CURSO BÁSICO DE APICULTURA

Sobre o Curso O curso básico de apicultura é direcionado ao iniciante na arte de criar abelhas com muita vontade de aprender e quase nenhum conhecimento. Aborda todas as fases, da criação à produção, não se limitando apenas às respostas fáceis, às soluções únicas ou somente aos entendimentos mais populares. Embora não seja aprofundado nos assuntos de uma linha de produção específica, muitos tópicos são apresentados com vários enfoques diferentes. Isso possibilita que mesmo apicultores experientes possam encontrar algumas novidades neste curso. Índice 1ª PARTE

A ABELHA.................................................................................................................................5
Aspectos morfológicos das abelhas Apis mellifera............................................................................................................................5 Desenvolvimento das abelhas...............................................................................................................................................................6 Diferenciação das castas........................................................................................................................................................................7 Estrutura e uso dos favos......................................................................................................................................................................7 Organização e estrutura da colmeia....................................................................................................................................................8 Raças de Abelhas Apis mellifera .........................................................................................................................................................9 Apis mellifera mellifera (abelha real, alemã, comum ou negra) .................................................................................................9 Apis mellifera ligustica (abelha italiana).....................................................................................................................................9 Apis mellifera caucasica..............................................................................................................................................................9 Apis mellifera carnica (abelha carnica).....................................................................................................................................10 Apis mellifera scutellata (abelha africana).................................................................................................................................10 Abelha africanizada....................................................................................................................................................................10

O APIÁRIO...............................................................................................................................10
Início da Criação de abelhas ..............................................................................................................................................................10 Considerações necessárias no planejamento do apiário.................................................................................................................11 Tipos de Colmeias................................................................................................................................................................................11 Colméia Langstroth....................................................................................................................................................................13 Colméia Schirmer......................................................................................................................................................................13 Colméia Piauí.............................................................................................................................................................................13 Como fixar a cera nos quadros..........................................................................................................................................................13 Como fazer caixas-isca........................................................................................................................................................................14 Captura de enxames alojados ............................................................................................................................................................16 Transferencia da nova colônia para o apiário .................................................................................................................................16

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O MANEJO...............................................................................................................................17
Equipamentos necessários..................................................................................................................................................................17 A vestimenta..............................................................................................................................................................................17 Utensílios obrigatórios...............................................................................................................................................................18 Outras ferramentas úteis para o manejo.....................................................................................................................................18 A inspeção da colméia ........................................................................................................................................................................18 Como fazer uma revisão completa.............................................................................................................................................19 Soluções:....................................................................................................................................................................................19 Alimentação..........................................................................................................................................................................................20 Quando deve ser fornecida a alimentação de subsistência........................................................................................................20 Como é a alimentação energética de subsistência.....................................................................................................................20 Quando deve ser fornecida a alimentação estimulante..............................................................................................................21 Como é a alimentação estimulante.............................................................................................................................................21 Como calcular as proporções de açúcar e água para o alimento energético..............................................................................21 Como o xarope é fornecido........................................................................................................................................................22 Alimentadores individuais externos...........................................................................................................................................22 Alimentadores individuais internos..........................................................................................................................................22 Quando deve ser fornecida a alimentação protéica....................................................................................................................23 Técnicas de Manejo.............................................................................................................................................................................23 Introdução de rainhas ................................................................................................................................................................23 União pacífica de colônias.........................................................................................................................................................24 Permuta......................................................................................................................................................................................25 Recurperação de um enxame zanganeiro...................................................................................................................................25 Como saber se uma colméia está sem rainha...................................................................................................................................26 Marcação da rainha "cor do ano".....................................................................................................................................................26 Tecnicas para localizar a rainha........................................................................................................................................................26 Técnica 1 – Quadro a quadro.....................................................................................................................................................26 Técnica 2 – O favo estranho......................................................................................................................................................27 Técnica 3 – Peneirando as abelhas.............................................................................................................................................27 Técnica 4 – Fumaça no alvado...................................................................................................................................................27 Controle de enxameação.....................................................................................................................................................................28 Método da divisão......................................................................................................................................................................28 Método Demaree........................................................................................................................................................................28 Controle da Pilhagem .........................................................................................................................................................................29 Apiário "sanfona"...............................................................................................................................................................................29 Seleção e Melhoramento ....................................................................................................................................................................30

2ª PARTE.................................................................................................................................31
O Mel e a Colheita...............................................................................................................................................................................31 O que é o néctar? .......................................................................................................................................................................31 O néctar pode ser produzido fora das flores? ............................................................................................................................31 O que é melato? .........................................................................................................................................................................31 Quando o mel está pronto para ser colhido? .............................................................................................................................31 Qual é o percentual de umidade seguro para o mel? .................................................................................................................31 Em que condições o mel pode ser colhido? ..............................................................................................................................32 Com que freqüência o mel deve ser colhido? ...........................................................................................................................32 Quantas melgueiras devem ser colocadas no início da safra?...................................................................................................32 Onde deve ser colocada uma nova melgueira? .........................................................................................................................32 Como colocar melgueiras com 8 ou 9 quadros? .......................................................................................................................32 Como as abelhas são retiradas das melgueiras? ........................................................................................................................33 Como as melgueiras devem ser transportadas? .........................................................................................................................33 Como é feita a desoperculação dos favos? ................................................................................................................................33
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O que é uma mesa desoperculadora? ........................................................................................................................................34 Como é feita a centrifugação dos quadros? ..............................................................................................................................34 O que são centrífugas radial e facial? .......................................................................................................................................34 Como centrifugar favos quebrados? .........................................................................................................................................34 Como extrair o mel sem a centrífuga? ......................................................................................................................................34 O que fazer com as melgueiras após a extração? ......................................................................................................................34 O que é feito do mel após a centrifugação? ..............................................................................................................................35 O que é um decantador? ............................................................................................................................................................35 É possível produzir mel em favo? .............................................................................................................................................35 Como o mel deve ser armazenado? ...........................................................................................................................................35 O HMF é prejudicial à saúde humana? .....................................................................................................................................35 As enzimas são benéficas à saúde humana? .............................................................................................................................35 Como o mel é adulterado? ........................................................................................................................................................35 Há um modo simples de descobrir se o mel é adulterado? .......................................................................................................35 É possível identificar a origem floral de um mel? ....................................................................................................................35 Por que o mel cristaliza? ...........................................................................................................................................................36 Como ocorre a cristalização? ....................................................................................................................................................36 Como descristalizar o mel? .......................................................................................................................................................36 O que é mel cremoso? ...............................................................................................................................................................36 Como se produz mel cremoso? .................................................................................................................................................36 Diabéticos podem comer mel? ..................................................................................................................................................37 Bebês podem comer mel? .........................................................................................................................................................37 O que é mel orgânico? ..............................................................................................................................................................37 Como se produz mel orgânico? .................................................................................................................................................37 Quais são os critérios exigidos para o mel orgânico? ...............................................................................................................37 Outros Produtos apícolas....................................................................................................................................................................37 O que é o pólen? ........................................................................................................................................................................38 Como o pólen é armazenado pelas abelhas? .............................................................................................................................38 Como o apicultor coleta o pólen? .............................................................................................................................................38 Por quanto tempo o caça-pólen pode ser deixado na colméia? .................................................................................................38 Como é o beneficiamento do pólen? .........................................................................................................................................38 É possível produzir mel e pólen na mesma colméia? ...............................................................................................................38 O que é a própolis? ....................................................................................................................................................................38 Para que as abelhas utilizam a própolis? ...................................................................................................................................38 Como o apicultor coleta a própolis? .........................................................................................................................................39 Por quanto tempo pode ser mantido o coletor de própolis? ......................................................................................................39 Como a própolis é beneficiada? ................................................................................................................................................39 Como a própolis é armazenada? ...............................................................................................................................................39 Quais são as propriedades da própolis? ....................................................................................................................................39 O que é a cera? ..........................................................................................................................................................................39 Qual é a cor da cera? .................................................................................................................................................................39 Para que as abelhas usam a cera? ..............................................................................................................................................39 Qual é a vantagem de se fornecer cera à colônia? ....................................................................................................................39 Como preservar os favos de forma natural? ..............................................................................................................................39 Há produtos químicos seguros para a preservação de favos? ...................................................................................................40 Como se produz cera? ...............................................................................................................................................................40 A produção de cera é rentável? .................................................................................................................................................40 Como se derretem a cera dos favos?..........................................................................................................................................41 Como purificar a cera? ..............................................................................................................................................................41 Há meios químicos para processar a cera? ................................................................................................................................41 Como se retira a cera dos quadros sem arrebentar os arames? .................................................................................................41 O que fazer com a cera derretida? .............................................................................................................................................41 O que é geléia real? ...................................................................................................................................................................42 A geléia real é um bom alimento? ............................................................................................................................................42 Como se produz geléia real? .....................................................................................................................................................42 O que é o veneno? .....................................................................................................................................................................42 Quanto veneno possui uma abelha? ..........................................................................................................................................42 Como o veneno atua? ................................................................................................................................................................42 Como evitar uma reação alérgica ao veneno? ...........................................................................................................................42 Como se extrai o veneno das abelhas? ......................................................................................................................................42 Para que serve o veneno? ..........................................................................................................................................................42 Flora Apícola........................................................................................................................................................................................43 O que é considerado flora apícola? ...........................................................................................................................................43 Como saber qual é a flora apícola de uma região? ...................................................................................................................43
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O que é o calendário apícola? ...................................................................................................................................................43 Como descobrir o calendário apícola de uma região? ..............................................................................................................43 Quanto dura em média uma florada? ........................................................................................................................................43 Floradas curtas são inúteis para as abelhas? .............................................................................................................................43 A flora apícola de uma região pode ser melhorada? .................................................................................................................43 Como saber o que deve ser plantado? .......................................................................................................................................44 Que critérios definem uma boa planta polinífera? ....................................................................................................................44 Que critérios definem uma boa planta propolífera? ..................................................................................................................44 Como identificar uma planta? ...................................................................................................................................................44 Inimigos das abelhas............................................................................................................................................................................44 Quais são os inimigos das abelhas?...........................................................................................................................................45 Como são classificados esses inimigos? ...................................................................................................................................45 Podridão européia? ....................................................................................................................................................................45 Podridão americana? .................................................................................................................................................................45 Cria ensacada? ...........................................................................................................................................................................46 Cria ensacada brasileira? ...........................................................................................................................................................46 Cria giz? ....................................................................................................................................................................................46 Nosemose? ................................................................................................................................................................................46 Disenteria? ................................................................................................................................................................................46 Envenenamento? .......................................................................................................................................................................47 Fome e frio? ..............................................................................................................................................................................47 Varroa? ......................................................................................................................................................................................47 Acariose? ...................................................................................................................................................................................47 Besouro da colméia? .................................................................................................................................................................47 Apis mellifera capensis? ...........................................................................................................................................................48 Traças de cera? ..........................................................................................................................................................................48 Formigas? ..................................................................................................................................................................................48 Como se pode confirmar uma suspeita de doença? ..................................................................................................................48 Por que não tratar as doenças com remédios? ...........................................................................................................................48 Como evitar o roubo e o vandalismo? ......................................................................................................................................49

BIBLIOGRAFIA:.......................................................................................................................49

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No tórax. são localizadas na parte frontal mediana da cabeça. Para isso. em número de duas. Constituído de quitina. em número de três. Os olhos compostos são dois grandes olhos localizados na parte lateral da cabeça. na limpeza das antenas. A língua é uma peça bastante flexível. utilizadas para cortar e manipular cera. limpar os favos.pernas e asas . utilizada na coleta e transferência de alimento. como os demais insetos. coberta de pêlos. quando comparados com as operárias e rainhas.e a presença de grande quantidade de pêlos. No interior da cabeça. Na cabeça. as pernas auxiliam também na manipulação da cera e própolis. Têm como função detectar a intensidade luminosa. azul-violeta.br 5 . localizadas na região frontal da cabeça formando um triângulo. Possuem função de percepção de luz. A presença de pêlos sensoriais na cabeça serve para a percepção das correntes de ar e protegem contra a poeira e água. O olfato é realizado por meio das cavidades olfativas.ASSOCIAÇÃO DE APICULTORES DO NORTE DE MINAS A ABELHA ASPECTOS MORFOLÓGICOS DAS ABELHAS APIS MELLIFERA As abelhas. que têm por função a produção da geléia real. encontra-se as glândulas hipofaringeanas. 2002). verde. apresentam três pares de pernas. as glândulas. As abelhas não conseguem perceber a cor vermelha.as antenas. cores e movimentos. Não formam imagens. São formados por estruturas menores denominadas omatídeos. As mandíbulas são estruturas fortes. No tórax destacam-se os órgãos locomotores . As abelhas possuem dois pares de asas de estrutura membranosa que possibilitam o vôo a uma velocidade média de 24 km/h. Isso se deve à necessidade que os zangões têm de perceber o odor da rainha durante o vôo nupcial. o esôfago.simples e compostos . internamente. que existem em número bastante superior nos zangões. que são órgãos de respiração. Os olhos simples ou ocelos são estruturas menores. que é parte do sistema digestivo e glândulas salivares envolvidas no processamento do alimento. também são encontrados espiráculos. Além da função de locomoção. azul. tato e audição. retirar abelhas mortas do interior da colmeia e na defesa. como os demais insetos. das asas e do corpo e no agrupamento das abelhas quando formam "cachos". Nas antenas encontram-se estruturas para o olfato. além de proteger o inseto contra a perda de água.APISNORTE . o exoesqueleto fornece proteção para os órgãos internos e sustentação para os músculos. CURSO BÁSICO DE APICULTURA apisnorte@hotmail. possuem cavidades chamadas corbículas. mas podem perceber ultravioleta. nas quais são depositadas as cargas de pólen ou resinas para serem transportadas até a colmeia. sendo bem mais numerosos nos zangões do que em operárias e rainhas. As pernas posteriores das operárias são adaptadas para o transporte de pólen e resinas. cujo número varia de acordo com a casta. apresentam um esqueleto externo chamado exoesqueleto. amarelo e laranja. própolis e pólen. na desidratação do néctar e na evaporação da água quando se torna necessário controlar a temperatura da colmeia. O aparelho bucal é composto por duas mandíbulas e a língua ou glossa. As antenas. as glândulas salivares que podem estar envolvidas no processamento do alimento e as glândulas mandibulares que estão relacionadas à produção de geléia real e feromônio de alarme (Nogueira Couto & Couto.com. o aparelho bucal e. estão localizados os olhos . Servem também para alimentar as larvas. As abelhas. que possuem importante função na fixação dos grãos de pólen quando as abelhas entram em contato com as flores.

br 6 . trocando sua cutícula (pele) após cada estágio. Três dias após a postura. 5 a 6 dias após a eclosão. O papo possui grande capacidade de expansão e ocupa quase toda a cavidade abdominal quando está cheio. sendo comumente chamada de pré-pupa. larva. depositando um ovo em cada alvéolo. Os olhos e o corpo passam por mudanças de coloração até a emersão da abelha adulta. que é o órgão responsável pelo transporte de água e néctar e auxilia na formação do mel. formando escamas ou placas que são retiradas e manipuladas para a construção dos favos com auxílio das pernas e das mandíbulas. utilizando-se uma lâmina ou a própria unha. O ferrão é constituído por um estilete usado na perfuração e duas lancetas que possuem farpas que prendem o ferrão na superfície ferroada. A rainha inicia a postura geralmente após o terceiro dia de sua fecundação. o ferrão fica preso na superfície picada. quando a abelha tenta voar ou sair do local após a ferroada. quando recém colocado. pernas. ficando reta e imóvel. pupa e adulto. Nesta parte do corpo. ela não se alimenta mais.o ferrão . as farpas do ferrão são menos desenvolvidas que nas operárias e a musculatura ligada ao ferrão é bem forte para que a rainha não o perca após utilizá-lo. Durante essa fase. excretor. localizadas na parte ventral do abdome das abelhas operárias. A cera secretada pelas glândulas se solidifica em contato com o ar. evitando-se pressioná-lo com os dedos para não injetar uma maior quantidade de veneno. na maioria das vezes. ocorre uma ruptura de seu abdome e conseqüente morte. Desse modo. CURSO BÁSICO DE APICULTURA apisnorte@hotmail. Na fase de pupa já podem ser distinguidos a cabeça. órgãos de defesa e glândulas produtoras de cera. dificultando sua retirada. destaca-se o papo ou vesícula nectarífera. visualizando-se olhos. O seu conteúdo pode ser regurgitado pela contração da musculatura (Nogueira Couto & Couto. O ferrão é ligado a uma pequena bolsa onde o veneno fica armazenado. Essas estruturas são movidas por músculos que auxiliam na introdução do ferrão e injeção do veneno. que tem cor branca. Como. Na rainha. as abelhas passam por quatro diferentes fases: ovo. tece seu casulo. com corpo recurvado em forma de "C". ocorre o nascimento da larva. encontra-se o órgão de defesa das abelhas . DESENVOLVIMENTO DAS ABELHAS Durante seu ciclo de vida.presente apenas nas operárias e rainhas. menor será a quantidade de veneno injetada. circulatório. As contrações musculares da bolsa de veneno permitem que o veneno continue sendo injetado mesmo depois da saída da abelha.APISNORTE . a larva passa por cinco estágios de crescimento. 2002). Recomenda-se que o ferrão seja removido pela base. antenas e partes bucais. Nessa fase. No final da fase larval. formato vermiforme e fica posicionada no fundo do alvéolo. quanto mais depressa o ferrão for removido.ASSOCIAÇÃO DE APICULTORES DO NORTE DE MINAS O abdome é formado por segmentos unidos por membranas bastante flexíveis que facilitam o movimento do mesmo. O ovo é cilíndrico. a célula é operculada e a larva muda de posição.com. de cor branca e. fica em posição vertical no fundo do alvéolo. No aparelho digestivo. No final do abdome. asas. o tórax e o abdome. reprodutor. Existem quatro glândulas produtoras de cera (ceríferas). Toda a transformação pela qual a abelha passa até chegar ao estágio adulto denomina-se metamorfose. encontram-se órgãos do aparelho digestivo.

Para a secreção da cera é imprescindível a ocorrência de certos fatores. 3 dias pode transformar-se em rainha se passar a receber a alimentação adequada. Essas glândulas ceríferas produzem a cera na forma líquida dissolvida em uma substância volátil. Cada placa é feita de uma ou mais secreções.6 à 1. freqüentemente. Durante a maior parte do ano. para serem amassadas e moldadas.ASSOCIAÇÃO DE APICULTORES DO NORTE DE MINAS A tabela a seguir. alimentação abundante e a necessidade da CURSO BÁSICO DE APICULTURA apisnorte@hotmail. facilitando o trabalho das abelhas nutrizes.br 7 . para que uma larva de operária se transforme em rainha. que a larva seja transferida para uma realeira ou que se construa uma realeira no local onde se encontra a larva. presença de abelhas operárias com idade de 12 à 18 dias. tais como: temperatura no grupo de abelhas de 33 à 36ºC. que são formados por alvéolos de formato hexagonal (com seis lados). Os alvéolos têm uma inclinação de 4° a 9º para cima. Ambas se desenvolvem a partir de ovos fertilizados. operárias e zangões do nascimento à longevidade. sendo que os cantos inferiores e superiores são usados para estocagem de alimento. de forma a facilitar o controle de temperatura pelas operárias. além da alimentação. a rainha faz postura de ovos de zangão. Entretanto.3 mg. melhor será a qualidade da rainha e sua capacidade de postura.5 14. 2002) As larvas de operárias. uma vez que é maior que o alvéolo de operária e posicionada de cabeça para baixo. deixando as placas de cera. com adição de açúcares provenientes do papo. que são responsáveis pela alimentação das larvas. Pesquisas têm indicado que a geléia real oferecida às larvas de rainha é superior em quantidade e qualidade. em média. é necessário. Mesmo tendo recebido um alimento menos nutritivo. ESTRUTURA E USO DOS FAVOS O ninho das abelhas é constituído de favos. são alimentadas até o terceiro dia com um alimento comumente chamado de geléia de operária. quanto mais nova for a larva. passam a receber uma mistura de geléia de operária. Centenas de abelhas operárias participam na edificação de um só alvéolo. Casta Rainha Operária Zangão Período de Desenvolvimento de abelhas Apis mellifera Ovo Larva Pupa Total 3 5 7 15 3 5 12 20 3 6. Após esse período. um alimento denominado geléia real. durante toda sua vida. uma larva de. no máximo. a prole é criada nas partes centrais da colmeia. Além da alimentação. mostra a duração de cada uma das fases diferenciadas para rainhas. que na superfície externa do tegumento se evapora. Assim.6 mm com peso médio de 1. possuindo maior proporção da secreção das glândulas mandibulares e maior concentração de açúcares e outros compostos nutritivos (Nogueira Couto & Couto. que é composto das secreções das glândulas mandibulares e hipofaringeanas. A rainha recebe. que apresenta maior proporção da secreção das glândulas hipofaringeanas e menor quantidade de açúcares que o da rainha. mel e pólen.APISNORTE . permitindo pleno desenvolvimento e formação dos órgãos reprodutores. localizadas na cabeça de operárias. a estrutura onde a larva da rainha é criada (realeira) tem grande influência em seu desenvolvimento.com. As operárias puxam estas escamas de cera para trás com o auxílio das patas traseiras e às levam as dianteiras e a boca. o que deixa o abdome da pupa livre. já os menores podem ser usados para a criação de operárias e para estocagem de alimento. evitando que a larva e o mel escorram.5 24 Logevidade Até 4 anos Até 45 dias Até 80 dias DIFERENCIAÇÃO DAS CASTAS Geneticamente. possuindo uma espessura de 0. Entretanto. uma rainha é idêntica a uma operária. sendo que cada operária pode manter-se em atividade pelo tempo médio de 1 minuto. A cria. e são construídos em dois tamanhos: no maior. ocupa o centro dos favos. A cera é produzida por quatro pares de glândulas ceríferas que se localizam do quarto ao sétimo segmentos do lado ventral do abdome das abelhas operárias jovens. utilizando a secreção das glândulas mandibulares. fisiológica e morfologicamente essas castas são diferentes em razão da alimentação diferenciada que as larvas recebem. Essa forma permite menor uso de material e maior aproveitamento do espaço.

apresentando o aparelho reprodutor bem desenvolvido. em climas tropicais. Em casos especiais. metade da população antes do nascimento de uma nova rainha. elas apresentam grande desenvolvimento das glândulas hipofaringeanas e mandibulares. destrói as demais realeiras e luta com outras rainhas que tenham nascido ao mesmo tempo até que apenas uma sobreviva. As operárias também podem aproximar-se da rainha para recebimento e repasse dos feromônios a outros membros da colmeia. A larva da rainha é criada num alvéolo modificado. a cerca de 10 metros de altura. aproximadamente. Somente a rainha é capaz de produzir ovos fertilizados. A rainha está sempre acompanhada por um grupo de 5 a 10 operárias. a rainha velha enxameia com.500 a 3. Em caso de população grande.000 a 100. quando a rainha está muito cansada. vitaminas e hormônios sexuais. As operárias realizam todo o trabalho para a manutenção da colmeia. logo após o nascimento. Por isso. embora não fertilizados. que originam os zangões. existe uma rainha. denominado realeira. de formato cilíndrico. em condições normais. conferindo assim uma grande variabilidade genética no acasalamento. bem maior que os das larvas de operárias e zangões. 5 a 7 dias depois de seu nascimento. Também pode ocorrer que a nova rainha elimine a rainha antiga. Quando ocorre a morte da rainha ou quando ela deixa de produzir feromônios e de realizar posturas. encarregadas de alimentá-la e cuidar de sua limpeza. Essas substâncias têm função atrativa e servem para informar aos membros da colmeia que existe uma rainha presente e em atividade. desenvolvimento glandular e necessidade da colônia. Esse estoque de sêmen será utilizado para a fecundação de óvulos durante toda a vida da rainha. Elas executam atividades distintas. que dão origem às fêmeas (operárias ou novas rainhas).ASSOCIAÇÃO DE APICULTORES DO NORTE DE MINAS construção de favos. pois ao retornar à colônia não sairá mais para realizar outro vôo nupcial. A fecundação ocorre em áreas de congregação de zangões. ela pode permanecer na colmeia em convivência com a nova rainha por algumas semanas. de acordo com a idade. A rainha adulta possui quase o dobro do tamanho de uma operária e é a única fêmea fértil da colmeia. Entretanto. Servem ainda para auxiliar no reconhecimento da colmeia e na orientação das operárias. as operárias também podem produzir ovos. que se desenvolvem em células especiais . aproximadamente. A capacidade de postura da rainha pode ser de até 2. A rainha começa a postura dos ovos na colônia de 3 a 7 dias depois do acasalamento. A primeira rainha ao nascer. sendo alimentada pelas operárias com a geléia real. que darão origem a zangões. Numa colônia.000 ovos por dia. costuma-se recomendar aos apicultores que substituam suas rainhas anualmente. Idade 1º ao 5º dia 6º ao 10º Função Realizam a limpeza dos alvéolos e de abelhas recém-nascidas São chamadas abelhas nutrizes porque cuidam da alimentação das larvas em desenvolvimento. a enxameação e a postura de ovos pelas operárias. Uma rainha pode ser fecundada por até 17 zangões e o sêmen é armazenado num reservatório especial denominado espermateca. produto rico em proteínas. além de ovos não fertilizados. em virtude de sua idade avançada. sua taxa de postura diminui após o primeiro ano.br CURSO BÁSICO DE APICULTURA 8 .realeiras .para a produção de novas rainhas. apisnorte@hotmail. ou ainda quando o enxame está muito populoso e falta espaço na colmeia. A rainha tem por função a postura de ovos e a manutenção da ordem social na colmeia. A vida reprodutiva da rainha inicia-se com o vôo nupcial para sua fecundação que ocorre. A rainha consegue manter a ordem social na colmeia através da liberação de feromônios.APISNORTE . A rainha se dirige a essas áreas. Nesse estágio. até sua morte natural. cerca de 5. onde existem de centenas a milhares de zangões voando à espera de uma rainha.000 operárias e de 0 a 400 zangões. Em alguns casos. ORGANIZAÇÃO E ESTRUTURA DA COLMEIA As abelhas são insetos sociais. vivendo em colônias organizadas em que os indivíduos possuem funções bem definidas que são executadas visando sempre à sobrevivência e manutenção do enxame. inibem a produção de outras rainhas.com. Ela pode viver e reproduzir-se por até 4 anos. as operárias escolhem ovos recentemente depositados ou larvas de até 3 dias de idade. ocorre em pleno vôo. Apenas os mais rápidos e fortes conseguem alcançá-la e o acasalamento ou cópula. atraindo os zangões com a liberação de substâncias denominadas feromônios. em condições de abundância de alimento.

