Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL

Elementos estruturantes da enfermagem da criança e do jovem
Teoria Geral dos Sistemas Sistema – unidade organizada, em desenvolvimento, dinâmica (a qualquer momento se altera e se transforma), os componentes permanecem entre si e interagem; disfunção ou mudança causam perturbação. Subsistema – partes componentes do sistema, mais pequenas, internas, que interagem entre si e definem o sistema. Supra sistema – Ajudam a definir o ambiente externo em que o sistema está inserido. Estrutura – forma como todos os elementos se organizam (indivíduo só se separa da família com a independência e não com a idade) Fronteira – o que separa o ser humano do ambiente são os sentidos porque são estes que o permitem perceber o mesmo. Não é uma linha circular e impermeável. Contém alguns “poros”. Uma criança com défices sensoriais tem uma fronteira com os “poros” mais fechados. Função – todas as actividades que o ser humano realiza para satisfazer as suas necessidades. In Put – entram no sistema para o influenciar. Os cuidados de enfermagem são um in put. Podem ser sobre a forma de informação, matéria ou energia. Out Put – são o comportamento do sistema: Qual é a reacção do sistema (criança) aos in put (cuidados de enfermagem) Stress – Nem sempre é negativo

Referencial Teórico do Modelo de Sistemas de Neuman
Teorias que o influenciam:  Humanismo  Holismo  Teoria de Gestalt  Teoria de Stress de Seyle  Teoria Geral de Sistemas  Teoria de Crise de Caplan → Foge do modelo tradicional de doença. Grande flexibilidade: aplicável a indivíduo, família, grupos e comunidade. Humanismo  O Indivíduo como um ser único;  O propósito da vida humana;  A liberdade individual de escolha; → Todos os indivíduos têm as suas individualidades. Temos de negociar com o sistema/cliente de modo a que este se envolva no plano/processo terapêutico e faça as suas escolhas. Holismo  A reacção do indivíduo corresponde a um todo unificado;  O todo é diferente e mais do que a soma das partes;  As várias relações entre as partes e sub-partes do cliente devem ser adequadamente identificadas antes de o enfermeiro actuar. → Ver o indivíduo como um todo unificado.

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Nádia Isabel Leonardo Perdigão, CLE 2008-2012, Nº 1851

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Teoria de Gestalt O processo homeostático permite que o organismo se mantenha em equilíbrio e por isso tenha saúde. → Sistema só tem saúde se es ver em equilíbrio: equilíbrio entre In put e Out put. Teoria de Stress de Seyle Conceitos  Stress – “a resposta não específica do corpo a qualquer solicitação que lhe é feita”  Resposta não específica – “a que afecta todas ou a maioria das partes de um sistema sem selectividade”  Stressores – “os agentes que colocam solicitações ao corpo que podem precipitar stress. Podem ser benéficos ou prejudiciais” → Stressores positivos (forças) e negativos. A síndroma de stress ou síndroma de adaptação geral aparece quando um organismo é sujeito a um stress contínuo e prolongado A síndroma de adaptação compõe-se de 3 estádios:  Reacção de alarme  Resistência  Exaustão Teoria Geral de Sistemas Os sistemas abertos mantêm-se em equilíbrio apesar dos processos contínuos de importação, exportação, construção e demolição em constante acção. O Homem, sistema em constante transformação, possui a capacidade de adaptação às diferentes mudanças que ocorrem no seu meio interno e externo. Os fenómenos homeostáticos e a capacidade de mudança que contribuem para um equilíbrio dinâmico dentro do próprio sistema. Num sistema aberto as trocas ambientais são recíprocas – o cliente e o meio ambiente podem afectar-se mutuamente, positiva ou negativamente. O input processado providencia outputs como feedbacks para futuros inputs, criando um padrão organizado dentro do sistema aberto. Teoria de Crise de Caplan A crise – período transitório que apresenta ao indivíduo tanto uma oportunidade de crescimento da personalidade quanto um perigo de crescente vulnerabilidade. Após a resolução da crise o indivíduo poderá ficar com maior ou menor capacidade para a resolução de futuros problemas em função da forma como se operou o realinhamento de forças quer a nível da sua personalidade quer do tipo de relações que passa a manter com os outros. Três níveis de prevenção: Prevenção primária (retenção do bem-estar) – acção sobre os factores prejudiciais antes que se produza a doença. Prevenção secundária – acção visando alterar os factores que levam à doença ou actuar mediante um diagnóstico precoce e tratamento eficaz. (Ex: Rastreios) Prevenção terciária - acção visando reduzir a incidência dos efeitos residuais dos problemas. → No Modelo de Neuman, as intervenções apresentam-se sempre aos três níveis.

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Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Paradigma Pessoa
Conceitos  Sistema Cliente  Pessoa  Ambiente  Saúde  Enfermagem Sistema/Cliente  O Sistema/cliente (Criança/Jovem + família como contexto) é visto como um todo englobando todas as variáveis do ser humano (fisiológicas, psicológicas, sociais, culturais, espirituais e desenvolvimento), incluindo as experiências actuais e passadas  O sistema/cliente é um sistema aberto, interagindo com o ambiente, ajustando os seus comportamentos e/ou ajustando o ambiente às suas necessidades  Embora as suas respostas adaptativas sejam comuns a outros sistemas/clientes, a sua singularidade está nas opções específicas que toma. Variáveis: Fisiológica: estrutura física e função Psicológica: processos mentais e relacionamentos Sociocultural: funções sociais e culturais Desenvolvimento: processo de etapas de desenvolvimento Espiritual: crenças religiosas, populares, projectos de vida → Ter sempre atenção às particularidades das respostas de cada sistema Pessoa Ser fisiológico, psicológico, sociocultural, e espiritual, capaz de se desenvolver. É um todo integral. É um sistema aberto em constante interacção com o ambiente. Ambiente O ambiente constitui o campo perceptual de cada sistema/cliente Factores do ambiente podem influenciar positiva ou negativamente o sistema/cliente, num dado momento. Inclui os factores de stress contidos no:

Saúde

Enfermagem

Ambiente

Ambiente criado – forma inconsciente como o indivíduo mobiliza o que é necessário e vai buscar subsídios a outras varáveis para conseguir o equilíbrio. Nádia Isabel Leonardo Perdigão, CLE 2008-2012, Nº 1851

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destinadas a fortalecer os mecanismos adaptativos ou a diminuir os factores stressores:  Prevenção da desadaptação.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Saúde  Processo que se desenvolve ao longo do tempo. Estrutura do Modelo 4 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. quando todas as variáveis estão em equilíbrio.  A saúde equaciona-se com a estabilidade do sistema.  Quando o sistema gera e consome níveis idênticos de energia orienta-se para a estabilidade.  A saúde está dependente de vários graus de harmonia ou oscilação entre envolventes internas e externas.  Manutenção da adaptação.  Quando o sistema gera mais energia do que a que consome orienta-se para o crescimento ordenado do sistema (anentropia). por meio de um processo de interacção e ajustamentos.  É um continuum de bem-estar de natureza dinâmica que está constantemente sujeito a mudança. Nº 1851 .  Quando o sistema consome mais energia do que a que gera orienta-se para a destruição do sistema (entropia).  O bem-estar é a condição na qual todas as partes e sub-partes do sistema/cliente estão em harmonia com o sistema como um todo.  Um reduzido estado de bem-estar é o resultado de necessidades sistémicas não atendidas. ʘ Entropia = morte do sistema = esgotamento do sistema Enfermagem Alvo Criança e Jovem em constante crescimento e Desenvolvimento (Cuidados Centrados na Família) Objectivo Ajudar o cliente a atingir o nível máximo de saúde através de propostas de intervenção aos três níveis de prevenção. CLE 2008-2012. isto é.  Restabelecimento da adaptação.

As Linhas de Resistência contêm factores de recursos internos e externos conhecidos e desconhecidos que apoiam a Estrutura Básica do cliente e a Linha Normal de Defesa (ex: mobiliza ou activa mecanismos de sistema imunitário que protegem contra as doenças) ʘ Factores.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Representação Gráfica do Sistema/Cliente Estrutura Básica . estrutura de ego). condições estáveis que permitem a defesa contra stressores mantendo o equilíbrio (ex: características da personalidade. Esta linha de defesa normal é um padrão de normalidade e ajuda a determinar qualquer discrepância de bem-estar (ex: o padrão habitual de sono varia ao longo do ciclo vital. Um mecanismo protector que tenta estabilizar o sistema cliente e proporcionar um retorno ao bem-estar habitual.doenças crónicas. podendo ser: indivíduo/família/grupo /comunidade. 5 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. padrão de resposta. Quando ainda se estão a construir encontram-se na linha flexível. ʘ Representa a capacidade normal de resposta às agressões. ʘ Nível de bem-estar do cliente. Nº 1851 . São activadas para proteger ou reconstituir o sistema. Contêm factores que apoiam as linhas de defesa (as mais exteriores). anatómicos. O NLD define a estabilidade e integridade do sistema de cliente. ʘ Dinâmica (expande-se e contrai-se de forma a manter a estabilidade do sistema). Padrão. Só recursos construídos estão nestas linhas.O core ou estrutura básica consiste em factores básicos de sobrevivência (aspectos fisiológicos. Linha Normal de Defesa O Sistema cliente tem um nível de bem-estar ou equilíbrio habitual. Linha Flexível de Defesa Forma o limite exterior do sistema de cliente definido. forças. sua habilidade para manter estabilidade e integridade → A forma como uma pessoa normalmente reage. São recursos do indivíduo que o ajudam a ultrapassar situações/combater stressores. força ou debilidade orgânica. ʘ Resulta do somatório das aprendizagens adquiridas em confrontos anteriores com os agentes stressores. recursos económicos. doença crónica) ʘ Estrutura do ego Linhas de Resistência Conjunto de círculos quebrados que envolvem a estrutura básica. estrutura genética . estratégias de coping). religião. ʘ Define a estabilidade e integridade do sistema. ʘ Factores comuns a todos os organismos ʘ Sinais vitais ʘ Estrutura genética ʘ Forças ou fraquezas orgânicas (ex: conhecimentos. Como se responde a determinado fenómeno. ʘ São três conjuntos. Esta linha representa o que o cliente se tornou ou evoluiu com o passar do tempo. CLE 2008-2012.

A tensão provocada aumenta o potencial. mudanças no sistema cultural ou político. ou causa: ʘ Desequilíbrio. CLE 2008-2012. este quebra a linha normal de defesa. Tipos de stressores: positivos ou negativos Categorias:  Intra-sistema → os que ocorrem dentro do sistema (tem a ver com o ambiente interno)  Infecção. apoio dos colegas da escola mudanças de papéis e de funções. ʘ Quando a linha flexível de defesa não é capaz de proteger o sistema contra o agente de stress. privações. ʘ Amortece e absorve as agressões como um acordeão → “Pára-Choques”. situação de dependências de outrem. Previne a invasão do sistema cliente pelo stressor (ex: Mecanismos flexíveis de resposta). Factores de stress Cada factor de stress: ʘ Pode constituir uma ameaça ou corresponder a uma reacção. Nº 1851 6 . alterações do desenvolvimento).Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Actua como um sistema mais externo e protector para a Linha Normal de Defesa do cliente ou estado de bem-estar do sistema. ʘ Representa a fronteira exterior do sistema.  Respostas condicionadas às ocorrências de vida: desgosto.  Inter-sistema → os que ocorrem entre um ou mais sistemas (ocorrem entre a pessoa/sistema e outros sistemas.  Extra-sistema → os que ocorrem fora do sistema (Ocorrem a nível supra sistémico. Nádia Isabel Leonardo Perdigão. ʘ Pode conter determinadas características que exijam vários níveis de intervenção de enfermagem. ʘ Crise ou maturação. ambiente externo próximo)  Conflitos familiares. Variáveis Interactivas Stress Situação ou condição capaz de causar instabilidade no sistema pela penetração na LND. ambiente externo longínquo)  Situação de pobreza. ʘ Está relacionada com os mecanismos flexíveis de resposta sendo particularmente sensível às circunstâncias. trauma.

As Linhas de Resistência impedem que os agentes de stress atinjam o core – caso sejam ineficazes a vida do sistema poderá estar comprometida.  Os enfermeiros não podem impor os seus julgamentos ao cliente. referidas como linha normal de defesa. a voltar ao estado normal de bem-estar ou a um nível mais elevado de estabilidade após a reacção a um stressores ambiental.  Cada sistema cliente tem um conjunto de factores de resistência interna – linhas de resistência – que tentam estabilizar e ajudar o cliente a restabelecer o equilíbrio.  O nível da linha normal de defesa não é idêntico para todos os clientes. Nº 1851 .  E/ou com a “fragilidade” das suas linhas de defesa e resistência.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Reacção do Sistema/Cliente A reacção aos stressores depende do estado das suas Linhas de defesa. mas também tem características comuns a todos.  O sistema cliente é um sistema aberto em constante interacção com o ambiente. resultando perda de energia – as linhas de defesa contraem-se.  Tempo de encontro com o stressor.  Cada sistema cliente desenvolveu ao longo do tempo um conjunto de respostas.  O sistema cliente está sujeito a agentes de stress que podem potencialmente causar um desequilíbrio do sistema.  Cada sistema cliente é único. A reacção e/ou grau de reacção vai depender da individualidade do sistema:  Estrutura básica. CLE 2008-2012. Valores  Os enfermeiros têm o dever de procurar o potencial máximo de estabilidade do sistema cliente.  Mecanismos de defesa naturais e aprendidos. Reconstituição O sistema cliente adquire novas e melhores capacidades para lidar e superar as agressões – as linhas de defesa expandem-se. Todos os sistemas procuram o equilíbrio. Representa a alteração no tempo verificada com diversos confrontos com stressores. Componentes Essenciais do Modelo Postulados  Os factores de stress diferem pelo potencial para perturbar a linha normal de defesa e podem afectar o grau em que cada sistema cliente está apto para usar a sua linha flexível de defesa contra a possível reacção aos stressores. A linha normal de defesa pode ser usada como padrão para medir os desvios de saúde. O sistema cliente foi danificado para além das capacidades das linhas de defesa. Elementos do Modelo Fonte de dificuldade As origens prováveis das dificuldades experimentadas pelo cliente relacionam-se:  Com os factores de stress. Modo de Intervenção Prevenção Primária → Objectivo: Fortalecer a linha flexível de defesa (Impedir que o stressor entre dentro do sistema) 7 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. ou um estado normal de bemestar/estabilidade.

Reconstituição como resultado da intervenção secundária Avaliação do grau de reconstituição como resultado das intervenções Intervenções de apoio aos recursos interno e externo com vista à reconstituição Níveis de bem estar óptimo (possível para cada sistema) 8 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. Nº 1851 . CLE 2008-2012. Stressores Reacção aos stressores A avaliação do grau de reacção aos stressores facilita a intervenção/ tratamento Acções para reduzir o grau de reacção aos stressores Desorganização grave (intervenção ainda possível ou morte do sistema) Prevenção Terciária → Objectivo: Alcançar ou manter o nível máximo de bem-estar.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL STRESSORS AMBIENTAIS A avaliação dos stressores para antecipar as possíveis consequências do risco de adoecer Acções para prevenir a invasão dos stressores Prevenção Secundária → Objectivo: Proteger a estrutura básica e facilitar a reconstituição do bem-estar (Reduzir a manifestação).

 Competências relacionais: técnicas de comunicação. Comunicação com a Criança e o Jovem Enquadramento  É impossível não comunicar (Watzlawick. A intervenção é centrada em restabelecer a adaptação ou a estabilidade.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Níveis de Prevenção → Objectivo: Estabilidade do Sistema Níveis de Descrição das intervenções Prevenção Prevenção Ocorre quando um agente de stress é identificado. Fortalecer a Linha de Defesa.ajudar a pessoa a manter e a estabilizar o seu estado de saúde. Nº 1851 9 . diferem porque aparecem depois da ocorrência da reacção. CLE 2008-2012.  Comunicação: não-verbal. verbal e abstracta (Hockenberry. Usar palavras simples. muitas vezes. Consequências da Intervenção  Aumento da resistência ao stress. a reconstruir-se. Mostrar-se interessado. 1993)  Comunicação terapêutica ≠ conversa social (Riopelle & Phaneuf. nem muito devagar. Objectivo . 1993) → Basta existirmos para estar a transmitir qualquer coisa.  Aumento do nível de bem-estar. 2003:4) → É a partir da comunicação com o nosso cliente alvo de cuidados que os mesmos se desenvolvem. ou também para.ajudar o cliente a voltar ao estado de saúde habitual.  O exercício profissional de enfermagem centra-se na relação interpessoal (OE. desanuviar os pais que se encontram em tensão. Não falar muito alto nem muito baixo → Para baixar o ruído.  Diminuição do grau de reacção. Nádia Isabel Leonardo Perdigão. ou seja. mas sim o terapêutico. Prevenção Inicia-se geralmente após o tratamento. ou se suspeita de algum Primária antes de ocorrer a reacção do sistema. Concentrar-se na mensagem e levar os outros a fazê-lo.Reduzir a possibilidade de um encontro com o agente de stress. Secundária Objectivo . desenvolvimento pessoal (Chalifour. 1993) → O facto de serem diferentes não quer dizer que a social não seja utilizada em contexto terapêutico desde que seja com a intenção de chegar a outro patamar que não o social. Dirige-se para actividades de manutenção e de tipo educacional. falar cada vez mais baixo. Prevenir a desadaptação. Algumas intervenções são muito semelhantes às do primeiro nível. Terciária Finalidade . 2007) Princípios        Pronunciar as palavras correcta e claramente. Evitar a possibilidade de uma recorrência da reacção ocorrida anteriormente. Não falar nem muito depressa. Ser breve. Prevenção Ocorre quando um agente de stress passou a linha de defesa e causou reacção. habilidades emocionais.

interromper o interlocutor). Especificidades  Ajustada às características de cada grupo etário. Exemplo dos comportamentos de aceitação (concordar com a cabeça. ʘ Devemos ter em atenção o “efeito de espelho”. 10 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. não pode ser contraditória) → A mensagem tem de ser verdadeira e sincera. Nº 1851 .  Guiam-se pelo modelo relacional pais/enfermeiro → Temos maior probabilidade de sucesso na interacção com a criança se antes já houve um esforço para ter uma relação de confiança com os pais. dizer o que deve fazer.  Mostrar um olhar interessado.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL  Sorrir.  Não dar muita informação de seguida. fazer comentários apropriados) e dos comportamentos de negação (virar as costas a quem está a falar. estalar os dedos.  Reformular o que o interlocutor disse para se certificar de que compreendeu a mensagem.  São muito competentes na compreensão da linguagem não-verbal. dada a sensibilidade das crianças às mensagens não-verbais.  Manter uma boa postura. voz uniforme transmite segurança e é melodiosa. ʘ Na comunicação com as crianças de todas as idades. fugir do contacto visual.  Falar olhando para o interlocutor. CLE 2008-2012.  Respondem com atenção a uma voz calma.  Evitar as gírias. firme e uniforme → Voz calma transmite segurança e sensibilidade.  Congruente (a mensagem veiculada por diferentes canais.  Oportuna (quando percebe sinais de que a criança está pronta para se relacionar) → Necessário que a criança esteja mesmo disponível para comunicar → implica esforço anterior para que esta se vá tornando disponível → começar a interacção com o adulto e dar tempo para a criança se ambientar. voz acelerada. gestos. ʘ É difícil disfarçar sentimentos.  Precisam de ter oportunidade de avaliar a pessoa desconhecida antes de permitirem a interacção.  Acompanhar as palavras de gestos → Desde que os gestos sejam adequados.  Percebem a ansiedade e o medo (↑ FC e FR.  Clara (adaptar os termos à linguagem que a criança entende/usa) → Temos de perceber que linguagem a criança utiliza para nos adaptarmos a ela. os componentes nãoverbais do processo de comunicação transmitem as mensagens mais importantes. verbal e não verbal.  Falar de forma positiva (evitar o “não”) → Em vez de dizer o “não deve”. repetir ou solicitar esclarecimentos.  Criar intervalos para controlar a sua recepção. expressão facial).  Certificar-se de que os termos que utiliza são compreendidos pelo interlocutor → Utilizar poucos termos técnicos na comunicação com a população.  Ser simpático → Ser simpático não quer dizer que se vá fazer as vontades todas ao outro. ʘ As crianças atribuem significado a cada gesto/movimento. bater o pé. contacto visual directo. voz firme transmite autoridade. atitudes e a ansiedade.

 Verbalizam sons compreendidos pelos seus cuidadores (Os pais aprendem a descodificar a linguagem).  Utilizar expressões faciais e movimentos com a cabeça.  Segurá-los com firmeza e na mesma posição que os seus pais o fazem. música.  Emitir sons próximos daqueles que a criança verbaliza (estimulam e exercitam). Toddler e Pré-Escolar Como e o que comunicam  Centrados neles (egocêntricos) → Tem dificuldade em ver fora de si.  Conferem qualidades humanas a objectos (saltar.  Choro manifesta insatisfação ou pedido (fome. CLE 2008-2012. sons altos.  Preferem a posição vertical.  Progrida calmamente até questões mais complexas ou Recém-Nascido – Primeiros 28 profundas. morder.  São capazes de comunicar com as mães e transmitir ideias sem palavras. fale primeiro com este (facilita a entrada na interacção). dias Lactente – 29º dia a 1 ano Toddler – 1 a 3 anos Recém-Nascido e Lactente Pré-Escolar – 3 a 6 anos Como e o que comunicam Escolar – 6 a 12 anos Adolescente – 12 a 18 anos  Usam e compreendem a linguagem não-verbal. Como comunicar  Dirigir a comunicação para a criança. fralda suja.  Evitar a comparação com as experiências de outras crianças → É egocêntrico → não tem capacidade de comparar.  Reagem a estímulos externos (voz.  Não inclua logo a criança em actividades (permitir que esta observe a uma distância segura).  Segurá-los de forma a manter os pais no seu campo de visão. movimentos súbitos) com expressões faciais e reacções corporais.  Sorriem e palram.  Ainda não adquiriram habilidades suficientes para expressar todos os seus sentimentos e desejos → Estão ainda numa fase de desenvolvimento de capacidades.  Incapazes de separar o real da fantasia (fase do concreto) Ex: “agulha grande” → Ter atenção com as palavras que usamos → podem dar sen dos às palavras que não os mesmos que nós damos.  Faça perguntas simples Ex: “O ursinho tem nome?”. é ela o nosso alvo de cuidados e o nosso alvo de preocupação.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Orientação  Converse primeiro com os pais e só depois com a criança: ʘ Fala-se com os pais primeiro só na criança pequena → quando a criança está num nível de desenvolvimento em que já desenvolveu pensamento abstracto. Como comunicar  É difícil obter imediatamente a sua confiança. solidão ou “falta de colo”).  Se a criança tiver um boneco. é com ela que se fala primeiro. dor. Nº 1851 . cortar. beliscar). 11 Nádia Isabel Leonardo Perdigão.  Assuma uma posição ao nível do campo visual da criança.

 Dificuldade em discutir alguns assuntos com os membros da família → A comunicação deve ser feita num local em que não estejam os pais. Escolar Como e o que comunicam  Já possuem domínio da linguagem verbal. sentimentos e interpretações.  Pensamento abstracto.  Evitar frases que possam ser interpretadas “à letra”. veja por ela própria.  Expressam de sentimentos súbita ou durante a realização de procedimentos. raiva.  Não toleram que os respeitem tal como são.  Permitir que participem nas conversas com os pais.  Confiam menos no que vêm e mais no que sabem.  Interessam-se pelo aspecto funcional dos procedimentos.  Gostam de sentir que o enfermeiro tem interesse por eles. descubra por si → Deixar que este descubra os materiais.  Mobilizar assuntos actuais e de interesse para a criança.  Procuram explicações e motivos para tudo → Porque é que as coisas se passam daquela maneira.  Não dar conselhos quando não solicitados.  Respostas monossilábicas ( ↓ confiança). música e gostos.  Dar atenção e mobilizar experiências do próprio enfermeiro. revolta e isolamento. pois o adolescente pode não se sentir à vontade para falar com os pais sobre determinados assuntos.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL  Permitir que a criança toque.  Considerar as suas experiências passadas de saúde-doença. valorizando as suas ideias. 12 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. CLE 2008-2012.  Utilizar linguagem adequada.  Preocupam-se com a integridade física. Como comunicar  Cautela na interpretação (por vezes não adequam as palavras ao que sentem).  Conhecer a sua linguagem.  Evitar comentários ou expressões de reprovação ou surpresa. Adolescentes Como e o que comunicam  Comunicativos e participativos → Perante situações de doença podem-se tornar extremamente reservados e pouco participativos. Nº 1851 . actividades (aprendizagem activa).  Hostilidade.  Não interromper (o jovem pode não voltar a falar sobre…). Como comunicar  Conversar sobre os procedimentos (linguagem adequada) → Falar com elas sobre tudo o que está relacionado com o seu processo de doença.  Recorrer a experiências do enfermeiro para falar sobre as experiências da criança → Contar histórias de modo a facilitar a compreensão da situação.  Interpretar quando estão prontos para falar. objectos.  Na presença dos pais começar pelos adolescentes.  Atmosfera aberta e não tendenciosa.

” Narração de Histórias Pedir à criança que conte uma história sobre um menino que está no hospital. Biblioterapia Ler a história para a criança (se ela não for capaz ou pedir). mostrar à criança como ela nos faz sentir. Narração mútua de Histórias Pedir à criança que conte uma história. Jogos de pontuação. discutir o significado da história. Nº 1851 . triste. dificuldades. depois a enfermeira conta uma história semelhante mas com diferenças que ajudam a criança nos seus problemas. Sonhos Pedir à criança para contar um sonho ou pesadelo. Três desejos. fantasias). pedir à criança para repetir a história. para trabalhar aspectos que se estão a passar com a criança e que não são fáceis de abordar. ʘ “Eu fiquei um bocadinho triste quando fizeste…” ʘ “Eu estou preocupada com os teus tratamentos porque gostava que ficasses melhor. medos. quando um menino fica muito doente pode sentir-se mal.” Técnica de Terceira Pessoa Falar com a criança inventando uma personagem. prós e contras… Técnicas de Comunicação Não Verbais Escrita ʘ “Cantinho das Mensagens” 13 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. porque não pode fazer o que os outros podem…” Resposta Facilitada Dar chaves à criança para que esta responda ʘ “Sentes-te infeliz por causa dos tratamentos e da separação dos teus amigos.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Técnicas de Comunicação Verbais Não Verbais Técnicas de Comunicação Verbais Mensagem do “EU” Fazer chegar à criança aquilo que nós sentimos quando ela tem determinado comportamento. desenhar sobre a história. CLE 2008-2012. ʘ “Por vezes. explorar o significado do sonho. envolver a família.

