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União Metropolitana de Educação e Cultura. Aluna: Hosana Soares Fahning Curso: Psicologia/2011.

2 Disciplina: Psicologia Escolar Professora: Thyara Ribeiro. Ética, indisciplina & violência na escola O autor começa o livro tecendo algumas considerações sobre o tema ética, relacionando-o a indisciplina e a violência nas escolas, como também manifesta três preocupações. A primeira, solicita que os leitores estejam com os “espíritos abertos” para a leitura do livro. A segunda, refere-se aos limites enquanto pesquisador da área de psicologia e a terceira às expectativas depositadas no presente ensaio. Ele divide o ensaio em quatro itens, onde primeiro apresenta algumas justificativas a respeito do tema proposto. No segundo, aborda as causas para o aumento da ocorrência da indisciplina e violência na escola, no terceiro a opinião de alguns especialistas e por último apresenta algumas medidas que poderão ser implementadas. No tema, O diagnóstico, expõe a idéia de que os fenômenos da indisciplina e da violência nas escolas estão relacionados a regras e valores morais privados e a glória social e estética em detrimento dos valores morais públicos. Sobre, as Definições explica que a indisciplina quase sempre é relacionada para designar todo e qualquer comportamento que seja contrário às regras, as normas e as leis estabelecidas por uma organização. Ética do grego ethos, significa etimologicamente “costume”, reflexão sobre a moral, e esta última, um conjunto de regras, normas e leis que determinam ou orientam os comportamentos dos indivíduos numa dada sociedade. Após fazer essas distinções, afirma que aplicará os conceitos de ética e moral como sinônimos, pois ambos diz respeito à busca da felicidade coletiva e individual. No item, as razões, refleti sobre os inúmeros fatores que levam à produção da indisciplina, ao aumento da violência e o papel da ética nos dias de hoje. O primeiro capítulo, intitulado “As razões mais amplas”, o autor vai discutir diversos fatores que contribuíram para o aumento da indisciplina e da violência, tais como: 1

a divulgação distorcida sobre os efeitos maléficos de uma educação extremamente repressiva e violenta poderia levar à produção de sujeitos violentos ou incapazes de lutar por seus direitos contribuiu para produzir indivíduos completamente perdidos e transgressores de regras sociais. status financeiro e social. • A passagem de um modelo sócio-econômico adultocêntrico para um modelo centrado nas demandas das crianças e adolescentes também foi outro fator analisado pelo autor. como também a crise econômica favoreceu a perda do poder aquisitivo. • A divulgação distorcida do saber psicológico. acabam optando por extremos. onde se admite apenas duas alternativas de pensamento (sim/não) que em situações polêmicas. Essa falta de perspectiva foi transferida para o contexto escolar. tirando do adulto a responsabilidade de transmitir a história da cultura. onde evidencia que uma das razões que contribuiu para o aumento da indisciplina e violência nas escolas estaria relacionada ao desaparecimento ou a diminuição de certos valores morais em decorrência dos movimentos de contracultura norte-americana nos anos 60 que pretendia reinventar a vida a partir do festival de Woodstock e da experiência das comunas. a força física. 2 . • Os meios de comunicação de massa. • A situação política e econômica vivida sob o forte impacto do regime militar. fazendo com que os alunos não valorizassem o saber formal. pois este tipo de regime impediu que as pessoas reivindicassem seus direitos e apenas cumprisse deveres. Essa ideologia levou certos pais e educadores a não auxiliar os jovens na construção de regras de convivência. Os defensores desse estilo de vida se fundamentaram nos primeiros estudos freudianos sobre o papel da repressão social na produção das neuroses. especialmente a televisão. os meios de comunicação criam uma cultura binária. pois a família antes organizada em função dos adultos. disputaram espaço com a família. dos costumes e dos valores sociais. com a escola e com outras “agências” socializadoras na educação dos jovens. na verdade buscavam a beleza. A maneira como os eventos violentos são apresentados pelos meios de comunicação de massa.• A morte ou a relativação dos valores morais. • O aumento exorbitante da violência real e virtual. assim. passa a ser em função das crianças. o desemprego e a falta de perspectiva. contribui para a banalização da violência. ou seja.

