ANOMALIA MAGNÉTICA DO ATLÂNTICO SUL : ORIGEM INTERNA E VISÃO ESPACIAL Ricardo Calixto Guimarães ¹ Cláudio Elias da Silva ²

Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ ¹ ² Bolsista e Graduando do Depto. de Engenharia Cartográfica da Fac. de Engenharia ¹ Prof.Dr.do Instituto de Física do Depto. de Eletrônica Quântica ² Email – ricardocalixtouerj@yahoo.com.br ¹ Email – claudio@uerj.br ²

RESUMO
Quando o ambiente espacial é perturbado pelas variações provenientes do Sol, todo equipamento tecnológico no espaço constituído de componentes eletrônicos podem sofrer danos pela incidência de partículas eletricamente carregadas em sua estrutura. Alguns dos mais dramáticos efeitos do clima espacial ocorrem devido a erupções de materiais da atmosfera solar dentro do espaço interplanetário. O estudo de alguns fenômenos na conexão Sol-Terra, tem sido fonte de grande conhecimento e proporcionado grandes avanços científicos e tecnológicos. Fenômenos como Vento Solar, Tempestades Magnéticas, Cinturão de Radiação, Auroras, Anomalia Magnética do Atlântico Sul e outros, são focos desta nova linha de estudos. Nossa proposta neste trabalho é estudar o fenômeno da Anomalia Magnética observada na região sul do Brasil, tanto na sua estrutura interna quanto do ponto de vista espacial. Através de dados de satélites e magnetômetros localizados na superfície terrestre, é possível observar em mapas as depressões nas linhas de campo e analisar a sua estrutura. Este estudo poderá trazer grandes contribuições para o avanço da ciência e tecnologia espacial.

ABSTRACT
When the space atmosphere is disturbed by the coming variations of the Sun, whole technological equipment in the constituted space of electronic components can suffer damages for the incidence of electrically charged particles in its structure. Some of the most dramatic effects of the space climate happen due to eruptions of solar atmosphere materials inside interplanetary space. The study of some phenomenons in the Sun-earth connection, it has been source of great knowledge and proportionated great scientific and technological progresses. Phenomenon as Solar Wind, Magnetic Storms, Radiation Belt, Aurora, South Atlantic Magnetic Anomaly and other, they are focuses of this new line of studies. Our proposal in this work is to study the Magnetic Anomaly observed in the south area of Brazil, so much in its internal structure as spatial point of view. Through data of satellites and magnetometers in the terrestrial surface, it is possible to observe in the map the field line depressions and analysing its structure. This study can bring great contributions for the science progress and space technology. específica sente os efeitos mesmo de partículas muito remotas. Felizmente, as demais partículas necessitam ser consideradas somente de modo comum, tornando-se importante apenas as “interações coletivas” das mesmas. Porque as interações coletivas impõem alguma ordem de longo alcance, e porque no plasma magnetizado o campo magnético cria importantes vínculos entre regiões espaciais remotas, também é possível discutir plasma espacial em termos de física dos fluidos. O plasma de fluido é um condutor, e isso determina sua resposta de forma importante. A maioria dos resultados importantes segue leis de conservação, incluindo a conservação de massa, energia, e

1 FÍSICA DE PLASMA ESPACIAL
No espaço, plasma são gases extremamente tênues de partículas ionizadas, que em média não possuem carga líquida. Pelo fato de existir pouquíssimas colisões em um gás de baixa densidade, precisamos apenas considerar a resposta do campo de forças das partículas carregadas no qual elas se movem. O cálculo do campo de força pode ser complicado, porque na presença de interações de Coulomb uma partícula

