INTEIROS DE GAUSS E INTEIROS DE

EISENSTEIN
Guilherme Fujiwara, São Paulo – SP
♦ Nível Avançado.
Vamos abordar nesse artigo a aritmética de dois conjuntos de inteiros algébricos:
os Inteiros de Gauss e os Inteiros de Eisenstein.
1. INTEIROS DE GAUSS
Definimos o conjunto Z[i] dos inteiros de Gauss como Z[i] = {a + bi | a, b ∈ Z},
onde (i
2
= –1). A seguir veremos as duas coisas mais importantes de sua
aritmética, o teorema da fatoração única e os primos.
1.1 Norma
Vamos definir uma função N: Z[i] →Z+ chamada norma, tal que ∀z ∈ Z[i], N(z) =
z ⋅
z
sendo
z
o conjugado complexo de z. Observe que como , b a ab ⋅ · então
) ( ) ( ) ( ab N ab ab b a b a b b a a b N a N · ⋅ · ⋅ ⋅ ⋅ · ⋅ · ⋅ , ou seja, a norma é
multiplicativa.
1.2. Unidades
As unidades em Z[i], analogamente a Z, são todos os elementos z ∈ Z[i] que
possuem inverso, ou seja, que
] [ ' i z Z ∈ ∃
tal que . 1 ' · ⋅ z z Segue que se z = a + bi é
uma unidade, então ⇔ · + ⇔ · ⇒ ⋅ · ⋅ · 1 1 ) ( ) ' ( ) ( ) ' ( 1
2 2
b a z N z N z N z z N
0 , 1 · t · ⇔ b a ou , 0 · a i b t · t · ⇔ t · Z Z ou 1 1 , e como esses quatro
tem inverso, todas as unidades são 1 t e . i t Observe então que
] [i x Z ∈
é
unidade
. 1 ) ( · ⇔ x N
1.3. Divisibilidade
Dizemos que para a, b ∈ Z[i], a|b (lê-se a divide b) se
] [i c Z ∈ ∃
tal que b = ac.
1.4. Divisão Euclidiana
Vamos ver como funciona a divisão euclidiana. A divisão Euclidiana é a
existência de
0 ], [ , ], [ , ≠ ∈ ∀ ∈ b i b a i r q Z Z
tal que a = bq + r, sendo
). ( ) ( 0 b N r N < ≤
Para demonstrá-la, basta dividir:
, , wi z b yi x a + · + ·
onde x, y, z, w ∈ Z.
i
w z
xw yz
w z
yw xz
w z
ywi yzi xwi xz
wi z
wi z
wi z
yi x
wi z
yi x
b
a
2 2 2 2 2 2
2
+

+
+
+
·
+
− + −




+
+
·
+
+
·
Tomamos m e n como os inteiros mais próximos de
2 2
w z
yw xz
+
+
e
2 2
w z
xw yz
+

,
respectivamente. Note que
2
1
,
2 2 2 2

+


+
+

w z
xw yz
n
w z
yw xz
m Se q = (m + ni), então:

,
_

¸
¸

,
_

¸
¸

+

+ −
+

·
,
_

¸
¸
− · − · i n
w z
xw yz
m
w z
xw yz
b q
b
a
b bq a r
2 2 2 2
) (
2
) (
2
1
2
1
) ( ) (
2 2
b N
b N
b N r N < ·

,
_

¸
¸

,
_

¸
¸
+
,
_

¸
¸
≤ ⇒
1.5. Lema de Euclides
A partir da divisão euclidiana podemos demonstrar o lema de Euclides, ou seja, se
p é um primo de Gauss (ou seja, não pode ser escrito como o produto de dois
inteiros de Gauss cujas normas são maiores que 1), então sendo a, b ∈ Z[i], p|ab ⇒
p|a ou p|b. Para demonstrá-lo, vamos fazer sucessivas divisões euclidianas, sendo
a0 = a e a1 = p. Seja ak + 2 o resto da divisão euclidiana de ak por ak+1. Temos então
as divisões:
1 1
1 1 2
4 3 3 2
3 2 2 1
2 1 1 0




+ −
− − −
+ ·
+ ·
+ ·
+ ·
+ ·
n n n n
n n n n
a a q a
a a q a
a a q a
a a q a
a a q a

Observe que como ) ( ) ( 0
1 k k k
a N a N a < ⇒ ≠
+
, podemos tomar n tal que N(an +1)
= 0, ou seja, an + 1 = 0.
Logo an|an – 1. Observe que
1
|
+ k n
a a e . | |
1 −

k n k n
a a a a Logo
n n
a a | e
, |
1 − n n
a a então indutivamente, , 0 , | n k k a a
k n
≤ ≤ ∀ particularmente
a a a
n
·
0
| e . |
1
p a a
n
· Tomando as j + 1 primeiras equações e realizando
substituições adequadas, temos que aj = xj a1 + yj a0 = xj p +yj a; particularmente
. a y p x a
n n n
+ ·
Voltando ao lema, veja que se p|a então o lema está certo. Se p não divide a,
então, como , | p a
n
an|a e an = xnp + yna, então an ∈ {1; – 1; i; – i} e temos:
, | ) (
1
b p aby b px a b a y p x a
n n n n n n
⇒ + · ⇔ + ·