tornam-se agressivas com facilidade caso o manejo seja inadequado. • Nervosas e irritadas.6 mm). Isso acontece porque. Essas características lhes permitem maior orientação. entram nas colmeias erradas freqüentemente. Essa grande variedade de clima e vegetação acabou originando diversas subespécies ou raças de abelhas. APIS MELLIFERA MELLIFERA (ABELHA REAL. com um aspecto azulado. pêlos curtos e língua comprida (pode chegar a 7 mm).br 9 .APISNORTE . na fase de larva. percepção e rapidez para a localização de rainhas virgens durante o vôo nupcial. pois nessa idade as operárias 11º ao 17º dia apresentam grande desenvolvimento das glândulas ceríferas. Realizam a defesa da colmeia. • Constroem favos rapidamente e são mais propensas ao saque do que abelhas de outras raças européias. elas possuem órgãos de defesa e trabalho perfeitamente desenvolvidos. • Possuem coloração cinza-escura. regiões litorâneas e montanhosas. resinas e água. muitos dos quais não são observados na rainha e no zangão. As larvas de zangões são criadas em alvéolos maiores que os alvéolos das larvas de operárias. não sendo capazes de se reproduzirem. 22º dia até a morte Realizam a coleta de néctar. na Rússia.7 a 6. florestas tropicais. m. apresentam-se algumas características das raças de abelhas introduzidas no Brasil. APIS MELLIFERA CAUCASICA Originárias do Vale do Cáucaso. não possuem órgãos para trabalho nem ferrão e. recebem e desidratam o néctar trazido pelas campeiras. que podem usar medidas morfológicas ou análise de DNA. • Produtivas e prolíferas. cuja única função é fecundar a rainha durante o vôo nupcial. Além disso. A seguir. em determinados períodos. Essas abelhas têm coloração amarela intensa. COMUM OU NEGRA) Originárias do Norte da Europa e Centro-oeste da Rússia. É importante ressaltar que a necessidade da colmeia pode fazer com que as operárias reativem algumas das glândulas atrofiadas para realizar determinada atividade.3 a 6. produtivas e muito mansas.ASSOCIAÇÃO DE APICULTORES DO NORTE DE MINAS produtoras de geléia real. são alimentados pelas operárias. ou seja. são as abelhas mais populares entre apicultores de todo o mundo. • Possuem sentido de orientação fraco. como a corbícula (onde é feito o transporte de materiais sólidos) e as glândulas de cera. com diferentes características e adaptadas às diversas condições ambientais. entretanto. se for necessário. a rainha produz feromônios que inibem o desenvolvimento do sistema reprodutor das operárias na fase adulta. mellifera. Além disso. eles são maiores e mais fortes do que as operárias. têm a língua mais comprida (6. Podem também participar do controle da temperatura na colmeia. adaptam-se com facilidade a diferentes ambientes. Os zangões são os indivíduos machos da colônia. elas recebem alimento menos nutritivo e em menor quantidade que a rainha. quando há necessidade. pólen. possuem asas maiores e musculatura de vôo mais desenvolvida.4 mm). • Possuem língua curta (5. o que dificulta o trabalho em flores profundas. • Propolisam com abundância. As operárias possuem os órgãos reprodutores atrofiados. provavelmente estendendo-se até a Península Ibérica. principalmente em regiões úmidas. por isso. deserto. elaborando o mel. A diferenciação dessas raças não é um processo fácil. RAÇAS DE ABELHAS APIS MELLIFERA O habitat das abelhas Apis mellifera é bastante diversificado e inclui savana. sendo realizado somente por pessoas especializadas. com grande acúmulo de veneno. • Apesar de serem menores que as A. uma abelha mais nova pode sair para a coleta no campo e uma abelha mais velha pode encarregar-se de alimentar a cria e/ou produzir cera.com. Em contrapartida. CURSO BÁSICO DE APICULTURA apisnorte@hotmail. Além disso. Nessa fase. as operárias apresentam os órgãos de defesa bem 18º ao 21º dia desenvolvidos. APIS MELLIFERA LIGUSTICA (ABELHA ITALIANA) Originárias da Itália. quando são denominadas campeiras. ALEMÃ. Em compensação. • Abelhas grandes e escuras com poucas listras amarelas. os zangões apresentam os olhos compostos mais desenvolvidos e antenas com maior capacidade olfativa. Produzem cera para construção de favos.

isso em condições totalmente favoráveis. Ao apicultor inexperiente. Sensíveis à Nosema apis (protozoário causador da nosemose). telhados. tendo o abdome cinza ou marrom. comprando colônias de apicultores comerciais. Muito agressivas. APIS MELLIFERA SCUTELLATA (ABELHA AFRICANA) Originárias do Leste da África. é relativamente barato. proporcionando-lhe uma vivência que lhe será muito útil no manuseio de suas colmeias no dia a dia. para diminuir a concorrência na área de localização de seus apiários. • São facilmente adaptadas a diferentes climas e possuem uma tendência maior a enxamearem. O retorno do capital investido acontecerá com no mínimo 1 ano e meio após a implantação do negócio. Capturar colônias em caixas iscas é um processo de baixo custo inicial e de fácil execução A desvantagem deste sistema está dificuldade de se prever quantas colônias poderão ser atraídas para as caixas iscas e ainda a qualidade dos enxames capturados.5 a 19 dias) em relação às européias (21 dias). A variabilidade genética dessas abelhas é muito grande. Finalmente. • Ao contrário das européias que armazenam muito alimento. é um híbrido das abelhas européias (Apis mellifera mellifera. tolerantes a doenças e bastante produtivas.ASSOCIAÇÃO DE APICULTORES DO NORTE DE MINAS • • • Considerada a raça mais mansa e bastante produtiva.APISNORTE . Sendo assim. pneus. enquanto ao Norte predominam as características das abelhas africanas. o que lhe confere vantagem na tolerância ao ácaro do gênero Varroa. capturando enxames em estado natural ou atraindo famílias em enxameação para caixas iscas. alta produtividade. Enxameiam com facilidade e usam muita própolis. pode-se capturar enxames na natureza. porém. A abelha africanizada possui um comportamento muito semelhante ao da Apis mellifera scutellata. Por isso. mansas. removendo famílias inteiras de seu habitat natural. são bem produtivas e muito agressivas. Nordeste da Iugoslávia e Vale do Danúbio. Os ataques são. • São menores e constroem alvéolos de operárias menores que as abelhas européias. apisnorte@hotmail. • Essas características têm uma variabilidade genética muito grande e são influenciadas por fatores ambientais internos e externos. deve-se conhecer bem a procedência dos colônias adquiridas e ter algum experiência prática no manejo de enxames. suas operárias possuem um ciclo de desenvolvimento precoce (18. a abelha do Brasil tem grande facilidade de enxamear. tolerância a doenças e adapta-se a climas mais frios. em razão da maior adaptabilidade dessa raça às condições climáticas do País. no Brasil. elas convertem o alimento rapidamente em cria. é aconselhável a aquisição inicial de poucos enxames e somente após a sua estruturação. troncos ocos de árvores. aumentando a população e liberando vários enxames reprodutivos. e talvez o mais forte motivo. • Assemelham-se muito com a abelha negra. em massa. APIS MELLIFERA CARNICA (ABELHA CARNICA) Originárias do Sudeste dos Alpes da Áustria. O APIÁRIO INÍCIO DA CRIAÇÃO DE ABELHAS Você pode conseguir as abelhas para iniciar sua criação de três diferentes maneiras.br • • CURSO BÁSICO DE APICULTURA 10 . • Pouco propolisadoras. Este método é muito praticado por pessoas iniciantes para começar uma criação e também por apicultores já estabelecidos. menos que as africanas. Cada um dos processos apresenta vantagens e desvantagens. investir na expansão do apiário. muros etc. evitando a nidificação dos enxames voadores em locais indesejáveis. Apis mellifera caucasica e Apis mellifera carnica) com a abelha africana Apis mellifera scutellata. • Migram facilmente se a competição for alta ou se as condições ambientais não forem favoráveis. • Comprar abelhas. resposta mais rápida e eficaz ao feromônio de alarme. ABELHA AFRICANIZADA A abelha. Apis mellifera ligustica. havendo uma predominância das características das abelhas européias no Sul do País. assoalhos.com. possibilita boa expansão do apiário. pode ser cômodo mas pode não ser financeiramente viável para o produtor que pretende iniciar sua criação se não houver um bom planejamento prévio. A captura de enxames é certamente o método mais trabalhoso. geralmente. como cupins. podendo estimular a agressividade de operárias de colmeias vizinhas. persistentes e sucessivos. coloca o apicultor iniciante em contato direto com as abelhas. • Possuem visão mais aguçada. simplesmente.

lembre-se de que haverá colméias a serem levadas para lá e. a área está saturada. Grosso modo. espera-se. Se o tempo permite. Em relação à água. Como primeiro critério. Qualquer florada produz uma quantidade de néctar que pode ser total ou parcialmente colhido pelas abelhas e outros insetos. pois a umidade dificulta a evaporação do néctar. O acesso às colméias deve ser sempre por trás ou pelas laterais. há diversas variáveis envolvidas nessa escolha: segurança. melgueiras muito pesadas a serem retiradas. disponibilidade de flores e de água.APISNORTE . natural. aprender bastante com ela. isto é. que deve manejar as abelhas em meio à lama. intensidade e período das floradas são importantes na localização de um apiário fixo. Locais sujeitos a alagamento são péssimos para as abelhas.500 metros do apiário. Não esqueça que você pode ser um excelente apicultor de uma colméia ou um péssimo apicultor de 200. construído ou plantado.br 11 . divertir-se e ainda colher seu primeiro mel. Isso pode ser fatal para suas abelhas ou deixar resíduos no seu mel. com água encanada pingando sobre um tanque raso.com. considerando o seu tempo disponível e a sua disposição. ao escolher o local do seu apiário. presença de outros apiários. o manejo adequado é essencial para o bom desenvolvimento do enxame. você pode ir ampliando o apiário. mas nem todo o néctar produzido é colhido. porque depois tudo será muito mais difícil. e para o apicultor. Lembre-se que você pode querer aumentar o apiário no futuro. O apiário deve ter acesso fácil . De qualquer forma. é posicionar as colméias numa boca de mato voltadas para o Norte. a área está insaturada. • Encontre um bom local para instalar seu apiário. uma alternativa viável é fazer um bebedouro para as abelhas. nunca pela frente. Portanto. elas receberão uma incidência direta de sol maior no inverno e menor no verão. com areia e brita para as abelhas não se afogarem. para que o manejo possa ser feito numa freqüência mínima. A vantagem de ter mais de uma colméia é que uma delas pode salvar a outra em caso de necessidade. É preferível que o lado dos ventos mais fortes fique protegido por algum tipo de quebra-vento. árvores que perdem as folhas no inverno são uma boa opção para arborizar o apiário. de fonte limpa. as roupas e as colméias vazias. Uma boa alternativa. deve-se alimentar e fornecer condições adequadas o seu crescimento evitando o abandono da colmeia. Terrenos muito íngremes dificultam a movimentação no apiário e sujeitam o apicultor a quedas que podem ter sérias conseqüências. ela ainda admite acréscimo de colméias.ASSOCIAÇÃO DE APICULTORES DO NORTE DE MINAS Em todos esses casos. adote a sua capacidade de manejo. também é interessante que ela esteja disponível em local próximo. Na dúvida.500 m. Não esqueça de que você precisará de um local para abrigar os equipamentos. Verifique se há agricultores que usam pesticidas nas proximidades. pela remoção da flora apícola local. se você for iniciante em apicultura. se desejar. mas uma queda de produção contínua por alguns anos pode ter a saturação como causa. mas também (e principalmente) a quantidade de espécies apícolas e a duração. CONSIDERAÇÕES NECESSÁRIAS NO PLANEJAMENTO DO APIÁRIO É importante é que haja um planejamento completo e cuidadoso antes que a primeira colméia seja instalada. Depois. melhor. mas a apicultura moderna brasileira se utiliza basicamente de dois (Modelo Langstroth e o Modelo Schirmer). e na medida das suas possibilidades. certifique-se de que há uma boa barreira natural entre o local e as casas e galpões vizinhos. Não apenas a distância. considerando-se a área útil de coleta das abelhas em 1. relativamente comum no início. e o acréscimo de colméias acarretará a queda de produtividade das demais. Às vezes. Um sombreamento leve é muito útil nas estações quentes. Em regiões que possuem estações frias. ao menos parcialmente. procure ouvir a opinião de um apicultor experiente antes de definir o local do seu apiário. Existem vários modelos. só lhe resta estabelecer o apiário onde é possível e avaliar o seu desempenho por algumas safras. É melhor já pensar numa possível ampliação e preparar toda a área de uma vez. por desmatamento ou limpeza de campo. Estime quantas colméias você pode manter bem. quanto mais próximo. Respeite a distancia entre apiários. Se você não tem alternativa. três quilômetros seria uma distância ideal. A saturação também pode ocorrer sem acréscimo de colméias.esta é uma receita de fracasso quase garantida. Caso contrário. de aumentar o número de colméias até igualar-se ao seu vizinho ou impressionar seus amigos . A distância do apiário à sua casa também não pode ser grande demais. Em relação às flores. • • • • • • • • • • • • • TIPOS DE COLMEIAS A colméia é todo tipo de habitação fornecida pelo homem às abelhas. CURSO BÁSICO DE APICULTURA apisnorte@hotmail. Desta forma. Esqueça o critério. Com boas barreiras naturais. Essa condição não é imediatamente percebida. uma distância de 100 m pode ser suficiente. considere que a flora apícola útil situa-se num raio de até 1. Você pode perfeitamente iniciar com uma única colméia. pois isso interrompe a linha de vôo delas e provoca muito mais ataques. opte sempre pela qualidade. especialmente nas regiões mais ao Sul. Deficiências na flora apícola podem ser compensadas com o plantio de espécies apropriadas à sua região.

chamado também de colméia Langstroth. o modelo passou por diversas modificações ao longo do tempo. quadros e paredes. O trabalho foi desenvolvido através de várias pesquisas que duraram cerca de 40 anos. Esse tipo de colméia é feito levando em conta as distâncias entre os favos. impede o livre transito das abelhas.ASSOCIAÇÃO DE APICULTORES DO NORTE DE MINAS Toda colméia deve ser construída dentro dos padrões técnicos recomendados ou adquirida diretamente de produtores credenciados e habilitados. O modelo americano de colméia apresenta medidas que a deixam mais comprida e larga do que alta. As colméias modernas. Trata-se de uma colméia desenvolvida em tamanho menor que comporta a metade dos quadros do ninho.br 12 . Nestes quadros. quadros e fundo. a caixa de crias apresenta medidas de altura e largura quase iguais. Por isso. dispostos verticalmente dentro de caixas. Essa lâmina serve de guia para as abelhas puxarem os favos. em meados do século XIX. O apicultor iniciante pode optar pelo modelo de colméia que melhor lhe convier mas não deve misturar os modelos no apiário para não prejudicar o intercâmbio de favos entre as colônias. sobre o arame. o espaço abelha deve ser rigorosamente respeitado. se maior. entre as laterais e os quadros. as abelhas são induzidas a construir seus favos. independente do tipo de colméia escolhida para a criação. no mínimo. Na colméia Schirmer. Existem inúmeros tipos de colméias. Nela. o apicultor brasileiro Bruno Schirmer. a esfera de postura não excede os limites físicos dos favos. mais ainda é a base para quase todas as colméias atuais. criadas por apicultores europeus e americanos. desde as mais antigas confeccionadas em tubos de barro ou madeira e cestos de palha e barro. o apicultor que adota esse modelo de colméia costuma utilizar duas câmaras de cria. 4. é o núcleo. uma melhor administração da colônia por parte do apicultor. desenvolveu a colméia brasileira que tem o seu nome. cuja medida é chamada de “Espaço Abelha’. CURSO BÁSICO DE APICULTURA apisnorte@hotmail. e incrustada uma lâmina de cera feita com os fundos dos alvéolos estampados com o desenho de hexágono. E importante que o apicultor fuja da tentação de baratear seus custos construindo ou adquirindo materiais inadequados.5 mm. Até hoje. conhecidas como ninho e sobre-ninho. Um componente básico na apicultura. Ela serve para abrigar colônias de população pequena. com o comprimento um pouco maior. Esse espaço deve ser de.8 mm e no máximo.APISNORTE . 9. quadros e tampa e entre os quadros. o modelo de colméia mais utilizado no mundo é o americano. O espaço abelha é considerado uma das grandes descobertas da apicultura moderna e trata-se do espaço livre que deve haver entre as diversas partes da colmeia. pois a aparente economia inicial poderá se transformar num prejuízo futuro. Na construção das colmeias. incluem o sistema de quadros móveis. dificultando a seqüência de postura da rainha. os quadros são montados aramados e. ou seja. Ao perceber este problema. Se menor. até as mais modernas que permitem além de abrigar as abelhas.com. que tem conformação esférica. Desenvolvido pelo reverendo americano Lorenz Lonaine Langstroth. do Rio Grande do Sul. será obstruído com própolis ou construção de favos. Para isso.

2 centímetros.5 cm de altura no fundo da colméia. Possui três compartimentos (um ninho e duas melgueiras laterais).APISNORTE . trazendo grande economia de mão de obra e conforto no trabalho. os favos são colhidos no campo. que apresenta altura de 14. que por sua vez é um sarrafo de madeira de 2 x 2 cm. COMO FIXAR A CERA NOS QUADROS CURSO BÁSICO DE APICULTURA apisnorte@hotmail. Apresenta como únicas medidas mandatórias a largura (igual ao comprimento da Langstroth = 465 mm) e a largura das barras (média do intervalo internacionalmente sugerido = 33 mm). em procedimento similar à coleta de mel na Langstroth. a melgueira é transportada para a casa do mel. Sua disposição horizontal facilita as atividades de manejo. deixando uma passagem de 2. cuja disposição abriga uma esfera perfeita e ainda permite um espaço para armazenamento de pólen junto às crias. permitindo que as três caixas possam permanecer fechadas após separação. são quase quadrados. permanentemente instalados na posição vertical. em toda a sua extensão. Sua única diferença está na medida de cada componente que forma a colméia em relação à Langstroth.ASSOCIAÇÃO DE APICULTORES DO NORTE DE MINAS COLMÉIA LANGSTROTH O modelo de colméia Langstroth é constituído basicamente por um fundo ou assoalho móvel que protege sua parte inferior e abriga o alvado. e uma tampa de proteção para cobrir a colméia. Outros preferem usar a chamada meia-melgueira. ressalvando-se que os três compartimentos são blocos independentes. melgueira e tampa. No modelo MONO-BLOCO. é preso um perfil metálico tipo U de 1" x 1/2". um ninho. quadros. segue o conceito de TBH (Top Bar Hive).br 13 . reservado à rainha e á área de cria e onde são moldados os favos para depósito de mel e pólen. é colocada uma placa excluidora igualmente permanente.com. transversais ao comprimento da caixa. esses compartimentos são separados por placas de escape abelha orientados no sentido melgueira ninho. COLMÉIA SCHIRMER A colméia Schirmer apresenta medidas diferenciadas quando comparadas à Langstroth. o qual serve de guia para uma peça móvel (porteira). ao invés de dez. principalmente a operação de colheita dos favos. No topo inferior de cada placa escape. uma melgueira que abriga quadros com favos. e disposta na posição horizontal. Esse sarrafo vaza as laterais da colméia. Os quadros. No modelo MONOBLOCO. Unindo estas duas placas de escape. que une as duas melgueiras. cortado à semelhança de um redutor de alvado. que é o orifício de entrada e saída das abelhas. com dez quadros móveis de madeira. formando-se então um túnel na parte inferior do ninho. fundo alvado. uma tela excluidora que impede a passagem da rainha para a melgueira. usando como guia o perfil U e o chão da colméia. Na colheita desse segundo modelo. utilizada para armazenar o mel. COLMÉIA PIAUÍ A colméia Piauí lançada em junho/2005. onde se faz todo o processamento. Além disso. o que obriga a que as placas de escape sejam um pouco mais elaboradas. Alguns apicultores utilizam a melgueira com a mesma altura do ninho. a área de cria tem doze favos. se destina à produção de cera apícola. Esse tipo de colméia também é composto por ninho. O modelo MODULAR é essencialmente igual ao MONOBLOCO.

ASSOCIAÇÃO DE APICULTORES DO NORTE DE MINAS Cera alveolada é cera de abelha. Ligue o aparelho na rede elétrica pela tomada e com a outra extremidade dos dois fios. Quando o quadro for destinado à postura. permitindo-lhes uma produção maior de mel. as abelhas puxam o favo e estendem-no até a barra superior. Para confeccionar um incrustador elétrico à base de salmoura veja abaixo: Material: • 1 frasco de vidro ou plástico para o recipiente da salmoura. evitando assim a sua perda ou a puxada de favos tortos e defeituosos. depois desligue os pólos. O arame deve ser ancorado no início. Para esse processo. Isso se reflete num armazenamento maior de mel por quadro. Primeiro. Para aumentar ou diminuir a tensão de saída.com. pelo seu aquecimento por uma corrente elétrica.br 14 . Arames também podem ser incrustados com ajuda de uma carretilha. geralmente no sentido horizontal. poderá causar deformações nas laterais do quadro. Ele deve ficar bem esticado. E isso é especialmente importante quando se usam oito ou nove quadros na melgueira. Existem várias maneiras de se prender a cera alveolada nos quadros. Mas quando a lâmina de cera é menor (em altura) do que o espaço disponível no quadro. caso contrário. como vantagem.APISNORTE . Quando o quadro se destina à armazenagem de mel. As lâminas produzidas assim são cortadas no formato dos quadros e vendidas aos apicultores. mais ou menos da cera. e talvez mais importante. • 1 pino de tomada macho. • 2 metros de fio duplo (não precisa ser muito grosso). Ao posicionar a cera no quadro. mas não em excesso. Coloque a lâmina sobre os arames. A lâmina é soldada neles com ajuda de um pouco de cera derretida ou. Além disso. • 1 fita isolante. pois eles se tornam ainda mais pesados do que o normal. é preferível soldar a lâmina encostada na barra superior. O espaço que sobrará entre a lâmina e a barra inferior normalmente não será puxado com alvéolos e. Monte o incrustador conforme indicado na figura abaixo. COMO FAZER CAIXAS-ISCA CURSO BÁSICO DE APICULTURA apisnorte@hotmail. facilitará a movimentação da rainha e das operárias. Isso poupará as abelhas de produzirem cera. passado pelos furos e ancorado novamente no fim. adicione ou reduza a quantidade de sal. permite uma colheita e uma centrifugação muito menos sujeitas a quebras e despedaçamentos. É importante que a cera esteja bem fixa ao quadro para evitar que o calor interno a deforme ou o peso das abelhas a descole do quadro. • 30 cm de fio de cobre (fios de rede elétrica utilizado em residências). 2. encha o vidro de água e coloque uma pitada de sal. promovendo um aproveitamento integral do espaço e uma solidez muito maior do favo. o ideal é soldar a lâmina encostada à barra inferior. Esta cera é fornecida às abelhas em substituição a favos velhos ou inutilizados. sem cruzamentos e amarrações intermediárias. otimizando a função da melgueira. há duas indicações de soldagem: 1. quando soldado em cima e embaixo. Nessa situação. será feita a fixação da cera no arame dos quadros. no caso de arames. é melhor usar lâminas que aproveitem ao máximo o espaço disponível no quadro. retira de favos velhos. Os quadros possuem fios de arame ou nylon atravessados. O ideal é quatro fios em quadro de ninho e três em quadro de melgueira. que depois de derretida é estampada com hexágonos com a dimensão média dos alvéolos. ligue cada pólo dos fios a uma extremidade do arame e observe a incrustação ocorrer até a metade. é utilizado um equipamento chamado cilindro alveolador. os quadros devem ser aramados. a resistência muito maior do favo.

caixas de papelão usadas podem ser obtidas facilmente em supermercados. Quando as dimensões da caixa permitem. é necessário dar uma espiada no enxame. fixada a 2 metros do solo. Quando não há disponibilidade de caixas de tamanho ideal. junto com restos de própolis. Eles podem ficar soltos e com espaçamento irregular. pela dificuldade de acesso e de fixação numa posição adequada – abelhas em caixas tortas tendem a produzir favos tortos.com.. Primeiro. com alvado de 10 cm 2. a transferência pode ser feita da mesma forma. A facilidade de abertura da própria caixa é outro ponto importante. O cheiro. Abrir uma caixa-isca desdobrando as abas nem sempre é prático e rápido.). Aproveite para colar pedaços de papelão nas frestas entre as abas. por exemplo. ou quando o trabalho de adequação é muito grande. podem incentivar o uso da caixa como ninho para pequenos pássaros. tal como em colméias convencionais. Pendurar as caixas a 2 m de altura pode ser impraticável. que funcionam como repelentes ou predadores das abelhas batedoras (as que procuram um local para o enxame). capim-limão. Dentre as infinitas variações possíveis para estas recomendações. antes de se decidir que tipo de transferência deverá ser feita. e qualquer colméia ou núcleo deixado ao ar livre pode ser ocupado em pouco tempo. fixando as dobras com fita adesiva de boa qualidade. Os testes realizados levaram os pesquisadores a concluir que a maior probabilidade de captura está associada a caixas-isca com as seguintes características: cor clara (branca ou amarela). para evitar a saída de abelhas quando a caixa-isca estiver sendo transportada com um enxame capturado.ASSOCIAÇÃO DE APICULTORES DO NORTE DE MINAS A captura de enxames nas estações apropriadas é um meio muito barato e prático para ampliação e reposição de colônias no apiário. usando técnicas de captura de enxames alojados. Outra opção é usar um alvado mais alto e colar um palito atravessado no meio. Basta cortar um retângulo e envolver a parte de cima e as laterais da caixa. ela deve ficar firme. e usada uma tela excluidora normal. com uma borda de 3 ou 4 cm. Isso evita a entrada de passarinhos e. pois o vento pode arrancá-la do lugar ou sacudi-la a ponto de afastar qualquer enxame que a tenha ocupado. erva-cidreira. o melhor alvado pode ter cerca de 1 cm de altura e 6 cm de largura. e o risco de perda diminui muito se forem fornecidos pelo menos um quadro com favo puxado e alimentação em pasta (para não provocar qualquer pilhagem). com volume de aproximadamente 35 litros. A colocação das caixas deve obedecer alguns critérios básicos. dificultando a sua transferência posterior.br 15 . e da sua equipe. dependendo de como forem cortados. mas isso pode ser melhorado. sem os favos. para remoção de outros insetos e aranhas. Eles descobriram que as caixas de papelão atraem muito mais enxames do que as de madeira. feito a partir do Cymbopogon citratus (capim-cidró. que é barata e muito eficiente. favos novos possuem muita fragilidade. que possa ser facilmente retirada depois. pode-se colar sarrafos nas suas laterais. Em locais de alta saturação de abelhas. Esse tema recebeu atenção especial do Departamento de Genética da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto. de preferencia em cores claras. formando uma espécie de capa. de forma a apoiar as extremidades dos quadros. com 5 caixilhos com 1/3 de cera alveolada e com um similar do feromônio de Nasonov. não parece diminuir o interesse das abelhas. é o uso de caixas sem quadros. uma possibilidade é o uso de sacos plásticos. sob mesmas condições. esfregado nas suas paredes internas. Os quadros nas caixas-isca são muito úteis na hora da transferência. Estas. são as características ideais para as condições dos testes. Depois. Muitas vezes. de forma a deixar um pouco da cera nas traves superiores e restos de própolis. e deve ser renovado com freqüência. entre o ninho e o fundo. Outros põem favos velhos dentro das caixas-isca e deixam-nas abertas ao sol. Além disso.. quando esta é feita alguns dias depois da captura.APISNORTE . A colocação dos sacos não pode envolver completamente a caixa. mas não raspados. Dependendo da altura da caixa e da posição dos quadros. Alguns apicultores deixam as folhas do capim-limão macerar em álcool. Depois que o enxame tiver ocupado a caixa-isca por alguns dias. provavelmente. Antes de usá-la. Enxames recém capturados podem ser transferidos imediatamente para colméias racionais. permitindo a construção de favos tortos. Um CURSO BÁSICO DE APICULTURA apisnorte@hotmail. no início dos anos 80. cole as abas desta tampa e as do fundo da caixa com cola amarela para madeira. podendo até obstruir o alvado e dificultar a sua retirada quando o enxame estiver instalado. de forma que parte da cera derretida impregne a superfície interna. e pulverizam regularmente o interior das caixas. Em relação à proteção das caixas. mas o cuidado na remoção dos favos. ela deve ser acessível para inspeção. Alvados de 10 cm2. ou uma tela excluidora de alvado. permitindo uma ventilação melhor da caixa em locais quentes. as caixas-isca precisam apresentar uma atratividade maior para funcionarem com maior eficiência. dura pouco. não há razão para se desprezarem caixas menores. Já em locais onde a saturação é mais baixa. mas nem sempre podem ser reproduzidas. mas sem dar chance aos pássaros. Por exemplo. corte uma tampa superior. mas nem sempre nas dimensões mais adequadas. caixas não ocupadas também precisam ser examinadas periodicamente. A atratividade das caixas pode ser efetivamente aumentada com o uso do Cymbopogon citratus. A colocação dos quadros pode ser problemática. Uma alternativa que deve ser levada em conta. a competição por um ninho é muito alta entre os enxames. mas nem sempre observado. ao menos pelas minhas observações. dependendo do espaço interno disponível. dependendo das dimensões da caixa. porém. Segundo. para evitar que a água da chuva acumule no fundo. ou apertados demais dentro da caixa. Também há quem use os quadros saídos do derretedor solar. porém. eu tenho adotado algumas que parecem se adequar melhor às condições gerais. provocando a destruição da caixa de papelão.