“Razões ligadas a política educacional”. • A crise em relação aos objetivos da educação formal: segundo o autor. outras foram proibidas. ela por si só não conseguirá resolver tais problemas. As conseqüências mais maléficas foram. Esse processo migratório levou os professores a se depararem com diferentes modos de pensar. suspensão e expulsão. humildade e generosidade). O indivíduo submetido a castigos corporais acabava se tornando um adulto unicamente capaz de cumprir deveres. Tais pessoas viam na educação a única maneira de realizarem seus projetos de ascensão. sobretudo moral e ético. a maioria dos educadores se encontra desorientados quanto aos objetivos da educação formal. ao contrário. em virtude de constatação dos seus efeitos nulos. o aumento de respostas violentas frente as situações de humilhação vividas cotidianamente e a desvalorização dos valores éticos públicos (justiça. No segundo capítulo. algumas são até vistas como prêmios. Isso talvez estivesse ligado às inúmeras mudanças ocorridas nas últimas décadas no tocante 3 . além de ser extremamente perverso e violento com aqueles julgado por ele inferior. pois os alunos não lhes dão mais importância. não se revestem de valor para eles. Mas isso não significa que a escola deve estar alheia ao combate de tais situações. etc. dentre outras. tais como: • O aumento quantitativo de vagas no ensino público e o conseqüente ingresso de crianças das camadas populares: com o progresso da expansão industrial.) parecem não mais funcionar. Ao fim desse capítulo o autor complementa que a indisciplina e a violência na escola são determinadas por fatores sociais mais amplos e a superação de tais fenômenos passa pela resolução dos referidos problemas. o autor analisa as causas ligadas á política educacional implementada a partir de 1960. como também.• A crise dos valores. levando a banalização da vida. isto é. • A falência das formas tradicionais de impor disciplina: as sanções pesadas (aplicação de advertência. perniciosos ou mesmo inversos (uso de castigo físico). ou seja. a evasão e a repetência escolar de grande contingente de estudantes das camadas populares. iniciada no governos de Getúlio Vargas (1883-1954). de ver e de se relacionar dos seus novos alunos. sobretudo na década de 1940 com o governo de Jucelino Kubitscher (1902-1976) e ampliada pelos governos militares fez com que grandes constituintes populacionais migrassem do campo para os grandes centros urbanos. um adulto incapaz de lutar por seus direitos. honestidade. Algumas formas tradicionais de impor a disciplina mostraram-se ineficazes.

ela caracteriza-se por um conjunto de condutas consideradas inadequadas. onde descreveu que o mesmo ao investigar o juízo moral das crianças verificou que ele se desenvolve quantitativamente e qualitativamente. a mudança da visão que se tinha da criança e. violentos e agitados. Até a década de 70 o professor tinha clareza que seu papel era transmitir as informações contidas nos livros didáticos. as crianças se relacionariam com as regras morais primeiro de forma heterônoma (onde considera uma ação boa se ela estiver de acordo com as prescrições adultas) 4 . “A indisciplina e a violência nas escolas. Piaget constatou que o desenvolvimento do juízo moral seguiria o mesmo percurso em relação aos jogos simulados em sua pesquisa. e o próprio desinteresse com a profissão e o descompromisso com a formação. em conseqüência. exigindo assim. No terceiro capítulo. Diante disso. e que para que isso ocorra é necessário que o organismo interaja com os objetos físicos. comportamentos de violência e de autoviolência. das condutas de indisciplina e para servir aos interesses das indústrias farmacêuticas. diferentes daquelas ligados a fatores orgânicos ou relacionados à carência cultural. • A formação profissional e as condições materiais e psíquicas para o desenvolvimento do processo de ensino e de aprendizagem: os professores. As péssimas condições materiais em que se encontram as escolas e as condições de saúde dos profissionais envolvidos diretamente com a educação também contribuem para o aumento da indisciplina e da violência nas escolas. dos objetivos educacionais e de todo o processo educativo. O primeiro especialista que aborda é Piaget. seja submetido a um processo educativo e constantemente se adapte e se desadapte ao seu meio físico e social. enfim. a falta de conhecimento acerca do desenvolvimento psicológico infanto-juvenil. Para a medicina. enfim.a política educacional. descrição semelhante à empregada pelos educadores para as crianças e adolescentes desatentos. o autor afirma que a violência e a indisciplina na escola passam a ser vista na modernidade como produto de uma doença chamada hiperatividade. Isto por várias razões. com as outras pessoas. ou seja. Posteriormente analisa alguns teóricos para explicar a causa da violênica. que vão desde a concepção de criança internalizada (adulto em miniatura). movimentação excessiva em sala de aula. como dificuldade de concentração. em sua maioria não estão preparados para lidar com as crianças e adolescentes. sua política educacional e a sociedade na determinação das causas. o termo hiperatividade tem se prestado a “inocentar” a instituição escolar. Posteriormente iniciou-se no país um processo de construção de respostas à problemática do fracasso escolar.