O tempo de vida do Sol é estimado em 4. Está bem próximo da terra o que nos permite estudar com detalhes a estrutura e a dinâmica solar. É também essencial incluir a relação entre forças e variação de momento.SOL No contexto do clima espacial terrestre. localizados em regiões propícias a entrada destas partículas (regiões polares ou de grande latitude em geral). Um flare é um repentino brilho em uma pequena região solar que é observada por raios x. o que já não é possível com outras estrelas.000 K na base da corona. Somente poucas vezes por ciclo solar excede 500nT. O Sol é uma estrela ordinária de médio tamanho e temperatura com uma magnitude absoluta de 4. Como o Sol tem uma dinâmica de reações nucleares. O resfriamento local ocorre porque o campo de dipolo magnético da mancha solar com uma outra inibe a convecção local fazendo com que a temperatura decaia. Como já dito anteriormente o plasma representa o quarto estado da matéria e. Durante uma tempestade magnética. correntes aurorais são quase continuamente deturpadas. ocorrendo uma enorme liberação de energia. caracterizando forte tempestade solar. A mais óbvia manifestação de uma sub tempestade são as Auroras. Tempestades da ordem de 50-150nT ocorrem quase todos os meses. Esta emissão repentina de radiação é resultado do abrupto e extremo calor de material no lugar do flare. A corona solar se expande a regiões Fig. Algumas vezes por ano o distúrbio pode marcar de 150-300nT. Esta expansão coronal se chama vento solar e foi detectada por sondas espaciais. nitrogênio. Uma típica tempestade magnética dura de 1 a 5 dias. e oxigênio. após um decréscimo inicial exatamente acima da fotosfera a temperatura ultrapassa 1. O Sol encontra-se neste estado. A mancha solar é escura porque é mais fria do que a região em volta da mancha.6 bilhões de anos e sua expectativa de vida é de cerca de 5 bilhões de anos. 2 ORIGENS DO CLIMA ESPACIAL . No caso do Sol. relação de forças e variação do momento. A temperatura diminui subseqüentemente quando a corona se expande dentro do espaço interplanetário.000 K). O processo de fusão nuclear que rege o Sol ocorre ao fundir núcleos de átomos leves. são isótopos do hidrogênio. seu estado já descreve o próprio plasma.1 – Camadas do Sol mais distantes do espaço e o nosso sistema solar é predominantemente permeado pelo vento solar. Estas características são tipicamente de uma estrela anã que está em sua meia idade. Esta importante descoberta dispersou a interpretação de que o espaço era um vácuo. Com a . A corona solar expande no espaço porque a atmosfera solar não está em equilíbrio. Outro exemplo de atividade solar é a ejeção de massa coronal proveniente de uma grande explosão solar (é o momento de maior distúrbios na corona solar). apenas o Sol tem influência significativa como fonte de todos os fenômenos constatados no clima espacial. Esses flares produzem partículas de alta energia. quase que a totalidade do universo se apresenta no estado denominado plasma. carga e energia). Estes constituintes são ionizados devido às reações nucleares e interações eletrodinâmicas criando temperaturas que excedem a energia de ligação dos átomos. além do plasma obedecer a leis físicas de conservação (massa. se projetando a uma velocidade de aproximadamente 300Km/s ou mais. No produto da reação forma o núcleo de hélio e liberação de outras partículas.1% de outros constituintes menores tal como carbono.500km acima da fotosfera e a corona estende-se além da cromosfera dentro do espaço interplanetário. e 0. 10% de hélio. As partículas solares de alta energia bombardeiam atmosferas de planetas e podem até causar na Terra. black-out em sistemas de potência elétrica. cromosfera e a corona ou coroa solar. A temperatura bem no centro do Sol é estimada estar acima de quinze milhões de kelvins ( 15. Eventos residuais de fenômenos indicativos de tempestades magnéticas são chamados de sub tempestades. interações eletrodinâmicas e altíssimas temperaturas. Contém elétrons. A atmosfera do Sol é dividida em fotosfera. O Sol é aproximadamente composto de 90% de hidrogênio. por exemplo. As atividades solares variam com picos a cada 11 anos de acordo com a observação das manchas solares. linhas de emissão e ocasionalmente emissão contínua da superfície do Sol. Então pelas características. Uma sub tempestade é uma seqüência ordenada de eventos que ocorrem na magnetosfera e ionosfera terrestre. 3 O VENTO SOLAR O Vento Solar é um fluxo de plasma solar ionizado e parte do campo magnético solar que preenche o espaço interplanetário. o papel das forças elétricas e magnéticas são críticas no comportamento do plasma e. assim como as relações da teoria eletromagnética. Os flares solares são indicativos do período de alta atividade solar.8.000 K. A fotosfera tem uma camada em torno de 500km de espessura. A temperatura da fotosfera é da ordem de 6.000. A cromosfera estende-se a uma altura da ordem de 2.710. prótons e He 2+ .carga.