 Desenho dirigido (Ex: menino que foi operado → “Faz-me um desenho sobre um menino que foi operado”). CLE 2008-2012.  “Cantinho das Mensagens” Jogos e Brincadeiras  Linguagem Universal  “Trabalho/profissão” das crianças  Essencial ao seu desenvolvimento É imprescindível na vida da criança → desenvolvimento da criança Grupo etário RN e Lactentes Brinquedos / Jogos Bonecos macios e com som Caixas de música Brinquedos coloridos e de encaixe Puzzles Ferramentas e objectos do dia-a-dia Peluches Bonecas Livros Jogos electrónicos Pinturas Jogos de grupo Puzzles Jogos electrónicos Pinturas Jogos de tabuleiro Computador Jogos electrónicos Música TV Livros Jogos de tabuleiro Pré-escolares Escolares Adolescentes Funções do Brinquedo e Jogo  Essencial ao crescimento e desenvolvimento.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL ʘ Manter um jornal ou diário → Abordar o tema que é difícil para a criança falar/Escrever pensamentos ou sentimentos difíceis de expressar. ʘ Projecções do seu interior  Desenho livre.  Expressão de emoções.  Viabiliza um ambiente seguro e contentor.  Treino de estratégias de confronto. Desenho e Pintura É intuitivo e natural na criança. onde ela pode exprimir as suas preocupações e felicidade → projecta as suas preocupações e resolve algumas questões que podem estar a ser difíceis. 14 Nádia Isabel Leonardo Perdigão.  Mediador da relação. Nº 1851 .

 Directiva 93/68/CEE do Conselho de 22 de Julho de 1993 que altera a Directiva 88/378/CEE (segurança dos brinquedos). cantar. Diogo. (data). Normas Europeias de Segurança dos Brinquedos  Directiva 88/378/CEE do Conselho de 3 de Maio de 1988 relativa à aproximação das legislações dos Estados membros respeitantes à segurança dos brinquedos. P. 1959). CLE 2008-2012.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL  Reforço positivo. Ambiente Terapêutico e Comunicação  Cultura dos afectos  Acolher  Cumprimentar  Expressar afecto  Inclusão da família  Sintonia com o mundo infantil ʘ Brincadeira.  Carta da Criança Hospitalizada (1988). altura ou comprimento e índice de massa muscular). 15 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. em relação a uma dada medição numa série típica de 100 (perímetro cefálico. Servir. peso. desenhos animados. O Brincar: actividade de desenvolvimento e adaptação à vida. 49(3). p. filmes  Fotografias para recordar  Despedidas calorosas  Ambiente seguro  Fardas coloridas e com bonecos  Acompanhamento pelas pessoas significativas  Preservar a segurança  Ambiente físico ʘ Pinturas nas paredes ʘ Vídeos ʘ Brinquedos ʘ Música ʘ Sala de Brincadeiras ʘ Espaço Jovem → Valeriano. 110-116 Apreciação da Criança e do Jovem – Exame Físico Medidas de Crescimento Percentil  Indica a posição que uma criança ocupa.  A nova Directiva 2009/48/CE relativa à segurança dos brinquedos virá revogar a Directiva 88/378/CEE a partir de 20 de Julho de 2011. J. Enquadramento Institucional do Brincar  Declaração dos direitos da criança (Nações Unidas. 1961). Nº 1851 .  Declaração sobre a criança e o direito de brincar (Associação Internacional para o direito da criança brincar.

é denominado percentil 25 e inclui 25% dos valores mais baixos. As crianças que têm percentil entre 25 e 75 acompanham a maioria das crianças. 50% dos hospitais terão suas taxas de infecção hospitalar situadas entre o percentil 25 e o percentil 75. As alterações bruscas de percentis também devem ser observadas. requerem maior vigilância. altura. A mediana também é denominada percentil 50 ou quartil mediano. Perímetro Cefálico A medida da circunferência da cabeça que se obtém colocando a fita métrica bem esticada sobre a porção mais saliente do occipital. Por exemplo. 80% das observações. Pode dizer-se que entre o percentil 25 e o percentil 75 encontram-se 50% das observações da população que apresentam os valores médios observados. Curvas de Crescimento Semelhante a tabela de percentis mas com o crescimento da criança. A relação peso/altura pode ser significativa na avaliação do estado nutricional da criança. com as mesmas características. É fundamental a avaliação da curva de evolução do peso. do que os valores absolutos. Não existe um valor ideal.  O primeiro quartil. As que têm percentil inferior a 25 ou superior a 75 podem requerer mais cuidados. A criança pode ter diferentes percentis nas diferentes características. quando todas as observações são ordenadas.  O percentil é dividido em quatro partes. Ex: percentil 95 do peso → em 100 crianças da mesma idade. Nº 1851 . o que não significa que seja problemático.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Um percentil é um ponto abaixo do qual a percentagem especificada de observações ocorre. percentil 20 é o ponto abaixo do qual estão 20% das observações e acima dele. a mediana é o valor do meio. 95 estão abaixo dela e 5 estão acima. 16 Nádia Isabel Leonardo Perdigão.  o segundo quartil corresponde ao percentil 50. São mais importantes e significativas as mudanças bruscas das curvas de evolução. CLE 2008-2012. As mudanças entre percentis 25 e 75 são menos significativas. Os dados obtidos através dos percentis só são significativos associados à história de saúde da criança. ou seja. chamadas de quartil.  O terceiro quartil corresponde ao percentil 75. Tabelas de raparigas e de rapazes são diferentes (têm curvas diferentes). Tabela de Percentis Gráfico onde está desenhada cada uma das curvas correspondente a cada percentil. Se o número de observações é impar. acima do pavilhão auricular e ao centro frontal. perímetro cefálico e índice de massa corporal. As crianças de percentil abaixo de 5 ou superior a 95. Para estimá‐lo arranjam‐se os dados em ordem crescente e encontra‐se o valor que divide o conjunto de dados no tamanho adequado.

O bebé perde apenas água e não massa corporal.  O peso tem um aumento progressivo: ʘ 1º Semestre – aproximadamente 600grs/mês ʘ 6º Mês – duplica o peso à nascença ʘ 2º Semestre – aproximadamente 500grs/mês ʘ 12 Meses – triplica o peso à nascença ʘ 6 Anos – duplica o peso dos 12 meses 17 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. Fazem-se três avaliações seguidas e utiliza-se o maior valor → o risco é de avaliar por defeito e não por excesso. O crescimento cerebral é muito intenso no primeiro ano de vida.5cm/mês No fim do primeiro ano de vida o cérebro atingiu aproximadamente 2/3 do seu tamanho de adulto.(o cérebro cresce menos que anteriormente) de 51 cm para 53-54 cm Aos 12 anos – o cérebro já atingiu praticamente o tamanho adulto Macrocefalia Se o percentil não for muito superior a 95 avaliar primeiramente se não será uma questão hereditária. RN – Média de 35 cm de Perímetro Cefálico 90% Dos RN apresentam valores de PC entre 33 e 37 cm  1º Trimestre – 2cm/mês  2º Trimestre – 1 cm/mês  3º Trimestre – 0.  2º Ano de vida – aumenta cerca de 2cm (desaceleração do crescimento cerebral) No fim do 2º ano devida o cérebro atingiu aproximadamente 4/5 do seu tamanho de adulto. ʘ Está completa quando volta a ter o mesmo peso que tinha quando nasceu.  Perda de peso fisiológico – 200 a 400 gr (10% do peso à nascença). Microcefalia Por causas genéticas e anomalias no desenvolvimento fetal. Se o bebé perder mais do que o peso esperado. O espaçamento entre cada uma delas vai aumentando com o tempo. Perde peso pela nova redistribuição da água nos diferentes compartimentos corporais. marcar nova visita para breve para verificar se entretanto está a recuperar como esperado. CLE 2008-2012.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Avaliações mais frequentes no início de vida. Avaliado no diâmetro maior.200 kg.  Recuperação do peso – entre o 10º e o 14º dia. Se a criança es ver fora do padrão normal é necessária maior vigilância. Peso  Peso médio do RN – 3. daí a necessidade de maior vigilância no primeiro ano de modo a prevenir ou diagnosticar precocemente alterações.  Aumento do Peso: 15 a 30 gr/dia. Nº 1851 . 0-36 Meses → avaliado por ro na nas visitas de ro na.  Dos 6 aos 12 anos . Hidrocefalia → há dificuldade em absorver o Líquido Céfalo Raquidiano que é continuamente produzido. ʘ A diminuição de peso não é explicada nem pela má alimentação nem por outros factores.

Perímetro abdominal É a medida da circunferência abdominal que se obtém contornando o abdómen da criança com a fita. metade dos quais durante o ano de crescimento mais rápido. sendo a base para determinar as suas necessidades nutricionais e a dosagem de medicação.5 a 3 cm/mês.5 anos – cresce em média 20 cm. Perímetro Torácico É a medida da circunferência torácica. visto que a respiração é essencialmente diafragmática e abdominal.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL  O peso reflecte o estado de saúde.5 a 2 cm/mês. Estatura Comprimento – até aos 2 anos com a criança deitada (Craveira) Altura – com a criança de pé (Estadiómetro) RN – comprimento médio 50 cm  1º Ano de vida – aumenta 25 a 30 cm: ʘ 1º Semestre – 2. a inspiração e a expiração não interferem no Perímetro Torácico. Não faz parte das medições de rotina.  Do 3º ao 5º ano de vida – cresce cerca de 12 cm. Tabelas de percentil Peso: 0 – 24 Meses – peso/idade 2 – 20 Anos – peso/idade Comprimento: 0 – 24 Meses – comprimento/idade 2 – 20 Anos – estatura/idade Índice de Massa Corporal 2 – 20 Anos – Índice de massa corporal/idade Obesidade > percentil 95 Excesso de peso > percentil 85 e < percentil 95 18 Nádia Isabel Leonardo Perdigão.  Do 6º ao 10º ano de vida – corresponde a um período de crescimento constante que termina no surto de crescimento da pré-adolescência.  2º Ano de vida – Cresce cerca de 12 cm (desaceleração na velocidade de crescimento). que se obtém colocando a fita métrica bem esticada em volta do tórax ao nível dos mamilos (criança deitada). crescendo cerca de 8 cm durante o ano de crescimento mais rápido. Se o RN não estiver em sofrimento. Depois dá-se uma desaceleração na velocidade do crescimento. ʘ Na rapariga – o surto de crescimento começa cerca de 18 meses mais cedo e fica quase completo pelos 13. Nº 1851 . CLE 2008-2012. a nível da cicatriz umbilical (criança deitada). Num RN de Termo é idêntico ao Perímetro Cefálico. ʘ 2º Semestre – 1.  Surto de Crescimento da Pré-Adolescência (2º período de crescimento rápido): ʘ No rapaz entre os 13 e os 15. por volta dos 10 anos na rapariga e dos 12 anos no rapaz.5 anos.

5ºC. A cada 0.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL IMC → é um dado secundário (nunca se u liza o comprimento) Situações problemáticas → IMC em níveis elevados → Estar atento!!! Prevenir obesidade infantil. timpânica. convulsões Frequência Respiratória Ter atenção se a criança está em repouso ou em actividade.  Axilar: 34. CLE 2008-2012.  Acima dos 5 anos – axilar. Nº 1851 .  Dos 2 aos 5 anos – axilar. rectal.5ºC – 38ºC. Temperatura Locais de avaliação da temperatura na criança:  Até aos 2 anos – axilar. Tipos de respiração: (avaliar características)  Abdominal ou diafragmática (característica do lactente).  Artéria carótida.  Timpânica: 35. Idade Recém-Nascido 1-11 Meses 1-2 Anos 3-5 Anos 6-10 Anos 11-14 Anos > 15 Anos Frequência 30-50 cpm 24-45 cpm 22-38 cpm 21-30 cpm 18-24 cpm 14-20 cpm 14-20 cpm Frequência Cardíaca Locais para avaliação da frequência cardíaca: (avaliar características)  Sobre o ápice cardíaco.  Artéria femoral. Em cada grau de elevação de temperatura acima do normal a frequência respiratória aumenta 2 a 3 ciclos por minuto A febre pode originar: cefaleias. O maior exercício que o bebé tem é mamar. Pressão Arterial. timpânica. Frequência Cardíaca.5ºC – 37. exercício e alimentação da criança. Medidas Fisiológicas     Temperatura.  Artéria braquial. oral.8ºC – 38ºC.7ºC – 37. oral. excitação psicomotora. Frequência Respiratória.4ºC de aumento de temperatura corporal dá-se um aumento de 10 batimentos cardíacos por minuto.  Torácica (após os 7 anos). Variações normais:  Rectal: 36. rectal. timpânica. prostração.  Toraco-abdominal (pré-escolar). Ter atenção ao estilo de vida. 19 Nádia Isabel Leonardo Perdigão.3ºC  Oral: 35.

20 Nádia Isabel Leonardo Perdigão.  Perna – artéria tíbia posterior. A primeira observação do RN é feita com um detalhe muito grande. Necessário registar tudo o que existe e o que não existe. face. agressivo. Tem por objectivo avaliar todas as características do individuo e se se encontram dentro do padrão. mucosas. alegre)  Interacção com os pais e enfermeiro (comportamento)  Linguagem (discurso coerente/fluente/confuso) É um padrão esta ordem. …)  Higiene (aspecto cuidado/pouco cuidado)  Postura (correcta. → Escolher a braçadeira mais adequada à criança e avaliar com a criança calma e relaxada.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL  Artéria pediosa dorsal. expressão emoções/bem-estar)  Aspecto físico (pele.adulto Pressão Arterial Também tem percentis. mas não quer dizer que o exame físico tenha de ser feito pela mesma. A observação geral é feita no primeiro contacto com a criança → é uma observação subjectiva. Idade Em repouso (acordado) 100-180 100-220 80-150 70-110 55-90 Frequência Em repouso (sono) 80-160 80-200 70-120 60-90 50-90 Exercício/Febre >220 >220 >200 >200 >200 Recém-Nascido 1semana – 3meses 3meses – 2anos 2anos – 10anos 10anos . cabeça. mas fundamental para a observação da criança. Locais onde avaliar a PA na criança:  Braço – artéria braquial. assimetria)  Estado de nutrição (emagrecimento.  Antebraço – artéria radial. bom estado)  Comportamento/Temperamento (agitado. Algumas delas são características necessárias à sobrevivência.  Coxa – artéria popliteia. Nº 1851 . Idade RN 1-11 meses 1-2 anos 3-5 anos 6-10 anos 11-14 anos >15 anos Pressão Arterial (60-90)/(40-60) mmHg (94-104)/(50-60) mmHg (98-109)/(56-63) mmHg (100-115)/(59-71) mmHg (105-123)/(67-80) mmHg (110-131)/(64-84) mmHg (113-130)/(50-84) mmHg Aparência Geral  Fácies (dismorfias. CLE 2008-2012.

Resultado de traumatismo no parto.Substância que cobre a pela do feto e que pode ainda cobrir o RN. ainda anormal das glândulas  Eritemas. Se tiver os 5 dedos “normais” registar para saber que esta avaliação já foi feita. O RN PréTermo pode ter em abundância e o RN de Termo tem apenas vestígios. Funcionamento sebáceas.Pelo muito fininho que há-de cair. No Recém-Nascido observar:  Vérnix Caseoso .  Mília .  Nevos congénitos . abusos.  Lanugo .  Equimose . 21 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. Nº 1851 .  Hemangiomas .Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Ex: se o ânus está perfurado ou não. mau estado nutricional.Resultado de traumatismo no parto. Verificar o número de dedos: em excesso ou “colados”.  Ao toque é geralmente suave. CLE 2008-2012. apenas utilizadas para datar a idade gestacional e caracterizar o bebé.à partida não são situações malignas.Sinais Vermelhos → alteração da microcirculação → mais vasos do que deveriam exis r. quente e seca. Mais abundante nos RN Pré-Termo.Nariz → Assemelha-se a borbulhas pequenas.  Petéquias . alterações físicas. sobretudo nas pregas cutâneas (“Creme Nívea um bocadinho sujo” → Descrição da prof). Pode haver má-formação que necessite de correcção imediata por vi cirúrgica. Pele  A cor e características da pela são determinadas geneticamente. Estas características não nos dizem nada de normal ou anormal. A observação da pele revela pistas significativas para problemas como má higiene corporal.  A coloração varia do branco leitoso ao castanho-escuro.

choro. podendo ser tocadas e lavadas sem exercer pressão. Cabeça e Face Observar:  Forma e simetria .  Textura. 22 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. sendo conveniente informá‐los que estas são cobertas por camadas de tecido protector. fronte). Durante os primeiros dias de vida é normal haver cavalgamento de ossos que deverá desaparecer. mas não muito proeminente.O achatamento de uma parte da cabeça pode indicar que a criança passa muito tempo na mesma posição. Por vezes os pais temem tocar as fontanelas.  Amplitude de movimentos. paralisia facial unilateral.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Observar:  Cor. e avaliar se à medida que o bebé cresce a fontanela encerra. CLE 2008-2012. Face Observar expressão facial e simetria:  Expressão de dor.  Lesões. O encerramento precoce inviabiliza o crescimento normal do crânio. Crânio  No Recém-Nascido e Lactente: ʘ Palpação das fontanelas e suturas. não devem estar hipertensas (balão) ou hipotensas (cavidade).  Controlo e postura da cabeça.  Suturas (entre 2 ossos) → também é palpável → junção de dois ossos que há-de calcificar.  Encerramento das fontanelas: ʘ A posterior encerra normalmente no primeiro mês. irritação. devem existir e não estar encerradas. Por vezes ainda não tem a cabeça bem formada. ʘ Medição de Perímetro Cefálico (até aos 36 meses). suturas e fracturas.  Estruturas desproporcionais (ex. ser pulsáteis. visto que esta é modelada pelo canal de parto → em partos complicados ou cesariana é vulgar ainda não ter o formato “normal” da cabeça.  Simetria facial (movimentos e aparência geral). apesar do aspecto ser um pouco convexo. anterior (osso frontal e parietais – bregma) e posterior (ossos parietais e occipital – lambda). ʘ A anterior não convém que encerre totalmente antes dos 18 meses.  Hidratação/Turgor.  Fontanelas. Nº 1851 . relação da simetria das estruturas faciais. Uma assimetria marcada é geralmente anormal e pode indicar um fechamento prematuro das fontanelas (craniocinestose).  Fontanelas (entre 3 e mais ossos) → dimensões.

ptose palpebral. simetria do septo. movimentos e higiene. integridade da mucosa. ausência de pestanas. Ouvido Higiene. infestantes). Implantações baixas estão associadas a anomalias renais ou atraso metal. Nº 1851 . humidade. textura. Para observar o tímpano: Criança com idade inferior a três anos – puxar o pavilhão auricular para baixo e para trás.  Esclerótida – cor e integridade. fenda palpebral. Avaliar a Visão O RN foca apenas entre os 20-30 cm que é a distância a que este se encontra da face da mãe quando está a mamar. papilas.  Íris – habitualmente de cores variadas. nível e simetria (exoftalmia. 23 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. exoftalmia. Nariz Forma. pestanas (edema. estrabismo.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Alinhamento dos pavilhões auriculares Implantação das orelhas – o topo da orelha deve estar em alinhamento com uma linha imaginária que vai da orbita externa do olho até à protuberância mais proeminente do crânio. CLE 2008-2012. nistagmo). integridade. tamanho. 1ª Dentição – 20 dentes (dentes de leite ou caducos)  6-12 meses – 8 dentes incisivos  12-18 meses – 4 primeiros pré-molares  18-24 meses – 4 caninos  24-30 meses – 4 segundos pré-molares Regra para calcular o número de dentes em crianças até aos 2 anos: Idade (meses) – 6 = nº dentes 2ªDentição – 32 dentes (dentes definitivos)  6 anos – 4 primeiros molares  10-12 anos – 4 segundos molares  18-21 anos – 4 terceiros molares A erupção dos dentes definitivos é mais precoce na rapariga que no rapaz A higiene começa logo após o nascimento.  Globo ocular – posição. Olhos  Pálpebras. Cavidade Oral Integridade e coloração.  Respirador Nasal Obrigatório → O RN não consegue respirar pela boca (anatomicamente não é possível). Erupção dos dentes O 1º dente aparece geralmente por volta dos 6 meses.  Pupila – forma. secreções. mas é muito variável. lesões e cerúmen (quantidade e cor). Boca e língua Cor. enoftalmia. é azul até ao 6º mês de vida. fluxo nasal (odor e aspecto). só o começa a fazer aos 1-2 meses Mucosa Nasal Cor. tamanho e reacção à luz.

difícil ou forçada. ʘ Profundidade – profunda ou superficial. 24 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. alopécia ou despigmentação. na articulação do braço e inguinais. número de mamas. periódica. simetria. Tórax Forma e simetria Ao nascer o tórax apresenta uma forma cilíndrica. irregular.  Tiragem – depressão inspiratória nos espaços intercostais e das regiões supraesternais e supra-claviculares. elasticidade. quentes. textura. Cabelo Cor. Na região cervical e inguinal pode medir-se até 1 cm. Nota: cabelos quebradiços. Função Respiratória ʘ Pulmões  Expansão torácica.  Dispneia – respiração difícil com uma sucessão de movimentos respiratórios amplos e quase sempre desconfortáveis. Sistema linfático Pesquisar os gânglios linfáticos ao redor da cabeça. indica dificuldade na expanção pulmonar. a partir dos 12 meses com o aumento do diâmetro transversal adquire uma forma elíptica e aos 7 anos tem uma forma semelhante ao dos adultos. Défices de audição podem comprometer o desenvolvimento e podem ser muito difíceis de diagnosticar. ʘ Qualidade – sem esforço. oleosos ou secos. Os nódulos aumentados. que normalmente indicam infecção ou inflamação tem uma localização proximal. Pode ser unilateral ou bilateral. ʘ Padrões respiratórios desviantes:  Taquipneia – frequência acima dos 60 cpm. Nº 1851 .Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Criança com idade superior a três anos – puxar o pavilhão auricular para cima e para baixo. distribuição e higiene. desenvolvimento mamário.  Respiração paradoxal – o tórax desce na inspiração e sobe na expiração. Audição Existem testes específicos de acordo com a idade.  Toraco-abdominal (pré-escolar). são normalmente frios e indolores. Podem ser palpáveis ou não. com presença de infestações.  Hiperpneia – profundidade aumentada.  Bradipneia – frequência respiratória abaixo do normal. Os gânglios linfáticos com diâmetro de 3mm são normais em qualquer região. Mamas e mamilos Localização. ʘ Ritmo – regular. ʘ Tipo de respiração  Abdominal ou diafragmática (lactente). CLE 2008-2012. No recém-nascido de ambos os sexos há ingurgitamento mamário até ao 14º dia.  Hiperventilação – frequência e profundidade aumentadas.  Apneia – interrupção da respiração por 15 segundos ou mais.  Torácica (após os 7 anos). automática.

Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Em consequência dessa dificuldade. e nas outras condições mencionadas. Respiração no lactente A frequência respiratória tem de ser avaliada durante um minuto. para que haja precisão. Ao mesmo tempo em que pode ser moderado. Sons adventícios: Crepitantes – passagem de ar através de fluidos ou humidade. ar ou massas sólidas no espaço pleural. A inspiração mostra-se mais alta e de tom mais agudo que na respiração vesicular. bilateral. A tiragem dever ser pesquisada em respiração espontânea e natural. Classificação dos Sons Respiratórios Normais Sons Vesiculares – ouvidos ao longo de toda a superfície dos pulmões. obstrução traqueal ou brônquica bilateral ou por condições associadas com a redução da complacência pulmonar. Sono – diminui a frequência respiratória. CLE 2008-2012. O ruído é brando e semelhante a um assobio.  O adejo nasal é um sinal muito importante de dificuldade respiratória nos bebés. mais longa e com um tom mais agudo que a expiração. Sons reduzidos ou ausentes – poderá significar presença de secreções. a tiragem é unilateral. Respiração no recém-nascido Variações comuns/Alterações secundárias: Choro – aumenta a frequência respiratória. inflamação e fibrose pulmonar. Sons brônquiais . Sibilantes – passagem de ar por passagens estreitas. Na obstrução brônquica regional. A inspiração é mais alta. como edema. pode causar esse batimento das asas do nariz. o que explica a tiragem. espasmo ou temor. Adejo  Aumento do tamanho das narinas durante a respiração. uma vez que são irregulares. Nº 1851 . O batimento das asas do nariz indica que a pessoa precisa de um maior esforço para respirar. próximos à fenda supra-esternal.  Doença da membrana hialina. A fase inspiratória mostra-se curta e a expiratória longa. para a manutenção da ventilação alveolar é necessário que ocorra uma queda maior da pressão intrapleural. Causas:  Obstrução das vias respiratórias. 25 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. Poderá indicar exsudação. e não se deve solicitar que o doente realize uma inspiração profunda.  Epiglotite aguda.  Asma (situações de agudização). Pode ocorrer por obstrução brônquica regional. Qualquer condição que provoque um maior esforço para obter ou ar suficiente de que a pessoa necessita. inflamação. esse batimento pode também por a vida da pessoa em risco. Sons broncovesiculares – ouvidos ao longo do manúbrio e nas áreas intra-escapulares superiores na zona da bifurcação da traqueia e brônquios. excepto na região intra-escapular superior e na área abaixo do manúbrio. Durante as primeiras 8 horas de vida a frequência respiratória pode atingir os 80 ciclos por minuto.ouvidos apenas ao longo da traqueia.  Movimento das narinas (abrir e fechar) que ocorre em situações de dificuldade respiratória na criança pequena.