pois
, | ab p
o que conclui a
demonstração.
1.6. Fatoração única
A fatoração única é uma das propriedades mais usadas em problemas envolvendo
números inteiros. Vamos prová-la para os inteiros de Gauss. Primeiramente
provaremos que todo inteiro z de Gauss com norma maior que 1 pode ser escrito
como o produto de um ou mais primos de Gauss. Se N(z) = 2, como 2 é primo e a
norma é multiplicativa, então z é primo, portanto está provado. Considere N(z) > 2.
Se z é primo a fatoração é imediata. Se z não é primo, então z = a ⋅ b ⇒N(z) =
N(a) ⋅ N(b), onde N(a), N(b) > 1, portanto N(a), N(b) < N(z). Podemos supor, por
indução, que se N(x) < N(z), então x é fatorável. Logo a e b são fatoráveis, e
portanto z.
Para provar que esta fatoração é unica, basta considerar as duas fatorações p1p2…
pn e q1q2…qm . Suponha, por indução, que p1p2…pn = εq1q2…qm, sendo ε uma
unidade, implica que a seqüência (pi) é uma permutação (a menos que sejam
multiplicações por unidades) da (qi). Se max{n; m} = 1, então o resultado é
imediato. Supondo que ele vale se max{n'; m'}< max{n; m}, pelo lema de
Euclides, vemos que para algum i, pn|qi. Sem perda de generalidade, i = m. Como
pn e qm são primos, então qm = ε'pn, onde ε' é uma unidade. Logo p1p2…pn =
εq1q2…qm ⇔ p1p2…pn – 1 =
. ... '
1 2 1 − m
q q q εε
Por indução, p1, p2,...,pn-1 é uma
permutação (a menos que sejam multiplicações por unidades) de q1, q2, …, qm,
portanto a fatoração única está provada.
1.7. Números primos
Vamos agora ver quem são os números primos em Z[i]. Observe que se N(π) é
primo em Z, então π é um primo de Gauss (pois se π fatora então N(π) fatora).
Observe que todo primo π divide N(π), portanto ele deve dividir ao menos um
fator primo em Z de N(π). Se π dividir ao menos dois números distintos
(absolutamente) x e y primos em Z, como sempre é possível tomar a, b ∈ Z tal que
ax + by = 1, teríamos π|1, um absurdo. Logo todo primo de Gauss divide
exatamente um primo inteiro positivo (e seu oposto negativo) em Z. Seja esse
primo inteiro positivo p. Temos três casos:
Se p é par, então p = 2. Sendo π = a + bi, então a
2
+ b
2
= 2 ⇔ π = t 1 t i , e
obtemos os quatro primos 1 + i, 1 – i, –1 + i e –1 –i. Observe que eles são dois a
dois um a multiplicação por uma unidade do outro.
Se p ≡ 3 (mód. 4), como x ∈ Z ⇒x
2
≡ 0 ou 1 (mód. 4), então, se existisse π = c +
di, c, d ∈ Z, 1 < N(π) < p
2
tal que p = πϕ, é facil ver que, como p é um primo
inteiro ϕ · c – di , logo p = c
2
+ d
2
≡ 0, 1 ou 2 (mod.4), absurdo, pois p = 4k + 3.
Logo p é um primo de Gauss.
Se p ≡ 1 (mód. 4), então, sendo x = 1 × 2 × …× ( p – 1)/2, então:
2
) 1 (
... 2 1
2
) 1 (
... 2 1
2

× × × ×

× × × ≡
p p
x
) 1 ( 1 ) 1 ( ) 2 ( ...
2
) 1 (
2
) 1 (
... 2 1 − × ≡ − × − × ×
+
×

× × × ≡ p p p
p p
) . ( 1 p mód − ≡
Logo ). )( ( 1 |
2
i x i x x p − + · + Como π é um primo de Gauss que divide p, então
π ∈ Z, π|x + i ou π|x – i ⇒π|1, absurdo. Portanto π ∉ Z[i] tal que p = πϕ. Seja π
= a + bi e ϕ = c + di, a, b, c, d ∈ Z. Como p é primo em z, então mdc(a; b) =
mdc(c;d) = 1. Temos p = (a + bi)(c + di) = ac – bd + (bc + ad)i. Como p ∈ Z, então
bc = –ad ⇒(a = c e b = – d) ou (a = –c e b = d) ⇔ ϕ = t . π Como p > 0, então
, ) ( p N · ⇒ · π π ϕ logo π é primo (e π e seu conjugado são únicos primos de
Gauss que dividem p).
Portanto vimos que os números primos em Z[i] são:
(1) O primo 1 + i e seus produtos pelas unidades.
(2) Os primos p em Z tal que p ≡ 3 (mod. 4) e seus produtos pelas unidades.
(3) Para cada primo p em Z+ tal que p ≡ 1 (mod. 4), os primos a + bi, a – bi e
seus produtos pelas unidades, sendo a
2
+ b
2
= p.
1.8. Ternas pitágoricas
Agora que já vimos a aritmética básica dos inteiros de Gauss, vamos começar com
um resultado simples e interessante. Vamos achar as soluções da equação a
2
+ b
2
=
c
2
, sendo a, b, c ∈ Z. Seja m = mdc(a; b), a' = a/m e b' = b/m. Temos então m
2
(a
2
+ b
2
) = c
2
⇒m|c. Seja então c' = c/m, temos a'
2
+ b'
2
= c'
2
, mdc(a';b';c') = 1.
Note que a'
2
+ b'
2
= c'
2
⇔ (a'+ b'i)(a'– b'i) = c'
2
. Observe que se d = mdc(a' + b'i;
a'–b'i), então d|2a' e d|2b' ⇒d|2. Se d não divide 1, então d|a'
2
+ b'
2
⇒a' e b' são
ímpares, o que é um absurdo, basta ver congruência módulo 4. Portanto d|1 ⇔ a' +
b'i e a' + b'i são primos entre si, logo ambos são quadrados perfeitos. Observe
também que quaisquer a'e b' primos entre si tais que a' + b'i e a'– b'i são quadrados
perfeitos são soluções da equação. Portanto a'e b' formam uma solução se e
somente se existem x, y, z, w ∈ Z tal que:
xy b
y x a
yi x i b a
yi x i b a
yi x i b a
wi z i b a
yi x i b a
2 '
'
) ( ' '
) ( ' '
) ( ' '
) ( ' '
) ( ' '
2 2
2
2
2
2
2
·
− ·
⇔ + · + ⇔
− · −
+ · +