A trilha livre do vento solar é muito longa. formando uma longa calda magnética em direção oposta ao Sol. 2+ B B B x y z = 3 xzM z r −5 = 3 yzM z r −5 = (3z 2 − r 2 ) M z r −5 (1) . e 2 4 MAGNETOSFERA E CAMPOMAGNÉTICO O vento solar encontrando com a Magnetosfera. postulou que o vento solar era magnetizado e que o fluxo vestia este campo magnético sobre o cometa. então. e 47.8% de He . As expansões do vento solar que ocorrem no Sol são direcionadas basicamente pelas características da dinâmica do campo magnético solar. o vento solar interage com partículas ionizadas de suas atmosferas e induz corrente a campos magnéticos. na magnetosfera. que é equivalente à distância do Sol a Terra. e cometas estão imersos no Vento Solar magnetizado. Na Magnetopausa há um gradiente de pressão pelo campo magnético da magnetosfera e outra força devido ao plasma. De acordo com geometria local da magnetosfera (pólos) ou a intensidade (anomalias magnéticas). E o ângulo das linhas de campo solar em relação à direção radial é de 45°.onde M é o momento de dipolo magnético e r é o raio atribuído. O passo da hélice solar que descreve a propagação do vento solar e campo magnético solar é o período de rotação do Sol em relação a Terra que é de 27 dias. Quando partículas do vento solar chocam com a superfície lunar.3% de prótons. Os Planetas. Esta é similar ao choque que se desenvolve quando um jato supersônico ultrapassa a barreira do som na atmosfera terrestre. cerca de 1. Esta deformação é conferida por diversos sensores na terra que medem o campo magnético terrestre. Terra. contornando todo o planeta. esta distância como sabemos é conhecida como uma unidade astronômica (1 UA) para todas as práticas de propósito.5×108 km. 50. algumas luas. elas são neutralizadas e absorvidas. A maior estrutura magnética chama-se magnetosfera e é formada em torno de cada um desses corpos.9% de elétron. A cavidade magnética formada em volta de um corpo desmagnetizado é chamada de indução magnetosférica. Nas proximidades da Terra o vento solar tem uma velocidade da ordem de 40km/s . O maior efeito do Vento Solar magnetizado é exercer pressão. Corpos magnetizados tal qual Mercúrio. pode ocorrer a precipitação de partículas provenientes do vento solar o que poderia causar diversas interferências em satélites.percentagem aproximada de densidade em 1. Saturno. Urano e Netuno. Vênus e cometas. Por instantes nossa lua é não magnetizada e não condutora. As forças são exercidas por gradiente de pressão. e o tempo de trajeto médio do Sol a Terra é de 4 dias. a velocidade de expansão é supersônica (400 a 1000 km/s). irá deforma-la. muito se parecem como um obstáculo dielétrico localizado na condução do vento solar. o vento solar-plasma pode ser considerado não colisional pelo fato da densidade das partículas envolvidas ser muito baixa (baixa probabilidade de colisão entre partículas). Planetas desmagnetizados e luas sem uma atmosfera ativamente ionizada. As equações básicas para a intensidade o campo magnético são : . Na expansão de gás coronal ou vento solar que preenche o espaço interplanetário. ou stress normal. Júpiter. desviando-o em volta deles. A densidade do vento solar é muito baixa (da ordem de 106 partículas por metro cúbico). Há também o stress tangencial que arrasta a magnetosfera deformando-a e criando a calda magnética. Nos corpos desmagnetizados tal qual Marte. Os íons comentários são confinados por essa calda numa estreita tira entre dois "lóbulos" das caldas. Equação para a pressão exercida na Magnetosfera pelo Vento Solar obedece basicamente a ρu em que ρ é densidade de massa e u é a velocidade do Vento Solar. uma outra força pelo gradiente de pressão do plasma e o campo magnético. chamada de velocidade de Alfvén. a interação induz corrente de grande escala que pode quase confinar o campo magnético planetário. O momento de dipolo magnético terrestre está inclinado em 11° em relação ao eixo de rotação terrestre. Hannes Alfvén em 1957.