Nº 1851 . Observar o abdómen quanto à forma.  Na artéria braquial. ritmo e simetria das pulsações.  Observar possíveis sinais de inflamação e infecção. Função cardíaca A apreciação da função cardíaca é preferencialmente realizada com a criança sentada ou na posição de semi-fowler. mesmo quando estão acordadas e activas.  Na artéria femoral. deverá colocar. Respiração no escolar Sempre que possível. para sentir a frequência respiratória. Nas crianças saudáveis. Em decúbito dorsal apresenta-se plano. tensão.  Cai espontaneamente. maior capacidade vital. a avaliação da frequência respiratória deve ser feita quando a criança estiver em descanso. o repouso faz com que os valores regressem à variação normal. levemente. simetria. No recém-nascido observar o coto umbilical:  O coto umbilical deteriora-se através de um processo de mumificação. O abdómen dos lactentes e das crianças mais novas apresenta uma forma cilíndrica acentuada. Na posição erecta apresenta-se ligeiramente proeminente devido à lordose fisiológica da coluna. As avaliações feitas durante o sono são as mais significativas. presença de movimentos peristálticos. Num ambiente com ruído ou num lactente com a respiração muito rápida e pouco profunda. o que aumenta o volume de ar em cada respiração. Na criança a o pulso pode ser avaliado:  Sobre o ápice cardíaco. Resulta numa diminuição da variação média da frequência respiratória. Respiração no toddler e pré-escolar As frequências continuam a ser mais rápidas que as dos adultos. Localizar o pulso apical. contando os movimentos abdominais. A frequência respiratória tem de ser avaliada durante um minuto. a mão sobre o abdómen da criança.  Na artéria pediosa dorsal. A frequência respiratória tem de ser avaliada durante 1 minuto para que haja precisão.  Na artéria radial.  Lateral à linha média clavicular esquerda e ao quarto espaço inter-costal → crianças maiores de 7 anos. Abdómen A observação do abdómen deve ser realizada com a criança posicionada em decúbido dorsal e erecta.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL As respirações são diafragmáticas → observar os movimentos abdominais. para que haja precisão.  Na linha média clavicular esquerda e no quinto espaço inter-costal → crianças menores de 7 anos de idade. 26 Nádia Isabel Leonardo Perdigão.  Na artéria carótida. Observar e registar – frequência. CLE 2008-2012. Respiração no adolescente Os pulmões aumentam em tamanho. Maior volume. tensão.  Em média a queda dá-se entre o 7º e o 14º dia de vida. aumento das inspirações.

Movimentos abdominais – nos lactentes. 27 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. gradualmente se atrofiam até quase se tornarem invisíveis durante a adolescência. Pseudo-Menstruação → ao 2º ou 3º dia existe perda hemática Engurgitamento mamário → pode haver algum corrimento mamário (“Leite das Bruxas”) Ocorrem devido à passagem de hormonas da mãe para a bebé o que faz com que os órgãos funcionem. Hérnias da parede abdominal:  Hérnia umbilical – comum nos lactentes.  Presença de massas nos lábios.  Meato urinário – localização. Característico e normal.  Orifício vaginal – presença e tipo de hímen.  Lábios fundidos. geralmente grandes e edemaciadas no RN.  Ausência da abertura vaginal. Atenção ao desenvolvimento dos caracteres sexuais e desenvolvimento genital feminino – 5 estádios. os movimentos peristálticos poderão ser observados através da parede abdominal. Nº 1851 .  Pequenos lábios – geralmente proeminentes no RN. à partida não é grave. CLE 2008-2012. em especial em crianças negras. Exemplos de desvios:  Clítoris aumentado com o meato urinário na extremidade. É expectável que até aos 2 anos esta tenha regredido.  Clítoris – localização e tamanho. Visto que é fisiológica. higiene e possíveis alterações.  Escroto – pendular.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Pele do abdómen – deve estar uniformemente lisa. Masculinos Observação:  Meato urinário: apical. com pregas. Pode ser observada ou palpada na superfície anterior da coxa abaixo do ligamento inguinal no canal femoral. sem prega ou rugas. Geralmente edemaciados no RN. Genitais Femininos Observação:  Grandes lábios – cobrem os pequenos lábios.  Hérnia femoral – ocorre mais frequentemente no sexo feminino.  Observar a presença de esmegma → corrimento vaginal esbranquiçado da RN. frequentemente bilateral. Geralmente edemaciado no RN. Atenção ao desenvolvimento dos caracteres sexuais e do desenvolvimento genital masculino – 5 estádios. A retracção forçada pode causar lesão.  Prepúcio – recobre toda a glande e não é retráctil.  Hérnia inguinal – comum em crianças do sexo masculino.  Testículos – palpáveis em cada lado da bolsa escrotal. Visível como uma massa na região escrotal. ʘ Fimose Fisiológica → Incapacidade de fazer a retracção do prepúcio. O umbigo – deve apresentar-se protuberante. Observar o tamanho.

ʘ Número de dedos das mãos e dos pés. Ombros. ʘ Esfíncter anal – recorrendo ao reflexo anal. Exemplos de desvios: ʘ Fissuras ou fístulas anais. Coluna direita com flexão fácil. No RN – a coluna apresenta-se arredondada. respiratório e cardíaco. textura. ʘ Presença de massas no escroto. ʘ Pulsos femorais. a forma. ʘ Espispádias – abertura do meato urinário na superfície dorsal do pénis. ʘ Grau de flexão. em forma de C. ʘ Atresia anal – ânus imperfurado (no RN). ʘ Testículos não palpáveis na bolsa escrotal. RN apresenta apenas 2 curvaturas → curvaturas primárias. omoplatas e cristas ilíacas alinhadas no mesmo plano. ʘ Forma dos pés. é importante observar o aparecimento dos caracteres sexuais secundários tal como o crescimento de pelos 28 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. Avaliar: ʘ Temperatura e cor. a partir das curvas torácica e pélvica. ʘ Ausência do reflexo anal (no RN).Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Exemplos de desvios: ʘ Hipospádias – abertura do meato urinário na superfície ventral do pénis. Unhas Observar a cor. ʘ Abertura anal permeável. Para que surjam as outras duas é necessário que o corpo seja sujeito ao seu próprio peso e à força da gravidade. ʘ Curvatura ventral do pénis. Observação: ʘ Nádega e simetria das pregas glúteas. Ânus A criança tem de ser posicionada em decúbito ventral. Nº 1851 . ʘ Tónus muscular. Manobra de Ortolani – no RN e primeiros meses para detectar a luxação congénita da anca. Coluna Vertebral Observar a mobilidade e a curvatura geral. elasticidade e higiene. ʘ ʘ ʘ ʘ Extremidades Observar: ʘ Amplitude e simetria no comprimento e no tamanho. Podem dar informações sobre estado nutricional. Causada por posições durante a gravidez e parto. qualidade. ʘ Forma dos ossos dos membros. distribuição. Manobra de rotação e flexão da coxa. CLE 2008-2012. Nas crianças que estão na puberdade.

Nº 1851 29 . Durante o seu desenvolvimento o cérebro forma e retém as sinapses frequentemente utilizadas. Na 1ª metade do desenvolvimento intra-uterino desenvolvem-se no feto o número final de células nervosas. Sinapses – As sinapses desenvolvem-se muito rapidamente durante os primeiros meses de vida atingindo a máxima densidade entre os 6 e os 12 meses. olfacto e paladar e é capaz de sobreviver respirando e mantendo o equilíbrio ácido-base por causa desta mielinização inicial.O comportamento do bebé é um indicador importante do funcionamento do SNC sendo de suspeitar quer de um bebé excessivamente calmo e pouco reactivo quer de um bebé demasiado irritável. ʘ Comportamento . O crescimento post natal deve-se ao aumento em tamanho dos neurónios e ao aumento do número de células de sustentação (células da glia). substância que aumenta a velocidade de transmissão dos impulsos nervosos. A mielina. A mielinização dos neurónios inicia-se no 4º mês de gestação e continua até aos 4 anos. O peso do cérebro do recém-nascido é aproximadamente 300gr (10% do peso corporal) em contraste com o do adulto que é cerca de 2% do peso corporal. atenção à voz humana. Por isso. Neurónios – O ser humano nasce com o seu repertório completo de neurónios. o recém-nascido tem um sentido apurado de audição. A partir desta idade diminuem por falta de utilização. O desenvolvimento neurológico acontece no sentido cefalocaudal e proximodistal. fechar os olhos na presença Nádia Isabel Leonardo Perdigão. razão pela qual as experiências precoces são vitais para a formação e retenção de sinapses. Polidactilia – desenvolvimento do número de dedos da mão ou do pé superior ao normal. assustar-se com barulhos fortes.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Desvios: Sindactilia – união de dois ou mais dedos podendo incluir a fusão dos ossos ou da pele entre os dedos (formando um tecido membranoso único). Linha Símia – linha transversalmente disposta à mão que atravessa de uma extremidade à outra → pode estar associada a algumas Síndromes. Nos meses seguintes há um rápido crescimento dos neurónios e por último. CLE 2008-2012. no fim da gestação e até aos 4 anos de vida aumentam o número de células da glia e de dendritos. O desenvolvimento do sistema nervoso é progressivo durante a vida intra-uterina e continua após o nascimento. Pé plano Joelho Varo Joelho Valgo Sistema Nervoso Central O sistema nervoso do recém-nascido é imaturo. desenvolvimento de processos neurais. (dedos Supranumerários – podem ou não ter estrutura óssea (cotos)). O peso do cérebro aumenta com a idade e alcança o peso adulto entre os 6 e os 14 anos de idade. desenvolve-se primeiro nos transmissores dos impulsos sensoriais. A observação do comportamento deve fazer-se em termos da resposta do bebé a estímulos externos nomeadamente. sinapses e mielinização.

Reflexos . punhos cerrados. Postura e tónus muscular . ʘ ʘ ʘ ʘ Reflexos Pontos Cardinais ʘ Estimulação – tocar o lábio.o movimento espontâneo é assíncrono (as pernas movimentam-se em bicicleta) mas com igual extensão de todas as extremidades. É um facto cientificamente aceite que se um grupo de reflexos primitivos se mantiver este é indicativo de disfunção do SNC. ʘ Resposta – inicia movimentos fortes de sucção. Problema nos RN de Prétermo – o SNC ainda não está completamente desenvolvido e não tem este reflexo → falta de autonomia alimentar.Braços e pernas em flexão moderada. Com o dedo conseguimos avaliar a força de sucção. Os terapeutas do desenvolvimento denominam esta situação de atraso no desenvolvimento. Estes reflexos devem estar presentes no nascimento e fornecem indicações sobre o funcionamento do SNC.Durante o desenvolvimento fetal emerge um grupo de reflexos denominados reflexos primitivos. Choro . Nº 1851 . Movimentos assimétricos podem indicar lesão de nervos (paralisia de Erb). o profissional de saúde deva estar familiarizado com as tonalidades do choro dos bebés saudáveis. choro quando é despido e quando não é alimentado na altura certa. bochecha ou canto da boca do bebé. Sucção ʘ Estimulação – introduzir dedo. Necessário estar em pleno funcionamento quando o bebé nasce. postura e movimentos voluntários. Este comportamento é mais intenso se o bebé tiver fome.O tipo de choro também é um indicador do funcionamento do sistema nervoso central embora para avaliar os desvios da normalidade. A pressão pré-natal sobre um membro ou um ombro pode provocar assimetria facial temporária ou resistência à extensão das extremidades. com rotação da cabeça para um e outro lado.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL súbita de uma luz forte. chucha ou mamilo na boca do bebé. ʘ Resposta – o bebé roda a cabeça em direcção ao estímulo. Movimento . No entanto. Consultar os registos maternos relativamente à apresentação fetal. À medida que os reflexos primitivos vão sendo inibidos emerge outro grupo de reflexos denominados reflexos posturais que ajudam a criança a lidar com as exigências do ambiente gravitacional formando as bases para o controlo automático do equilíbrio. de ossos (fractura da clavícula) ou anomalias neurológicas (Síndrome de Moebius). Estimula-se o palato e não as bochechas ou a língua. A hipotonia pode ser avaliada suportando o bebé pelas axilas: um bebé com um tónus normal fica facilmente suspenso enquanto que um com hipotonia escorrega através das mãos do examinador. 30 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. CLE 2008-2012. posição e tipo de parto dado que o recém-nascido assume rapidamente a posição prénatal e assim pode apresentar membros inferiores direitos e rígidos quando a apresentação foi de pelve total. Na altura do nascimento todos os reflexos se originam na stem cerebral com controlo cortical mínimo. Estes reflexos devem ir-se inibindo de forma progressiva ao longo do 1º ano de vida. Outra forma de testar o tónus é colocar o bebé com o abdómen e tórax sobre a mão do examinador: um bebé com boa tonicidade tenta levantar a cabeça e membros inferiores enquanto um bebé hipotónico fica pendurado. o choro estridente e um bebé que não se acalma com o consolo humano possam ser indicativos de alterações a nível do SNC.

Reptação ʘ Estímulo: colocar o bebé em decúbito ventral. Protusão ʘ Estimulação: tocar a ponta da língua do bebé. alternando flexão e extensão dos pés. Estimulada a ponta da língua. ʘ Resposta: abdução e extensão simétrica dos membros superiores. os membros superiores fazem uma posição de adução na posição de abraço e retornam à flexão e movimentos relaxados. permitindo que um pé toque a superfície da mesa. Capacidade de se abstrair. tipo bater palmas. ʘ Estimulação: segurar o bebé em posição semi-sentada. Marcha automática ʘ Estímulo: Segurar o bebé em posição vertical. as mãos mantêm-se cerradas. Preensão plantar: ʘ Estimulação: pressionar a planta do pé. rodar a cabeça rapidamente para um lado. os dedos afastam-se formando um C com o polegar e o indicador. Só desaparece aos 4 meses → só nesta altura se pode alimentar à colher. ʘ Resposta: o bebé pestaneja nos primeiros 4-5 toques. Sobressalto ʘ Estímulo: som forte. ʘ Resposta: o bebé executa movimentos de reptação com as pernas e braços. 31 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. Só reage às primeiras vezes. ʘ Resposta: o bebé força a língua para fora. ʘ Resposta: os dedos do bebé envolvem o dedo do examinador. o membro superior e inferior flectem-se no lado oposto (posição de esgrima).Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Preensão palmar ʘ Estimulação: colocar um dedo na palma da mão do bebé. Desaparece cerca dos 3-4 meses. Reflexo de protecção – se qualquer coisa entrar na boca da criança. esta tende a deitá-la fora. os RN de termo andam sobre as plantas dos pés e os prematuros sobre os dedos. ʘ Resposta: o membro superior e inferior do lado para o qual a cabeça é rodada ficam em extensão. ʘ Resposta: os dedos flectem-se. num ângulo de pelo menos 30º. junto à raiz dos dedos. Glabelar ( de Myerson) ʘ Estimulação: tocar a testa acima do septo nasal do bebé. ʘ Resposta: o bebé simulará a marcha. CLE 2008-2012. cujos olhos estão abertos. Moro Situações em que há desequilíbrio. deixar que a cabeça e o tronco descaiam para trás. Os membros inferiores podem apresentar idêntico padrão de resposta. ʘ Resposta: membros superiores em abdução com flexão dos cotovelos. curvando-se no sentido da pressão. Tónico cervical ʘ Estimulação: com o bebé no estádio 5 ou 6. Nº 1851 .

depois do outro. 32 Nádia Isabel Leonardo Perdigão.  Substituição.  À partida não se retrocede de um estádio para o anterior. ʘ Processos bioquímicos. o bebé tentará endireitar a cabeça. ʘ Resposta: a cabeça descai até o bebé estar na vertical. fazer deslizar um dedo a cerca de 4 a 5cm laterais à coluna.  Perdas: Ex: para ter controlo postural. Tracção ʘ Estímulo: puxar o bebé pelos punhos. CLE 2008-2012. Envolve também a perda de neurónios (poda) após fase de crescimento dos mesmos. antes de cair para a frente. ou seja. da posição de decúbito dorsal até sentado. flectir parcialmente os dois membros inferiores e exercer pressão sobre as plantas dos pés. ʘ Resposta: os membros inferiores devem opor-se à pressão do examinador num movimento de extensão.  Mudança na estrutura. funcionamento e complexidade ao nível das: ʘ Células.  Aumento do número de células. se estes não forem usados e explorados. Encurvamento do tronco (Galant) ʘ Estimulação: em decúbito ventral sobre uma superfície plana. com a cabeça na linha média. começando no calcanhar e prosseguindo pela face lateral externa e raiz dos dedos.  Hipertrofia. Nº 1851 .  Inicia-se na concepção e prossegue até à idade adulta. Apenas em algumas situações de crise (ex: hospitalização) pode regredir um pouco e ter alguns comportamentos do estádio anterior. passa por todos os estádios. ʘ Resposta: hiperextensão de todos os dedos com dorsi-flexão do halux.  Não passa um estádio em vão. Crescimento e Desenvolvimento Infantil Crescimento  Processo contínuo e dinâmico que conduz ao aumento do tamanho do corpo.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Babinsky ʘ Estímulo: pressionar com um dedo a planta do pé. Crescimento e Desenvolvimento Envolve uma mudança de estádio menos avançado para outro de maior complexidade mas também pode envolver perdas e mudanças de comportamentos. Magnete ʘ Estimulação: com o bebé em decúbito ventral.  Hiperplasia. primeiro de um lado. necessita perder alguns reflexos. ʘ Resposta: o tronco flecte-se e a pelve desloca-se para o lado estimulado. ʘ Processos metabólicos. depois a cabeça manter-se-á momentaneamente no mesmo plano com o tórax e os ombros.

 O crescimento e o comportamento infantil são categorizados em grupos etários ou em estádios de desenvolvimento. Educação e treino . Aprendizagem Processo de adquirir conhecimento específico e adquirir hábitos Através: Experiência .  Mudança na complexidade. do Comportamento em consequência de:  Maturação das capacidades física e mental. da função física e mental.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Os Componentes interrelacionais do desenvolvimento humano Crescimento Maturação Desenvolvimento Humano Aspectos Psicomotores Aspectos cognitivos Aspectos emocionais Experiência Adaptação Desenvolvimento Modificações padronizadas. Maturação Emerge do potencial genético para a mudança a nível: da forma. da organização. CLE 2008-2012. Crescimento e Desenvolvimento Grupos Etários Grupo que responde a um conjunto de características que nos interessam → não olha a individualidade da criança. 33 Nádia Isabel Leonardo Perdigão.  Aprendizagens. das Sensações. da integração. da complexidade.precisamos fazer para aprender. Conduz:  Aumento da capacidade e da adaptabilidade. da estrutura.quando se aprende a fazer uma coisa. temos de “desaprender” outra.se nos apresentarem as experiências. Mudança de comportamento .  Mudança qualitativa. ao longo da vida do Pensamento. ordenadas.  Experiências. Nº 1851 . a aprendizagem fica facilitada.

Nº 1851 . mental. social e emocional faz-se a partir de operações simples para actividades e funções mais complexas.   Diferenciação – O desenvolvimento físico.A transição para a adolescência dá-se com a puberdade (a idade é só para referência. Esta categorização permite – descrever as características associadas à maioria das crianças nos períodos em que as alterações nítidas de desenvolvimento aparecem e que as tarefas específicas devem ser realizadas. Tendência Próximo-Distal – da linha média para a periferia. Não podem ser aplicados a todas as crianças com exactidão. não é regra). ʘ ʘ Padrões de Desenvolvimento Direcção Céfalo-Caudal – da cabeça para as extremidades.  Princípio da Assincronia 34 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. do geral para o específico Princípios da Descontinuidade do Desenvolvimento  Refere-se às modificações em velocidades diferentes do crescimento em períodos de tempo diferentes durante o decurso de vida. O desenvolvimento não é linear: Momentos de elevado desenvolvimento. CLE 2008-2012. Não tem em conta os aspectos individuais de cada criança. Lactente – 0 aos 12 meses. Momentos de baixo desenvolvimento. Primeira Infância – 1 aos 6 anos  Toddler – 1 aos 3 anos  Pré-Escolar – 3 aos 6 anos Segunda Infância ou Escolar – 6 aos 10/11 anos Infância Tardia – 11 aos 18 anos  Puberdade – 11 aos 13 anos  Adolescência – 13 aos 18 anos .  As estruturas e os órgãos do corpo crescem em velocidades diferentes.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL     Os limites de cada um dos grupos etários não são rígidos.  Uma tarefa de desenvolvimento implica uma série de habilidade e competências específicas a cada estádio que as crianças devem realizar ou dominar para lidarem com eficácia no seu meio ambiente. ʘ ʘ ʘ Pré-Natal – Da concepção ao nascimento.

 O não uso das habilidades pode causar: perda do neurónio e redução ou perda da função. 35 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. ʘ Família e sociedade. Nº 1851 .  Velocidade de Desenvolvimento – Existe uma ordem invariável e precisa para o desenvolvimento. ʘ Do desenvolvimento do sistema músculo-esquelético. ʘ Normalidade física e psicológica.O treino de uma habilidade que já tem ajuda ao seu desenvolvimento e a aquisição de novas habilidades. mas este não ocorre sempre à mesma velocidade e ritmo. ʘ Estimulação intelectual. existe uma sequência ordenada. CLE 2008-2012. ʘ Circunstâncias gestacionais.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Regressões momentâneas → devido à necessidade de canalização de energia para uma nova actividade.  Princípio da Bilateralidade – a capacidade de crescimento e desenvolvimento é simétrica. Tendência Secular de Crescimento          O desenvolvimento é influenciável  O uso de habilidades estimula o desenvolvimento . ʘ Circunstâncias económicas.  A capacidade da criança para o desempenho de determinada tarefa física depende: ʘ Da maturação da estrutura neurológica do cérebro.             Factores que influenciam o crescimento e desenvolvimento ʘ Hereditariedade. ʘ Influência ambiental e emocional. definida e previsível. contínua. ʘ Nutrição.  Tendências Sequenciais – Em todos os aspectos do crescimento e desenvolvimento. ʘ Hormonas.

ʘ Explicar aos pais o objectivo do teste. 6 meses. 4 meses.Se a criança não estiver à vontade não conseguimos avaliar porque a criança não vai fazer aquilo que era suposto. 2 meses. de certas técnicas que podem ser utilizadas de forma rápida por pessoal menos especializado. ʘ A sequência da aplicação do teste deve ser flexível e adequa às circunstâncias. Objectivos dos Exames de Saúde Avaliar o crescimento e desenvolvimento e registar. ʘ Começar por uma área de competências que possa ser avaliada sem interferências. o enfermeiro pode identificar que a criança tem alguma área com maior dificuldade e depois envia a criança para um técnico especialista. ʘ A criança deve estar confortável . 1-3 anos – 12 meses. a todas as crianças que nascem. CLE 2008-2012. Linguagem. 15 anos. os dados antropométricos e outros do desenvolvimento físico. nomeadamente no Boletim de Saúde Infantil e Juvenil. 2 anos. 8 anos. 4-9 anos . Nº 1851 .4 anos.S. Socialização/cognição. susceptíveis de indicar a presença ou ausência de determinadas deficiências. 9 meses.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Avaliação do Desenvolvimento Infantil É o rastreio e aplicação. Sensorial. Mary Sheridan e Denver – Motor grosso. Periodicidade da avaliação Infantil Primeiro ano de vida – 1º mês. No caso do desenvolvimento. 18 anos. (1967) Princípios da avaliação do desenvolvimento infantil: ʘ A criança deve ser envolvida em actividades lúdicas. Motor fino-adaptativo. Avaliação do Desenvolvimento Instrumentos de avaliação do desenvolvimento infantil O instrumento de avaliação deve ser utilizado por técnicos que possuam formação e competência para usá-lo. 3 anos. Se o resultado for positivo. nos suportes próprios. indicando a presença certa ou provável de deficiência. 1 mês. Schedule of Growing Skills – avalia competências: ʘ Controlo Postural Passivo ʘ Controlo Postural Activo ʘ Locomotoras ʘ Manipulativas ʘ Visuais ʘ Audição e Linguagem ʘ Fala e Linguagem ʘ Interacção ʘ Autonomia Pessoal 36 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. bem como parâmetros do desenvolvimento psicomotor. 10-18 anos – 11-13 anos (exame global de saúde). a criança deve ser enviada a um centro especializado de diagnóstico e acompanhamento. O. 18 meses.M. 5-6 anos (exame global de saúde). Pessoal social. escolaridade e desenvolvimento psicossocial. 15 meses.

se consegue andar com apoio e sozinho. …  Posição de sentado. sem apoio. Esta área de competência é avaliada do 0 – 12 meses. em diferentes condições. Vai-se elevando à medida que vai crescendo. sem intervenções do examinador. Começa a brincar com os pés aos 5 meses (último estádio do decúbito dorsal). A criança não faz qualquer esforço. ʘ Recém-nascido – tem a cabeça descaída em relação ao tronco. Aptidão no controlo postural activo: Permite avaliar os movimentos. se consegue levantar sozinho. CLE 2008-2012. Maior curvatura = Menor controlo.  Escadas. Nº 1851 . ʘ Até 6 semanas – cabeça virada para um dos lados. A criança já tem de exibir vontade própria nos movimentos. Está dividida em grupos de competências ou subescalas que são:  Decúbito dorsal. impostas pelo examinador. as actividades locomotoras que a criança realiza activamente sozinha. ʘ Levanta as ancas. ʘ Se consegue segurar o peso do corpo. muito ou pouco tempo. Esta área de competência é avaliada do 1 – 6 meses → Só se a criança tiver alguns desvios e não tiver adquirido algumas habilidades é que se continua a avaliar durante mais tempo. …  Posição de pé. só depois um em cada degrau. ʘ Com apoio.  Tracção pelas mãos para se sentar. Faz uma avaliação mais profunda – utilizada pelos técnicos para onde referenciamos as crianças que suspeitamos terem alguma dificuldade. ʘ Olhar para a curvatura quando a criança está sentada. Está dividida em grupos de competência ou subescalas que são:  Decúbito ventral. ʘ 6 Semanas – posição de cabeça alinhada com o corpo – se este comportamento já existir é pontuado.  Suspensão ventral. primeiro subir e depois descer. ʘ Primeiro dois pés no mesmo degrau.  Postura sentada. Está dividida em grupos de competências ou subescalas que são:  Locomoção. 37 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. ʘ Aos 2/3 meses já vem com a cabeça alinhada.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Escala de desenvolvimento de Griffiths – tem como objectivo fazer a avaliação da criança dos 0 aos 8 anos. Esta área de competência é avaliada do 9 – 60 meses. Estes instrumentos são utilizados como rastreio nos programas de saúde infantil Escala de avaliação das competências no desenvolvimento infantil II Aptidão no controlo postural passivo: Permite avaliar os movimentos e o controlo passivo da criança. Competências de locomoção: Todas as tentativas que a criança faz para se deslocar. 4/5 meses já ajuda a levantar a cabeça para se sentar.