+ · −
+ · +
Veja então que a' e b' são primos entre si se e só se x e y são primos entre si. Logo
as soluções são a = (x
2
– y
2
) ⋅ d, b = 2xy ⋅ d, ou vice-versa, e conseqüentemente c
= (x
2
+ y
2
) ⋅ d, para x, y, d ∈ Z, sendo x e y primos entre si.
1.9. O número de representações de um inteiro como a
soma de dois quadrados
Provaremos agora o seguinte
Teorema. Dado n ∈ N , o número de pares a, b ∈ Z tais que n = a
2
+ b
2
é igual
a quatro vezes a diferença entre o número de divisores da forma 4k + 1 de n e o
número de divisores da forma 4k + 3 de n.
Podemos expressar n da forma:
m m
m m i
k
k
q q q q p p n
β β β β α α α
) ( ... ) ( ... 2
1 1
1 1
× ·
Sendo pi primos de Gauss inteiros (da forma 4k + 3) e os pares de conjugados qi ≠
i
q primos de Gauss (N(qi) da forma 4k + 1) e esses primos diferem dois a dois por
mais do que uma multiplicação por uma unidade.
Sendo n = a
2
+ b
2
= (a + bi)(a – bi), então, pelo teorema da fatoração única e a
multiplicidade do conjugado, temos:
, ) ( ... ) ( ... ) 1 (
1 1 1
1
1 1
2 2
1
m m m
k
m m k
q q q q p p i bi a
γ β γ γ β γ
α α
α
ε
− −
× + · +
onde
i i
β γ ≤ ≤ 0 e ε é
uma unidade.
Portanto o número de representações de m como a soma de dois quadrados será 0
se algum
i
α for ímpar e será 4(β1 + 1)…(βm + 1) se todos αi forem pares, sendo o
fator 4 pois há 4 escolhas possíveis para a unidade.
Observe agora que a fatoração de n em primos inteiros será:
m k
m k
q N q N p p n
β β α α α
) ( ... ) ( ... 2
1 1
1 1
× ·
Onde pi serão primos da forma 4k + 3 e N(qi) serão primos da forma 4k + 1.
Observe agora que um divisor ímpar de n será da forma:
, ) ( ... ) ( ...
1 1
1 1
m k
b
m
b a
k
a
q N q N p p d × · onde
m m k k
b b a a β β α α ≤ ≤ ≤ ≤ ,..., , ,...,
1 1 1 1
Note que se a1 + … + ak é par, então d é da forma 4k + 1, se for ímpar é da
forma 4k + 3. Portanto, conseguimos verificar que se algum αi for ímpar, o número
de d’s da forma 4k + 3 será igual ao número de d’s da forma 4k + 1, e se todos os
αi forem pares, a diferença entre esses números será (β1 + 1)…(βm + 1), o que
termina a demonstração do teorema.
1.10. Problemas
Problema 1. Determine todos os pares x, y ∈ Z tal que y
3
= x
2
+ 1
Problema 2. Sejam x, y, z ∈ N tais que xy = z
2
+ 1. Prove que existem inteiros
a, b, c, d tais que x = a
2
+ b
2
, y = c
2
+ d
2
e z = ac + bd.
Problema 3. Prove que existem duas seqüências inteiras (an) e (bn) infinitas e
estritamente crescentes tais que ak(ak + 1) divide 1
2
+
k
b para todo natural k.
2. INTEIROS DE EISENSTEIN
Vamos agora ver os Inteiros de Eisenstein. Definimos o conjunto Z[ω] dos
inteiros de Eisenstein como Z[ω] = {a + bω| a, b ∈ Z}, sendo ,
2
3
2
1 i
+ − · ω
donde ω
2
+ ω + 1 = 0. Para ζ = a + bω ∈ Z[ω] definiremos a norma como N(ζ) =
ζ ζ ⋅ = a
2
– ab + b
2
. Observe que essa norma segue as mesmas propriedades da
norma dos inteiros de Gauss (é inteira não negativa e multiplicativa).
2.1. Unidades
As unidades em Z[ω] são definidas como os seus elementos que possuem inverso,
ou seja u, tal que ∃u
– 1
tal que u ⋅ u
– 1
= 1 ⇒N(u) = 1 ⇔ u = t 1, tω , t (1 + ω), e
verificamos que esses quatro números tem inverso, portanto u é unidade se, e só se
N(u) = 1.
Obs. Note que . ) 1 (
2
ω ω t · + t
2.2. Divisão Euclidiana
Para provar a existência de divisão Euclidiana entre a, b ∈ Z[ω], b ≠ 0. Sejam α e
β tais que: βω α + ·
b
a
Tomando q = c + dω, tais que c e d são respectivamente os inteiros mais próximos
de α e β. Portanto:
) (
4
1
4
1
4
1
) ( ) ) ( ) )( ( ) )(( (
) ( ) (
2 2
b N b N d d c c b N
r N q b bq a r
<
,
_

