Sistemas Sistema – unidade organizada, em desenvolvimento, dinâmica (a qualquer momento se altera e se transforma), os componentes permanecem entre si e interagem; disfunção ou mudança causam perturbação. Subsistema – partes componentes do sistema, mais pequenas, internas, que interagem entre si e definem o sistema. Supra sistema – Ajudam a definir o ambiente externo em que o sistema está inserido. Estrutura – forma como todos os elementos se organizam (indivíduo só se separa da família com a independência e não com a idade) Fronteira – o que separa o ser humano do ambiente são os sentidos porque são estes que o permitem perceber o mesmo. Não é uma linha circular e impermeável. Contém alguns “poros”. Uma criança com défices sensoriais tem uma fronteira com os “poros” mais fechados. Função – todas as actividades que o ser humano realiza para satisfazer as suas necessidades. In Put – entram no sistema para o influenciar. Os cuidados de enfermagem são um in put. Podem ser sobre a forma de informação, matéria ou energia. Out Put – são o comportamento do sistema: Qual é a reacção do sistema (criança) aos in put (cuidados de enfermagem) Stress – Nem sempre é negativo

Referencial Teórico do Modelo de Sistemas de Neuman
Teorias que o influenciam:  Humanismo  Holismo  Teoria de Gestalt  Teoria de Stress de Seyle  Teoria Geral de Sistemas  Teoria de Crise de Caplan → Foge do modelo tradicional de doença. Grande flexibilidade: aplicável a indivíduo, família, grupos e comunidade. Humanismo  O Indivíduo como um ser único;  O propósito da vida humana;  A liberdade individual de escolha; → Todos os indivíduos têm as suas individualidades. Temos de negociar com o sistema/cliente de modo a que este se envolva no plano/processo terapêutico e faça as suas escolhas. Holismo  A reacção do indivíduo corresponde a um todo unificado;  O todo é diferente e mais do que a soma das partes;  As várias relações entre as partes e sub-partes do cliente devem ser adequadamente identificadas antes de o enfermeiro actuar. → Ver o indivíduo como um todo unificado.

1

Nádia Isabel Leonardo Perdigão, CLE 2008-2012, Nº 1851

Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL
Teoria de Gestalt O processo homeostático permite que o organismo se mantenha em equilíbrio e por isso tenha saúde. → Sistema só tem saúde se es ver em equilíbrio: equilíbrio entre In put e Out put. Teoria de Stress de Seyle Conceitos  Stress – “a resposta não específica do corpo a qualquer solicitação que lhe é feita”  Resposta não específica – “a que afecta todas ou a maioria das partes de um sistema sem selectividade”  Stressores – “os agentes que colocam solicitações ao corpo que podem precipitar stress. Podem ser benéficos ou prejudiciais” → Stressores positivos (forças) e negativos. A síndroma de stress ou síndroma de adaptação geral aparece quando um organismo é sujeito a um stress contínuo e prolongado A síndroma de adaptação compõe-se de 3 estádios:  Reacção de alarme  Resistência  Exaustão Teoria Geral de Sistemas Os sistemas abertos mantêm-se em equilíbrio apesar dos processos contínuos de importação, exportação, construção e demolição em constante acção. O Homem, sistema em constante transformação, possui a capacidade de adaptação às diferentes mudanças que ocorrem no seu meio interno e externo. Os fenómenos homeostáticos e a capacidade de mudança que contribuem para um equilíbrio dinâmico dentro do próprio sistema. Num sistema aberto as trocas ambientais são recíprocas – o cliente e o meio ambiente podem afectar-se mutuamente, positiva ou negativamente. O input processado providencia outputs como feedbacks para futuros inputs, criando um padrão organizado dentro do sistema aberto. Teoria de Crise de Caplan A crise – período transitório que apresenta ao indivíduo tanto uma oportunidade de crescimento da personalidade quanto um perigo de crescente vulnerabilidade. Após a resolução da crise o indivíduo poderá ficar com maior ou menor capacidade para a resolução de futuros problemas em função da forma como se operou o realinhamento de forças quer a nível da sua personalidade quer do tipo de relações que passa a manter com os outros. Três níveis de prevenção: Prevenção primária (retenção do bem-estar) – acção sobre os factores prejudiciais antes que se produza a doença. Prevenção secundária – acção visando alterar os factores que levam à doença ou actuar mediante um diagnóstico precoce e tratamento eficaz. (Ex: Rastreios) Prevenção terciária - acção visando reduzir a incidência dos efeitos residuais dos problemas. → No Modelo de Neuman, as intervenções apresentam-se sempre aos três níveis.

2

Nádia Isabel Leonardo Perdigão, CLE 2008-2012, Nº 1851

Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Paradigma Pessoa
Conceitos  Sistema Cliente  Pessoa  Ambiente  Saúde  Enfermagem Sistema/Cliente  O Sistema/cliente (Criança/Jovem + família como contexto) é visto como um todo englobando todas as variáveis do ser humano (fisiológicas, psicológicas, sociais, culturais, espirituais e desenvolvimento), incluindo as experiências actuais e passadas  O sistema/cliente é um sistema aberto, interagindo com o ambiente, ajustando os seus comportamentos e/ou ajustando o ambiente às suas necessidades  Embora as suas respostas adaptativas sejam comuns a outros sistemas/clientes, a sua singularidade está nas opções específicas que toma. Variáveis: Fisiológica: estrutura física e função Psicológica: processos mentais e relacionamentos Sociocultural: funções sociais e culturais Desenvolvimento: processo de etapas de desenvolvimento Espiritual: crenças religiosas, populares, projectos de vida → Ter sempre atenção às particularidades das respostas de cada sistema Pessoa Ser fisiológico, psicológico, sociocultural, e espiritual, capaz de se desenvolver. É um todo integral. É um sistema aberto em constante interacção com o ambiente. Ambiente O ambiente constitui o campo perceptual de cada sistema/cliente Factores do ambiente podem influenciar positiva ou negativamente o sistema/cliente, num dado momento. Inclui os factores de stress contidos no:

Saúde

Enfermagem

Ambiente

Ambiente criado – forma inconsciente como o indivíduo mobiliza o que é necessário e vai buscar subsídios a outras varáveis para conseguir o equilíbrio. Nádia Isabel Leonardo Perdigão, CLE 2008-2012, Nº 1851

3

 Quando o sistema gera e consome níveis idênticos de energia orienta-se para a estabilidade.  Restabelecimento da adaptação.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Saúde  Processo que se desenvolve ao longo do tempo.  A saúde está dependente de vários graus de harmonia ou oscilação entre envolventes internas e externas.  Quando o sistema gera mais energia do que a que consome orienta-se para o crescimento ordenado do sistema (anentropia). destinadas a fortalecer os mecanismos adaptativos ou a diminuir os factores stressores:  Prevenção da desadaptação. ʘ Entropia = morte do sistema = esgotamento do sistema Enfermagem Alvo Criança e Jovem em constante crescimento e Desenvolvimento (Cuidados Centrados na Família) Objectivo Ajudar o cliente a atingir o nível máximo de saúde através de propostas de intervenção aos três níveis de prevenção.  Quando o sistema consome mais energia do que a que gera orienta-se para a destruição do sistema (entropia).  Um reduzido estado de bem-estar é o resultado de necessidades sistémicas não atendidas. Nº 1851 . por meio de um processo de interacção e ajustamentos. Estrutura do Modelo 4 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. CLE 2008-2012. quando todas as variáveis estão em equilíbrio.  O bem-estar é a condição na qual todas as partes e sub-partes do sistema/cliente estão em harmonia com o sistema como um todo.  A saúde equaciona-se com a estabilidade do sistema. isto é.  É um continuum de bem-estar de natureza dinâmica que está constantemente sujeito a mudança.  Manutenção da adaptação.

sua habilidade para manter estabilidade e integridade → A forma como uma pessoa normalmente reage. força ou debilidade orgânica. Esta linha representa o que o cliente se tornou ou evoluiu com o passar do tempo. Nº 1851 . forças. ʘ Nível de bem-estar do cliente. recursos económicos. Um mecanismo protector que tenta estabilizar o sistema cliente e proporcionar um retorno ao bem-estar habitual. Como se responde a determinado fenómeno. 5 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. As Linhas de Resistência contêm factores de recursos internos e externos conhecidos e desconhecidos que apoiam a Estrutura Básica do cliente e a Linha Normal de Defesa (ex: mobiliza ou activa mecanismos de sistema imunitário que protegem contra as doenças) ʘ Factores. anatómicos. doença crónica) ʘ Estrutura do ego Linhas de Resistência Conjunto de círculos quebrados que envolvem a estrutura básica. ʘ São três conjuntos. Padrão. condições estáveis que permitem a defesa contra stressores mantendo o equilíbrio (ex: características da personalidade. São activadas para proteger ou reconstituir o sistema. podendo ser: indivíduo/família/grupo /comunidade. estrutura genética . São recursos do indivíduo que o ajudam a ultrapassar situações/combater stressores. padrão de resposta. Linha Flexível de Defesa Forma o limite exterior do sistema de cliente definido. Contêm factores que apoiam as linhas de defesa (as mais exteriores). ʘ Resulta do somatório das aprendizagens adquiridas em confrontos anteriores com os agentes stressores. Quando ainda se estão a construir encontram-se na linha flexível. Só recursos construídos estão nestas linhas.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Representação Gráfica do Sistema/Cliente Estrutura Básica . O NLD define a estabilidade e integridade do sistema de cliente.O core ou estrutura básica consiste em factores básicos de sobrevivência (aspectos fisiológicos. religião. ʘ Dinâmica (expande-se e contrai-se de forma a manter a estabilidade do sistema). ʘ Define a estabilidade e integridade do sistema. estrutura de ego). Linha Normal de Defesa O Sistema cliente tem um nível de bem-estar ou equilíbrio habitual. ʘ Factores comuns a todos os organismos ʘ Sinais vitais ʘ Estrutura genética ʘ Forças ou fraquezas orgânicas (ex: conhecimentos. CLE 2008-2012. estratégias de coping). ʘ Representa a capacidade normal de resposta às agressões.doenças crónicas. Esta linha de defesa normal é um padrão de normalidade e ajuda a determinar qualquer discrepância de bem-estar (ex: o padrão habitual de sono varia ao longo do ciclo vital.

Tipos de stressores: positivos ou negativos Categorias:  Intra-sistema → os que ocorrem dentro do sistema (tem a ver com o ambiente interno)  Infecção. Factores de stress Cada factor de stress: ʘ Pode constituir uma ameaça ou corresponder a uma reacção. mudanças no sistema cultural ou político.  Inter-sistema → os que ocorrem entre um ou mais sistemas (ocorrem entre a pessoa/sistema e outros sistemas. ʘ Está relacionada com os mecanismos flexíveis de resposta sendo particularmente sensível às circunstâncias. privações.  Extra-sistema → os que ocorrem fora do sistema (Ocorrem a nível supra sistémico.  Respostas condicionadas às ocorrências de vida: desgosto. A tensão provocada aumenta o potencial. situação de dependências de outrem. trauma. ambiente externo longínquo)  Situação de pobreza. ʘ Quando a linha flexível de defesa não é capaz de proteger o sistema contra o agente de stress. ʘ Representa a fronteira exterior do sistema. ou causa: ʘ Desequilíbrio. apoio dos colegas da escola mudanças de papéis e de funções.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Actua como um sistema mais externo e protector para a Linha Normal de Defesa do cliente ou estado de bem-estar do sistema. ambiente externo próximo)  Conflitos familiares. este quebra a linha normal de defesa. ʘ Pode conter determinadas características que exijam vários níveis de intervenção de enfermagem. CLE 2008-2012. alterações do desenvolvimento). Previne a invasão do sistema cliente pelo stressor (ex: Mecanismos flexíveis de resposta). ʘ Amortece e absorve as agressões como um acordeão → “Pára-Choques”. ʘ Crise ou maturação. Nádia Isabel Leonardo Perdigão. Nº 1851 6 . Variáveis Interactivas Stress Situação ou condição capaz de causar instabilidade no sistema pela penetração na LND.

As Linhas de Resistência impedem que os agentes de stress atinjam o core – caso sejam ineficazes a vida do sistema poderá estar comprometida. Nº 1851 . A linha normal de defesa pode ser usada como padrão para medir os desvios de saúde.  Cada sistema cliente tem um conjunto de factores de resistência interna – linhas de resistência – que tentam estabilizar e ajudar o cliente a restabelecer o equilíbrio. referidas como linha normal de defesa. Elementos do Modelo Fonte de dificuldade As origens prováveis das dificuldades experimentadas pelo cliente relacionam-se:  Com os factores de stress. Representa a alteração no tempo verificada com diversos confrontos com stressores.  Tempo de encontro com o stressor.  Mecanismos de defesa naturais e aprendidos.  Cada sistema cliente é único.  O nível da linha normal de defesa não é idêntico para todos os clientes. Modo de Intervenção Prevenção Primária → Objectivo: Fortalecer a linha flexível de defesa (Impedir que o stressor entre dentro do sistema) 7 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. a voltar ao estado normal de bem-estar ou a um nível mais elevado de estabilidade após a reacção a um stressores ambiental.  O sistema cliente está sujeito a agentes de stress que podem potencialmente causar um desequilíbrio do sistema. A reacção e/ou grau de reacção vai depender da individualidade do sistema:  Estrutura básica.  Os enfermeiros não podem impor os seus julgamentos ao cliente.  O sistema cliente é um sistema aberto em constante interacção com o ambiente.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Reacção do Sistema/Cliente A reacção aos stressores depende do estado das suas Linhas de defesa. Valores  Os enfermeiros têm o dever de procurar o potencial máximo de estabilidade do sistema cliente.  E/ou com a “fragilidade” das suas linhas de defesa e resistência.  Cada sistema cliente desenvolveu ao longo do tempo um conjunto de respostas. Todos os sistemas procuram o equilíbrio. ou um estado normal de bemestar/estabilidade. O sistema cliente foi danificado para além das capacidades das linhas de defesa. resultando perda de energia – as linhas de defesa contraem-se. CLE 2008-2012. Componentes Essenciais do Modelo Postulados  Os factores de stress diferem pelo potencial para perturbar a linha normal de defesa e podem afectar o grau em que cada sistema cliente está apto para usar a sua linha flexível de defesa contra a possível reacção aos stressores. Reconstituição O sistema cliente adquire novas e melhores capacidades para lidar e superar as agressões – as linhas de defesa expandem-se. mas também tem características comuns a todos.

Nº 1851 . CLE 2008-2012.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL STRESSORS AMBIENTAIS A avaliação dos stressores para antecipar as possíveis consequências do risco de adoecer Acções para prevenir a invasão dos stressores Prevenção Secundária → Objectivo: Proteger a estrutura básica e facilitar a reconstituição do bem-estar (Reduzir a manifestação). Reconstituição como resultado da intervenção secundária Avaliação do grau de reconstituição como resultado das intervenções Intervenções de apoio aos recursos interno e externo com vista à reconstituição Níveis de bem estar óptimo (possível para cada sistema) 8 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. Stressores Reacção aos stressores A avaliação do grau de reacção aos stressores facilita a intervenção/ tratamento Acções para reduzir o grau de reacção aos stressores Desorganização grave (intervenção ainda possível ou morte do sistema) Prevenção Terciária → Objectivo: Alcançar ou manter o nível máximo de bem-estar.

mas sim o terapêutico. Usar palavras simples. Não falar nem muito depressa.  Diminuição do grau de reacção. Nádia Isabel Leonardo Perdigão. Mostrar-se interessado. desanuviar os pais que se encontram em tensão.ajudar o cliente a voltar ao estado de saúde habitual. 2003:4) → É a partir da comunicação com o nosso cliente alvo de cuidados que os mesmos se desenvolvem. verbal e abstracta (Hockenberry. CLE 2008-2012. Objectivo .Reduzir a possibilidade de um encontro com o agente de stress. A intervenção é centrada em restabelecer a adaptação ou a estabilidade.  O exercício profissional de enfermagem centra-se na relação interpessoal (OE. 1993) → O facto de serem diferentes não quer dizer que a social não seja utilizada em contexto terapêutico desde que seja com a intenção de chegar a outro patamar que não o social. Prevenção Inicia-se geralmente após o tratamento. Algumas intervenções são muito semelhantes às do primeiro nível. nem muito devagar. Evitar a possibilidade de uma recorrência da reacção ocorrida anteriormente. a reconstruir-se. Terciária Finalidade . Ser breve. falar cada vez mais baixo.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Níveis de Prevenção → Objectivo: Estabilidade do Sistema Níveis de Descrição das intervenções Prevenção Prevenção Ocorre quando um agente de stress é identificado. ou também para. Prevenção Ocorre quando um agente de stress passou a linha de defesa e causou reacção. ou se suspeita de algum Primária antes de ocorrer a reacção do sistema.  Competências relacionais: técnicas de comunicação. 1993) → Basta existirmos para estar a transmitir qualquer coisa. desenvolvimento pessoal (Chalifour. Secundária Objectivo . 2007) Princípios        Pronunciar as palavras correcta e claramente.  Comunicação: não-verbal. Consequências da Intervenção  Aumento da resistência ao stress. Comunicação com a Criança e o Jovem Enquadramento  É impossível não comunicar (Watzlawick. Dirige-se para actividades de manutenção e de tipo educacional. Não falar muito alto nem muito baixo → Para baixar o ruído. 1993)  Comunicação terapêutica ≠ conversa social (Riopelle & Phaneuf. Nº 1851 9 .ajudar a pessoa a manter e a estabilizar o seu estado de saúde. Fortalecer a Linha de Defesa. habilidades emocionais. muitas vezes.  Aumento do nível de bem-estar. ou seja. Concentrar-se na mensagem e levar os outros a fazê-lo. diferem porque aparecem depois da ocorrência da reacção. Prevenir a desadaptação.

 Falar de forma positiva (evitar o “não”) → Em vez de dizer o “não deve”.  Criar intervalos para controlar a sua recepção.  Manter uma boa postura. expressão facial).  Acompanhar as palavras de gestos → Desde que os gestos sejam adequados. interromper o interlocutor). voz acelerada.  Mostrar um olhar interessado.  Percebem a ansiedade e o medo (↑ FC e FR. repetir ou solicitar esclarecimentos.  Evitar as gírias. fazer comentários apropriados) e dos comportamentos de negação (virar as costas a quem está a falar. 10 Nádia Isabel Leonardo Perdigão.  Precisam de ter oportunidade de avaliar a pessoa desconhecida antes de permitirem a interacção.  Oportuna (quando percebe sinais de que a criança está pronta para se relacionar) → Necessário que a criança esteja mesmo disponível para comunicar → implica esforço anterior para que esta se vá tornando disponível → começar a interacção com o adulto e dar tempo para a criança se ambientar. contacto visual directo. Exemplo dos comportamentos de aceitação (concordar com a cabeça.  Reformular o que o interlocutor disse para se certificar de que compreendeu a mensagem.  Congruente (a mensagem veiculada por diferentes canais.  São muito competentes na compreensão da linguagem não-verbal. ʘ As crianças atribuem significado a cada gesto/movimento.  Guiam-se pelo modelo relacional pais/enfermeiro → Temos maior probabilidade de sucesso na interacção com a criança se antes já houve um esforço para ter uma relação de confiança com os pais. firme e uniforme → Voz calma transmite segurança e sensibilidade. voz firme transmite autoridade. voz uniforme transmite segurança e é melodiosa. não pode ser contraditória) → A mensagem tem de ser verdadeira e sincera.  Não dar muita informação de seguida. estalar os dedos. bater o pé. dada a sensibilidade das crianças às mensagens não-verbais.  Ser simpático → Ser simpático não quer dizer que se vá fazer as vontades todas ao outro. atitudes e a ansiedade.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL  Sorrir.  Respondem com atenção a uma voz calma. os componentes nãoverbais do processo de comunicação transmitem as mensagens mais importantes. dizer o que deve fazer. Especificidades  Ajustada às características de cada grupo etário. ʘ É difícil disfarçar sentimentos.  Clara (adaptar os termos à linguagem que a criança entende/usa) → Temos de perceber que linguagem a criança utiliza para nos adaptarmos a ela. ʘ Devemos ter em atenção o “efeito de espelho”. Nº 1851 . ʘ Na comunicação com as crianças de todas as idades. gestos.  Falar olhando para o interlocutor.  Certificar-se de que os termos que utiliza são compreendidos pelo interlocutor → Utilizar poucos termos técnicos na comunicação com a população. verbal e não verbal. CLE 2008-2012. fugir do contacto visual.

fralda suja.  Segurá-los com firmeza e na mesma posição que os seus pais o fazem.  Ainda não adquiriram habilidades suficientes para expressar todos os seus sentimentos e desejos → Estão ainda numa fase de desenvolvimento de capacidades.  Não inclua logo a criança em actividades (permitir que esta observe a uma distância segura). 11 Nádia Isabel Leonardo Perdigão.  Emitir sons próximos daqueles que a criança verbaliza (estimulam e exercitam). Toddler e Pré-Escolar Como e o que comunicam  Centrados neles (egocêntricos) → Tem dificuldade em ver fora de si. Como comunicar  Dirigir a comunicação para a criança. morder. é com ela que se fala primeiro.  Progrida calmamente até questões mais complexas ou Recém-Nascido – Primeiros 28 profundas.  Segurá-los de forma a manter os pais no seu campo de visão. CLE 2008-2012.  Incapazes de separar o real da fantasia (fase do concreto) Ex: “agulha grande” → Ter atenção com as palavras que usamos → podem dar sen dos às palavras que não os mesmos que nós damos. dias Lactente – 29º dia a 1 ano Toddler – 1 a 3 anos Recém-Nascido e Lactente Pré-Escolar – 3 a 6 anos Como e o que comunicam Escolar – 6 a 12 anos Adolescente – 12 a 18 anos  Usam e compreendem a linguagem não-verbal.  Utilizar expressões faciais e movimentos com a cabeça.  Assuma uma posição ao nível do campo visual da criança. fale primeiro com este (facilita a entrada na interacção).  Faça perguntas simples Ex: “O ursinho tem nome?”. Nº 1851 .  Sorriem e palram. solidão ou “falta de colo”). dor. Como comunicar  É difícil obter imediatamente a sua confiança. beliscar).  Conferem qualidades humanas a objectos (saltar.  Evitar a comparação com as experiências de outras crianças → É egocêntrico → não tem capacidade de comparar.  Choro manifesta insatisfação ou pedido (fome.  Se a criança tiver um boneco. música. é ela o nosso alvo de cuidados e o nosso alvo de preocupação.  Verbalizam sons compreendidos pelos seus cuidadores (Os pais aprendem a descodificar a linguagem). cortar.  Preferem a posição vertical.  São capazes de comunicar com as mães e transmitir ideias sem palavras.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Orientação  Converse primeiro com os pais e só depois com a criança: ʘ Fala-se com os pais primeiro só na criança pequena → quando a criança está num nível de desenvolvimento em que já desenvolveu pensamento abstracto. movimentos súbitos) com expressões faciais e reacções corporais.  Reagem a estímulos externos (voz. sons altos.

 Evitar comentários ou expressões de reprovação ou surpresa. 12 Nádia Isabel Leonardo Perdigão.  Dificuldade em discutir alguns assuntos com os membros da família → A comunicação deve ser feita num local em que não estejam os pais. Escolar Como e o que comunicam  Já possuem domínio da linguagem verbal.  Procuram explicações e motivos para tudo → Porque é que as coisas se passam daquela maneira. música e gostos.  Pensamento abstracto.  Hostilidade.  Interessam-se pelo aspecto funcional dos procedimentos. actividades (aprendizagem activa).  Respostas monossilábicas ( ↓ confiança). Como comunicar  Conversar sobre os procedimentos (linguagem adequada) → Falar com elas sobre tudo o que está relacionado com o seu processo de doença. descubra por si → Deixar que este descubra os materiais. Nº 1851 . Como comunicar  Cautela na interpretação (por vezes não adequam as palavras ao que sentem).  Mobilizar assuntos actuais e de interesse para a criança. objectos.  Atmosfera aberta e não tendenciosa. pois o adolescente pode não se sentir à vontade para falar com os pais sobre determinados assuntos. veja por ela própria.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL  Permitir que a criança toque. Adolescentes Como e o que comunicam  Comunicativos e participativos → Perante situações de doença podem-se tornar extremamente reservados e pouco participativos.  Utilizar linguagem adequada. revolta e isolamento.  Confiam menos no que vêm e mais no que sabem.  Na presença dos pais começar pelos adolescentes. CLE 2008-2012.  Preocupam-se com a integridade física.  Conhecer a sua linguagem.  Não dar conselhos quando não solicitados. valorizando as suas ideias.  Considerar as suas experiências passadas de saúde-doença.  Evitar frases que possam ser interpretadas “à letra”.  Expressam de sentimentos súbita ou durante a realização de procedimentos.  Não interromper (o jovem pode não voltar a falar sobre…).  Permitir que participem nas conversas com os pais.  Recorrer a experiências do enfermeiro para falar sobre as experiências da criança → Contar histórias de modo a facilitar a compreensão da situação. sentimentos e interpretações.  Gostam de sentir que o enfermeiro tem interesse por eles.  Dar atenção e mobilizar experiências do próprio enfermeiro.  Interpretar quando estão prontos para falar. raiva.  Não toleram que os respeitem tal como são.

para trabalhar aspectos que se estão a passar com a criança e que não são fáceis de abordar. ʘ “Por vezes. Três desejos. pedir à criança para repetir a história. porque não pode fazer o que os outros podem…” Resposta Facilitada Dar chaves à criança para que esta responda ʘ “Sentes-te infeliz por causa dos tratamentos e da separação dos teus amigos. explorar o significado do sonho. Jogos de pontuação. dificuldades.” Narração de Histórias Pedir à criança que conte uma história sobre um menino que está no hospital. envolver a família. quando um menino fica muito doente pode sentir-se mal. discutir o significado da história. Nº 1851 . CLE 2008-2012. medos. desenhar sobre a história. mostrar à criança como ela nos faz sentir. ʘ “Eu fiquei um bocadinho triste quando fizeste…” ʘ “Eu estou preocupada com os teus tratamentos porque gostava que ficasses melhor.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Técnicas de Comunicação Verbais Não Verbais Técnicas de Comunicação Verbais Mensagem do “EU” Fazer chegar à criança aquilo que nós sentimos quando ela tem determinado comportamento. Sonhos Pedir à criança para contar um sonho ou pesadelo. triste. fantasias).” Técnica de Terceira Pessoa Falar com a criança inventando uma personagem. Narração mútua de Histórias Pedir à criança que conte uma história. prós e contras… Técnicas de Comunicação Não Verbais Escrita ʘ “Cantinho das Mensagens” 13 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. depois a enfermeira conta uma história semelhante mas com diferenças que ajudam a criança nos seus problemas. Biblioterapia Ler a história para a criança (se ela não for capaz ou pedir).