 Higiene e vestir. Desde recém-nascido que tem capacidade visual. Está dividida em grupos de competências ou subescalas que são:  Função visual. A compreensão visual vai evoluindo até a criança ser capaz de compreender visualmente os objectos. Está dividida em grupos de competências ou subescalas que são:  Comportamento social. Está dividida em grupos de competências ou subescalas que são:  Alimentação. Está dividida em grupos de competências ou subescalas que são:  Vocalização. Nº 1851 . Competências na audição e linguagem: Esta área de competência é avaliada do 0 – 60 meses.  Desenho da figura humana.  Compreensão da linguagem. Está dividida em grupos de competências ou subescalas que são:  Aptidão manual.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Competências manipulativas: Esta competência inicia-se com a observação das mãos.  Cubos. Esta área de competência é avaliada do 6 – 60 meses. Competências na autonomia pessoal: Avalia a capacidade para realizar tarefas relacionadas com o grau de autonomia individual.  Desenho. Esta área de competência é avaliada do 1 – 60 meses. Competências na interacção social: Relaciona-se com as respostas sociais a estímulos provenientes do meio ambiente. Esta área de competência é avaliada do 1 – 60 meses. 38 Nádia Isabel Leonardo Perdigão.  Linguagem expressiva. Está dividida em grupos de competências ou subescalas que são:  Função auditiva. CLE 2008-2012.  Compreensão visual.  Brincar. Esta área de competência é avaliada do 1 – 60 meses. Competências visuais: Analisa a resposta funcional a estímulos visuais. A criança e a dor As agressões físicas ou emocionais e a dor devem ser reduzidas ao máximo. Competência na fala e linguagem: Esta área de competência é avaliada dos 1 – 60 meses. distância a que fica da face materna na hora da mama. apesar de ainda não ser nítida – distância óptima de focagem: 25-30cm.

associada a uma lesão tecidular real ou potencial. Conceito “…uma experiência sensorial e emocional. página 86) 39 Nádia Isabel Leonardo Perdigão.  Em dores com alguma intensidade a terapêutica não-farmacológica sozinha não é eficaz → deve ser u lizada em conjunto com a terapêutica farmacológica. podendo manifestar-se com várias características e gerar diversos estádios patológicos. 1979) → Tende-se a valorizar cada vez mais aquilo que o outro diz que é. geralmente desagradável. ou descrita nestes termos” IASP (Associação Internacional para o Estudo da Dor.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL (5º Princípio da Carta da Criança Hospitalizada) → Ter atenção: há crianças que não têm forma de se expressar e dizer que têm dor. Teoria do Controlo da Portão – Melzack e Wall (1965/87)  O estímulo doloroso ocorre por diferentes vias e é multifactorial. Mitos Apenas em 1987 se começa a enfatizar a dor como “algo negativo. ou pode levar à exaustão e exacerbação da mesma. “Dor crónica: dor prolongada no tempo. que causa sofrimento. Nº 1851 . normalmente com difícil identificação temporal e/ou causal. As crianças não reagem nem manifestam a dor da mesma forma. causador de sofrimento e não modeladora de carácter”. (Pereira – 2000. CLE 2008-2012. e a mesma manifestação pode não corresponder sempre à dor – Ex: choro.” Portal da Saúde → A pessoa pode ir adquirindo estratégias para gerir a dor.

as crianças recebem metade dos analgésicos dos adultos. Cuidados de Enfermagem “Os cuidados de enfermagem estão na base de uma gestão eficaz da dor” McCaffery (1994) e Sullivan (1994) Estão na base porque são os técnicos que mais tempo passam com a criança. (Biscaia. funcionando inicialmente como centro reflexo e em seguida como centro de reacção. de pelo menos 2 analgésicos IV – 1 opióide fraco (tramal) e um não opióide. Nº 1851 . Só os toddlers começam a apontar. (1990) – 14 adultos e 14 crianças: as crianças receberam menos de metade dos analgésicos dos adultos (42%). 5 em SOS.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Ainda em 1952 o cérebro do recém-nascido era descrito como imaturo. com situação patológica idêntica  Monteiro. s/d)  Receio de sobre-medicar potenciando o risco de depressão respiratória e perigo de adição.muitas vezes a criança pode esconder a sua dor.  As crianças não conseguem localizar a dor – a criança pequena não localiza a dor e reage como se fosse global. por vezes com receio do tratamento. tendem a mostrar comportamentos mais exacerbados. como possuem memória da dor. Só recentemente a criança atingiu o estatuto de pessoa. sendo comum negligenciar-se os cuidados de saúde de alívio da dor. todos no intra-operatório. 40 Nádia Isabel Leonardo Perdigão.  Monteiro. Das crianças apenas 9 tinham prescrição – paracetamol rectal. enfermeiras e a investigadora avaliaram a intensidade da dor das crianças significativamente mais baixas em relação à auto-avaliação das crianças → a heteroavaliação da dor tende a ter valores mais baixos do que a autoavaliação. As crianças que foram submetidas a procedimentos dolorosos não controlados. as mães. CLE 2008-2012.  As crianças dizem sempre a verdade a respeito da dor .  As crianças acostumam-se à dor ou a procedimentos dolorosos – compeltamente falso. (2002) – a avaliação da dor pós-operatória de 30 crianças: as médias da intensidade da dor pós-operatória foram globalmente elevadas. A.  Lactentes não sentem dor – por não se conseguir descodificar as reacções à dor acreditava-se nisso e achava-se que o choro fosse reacção a outra coisa.  As manifestações corporais reflectem a intensidade da dor. (Wong – 2006. apenas 13 % eram opióides fracos administrados IV. sendo desta maneira a melhor pessoa para gerir. página 600) Evidência Científica  Eland (1975) – apenas metade de 25 crianças operadas receberam algum tipo de analgesia.  As crianças toleram melhor a dor que os adultos. Está provado o inverso.  Mather (1981) – a prescrição em SOS era interpretada pelas enfermeiras como “o mínimo possível” → era preciso que já houvesse dor e de intensidade considerável para que se administrasse prescrição de SOS ao invés do que se passa hoje → administrar antes que doa. com um deles em horário regular. dos adultos todos tinham prescrição.  Schechter (1986) – a prescrição em SOS é interpretada por médicos e enfermeiros como “o menos possível”. A.  A criança metaboliza fármacos mais lentamente que um adulto – pode levar a pensar que necessitam de administração de fármacos com menor frequência que os adultos porque estes se encontram mais tempo em circulação → Falso.

 Choro alto – não chora com lágrimas.  Estratégias de conforto.  Verbaliza a dor mas não sabe identificar o tipo ou intensidade. não compreende o conceito de que “esta picada magoa mas vai fazer com que fiques melhor” – só percebe coisas muito objectivas → a dor para ficar bom não faz sentido para a criança.  Agitação ou agressividade – pontapés. Pré-Escolar  Verbaliza que “magoa”. Toddler  Lábios apertados.  Antecedentes de dor → experiências anteriores não controladas – dor aparentemente de maior intensidade. Percepção da Dor Pode-se considerar a dor infantil como complexa devido a:  Mediadores de percepção e do comportamento da dor: predisposição biológica (sexo. Nº 1851 . São quem tem a responsabilidade de administrar a terapêutica prescrita → Avaliação sistemática dos resultados obtidos face às estratégias utilizadas → permite fazer as adaptações prescritas necessárias. distracção. …) – dor aparentemente de menor intensidade. CLE 2008-2012. tem mais medo da dor que a criança escolar – fase da fantasia.  Não demonstra associação entre aproximação do estímulo e dor associada. atirar com objectos por raiva – começas a ter tentativas de contenção/controlo da dor.  Comunicar ao médico as conclusões das avaliações da dor.  Resistência física empurrando o estímulo para longe depois de aplicado. bater.  Utilizar estratégias de alívio da dor.  Expressão facial de dor ou raiva – como o RN mas de olhos abertos. morder. Lactente  Resposta corporal localizada com afastamento da área estimulada. características individuais da criança.  Avaliar a necessidade de alteração nas estratégias. características genéticas.  Tem capacidade de apontar para a zona dolorosa. Reacções/ Manifestações de Dor Recém-Nascido  Resposta corporal generalizada envolvendo rigidez ou agitação e afastamento da área estimulada. sem experiências anteriores ou controladas (preparação.  Expressão facial de dor – sobrancelhas descidas.  Foge da dor por considerar uma “coisa”. temperamento. ambiente familiar (as crianças aprendem a manifestar a dor dentro da sua família e da sua cultura) e percepção de apoio social.  Balança com o corpo.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL As competências de Enfermagem inerentes à gestão eficaz da dor são:  Avaliar a dor do doente. 41 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. não precisam de grande preparação porque não percebem.  Choro alto – choro de assustado. boca aberta.  Concomitantes de dor. personalidade). anestesia.  Consequências da dor.

ai…) e as experiências anteriores de dor (identificar e quantificar) → ques onar desde que a criança tenha idade para ser questionada. sente-se talvez responsável por ela.adiar a dor → tem de se aprender a gerir este pedido da criança.  Pais: os pais conhecem melhor que ninguém a criança → percebem alterações muito subtis que passam ao lado aos enfermeiros.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL  Tenta persuadir o enfermeiro a não realizar o procedimento . A partir dos 3 anos as crianças são capazes de indicar os vários níveis de dor se lhes forem proporcionados os meios e a oportunidade. reacções fisiológicas.  Maior tensão e controlo corporal.  Não são os pais que avaliam pela criança. Nº 1851 . punhos cerrados. mas mais expressões verbais (ex: isso dói). se não for possível é preferível hetero-avaliar do que não ter qualquer avaliação. dentes cerrados. menos no período antecipatório – beneficiam de preparação. relacionando os acontecimentos. nas que se recusam a cooperar ou nas que não estão em condições de auto-avaliarem a sua dor devem usarse escalas de hetero-avaliação.  Regressão a alguns traços característicos de idades anteriores (ex: afstar-se dos outros)  Menos comportamentos de protesto verbal ou actividade motora. consequências e tratamento. testa franzida. olhos fechados – expressão de tentativa de controlo de dor. …) – nas crianças com menos de 3 anos.  Atitude passiva perante a dor – sentem-se culpados → acham que a dor é cas go por algo que não fizeram bem.  As escalas utilizadas não são as mesmas que são nos adultos.  Responde positivamente a preparações antecipatórias (ao contrário dos toddlers). Nas crianças entre os 3 e os 8 anos devem usar-se escalas de auto-avaliação modificadas.  Verbaliza a dor. CLE 2008-2012. nem podem induzir a resposta  É preferível auto-avaliar.  Rigidez muscular. Escolar  Mesmos comportamentos referidos anteriormente. Princípios de Avaliação e Controlo da Dor na Criança  Questionar a criança: história da dor – definição de dor para a criança (dói dói. Escalas de Auto-Avaliação Escala de faces Wong e Baker – 1988 usada a partir dos 3 anos   42 Nádia Isabel Leonardo Perdigão.  Usar escalas de avaliação da dor (escalas testadas – avaliam comportamentos.  Localiza a dor. Adolescentes  Consciência abstracta dos aspectos psicológicos e emocionais da dor – capacidade para compreender causas e consequências.  Capacidade de compreender as causas.

o local onde lhe dói.  Necessário corrigir a idade nos bebés de pré-termo → u lizadas as 40 semanas como referência.Escala de Avaliação da Dor para RN  Pontuação total de 0 a 7. Escala numérica  Usada a partir dos 8 anos (De 0 a 10). 43 Nádia Isabel Leonardo Perdigão.Escala Objectiva da Dor Utiliza-se em crianças dos 0 aos 18 anos. Cry and Consolation) Utiliza-se com crianças entre os 2 meses e 7 anos de idade. Deve-se explicar a escala com base nas experiencias que a criança já teve.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL  Fazer a história da dor com a criança para compreender as experiências de dor da criança. Nº 1851 . e é ela que escolhe o que cada cor significa e pinta o quadrado correspondente. A idade corrigida do pré-termo é utilizada até aos 2 anos. de acordo com a intensidade.  Avaliar o comportamento e alterações fisiológicas: idade. enquadramento familiar e religioso. CLE 2008-2012. Escala Analógica Visual  Usada a partir dos 8 anos.  A avaliação é feita em milímetros. aos 20 dias tem 20 dias de idade real e tem 29 semanas de gestação de idade corrigida. Depois pinta no boneco.  Dão-se quatro marcadores à criança. respostas fisiológicas que indiquem presença de dor. Escala de Cores  Usada a partir dos 5 anos. se pudessem. nível de conhecimento cognitivo.  Assegurar a participação dos pais: ʘ Que palavras usa a criança para se referir à dor? ʘ Descreva experiências anteriores de dor da criança ʘ O seu filho diz-lhe quando tem dor? ʘ Como é que o seu filho reage normalmente à dor? ʘ Sabe quando o seu filho tem dor? ʘ O que costuma fazer quando o seu filho tem dor? ʘ O que é mais eficaz no controlo da dor do seu filho? ʘ “Todos pais. OPS . Escalas de Hetero-Avaliação NIPS . Activity. FLACC (Face. sendo a partir de 3 considerada dor significativa. absorveriam para si próprios as dores dos filhos” (Salgueiro – 1998). Legs. Quase só usada em investigação e a par de outras escalas.  Deve-se mostrar a escala à criança para esta apontar. Se o bebé nasceu de 26 semanas de gestação.

excisão de lesões cutâneas. ʘ Agonistas Opiáceos: Morfina.e. Pode também ser usado no tratamento da dor crónica em lesões pós-herpéticas. ʘ Antagonistas Opiáceos: Naloxona. ʘ Feridas e mucosas. ʘ Dermites atópicas – aplicar durante 15 minutos. capilares. Contra . Naltrexona. EMLA Mistura entre dois anestésicos – lidocaína + prilocaína – com acção a nível dos receptores das terminações nervosas A (mielínicas) e C (amielínicas). Pentazocina. laserterapia. CLE 2008-2012. Peso Dose Creme 5Kg 0. AINE’s.5ml 1/10 bisnaga 10Kg 1g/1ml 1/5 bisnaga 15Kg 1. penetrando em todas as camadas da pele. devendo-se utilizar uma menor dose (RN – 0. injecções intramusculares e subcutâneas. Apresentação: EMLA penso a 5% (1g) ou EMLA Creme a 5% (5g) Indicações: prevenção da dor aguda na criança e no adulto em procedimentos como: punções venosas. toracocenteses.5g/1.5g e 30 min de oclusão). Paracetamol. Metadona.5g / 10 cm2 de pele seca e limpa. Codeína. Punção lombar. lombares. Tramadol. inserção percutânea de cateteres centrais. cicatrizes dolorosas póscirúrgicas. ʘ Penso 1g / 10 cm2 de pele seca e limpa. ʘ Gravidez e aleitamento. ʘ Respeitar as doses máximas de lidocaína e prilocaína por Kg de peso – 5mg / kg. Nº 1851 . biopsia). injecções IM e SC. 44 Nádia Isabel Leonardo Perdigão.  Actuar e avaliar os resultados: medidas farmacológicas e não farmacológicas e avaliar sistematicamente os resultados. Efeitos adversos: ʘ Palidez. arteriais. Precauções: ʘ Dos 3 aos 12 meses de idade não utilizar mais do que 1g para uma área não superior a 10cm². devendo-se cobrir com um penso oclusivo transparente e anotar a hora de aplicação. ʘ Tratamentos com Sulfamidas.5ml 1/3 bisnaga Tempo de Oclusão: ʘ Punções superficiais: tempo mínimo de 1 hora. pequenos gestos cirúrgicos sob anestesia local (p. ʘ Agonistas Parciais Opiáceos: Buprenorfina. entre outras. Medidas Farmacológicas Analgésicos: ʘ Não opióides: Salicilatos.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL  Considerar a causa da dor: inexistência de padrão entre a causa e nível de dor e ter em conta que o nível de dor pode influenciar a evolução da patologia. ʘ Punções profundas (ex. ʘ A duração e profundidade da anestesia é proporcional ao tempo e local de administração.5g/0. seguido de eritema e edema transitório induzido pelos anestésicos locais.Indicações: ʘ Hipersensibilidade aos anestésicos locais tipo amida. inserção percutânea de cateteres centrais e pequenos actos cirúrgicos): tempo mínimo 2 horas. ʘ Outros anestésicos: EMLA e Sucrose. Dose: ʘ Creme 1 a 2.

inibem/regulam a transmissão de estímulos dolorosos e aumento o controlo descendente dos mesmos (Wong e Wilson. maior é a distracção. comer gelados… Deve descrever pormenorizadamente. histórias engraçadas ou brincadeiras de criança. sendo hidrolisada em glicose e frutose. deve-se mergulhar na solução e oferecer ao bebé. Especificações: 24% de sucrose e 76% de água Precauções: não reutilizar ou esterilizar Instruções para o uso: utilizar 5 minutos antes do procedimento. Doses: Dose única – 2ml a 24% por seringa ou chucha. bioquímicas e comportamentos da criança à dor (estimula a produção de endorfinas). deixar a criança brincar com o brinquedo que queira. pedir à mãe ou pai para que lhe contem uma história ou pedir à própria criança que a conte. O enfermeiro deve fazer perguntas à criança acerca da situação para que a criança pense mais intensamente nela. Nos bebés e crianças mais pequenas o relaxamento é feito através do contacto próximo com o adulto significativo. Feridas abertas. mas sim acalmar a criança. utilizando-se a chucha ou uma seringa para gotas. deve-se utilizar antes do episódio doloroso ou antes de se atingir uma intensidade dolorosa mais elevada. usar o humor através de desenhos animados na televisão ou livros. 1995). aconchegando-se ao seu corpo. O sabor doce induz analgesia. 45 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. Idade inferior a 3 meses e peso inferior a 5kg devido ao elevado risco de toxicidade. Reduz as respostas fisiológicas. lentamente. Caso se administre com a chucha. Não se pretende um relaxamento profundo e voluntário. Quantos mais sentidos a estratégia requeira. Proximidade aos olhos. pois é o local onde se concentram as papilas gustativas para o gosto doce. 1982). atendendo aos detalhes sensitivos. Imaginação Guiada: Pede-se à criança para que pense num local em que goste muito ou em qualquer outra coisa que lhe dê prazer. caso seja através da seringa deve-se introduzi-la na ponta da língua e deixar que o bebé determine o ritmo de administração para que não haja o perigo de se engasgar. modulando a resposta à dor. no intestino. repetindo-o se necessário. entre 2 a 5 minutos antes do procedimento. Medidas Não Farmacológicas Este tipo de medidas influenciam factores cognitivos e emocionais (Melzak e Wall. Administração: Na parte anterior (extremidade) da língua.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL ʘ ʘ ʘ ʘ ʘ ʘ Alergia à penicilina. CLE 2008-2012. pais. Mucosas. como estar com os amigos. Relaxamento: Ajuda a criança a controlar a ansiedade antes do início do procedimento. Sucrose Oral/Sucção Não Nutritiva: Dissacárido composto por glicose e frutose.  Qual a eficácia e benefícios da Sucrose: diminui a percepção sensitiva da dor durante os procedimentos dolorosos. Nº 1851 . Distracção: Durante o procedimento dizer à criança que se concentre em gritar mais alto ou mais baixo consoante a intensidade da dor. Metahemoglobinémia congénita ou idiopática.

5 % do total de famílias. Famílias unipessoais – 17. CLE 2008-2012.7 Número de filhos por mulher (2009) 2009 ‐ 1. ʘ Grupo no qual a criança nasce.pt em 2010‐10‐16 46 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. ʘ Novas famílias – famílias monoparentais. O que é uma família? Família ‐ conjunto de pessoas que se consideram como tal por se relacionarem através da consanguinidade. Famílias monoparentais – 8.pordata.5% do total de núcleos familiares. casamento ou sensação de proximidade. (Family Centered Care InsKtute ) Família ou Famílias? O Tipo de família e a cultura ʘ Ocidente e outras áreas do globo – Diversidade. ʘ Geração sanduíche. ʘ Mães solteiras.3 1990 – 2. ʘ Avós a exercer a função parental. ʘ Outras culturas – Poligamia ou Poliandria. casamento. Parentalidade e Cuidados Centrados na Família Parentalidade – exercício de ser pai ou ser mãe e acontece no seio da família.1 % do total de casais. Tendências Actuais das famílias ʘ Casamento e o primeiro filho – mais tarde.5% Dados obtidos de www.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Família.32 Estrutura da família (2009) Casais com filhos – 40. adopção ou por viverem juntos. Um grupo de pessoas relacionadas pela consanguinidade.8 2009 – 2. famílias homossexuais… Tipos de família Famílias Nucleares ʘ Nuclear – ambos com carreira ʘ Casais com filhos ʘ Casais sem filhos Famílias alargadas Família binuclear Coabitação heterossexual Novas famílias ʘ Monoparentais ʘ Adoptivas ʘ Casais homossexuais Estrutura e Tipos de Família em Portugal – censos Número de médio de pessoas por família clássica 1983 ‐ 3. ʘ Coabitação. Casais s/ filhos – 22.9 2001 – 2. Nº 1851 .

ʘ Reprodução. a natureza das mudanças. ʘ Herança. ʘ Família em expansão/Família com filhos pequenos – aceitar novos membros no sistema (o filho mais velho é uma criança com idade inferior a 30 meses) ʘ Família em consolidação/Família com Pré-Escolares – o filho mais velho é uma criança com idade entre os 2 anos e meio e os 6 anos.  A Teoria é uma abordagem que explica a mudança de padrão. ʘ Lançando os filhos e seguindo em frente – aceitar as entradas e saídas na vida familiar. ʘ Socialização da criança.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Qual a Função da Família? Funções universais da família ʘ Produção económica. ʘ Família com adolescentes – aumentar a flexibilidade das fronteiras familiares para incluir a independência dos filhos e as fragilidades dos avós. As famílias estabelecem padrões ʘ Escolha do cônjuge.  Duvall focaliza a educação dos filhos como o elemento organizador da vida Familiar. a natureza da dinâmica familiar. ʘ Descendentes. ʘ O novo casal – comprometimento com um novo sistema. e como ocorre a mudança na família. ʘ Cuidar dos doentes e idosos. que é o contexto primário do desenvolvimento humano. ʘ Recreação.  Nos pontos de transição do ciclo de vida criam‐se rompimentos neste ciclo e produzem‐se sintomas e disfunção. 47 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. → Teoria organizada segundo o número de filhos – o filho mais velho vai servindo de referência. ʘ Autoridade. Teoria do Ciclo de Vida Familiar Duvall (1977)  O ciclo de vida individual acontece dentro do ciclo de vida familiar. CLE 2008-2012. ʘ Família com filhos de idade escolares – o filho mais velho tem idade entre os 6 e os 13 anos. Nº 1851 . ʘ Controlo Sexual. ʘ 3 Outros estádios – Famílias no estágio tardio da vida. Todos os filhos saem de casa.

tempo em família. Parentalidade biológica e parentalidade social… Parentalidade Biológica – inerente à espécie. adaptabilidade. Nº 1851 .Do ponto de vista social e afectivo:  Pais substitutos? Afectivos? (avós. 55. Manutenção da cultura e valores familiares. 1998. De acordo com a lei:  Pais progenitores  Pais adoptivos Parentalidade Social . mas também autonomia económica. → Avaliar as forças da família – olhar a família sob o ponto de vista de que ela é capaz: olhando as suas mais-valias.  A falta de experiencia prévia com o stressor aumenta a percepção de ameaça. Independência Económica. CLE 2008-2012.  Stressores ambíguos causam maior stress.Motivações. Friedman. interiorização das expectativas dos indivíduos. McCubbin. Objectivos Parentais Sobrevivência. ʘ Divorcio ʘ Monoparentalidade 48 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. famílias. 1993. tensões e transições. Força da família: Coesão.  Os acontecimentos que ocorrem na família tal como a doença dum filho são mais stressantes do que os que ocorrem fora do sistema (guerra). tios…)  Instituições? Situações de Parentalidade especial Situações de maior risco: Maior risco não quer dizer que sejam problemáticos. p. rotinas. Allen. 88.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL O Stress e a Família  As famílias estão expostas a stressores. resistência da família. 1998 As forças da família Resiliência – Recursos – Capacidades . Devemos estar atentos a estas situações. comportamento destinado a facilitar a incorporação de um recém‐nascido na unidade familiar. Até as crianças atingirem a sua independência e autonomia → não só em termos de desenvolvimento e capacidade de satisfazer necessidades. assumindo “as responsabilidades de ser mãe e/ou pai. Parentalidade Acção de tomar conta. p.  Os copings disponíveis para uso pela família e as estratégias de resolução de problemas conduzem à adaptação.  Os acontecimentos inesperados e não planeados são percepcionados como stressantes. para que os pais consigam que a criança cresça saudavelmente dentro da família. comportamentos para optimizar o crescimento e desenvolvimento das crianças. trabalhar no sentido das forças. amigos e sociedade quanto aos comportamentos do papel” ICN – CIPE Versão 2 Cada vez mais os pais necessitam de apoio para desempenhar o seu papel de formar correcta → é uma das funções do enfermeiro.

ʘ Decreto‐Lei n. A influência dos pais na saúde e desenvolvimento da criança Os pais possuem potencial para promover a saúde e bem-estar da criança ou impedir o desenvolvimento físico e emocional. Os Estados Partes diligenciam de forma a assegurar o reconhecimento do princípio segundo o qual ambos os pais têm uma responsabilidade comum na educação e no desenvolvimento da criança.  Cognições. empower e não-violência – que faculta reconhecimento e orienta. Lei 147/99 A Responsabilidade dos enfermeiros Artigo 81º do Código Deontológico. Baumerind (1967) O que é a parentalidade positiva? Comportamento parental baseado no superior interesse da criança – amar/cuidar. a salvaguardar os Direitos das crianças protegendo‐as de todas as formas de abuso.  Autocrata ou autoritário. aos representantes legais.º 61/2008: Imposição do exercício em comum das responsabilidades parentais. Artigo 18º:  1.Lei de Protecção de Crianças e Jovens em perigo. Conselho da Europa (2006) Protecção de crianças e Jovens Das Leis do Estado Convenção dos Direitos da Criança . Nº 1851 . A responsabilidade de educar a criança e de assegurar o seu desenvolvimento cabe primacialmente aos pais e. Comportamentos Educativos parentais  Modelo de Estilos parentais:  Democrata ou autoritativo. ʘ Lei n. alínea b).  Afectos. sendo caso disso. CLE 2008-2012.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL ʘ ʘ ʘ ʘ ʘ ʘ ʘ Adopção Famílias mistas (diferentes culturas) Quando ambos os pais possuem carreira Abuso de substâncias Sem abrigo Pais encarcerados Pais adolescentes Direitos e Responsabilidades Parentais ʘ Convenção dos Direitos da Criança: Direito a ter pais responsáveis. 49 Nádia Isabel Leonardo Perdigão.º 91/2009: Protecção da Parentalidade.  Permissivo: ʘ Indulgente e negligente (pode por o desenvolvimento e a vida da criança em risco). O interesse superior da criança deve constituir a sua preocupação fundamental. o que implica estabelecer fronteiras para possibilitar o desenvolvimento completo da criança. Componentes da Parentalidade  Comportamentos.