¸
¸
+ + ≤ − + − − − − ·
· ⇒ − + · − ·
β β α α
βω α
Portanto existe a divisão Euclidiana.
2.3. Teorema da fatoração Única
Note que, para os inteiros de Gauss, provamos o lema de Euclides e a fatoração
única, usando somente o fato de que existe divisão Euclidiana, portanto, seguindo
os mesmos passos para provar o lema de Euclides e a fatoração única, provaremos
a fatoração única para os inteiros de Eisenstein.
2.4. Primos
Tudo é muito parecido com os inteiros de Gauss: N(π) é primo em Z ⇒π é primo
em Z[ω]; todo primo π em Z[ω] divide exatamente um primo inteiro positivo. A
demonstração desses dois fatos é exatamente igual que foi dada na seção de
inteiros de Gauss. Seja p o inteiro positivo primo que o primo, π em Z[ω] divide.
Temos três casos:
• Se p é da forma 3k, então p = 3, e obtemos π = t (1 – ω) ou t (2 + ω).
• Se p é da forma 3k + 2, como a
2
– ab + b
2
só é da forma 3k ou 3k + 1 (verifique
você mesmo), então p é um primo de em Z[ω] tal que N(π) = p
2
.
•Se p é da forma 3k + 1, pela lei da reprocidade quadrática*:
1
3
1 ) 1 (
3
3
2
1 3
2
1
·

,
_

¸
¸ −
⇒ · − ·

,
_

¸
¸ −

,
_

¸
¸

,
_

¸
¸ − −


p p
p
p
Portanto existe x inteiro tal que ) 2 )( 2 ( 2 2 3 ) 1 ( |
2 2 2 2
ω ω − − · + − · + − x x x x x p , e
como p não divide 2, então p não é primo em Z[ω] e existem π e
ψ
tal que
. p · πψ
Como p é um primo inteiro, então π ψ · , logo
π
e ψ π · são primos em
Z[ω] e p · ⋅ π π .
Portanto os primos em Z[ω] são:
(1) O primo 1 – ω e suas multiplicações por unidades.
(2) Os primos inteiros da forma 3k + 2 e seus produtos pelas unidades, que
também são primos em Z[ω].
(3) Para todo primo inteiro p da forma 3k + 1, os primos π e π tal que p · π π e
seus produtos pelas unidades são primos em Z[ω].
*A lei de reciprocidade quadrática de Gauss diz o seguinte: dados a ∈ Z e p∈ Z primo que não divide
a, definimos
¹
'
¹
·

,
_

¸
¸
contrário. caso , 0
. mod. quadrático resíduo é se 1, p a
p
a
Para p, q ∈ Z primos ímpares com p > 0
vale sempre . ) 1 (
2
1
2
1

,
_

¸
¸ −

,
_

¸
¸ −
− ·

,
_

¸
¸

,
_

¸
¸
q p
p
q
q
p
2.5. Exemplo
Ache todos os a, b, c ∈
*
+
Z lados de um triângulo com um ângulo de 60
o
.
Vamos supor, sem perda de generalidade, que o ângulo de 60
o
é entre os lados de
medidas a e b. Pela lei dos co-senos, temos:
) )( ( ) 60 cos( 2
2 2 2 2 2
ω ω b a b a ab b a ab b a c − + · − + · ° − + ·
Observe a semelhança deste problema com o das ternas pitagóricas.
Seja m = mdc(a; b), a = a'm, b = b'm. Segue que c m c m ⇔
2 2
, e teremos c = c'm.
Logo
b a b a c ab b a c ' ' ' '
2 2 2 2 2 2
− + · ⇔ − + ·
', e temos mdc(a'; b'; c') = 1. Seja d
tal que ω ' ' b a d + e . ' ' ω b a d − Segue que ' 2a d e ' 2b d , logo 2 d . Se d não divide
1, então ' 2 ' ' ' ' 2 2
2 2
a b b a a d ⇒ + − ⇒ e ' 2b , absurdo, logo 1 d , e portanto:
2
2 2
2 2 2 2
2 '
'
) 2 ( ) ( ' '
y xy b
y x a
y xy y x y x b a
− ·
− ·
⇔ − + − · + · + ω ω ω
Portanto as soluções são m y xy b m y x a ) 2 ( , ) (
2 2 2
− · − · e m y xy x c ) (
2 2
+ − · ,
para todo x, y, m ∈ Z+ com x > y, e as permutações de a, b e c.
Outro bom exemplo de aplicação dos inteiros de Eisenstein é o problema 6 da
IMO de 2001:
Sejam a, b, c, d inteiros com a > b > c > d > 0. Considere que
) )( ( c a d b c a d b bd ac + − + − + + · +
Prove que ab + cd não é primo.
Primeiramente vamos mostrar por que usar inteiros de Eisenstein:
2 2 2 2
2 2 2 2
) )( (
c ac a d bd b
c ac cd bc ac a ad ab cd ad d bd bc ab bd b bd ac
c a d b c a d b bd ac
+ − · + + ⇔
⇔ − + − − + − + + + − + + + − + · + ⇔
⇔ + − + − + + · +
Aí vemos por que usar inteiros de Eisenstein.
( ) ( ) ( ) ( )
2 2
ω ω ω ω c a c a d b d b + + · − −
Observe que como a, b, c > 1, então mdc(b; d) > 1 ⇒ab + cd não é primo, logo
podemos supor que b e d são primos entre si. Analogamente supomos que mdc(a;
c) = mdc(a; d) = mdc(b; c) =1.
Seja π um primo em
] [ω Z
tal que
ω π d b −
. Vamos provar que π não divide
π ω ⇔ + c a
não divide ,
2
ω c a + e segue que ω ω c a d b + − . Suponha então que
ω π c a + . Veja que ), )( ( ) ( ω ω π c a d b N + − e temos
ω ω ω ) ( ) )( ( ad cd bc cd ab c a d b − + + + · + −
Como , ) ( Z ∈ π N e ) )( ( ) ( ω ω π c a d b N + − , então cd ab N + ) (π e, supondo ab
+ cd primo, teríamos ) (π N cd ab · + . Mas nesse caso segue que
, '
2
k k
k
c a d b d b π ε ω π ε ω επ ω · + ⇒ ⋅ · − ⇒ · −
sendo
ε
e ' ε unidades.
Se , / ' ε ε µ · então ). (
2
ω µ ω ω c a d b d d b + · − · + + Considerando o fato
de
mdc(b; d) = mdc(a; c) = mdc(b; c) = 1 e que a > b > c > d > 0, temos que isto é um
absurdo (a verificação fica para o leitor, basta considerar as 6 possibilidades para
) µ
. Logo ω ω c a d b + − , e analogamente . ω ω d b c a − + Portanto
) ( ω υ ω c a d b + · −
, onde
υ
é uma unidade. Novamente, basta verificar todas as
possibilidades para
υ
e verificar que isto é um absurdo. Portanto ab + cd não é
primo.
2.6. Problemas
Deixamos aqui mais alguns problemas para o leitor:
Problema 1.
(a) Prove que, para cada inteiro n, o número de soluções inteiras de x
2
– xy + y
2
=
n é finito e divisível por 6.
(b) Determine todas as soluções inteiras de x
2
– xy + y
2
= 727.
Problema 2.
Mostre que a equação diofantina x
3
+ y
3
+ z
3
= 0 só tem soluções triviais, ou seja,
tais que xyz = 0.
Problema 3.
Prove que se n é um inteiro positivo tal que a equação x
3
– 3xy
2
+ y
3
= n tem
soluções em inteiros (x; y), então ela tem pelo menos três soluções.