4. Sobre a origem do campo magnético terrestre. Para a Terra. Ela é comprimida no lado em que o vento solar a encontra e estendida na direção oposta ao Sol. . O tamanho da magnetosfera é determinado pelo balanço da energia magnética planetária e do fluxo de energia de interação do vento solar com a magnetosfera. a calda foi observada a extensões acima de 200 Rt (Raios terrestres). separa o domínio do campo magnético planetário do vento solar. A fronteira chamada frente de choque ou “bow shock”. Como os cometas no sistema solar. deduzido de muitos anos de observação. tenda a descer. fique mais densa. resfrie. sua formação é de origem interna da Terra. magnetosferas têm longas caldas de direção oposta ao sol. transferindo uma parte do momento do vento solar. O comprimento da calda depende da força do momento magnético do planeta. formando a calda magnética.375 km). Esta força geradora de movimentos cíclicos é conhecida e chamada de força de Coriolis. Completando o ciclo.B ow k oc sh eath etosh M a gn a Magneto paus Magnetotail Cusp Vento solar 10 Para o Sol 20 30 40 Raios Terrestres Zona Neutra Magnetotail Vento solar Radiação capturada Zona de plasma Cusp Bo w sh oc k Mag neto she Magnetopausa ath Fig – 4 Composição da Magnetosfera equipamentos eletrônicos em terra que dependam de camadas da alta atmosfera e da magnetosfera para que operem com precisão (desconsiderando localidades com anomalias magnéticas crustais que interferem nos equipamentos). A massa desce porque esta região não sofre influência gravitacional. A magnetopausa na direção do Sol no equador terrestre é localizado tipicamente a 10 Raios terrestres(1Rt ≈ 6. Os elementos básicos do estado estável no sistema vento solar-magnetosfera. separando a condução da atmosfera neutra. energia do campo magnético planetário e "massas" na direção do fluido do vento solar. A fronteira interna localizada na base da ionosfera. Uma grande fração desta energia armazenada na calda é dissipada dentro da atmosfera durante o surgimento de auroras (precipitação de partículas). A calda magnética é produzida pela interação do vento solar magnetizado com os campos magnéticos dos planetas através destas interações não colisionais. No núcleo externo da Terra interações geológicas tênues (altíssimas temperaturas) do magma (local onde basicamente é composto de Níquel e Ferro na forma líquida) em que basicamente dois tipos de movimento são diretores deste sistema fluido : (1) Movimento de tendência vertical provocado pelo gradiente de temperatura na camada do núcleo externo. são mostrados na fig. Este mecanismo fluido faz com que a massa líquida suba ao topo da camada. (2) Movimento de tendência no deslocamento horizontal é cíclica e provocada pela rotação da Terra.