um número maior de campeiras estará trabalhando na coleta de néctar e pólen. 1º Caso . TRANSFERENCIA DA NOVA COLÔNIA PARA O APIÁRIO Para a transferência à noite. o procedimento é diferente. contendo os quadros já preenchidos com cera alveolada e previamente borrifada com xarope de erva-cidreira. As crias atuam. Durante o processo de transferencia dos favos.br 16 . Qualquer gesto mais brusco pode irritar as abelhas e tornar impraticável a tarefa. Coloque a tampa da caixa. devem ser transferidas para a nova caixa. Procure localizar os favos com cria. Essa é a melhor opção. foice ou machado). fendas de pedras. para que o transporte não os danifique. e procure mantê-la durante algum tempo. mas só pode ser feita se a distância permitir um CURSO BÁSICO DE APICULTURA apisnorte@hotmail. menos abelhas estarão defendendo a colméia. Isso acontece quando uma família está enxameado. depois os favos vazios ou com pólen e nas extremidades. pregando uma plataforma bem simples no seu topo ou improvisar um suporte na sua lateral. abra um acesso aos favos no seu interior. ocos de árvores. a primeira providência é cuidar do material que será usado na operação: além da vestimenta completa e do fumegador.APISNORTE . Depois disso. uma vasilha tipo concha e um saco plástico as sobras ou favos não aproveitados. Se o apiário estiver próximo. trate de dirigir a fumaça para a colméia natural. Se preferir fazer a transferencia durante o dia. cuidadosos e delicados são indispensáveis. sem falar nos riscos para sua própria segurança. é claro. Aguarde até o anoitecer para realizar a transferencia. Terceiro. Esse problema. A captura do enxame deve ser feita exatamente como se deve trabalhar com as abelhas no apiário: Procure trabalhar sempre em dias claros ou de sol. Quarto. Agora que já estamos preparados para lidar com as abelhas. as abelhas restantes entrarão por conta própria. Também é importante que o enxame esteja bem alojado. Caso haja favos vazios ou com mel. pois . Ao contrário. Assim. com seu bojo exatamente sob o enxame.faca para cortar os favos (se houver). vão atrair todas as abelhas da colméia. se possível.como verdadeiras "iscas". o apicultor precisa aprender os melhores locais para a sua colocação. só é importante para caixas-isca com quadros. Finalizada a operação de transferência. irá precisar de uma tela com escape invertido. Se o apiário estiver a mais de 3 km. Faça o trabalho com paciência. Borrife as abelhas com o um pouco de fumaça. tomando o cuidado de manter o alvado na mesma posição da entrada da antiga colméia. facão. procure localizar a rainha. Movimentos calmos. isso é até desejável. portanto . e transfira sua caixa para o apiário definitivo. este é o tempo necessário para que todas as campeiras retornem para a colmeia. recortando os no maior tamanho possível.ASSOCIAÇÃO DE APICULTORES DO NORTE DE MINAS telhado ou um galho alto de árvore podem ser uma opção boa para colocar a caixa. com bons favos de cria e quadros bem seguros. Encaixe estes favos nos quadros vazios e prenda-os firmemente com o barbante ou as gominhas. a distribuição no interior da colméia deve ser a seguinte: favos com cria no centro. Caberá ao outro a tarefa de sacudir sobre ela o "bolo" de abelhas. mas ruim para vistoriá-la e péssima para retirá-la com um enxame dentro. bem próxima ao local para que as abelhas soltas entrem para a caixa. Enquanto a rainha não for transferida. Ela deverá permanecer neste ponto até o fim do dia para capturar o máximo de abelhas campeiras. podendo causar um grande transtorno na hora da transferência. quentes. ela deve ficar bem nivelada com a horizontal. quando a rainha estiver lá. CAPTURA DE ENXAMES ALOJADOS Localizado o enxame. isto é. 2º Caso . vamos ver quais as situações mais comuns para a captura de enxames. no momento da operação. Remova-os com a ajuda da faca. beirais etc. para acalmar as abelhas. com sombreamento leve. aproxime. pelo menos 2 quadros com cera alveolada. forros de casas). Nestas condições. Pode-se usar os mourões de cerca. com muito cuidado poderá prendê-la na gaiolinha temporariamente. barbantes ou gominhas de prender dinheiro. com ajuda de uma concha ou caneca. o apicultor precisará de uma colmeia que pode ser um núcleo ou um ninho dependendo do tamanho do enxame alojado. Co a ajuda de um parceiro. Antes de mais nada. há três possibilidades: • A primeira é na noite seguinte ao dia de captura. segure a caixa. as abelhas não permanecerão na nova casa. mas qualquer inclinação lateral provocará uma construção de favos tortos.com. para evitar o acúmulo de água dentro. as abelhas e. com um golpe rápido e seco. Neste caso. com as campeiras trabalhando bastante. favos com mel.Enxames em locais de difícil acesso (cupinzeiro.Enxames localizados em árvores. tampe o alvado com uma tela para ventilação ou espuma. Nunca dispense o uso do fumegador e jamais trabalhe sem a vestimenta apropriada. basta esperar até que o enxame esteja bem ambientado. Não há problema em que ela fique um pouco inclinada para a frente. esta tela permite que as abelhas campeiras entrem na caixa e não possam mais sair. é uma recomendação freqüente. multiplicando a colônia e procurando uma nova moradia. vassourinha de pelos macios (opcional). especialmente a rainha. Eles são a chave da operação. caso a encontre. e uma gaiola de rainhas que pode ser feita com aqueles bobs de cabelo ou algo que sirva para mante-la presa durante o processo de captura.se do enxame viajante com a caixa completa. instale sua caixa exatamente no mesmo lugar da colméia original. . para diminuir sua agressividade. Usando uma ferramenta adequada para cada caso (enxada. mas não essencial. uma vez capturados e transferidos para sua caixa. Boca de mato. A tela dever ser fixada no alvado pelos menos duas horas antes da transferência.

para defender-se de eventuais picadas. que pode ser explorada. Assim uma transferência para um local próximo causa uma perda relativamente pequena de campeiras por retorno ao local de origem. A segunda possibilidade é mover a caixa para um local distante mais de 3 km. fortalecendo famílias fracas. pelo apicultor. e atacam todos os que consideram suspeitos. conseqüentemente. construindo os favos. a indumentária. brancas. são as mais indicadas. A primeira alimentação no apiário deve ser em pasta. • As luvas devem ser finas o suficiente para que o apicultor não perca totalmente o tato . socorrendo sua colônia. principalmente. geléia real e própolis. As demais podem ser líquidas. cai a postura da rainha e. Para isso. a vestimenta com que irá trabalhar. pois ele estará em forma de cortina. Quando o seu desenvolvimento for muito lento. cera. a família definha. especialmente se a sua rainha for trocada por uma nova.ASSOCIAÇÃO DE APICULTORES DO NORTE DE MINAS • • transporte manual e extremamente cuidadoso. Elas tratam de defender sua família contra qualquer tipo de ameaça (portanto são defensivas). o formão e o espanador. o apicultor deve conhecer os equipamentos. As abelhas não são propriamente animais dóceis . o que dificulta os trabalhos e cujo o odor pode irritar as abelhas. para auxiliar a manutenção da temperatura ambiente no interior da colméia. Ele deve providenciar alimento artificial para sua criação (como veremos adiante). para poder beneficiar-se nos estágios em que as colméias se encontram na plenitude produtiva. para evitar pilhagem. é farta o bastante para que o apicultor possa colher boa parte para si. Já nas épocas de floradas abundantes. o que permitiria a ferroada da abelha.fator de grande importância na manipulação das abelhas mas que ofereçam segurança. É nesse momento que entra a ação do apicultor. e a perda no dia seguinte. a colméia deve estar em boas condições para resistir ao transporte. Assim. enquanto que a primeira geração de abelhas novas está quase pronta para iniciar as tarefas de coleta. É aqui que começam as diferenças entre a apicultura racional da pilhagem ou exploração de enxames que vivem em estado natural.br 17 . As extremidades do macacão (mangas e pernas) devem CURSO BÁSICO DE APICULTURA apisnorte@hotmail. Para tanto. Enxames capturados em caixa-isca muitas vezes se desenvolvem rapidamente se as condições forem boas. que permite melhor visibilidade. folgado o suficiente para não criar resistência junto ao corpo. um macacão. as ferramentas essenciais são a vestimenta adequada. diminui ou cessa a produção de mel. Se não o fizerem. A VESTIMENTA A vestimenta básica é composta por uma máscara. preferencialmente dentro da colméia. antes de mais nada. o apicultor deve. os zangões são expulsos da colméia. Ele também deve ser largo. o fumegador. que não perturbe o enxame. Como as campeiras mal começaram a tarefa de coleta. é preciso que se entenda que a colônia vive em constante ciclo: nos períodos de escassez de alimento. Igualmente cresce a produção de pólen.APISNORTE . A colônia cresce. é importante alimentá-lo para acelerar o seu desenvolvimento. racionalmente. pintada com tinta preta e fosca. cansadas e decadentes EQUIPAMENTOS NECESSÁRIOS Antes de denominar as técnicas de manejo na criação das abelhas. Uma terceira possibilidade é a movimentação direta do local de captura para o apiário próximo por volta do 30º dia de captura. permitindo que o apicultor promova o desenvolvimento de seu apiário. ferramentas e.com. As luvas de plástico. ao final da safra. aumentando assim seu apiário e criando novas rainhas para substituir as já velhas. fornecer cera alveolada para poupar as abelhas da trabalhosa tarefa de produzir cera. • macacão deve ser constituído de uma única peça. que é amarrado sobre o macacão. podem até produzir um pouco de mel. E o papel do apicultor é o de amparar suas abelhas nos momentos mais difíceis. Na hora do manejo. se o enxame for pequeno. desde que em tudo esteja correndo satisfatoriamente. O MANEJO O verdadeiro trabalho do apicultor começa após a instalação de suas primeiras colméias. muitas vezes não são resistentes às ferroadas. o melhor é uni-los a outros enxames maiores. um par de luvas e um par de botas. ê tem o inconveniente de não permitir a evaporação do suor das mãos. desdobrando colônias mais vigorosas. e. pelo menos é provável que estejam prontos para a safra seguinte. pólen e cera. reduzir a entrada do alvado nos períodos de frio. deixá-lo por lá duas semanas e depois transferi-lo para o apiário. elas ainda não se habituaram ao novo local. e ainda assim de campeiras velhas. sem causar prejuízo às abelhas. com visor de tela metálica ou plástica. para trabalhar com abelhas. verificar o estado dos quadros etc. Nesta época. estar adequadamente vestido. Este tipo de máscara é sustentado por chapéu de palha ou vime e é fechada com um longo cadarço. será mínima. grande parte das campeiras originais já morreram ou estão próximas do fim. por retorno ao local da captura. a produção de mel da colônia. • melhor tipo de mascara é o de pano. As luvas de couro fino. Uma vez transferido o enxame.

Gominhas de dinheiro ou barbantes podem salvar o dia. Revisões completas podem ser feitas cerca de 2 a 4 vezes por ano. CURSO BÁSICO DE APICULTURA apisnorte@hotmail. apenas para verificar a acumulação de mel e colocar ou retirar melgueiras. O modelo brasileiro é maior e mais apropriado para se trabalhar com africanizadas. de cano médio ou longo. ao queimarem. apesar do nome. que entram e saem da caixa em busca de alimentos. pois essas abelhas requerem mais fumaça. porque possui apenas uma fileira de cerdas. de empacotar. Uma inspeção rápida pode ser feita a cada semana. que provocam seu ataque. Também é importante que as cerdas sejam de cor clara. Trata-se de uma espécie de alicate duplo. e um modelo brasileiro. Cuidado para não usar restos de compensados ou aglomerados. formão é uma ferramenta praticamente obrigatória. Gestos ou ações bruscas podem provocar a irada reação das abelhas. que pode ser um jeans ou uma calça de brim. Um rolo de fita adesiva larga. espanador (ou escova). tons que não as irritam. o tradicional. Um tubinho de tempero (bem limpo) ou bobs de cabelo são ótimos para capturar uma rainha em caso de necessidade. deve-se mexer o mínimo possível na colméia. branca. é o pegador (sacador) de quadros. Outras ferramentas podem ser importantes. como alicate. podem produzir fumaça ainda mais tóxica do que o normal. enquanto uma pessoa abre o teto da caixa a outra faz fumaça sobre a caixa horizontalmente.ASSOCIAÇÃO DE APICULTORES DO NORTE DE MINAS • ser arrematadas com elástico. dobrada em L. mas outros. Há dois modelos básicos. Que a fumaça seja fria ou branca e nunca quente ou azul. com o corpo. Finalmente. com a ajuda de outro colega. Algumas vestimentas são compostas de jaqueta e máscara separadas da calça. Para abrir a tampa.com. As melhores são as de borracha. Nunca interrompa. preferencialmente. o formão uma barra chata de aço. arame. caso você se depare com favos tortos ou quebrados. por exemplo) ou maravalha de madeira bruta (restos de aplainamento de tábuas). delicados. • • A INSPEÇÃO DA COLMÉIA O trabalho de revisão deve ser feito pelo apicultor devidamente trajado com sua vestimenta completa. martelo. conhecido como SC-Brasil. para removerem as abelhas sem machucá-las ou danificar os favos. o amarelo e o azul-claro. Essas cerdas devem ser bem macias. Um acendedor para o fumegador é necessário.br 18 . com mínimo risco de danificar o favo ou machucar as abelhas. toda a indumentária do apicultor deve ser de cor clara. como palha (restos de roçada de campo. usado no mundo inteiro.a fornalha. especialmente ao preto e ao marrom. parece-se mais com um grande pente. É um cilindro metálico . depois de algum tempo. para impedir a entrada de abelhas na vestimenta e o tecido deve ser resistente para defender o corpo de ferroadas. O trabalho de inspeção começa sempre com a fumegação da caixa. inclusive no mel. a linha de vôo das abelhas. ou seja. Podem ser fósforos ou isqueiro. pregos. usado para retirar e segurar os quadros que serão examinados. Para realizar o trabalho de inspeção ou revisão. Nunca diretamente sobre os quadros. acoplado a um fole. Duas a três baforadas são suficientes. que normalmente é soldado à caixa pelas abelhas com a própolis. Também é muito útil para raspar restos de cera e de própolis. menos irritantes para as abelhas. daqueles com uma haste comprida. e começar o trabalho de revisão. mas talvez não haja nenhum problema se você esperar um mês ou mais. • • OUTRAS FERRAMENTAS ÚTEIS PARA O MANEJO • • • • • Uma lâmina afiada (faca. Por isso é bom moderar o uso do fumegador e usar apenas restos vegetais bem secos. Alguns apicultores não prescindem do sacador. duas ou três baforadas leves bastam. o uso do fumegador é obrigatório e o trabalho deve ser feito de forma rápida. canivete ou estilete) é imprescindível no dia-a-dia do apicultor. não se esqueça das botas. Mas é preciso lembrar que a fumaça entra em contato e deixa resíduo em toda a colméia. acreditam que podem trabalhar muito bem sem ele. Neste tipo de atividade. abrindo-a poucas vezes e rapidamente. A freqüência das revisões dependem da época e do tipo de manejo. procure sempre fumegar ao lado até chegar a fumaça branca e não tão quente. Importante: lembre . As abelhas têm verdadeira aversão a estas cores. faça fumaça junto ao alvado. mas de uso muito eventual. Isso evita perturbações que podem até significar perda de mel. É utilizado como alavanca para abrir o teto da colméia. Não faça fumaça em excesso para não provocar o efeito contrário ao desejado. As mais indicadas são o branco. O brim é bastante utilizado e oferece uma boa proteção. em movimentos tranqüilos. Antes de abrir a caixa para fazer trabalho de revisão propriamente dito. UTENSÍLIOS OBRIGATÓRIOS • Fumegador é um utensílio indispensável para qualquer tipo de trabalho. sobre o qual é ajustada a bainha do macacão. acabar irritando as abelhas. pois eles são produzidos com colas que.APISNORTE . é de enorme utilidade para vedar provisoriamente algumas frestas e fixar alguns componentes. Serve também para separar a desgrudar as peças móveis. Uma outra ferramenta. com as extremidades levemente afiadas (mas não cortantes). inclusive MDF. mas o melhor é um acendedor a gás para fogões. porém decididos. Durante a safra. Sua função é a de diminuir a agressividade das abelhas. em dias quentes e ensolarados e. de alguma utilidade. Por isso.se sempre que as abelhas particularmente sensíveis às tonalidades escuras. aproxime-se sempre pelo lado de trás da caixa.

o apicultor deve providenciar mais espaço para a família. principalmente os de centro do ninho. Dica: Se houver muitas abelhas sobre o favo. bastará dar uma olhada superficial e suspendê-la. Se estiver ventando. devem ser examinados para constatar a presença de larvas e ovos.APISNORTE . em cujos favos a rainha poderá depositar seus ovos. Faça o mesmo com todas as melgueiras e vá retirando-as até chegar ao ninho. quando serão substituídos. vire-o de cabeça para baixo. portanto. Dependendo da força que você usar. como de ovos depositados. como mencionado acima. é a formação daquilo que os apicultores denominam de "barba" de abelhas: a disposição. ajuda bastante remover o quadro mais vazio de uma das extremidades e pô-lo de lado. significa que elas estão forçando a ventilação da colméia. devem estar em bom estado. Se os favos da caixa estão todos ocupados. abreviando esse trabalho. em forma de cacho. muito cuidado. É uma operação delicada e que requer atenção visual. na mão que está segurando o quadro. acabe influindo no desenvolvimento das crias. pois os ovos são pequenos. Favos escuros. Tenha cuidado para não expor as crias muito tempo ao sol (mais de alguns poucos segundos). Se você estiver de costas para o sol. a recusa da rainha em fazer postura nestes favos e a preferência das traças por cera velha. abertos ou fechados. Verifique se há postura na melgueira. de preferência com a mesma orientação frente-fundo original. recoloque todos os quadros. dirigindoa apenas para o topo dos quadros. No ninho. girando-o com os dedos das duas mãos. A ocorrência de favos com pequeno número tanto de crias. ou seja superpovoada. Se precisar remover quase todas as abelhas. ou seja. provocado pelos restos de sucessivos encasulamentos. segure o quadro pelos cantos e analise a face do favo que está voltada para você. e recoloque as melgueiras. é sinal de que a rainha está fraca ou decadente e deve ser substituída. com quadros dotados de cera alveolada. principalmente. os ovos. de numerosas abelhas na entrada das colméia. ponha fumaça e abra a colméia. para ampliar o espaço de trabalho. verificando-se sempre se existe alimento suficiente para que as abelhas possam continuar a construção desses favos. medindo cerca de 2mm. Outra é impedir que o estreitamente natural do alvéolo. diretamente na parede. Com o tempo. A presença de abelhas paradas no alvado. uma vez que a produção de cera depende da existência de um bom suprimento de alimento na colmeia.br • • • CURSO BÁSICO DE APICULTURA 19 . É importante a troca dos favos velhos pelas seguintes razões: Uma é evitar que o favo velho se transforme num veículo de contaminação. com a outra mão. Para analisar a face oposta. desde que não sejam muitas abelhas e que o zumbido interno (das que estão ventilando lá dentro) não seja muito apisnorte@hotmail. uma caixa extra. Quando tiver cria nestes favos. a rainha. Com o tempo. de cima para baixo. Se houver melgueiras.ASSOCIAÇÃO DE APICULTORES DO NORTE DE MINAS COMO FAZER UMA REVISÃO COMPLETA Primeiro. usando um pouco de fumaça para esmagar o mínimo de abelhas possível. direcione a fumaça para o lado da colméia que estiver recebendo o vento. o quadro ficará mais bem iluminado. use a fumaça lentamente. Numa revisão de rotina. avalie o seu conteúdo retirando um ou dois quadros. Tenha muito cuidado também ao recolocar o quadro. Em caso de enxames fracos e de falta de alimento. Um indício de que a caixa está "lotada". verificam-se diversos pontos: · O enxame está bem desenvolvido para a época? · Há reservas de mel suficientes até a próxima revisão? · O tamanho do alvado é compatível com a temperatura média da estação e com o movimento de entrada e saída das abelhas? · A rainha está presente e a postura é adequada? · Há realeiras? · As crias estão se desenvolvendo bem? · Há espaço suficiente para aumentar a postura? · Há espaço suficiente para armazenar mais mel? · Há sinal de doença na colméia? · Há sinal de ataque de formigas. você será capaz de selecionar apenas alguns quadros bem representativos da situação do ninho. Se houver mel desoperculado. dê um golpe seco. No início. Em seguida. onde se desenvolve a família na colméia. remova o excesso com um leve chacoalhar. as larvas e o néctar. Os favos. para estimar bem a quantidade de mel armazenado. pois elas são extremamente sensíveis. Isso é normal.mel e pólen. E ainda. bem acima do ninho. retorcidos ou danificados devem ser substituídos por favos com cera nova alveolada. eles devem ser transferidos para as laterais da colmeia até o nascimento das abelhas.com. já que ele é sistematicamente exposto a dejetos das larvas. não se recomenda a colocação de quadros novos até que o enxame seja fortalecido e alimentado. Em seguida. retire cada um dos quadros e examine-os cuidadosamente. use seguinte manobra: segure o quadro por um canto com uma das mãos e. traças ou outros animais? · Há favos velhos ou quadros danificados a serem substituídos? · Há umidade condensada na colméia? · Há sinais de excesso de calor dentro da colméia? SOLUÇÕES: • Os favos. A fumaça vai subir e apenas lamber a parte superior dos quadros. com crias ou com alimento . batendo as asas. e você precisar ter uma visão melhor. poderão se desprender as abelhas. resultando em adultos menores. nos dias quentes. usando um pouco de fumaça sempre que necessário. faça as verificações e correções necessárias. sejam eles de cria ou de mel. para não esmagar outras abelhas e.