 “Cantinho das Mensagens” Jogos e Brincadeiras  Linguagem Universal  “Trabalho/profissão” das crianças  Essencial ao seu desenvolvimento É imprescindível na vida da criança → desenvolvimento da criança Grupo etário RN e Lactentes Brinquedos / Jogos Bonecos macios e com som Caixas de música Brinquedos coloridos e de encaixe Puzzles Ferramentas e objectos do dia-a-dia Peluches Bonecas Livros Jogos electrónicos Pinturas Jogos de grupo Puzzles Jogos electrónicos Pinturas Jogos de tabuleiro Computador Jogos electrónicos Música TV Livros Jogos de tabuleiro Pré-escolares Escolares Adolescentes Funções do Brinquedo e Jogo  Essencial ao crescimento e desenvolvimento.  Viabiliza um ambiente seguro e contentor. CLE 2008-2012.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL ʘ Manter um jornal ou diário → Abordar o tema que é difícil para a criança falar/Escrever pensamentos ou sentimentos difíceis de expressar. 14 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. ʘ Projecções do seu interior  Desenho livre. Desenho e Pintura É intuitivo e natural na criança. onde ela pode exprimir as suas preocupações e felicidade → projecta as suas preocupações e resolve algumas questões que podem estar a ser difíceis.  Treino de estratégias de confronto.  Desenho dirigido (Ex: menino que foi operado → “Faz-me um desenho sobre um menino que foi operado”).  Expressão de emoções.  Mediador da relação. Nº 1851 .

Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL  Reforço positivo. altura ou comprimento e índice de massa muscular).  Directiva 93/68/CEE do Conselho de 22 de Julho de 1993 que altera a Directiva 88/378/CEE (segurança dos brinquedos). Normas Europeias de Segurança dos Brinquedos  Directiva 88/378/CEE do Conselho de 3 de Maio de 1988 relativa à aproximação das legislações dos Estados membros respeitantes à segurança dos brinquedos. 15 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. CLE 2008-2012.  A nova Directiva 2009/48/CE relativa à segurança dos brinquedos virá revogar a Directiva 88/378/CEE a partir de 20 de Julho de 2011. filmes  Fotografias para recordar  Despedidas calorosas  Ambiente seguro  Fardas coloridas e com bonecos  Acompanhamento pelas pessoas significativas  Preservar a segurança  Ambiente físico ʘ Pinturas nas paredes ʘ Vídeos ʘ Brinquedos ʘ Música ʘ Sala de Brincadeiras ʘ Espaço Jovem → Valeriano. p. 1959). P. 1961). Ambiente Terapêutico e Comunicação  Cultura dos afectos  Acolher  Cumprimentar  Expressar afecto  Inclusão da família  Sintonia com o mundo infantil ʘ Brincadeira.  Declaração sobre a criança e o direito de brincar (Associação Internacional para o direito da criança brincar. 110-116 Apreciação da Criança e do Jovem – Exame Físico Medidas de Crescimento Percentil  Indica a posição que uma criança ocupa.  Carta da Criança Hospitalizada (1988). peso. Enquadramento Institucional do Brincar  Declaração dos direitos da criança (Nações Unidas. 49(3). desenhos animados. J. O Brincar: actividade de desenvolvimento e adaptação à vida. Diogo. em relação a uma dada medição numa série típica de 100 (perímetro cefálico. Nº 1851 . (data). Servir. cantar.

ou seja. o que não significa que seja problemático. altura. requerem maior vigilância. 16 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. Tabelas de raparigas e de rapazes são diferentes (têm curvas diferentes). percentil 20 é o ponto abaixo do qual estão 20% das observações e acima dele. Tabela de Percentis Gráfico onde está desenhada cada uma das curvas correspondente a cada percentil. Não existe um valor ideal. É fundamental a avaliação da curva de evolução do peso. As mudanças entre percentis 25 e 75 são menos significativas. As crianças de percentil abaixo de 5 ou superior a 95. 50% dos hospitais terão suas taxas de infecção hospitalar situadas entre o percentil 25 e o percentil 75. As alterações bruscas de percentis também devem ser observadas. 95 estão abaixo dela e 5 estão acima. quando todas as observações são ordenadas. São mais importantes e significativas as mudanças bruscas das curvas de evolução. é denominado percentil 25 e inclui 25% dos valores mais baixos. A relação peso/altura pode ser significativa na avaliação do estado nutricional da criança.  O percentil é dividido em quatro partes. perímetro cefálico e índice de massa corporal. As que têm percentil inferior a 25 ou superior a 75 podem requerer mais cuidados. As crianças que têm percentil entre 25 e 75 acompanham a maioria das crianças. Os dados obtidos através dos percentis só são significativos associados à história de saúde da criança. A criança pode ter diferentes percentis nas diferentes características. Para estimá‐lo arranjam‐se os dados em ordem crescente e encontra‐se o valor que divide o conjunto de dados no tamanho adequado.  O primeiro quartil. do que os valores absolutos. a mediana é o valor do meio. Por exemplo. Se o número de observações é impar. acima do pavilhão auricular e ao centro frontal. Curvas de Crescimento Semelhante a tabela de percentis mas com o crescimento da criança. Ex: percentil 95 do peso → em 100 crianças da mesma idade. A mediana também é denominada percentil 50 ou quartil mediano. Perímetro Cefálico A medida da circunferência da cabeça que se obtém colocando a fita métrica bem esticada sobre a porção mais saliente do occipital. Nº 1851 . 80% das observações. chamadas de quartil.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Um percentil é um ponto abaixo do qual a percentagem especificada de observações ocorre. CLE 2008-2012. com as mesmas características. Pode dizer-se que entre o percentil 25 e o percentil 75 encontram-se 50% das observações da população que apresentam os valores médios observados.  O terceiro quartil corresponde ao percentil 75.  o segundo quartil corresponde ao percentil 50.

Se o bebé perder mais do que o peso esperado. Peso  Peso médio do RN – 3.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Avaliações mais frequentes no início de vida. RN – Média de 35 cm de Perímetro Cefálico 90% Dos RN apresentam valores de PC entre 33 e 37 cm  1º Trimestre – 2cm/mês  2º Trimestre – 1 cm/mês  3º Trimestre – 0. daí a necessidade de maior vigilância no primeiro ano de modo a prevenir ou diagnosticar precocemente alterações.  Recuperação do peso – entre o 10º e o 14º dia.  Dos 6 aos 12 anos . Fazem-se três avaliações seguidas e utiliza-se o maior valor → o risco é de avaliar por defeito e não por excesso. Nº 1851 .200 kg. Avaliado no diâmetro maior. Microcefalia Por causas genéticas e anomalias no desenvolvimento fetal. O espaçamento entre cada uma delas vai aumentando com o tempo. ʘ Está completa quando volta a ter o mesmo peso que tinha quando nasceu. ʘ A diminuição de peso não é explicada nem pela má alimentação nem por outros factores. Perde peso pela nova redistribuição da água nos diferentes compartimentos corporais.  Perda de peso fisiológico – 200 a 400 gr (10% do peso à nascença).  Aumento do Peso: 15 a 30 gr/dia. CLE 2008-2012.  O peso tem um aumento progressivo: ʘ 1º Semestre – aproximadamente 600grs/mês ʘ 6º Mês – duplica o peso à nascença ʘ 2º Semestre – aproximadamente 500grs/mês ʘ 12 Meses – triplica o peso à nascença ʘ 6 Anos – duplica o peso dos 12 meses 17 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. Se a criança es ver fora do padrão normal é necessária maior vigilância. O crescimento cerebral é muito intenso no primeiro ano de vida. Hidrocefalia → há dificuldade em absorver o Líquido Céfalo Raquidiano que é continuamente produzido. marcar nova visita para breve para verificar se entretanto está a recuperar como esperado.  2º Ano de vida – aumenta cerca de 2cm (desaceleração do crescimento cerebral) No fim do 2º ano devida o cérebro atingiu aproximadamente 4/5 do seu tamanho de adulto. O bebé perde apenas água e não massa corporal.5cm/mês No fim do primeiro ano de vida o cérebro atingiu aproximadamente 2/3 do seu tamanho de adulto.(o cérebro cresce menos que anteriormente) de 51 cm para 53-54 cm Aos 12 anos – o cérebro já atingiu praticamente o tamanho adulto Macrocefalia Se o percentil não for muito superior a 95 avaliar primeiramente se não será uma questão hereditária. 0-36 Meses → avaliado por ro na nas visitas de ro na.

metade dos quais durante o ano de crescimento mais rápido. Nº 1851 . ʘ Na rapariga – o surto de crescimento começa cerca de 18 meses mais cedo e fica quase completo pelos 13.  Do 3º ao 5º ano de vida – cresce cerca de 12 cm. ʘ 2º Semestre – 1. crescendo cerca de 8 cm durante o ano de crescimento mais rápido.5 a 3 cm/mês.5 anos. por volta dos 10 anos na rapariga e dos 12 anos no rapaz. Tabelas de percentil Peso: 0 – 24 Meses – peso/idade 2 – 20 Anos – peso/idade Comprimento: 0 – 24 Meses – comprimento/idade 2 – 20 Anos – estatura/idade Índice de Massa Corporal 2 – 20 Anos – Índice de massa corporal/idade Obesidade > percentil 95 Excesso de peso > percentil 85 e < percentil 95 18 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. Perímetro Torácico É a medida da circunferência torácica. Perímetro abdominal É a medida da circunferência abdominal que se obtém contornando o abdómen da criança com a fita.  Do 6º ao 10º ano de vida – corresponde a um período de crescimento constante que termina no surto de crescimento da pré-adolescência.5 anos – cresce em média 20 cm. Depois dá-se uma desaceleração na velocidade do crescimento.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL  O peso reflecte o estado de saúde. a inspiração e a expiração não interferem no Perímetro Torácico. CLE 2008-2012. a nível da cicatriz umbilical (criança deitada). Se o RN não estiver em sofrimento. Estatura Comprimento – até aos 2 anos com a criança deitada (Craveira) Altura – com a criança de pé (Estadiómetro) RN – comprimento médio 50 cm  1º Ano de vida – aumenta 25 a 30 cm: ʘ 1º Semestre – 2. que se obtém colocando a fita métrica bem esticada em volta do tórax ao nível dos mamilos (criança deitada). sendo a base para determinar as suas necessidades nutricionais e a dosagem de medicação. Não faz parte das medições de rotina. visto que a respiração é essencialmente diafragmática e abdominal. Num RN de Termo é idêntico ao Perímetro Cefálico.  Surto de Crescimento da Pré-Adolescência (2º período de crescimento rápido): ʘ No rapaz entre os 13 e os 15.  2º Ano de vida – Cresce cerca de 12 cm (desaceleração na velocidade de crescimento).5 a 2 cm/mês.

Ter atenção ao estilo de vida. Medidas Fisiológicas     Temperatura. 19 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. CLE 2008-2012.  Artéria carótida. O maior exercício que o bebé tem é mamar. exercício e alimentação da criança.5ºC.  Torácica (após os 7 anos). Temperatura Locais de avaliação da temperatura na criança:  Até aos 2 anos – axilar. timpânica. A cada 0. convulsões Frequência Respiratória Ter atenção se a criança está em repouso ou em actividade.4ºC de aumento de temperatura corporal dá-se um aumento de 10 batimentos cardíacos por minuto. oral.  Axilar: 34. timpânica. timpânica. Idade Recém-Nascido 1-11 Meses 1-2 Anos 3-5 Anos 6-10 Anos 11-14 Anos > 15 Anos Frequência 30-50 cpm 24-45 cpm 22-38 cpm 21-30 cpm 18-24 cpm 14-20 cpm 14-20 cpm Frequência Cardíaca Locais para avaliação da frequência cardíaca: (avaliar características)  Sobre o ápice cardíaco. rectal.8ºC – 38ºC. prostração.  Timpânica: 35.  Dos 2 aos 5 anos – axilar. Frequência Respiratória.5ºC – 38ºC.  Artéria braquial. rectal.3ºC  Oral: 35. Variações normais:  Rectal: 36.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL IMC → é um dado secundário (nunca se u liza o comprimento) Situações problemáticas → IMC em níveis elevados → Estar atento!!! Prevenir obesidade infantil.7ºC – 37. excitação psicomotora.5ºC – 37. Em cada grau de elevação de temperatura acima do normal a frequência respiratória aumenta 2 a 3 ciclos por minuto A febre pode originar: cefaleias. Nº 1851 .  Toraco-abdominal (pré-escolar). oral. Tipos de respiração: (avaliar características)  Abdominal ou diafragmática (característica do lactente). Pressão Arterial.  Artéria femoral.  Acima dos 5 anos – axilar. Frequência Cardíaca.

Nº 1851 . Idade RN 1-11 meses 1-2 anos 3-5 anos 6-10 anos 11-14 anos >15 anos Pressão Arterial (60-90)/(40-60) mmHg (94-104)/(50-60) mmHg (98-109)/(56-63) mmHg (100-115)/(59-71) mmHg (105-123)/(67-80) mmHg (110-131)/(64-84) mmHg (113-130)/(50-84) mmHg Aparência Geral  Fácies (dismorfias. 20 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. mucosas. Algumas delas são características necessárias à sobrevivência. CLE 2008-2012. cabeça. Necessário registar tudo o que existe e o que não existe.  Coxa – artéria popliteia. Locais onde avaliar a PA na criança:  Braço – artéria braquial. A primeira observação do RN é feita com um detalhe muito grande. expressão emoções/bem-estar)  Aspecto físico (pele.  Perna – artéria tíbia posterior. Tem por objectivo avaliar todas as características do individuo e se se encontram dentro do padrão. Idade Em repouso (acordado) 100-180 100-220 80-150 70-110 55-90 Frequência Em repouso (sono) 80-160 80-200 70-120 60-90 50-90 Exercício/Febre >220 >220 >200 >200 >200 Recém-Nascido 1semana – 3meses 3meses – 2anos 2anos – 10anos 10anos . alegre)  Interacção com os pais e enfermeiro (comportamento)  Linguagem (discurso coerente/fluente/confuso) É um padrão esta ordem.  Antebraço – artéria radial. assimetria)  Estado de nutrição (emagrecimento. mas não quer dizer que o exame físico tenha de ser feito pela mesma. face.adulto Pressão Arterial Também tem percentis. agressivo. → Escolher a braçadeira mais adequada à criança e avaliar com a criança calma e relaxada. bom estado)  Comportamento/Temperamento (agitado. …)  Higiene (aspecto cuidado/pouco cuidado)  Postura (correcta.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL  Artéria pediosa dorsal. A observação geral é feita no primeiro contacto com a criança → é uma observação subjectiva. mas fundamental para a observação da criança.

Estas características não nos dizem nada de normal ou anormal.  Lanugo . Verificar o número de dedos: em excesso ou “colados”. O RN PréTermo pode ter em abundância e o RN de Termo tem apenas vestígios. mau estado nutricional.  A coloração varia do branco leitoso ao castanho-escuro. Pode haver má-formação que necessite de correcção imediata por vi cirúrgica.Resultado de traumatismo no parto.  Equimose .Nariz → Assemelha-se a borbulhas pequenas. Nº 1851 .Resultado de traumatismo no parto. alterações físicas.  Petéquias . ainda anormal das glândulas  Eritemas.Pelo muito fininho que há-de cair.  Mília .  Hemangiomas . CLE 2008-2012. quente e seca. No Recém-Nascido observar:  Vérnix Caseoso . Se tiver os 5 dedos “normais” registar para saber que esta avaliação já foi feita. Pele  A cor e características da pela são determinadas geneticamente.à partida não são situações malignas. A observação da pele revela pistas significativas para problemas como má higiene corporal.Sinais Vermelhos → alteração da microcirculação → mais vasos do que deveriam exis r.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Ex: se o ânus está perfurado ou não.  Ao toque é geralmente suave.Substância que cobre a pela do feto e que pode ainda cobrir o RN. Funcionamento sebáceas. sobretudo nas pregas cutâneas (“Creme Nívea um bocadinho sujo” → Descrição da prof).  Nevos congénitos . abusos. Mais abundante nos RN Pré-Termo. 21 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. apenas utilizadas para datar a idade gestacional e caracterizar o bebé.

 Fontanelas (entre 3 e mais ossos) → dimensões. apesar do aspecto ser um pouco convexo.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Observar:  Cor. Face Observar expressão facial e simetria:  Expressão de dor. e avaliar se à medida que o bebé cresce a fontanela encerra. relação da simetria das estruturas faciais. Por vezes os pais temem tocar as fontanelas. anterior (osso frontal e parietais – bregma) e posterior (ossos parietais e occipital – lambda). ser pulsáteis. sendo conveniente informá‐los que estas são cobertas por camadas de tecido protector. ʘ A anterior não convém que encerre totalmente antes dos 18 meses.  Suturas (entre 2 ossos) → também é palpável → junção de dois ossos que há-de calcificar.  Fontanelas. irritação. Crânio  No Recém-Nascido e Lactente: ʘ Palpação das fontanelas e suturas. não devem estar hipertensas (balão) ou hipotensas (cavidade). Uma assimetria marcada é geralmente anormal e pode indicar um fechamento prematuro das fontanelas (craniocinestose). choro. CLE 2008-2012. suturas e fracturas. Por vezes ainda não tem a cabeça bem formada. Nº 1851 .  Estruturas desproporcionais (ex. podendo ser tocadas e lavadas sem exercer pressão.O achatamento de uma parte da cabeça pode indicar que a criança passa muito tempo na mesma posição.  Lesões.  Simetria facial (movimentos e aparência geral). O encerramento precoce inviabiliza o crescimento normal do crânio. visto que esta é modelada pelo canal de parto → em partos complicados ou cesariana é vulgar ainda não ter o formato “normal” da cabeça. fronte). devem existir e não estar encerradas.  Textura. Durante os primeiros dias de vida é normal haver cavalgamento de ossos que deverá desaparecer. mas não muito proeminente. Cabeça e Face Observar:  Forma e simetria . ʘ Medição de Perímetro Cefálico (até aos 36 meses).  Hidratação/Turgor. 22 Nádia Isabel Leonardo Perdigão.  Amplitude de movimentos. paralisia facial unilateral.  Encerramento das fontanelas: ʘ A posterior encerra normalmente no primeiro mês.  Controlo e postura da cabeça.

simetria do septo. Implantações baixas estão associadas a anomalias renais ou atraso metal. estrabismo. nível e simetria (exoftalmia. integridade da mucosa. Avaliar a Visão O RN foca apenas entre os 20-30 cm que é a distância a que este se encontra da face da mãe quando está a mamar. Cavidade Oral Integridade e coloração. integridade. fluxo nasal (odor e aspecto). Ouvido Higiene. enoftalmia. ausência de pestanas. Nariz Forma. secreções. 23 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. lesões e cerúmen (quantidade e cor). Boca e língua Cor. infestantes). humidade. 1ª Dentição – 20 dentes (dentes de leite ou caducos)  6-12 meses – 8 dentes incisivos  12-18 meses – 4 primeiros pré-molares  18-24 meses – 4 caninos  24-30 meses – 4 segundos pré-molares Regra para calcular o número de dentes em crianças até aos 2 anos: Idade (meses) – 6 = nº dentes 2ªDentição – 32 dentes (dentes definitivos)  6 anos – 4 primeiros molares  10-12 anos – 4 segundos molares  18-21 anos – 4 terceiros molares A erupção dos dentes definitivos é mais precoce na rapariga que no rapaz A higiene começa logo após o nascimento. tamanho e reacção à luz. fenda palpebral.  Globo ocular – posição. pestanas (edema.  Íris – habitualmente de cores variadas. Olhos  Pálpebras.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Alinhamento dos pavilhões auriculares Implantação das orelhas – o topo da orelha deve estar em alinhamento com uma linha imaginária que vai da orbita externa do olho até à protuberância mais proeminente do crânio. só o começa a fazer aos 1-2 meses Mucosa Nasal Cor. movimentos e higiene.  Respirador Nasal Obrigatório → O RN não consegue respirar pela boca (anatomicamente não é possível). exoftalmia.  Pupila – forma. tamanho. Nº 1851 . papilas. mas é muito variável.  Esclerótida – cor e integridade. nistagmo). Erupção dos dentes O 1º dente aparece geralmente por volta dos 6 meses. ptose palpebral. Para observar o tímpano: Criança com idade inferior a três anos – puxar o pavilhão auricular para baixo e para trás. CLE 2008-2012. textura. é azul até ao 6º mês de vida.

distribuição e higiene.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Criança com idade superior a três anos – puxar o pavilhão auricular para cima e para baixo. Tórax Forma e simetria Ao nascer o tórax apresenta uma forma cilíndrica. No recém-nascido de ambos os sexos há ingurgitamento mamário até ao 14º dia.  Bradipneia – frequência respiratória abaixo do normal. difícil ou forçada. Cabelo Cor. indica dificuldade na expanção pulmonar. Pode ser unilateral ou bilateral. Função Respiratória ʘ Pulmões  Expansão torácica.  Respiração paradoxal – o tórax desce na inspiração e sobe na expiração. na articulação do braço e inguinais. Nota: cabelos quebradiços. Mamas e mamilos Localização. desenvolvimento mamário.  Tiragem – depressão inspiratória nos espaços intercostais e das regiões supraesternais e supra-claviculares.  Hiperpneia – profundidade aumentada. ʘ Qualidade – sem esforço.  Dispneia – respiração difícil com uma sucessão de movimentos respiratórios amplos e quase sempre desconfortáveis. Audição Existem testes específicos de acordo com a idade. a partir dos 12 meses com o aumento do diâmetro transversal adquire uma forma elíptica e aos 7 anos tem uma forma semelhante ao dos adultos.  Apneia – interrupção da respiração por 15 segundos ou mais. ʘ Profundidade – profunda ou superficial. automática. ʘ Padrões respiratórios desviantes:  Taquipneia – frequência acima dos 60 cpm. número de mamas. oleosos ou secos.  Torácica (após os 7 anos). Os gânglios linfáticos com diâmetro de 3mm são normais em qualquer região. textura. ʘ Tipo de respiração  Abdominal ou diafragmática (lactente). ʘ Ritmo – regular.  Hiperventilação – frequência e profundidade aumentadas. que normalmente indicam infecção ou inflamação tem uma localização proximal. irregular. com presença de infestações. simetria. 24 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. Na região cervical e inguinal pode medir-se até 1 cm.  Toraco-abdominal (pré-escolar). Sistema linfático Pesquisar os gânglios linfáticos ao redor da cabeça. Défices de audição podem comprometer o desenvolvimento e podem ser muito difíceis de diagnosticar. quentes. são normalmente frios e indolores. elasticidade. Os nódulos aumentados. CLE 2008-2012. Nº 1851 . Podem ser palpáveis ou não. periódica. alopécia ou despigmentação.

ouvidos apenas ao longo da traqueia. para que haja precisão. Sono – diminui a frequência respiratória.  Asma (situações de agudização). A inspiração mostra-se mais alta e de tom mais agudo que na respiração vesicular.  Movimento das narinas (abrir e fechar) que ocorre em situações de dificuldade respiratória na criança pequena. Respiração no recém-nascido Variações comuns/Alterações secundárias: Choro – aumenta a frequência respiratória. Respiração no lactente A frequência respiratória tem de ser avaliada durante um minuto. Sons reduzidos ou ausentes – poderá significar presença de secreções. esse batimento pode também por a vida da pessoa em risco. como edema. Sons broncovesiculares – ouvidos ao longo do manúbrio e nas áreas intra-escapulares superiores na zona da bifurcação da traqueia e brônquios. Adejo  Aumento do tamanho das narinas durante a respiração. obstrução traqueal ou brônquica bilateral ou por condições associadas com a redução da complacência pulmonar. excepto na região intra-escapular superior e na área abaixo do manúbrio. pode causar esse batimento das asas do nariz. A tiragem dever ser pesquisada em respiração espontânea e natural. O batimento das asas do nariz indica que a pessoa precisa de um maior esforço para respirar.  Doença da membrana hialina. espasmo ou temor. Poderá indicar exsudação. Causas:  Obstrução das vias respiratórias.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Em consequência dessa dificuldade. inflamação. Ao mesmo tempo em que pode ser moderado. e nas outras condições mencionadas. para a manutenção da ventilação alveolar é necessário que ocorra uma queda maior da pressão intrapleural. ar ou massas sólidas no espaço pleural. Nº 1851 . CLE 2008-2012. Sibilantes – passagem de ar por passagens estreitas. Qualquer condição que provoque um maior esforço para obter ou ar suficiente de que a pessoa necessita. O ruído é brando e semelhante a um assobio. A fase inspiratória mostra-se curta e a expiratória longa. a tiragem é unilateral. Sons brônquiais . e não se deve solicitar que o doente realize uma inspiração profunda. uma vez que são irregulares. A inspiração é mais alta.  O adejo nasal é um sinal muito importante de dificuldade respiratória nos bebés. Classificação dos Sons Respiratórios Normais Sons Vesiculares – ouvidos ao longo de toda a superfície dos pulmões. o que explica a tiragem. 25 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. inflamação e fibrose pulmonar. bilateral. mais longa e com um tom mais agudo que a expiração. Sons adventícios: Crepitantes – passagem de ar através de fluidos ou humidade. Na obstrução brônquica regional. próximos à fenda supra-esternal. Pode ocorrer por obstrução brônquica regional. Durante as primeiras 8 horas de vida a frequência respiratória pode atingir os 80 ciclos por minuto.  Epiglotite aguda.

mesmo quando estão acordadas e activas. levemente. Nº 1851 . contando os movimentos abdominais. O abdómen dos lactentes e das crianças mais novas apresenta uma forma cilíndrica acentuada. A frequência respiratória tem de ser avaliada durante 1 minuto para que haja precisão. Função cardíaca A apreciação da função cardíaca é preferencialmente realizada com a criança sentada ou na posição de semi-fowler.  Cai espontaneamente. Observar e registar – frequência. CLE 2008-2012. Respiração no escolar Sempre que possível. Em decúbito dorsal apresenta-se plano. Observar o abdómen quanto à forma. deverá colocar.  Na artéria pediosa dorsal.  Na artéria carótida.  Lateral à linha média clavicular esquerda e ao quarto espaço inter-costal → crianças maiores de 7 anos. simetria. Maior volume. tensão. As avaliações feitas durante o sono são as mais significativas.  Na artéria radial.  Na artéria braquial. o que aumenta o volume de ar em cada respiração. a avaliação da frequência respiratória deve ser feita quando a criança estiver em descanso. A frequência respiratória tem de ser avaliada durante um minuto. Na posição erecta apresenta-se ligeiramente proeminente devido à lordose fisiológica da coluna. Nas crianças saudáveis. No recém-nascido observar o coto umbilical:  O coto umbilical deteriora-se através de um processo de mumificação.  Na artéria femoral. Respiração no adolescente Os pulmões aumentam em tamanho. maior capacidade vital. ritmo e simetria das pulsações. aumento das inspirações.  Em média a queda dá-se entre o 7º e o 14º dia de vida. Resulta numa diminuição da variação média da frequência respiratória. para que haja precisão. Num ambiente com ruído ou num lactente com a respiração muito rápida e pouco profunda. Respiração no toddler e pré-escolar As frequências continuam a ser mais rápidas que as dos adultos. Abdómen A observação do abdómen deve ser realizada com a criança posicionada em decúbido dorsal e erecta.  Observar possíveis sinais de inflamação e infecção. 26 Nádia Isabel Leonardo Perdigão.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL As respirações são diafragmáticas → observar os movimentos abdominais. a mão sobre o abdómen da criança. Localizar o pulso apical. Na criança a o pulso pode ser avaliado:  Sobre o ápice cardíaco. tensão.  Na linha média clavicular esquerda e no quinto espaço inter-costal → crianças menores de 7 anos de idade. para sentir a frequência respiratória. presença de movimentos peristálticos. o repouso faz com que os valores regressem à variação normal.

Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Pele do abdómen – deve estar uniformemente lisa. Atenção ao desenvolvimento dos caracteres sexuais e do desenvolvimento genital masculino – 5 estádios. higiene e possíveis alterações.  Hérnia femoral – ocorre mais frequentemente no sexo feminino. Exemplos de desvios:  Clítoris aumentado com o meato urinário na extremidade.  Lábios fundidos. Movimentos abdominais – nos lactentes. os movimentos peristálticos poderão ser observados através da parede abdominal. Visto que é fisiológica.  Presença de massas nos lábios. Pode ser observada ou palpada na superfície anterior da coxa abaixo do ligamento inguinal no canal femoral. Geralmente edemaciados no RN.  Pequenos lábios – geralmente proeminentes no RN. Observar o tamanho. Nº 1851 . geralmente grandes e edemaciadas no RN. 27 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. A retracção forçada pode causar lesão. Pseudo-Menstruação → ao 2º ou 3º dia existe perda hemática Engurgitamento mamário → pode haver algum corrimento mamário (“Leite das Bruxas”) Ocorrem devido à passagem de hormonas da mãe para a bebé o que faz com que os órgãos funcionem.  Orifício vaginal – presença e tipo de hímen.  Meato urinário – localização. Visível como uma massa na região escrotal.  Escroto – pendular. sem prega ou rugas. Geralmente edemaciado no RN. É expectável que até aos 2 anos esta tenha regredido. Hérnias da parede abdominal:  Hérnia umbilical – comum nos lactentes.  Testículos – palpáveis em cada lado da bolsa escrotal. frequentemente bilateral. à partida não é grave. em especial em crianças negras. O umbigo – deve apresentar-se protuberante. gradualmente se atrofiam até quase se tornarem invisíveis durante a adolescência. Atenção ao desenvolvimento dos caracteres sexuais e desenvolvimento genital feminino – 5 estádios.  Prepúcio – recobre toda a glande e não é retráctil. com pregas.  Ausência da abertura vaginal.  Observar a presença de esmegma → corrimento vaginal esbranquiçado da RN.  Hérnia inguinal – comum em crianças do sexo masculino. ʘ Fimose Fisiológica → Incapacidade de fazer a retracção do prepúcio. Genitais Femininos Observação:  Grandes lábios – cobrem os pequenos lábios.  Clítoris – localização e tamanho. Masculinos Observação:  Meato urinário: apical. CLE 2008-2012. Característico e normal.

textura. ʘ Espispádias – abertura do meato urinário na superfície dorsal do pénis. ʘ Abertura anal permeável.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Exemplos de desvios: ʘ Hipospádias – abertura do meato urinário na superfície ventral do pénis. ʘ Esfíncter anal – recorrendo ao reflexo anal. ʘ Forma dos ossos dos membros. ʘ Ausência do reflexo anal (no RN). Manobra de rotação e flexão da coxa. Causada por posições durante a gravidez e parto. respiratório e cardíaco. é importante observar o aparecimento dos caracteres sexuais secundários tal como o crescimento de pelos 28 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. RN apresenta apenas 2 curvaturas → curvaturas primárias. Unhas Observar a cor. ʘ Grau de flexão. Exemplos de desvios: ʘ Fissuras ou fístulas anais. Manobra de Ortolani – no RN e primeiros meses para detectar a luxação congénita da anca. ʘ Curvatura ventral do pénis. ʘ Forma dos pés. em forma de C. Nº 1851 . No RN – a coluna apresenta-se arredondada. ʘ Número de dedos das mãos e dos pés. Observação: ʘ Nádega e simetria das pregas glúteas. Coluna direita com flexão fácil. CLE 2008-2012. Para que surjam as outras duas é necessário que o corpo seja sujeito ao seu próprio peso e à força da gravidade. Podem dar informações sobre estado nutricional. distribuição. qualidade. ʘ Testículos não palpáveis na bolsa escrotal. elasticidade e higiene. omoplatas e cristas ilíacas alinhadas no mesmo plano. ʘ Tónus muscular. ʘ Pulsos femorais. ʘ Atresia anal – ânus imperfurado (no RN). a forma. ʘ Presença de massas no escroto. Coluna Vertebral Observar a mobilidade e a curvatura geral. Ânus A criança tem de ser posicionada em decúbito ventral. a partir das curvas torácica e pélvica. Nas crianças que estão na puberdade. Ombros. Avaliar: ʘ Temperatura e cor. ʘ ʘ ʘ ʘ Extremidades Observar: ʘ Amplitude e simetria no comprimento e no tamanho.

O comportamento do bebé é um indicador importante do funcionamento do SNC sendo de suspeitar quer de um bebé excessivamente calmo e pouco reactivo quer de um bebé demasiado irritável. A mielina. substância que aumenta a velocidade de transmissão dos impulsos nervosos. A observação do comportamento deve fazer-se em termos da resposta do bebé a estímulos externos nomeadamente. no fim da gestação e até aos 4 anos de vida aumentam o número de células da glia e de dendritos. Nos meses seguintes há um rápido crescimento dos neurónios e por último. A mielinização dos neurónios inicia-se no 4º mês de gestação e continua até aos 4 anos. assustar-se com barulhos fortes. A partir desta idade diminuem por falta de utilização. Por isso. (dedos Supranumerários – podem ou não ter estrutura óssea (cotos)). desenvolvimento de processos neurais. desenvolve-se primeiro nos transmissores dos impulsos sensoriais. o recém-nascido tem um sentido apurado de audição. razão pela qual as experiências precoces são vitais para a formação e retenção de sinapses. CLE 2008-2012. Pé plano Joelho Varo Joelho Valgo Sistema Nervoso Central O sistema nervoso do recém-nascido é imaturo. fechar os olhos na presença Nádia Isabel Leonardo Perdigão. ʘ Comportamento . Neurónios – O ser humano nasce com o seu repertório completo de neurónios. O peso do cérebro aumenta com a idade e alcança o peso adulto entre os 6 e os 14 anos de idade. atenção à voz humana. O desenvolvimento do sistema nervoso é progressivo durante a vida intra-uterina e continua após o nascimento. O desenvolvimento neurológico acontece no sentido cefalocaudal e proximodistal. sinapses e mielinização. Linha Símia – linha transversalmente disposta à mão que atravessa de uma extremidade à outra → pode estar associada a algumas Síndromes. O peso do cérebro do recém-nascido é aproximadamente 300gr (10% do peso corporal) em contraste com o do adulto que é cerca de 2% do peso corporal. Polidactilia – desenvolvimento do número de dedos da mão ou do pé superior ao normal. Na 1ª metade do desenvolvimento intra-uterino desenvolvem-se no feto o número final de células nervosas. O crescimento post natal deve-se ao aumento em tamanho dos neurónios e ao aumento do número de células de sustentação (células da glia). Nº 1851 29 . Durante o seu desenvolvimento o cérebro forma e retém as sinapses frequentemente utilizadas. Sinapses – As sinapses desenvolvem-se muito rapidamente durante os primeiros meses de vida atingindo a máxima densidade entre os 6 e os 12 meses. olfacto e paladar e é capaz de sobreviver respirando e mantendo o equilíbrio ácido-base por causa desta mielinização inicial.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Desvios: Sindactilia – união de dois ou mais dedos podendo incluir a fusão dos ossos ou da pele entre os dedos (formando um tecido membranoso único).

A hipotonia pode ser avaliada suportando o bebé pelas axilas: um bebé com um tónus normal fica facilmente suspenso enquanto que um com hipotonia escorrega através das mãos do examinador. Outra forma de testar o tónus é colocar o bebé com o abdómen e tórax sobre a mão do examinador: um bebé com boa tonicidade tenta levantar a cabeça e membros inferiores enquanto um bebé hipotónico fica pendurado. Necessário estar em pleno funcionamento quando o bebé nasce. choro quando é despido e quando não é alimentado na altura certa. chucha ou mamilo na boca do bebé.O tipo de choro também é um indicador do funcionamento do sistema nervoso central embora para avaliar os desvios da normalidade. posição e tipo de parto dado que o recém-nascido assume rapidamente a posição prénatal e assim pode apresentar membros inferiores direitos e rígidos quando a apresentação foi de pelve total. Os terapeutas do desenvolvimento denominam esta situação de atraso no desenvolvimento.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL súbita de uma luz forte. CLE 2008-2012. Este comportamento é mais intenso se o bebé tiver fome. Sucção ʘ Estimulação – introduzir dedo. ʘ ʘ ʘ ʘ Reflexos Pontos Cardinais ʘ Estimulação – tocar o lábio. Com o dedo conseguimos avaliar a força de sucção. Estes reflexos devem ir-se inibindo de forma progressiva ao longo do 1º ano de vida. Consultar os registos maternos relativamente à apresentação fetal. bochecha ou canto da boca do bebé. com rotação da cabeça para um e outro lado. Movimento . Na altura do nascimento todos os reflexos se originam na stem cerebral com controlo cortical mínimo.Braços e pernas em flexão moderada. de ossos (fractura da clavícula) ou anomalias neurológicas (Síndrome de Moebius). punhos cerrados. A pressão pré-natal sobre um membro ou um ombro pode provocar assimetria facial temporária ou resistência à extensão das extremidades. ʘ Resposta – inicia movimentos fortes de sucção. É um facto cientificamente aceite que se um grupo de reflexos primitivos se mantiver este é indicativo de disfunção do SNC. Movimentos assimétricos podem indicar lesão de nervos (paralisia de Erb).Durante o desenvolvimento fetal emerge um grupo de reflexos denominados reflexos primitivos. Estes reflexos devem estar presentes no nascimento e fornecem indicações sobre o funcionamento do SNC. Nº 1851 . Estimula-se o palato e não as bochechas ou a língua. Postura e tónus muscular . ʘ Resposta – o bebé roda a cabeça em direcção ao estímulo. o choro estridente e um bebé que não se acalma com o consolo humano possam ser indicativos de alterações a nível do SNC. À medida que os reflexos primitivos vão sendo inibidos emerge outro grupo de reflexos denominados reflexos posturais que ajudam a criança a lidar com as exigências do ambiente gravitacional formando as bases para o controlo automático do equilíbrio. postura e movimentos voluntários. 30 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. Choro . o profissional de saúde deva estar familiarizado com as tonalidades do choro dos bebés saudáveis. No entanto.o movimento espontâneo é assíncrono (as pernas movimentam-se em bicicleta) mas com igual extensão de todas as extremidades. Problema nos RN de Prétermo – o SNC ainda não está completamente desenvolvido e não tem este reflexo → falta de autonomia alimentar. Reflexos .

ʘ Estimulação: segurar o bebé em posição semi-sentada. ʘ Resposta: o bebé pestaneja nos primeiros 4-5 toques. num ângulo de pelo menos 30º. ʘ Resposta: os dedos flectem-se. Sobressalto ʘ Estímulo: som forte. os RN de termo andam sobre as plantas dos pés e os prematuros sobre os dedos. Preensão plantar: ʘ Estimulação: pressionar a planta do pé. Só reage às primeiras vezes. ʘ Resposta: membros superiores em abdução com flexão dos cotovelos. curvando-se no sentido da pressão. 31 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. ʘ Resposta: abdução e extensão simétrica dos membros superiores. os membros superiores fazem uma posição de adução na posição de abraço e retornam à flexão e movimentos relaxados. ʘ Resposta: o membro superior e inferior do lado para o qual a cabeça é rodada ficam em extensão. Reptação ʘ Estímulo: colocar o bebé em decúbito ventral. Só desaparece aos 4 meses → só nesta altura se pode alimentar à colher. CLE 2008-2012. permitindo que um pé toque a superfície da mesa. Desaparece cerca dos 3-4 meses. Reflexo de protecção – se qualquer coisa entrar na boca da criança. Moro Situações em que há desequilíbrio. alternando flexão e extensão dos pés. Tónico cervical ʘ Estimulação: com o bebé no estádio 5 ou 6. cujos olhos estão abertos. Glabelar ( de Myerson) ʘ Estimulação: tocar a testa acima do septo nasal do bebé. ʘ Resposta: o bebé executa movimentos de reptação com as pernas e braços. ʘ Resposta: o bebé força a língua para fora. o membro superior e inferior flectem-se no lado oposto (posição de esgrima). junto à raiz dos dedos. Nº 1851 . Protusão ʘ Estimulação: tocar a ponta da língua do bebé. tipo bater palmas. Marcha automática ʘ Estímulo: Segurar o bebé em posição vertical.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Preensão palmar ʘ Estimulação: colocar um dedo na palma da mão do bebé. deixar que a cabeça e o tronco descaiam para trás. ʘ Resposta: o bebé simulará a marcha. ʘ Resposta: os dedos do bebé envolvem o dedo do examinador. esta tende a deitá-la fora. Capacidade de se abstrair. as mãos mantêm-se cerradas. rodar a cabeça rapidamente para um lado. Estimulada a ponta da língua. Os membros inferiores podem apresentar idêntico padrão de resposta. os dedos afastam-se formando um C com o polegar e o indicador.

 Mudança na estrutura. o bebé tentará endireitar a cabeça. ou seja. depois a cabeça manter-se-á momentaneamente no mesmo plano com o tórax e os ombros.  À partida não se retrocede de um estádio para o anterior.  Não passa um estádio em vão.  Hipertrofia. da posição de decúbito dorsal até sentado. se estes não forem usados e explorados. Magnete ʘ Estimulação: com o bebé em decúbito ventral. flectir parcialmente os dois membros inferiores e exercer pressão sobre as plantas dos pés.  Aumento do número de células. Nº 1851 . fazer deslizar um dedo a cerca de 4 a 5cm laterais à coluna. CLE 2008-2012. antes de cair para a frente. necessita perder alguns reflexos. ʘ Resposta: hiperextensão de todos os dedos com dorsi-flexão do halux. Envolve também a perda de neurónios (poda) após fase de crescimento dos mesmos.  Substituição. começando no calcanhar e prosseguindo pela face lateral externa e raiz dos dedos. Tracção ʘ Estímulo: puxar o bebé pelos punhos. Crescimento e Desenvolvimento Infantil Crescimento  Processo contínuo e dinâmico que conduz ao aumento do tamanho do corpo. Crescimento e Desenvolvimento Envolve uma mudança de estádio menos avançado para outro de maior complexidade mas também pode envolver perdas e mudanças de comportamentos. depois do outro. ʘ Resposta: o tronco flecte-se e a pelve desloca-se para o lado estimulado. passa por todos os estádios.  Inicia-se na concepção e prossegue até à idade adulta.  Perdas: Ex: para ter controlo postural. funcionamento e complexidade ao nível das: ʘ Células. primeiro de um lado.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Babinsky ʘ Estímulo: pressionar com um dedo a planta do pé. Encurvamento do tronco (Galant) ʘ Estimulação: em decúbito ventral sobre uma superfície plana. com a cabeça na linha média. 32 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. ʘ Processos metabólicos.  Hiperplasia. ʘ Processos bioquímicos. ʘ Resposta: os membros inferiores devem opor-se à pressão do examinador num movimento de extensão. ʘ Resposta: a cabeça descai até o bebé estar na vertical. Apenas em algumas situações de crise (ex: hospitalização) pode regredir um pouco e ter alguns comportamentos do estádio anterior.

 Experiências. ao longo da vida do Pensamento. da integração. da função física e mental. Nº 1851 . 33 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. das Sensações. CLE 2008-2012.precisamos fazer para aprender. ordenadas. Crescimento e Desenvolvimento Grupos Etários Grupo que responde a um conjunto de características que nos interessam → não olha a individualidade da criança. Conduz:  Aumento da capacidade e da adaptabilidade.  Aprendizagens.  O crescimento e o comportamento infantil são categorizados em grupos etários ou em estádios de desenvolvimento. da complexidade.quando se aprende a fazer uma coisa. Educação e treino . Maturação Emerge do potencial genético para a mudança a nível: da forma. Aprendizagem Processo de adquirir conhecimento específico e adquirir hábitos Através: Experiência . Mudança de comportamento . do Comportamento em consequência de:  Maturação das capacidades física e mental.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Os Componentes interrelacionais do desenvolvimento humano Crescimento Maturação Desenvolvimento Humano Aspectos Psicomotores Aspectos cognitivos Aspectos emocionais Experiência Adaptação Desenvolvimento Modificações padronizadas.  Mudança qualitativa. da organização. a aprendizagem fica facilitada. da estrutura.se nos apresentarem as experiências.  Mudança na complexidade. temos de “desaprender” outra.

ʘ ʘ Padrões de Desenvolvimento Direcção Céfalo-Caudal – da cabeça para as extremidades. Nº 1851 .  Princípio da Assincronia 34 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. Momentos de baixo desenvolvimento. do geral para o específico Princípios da Descontinuidade do Desenvolvimento  Refere-se às modificações em velocidades diferentes do crescimento em períodos de tempo diferentes durante o decurso de vida. Tendência Próximo-Distal – da linha média para a periferia. Não podem ser aplicados a todas as crianças com exactidão. Não tem em conta os aspectos individuais de cada criança.   Diferenciação – O desenvolvimento físico. não é regra). Primeira Infância – 1 aos 6 anos  Toddler – 1 aos 3 anos  Pré-Escolar – 3 aos 6 anos Segunda Infância ou Escolar – 6 aos 10/11 anos Infância Tardia – 11 aos 18 anos  Puberdade – 11 aos 13 anos  Adolescência – 13 aos 18 anos .  As estruturas e os órgãos do corpo crescem em velocidades diferentes. ʘ ʘ ʘ Pré-Natal – Da concepção ao nascimento.A transição para a adolescência dá-se com a puberdade (a idade é só para referência.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL     Os limites de cada um dos grupos etários não são rígidos. Esta categorização permite – descrever as características associadas à maioria das crianças nos períodos em que as alterações nítidas de desenvolvimento aparecem e que as tarefas específicas devem ser realizadas.  Uma tarefa de desenvolvimento implica uma série de habilidade e competências específicas a cada estádio que as crianças devem realizar ou dominar para lidarem com eficácia no seu meio ambiente. Lactente – 0 aos 12 meses. O desenvolvimento não é linear: Momentos de elevado desenvolvimento. social e emocional faz-se a partir de operações simples para actividades e funções mais complexas. mental. CLE 2008-2012.

ʘ Circunstâncias gestacionais.  Velocidade de Desenvolvimento – Existe uma ordem invariável e precisa para o desenvolvimento. ʘ Circunstâncias económicas.  Princípio da Bilateralidade – a capacidade de crescimento e desenvolvimento é simétrica. contínua. ʘ Família e sociedade. mas este não ocorre sempre à mesma velocidade e ritmo. ʘ Influência ambiental e emocional. Tendência Secular de Crescimento          O desenvolvimento é influenciável  O uso de habilidades estimula o desenvolvimento . definida e previsível.  O não uso das habilidades pode causar: perda do neurónio e redução ou perda da função. ʘ Normalidade física e psicológica. CLE 2008-2012. Nº 1851 . 35 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. ʘ Nutrição. ʘ Estimulação intelectual.  Tendências Sequenciais – Em todos os aspectos do crescimento e desenvolvimento.O treino de uma habilidade que já tem ajuda ao seu desenvolvimento e a aquisição de novas habilidades. ʘ Hormonas.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Regressões momentâneas → devido à necessidade de canalização de energia para uma nova actividade.  A capacidade da criança para o desempenho de determinada tarefa física depende: ʘ Da maturação da estrutura neurológica do cérebro.             Factores que influenciam o crescimento e desenvolvimento ʘ Hereditariedade. ʘ Do desenvolvimento do sistema músculo-esquelético. existe uma sequência ordenada.

CLE 2008-2012. a criança deve ser enviada a um centro especializado de diagnóstico e acompanhamento. 4 meses.M.4 anos. Se o resultado for positivo. a todas as crianças que nascem. 2 anos. os dados antropométricos e outros do desenvolvimento físico. Nº 1851 . Schedule of Growing Skills – avalia competências: ʘ Controlo Postural Passivo ʘ Controlo Postural Activo ʘ Locomotoras ʘ Manipulativas ʘ Visuais ʘ Audição e Linguagem ʘ Fala e Linguagem ʘ Interacção ʘ Autonomia Pessoal 36 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. ʘ Começar por uma área de competências que possa ser avaliada sem interferências. (1967) Princípios da avaliação do desenvolvimento infantil: ʘ A criança deve ser envolvida em actividades lúdicas. 18 anos. Avaliação do Desenvolvimento Instrumentos de avaliação do desenvolvimento infantil O instrumento de avaliação deve ser utilizado por técnicos que possuam formação e competência para usá-lo. 4-9 anos . ʘ A sequência da aplicação do teste deve ser flexível e adequa às circunstâncias.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Avaliação do Desenvolvimento Infantil É o rastreio e aplicação. O. 6 meses. Periodicidade da avaliação Infantil Primeiro ano de vida – 1º mês. indicando a presença certa ou provável de deficiência. 9 meses. susceptíveis de indicar a presença ou ausência de determinadas deficiências. 1-3 anos – 12 meses. Linguagem.S. o enfermeiro pode identificar que a criança tem alguma área com maior dificuldade e depois envia a criança para um técnico especialista. 1 mês. bem como parâmetros do desenvolvimento psicomotor. 18 meses. Mary Sheridan e Denver – Motor grosso. nos suportes próprios.Se a criança não estiver à vontade não conseguimos avaliar porque a criança não vai fazer aquilo que era suposto. Pessoal social. 15 anos. Socialização/cognição. nomeadamente no Boletim de Saúde Infantil e Juvenil. ʘ Explicar aos pais o objectivo do teste. 8 anos. Motor fino-adaptativo. 3 anos. Sensorial. Objectivos dos Exames de Saúde Avaliar o crescimento e desenvolvimento e registar. 10-18 anos – 11-13 anos (exame global de saúde). No caso do desenvolvimento. 2 meses. de certas técnicas que podem ser utilizadas de forma rápida por pessoal menos especializado. 15 meses. 5-6 anos (exame global de saúde). escolaridade e desenvolvimento psicossocial. ʘ A criança deve estar confortável .

em diferentes condições.  Escadas. ʘ Recém-nascido – tem a cabeça descaída em relação ao tronco. 37 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. …  Posição de sentado.  Tracção pelas mãos para se sentar. Aptidão no controlo postural activo: Permite avaliar os movimentos. ʘ 6 Semanas – posição de cabeça alinhada com o corpo – se este comportamento já existir é pontuado. …  Posição de pé. Faz uma avaliação mais profunda – utilizada pelos técnicos para onde referenciamos as crianças que suspeitamos terem alguma dificuldade. Competências de locomoção: Todas as tentativas que a criança faz para se deslocar. se consegue levantar sozinho. primeiro subir e depois descer. A criança não faz qualquer esforço. as actividades locomotoras que a criança realiza activamente sozinha.  Suspensão ventral. Está dividida em grupos de competência ou subescalas que são:  Decúbito ventral. Esta área de competência é avaliada do 9 – 60 meses. ʘ Levanta as ancas. sem intervenções do examinador. A criança já tem de exibir vontade própria nos movimentos. só depois um em cada degrau. Estes instrumentos são utilizados como rastreio nos programas de saúde infantil Escala de avaliação das competências no desenvolvimento infantil II Aptidão no controlo postural passivo: Permite avaliar os movimentos e o controlo passivo da criança. se consegue andar com apoio e sozinho. ʘ Primeiro dois pés no mesmo degrau. CLE 2008-2012.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Escala de desenvolvimento de Griffiths – tem como objectivo fazer a avaliação da criança dos 0 aos 8 anos. ʘ Se consegue segurar o peso do corpo. ʘ Com apoio. 4/5 meses já ajuda a levantar a cabeça para se sentar. sem apoio. muito ou pouco tempo. Está dividida em grupos de competências ou subescalas que são:  Decúbito dorsal. Começa a brincar com os pés aos 5 meses (último estádio do decúbito dorsal). Maior curvatura = Menor controlo. ʘ Aos 2/3 meses já vem com a cabeça alinhada. Esta área de competência é avaliada do 0 – 12 meses. impostas pelo examinador. Vai-se elevando à medida que vai crescendo.  Postura sentada. Nº 1851 . Está dividida em grupos de competências ou subescalas que são:  Locomoção. ʘ Olhar para a curvatura quando a criança está sentada. ʘ Até 6 semanas – cabeça virada para um dos lados. Esta área de competência é avaliada do 1 – 6 meses → Só se a criança tiver alguns desvios e não tiver adquirido algumas habilidades é que se continua a avaliar durante mais tempo.

distância a que fica da face materna na hora da mama. A compreensão visual vai evoluindo até a criança ser capaz de compreender visualmente os objectos.  Higiene e vestir. Esta área de competência é avaliada do 1 – 60 meses.  Compreensão visual. 38 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. Está dividida em grupos de competências ou subescalas que são:  Aptidão manual. Está dividida em grupos de competências ou subescalas que são:  Função auditiva. Está dividida em grupos de competências ou subescalas que são:  Vocalização. CLE 2008-2012.  Compreensão da linguagem. A criança e a dor As agressões físicas ou emocionais e a dor devem ser reduzidas ao máximo.  Brincar. Competências visuais: Analisa a resposta funcional a estímulos visuais.  Linguagem expressiva.  Cubos.  Desenho. Esta área de competência é avaliada do 6 – 60 meses. Está dividida em grupos de competências ou subescalas que são:  Função visual.  Desenho da figura humana. Esta área de competência é avaliada do 1 – 60 meses. Está dividida em grupos de competências ou subescalas que são:  Alimentação. Esta área de competência é avaliada do 1 – 60 meses.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Competências manipulativas: Esta competência inicia-se com a observação das mãos. Desde recém-nascido que tem capacidade visual. Competências na interacção social: Relaciona-se com as respostas sociais a estímulos provenientes do meio ambiente. Está dividida em grupos de competências ou subescalas que são:  Comportamento social. Competência na fala e linguagem: Esta área de competência é avaliada dos 1 – 60 meses. Competências na autonomia pessoal: Avalia a capacidade para realizar tarefas relacionadas com o grau de autonomia individual. apesar de ainda não ser nítida – distância óptima de focagem: 25-30cm. Nº 1851 . Competências na audição e linguagem: Esta área de competência é avaliada do 0 – 60 meses.