ou seja. z. 2 z +w z + w2 xz + yw yz − xw 1 . Temos então as divisões: a 0 = q1 a1 + a 2 a1 = q 2 a 2 + a 3 a 2 = q3 a3 + a 4  a n − 2 = q n −1 a n −1 + a n a n −1 = q n a n + a n +1 Observe que como a k ≠ 0 ⇒ N ( a k +1 ) < N (a k ) . Para demonstrá-lo. b ∈ Z[i]. w ∈ Z. . então: respectivamente. Logo an|an – 1. a n | a n −1 . sendo a0 = a e a1 = p.5.a = x + yi. particularmente então indutivamente. b = z + wi . ∀k 0 ≤ k ≤ n. ou seja. Tomando as j + 1 primeiras equações e realizando substituições adequadas. vamos fazer sucessivas divisões euclidianas. se p é um primo de Gauss (ou seja. Lema de Euclides A partir da divisão euclidiana podemos demonstrar o lema de Euclides. Note que m − 2 2 z +w z + w2 2  yz − xw  a   yz − xw r = a − bq = b − q  = b 2  z + w2 − m +  z 2 + w2 − n b      2 2  1   1   N (b) ⇒ N ( r ) ≤ N (b)   +    = < N (b )  2  2 2     i ⇒   1. podemos tomar n tal que N(an +1) = 0. temos que aj = xj a1 + yj a0 = xj p +yj a.n− 2 ≤ Se q = (m + ni). Seja ak + 2 o resto da divisão euclidiana de ak por ak+1. particularmente a n = x n p + y n a. an + 1 = 0. onde x. Logo a n | a n e a n | a k . a n | a 0 = a e a n | a1 = p. então sendo a. não pode ser escrito como o produto de dois inteiros de Gauss cujas normas são maiores que 1). Observe que a n | a k +1 e a n | a k ⇒ a n | a k −1 . y. a x + yi x + yi z − wi xz − xwi + yzi − ywi 2 xz + yw yz − xw = = ⋅ ⇔ = 2 + i b z + wi z + wi z − wi z 2 + w2 z + w2 z 2 + w2 xz + yw yz − xw Tomamos m e n como os inteiros mais próximos de 2 e 2 . p|ab ⇒ p|a ou p|b.