“stressores” na transição Saúde da criança. ʘ Objectivos centrados no bem-estar e desenvolvimento da criança. Funções dos pais: ʘ Satisfação das necessidades básicas. pelo que os pais estão em constante adaptação. ʘ Satisfazer as necessidades de afecto. 1984) Focos da Prática de Enfermagem Parentalidade  Adaptação à parentalidade  Vinculação  Educação da criança  Desenvolvimento da criança ICN ‐Cipe Versão 2 Diagnósticos de Enfermagem Potencial para o desenvolvimento da capacidade parental . ʘ Nível de envolvimento. CLE 2008-2012. Nº 1851 . Fontes contextuais de stress e suporte. 50 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. por isso é importante conhecer a origem das cognições parentais. ʘ Parentalidade eficaz. (Belsky. confiança e segurança. ʘ Disponibilidade psicológica e física (idade dos pais). ʘ Factores proximais:  Características pais e criança ʘ Factores distais:  Contexto cultural  Nível socioeconómico  Constelação familiar Processos Afectivos Parentais ʘ O sistema afectivo parental é por natureza empático. ʘ Necessidades de interacção social da criança. ʘ Disponibilizar à criança um mundo físico organizado e previsível. Touch points (Brazelton) Factores que influenciam a Parentalidade: Características individuais da criança e dos pais: Existe uma interacção bi‐direccional ‐ “através da interacção. oportunidade para educação parental. os prestadores de cuidados e as crianças modificam os comportamentos uns dos outros”.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Processos Cognitivos Parentais As ideias parentais estão relacionadas com o comportamento parental mas não o reflectem necessariamente. Atitudes Parentais ʘ Sentido de zelo e responsabilidade. ʘ Necessidades de compreensão cognitiva das realidades extra familiares. ʘ Importância atribuída ao papel. 2005) Desenvolvimento da criança e adaptação parental O desenvolvimento da criança não se faz de forma linear. (Cruz.

Conjugalidade.  Hospitalização. abuso de substâncias). ʘ Promovendo as suas escolhas. Parceria de cuidados Parceria de cuidados “Pais e Enfermeiros trabalham conjuntamente para providenciar cuidados à criança doente” (Casey. (Risco) Parentalidade comprometida . Cuidados centrados na família ‐ Parceria O que trocamos enfermeiros e os pais/pessoas significativas? Pais Conhecimento: Do cuidar do filho Da resposta do filho à doença? Das suas estratégias de lidar com a doença Enfermeiro/a Conhecimento: De cuidar de crianças doentes: stressores / comportamentos. depressão). As crianças têm o direito de receber cuidados pelos pais. → Os cuidados resultam da negociação contínua entre pais e enfermeiros. para que as família adquiram ou mantenham o controlo das suas vidas e reconheçam mudanças positivas que resultem da comportamentos de ajuda que promovam as suas forças. Empowerment “Processo de interacção entre profissionais e famílias. ʘ Promovendo o suporte e a orientação para capacitação dos pais. Suporte social. choro e comportamento. CLE 2008-2012.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Resposta às necessidades básicas da criança.  Violência doméstica. O enfermeiro tem o dever de avaliar se os pais querem participar nos cuidados e se têm capacidade para realizar os mesmos. intervenções Evolução da doença e Tratamento Stressores dos pais/reacções e estratégias 51 Nádia Isabel Leonardo Perdigão.  Desemprego. capacidades e acções”. Nº 1851 .  Abuso de substâncias. (Wong 2006) → Os pais têm o direito de manter a sua parentalidade o mais possível. Condições socioeconómicas (desemprego. 1995).  Doença mental dos pais (Ex. condições de pobreza. escolaridade.“stressores” no desempenho  Prematuridade e deficiência da criança.  Divorcio. ICN ‐Cipe Versão 2 Intervenções De Enfermagem ʘ Centradas no interesse da criança e dos pais.  Pobreza.

 Outros problemas de saúde têm emergido. ʘ Gravidezes não vigiadas ou insuficientemente vigiadas em franjas da sociedade com más condições de vida. crenças e background cultural no planeamento e prestação de cuidados. a diabetes mellitus. social. maternidade e paternidade precoces. família. acidentes. tabaco e drogas. valores. Adaptado de Stanhope & Lancaster (2008) Evolução da Saúde Infantil e Juvenil  Os recém-nascidos de baixo peso. Informação ʘ Os profissionais de saúde partilham e informação completa e sem distorções. psico-emocional. ʘ Integram os conhecimentos. a doença crónica ou a deficiência continuam a afectar os adolescentes. ʘ Na estrutura dos espaços na educação de profissionais e ʘ Em decisões da prestação de cuidados de saúde Participação Os doentes e famílias são encorajadas a cuidar e tomar decisões ao nível que desejarem. e precisa de forma a participarem ao nível que desejarem Colaboração Doentes. Promoção da Saúde da Criança e do Jovem ao longo do Desenvolvimento Promoção da Saúde Estratégias destinadas a aumentar a saúde e o bem-estar físico. Nº 1851 . associado à baixa idade gestacional.  Portugal continua a ser o país da EU com a mais alta taxa de incidência de sífilis neonatal. CLE 2008-2012. consumos de álcool. a asma. continuam a fazer aumentar os indicadores da morbilidade e mortalidade deste grupo. principalmente os de carácter sóciocultural – maus tratos. ʘ Na sua implementação e avaliação.  Nos adolescentes. violência sobre a mulher e a criança –. profissionais de saúde e lideres no sistema de saúde. espiritual e de desenvolvimento do indivíduo. e com problemas cardiocirculatórios e respiratórios. ʘ As famílias e doentes recebem informação a tempo. ʘ No desenvolvimento de programas. completa.  Continua a assistir-se a: ʘ Alta percentagem de gravidezes em adolescentes (entre os 14 e os 16 anos) que não frequentam a escola. a que muitas vezes está 52 Nádia Isabel Leonardo Perdigão.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Conceitos Centrais aos Cuidados Centrados na Família Dignidade e Respeito ʘ Os profissionais escutam e honram as perspectivas e escolhas das famílias.  O cancro. colaboram: ʘ Na elaboração de politicas. muitas vezes relacionados com hábitos tabágicos e alcoólicos ou infecções por DTS nas mães. comportamentos violentos. família e comunidade. de forma a que esta seja útil para as famílias e doentes. os principais problemas relacionam-se com o comportamento: sedentarismo. desequilíbrios alimentares.

Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL associada a infecção pelo VIH e pelo bacilo de Kock. Saúde Infantil e Juvenil: Estratégias  Abordagem centrada na família e no ciclo de vida: promoção da educação para a saúde.  Exclusão social.  Doenças infecciosas: SIDA e/ou Tuberculose. à anorexia.  Crescer com segurança: melhoria da articulação e parceria entre serviços. Asma e Diabetes Mellitus. estabelecimento de parcerias entre as instituições de educação e de saúde. para rastreios de doenças e outras intervenções pelos técnicos de saúde. consumo de açúcar e sal.  Alimentares: obesidade.  Nascer com saúde: entre outros: facilitação do acesso à saúde reprodutiva. aumento da taxa de cobertura das puérperas.  Gravidez indesejada. qual a morbilidade associada à obesidade. A mortalidade infantil tem vindo a decrescer: 3. erradicação da sífilis congénita. Nº 1851 .     Plano Nacional de Saúde 2004-2010 Problemas:  Acidentes (viação e domésticos).  Stresse.1%o em 2004).  Cancro.  Comportamentos sexuais de risco. visita domiciliária. Sífilis Congénita. intervenção precoce e acompanhamento das crianças portadoras de deficiência. Os indicadores de morbilidade e de mortalidade relacionados com doenças infecciosas diminuíram. reforço das actividades de educação nas áreas da sexualidade e reprodução e da actividade preventiva do risco. do sedentarismo. assim como aos hábitos tabágicos e alcoólicos.  Hábitos de sono. ʘ A mortalidade por acidentes e causas externas continua a ser elevada. redução da morbilidade e mortalidade por acidentes. graças à cobertura pelo PNV e à acessibilidade aos cuidados de saúde. no entanto. para acções de prevenção.  Uma juventude à descoberta de um futuro saudável: melhoria na qualidade do acesso e atendimento.3%o em 2008). Os adolescentes constituem o grupo etário mais saudável.  RN de baixo peso e com problemas cardio-respiratórios. A mortalidade neonatal tem vindo a decrescer: 2. CLE 2008-2012. no grupo das criança e dos adolescente. à bulimia. ʘ 61% da mortalidade infantil ocorre no período neonatal e por anomalias congénitas (as cardiovasculares ocupam o 1º lugar). das perturbações comportamentais alimentares.  Sedentarismo. 53 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. promoção do aleitamento materno. ʘ Não se sabe. na adolescência e insuficientemente vigiada.  Problemas de saúde mental e de comportamento. incentivo à adopção de estilos de vida e comportamentos saudáveis. à saúde mental e às DSTs. maior atenção às adolescentes e às minorias étnicas. Infecção Meningocócica. ao diagnóstico e tratamento das ISTs e à saúde mental das grávidas.

 Detecção precoce e encaminhamento de situações passíveis de correcção e que possam afectar negativamente a saúde da criança.  Detectar precocemente e encaminhar situações que possam afectar negativamente a vida da criança.  Identificar. Objectivos  Avaliar o crescimento e desenvolvimento. CLE 2008-2012.  Sinalizar e proporcionar apoio continuado às crianças com doença crónica/deficiência e às suas famílias e promover a articulação entre os intervenientes nos cuidados.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Programa tipo de actuação em saúde infantil e juvenil Prioridades  Apoio às crianças com necessidades especiais. a prevenção de acidentes e intoxicações.  A redução das desigualdades no acesso aos serviços de saúde.  Harmonização das consultas com o esquema cronológico de vacinação.  Apoiar e estimular a função parental  Promover o cumprimento do Programa Nacional de Vacinação (PNV).  O reconhecimento dos pais como principais prestadores de cuidados.  Valorização dos cuidados antecipatórios como factor de promoção da saúde e de prevenção da doença. 54 Nádia Isabel Leonardo Perdigão.  Prevenir. em situação de risco ou especialmente vulneráveis. identificar e saber como abordar as doenças comuns. apoiar e orientar as crianças e famílias vítimas de violência ou negligência – situações de negligencia e violência nem sempre são muito evidentes.  Promover a auto-estima do adolescente e a sua progressiva responsabilização pelas escolhas relativas à saúde. dos riscos decorrentes da exposição solar e das perturbações da esfera psico-afectiva. alimentação e escolaridade.  Apoio à responsabilização progressiva e auto-determinação em questões de saúde das crianças e jovens. a suplementação vitamínica e mineral. a saúde oral. Nº 1851 . correspondentes a (…) etapas do desenvolvimento psico-motor. Estar atento a sinais muito subtis.  Estimular a opção por comportamentos saudáveis. socialização. Linhas Mestras  Calendarização das consultas para ‘idades chave’.

se indicado. que se pretende que produzam resultados positivos. Programa-tipo de Actuação. Os cuidados de enfermagem. rentabilizando os recursos materiais e humanos  Risco: é “a probabilidade de ocorrer um acontecimento indesejável (doença.  Factor de risco: características e condições de vida de uma pessoa. Consulta de Enfermagem em Saúde Infantil e Juvenil Conteúdo  Detecção da doença. ou de um grupo. estas crianças devem ter um apoio mais frequente e com outras estratégias. que os expõem a um risco potencial de contrair ou desenvolver um processo mórbido. 55 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. de acordo com as necessidades da criança e as prioridades.20). nas áreas de intervenção. Nº 1851 . Intervenção em função do risco Permite definir o tipo de vigilância de saúde.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL  Assegurar o aconselhamento genético. Actividades  Consulta de enfermagem  Visita domiciliária Cabe à equipa de saúde identificar as necessidades especiais de cada criança e definir um programa individual de vigilância e promoção de saúde que facilite o desenvolvimento das capacidades e potencialidades (Saúde Infantil e Juvenil. acidente ou morte) a um indivíduo ou grupo de indivíduos → se determinarmos o risco e for superior ao normal. ou as tornam mais susceptíveis de sofrer os seus efeitos nocivos. funcionam como in puts. 2005. CLE 2008-2012. p.  Prevenção da doença.

tudo o resto tem pouco impacto. dos problemas identificados e das questões pendentes. 56 Nádia Isabel Leonardo Perdigão.  Registo: ʘ Marcação de próxima. ʘ Contexto – criar contexto propício à interacção com o profissional. ʘ Preparação dos materiais identificados como necessários. ʘ Registo do observado. Abordagem baseada no fortalecimento. ʘ Avaliação do plano de cuidados e reformulação. Modelos de Consulta SOAP .. Enquanto os pais não virem as suas dúvidas esclarecidas. M. CLE 2008-2012. ʘ Vigilância de Saúde  História  Interacção Pais – Criança  Vigilância do Desenvolvimento  Exame Físico  Rastreios – adequados à idade  Vacinas  Outras Intervenções ʘ Orientação Antecipada Fases  Preparação: ʘ Leitura do processo: identificação/revisão dos problemas e elaboração do plano de consulta.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL  Promoção da saúde.  Orientação antecipada – preparar os pais para não ficarem suspreendidos com o que vai acontecer → prepará-los para suprir as necessidades da criança. et al (1994)  Gather information  Assess further  Problem identification  Solutions Modelo de consulta Bright Future Este modelo foca-se nos aspectos positivos e em fortalecê-los e “esquecer” os negativos.Polisky et al (2005)  Subjective history  Objective findings  Assessment  Plan GAPS .Elster. Estrutura  Modelo SOAP. Nº 1851 . ʘ Prioridades da Consulta – escutar os pais ou a criança/adolescente – questionar sobre dúvidas que têm. A.  Execução.  Modelo GAPS.  Modelo Bright Futures. Fleming. da entrevista.

Nº 1851 . período de introdução de novos alimentos. se necessário. Registo Registar (tipo de habitação. luz. ʘ Ausências às consultas ou à vacinação. ʘ Fazer educação para a saúde. ʘ Assistir o utente em caso de necessidade.conteúdo e estratégias.  Fazer plano da VD: ʘ Onde e quando. ʘ Crises ou problemas familiares (como toxicodependência. ʘ Objectivos.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Visita Domiciliária Objectivos ʘ Investigar uma situação aparentemente problemática. delinquência…). CLE 2008-2012.  Organizar material. alcoolismo. Avaliação ʘ Confrontar o planeado com o realizado. mas com flexibilidade – ouvir. por exemplo: ʘ Período perinatal.  Trabalhar em equipa (saber o que já foi feito). ʘ Prestar os cuidados de acordo com o planeado. roupa. junto dos técnicos.  Articular com CSD e com outras instituições ou técnicos no terreno. ʘ Mãe adolescente. 57 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. Realização ʘ Apresentação e explicitação do motivo da visita.D. habitualmente é de 30 minutos. embora seja adaptada a cada situação. ʘ Validar os conhecimentos. . ʘ Situação de doença ou deficiência da mãe ou da criança. e da relação entre os elementos da família). . ʘ Crianças com problemas de desenvolvimento ou insucesso escolar. espaço. ʘ Actualizar o plano de cuidados. materiais. de outros serviços de saúde ou de líderes locais. Pressupostos  Estabelecer prioridades e definir a população alvo  Identificar pessoas ou grupos em risco. Nota: A duração.  Articular recursos. Fases Preparação  Identificação do problema/situação. solteira primípara ou com muitos filhos.  Promover reuniões de equipa de enfermagem e interdisciplinares. orientar e realçar os aspectos considerados pertinentes. cheiro. ʘ Problemas identificados. arrumação. ʘ Avaliar os cuidados prestados. ʘ Marcar nova V.  Recolha de dados no processo individual e familiar. . como. apoiar e ajudar o utente a tomar decisões utilizando os seus próprios recursos (individuais e familiares). ou lembrar próxima consulta. ʘ Acções a desenvolver .

ʘ Introdução dos novos alimentos aos 4 a 5 meses se alimentada por leite artificial. A partir dos 6 meses o leite materno já não tem todos os componentes que o bebé necessita para suprir as necessidades. 2. a V. é favorável que a criança comece a partilhar a mesa com a família → refeição como momento de socialização. Alimentação Vertentes de Alimentação  Nutricional. 18 meses. Nº 1851 .ª semana de vida.  Vigilância segundo a singularidade da criança / do grau de risco.D. 8 anos. 1º Ano de Vida ʘ Exclusivamente láctea nos primeiros 4 meses de vida – Aleitamento materno/artificial/misto:  Preparação do biberão. Há um aumento da percentagem de mães que abandona precocemente a amamentação.D. 15. ʘ Aprendizagem de regras – aprendizagem de regra enquanto tal.  1-3 Anos: 12. porque a pessoa está no seu meio ambiente. mas podem ser aumentadas em situações de risco.º. favorece: ʘ A expressão de sentimentos e de dificuldades.  10-18 Anos: 11-13 anos (exame global de saúde).  Sequência dos alimentos. garfo. 4. ʘ A observação da dinâmica familiar in loco. ex: contra-indicação por patologia da mãe. soja). 15. Existindo maior privacidade e eventualmente maior disponibilidade da sua parte e da parte do enfermeiro.º Ano de vida: 1. 58 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. 1.  Educação e adaptação social.º. 6 meses se amamentada.º. (há bebés que aparentemente não ficam satisfeitos com o leite materno e fazem complemento com este leite). Tipos de Leite Comercial Lactente 1 (0 a 4/6M) – desenvolvidos a partir de leite de vaca e de outras fontes (por exemplo. → As datas são standard.º mês. 9.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Conclusão A V. ʘ O estabelecimento de uma relação personalizada. é uma actividade nobre da enfermeira. O Lactente deve fazer aleitamento materno exclusivo até aos 6 meses e como complemento até aos 2 anos (OMS) Preferencialmente a criança deve ser amamentada e como forma exclusiva de alimentação nos primeiros 6 meses → pode não ser possível por diversos motivos. faca). CLE 2008-2012. colher. 5-6 (exame global de saúde). 2. ʘ Comunicação efectiva – a partir do momento em que a criança começa a fazer a mesma alimentação que a família. ʘ Desenvolvimento de capacidades – psicomotoras (mão.  Princípios a atender. Periodicidade dos exames de saúde  1. que pode ser dado à criança quando a mãe não pode ou não quer amamentar. 3 anos.º. 6.  Exame de saúde oportunista. 18 anos.  4-9 Anos: 4.

hidratos de carbono. Preparação do biberão  Deve ser preparado na altura de ser dado à criança. ʘ Se for papa láctea acrescenta-se água. Se for papa não-láctea acrescenta-se leite. que pode causar sobrecarga renal e apresenta um défice de vitaminas. No final. A papa passa a ser dada ao lanche.principalmente ferro.apresentam ainda um reduzido teor proteico. Manter a criança satisfeita sem aumentar o aporte calórico. elevada percentagem de lactose. Necessidades Calóricas e Hídricas Idade Necessidades Calóricas 1-3 M 120 cal/Kg/dia 3-6 M 110 cal/Kg/dia 6-9 M 100 cal/Kg/dia 1-2 A 90 cal/Kg/dia Necessidades Hídricas 150 ml/Kg/dia 120 ml/Kg/dia 110 ml/Kg/dia 100 ml/Kg/dia As crianças nos 2 primeiros anos de vida não conseguem eliminar os excessos hídricos → o rim ainda não está completamente desenvolvido para conseguir compensar excessos.surgiram da necessidade de combater a tendência para a introdução precoce do leite de vaca.Introduzir puré de cenoura e batata (com um fio de azeite no final da cozedura e sem sal) ao almoço. o que dá à criança é sempre leite com mais alguns componentes. Nº 1851 .  Biberão limpo e esterilizado.Iniciar papa sem glúten (láctea ou não láctea) ao almoço. 59 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. Os biberões devem ser bem lavados e depois fervidos juntamente com as tetinas durante 10 minutos. Transição 3 (8M a 36M) .  Sem lactose ou Anti-diarreicos  Anti-regurgitação – utilizado em prematuros que ainda não tem o cardia muito desenvolvido  Prematuros ou recém-nascidos de baixo peso Leite de vaca em natureza está contra-indicado no 1º ano de vida e a sua introdução deve ser adiada até aos 24-36 Meses.  2º Pôr o “pó”: 1 medida rasa por cada 30 mL de água. e vitaminas do que os leites para lactentes. O tracto Gastrointestinal ainda está em desenvolvimento. Introdução de novos alimentos  4 Meses . teor mais elevado de calorias. CLE 2008-2012. ʘ As intolerâncias ao glúten são características desta idade.  1º Pôr água fervida → água sempre primeiro: corre-se um menor risco de fornecer o leite à criança com a concentração errada.  5 Meses .Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Transição 2 (4M a 12M) .  Desconforto Digestivo Leites e Fórmulas para fins medicinais específicos  Fórmulas à base de soja – utilizado em crianças com intolerância à lactose. minerais . Especiais – leite utilizado com um fim específico  Anti-obstipantes  Anti-cólicas  Hipoalergénicos  Saciedade – crianças que aparentemente têm sempre fome e nas quais não é favorável aumentar a dose de leite – prevenir obesidade.

Adicionar 30g/dia de carne triturada ao puré (borrego. ʘ Dar os novos alimentos à colher que terá de ser bem introduzida na boca para contrariar o reflexo de extrusão e facilitar a deglutição – não vale a pena tentar alimentar á colher se o reflexo ainda for muito evidente. ʘ A ordem pela qual os alimentos se introduzem não é rígida. tomate.  Leguminosas secas (feijão. essencialmente à base de cereais.5/6 Meses . frango. dar apenas 2-3 colheres de chá do mesmo e completar a refeição com leite. de carne. ʘ A água deve ser oferecida – oferecer água num biberão. peixe e ovos. ʘ Para introduzir um novo alimento. arroz ou massa (100 a 200grs/dia)  Folhas verdes. Introduzir outras frutas.  Carne de porco.Iniciar fruta (maçã. Iniciar iogurte natural (depois pode-se juntar bolacha ou fruta). Nota: Os alimentos de boião poderão ser utilizados como recurso ocasional 1-5 Anos de Vida  Leite (0. ʘ Se o bebé resistir ao novo alimento. 1 Semana depois . manteiga (20-30 grs/dia)  Farinha. Só após o 1º Ano .5l/dia) e derivados (20-30 grs/dia)  Carne ou peixe (40-60 grs/dia). fazer um intervalo de 1 semana.º período da vida de maiores necessidades calóricas. CLE 2008-2012. se o bebé quiser bebe.Iniciar peixe branco esmagado numa das refeições. carneiro).Pode iniciar papa com glúten.  6 Meses . ʘ Não esquecer que o adolescente segue os usos do grupo (para o adolescente o que é importante é ser aceite pelos pares) e que este pode ter hábitos errados de nutrição. Nº 1851 .     60 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. banana ou pêra) como sobremesa.  Gema de ovo (clara aos 15 meses – tem um potencial alergénico maior).Pode-se protelar o início do peixe e dos iogurtes para os 12 meses.Introduzir:  Leite de vaca em natureza.  Citrinos. morangos. grão…). a par de leite e derivados. leguminosas. ʘ A alimentação tem de ser variada (cumprir roda dos alimentos). É nesta fase que se observam casos de bulimia e de anorexia.5/7 Meses . pêssego. ovo 1  Azeite.  Se Antecedentes de Alergia na Família . ʘ Quando o novo alimento for bem aceite. substituir a refeição de leite por esse alimento. nomeadamente os produtos de alto valor calórico e pobre valor nutritivo. 5.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Cada 3-7 dias Introduzir legume novo na sopa. fruta e hidratos de carbono.Fazer puré de legumes no caldo de cozedura da carne. peru.  6.A sopa com carne passa a ser dada ao almoço e ao jantar. kiwi. cenoura.  9 Meses . produtos hortícolas. 1 Semana depois . Princípios a atender na introdução de novos alimentos ʘ Início quando o bebé estiver saudável – pode mascarar reacções alérgicas se o bebé estiver doente. batatas (150 grs/dia)  Fruta fresca (200-300 grs/dia) Adolescência ʘ É o 2. pão.

o acidente não é acidental – apesar de tudo é possível prevenir os acidentes. que provoca dano corporal.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Roda dos alimentos Cereais e derivados. CLE 2008-2012. bicicleta. tubérculos – 28% Hortícolas – 23% Fruta – 20% Lacticínios – 18% Carne. ʘ A supervisão no sentido da protecção pelos pais é inversa ao desenvolvimento de autonomia da criança → vai adquirindo capacidade de se proteger dos perigos e é importante educá-la para se proteger dos perigos Na prevenção de acidentes a atitude é:  Proteger do risco  Educar para o risco  Dar autonomia face ao risco Acidentes  Principal causa de morte no 1º ano de vida Acidentes domésticos  Principal causa de morte nas crianças entre os 1 e os 4 anos. Ter em conta a idade. p. dano esse directamente imputável ao acontecimento que o provocou. criança. Transporte automóvel A prevenção rodoviária deve começar antes da criança nascer → é necessário já exis r uma cadeirinha no carro para levar a criança para casa. 61 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. como peão. Portanto. agente → é preciso pensar e intervir nestes 3 níveis para prevenir os acidentes ʘ O tipo de acidentes está directamente relacionado com o desenvolvimento infantil – a criança por ter ou não ter certo tipo de capacidades está mais susceptível a acidentes.regras para o transporte de crianças desde a alta da maternidade até aos 12 anos ou <1.5 metro – ver “Programa Tipo de Actuação em Saúde Infantil e Juvenil”. condutor ou passageiro  Acidentes em que a criança é condutor – motorizada. ʘ A tríade epidemiológica do acidente – Ambiente. a casa de banho e a porta de casa são os locais de maior número de acidentes Acidentes rodoviários  Principal causa de morte nas crianças dos 4 aos 18 anos.23-24. peixe e ovos – 5% Leguminosas – 4% Gorduras e óleos – 2% Segurança Conceitos ʘ Definição de acidente – É todo o acontecimento não programado. Desconhece-se a morbilidade  A cozinha. Nº 1851 . patins  Acidentes em que a criança é passageiro . skate. o peso e a montagem.

Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL 62 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. Nº 1851 . CLE 2008-2012.