 Em dores com alguma intensidade a terapêutica não-farmacológica sozinha não é eficaz → deve ser u lizada em conjunto com a terapêutica farmacológica. “Dor crónica: dor prolongada no tempo. ou pode levar à exaustão e exacerbação da mesma.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL (5º Princípio da Carta da Criança Hospitalizada) → Ter atenção: há crianças que não têm forma de se expressar e dizer que têm dor. 1979) → Tende-se a valorizar cada vez mais aquilo que o outro diz que é. página 86) 39 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. CLE 2008-2012. Teoria do Controlo da Portão – Melzack e Wall (1965/87)  O estímulo doloroso ocorre por diferentes vias e é multifactorial. Mitos Apenas em 1987 se começa a enfatizar a dor como “algo negativo. normalmente com difícil identificação temporal e/ou causal. ou descrita nestes termos” IASP (Associação Internacional para o Estudo da Dor. As crianças não reagem nem manifestam a dor da mesma forma. geralmente desagradável.” Portal da Saúde → A pessoa pode ir adquirindo estratégias para gerir a dor. que causa sofrimento. podendo manifestar-se com várias características e gerar diversos estádios patológicos. e a mesma manifestação pode não corresponder sempre à dor – Ex: choro. associada a uma lesão tecidular real ou potencial. Conceito “…uma experiência sensorial e emocional. (Pereira – 2000. causador de sofrimento e não modeladora de carácter”. Nº 1851 .

 As crianças toleram melhor a dor que os adultos. (1990) – 14 adultos e 14 crianças: as crianças receberam menos de metade dos analgésicos dos adultos (42%). 5 em SOS.muitas vezes a criança pode esconder a sua dor. Só os toddlers começam a apontar.  Lactentes não sentem dor – por não se conseguir descodificar as reacções à dor acreditava-se nisso e achava-se que o choro fosse reacção a outra coisa. sendo comum negligenciar-se os cuidados de saúde de alívio da dor.  As crianças dizem sempre a verdade a respeito da dor . apenas 13 % eram opióides fracos administrados IV. as mães. Cuidados de Enfermagem “Os cuidados de enfermagem estão na base de uma gestão eficaz da dor” McCaffery (1994) e Sullivan (1994) Estão na base porque são os técnicos que mais tempo passam com a criança. com um deles em horário regular. (2002) – a avaliação da dor pós-operatória de 30 crianças: as médias da intensidade da dor pós-operatória foram globalmente elevadas. A. Está provado o inverso.  As crianças acostumam-se à dor ou a procedimentos dolorosos – compeltamente falso. com situação patológica idêntica  Monteiro.  Mather (1981) – a prescrição em SOS era interpretada pelas enfermeiras como “o mínimo possível” → era preciso que já houvesse dor e de intensidade considerável para que se administrasse prescrição de SOS ao invés do que se passa hoje → administrar antes que doa. tendem a mostrar comportamentos mais exacerbados. CLE 2008-2012. (Biscaia. Das crianças apenas 9 tinham prescrição – paracetamol rectal. funcionando inicialmente como centro reflexo e em seguida como centro de reacção. todos no intra-operatório. Nº 1851 .  Monteiro. As crianças que foram submetidas a procedimentos dolorosos não controlados. s/d)  Receio de sobre-medicar potenciando o risco de depressão respiratória e perigo de adição. sendo desta maneira a melhor pessoa para gerir.  Schechter (1986) – a prescrição em SOS é interpretada por médicos e enfermeiros como “o menos possível”.  As manifestações corporais reflectem a intensidade da dor. A. Só recentemente a criança atingiu o estatuto de pessoa. por vezes com receio do tratamento. (Wong – 2006. de pelo menos 2 analgésicos IV – 1 opióide fraco (tramal) e um não opióide. 40 Nádia Isabel Leonardo Perdigão.  As crianças não conseguem localizar a dor – a criança pequena não localiza a dor e reage como se fosse global. página 600) Evidência Científica  Eland (1975) – apenas metade de 25 crianças operadas receberam algum tipo de analgesia. enfermeiras e a investigadora avaliaram a intensidade da dor das crianças significativamente mais baixas em relação à auto-avaliação das crianças → a heteroavaliação da dor tende a ter valores mais baixos do que a autoavaliação. dos adultos todos tinham prescrição.  A criança metaboliza fármacos mais lentamente que um adulto – pode levar a pensar que necessitam de administração de fármacos com menor frequência que os adultos porque estes se encontram mais tempo em circulação → Falso. as crianças recebem metade dos analgésicos dos adultos. como possuem memória da dor.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Ainda em 1952 o cérebro do recém-nascido era descrito como imaturo.

 Agitação ou agressividade – pontapés. anestesia.  Foge da dor por considerar uma “coisa”. ambiente familiar (as crianças aprendem a manifestar a dor dentro da sua família e da sua cultura) e percepção de apoio social.  Tem capacidade de apontar para a zona dolorosa.  Utilizar estratégias de alívio da dor.  Consequências da dor.  Balança com o corpo. Reacções/ Manifestações de Dor Recém-Nascido  Resposta corporal generalizada envolvendo rigidez ou agitação e afastamento da área estimulada.  Choro alto – não chora com lágrimas. …) – dor aparentemente de menor intensidade. personalidade).  Expressão facial de dor – sobrancelhas descidas. morder.  Não demonstra associação entre aproximação do estímulo e dor associada. boca aberta.  Avaliar a necessidade de alteração nas estratégias.  Estratégias de conforto. sem experiências anteriores ou controladas (preparação. Nº 1851 .  Choro alto – choro de assustado.  Resistência física empurrando o estímulo para longe depois de aplicado. temperamento. Percepção da Dor Pode-se considerar a dor infantil como complexa devido a:  Mediadores de percepção e do comportamento da dor: predisposição biológica (sexo. distracção. atirar com objectos por raiva – começas a ter tentativas de contenção/controlo da dor.  Verbaliza a dor mas não sabe identificar o tipo ou intensidade. Lactente  Resposta corporal localizada com afastamento da área estimulada. bater. não compreende o conceito de que “esta picada magoa mas vai fazer com que fiques melhor” – só percebe coisas muito objectivas → a dor para ficar bom não faz sentido para a criança.  Expressão facial de dor ou raiva – como o RN mas de olhos abertos.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL As competências de Enfermagem inerentes à gestão eficaz da dor são:  Avaliar a dor do doente.  Concomitantes de dor. 41 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. características individuais da criança.  Antecedentes de dor → experiências anteriores não controladas – dor aparentemente de maior intensidade. características genéticas. não precisam de grande preparação porque não percebem. tem mais medo da dor que a criança escolar – fase da fantasia. Toddler  Lábios apertados. Pré-Escolar  Verbaliza que “magoa”. CLE 2008-2012. São quem tem a responsabilidade de administrar a terapêutica prescrita → Avaliação sistemática dos resultados obtidos face às estratégias utilizadas → permite fazer as adaptações prescritas necessárias.  Comunicar ao médico as conclusões das avaliações da dor.

 As escalas utilizadas não são as mesmas que são nos adultos. reacções fisiológicas. Escolar  Mesmos comportamentos referidos anteriormente. mas mais expressões verbais (ex: isso dói). punhos cerrados. olhos fechados – expressão de tentativa de controlo de dor. sente-se talvez responsável por ela. se não for possível é preferível hetero-avaliar do que não ter qualquer avaliação.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL  Tenta persuadir o enfermeiro a não realizar o procedimento .  Usar escalas de avaliação da dor (escalas testadas – avaliam comportamentos.  Localiza a dor. …) – nas crianças com menos de 3 anos. Princípios de Avaliação e Controlo da Dor na Criança  Questionar a criança: história da dor – definição de dor para a criança (dói dói.  Pais: os pais conhecem melhor que ninguém a criança → percebem alterações muito subtis que passam ao lado aos enfermeiros. relacionando os acontecimentos.  Capacidade de compreender as causas. testa franzida. consequências e tratamento.  Rigidez muscular.  Responde positivamente a preparações antecipatórias (ao contrário dos toddlers). Adolescentes  Consciência abstracta dos aspectos psicológicos e emocionais da dor – capacidade para compreender causas e consequências.  Atitude passiva perante a dor – sentem-se culpados → acham que a dor é cas go por algo que não fizeram bem.  Regressão a alguns traços característicos de idades anteriores (ex: afstar-se dos outros)  Menos comportamentos de protesto verbal ou actividade motora. dentes cerrados. nas que se recusam a cooperar ou nas que não estão em condições de auto-avaliarem a sua dor devem usarse escalas de hetero-avaliação.  Não são os pais que avaliam pela criança.adiar a dor → tem de se aprender a gerir este pedido da criança. Nº 1851 .  Maior tensão e controlo corporal. CLE 2008-2012. Escalas de Auto-Avaliação Escala de faces Wong e Baker – 1988 usada a partir dos 3 anos   42 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. nem podem induzir a resposta  É preferível auto-avaliar. menos no período antecipatório – beneficiam de preparação.  Verbaliza a dor. Nas crianças entre os 3 e os 8 anos devem usar-se escalas de auto-avaliação modificadas. ai…) e as experiências anteriores de dor (identificar e quantificar) → ques onar desde que a criança tenha idade para ser questionada. A partir dos 3 anos as crianças são capazes de indicar os vários níveis de dor se lhes forem proporcionados os meios e a oportunidade.

Escala numérica  Usada a partir dos 8 anos (De 0 a 10). 43 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. Depois pinta no boneco.Escala Objectiva da Dor Utiliza-se em crianças dos 0 aos 18 anos. nível de conhecimento cognitivo.  Necessário corrigir a idade nos bebés de pré-termo → u lizadas as 40 semanas como referência. Escalas de Hetero-Avaliação NIPS . Quase só usada em investigação e a par de outras escalas. o local onde lhe dói.  Dão-se quatro marcadores à criança. respostas fisiológicas que indiquem presença de dor.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL  Fazer a história da dor com a criança para compreender as experiências de dor da criança. Nº 1851 . e é ela que escolhe o que cada cor significa e pinta o quadrado correspondente. Se o bebé nasceu de 26 semanas de gestação.  A avaliação é feita em milímetros. sendo a partir de 3 considerada dor significativa. Cry and Consolation) Utiliza-se com crianças entre os 2 meses e 7 anos de idade. Escala Analógica Visual  Usada a partir dos 8 anos. absorveriam para si próprios as dores dos filhos” (Salgueiro – 1998). CLE 2008-2012.  Avaliar o comportamento e alterações fisiológicas: idade. de acordo com a intensidade. aos 20 dias tem 20 dias de idade real e tem 29 semanas de gestação de idade corrigida.  Deve-se mostrar a escala à criança para esta apontar. FLACC (Face.  Assegurar a participação dos pais: ʘ Que palavras usa a criança para se referir à dor? ʘ Descreva experiências anteriores de dor da criança ʘ O seu filho diz-lhe quando tem dor? ʘ Como é que o seu filho reage normalmente à dor? ʘ Sabe quando o seu filho tem dor? ʘ O que costuma fazer quando o seu filho tem dor? ʘ O que é mais eficaz no controlo da dor do seu filho? ʘ “Todos pais. Activity. Deve-se explicar a escala com base nas experiencias que a criança já teve. se pudessem. A idade corrigida do pré-termo é utilizada até aos 2 anos.Escala de Avaliação da Dor para RN  Pontuação total de 0 a 7. enquadramento familiar e religioso. OPS . Escala de Cores  Usada a partir dos 5 anos. Legs.

arteriais. Dose: ʘ Creme 1 a 2. Pode também ser usado no tratamento da dor crónica em lesões pós-herpéticas. ʘ Punções profundas (ex.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL  Considerar a causa da dor: inexistência de padrão entre a causa e nível de dor e ter em conta que o nível de dor pode influenciar a evolução da patologia.Indicações: ʘ Hipersensibilidade aos anestésicos locais tipo amida. ʘ Outros anestésicos: EMLA e Sucrose. ʘ Tratamentos com Sulfamidas.  Actuar e avaliar os resultados: medidas farmacológicas e não farmacológicas e avaliar sistematicamente os resultados. EMLA Mistura entre dois anestésicos – lidocaína + prilocaína – com acção a nível dos receptores das terminações nervosas A (mielínicas) e C (amielínicas). ʘ Gravidez e aleitamento. Tramadol. Peso Dose Creme 5Kg 0. pequenos gestos cirúrgicos sob anestesia local (p. devendo-se utilizar uma menor dose (RN – 0. Precauções: ʘ Dos 3 aos 12 meses de idade não utilizar mais do que 1g para uma área não superior a 10cm². ʘ Antagonistas Opiáceos: Naloxona. Paracetamol.5ml 1/10 bisnaga 10Kg 1g/1ml 1/5 bisnaga 15Kg 1. Pentazocina. ʘ Dermites atópicas – aplicar durante 15 minutos. inserção percutânea de cateteres centrais. seguido de eritema e edema transitório induzido pelos anestésicos locais.e. cicatrizes dolorosas póscirúrgicas. Punção lombar. ʘ Penso 1g / 10 cm2 de pele seca e limpa. Nº 1851 . inserção percutânea de cateteres centrais e pequenos actos cirúrgicos): tempo mínimo 2 horas. Codeína. ʘ Feridas e mucosas. laserterapia. ʘ Respeitar as doses máximas de lidocaína e prilocaína por Kg de peso – 5mg / kg. ʘ A duração e profundidade da anestesia é proporcional ao tempo e local de administração. injecções IM e SC.5g/0.5ml 1/3 bisnaga Tempo de Oclusão: ʘ Punções superficiais: tempo mínimo de 1 hora. capilares. injecções intramusculares e subcutâneas. Metadona. ʘ Agonistas Parciais Opiáceos: Buprenorfina. toracocenteses. excisão de lesões cutâneas. AINE’s. entre outras. Apresentação: EMLA penso a 5% (1g) ou EMLA Creme a 5% (5g) Indicações: prevenção da dor aguda na criança e no adulto em procedimentos como: punções venosas.5g/1. CLE 2008-2012. 44 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. penetrando em todas as camadas da pele.5g e 30 min de oclusão). biopsia). Efeitos adversos: ʘ Palidez.5g / 10 cm2 de pele seca e limpa. devendo-se cobrir com um penso oclusivo transparente e anotar a hora de aplicação. Naltrexona. Contra . ʘ Agonistas Opiáceos: Morfina. lombares. Medidas Farmacológicas Analgésicos: ʘ Não opióides: Salicilatos.

Distracção: Durante o procedimento dizer à criança que se concentre em gritar mais alto ou mais baixo consoante a intensidade da dor. caso seja através da seringa deve-se introduzi-la na ponta da língua e deixar que o bebé determine o ritmo de administração para que não haja o perigo de se engasgar. O sabor doce induz analgesia. modulando a resposta à dor. deve-se mergulhar na solução e oferecer ao bebé. Sucrose Oral/Sucção Não Nutritiva: Dissacárido composto por glicose e frutose. Relaxamento: Ajuda a criança a controlar a ansiedade antes do início do procedimento. Proximidade aos olhos. usar o humor através de desenhos animados na televisão ou livros. Feridas abertas. Caso se administre com a chucha. histórias engraçadas ou brincadeiras de criança. pais. Medidas Não Farmacológicas Este tipo de medidas influenciam factores cognitivos e emocionais (Melzak e Wall. Doses: Dose única – 2ml a 24% por seringa ou chucha. bioquímicas e comportamentos da criança à dor (estimula a produção de endorfinas). pois é o local onde se concentram as papilas gustativas para o gosto doce. Quantos mais sentidos a estratégia requeira. maior é a distracção. Nos bebés e crianças mais pequenas o relaxamento é feito através do contacto próximo com o adulto significativo. utilizando-se a chucha ou uma seringa para gotas.  Qual a eficácia e benefícios da Sucrose: diminui a percepção sensitiva da dor durante os procedimentos dolorosos. mas sim acalmar a criança. Especificações: 24% de sucrose e 76% de água Precauções: não reutilizar ou esterilizar Instruções para o uso: utilizar 5 minutos antes do procedimento. no intestino. repetindo-o se necessário. 45 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. Idade inferior a 3 meses e peso inferior a 5kg devido ao elevado risco de toxicidade. comer gelados… Deve descrever pormenorizadamente. pedir à mãe ou pai para que lhe contem uma história ou pedir à própria criança que a conte. Nº 1851 . Administração: Na parte anterior (extremidade) da língua. Metahemoglobinémia congénita ou idiopática. Reduz as respostas fisiológicas. atendendo aos detalhes sensitivos. O enfermeiro deve fazer perguntas à criança acerca da situação para que a criança pense mais intensamente nela. Não se pretende um relaxamento profundo e voluntário. 1982). sendo hidrolisada em glicose e frutose. lentamente. CLE 2008-2012. como estar com os amigos. entre 2 a 5 minutos antes do procedimento. Mucosas. aconchegando-se ao seu corpo. 1995). deve-se utilizar antes do episódio doloroso ou antes de se atingir uma intensidade dolorosa mais elevada. inibem/regulam a transmissão de estímulos dolorosos e aumento o controlo descendente dos mesmos (Wong e Wilson. deixar a criança brincar com o brinquedo que queira.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL ʘ ʘ ʘ ʘ ʘ ʘ Alergia à penicilina. Imaginação Guiada: Pede-se à criança para que pense num local em que goste muito ou em qualquer outra coisa que lhe dê prazer.

5% do total de núcleos familiares. Casais s/ filhos – 22. Um grupo de pessoas relacionadas pela consanguinidade.8 2009 – 2.7 Número de filhos por mulher (2009) 2009 ‐ 1. Parentalidade e Cuidados Centrados na Família Parentalidade – exercício de ser pai ou ser mãe e acontece no seio da família.pt em 2010‐10‐16 46 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. ʘ Outras culturas – Poligamia ou Poliandria. O que é uma família? Família ‐ conjunto de pessoas que se consideram como tal por se relacionarem através da consanguinidade.5% Dados obtidos de www. ʘ Avós a exercer a função parental. ʘ Grupo no qual a criança nasce. Nº 1851 . Famílias unipessoais – 17. famílias homossexuais… Tipos de família Famílias Nucleares ʘ Nuclear – ambos com carreira ʘ Casais com filhos ʘ Casais sem filhos Famílias alargadas Família binuclear Coabitação heterossexual Novas famílias ʘ Monoparentais ʘ Adoptivas ʘ Casais homossexuais Estrutura e Tipos de Família em Portugal – censos Número de médio de pessoas por família clássica 1983 ‐ 3.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Família.pordata. ʘ Novas famílias – famílias monoparentais. (Family Centered Care InsKtute ) Família ou Famílias? O Tipo de família e a cultura ʘ Ocidente e outras áreas do globo – Diversidade. adopção ou por viverem juntos. Famílias monoparentais – 8. casamento. CLE 2008-2012. casamento ou sensação de proximidade. ʘ Coabitação.9 2001 – 2.32 Estrutura da família (2009) Casais com filhos – 40.1 % do total de casais.3 1990 – 2. ʘ Mães solteiras. ʘ Geração sanduíche.5 % do total de famílias. Tendências Actuais das famílias ʘ Casamento e o primeiro filho – mais tarde.

Teoria do Ciclo de Vida Familiar Duvall (1977)  O ciclo de vida individual acontece dentro do ciclo de vida familiar.  Duvall focaliza a educação dos filhos como o elemento organizador da vida Familiar. ʘ Família com adolescentes – aumentar a flexibilidade das fronteiras familiares para incluir a independência dos filhos e as fragilidades dos avós. CLE 2008-2012. ʘ Família com filhos de idade escolares – o filho mais velho tem idade entre os 6 e os 13 anos. ʘ Descendentes. ʘ 3 Outros estádios – Famílias no estágio tardio da vida. 47 Nádia Isabel Leonardo Perdigão.  Nos pontos de transição do ciclo de vida criam‐se rompimentos neste ciclo e produzem‐se sintomas e disfunção. Nº 1851 . ʘ Recreação. ʘ Cuidar dos doentes e idosos. Todos os filhos saem de casa. que é o contexto primário do desenvolvimento humano. ʘ Reprodução. ʘ Família em expansão/Família com filhos pequenos – aceitar novos membros no sistema (o filho mais velho é uma criança com idade inferior a 30 meses) ʘ Família em consolidação/Família com Pré-Escolares – o filho mais velho é uma criança com idade entre os 2 anos e meio e os 6 anos. ʘ O novo casal – comprometimento com um novo sistema. ʘ Socialização da criança. a natureza da dinâmica familiar. ʘ Lançando os filhos e seguindo em frente – aceitar as entradas e saídas na vida familiar.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Qual a Função da Família? Funções universais da família ʘ Produção económica. ʘ Herança. → Teoria organizada segundo o número de filhos – o filho mais velho vai servindo de referência. ʘ Controlo Sexual. As famílias estabelecem padrões ʘ Escolha do cônjuge. ʘ Autoridade. a natureza das mudanças. e como ocorre a mudança na família.  A Teoria é uma abordagem que explica a mudança de padrão.

mas também autonomia económica. rotinas.  A falta de experiencia prévia com o stressor aumenta a percepção de ameaça. McCubbin.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL O Stress e a Família  As famílias estão expostas a stressores. p.Do ponto de vista social e afectivo:  Pais substitutos? Afectivos? (avós. ʘ Divorcio ʘ Monoparentalidade 48 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. 88. 1998 As forças da família Resiliência – Recursos – Capacidades . comportamento destinado a facilitar a incorporação de um recém‐nascido na unidade familiar.  Os acontecimentos inesperados e não planeados são percepcionados como stressantes. Devemos estar atentos a estas situações. tempo em família. adaptabilidade. Até as crianças atingirem a sua independência e autonomia → não só em termos de desenvolvimento e capacidade de satisfazer necessidades. amigos e sociedade quanto aos comportamentos do papel” ICN – CIPE Versão 2 Cada vez mais os pais necessitam de apoio para desempenhar o seu papel de formar correcta → é uma das funções do enfermeiro. Nº 1851 . trabalhar no sentido das forças. comportamentos para optimizar o crescimento e desenvolvimento das crianças. De acordo com a lei:  Pais progenitores  Pais adoptivos Parentalidade Social . Friedman. assumindo “as responsabilidades de ser mãe e/ou pai. 1998. Objectivos Parentais Sobrevivência. 1993. Manutenção da cultura e valores familiares. interiorização das expectativas dos indivíduos.Motivações. tios…)  Instituições? Situações de Parentalidade especial Situações de maior risco: Maior risco não quer dizer que sejam problemáticos.  Os acontecimentos que ocorrem na família tal como a doença dum filho são mais stressantes do que os que ocorrem fora do sistema (guerra). p. para que os pais consigam que a criança cresça saudavelmente dentro da família.  Stressores ambíguos causam maior stress. Allen. Força da família: Coesão. tensões e transições. resistência da família. Parentalidade biológica e parentalidade social… Parentalidade Biológica – inerente à espécie.  Os copings disponíveis para uso pela família e as estratégias de resolução de problemas conduzem à adaptação. 55. → Avaliar as forças da família – olhar a família sob o ponto de vista de que ela é capaz: olhando as suas mais-valias. Parentalidade Acção de tomar conta. CLE 2008-2012. Independência Económica. famílias.

o que implica estabelecer fronteiras para possibilitar o desenvolvimento completo da criança. CLE 2008-2012. aos representantes legais. empower e não-violência – que faculta reconhecimento e orienta.Lei de Protecção de Crianças e Jovens em perigo. Baumerind (1967) O que é a parentalidade positiva? Comportamento parental baseado no superior interesse da criança – amar/cuidar. 49 Nádia Isabel Leonardo Perdigão.  Cognições.º 61/2008: Imposição do exercício em comum das responsabilidades parentais. Artigo 18º:  1.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL ʘ ʘ ʘ ʘ ʘ ʘ ʘ Adopção Famílias mistas (diferentes culturas) Quando ambos os pais possuem carreira Abuso de substâncias Sem abrigo Pais encarcerados Pais adolescentes Direitos e Responsabilidades Parentais ʘ Convenção dos Direitos da Criança: Direito a ter pais responsáveis. Componentes da Parentalidade  Comportamentos.  Autocrata ou autoritário.  Permissivo: ʘ Indulgente e negligente (pode por o desenvolvimento e a vida da criança em risco). Nº 1851 . ʘ Decreto‐Lei n. Conselho da Europa (2006) Protecção de crianças e Jovens Das Leis do Estado Convenção dos Direitos da Criança . Os Estados Partes diligenciam de forma a assegurar o reconhecimento do princípio segundo o qual ambos os pais têm uma responsabilidade comum na educação e no desenvolvimento da criança. a salvaguardar os Direitos das crianças protegendo‐as de todas as formas de abuso. ʘ Lei n. alínea b). A influência dos pais na saúde e desenvolvimento da criança Os pais possuem potencial para promover a saúde e bem-estar da criança ou impedir o desenvolvimento físico e emocional. Lei 147/99 A Responsabilidade dos enfermeiros Artigo 81º do Código Deontológico. sendo caso disso.  Afectos. A responsabilidade de educar a criança e de assegurar o seu desenvolvimento cabe primacialmente aos pais e. O interesse superior da criança deve constituir a sua preocupação fundamental. Comportamentos Educativos parentais  Modelo de Estilos parentais:  Democrata ou autoritativo.º 91/2009: Protecção da Parentalidade.