m} = 1. Se max{n. e obtemos os quatro primos 1 + i. Primeiramente provaremos que todo inteiro z de Gauss com norma maior que 1 pode ser escrito como o produto de um ou mais primos de Gauss.Voltando ao lema. Se π dividir ao menos dois números distintos (absolutamente) x e y primos em Z. an|a e an = xnp + yna.. portanto N(a). p1.7. por indução. implica que a seqüência (pi) é uma permutação (a menos que sejam multiplicações por unidades) da (qi). Vamos prová-la para os inteiros de Gauss. por indução. como a n | p. pn|qi. portanto a fatoração única está provada. Para provar que esta fatoração é unica. Supondo que ele vale se max{n'. que p1p2…pn = εq1q2…qm. então p = 2. então z é primo. Se z é primo a fatoração é imediata. Por indução. Sendo π = a + bi. N(b) < N(z). Logo a e b são fatoráveis. 1. que se N(x) < N(z). pois p | ab. 1 – i. teríamos π|1. onde ε' é uma unidade. o que conclui a demonstração. Observe que todo primo π divide N(π). basta considerar as duas fatorações p1p2… pn e q1q2…qm . como 2 é primo e a norma é multiplicativa. qm. 1. Podemos supor. – 1. e portanto z. Sem perda de generalidade. portanto ele deve dividir ao menos um fator primo em Z de N(π). …. Fatoração única A fatoração única é uma das propriedades mais usadas em problemas envolvendo números inteiros. Como pn e qm são primos. q2. então x é fatorável. m}. p2. Números primos Vamos agora ver quem são os números primos em Z[i]. –1 + i e –1 –i.. N(b) > 1. Suponha. Logo todo primo de Gauss divide exatamente um primo inteiro positivo (e seu oposto negativo) em Z. então a2 + b2 = 2 ⇔ π = ± 1 ± i . Considere N(z) > 2. um absurdo. i = m..q m −1 . Observe que se N(π) é primo em Z. então qm = ε'pn. vemos que para algum i. Seja esse primo inteiro positivo p. então z = a ⋅ b ⇒ N(z) = N(a) ⋅ N(b). Se z não é primo. . Logo p1p2…pn = εq1q2…qm ⇔ p1p2…pn – 1 = εε ' q1 q 2 . i. portanto está provado. então o resultado é imediato. onde N(a). Observe que eles são dois a dois um a multiplicação por uma unidade do outro. então π é um primo de Gauss (pois se π fatora então N(π) fatora). Se N(z) = 2. então an ∈ {1.. como sempre é possível tomar a.. b ∈ Z tal que ax + by = 1. veja que se p|a então o lema está certo. Temos três casos: Se p é par.pn-1 é uma permutação (a menos que sejam multiplicações por unidades) de q1. sendo ε uma unidade. m'}< max{n. – i} e temos: − a n = x n p + y n a ⇔ b = a n 1 ( px n b + aby n ) ⇒ p | b.6. Se p não divide a.. pelo lema de Euclides. então.

d) = 1. Vamos achar as soluções da equação a2 + b2 = c2. b) = mdc(c.. logo p = c2 + d2 ≡ 0. π|x + i ou π|x – i ⇒ π|1. b. Observe que se d = mdc(a' + b'i. logo ambos são quadrados perfeitos. Logo p é um primo de Gauss. a. 4) e seus produtos pelas unidades. Como p ∈ Z.4).. Se d não divide 1. basta ver congruência módulo 4. absurdo. 1 ou 2 (mod. 4). absurdo. sendo a.. b. Temos p = (a + bi)(c + di) = ac – bd + (bc + ad)i. Portanto d|1 ⇔ a' + b'i e a' + b'i são primos entre si. Temos então m2 (a2 + b2) = c2 ⇒ m|c. então.. 4). d ∈ Z.. (3) Para cada primo p em Z+ tal que p ≡ 1 (mod. temos a'2 + b'2 = c'2. c ∈ Z. Ternas pitágoricas Agora que já vimos a aritmética básica dos inteiros de Gauss. é facil ver que. então mdc(a.c') = 1. a'–b'i). sendo x = 1 × 2 × …× ( p – 1)/2. b).. z. Como π é um primo de Gauss que divide p. Como p > 0. a – bi e seus produtos pelas unidades. Seja π = a + bi e ϕ = c + di. c. Como p é primo em z. Portanto vimos que os números primos em Z[i] são: (1) O primo 1 + i e seus produtos pelas unidades. c. então d|a'2 + b'2 ⇒ a' e b' são ímpares. mdc(a'. Portanto π ∉ Z[i] tal que p = πϕ. Note que a'2 + b'2 = c'2 ⇔ (a'+ b'i)(a'– b'i) = c'2. pois p = 4k + 3. Observe também que quaisquer a'e b' primos entre si tais que a' + b'i e a'– b'i são quadrados perfeitos são soluções da equação. então d|2a' e d|2b' ⇒ d|2. Seja então c' = c/m.Se p ≡ 3 (mód. como x ∈ Z ⇒ x2 ≡ 0 ou 1 (mód. y.. como p é um primo inteiro ϕ = c – di . × × 1 × 2 × . logo π é primo (e π e seu conjugado são únicos primos de Gauss que dividem p).. então π ∈ Z. × ( p − 2) × ( p − 1) ≡ 1 × ( p − 1) 2 2 ≡ −1( mód . os primos a + bi. 4). 4). d ∈ Z. Seja m = mdc(a. p) Logo p | x 2 + 1 = ( x + i )( x − i ). sendo a2 + b2 = p. (2) Os primos p em Z tal que p ≡ 3 (mod. a' = a/m e b' = b/m. vamos começar com um resultado simples e interessante.b'. × × × . × 2 2 ( p − 1) ( p + 1) ≡ 1 × 2 × . Se p ≡ 1 (mód. então ϕ = π ⇒ N (π ) = p. Portanto a'e b' formam uma solução se e somente se existem x. 1 < N(π) < p2 tal que p = πϕ. então. w ∈ Z tal que: . 1. então bc = –ad ⇒ (a = c e b = – d) ou (a = –c e b = d) ⇔ ϕ = ± π . o que é um absurdo. então: ( p − 1) ( p − 1) x 2 ≡ 1 × 2 × . se existisse π = c + di.8.