3 no Equador. parte mecânica em que C é o momento de inércia e é o torque. 5 COMPOSIÇÃO DA MAGNETOSFERA Então. O que gera as anomalias magnéticas locais. Manto Crosta Externo Núcleo Interno Correntes Elétricas C( dϖ ) =τ dt (3) . M é indutância mutua.Complementado a teoria do dínamo eu tenho a parte mecânica do sistema e a parte elétrica do sistema: L( dI ) + RI = MϖI dt (2) . Existem alguns fenômenos espaciais muito importantes que formam esta interface magnetosférica. τ Fig – 5 Linhas de campo magnético terrestre e seção paralela do planeta que mostra o local das correntes elétricas geradoras do campo. Os valores de campo são aproximadamente de 0.6 Gauss nos Pólos e 0. Quando há o encontro do Vento Solar com o nosso planeta as partículas carregadas de composição do Vento Solar podem tomar diversos caminhos chegando ou não até na baixa atmosfera. há correntes térmicas fluidas no sentido de rotação terrestre que modeladas matematicamente são dínamos (nomenclatura de transformação de energia mecânica em energia elétrica) que recebe o nome de “Teoria do Dínamo Auto-Excitado” e estruturados por modelos de campos poloidais e toroidais. Um fenômeno Fig – 4 Mecanismo do Dínamo Auto-Excitado e Campos Poloidal e Toroidal.6 – Movimento das partículas energéticas ao encontrarem com o campo magnético terrestre. Vale ressaltar que como este sistema de geração de campo é um sistema caótico. eu posso ter pólos isolados de menor intensidade de convecção térmica do que em outras regiões. ω B B 1 ω B 1 ω i 1 B B 1 B B 1 2 B 2 i B B i 2 i (a) (b) B 2 B 2 S0 1 + Campo Magnético T0 1 Campo de Velocidade Poloidal Toroidal Fig. a partir desses mecanismos. . assim o conjunto de todas estas correntes térmicas no meio níquel-ferro (correntes de convecção térmicas)com a tendência maior de giro no mesmo sentido (de otação da Terra) geram uma corrente principal que dá origem ao campo magnético terrestre compondo a base da magnetosfera. parte elétrica em que L é a auto indutância. O sistema fluido normalmente é um sistema caótico.

Essa depressão pode ser em qualquer lugar do planeta. ocorre o fenômeno auroral visível).mais pesadas. mais afastado). caracterizando um movimento de “vai e vem” as tornando confinadas e formando o cinturão. 6 PRECIPITAÇÃO DE PARTÍCULAS Fig – 8 Cinturão de radiação de Van Allen . A faixa de energia dessas partículas variam entre um eV (1 elétron volt) até milhões de eV (Fig – 8).5 raios terrestres e constituído basicamente por elétrons(menos energéticos. que são regiões ocupadas por partículas carregadas na magnetosfera. nas regiões polares. Há duas fontes primárias para a formação desse cinturão: do vento solar e da ionosfera planetária. devido a maior densidade de partículas a altitudes mais baixas (possibilitando choques entre as partículas precipitando e camadas mais densas de H e O2.significativo na compreensão da Magnetosfera. Se a partícula tem energia suficiente para atravessar o aumento da densidade de campo magnético nos pólos causado pelo encontro das linhas de campo magnético. Uma é tipo de interação do campo magnético nos pólos com o vento solar e a outra é o enfraquecimento das linhas de campo terrestre em uma parte pequena da superfície magnetosférica em baixa latitude. um interno situado em torno de 1. Simplificadamente. é a formação do cinturão de radiação de Van Allen.5 raios terrestres e constituído basicamente por prótons (por serem mais energéticas. a partícula entra na atmosfera. Há lugares mais propícios para entrada de partículas no planeta. conseguem se aproximar mais da Terra em conjunto) e outro externo. E atingindo a baixa atmosfera. Essas regiões são formadas pelas partículas que ao se aproximarem das regiões polares segundo dinâmica eletromagnética são redirecionadas para o outro pólo. Há dois cinturões propriamente ditos. A tendência de movimentação natural das partículas é obedecer ao sentido das linhas de campo da Terra possibilitando a entrada de partículas na atmosfera através dos pólos. Para o caso de haver depressão das linhas de campo magnético eu tenho as anomalias magnéticas de origem interna do planeta que facilitam a entrada de partículas pelo enfraquecimento do campo. localizado em torno de 4. há duas maneiras básicas de ocorrer a facilitação da precipitação de partículas ligadas a estrutura do campo magnético terrestre local.