por isso é importante conhecer a origem das cognições parentais. confiança e segurança. Nº 1851 .Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Processos Cognitivos Parentais As ideias parentais estão relacionadas com o comportamento parental mas não o reflectem necessariamente. Funções dos pais: ʘ Satisfação das necessidades básicas. pelo que os pais estão em constante adaptação. Atitudes Parentais ʘ Sentido de zelo e responsabilidade. ʘ Importância atribuída ao papel. oportunidade para educação parental.“stressores” na transição Saúde da criança. ʘ Nível de envolvimento. 2005) Desenvolvimento da criança e adaptação parental O desenvolvimento da criança não se faz de forma linear. Fontes contextuais de stress e suporte. ʘ Necessidades de interacção social da criança. 50 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. (Cruz. ʘ Disponibilidade psicológica e física (idade dos pais). (Belsky. ʘ Parentalidade eficaz. ʘ Necessidades de compreensão cognitiva das realidades extra familiares. Touch points (Brazelton) Factores que influenciam a Parentalidade: Características individuais da criança e dos pais: Existe uma interacção bi‐direccional ‐ “através da interacção. ʘ Satisfazer as necessidades de afecto. ʘ Disponibilizar à criança um mundo físico organizado e previsível. ʘ Factores proximais:  Características pais e criança ʘ Factores distais:  Contexto cultural  Nível socioeconómico  Constelação familiar Processos Afectivos Parentais ʘ O sistema afectivo parental é por natureza empático. ʘ Objectivos centrados no bem-estar e desenvolvimento da criança. CLE 2008-2012. 1984) Focos da Prática de Enfermagem Parentalidade  Adaptação à parentalidade  Vinculação  Educação da criança  Desenvolvimento da criança ICN ‐Cipe Versão 2 Diagnósticos de Enfermagem Potencial para o desenvolvimento da capacidade parental . os prestadores de cuidados e as crianças modificam os comportamentos uns dos outros”.

choro e comportamento. condições de pobreza. depressão).“stressores” no desempenho  Prematuridade e deficiência da criança. CLE 2008-2012. abuso de substâncias). para que as família adquiram ou mantenham o controlo das suas vidas e reconheçam mudanças positivas que resultem da comportamentos de ajuda que promovam as suas forças.  Desemprego. Cuidados centrados na família ‐ Parceria O que trocamos enfermeiros e os pais/pessoas significativas? Pais Conhecimento: Do cuidar do filho Da resposta do filho à doença? Das suas estratégias de lidar com a doença Enfermeiro/a Conhecimento: De cuidar de crianças doentes: stressores / comportamentos.  Divorcio. ʘ Promovendo as suas escolhas.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Resposta às necessidades básicas da criança. (Wong 2006) → Os pais têm o direito de manter a sua parentalidade o mais possível.  Abuso de substâncias. (Risco) Parentalidade comprometida . Suporte social. O enfermeiro tem o dever de avaliar se os pais querem participar nos cuidados e se têm capacidade para realizar os mesmos. 1995). ICN ‐Cipe Versão 2 Intervenções De Enfermagem ʘ Centradas no interesse da criança e dos pais. As crianças têm o direito de receber cuidados pelos pais. → Os cuidados resultam da negociação contínua entre pais e enfermeiros. ʘ Promovendo o suporte e a orientação para capacitação dos pais. Condições socioeconómicas (desemprego. escolaridade. Empowerment “Processo de interacção entre profissionais e famílias. intervenções Evolução da doença e Tratamento Stressores dos pais/reacções e estratégias 51 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. Conjugalidade. Nº 1851 .  Hospitalização.  Doença mental dos pais (Ex.  Pobreza. capacidades e acções”.  Violência doméstica. Parceria de cuidados Parceria de cuidados “Pais e Enfermeiros trabalham conjuntamente para providenciar cuidados à criança doente” (Casey.

completa. acidentes. família e comunidade. e com problemas cardiocirculatórios e respiratórios.  Nos adolescentes. Nº 1851 . tabaco e drogas. violência sobre a mulher e a criança –. a asma. maternidade e paternidade precoces. social.  Portugal continua a ser o país da EU com a mais alta taxa de incidência de sífilis neonatal. CLE 2008-2012. desequilíbrios alimentares. ʘ Na sua implementação e avaliação. principalmente os de carácter sóciocultural – maus tratos. a doença crónica ou a deficiência continuam a afectar os adolescentes.  Continua a assistir-se a: ʘ Alta percentagem de gravidezes em adolescentes (entre os 14 e os 16 anos) que não frequentam a escola. muitas vezes relacionados com hábitos tabágicos e alcoólicos ou infecções por DTS nas mães. Informação ʘ Os profissionais de saúde partilham e informação completa e sem distorções. de forma a que esta seja útil para as famílias e doentes. a que muitas vezes está 52 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. a diabetes mellitus. ʘ Gravidezes não vigiadas ou insuficientemente vigiadas em franjas da sociedade com más condições de vida. Promoção da Saúde da Criança e do Jovem ao longo do Desenvolvimento Promoção da Saúde Estratégias destinadas a aumentar a saúde e o bem-estar físico. espiritual e de desenvolvimento do indivíduo. Adaptado de Stanhope & Lancaster (2008) Evolução da Saúde Infantil e Juvenil  Os recém-nascidos de baixo peso.  Outros problemas de saúde têm emergido. psico-emocional. crenças e background cultural no planeamento e prestação de cuidados.  O cancro. continuam a fazer aumentar os indicadores da morbilidade e mortalidade deste grupo. os principais problemas relacionam-se com o comportamento: sedentarismo. profissionais de saúde e lideres no sistema de saúde. colaboram: ʘ Na elaboração de politicas. e precisa de forma a participarem ao nível que desejarem Colaboração Doentes. família. ʘ Na estrutura dos espaços na educação de profissionais e ʘ Em decisões da prestação de cuidados de saúde Participação Os doentes e famílias são encorajadas a cuidar e tomar decisões ao nível que desejarem. ʘ Integram os conhecimentos.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Conceitos Centrais aos Cuidados Centrados na Família Dignidade e Respeito ʘ Os profissionais escutam e honram as perspectivas e escolhas das famílias. ʘ As famílias e doentes recebem informação a tempo. comportamentos violentos. ʘ No desenvolvimento de programas. valores. associado à baixa idade gestacional. consumos de álcool.

 Doenças infecciosas: SIDA e/ou Tuberculose.  Problemas de saúde mental e de comportamento.  Comportamentos sexuais de risco.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL associada a infecção pelo VIH e pelo bacilo de Kock. erradicação da sífilis congénita. Infecção Meningocócica. visita domiciliária. ʘ 61% da mortalidade infantil ocorre no período neonatal e por anomalias congénitas (as cardiovasculares ocupam o 1º lugar).  Nascer com saúde: entre outros: facilitação do acesso à saúde reprodutiva. para rastreios de doenças e outras intervenções pelos técnicos de saúde. 53 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. Os adolescentes constituem o grupo etário mais saudável. graças à cobertura pelo PNV e à acessibilidade aos cuidados de saúde. aumento da taxa de cobertura das puérperas.  Hábitos de sono. maior atenção às adolescentes e às minorias étnicas.  Cancro. consumo de açúcar e sal.  Crescer com segurança: melhoria da articulação e parceria entre serviços.  Gravidez indesejada. CLE 2008-2012. Os indicadores de morbilidade e de mortalidade relacionados com doenças infecciosas diminuíram. das perturbações comportamentais alimentares. assim como aos hábitos tabágicos e alcoólicos.  Exclusão social.  Uma juventude à descoberta de um futuro saudável: melhoria na qualidade do acesso e atendimento.     Plano Nacional de Saúde 2004-2010 Problemas:  Acidentes (viação e domésticos). promoção do aleitamento materno. estabelecimento de parcerias entre as instituições de educação e de saúde. ʘ A mortalidade por acidentes e causas externas continua a ser elevada. do sedentarismo. incentivo à adopção de estilos de vida e comportamentos saudáveis. na adolescência e insuficientemente vigiada.  Sedentarismo. A mortalidade neonatal tem vindo a decrescer: 2.3%o em 2008). Asma e Diabetes Mellitus. reforço das actividades de educação nas áreas da sexualidade e reprodução e da actividade preventiva do risco.  RN de baixo peso e com problemas cardio-respiratórios. Saúde Infantil e Juvenil: Estratégias  Abordagem centrada na família e no ciclo de vida: promoção da educação para a saúde.  Stresse. intervenção precoce e acompanhamento das crianças portadoras de deficiência. Nº 1851 . redução da morbilidade e mortalidade por acidentes. para acções de prevenção. à saúde mental e às DSTs. à bulimia. ʘ Não se sabe.1%o em 2004).  Alimentares: obesidade. Sífilis Congénita. A mortalidade infantil tem vindo a decrescer: 3. qual a morbilidade associada à obesidade. ao diagnóstico e tratamento das ISTs e à saúde mental das grávidas. no entanto. no grupo das criança e dos adolescente. à anorexia.

 Valorização dos cuidados antecipatórios como factor de promoção da saúde e de prevenção da doença.  Estimular a opção por comportamentos saudáveis.  Apoio à responsabilização progressiva e auto-determinação em questões de saúde das crianças e jovens. Nº 1851 .  Identificar. a prevenção de acidentes e intoxicações. em situação de risco ou especialmente vulneráveis. identificar e saber como abordar as doenças comuns. a suplementação vitamínica e mineral.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Programa tipo de actuação em saúde infantil e juvenil Prioridades  Apoio às crianças com necessidades especiais. Estar atento a sinais muito subtis.  Promover a auto-estima do adolescente e a sua progressiva responsabilização pelas escolhas relativas à saúde. Linhas Mestras  Calendarização das consultas para ‘idades chave’.  Apoiar e estimular a função parental  Promover o cumprimento do Programa Nacional de Vacinação (PNV). correspondentes a (…) etapas do desenvolvimento psico-motor. a saúde oral.  O reconhecimento dos pais como principais prestadores de cuidados.  Harmonização das consultas com o esquema cronológico de vacinação. dos riscos decorrentes da exposição solar e das perturbações da esfera psico-afectiva. Objectivos  Avaliar o crescimento e desenvolvimento. socialização. apoiar e orientar as crianças e famílias vítimas de violência ou negligência – situações de negligencia e violência nem sempre são muito evidentes. 54 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. CLE 2008-2012.  Prevenir.  Sinalizar e proporcionar apoio continuado às crianças com doença crónica/deficiência e às suas famílias e promover a articulação entre os intervenientes nos cuidados.  Detectar precocemente e encaminhar situações que possam afectar negativamente a vida da criança. alimentação e escolaridade.  A redução das desigualdades no acesso aos serviços de saúde.  Detecção precoce e encaminhamento de situações passíveis de correcção e que possam afectar negativamente a saúde da criança.

Nº 1851 . estas crianças devem ter um apoio mais frequente e com outras estratégias. Intervenção em função do risco Permite definir o tipo de vigilância de saúde. Os cuidados de enfermagem. ou de um grupo.20).Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL  Assegurar o aconselhamento genético. nas áreas de intervenção. rentabilizando os recursos materiais e humanos  Risco: é “a probabilidade de ocorrer um acontecimento indesejável (doença.  Factor de risco: características e condições de vida de uma pessoa. 55 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. ou as tornam mais susceptíveis de sofrer os seus efeitos nocivos. Actividades  Consulta de enfermagem  Visita domiciliária Cabe à equipa de saúde identificar as necessidades especiais de cada criança e definir um programa individual de vigilância e promoção de saúde que facilite o desenvolvimento das capacidades e potencialidades (Saúde Infantil e Juvenil. Programa-tipo de Actuação. 2005.  Prevenção da doença. que os expõem a um risco potencial de contrair ou desenvolver um processo mórbido. p. CLE 2008-2012. se indicado. que se pretende que produzam resultados positivos. Consulta de Enfermagem em Saúde Infantil e Juvenil Conteúdo  Detecção da doença. acidente ou morte) a um indivíduo ou grupo de indivíduos → se determinarmos o risco e for superior ao normal. funcionam como in puts. de acordo com as necessidades da criança e as prioridades.

Elster. CLE 2008-2012. tudo o resto tem pouco impacto. Estrutura  Modelo SOAP.  Modelo GAPS. ʘ Preparação dos materiais identificados como necessários.  Orientação antecipada – preparar os pais para não ficarem suspreendidos com o que vai acontecer → prepará-los para suprir as necessidades da criança.  Modelo Bright Futures. ʘ Vigilância de Saúde  História  Interacção Pais – Criança  Vigilância do Desenvolvimento  Exame Físico  Rastreios – adequados à idade  Vacinas  Outras Intervenções ʘ Orientação Antecipada Fases  Preparação: ʘ Leitura do processo: identificação/revisão dos problemas e elaboração do plano de consulta. ʘ Contexto – criar contexto propício à interacção com o profissional. 56 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. da entrevista. Abordagem baseada no fortalecimento.. dos problemas identificados e das questões pendentes. M. Nº 1851 . Enquanto os pais não virem as suas dúvidas esclarecidas. Fleming.  Execução. et al (1994)  Gather information  Assess further  Problem identification  Solutions Modelo de consulta Bright Future Este modelo foca-se nos aspectos positivos e em fortalecê-los e “esquecer” os negativos.  Registo: ʘ Marcação de próxima. A. ʘ Avaliação do plano de cuidados e reformulação.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL  Promoção da saúde. ʘ Prioridades da Consulta – escutar os pais ou a criança/adolescente – questionar sobre dúvidas que têm.Polisky et al (2005)  Subjective history  Objective findings  Assessment  Plan GAPS . Modelos de Consulta SOAP . ʘ Registo do observado.

 Promover reuniões de equipa de enfermagem e interdisciplinares. cheiro. alcoolismo.  Fazer plano da VD: ʘ Onde e quando. apoiar e ajudar o utente a tomar decisões utilizando os seus próprios recursos (individuais e familiares). ʘ Avaliar os cuidados prestados. materiais. ʘ Acções a desenvolver . ʘ Objectivos.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Visita Domiciliária Objectivos ʘ Investigar uma situação aparentemente problemática. ʘ Mãe adolescente. ʘ Ausências às consultas ou à vacinação. ʘ Crises ou problemas familiares (como toxicodependência. habitualmente é de 30 minutos. mas com flexibilidade – ouvir. Realização ʘ Apresentação e explicitação do motivo da visita. luz. . ʘ Marcar nova V. ou lembrar próxima consulta. Nota: A duração. ʘ Situação de doença ou deficiência da mãe ou da criança. .conteúdo e estratégias. Nº 1851 . ʘ Assistir o utente em caso de necessidade. Pressupostos  Estabelecer prioridades e definir a população alvo  Identificar pessoas ou grupos em risco.  Recolha de dados no processo individual e familiar. delinquência…). se necessário. roupa. solteira primípara ou com muitos filhos. ʘ Prestar os cuidados de acordo com o planeado. Registo Registar (tipo de habitação. embora seja adaptada a cada situação. Avaliação ʘ Confrontar o planeado com o realizado. ʘ Fazer educação para a saúde. 57 Nádia Isabel Leonardo Perdigão.  Organizar material. junto dos técnicos. orientar e realçar os aspectos considerados pertinentes. de outros serviços de saúde ou de líderes locais. CLE 2008-2012. ʘ Actualizar o plano de cuidados. por exemplo: ʘ Período perinatal.  Trabalhar em equipa (saber o que já foi feito). Fases Preparação  Identificação do problema/situação. como. espaço. ʘ Validar os conhecimentos.  Articular com CSD e com outras instituições ou técnicos no terreno. período de introdução de novos alimentos. ʘ Crianças com problemas de desenvolvimento ou insucesso escolar. .  Articular recursos.D. e da relação entre os elementos da família). ʘ Problemas identificados. arrumação.

O Lactente deve fazer aleitamento materno exclusivo até aos 6 meses e como complemento até aos 2 anos (OMS) Preferencialmente a criança deve ser amamentada e como forma exclusiva de alimentação nos primeiros 6 meses → pode não ser possível por diversos motivos.º.  Exame de saúde oportunista. Tipos de Leite Comercial Lactente 1 (0 a 4/6M) – desenvolvidos a partir de leite de vaca e de outras fontes (por exemplo. 8 anos. CLE 2008-2012. favorece: ʘ A expressão de sentimentos e de dificuldades. ʘ Aprendizagem de regras – aprendizagem de regra enquanto tal.º. (há bebés que aparentemente não ficam satisfeitos com o leite materno e fazem complemento com este leite). 6. A partir dos 6 meses o leite materno já não tem todos os componentes que o bebé necessita para suprir as necessidades. ʘ Comunicação efectiva – a partir do momento em que a criança começa a fazer a mesma alimentação que a família. Periodicidade dos exames de saúde  1. 18 anos. 9.  Educação e adaptação social.  Princípios a atender. 15. ʘ A observação da dinâmica familiar in loco.º Ano de vida: 1.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Conclusão A V.º. ʘ Desenvolvimento de capacidades – psicomotoras (mão. 5-6 (exame global de saúde).  1-3 Anos: 12. Há um aumento da percentagem de mães que abandona precocemente a amamentação. Alimentação Vertentes de Alimentação  Nutricional. Nº 1851 . colher. 2.  Sequência dos alimentos. é favorável que a criança comece a partilhar a mesa com a família → refeição como momento de socialização. → As datas são standard. 15. mas podem ser aumentadas em situações de risco. 4. 18 meses.  Vigilância segundo a singularidade da criança / do grau de risco.D. soja). ʘ Introdução dos novos alimentos aos 4 a 5 meses se alimentada por leite artificial.  4-9 Anos: 4. 58 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. porque a pessoa está no seu meio ambiente. faca). 1. ʘ O estabelecimento de uma relação personalizada. 3 anos. Existindo maior privacidade e eventualmente maior disponibilidade da sua parte e da parte do enfermeiro. a V. é uma actividade nobre da enfermeira. garfo.º mês.  10-18 Anos: 11-13 anos (exame global de saúde). ex: contra-indicação por patologia da mãe. 6 meses se amamentada. 2.D.ª semana de vida.º. 1º Ano de Vida ʘ Exclusivamente láctea nos primeiros 4 meses de vida – Aleitamento materno/artificial/misto:  Preparação do biberão. que pode ser dado à criança quando a mãe não pode ou não quer amamentar.

Transição 3 (8M a 36M) . Especiais – leite utilizado com um fim específico  Anti-obstipantes  Anti-cólicas  Hipoalergénicos  Saciedade – crianças que aparentemente têm sempre fome e nas quais não é favorável aumentar a dose de leite – prevenir obesidade. ʘ As intolerâncias ao glúten são características desta idade. Preparação do biberão  Deve ser preparado na altura de ser dado à criança. ʘ Se for papa láctea acrescenta-se água. elevada percentagem de lactose.  5 Meses . Necessidades Calóricas e Hídricas Idade Necessidades Calóricas 1-3 M 120 cal/Kg/dia 3-6 M 110 cal/Kg/dia 6-9 M 100 cal/Kg/dia 1-2 A 90 cal/Kg/dia Necessidades Hídricas 150 ml/Kg/dia 120 ml/Kg/dia 110 ml/Kg/dia 100 ml/Kg/dia As crianças nos 2 primeiros anos de vida não conseguem eliminar os excessos hídricos → o rim ainda não está completamente desenvolvido para conseguir compensar excessos.principalmente ferro.Introduzir puré de cenoura e batata (com um fio de azeite no final da cozedura e sem sal) ao almoço. hidratos de carbono.surgiram da necessidade de combater a tendência para a introdução precoce do leite de vaca.  2º Pôr o “pó”: 1 medida rasa por cada 30 mL de água.Iniciar papa sem glúten (láctea ou não láctea) ao almoço. Se for papa não-láctea acrescenta-se leite. que pode causar sobrecarga renal e apresenta um défice de vitaminas. o que dá à criança é sempre leite com mais alguns componentes.  Desconforto Digestivo Leites e Fórmulas para fins medicinais específicos  Fórmulas à base de soja – utilizado em crianças com intolerância à lactose. e vitaminas do que os leites para lactentes. teor mais elevado de calorias. Manter a criança satisfeita sem aumentar o aporte calórico.  1º Pôr água fervida → água sempre primeiro: corre-se um menor risco de fornecer o leite à criança com a concentração errada. Os biberões devem ser bem lavados e depois fervidos juntamente com as tetinas durante 10 minutos.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Transição 2 (4M a 12M) . Introdução de novos alimentos  4 Meses .  Biberão limpo e esterilizado. CLE 2008-2012. Nº 1851 .  Sem lactose ou Anti-diarreicos  Anti-regurgitação – utilizado em prematuros que ainda não tem o cardia muito desenvolvido  Prematuros ou recém-nascidos de baixo peso Leite de vaca em natureza está contra-indicado no 1º ano de vida e a sua introdução deve ser adiada até aos 24-36 Meses. A papa passa a ser dada ao lanche. 59 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. No final.apresentam ainda um reduzido teor proteico. minerais . O tracto Gastrointestinal ainda está em desenvolvimento.

Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Cada 3-7 dias Introduzir legume novo na sopa. produtos hortícolas. Só após o 1º Ano . Nº 1851 . Introduzir outras frutas. ʘ A ordem pela qual os alimentos se introduzem não é rígida.  6. manteiga (20-30 grs/dia)  Farinha. 1 Semana depois . essencialmente à base de cereais. se o bebé quiser bebe. leguminosas.  Se Antecedentes de Alergia na Família . ʘ Se o bebé resistir ao novo alimento.Fazer puré de legumes no caldo de cozedura da carne. dar apenas 2-3 colheres de chá do mesmo e completar a refeição com leite. tomate. batatas (150 grs/dia)  Fruta fresca (200-300 grs/dia) Adolescência ʘ É o 2.Adicionar 30g/dia de carne triturada ao puré (borrego.  Leguminosas secas (feijão. ʘ Não esquecer que o adolescente segue os usos do grupo (para o adolescente o que é importante é ser aceite pelos pares) e que este pode ter hábitos errados de nutrição. ʘ A alimentação tem de ser variada (cumprir roda dos alimentos). banana ou pêra) como sobremesa.Introduzir:  Leite de vaca em natureza. 1 Semana depois . pêssego. substituir a refeição de leite por esse alimento. fruta e hidratos de carbono.  Citrinos. arroz ou massa (100 a 200grs/dia)  Folhas verdes. morangos. peru. Nota: Os alimentos de boião poderão ser utilizados como recurso ocasional 1-5 Anos de Vida  Leite (0. ʘ Quando o novo alimento for bem aceite. fazer um intervalo de 1 semana.  9 Meses .Iniciar fruta (maçã.5/7 Meses . grão…).  6 Meses .Pode iniciar papa com glúten. frango. 5. pão. ovo 1  Azeite. a par de leite e derivados. peixe e ovos. Iniciar iogurte natural (depois pode-se juntar bolacha ou fruta).  Gema de ovo (clara aos 15 meses – tem um potencial alergénico maior). nomeadamente os produtos de alto valor calórico e pobre valor nutritivo. CLE 2008-2012.A sopa com carne passa a ser dada ao almoço e ao jantar. de carne. Princípios a atender na introdução de novos alimentos ʘ Início quando o bebé estiver saudável – pode mascarar reacções alérgicas se o bebé estiver doente.  Carne de porco. kiwi. ʘ Dar os novos alimentos à colher que terá de ser bem introduzida na boca para contrariar o reflexo de extrusão e facilitar a deglutição – não vale a pena tentar alimentar á colher se o reflexo ainda for muito evidente.5/6 Meses .5l/dia) e derivados (20-30 grs/dia)  Carne ou peixe (40-60 grs/dia). ʘ A água deve ser oferecida – oferecer água num biberão. É nesta fase que se observam casos de bulimia e de anorexia.     60 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. carneiro). ʘ Para introduzir um novo alimento.º período da vida de maiores necessidades calóricas. cenoura.Iniciar peixe branco esmagado numa das refeições.Pode-se protelar o início do peixe e dos iogurtes para os 12 meses.

5 metro – ver “Programa Tipo de Actuação em Saúde Infantil e Juvenil”.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Roda dos alimentos Cereais e derivados. o peso e a montagem. dano esse directamente imputável ao acontecimento que o provocou. 61 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. CLE 2008-2012. skate. p.regras para o transporte de crianças desde a alta da maternidade até aos 12 anos ou <1. a casa de banho e a porta de casa são os locais de maior número de acidentes Acidentes rodoviários  Principal causa de morte nas crianças dos 4 aos 18 anos. o acidente não é acidental – apesar de tudo é possível prevenir os acidentes. ʘ A supervisão no sentido da protecção pelos pais é inversa ao desenvolvimento de autonomia da criança → vai adquirindo capacidade de se proteger dos perigos e é importante educá-la para se proteger dos perigos Na prevenção de acidentes a atitude é:  Proteger do risco  Educar para o risco  Dar autonomia face ao risco Acidentes  Principal causa de morte no 1º ano de vida Acidentes domésticos  Principal causa de morte nas crianças entre os 1 e os 4 anos. como peão. Desconhece-se a morbilidade  A cozinha. Ter em conta a idade. criança. agente → é preciso pensar e intervir nestes 3 níveis para prevenir os acidentes ʘ O tipo de acidentes está directamente relacionado com o desenvolvimento infantil – a criança por ter ou não ter certo tipo de capacidades está mais susceptível a acidentes.23-24. Portanto. bicicleta. peixe e ovos – 5% Leguminosas – 4% Gorduras e óleos – 2% Segurança Conceitos ʘ Definição de acidente – É todo o acontecimento não programado. Nº 1851 . condutor ou passageiro  Acidentes em que a criança é condutor – motorizada. ʘ A tríade epidemiológica do acidente – Ambiente. tubérculos – 28% Hortícolas – 23% Fruta – 20% Lacticínios – 18% Carne. Transporte automóvel A prevenção rodoviária deve começar antes da criança nascer → é necessário já exis r uma cadeirinha no carro para levar a criança para casa. patins  Acidentes em que a criança é passageiro . que provoca dano corporal.

Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL 62 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. Nº 1851 . CLE 2008-2012.

CLE 2008-2012. quedas. Nº 1851 . que necessitam de prevenção  Geralmente os pais subestimam as capacidades motoras da criança  A educação dos pais deve incluir a discussão acerca dos perigos e desenvolvimento motor e comportamental da criança 63 Nádia Isabel Leonardo Perdigão.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Intervenções e estratégias Devem ser dirigidas:  Desenvolvimento e idade da criança  Ambiente  Circunstâncias envolventes A informação relativa às medidas de 1ºs socorros e emergência médica devem estar disponíveis Pontos-chave  A segurança deve ser prioritária para os pais acompanhando o desenvolvimento da infância à adolescência  A segurança implica a mudança ambiental para prevenir: sufocação. lesões causadas por veículos motorizados. queimaduras ou outros perigos  A rápida evolução na independência e mobilidade da criança representam novos perigos.

