VAMOS FALAR DE MAGIA?

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Confusões e definições Vamos começar falando daquilo que a magia não é, e de porque se fala tanto nela ultimamente, com o surgimento de incontáveis gurus das mais variadas procedências, roupagens e metodologias. O misticismo anda sem dúvida muito em moda, nos dias de hoje. Não é para menos. O imenso vácuo existente entre o chamado “conhecimento científico”, e uma visão filosófica que torne seu uso coerente, fez com que a humanidade, munida de recursos que não sabe bem para que servem, corresse cada vez mais vertiginosamente para lugar nenhum, buscando sensações que preencham sua lacuna referente a metas e objetivos claros. Com aspirações extremamente simplificadas, resumidas apenas em “se dar bem” materialmente e em justificar os meios utilizados para isso com uma noção de competitividade pretensamente necessária, a sociedade humana sofre sem perceber, embora os sintomas sejam absolutamente claros, a dor de uma profunda ausência de significado para a vida. Sente, sem decodificar cognitivamente, a profunda fragilidade do que se adotou como “conduta de vida”, e a do que se convencionou como “código de princípios”. Sua existência se resume, na prática, a conquistar uma sobrevivência confortável, e é por este valor que é julgada sua qualidade como ser humano. Os chamados conceitos éticos são apenas frases superficiais, aplicadas de forma estereotipada em uma vida igualmente pasteurizada, onde as inumeráveis nuanças do nosso comportamento são relegadas a um segundo plano e enquadradas dentro de padrões que evidentemente não têm condições de explicá-las, compreendê-las ou sequer acomodá-las de uma forma aceitável para o espírito e suas abstrações, que são simplesmente omitidas, quando não negadas. Dentro desse quadro, é natural que o ser humano, com sua atávica busca de razão para existir, se volte para o fantástico e o divino, querendo milagres que lhe dêem, de graça, as respostas e os favores que a lógica absolutamente matemática que rege tudo indica que só virão pela conquista, via mérito. Isso é, claro, um prato cheio para os espertalhões e bem intencionados delirantes de plantão.

solicita e recebe dos deuses. para ser precisa. levando multidões a tentarem obter. Como vocês acabaram de ler. e é tão antiga quanto o homem. o poder de transformar fatos abstratos e concretos a seu bel prazer. abandonando suas limitações. . é outra coisa. com um estalar de dedos. seu principal vetor de desenvolvimento. através de rituais muitas vezes até tradicionais. como se fosse dele. divertido e até um bom paliativo para a insegurança de encarar um mundo que nos oferece muito mais perguntas do que respostas. embora engraçado. um brilhante exercício do ego brincando de Pai (ou mãe) da Criação.Fica fácil “venderem” seus sistemas de pensar. a mania da exatidão e a sede da comprovação. do defrontar-se. gratificado pelo alívio da ilusão. uma história em quadrinhos virtuais no computador da mente que. completamente diferente. sentir. ou seja. é apenas um jogo de crianças que. Sem dúvida. e evolui paralelamente a ele. e não outro termo. mas praticados sem embasamento. necessita ter como parâmetro inicial de sua atuação a constatação do óbvio. de que todas as suas manifestações. desmorona como um castelo de cartas e deixa atrás de si só a sensação de frustração inerente a quem descobre que viajou na maionese e tem. por partirem de seres relativos. para início de conversa. fantasiosos ou apenas trapaceiros. venda os olhos da própria inteligência para fingir-se “amigo do Chefe”. de repente. que encontrar uma solução para a situação que sua própria atitude gerou. no entanto. e não de uma dinâmica de incontáveis processos. como “ciência da transformação da realidade pelo aprimoramento da consciência”. deusas e entidades fantásticas do panteão escolhido. a realização “instantânea” de seus desejos. já que é o produto direto de sua percepção do universo e de seu processo de contínua renovação. Podemos defini-la. porque a magia tem. na hora do vamos ver. Uma definição A magia. eu disse ciência. se caracterizam justamente pela relatividade de suas capacidades de ver. Como os seres humanos. qualquer contingência do destino. a magia. as graças do que os antropólogos e sociólogos chamam de “maravilhoso pagão” ou “maravilhoso cristão” – um “mundo” entre o mítico e o místico onde o homem. antes de tudo. compreender e vivenciar. O que. capaz de comandar. como se fossem sistemas mágicos verdadeiros. serão relativas também.