Quando há movimentação de partículas carregadas gera-se corrente e de acordo com a intensidade desse fluxo de partículas energéticas a corrente aumenta gerando um campo magnético intenso. A altitude da anomalia onde ela é mais intensa. e as conseqüências da possibilidade da intensa entrada de partículas na alta atmosfera em períodos merece toda atenção. qualquer equipamento elétrico ou eletromagnético dos quais dependemos hoje em dia. Esta anomalia é única no planeta por se concentrar sobre em uma região pequena porção planetária e ter uma grande intensidade de anomalia (Fig – 9). mas que seque a lógica da variação secular que de acordo com observações e dados. A anomalia provoca uma extensão local no cinturão de prótons do Cinturão de Radiação de Van Allen que invade a região de satélites de órbita baixa projetados para esta órbita (bem amena em relação a região do cinturão)e auxilia na precipitação de partículas (prótons) na atmosfera. Seu centro atual é em torno de Santa Catarina (Brasil) se estendendo longitudinalmente como na figura 9. Satélites. mas a precipitação de partículas e turbulências na ionosfera pode se estender a alturas menores. Enfraquecendo-o. torres de transmissão. O telescópio Hublle quando tem a órbita passando pela região da anomalia. interferências e curtos.O perigo de uma alta entrada de partículas é a possível interferência eletromagnética em equipamentos que elétricos e eletromagnéticos. todo o sistema geomagnético terrestre está derivando para oeste devido a diferença de velocidade entre o Manto e o Núcleo Externo da Terra. sondas espaciais. redes de energia elétrica. é uma particularidade para o Brasil. A origem da anomalia está no mesmo local de formação do campo magnético terrestre e é formada pela existência de pólos enfraquecidos no sistema líquido caótico de compreensão ainda distante de ser desvendada. a ionosfera aumentará o grau de ionização ao interagir com essas partículas causando interferência em sistema terrestres e espaciais que dependem de propriedades elétricas mais estáveis da ionosfera. Fig – 9 Anomalia Magnética do Atlântico Sul . E também de maneira indireta. A precipitação de partículas nesta região passa dos 10 milhões de eV e 3000 colisões por centímetro quadrado. o que é provado pela depressão das linhas do campo magnético terrestre medidas localmente ou de satélites. Satélites mesmo com todas as proteções que lhe é projetado. submetidos a uma forte precipitação de partículas corre o risco de sofrerem danos. O conjunto de fatores mencionados faz com que a anomalia gere localmente um campo magnético de sentido oposto ao da Terra. varia de 1000km a 2000 km de altitude. este campo pode interagir com qualquer outro campo magnético interferindo nos circuitos eletrônicos produzindo ruídos. 8 DADOS E CONSEQÜÊNCIAS DO CLIMA ESPACIAL E DA ANOMALIA MAGNÉTICA DO ATLÂNTICO SUL Há um vasto histórico de interferências e panes causas por tempestades solares. 7 ANOMALIA MAGNÉTICA DO ATLÂNTICO SUL A Anomalia Magnética do Atlântico Sul é um fenômeno que enfraquece o campo magnético na região. ele gasta 15 % do seu tempo de órbita para atravessar. Normalmente os satélites são freados em sua órbita quando passam pela Anomalia do Atlântico Sul porque existe uma forte densidade de partículas energéticas na região e altitude que se encontra a anomalia. A importância de estudo desta anomalia pela sua localidade. Então esta anomalia tem dinâmica temporal geológica que chega a ordem de 1000 anos. a alguns poucos anos atrás foram atingidos.