CLE 2008-2012. quedas. lesões causadas por veículos motorizados. queimaduras ou outros perigos  A rápida evolução na independência e mobilidade da criança representam novos perigos. Nº 1851 .Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Intervenções e estratégias Devem ser dirigidas:  Desenvolvimento e idade da criança  Ambiente  Circunstâncias envolventes A informação relativa às medidas de 1ºs socorros e emergência médica devem estar disponíveis Pontos-chave  A segurança deve ser prioritária para os pais acompanhando o desenvolvimento da infância à adolescência  A segurança implica a mudança ambiental para prevenir: sufocação. que necessitam de prevenção  Geralmente os pais subestimam as capacidades motoras da criança  A educação dos pais deve incluir a discussão acerca dos perigos e desenvolvimento motor e comportamental da criança 63 Nádia Isabel Leonardo Perdigão.

os profissionais de saúde podem ajudar os pais na mobilização de recursos para os adquirir e na adaptação do ambiente  São mais vulneráveis ao risco de bullying ou de maus tratos. incluindo a negligência e o abuso físico e sexual  O planeamento implica a compreensão e antecipação das limitações da criança e das suas necessidades Aconselhamento A orientação para a prevenção de lesões é efectiva e tem resultados positivos American Academy of Pediatrics (2007) Se for feita educação no sentido de prevenção dos acidentes. repetição e insistência → importantes e necessários Criança com necessidades especiais  Podem ter necessidades únicas do ponto de vista da segurança  A supervisão parental deve assentar no nível de desenvolvimento e nas capacidades físicas da criança  Pode implicar o recurso a materiais específicos .  O aconselhamento aos pais é fundamental para que possam compreender os timings de desenvolvimento e focar as suas intervenções de forma adequada. Nº 1851 .Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Família e Cultura  Para algumas famílias os conselhos podem conflituar com as suas crenças individuais e culturais (Ex. uso da cadeira de segurança. uso de medicamentos ou medicinas alternativas)  Em algumas comunidades os pais não são os primeiros decisores ou cuidadores em relação à criança – ex: nas comunidade cigana o poder de decisão está nos avós do sexo masculino  O aconselhamento aos elementos de maior influência na família ou comunidade pode ser uma estratégia útil  Os profissionais têm um duplo papel no aconselhamento e na ajuda às famílias para implementação das medidas de segurança de acordo com as suas referências culturais  O aconselhamento do risco será mais eficaz se for feito de modo repetitivo e de diferentes formas: reforço. CLE 2008-2012. 64 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. co-sleeping – a criança deve dormir no seu berço. estes diminuem efectivamente Os pais respeitam os conselhos dos profissionais de saúde A orientação obteve resultados positivos:  Aumento dos conhecimentos  Aumento dos comportamentos de segurança  Diminuição nos acidentes incluindo veículos motorizados e não motorizados.  Colocar os números nacionais de controlo anti-venenos e emergência médica em local visível junto ao telefone 1º Ano de Vida  A criança desenvolve-se rapidamente e a promoção da segurança e a prevenção de lesões é uma tarefa a tempo inteiro. Bass et al (1993) Período Pré-Natal  Preparação do nascimento  Cadeira de segurança  Cama  Conhecimentos sobre RCP e primeiros socorros. nunca na mesma cama que um adulto → risco de asfixia e esmagamento.

ʘ Queimadura. mas sim os pais criam essa situação. ʘ Afogamentos. ʘ Malnutrição. Síndrome de Morte Súbita . ʘ Electrocussões. bacias. lagos. sanitários) – criança não sabe nadar. Factores de Risco ʘ Abuso materno de substâncias. Os acidentes são preveníveis e os pais devem ser ajudados com conhecimentos e estratégias para os evitar. ʘ Falta de supervisão ou negligência. alarmes. ʘ Exposição ao fumo. baldes. mas não na sua cama ʘ Utilização da chucha a partir do mês de idade – agiliza a respiração American Academy of Pediatrics (2005) 1 aos 4 anos  São especialmente vulneráveis porque as suas capacidades físicas sobrepõem-se às suas capacidades para entender as consequências das suas acções  Não possuem capacidade para entender que os seus comportamentos agressivos podem magoar a si própria e aos outros Recomendações para a educação parental: ʘ Necessitam de supervisão constante ʘ Os pais devem estabelecer e reforçar constantemente regras de segurança ʘ Os pais devem ensinar a criança desde muito cedo Acidentes mais frequentes: ʘ Acidentes com veículos motorizados ʘ Afogamento ʘ Queimaduras ʘ Electrocussão ʘ Envenenamentos ʘ Quedas ʘ Sufocação ʘ Lesões corporais Prevenção afogamento: ʘ Supervisionar a criança em qualquer fonte de água (piscinas. Acidentes mais frequentes: ʘ Sufocação e acidentes de viação ʘ Quedas. Nº 1851 . ʘ Envenenamentos.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Muitas vezes a criança não se põe sozinha nas situações de risco. não tem noção do perigo e a água é cativante para a criança ʘ Uso de dispositivos de protecção gradeamentos e portões. 65 Nádia Isabel Leonardo Perdigão.Prevenção: ʘ Dormir em posição de decúbito dorsal ʘ Dormir no quarto dos pais. CLE 2008-2012.

ʘ Camas com protecções ʘ Triciclos e “aranhas” ʘ Carrinhos de compras. frutos secos) ʘ Brinquedos grandes e volumosos. sem partes soltas ou pontiagudas – a criança pode aspirar pequenas peças de brinquedos ʘ Sacos Plástico ʘ Espaços pequenos onde a criança se possa esconder Os pais devem ser ensinados sobre os procedimentos de emergência (desobstrução das vias aéreas) Prevenção de lesões traumáticas: ʘ Transporte de objectos afiados ou pontiagudos (facas. ʘ Verificar a água do banho (colocar sempre primeiro agua fria). Prevenção queimaduras: A criança agarra o que vê: ʘ Virar as asas dos tachos e panelas para a parte posterior do fogão. cadeiras altas ʘ Sapatos e roupas deslizantes 5 aos 10 anos  A criança torna-se mais independente a par de um grande desenvolvimento físico e intelectual  O controlo dos pais muda significativamente  Necessita de desenvolver a capacidade para tomar boas decisões acerca de situações potencialmente perigosas  São aspectos centrais na educação da criança – segurança e prevenção de acidentes. canetas. tesouras) ʘ Equipamentos de jardinagem e armas de fogo devem ser trancados ʘ Uso de vidros de segurança (evitam quebras) Prevenção de quedas: ʘ Protecção das janelas e varandas – tem de ter as medidas correctas – a grade tem de ser acima da cabeça e não pode dar para que esta entale a cabeça na mesma. e outros elementos de aquecimento. ʘ Proteger fios eléctricos e tomadas. Prevenção envenenamentos/intoxicações: Os medicamentos também se encaixam neste grupo ʘ Incidência mais elevada aos 2 anos ʘ Principal causa . garfos. Nº 1851 . 66 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. caroços. colheres.armazenamento impróprio ʘ As crianças nesta faixa etária são capazes de escalar para conseguir o acesso a locais muito altos Número do Centro de Informação Anti-venenos 808 250 153 Prevenção sufocação: ʘ Alimentos inteiros ou endurecidos (ossos. ʘ Guardar fósforos e isqueiros em áreas inacessíveis. ʘ Não deixar pontas de toalhas ao alcance. ʘ Colocar velas acesas. CLE 2008-2012. alimentos e cigarros fora do alcance. ʘ Colocar barreiras de protecção em aquecedores lareiras.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL ʘ Ensinar a nadar e medidas de segurança na água.

Acções de formação. Publicação de livros. skates e patins. ʘ A criança deve ser ensinada a lidar com a pressão dos pares ʘ As regras sobre o uso de material de protecção na bicicleta. assim como para o que fazer nas catástrofes naturais. o despiste e a colisão Saúde oral Objectivos  Prevenção da cárie dentária e periodontides  Desenvolvimento e alinhamento correctos dos ossos da face. O absentismo escolar e o uso de drogas aumentam os risco de lesões graves e morte Três áreas de risco para a violência:  Desporto  Violência  Gangs Exemplos de programas  Polícia Municipal. maxilares e dentes  Prevenção de traumatismos da boca e dentes 67 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. à porta de casa e na rua. mas nesta faixa etária aumenta também entre as raparigas. filmes e panfletos para alertar a população para os riscos dos acidentes e respectiva prevenção  Programa de Prevenção Rodoviária: Série de instruções e de medidas para evitar o atropelamento.  Associação para a Promoção da Segurança Infantil (APSI). “Crescer na segurança” – a criança é alertada para os perigos domésticos. CLE 2008-2012.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Áreas de prevenção dirigidas à criança ʘ Segurança na escola e comunidade ʘ Bullying ʘ Brincadeiras desporto e actividade física Áreas de prevenção dirigidas aos pais ʘ Os pais devem continuar a vigiar e promover a segurança das crianças mas sem gerar medos desnecessários e superprotecção ʘ Quando a criança fica em casa sozinha é preciso assegurar uma supervisão adequada e um ambiente seguro ʘ A criança deve ser ensinada a memorizar informações acerca da sua morada e telefones dos pais e de casa ʘ Deve existir uma pessoa sempre contactável para apoio à criança. Nº 1851 . não devem ser negociáveis ʘ Os pais devem ser aconselhados a manter uma boa via de comunicação com a criança 11 aos 18 anos A prevenção deixa de ser da responsabilidade dos pais para passar para o adolescente que se torna gradualmente independente As causas de morte são variáveis em função da raça e idade Três causas consistentes de morte:  Acidentes com veículos motorizados  Homicídio  Suicídio A violência entre pares é uma causa comum entre os rapazes.

Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Problemas Cárie dentária Doença infecciosa.  Doença crónica mais comum nas crianças  40% das crianças têm cárie dentária à entrada para o jardim de infância  Responsável por algum absentismo escolar Medidas preventivas ʘ Higiene oral ʘ Dieta e práticas alimentares ʘ Flúor ʘ Visitas ao dentista (cheque dentista) Instrumento de avaliação de Risco de Cárie dentária Baixo risco Alto Risco Evidência clínica de doença Sem lesões de cárie Lesões activas de cárie Nenhum dente perdido devido a cárie Extracções devido a cárie Poucas ou nenhumas obturações Duas ou mais obturações Aparelho fixo de ortodontia Análise dos hábitos alimentares Ingestão pouco frequente de alimentos Ingestão frequente de alimentos açucarados açucarados.25mg. CLE 2008-2012. lentamente dissolvido na boca. Nº 1851 .g. transmissível e prevenível provocada por bactérias (e. uma obrigatoriamente antes de deitar 3 – 6 Anos ʘ 2 x dia: uma obrigatoriamente antes de deitar 68 Nádia Isabel Leonardo Perdigão.. à noite antes de deitar ʘ Verniz de flúor ou de clorohexidina Frequência da escovagem dos dentes 0 – 3 Anos ʘ 2 x dia: a partir da erupção do 1º dente. streptococcus mutans ou streptococcus sobrinus) que formam a placa dentária na superfície dos dentes. em particular entre as refeições Utilização de fluoretos Uso regular de dentífrico fluoretado Não utilização regular de qualquer dentífrico fluoretado Controlo da placa bacteriana Escovagem dos dentes duas ou mais vezes Não escova os dentes ou faz uma por dia escovagem pouco eficaz Nível socioeconómico da família Alto Baixo História clínica da criança Sem problemas de saúde Portador de deficiência física ou mental Ausência de medicação crónica Ingestão prolongada de medicamentos cariogénicos Doenças crónicas Xerostomia Medidas protectoras em crianças de alto risco ʘ Aplicação de selantes de fissura ʘ Suplemento de fluoretos: um (1) comprimido diário de 0.

25mg Mais de 6 Anos ʘ Não recomendado: Excepcionalmente as crianças de alto risco podem fazer um (1) comprimido diário de fluoreto de sódio a 0. CLE 2008-2012.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Mais de 6 Anos ʘ 2 x dia: uma obrigatoriamente antes de deitar Material utilizado na escovagem dos dentes 0 – 3 Anos ʘ Gaze ʘ Dedeira ʘ Escova macia de tamanho pequeno 3 – 6 Anos ʘ Escova macia de tamanho adequado à boca da criança Mais de 6 Anos ʘ Escova macia ou em alternativa média de tamanho adequado à boca da criança ou do jovem Execução da escovagem dos dentes 0 – 3 Anos ʘ Pais 3 – 6 Anos ʘ Pais e/ou criança: a partir do momento em que a criança adquire destreza manual. faz a escovagem sob supervisão Mais de 6 Anos ʘ Criança e/ou pais: se a criança não tiver adquirido destreza manual. Nº 1851 .25mg 69 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. a escovagem tem que ter a intervenção activa dos pais Dentífrico Flouretado 0 – 3 Anos ʘ 1000-1500 ppm: quantidade idêntica ao tamanho da unha do 5º dedo da criança 3 – 6 Anos ʘ 1000-1500 ppm: quantidade idêntica ao tamanho da unha do 5º dedo da criança Mais de 6 Anos ʘ 1000-1500 ppm: quantidade aproximada de 1 cm Suplementos sistémicos de fluoretos 0 – 3 Anos ʘ Não recomendado 3 – 6 Anos ʘ Não recomendado: Excepcionalmente as crianças de alto risco podem fazer um (1) comprimido diário de fluoreto de sódio a 0.

CLE 2008-2012. ao cuidar da sua saúde oral. obrigatoriamente. sendo uma delas. utilizando uma pequena quantidade de dentífrico fluoretado de 1000-1500 ppm Dos 3 aos 6 anos de idade ʘ A escovagem dos dentes com um dentífrico fluoretado de 1000-1500 ppm deve ser efectuada duas vezes por dia. Nº 1851 . antes de deitar 70 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. está a promover a saúde do seu filho Do nascimento aos 3 anos de idade ʘ A higiene oral deve iniciar-se logo após a erupção do primeiro dente.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Apreciação do risco de cárie dentária Outras apreciações do risco: ʘ Apreciação do Risco de Doença Periodentária ʘ Apreciação do Risco de Maloclusão Dentária ʘ Apreciação do Risco de Lesão Dentária Recomendações do PNPSO Gravidez ʘ A grávida.

Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Dos 3 aos 6 anos. sendo uma delas. CLE 2008-2012.2%  Na escola Revelador da placa bacteriana Avaliação da higiene oral  A partir dos 6 anos  Compreender a necessidade da higiene oral 71 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. na escola ʘ As mensagens de promoção da saúde devem ser coincidentes com as práticas da escola Fio dentário  A partir dos 8 Anos  Utilização diária. preferencialmente antes de deitar Bochecho fluoretado  A partir dos 6 Anos  Quinzenal  Fluoreto de sódio a 0. no Jardim-de-infância ʘ Integrar a educação para saúde e a higiene no Projecto Educativo e efectuar uma escovagem dos dentes no Jardim-de-infância Mais de 6 anos de idade ʘ Escovar os dentes com um dentífrico fluoretado com 1000 e 1500 ppm duas vezes por dia. Nº 1851 . obrigatoriamente antes de deitar Mais de 6 anos.

provoca uma reacção imunológica comparável à que acontece quando um indivíduo tem contacto com o agente patogénico a que se refere. que. mas sem capacidade de causar doença. Nº 1851 . a que se retirou a capacidade de provocar doença. 72 Nádia Isabel Leonardo Perdigão.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Índice de placa Quantifica a placa bacteriana em todas as superfícies dentárias e reflecte os hábitos de higiene orais Índice de Placa Simplificado: Atribuição de um valor ao tamanho da placa bacteriana existente nos seguintes 6 dentes e superfícies predeterminados:  Índice de Placa Individual = Somatório da classificação atribuída a cada dente/6  Índice de Placa de Grupo = Somatório da classificação atribuída a cada dente/Nº de indivíduos observados x 6 Vacinação Imunizações Programa Nacional de Vacinação (PNV) O que é uma vacina Produto antigénico. introduzido no organismo. CLE 2008-2012. → Capacidade de produzir imunoglobulinas na sua presença.

 Nas doenças em que a imunidade de grupo funciona. Ag → ac vidade imunidade celular e humoral. A resposta imunológica depende de: ʘ Condições do hospedeiro  Idade – Sistema imunitário  É preciso ter um Sistema imunitário de alguma forma saudável para conseguir dar resposta imunológica adequada.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Mecanismo desencadeado pela vacinação Vacinação Introdução de Antigénios Indivíduo Resposta Imunológica Imunidade celular e/ou humoral Protecção contra a doença A grande parte das vacinas são administradas no recém-nascido porque é nesta fase da vida que é necessária a imunização → muitas vezes esta será permanente. Int. CLE 2008-2012. sendo necessário vacinar 100% da população. antibióticos…)  Reacção grave ou de hipersensibilidade a uma dose anterior da mesma vacinas  Condições do hospedeiro que contra-indicam as vacinas vivas  Grávidas até aos 4 meses  Doenças oncológicas ou imunodeficiências  Terapêutica imunossupressora  Administração há menos de 3 meses de sangue. relativamente a essa doença. toda a população em si está imunizada. ela consegue-se com uma percentagem de 70-80% de vacinados. este conceito não se aplica. Imunidade de grupo  Taxa de cobertura da vacinação para uma determinada doença.  Situação de saúde  Condições do hospedeiro que contra-indicam todas as vacinas  Doença febril aguda até à sua cura  Descompensação de doença neurológica se a vacina puder provocar febre  Alergia aos compostos da vacina (ovo. a partir da qual se consegue a sua erradicação. Nº 1851 . → Tem a ver com algumas patologias: se uma determinada % da população estiver imunizada. plasma ou imunoglobulina 73 Nádia Isabel Leonardo Perdigão.  No caso da tuberculose. do tétano e do sarampo. da difteria.  Depende de dados epidemiológicos e de factores socioeconómicos.

anti-parotidite. Vacina anti tosse convulsa  Micro-organismos similares – Ex.  Intramuscular ou Subcutânea . mas a resposta imunológica vai ser idêntica)  Polissacáridos bacterianos – Ex. na união do terço superior com o terço médio.  O método de conservação tem de ser rigoroso e preciso → se não for cumprido.  Administração  As vacinas do PNV são administradas por injecção  Intradérmica – BCG (só é feita por profissionais treinados.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL ʘ Condições das vacinas  Composição  Composição / Antigénios utilizados na produção de vacinas  Toxóide – Ex. nas crianças maiores. Vacina anti hemophillus influenzae do tipo B  Antigénio de superfície purificado Ex. do BCG. Vacina antitetância  Micro-organismos vivos atenuados – Ex.anti-meningococo do tipo C e anti-papiloma vírus. anti-rubéola ou anti-sarampo.anti-sarampo. dupla. papeira e rubéola  Micro-organismos mortos – Ex. Nádia Isabel Leonardo Perdigão. é administrada na face superior externa do braço esquerdo. podemos não estar a imunizar a pessoa como pensamos.  Local  Onde seja menor o risco de lesão local. Vacina anti hepatite B  Imunoglobulinas específicas  Conservação  Respeitar pelos prazos de validade  Não expor os preparados à luz directa ou a fontes de calor  Não guardar nas portas dos frigoríficos  Seguir as instruções relativamente às instruções de conservação  Manter a uma temperatura entre 2 e 8ºC e não congelar  As vacinas anti-sarampo. tetra e pentavalente. Se não for intra-dérmica não vai provocar a resposta imunológica esperada)  Intramuscular . Necessário fazer o controlo da temperatura do frigorífico. tríplice. quando diluídas devem ser utilizadas no prazo de 1 hora e dentro de 8 dias se forem mantidas entre 2 e 8ºC.  As vacinas referidas no Plano Nacional de Vacinação não necessitam de prescrição.anti-hepatite B. antipoliomielite  Subcutânea . anti-rubéola e anti-hepatite B. Nº 1851 74 . CLE 2008-2012.  As injecções intramusculares são administradas no vasto lateral da coxa nos lactentes ou no deltóide nas crianças maiores.  As injecções subcutâneas são administradas na coxa dos lactentes ou na face superior externa do braço. vascular ou dos tecidos. nervosa. anti-tétano. papeira e rubéola (VASPR)  Doses  O número depende da imunidade conferida pela vacina.  A injecção intra-dérmica. Vacina do BCG (não é o microrganismo em questão que é administrado. Vacina antisarampo.

desde que não seja no mesmo local.16. a tosse convulsa e a tuberculose e erradicar o tétano neo-natal. renais ou hepáticas ʘ Aleitamento materno ʘ Gravidez da mãe ou de pessoas de contacto próximo ʘ História anterior de tosse convulsa.anti-hepatite B  DTPa – anti: difteria. por exemplo. tétano. ou na fase de convalescença de doenças ʘ Dermatoses.11. parotidite ou rubéola ʘ Casos de morte súbita na família ʘ História de alergia à penicilina ʘ Prematuridade ou baixo peso ao nascer ʘ Malnutrição Plano Nacional de Vacinação Objectivos – controlar doenças como. HIB. BCG) ou mais doses (ex. VASPR). Organização do esquema vacinal/PNV ʘ Falsas Contra-indicações ʘ Alergia.anti-hemophillus influenzae do tipo B  MenC . eczemas ou infecções cutâneas localizadas ʘ Doenças crónicas cardíacas.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL  Intervalos entre a administração das vacinas  Vacinas mortas (sem restrições) . sarampo. CLE 2008-2012.Podem ser administradas na mesma altura o número necessário de vacinas. Nº 1851 .18) 75 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. asma ou outras manifestações atópicas ʘ Antecedentes familiares de convulsões ʘ Tratamento com antibióticos. MenC. ).anti-tuberculose  VHB . tosse convulsa (acelular) ou DTPw anti difteria. VIP. Organiza a administração de doze vacinas de acordo com a imunidade conferida em uma (ex. Td. DTPa. tétano e tosse convulsa (pertussis de célula completa)  VIP . papeira e rubéola  HPV – anti pailoma vírus (para os genótipos 6. pulmonares.  Vacinas vivas (4 semanas de intervalo)  3 semanas no caso das vacinas anti-cólera e anti-febre amarela. assim como nas idades em que ela é conseguida (ex. Vacinas do PNV  BCG .anti-poliomielite de vírus inactivado  Td – anti: tétano e difteria (pequena partícula de difteria)  Hib .anti-meningococo do tipo C  VASPR – anti: sarampo.

Dos 3 meses aos 18 anos é efectuada após reacção intra-dérmica de Mantoux negativa. mais tarde de 0. apesar de duvidosa. não é preciso revacinar. Mais tarde. por via i.05 ml. ʘ O controlo vacinal é feito às 10 semanas pela verificação da cicatriz vacinal. fornece imunidade a 59% dos vacinados. Contra-indicações  As relacionadas com as vacinas vivas. 76 Nádia Isabel Leonardo Perdigão.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Calendário BCG (Bacilo de Calmette-Guérin) – Vacina antituberculose ʘ É uma vacina de microrganismos vivos.d..d. Efeitos secundários do BCG  Incluem reacções imediatas – lesão supurativa que vem a formar crosta – e mediatas – adenite satélite axilar.  Faz-se a leitura às 48-96h após a inoculação. ʘ Confere imunidade a 80% dos vacinados. palpando-se e medindo-se em milímetros. Prova i. na dose de 0. A partir dos 18 anos. e. que é administrada por enfermeiros especialmente preparados.1ml de um soluto de 2 unidades de tuberculina. entre os 10 e os 15 anos. na face posterior do braço esquerdo dos recém-nascidos com mais de 2kg.1ml. defendendo dos casos graves da doença. CLE 2008-2012. O aspecto de casca de laranja indica uma boa técnica. Nº 1851 . a zona de induração. com régua transparente. pensa-se que deixe de ser eficaz para proteger da tuberculose. na face anterior ou anterolateral do 1/3 médio do antebraço esquerdo. se for entre 5 e 9 mm. quando administrada a menores de 5 anos.  A reacção é positiva se for ≥10mm. de Mantoux  Administração de 0.

não para as outras formas de infecção por papiloma vírus. ʘ Registar a vacina administrada. por via i.ª e a 3. Nº 1851 . não congelada. ʘ O intervalo entre a 1. A criança hospitalizada O facto de ser internado é um factor stressante por si só. ʘ Informar sobre os efeitos secundários possíveis. como.5ml. com ou sem febre  Em indivíduos com alterações da coagulação / risco de hemorragia. cancro do colo do útero e verrugas genitais externas relacionados com os genótipos que a compõem.ª será de 3 meses. em 3 doses. ʘ Preparar a vacina de acordo com as regras de administração de terapêutica.  A síndrome de imunodeficiência humana sintomática Vacina HPV – anti papiloma vírus (para os genótipos 6. ʘ Assegurar o respeito pelos prazos de validade. entre os 11 e os 13 anos.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL  As dermatoses generalizadas.18) ʘ Foi a última vacina a ser integrada no PNV – em Janeiro de 2009.ª e a 2. em função da idade e do Boletim Individual de Saúde (BIS). ʘ Preparar a criança e/ou informar os pais para o procedimento – o que vai fazer.16. ʘ A imunogeneicidade da vacina está demonstrada entre os 9 e os 26 anos de idade.11. ʘ Aconselhar a criança a permanecer 20 minutos no Centro de Saúde. a dose na ficha central de vacinação da criança. o laboratório. protegida da luz. ʘ É uma vacina produzida por DNA recombinante do HPV. ʘ Previne lesões genitais pré-cancerosas. Precauções da vacinação contra o HPV  Doença aguda grave. pelo que deve ser administrada 0. elogiando-a no fim.m. objectivo –.ª não deve ser inferior a 2 meses e entre a 2. CLE 2008-2012. através do programa SINUS. Conservação da vacina HPV  2 a 8ºC. com um adjuvante. condições de armazenamento e local de disponibilidade das vacinas. 77 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. assim como na ficha central de vacinação da criança. profunda. ʘ Escrever a lápis no BIS a(s) data(s) da(s) próxima(s) vacina(s). o lote. fazer segundo prescrição médica  Gravidez Reacções adversas da vacinação contra o HPV  Febre e sinais inflamatórios no local da injecção (muito frequentes)  Equimose ou prurido no local da injecção (frequentes)  Broncospasmo (muito raras) Outras vacinas não integradas no PNV  Prevenar  Antigripe A – 6 meses aos 2 anos Cuidados gerais a observar na prática da vacinação ʘ Certificar-se da vacina a administrar.

Nº 1851 . essencialmente de ajuda ao médico → visão apenas técnica sem atenção especial à criança. Já existem em alguns serviços espaços diferentes para diferentes grupos etários.  Reconhecimento dos pais/ pessoas significativas como constantes na vida da criança 78 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. educadoras de infância começam a integrar o pessoal dos serviços O ambiente hospitalar pediátrico tornou-se:  Estimulador do desenvolvimento  Agradável  Seguro Hoje em dia os serviços são coloridos. dirigido pelos técnicos  Com actividades de aprendizagem e lúdicas Equipamento  Adequado à criança Redução do Internamento das crianças em serviços de adultos (especialidades) Serviços com sala de actividades lúdicas e de aprendizagem. têm material adequado às crianças → para a criança não parar o seu desenvolvimento e as suas actividades. Cuidados Centrados na Criança Contrariar o que era feito. Maior número de educadoras de infância e expansão do tempo de permanência das mesmas. Os cuidados hospitalares eram:  Centrados na doença.  Nos procedimentos técnicos  Centrados na organização institucional Limitativos  Da presença dos pais (1hr)  Da presença de outros familiares. Cuidados  Em função da criança  Com abertura à presença dos pais  Com pais participantes.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL A Evolução dos Cuidados à Criança As crianças têm adquirido um estatuto de atenção Cuidados Centrados no Corpo O que importava era curar e não a criança em si → nem sempre eram internados em serviços pediátricos. CLE 2008-2012. uma vez que esta está inserida numa família → os familiares con nuam a desempenhar o mesmo papel que desempenhavam antes da doença → as relações devem-se manter (família e família alargada). Não ter as crianças internadas por especialidades para por pares de desenvolvimento. ambiente “frio” O enfermeiro tinha um papel. e crianças Desprovidos  De equipamentos adequados à criança  De actividades relacionadas com a aprendizagem ou de âmbito lúdico  De serviços de internamento pediátrico As enfermarias eram demasiado grandes. Cuidados Centrados na Família A investigação veio comprovar que era necessário olhar para além da criança. sem qualquer individualidade. Podia levar a depressão da criança e podia mesmo comprometer o seu desenvolvimento. As crianças muitas vezes eram cuidadas pelos doentes adultos que partilhavam a enfermaria com elas.

especialmente dos enfermeiros  O estudo de Spitz (1940) ʘ Crianças que antes tiveram uma relação normal com a mãe. ʘ Cuidados Centrados na Família ʘ Cuidados Personalizados. tal como a dor.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL  Inclusão da família e da criança na decisão e na participação  Participação dos pais antes e durante a hospitalização e no regresso a casa  Satisfação das necessidades de cada membro da família Pais devem também participar na preparação da hospitalização e nos cuidados após a alta. CLE 2008-2012. durante pelo menos 3 meses. a escuridão e a luminosidade elevada. o distress físico. Factores que influenciaram o desenvolvimento dos Cuidados Pediátricos  Redução das doenças infecciosas  Formação dos profissionais de saúde. 2002)  O cuidado atraumático é a prestação de um cuidado terapêutico. a desilusão. a vergonha e a culpa. ʘ Fontes de stress na criança Fonte interna  Fome  Dor  Sensibilidade à dor  Mudanças de temperatura  Densidade social  Fadiga  Sub ou sobre estimulação ambiental Fonte externa  Separação da família 79 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. num meio clínico. Coordenados e Continuados – Enfermagem por método de Enfermeiro Responsável ou Gestão de Caso As únicas situações em que a criança se encontra em isolamento é se estão imunodeprimidas ou se têm patologia contagiosa. Nº 1851 . tal como o medo. a temperatura extrema. após retiradas à mãe. a ansiedade. por profissionais de saúde. através de uma intervenção que reduz ou elimina o distress psicológico.  A evolução social (direitos…)  O desenvolvimento da Psicologia e das Ciências Sociais ʘ Introdução das mesmas no currículo da enfermagem  A investigação em Enfermagem Depressão da criança institucionalizada Posição – muito semelhante à posição fetal Ausência de comportamentos de contestação Diminuição do interesse pela interacção – as interacções com os outros não são consistentes ou não são mantidas A filosofia da Enfermagem Pediátrica Cuidados Atraumáticos – Cuidados prestados de forma a eliminar ou minimizar o stress físico e psicológico da criança e família (Wong. o ruído elevado. ficam em depressão grave com compromisso do desenvolvimento. a ira.

chuchar morder as unhas ou a pele ʘ Acidentes de perda de urina ʘ Distúrbios do sono Os peritos sugerem ainda ʘ Depressão e evitamento ʘ Vergonha excessiva ʘ Hipervigilância ʘ Demasiada preocupação ʘ Ficar estático em situações sociais ʘ Obsessão por rotinas. A partir do 1º ano ʘ Medo da separação dos pais(até à idade escolar ou 8 anos) 2 Anos 80 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. luminosidade repentina e intensa ʘ Alteração de temperatura súbita ou adversa de forma contínua A partir dos 6 meses (objecto permanente) ʘ Ansiedade a estranhos – reage cm ansiedade aos adultos que não têm com ela uma relação tão próxima como tem com a mãe → chora e deixa de ir ao colo de estranhos. alimentos e por saber o que acontece a seguir ʘ Prender-se excessivo (clining) Medos e ansiedades Recém-nascido até ao 1 ano (inato) ʘ Abordagens súbitas dirigidas ao RN ʘ Movimentos bruscos ʘ Ruído. Não tem a noção de quando irão voltar os pais no caso de estar internado.  Desorganização dos eventos do dia-a-dia → O que causa stress á criança tem de estar muito bem iden ficado para intervir e prevenir Indicadores de Stress na criança ʘ Chorar ʘ Mãos suadas ʘ Fugir ʘ Explosão de raiva ʘ Embalar-se ʘ Comportamentos de auto conforto ʘ Cefaleias ʘ Dores de estômago ʘ Comportamentos correspondentes ao sistema sensório-motor fino: Puxar e enrolar o cabelo. mastigar. ʘ Surge aos 6 meses quando a criança desenvolve a noção de permanência do objecto – tem a noção de que pode perder e reaver o objecto. Nº 1851 .Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL  Alterações na composição familiar  Exposição a conflitos interpessoais  Exposição à violência  Experiência de agressão (bullying)  Perda de propriedade (boneco. Não interromper o colega quando está a prestar cuidados. …)  Exposição a excessivas expectativas em relação a si  Ser apressada pelos adultos. ʘ Na prestação de cuidados deve ser utilizado o método individual e gestor de caso. Dar tempo ao lactente de perceber se somos “amigos” ou uma “ameaça”. CLE 2008-2012.

formando a “história” à sua maneira. Nº 1851 . ʘ Fobia da escola  5 aos 7 anos: separação de casa  11 aos 13 anos: aspectos particulares da escola ʘ Medo de elementos reais do ambiente Adolescência ʘ Os medos da adolescência podem corresponder a medos presentes na infância ʘ Medos relacionados com vivências concretas ʘ A ansiedade na adolescência manifesta-se por:  Alterações bruscas de humor (mood swings). animais. das trovoadas. 2ª Infância ʘ Medo do escuro. interagem entre si passando a ter um efeito cumulativo (…) (Stansdbuddy & Harris. treino de esfíncteres. intensas e de frequência elevada Princípios gerais A experiência de stress na criança varia em função:  Do desenvolvimento da criança  Das experiências anteriores de vida ( inventário de capacidades de coping). escuro. Os medos aumentam a partir dos 18 meses Há fontes de medo relevantes em contexto de saúde:  Generalizam as experiências (um cão mordeu …todos os cães mordem)  Dão um sentido diferente às conversas dos adultos quando não entendem parte do conteúdo (parecia que queria bater-lhe) → há medos que surgem das conversas com o adulto – a criança ainda não consegue compreender tudo o que o adulto diz –pega nos “pedacinhos” que percebe e junta. médicos e enfermeiros (batas brancas). CLE 2008-2012. relâmpago. Ter atenção quando explicamos algo aos pais e a criança está a ouvir. 2003) Regra de Ouro (…) os diferentes stressors que ocorrem simultaneamente. de cair. estranhos 3 Anos ʘ Os anteriores e o medo de animais e pessoas com aparência estranha 4 Anos ʘ Os anteriores e medo de se perder dos pais e de descontrolo emocional 5 Anos ʘ A criança tem receios mais objectivos: medo de magoar-se. carro. As causas de medo diferem de criança para criança O stress na criança é definido em função da sua fonte: interna e externa (Marison. 2003). As crianças com menos de 6 anos têm maior vulnerabilidade ao stress porque têm menor capacidade de:  Pensar sobre um evento e a sua globalidade  Seleccionar de um menu de comportamentos possíveis quando ocorre um evento novo.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL ʘ Trovoada. interessante ou indutor de ansiedade (Allen & Marotz. ladrar de um cão). do escuro e dos cães. ruídos desconhecidos. 2002) Stressors Relacionados com a Hospitalização da Criança  Separação  Ambiente ʘ Ruído ʘ Luminosidade 81 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. que não duram muito tempo. (aspirador.

82 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. principalmente nos Membros Inferiores) Intervenções de Enfermagem ʘ Deixar a criança descansar durante períodos ʘ Gerir as intervenções em blocos mas evitar consumos de O2 excessivo ʘ Suportar bem as crianças quando são manipuladas ʘ Observar e respeitar o temperamento do RN e lactente ʘ Ter os pais presentes ʘ Colocar música e/ou gravação de voz (gravidez – mãe) ʘ Proporcionar a experiência da sucção Medo de estranhos (Lactente > 6 meses) Intervenções  Reduzir o nº de pessoas  Método de distribuição de trabalho  Respeitar os princípios de comunicação  Pais como mediadores e prestadores de cuidados parentais  Consolar o lactente quando os pais não estão presentes com gentileza Toddler e Pré-escolar Stressores Objectos de tratamento fantasiados como objectos cortantes. fita métrica. seringa. Nº 1851 . Termómetro. estetoscópio → fantasiados como objecto maus: a criança tem capacidade de fantasiar e animismo (dar características de animais aos objectos). CLE 2008-2012. monstro ou animais.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL ʘ Manipulação ʘ Temperatura Perda de controlo ʘ Restrição física ʘ Alterações da rotina e rituais ʘ Medo do desconhecido ʘ Perda do papel produtivo Medo da lesão corporal ʘ Intrusão ʘ Mutilação Medo da morte Dor     Recém-Nascido e lactente Stressores ʘ Privação sensorial ʘ Ruídos – sobrecarga sensorial → o Recém-Nascido precisa ser estimulado mas não em exagero ʘ Alteração súbita da luminosidade ou prolongada de níveis inadequados ʘ Alteração súbita e/ou inadequada temperatura ʘ Manipulações sucessivas – privação do sono ʘ Manipulação rápida e pouco suportada (pouca sustentação.

disciplinam.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Intervenções  Colocar todo o equipamento fora do alcance visual da criança – se a criança não necessita de ver o objecto este deve estar fora do seu alcance visual → diminuição do stress e evitar destruição de material. dão prazer à criança. dar espaço à criança para que veja e manipule o objecto para que deixe de fantasiar. pais são pais! Os pais exercem a sua parentalidade: mimam. Separação Estádios da Ansiedade da Separação Lactente/Toddler Protesto Grita Vira-se para os pais Nega Relacionamento com adultos Desespero Tristeza Depressão Comportamentos de afastamento Chora quando os pais aparecem1 Desapego Falta de protesto quando os pais chegam Parecem felizes com estranhos2 Possível atraso de desenvolvimento Com a idade aumenta o protesto físico (uso das mãos e pés) e verbal → É crime não permitir que os pais estejam no serviço. Uma boa colheita de dados permite-nos saber as experiências anteriores e como reagiu e o que sabe. papel) que ocupam no grupo 83 Nádia Isabel Leonardo Perdigão.. ʘ Facilitar /apoiar a presença dos pais/pessoa significativa ʘ Explicar as reacções da criança à separação e a forma de apoiá-la – necessário ajudar os pais ao explicar a reacção da criança à hospitalização Idade Escolar e Adolescência ʘ Medo da separação os pais/pessoa significativa e amigos ʘ Medo de perda do grupo ʘ Medo de perda do lugar (estatuto e competência. especialmente em PALOP que não vêm acompanhados ou em crianças abandonadas 1 Mostrar aos pais que está triste com eles por não estarem consigo 2 Brincam mas sem satisfação. Relação muito superficial.  Preparar e colocar todo o material de tratamento fora do campo visual da criança. Nº 1851 . CLE 2008-2012.. Por vezes ainda ocorre este processo na totalidade.  Explicar antecipadamente o material que necessita de ser exposto – se a criança necessita de ver o material. Intervenções ʘ Favorecer o exercício da parentalidade – pais não são visitas.

Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL ʘ Tolera melhor a separação dos pais Intervenções ʘ Promover a gestão da presença dos pais em momentos críticos ʘ Promover contactos e visita de amigos e colegas – facilitar a comunicação com o seu grupo ʘ Promover actividades conjuntas com os pares hospitalizados – socializar com outras crianças da mesma idade Perda de Controlo Do Lactente ao Pré-escolar (Restrição Física) Intervenções  Preferir a contenção  Controlar a linguagem não verbal – não sorrir: a criança pode achar que gostamos de lhe fazer mal. Intervenções  Planeamento em conjunto com a criança e pais para favorecer autonomia e/ou iniciativa – dar oportunidade à criança de realizar a sua rotina → pode gerar gritos e ansiedade se não a respeitarmos.  Elogiar a autonomia e iniciativa da criança  Oferecer escolhas. A restrição por si só já é um momento bastante stressante.Nestas alturas não se devem fazer novas aprendizagens porque exigem muito gasto de energia. Reacções A perda de controlo desencadeia:  Negativismo  Alterações bruscas de humor → birras – sentimento de perda/bloqueio de autonomia e iniciativa. CLE 2008-2012. mas só quando possível (negativismo)  Não introduzir novas aprendizagens de autonomia em doença aguda/crise de agudização . Dar palavras aos sentimentos da criança para ela perceber que compreendemos o que ela está a sentir. Intervenções Explicação antecipada  Da hospitalização  Dos procedimentos Toddler e Pré-escolar (Autonomia e Iniciativa) Se bloquearmos a autonomia da criança esta pode entrar em ansiedade. Nº 1851 .  Manter o mínimo de adultos junto da criança (excepto pessoas significativas) Do Toddler ao Adolescente (Medo do Desconhecido) Compreensão distorcida da hospitalização e dos procedimentos de diagnóstico e terapêuticos – se a criança não tiver qualquer experiencia anterior. toda a hospitalização é algo desconhecido. E por fim reacções de:  Regressão  Passividade 84 Nádia Isabel Leonardo Perdigão.

Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Medo de intrusão. Medo da morte RN Lactente Toddler e préEscolar Adolescente escolar Não tem Sensível aos Sensível aos Morte irreversível Morte irreversível sentimentos vividos sentimentos vividos com significados com significados no ambiente no ambiente atribuídos pela atribuídos pela humano humano cultura e/ou cultura e/ou Reversibilidade da religião dos pais religião dos pais morte Aos 5 anos os pais têm medo da morte dos filhos. castração e lesão corporal (Do Toddler ao Adolescente)  Medo da intrusão nos orifícios corporais (Toodler – não tem completa noção do seu corpo .  Os conceitos de saúde e contágio e a percepção do corpo e seus limites são a base da compreensão da existência e dimensão da lesão. Coordenados e Continuados – Enfermagem por método de Enfermeiro Responsável 85 Nádia Isabel Leonardo Perdigão.e Pré-escolar)  Medo da castração (Pré-escolar)  Medo da lesão corporal – só é atingido depois dos 6 anos → noção do corpo e permanência.  O toddler receia a colocação de instrumentos nos seus orifícios corporais como resultado da percepção que tem do corpo. … só tem consciência da morte após os 6 anos de idade. Explicar tudo de modo a ter expectativas realistas e não ter receio de tratamentos e hospitalização (Pré-escolar. A Criança Hospitalizada – II A filosofia da Enfermagem Pediátrica  Cuidados Atraumáticos – Cuidados prestados de forma a eliminar ou minimizar o stresse físico e psicológico da criança e família (Wong 2002). tirar a dor…  Explicar das consequências da doença e do tratamento no aspecto e funcionalidade do corpo (Escolar e Adolescente)  Ajudar o adolescente a exprimir os medos e as perdas  Evitar cirurgias na área genital (fase genital) Perda de controlo: princípios relativos ao Toddler e pré-escolar  O medo da lesão corporal e da dor é frequente na criança e prevalece para além da infância reduzindo nestes adultos a procura de cuidados de saúde (Pate et al. Nº 1851 . 1996). mas até esta idade a criança só tem medo dos procedimentos. Escolar e Adolescente)  Medo da incapacidade (Escolar e Adolescente) Intervenções  Seleccionar medicação de forma a evitar via rectal  Tapar “orifícios” – colocar um penso para evitar que “o sangue saia todo”  Adequar a linguagem ao desenvolvimento – tratar o que está mal. da dor.  Cuidados Centrados na Família  Cuidados Personalizados. CLE 2008-2012.

1999) → Mesmo após o fim do internamento a criança pode ainda ter algumas regressões. Hospital e experiencia anterior são factores de vulnerabilidade. o carácter potencial stressante do adoecimento é frequentemente aumentado. A primeira experiência deve ser sempre boa – facilita ao diminuir a tensão da criança. Minimizar o impacto da necessidade de internamento.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL A hospitalização da criança: conceitos “Adoecer é um evento não esperado e. tais como: ʘ A gravidade da patologia. Nº 1851 . CLE 2008-2012. não desejado. ʘ O estigma social vinculado à doença ʘ E as restrições ambientais impostas pelo tratamento” Do ponto de vista psicológico. a experiência de adoecimento envolve inúmeras perdas transitórias e/ou permanentes e quando é necessário o internamento hospitalar. ʘ Os efeitos colaterais desagradáveis de determinados tratamentos. social e psicológica. na maior parte das vezes. implica a exposição do indivíduo a vulnerabilidades de natureza física. condicionadas por uma ampla variedade de factores. Representação básica do Sistema/Cliente 86 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. (Barros.

Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Consequências da Intervenção Hospitalização na Criança: Efeitos Qual o factor mais determinante no ajustamento à hospitalização? O conceito de doença da criança Quando é que as crianças reagem ao stress da hospitalização? Antes... é agressivo)  As crianças maiores usam estratégias cognitivas. ansiedade dos pais.  As expectativas. no desenvolvimento cognitivo ʘ Vários stressors simultâneos ou contínuos Comportamentos de adaptação A criança adopta comportamentos de distanciamento e de redução do stress: Na criança mais pequena ‐ Choro e sentimentos de abandono No toddler e pré‐escolar ‐ Age não demonstrando o que sente ou mesmo escondendo os seus sentimentos: (exibe‐se. e Tiedmen. Simon. 2002.) ʘ Idade (6 meses a 5 anos) ʘ Ser do sexo masculino ʘ Abaixo da média. Nº 1851 . . (Kochenderfer‐Ladd & Skinner. durante e após a hospitalização (Clatworthy.  As circunstâncias. CLE 2008-2012. Stansburry & Harris. 1999) Factores Quais os factores que contribuem para a vulnerabilidade da criança ao stress. na hospitalização? ʘ Temperamentos difíceis ou crianças passivas ʘ Dificuldade de relacionamento pais-filhos (poucas visitas. 2000) Mecanismos de Defesa Disponíveis RecémLactente Toddler e Prénascido escolar Não Não Regressão Identificado Identificado Negação Repressão Escolar Regressão Negação Repressão Adolescente Regressão Negação Repressão 87 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. como a resolução de problemas:  Questionam sobre a situação.

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Projecção Projecção Sublimação Sublimação Estudante perde Formação reactiva alguém e começa a Racionalização estudar para ter Intelectualização 20 Utilização do Formação reactiva conhecimento para Nega o desejo e manter ou ganhar reprime‐o e tenta controlo sobre a destruir o desejo de vivência emocional. outros Uma criança que deixa de fazer tudo e não reage não é saudável – a criança desiste de viver. Toddler – repressão: atenção à segurança do serviço quando há ataques de fúria. Adolescente – ser humilde e dar a oportunidade ao adolescente de colaborar. Adoram saber tudo: desde a fisiologia da patologia à terapêutica – estão sempre a questionar a intervenção. Negação Finalidade: uso de energia mínima para poder responder ao stress e obter gratificação e protecção. Características observadas:  Não referem o que têm,  Não mostram preocupação,  Não incluem nos planos imediatos ou a longo prazo o episódio de doença. Regressão Finalidade: uso de energia mínima para poder responder ao stress e obter gratificação e protecção. Características observadas:  Adoptam comportamento próprio da etapa anterior Comportamentos após o regresso a casa ʘ Alguma agressividade dirigida aos pais ʘ Queixoso ʘ Procura da atenção dos pais ʘ Opõe-se à separação ʘ Novos medos (terrores) ʘ Recusa-se a ir para a cama ʘ Isolamento e vergonha ʘ Birras ʘ Muito selectivo em relação aos alimentos ʘ Uso de objectos de transição ʘ Regressão ʘ Distanciamento emocional ʘ Exigências em relação aos pais ʘ Zangados com os pais ʘ Invejosos em relação aos outros → É importante informar os pais de que a harmonia em casa não regressa logo após a alta, e de que não devem ceder a todos os pedidos da criança. Ganhos Recuperação da saúde Reforço da relação criança/família: Ataques de fúria e atitudes muito exacerbadas Projecção A criança está zangada mas diz que quem está zangado é o irmão

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 Sensação de protecção e de ser amado  Obter ajuda para outros problemas de saúde  Protecção e segurança Aprendizagem da gestão do stress Novas experiências de socialização:  Aprender sobre a doença  Aprender sobre equipamentos  Aprender sobre profissões  Envolvimento com outras crianças: ajuda/identificação

Os Projectos que Trazem o Mundo da Criança para o Hospital
O brincar Animais no Hospital Os hospitais podem utilizar animais na terapia com as crianças. Os animais são treinados para providenciarem conforto e distracção durante os cuidados de saúde. → Ainda não são permitidos A música Os instrumentos clínicos dão lugar aos musicais 2x/ semana no Hospital Garcia de Orta, onde crianças internadas, pais e profissionais de saúde fazem parte de uma «orquestra» que toca melodias para fazer esquecer a dor. (Lusa, 2003) Operação Nariz Vermelho

Preparação antecipada para os momentos críticos:
Evidência O medo do desconhecido é maior do que o medo do conhecido As crianças e pais podem aprender respostas adaptativas ao stress causado pela hospitalização. A criança com idade superior a 4 anos tem menor stress quando preparada. Crianças com idade inferior a 4 anos também têm menor stress quando os pais são preparados! As crianças preparadas para a hospitalização apresentam:  Menos ansiedade,  Uma recuperação mais rápida,  Um menor número de comportamentos de desajustamento pósinternamento. (Jonhson, Jepson, Redburn, 1992) Momentos Críticos Internamento Cirurgia Procedimentos Modelos de Preparação  Fornecimento de informações (orais e/ou escritas),  Distracção (jogos, brincadeiras e actividades concorrentes com o procedimento médico a ser realizado),  Simulação da situação real (jogos, audiovisuais e desempenho de papéis).

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(World Health Organization, 1993) Orientações para um Programa de Preparação A preparação psicológica para procedimentos deve incluir:  A informação sobre os detalhes da experiência a ser vivida  O ensino de estratégias efectivas de confronto. (Salmon (2006) Os programas de preparação mais eficazes, combinam:  Modelos de coping,  Informação sensorial,  Informação sobre o procedimento. Menor ansiedade e Maior conhecimento sobre o evento Benefícios As crianças devem ser preparadas antecipadamente para a admissão e os procedimentos que ocorrem habitualmente num internamento. (American Association of Pediatrics) Resultados positivos da preparação da criança:  Aumento de adesão ao tratamento,  Redução de ansiedade antecipatória,  Desenvolvimento de estratégias de confronto mais eficientes. (Burke, Harrison, Kauffmann & Wong, 2001; Martins, Ribeiro, Borba & Silva, 2001)

O processo de preparação da criança:
A informação Objectivos da informação:  Promover a possibilidade de gerir os eventos,  Antecipar e compreender os objectivos, significados e propósitos dos eventos,  Corrigir ideias prévias e clarificar o que não ficou claro. A informação é o elemento principal de um processo de preparação psicológica:  Alto potencial redutor de ansiedade,  Eliminação de dúvidas simples acerca do procedimento e seus efeitos  Baixo custo operacional. As modalidades de informação Informação ʘ Oral ʘ Escrita ʘ Vídeos/áudios ʘ Internet ʘ Visitas ao hospital ou serviço ʘ Classes pré-operatórias ʘ Brincadeira (aos hospitais) Conteúdo da informação Explicação:  Da doença e do tratamento,  Das intervenções adoptadas para minimizarem os stressores,  Do procedimento por ordem dos acontecimentos,  Das sensações durante e após o procedimento,  Os comportamentos que reduzem a dificuldade do procedimento.

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(Roberts.Ver como o fantoche se comporta ʘ Bonecos . CLE 2008-2012. ʘ Ao profissional de saúde identificar na criança os aspectos mais stressantes e trabalhálos. Nº 1851 .Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Conteúdo da informação aos pais: Convide os pais a estarem na preparação da criança.  Imaginação activa.  Obtenção reforço positivo para comportamentos considerados adequados. ʘ Suficientes e interessantes para distrair durante todo o procedimento.  Diminuição das interpretações aterrorizantes sobre a situação. A informação e os procedimentos de distracção podem ser associados e permite: ʘ A expressão de sentimentos e pensamentos da criança. ʘ Suficientemente interessante para estimular o envolvimento.Ver como outras crianças se comportam ʘ Fantoches .  Controlo respiratório. Sem a presença da criança.enfermeiros e médicos 91 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. 2003) A modelagem Modelagem e “fazer de conta”: ʘ Vídeo .  Técnicas de reestruturação cognitiva (auto-instruções e autoverbalizações). Vantagens:  O aumento da sensação de controlo.Ver como bonecos se comportam Vantagens: ʘ Permite a experiência sensorial ʘ Permite a exploração de Copings Maior eficácia se incluir: ʘ Roll play ʘ Brincadeira . explicar:  As reacções da criança em situação de stress  Como os pais podem ajudar a criança ʘ No desenvolvimento de estratégias de coping ʘ Na expressão dos sentimentos ʘ No consolo ʘ Na gestão da dor (se adequado) A distracção Procedimentos de distracção (jogos e brincadeiras) têm o objectivo de desviar a atenção da criança do procedimento invasivo para uma actividade que dê prazer à criança Critérios para a selecção de actividades e brinquedos: ʘ Apropriados à idade. O desenvolvimento de skills de coping Procedimentos que desenvolvem estratégias de coping na criança para a diminuição da actividade vegetativa excessiva:  Relaxamento.  Técnicas de promoção de condutas colaborativas.