CURSO BÁSICO DE APICULTURA apisnorte@hotmail. mas isso nem sempre é feito. com furos ou irregularidades que impossibilitem o fechamento adequado da colmeia. Por estranho que pareça. para induzir o crescimento da colméia antes de uma florada. Para resolver esse problema emergencialmente. QUANDO DEVE SER FORNECIDA A ALIMENTAÇÃO DE SUBSISTÊNCIA Quando não houver reservas suficientes até a próxima florada. têm dificuldade em esvaziar os alimentadores grandes. demorar muito para retornar à casa. cada uma defendida com unhas e dentes por seus simpatizantes. há méis de cristalização rápida que não podem ser deixados na colméia. Além disso. podem-se colocar pequenos calços (pregos ou pedacinhos de graveto) sob a tampa. Após a colheita. mas aumenta o risco de perda de alimento por deterioração. como tipos. a alimentação artificial pode ser protéica (para substituir o pólen) ou energética (para substituir o mel). até que o enxame se reduza naturalmente. colha o mel que estiver maduro (operculado). Uma possibilidade interessante é adiar um pouco o fornecimento. como 2:1 (em peso). devolvendo os quadros. As realeiras.APISNORTE . alguns recomendam uma mistura de açúcar cristal comum em água. formando uma "barba" perto do alvado. ao contrário. de novo. As próximas questões esclarecem alguns pontos básicos da alimentação artificial. já que. Elimine. Enxames pequenos. pode-se adotar um telhado maior. ou seja. às melgueiras. Na entressafra. Durante a florada. Caso contrário. ou adicionar uma melgueira extra. que abandone a colméia. especialmente em climas frios. essa alimentação pode ser fornecida aos poucos. • • • • A presença de larvas mortas nos favos e de abelhas mortas no assoalho da caixa é indício de ocorrência de doença na família. ALIMENTAÇÃO Alimentação artificial é o fornecimento de substâncias nutritivas para as abelhas. pode indicar que as abelhas não estejam conseguindo refrigerar o interior da colméia quando todas elas estão lá dentro. por exemplo. Aquecer a água facilita bastante a mistura e melhora a conservação. há defensores fervorosos de um ou outro modelo. nas extremidades dos quadros com cria. inclusive com a expulsão dos zangões. ser substituídas para evitar ataque de inimigos naturais. caso as abelhas não o aceitem ou demorem muito a recolhê-lo. Para evitar isso. pilhagem e o maior desgaste das abelhas nas atividades de defesa da colônia e de termorregulação. Ela normalmente não é necessária quando o apicultor deixa uma boa quantidade de mel para as abelhas. nos períodos em que não há florada. estas cápsulas para não enfraquecer a colônia. COMO É A ALIMENTAÇÃO ENERGÉTICA DE SUBSISTÊNCIA O xarope (substituto do mel) deve ser mais concentrado do que na alimentação estimulante. Uma colméia sadia é sempre limpa e higiênica. apoie a caixa sobre a tampa. você deverá fornecer alimentação artificial à colônia. • Importante: Quando se retira uma caixa da colméia. também devem se possível. Isso significa 2 kg de açúcar em 1 litro de água. as abelhas que saem podem ser pisadas pelo apicultor. ou seja. das mais simples às mais sofisticadas. na melhor das hipóteses. são formadas normalmente. muitas abelhas que estavam ali saem (caminhando) para fazer uma investigação do que houve. Além disso. verifique se a família está formando realeiras nos favos. já que muitas delas são jovens que nunca voaram. ou um xarope com concentração de açúcar de 67%. previamente largada no solo. sob pena de as abelhas não conseguirem consumi-lo mais tarde. basta varrer as abelhas que estão sobre a tampa para dentro da colméia. este é um dos assuntos mais polêmicos da apicultura nacional. atacadas por predadores ou. se for o caso.com. economicamente. de acordo com a percepção do apicultor. Quando essa caixa é posta diretamente no solo.br 20 . quando não houver provisões suficientes na colméia para garantir a sua manutenção. Para evitar que parte da colônia enxameie. Também há diversas formas de fornecer o alimento e. verifique se a família tem alimento suficiente. para que as abelhas não precisem gastar muita energia na sua desidratação. especialmente. ou estimulante. Há dúzias de fórmulas. que são cápsulas destinadas à criação de rainhas. O fornecimento de uma só vez reduz o trabalho. Nesse momento o xarope pode ser fornecido em quantidade grande o suficiente para toda a entressafra. principalmente durante o inverno ou nas estações de muita chuva. Caixas danificadas. de cor clara. Após recolocar as caixas. fórmulas e modos de fornecimento.ASSOCIAÇÃO DE APICULTORES DO NORTE DE MINAS forte. e a perda de abelhas é mínima. Para resolvê-lo melhor. Como xarope. Ou. apresentando a forma de um casulo parecido com uma casca de amendoim. A alimentação pode ser de subsistência. O agrupamento de abelhas do lado de fora. o mel vale muito mais que o açúcar. num proporção alta. vazios e limpos. o início de uma entressafra longa (mais de dois meses) é um bom momento para fornecer a alimentação de subsistência.

principalmente a produção de crias.63 litros num xarope.com. Este comportamento primaveril vai durar enquanto durar o alimento. energético-protéica. Veja umas dicas para evitar que o xarope se deteriore rapidamente. mas todas as da região serão beneficiadas. Com isso. 4 kg de açúcar em 7. para simular o néctar. A alimentação estimulante visa criar uma idéia de abundância típica da Primavera e despertar nas abelhas seus instintos de reprodução. . é deixar os favos por um dia a cerca de 100-200 metros do apiário. Uma consideração importante sobre a alimentação estimulante é que ela deve simular um fluxo de néctar na colméia e. se essa acumulação for muito grande.Evite exceder o volume de alimento. O volume de xarope a ser fornecido depende exclusivamente do tamanho do enxame. quase certamente. . Dica: Para preparar o xarope de açúcar invertido com o limão. mais diluídos. Muito diferente da alimentação complementar de apoio que visa compensar a falha natural. ácido tartárico ou suco de limão. deixe ferver em fogo baixo por 40 minutos. pegue uma porção de açúcar de confeiteiro e vá acrescentando mel e amassando até formar uma massa flexível. ácido acético. uns 30-35% de açúcar.59. Uma boa alternativa é alimentar as abelhas liberalmente. É um tipo alimento muito usado em transporte e introdução de rainhas.Evite que o alimento fique exposto ao sol. substituindo-os por cera alveolada o favos já puxados. QUANDO DEVE SER FORNECIDA A ALIMENTAÇÃO ESTIMULANTE A alimentação artificial estimulante visa o aumento populacional. Esse nome se deve ao seguinte fato: quando um feixe de luz polarizada incide sobre a molécula de sacarose ele é desviado para a direita. deve ser fornecida freqüentemente. por exemplo. Para prepará-lo. Da mesma forma que na alimentação de subsistência. COMO CALCULAR AS PROPORÇÕES DE AÇÚCAR E ÁGUA PARA O ALIMENTO ENERGÉTICO A densidade do açúcar é 1. COMO É A ALIMENTAÇÃO ESTIMULANTE O xarope deve ser menos concentrado do que na alimentação de subsistência. que ocupam uns 10 litros. é uma alternativa possível. não apenas as suas colméias. sirva apenas o que sabe que elas irão consumir num determinado número de dias. aumenta também o consumo de energia.Nunca forneça o xarope em alimentadores que não estejam bem limpos e livres de resíduos de alimentação anterior. já no açúcar invertido. a perda se dá principalmente pelo calor. Com este dado.ASSOCIAÇÃO DE APICULTORES DO NORTE DE MINAS Outra proporção interessante é 1. use a proporção de 10ml de suco de limão para cada litro de água. o espaço para a rainha estará garantido. O resultado desse processo é a quebra da sacarose em dois outros açúcares que a compõe: a glicose e a frutose. Para produzir cerca de 10 litros de xarope (200 ml a mais ou a menos). Nesse caso. que possui. vários quadros do ninho ficarão cheios de mel de xarope. Uma alimentação pastosa. o que significa que cada quilograma contribui com 0. só que aquecido juntamente com um ácido que pode ser. por exemplo. O que é o açúcar invertido? O açúcar invertido é na verdade o açúcar comum que nós utilizamos em nossas casas todos os dias (a sacarose). Essa é uma situação chamada de bloqueio do ninho. use a tabela abaixo. O que é cândi? É uma mistura de açúcar de confeiteiro com mel. Dica: Os favos com mel de xarope podem ser distribuídos às colméias fracas. em média. mas bem menos interessante. Na apicultura.5 litros de água.5 kg de xarope. Inicia-se a alimentação estimulante. que seja o mais seca possível. ou centrifugados. Uma alternativa possível. e leva a colméia. Utiliza-se esse tipo de açúcar em balas para evitar a cristalização do açúcar. Importante: Alguns apicultores fornecem rapadura em pedaços ou cândi às abelhas. portanto.br 21 . ela pode ser feita facilmente até mesmo com água fria e um pouco de agitação. para que o seu conteúdo possa ser devolvido à colméia sob forma de mais alimento estimulante. à enxameação. a alimentação com o esse açúcar se deve exclusivamente à sua conservação por período mais prolongado em temperatura ambiente. criando uma euforia e aumentando as outras atividades da colônia. pois exige que elas dissolvam o alimento antes de consumi-lo (num período frio isso pode ser muito difícil). Para obter um xarope com aproximadamente 35% de açúcar. você pode calcular qualquer proporção.Prepare-o de preferência. . Como a mistura é pouco saturada. a luz incidente é desviada para a esquerda. O melhor é observar a acumulação do xarope. . Ela pode ser obtida enchendo-se um recipiente até a metade com água e completando-se com açúcar. Produz um xarope com concentração de 60% de açúcar. para que o xarope neles estocado volte a simular néctar para todas as colméias. mista. no dia em que for servir. Nesse aspecto.5:1 (açúcar : água). CURSO BÁSICO DE APICULTURA apisnorte@hotmail.5. Isso dá 11. cerca de sessenta dias antes de uma florada intensa. Não é a melhor opção. Além disso. o aumento de trabalho inclusive na busca de água para a dissolução. ao mesmo tempo que o estímulo alimentar. as recomendações mais comuns são para a utilização de para alimentadores rápidos de três a sete vezes por semana. e a rainha não poderá fazer a postura. há quem recomende o uso de açúcar invertido ou mel.APISNORTE . removendo os favos repletos de xarope sempre que necessário. sem se esfarelar. faça uma mistura na proporção de 4:7.

Como se não bastasse.2 Xarope Concentração Equivalente A evaporar (%) em mel (Kg) (L) 23 3 8 30 4. se o alimentador não estiver a uma distância razoável do apiário. para que elas possam subir sem dificuldade. bastando levantar a tampa e despejar o xarope.5 Açúcar (Kg) 2. Dentro do cocho. A coluna "A evaporar" mostra quanta água deve ser retirada do xarope para que as abelhas possam armazená-lo com 18% de umidade.com. A sua recarga é muito rápida.5 6 7 8 9 Peso (Kg) 11 11. CURSO BÁSICO DE APICULTURA apisnorte@hotmail. por ficarem mais expostos.br 22 .5 4 62 9. um vidro com tampa furada que se encaixa sobre uma plataforma de madeira que é colocada no alvado.5 6 5. As abelhas da colméia têm acesso privilegiado ao xarope.5 8 7. A tabela foi ajustada para volumes e pesos de ingredientes que fossem múltiplos de 0.3 4. corre uma tampa que forma um túnel de acesso ao alimento. Os coletivos facilitam o fornecimento. Como os furos têm de ser pequenos. para que o xarope não fique pingando. ALIMENTADORES INDIVIDUAIS EXTERNOS Os alimentadores de alvado são. há um flutuador para as abelhas não se afogarem. Trata-se de um recipiente plástico que fica pendurado à frente do alvado.5 Volume (L) 10. O peso equivalente em mel corresponde ao que sobra do xarope após a sua desidratação até o patamar de 18%. que assim favorece a fermentação do xarope. Não é muito prático porque a sua colocação envolve manipulação do ninho. ALIMENTADORES INDIVIDUAIS INTERNOS Há dois tipos principais.2 35 4. serão os que coletarão mais xarope. A coluna "Concentração" indica o percentual de açúcar no xarope.3 7. o Boardman acaba sendo um alimentador lento.7 5.9 10 10. além das suas abelhas. apenas corrija as quantidades dos ingredientes na mesma proporção.5 As colunas de ingredientes referem-se às quantidades a serem misturadas. produzido pela Apivac. que substitui um quadro da colméia. O alimentador Boardman é o mais conhecido.5 3. o que. que não precisariam de alimentação.APISNORTE . em geral. ele aumenta a umidade interna. existem plataformas com o mesmo sistema que suportam uma garrafa PET de 2 litros.5 litro e é esvaziado em poucas horas por um enxame médio. mas são mais fáceis de fornecer às abelhas. em detrimento dos menores.5 11. os enxames fortes. evitando quase completamente o saque.5 5 4.6 39 5.ASSOCIAÇÃO DE APICULTORES DO NORTE DE MINAS Para volumes diferentes. um cocho estreito. e as paredes são lixadas internamente. menores e mais sujeitos a saque.2 67 11 2.5.1 10.5 5.9 6. Hoje. Os alimentadores individuais atendem uma única colméia cada um. Um bom modelo de alimentador de alvado é o cocho.7 56 8. mas provocam lutas e até pilhagens entre as colméias.5 12 12 12. ele é encontrado vazio pela manhã.5 6 46 6.5 13 13. Também fornecem alimento a todos os insetos da região. preso por um suporte metálico facilmente adaptável. Quando carregado no final da tarde. O cocho admite cerca de 1.8 10 9. e são muito mais eficientes.8 9.2 10 9. além de trabalhoso. coletivos e individuais.5 7 6. Associação de Apicultores do Vale do Carangola (MG). COMO O XAROPE É FORNECIDO Há vários tipos de alimentadores. pois não exigem a abertura da colméia.3 50 7. O peso do xarope é apenas ilustrativo e base para calculo da concentração. Um é o Doolittle.8 3. Sobre a boca do alimentador. pode ser prejudicial às abelhas quando a temperatura é muito baixa. mas muitos saques ocorrem assim mesmo.5 4 4. Ingredientes Água (L) 8.5 11.

Durante a entressafra. Misturar primeiro os ingredientes secos e depois acrescentar o mel até ficar homogêneo (aparência de areia molhada). o que não dá muita margem a saques. mas que geralmente aceita volumes grandes de xarope. Nesse caso. que pode fermentar se não for quimicamente tratado. É um recipiente de mesmas dimensões que as caixas. QUANDO DEVE SER FORNECIDA A ALIMENTAÇÃO PROTÉICA Em relação à alimentação protéica (substituição do pólen). comum principalmente na região Sudeste [CIN02]. O consumo deste alimento pelo enxame vai depender da quantidade de abelhas. a ração deve ser introduzida pelo alvado. Caso as abelhas depositem própolis nessa entrada. Também é um alimentador que não chama muito a atenção das abelhas e pode ser rejeitado. Se não houver fonte de proteína disponível. que causa alta mortalidade nas crias da colméia. apenas mais baixo. É um alimentador rápido pela sua construção. pois as abelhas jovens não terão como produzir as substâncias nutritivas para alimentar as crias e a rainha. Para fornecer o alimento protéico: • • • Alimentador deve ser de cobertura. o consumo protéico normalmente é menor. Recuperação de um enxame zanganeiro INTRODUÇÃO DE RAINHAS Todos os métodos de introdução de rainhas têm por objetivo enganar a colônia de abelhas de maneira que elas aceitem o “elemento estranho” e o acatem como parte da colônia. Um exemplo disso é a floração do barbatimão e do falso-barbatimão (Stryphnodendron spp. leite em pó. é oferecido em torno de 100g/dia/colméia.br 23 . As abelhas entram no alimentador para remover o xarope por dentro da colméia. Uma outra situação em que a alimentação protéica é obrigatória ocorre quando há uma florada de pólen tóxico na região. causando um grande atraso no aumento populacional. e é colocado sobre elas. basta removê-la com a ajuda do formão. Importante: Se o alimento em pasta for posto longe dos quadros de cria. a escassez de pólen pode ser um fator limitante. Uma receita simples para preparação da ração protéica: Ingredientes: 4 partes de açúcar refinado. Introdução de rainhas 2. pois poucas ou nenhuma cria está sendo gerada. também pode provocar grande mortandade por afogamento. Fornecê-lo pelo alvado.APISNORTE . Para isso. Ração em pasta pode ser fornecida em saco plástico aberto (uma janela grande. pólen. há uma boa probabilidade das abelhas rejeitarem-no. na face superior do saco) e deve ser deixado próximo à área de cria.com. A desvantagem dessa técnica é que o alimento pode ficar contaminado por dejetos que caem dos favos sobre ele. e Dimorphandra mollis). e seja mantida durante todo o seu período. de milho e de trigo. de forma que o produto fique o mais próximo possível das crias. levedo de cerveja. o recomendado é que a alimentação protéica inicie pelo menos 15 dias antes da florada. com misturas em proporções variadas de farinha de soja. União pacífica de colônias 3. nenhum tipo de estimulação à base de xarope funcionará. A alimentação protéica quase sempre é fornecida em forma de pasta. exceto em relação à quantidade fornecida.ASSOCIAÇÃO DE APICULTORES DO NORTE DE MINAS O outro modelo é o de cobertura. TÉCNICAS DE MANEJO As operações de manejo que têm por objetivo efeito imediato de socorro às colônias são: 1. 2 partes de farinha de soja bem fina e Mel. Diversas fórmulas já foram testadas. Dependendo da sua construção. diretamente sobre os quadros do ninho ou logo abaixo deles. por estímulo artificial ou natural. As flores dessas plantas produzem pólen tóxico. quando o enxame começa a se desenvolver. Existem três situações básicas nas quais o apicultor deve recorrer a introdução de rainhas: CURSO BÁSICO DE APICULTURA apisnorte@hotmail. No entanto. Permuta 4. geralmente não se diferencia subsistência de estímulo.

está descontente com a rainha e deseja substitui-la. esta revisão deverá ser rápida. 4. O canalete curto é provido de uma abertura interna que permite a entrada das abelhas. consomem toda a pasta cândi do canalete longo libertando-a e integrando-a na colônia Importante: Não havendo florada forte. com o único intuito de confirmar a presença de ovos e larvas. impedidas de puxar novas realeiras.As abelhas ao consumirem a pasta cândi do canalete curto iniciam o contato direto com a nova Rainha.com. CURSO BÁSICO DE APICULTURA apisnorte@hotmail.unir duas ou mais colônias fracas para formar uma forte. UNIÃO PACÍFICA DE COLÔNIAS A união de colônias é feita quando uma das colônias perdeu a Rainha e se deseja aproveitar a força da sua população durante a próxima florada iminente. iniciam rapidamente a puxada de realeiras. com as saídas bem fechadas. Isso não impede que a nova rainha seja introduzida neste enxame dentro de sua gaiola. em seu lugar.Coloca-se a rainha sem acompanhantes na gaiola Miller. para serem transformadas em possíveis rainhas. Isto permitirá que. por algum motivo. prazo suficiente para que as abelhas. uma rainha recém introduzida vier a perecer. quando não há rainhas disponíveis ou não há tempo hábil para a colônia crescer antes da florada.salvar uma colônia órfã quando não se pode momentaneamente introduzir uma rainha. O excesso ou alimento aparente incentiva a pilhagem. Para a segurança da rainha introduzida o ideal é que se aguardem 07 dias para só então permitir a sua liberação pelas abelhas.aproveitar a força de trabalho de uma colônia zanganeira condenada à extinção. neste momento. colocar uma folha de jornal dupla. deverá ser fornecido alimentação de subsistência ao enxame. percebam a necessidade de aceitar a nova rainha. precisará ser substituída por outra rainha o mais rapidamente possível. larvas de operárias que não tenham ultrapassado os 03 dias de idade. Procedimento para enxames órfãos: 1. sendo a rainha libertada pelas abelhas em 1 ou 2 dias. esta técnica é usada quando a colônia tornou-se zanganeira. as operárias assim que percebem essa ausência. o que será de grande importância. 5. para se preservar a integridade do enxame. A união de enxames deve ser usada nos seguintes casos: 1. Rainhas estranhas não são aceitas de boa vontade por parte das abelhas de um enxame. Inicialmente impedese o acesso das abelhas à pasta com rolhas plásticas ou de madeira. Se durante a primeira revisão tudo correu bem. mas impede a saída da rainha. 3. 2. uma revisão detalhada será feita à procura de realeiras que quando encontradas deverão ser destruídas.Elimina-se a rainha “velha” da colônia e no mesmo dia introduz-se a gaiola com a nova rainha entre os favos centrais do ninho das crias. evitando o contato direto entre elas.Retirar a tampa da colméia sem rainha e.Após passados os 07 dias.ASSOCIAÇÃO DE APICULTORES DO NORTE DE MINAS a) quando por acidente a rainha é morta (seja pela invasão de predadores ou pelo próprio apicultor). após a destruição das realeiras puxadas. sobre os quadros. 4. 20 dias depois dela abelhas novas já estarão nascendo. 3. 2. A forma mais prática para introduzir uma rainha sem grandes traumas para a colméia é a “gaiola Miller”. antes do sétimo dia.Colocar por cima do jornal a colméia com a colônia com rainha.APISNORTE . que devem ficar restritos à área do jornal que fica na parte interna da colméia. Procedimento: 1. o que poderia representar riscos tanto de ataque e rejeição. Utilizam para tanto. Enquanto as abelhas puderem puxar realeiras. Neste caso estará protegida da fúria das abelhas pela gaiola e terá oportunidade de ter o seu cheiro misturado ao das abelhas do enxame. Saber introduzir rainhas com sucesso é uma das principais tarefas do apicultor que pretende tornar-se um profissional apícola. c) como medida regular de manutenção para ter sempre colônias dirigidas por rainhas jovens e mais vigorosas. Sua função é permitir o contato da rainha estranha com as abelhas da colônia órfã através de uma tela. evitando-se pilhagem e agressividade. Estes canaletes são de comprimentos diferentes para que as abelhas consumam a pasta do canalete mais curto em um dia e a do mais longo em dois dias.As próximas revisões serão realizadas de acordo com a rotina do apicultor.Após preferencialmente 14 dias. 2. A gaiola Miller é confeccionada em estrutura de madeira e tela. preenchendo os canaletes com pasta cândi.introduzir rainhas estocadas em minifamílias em famílias populosas orfanadas. um dia depois. o enxame poderá ser aberto para confirmação de postura da rainha. Geralmente. nova revisão seja realizada com pouco mais de calma.br 24 . 6. b) quando o apicultor. qualquer rainha estranha poderá ser rejeitada. possui dois canaletes. Somente então as rolhas que protegem os compartimentos de pasta cândi poderão ser retiradas. Toda vez que um enxame fica sem rainha. Importante: Se por algum motivo alheio ao desejo do apicultor. umedecida com mel ou xarope. Sempre ressaltando a importância do controle da pilhagem e da necessidade de alimentação artificial na ausência de floradas. sem maiores riscos para a rainha. sem o fundo.

o apicultor deve trocar de lugar duas colônias. Antes porém. Você poder optar por um dos três métodos: 1. se fizer necessária a união com uma colônia populosa. com a intervenção humana. para que as operárias não zanganeiras. PERMUTA O objetivo da permuta é fortalecer um enxame fraco em detrimento de um forte. é preciso avaliar a sua viabilidade. sem ventilação e em desespero. por força das circunstâncias.ASSOCIAÇÃO DE APICULTORES DO NORTE DE MINAS Procedimento para enxames com rainhas: 1.Elimine a rainha e feche a colméia. é preciso acrescentar favos com postura boa e jovem (ovos de um dia). adiantando o desenvolvimento das mais fracas através da introdução da força de trabalho das colônias mais populosas. que será tão mais intenso quanto mais abelhas existirem na colméia.Primeiro. e um grande contingente de crias para nascer. É sempre melhor intervir antes que isso aconteça. Isso significa que pouco sofrerá com a diminuição temporária do número de campeiras. RECURPERAÇÃO DE UM ENXAME ZANGANEIRO Uma colmeia órfã poderá tornar-se zanganeira. para que as campeiras de uma colônia sejam acolhidas pela outra.Mais para o final da tarde. ponha-as de lado. Supostamente. neste caso em especial. e a colméia acaba extinguindo-se com a morte das operárias. suportes ou cavaletes duplos facilitam muito o trabalho. formam-se pequenos buracos. Como não são fecundados. alcança-se o equilíbrio da força populacional das colônias do apiário. Cuidado para a rainha não ficar numa delas. o apicultor deve lembrar que as abelhas acima do jornal estarão dentro de uma caixa fechada. deve-se sacudir todos os favos a uma boa distância do local original da colméia. as abelhas das duas colônias aceitam-se mutuamente e 12 horas depois. Portanto. ganha uma força de trabalho que lhe traz grande estímulo na forma de alimento. as melgueiras retiradas no início. No entanto. quando. CURSO BÁSICO DE APICULTURA apisnorte@hotmail. Ao aplicar este método. a introdução e rainhas ou a permuta. de forma a deixá-los prontos para a safra. 6. 4. freqüentemente apresentam um número muito pequeno de operárias.Fazer a união com um outro enxame. pois as da colméia deslocada entrarão automaticamente na colméia unida.br 25 . Baseando-se no fato de que as campeiras da colônia estão orientadas a retornarem exatamente para o local de onde partiram. finalmente. as operárias começam a pôr ovos. repentinamente. Com esta troca de informações. recuperando-se rapidamente. além de caseiras próximas de tomarem-se campeiras. coloque uma colméia que possui rainha nova (ninho sem alvado). para eliminar as poedeiras. sobre esta. a colméia é remontada no local original. como: a união de colônias. e. 5.Fazer a Permuta. 2. evitam a perda de campeiras. sobre cada uma destas colméias orfanadas. a colônia mais fraca é fortalecida pelo acréscimo das campeiras da colônia forte que. o trabalho deve ser feito no um do dia.APISNORTE . Enxames nessa situação. À medida que o jornal é roído. muitas delas poedeiras. Se houver melgueiras. já estão devidamente integradas. quando são encontrados. uma fraca e uma forte. A colônia forte fica desfalcada de grande parte de sua força de trabalho externo. 2. sem os favos de cria. Depois. o nascimento das crias e. teria de esperar o aumento de postura da rainha. por estarem mais pesadas e talvez desorientadas por dedicarem-se apenas à postura. antes de se experimentar alguma forma de recuperação do enxame zanganeiro. Dica: Quando o apicultor trabalha rotineiramente com união de enxames. há algumas tentativas que podem ser feitas. A colônia fraca em ritmo normal. A falta de aeração aliada à agitação das abelhas gerará calor. As abelhas da parte inferior ficam sabendo da existência de uma rainha acima do jornal e as abelhas da parte superior descobrem a saída que procuravam. por onde as línguas das abelhas das duas colônias se comunicam transferindo alimento e informações importantes através dos feromônios. o que não aconteceria antes de 60 dias. As abelhas da colméia superior. apenas com as operárias normais. aprisionadas. inclusive as da colméia normal que estarão entrando.Aguarde uma semana e faça uma reorganização nos ninhos.Introdução de uma nova rainha. elas não voltariam para a colméia. já que as colméias unidas já estarão lado a lado. Além disso. agitadas. esses ovos geram apenas zangões. mas caso essa situação ocorra. Instintivamente também procuram eliminar o corpo estranho indesejado. Esta situação ocorre quando na falta da rainha. abra a colméia com a rainha mais antiga ou mais fraca. Desta maneira. fechadas e com o mínimo de abelhas possível dentro. que estas se tomassem campeiras. procurando uma saída. 3.com. Desta maneira. 3.Em seguida. ou com mais uma câmara vazia colocada por cima o que dará mais espaço para dispersão da temperatura. buscam uma saída roendo o jornal. reabra estas colméias e cubra-as com uma folha de jornal e um pouco de mel.Faça o mesmo em todas as colméias com rainhas antigas ou fracas que deseja unir com outros enxames melhores. As abelhas da caixa inferior percebem o zumbido agitado das abelhas em desespero procurando saída. mas em compensação tem estoque de alimento. e não justificam esforços maiores na sua preservação individual. produzam uma nova rainha.