“aquilo que está em cima é como aquilo que está em baixo”. não existindo possibilidades comparativas não arbitrárias entre o melhor e o pior. é simultaneamente o ponto de partida para a certeza de logo mais. Verdadeiros porque permitem. o que lhe parece ser a mais lúcida certeza hoje. apenas sincronicidades e probabilidades de interação. que está. não tendo verdades fixas. A magia não é maniqueísta. continuando. entidades baixas (porque mais próximas de uma densidade pseudamente pejorativa). não estabelece hierarquias entre as energias. ou espíritos inferiores. nem forças superiores ou inferiores. que todos os deuses são igualmente verdadeiros e falsos. pela natureza intrínseca do conhecimento oriundo dos homens. pode ser tudo. portanto. mesmo que esteja vestido de Merlin (ou Fata Morrigan. sempre que alguém lhe falar em espíritos superiores. e falsos porque obviamente a parte não pode . Deste modo. em qualquer circunstância. no caso de uma mulher). mesmo que deficientemente moldado por seu visualizador. também não tem um conjunto de dogmas que siga cegamente. já que temos limites claros). saiba que esta pessoa. não existem esquemas completamente equacionados. o contato com um Princípio Inteligente Criador. a tentar tornála mais completa. diante das quais tudo está perfeitamente equiparado e interligado. Sabe. Para ela. pelas próprias leis que regem tudo. todos complementando os outros e sendo por estes complementados. o que é? A primeira característica de um mago em crescimento é desconfiar de sua própria verdade sempre. nem tem predileções por cores ou direções de fluxo. Portanto. o mais evoluído ou o menos evoluído. com um aspecto não podendo existir sem o outro. avatares donos da verdade. permanentemente no rumo de obter abrangência cada vez maior. E o mago. dentro das fronteiras perceptivas de cada um. conhecida pelos leigos como leis cósmicas. Isso porque. já que está fadada a se modificar pelo movimento cognitivo da consciência. nem doutrinas fechadas a pregar ou defender. menos um mago na acepção científica do termo.Assim. em acelerada transformação. O mago. quando visto em partes (única maneira de observá-lo. Age em função da leitura que faz das regras do jogo. em um todo que está sempre. a magia não tem verdades operacionais definitivas.

os sufis e uma enorme lista de povos. utilizando-os ou interferindo neles do modo adequado. os indígenas. Todos representam. Em outras. observados em diversas épocas e civilizações. mostrem. o gaulês como uma dádiva da força feminina. se aplicar um mínimo de lógica aos acontecimentos e ao caminho que deve trilhar para conhecer a verdade será fatalmente o da soma dos fragmentos – mais explicitamente. um quadro mais ou menos amplo das leis universais agindo. os escandinavos. os toltecas do antigo México como o atrito de comunicação entre as emanações de um todo inconcebível e indecifrável. os incas. o africano como a expressão de uma vibratória da natureza. Podíamos ainda citar os assírios. juntos. os hebreus. percebe que. um chinês vê o fenômeno do crescimento de uma planta como uma relação cíclica do meio. de modo a que prismas e ângulos diferentes (porque parciais). Em outras.compreender e nem conhecer o que para ela é o Todo. na reunião de vários desses conjuntos. a ótica chinesa atua com maior eficiência prática. . que traduzem seu próprio ritmo energético. os gregos. para transformar a realidade através de sua consciência. observando os mesmos movimentos com óculos de diferentes cores. É interessante notar que a percepção do homem tem enfoques com caligrafia própria. uma maneira razoavelmente exata de analisar os dinamismos que compõem e alteram a realidade para. a da ciência (ou magia?) ocidental. deve participar. a hindu. na verdade. O mago. Graças a isso. dirigindo-as para objetivos pré-determinados. a reunião de um máximo de percepções individuais possíveis relatando o movimento das coisas. com incontáveis pontos em comum. os celtas. matemáticos e físicos quânticos de hoje como uma inteiração entre o observador e o observado na denominada conexão de Rosten-Einstein. olhares espantosamente lúcidos de magos distribuídos na linha do tempo. o hindu como uma mini-respiração bramânica. e qualquer concepção que tenha do inconcebível é por si mesma imperfeita. compreender e utilizar o que cada uma dessas visões possibilita no tempo certo. tradições e correntes de pensamento cujas premissas se assemelham enormemente. Isso significa que os magos de verdade não se atêm a um conjunto de percepções exclusivo de uma única raça ou cultura. mas buscam. Mais que isso. Em algumas situações. participarem conscientemente das mudanças. os nórdicos. relativa e subjetiva. os persas. os egípcios. os xamãs.

principalmente. Mas isto já é outra história. Hugo Leal . E que vamos desenvolver em outros papos. com o “conhece-te a ti mesmo”. desenvolvendo uma linguagem que leve as descobertas de sua época e cultura para outros tempos e civilizações. que só alinhados lhe darão a chance de aprimorar a consciência. como elas agem sobre ele próprio.E também se preparar para dar prosseguimento ao progresso do próprio conhecimento mágico. as suas muitas facetas e. Para isso. enquanto os lábios da sabedoria puderem se abrir para os ouvidos do entendimento. Tudo começa. E continua no aprendizado e equilíbrio de seus muitos centros de percepção. para que possa manter alguma autonomia nos rumos de sua existência. aqui mesmo. que fica para outra vez. toda semana. inclusive. chave de tudo. regra número de qualquer mago que se preze. deve conhecer profundamente as leis universais.

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