G. no seu núcleo externo. e o ROSAT HRI perdeu seus dados ao passar. 10 BIBLIOGRAFIA Reitz. classificando em níveis de tempestade e as possíveis conseqüências em sistemas de potência.A sonda MOPITT(Meansurements of Pollution in the Troposphere)... e possibilitando a entrada de partículas carregadas provenientes da região do cinturão de radiação e possivelmente de raios cósmicos. R. 1987. P. Electric Fields in Auroral Fig – 10 Danos em transformadores causados por uma severa tempestade solar. As relações de fatores espaciais com os do planeta na tentativa de modular as interações Sol-Terra com fins de auxiliar a tomada de decisão a assuntos dependentes do Sol é o objeto da previsão de clima espacial. Block. NASA Code NTT . Acceleration. Leighton.gov/NOAAscales/index. cidades do Canadá estavam na direção apropriada tendo essa incidência fortíssima.4. 1992. 1982. & Christy. Cambridge University Press. Washington. L. 1988. sonda medidora de poluição troposférica.O satélite ROSAT PSPC da NASA em na década de 90 ao passar pela anomalia apagou . YA. M. Fisica – Vol.. June 3. Bittencourt.-G. NASA Technical Memorandum 4323. & Matthew S. . Akasofu. 95. pp5877-5888. The Space Weather Forecast Program. K. Esta sonda só registra este tipo de evento nos pólos e na anomalia do atlântico sul. First edn. L.II : Eletromagnetismo y Matéria. Double Layers Do Accelerate Particles in the Auroral Zone. A5. Vol. J. R. Space Science Review. Borovsky. Neste caso foi uma explosão solar seguido de ejeção de massa coronal forte. Physical Review Letters. A6. Al'pert. segundo sensores diferentes e em todo planeta. O estudo da Anomalia do Atlântico Sul tem nos mostrado dois aspectos distintos. A. F\"{a}lthammar. Primeiro da sua origem no interior da Terra.. 1989. USA. enfraquecendo-o. Então. 1991. 51. JGR. Fundamentals of Plasma Physics. W.noaa. and C. monitoram dês da década de 90 níveis de energia de prótons e elétrons nesta altitude. May 1. The near-Earth and Interplanetary Plasma. Borovsky. Milford. contribuindo para possíveis processos de interferência eletromagnética. 57135275. F. tem entre outros dispositivos o Dispositivo de Eventos Singulares(DSE) que é causado pelo ambiente de radiação devido a presença de partículas energéticas. 197. A NOOA (National Oceanic and Atmospheric Administration). Volume 93. N0. Addison-Wesley Iberoamericana. J. R.. com mecanismo de campos poloidais e toroidais específicos. da qual o vento solar atingiu regiões naturalmente aurorais. Vol. pifou equipamentos. Editora Campus Feynman R. Funda mentos da Teoria Eletromagnética.html). e descobriram que ele tina sofrido severos danos eletrônicos. A Thermal / Nonthermal Approach to Solar Flares. Satélites de geofísica da NOOA(National Oceanic and Atmospheric Administration)de órbita baixa. 1986. além de sua natureza espacial devido a depressão nas linhas do campo geomagnético. Benka S.. diversos sistemas de algumas cidades sensivelmente danificados. Quarta Edição. C. ''Properties and Dynamics of the Electrons Beams Emanating from Magnetized Plasma Double Layers'' Journal of Geophysical Research. operações no espaço incluindo satélites. 9 CONSIDERAÇÕES FINAIS A importância preventiva no clima espacial tem o seu foco nos possíveis danos e interferências causados pelas tempestades solares. S-I. D. mais propriamente dito. p. Primeira Edição. 1: General properties and fundamental theory. ''The Dynamic Aurora'' Scientific American. Bash. No mês de março de 1989 ( momento de máximo do ciclo das manchas solares) o Canadá sofreu uma pane eletromagnética que causou “apagões”. estabeleceu uma tabela de escalas para tempestades geomagnéticas. outros sistemas (http://sec. may 1989. The Role of Magnetic-Field-Aligned 1990. Pergamon Press. J.

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