onde a1 ≤ α 1 ... onde 0 ≤ γ i ≤ β i e ε é uma unidade. Observe agora que a fatoração de n em primos inteiros será: α n = 2α p1 1 .. ou vice-versa... sendo o fator 4 pois há 4 escolhas possíveis para a unidade. Portanto o número de representações de m como a soma de dois quadrados será 0 se algum α i for ímpar e será 4(β1 + 1)…(βm + 1) se todos αi forem pares. p k k × N (q1 ) b1 ... Dado n ∈ N . conseguimos verificar que se algum αi for ímpar.... bm ≤ β m Note que se a1 + … + ak é par. temos: γ γ a + bi = ε (1 + i ) × q1 1 ( q 1 ) β1 −γ 1 .. para x.. e conseqüentemente c = (x2 + y2) ⋅ d.. Logo as soluções são a = (x2 – y2) ⋅ d. se for ímpar é da forma 4k + 3...N ( q m ) bm . b ∈ Z tais que n = a2 + b2 é igual a quatro vezes a diferença entre o número de divisores da forma 4k + 1 de n e o número de divisores da forma 4k + 3 de n.. sendo x e y primos entre si.a'+b' i = ( x + yi ) 2 a'−b' i = ( z + wi ) 2 ⇔ a'+b' i = ( x + yi ) 2 a'−b' i = ( x − yi ) 2 ⇔ a '+b' i = ( x + yi ) 2 ⇔ a' = x 2 − y 2 b' = 2 xy Veja então que a' e b' são primos entre si se e só se x e y são primos entre si. O número de representações de um inteiro como a soma de dois quadrados Provaremos agora o seguinte Teorema.N ( q m ) β m k Onde pi serão primos da forma 4k + 3 e N(qi) serão primos da forma 4k + 1.q mm ( q m ) β m −γ m . Podemos expressar n da forma: β α n = 2α p1 . y. Portanto.q mm ( q m ) β m k Sendo pi primos de Gauss inteiros (da forma 4k + 3) e os pares de conjugados qi ≠ q i primos de Gauss (N(qi) da forma 4k + 1) e esses primos diferem dois a dois por mais do que uma multiplicação por uma unidade.. a k ≤ α k .9. o número de pares a. pelo teorema da fatoração única e a multiplicidade do conjugado. então. b1 ≤ β 1 . p αk × q1β1 ( q i ) β1 . d ∈ Z.... Sendo n = a2 + b2 = (a + bi)(a – bi)... e se todos os α α1 p12 αk . então d é da forma 4k + 1... 1. Observe agora que um divisor ímpar de n será da forma: a d = p1a1 . b = 2xy ⋅ d. p k 2 . o número de d’s da forma 4k + 3 será igual ao número de d’s da forma 4k + 1. p α k × N (q1 ) β1 .

c. Prove que existem inteiros a. y ∈ Z tal que y3 = x2 + 1 Problema 2. sendo ω = − + . Problema 3. portanto u é unidade se.10.αi forem pares. 2. Portanto: r = a − bq = b(α + βω − q ) ⇒ N ( r ) = 1 1 1 = N (b)((α − c) 2 − (α − c)( β − d ) + ( β − d ) 2 ) ≤ N (b) + +  < N (b) 4 4 4 . tais que c e d são respectivamente os inteiros mais próximos de α e β. Obs. tal que ∃ u – 1 tal que u ⋅ u – 1 = 1 ⇒ N(u) = 1 ⇔ u = ± 1. y. b. b ∈ Z[ω]. d tais que x = a2 + b2. Prove que existem duas seqüências inteiras (an) e (bn) infinitas e estritamente crescentes tais que ak(ak + 1) divide bk2 + 1 para todo natural k. 1. 2 2 donde ω 2 + ω + 1 = 0. Para ζ = a + bω ∈ Z[ω] definiremos a norma como N(ζ) = ζ ⋅ ζ = a2 – ab + b2. Observe que essa norma segue as mesmas propriedades da norma dos inteiros de Gauss (é inteira não negativa e multiplicativa). z ∈ N tais que xy = z2 + 1. Unidades As unidades em Z[ω] são definidas como os seus elementos que possuem inverso. e verificamos que esses quatro números tem inverso. Definimos o conjunto Z[ω] dos 1 i 3 inteiros de Eisenstein como Z[ω] = {a + bω| a. Determine todos os pares x. y = c2 + d2 e z = ac + bd. b ≠ 0. Sejam x. INTEIROS DE EISENSTEIN Vamos agora ver os Inteiros de Eisenstein. ± (1 + ω). ±ω .2. a diferença entre esses números será (β1 + 1)…(βm + 1). ou seja u.1. 2. e só se N(u) = 1. b ∈ Z}. o que termina a demonstração do teorema. Problemas Problema 1. Divisão Euclidiana Para provar a existência de divisão Euclidiana entre a. 2. Sejam α e a β tais que: = α + βω b Tomando q = c + dω. Note que ± (1 + ω ) = ± ω 2 .

Primos Tudo é muito parecido com os inteiros de Gauss: N(π) é primo em Z ⇒ π é primo em Z[ω]. seguindo os mesmos passos para provar o lema de Euclides e a fatoração única. que também são primos em Z[ω]. então ψ = π . •Se p é da forma 3k + 1. caso contrário. Temos três casos: • Se p é da forma 3k. • Se p é da forma 3k + 2. Portanto os primos em Z[ω] são: (1) O primo 1 – ω e suas multiplicações por unidades. como a2 – ab + b2 só é da forma 3k ou 3k + 1 (verifique você mesmo). Como p é um primo inteiro. Seja p o inteiro positivo primo que o primo. se a é resíduo quadrático mod. então p não é primo em Z[ω] e existem π e ψ tal que πψ = p. provaremos a fatoração única para os inteiros de Eisenstein. e obtemos π = ± (1 – ω) ou ± (2 + ω). a. então p = 3. A demonstração desses dois fatos é exatamente igual que foi dada na seção de inteiros de Gauss. Teorema da fatoração Única Note que.Portanto existe a divisão Euclidiana. 2. (2) Os primos inteiros da forma 3k + 2 e seus produtos pelas unidades. então p é um primo de em Z[ω] tal que N(π) = p2. e como p não divide 2. *A lei de reciprocidade quadrática de Gauss diz o seguinte: dados a ∈ Z e p∈ Z primo que não divide  a  1. π em Z[ω] divide. pela lei da reprocidade quadrática*:  p  − 3   = ( −1)      3  p  p −1  −3−1  ⋅  2  2   − 3 =1⇒   p  =1    Portanto existe x inteiro tal que p | ( x − 1) 2 + 3 = x 2 − 2 x + 2 2 = ( x − 2ω )( x − 2ω 2 ) . logo π e π = ψ são primos em Z[ω] e π ⋅ π = p .3. .   p  q  vale sempre    = ( −1)   q  p      p −1   q −1    2  2  . provamos o lema de Euclides e a fatoração única. (3) Para todo primo inteiro p da forma 3k + 1. portanto. os primos π e π tal que π π = p e seus produtos pelas unidades são primos em Z[ω]. 2. p. usando somente o fato de que existe divisão Euclidiana. para os inteiros de Gauss. todo primo π em Z[ω] divide exatamente um primo inteiro positivo. q ∈ Z primos ímpares com p > 0  p   0. definimos   =  Para p.4.