Os ovos são depositados nas paredes dos alvéolos. à medida que aumenta o tempo de ausência da rainha. Muitas saem voando imediatamente.amarela • 3 e 8 . Apicultores mais experientes. levando a rainha a misturar . porque o abdômen das operárias não alcança o fundo. a rainha pode ser eliminada pelas operárias. A tarefa de identificar a rainha no interior da colméia não é das mais fáceis. O excesso de fumaça provoca transtornos no interior da colméia. No caso de identificação com tinta. a rainha só deverá ser reintroduzida na colméia depois que a tinta estiver completamente seca. Mas isso também pode significar preparação para a enxameação. Não a encontrando. não desista logo.com. veja algumas dicas: • • • • A abelha rainha está sempre cercada por um verdadeiro "séqüito" de operárias. através da cor pode-se manter um controle sobre a idade da rainha ou mesmo saber se é a mesma que você introduziu. se houver realeiras no ninho. observando os dos dois lados. Por isso mesmo. Lembre-se que a rainha tentará esconder-se no ponto mais escuro. previamente colocado ao lado) e passe para o próximo quadro. MARCAÇÃO DA RAINHA "COR DO ANO" A cor da tinta usada para pintar o tórax da rainha. ponha-o num ninho vazio. o que pode ser presumido se forem encontradas realeiras já abertas. serve para identificar o seu ano de nascimento (último dígito): • 1 e 6 . Se achar que ela não está mesmo ali. Concentre sua atenção nos quadros com postura recente. o que dificulta sua localização. mesmo em se tratando da própria mãe da colméia. e cada alvéolo acaba contendo vários deles. que são muito menores. Uma pequena gotinha de esmalte de unha é suficiente.ASSOCIAÇÃO DE APICULTORES DO NORTE DE MINAS COMO SABER SE UMA COLMÉIA ESTÁ SEM RAINHA A ausência de ovos em época de postura normal é um forte indicativo. os ovos vão se empilhando. podem suspeitar da orfandade no instante em que abrem a colméia. O que acontece é que. pelo acúmulo anormal de mel e pólen no centro dos favos de cria. porém. num canto. CURSO BÁSICO DE APICULTURA apisnorte@hotmail. talvez por baixo das operárias. faça fumaça com parcimônia. o que é facilmente percebido pelo apicultor. as operárias começam a apresentar um padrão anormal de agitação. as operárias não percebem (ou não fazem caso) se um alvéolo já tem outro ovo nele depositado. muitos apicultores costumam marcar suas rainhas com tinta. os apicultores costumam devolver a rainha à colméia abrigada numa gaiola.APISNORTE . mas são todos pequenos. A operculação das células é protuberante. Para maior segurança. assim. típica das de zangão. Olhe algumas vezes as duas faces. embora existam tintas especiais para esta operação.azul Uma rainha pintada é mais fácil de ser encontrada do que uma não pintada. Esta verificação deverá persistir até o último quadro. Em caso de colmeia zanganeira. procure localiza-lá nos pontos de maior aglomeração de abelhas.vermelha • 4 e 9 . Por isso. os zangões começam a nascer. da qual é libertada um dia depois. Depois de algum tempo. O método principal é remover cada quadro e verificar cuidadosamente as duas faces. não necessariamente para atacar. Também pode indicar a presença de uma rainha virgem.br 26 . TECNICAS PARA LOCALIZAR A RAINHA Para localizar a rainha não marcada no interior da colméia. As abelhas são muito sensíveis a odores estranhos e.verde • 5 e 0 . pode-se perceber a situação visualmente. devolva o quadro à colméia (ou melhor. porque foram gerados em alvéolos de operárias. Não faça mais do que duas tentativas para localizar a abelha rainha. feche a colméia e aguarde algum tempo para repetir a operação TÉCNICA 1 – QUADRO A QUADRO Com sorte ou muita paciência. Antes de iniciar a operação de localização. É pouco provável que a rainha esteja em quadros com mel ou com crias maduras (favos com crias operculadas). que são suas "damas de honra". num comportamento visivelmente diferente dos enxames normais. Se a colméia fica sem rainha durante vários dias na época da safra.se as demais abelhas.branca • 2 e 7 .

a procura de outra rainha. por exemplo).ASSOCIAÇÃO DE APICULTORES DO NORTE DE MINAS TÉCNICA 2 – O FAVO ESTRANHO Coloque um favo com larvas mas sem abelhas de uma colméia estranha. TÉCNICA 4 – FUMAÇA NO ALVADO Às vezes dá resultado. Com isso. sobre a tela. Localizada a rainha. É bom marcar este quadro para não se confundir depois. e talvez você a encontre no lado de baixo da tampa. há uma boa chance de que a rainha afaste-se dele o máximo possível. antes de abrir a colméia. Naturalmente. estará resolvido o problema. na colméia onde se pretende encontrar a rainha. o que é uma possibilidade durante o manejo. melhor. Se ela for achada. 3º Passo No lugar da colmeia antiga. Se ela tiver melgueiras empilhadas. O sistema é apresentado aqui para um só ninho mas serve também para outras configurações. caso contrário. 4º Passo Remover cada um dos quadros. Meia hora depois. já que as rainhas são muito ciumentas. assim que abrir a colméia. Também é especialmente danoso se houver melgueiras. pois o mel pode ser contaminado pelo excesso de fumaça e a rainha pode se esconder numa melgueira. examinando-os cuidadosamente em busca da rainha. o ideal é que elas sejam retiradas antes. TÉCNICA 3 – PENEIRANDO AS ABELHAS 1º Passo Quanto menos caixas tiver a colmeia. até que sobre apenas um ou dois ninhos. ao invés de subir até a tampa.com. ficarão apenas a rainha e os zangões. mantendo apenas a tela excluidora entre eles. com fundo normal. colocar um ninho vazio. sacudir o favo sobre o ninho antigo e transferi-lo sem abelhas para o novo ninho. mas deve ser feito na primeira vez que se abre a colmeia: aplique bastante fumaça no alvado. trata-se de um método condenável pelo próprio abuso de fumaça e ele não funcionará se houver uma tela excluidora. 5º Passo Colocar o ninho antigo (sem quadros e cheio de abelhas) sobre o ninho novo. o favo poderá retornar à colméia de origem. Muito provavelmente. CURSO BÁSICO DE APICULTURA apisnorte@hotmail.APISNORTE . Depois usar um pouco de fumaça para forçar as abelhas a descerem.br 27 . Isso impedirá a saída da rainha pelo alvado. a rainha estará passeando sobre o favo. 2º Passo Remover o fundo da colmeia e apoiá-la sobre um fundo cego (uma tampa extra. tire o quadro marcado e examine-o com atenção. em razão do cheiro da rival. volte à colméia.

a partir de uma colméia. Alimentação protéica também é muito importante nessa fase. colocar nova câmara de crias com quadros de cera alveolada apenas. Deixá-las fechadas por enquanto. Pôr uma tela excluidora sobre o ninho original e o ninho novo sobre a tela excluidora. pode-se usar o seguinte método para dividir uma colméia em duas: 1. Porém é mais técnico e sofisticado. Isso vai diminuir a possibilidade de saque pelas ex-companheiras. Uma boa prevenção contra a enxameação é a troca anual de rainhas. Alguns bastante complicados. pela divisão aproximadamente justa das quantidades de cria.com. pólen e operárias. um método que interfere fortemente na vida e no equilíbrio da colônia. cuidando para que a rainha não esteja nelas. sobre fundo próprio. A vantagem é que pode ser aplicado diversas vezes em uma mesma colônia. a colméia órfã provavelmente ficará melhor no local original. Se houver melgueiras. todas as abelhas da colônia para CURSO BÁSICO DE APICULTURA apisnorte@hotmail. isso é uma tarefa que está gravada na estrutura genética da abelha. A colméia com a rainha antiga perderá as campeiras. substituindo um dos quadros com cera alveolada bem no centro. procurando manter um equilíbrio entre as colméias resultantes. estas poderão ser aproveitadas na colônia que ficará órfã. em seu lugar.ASSOCIAÇÃO DE APICULTORES DO NORTE DE MINAS CONTROLE DE ENXAMEAÇÃO A enxameação é um comportamento desencadeado como forma instintiva de perpetuar a espécie.Se houver melgueiras. Caso ele opte pela produção natural de rainha e se a separação das duas colméias resultantes for pequena. com lâmina de cera. Para dificultar a pilhagem. A manutenção de espaço de sobra na colméia. É indicado para apicultores em fase de expansão. no mínimo cinco metros. além de contribuir para a boa produtividade do enxame. tanto para a postura quanto para a armazenagem de mel. 3. Na nova colméia. 2. Apesar de causar menos danos para ao enxame é. Tirar metade dos quadros do ninho original e transportá-los. Remover o ninho superior e formar com ele a nova colméia (está será a colméia sem rainha). Os quadros são separados de acordo com o seu conteúdo e postos em outras caixas.É importante que se localize a rainha. com as abelhas tentando levar o seu mel de volta ao local de origem. favos vazios ou favos com cria. 2. exigem verificação muito freqüente da colméia. se necessário) deve receber alimentação. cuidando para que a rainha não esteja nelas. pois sua principal característica é impedir a enxameação da colônia sem diminuir o número de abelhas da sua população. ainda assim. se não conseguir. mas sim após a colheita. também é uma boa prática.br 28 . Completar os dois ninhos com novos quadros de cera alveolada ou favos puxados. Não deve ser feito no auge de uma florada. desde o início da safra. MÉTODO DA DIVISÃO A idéia básica é. Cuidado neste ponto: o enxame movido pode tornar-se alvo de pilhagem severa. O método é aplicado da seguinte maneira: 1. Não existe método para controle da enxameação que seja totalmente garantido. 7. versatilidade e eficiência. abastecida por todas as campeiras. esse é um procedimento que ajuda a evitá-la com uma maior garantia. 3. deve-se removê-las. Redistribuir as melgueiras somente se houver mel armazenado e mover a nova colméia ao seu local de destino. sem abelhas. 4. essa colméia (e a outra também. mel ou pólen de outras colméias. Deixá-las fechadas por enquanto. ela deverá ficar com o mínimo de mel possível. mas terá capacidade quase imediata de reposição. 6. dando preferência ao que estiver operculado.Retirar da colméia original um favo com crias abertas. observar a possibilidade da existência de realeiras. As duas técnicas de controle de enxameação aqui apresentadas (divisão e Demarre). Os seus alvados devem ser diminuídos ao máximo. formar duas ou três menores. mantendo as abelhas aderentes e colocar no novo ninho. tanto para protegê-la quanto para reintroduzi-la na colméia certa. 4. enfraquece o enxame e prejudica todo o processo de produção.APISNORTE . Quando o enxame é muito grande e a identificação da rainha é muito difícil. Após alguns dias. poderá sacudir quadro-a-quadro. Essa divisão natural. 5. não havendo realeiras. A vantagem desse método é a simplicidade e rapidez com que é executado. deve-se removê-las. Se uma das colméias for movida para um local próximo. agilizando o processo de desenvolvimento. para o novo ninho ainda vazio. o xarope pode ser fornecido à noite e em pequenas quantidades. Fechar a colméia e aguardar algum tempo (30 minutos). o apicultor pode introduzir uma rainha nova para obter um desenvolvimento imediato ou deixá-la com cria e provisões suficientes para que possa produzir a sua. Uma prática recomendável é capturar a rainha antes de se proceder à divisão. é sabido que um enxame forte produz muito mais que dois enxames fracos. têm por objetivo esse triste fato.Deslocar a colméia original com a colônia que apresenta tendências a enxamear para. já que o método leva à criação de nova colônia e ainda como forma de controlar a enxameação. MÉTODO DEMAREE Este é um método se destaca por sua simplicidade. As novas colméias são depois completadas com outros quadros. Na enxameação a colônia desprende uma parte de suas abelhas que formarão uma nova colônia.

procurar ser rápido. fazendo com que elas realizem diversas atividades instintivas típicas do período de enxameação: a) mudança para a nova casa. dando preferência a alimentadores internos. se existir reserva de alimento. Completados 21 dias. a câmara inferior será o abrigo do ninho das crias. Deixar as colmeias a uma distância de pelo menos 3 metros uma da outra. Com o método Demaree engana-se as abelhas. enquanto os enxames estiverem sendo fortalecidos. b) construção de novos favos. Finalizada a operação. APIÁRIO "SANFONA" Durante o período de safra. 6. usar tela antipilhagem ou redutor de alvado e não deixar grande quantidade de mel nas colmeias.Após 7 dias completos. permitindo assim um melhor desenvolvimento do enxame. CONTROLE DA PILHAGEM A pilhagem ou saque consiste no roubo de mel das colmeias por operárias de colônias vizinhas. 5. 8. as abelhas eliminarão a rainha original. Em geral. produzirá apenas zangões. c) geração de novas rainhas. como a partir do nono dia não existem crias para serem alimentadas na câmara superior. Assim. Com certeza assim a rainha também será transferida.com. Para evitar o saque. Porém. devem-se tomar os seguintes cuidados: • • • • • • • Evitar famílias fracas no apiário e. por tempo indeterminado. Estas realeiras são formadas porque as abelhas nutrizes. as abelhas que atingem a idade de produzir geléia real só terão ocupação no ninho em formação abaixo da tela excluidora.ASSOCIAÇÃO DE APICULTORES DO NORTE DE MINAS dentro do novo ninho. não poderá descer para a parte inferior da colméia e sair para ser fecundada. Se o apicultor não destruir as realeiras. crias e estoque de alimento em cima da tela excluidora. grande quantidade de abelhas procurando entrar na colmeia pela tampa ou outras frestas e operárias mortas no chão.APISNORTE .Colocar em cima deste ninho uma tela excluidora. com uma metade da área acima da tela excluidora e a outra metade abaixo. se eventualmente entrar em postura. d) estímulo à rainha para continuar a postura. todas as crias do velho ninho nascerão e se desenvolverão naturalmente. Procedimento: CURSO BÁSICO DE APICULTURA apisnorte@hotmail. produtoras de geléia real. podendo causar até abandono dos enxames que estão sendo atacados. ocupando o lugar do quadro de cria que foi removido. Assim. ao receberem baixa quantidade de feromônios da rainha. A revisão do sétimo dia é obrigatória. podendo ser adaptado para dirigir a colônia para a produção de favos novos. repetindo-se a cada 21 dias. impedida pela tela excluidora. Pode também se for do seu interesse. 7. obtém-se o dobro do espaço do ninho das crias. Alimentar as caixas somente ao entardecer. 9. A vantagem é que o método pode ser aplicado em uma única colônia e pode ser repetido várias vezes. colocar a colméia original com os favos. Utilizar cavaletes individuais. favos com mel de xarope para alimentação de colônias fracas. A desvantagem é ser trabalhoso. Isso se consegue com a união dos enxames fracos. cuidadoso e não derramar mel ou alimento próximo às colmeias. O enxame que está sendo saqueado é facilmente identificado pela aglomeração e briga no alvado. Por ocasião do manejo ou revisão. além de equipamentos acessórios como a tela excluidora.Colocar o quadro com cera alveolada na câmara de crias da colméia original. preferindo a juventude da nova rainha. A pilhagem é um acontecimento indesejável porque aumenta a mortandade no apiário. novamente. Diminuir o número de colmeias no apiário. Como resultado. a nova rainha que nascerá no ninho superior. o criador pode remover este ninho aproveitando os favos bons em outras colmeias ou simplesmente processando a cera. todas as abelhas do ninho superior já terão nascido. por estarem distantes. um apiário menor mas com enxames maiores e mais produtivo é mais vantajoso sob os aspectos de rendimento e mão-de-obra empregada. retirar a tela excluidora e aumentar o espaço de postura.Fornecer alimentação artificial para estimular a construção dos favos novos na câmara de crias inferior. E um método dinâmico e flexível. reagem no sentido de substituir a rainha.br 29 . fazer uma revisão eliminando todas as realeiras que existirem na câmara superior. Identificar as colmeias saqueadoras e trocar a rainha. exigindo diversas visitas e manipulações.Recolocar a melgueira sobre os dois ninhos. enxames fracos são atacados por enxames fortes. Se isto ocorrer. favos exclusivamente com crias operculadas. acima da tela excluidora.

seleciona suas galinhas mais produtoras de ovos e preserva-as como verdadeiras "matrizes" e aquelas que põem poucos ovos. ao mesmo tempo em que preserva a força de todos os seus enxames. • • Para que o apicultor consiga repor os enxames que foram subtraídos do apiário pelas uniões. que o híbrido é incapaz de transmitir as suas características para os seus descendentes. sem nem terem consciência de que. eles matam para comer. Os galos mais vistosos. No entanto. é hora de fazer as divisões (apenas as possíveis e necessárias). nada mais é que uma seleção "massal". substituir as rainhas do restante das colméias novas e providenciar alimentação para todas as colméias que precisarem. No início da próxima safra. Nesse momento. africanizada. podem ser adquiridas boas rainhas para os novos enxames. Também no início da safra. 2) Compensar as perdas das uniões com capturas de enxames. com mais colméias na entressafra e menos colméias na safra.APISNORTE . as colméias devem ser mantidas bem alimentadas. mesmo sendo alimentados abundantemente. o pequeno produtor aumenta a produção de ovos ano a ano e sempre tem em seu quintal galinhas boas produtoras e saudáveis. preservados e criados com todo esmero. teremos um apiário do tipo "sanfona". Algumas pessoas não recomendam a seleção por parte do apicultor dos seus melhores enxames para matrizes reprodutivas.ASSOCIAÇÃO DE APICULTORES DO NORTE DE MINAS • • • • No início da safra (florada grande e duradoura). Interessante que muitas pessoas fazem uso do melhoramento genético animal e vegetal em fazendas. 1) A divisão dos enxames ao final da safra. roças. Um exemplo de um simples melhoramento genético doméstico é o Sr. instalados na natureza ou com caixas-isca. isso parece meio incoerente. "criador de galinhas". É importante também atentar para o fato de que divisões de enxames que não sejam muito grandes podem resultar em frustração. podem-se combinar as duas formas acima. chácaras. após a última colheita. Muito cuidado com o manejo neste momento: é o período crítico para pilhagem das abelhas. unido novamente todos os enxames fracos. vindas de fora do território nacional. imponentes e parceiros das galinhas "matrizes" também são selecionados. as colméias (pelo menos as menores) devem receber alimentação estimulante. A união dos dois. SELEÇÃO E MELHORAMENTO O melhoramento genético precisa ser feito sempre buscando características desejáveis ao aumento da produção. Durante a entressafra. através de acasalamentos livres naturais. podendo até abandonar a colméia ou demorarem demais a se recuperar. energética e protéica. tentando equilibrar a força dos enxames resultantes e preservar as rainhas melhores e/ou mais jovens. mestiça. unir os enxames segundo o critério de tamanho: 2 médios. Outra razão é que enxames capturados em caixas-isca se desenvolvem muito rapidamente durante uma boa florada. Num programa de seleção massal devemos contar com um bom número de colmeias matrizes para evitar os problemas de consangüinidade. preserva a rainha mais jovem e vigorosa e a força de trabalhos de todas as abelhas. isso ocorrerá se os enxames resultantes forem muito pequenos. ainda remove enxames da natureza que posteriormente fariam concorrência aos seus. recomeça o ciclo. por acreditar que não pode haver melhoramento genético a partir de híbridos. no entanto. em suporte ou cavalete duplo. sendo importante que as colônias selecionadas também produzam zangões para que haja a possibilidade de acasalamentos de rainhas e zangões portadores dos melhores genes. facilidade no manejo e resistência a doenças. Para isso. José. é comum conseguir-se capturas durante a safra. Na prática. num período de maior disponibilidade para aquisição de rainhas. Há duas tendências que podem ser seguidas: 1) Na apicultura brasileira. Desta forma. quando as capturas não ocorrerem em quantidade suficiente. Dois meses antes da nova safra. A variabilidade do CURSO BÁSICO DE APICULTURA apisnorte@hotmail. as novas colméias podem ser colocadas ao lado das produtivas. há duas alternativas. 3 ou 4 fracos. de forma a manter a lotação original do apiário. dois enxames com rainhas em franca postura. Isso é preferível porque. Todas as colméias fortes podem ser divididas. freqüentemente é difícil encontrar rainhas à venda. À medida que as capturas forem ocorrendo. Obs. 2) Utilizar as colônias que apresentarem boas características como matrizes para produção de rainhas. tendo em vista que a população de abelhas melíficas no Brasil hoje é em grande parte híbrida. No final da safra.com. fundos de quintal. pense da seguinte forma. conseguirão um número de operárias bem maior num mesmo espaço de tempo. preparar e distribuir as caixas-isca para as capturas.: A divisão depois a união. aquilo que eles estão fazendo. ao longo do ano. Isso facilitará bastante uma eventual união no futuro. este melhoramento pode ser feito com a introdução de rainhas de raça pura selecionadas. somente a introdução de dessas rainhas podem trazem um melhoramento genético. é preciso ficar atento para o fato que no final da safra. Além disso. Trabalhando dessa forma. Sendo assim.br 30 . (Note que apenas as colméias novas recebem rainhas novas).

para o melhoramento genético é fundamental a presença do zangão com as características desejadas. a norma vigente considera melato também o néctar extrafloral. acredita-se que os nectários extraflorais ajudem a proteger as plantas. Flora Apícola e Inimigos das abelhas. Esse fenômeno pode acontecer mesmo com mel totalmente operculado. que as abelhas recolhem. Como a operação de colheita é trabalhosa. do Ministério da Agricultura. mas nada impede que o mel seja colhido aos poucos. embora grande parte dos néctares esteja na faixa de 30-40%. ele tende a absorver água rapidamente quando exposto a um ambiente úmido.: O Zangão é um indivíduo haplóide. freqüentemente (mas não sempre) nas suas flores.apicultura. QUAL É O PERCENTUAL DE UMIDADE SEGURO PARA O MEL? CURSO BÁSICO DE APICULTURA apisnorte@hotmail. uma planta rasteira.br/apifaq. é uma substância produzida pelas abelhas a partir de secreções de plantas (o néctar) ou de determinados insetos (o pseudonéctar) e da adição de algumas substâncias por elas mesmas produzidas (enzimas. isto é. Uma rainha fecundada naturalmente se acasala com 10 a 20 zangões e. glicose e frutose) em água em proporção que varia de 3 a 87%. Por exemplo. armazenam e deixam madurar nos favos da colméia".APISNORTE .br 31 . Enquanto os nectários florais ajudam na reprodução das plantas. outros produtos apícolas. Antes disso. embora os textos clássicos tendam a diferenciar uma coisa de outra. O QUE É O NÉCTAR? Néctar é uma solução de açúcares (principalmente sacarose. a partir do néctar das flores ou das secreções procedentes de partes vivas das plantas ou de excreções de insetos sugadores de plantas que ficam sobre partes vivas de plantas. com o objetivo de abordar de forma simples alguns dos principais questionamentos sobre esses temas. higiene etc. como cochonilhas e pulgões. Tal qual se apresenta no endereço http://www. mel é "o produto alimentício produzido pelas abelhas melíferas. a permanência do mel na colméia por longo tempo pode levar à sua reidratação. o mel estará "maduro" para ser colhido. O néctar é produzido no nectário. haverá mais ou menos abelhas com a carga genética preestabelecida. porém. independente da raça. atraindo insetos e outros animais que acabam acidentalmente polinizando as flores. Sendo assim possui sua carga genética 100% pura. que determinam o seu aroma. produção. especialmente na Europa. transformam. Obs. Em alguns lugares. QUANDO O MEL ESTÁ PRONTO PARA SER COLHIDO? Assim que o favo for operculado. ele é considerado de segunda linha. ele é chamado de mel "verde". é uma substância doce produzido por alguns insetos que vivem em plantas. tem menor probabilidade de ser consumida por algum animal herbívoro que passe por perto. 2ª PARTE A Segunda parte desta apostila é apresentada com perguntas e respostas sobre quatro temas: o mel e a colheita. descende somente da rainha. combinam com substâncias específicas próprias. por exemplo). em outros. O mel de melato é normalmente mais escuro e menos ácido do que o mel de néctar. Daí a necessidade de se fazer seleção utilizando-se rainhas e zangões das melhores colônias. publicado pelo professor em apicultura João Campos. quando carregada de formigas coletoras de néctar.ASSOCIAÇÃO DE APICULTORES DO NORTE DE MINAS comportamento será proporcional às características dos enxames selecionados (mansidão. sabor e características nutritivas (e tóxicas.com. e possui menos frutose e glicose e mais maltose e outros açúcares complexos. o mel de melato é muito valorizado. um órgão presente em muitas plantas. em pequenas quantidades. isto é. desidratada e armazenada nos favos da colméia. significando que a sua umidade ainda está muito alta. Esses insetos sugam a seiva elaborada das plantas em busca de açúcar e quanto o tem em abundância. Aliás. em alguns casos). também chamado de pseudonéctar. No caso 2. nos chamados nectários extraflorais. os apicultores muitas vezes preferem esperar o final da safra para fazê-la de uma única vez. No Brasil.com. excretam o excesso.). O QUE É MELATO? Melato. Em outras palavras. Ele contém ainda diversas outras substâncias complexas. pois o mel é um produto altamente higroscópico. pois a cera é permeável à umidade. O NÉCTAR PODE SER PRODUZIDO FORA DAS FLORES? Sim. provém de um ovo não fecundado e em conseqüência disto. dependendo do tipo de acasalamento. O MEL E A COLHEITA Segundo o Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (DIPOA).

E ela é bem ilustrada pela recomendação "empilhe as melgueiras no início da safra e vá pescar". atribuída ao pesquisador Tibor Szabo. mel que ainda não atingiu o nível de umidade ideal (ao redor de 18%). no início da safra. a opção pela colocação de um grande número de melgueiras. a colheita de favos desoperculados deve ser evitada. devolvendo-os vazios logo em seguida. Na pesquisa mencionada no item anterior. pois a colheita e a extração envolvem uma porção de procedimentos de preparação e conclusão. admite umidade máxima de 20%. o estudo. pode-se presumir que duas colheitas por safra é o número ideal. No entanto. Por este resultado. no máximo. dado o tempo de recuperação muito maior destas. Uma boa idéia é preparar as melgueiras e redistribuir os quadros na revisão anterior à colheita. o empilhamento de mais de uma não traz nenhum benefício. pode-se imaginar que talvez o impacto nas africanizadas seja ainda maior. O Regulamento Técnico de Identidade e Qualidade do Mel. o ideal seria colher com freqüência apenas os favos totalmente operculados. mas com um detalhe importante: todos os quadros devem ter favos puxados. devem ser colocadas todas de uma só vez. Um outro estudo conduzido por ele chegou à conclusão que manejos freqüentes na colméia durante a safra podem acarretar a perda (não-acúmulo. 116 kg com quatro colheitas e 106 kg com uma colheita. Além disso. para elas chegarem vazias ao local de processamento. uma melgueira vazia logo acima do ninho em plena safra. isto é. o número de melgueiras colocadas e a freqüência de retirada do mel. E. devido às perturbações causadas. quanto mais freqüente for a retirada do mel. Grande parte dos apicultores recomenda a colocação progressiva das melgueiras. Dessas melgueiras. para diminuir o trânsito desde o recebimento do néctar até a sua armazenagem. pelo excesso de estresse induzido. outras colheitas podem ser necessárias. A lógica por trás dessa idéia é que.8 kg de mel.com. Um dos motivos seria evitar um desequilíbrio térmico da colméia com o aumento súbito e elevado de espaço vazio. que teriam de ser repetidos muitas vezes nessa técnica. No que diz respeito à freqüência de colheita. No caso de melgueiras com cera alveolada. Assim. COMO COLOCAR MELGUEIRAS COM 8 OU 9 QUADROS? CURSO BÁSICO DE APICULTURA apisnorte@hotmail. com favos puxados. tornando a colméia mais produtiva neste aspecto. obteve a produção de 142 kg com duas colheitas. COM QUE FREQÜÊNCIA O MEL DEVE SER COLHIDO? O mais comum é fazer-se uma colheita de melgueiras cheias. tão logo elas estejam em número significativo no apiário. em número suficiente para acumular uns 30-50 kg de mel. e é possível que o número de melgueiras empilhadas não faça diferença somente a partir de determinado patamar. caso não haja tela excluidora. Parte dos apicultores acredita que uma nova melgueira deve ser colocada logo acima do ninho (e abaixo das já existentes). de forma a já deixar as melgueiras prontas no topo das colméias. Até 19%. o mesmo estudo concluiu que um número maior de melgueiras estava associado a uma umidade menor do mel colhido. Como um nível alto de umidade está associado a um grande risco de fermentação.APISNORTE . Por outro lado. o número de melgueiras adicionadas no início da safra não teve influência significativa na produção. Se a florada continuar. investigou o impacto de três variáveis na qualidade e na quantidade do mel produzido: a idade da rainha. há uma corrente que prega que. que foi realizado em 36 colméias. são colhidas as melgueiras que possuem todos ou quase todos os favos totalmente operculados. pode estimular a rainha a pôr ovos ali. tem a minha total simpatia. EM QUE CONDIÇÕES O MEL PODE SER COLHIDO? Normalmente. Isso evitaria em parte o desequilíbrio térmico e facilitaria a imediata deposição de néctar. pelo menos em quantidade significativa. além disso.ASSOCIAÇÃO DE APICULTORES DO NORTE DE MINAS Um percentual de 17% é tido como muito seguro. Nesse caso. pela percepção de tantos favos vazios. Um estudo canadense. fixadas e transportadas. ONDE DEVE SER COLOCADA UMA NOVA MELGUEIRA? Aqui também há discussão. As melgueiras são então empilhadas. adicionando a seguinte apenas depois de alguns quadros da atual já estarem cheios. ao mesmo tempo em que estimularia as abelhas a trabalhar mais. Favos desoperculados contém “mel verde”. percebendo a falta de mel. e não cera alveolada. um resultado de grande interesse para o apicultor. No entanto. mais mel será produzido. QUANTAS MELGUEIRAS DEVEM SER COLOCADAS NO INÍCIO DA SAFRA? Também aqui há alguma polêmica. 18% de umidade.br 32 . Outros apicultores defendem que as melgueiras. Não há dúvida que aumenta muito o trabalho. na verdade) de até 3. um número excessivo de colheitas pode prejudicar o desempenho da colméia. As diretrizes do IBD (Instituto Biodinâmico) para mel orgânico admitem. o experimento usou muitas melgueiras empilhadas por colméia. procura-se remover o máximo possível de abelhas. o mel é razoavelmente seguro. da ordem de cinco a quinze. do MAPA/SDA/DIPOA. do Canadá. Como esse estudo foi efetuado com européias. mais abelhas se dediquem à coleta de néctar. Já outros entendem que o resultado dessa técnica não compensa o trabalho de remoção das melgueiras existentes para a colocação da nova. a partir daí o risco de fermentação começa a ser significativo.