Bass et al (1993) Período Pré-Natal  Preparação do nascimento  Cadeira de segurança  Cama  Conhecimentos sobre RCP e primeiros socorros.os profissionais de saúde podem ajudar os pais na mobilização de recursos para os adquirir e na adaptação do ambiente  São mais vulneráveis ao risco de bullying ou de maus tratos. 64 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. Nº 1851 .  Colocar os números nacionais de controlo anti-venenos e emergência médica em local visível junto ao telefone 1º Ano de Vida  A criança desenvolve-se rapidamente e a promoção da segurança e a prevenção de lesões é uma tarefa a tempo inteiro. incluindo a negligência e o abuso físico e sexual  O planeamento implica a compreensão e antecipação das limitações da criança e das suas necessidades Aconselhamento A orientação para a prevenção de lesões é efectiva e tem resultados positivos American Academy of Pediatrics (2007) Se for feita educação no sentido de prevenção dos acidentes.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Família e Cultura  Para algumas famílias os conselhos podem conflituar com as suas crenças individuais e culturais (Ex. co-sleeping – a criança deve dormir no seu berço. uso de medicamentos ou medicinas alternativas)  Em algumas comunidades os pais não são os primeiros decisores ou cuidadores em relação à criança – ex: nas comunidade cigana o poder de decisão está nos avós do sexo masculino  O aconselhamento aos elementos de maior influência na família ou comunidade pode ser uma estratégia útil  Os profissionais têm um duplo papel no aconselhamento e na ajuda às famílias para implementação das medidas de segurança de acordo com as suas referências culturais  O aconselhamento do risco será mais eficaz se for feito de modo repetitivo e de diferentes formas: reforço. CLE 2008-2012. nunca na mesma cama que um adulto → risco de asfixia e esmagamento.  O aconselhamento aos pais é fundamental para que possam compreender os timings de desenvolvimento e focar as suas intervenções de forma adequada. repetição e insistência → importantes e necessários Criança com necessidades especiais  Podem ter necessidades únicas do ponto de vista da segurança  A supervisão parental deve assentar no nível de desenvolvimento e nas capacidades físicas da criança  Pode implicar o recurso a materiais específicos . estes diminuem efectivamente Os pais respeitam os conselhos dos profissionais de saúde A orientação obteve resultados positivos:  Aumento dos conhecimentos  Aumento dos comportamentos de segurança  Diminuição nos acidentes incluindo veículos motorizados e não motorizados. uso da cadeira de segurança.

CLE 2008-2012. baldes. 65 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. lagos. ʘ Exposição ao fumo. Factores de Risco ʘ Abuso materno de substâncias. ʘ Falta de supervisão ou negligência. mas não na sua cama ʘ Utilização da chucha a partir do mês de idade – agiliza a respiração American Academy of Pediatrics (2005) 1 aos 4 anos  São especialmente vulneráveis porque as suas capacidades físicas sobrepõem-se às suas capacidades para entender as consequências das suas acções  Não possuem capacidade para entender que os seus comportamentos agressivos podem magoar a si própria e aos outros Recomendações para a educação parental: ʘ Necessitam de supervisão constante ʘ Os pais devem estabelecer e reforçar constantemente regras de segurança ʘ Os pais devem ensinar a criança desde muito cedo Acidentes mais frequentes: ʘ Acidentes com veículos motorizados ʘ Afogamento ʘ Queimaduras ʘ Electrocussão ʘ Envenenamentos ʘ Quedas ʘ Sufocação ʘ Lesões corporais Prevenção afogamento: ʘ Supervisionar a criança em qualquer fonte de água (piscinas. Os acidentes são preveníveis e os pais devem ser ajudados com conhecimentos e estratégias para os evitar.Prevenção: ʘ Dormir em posição de decúbito dorsal ʘ Dormir no quarto dos pais. não tem noção do perigo e a água é cativante para a criança ʘ Uso de dispositivos de protecção gradeamentos e portões. ʘ Electrocussões. bacias. Acidentes mais frequentes: ʘ Sufocação e acidentes de viação ʘ Quedas. alarmes.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Muitas vezes a criança não se põe sozinha nas situações de risco. sanitários) – criança não sabe nadar. Síndrome de Morte Súbita . ʘ Envenenamentos. ʘ Malnutrição. Nº 1851 . ʘ Queimadura. ʘ Afogamentos. mas sim os pais criam essa situação.

ʘ Verificar a água do banho (colocar sempre primeiro agua fria). Prevenção envenenamentos/intoxicações: Os medicamentos também se encaixam neste grupo ʘ Incidência mais elevada aos 2 anos ʘ Principal causa . 66 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. garfos. alimentos e cigarros fora do alcance. CLE 2008-2012. Nº 1851 .Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL ʘ Ensinar a nadar e medidas de segurança na água. ʘ Camas com protecções ʘ Triciclos e “aranhas” ʘ Carrinhos de compras. ʘ Proteger fios eléctricos e tomadas. e outros elementos de aquecimento. frutos secos) ʘ Brinquedos grandes e volumosos. canetas. ʘ Colocar velas acesas. colheres. Prevenção queimaduras: A criança agarra o que vê: ʘ Virar as asas dos tachos e panelas para a parte posterior do fogão. ʘ Não deixar pontas de toalhas ao alcance. tesouras) ʘ Equipamentos de jardinagem e armas de fogo devem ser trancados ʘ Uso de vidros de segurança (evitam quebras) Prevenção de quedas: ʘ Protecção das janelas e varandas – tem de ter as medidas correctas – a grade tem de ser acima da cabeça e não pode dar para que esta entale a cabeça na mesma. cadeiras altas ʘ Sapatos e roupas deslizantes 5 aos 10 anos  A criança torna-se mais independente a par de um grande desenvolvimento físico e intelectual  O controlo dos pais muda significativamente  Necessita de desenvolver a capacidade para tomar boas decisões acerca de situações potencialmente perigosas  São aspectos centrais na educação da criança – segurança e prevenção de acidentes. caroços.armazenamento impróprio ʘ As crianças nesta faixa etária são capazes de escalar para conseguir o acesso a locais muito altos Número do Centro de Informação Anti-venenos 808 250 153 Prevenção sufocação: ʘ Alimentos inteiros ou endurecidos (ossos. ʘ Guardar fósforos e isqueiros em áreas inacessíveis. sem partes soltas ou pontiagudas – a criança pode aspirar pequenas peças de brinquedos ʘ Sacos Plástico ʘ Espaços pequenos onde a criança se possa esconder Os pais devem ser ensinados sobre os procedimentos de emergência (desobstrução das vias aéreas) Prevenção de lesões traumáticas: ʘ Transporte de objectos afiados ou pontiagudos (facas. ʘ Colocar barreiras de protecção em aquecedores lareiras.

maxilares e dentes  Prevenção de traumatismos da boca e dentes 67 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. mas nesta faixa etária aumenta também entre as raparigas. ʘ A criança deve ser ensinada a lidar com a pressão dos pares ʘ As regras sobre o uso de material de protecção na bicicleta.  Associação para a Promoção da Segurança Infantil (APSI). Publicação de livros. não devem ser negociáveis ʘ Os pais devem ser aconselhados a manter uma boa via de comunicação com a criança 11 aos 18 anos A prevenção deixa de ser da responsabilidade dos pais para passar para o adolescente que se torna gradualmente independente As causas de morte são variáveis em função da raça e idade Três causas consistentes de morte:  Acidentes com veículos motorizados  Homicídio  Suicídio A violência entre pares é uma causa comum entre os rapazes. à porta de casa e na rua. filmes e panfletos para alertar a população para os riscos dos acidentes e respectiva prevenção  Programa de Prevenção Rodoviária: Série de instruções e de medidas para evitar o atropelamento. assim como para o que fazer nas catástrofes naturais. Acções de formação. O absentismo escolar e o uso de drogas aumentam os risco de lesões graves e morte Três áreas de risco para a violência:  Desporto  Violência  Gangs Exemplos de programas  Polícia Municipal. o despiste e a colisão Saúde oral Objectivos  Prevenção da cárie dentária e periodontides  Desenvolvimento e alinhamento correctos dos ossos da face. skates e patins. “Crescer na segurança” – a criança é alertada para os perigos domésticos. CLE 2008-2012. Nº 1851 .Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Áreas de prevenção dirigidas à criança ʘ Segurança na escola e comunidade ʘ Bullying ʘ Brincadeiras desporto e actividade física Áreas de prevenção dirigidas aos pais ʘ Os pais devem continuar a vigiar e promover a segurança das crianças mas sem gerar medos desnecessários e superprotecção ʘ Quando a criança fica em casa sozinha é preciso assegurar uma supervisão adequada e um ambiente seguro ʘ A criança deve ser ensinada a memorizar informações acerca da sua morada e telefones dos pais e de casa ʘ Deve existir uma pessoa sempre contactável para apoio à criança.

Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Problemas Cárie dentária Doença infecciosa. em particular entre as refeições Utilização de fluoretos Uso regular de dentífrico fluoretado Não utilização regular de qualquer dentífrico fluoretado Controlo da placa bacteriana Escovagem dos dentes duas ou mais vezes Não escova os dentes ou faz uma por dia escovagem pouco eficaz Nível socioeconómico da família Alto Baixo História clínica da criança Sem problemas de saúde Portador de deficiência física ou mental Ausência de medicação crónica Ingestão prolongada de medicamentos cariogénicos Doenças crónicas Xerostomia Medidas protectoras em crianças de alto risco ʘ Aplicação de selantes de fissura ʘ Suplemento de fluoretos: um (1) comprimido diário de 0. CLE 2008-2012. lentamente dissolvido na boca..g. uma obrigatoriamente antes de deitar 3 – 6 Anos ʘ 2 x dia: uma obrigatoriamente antes de deitar 68 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. streptococcus mutans ou streptococcus sobrinus) que formam a placa dentária na superfície dos dentes. transmissível e prevenível provocada por bactérias (e. Nº 1851 .25mg.  Doença crónica mais comum nas crianças  40% das crianças têm cárie dentária à entrada para o jardim de infância  Responsável por algum absentismo escolar Medidas preventivas ʘ Higiene oral ʘ Dieta e práticas alimentares ʘ Flúor ʘ Visitas ao dentista (cheque dentista) Instrumento de avaliação de Risco de Cárie dentária Baixo risco Alto Risco Evidência clínica de doença Sem lesões de cárie Lesões activas de cárie Nenhum dente perdido devido a cárie Extracções devido a cárie Poucas ou nenhumas obturações Duas ou mais obturações Aparelho fixo de ortodontia Análise dos hábitos alimentares Ingestão pouco frequente de alimentos Ingestão frequente de alimentos açucarados açucarados. à noite antes de deitar ʘ Verniz de flúor ou de clorohexidina Frequência da escovagem dos dentes 0 – 3 Anos ʘ 2 x dia: a partir da erupção do 1º dente.

25mg Mais de 6 Anos ʘ Não recomendado: Excepcionalmente as crianças de alto risco podem fazer um (1) comprimido diário de fluoreto de sódio a 0.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Mais de 6 Anos ʘ 2 x dia: uma obrigatoriamente antes de deitar Material utilizado na escovagem dos dentes 0 – 3 Anos ʘ Gaze ʘ Dedeira ʘ Escova macia de tamanho pequeno 3 – 6 Anos ʘ Escova macia de tamanho adequado à boca da criança Mais de 6 Anos ʘ Escova macia ou em alternativa média de tamanho adequado à boca da criança ou do jovem Execução da escovagem dos dentes 0 – 3 Anos ʘ Pais 3 – 6 Anos ʘ Pais e/ou criança: a partir do momento em que a criança adquire destreza manual. faz a escovagem sob supervisão Mais de 6 Anos ʘ Criança e/ou pais: se a criança não tiver adquirido destreza manual. CLE 2008-2012. a escovagem tem que ter a intervenção activa dos pais Dentífrico Flouretado 0 – 3 Anos ʘ 1000-1500 ppm: quantidade idêntica ao tamanho da unha do 5º dedo da criança 3 – 6 Anos ʘ 1000-1500 ppm: quantidade idêntica ao tamanho da unha do 5º dedo da criança Mais de 6 Anos ʘ 1000-1500 ppm: quantidade aproximada de 1 cm Suplementos sistémicos de fluoretos 0 – 3 Anos ʘ Não recomendado 3 – 6 Anos ʘ Não recomendado: Excepcionalmente as crianças de alto risco podem fazer um (1) comprimido diário de fluoreto de sódio a 0. Nº 1851 .25mg 69 Nádia Isabel Leonardo Perdigão.

Nº 1851 .Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Apreciação do risco de cárie dentária Outras apreciações do risco: ʘ Apreciação do Risco de Doença Periodentária ʘ Apreciação do Risco de Maloclusão Dentária ʘ Apreciação do Risco de Lesão Dentária Recomendações do PNPSO Gravidez ʘ A grávida. CLE 2008-2012. ao cuidar da sua saúde oral. utilizando uma pequena quantidade de dentífrico fluoretado de 1000-1500 ppm Dos 3 aos 6 anos de idade ʘ A escovagem dos dentes com um dentífrico fluoretado de 1000-1500 ppm deve ser efectuada duas vezes por dia. sendo uma delas. antes de deitar 70 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. está a promover a saúde do seu filho Do nascimento aos 3 anos de idade ʘ A higiene oral deve iniciar-se logo após a erupção do primeiro dente. obrigatoriamente.

Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Dos 3 aos 6 anos. sendo uma delas. CLE 2008-2012. obrigatoriamente antes de deitar Mais de 6 anos.2%  Na escola Revelador da placa bacteriana Avaliação da higiene oral  A partir dos 6 anos  Compreender a necessidade da higiene oral 71 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. Nº 1851 . no Jardim-de-infância ʘ Integrar a educação para saúde e a higiene no Projecto Educativo e efectuar uma escovagem dos dentes no Jardim-de-infância Mais de 6 anos de idade ʘ Escovar os dentes com um dentífrico fluoretado com 1000 e 1500 ppm duas vezes por dia. preferencialmente antes de deitar Bochecho fluoretado  A partir dos 6 Anos  Quinzenal  Fluoreto de sódio a 0. na escola ʘ As mensagens de promoção da saúde devem ser coincidentes com as práticas da escola Fio dentário  A partir dos 8 Anos  Utilização diária.

provoca uma reacção imunológica comparável à que acontece quando um indivíduo tem contacto com o agente patogénico a que se refere. mas sem capacidade de causar doença. Nº 1851 . introduzido no organismo. 72 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. que. CLE 2008-2012.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Índice de placa Quantifica a placa bacteriana em todas as superfícies dentárias e reflecte os hábitos de higiene orais Índice de Placa Simplificado: Atribuição de um valor ao tamanho da placa bacteriana existente nos seguintes 6 dentes e superfícies predeterminados:  Índice de Placa Individual = Somatório da classificação atribuída a cada dente/6  Índice de Placa de Grupo = Somatório da classificação atribuída a cada dente/Nº de indivíduos observados x 6 Vacinação Imunizações Programa Nacional de Vacinação (PNV) O que é uma vacina Produto antigénico. → Capacidade de produzir imunoglobulinas na sua presença. a que se retirou a capacidade de provocar doença.

Imunidade de grupo  Taxa de cobertura da vacinação para uma determinada doença. este conceito não se aplica.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Mecanismo desencadeado pela vacinação Vacinação Introdução de Antigénios Indivíduo Resposta Imunológica Imunidade celular e/ou humoral Protecção contra a doença A grande parte das vacinas são administradas no recém-nascido porque é nesta fase da vida que é necessária a imunização → muitas vezes esta será permanente. plasma ou imunoglobulina 73 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. toda a população em si está imunizada. CLE 2008-2012. sendo necessário vacinar 100% da população. do tétano e do sarampo. relativamente a essa doença. → Tem a ver com algumas patologias: se uma determinada % da população estiver imunizada. antibióticos…)  Reacção grave ou de hipersensibilidade a uma dose anterior da mesma vacinas  Condições do hospedeiro que contra-indicam as vacinas vivas  Grávidas até aos 4 meses  Doenças oncológicas ou imunodeficiências  Terapêutica imunossupressora  Administração há menos de 3 meses de sangue. Int. Ag → ac vidade imunidade celular e humoral.  Depende de dados epidemiológicos e de factores socioeconómicos.  No caso da tuberculose. a partir da qual se consegue a sua erradicação. Nº 1851 . da difteria. ela consegue-se com uma percentagem de 70-80% de vacinados. A resposta imunológica depende de: ʘ Condições do hospedeiro  Idade – Sistema imunitário  É preciso ter um Sistema imunitário de alguma forma saudável para conseguir dar resposta imunológica adequada.  Situação de saúde  Condições do hospedeiro que contra-indicam todas as vacinas  Doença febril aguda até à sua cura  Descompensação de doença neurológica se a vacina puder provocar febre  Alergia aos compostos da vacina (ovo.  Nas doenças em que a imunidade de grupo funciona.

anti-sarampo. podemos não estar a imunizar a pessoa como pensamos.  As injecções subcutâneas são administradas na coxa dos lactentes ou na face superior externa do braço. tetra e pentavalente.  As vacinas referidas no Plano Nacional de Vacinação não necessitam de prescrição.  As injecções intramusculares são administradas no vasto lateral da coxa nos lactentes ou no deltóide nas crianças maiores. Nº 1851 74 . do BCG. Nádia Isabel Leonardo Perdigão.anti-hepatite B. anti-rubéola ou anti-sarampo. anti-rubéola e anti-hepatite B. na união do terço superior com o terço médio. papeira e rubéola (VASPR)  Doses  O número depende da imunidade conferida pela vacina. Vacina antitetância  Micro-organismos vivos atenuados – Ex. nervosa. Vacina antisarampo. dupla. Vacina anti tosse convulsa  Micro-organismos similares – Ex. Necessário fazer o controlo da temperatura do frigorífico.  Local  Onde seja menor o risco de lesão local. vascular ou dos tecidos. quando diluídas devem ser utilizadas no prazo de 1 hora e dentro de 8 dias se forem mantidas entre 2 e 8ºC.anti-meningococo do tipo C e anti-papiloma vírus.  Administração  As vacinas do PNV são administradas por injecção  Intradérmica – BCG (só é feita por profissionais treinados. Vacina anti hepatite B  Imunoglobulinas específicas  Conservação  Respeitar pelos prazos de validade  Não expor os preparados à luz directa ou a fontes de calor  Não guardar nas portas dos frigoríficos  Seguir as instruções relativamente às instruções de conservação  Manter a uma temperatura entre 2 e 8ºC e não congelar  As vacinas anti-sarampo. mas a resposta imunológica vai ser idêntica)  Polissacáridos bacterianos – Ex. é administrada na face superior externa do braço esquerdo. antipoliomielite  Subcutânea . papeira e rubéola  Micro-organismos mortos – Ex.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL ʘ Condições das vacinas  Composição  Composição / Antigénios utilizados na produção de vacinas  Toxóide – Ex. Vacina do BCG (não é o microrganismo em questão que é administrado. Se não for intra-dérmica não vai provocar a resposta imunológica esperada)  Intramuscular . anti-parotidite. anti-tétano. nas crianças maiores. Vacina anti hemophillus influenzae do tipo B  Antigénio de superfície purificado Ex. CLE 2008-2012.  A injecção intra-dérmica. tríplice.  O método de conservação tem de ser rigoroso e preciso → se não for cumprido.  Intramuscular ou Subcutânea .

Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL  Intervalos entre a administração das vacinas  Vacinas mortas (sem restrições) .anti-tuberculose  VHB . HIB.anti-hemophillus influenzae do tipo B  MenC . CLE 2008-2012. VASPR). asma ou outras manifestações atópicas ʘ Antecedentes familiares de convulsões ʘ Tratamento com antibióticos. ou na fase de convalescença de doenças ʘ Dermatoses. desde que não seja no mesmo local. ). renais ou hepáticas ʘ Aleitamento materno ʘ Gravidez da mãe ou de pessoas de contacto próximo ʘ História anterior de tosse convulsa.anti-poliomielite de vírus inactivado  Td – anti: tétano e difteria (pequena partícula de difteria)  Hib . eczemas ou infecções cutâneas localizadas ʘ Doenças crónicas cardíacas. parotidite ou rubéola ʘ Casos de morte súbita na família ʘ História de alergia à penicilina ʘ Prematuridade ou baixo peso ao nascer ʘ Malnutrição Plano Nacional de Vacinação Objectivos – controlar doenças como. BCG) ou mais doses (ex. tosse convulsa (acelular) ou DTPw anti difteria.Podem ser administradas na mesma altura o número necessário de vacinas. assim como nas idades em que ela é conseguida (ex. MenC. papeira e rubéola  HPV – anti pailoma vírus (para os genótipos 6. Nº 1851 .11. Td. tétano. a tosse convulsa e a tuberculose e erradicar o tétano neo-natal. tétano e tosse convulsa (pertussis de célula completa)  VIP .16. VIP. Vacinas do PNV  BCG . Organiza a administração de doze vacinas de acordo com a imunidade conferida em uma (ex.anti-meningococo do tipo C  VASPR – anti: sarampo. pulmonares.anti-hepatite B  DTPa – anti: difteria.18) 75 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. sarampo. DTPa. Organização do esquema vacinal/PNV ʘ Falsas Contra-indicações ʘ Alergia.  Vacinas vivas (4 semanas de intervalo)  3 semanas no caso das vacinas anti-cólera e anti-febre amarela. por exemplo.

palpando-se e medindo-se em milímetros.05 ml. na dose de 0. apesar de duvidosa.. Prova i. com régua transparente. por via i. defendendo dos casos graves da doença. 76 Nádia Isabel Leonardo Perdigão.1ml. se for entre 5 e 9 mm. A partir dos 18 anos. Dos 3 meses aos 18 anos é efectuada após reacção intra-dérmica de Mantoux negativa. fornece imunidade a 59% dos vacinados. ʘ Confere imunidade a 80% dos vacinados. O aspecto de casca de laranja indica uma boa técnica. a zona de induração. na face posterior do braço esquerdo dos recém-nascidos com mais de 2kg. na face anterior ou anterolateral do 1/3 médio do antebraço esquerdo. mais tarde de 0. entre os 10 e os 15 anos. ʘ O controlo vacinal é feito às 10 semanas pela verificação da cicatriz vacinal. e. que é administrada por enfermeiros especialmente preparados. Nº 1851 . CLE 2008-2012.  Faz-se a leitura às 48-96h após a inoculação.  A reacção é positiva se for ≥10mm. não é preciso revacinar.1ml de um soluto de 2 unidades de tuberculina. quando administrada a menores de 5 anos.d.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Calendário BCG (Bacilo de Calmette-Guérin) – Vacina antituberculose ʘ É uma vacina de microrganismos vivos. Mais tarde. Efeitos secundários do BCG  Incluem reacções imediatas – lesão supurativa que vem a formar crosta – e mediatas – adenite satélite axilar. Contra-indicações  As relacionadas com as vacinas vivas. pensa-se que deixe de ser eficaz para proteger da tuberculose. de Mantoux  Administração de 0.d.

 A síndrome de imunodeficiência humana sintomática Vacina HPV – anti papiloma vírus (para os genótipos 6.ª e a 2. profunda. ʘ Previne lesões genitais pré-cancerosas. ʘ Assegurar o respeito pelos prazos de validade. ʘ O intervalo entre a 1.ª e a 3. o lote.ª não deve ser inferior a 2 meses e entre a 2. Nº 1851 . ʘ A imunogeneicidade da vacina está demonstrada entre os 9 e os 26 anos de idade. ʘ Escrever a lápis no BIS a(s) data(s) da(s) próxima(s) vacina(s). objectivo –. 77 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. Precauções da vacinação contra o HPV  Doença aguda grave. entre os 11 e os 13 anos. elogiando-a no fim. por via i. ʘ É uma vacina produzida por DNA recombinante do HPV. a dose na ficha central de vacinação da criança. protegida da luz. ʘ Aconselhar a criança a permanecer 20 minutos no Centro de Saúde. cancro do colo do útero e verrugas genitais externas relacionados com os genótipos que a compõem. como. não para as outras formas de infecção por papiloma vírus. em 3 doses.16. ʘ Preparar a criança e/ou informar os pais para o procedimento – o que vai fazer. em função da idade e do Boletim Individual de Saúde (BIS).ª será de 3 meses.5ml. com um adjuvante. através do programa SINUS. CLE 2008-2012. ʘ Preparar a vacina de acordo com as regras de administração de terapêutica. com ou sem febre  Em indivíduos com alterações da coagulação / risco de hemorragia.m. o laboratório. ʘ Registar a vacina administrada. A criança hospitalizada O facto de ser internado é um factor stressante por si só. condições de armazenamento e local de disponibilidade das vacinas. pelo que deve ser administrada 0.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL  As dermatoses generalizadas. Conservação da vacina HPV  2 a 8ºC. assim como na ficha central de vacinação da criança. não congelada.11. ʘ Informar sobre os efeitos secundários possíveis. fazer segundo prescrição médica  Gravidez Reacções adversas da vacinação contra o HPV  Febre e sinais inflamatórios no local da injecção (muito frequentes)  Equimose ou prurido no local da injecção (frequentes)  Broncospasmo (muito raras) Outras vacinas não integradas no PNV  Prevenar  Antigripe A – 6 meses aos 2 anos Cuidados gerais a observar na prática da vacinação ʘ Certificar-se da vacina a administrar.18) ʘ Foi a última vacina a ser integrada no PNV – em Janeiro de 2009.

Não ter as crianças internadas por especialidades para por pares de desenvolvimento. Maior número de educadoras de infância e expansão do tempo de permanência das mesmas. Cuidados Centrados na Criança Contrariar o que era feito. Nº 1851 . As crianças muitas vezes eram cuidadas pelos doentes adultos que partilhavam a enfermaria com elas. têm material adequado às crianças → para a criança não parar o seu desenvolvimento e as suas actividades.  Nos procedimentos técnicos  Centrados na organização institucional Limitativos  Da presença dos pais (1hr)  Da presença de outros familiares. Cuidados  Em função da criança  Com abertura à presença dos pais  Com pais participantes.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL A Evolução dos Cuidados à Criança As crianças têm adquirido um estatuto de atenção Cuidados Centrados no Corpo O que importava era curar e não a criança em si → nem sempre eram internados em serviços pediátricos. Podia levar a depressão da criança e podia mesmo comprometer o seu desenvolvimento. uma vez que esta está inserida numa família → os familiares con nuam a desempenhar o mesmo papel que desempenhavam antes da doença → as relações devem-se manter (família e família alargada). essencialmente de ajuda ao médico → visão apenas técnica sem atenção especial à criança. Os cuidados hospitalares eram:  Centrados na doença. Cuidados Centrados na Família A investigação veio comprovar que era necessário olhar para além da criança. Já existem em alguns serviços espaços diferentes para diferentes grupos etários.  Reconhecimento dos pais/ pessoas significativas como constantes na vida da criança 78 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. CLE 2008-2012. sem qualquer individualidade. ambiente “frio” O enfermeiro tinha um papel. educadoras de infância começam a integrar o pessoal dos serviços O ambiente hospitalar pediátrico tornou-se:  Estimulador do desenvolvimento  Agradável  Seguro Hoje em dia os serviços são coloridos. e crianças Desprovidos  De equipamentos adequados à criança  De actividades relacionadas com a aprendizagem ou de âmbito lúdico  De serviços de internamento pediátrico As enfermarias eram demasiado grandes. dirigido pelos técnicos  Com actividades de aprendizagem e lúdicas Equipamento  Adequado à criança Redução do Internamento das crianças em serviços de adultos (especialidades) Serviços com sala de actividades lúdicas e de aprendizagem.

Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL  Inclusão da família e da criança na decisão e na participação  Participação dos pais antes e durante a hospitalização e no regresso a casa  Satisfação das necessidades de cada membro da família Pais devem também participar na preparação da hospitalização e nos cuidados após a alta. Nº 1851 . tal como a dor. 2002)  O cuidado atraumático é a prestação de um cuidado terapêutico. a vergonha e a culpa. tal como o medo. através de uma intervenção que reduz ou elimina o distress psicológico. especialmente dos enfermeiros  O estudo de Spitz (1940) ʘ Crianças que antes tiveram uma relação normal com a mãe. após retiradas à mãe. a ira. CLE 2008-2012. a temperatura extrema. a escuridão e a luminosidade elevada. Coordenados e Continuados – Enfermagem por método de Enfermeiro Responsável ou Gestão de Caso As únicas situações em que a criança se encontra em isolamento é se estão imunodeprimidas ou se têm patologia contagiosa. num meio clínico. ficam em depressão grave com compromisso do desenvolvimento. ʘ Fontes de stress na criança Fonte interna  Fome  Dor  Sensibilidade à dor  Mudanças de temperatura  Densidade social  Fadiga  Sub ou sobre estimulação ambiental Fonte externa  Separação da família 79 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. durante pelo menos 3 meses. a desilusão. ʘ Cuidados Centrados na Família ʘ Cuidados Personalizados. Factores que influenciaram o desenvolvimento dos Cuidados Pediátricos  Redução das doenças infecciosas  Formação dos profissionais de saúde.  A evolução social (direitos…)  O desenvolvimento da Psicologia e das Ciências Sociais ʘ Introdução das mesmas no currículo da enfermagem  A investigação em Enfermagem Depressão da criança institucionalizada Posição – muito semelhante à posição fetal Ausência de comportamentos de contestação Diminuição do interesse pela interacção – as interacções com os outros não são consistentes ou não são mantidas A filosofia da Enfermagem Pediátrica Cuidados Atraumáticos – Cuidados prestados de forma a eliminar ou minimizar o stress físico e psicológico da criança e família (Wong. a ansiedade. por profissionais de saúde. o distress físico. o ruído elevado.

Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL  Alterações na composição familiar  Exposição a conflitos interpessoais  Exposição à violência  Experiência de agressão (bullying)  Perda de propriedade (boneco. Não tem a noção de quando irão voltar os pais no caso de estar internado. CLE 2008-2012. luminosidade repentina e intensa ʘ Alteração de temperatura súbita ou adversa de forma contínua A partir dos 6 meses (objecto permanente) ʘ Ansiedade a estranhos – reage cm ansiedade aos adultos que não têm com ela uma relação tão próxima como tem com a mãe → chora e deixa de ir ao colo de estranhos.  Desorganização dos eventos do dia-a-dia → O que causa stress á criança tem de estar muito bem iden ficado para intervir e prevenir Indicadores de Stress na criança ʘ Chorar ʘ Mãos suadas ʘ Fugir ʘ Explosão de raiva ʘ Embalar-se ʘ Comportamentos de auto conforto ʘ Cefaleias ʘ Dores de estômago ʘ Comportamentos correspondentes ao sistema sensório-motor fino: Puxar e enrolar o cabelo. Não interromper o colega quando está a prestar cuidados. ʘ Na prestação de cuidados deve ser utilizado o método individual e gestor de caso. Nº 1851 . mastigar. ʘ Surge aos 6 meses quando a criança desenvolve a noção de permanência do objecto – tem a noção de que pode perder e reaver o objecto. Dar tempo ao lactente de perceber se somos “amigos” ou uma “ameaça”. chuchar morder as unhas ou a pele ʘ Acidentes de perda de urina ʘ Distúrbios do sono Os peritos sugerem ainda ʘ Depressão e evitamento ʘ Vergonha excessiva ʘ Hipervigilância ʘ Demasiada preocupação ʘ Ficar estático em situações sociais ʘ Obsessão por rotinas. A partir do 1º ano ʘ Medo da separação dos pais(até à idade escolar ou 8 anos) 2 Anos 80 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. alimentos e por saber o que acontece a seguir ʘ Prender-se excessivo (clining) Medos e ansiedades Recém-nascido até ao 1 ano (inato) ʘ Abordagens súbitas dirigidas ao RN ʘ Movimentos bruscos ʘ Ruído. …)  Exposição a excessivas expectativas em relação a si  Ser apressada pelos adultos.

Os medos aumentam a partir dos 18 meses Há fontes de medo relevantes em contexto de saúde:  Generalizam as experiências (um cão mordeu …todos os cães mordem)  Dão um sentido diferente às conversas dos adultos quando não entendem parte do conteúdo (parecia que queria bater-lhe) → há medos que surgem das conversas com o adulto – a criança ainda não consegue compreender tudo o que o adulto diz –pega nos “pedacinhos” que percebe e junta. (aspirador. As crianças com menos de 6 anos têm maior vulnerabilidade ao stress porque têm menor capacidade de:  Pensar sobre um evento e a sua globalidade  Seleccionar de um menu de comportamentos possíveis quando ocorre um evento novo. ruídos desconhecidos. animais. intensas e de frequência elevada Princípios gerais A experiência de stress na criança varia em função:  Do desenvolvimento da criança  Das experiências anteriores de vida ( inventário de capacidades de coping). 2003). das trovoadas. CLE 2008-2012. estranhos 3 Anos ʘ Os anteriores e o medo de animais e pessoas com aparência estranha 4 Anos ʘ Os anteriores e medo de se perder dos pais e de descontrolo emocional 5 Anos ʘ A criança tem receios mais objectivos: medo de magoar-se.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL ʘ Trovoada. 2003) Regra de Ouro (…) os diferentes stressors que ocorrem simultaneamente. Ter atenção quando explicamos algo aos pais e a criança está a ouvir. interessante ou indutor de ansiedade (Allen & Marotz. Nº 1851 . 2ª Infância ʘ Medo do escuro. de cair. 2002) Stressors Relacionados com a Hospitalização da Criança  Separação  Ambiente ʘ Ruído ʘ Luminosidade 81 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. médicos e enfermeiros (batas brancas). formando a “história” à sua maneira. As causas de medo diferem de criança para criança O stress na criança é definido em função da sua fonte: interna e externa (Marison. interagem entre si passando a ter um efeito cumulativo (…) (Stansdbuddy & Harris. relâmpago. ʘ Fobia da escola  5 aos 7 anos: separação de casa  11 aos 13 anos: aspectos particulares da escola ʘ Medo de elementos reais do ambiente Adolescência ʘ Os medos da adolescência podem corresponder a medos presentes na infância ʘ Medos relacionados com vivências concretas ʘ A ansiedade na adolescência manifesta-se por:  Alterações bruscas de humor (mood swings). que não duram muito tempo. treino de esfíncteres. escuro. carro. ladrar de um cão). do escuro e dos cães.

82 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. Nº 1851 .Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL ʘ Manipulação ʘ Temperatura Perda de controlo ʘ Restrição física ʘ Alterações da rotina e rituais ʘ Medo do desconhecido ʘ Perda do papel produtivo Medo da lesão corporal ʘ Intrusão ʘ Mutilação Medo da morte Dor     Recém-Nascido e lactente Stressores ʘ Privação sensorial ʘ Ruídos – sobrecarga sensorial → o Recém-Nascido precisa ser estimulado mas não em exagero ʘ Alteração súbita da luminosidade ou prolongada de níveis inadequados ʘ Alteração súbita e/ou inadequada temperatura ʘ Manipulações sucessivas – privação do sono ʘ Manipulação rápida e pouco suportada (pouca sustentação. estetoscópio → fantasiados como objecto maus: a criança tem capacidade de fantasiar e animismo (dar características de animais aos objectos). fita métrica. principalmente nos Membros Inferiores) Intervenções de Enfermagem ʘ Deixar a criança descansar durante períodos ʘ Gerir as intervenções em blocos mas evitar consumos de O2 excessivo ʘ Suportar bem as crianças quando são manipuladas ʘ Observar e respeitar o temperamento do RN e lactente ʘ Ter os pais presentes ʘ Colocar música e/ou gravação de voz (gravidez – mãe) ʘ Proporcionar a experiência da sucção Medo de estranhos (Lactente > 6 meses) Intervenções  Reduzir o nº de pessoas  Método de distribuição de trabalho  Respeitar os princípios de comunicação  Pais como mediadores e prestadores de cuidados parentais  Consolar o lactente quando os pais não estão presentes com gentileza Toddler e Pré-escolar Stressores Objectos de tratamento fantasiados como objectos cortantes. seringa. Termómetro. monstro ou animais. CLE 2008-2012.

Relação muito superficial. Separação Estádios da Ansiedade da Separação Lactente/Toddler Protesto Grita Vira-se para os pais Nega Relacionamento com adultos Desespero Tristeza Depressão Comportamentos de afastamento Chora quando os pais aparecem1 Desapego Falta de protesto quando os pais chegam Parecem felizes com estranhos2 Possível atraso de desenvolvimento Com a idade aumenta o protesto físico (uso das mãos e pés) e verbal → É crime não permitir que os pais estejam no serviço. dão prazer à criança. CLE 2008-2012. Por vezes ainda ocorre este processo na totalidade. Intervenções ʘ Favorecer o exercício da parentalidade – pais não são visitas. Nº 1851 . ʘ Facilitar /apoiar a presença dos pais/pessoa significativa ʘ Explicar as reacções da criança à separação e a forma de apoiá-la – necessário ajudar os pais ao explicar a reacção da criança à hospitalização Idade Escolar e Adolescência ʘ Medo da separação os pais/pessoa significativa e amigos ʘ Medo de perda do grupo ʘ Medo de perda do lugar (estatuto e competência. disciplinam. dar espaço à criança para que veja e manipule o objecto para que deixe de fantasiar. especialmente em PALOP que não vêm acompanhados ou em crianças abandonadas 1 Mostrar aos pais que está triste com eles por não estarem consigo 2 Brincam mas sem satisfação. Uma boa colheita de dados permite-nos saber as experiências anteriores e como reagiu e o que sabe. pais são pais! Os pais exercem a sua parentalidade: mimam.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Intervenções  Colocar todo o equipamento fora do alcance visual da criança – se a criança não necessita de ver o objecto este deve estar fora do seu alcance visual → diminuição do stress e evitar destruição de material.. papel) que ocupam no grupo 83 Nádia Isabel Leonardo Perdigão..  Explicar antecipadamente o material que necessita de ser exposto – se a criança necessita de ver o material.  Preparar e colocar todo o material de tratamento fora do campo visual da criança.

Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL ʘ Tolera melhor a separação dos pais Intervenções ʘ Promover a gestão da presença dos pais em momentos críticos ʘ Promover contactos e visita de amigos e colegas – facilitar a comunicação com o seu grupo ʘ Promover actividades conjuntas com os pares hospitalizados – socializar com outras crianças da mesma idade Perda de Controlo Do Lactente ao Pré-escolar (Restrição Física) Intervenções  Preferir a contenção  Controlar a linguagem não verbal – não sorrir: a criança pode achar que gostamos de lhe fazer mal. Nº 1851 .  Elogiar a autonomia e iniciativa da criança  Oferecer escolhas. A restrição por si só já é um momento bastante stressante. Intervenções Explicação antecipada  Da hospitalização  Dos procedimentos Toddler e Pré-escolar (Autonomia e Iniciativa) Se bloquearmos a autonomia da criança esta pode entrar em ansiedade. CLE 2008-2012.  Manter o mínimo de adultos junto da criança (excepto pessoas significativas) Do Toddler ao Adolescente (Medo do Desconhecido) Compreensão distorcida da hospitalização e dos procedimentos de diagnóstico e terapêuticos – se a criança não tiver qualquer experiencia anterior. Dar palavras aos sentimentos da criança para ela perceber que compreendemos o que ela está a sentir.Nestas alturas não se devem fazer novas aprendizagens porque exigem muito gasto de energia. Intervenções  Planeamento em conjunto com a criança e pais para favorecer autonomia e/ou iniciativa – dar oportunidade à criança de realizar a sua rotina → pode gerar gritos e ansiedade se não a respeitarmos. toda a hospitalização é algo desconhecido. Reacções A perda de controlo desencadeia:  Negativismo  Alterações bruscas de humor → birras – sentimento de perda/bloqueio de autonomia e iniciativa. mas só quando possível (negativismo)  Não introduzir novas aprendizagens de autonomia em doença aguda/crise de agudização . E por fim reacções de:  Regressão  Passividade 84 Nádia Isabel Leonardo Perdigão.

Explicar tudo de modo a ter expectativas realistas e não ter receio de tratamentos e hospitalização (Pré-escolar.  O toddler receia a colocação de instrumentos nos seus orifícios corporais como resultado da percepção que tem do corpo. Medo da morte RN Lactente Toddler e préEscolar Adolescente escolar Não tem Sensível aos Sensível aos Morte irreversível Morte irreversível sentimentos vividos sentimentos vividos com significados com significados no ambiente no ambiente atribuídos pela atribuídos pela humano humano cultura e/ou cultura e/ou Reversibilidade da religião dos pais religião dos pais morte Aos 5 anos os pais têm medo da morte dos filhos. CLE 2008-2012. 1996). castração e lesão corporal (Do Toddler ao Adolescente)  Medo da intrusão nos orifícios corporais (Toodler – não tem completa noção do seu corpo . da dor. tirar a dor…  Explicar das consequências da doença e do tratamento no aspecto e funcionalidade do corpo (Escolar e Adolescente)  Ajudar o adolescente a exprimir os medos e as perdas  Evitar cirurgias na área genital (fase genital) Perda de controlo: princípios relativos ao Toddler e pré-escolar  O medo da lesão corporal e da dor é frequente na criança e prevalece para além da infância reduzindo nestes adultos a procura de cuidados de saúde (Pate et al. … só tem consciência da morte após os 6 anos de idade. Coordenados e Continuados – Enfermagem por método de Enfermeiro Responsável 85 Nádia Isabel Leonardo Perdigão.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Medo de intrusão.e Pré-escolar)  Medo da castração (Pré-escolar)  Medo da lesão corporal – só é atingido depois dos 6 anos → noção do corpo e permanência. Nº 1851 .  Cuidados Centrados na Família  Cuidados Personalizados. A Criança Hospitalizada – II A filosofia da Enfermagem Pediátrica  Cuidados Atraumáticos – Cuidados prestados de forma a eliminar ou minimizar o stresse físico e psicológico da criança e família (Wong 2002). mas até esta idade a criança só tem medo dos procedimentos. Escolar e Adolescente)  Medo da incapacidade (Escolar e Adolescente) Intervenções  Seleccionar medicação de forma a evitar via rectal  Tapar “orifícios” – colocar um penso para evitar que “o sangue saia todo”  Adequar a linguagem ao desenvolvimento – tratar o que está mal.  Os conceitos de saúde e contágio e a percepção do corpo e seus limites são a base da compreensão da existência e dimensão da lesão.

Representação básica do Sistema/Cliente 86 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. o carácter potencial stressante do adoecimento é frequentemente aumentado. não desejado.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL A hospitalização da criança: conceitos “Adoecer é um evento não esperado e. (Barros. A primeira experiência deve ser sempre boa – facilita ao diminuir a tensão da criança. na maior parte das vezes. 1999) → Mesmo após o fim do internamento a criança pode ainda ter algumas regressões. Nº 1851 . Minimizar o impacto da necessidade de internamento. implica a exposição do indivíduo a vulnerabilidades de natureza física. tais como: ʘ A gravidade da patologia. ʘ Os efeitos colaterais desagradáveis de determinados tratamentos. a experiência de adoecimento envolve inúmeras perdas transitórias e/ou permanentes e quando é necessário o internamento hospitalar. condicionadas por uma ampla variedade de factores. Hospital e experiencia anterior são factores de vulnerabilidade. social e psicológica. ʘ O estigma social vinculado à doença ʘ E as restrições ambientais impostas pelo tratamento” Do ponto de vista psicológico. CLE 2008-2012.

 As expectativas. Stansburry & Harris. Nº 1851 . 1999) Factores Quais os factores que contribuem para a vulnerabilidade da criança ao stress.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Consequências da Intervenção Hospitalização na Criança: Efeitos Qual o factor mais determinante no ajustamento à hospitalização? O conceito de doença da criança Quando é que as crianças reagem ao stress da hospitalização? Antes. Simon.) ʘ Idade (6 meses a 5 anos) ʘ Ser do sexo masculino ʘ Abaixo da média. CLE 2008-2012. .. 2000) Mecanismos de Defesa Disponíveis RecémLactente Toddler e Prénascido escolar Não Não Regressão Identificado Identificado Negação Repressão Escolar Regressão Negação Repressão Adolescente Regressão Negação Repressão 87 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. durante e após a hospitalização (Clatworthy. ansiedade dos pais. como a resolução de problemas:  Questionam sobre a situação. é agressivo)  As crianças maiores usam estratégias cognitivas.. 2002. no desenvolvimento cognitivo ʘ Vários stressors simultâneos ou contínuos Comportamentos de adaptação A criança adopta comportamentos de distanciamento e de redução do stress: Na criança mais pequena ‐ Choro e sentimentos de abandono No toddler e pré‐escolar ‐ Age não demonstrando o que sente ou mesmo escondendo os seus sentimentos: (exibe‐se. e Tiedmen.  As circunstâncias. na hospitalização? ʘ Temperamentos difíceis ou crianças passivas ʘ Dificuldade de relacionamento pais-filhos (poucas visitas. (Kochenderfer‐Ladd & Skinner.

Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL
Projecção Projecção Sublimação Sublimação Estudante perde Formação reactiva alguém e começa a Racionalização estudar para ter Intelectualização 20 Utilização do Formação reactiva conhecimento para Nega o desejo e manter ou ganhar reprime‐o e tenta controlo sobre a destruir o desejo de vivência emocional. outros Uma criança que deixa de fazer tudo e não reage não é saudável – a criança desiste de viver. Toddler – repressão: atenção à segurança do serviço quando há ataques de fúria. Adolescente – ser humilde e dar a oportunidade ao adolescente de colaborar. Adoram saber tudo: desde a fisiologia da patologia à terapêutica – estão sempre a questionar a intervenção. Negação Finalidade: uso de energia mínima para poder responder ao stress e obter gratificação e protecção. Características observadas:  Não referem o que têm,  Não mostram preocupação,  Não incluem nos planos imediatos ou a longo prazo o episódio de doença. Regressão Finalidade: uso de energia mínima para poder responder ao stress e obter gratificação e protecção. Características observadas:  Adoptam comportamento próprio da etapa anterior Comportamentos após o regresso a casa ʘ Alguma agressividade dirigida aos pais ʘ Queixoso ʘ Procura da atenção dos pais ʘ Opõe-se à separação ʘ Novos medos (terrores) ʘ Recusa-se a ir para a cama ʘ Isolamento e vergonha ʘ Birras ʘ Muito selectivo em relação aos alimentos ʘ Uso de objectos de transição ʘ Regressão ʘ Distanciamento emocional ʘ Exigências em relação aos pais ʘ Zangados com os pais ʘ Invejosos em relação aos outros → É importante informar os pais de que a harmonia em casa não regressa logo após a alta, e de que não devem ceder a todos os pedidos da criança. Ganhos Recuperação da saúde Reforço da relação criança/família: Ataques de fúria e atitudes muito exacerbadas Projecção A criança está zangada mas diz que quem está zangado é o irmão

88

Nádia Isabel Leonardo Perdigão, CLE 2008-2012, Nº 1851

Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL
 Sensação de protecção e de ser amado  Obter ajuda para outros problemas de saúde  Protecção e segurança Aprendizagem da gestão do stress Novas experiências de socialização:  Aprender sobre a doença  Aprender sobre equipamentos  Aprender sobre profissões  Envolvimento com outras crianças: ajuda/identificação

Os Projectos que Trazem o Mundo da Criança para o Hospital
O brincar Animais no Hospital Os hospitais podem utilizar animais na terapia com as crianças. Os animais são treinados para providenciarem conforto e distracção durante os cuidados de saúde. → Ainda não são permitidos A música Os instrumentos clínicos dão lugar aos musicais 2x/ semana no Hospital Garcia de Orta, onde crianças internadas, pais e profissionais de saúde fazem parte de uma «orquestra» que toca melodias para fazer esquecer a dor. (Lusa, 2003) Operação Nariz Vermelho

Preparação antecipada para os momentos críticos:
Evidência O medo do desconhecido é maior do que o medo do conhecido As crianças e pais podem aprender respostas adaptativas ao stress causado pela hospitalização. A criança com idade superior a 4 anos tem menor stress quando preparada. Crianças com idade inferior a 4 anos também têm menor stress quando os pais são preparados! As crianças preparadas para a hospitalização apresentam:  Menos ansiedade,  Uma recuperação mais rápida,  Um menor número de comportamentos de desajustamento pósinternamento. (Jonhson, Jepson, Redburn, 1992) Momentos Críticos Internamento Cirurgia Procedimentos Modelos de Preparação  Fornecimento de informações (orais e/ou escritas),  Distracção (jogos, brincadeiras e actividades concorrentes com o procedimento médico a ser realizado),  Simulação da situação real (jogos, audiovisuais e desempenho de papéis).

89

Nádia Isabel Leonardo Perdigão, CLE 2008-2012, Nº 1851

Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL
(World Health Organization, 1993) Orientações para um Programa de Preparação A preparação psicológica para procedimentos deve incluir:  A informação sobre os detalhes da experiência a ser vivida  O ensino de estratégias efectivas de confronto. (Salmon (2006) Os programas de preparação mais eficazes, combinam:  Modelos de coping,  Informação sensorial,  Informação sobre o procedimento. Menor ansiedade e Maior conhecimento sobre o evento Benefícios As crianças devem ser preparadas antecipadamente para a admissão e os procedimentos que ocorrem habitualmente num internamento. (American Association of Pediatrics) Resultados positivos da preparação da criança:  Aumento de adesão ao tratamento,  Redução de ansiedade antecipatória,  Desenvolvimento de estratégias de confronto mais eficientes. (Burke, Harrison, Kauffmann & Wong, 2001; Martins, Ribeiro, Borba & Silva, 2001)

O processo de preparação da criança:
A informação Objectivos da informação:  Promover a possibilidade de gerir os eventos,  Antecipar e compreender os objectivos, significados e propósitos dos eventos,  Corrigir ideias prévias e clarificar o que não ficou claro. A informação é o elemento principal de um processo de preparação psicológica:  Alto potencial redutor de ansiedade,  Eliminação de dúvidas simples acerca do procedimento e seus efeitos  Baixo custo operacional. As modalidades de informação Informação ʘ Oral ʘ Escrita ʘ Vídeos/áudios ʘ Internet ʘ Visitas ao hospital ou serviço ʘ Classes pré-operatórias ʘ Brincadeira (aos hospitais) Conteúdo da informação Explicação:  Da doença e do tratamento,  Das intervenções adoptadas para minimizarem os stressores,  Do procedimento por ordem dos acontecimentos,  Das sensações durante e após o procedimento,  Os comportamentos que reduzem a dificuldade do procedimento.

90

Nádia Isabel Leonardo Perdigão, CLE 2008-2012, Nº 1851

explicar:  As reacções da criança em situação de stress  Como os pais podem ajudar a criança ʘ No desenvolvimento de estratégias de coping ʘ Na expressão dos sentimentos ʘ No consolo ʘ Na gestão da dor (se adequado) A distracção Procedimentos de distracção (jogos e brincadeiras) têm o objectivo de desviar a atenção da criança do procedimento invasivo para uma actividade que dê prazer à criança Critérios para a selecção de actividades e brinquedos: ʘ Apropriados à idade.Ver como bonecos se comportam Vantagens: ʘ Permite a experiência sensorial ʘ Permite a exploração de Copings Maior eficácia se incluir: ʘ Roll play ʘ Brincadeira . ʘ Ao profissional de saúde identificar na criança os aspectos mais stressantes e trabalhálos. CLE 2008-2012. (Roberts.  Obtenção reforço positivo para comportamentos considerados adequados. Nº 1851 . Sem a presença da criança.  Técnicas de reestruturação cognitiva (auto-instruções e autoverbalizações).  Controlo respiratório. Vantagens:  O aumento da sensação de controlo. ʘ Suficientes e interessantes para distrair durante todo o procedimento. ʘ Suficientemente interessante para estimular o envolvimento.  Imaginação activa.Ver como o fantoche se comporta ʘ Bonecos .  Técnicas de promoção de condutas colaborativas. O desenvolvimento de skills de coping Procedimentos que desenvolvem estratégias de coping na criança para a diminuição da actividade vegetativa excessiva:  Relaxamento. 2003) A modelagem Modelagem e “fazer de conta”: ʘ Vídeo .Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Conteúdo da informação aos pais: Convide os pais a estarem na preparação da criança.Ver como outras crianças se comportam ʘ Fantoches .enfermeiros e médicos 91 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. A informação e os procedimentos de distracção podem ser associados e permite: ʘ A expressão de sentimentos e pensamentos da criança.  Diminuição das interpretações aterrorizantes sobre a situação.

ʘ Conhecimento sobre a hospitalização. sobre o procedimento e a forma de ajudar a criança. Conhecer sistema de saúde ʘ Recursos. ʘ Apoio disponível. CLE 2008-2012. ʘ Temperamento e estilo de coping. ʘ Experiência prévia de internamento ou/e do procedimento. Como? ʘ Individual ʘ Grupo Quando? ʘ Crianças de 4 a 6 anos – um a dois dias antes ʘ Crianças com idade superior a 6 anos – uma semana antes A quem? ʘ Pais – se o doente tem menos de 4 anos ʘ Aos Pais e à criança – para os restantes Métodos de Intervenção Brincadeira terapêutica 92 Nádia Isabel Leonardo Perdigão.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Processo de preparação da criança para momentos críticos Apreciação Criança Pais Procedimento Plano Quem? Onde? Como? O quê? Situações especiais? Implementação Métodos Conteúdos Avaliação Ansiedade – comportamento da criança – ajuste a curto e longo prazo Recuperação ‐ sensação de controlo Conteúdos ‐ Confiança Apreciação Conhecer a criança: ʘ Estádio de desenvolvimento. Planeamento Quem: ʘ Inicia: o profissional que decide e informa os pais e a criança ʘ O Enfermeiro. ʘ Outros stressores na família. Conhecer os Pais: ʘ Composição familiar e papéis. ʘ Estratégias de coping. Nº 1851 . ʘ Forma como se desenvolve o procedimento.