logo podemos supor que b e d são primos entre si. e as permutações de a. b'. a = a'm. Seja d tal que d a'+b' ω e d a'−b' ω . sem perda de generalidade. temos: c 2 = a 2 + b 2 − 2ab cos(60°) = a 2 + b 2 − ab = ( a + bω )(a − bω ) Observe a semelhança deste problema com o das ternas pitagóricas. Se d não divide 2 2 1. m ∈ Z+ com x > y. c > 1. c') = 1. Pela lei dos co-senos. Outro bom exemplo de aplicação dos inteiros de Eisenstein é o problema 6 da IMO de 2001: Sejam a. logo d 2 . c. ( ) ( ) . 2 2 Seja m = mdc(a. d) = mdc(b. e temos mdc(a'. b. Logo c 2 = a 2 + b 2 − ab ⇔ c' 2 = a ' 2 +b' 2 − a' b '. c ∈ Z + lados de um triângulo com um ângulo de 60o. ( b − dω ) b − dω 2 = ( a + cω ) a + cω 2 Observe que como a. c) =1. y. e portanto: a '+b' ω = ( x + yω ) 2 = x 2 − y 2 + ( 2 xy − y 2 )ω ⇔ a' = x 2 − y 2 b' = 2 xy − y 2 Portanto as soluções são a = ( x 2 − y 2 ) m. então 2 d ⇒ 2 a' − a' b'+b' ⇒ 2 a' e 2 b' . Segue que m c ⇔ m c . d) > 1 ⇒ ab + cd não é primo. Analogamente supomos que mdc(a. que o ângulo de 60o é entre os lados de medidas a e b. b = b'm. Primeiramente vamos mostrar por que usar inteiros de Eisenstein: ac + bd = (b + d + a − c)(b + d − a + c) ⇔ ⇔ ac + bd = b 2 + bd − ab + bc + bd + d 2 − ad + cd + ab + ad − a 2 + ac − bc − cd + ac − c 2 ⇔ ⇔ b 2 + bd + d 2 = a 2 − ac + c 2 Aí vemos por que usar inteiros de Eisenstein. b). logo d 1 . d inteiros com a > b > c > d > 0. e teremos c = c'm. Exemplo * Ache todos os a. b = ( 2 xy − y 2 ) m e c = ( x 2 − xy + y 2 ) m . para todo x. b. Considere que ac + bd = (b + d + a − c)(b + d − a + c) Prove que ab + cd não é primo.5. b e c. b. então mdc(b. c) = mdc(a. absurdo. Segue que d 2a' e d 2b' . Vamos supor.2.

c) = 1 e que a > b > c > d > 0. Portanto b − dω = υ ( a + cω ) . y). Portanto ab + cd não é primo. . (b) Determine todas as soluções inteiras de x2 – xy + y2 = 727. Problemas Deixamos aqui mais alguns problemas para o leitor: Problema 1. o número de soluções inteiras de x2 – xy + y2 = n é finito e divisível por 6. teríamos ab + cd = N (π ) . 2. Mas nesse caso segue que k k b − dω = επ k ⇒ b − dω 2 = ε ⋅ π ⇒ a + cω = ε ' π . Problema 3. c) = mdc(b.Seja π um primo em Z[ω ] tal que π b − dω . para cada inteiro n. ou seja. Se µ = ε ' / ε . e N (π ) (b − dω )(a + cω ) . então b + d + dω = b − dω 2 = µ ( a + cω ). basta verificar todas as possibilidades para υ e verificar que isto é um absurdo. Mostre que a equação diofantina x3 + y3 + z3 = 0 só tem soluções triviais. tais que xyz = 0. temos que isto é um absurdo (a verificação fica para o leitor. então ela tem pelo menos três soluções. basta considerar as 6 possibilidades para µ ) . Suponha então que π a + cω . d) = mdc(a. e segue que b − dω a + cω . Considerando o fato de mdc(b. Veja que N (π ) (b − dω )(a + cω ). supondo ab + cd primo. então N (π ) ab + cd e. (a) Prove que. e analogamente a + cω b − dω . Novamente.6. Problema 2. Vamos provar que π não divide a + cω ⇔ π não divide a + cω 2 . onde υ é uma unidade. Prove que se n é um inteiro positivo tal que a equação x3 – 3xy2 + y3 = n tem soluções em inteiros (x. sendo ε e ε ' unidades. e temos (b − dω )(a + cω ) = ab + cd + (bc + cd − ad )ω Como N (π ) ∈ Z. Logo b − dω a + cω .

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