Há algumas outras ferramentas de desoperculação. o que ajuda a cortar a cera. ou as abelhas acabarão conseguindo achar o caminho de volta à melgueira. Mas é. a cera dos favos pode amolecer. Por isso. o passo seguinte é o acabamento. para que o favo possa ser reaproveitado. os quadros já podem ser devolvidos em número menor nas melgueiras. Esse método é demorado. cria aberta ou fechada.br 33 . alinhe as melgueiras. mas isso não funciona direito. sem dúvida a mais confortável para abelhas e apicultores. Quando a temperatura ambiente está alta demais. introduzido-o por baixo da cobertura e levantado com cuidado para não ferir muito os alvéolos. entre as lâminas. A técnica que eu prefiro é a que emprega a tábua de escape. a partir de lâminas de cera alveolada. Depois da primeira centrifugação. como um rolete cheio de pontas. COMO É FEITA A DESOPERCULAÇÃO DOS FAVOS? O método manual é com faca e garfo. mas eles normalmente se destinam a grandes produtores ou entrepostos. Um detalhe importante é que a tábua de escape não pode ficar muitos dias na colméia. de forma que as abelhas aderentes caiam dentro ou próximo da colméia. Essa técnica tem a desvantagem de exigir duas viagens ao apiário. Essa tábua deve ser introduzida logo abaixo das melgueiras a serem colhidas. porém.APISNORTE . apoiado na mesa desoperculadora ou num recipiente que recolha o mel que escorre. o que facilita muito a desoperculação. Como a faca normalmente não é suficiente para fazer um trabalho completo (a não ser com favos gordos e perfeitos). que fica a maior parte do tempo fechada na parte superior e inferior. procure lavar rapidamente o mel e remova o que for possível para um lugar fechado. como uma bandeja. Depois o favo é levado para uma caixa auxiliar. As pilhas amarradas devem resistir aos solavancos. A tábua de escape também é menos eficaz quando há mel desoperculado nas melgueiras e. As abelhas então apenas depositarão mel e estenderão os alvéolos até atingir o espaço normal entre dois favos de mel (6 a 9 mm). curvas e freadas. o melhor é começar com a produção de 10 favos normais. é preciso considerar também a possibilidade de quebra dos favos. com escovas ou lâminas que removem os opérculos. e amarrá-las em pelo menos dois pontos. A chegada de uma nuvem de abelhas em poucos minutos pode transformar qualquer lugar num ambiente assustador. que recolha a cera retirada e o mel que escorre. CURSO BÁSICO DE APICULTURA apisnorte@hotmail. Uma forma bastante usada lá fora para remover as abelhas é por meio de um soprador. e a faca é passada logo abaixo da cobertura. com um serrilhado bem largo e afiado. Há também desoperculadores motorizados. Alguns apicultores usam uma faca especial de desoperculação que é aquecida eletricamente. eles não podem ser espaçados além do normal. tanto em relação à segurança das pessoas. Se forem usados menos quadros com lâminas. economia de quadros e a produção de favos mais profundos. as melgueiras devem ser transportadas. diretamente do apiário a um lugar inacessível às abelhas. Lembre-se que um acidente com melgueiras não significa apenas mel perdido. Cada um deles é sacudido e depois varrido. O quadro é mantido quase na vertical. mas já soube de alguns apicultores que usaram algumas improvisações: a saída de um aspirador de pó. que é muito mais rápido e eficiente que a vassourinha. Melgueiras cheias são muito pesadas e deslizam facilmente umas sobre as outras. Para diminuir o risco de quebra.com. porque as abelhas podem finalizar os favos centrais antes mesmo de começar a puxar os da extremidade.ASSOCIAÇÃO DE APICULTORES DO NORTE DE MINAS A idéia de se usar melgueiras com 8 ou 9 quadros ao invés de 10 permite um melhor aproveitamento do espaço da caixa. o quadro deve deitado (com as faces na horizontal). A faca deve ser do tipo "serrote de pão". mas não são muito populares. trabalhoso e muito estressante para as abelhas. e a faca não a cortará direito. Quando o caminho for muito ruim. Alguns apicultores iniciam com nove quadros agrupados e vão separando-os à medida que os favos vão sendo puxados. sempre que possível. Mesmo melgueiras em bom estado não devem ser deixadas ao ar livre por muito tempo. de forma a remover as tampas sem prejudicar demais os alvéolos. Para isso. Nunca vi nenhum específico a venda por aqui. apoiado numa lateral pequena. embora eles sejam mais frágeis e sujeitos a quebras e esmagamentos durante o transporte. especialmente quando eles são usados em quantidade inferior à máxima (8 ou 9 na Langstroth). um soprador de folhas ou um compressor de ar. as abelhas saem da melgueira e dificilmente conseguem voltar. Isso evitará o movimento de pêndulo dos quadros nas freadas e arrancadas. de forma que a sua lateral maior fique no mesmo sentido que o veículo. ou as abelhas construirão favos intermediários. Utiliza-se então o garfo desoperculador nas duas faces. COMO AS ABELHAS SÃO RETIRADAS DAS MELGUEIRAS? A maneira mais simples é pela varredura dos quadros. Caso aconteça um acidente. COMO AS MELGUEIRAS DEVEM SER TRANSPORTADAS? Essa é uma preocupação importante. Para evitar esse problema. Por essa tábua. o que transforma a colheita num verdadeiro passeio. e dificilmente pode ser empregada por quem possui muitas colméias. com 48 horas de antecedência. Para usar essa técnica. muito especialmente. quanto à integridade dos favos. Essa operação pode ser feita numa mesa desoperculadora ou mesmo sobre um recipiente largo. você pode utilizar dois pedaços de cantoneiras metálicas (alumínio é melhor) em cantos opostos da pilha.

mas dá um resultado muito melhor. CURSO BÁSICO DE APICULTURA apisnorte@hotmail. A terceira alternativa. Aumentar a temperatura do ambiente e desumidificá-lo (com um aquecedor de banheiro. Eles ficam apoiados no "cesto" da centrífuga. Na facial. 2. formando assim uma espécie de rede de proteção ao favo. ou devolvendo-as às colméias. No decorrer da centrifugação.br 34 . só é uma fórmula viável para uma colheita muito pequena. pode ser preferível ao seu esmagamento. A primeira forma resulta em muitas brigas. favos inteiros. é usar quadros inteiros sem arame. Embora nela haja também uma face privilegiada de cada favo. mas numa centrífuga facial ele envolve pelo menos uma fase a mais. na posição vertical. Há modelos com telas que aparam a cera removida e já fazem uma pré-filtragem do mel. A segunda forma é mais trabalhosa e exige mais cuidado. a centrifugação só consegue remover o mel da face que está voltada para a parede. Esse procedimento é especialmente recomendável para a última colheita da safra. 3. os favos vão ficando mais leves e a velocidade pode ser aumentada gradualmente. mortes e. os favos ficam com uma face voltada para a parede da centrífuga e a outra para o eixo. O QUE SÃO CENTRÍFUGAS RADIAL E FACIAL? Os nomes se referem à posição em que os quadros são colocados no cesto. a reversão não precisa ser feita. mais lenta e cuidadosa. que gira junto com o eixo. O QUE FAZER COM AS MELGUEIRAS APÓS A EXTRAÇÃO? Elas devem ser devolvidas às abelhas. Para isso. Uma alternativa interessante é devolver todas as melgueiras a umas poucas colméias. por onde o mel passa para ser filtrado. um fundo inclinado para facilitar o escorrimento do mel e uma saída. o mel vai sendo extraído. é bom prever esse problema antes de preparar e colocar as melgueiras. porque permite o reaproveitamento posterior do favo. Nesse caso. Na centrífuga radial. que limparão todos os resíduos de mel e deixarão os favos prontos para serem usados novamente ou guardados até a próxima safra. talvez. Nesse caso. ela só é possível se o quadro não tiver sido aramado. e depois a outra).com. Há duas formas de devolver as melgueiras: empilhando-as em zig-zag a uns 100 metros do apiário. pilhagem. noite ou amanhecer). a melhor opção é adquirir formas especiais e adaptá-las nos quadros das melgueiras. ou seja. Na posição facial. se você não possui centrífuga. Também pode facilitar a transmissão de doenças entre as colméias. eles ficam alinhados com o raio. Mesmo assim. não conhece ninguém que possua e não está pensando em adquirir uma. Espremer o favo é uma maneira perfeita de inutilizá-lo para as abelhas e obter um mel cheio de impurezas. o processo é exatamente assim. quando vistos de cima. Inicialmente. pois os favos sofrem uma força perpendicular sobre sua face. Com uma boa amarração. é um tanque com um apoio para os quadros. Deixar o mel escorrer é o procedimento ideal. se for a única solução possível. com as caixas bem limpas por fora. só pode ser feito em recipientes grandes (os favos devem ser desoperculados e deixados com uma face voltada para baixo. COMO É FEITA A CENTRIFUGAÇÃO DOS QUADROS? Os quadros são colocados numa centrífuga. a inclinação natural dos alvéolos garante que ambas as faces serão igualmente esgotadas. e por isso o quadro deve ser virado. mas diversos outros insetos aparecem para comer o mel ou depositar ovos nos favos. Numa centrífuga radial. o favo geralmente poderá ser centrifugado sem problemas.APISNORTE .ASSOCIAÇÃO DE APICULTORES DO NORTE DE MINAS O QUE É UMA MESA DESOPERCULADORA? Basicamente. 1. para que o resto do mel seja extraído. e o mel pode acabar absorvendo umidade do meio por higroscópia. tente fazê-lo da forma mais higiênica possível. O fio deve ser amarrado a uma extremidade do quadro e depois enrolado sobre ele em ida e volta. Infelizmente. Além disso. Também é um procedimento demorado. pois os favos estão pesados de mel e podem romper-se com facilidade. Na centrífuga radial. o processamento do mel complica-se bastante. A centrífuga facial requer um cuidado maior na operação. deixe-o para o final e faça uma centrifugação só dos quebrados. espremê-lo ou guardá-lo inteiro (ou em pedaços). a velocidade da centrífuga deve ser pequena. a devolução deve ser feita em horário calmo das abelhas (final da tarde. que é muito frágil. Outra saída. os quadros lembram fatias de um bolo redondo. No entanto. de forma a minimizar a perturbação no apiário. para não estimular os saques. a reversão dos quadros. Em caso de dúvida. COMO EXTRAIR O MEL SEM A CENTRÍFUGA? Sem uma centrífuga. pelo menos uma vez. Essa amarração pode ser feita com fio de nylon ou de arame fino. normalmente há três alternativas para o favo: deixar o mel escorrer. COMO CENTRIFUGAR FAVOS QUEBRADOS? Os favos quebrados devem ser desoperculados do jeito que for possível e depois amarrados ao quadro. Assim. até que os respingos de mel na parede interna da centrífuga cessem. por exemplo) vai acelerar o processo e diminuir o risco. No entanto. não apenas abelhas.

retiram o favo do quadro. a segunda etapa só é possível com decantador. o mel é passado para as embalagens através da torneira. No preço final do produto deve ser considerada também a cera que foi produzida e estará sendo vendida junto. é claro. No centro dessas formas é colocado um pedaço de cera alveolada. Alguns apicultores. mas informar muito bem seus consumidores. mas não acredite em testes populares. cortando-o pelas beiradas. como o do palito de fósforo. o mel deve ser passado por uma peneira fina.APISNORTE . acima de determinado nível. Naturalmente.geralmente três por quadro. junto com o escurecimento do mel. dividem o favo em três ou mais pedaços. Após a colheita. é apenas um indicativo de má qualidade do mel. O mel é deixado nele por alguns dias (uma semana. HÁ UM MODO SIMPLES DE DESCOBRIR SE O MEL É ADULTERADO? Não. Cada 10 ºC a mais de temperatura aumentam a velocidade de produção de HMF em cerca de 4. A sua presença. que deve ser de corte rápido. qualquer pessoa com razoável experiência de consumo de mel pode suspeitar da sua qualidade. leva apenas 20 dias a 40 ºC. 4 dias a 50 ºC e 1 dia a 60 ºC. de forma a conquistar a sua confiança e aumentar a sua capacidade de discernimento. por exemplo. Em relação à temperatura de armazenagem. deixam-nos escorrer por algum tempo e depois embalamnos. assim como a destruição das enzimas presentes no mel. A faixa ideal de temperatura para a fermentação do mel é de 11 a 21 ºC. É um processo muito mais simples e limpo que a centrifugação. As enzimas são responsáveis pela transformação de substâncias doces colhidas na natureza em mel. Um outro tipo de adulteração é feito com o fornecimento de xarope às abelhas e colheita do que as abelhas estocam. que variam conforme a espécie de origem. usam quadros comuns.br 35 . como se fosse mel. mas possui um público alvo bastante restrito. exceto bem no final. O HMF É PREJUDICIAL À SAÚDE HUMANA? Não na proporção encontrada no mel. Quando a adulteração é grosseira. há alguns parâmetros pré-definidos. na minha opinião já embute uma tentativa de engodo (pois não é mel). isso é vendido como "mel expresso". superaquecimento ou longa estocagem. Em alguns casos. o mel que passa por ela é o mais puro possível. que será puxado. embora seja sutilmente diferenciada da denominação simples de "mel". o ideal é que ela esteja abaixo de 11 ºC. A seguir. na falta de fôrmas. por adulteração. A faixa ideal de temperatura para a cristalização do mel é de 10 a 18 ºC. Para o apicultor. Não fica com uma apresentação tão boa quanto os favos enformados. pois nessa faixa a probabilidade de fermentação é baixa e a formação de HMF é muito lenta. COMO O MEL DEVE SER ARMAZENADO? Em recipientes próprios para produtos alimentícios. Podem-se usar fôrmas especialmente feitas para serem encaixadas nos quadros de melgueira . É POSSÍVEL IDENTIFICAR A ORIGEM FLORAL DE UM MEL? No caso de méis monoflorais.ASSOCIAÇÃO DE APICULTORES DO NORTE DE MINAS O QUE É FEITO DO MEL APÓS A CENTRIFUGAÇÃO? Primeiro. 14 ºC. enchido e operculado normalmente pelas abelhas. Por exemplo. um aumento que leva 100 dias para ocorrer a 30 ºC. como açúcar invertido. A partir de 21 ºC a produção de HMF se acelera. É POSSÍVEL PRODUZIR MEL EM FAVO? É claro que sim.com. COMO O MEL É ADULTERADO? Ele pode ser misturado a outras substâncias doces.5 vezes. hermeticamente fechados. para que as impurezas que sobraram da filtragem se depositem no fundo ou subam à superfície (junto com as bolhas de ar). o que. por exemplo). especialmente. O QUE É UM DECANTADOR? É um tanque com tampa e torneira. Depois desse período. é importante não apenas produzir da maneira correta. o ideal é deixá-lo decantando por alguns dias e só depois embalá-lo. embora muitos apicultores refiram-se a elas como grandes vantagens do mel. AS ENZIMAS SÃO BENÉFICAS À SAÚDE HUMANA? Não há evidências disso. A melhor forma de não adquirir mel adulterado é encontrar um fornecedor confiável. Após a colheita. basta desencaixar as fôrmas e embalá-las. Como essa torneira se localiza um pouco acima do fundo. e a sua ausência também é um indicativo de má qualidade do produto. sem arames. Várias análises CURSO BÁSICO DE APICULTURA apisnorte@hotmail.

e por isso.ASSOCIAÇÃO DE APICULTORES DO NORTE DE MINAS são necessárias. recomenda-se que o derretimento do mel cristalizado seja feito numa temperatura mais baixa (cerca de 40 ºC). ou mesmo fora dela. Os núcleos podem ser impurezas microscópicas. provocadas pelo apicultor durante a colheita e extração do mel. Veja uma versão simplificada: CURSO BÁSICO DE APICULTURA apisnorte@hotmail. Além disso. pode retornar à estabilidade através da cristalização. Na superfície. que posteriormente serviriam de núcleos para a cristalização.58 (por exemplo. que se transforma em monoidrato de glicose e toma a forma de cristal. formando um agrupamento mais sólido e grosseiro. para expelir pequenas bolhas de ar e derreter os cristais microscópicos. Quanto mais alta for a temperatura. Altas temperaturas. imobilizando os outros componentes do mel e levando a mistura a um estado semi-sólido. outras contaminações polínicas podem ocorrer dentro da própria colméia. assim como a condutividade e o espectro de açúcares. Uma relação de 2. a relação entre a sua quantidade e a de água no mel é que determina se o mel cristalizará ou não. Já a análise polínica é. uma relação glicose/água de 1. POR QUE O MEL CRISTALIZA? O mel é uma solução supersaturada de açúcar. e para permitir o bombeamento do mel e a sua filtragem sob pressão.24.APISNORTE . que facilita o seu consumo de todas as formas possíveis. os cristais depositam-se no fundo do recipiente. COMO DESCRISTALIZAR O MEL? A descristalização do mel deve ser feita com o aumento da temperatura. um mel que tenha sido perfeitamente filtrado e previamente aquecido (para que até os menores cristais sejam desfeitos) demorará muito mais a cristalizar. não despedaça pães e bolos e dissolve-se facilmente em líquidos. em banho-maria. o risco de fermentação não cresce. aproximadamente. a baixa temperatura e sem adição de nenhuma substância. Ele também é mais estável que o mel comum e não forma cristalizações parciais e grosseiras. porém. etc. após se desencadear. como não há separação de uma parte mais líquida. pela manipulação do néctar e do pólen pelas abelhas. Temperaturas abaixo de 10 ºC e acima de 21 ºC inibem ou retardam bastante a cristalização. Quando a proporção de glicose no mel é baixa.98.br 36 . Isso faz da solução uma mistura instável. análise de contagem e identificação dos grãos de pólen presentes (análise polínica ou melissopalinológica). por exemplo. para inativar os fermentos existentes (e evitar uma futura fermentação). Muitas plantas que produzem néctar em abundância não têm o seu pólen coletado pelas abelhas (nem acidentalmente). e devem ser rigorosamente evitadas. ocasionalmente. com uma consistência mais homogênea. pouco confiável. que é muito mais propensa à fermentação que a forma líquida original. a identificação precisa das fontes é muito difícil. Por essa razão. porém. e ela. Já quando a proporção de glicose é alta. é transformá-lo em mel cremoso.). O mel cremoso é muito fácil de ser manuseado com colher e espátula. Essa indução é puramente mecânica. com relação de 1. Por exemplo. Industrialmente. um mel com 17% de umidade e 27% de glicose) não cristalizará. análise da condutividade (cujo resultado depende da quantidade de minerais presentes no mel). o mel é aquecido por pouco tempo a temperaturas entre 60 e 70 ºC. No uso doméstico. uma cristalização grosseira e parcial do mel está freqüentemente associada a um início de fermentação. para a comprovação da condição de monofloral de um mel. O QUE É MEL CREMOSO? É um mel que foi induzido a uma cristalização fina e homogênea. frutose. enquanto outras possibilitam uma contaminação pesada do néctar. O processo. prossegue até que o ponto de equilíbrio da solução seja atingido ou até que o mel seja exposto a uma temperatura imprópria à cristalização. Além disso. com agitação freqüente. A temperatura de 14 ºC é a ideal para a cristalização. Uma determinada cor pode resultar de inúmeras misturas diferentes de néctar. maltose. pois escorre lentamente. Isto ocorre com a perda de água por parte da glicose. bolhas de ar ou cristais incipientes. depende da presença de "núcleos" para iniciar-se. de 2. Nesse caso. enquanto outro. grãos de pólen. partículas de cera. no entanto. No caso de méis multiflorais.16 deve provocar uma cristalização total e mole. provavelmente cristalizará até a metade do recipiente. O mel cremoso possui a consistência que o nome indica e o aspecto parecido com o do doce de leite. Como o açúcar responsável pela cristalização é a glicose. mais rápido será a descristalização. análise do espectro de açúcares (a proporção de glicose. deve provocar uma cristalização total e dura. a cristalização forma uma espécie de rede. por natureza. COMO OCORRE A CRISTALIZAÇÃO? A cristalização. destroem muitas propriedades do mel. forma-se uma mistura mais rica em frutose e água. De qualquer forma. análise de cor. A velocidade de cristalização depende da quantidade de núcleos existentes. além da relação glicose/água. o que preserva todas as qualidades do mel.com. enquanto outra. nem todo mel cristaliza. COMO SE PRODUZ MEL CREMOSO? Há várias receitas disponíveis na Internet e em livros de apicultura. embora mais denso. melhor que superaquecer o mel ou descristalizá-lo. a velocidade depende também da temperatura de armazenagem do mel. Por exemplo. em conjunto. Entretanto. o que significa que há mais açúcar dissolvido na água que normalmente seria possível manter-se.

Isso é feito por algumas empresas nacionais (como o IBD) e estrangeiras (como a IMO). ao menos supostamente. mais ou menos. Um dos critérios é virtualmente impraticável: o raio de 3 km sem lavouras convencionais (isso dá uma área de quase 3 mil hectares). como a permissão de acrescentar "chá de camomila" e "sal" à alimentação artificial das abelhas. pode ser uma boa alternativa. devem ser deixados em repouso numa temperatura o mais próxima possível de 14 °C. e o seu eventual consumo deve ser combinado com o médico e considerado com a mesma cautela dispensada aos demais carboidratos. como a proibição do uso de pesticidas no apiário e imediações. Atendidas suficientemente todas as exigências. Induzir um início de cristalização num pote de mel. 3. Quanto maior a relação glicose/água. Para garantia da manutenção da qualidade. por exemplo. Depois. o botulismo é uma doença grave. o mel já terá atingido a consistência definitiva. Elas enviam inspetores que analisam tecnicamente as condições do apiário e sugerem adequações para a conversão do apiário convencional em orgânico.br 37 . mais fina e mais rápida será a cristalização. Para isso. todos os demais podem ser feitos a partir de pequenas porções dele como "semente". No entanto. BEBÊS PODEM COMER MEL? Bebês de até um ano de idade não devem comer mel. Após a produção do primeiro mel cremoso. identificando-o como orgânico perante os consumidores. COMO SE PRODUZ MEL ORGÂNICO? Para produzir um mel que possa receber o título de "orgânico". OUTROS PRODUTOS APÍCOLAS CURSO BÁSICO DE APICULTURA apisnorte@hotmail. proibição de determinados medicamentos. critérios para alimentação artificial e extração do mel. Neste momento. a fim de garantir a rastreabilidade do produto. com os batedores de bolo (aqueles em forma de mola). proibição de lavouras de manejo convencional num raio de 3 km do apiário. o mel adquire uma aparência de xampu.colocar o mel no refrigerador e retirá-lo diversas vezes. por relatos de apicultores certificados. a empresa certificadora repete a inspeção pelo menos uma vez por ano. aquele que for certificado terá uma probabilidade maior de ser isento de impurezas e contaminações indesejáveis. Não há evidências de que o mel seja mais ou menos seguro para os diabéticos. a empresa certificará o apiário. Essa certificação dá ao apicultor o direito de usar um selo especial (próprio de cada empresa certificadora) no seu produto. que até mesmo pode causar a morte. o ideal é deixar o mel descansando a uma temperatura de 14ºC. como para todos os produtos orgânicos. Esses potes. qualificam-no como um produto isento de contaminações químicas e biológicas indesejáveis. O QUE É MEL ORGÂNICO? É um mel produzido segundo normas específicas que. O que ocorre.com. basta misturar cerca de 10% de mel cremoso ao mel líquido e iniciar o processo a partir do item 2 acima. 4. deve-se bater o mel com uma batedeira quatro vezes por dia. não sendo cobrado com o rigor que o texto sugere e em que alguns consumidores provavelmente crêem.APISNORTE . obrigatoriedade de aquisição de insumos de outras empresas certificadas. o mel certificado tem um apelo de garantia que o convencional não possui. com ou sem aviso prévio. e como tal deve ser tratado pelo diabético. DIABÉTICOS PODEM COMER MEL? O mel é fundamentalmente uma mistura de carboidratos. pois há infinitas oportunidades de fraude no processo. A contaminação do mel pode ocorrer na natureza. e passado certo período de carência (funcionando como orgânico). Em dois dias. 2. é que este critério é basicamente decorativo. Para a apicultura. ele deve ser passado para os potes definitivos. e a observação cuidadosa dos aspectos sanitários na colheita. o apicultor deve passar por um processo de certificação. Para o consumidor. Para isso. e esse fato justifica plenamente a ausência de mel na dieta dos bebês. QUAIS SÃO OS CRITÉRIOS EXIGIDOS PARA O MEL ORGÂNICO? No site do IBD pode-se baixar os seus critérios de certificação orgânica. mas parece certo que entre dois méis desconhecidos. Em uma semana ou duas. Em especial. durante 15 minutos. produção e identificação dos lotes.ASSOCIAÇÃO DE APICULTORES DO NORTE DE MINAS 1. o que também é feito. Não sendo possível. tente o mais próximo disso . há diversas exigências. Essa garantia está longe de ser absoluta. é importante a manutenção de registros de manejo. Mas isso não surpreende tanto quanto qualificar a presença de HMF como "acidez" do mel. que podem germinar e se desenvolver no aparelho digestivo dos bebês. espera-se que apareçam os primeiros cristais visíveis (isso pode levar de dias a meses). Alguns dos critérios são exóticos ou inexplicáveis. então. Depois de aparecerem os primeiros cristais. A razão disso é que o mel pode conter esporos da bactéria que causa o botulismo (Clostridium botulinum). extração e envase não é garantia de que o mel está livre de esporos. A freqüência de contaminação é baixa (menos de 5% das amostras no Canadá.

Este processo é chamado de polinização. na verdade. E essa limitação é tanto maior quanto mais eficiente for o caça-pólen. especialmente em brotos de árvores. para que não haja nenhuma contaminação. Um estudo realizado em Botucatu (SP) [FUN98]. Basicamente. A etapa de secagem é a mais importante. como fazem com o mel. manual ou mecanizada também é muito importante. Em comparação com o néctar.5 kg de pólen em quatro meses. não o que é depositado nos alvéolos. Some-se a isso o fato de as abelhas não estocarem pólen em grandes quantidades. Quando um produto falta na colméia. Por fim. identificou uma redução de cerca de 10% na área de cria de operárias e de 4% na área de cria de zangões. É claro que diferentes resultados serão obtidos em épocas e locais diferentes. COMO É O BENEFICIAMENTO DO PÓLEN? Inicialmente. o gineceu) para que ocorra a fecundação e a posterior formação de sementes. por sua vez. dependem dele para produzir as secreções hipofaringeanas e mandibulares que alimentam as larvas jovens e a rainha. essa substância é manipulada pelas abelhas e misturada a um pouco de cera a fim de adquirir propriedades mecânicas adequadas ao seu futuro uso. O de alvado é colocado na frente da entrada da colméia. Dentro da colméia. formando o alimento básico das larvas e abelhas jovens (chamado por alguns de "pão de abelha"). Ele é produzido pelas anteras e deve alcançar o estigma da flor (a porção terminal do seu órgão reprodutivo feminino. o de alvado e o interno. chamadas de caça-pólen. POR QUANTO TEMPO O CAÇA-PÓLEN PODE SER DEIXADO NA COLMÉIA? É preciso considerar que o pólen é um produto de extremo valor para as abelhas. O QUE É A PRÓPOLIS? Própolis é uma substância resinosa.ASSOCIAÇÃO DE APICULTORES DO NORTE DE MINAS O QUE É O PÓLEN? É a célula reprodutiva masculina das plantas floríferas. Há dois modelos básicos de caça-pólen. que é protegida por uma tela mais fina. O pólen possui de 18 a 25% de umidade. como o vento. a partir daí. são as bolotas trazidas pelas campeiras. ele deve ser congelado. Ao usar-se o caça-pólen. Tal como o pólen e o mel.br 38 . que cai dentro da gaveta. coletada pelas abelhas em uma grande variedade de plantas. A limpeza do pólen. O estudo foi realizado nos meses de agosto a dezembro de 1996. sete dias sem). a chuva e animais que se alimentam do pólen ou do néctar. um número maior de abelhas passa a buscá-lo na natureza. mas nenhum dos produtos de forma otimizada.APISNORTE . um nível que deve ser reduzido até cerca de 3%. e cada colméia produziu. são adicionadas algumas secreções glandulares e uma fina cobertura de mel. No entanto. tem uma capacidade menor e deve. essa variabilidade não é tão grande quanto se poderia esperar. As abelhas passam apertadas pela grade e acabam perdendo a bolota de pólen. O importante é que o apicultor interessado em produzir pólen observe atentamente a resposta dos enxames e. empregam-se armadilhas. o número de espécies que produz pólen é muito maior. Ao pólen. portanto. COMO O PÓLEN É ARMAZENADO PELAS ABELHAS? As bolotas de pólen trazidas pelas campeiras são empilhadas nos alvéolos logo acima da área de cria. não é possível alimentar as larvas mais velhas e as abelhas jovens que. em comparação com colméias de controle (sem caça-pólen). o caça-pólen é constituído por uma grade e uma gaveta. e se terá uma limitação muito forte para o tempo de permanência do caça-pólen na colméia. por provir das plantas disponíveis na região de cada colméia. para impedir o desenvolvimento de fungos e fermentos. alguns estudos mostram uma razoável similaridade entre amostras de origens bastante diferentes. o que resultará numa produção do mel inferior à capacidade do enxame em condições normais. O mesmo acontece com a produção de própolis. 1. Sem ele. a própolis é uma substância de composição variável. Para essa coleta. O interno é posicionado entre o fundo da colméia e o ninho e tem uma capacidade maior. e ele ocorre muitas vezes com a ajuda de agentes externos. em média. muitas abelhas provavelmente deixarão de colher néctar para colher pólen. ser esvaziado mais freqüentemente. As abelhas não têm acesso à gaveta. caso o pólen não possa ser secado imediatamente. como as abelhas. desenvolva um esquema que garanta ao mesmo tempo uma boa produtividade e uma boa manutenção do enxame. COMO O APICULTOR COLETA O PÓLEN? O que é coletado. quando um caça-pólen era utilizado num esquema com alternância de sete dias (sete dias com. PARA QUE AS ABELHAS UTILIZAM A PRÓPOLIS? CURSO BÁSICO DE APICULTURA apisnorte@hotmail. É POSSÍVEL PRODUZIR MEL E PÓLEN NA MESMA COLMÉIA? Sim.com. a armazenagem deve ser feita em recipiente hermeticamente fechado.

a própolis deve sofrer um resfriamento intenso (um dia no freezer. antioxidante e cicatrizante. de maior facilidade de uso e rendimento. num processo de baixa eficiência . a fim de obter uma substância com melhores propriedades mecânicas. como animais mortos. Depois disso. PARA QUE AS ABELHAS USAM A CERA? Para construir os favos e para misturar à própolis. Em seguida. Um exemplo desse tipo é modelo Pirassununga. Entre os dispositivos disponíveis. Uma classificação simplificada é a seguinte: de primeira qualidade. as abelhas devem consumir cerca de 5 kg de mel. a fim de esterilizar possíveis ovos de traça. Os favos de cria antigos têm uma cor ainda mais escura. anestésica. O QUE É A CERA? Cera é uma substância produzida pelas glândulas cerígenas das operárias com idade em torno de 14 dias. Por essa razão.br 39 . é claro. Outra é introduzir uma tela plástica abaixo da tampa. Se lhe forem fornecidas lâminas alveoladas. própolis granulada. Em outras palavras. na verdade) se lhe forem fornecidos favos inteiros e vazios. Para produzir a cera. E por fim deve ser diluída em álcool de cereais na proporção de 30% de própolis bruta para 70% de álcool. para recobrir corpos estranhos que não possam ser retirados da colméia. como pode ser visto nos favos recém produzidos. QUAL É A VANTAGEM DE SE FORNECER CERA À COLÔNIA? Uma melgueira com 11 kg de mel possui uns 600 g de cera. pedaços de abelhas e resíduos vegetais. QUAIS SÃO AS PROPRIEDADES DA PRÓPOLIS? A própolis possui diversas propriedades terapêuticas e biológicas.ASSOCIAÇÃO DE APICULTORES DO NORTE DE MINAS Para vedar frestas que permitam a entrada de frio ou inimigos naturais. própolis pulverizada. de segunda. para "envernizar" o interior da colméia e assim repelir outros insetos e inibir o desenvolvimento de alguns microrganismos. que permitem a abertura progressiva de frestas. Favos são delicados. resíduos de pólen e outras impurezas. Um enxame forte leva cerca de 30 dias para produzir 600 gramas de própolis. Após embalada. COMO O APICULTOR COLETA A PRÓPOLIS? Para produzir própolis. ela deve ser classificada segundo o padrão de mercado vigente. é importante que a própolis seja armazenada em recipientes hermeticamente fechados. A cor amarela ou marrom de alguns favos resulta da impregnação da cera com própolis. por conta dos restos de casulo e dejetos deixados pelas larvas.APISNORTE . por meio de barras ou janelas deslizantes. os recipientes devem ser guardados em local fresco. Uma maneira simples é levantar a tampa por meio de pequenos calços. sem necessidade de refrigeração. e tratam-nos com extremo cuidado. COMO PRESERVAR OS FAVOS DE FORMA NATURAL? Essa é uma questão ainda não muito bem resolvida na apicultura. as condições do enxame e a sua tendência mais ou menos propolisadora. Para produzir 600 g de cera. própolis em grandes flocos ou tiras. de terceira. POR QUANTO TEMPO PODE SER MANTIDO O COLETOR DE PRÓPOLIS? Por tempo indeterminado. mas ainda assim significativa. deve ser feita a limpeza manual da própolis. há vários que usam melgueiras com paredes externas especiais. as abelhas convertem o açúcar consumido sob forma de mel. Por exemplo. seco e escuro. para eliminação de lascas de madeira (oriundas da raspagem). Há ainda dispositivos especiais. por exemplo). alguns apicultores incluem os favos de melgueira entre os bens mais valiosos do apiário. desde que o enxame esteja suficientemente alimentado e forte. ela apresenta atividades antibiótica. varia muito com o tipo de flora local.com. Por isso. para impermeabilizar a colméia e para reforçar partes frágeis da colméia. mas isso. COMO A PRÓPOLIS É BENEFICIADA? Primeiro. QUAL É A COR DA CERA? Branca. o apicultor cria frestas na colméia ou insere algum elemento que induza as abelhas a cobri-lo de própolis. o mesmo enxame produzirá quase uma melgueira e meia (uns 40% a mais. anti-inflamatória. ocupam muito espaço e são muito CURSO BÁSICO DE APICULTURA apisnorte@hotmail. entre outras. a perda de mel será menor. entre outros.cerca de 8 kg de mel precisam ser consumidos para a produção de 1 kg de cera. muitas delas já bem estudadas e compreendidas. como vidros e plásticos atóxicos. se um enxame produz uma melgueira cheia sem receber nenhuma cera. COMO A PRÓPOLIS É ARMAZENADA? Algumas substâncias presentes na própolis evaporam-se ou degradam-se com facilidade.

Ele é usado numa proporção de 100 g para cada pilha de 5 ninhos ou 8 melgueiras. A título de informação. Isso evitará que uma infestação numa caixa se propague às outras. uma bactéria fatal para lepidópteros. especialmente as muito propolisadas. e o seu gás mata a traça em todos os estágios. é preciso fornecer à colônia cerca de 15 litros (= 19 kg) de xarope. É um contaminante importante da cera em outros países. a fim de ser vendida bruta ou processada. considere a produção de uma melgueira cheia de mel operculado.6 kg de açúcar para 6. aproximadamente.APISNORTE . Um processamento possível. e os favos acabam sendo rejeitados pelas traças. Atenção: nunca use naftalina para preservar equipamento apícola. Neste caso. para que elas removam todos os resíduos de mel e deixem-nos suficientemente secos para a posterior armazenagem. a fim de estimular a produção dos favos. Se as próprias melgueiras forem usadas para armazenagem dos favos. mantenho aqui a minha posição de evitá-los sempre que possível. pois elas também podem conter ovos de traças. usando soluções do produto em água em várias proporções (9. sem resíduos de mel ou pólen. Lembre-se de que. pois eles se tornam extremamente frágeis e quebradiços. HÁ PRODUTOS QUÍMICOS SEGUROS PARA A PRESERVAÇÃO DE FAVOS? O Bacillus thuringiensis. e empregada para a pulverização da soja. as colônias deverão ser alimentadas abundantemente com xarope. Essas condições são muito desfavoráveis ao desenvolvimento das larvas. e todas as frestas devem ser fechadas. para que não ocorram novas infestações. Se as melgueiras tiverem de ser removidas.com. adicionalmente. como a traça de cera. Ele é explicitamente permitido na apicultura orgânica. talvez pela quantidade de trabalho necessário. O PDB só pode ser usado em favos limpos. Como o gás é mais pesado que o ar. COMO SE PRODUZ CERA? Quantidades relativamente pequenas são produzidas a partir do derretimento dos favos velhos que foram substituídos e também dos opérculos que resultaram da extração do mel. esses favos serão centrifugados e derretidos. e é terminantemente proibido na apicultura orgânica. Dependendo das condições climáticas (sem excesso de frio e umidade). Depois. Na prática. as melgueiras podem ser deixadas nos enxames mais fortes. e não do momento em que eles foram colocados no freezer. Trata-se de uma substância muito empregada. Já a cera produzida pode ser derretida. a partir de dez quadros que tenham apenas uma pequena tira de cera alveolada para orientação inicial das abelhas. o PDB deve ser colocado sobre a caixa de cima. o Dipel exerceu um controle eficiente da lagarta. No Brasil.5 horas a -7 ºC ou por 2 horas a -15 ºC mata todos os estágios da traça de cera. apenas substituídos e derretidos. Se. Uma alternativa para a armazenagem é fazê-la em ambiente arejado e bem iluminado (mas sem exposição ao sol). Já em relação a produtos químicos para preservação de favos. Num estudo realizado na Universidade Federal de Lavras. porém. em 11 kg de "mel" mais 600 g de cera. pode ser utilizado para preservação dos quadros. se os favos estiverem afastados uns dos outros. Se o objetivo principal for a produção de cera. O PDB sublima (passa do estado sólido para o gasoso). a melhor medida para evitar a infestação por traças de cera é o tratamento térmico. os usados apenas com mel são bem menos suscetíveis. Ela deixa mais resíduos na cera. uma recomendação básica é que eles sejam devolvidos às abelhas após a extração. os favos devem ser guardados em ambiente seco e isolado. os favos puderem ser isolados do ambiente por telas mosquiteiras (num armário de tela. raramente são armazenados. mas ela pode ser rentável. para a produção de mais cera. pelo menos. para uso na safra de mel. Quando nada disso for possível. Posteriormente. resultando. thuringiensis é vendida sob o nome comercial de Dipel. extremamente importante para a apicultura. o melhor é deixar os favos no freezer por 24 horas. sim. ele deve ser reaplicado periodicamente. que se encarregarão de protegê-los contra as traças. Note que esse tempo deve ser contado a partir do momento em que os favos atingiram essas temperaturas. o ideal é que elas também sejam congeladas. Cuidado com a manipulação dos favos logo após o congelamento. por exemplo). Esse "mel" extraído será então diluído e devolvido às abelhas como xarope. Favos de ninho. Outra utilidade possível para esse método é a produção de favos completos. porém. O gás pode contaminar a cera. e há diversas referências na literatura sobre a sua toxidade para as abelhas. CURSO BÁSICO DE APICULTURA apisnorte@hotmail.43 g de Dipel para100 ml de água. Por exemplo. para produção de lâminas alveoladas. O congelamento de favos por 4. todas as faces receberão uma iluminação melhor. particularmente as traças de cera. no Brasil. Por essa razão. tanto por pulverização quanto por imersão dos quadros. como desodorizante de vasos sanitários e repelentes de traças domésticas. vão aqui algumas informações sobre o paradiclorobenzeno (PDB). Em relação aos quadros de melgueira (entendido como aqueles usados apenas para mel).br 40 . A PRODUÇÃO DE CERA É RENTÁVEL? Parece não haver muita gente produzindo cera. como folhas de jornal. empilhar as caixas com algum isolante entre elas.4 litros de água. tanto melhor. por exemplo). uma variedade do B.ASSOCIAÇÃO DE APICULTORES DO NORTE DE MINAS atrativos para roedores e insetos. exceto os ovos. Os favos mais sujeitos a ataques são os usados para cria e para pólen. logo abaixo da tampa. O PDB é aprovado para uso em muitos países desenvolvidos. na proporção de 12. e por isso os favos precisam ser arejados por alguns dias antes de retornarem às colméias. é a laminação e estampagem da cera. mas aqui no Brasil é muito pouco usado e visto com desconfiança pela maioria dos apicultores. deve-se.

além de ajudar a clarear a cera).com. se o apicultor não tiver os equipamentos referidos acima. que são tecidos pelas larvas antes do seu fechamento. mas a cera precisa ser filtrada enquanto estiver derretida a fim de que as impurezas mais grosseiras sejam separadas. Como a densidade da cera (0. O QUE FAZER COM A CERA DERRETIDA? Ela pode ser usada em troca por lâminas alveoladas. Esse tonel é dividido ao meio. O calor do sol eleva a temperatura dentro da caixa a mais de 80 ºC. ao se solidificar. parece-me que o melhor é evitá-los sempre que possível. como o uso de água oxigenada para o branqueamento da cera. ou a cera poderá absorver o odor durante o derretimento. Depois de retirado o bloco. Para tanto. que também estará amolecida pelo calor. deve-se raspar o seu fundo para remover as eventuais impurezas que restaram. mas o frio pode inibir a produção de cera. um pedaço de tela metálica fina ou um saco de aniagem funcionam muito bem. No fundo. Uma alternativa é acrescentar 2-3 gramas de ácido oxálico para 1 kg de cera e 1 litro de água (o ácido se ligará ao cálcio e evitará a formação da emulsão. Dependendo da qualidade da cera derretida. Chuvas não atrapalham. HÁ MEIOS QUÍMICOS PARA PROCESSAR A CERA? Certamente. mais escura. ficando a "caldeira" na parte de baixo e os favos a serem derretidos na parte de cima. Além disso. formará um bloco flutuante. a temperatura da água deve ser mantida abaixo de 90ºC. mexer um pouco até o derretimento completo e depois deixar a mistura esfriar. devido ao perigo de contaminação da cera. Eles podem ser utilizados industrialmente e até em ambiente doméstico. Porém. têm uma cera impregnada por impurezas e. mas a montagem pode ser feita por qualquer serralheiro. entregando entre 60 e 85% do peso da cera bruta em lâminas. o bloco de cera não poderá sair inteiro. pode ser improvisada uma bandeja para recolher a cera derretida (um funileiro poderá fazê-la com chapa galvanizada). basta fazer uma caixa de madeira rasa. Neste caso. A sua descrição textual não é simples. Uma questão importante é o derretimento da cera em água dura (com excesso de minerais).APISNORTE . líquida e em repouso. sempre com a tampa de vidro diretamente voltada para o sol. é preciso tomar cuidado com o recipiente usado . normalmente já há uma tela para filtragem das impurezas. Quando for derretida em água quente.ASSOCIAÇÃO DE APICULTORES DO NORTE DE MINAS Um quilo de cera laminada pode valer mais de 20 kg de açúcar. bem acima do ponto de fusão da cera. Em seguida. A caixa deve ser posicionada inclinada. os produtores de lâminas atribuem-lhe um valor bastante variável. porque toda a atividade é interna. E o melhor é que ela depende apenas de alimentação artificial.br 41 . É um bom momento para raspar a própolis acumulada. No caso do derretedor solar. Favos com mel fermentado devem ser lavados antes. que pode ser comprado ou feito em casa. Quando o volume de cera é maior. por isso. um pouco acima do fundo. ela ficará na superfície e. Assim que o bloco de cera esfria. No entanto. Qualquer uma das formas acima mencionadas pode ser usada para derreter favos de cria. a cera sofre um processo de decantação em que os detritos mais pesados afundam e os mais leves flutuam. COMO SE RETIRA A CERA DOS QUADROS SEM ARREBENTAR OS ARAMES? O melhor jeito é deixar os quadros ao sol por algum tempo. Os quadros ficam apoiados sobre a bandeja. pode ser produzida uma emulsão de água e cera. com tampa de vidro duplo. COMO SE DERRETEM A CERA DOS FAVOS? Um equipamento relativamente eficiente para derreter favos é o derretedor solar.o mesmo vale para pedaços de favos e opérculos. não de floradas. em primeiro lugar. Quando a cera for derretida em água quente. e a literatura registra alguns. um derretedor a vapor pode ser uma boa solução. Para evitar o problema.95) é menor do que a da água. a maior parte das impurezas pode então ser facilmente raspada da sua superfície. a mistura pode ser passada por uma peneira para outro recipiente. os quadros devem ficar sobre uma tela que retenha os casulos das crias (o que diminui a eficiência desse equipamento e aumenta o tempo do processo). CURSO BÁSICO DE APICULTURA apisnorte@hotmail. Para isso. Os favos de cria têm restos de casulos nos alvéolos. No derretedor a vapor. o processo pode melhorar bastante se a cera filtrada for mantida líquida pelo maior tempo possível. e podem-se encontrar esquemas na Internet. A razão disso é que. Para tanto. Um modelo compacto bastante usado é o que emprega um tonel de 200 litros. mas precisa de apenas 6.se houver algum estreitamento na sua boca. basta colocá-los num recipiente com água quente. usar uma espátula com delicadeza para remover os favos.5 kg (o equivalente aproximado de 8 kg de mel) para ser produzida. Os pedaços de cera obtidos por estas formas de derretimento podem ser novamente derretidos para formarem um bloco . COMO PURIFICAR A CERA? Qualquer filtragem da cera em equipamento caseiro dificilmente conseguirá limpar a cera convenientemente.

é um produto sintetizado pelas glândulas de veneno das operárias e da rainha. Basicamente. ou submetê-lo a uma dessensibilização. A membrana cede o suficiente para que o ferrão não seja arrancado. E o processo de estimulação acaba estressando muito o enxame. especialmente sob a forma de cremes tópicos. o que provoca um pequeno choque nas abelhas e leva-as a ferroar a membrana e depositar ali o veneno. gorduras. ou apitoxina. O seu uso nos tratamentos de dessensibilização é prática corrente.000 ferroadas. O QUE É O VENENO? O veneno.ASSOCIAÇÃO DE APICULTORES DO NORTE DE MINAS O QUE É GELÉIA REAL? É uma substância produzida pelas operárias jovens para alimentação da rainha. já há evidências de que a geléia real pode ser eficiente como estimulante ou para tratamento distúrbios neurológicos. inclusive congelada. Algumas de suas substâncias causam dor. Ela também pode ser desidratada (por liofilização). COMO SE EXTRAI O VENENO DAS ABELHAS? Por meio de um equipamento composto por uma tela metálica e uma membrana. Por essa razão. que se torna hiperagressivo. nos seus predadores (reais ou presumidos). Fora isso. com protocolos de duplo-cego.). proteínas e outras moléculas menores. digestivos e hematopoiéticos (formadores de células sangüíneas). No entanto. PARA QUE SERVE O VENENO? O veneno ainda é objeto de muito pesquisa no mundo inteiro. Pode valer de 35-55 dólares por grama no mercado internacional. A tela metálica é carregada eletricamente. o rendimento é muito baixo . Cada cúpula fornece entre 200 e 300 mg de geléia. Por essas razões. É basicamente composto por uma ampla mistura de enzimas. Rainhas possuem. mas com a interrupção do processo. como o ácido pantotênico e a biopterina. Também possui algumas vitaminas e minerais (quase todos em quantidades menores do que no pólen). o mesmo que 3 a 5 gramas de ouro. endócrinos. Embora o alimento das crias jovens também seja freqüentemente chamado de geléia real. desde o estágio de larva. COMO SE PRODUZ GELÉIA REAL? Da mesma forma que se produz rainhas.com. Diversas pesquisas atribuem benefícios variados à ingestão de geléia real. Diversas pesquisas também apontam para uma possível utilidade no tratamento de artrite reumatóide. enquanto outras provocam uma reação alérgica de intensidade variável. o quadro é recolhido. proteínas. Pela pequena quantidade de veneno de cada abelha. é feita a orfanação de um enxame forte. só é feito em caso de sintomas mais graves do que simples reações locais. em ambiente refrigerado. as larvas descartadas e a geléia real retirada. Essa substância inclui secreções mandibulares e hipofaringeanas das abelhas. normalmente. com carboidratos.um grama é obtido a partir de 100. Deve ser armazenada protegida da luz. 700 microgramas. a geléia real contém algumas substâncias.APISNORTE . uma doença degenerativa das articulações. algumas dessas com uma composição molecular bastante peculiar. A GELÉIA REAL É UM BOM ALIMENTO? A geléia real possui uma composição variada. COMO EVITAR UMA REAÇÃO ALÉRGICA AO VENENO? Evitando abelhas. A geléia real possui ainda. QUANTO VENENO POSSUI UMA ABELHA? Operárias em fase de guarda ou forrageamento possuem entre 100 e 150 microgramas (milionésimos de grama).br 42 . etc. que é introduzido na colméia. Mas isso. em média. seguida do enxerto de larvas de 12 a 36 horas num quadro com cúpulas artificiais. ele é diferente. evitando assim a morte da abelha. propriedades cosméticas e antimicrobianas que são aproveitadas largamente na indústria de cosméticos. possuindo uma proporção muito menor de secreção mandibular. ainda podem ser necessários para se chegar a um grau aceitável de certeza. em quantidades muito maiores que a comida de cria. muitas vezes acompanhada por dor intensa. fenóis. CURSO BÁSICO DE APICULTURA apisnorte@hotmail. mas estudos mais elaborados. COMO O VENENO ATUA? Ele é injetado pelas abelhas. com o auxílio do ferrão. além de outras substâncias (esteróides. o valor do veneno é muito alto. um médico pode prescrever-lhe medicamentos antialérgicos para serem usados após as ferroadas e diminuir a reação. Três dias depois. que depende do porte e da sensibilidade da vítima.

mas as boas produtoras de própolis também podem ser incluídas. A FLORA APÍCOLA DE UMA REGIÃO PODE SER MELHORADA? Sim. mas que já é muito importante para o apicultor. por exemplo. clima. Uma florada curta. O QUE É O CALENDÁRIO APÍCOLA? No que diz respeito à flora. consorciadas com espécies herbáceas ou arbustivas anuais. mesmo com bom volume de néctar e concentração de açúcar. qualquer florada que seja atrativa para as abelhas é útil. A questão econômica. Normalmente. alguns estudos identificaram espécies com altos potenciais melíferos. Duas safras por ano. grandes variações podem existir entre regiões próximas. Um leitor desavisado pode imaginar que a floração se estende por todo esse intervalo. ou observar cuidadosamente a atividade das abelhas por um ou dois anos. Esses períodos são chamados de safras. especialmente se a diferença de altitude entre elas for significativa. a mesma região pode apresentar variações significativas no seu calendário apícola. os períodos em que a quantidade de alimento disponível para as abelhas é escassa ou nula são chamados de entressafras. médio e longo prazos. carquejas) também tem uma florada longa. adaptada às condições de solo. têm uma floração relativamente curta. pode-se perguntar a um apicultor experiente da região. Aqui também. não é tão clara. Mas este é um potencial teórico.000 quilos por hectare. A Brassicaceae (canola. não pode ser aproveitada pelas abelhas enquanto o enxame ainda não se desenvolveu o suficiente. definem a época de floração numa faixa ampla. COMO SABER QUAL É A FLORA APÍCOLA DE UMA REGIÃO? Impossível dizer sem examiná-la. cobrindo um período longo. troca de rainhas e substituição de quadros. muitas plantas florescem ao mesmo tempo. Aliás. às vezes mais. da ordem de 200 a 1. Depois de o enxame estar bem desenvolvido. Alimentação artificial. Uma região distante poucas dezenas de quilômetros de outra pode ter flora apícola predominante bastante diferente. Muitas outras espécies. o número de safras e os seus períodos de ocorrência são bastante variáveis. O que se consegue.APISNORTE . e uma espécie sucede a outra. e todos guardam uma relação temporal importante com a safra. para que este néctar seja recolhido. mas são hospedeiras habituais de insetos que produzem um pseudonéctar (melato) que é colhido pelas abelhas e transformado em mel. Em geral. Os livros.com. três ou mais meses. por conta de fenômenos climáticos. O plantio de espécies melíferas que tenham bom desempenho numa região pode resultar em grande melhora da flora apícola. couve) pode florescer por mais de dois meses. muitas vezes há uma enorme variação no desempenho das plantas de um ano para outro. porque ele determina grande parte do manejo. Por exemplo. de um ano para outro. são atividades típicas da entressafra. A Asteraceae (assa-peixes. criando períodos de abundância de alimento que podem resultar em colheita para o apicultor. é apenas uma média. na verdade. Cada região possui sua vegetação própria. naturalmente ou por intervenção do apicultor. E como se não bastassem CURSO BÁSICO DE APICULTURA apisnorte@hotmail. vassouras. Em contrapartida.perguntando ou observando. Outras plantas que devem integrar a flora apícola são aquelas que não se enquadram propriamente em nenhum dos tipos acima. No Brasil. mas. na verdade. é preciso haver condições climáticas adequadas. QUANTO DURA EM MÉDIA UMA FLORADA? Depende muito da espécie e do tipo de plantio. A família Myrtaceae (dos eucaliptos) floresce por um ou dois meses. de dois. plantada ou nativa. Uma abordagem recomendada é o plantio de espécies arbóreas perenes. Não custa lembrar que. para ganho a curto.ASSOCIAÇÃO DE APICULTORES DO NORTE DE MINAS FLORA APÍCOLA O QUE É CONSIDERADO FLORA APÍCOLA? Um conjunto de plantas de interesse para as abelhas. nabo. porém. COMO DESCOBRIR O CALENDÁRIO APÍCOLA DE UMA REGIÃO? Da mesma forma que a flora apícola . topologia e ecologia. de alguns dias a duas semanas. Para conhecer as plantas principais. talvez a maioria. este é apenas o período provável da sua ocorrência. FLORADAS CURTAS SÃO INÚTEIS PARA AS ABELHAS? Depende do momento de ocorrência.br 43 . essas plantas são classificadas como nectaríferas ou poliníferas. o calendário determina os ciclos de floração da região por espécie. de cerca de duas semanas. Também. A Rutaceae (citros) tem uma floração curta. uma maior e outra menor ocorrem em muitas regiões. por exemplo. Essa é a principal razão do sucesso dos apicultores que estimulam corretamente as suas abelhas com alimento na entressafra: elas conseguem aproveitar bem as primeiras floradas. calculado a partir de estimativas do número médio de flores por hectare durante uma safra e do volume e da concentração média de açúcar do néctar produzido por cada flor.

Biólogos que fazem trabalho de campo. Uma alternativa indiscutivelmente boa do ponto de vista econômico.ipef. porém. É uma posição cautelosa. o primeiro passo é fazer uma pesquisa como os moradores locais para descobrir o seu nome popular. os fatores levados em consideração são os seguintes: duração da floração. No que diz respeito a néctar floral.br). a proteína presente num pólen deve conter no mínimo 4% do aminoácido isoleucina. as larvas só conseguirão digerir 3/4 da proteína total. por exemplo.). Os livros de Harri Lorenzi. E uma boa alternativa sempre será uma seleção pessoal do apicultor. a região considerada não precisa se restringir às vizinhanças do apiário. e as espécies são muito bem descritas e fotografadas. concentração de açúcar do néctar. É comum encontrar-se plantas qualificadas como boas produtoras de pólen. como os que trabalham na preparação de relatórios de impacto ambiental (RIMAs). por si só. mas a multiplicação artificial e maciça de uma espécie nativa também pode causar algum desequilíbrio. consideradas as suas propriedades organolépticas (aroma. a proteína digerível para as larvas será de apenas 18%. que provoca um enfraquecimento do enxame pela intensa colheita de néctar sem pólen de qualidade suficiente para manter as crias. por exemplo. pode-se descobrir a espécie com uma simples consulta à Internet. Do ponto de vista da necessidade alimentar das larvas de abelha. atrai muitas abelhas e dá um mel saboroso. Uma alternativa é a pesquisa bibliográfica própria. nada impede que um pasto apícola cuidadosamente cultivado seja aproveitado entusiasticamente por todos os demais enxames da região. todos os anos (ou sempre que plantado). volume de néctar produzido por planta. segundo DeGroot. INIMIGOS DAS ABELHAS CURSO BÁSICO DE APICULTURA apisnorte@hotmail. ou grãos. textura. de forma mais simples. Com o nome popular. Nesse caso. o que é um valor insuficiente. se o volume total de proteína for de 24% e todos os demais aminoácidos estiverem dentro do mínimo necessário.plantarum. por exemplo. COMO SABER O QUE DEVE SER PLANTADO? Muitos ecologistas recomendam que apenas as espécies nativas (ou exóticas há muito aclimatadas) sejam plantadas. Procure observar basicamente os seguintes critérios: quantidade. acessibilidade da abelha ao nectário e por fim a qualidade do mel produzido. sabor. no site do IPEF (http://www. onde uma planta invasora poderá se alastrar livremente antes que o seu dano seja percebido. e. e podem ajudar. COMO IDENTIFICAR UMA PLANTA? Uma vez que se tenha observado uma planta de interesse.com. por exemplo. confiabilidade (previsibilidade) da floração. Por exemplo. alecrim do campo) afirma que ela produz a própolis verde. QUE CRITÉRIOS DEFINEM UMA BOA PLANTA POLINÍFERA? A flora polinífera é muito mais abundante do que a nectarífera. Uma referência freqüente à Baccharis dracunculifolia (vassoura. Se tiver apenas 3%. mas não estimativas de produtividade por espécie. ela pode compreender. Isso é especialmente importante em grandes vazios demográficos e áreas de preservação ambiental.com. talvez por esta razão. etc.br 44 .ASSOCIAÇÃO DE APICULTORES DO NORTE DE MINAS essas incertezas. Já o pólen da Corymbia (ex-Eucalyptus) maculata é tido como um dos melhores pólens para as abelhas na Austrália. QUE CRITÉRIOS DEFINEM UMA BOA PLANTA PROPOLÍFERA? Menos informações ainda se têm sobre plantas propolíferas. especialmente as voltadas para a produção de frutas. Ou seja. sejam eles naturais ou alojados em colméias de outros apicultores. pois o mesmo nome popular às vezes é usado para inúmeras espécies completamente diferentes. Não é garantido. pode-se recorrer a herbários de universidades ou Jardins Botânicos. não significa muito. mas ele. a partir da observação cuidadosa e muita leitura. Naturalmente. a fim de evitar um possível desequilíbrio ecológico. aspecto. os municípios geograficamente próximos. como o girassol ou a canola. mas são percebidos pelo nível de atratividade que as flores exercem nas abelhas e pela produção destas. têm vasto conhecimento sobre a vegetação regional. são abrangentes. é o aproveitamento das culturas comerciais. qualidade e disponibilidade do néctar produzido. do Instituto Plantarum (http://www. Não conseguindo o nome popular.br). sabe-se que há pólens muito melhores que outros. uma boa nectarífera é aquela que floresce intensamente. como os citros.APISNORTE . um tipo especialmente procurado e valorizado pelos compradores internacionais. Procure fazer uma lista de espécies locais de interesse apícola. Alguns desses fatores não são mensuráveis senão em laboratório. Um exemplo desta situação é o que ocorre com a alfafa. O primeiro dado importante é que o total de proteína no pólen deve ser igual ou superior a 20%. Sementes dessa árvore são facilmente encontráveis no Brasil. Um estudo realizado por DeGroot em 1953 determinou as quantidades mínimas de 10 aminoácidos que devem estar presentes na proteína do pólen para que as larvas possam aproveitá-la integralmente. receba menos atenção.

No que diz respeito ao Brasil e às abelhas africanizadas. Larvas marrons que. quando a colônia não tem alimento suficiente.Cria Pútrida Européia) Podridão americana (ou CPA . que impede a reprodução da varroa nos alvéolos de cria. a maior resistência das africanizadas provavelmente se deve a um comportamento higiênico mais desenvolvido. essa resistência tem origem orgânica. podendo devastar apiários. as principais doenças de cria são as seguintes: · · · · · Podridão européia (ou CPE . COMO SÃO CLASSIFICADOS ESSES INIMIGOS? Há varias classificações possíveis. Cheiro ácido forte. Favo de cria com poucos alvéolos operculados em meio a muitos vazios ou com larvas mortas. Nos países que criam abelhas européias. os principais problemas são as substâncias tóxicas e o vandalismo ou roubo. Em relação às doenças e parasitas em geral. que chegam a devastar fortes colônias de européias. Observação: essa doença pode ser tratada com Terramicina. uma opção é substituir a rainha para tentar mudar o perfil de tolerância à doença da colônia. a varroa e o besouro da colméia. as africanizadas apresentam uma resistência maior que as européias. Em parte. quando esmagadas com um palito. predadores e outras pragas. Prejuízo: significativo.20 abaixo) PODRIDÃO AMERICANA?    Agente: bactéria Paenibacillus larvae Sintomas: crias operculadas (pré-pupa/pupa) mortas. A transmissão se dá por pilhagem de colônias infectadas. deixando para trás todos os organismos indesejados. apisnorte@hotmail. que as leva a remover os cadáveres mais rapidamente e com maior eficiência. através de mel e pólen contaminados com os esporos da bactéria. geralmente resolve o problema. Sintomas: larvas mortas. capensis. muito citada. Uma delas. transferência de favos de alimento pelo apicultor e até mel extraído que é recolhido pelas abelhas (essa forma proporciona a "importação" da doença de outros países. Controle: uma alimentação abundante. como no caso da característica SMR (de Suppress Mite Reproduction). mas raramente fazem o mesmo com africanizadas. Se ele persistir. Na África. essas abelhas têm forte tendência de abandonar completamente o ninho quando enfrentam algum tipo de perturbação mais forte. os criadores de Apis mellifera scutellata têm sofrido nos últimos anos com um caso grave de parasitismo social da A. substâncias tóxicas.m. Por exemplo. Microorganismos causadores de doenças de cria e de adultos. energética e protéica. mas essa não é a melhor escolha (veja o item 11.APISNORTE . No caso das doenças. Esse tipo de comportamento ajuda no controle de parasitas. Ocorrência no Brasil: relativamente comum. amareladas ou marrons.ASSOCIAÇÃO DE APICULTORES DO NORTE DE MINAS QUAIS SÃO OS INIMIGOS DAS ABELHAS? Há vários. Ao mesmo tempo. Ocorrência no Brasil: ainda não detectada. diminuindo assim a chance de alastramento da infecção. adquirem uma consistência viscosa e provocam a criação de um "fio" no momento em que o palito é removido.Cria Pútrida Americana) Cria ensacada Cria ensacada brasileira Cria giz Já as principais doenças de adultos são estas: · · · · Nosemose Disenteria Envenenamento Fome e frio E há também os parasitas e outras pragas: · · · · · · Varroa Acarapis woodi (doença chamada de acariose) Aethina tumida (besouro da colméia) Apis mellifera capensis Traças de cera Formigas PODRIDÃO EUROPÉIA?        Agente: bactéria Melissococcus pluton. Contágio: as abelhas adultas contaminam as larvas ao alimentá-las. Contágio: fácil. é por fase da vida da abelha em que ela é atingida. externos e sociais.br   CURSO BÁSICO DE APICULTURA 45 . três pragas são responsáveis pela maior parte dos prejuízos: a podridão americana. freqüentemente encontrada nas africanizadas. opérculos perfurados. Prejuízo: muito grande.com. parasitas internos. junto com méis contaminados).

CRIA GIZ?       Agente: fungo Ascosphaera apis Sintomas: larvas rígidas. Contágio: pelas fezes das abelhas adultas contaminadas. excesso de umidade na colméia. Causas: alimento fermentado. Ocorrência no Brasil: existente. alimento com alto teor de HMF (mel velho. com cor variando do amarelo ao marrom-escuro. Controle: alimentação com suplemento protéico pelo menos 15 dias antes do início da florada do barbatimão.ASSOCIAÇÃO DE APICULTORES DO NORTE DE MINAS  Controle: colméias suspeitas devem ser imediatamente isoladas e ter uma amostra enviada a análise de laboratório. Prejuízo: grande. Controle: manutenção de enxame forte e substituição freqüente da rainha. mergulho em parafina a 160 ºC. ao alimentar as larvas com o pólen. Ocorrência no Brasil: já detectado. com enfraquecimento ou morte de muitos ou todos os enxames do apiário.APISNORTE . Esterilização eventual dos equipamentos por imersão em água quente. Possível em outras regiões onde exista esta planta. sem nome científico) Sintomas: crias parcialmente operculadas em meio a outras totalmente operculadas ou já emergidas. que é o da destruição completa das abelhas e de todas as partes da colméia. podendo passar despercebido em enxames fortes. Contágio: pelas abelhas adultas.6). mas atualmente pouco relevante. Contágio: provavelmente através das abelhas adultas. açúcar invertido). não existe uma diretriz nacional sobre o que fazer se o resultado for positivo. Prejuízo: moderado em enxames mais suscetíveis. fundo. ao alimentar as larvas. mas ainda não relevante. No dia seguinte. CRIA ENSACADA?   Agente: vírus (SBV. apisnorte@hotmail. feche a colméia e mate as abelhas com um inseticida. Ocorrência no Brasil: muito freqüente na região Sudeste. O fogo é necessário porque os esporos do P. Mortandade de abelhas. com bastante alimento é suficiente. com tremores. DISENTERIA?      Agente: más condições alimentares e sanitárias Sintomas: presença de matéria fecal marrom ou amarelada na colméia. remova primeiro todos os quadros e queime-os durante o dia. Como esta doença ainda não foi identificada no Brasil. mas ele deve lembrar que a sobrevivência de todos os demais enxames está em jogo. podendo acabar com o enxame. Indivíduos mortos podem ser facilmente removidos dos alvéolos. fervura em solução de soda cáustica). Essa parte é especialmente difícil para o apicultor. especialmente com a extremidade da cabeça mais escura que o resto do corpo. Prejuízo: pouco significativo. queime as caixas. desorientadas no chão da colméia. com asas em posição anormal e abdômen inchado. mas os meios não são facilmente encontráveis no Brasil ou são muito perigosos (irradiação beta e gama. alimento com impurezas (como as presentes no açúcar mascavo e melado de cana). Manutenção dessa alimentação durante todo o período da florada. À noite. tampa e as abelhas mortas. abelhas com movimentos lerdos e abdomens inchados.br CURSO BÁSICO DE APICULTURA 46 . Ocorrência no Brasil: geral. O melhor talvez seja adotar o critério mais radical. Ocorrência no Brasil: desconhecida (veja item 11. tomam a forma de um saquinho (daí o nome). Prejuízo: de pequeno a muito grande. Podem ser facilmente removidas do favo com uma sacudida. Controle: manutenção de enxame forte e substituição freqüente da rainha. Controle: a manutenção de enxames fortes.com. NOSEMOSE?       Agente: protozoário Nosema apis Sintomas: abelhas incapazes de voar. de Sacbrood Virus. quando agarrados por uma pinça. Prejuízo: grande em climas temperados. ao alimentar as larvas com pólen contaminado com o fungo. usado por diversos países. Para isso. Alguns países e estados americanos admitem a esterilização do equipamento ao invés da sua destruição. larvae suportam temperaturas de até 150 ºC.     CRIA ENSACADA BRASILEIRA?       Agente: pólen do barbatimão (Stryphnodendron spp.) Sintomas: similares aos da cria ensacada (descritos acima) Contágio: pelas abelhas adultas. Pré-pupas mortas. quando depositadas dentro da colméia (por impossibilidade de realizar os vôos higiênicos). mas. aparentando mumificação. pequeno nos demais.

de pouco mais de 1 cm. Causas: aplicação de inseticidas em culturas vegetais no raio de ação das abelhas. Ele se aloja no tórax das operárias e da rainha.vistos a olho nu como pontos marrons. Controle: Alimentação artificial com xarope ou mel deixado na colméia em quantidade suficiente para a entressafra. abelhas arrastando-se com asas desconjuntadas. Controle: manutenção de enxames fortes. esse besouro raramente cria problemas para os enxames de Apis mellifera scutellata. Substituição da rainha em caso de infestação acentuada. Controle: escolha prévia do local do apiário. Uma diferença perceptível é que ele possui 3 pares de patas. Depois. apisnorte@hotmail. que se estendem para frente. FOME E FRIO?    Agente: falta de alimento energético Sintomas: Morte ou forte redução do enxame. que se estendem para o lado do corpo. especialmente na entressafra e em clima frio. Prejuízo: Grande. com fluvalinato. Na África. infestando qualquer tipo de favo. Prejuízo: muito grande em climas temperados e abelhas européias.com. com exterminação de enxames. Controle: manutenção de enxames fortes. muito semelhantes aos de outras doenças: enxame anormalmente reduzido. Causas: falta de alimento energético (mel. é permitido e usado em outros países. embora a sua convivência seja comum. mas muito parecido com a varroa.      ACARIOSE?      Agente: ácaro Acarapis woodi Sintomas: imprecisos. Um teste simples de ser feito é o seguinte: recolher uma porção de abelhas adultas (500-1000 abelhas) num vidro. menor em climas tropicais e abelhas africanizadas. É importante salientar que qualquer enxame normal só morrerá de frio se não tiver mel suficiente a disposição. Ocorrência no Brasil: ainda não encontrado. ENVENENAMENTO?       Agente: inseticidas Sintomas: mortandade súbita de adultas dentro da colméia ou redução drástica do enxame (mortandade no campo). alimentam-se de mel e de crias vivas. podendo devastar o apiário.br   CURSO BÁSICO DE APICULTURA 47 .    VARROA?   Agente: ácaros Varroa destructor e Varroa jacobsoni (talvez outros) Sintomas: presença de muitas larvas (especialmente de zangões) com ácaros . com abelhas adultas mortas dentro dos alvéolos. conhecimento prévio da rotina de pulverização das culturas vizinhas. Prejuízo: Muito grande. Prejuízo: muito grande na América do Norte. remoção das colméias antes das pulverizações. O mel. Ocorrência no Brasil: geral. Fungicidas e herbicidas normalmente não matam as abelhas. possui 4 pares. BESOURO DA COLMÉIA?   Agente: coleóptero Aethina tumida Descrição: fêmeas adultas deste besouro são atraídas pelo mel e podem entrar na colméia ou pôr ovos em favos expostos ao ar livre. adicionar água e sabão líquido a 4% (ou álcool etílico ou isopropílico a 70%) e agitar bem. coar as abelhas e verificar a presença de varroas no líquido. Ocorrência no Brasil: existente. mas atualmente irrelevante. enquanto que a varroa. Observação: existe um inseto (Braula coeca) que é praticamente inofensivo às abelhas. um aracnídeo. néctar. quando o consumo de mel é aumentado para a geração de calor. com rainha nova. bem alimentados. Ocorrência no Brasil: principalmente nas regiões frias (Sul) ou naquelas em que as entressafras são severas e longas. Prejuízo: grande.APISNORTE . mas ainda não especialmente relevante. xarope). mas não são tão facilmente identificáveis. A confirmação só pode ser feita em laboratório. fermentado pelas fezes das larvas. Ocorrência no Brasil: existente. As larvas. mas não disponível nem recomendado por grande parte dos apicultores no Brasil.ASSOCIAÇÃO DE APICULTORES DO NORTE DE MINAS  Controle: eliminação das causas. alimentação abundante durante e após as pulverizações. às vezes em grupos. Exige observação. é repudiado pelas abelhas. bem alimentados. O controle químico. ainda que possam deixar resíduos nos produtos coletados. Poucos indivíduos adultos podem causar pesadas infestações. as cabeças voltadas para o fundo. se não tratado. do tamanho de uma cabeça de alfinete. Os ácaros estão presentes nos adultos também. com possível perda do enxame.

apesar de não fecundados. Esta acaba morrendo. Pecuária e Abastecimento (MAPA). A maior resistência da abelha africanizada em relação à européia permite que muitas doenças sejam tratadas com a simples adoção de medidas sanitárias simples e/ou substituição da rainha . seco e arejado.com POR QUE NÃO TRATAR AS DOENÇAS COM REMÉDIOS? Medicamentos sempre oferecem o risco de.APISNORTE .ddjong em fmrp. As larvas alimentam-se de cera e formam túneis cheios de fezes e fios de seda nos favos. as larvas chegam a destruir a madeira dos quadros e das caixas. crias e/ou adultas para análise num laboratório. instituído pela Portaria nº 09.     FORMIGAS?      Agente: diversas espécies de formigas Descrição: as formigas costumam atacar repentinamente e causar grandes danos. Além disso. o mel. Verificação cuidadosa e pronta eliminação de favos infectados. Possivelmente grande em favos armazenados. o pólen e provocando um grande estresse na colméia. contribuírem para a seleção de cepas resistentes dos organismos que estão sendo combatidos. Ocorrência no Brasil: ainda não identificada. em ambiente claro. scutellata (só dela) e passam a competir com a rainha. como lã ou estopa embebida em óleo. Isso especialmente necessário no caso de suspeita de podridão americana. especialmente os mais escuros. Prevenção por isolamento das duas espécies. que é a doença apícola mais importante. atacada pelas invasoras ou vítima de desnutrição por falta de atendimento das suas operárias. Em infestações pesadas. com grande exterminação de enxames. o que é perfeitamente possível com a aquisição de rainhas africanizadas selecionadas. Ocorrência no Brasil: geral. Antes porém.br David de Jong (USP/Ribeirão Preto/SP) .br . devorando as crias. entre em contato com alguma autoridade ligada à área de sanidade apícola. produzem novas fêmeas poedeiras. larvas e adultos). o que acaba desorganizando a colméia de tal modo a inviabilizá-la.m. preferencialmente.    TRAÇAS DE CERA?   Agente: Galleria mellonella (traça maior) e Achroia grisella (traça menor) Descrição: indivíduos adultos põem ovos no interior da colméia ou em favos guardados. Prejuízo: muito grande na África do Sul. O congelamento dos favos a -15 ºC por 2 horas destrói todas as fases das traças (ovos. da Secretaria de Defesa Agropecuária. de 18 de fevereiro de 2003. 48 CURSO BÁSICO DE APICULTURA apisnorte@hotmail. cúpulas invertidas (de garrafas PET. Prejuízo: insignificante ou inexistente em enxames médios e fortes. Essa alteração genética é uma tentativa de criar um enxame com resistência orgânica maior ou comportamento higiênico mais apurado. Prevenção por exposição mínima dos favos durante o manejo e colheita de mel. capensis Descrição: operárias da abelha capensis invadem colméias de A. pondo ovos e produzindo feromônio de rainha. Enxames fracos devem ser protegidos por redução do alvado e vedação das frestas das colméias. Limpeza do terreno e combate das formigas predadoras nas imediações do apiário. Por exemplo.com. Observação: em alguns países o paradiclorobenzeno (PDB) é uma substância química aprovada para controle da traça em favos armazenados. Controle: muito difícil. APIS MELLIFERA CAPENSIS?   Agente: abelha A. Uso de cavaletes com proteção contra formigas. Prejuízo: destruição dos favos e abandono dos enxames. arandelas com óleo.aronisattler em yahoo. Seus membros podem ser contatados pelos seguintes e-mails: Aroni Sattler (UFRGS/Porto Alegre/RS) . que se tornam inaproveitáveis para as abelhas. existe o Comitê Científico Consultivo em Sanidade Apícola CCCSA. Manutenção de enxames fortes. Controle: manutenção da colméia em posição elevada em relação ao solo. Favos escuros (especialmente os de ninho) devem ser derretidos tão logo sejam retirados da colméia. recomenda-se sempre evitar procedimentos que possam deixar resíduos indesejáveis na colméia e nos seus produtos.usp. se mal usados.dmessage em mail.ufv. No Brasil. por exemplo). importante em enxames fracos. do Ministério da Agricultura.br Dejair Message (UFV/Viçosa/MG) . Ocorrência no Brasil: geral.ASSOCIAÇÃO DE APICULTORES DO NORTE DE MINAS  Controle: difícil.e conseqüente alteração do perfil genético da colméia em cerca de dois meses. eles contaminam os produtos da colméia e não têm sido necessários no Brasil. Favos claros devem ser guardados.com.m. Os ovos postos pelas capensis. Controle: manutenção de enxames fortes.br Dulce Schuch (MAPA/Porto Alegre/RS) dmtschuch em yahoo. COMO SE PODE CONFIRMAR UMA SUSPEITA DE DOENÇA? Enviando uma amostra de favo.

embrapa. Por representar um perigo a pessoas e animais. Armadilhas que apenas assustem ou que provoquem ruídos altos talvez possam ser usadas.APISNORTE .apiariocosmos. o apiário necessariamente deve ser localizado a uma certa distância de casas e galpões. O retorno deste procedimento é um gasto menor em manejo e nulo em remédios.ind. A idéia é que as colméias não possam ser carregadas sem que as abelhas ataquem os ladrões. ou tampas integradas com telhados pesados. COMO EVITAR O ROUBO E O VANDALISMO? Esse é um problema difícil. Isso pode funcionar na primeira vez. Bibliografia: http://www.br/mensagemdoce/82/tecnologia. o que o torna um alvo fácil para ações criminosas.apacame.com.htm http://www. Há muito pouco o que fazer sem investir muito.com.ASSOCIAÇÃO DE APICULTORES DO NORTE DE MINAS Dessa forma.apicultura.breyer. Não há local 100% seguro. sem contaminantes químicos de nenhuma espécie. Um pouco de mel presenteado na colheita pode angariar aliados vigilantes.org. busca-se um melhoramento genético com a extinção das características ruins em relação às doenças.htm CURSO BÁSICO DE APICULTURA apisnorte@hotmail.htm http://www.br/pesquisa/apicultura/mel/index.saudeanimal. Armadilhas que causem dano físico ao invasor podem motivar a responsabilização criminal do apicultor. A primeira tentativa é ocultar da melhor forma possível o apiário da vista de populares.cpamn.htm http://www. o privilégio de se recolher produtos absolutamente naturais. mas. A montagem de armadilhas nas imediações do apiário é defendida por alguns.br 49 . mas é preciso considerar muito bem as possíveis conseqüências. mas o conhecimento e uma boa relação com os vizinhos também ajudam.com. mas dificilmente dará resultado numa segunda tentativa. Alguns apicultores sugerem adotar equipamentos especiais.br/telas/rainha.br/apicultura/apicultura_cera_abelhas.br/indice.htm http://www. O uso de cores discretas nas colméias. como fundos (chãos) de colméias com furos grandes.com.br/apifaq http://carnauba. telhados e suportes pode ajudar. principalmente.

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