Não há interferência no procedimento.min‐te/DireitosDeveres/?sm=3_0  Filosofia do serviço  Espaços e profissionais  Regras de segurança e funcionamento do serviço Desenvolver a entrevista inicial de enfermagem  Esclarecer dúvidas  Explicar as reacções habituais das crianças e como pode ser apoiada  Fornecer guia de acolhimento Preparação da criança para a cirurgia Momento: em função da idade. 93 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. CLE 2008-2012. Informar sobre:  A causa  As sensações  A presença dos pais  A anestesia  Recuperação Usar modalidades e estratégias de ensino em função do desenvolvimento da criança e situação clínica Preparação da criança para os Procedimentos dolorosos: Critérios Todo o procedimento invasivo Todo o procedimento que a criança teme (penso) Todo o procedimento que é doloroso para adultos Presença dos pais Investigação relativa à presença dos pais Medo por parte dos profissionais  Atraso do procedimento  Interferência no procedimento  Maior ansiedade Investigação sobre a presença dos pais em procedimentos  Punção lombar  Punção endovenosa  Reparação laceração  Reanimação Não há maior ansiedade da criança (pelo contrário) e dos pais. Nº 1851 .Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Modelagem aconselhamento pelos pares Treino de Skills de Coping O momento do acolhimento Objectivos:  Acolher a criança e a família  Conhecer a criança e a família  Empower da criança e da família Intervenção: Dar a conhecer:  Direitos da criança e dos pais www. sempre prévio.ipoporto.

Como. CLE 2008-2012.  Pedir‐lhe para decidir sobre o acompanhamento durante o procedimento. maior a antecedência da explicação. Sensações da criança.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Preparação dos pais Explicar com antecedência o procedimento: ʘ Porquê. Consolo após procedimento. Apoio dos pais à criança. Nº 1851 . Obter consentimento Toddler e Pré‐escolar Momento  Imediatamente antes – toddler  Pouco tempo antes ‐ pré‐escolar Conteúdo da explicação prévia  A razão do procedimento  O que sente  Os comportamentos a adoptar  Treinar uma estratégia de distracção ou skill de coping  Enfatizar a presença de pais ou substitutos Manipulação do material  Preparar antes e fora da visibilidade da criança  Manter todo o material fora do campo de visão Pós procedimento  Tapar orifícios  Confortar a criança  Reforçar positivamente o seu comportamento Escolar e adolescente Momento  Quanto mais idade. Conteúdo da explicação prévia  A razão do procedimento  O que sente  Os comportamentos a adoptar  Treinar uma estratégia de distracção ou skill de coping  Enfatizar a presença de pais ou substitutos Manipulação do material  Explicar o material  Deixar manipular Pós procedimento  Confortar o adolescente  Reforçar positivamente o seu comportamento Recursos Materiais utilizados: ʘ Vídeo ʘ Fantoches ʘ Bonecos próprios – modelos ʘ Livros ʘ Jogos ʘ Boneco de papel – pode ser desenhado pelo profissional ou pela criança 94 Nádia Isabel Leonardo Perdigão.

urina.. alto Maca → Cama com rodas Fezes → Termo habitual A família Hospitalizada na perspectiva do modelo de Neuman Criança Pais Alterações do papel parental Alteração dos comportamentos e das emoções do filho doente Desconhecimento do ambiente Desconhecimento da doença e tratamento do filho (situações urgentes e criticas) Dor na criança Alterações financeiras Reacções dos outros membros da família Irmãos Avós Separação dos pais Perda do papel no grupo Perda de controlo Medo da lesão Medo da morte Mudança de casa Redução do tempo com os pais Alteração da disponibilidade emocional dos pais Alteração das rotinas Indicadores de medo e ansiedade Verbalização: não se sentem avós e que não conseguem proteger os filhos/netos do sofrimento Indicadores Stressores Indicadores de medo e ansiedade na criança – criança doente e irmãos em função do desenvolvimento e das características do próprio. Incisão → Abertura especial Edema → Inchaço. Indicadores de medo e ansiedade nos pais e avós – indicadores de stress no adulto em função de características do próprio Intervenções preventivas Criança Pais Todas as Informar antecipadamente e intervenções atempadamente sobre os Preparação da cuidados de enfermagem criança para Promover ou apoiar o cuidar Irmãos Promover contacto com pais-irmão Explicar e Avós Promover a visita Orientar os pais para explicarem aos avós.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Dicionário pediátrico Palavra a Evitar → Sugestão Dor → Palavra habitual. injectar → Colocar medicamento por baixo da tua pele Órgão → Uma parte do corpo ou um lugar no corpo Teste ou análise → Vamos ver como está o teu sangue sangue.. Promover 95 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. Nº 1851 .... Ferida → Dói-dói Anestesia → Sono especial Cortar ou Arar → Consertar/arranjar Medir a temperatura → Ver se tens febre Cateter → Tubo Monitor → Ecrã de TV Eléctrodos → Auto‐colantes Picar. CLE 2008-2012..

Fortalecimento da Relação pais/criança Sentimento de confiança resultante do apoio Irmãos Sentir que não perderam o lugar na família Novas aprendizagens: Conhecimento e Coping Avós Manutenção do papel de avós Recém-Nascido de Risco Conceito de Recém-Nascido de Risco Recém-nascido. tratamento. hospitalização e profissões Irmãos Idade inferior a 6 anos Avós Pais Manutenção do papel parental Aprendizagem de cuidar da criança doente. CLE 2008-2012.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL hospitalização. cirurgia e procedimentos Mudanças no ambiente Manter rotinas do filho e/ou Estar com o filho Apoiar os sentimentos Ajudar a satisfazer as necessidades Facilitar/promover r/c familiares. comunidade sistema de apoio ensinar a causa do internamento equipamento/mater ial para contacto Factores de Vulnerabilidade Criança Pais Ser do sexo masculino Atraso do Ter idade inferior a 6 anos desenvolvimento Benefícios Criança Recuperação de saúde Reforço das relações criança e família Aprendizagem da gestão de stress Novas experiências de socialização: sobre a doença. independentemente da idade gestacional ou do peso à nascença. Nº 1851 . que tem uma maior probabilidade de morbilidade ou mortalidade decorrentes de condições ou circunstâncias associadas ao nascimento e ajustamento à vida extra-uterina  Distress respiratório  Hipoglicemia  Instabilidade termodinâmica  Dificuldade alimentar  Icterícia 96 Nádia Isabel Leonardo Perdigão.

CLE 2008-2012. Nº 1851 .Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Determinantes do Risco no Recém-Nascido Matern os Obstétricos Socioeco nómicos Fisiopat ológicos Factores Obstétricos ʘ História de parto prematuro (anterior) – prematuro por si só é um factor de risco ʘ Gravidez não vigiada ʘ Gravidez múltipla – pode levar a prematuridade ʘ Gravidez na adolescência ou tardia ʘ Descolamento da placenta e placenta prévia ʘ Quantidade anormal de líquido amniótico ʘ Ruptura prematura de membranas Factores Maternos Doença materna: ʘ Renal ʘ Pulmonar ʘ Cardíaca ʘ Infecção ʘ Diabetes ʘ Pré-eclâmpsia Uso de aditivos ʘ Tabaco ʘ Drogas – sobretudo as que causam dependência ʘ Álcool ʘ Estupefacientes ʘ Outros Factores Socioeconómicos ʘ Pobreza ʘ Maus-Tratos ʘ Desemprego ʘ Instabilidade nos processos Familiares Factores Fisiopatológicos do RN Até podem ser causados por algum dos outros factores (causaram alterações do RN) e são inerentes ao RN ʘ Prematuridade ʘ Anomalias Congénitas ʘ Asfixia Neonatal – dificuldade do RN em se adaptar à vida extra-uterina 97 Nádia Isabel Leonardo Perdigão.

em especial em casos de esforço. As estruturas não encerram automaticamente → pode haver algum refluxo nos primeiros meses de vida. Circulação Neonatal: para estes mecanismos encerrarem é necessário haver respiração – os tecidos são sensíveis ao O2 → quanto maior a concentração. Nº 1851 . maior a contracção dos vasos até fibrosar.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Problemas mais Frequentes         Padrão Respiratório Ineficaz Termorregulação Ineficaz Autonomia Alimentar Comprometida Hiperbilirrubinemia Hipoglicemia Imaturidade Neurocomportamental Síndrome de Abstinência Neonatal Processos Familiares Alterados Padrão Respiratório Ineficaz Circulação Fetal Circulação Neonatal Circulação fetal: canal venoso. CLE 2008-2012. foramen ovale e canal arterial → mecanismos que facilitam a chegada rápida do sangue oxigenado ao coração esquerdo e ao resto do corpo. pode ser auscultado (sopro cardíaco fisiológico) 98 Nádia Isabel Leonardo Perdigão.

Aparecimento de conductos alveolares 25ª-28ª Semanas .Crescimento do pulmão primitivo com alterações morfológicas e diferenciação das estruturas pulmonares. Às 28 semanas.Início do desenvolvimento da traqueia e brônquios 11ª Semana . CLE 2008-2012. Em situações de bebés prematuros (Doença da Membrana Hialina) pode ser administrado por via endotraqueal para reposição directa nas superfícies alveolares. facilitando as trocas gasosas entre os alvéolos e os capilares.  É um importante factor na diminuição da tensão alveolar e previne o colapso total do pulmão no final da expiração. Os movimentos respiratórios fetais parecem só ter interesse do ponto de vista de “ensaio” e para o desenvolvimento da musculatura respiratória.Aumento do número de células Tipo II e início da síntese de surfactante pela 2ª via enzimática (menos susceptível à hipoxia e acidose) 33ª-36ª Semanas . vasculares e linfáticas 21ª-24ª Semanas . Começa a ser produzido entre as 25 e as 30 semanas de gestação mas é insuficiente para garantir a estabilidade alveolar e permitir uma respiração adequada antes das 33/36 semanas. uma vez que o pulmão fetal não tem qualquer actividade de oxigenação sanguínea até ao nascimento 12ª-20ª Semanas . Surfactante ainda não tem todo o tipo de proteínas.Existência de movimentos respiratórios. muito vulnerável à hipoxia e à acidose – bebés que conseguem sobreviver num equilíbrio muito instável.Formação de alvéolos com diferenciação das células epiteliais: TIPO I – intercâmbio de gases TIPO II – síntese e armazenamento de surfactante pela 1ª via enzimática – ainda com alguma imaturidade. Este fluído contribui para diminuir a tensão alveolar e permitir a expansão pulmonar. é ainda muito frágil. composta por 6 fosfolípidos e 4 aproproteínas. 29ª-32ª Semana . do ponto de vista bioquímico. Previne o colapso alveolar e estimula a primeira respiração. Administração de Surfactante Superfície Alveolar coberta por Surfactante Esquema do Metabolismo do Surfactante 99 Nádia Isabel Leonardo Perdigão.Maturação funcional e estrutural Surfactante  É uma lipoproteína complexa. Nº 1851 . o pulmão poderá ser suficientemente maturo para conservar a vida extra uterina no entanto.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Adaptação Cardio-Respiratória Desenvolvimento Pulmonar 5ª Semana .

Nº 1851 . CLE 2008-2012. ʘ Evitar a hiperextensão do pescoço – causa obstrução da via aérea Vigilância das alterações do esforço respiratório de forma a detectar precocemente os sinais de agravamento da doença ʘ Coloração da pele e mucosas ʘ Frequência respiratória ʘ Tiragem ʘ Gemido expiratório Manutenção da temperatura – associação muito importante entre temperatura-acidosehipóxia Manutenção da permeabilidade das vias áreas superiores Autonomia Alimentar Comprometida Incapacidade para se alimentar oralmente de forma autónoma e digerir os nutrientes:  Imaturidade  Anomalias congénitas  Septicemia  Asfixia e hipoxia  Compromisso do SNC Bebés que não conseguem mamar → não se conseguem alimentar por si mesmos Até podem ter reflexo de sucção mas é fraco e não têm outras competências Intolerância ≠ Autonomia Padrão Digestivo e de Absorção no Recém-Nascido: Competências ʘ Coordenação da sucção e deglutição ʘ Esvaziamento gástrico eficiente ʘ Motilidade intestinal ʘ Regulação das enzimas digestivas ʘ Excreção Avaliação da Tolerância Alimentar Sinais de intolerância 100 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. manifestado por sinais de dificuldade respiratória Orientações para a prática Posicionamento do RN de forma a optimizar as trocas gasosas ʘ Decúbito ventral – permite a expansão das bases do pulmão. diminuição da energia e fadiga.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Padrão Respiratório Ineficaz Padrão de respiração ineficaz relacionado com imaturidade pulmonar e neuromuscular. Ambiente vigiado: chamar a atenção dos pais de que esta não é uma posição segura em casa.

oculto e/ou visível Desenvolvimento da Sucção e Deglutição ʘ 13-15 Semana de Gestação . fadiga) ʘ A compreensão das capacidades para a alimentação de um prematuro. e desenvolver intervenções de suporte. Nº 1851 . vai permitir um planeamento individual. CLE 2008-2012.Sucção ʘ 30-34 Semanas de Gestação – Surtos/Grupos de sucções ʘ 34 Semanas de Gestação – Sucção/Deglutição (coordenação dos reflexos e respiração) ʘ 36 – 40 Semanas de Gestação – Padrão maturo Características das Estruturas Envolvidas na Sucção Nutritiva no Recém-Nascido PréTermo  Cavidade oral pequena  Mandíbula retraída  Sucking pads pouco desenvolvidas (almofadas que dão estabilidade às bochechas e ajudam na sucção)  Respiração nasal  Laringe elevada  Trompa de eustáquio recta Avaliação do Padrão de Sucção Nutritiva Early Feeding Skills (EFS) ʘ Escala desenvolvida para avaliar as competências de alimentação do bebé pré-termo. minimizando as sequelas do stress alimentar (↓PO2. 101 Nádia Isabel Leonardo Perdigão.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL          Distensão abdominal Resíduo Gástrico (> a 30% da alimentação administrada) Resíduo Bilioso (esverdeado) Ansas Intestinais palpáveis e visíveis Vómito Irritabilidade Letargia Fezes líquidas e/ou com mau odor Presença de sangue nas fezes. consumo excessivo de energia.

Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Avaliação da Competência para uma sucção nutritiva  Competência para manter a concentração e a energia para se alimentar  Competência na coordenação sucção/deglutição  Competência para proteger as vias aéreas e ter uma alimentação segura  Competência para se manter estável psicologicamente Hipoglicemia Hipoglicemia Neonatal ʘ Duas avaliações com níveis < 35mg/dl nas primeiras 3 horas ʘ < 40mg/dl entre as 4 e as 24 horas ʘ < 45mg/dl entre 24h e as 7 dias ʘ No prematuro dois valores de glicemia <25mg/dl nas primeiras 72 horas Ao valores de glicemia nos bebés variam de acordo com o seu peso e idade. Causas  Prematuridade  Má nutrição intra-uterina  Diabetes Materna  Septicemia  Anoxia perinatal Mais característico nos pré-termo e nos filhos de mãe diabética → mas pode acontecer a qualquer um porque o fígado ainda não tem reservas para manter a glicemia estável. Manifestações Clínicas da Hipoglicemia Nas situações menos graves: ʘ Muitas vezes é assintomática 102 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. CLE 2008-2012. Nº 1851 .

CLE 2008-2012.O. sudação.S.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL ʘ Ligeira hipotonia Nas situações mais graves: ʘ Choro fraco/intenso ʘ Tremores ʘ Recusa alimentar ʘ Hipotonia generalizada ʘ Alterações da frequência respiratória (períodos de apneia) ʘ Hipotermia ʘ Convulsão ʘ Coma Orientações para a Prática  Observação do Recém-Nascido (manifestações clínicas)  BM Teste 2/2h e em S.O. em S. Nº 1851 . vasomotor A gordura castanha permite produzir calor sem consumos de O2. → risco de hiperglicémia  Alimentação precoce Implicações da Hipoglicémia A hipoglicemia grave não corrigida pode provocar lesão cerebral por destruição dos neurónios (na ausência de glicose) com repercussões que dependem do grau de destruição Implicações da hiperglicémia  Valores > 150mg/dl  ↑ Glicose no plasma  ↑ osmolaridade intravascular  Hipertensão  ↑ hemorragias cerebrais como consequência de uma grande fragilidade vascular do Recém-Nascido Termorregulação Ineficaz Manifesta–se pela incapacidade de manter a temperatura corporal estável Regulação da Temperatura Conservação do equilíbrio térmico por dissipação do calor para o ambiente a uma magnitude igual à produção do mesmo A camada de gordura subcutânea é muito fina no RN → perda de calor Superfície corporal em função do peso – superfície corporal muito grande em comparação com o metabolismo → perda de calor Para produzir mais calor → mais O2 – se existir dificuldade respiratória → aumenta perda de calor Gordura Castanha – arrepios. tónus muscular Perda de Calor : convecção.S. evaporação.O. Só é produzida no 3º trimestre da gravidez o que o bebé prematuro tenha uma menor quantidade. Produção de Calor: metabolismo basal. condução 103 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. (quando há presença de sinais e sintomas de hipoglicemia)  Administração de glicose hipertónica P. radiação.

Nº 1851 . CLE 2008-2012.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Ambiente térmico neutro Ambiente térmico neutro → temperatura ambiente óptima para que se mantenha a temperatura corporal óptima apenas com o calor produzido pelo metabolismo basal. Prevenção da Perda de Calor Mecanismo de Perda de Calor Evaporação (perdas cutâneas e respiratórias) Covecção (perdas para as correntes de ar) Prevenção Secar rapidamente o bebé Ambiente aquecido Proteger das correntes de ar Condução (perdas para objectos por contacto Roupa aquecida directo) Toalhas aquecidas Radiação (perda para superfícies sólidas Bancada aquecida próximas) Tecto aquecido Factores que Favorecem a Instabilidade Térmica no Recém-Nascido  Anomalias congénitas  Septicemia  Asfixia e hipoxia  Comprometimento do sistema nervoso Central  Aporte nutricional e calórico inadequado  Diminuição dos movimentos voluntários  Imaturidade do sistema de controlo térmico 104 Nádia Isabel Leonardo Perdigão.

no feto há sempre mais eritrócitos em destruição → maior concentração de bilirrubina Quando o bebé nasce e produz novos eritrócitos a sua destruição já não é tão frequente Bilirrubina indirecta – liga-se a proteínas plasmáticas e vai para o fígado onde se liga à enzina glucoronil → transfere para directa No RN pode haver deficit de proteínas plasmáticas e glucoronil Pode ser afectado pela dificuldade respiratória ou temperatura → pode causar acidose e dificulta ligação a proteínas plasmáticas Icterícia Fisiológica 1 – Maiores cargas de bilirrubina para o fígado 2 – Captação deficiente de bilirrubina do plasma 3 – Conjugação deficiente de bilirrubina 4 – Deficiente excreção de bilirrubina 5 – Circulação hepática insuficiente 105 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. quando os glóbulos vermelhos terminam o seu período de vida. Conjugação da Bilirrubina Aumento da destruição de eritrócitos (normal no RN) – no feto têm maior tempo de vida. ou seja. Nº 1851 .Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL  Quantidade de tecido adiposo subcutâneo deficiente Orientações para a Prática  Manter um ambiente térmico neutro  Monitorização da temperatura ʘ Hipotermia  Extremidades e tórax frios  Intolerância alimentar  Letargia  Coloração da pele (marmoreada ou pálida)  Irritabilidade  Apneia ou bradicardia  Aumento dos sinais de Síndrome de Dificuldade Respiratória ʘ Hipertermia  Rubor  Vermelhidão  Taquicardia  Polipneia  Irritabilidade Hiperbilirrubinémia A Bilirrubina é o produto final resultante da decomposição da hemoglobina. CLE 2008-2012.

8 mg/dl De 5.3 a 7. Nº 1851 .4 a 11.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Icterícia fisiológica (mais comum nos pré-termo. embora nem todos os bebés a tenham Icterícia patológica – doenças hemolíticas Decomposição da Hemoglobina Hiperbilirrubinémia Neonatal  Fisiológica  Patológica (doença hemolítica) Classificação de Kramer Localização Anatómica da Icterícia Cabeça e pescoço Até cicatriz umbilical Nível sérico de Bilirrubina Não Conjugada/Indirecta De 4.1 mg/dl 106 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. ou RN com algum tipo de problema) – não é sinal de doença. CLE 2008-2012.

5 kg – 2.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Até joelhos e cotovelos Até tornozelos e punhos Plantas dos pés e palmas das mãos De 8. promovendo a mobilização  Prevenir deformidades ósseas e promover o controlo da cabeça 107 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. CLE 2008-2012. Nº 1851 . vigilância da coloração da pele e escleróticas.5 kg 8 mg/dl 12–17 mg/dl 1.8 mg/dl > 15mg/dl Os valores não devem ultrapassar os 12mg/dl → se for superior pode indicar icterícia patológica. alimentação precoce.5 kg 10 mg/dl 15–20 mg/dl Controlo Neurocomportamental Ineficaz Posicionar o Recém-Nascido  Promover o desenvolvimento neurocomportamental do Recém-Nascido  Promover a estabilidade fisiológica e facilitar a flexão das extremidades e tronco.5 a 18.2 mg/dl De 16. esvaziamento intestinal e hidratação ʘ Bilisheck (valores ligeiramente mais baixos) ʘ Vigilância na evolução dos valores da bilirrubina para prevenir Kernicterus Tratamento ʘ Monitorização da Bilirrubina sérica (bilisheck) ʘ Alimentação Precoce (↑ reflexo gastrocólico. estimula a excreção das fezes ↓ a reabsorção intestinal do urobilinogéneo) → a primeira dejecção de mecónio nas primeiras horas ajuda a diminuir o risco de icterícia ʘ Indução das dejecções com bebégel® ʘ Hidratação ʘ Fototerapia intermitente ou contínua Indicações para Fototerapia/Exsanguíneotransfusão Características Fototerapia Exsanguíneotransfusão RN termo sem hemólise 13-15mg/dl 23–25 mg/dl RN termo com hemólise 10–12mg/dl 17–20 mg/dl RN Pré-termo <1 kg Profiláctica 9–12 mg/dl 1 kg – 1.1 a 12. Kernicterus – situação em que há invasão do SNC pela bilirrubina → Toxicidade irreversível Orientações para a Prática ʘ Detectar precocemente a Hiperbilirrubinémia do Recém-Nascido ʘ Intervir de modo a prevenir complicações.

que lhe permitam realizar movimentos de flexão e extensão  Utilização de ninhos e colchões de gel para promover o conforto e evitar zonas de pressão Decúbito ventral Colocar um rolo sob a articulação coxofemural para que a cabeça fique num plano inferior em relação às nádegas 108 Nádia Isabel Leonardo Perdigão.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Posicionar o Recém-Nascido Algumas Especificidades …. CLE 2008-2012. Nº 1851 .  Utilização de rolos para que o RN encontre fronteiras.

mas existem outras substâncias consumidas pela grávida. barbitúricos e álcool). que podem originar este síndrome (benzodiazepinas. promover a flexão dos membros inferiores com rolos e ninhos. tendem a acumular-se no feto. as benzodiazepinas. após atravessarem a placenta. ʘ ʘ Os opiáceos. CLE 2008-2012. promover a flexão e colocar o rolo atrás das costas de modo a que os 4 membros não fiquem em abdução Decúbito dorsal Colocar a cabeça assente na região occipital e colocar rolos de ambos os lados. favorecendo a rotação interna da cintura escapular Síndrome de Abstinência Neonatal O síndrome de abstinência neonatal (SAN) está essencialmente associado à exposição in útero aos opiáceos. Nº 1851 . Vasomotoras e Respiratórias  Gastrointestinais Escala de Finnegan 109 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. resulta no desenvolvimento do Síndrome de Abstinência Neonatal (SAN). A interrupção da passagem transplacentária destas substâncias após o parto.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Decúbito lateral Colocar um rolo entre os membros superiores e inferiores.de 1 a 2 dias até 2 a 3 semanas de vida As manifestações tornam-se mais marcadas entre as 48-72 horas de vida Escala de Finnegan  Sistema Nervoso Central  Metabólicas. Diagnóstico ʘ História clínica ʘ Exames laboratoriais  Mecónio (mais sensível que urina)  Urina  Sangue ʘ Escala de Finnegan Manifestações O início dos sintomas de abstinência está associado ao tipo de droga  Ex: heroina – 12 a 24 horas de vida  Mãe em tratamento com metadona . isoladamente ou em associação. os barbitúricos e o álcool.

110 Nádia Isabel Leonardo Perdigão.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Orientações para a prática  Redução de estímulos que possam desencadear a hiperactividade e irritabilidade (ruído.  Diminuição do Q. CLE 2008-2012. luminosidade)  Proporcionar conforto físico e medidas de contenção  Promover a nutrição e hidratação adequada – refeições pequenas e frequentes (se possível respeitar o apetite do recém-nascido)  Promover a relação entra a mãe e o recém-nascido  Facilitar comportamentos de auto-regulação e de auto-consolo  Estimular a amamentação em mães que estejam em regime de metadona Prognóstico  Compromisso neurológico. Nº 1851 .I.

assim como o contacto telefónico sempre que sintam necessidade ʘ Incentivar  A tocar. dificuldade em se relacionar com o RN (. percepção e cognitivas Problemas comportamentais Dificuldade de aprendizagem e adaptação a novas situações Sensibilidade elevada ao ambiente → Irritabilidade. acariciar e pegar ao colo. agressão e baixa sociabilidade  Convulsões Processos Familiares Alterados Relacionados com a crise desencadeada pelo nascimento prematuro ou doença do RN. stress. pelo deficit de conhecimentos e interrupção do relacionamento com os pais. ansiedade..  Chamar o Recém-Nascido pelo nome  Participar activamente nos cuidados ao Recém-Nascido  Trazer roupas para vestir ao bebé assim que possível ʘ Dar reforços positivos ʘ Ajudar os pais a interpretarem os sinais do Recém-Nascido ʘ Ensinar os pais demonstrando as técnicas de cuidados ao Recém-Nascido e oferecer apoio ʘ Ajudar os pais a identificarem os seus recursos e forças Evolução dos Cuidados Neonatais       Generalização UCINN Administração Surfactante Pulmonar Sistema Transporte Neonatal Corticoterapia Antenatal Melhor Assistência Grávida Avanço Tecnológico 111 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. conforme a sua situação clínica. agitação. Nº 1851 .) Orientações para a Prática ʘ Facilitar a expressão dos seus sentimentos e preocupações ʘ Assegurar a informação adequada ʘ Ajudar a compreender os aspectos mais importantes dos cuidados ʘ Incentivar as perguntas acerca da situação de saúde do RN ʘ Incentivar a presença junto do RN. manifestada por reacções de afastamento dos pais. CLE 2008-2012..Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL     Alterações do discurso.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful