Introdução ao direito Civil Capitulo I Conceito e divisão do direito

Direito  conjunto das normas gerais e positivas que regulam a vida social, a ciência do “dever ser” (que se caracteriza pela liberdade na escolha da conduta) Ética  Compreende normas jurídicas e morais A principal diferença entre norma moral e norma jurídica se dá quanto sanção. Ambas são normas de comportamento, no entanto a sanção da norma moral se dá somente no foro íntimo da consciência, enquanto a jurídica é imposta pelo estado. Pode-se dizer no entanto que as normas jurídicas também são condenáveis pelas moral, apesar da coincidência não ser absoluta, como no modelo proposto por Bentham, abaixo.

Norma moral  Justiça + caridade (aperfeiçoamento individual); sanção se dá somente no foro da consciência (vergonha, arrependimento) Norma Jurídica  Justiça / Sanção promovida pelo estado. Há tendências de normas morais serem positivadas como normas jurídicas, quando se há o entendimento de que essas mereçam sanções mais eficazes caso descumpridas, como pode ser verificado no art. 17 da L.I.C.C., por exemplo. Direito positivo  é o ordenamento jurídico em vigor num determinado espaço e numa determinada época

o direito positivo se ampara no direito natural. Distinguem-se em: 1. Diz respeito à vontade individual Todos tem o direito subjetivo de ter o direito objetivo. para que se realize o ideal. o direito deve ser visto como um todo. Direito público ( Constitucional. tributário. O direito subjetivo se torna objetivo quando individuo tem vontade de cobrá-lo. Na época moderna. Unificação do direito privado  O novo código civil fez uma unificação parcial do direito privado. sendo dividido assim apenas para fins didáticos. unificado o direito das obrigações civis e mercantis. jus naturalismo: “expressão de princípios superiores ligados à natureza racional e social do homem”. não sendo possível sua derrogação pela vontade das partes. e cuja observância os indivíduos podem ser compelidos mediante coerção. o ordenamento ideal.)  É o que pertence à utilidade das pessoas. Na verdade. tendo caráter supletivo. corresponde a uma justificativa superior e suprema. administrativo. .. As normas vigoram enquanto a vontade dos interessados não mudar. e trazendo para seu bojo a primeira parte do código comercial. penal. de caráter geral. Diz respeito à vontade geral Direito subjetivo  Faculdade individual de agir de acordo com o direito objetivo. de invocar sua proteção. Supletivas: Quando se aplicam na falta de regulamentação privada. se impõe de modo absoluto. Um é fonte de inspiração do outro.. Dispositivas: Quando permitem que os sujeitos disponham quando lhe aprouver 2. e o direito natural inspirando o direito positivo para que se aproxime da perfeição Direito objetivo  Conjunto de normas impostas pelo estado. Direito privado( Direito civil. do trabalho. preenchendo lacunas deixada por ela.Direito Natural  É a idéia abstrata do direito. processual)  É o que corresponde às coisas do Estado. comercial. As normas são de aplicação obrigatória.

e teve seu principal desenvolvimento na idade moderna. O novo código evita o complicado. sem perda do valor fundamental da pessoa humana. afastando perplexidades. boa fé. fazendo com que em 1967 fosse criada uma comissão para a revisão e criação de um novo código. justa causa e demais critérios éticos. modificando e acrescentando somente o que fosse necessário. tanto quanto membros da sociedade. Equidade. divididas em uma parte geral e uma parte especial. solucionando assim.Desde então haviam sido criados vários micro sistemas jurídicos. Exemplo: adoção de critério seguro para distinguir prescrição de decadência. . Operabilidade Leva em consideração que o direito é feito para ser efetivado.O novo código mantém a estrutura antiga : matérias divididas em ordem metódica. etc) . Codificação brasileira: O primeiro código civil brasileiro data de 1916.Capítulo II Direito civil Definição: Direito Civil é o direito comum. (sentido social mais presente no código novo. a lei do inquilinato. Princípios básicos: Sociabilidade reflete a prevalência dos valores coletivos sobre os individuais.O código de 1916 é o primeiro a ter uma parte geral . para ser executado. desde então a sociedade Brasileira se modificou e evoluiu. História: O direito civil tem suas raízes no direito romano. Sua função é regulamentar as relações de família e as relações patrimoniais entre os indivíduos encarados como tal. interminável dúvida. O antigo valorizava a individualidade) Eticidade  Funda-se no valor da pessoa humana como fonte de todos os demais valores. onde se passou a reconhecer a importância dos direitos do homem. com grande importância. continuam em vigor a lei do divórcio (somente a parte processual. o código de defesa do consumidor.após a aprovação do novo código. que fizeram com que alguns questionassem a aprovação de um novo código civil . o que rege as relações entre os particulares. o mesmo só entrou em vigor em 2002. isto é. que tomaria como base o anterior. .

deve respeitar suas limitações. Fornecer critérios de hermenêutica (art 5º) 4. preservando situações consolidadas em que o interesse individual prevalece ( art 6º ) Fontes do direito: Formais: lei (fonte principal) analogia. que se apresenta por texto escrito. Sua principais funções são de: 1. por meio de processo adequado. Imperatividade  impõe um dever. norma jurídica elaborada pelo poder legislativo. Estabelecer mecanismos de integração das normas.Lei de Introdução ao código civil Conteúdo e função: É um conjunto de normas sobre normas. que no entanto. Autorizamento  Autoriza e legitima. Garantir a eficácia global da norma. princípios gerais do direito (fontes acessórias) Não Formais: doutrina. Emanação de autoridade competente  A lei é ato do estado pelo seu poder legislativo. A rigor portanto a fonte do direito seria propriamente o processo legislativo que compreende a elaboração das leis. Autoriza o lesado pela violação exigir o cumprimento dela ou a reparação pelo mal causado. quando quer uma abstenção. não podendo ser endereçada a determinada pessoa. impões. Conjunto ordenado de regras. Garantir a segurança do ordenamento. É uma ordem. costume. . Quando exige uma ação. quando houver lacunas (art 4º ) 5. jurisprudência A lei: Em sentido estrito. com exceção das normas temporárias. Principais características: Generalidade  Dirige-se a todos os cidadãos indistintamente. o uso da faculdade de coagir. não admitindo erro no direito (art 3º) 6. 1º e 2º) 2. visto que regula o seu modo de aplicação e entendimento no tempo e espaço. Dirige-se a todos os ramos do direito salvo naquilo que for regulado de forma diferente por legislação específica. 7º) 3. proíbe. Apresentar soluções ao conflito de normas no tempo ( art 6º ) e no espaço (art. uma conduta aos indivíduos. Permanência  Deve perdurar até ser revogada por outra lei. Regular a vigência e eficácia das normas ( arts.

o das sucessões) Não Cogentes: Dispositivas. Leis complementares: Estão entre norma constitucional e lei ordinária. Leis ordinárias: São as que emanam dos órgãos investidos de função legislativa pela constituição federal. ou de imperatividade relativa. São mandamentais ou proibitivas. nem proíbem de modo absoluto. Não determinam. simplesmente. Todas as outras leis devem moldar-se de acordo com ela. Adjetivas: São as que traçam os meios de realização dos direitos. sendo também denominadas. Tratam de matéria especial. apenas impondo ao violador uma sanção. Podem permitir determinado comportamento (permissivas) ou ser derrogada pela vontade dos interessados (supletivas). (ex: direito de família. Quanto a sanção: Mais que perfeitas: São as que estabelecem ou autorizam a aplicação de duas sanções na hipótese de serem violadas Perfeitas: São aquelas que impõem a nulidade do ato. processuais. Imperfeitas: São as leis cuja violação não acarreta nenhuma conseqüência Quanto a sua natureza: Substantivas: As que definem direitos e deveres e estabelecem os seus requisitos e forma de exercício. sem cogitar de aplicação de pena ao violador Menos que perfeitas: São as que não acarretam a nulidade ou anulação do negócio jurídico.Classificação da leis: Quanto a imperatividade dividem-se em: Cogentes: De ordem pública ou imperatividade absoluta. Quanto a sua hierarquia: Normas constitucionais: As que constam na constituição. Não podem ser derrogadas pela vontade dos interessados. . Regulam matéria de ordem pública. Asseguram os direitos fundamentais.

Medidas provisórias: Estão situadas no mesmo plano das leis delegadas. . Quanto ao alcance: Gerais: Quando se aplicam a todo um sistema de relações jurídicas. com aplicação restrita à circunscrição territorial do estado-membro a que pertencem.Este período é chamado de vacatio legis . Especiais: Quando se afastam das regras do direito comum e se destinam a situações jurídicas específicas ou a determinadas relações. Leis estaduais: São aprovadas pelas assembléias legislativas. com incidência sobre todo o território nacional. São editas pelo poder executivo. tendo a mesma posição hierárquica das leias ordinárias. Quanto a sua competência em extensão territorial: Leis federais: São de competência da união federal. A lei embora nasça com a promulgação só começa a vigorar com sua publicação no diário oficial. como a de consumo por exemplo. por autorização expressa do legislativo.A lei pode no entanto ter vigência temporária. consecução de seus fins . votadas pelo congresso nacional.A lei começa vigorar em todo o país 45 dias depois de oficialmente publicada .se o texto for corrigido valerão 45 após a publicação do novo texto -este prazo não se aplica a decretos e regulamentos Revogação . Leis municipais: São editadas pelas câmeras municipais. Vigência: É uma qualidade temperamental da norma: o prazo com que se delimita o seu período de validade.Leis delegadas: São elaboradas pelo executivo. com aplicação restrita ao território do município. e essa terminará caso termine o prazo afixado para sua duração. e ordinárias.Quando é admitida no exterior esse prazo três meses depois de publicada . também chamado de direito comum.A lei terá vigência até que outra a modifique ou revogue .A lei pode dispor de outro período se isso constar no seu texto . que exerce função normativa nos casos previstos pela constituição. implemento de condição resolutiva.

Presunção legal: A lei uma vez publicada é conhecida por todos 2. estadual ou estrangeiro.. quando revoga totalmente a norma anterior. (em regra não pode se opor a lei) . nessa ordem hierárquica Analogia  É o principal mecanismo do direito brasileiro. nos casos omissos 3.uma lei superior revoga uma lei inferior. já que este consagra a supremacia do direito escrito. mas não no direito. quando deixa claro no texto que está revogando a lei anterior. Tem origem incerta e imprevista. quando se acha referido na lei Expressamente 2 Praeter legem quando se destina a suprir a lei. que é a restauração da lei revogada. e uma lei mais nova revoga uma lei mais antiga . Necessidade Social: a lei é obrigatória para que seja possível a convivência social. ou tácita.Contra legem. Por isso podem existir lacunas no texto das leis do direito. este principio no entanto não se aplica ao direito municipal. quando não deixa claro que está revogando mas contém normas que vão contra as prescritas em textos de leis anterioes. Essas lacunas são preenchidas por mecanismos previstos: a analogia > os costumes> e os princípios gerais do direito.A revogação pode ser total. A integração das normas jurídicas: O legislador não consegue prever todas as situações para o presente e para o futuro. A publicação da lei faz com que a lei seja conhecida. Costumes  Sé devem ser usados quando não houver analogia possível. Ficção: Pressupõe que a lei já que é publicada seria conhecida por todos. pela revogação da lei nova Obrigatoriedade das leis Ninguém se excusa de cumprir a lei alegando que não a conhece. quando revoga parte do texto da lei -A revogação pode ser expressa. que se opõe a lei.Não há no direito brasileiro a repristinação. Podem ser: 1 Secudem legem. e faz com que a ignorância da lei não seja levada em conta. Tal dispositivo visa garantir a eficácia global da ordem jurídica. ou parcial. mas reconhece que isso não acontece 3. apesar de existir. Três teorias visam justificar o preceito: 1. Consiste em buscar casos parecidos para aplicar sanções ou resultados análogos. .

Este reconhecendo a ambigüidade da norma vota uma nova lei. nem nos costumes. influencia as decisões nas estâncias inferiores Doutrinária: É a feita pelos estudiosos e comentaristas do direito. por outro ato. Estão na consciência dos povos e são universalmente aceitos. mesmo não entando escritos. o sentido da norma. mas a vontade da lei ( voluntas legis). deixando de lado o direito escrito. interpretando em função de concepções jurídicas morais e sociais de cada época. Classificação quanto às fontes ou origem: Autêntica: É a feita pelo próprio legislador . Sistemática: Parte do pressuposto que uma lei não existe sozinha e deve ser interpretada de acordo com o sistema. porém a vontade do legislador está superada Interpretação objetiva: Interpreta-se não a vontade do legislador. Não constitui meio supletivo de lacuna na lei. Aplicação e interpretação das normas jurídicas Interpretação subjetiva: Se pesquisa a vontade do legislador expressa na lei.Princípios gerais  Usados caso não se encontre solução nem na analogia. estando proibida por lei no direito brasileiro. Jurisprudencial: é a fixada pelos tribunais. o conjunto das outras normas. Em sua maioria estão implícitos no direito civil. Equidade  Quando o juiz decide o que fazer no caso. Embora não tenha força vinculante. e orientam a compreensão do sistema jurídico. . Possuem caráter genérico. Histórica: Baseia-se na pesquisa dos antecedentes da norma. Lógica: Procura-se saber o sentido e a finalidade da norma. salvo exceções. Quando aos meios: Gramatical: Também chamada de literal. Quando a norma é antiga. intenção do legislador por meios de raciocínios lógicos. porque consiste em exame do texto normativo sob ponto de vista lingüístico. a fim de descobrir seu significado. dos processos legislativos. estando ou não incluídos no direito positivo. como o proncipio da boa fé. Livre pesquisa: O juiz tem função criadora na aplicação da norma. A lei interpretativa é a própria lei interpretada.

Abrangendo implicitamente outras situações.A lei nova tem efeito imediato. desde que não atinja direito adquirido .Sociológica: Adapta o sentido ou a finalidade da norma às novas exigências sociais Quanto aos resultados: Declarativa: Quando proclama que o texto legal corresponde ao pensamento do legislador. não retroage para fatos jurídicos anteriores a ela. . impondo limitações no campo de aplicação da lei. não se aplicando a fatos anteriores Leis no espaço Territorialidade: Dentro do país Extra territorialidade: Lei de fora aplicada em outro país. Restritiva: Declara que o espírito da lei é menor do que indica seu texto. Extensiva: Declara que o espírito da lei é mais amplo do que indica seu texto.a regra no silêncio da lei é a irretroatividade .Esses dois princípios obrigam ao legislador e ao juiz . e sim. Os diversos métodos de interpretação não operam isoladamente. ou seja a lei nova ao entrar em vigência. . Conflito das leis no tempo: A regra geral no direito brasileiro é a da irretroatividade. a não se quando a nova lei estabeleça critérios para a transição da norma antiga para a norma nova. se completam.São de ordem constitucional os princípios da irretroatividade da lei nova e do respeito ao direito adquirido .Pode haver retroatividade expressa.

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