CLE 2008-2012. ʘ Outros stressores na família. ʘ Estratégias de coping. ʘ Temperamento e estilo de coping. ʘ Experiência prévia de internamento ou/e do procedimento. ʘ Conhecimento sobre a hospitalização. Nº 1851 . ʘ Forma como se desenvolve o procedimento. Conhecer sistema de saúde ʘ Recursos. Como? ʘ Individual ʘ Grupo Quando? ʘ Crianças de 4 a 6 anos – um a dois dias antes ʘ Crianças com idade superior a 6 anos – uma semana antes A quem? ʘ Pais – se o doente tem menos de 4 anos ʘ Aos Pais e à criança – para os restantes Métodos de Intervenção Brincadeira terapêutica 92 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. Conhecer os Pais: ʘ Composição familiar e papéis. sobre o procedimento e a forma de ajudar a criança. ʘ Apoio disponível.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Processo de preparação da criança para momentos críticos Apreciação Criança Pais Procedimento Plano Quem? Onde? Como? O quê? Situações especiais? Implementação Métodos Conteúdos Avaliação Ansiedade – comportamento da criança – ajuste a curto e longo prazo Recuperação ‐ sensação de controlo Conteúdos ‐ Confiança Apreciação Conhecer a criança: ʘ Estádio de desenvolvimento. Planeamento Quem: ʘ Inicia: o profissional que decide e informa os pais e a criança ʘ O Enfermeiro.

sempre prévio. Não há interferência no procedimento.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Modelagem aconselhamento pelos pares Treino de Skills de Coping O momento do acolhimento Objectivos:  Acolher a criança e a família  Conhecer a criança e a família  Empower da criança e da família Intervenção: Dar a conhecer:  Direitos da criança e dos pais www.ipoporto. CLE 2008-2012. Nº 1851 . Informar sobre:  A causa  As sensações  A presença dos pais  A anestesia  Recuperação Usar modalidades e estratégias de ensino em função do desenvolvimento da criança e situação clínica Preparação da criança para os Procedimentos dolorosos: Critérios Todo o procedimento invasivo Todo o procedimento que a criança teme (penso) Todo o procedimento que é doloroso para adultos Presença dos pais Investigação relativa à presença dos pais Medo por parte dos profissionais  Atraso do procedimento  Interferência no procedimento  Maior ansiedade Investigação sobre a presença dos pais em procedimentos  Punção lombar  Punção endovenosa  Reparação laceração  Reanimação Não há maior ansiedade da criança (pelo contrário) e dos pais.min‐te/DireitosDeveres/?sm=3_0  Filosofia do serviço  Espaços e profissionais  Regras de segurança e funcionamento do serviço Desenvolver a entrevista inicial de enfermagem  Esclarecer dúvidas  Explicar as reacções habituais das crianças e como pode ser apoiada  Fornecer guia de acolhimento Preparação da criança para a cirurgia Momento: em função da idade. 93 Nádia Isabel Leonardo Perdigão.

 Pedir‐lhe para decidir sobre o acompanhamento durante o procedimento. Como. CLE 2008-2012. maior a antecedência da explicação. Sensações da criança. Nº 1851 . Obter consentimento Toddler e Pré‐escolar Momento  Imediatamente antes – toddler  Pouco tempo antes ‐ pré‐escolar Conteúdo da explicação prévia  A razão do procedimento  O que sente  Os comportamentos a adoptar  Treinar uma estratégia de distracção ou skill de coping  Enfatizar a presença de pais ou substitutos Manipulação do material  Preparar antes e fora da visibilidade da criança  Manter todo o material fora do campo de visão Pós procedimento  Tapar orifícios  Confortar a criança  Reforçar positivamente o seu comportamento Escolar e adolescente Momento  Quanto mais idade.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Preparação dos pais Explicar com antecedência o procedimento: ʘ Porquê. Conteúdo da explicação prévia  A razão do procedimento  O que sente  Os comportamentos a adoptar  Treinar uma estratégia de distracção ou skill de coping  Enfatizar a presença de pais ou substitutos Manipulação do material  Explicar o material  Deixar manipular Pós procedimento  Confortar o adolescente  Reforçar positivamente o seu comportamento Recursos Materiais utilizados: ʘ Vídeo ʘ Fantoches ʘ Bonecos próprios – modelos ʘ Livros ʘ Jogos ʘ Boneco de papel – pode ser desenhado pelo profissional ou pela criança 94 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. Apoio dos pais à criança. Consolo após procedimento.

Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Dicionário pediátrico Palavra a Evitar → Sugestão Dor → Palavra habitual. Incisão → Abertura especial Edema → Inchaço. Nº 1851 . injectar → Colocar medicamento por baixo da tua pele Órgão → Uma parte do corpo ou um lugar no corpo Teste ou análise → Vamos ver como está o teu sangue sangue...urina.. CLE 2008-2012. alto Maca → Cama com rodas Fezes → Termo habitual A família Hospitalizada na perspectiva do modelo de Neuman Criança Pais Alterações do papel parental Alteração dos comportamentos e das emoções do filho doente Desconhecimento do ambiente Desconhecimento da doença e tratamento do filho (situações urgentes e criticas) Dor na criança Alterações financeiras Reacções dos outros membros da família Irmãos Avós Separação dos pais Perda do papel no grupo Perda de controlo Medo da lesão Medo da morte Mudança de casa Redução do tempo com os pais Alteração da disponibilidade emocional dos pais Alteração das rotinas Indicadores de medo e ansiedade Verbalização: não se sentem avós e que não conseguem proteger os filhos/netos do sofrimento Indicadores Stressores Indicadores de medo e ansiedade na criança – criança doente e irmãos em função do desenvolvimento e das características do próprio... Ferida → Dói-dói Anestesia → Sono especial Cortar ou Arar → Consertar/arranjar Medir a temperatura → Ver se tens febre Cateter → Tubo Monitor → Ecrã de TV Eléctrodos → Auto‐colantes Picar.. Indicadores de medo e ansiedade nos pais e avós – indicadores de stress no adulto em função de características do próprio Intervenções preventivas Criança Pais Todas as Informar antecipadamente e intervenções atempadamente sobre os Preparação da cuidados de enfermagem criança para Promover ou apoiar o cuidar Irmãos Promover contacto com pais-irmão Explicar e Avós Promover a visita Orientar os pais para explicarem aos avós. Promover 95 Nádia Isabel Leonardo Perdigão.

comunidade sistema de apoio ensinar a causa do internamento equipamento/mater ial para contacto Factores de Vulnerabilidade Criança Pais Ser do sexo masculino Atraso do Ter idade inferior a 6 anos desenvolvimento Benefícios Criança Recuperação de saúde Reforço das relações criança e família Aprendizagem da gestão de stress Novas experiências de socialização: sobre a doença. hospitalização e profissões Irmãos Idade inferior a 6 anos Avós Pais Manutenção do papel parental Aprendizagem de cuidar da criança doente. independentemente da idade gestacional ou do peso à nascença. CLE 2008-2012. que tem uma maior probabilidade de morbilidade ou mortalidade decorrentes de condições ou circunstâncias associadas ao nascimento e ajustamento à vida extra-uterina  Distress respiratório  Hipoglicemia  Instabilidade termodinâmica  Dificuldade alimentar  Icterícia 96 Nádia Isabel Leonardo Perdigão.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL hospitalização. cirurgia e procedimentos Mudanças no ambiente Manter rotinas do filho e/ou Estar com o filho Apoiar os sentimentos Ajudar a satisfazer as necessidades Facilitar/promover r/c familiares. tratamento. Fortalecimento da Relação pais/criança Sentimento de confiança resultante do apoio Irmãos Sentir que não perderam o lugar na família Novas aprendizagens: Conhecimento e Coping Avós Manutenção do papel de avós Recém-Nascido de Risco Conceito de Recém-Nascido de Risco Recém-nascido. Nº 1851 .

CLE 2008-2012.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Determinantes do Risco no Recém-Nascido Matern os Obstétricos Socioeco nómicos Fisiopat ológicos Factores Obstétricos ʘ História de parto prematuro (anterior) – prematuro por si só é um factor de risco ʘ Gravidez não vigiada ʘ Gravidez múltipla – pode levar a prematuridade ʘ Gravidez na adolescência ou tardia ʘ Descolamento da placenta e placenta prévia ʘ Quantidade anormal de líquido amniótico ʘ Ruptura prematura de membranas Factores Maternos Doença materna: ʘ Renal ʘ Pulmonar ʘ Cardíaca ʘ Infecção ʘ Diabetes ʘ Pré-eclâmpsia Uso de aditivos ʘ Tabaco ʘ Drogas – sobretudo as que causam dependência ʘ Álcool ʘ Estupefacientes ʘ Outros Factores Socioeconómicos ʘ Pobreza ʘ Maus-Tratos ʘ Desemprego ʘ Instabilidade nos processos Familiares Factores Fisiopatológicos do RN Até podem ser causados por algum dos outros factores (causaram alterações do RN) e são inerentes ao RN ʘ Prematuridade ʘ Anomalias Congénitas ʘ Asfixia Neonatal – dificuldade do RN em se adaptar à vida extra-uterina 97 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. Nº 1851 .

Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Problemas mais Frequentes         Padrão Respiratório Ineficaz Termorregulação Ineficaz Autonomia Alimentar Comprometida Hiperbilirrubinemia Hipoglicemia Imaturidade Neurocomportamental Síndrome de Abstinência Neonatal Processos Familiares Alterados Padrão Respiratório Ineficaz Circulação Fetal Circulação Neonatal Circulação fetal: canal venoso. Nº 1851 . pode ser auscultado (sopro cardíaco fisiológico) 98 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. foramen ovale e canal arterial → mecanismos que facilitam a chegada rápida do sangue oxigenado ao coração esquerdo e ao resto do corpo. Circulação Neonatal: para estes mecanismos encerrarem é necessário haver respiração – os tecidos são sensíveis ao O2 → quanto maior a concentração. CLE 2008-2012. As estruturas não encerram automaticamente → pode haver algum refluxo nos primeiros meses de vida. em especial em casos de esforço. maior a contracção dos vasos até fibrosar.

CLE 2008-2012. Surfactante ainda não tem todo o tipo de proteínas.Crescimento do pulmão primitivo com alterações morfológicas e diferenciação das estruturas pulmonares.Aparecimento de conductos alveolares 25ª-28ª Semanas .Existência de movimentos respiratórios. facilitando as trocas gasosas entre os alvéolos e os capilares. Os movimentos respiratórios fetais parecem só ter interesse do ponto de vista de “ensaio” e para o desenvolvimento da musculatura respiratória. 29ª-32ª Semana .Início do desenvolvimento da traqueia e brônquios 11ª Semana . composta por 6 fosfolípidos e 4 aproproteínas.Aumento do número de células Tipo II e início da síntese de surfactante pela 2ª via enzimática (menos susceptível à hipoxia e acidose) 33ª-36ª Semanas . Às 28 semanas. o pulmão poderá ser suficientemente maturo para conservar a vida extra uterina no entanto. uma vez que o pulmão fetal não tem qualquer actividade de oxigenação sanguínea até ao nascimento 12ª-20ª Semanas . vasculares e linfáticas 21ª-24ª Semanas . Este fluído contribui para diminuir a tensão alveolar e permitir a expansão pulmonar. Previne o colapso alveolar e estimula a primeira respiração.Formação de alvéolos com diferenciação das células epiteliais: TIPO I – intercâmbio de gases TIPO II – síntese e armazenamento de surfactante pela 1ª via enzimática – ainda com alguma imaturidade. é ainda muito frágil. do ponto de vista bioquímico. Em situações de bebés prematuros (Doença da Membrana Hialina) pode ser administrado por via endotraqueal para reposição directa nas superfícies alveolares. Começa a ser produzido entre as 25 e as 30 semanas de gestação mas é insuficiente para garantir a estabilidade alveolar e permitir uma respiração adequada antes das 33/36 semanas.  É um importante factor na diminuição da tensão alveolar e previne o colapso total do pulmão no final da expiração. Nº 1851 . Administração de Surfactante Superfície Alveolar coberta por Surfactante Esquema do Metabolismo do Surfactante 99 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. muito vulnerável à hipoxia e à acidose – bebés que conseguem sobreviver num equilíbrio muito instável.Maturação funcional e estrutural Surfactante  É uma lipoproteína complexa.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Adaptação Cardio-Respiratória Desenvolvimento Pulmonar 5ª Semana .

ʘ Evitar a hiperextensão do pescoço – causa obstrução da via aérea Vigilância das alterações do esforço respiratório de forma a detectar precocemente os sinais de agravamento da doença ʘ Coloração da pele e mucosas ʘ Frequência respiratória ʘ Tiragem ʘ Gemido expiratório Manutenção da temperatura – associação muito importante entre temperatura-acidosehipóxia Manutenção da permeabilidade das vias áreas superiores Autonomia Alimentar Comprometida Incapacidade para se alimentar oralmente de forma autónoma e digerir os nutrientes:  Imaturidade  Anomalias congénitas  Septicemia  Asfixia e hipoxia  Compromisso do SNC Bebés que não conseguem mamar → não se conseguem alimentar por si mesmos Até podem ter reflexo de sucção mas é fraco e não têm outras competências Intolerância ≠ Autonomia Padrão Digestivo e de Absorção no Recém-Nascido: Competências ʘ Coordenação da sucção e deglutição ʘ Esvaziamento gástrico eficiente ʘ Motilidade intestinal ʘ Regulação das enzimas digestivas ʘ Excreção Avaliação da Tolerância Alimentar Sinais de intolerância 100 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. Ambiente vigiado: chamar a atenção dos pais de que esta não é uma posição segura em casa. manifestado por sinais de dificuldade respiratória Orientações para a prática Posicionamento do RN de forma a optimizar as trocas gasosas ʘ Decúbito ventral – permite a expansão das bases do pulmão.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Padrão Respiratório Ineficaz Padrão de respiração ineficaz relacionado com imaturidade pulmonar e neuromuscular. Nº 1851 . diminuição da energia e fadiga. CLE 2008-2012.

Nº 1851 . minimizando as sequelas do stress alimentar (↓PO2. consumo excessivo de energia.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL          Distensão abdominal Resíduo Gástrico (> a 30% da alimentação administrada) Resíduo Bilioso (esverdeado) Ansas Intestinais palpáveis e visíveis Vómito Irritabilidade Letargia Fezes líquidas e/ou com mau odor Presença de sangue nas fezes.Sucção ʘ 30-34 Semanas de Gestação – Surtos/Grupos de sucções ʘ 34 Semanas de Gestação – Sucção/Deglutição (coordenação dos reflexos e respiração) ʘ 36 – 40 Semanas de Gestação – Padrão maturo Características das Estruturas Envolvidas na Sucção Nutritiva no Recém-Nascido PréTermo  Cavidade oral pequena  Mandíbula retraída  Sucking pads pouco desenvolvidas (almofadas que dão estabilidade às bochechas e ajudam na sucção)  Respiração nasal  Laringe elevada  Trompa de eustáquio recta Avaliação do Padrão de Sucção Nutritiva Early Feeding Skills (EFS) ʘ Escala desenvolvida para avaliar as competências de alimentação do bebé pré-termo. fadiga) ʘ A compreensão das capacidades para a alimentação de um prematuro. CLE 2008-2012. oculto e/ou visível Desenvolvimento da Sucção e Deglutição ʘ 13-15 Semana de Gestação . e desenvolver intervenções de suporte. 101 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. vai permitir um planeamento individual.

Nº 1851 .Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Avaliação da Competência para uma sucção nutritiva  Competência para manter a concentração e a energia para se alimentar  Competência na coordenação sucção/deglutição  Competência para proteger as vias aéreas e ter uma alimentação segura  Competência para se manter estável psicologicamente Hipoglicemia Hipoglicemia Neonatal ʘ Duas avaliações com níveis < 35mg/dl nas primeiras 3 horas ʘ < 40mg/dl entre as 4 e as 24 horas ʘ < 45mg/dl entre 24h e as 7 dias ʘ No prematuro dois valores de glicemia <25mg/dl nas primeiras 72 horas Ao valores de glicemia nos bebés variam de acordo com o seu peso e idade. Manifestações Clínicas da Hipoglicemia Nas situações menos graves: ʘ Muitas vezes é assintomática 102 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. Causas  Prematuridade  Má nutrição intra-uterina  Diabetes Materna  Septicemia  Anoxia perinatal Mais característico nos pré-termo e nos filhos de mãe diabética → mas pode acontecer a qualquer um porque o fígado ainda não tem reservas para manter a glicemia estável. CLE 2008-2012.

S. CLE 2008-2012. evaporação.S. radiação.O. → risco de hiperglicémia  Alimentação precoce Implicações da Hipoglicémia A hipoglicemia grave não corrigida pode provocar lesão cerebral por destruição dos neurónios (na ausência de glicose) com repercussões que dependem do grau de destruição Implicações da hiperglicémia  Valores > 150mg/dl  ↑ Glicose no plasma  ↑ osmolaridade intravascular  Hipertensão  ↑ hemorragias cerebrais como consequência de uma grande fragilidade vascular do Recém-Nascido Termorregulação Ineficaz Manifesta–se pela incapacidade de manter a temperatura corporal estável Regulação da Temperatura Conservação do equilíbrio térmico por dissipação do calor para o ambiente a uma magnitude igual à produção do mesmo A camada de gordura subcutânea é muito fina no RN → perda de calor Superfície corporal em função do peso – superfície corporal muito grande em comparação com o metabolismo → perda de calor Para produzir mais calor → mais O2 – se existir dificuldade respiratória → aumenta perda de calor Gordura Castanha – arrepios.O. sudação. Produção de Calor: metabolismo basal.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL ʘ Ligeira hipotonia Nas situações mais graves: ʘ Choro fraco/intenso ʘ Tremores ʘ Recusa alimentar ʘ Hipotonia generalizada ʘ Alterações da frequência respiratória (períodos de apneia) ʘ Hipotermia ʘ Convulsão ʘ Coma Orientações para a Prática  Observação do Recém-Nascido (manifestações clínicas)  BM Teste 2/2h e em S. condução 103 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. Nº 1851 . tónus muscular Perda de Calor : convecção. em S. vasomotor A gordura castanha permite produzir calor sem consumos de O2. Só é produzida no 3º trimestre da gravidez o que o bebé prematuro tenha uma menor quantidade. (quando há presença de sinais e sintomas de hipoglicemia)  Administração de glicose hipertónica P.O.

CLE 2008-2012. Nº 1851 . Prevenção da Perda de Calor Mecanismo de Perda de Calor Evaporação (perdas cutâneas e respiratórias) Covecção (perdas para as correntes de ar) Prevenção Secar rapidamente o bebé Ambiente aquecido Proteger das correntes de ar Condução (perdas para objectos por contacto Roupa aquecida directo) Toalhas aquecidas Radiação (perda para superfícies sólidas Bancada aquecida próximas) Tecto aquecido Factores que Favorecem a Instabilidade Térmica no Recém-Nascido  Anomalias congénitas  Septicemia  Asfixia e hipoxia  Comprometimento do sistema nervoso Central  Aporte nutricional e calórico inadequado  Diminuição dos movimentos voluntários  Imaturidade do sistema de controlo térmico 104 Nádia Isabel Leonardo Perdigão.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Ambiente térmico neutro Ambiente térmico neutro → temperatura ambiente óptima para que se mantenha a temperatura corporal óptima apenas com o calor produzido pelo metabolismo basal.

Conjugação da Bilirrubina Aumento da destruição de eritrócitos (normal no RN) – no feto têm maior tempo de vida. Nº 1851 . ou seja. CLE 2008-2012. quando os glóbulos vermelhos terminam o seu período de vida.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL  Quantidade de tecido adiposo subcutâneo deficiente Orientações para a Prática  Manter um ambiente térmico neutro  Monitorização da temperatura ʘ Hipotermia  Extremidades e tórax frios  Intolerância alimentar  Letargia  Coloração da pele (marmoreada ou pálida)  Irritabilidade  Apneia ou bradicardia  Aumento dos sinais de Síndrome de Dificuldade Respiratória ʘ Hipertermia  Rubor  Vermelhidão  Taquicardia  Polipneia  Irritabilidade Hiperbilirrubinémia A Bilirrubina é o produto final resultante da decomposição da hemoglobina. no feto há sempre mais eritrócitos em destruição → maior concentração de bilirrubina Quando o bebé nasce e produz novos eritrócitos a sua destruição já não é tão frequente Bilirrubina indirecta – liga-se a proteínas plasmáticas e vai para o fígado onde se liga à enzina glucoronil → transfere para directa No RN pode haver deficit de proteínas plasmáticas e glucoronil Pode ser afectado pela dificuldade respiratória ou temperatura → pode causar acidose e dificulta ligação a proteínas plasmáticas Icterícia Fisiológica 1 – Maiores cargas de bilirrubina para o fígado 2 – Captação deficiente de bilirrubina do plasma 3 – Conjugação deficiente de bilirrubina 4 – Deficiente excreção de bilirrubina 5 – Circulação hepática insuficiente 105 Nádia Isabel Leonardo Perdigão.

8 mg/dl De 5. Nº 1851 .4 a 11. CLE 2008-2012. embora nem todos os bebés a tenham Icterícia patológica – doenças hemolíticas Decomposição da Hemoglobina Hiperbilirrubinémia Neonatal  Fisiológica  Patológica (doença hemolítica) Classificação de Kramer Localização Anatómica da Icterícia Cabeça e pescoço Até cicatriz umbilical Nível sérico de Bilirrubina Não Conjugada/Indirecta De 4.1 mg/dl 106 Nádia Isabel Leonardo Perdigão.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Icterícia fisiológica (mais comum nos pré-termo. ou RN com algum tipo de problema) – não é sinal de doença.3 a 7.

estimula a excreção das fezes ↓ a reabsorção intestinal do urobilinogéneo) → a primeira dejecção de mecónio nas primeiras horas ajuda a diminuir o risco de icterícia ʘ Indução das dejecções com bebégel® ʘ Hidratação ʘ Fototerapia intermitente ou contínua Indicações para Fototerapia/Exsanguíneotransfusão Características Fototerapia Exsanguíneotransfusão RN termo sem hemólise 13-15mg/dl 23–25 mg/dl RN termo com hemólise 10–12mg/dl 17–20 mg/dl RN Pré-termo <1 kg Profiláctica 9–12 mg/dl 1 kg – 1. promovendo a mobilização  Prevenir deformidades ósseas e promover o controlo da cabeça 107 Nádia Isabel Leonardo Perdigão.5 kg 10 mg/dl 15–20 mg/dl Controlo Neurocomportamental Ineficaz Posicionar o Recém-Nascido  Promover o desenvolvimento neurocomportamental do Recém-Nascido  Promover a estabilidade fisiológica e facilitar a flexão das extremidades e tronco.5 kg – 2. vigilância da coloração da pele e escleróticas.5 kg 8 mg/dl 12–17 mg/dl 1.5 a 18. Nº 1851 .8 mg/dl > 15mg/dl Os valores não devem ultrapassar os 12mg/dl → se for superior pode indicar icterícia patológica.1 a 12. esvaziamento intestinal e hidratação ʘ Bilisheck (valores ligeiramente mais baixos) ʘ Vigilância na evolução dos valores da bilirrubina para prevenir Kernicterus Tratamento ʘ Monitorização da Bilirrubina sérica (bilisheck) ʘ Alimentação Precoce (↑ reflexo gastrocólico.2 mg/dl De 16. alimentação precoce. CLE 2008-2012.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Até joelhos e cotovelos Até tornozelos e punhos Plantas dos pés e palmas das mãos De 8. Kernicterus – situação em que há invasão do SNC pela bilirrubina → Toxicidade irreversível Orientações para a Prática ʘ Detectar precocemente a Hiperbilirrubinémia do Recém-Nascido ʘ Intervir de modo a prevenir complicações.

que lhe permitam realizar movimentos de flexão e extensão  Utilização de ninhos e colchões de gel para promover o conforto e evitar zonas de pressão Decúbito ventral Colocar um rolo sob a articulação coxofemural para que a cabeça fique num plano inferior em relação às nádegas 108 Nádia Isabel Leonardo Perdigão.  Utilização de rolos para que o RN encontre fronteiras. CLE 2008-2012. Nº 1851 .Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Posicionar o Recém-Nascido Algumas Especificidades ….

isoladamente ou em associação. após atravessarem a placenta. favorecendo a rotação interna da cintura escapular Síndrome de Abstinência Neonatal O síndrome de abstinência neonatal (SAN) está essencialmente associado à exposição in útero aos opiáceos. mas existem outras substâncias consumidas pela grávida. CLE 2008-2012. A interrupção da passagem transplacentária destas substâncias após o parto. promover a flexão e colocar o rolo atrás das costas de modo a que os 4 membros não fiquem em abdução Decúbito dorsal Colocar a cabeça assente na região occipital e colocar rolos de ambos os lados. promover a flexão dos membros inferiores com rolos e ninhos. Nº 1851 . Vasomotoras e Respiratórias  Gastrointestinais Escala de Finnegan 109 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. os barbitúricos e o álcool. ʘ ʘ Os opiáceos. resulta no desenvolvimento do Síndrome de Abstinência Neonatal (SAN). barbitúricos e álcool). Diagnóstico ʘ História clínica ʘ Exames laboratoriais  Mecónio (mais sensível que urina)  Urina  Sangue ʘ Escala de Finnegan Manifestações O início dos sintomas de abstinência está associado ao tipo de droga  Ex: heroina – 12 a 24 horas de vida  Mãe em tratamento com metadona .Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Decúbito lateral Colocar um rolo entre os membros superiores e inferiores. que podem originar este síndrome (benzodiazepinas.de 1 a 2 dias até 2 a 3 semanas de vida As manifestações tornam-se mais marcadas entre as 48-72 horas de vida Escala de Finnegan  Sistema Nervoso Central  Metabólicas. as benzodiazepinas. tendem a acumular-se no feto.

Nº 1851 . 110 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. luminosidade)  Proporcionar conforto físico e medidas de contenção  Promover a nutrição e hidratação adequada – refeições pequenas e frequentes (se possível respeitar o apetite do recém-nascido)  Promover a relação entra a mãe e o recém-nascido  Facilitar comportamentos de auto-regulação e de auto-consolo  Estimular a amamentação em mães que estejam em regime de metadona Prognóstico  Compromisso neurológico.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Orientações para a prática  Redução de estímulos que possam desencadear a hiperactividade e irritabilidade (ruído.I. CLE 2008-2012.  Diminuição do Q.

acariciar e pegar ao colo. stress. CLE 2008-2012. pelo deficit de conhecimentos e interrupção do relacionamento com os pais.  Chamar o Recém-Nascido pelo nome  Participar activamente nos cuidados ao Recém-Nascido  Trazer roupas para vestir ao bebé assim que possível ʘ Dar reforços positivos ʘ Ajudar os pais a interpretarem os sinais do Recém-Nascido ʘ Ensinar os pais demonstrando as técnicas de cuidados ao Recém-Nascido e oferecer apoio ʘ Ajudar os pais a identificarem os seus recursos e forças Evolução dos Cuidados Neonatais       Generalização UCINN Administração Surfactante Pulmonar Sistema Transporte Neonatal Corticoterapia Antenatal Melhor Assistência Grávida Avanço Tecnológico 111 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. percepção e cognitivas Problemas comportamentais Dificuldade de aprendizagem e adaptação a novas situações Sensibilidade elevada ao ambiente → Irritabilidade.) Orientações para a Prática ʘ Facilitar a expressão dos seus sentimentos e preocupações ʘ Assegurar a informação adequada ʘ Ajudar a compreender os aspectos mais importantes dos cuidados ʘ Incentivar as perguntas acerca da situação de saúde do RN ʘ Incentivar a presença junto do RN. manifestada por reacções de afastamento dos pais.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL     Alterações do discurso. agitação. assim como o contacto telefónico sempre que sintam necessidade ʘ Incentivar  A tocar... conforme a sua situação clínica. agressão e baixa sociabilidade  Convulsões Processos Familiares Alterados Relacionados com a crise desencadeada pelo nascimento prematuro ou doença do RN. ansiedade. Nº 1851 . dificuldade em se relacionar com o RN (.

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