estudo. Em outras palavras. como o trabalho. onde a principal característica refere-se a contradição freqüente entre o que se diz e o que se acaba fazendo. Embora pareça que estão sendo indisciplinado. Assim. na verdade. ainda tendo como base a teoria piagetiana do desenvolvimento moral. acabariam agindo de maneira egocêntrica e contribuindo para o aumento da indisciplina e violência. A segunda dedução. reconsidera dizendo que esses indivíduos não freqüentam os bancos escolares. ao 5 . A teoria piagetiana descreve diferentes maneiras de o sujeito se relacionar com as regras e os valores. Uma outra noção foi formulada por Winnicott. pois desconhecem a utilidade das regras morais.depois de forma autônoma (onde os indivíduos constroem a idéia de que fazer o bem nem sempre corresponde a agir de acordo com as regras colocadas pelos adultos. Mas não se trataria de qualquer frustração. esta agressividade procuraria se satisfazer na forma destrutiva e/ou autodestrutiva. mas esse conjunto de normas não ocupa posição central na personalidade de tais indivíduos. poderia estar relacionada ao fato desses indivíduos serem heterônomos. o autor deduz que as condutas de indisciplina e de violência nas escolas poderiam estar ligada ao fato dos alunos terem lógica de funcionamento moral própria da anomia (fase de desenvolvimento caracterizado pela ausência da moral). estariam denunciando os objetivos e a maneira como as instituições funcionam.. Tendo-a como parâmetro. não tendo consciência desta incoerência. o mais apropriado seria dizer que construíram. tenderiam a manifestar seu desagrado e desconforto ao modo autoritário da instituição escolar. prática de esportes etc. Apesar de ser uma explicação possível para o aumento da ocorrência da indisciplina e violência na escola. Porém. o sujeito indisciplinado e violento poderia estar agindo dessa forma movido pelo fato de não ter construído e reconstruído a moral. Normalmente essa agressividade é canalizada para o desenvolvimento de atividades. tenderia a transgredi-los. Ele não teria consciência acerca dos limites colocados pela sociedade e. Assim. ele acabaria se manifestando de forma violenta. o autor considera praticamente impossível alguém inserido em nossa cultura não ter tido a oportunidade de construir ou reconstruir regras morais. por saberem que as regras são constituídas pelos homens. E por fim. onde os indivíduos apresentariam tais condutas por serem autônomos. por esta razão. que concebia a existência de tais fenômenos como uma reação a uma situação de intensa frustração. E a terceira dedução estaria relacionada ao problema do próprio sistema social em voga. se esse processo não acontecesse. A noção psicanalítica da violência e indisciplina estaria ligada ao pressuposto de que a agressividade é inata no homem e segundo o psicanalista Mezan.

onde a violência seria uma forma encontrada pelo sujeito de reconstrução da sua imagem narcísica (auto-imagem). essas e outras frustrações poderiam levar a atos de violência e de autoviolência. • Oferecimento de condições para a conscientização de todos os envolvidos: é fundamental que as crianças. lhes pertence. como tal. • Democratização das relações escolares: a conscientização da comunidade acerca do fato que a instituição escolar é pública só é possível com a democratização das relações escolares. trabalhar e não conseguir garantir a mínima sobrevivência da família. • Deixar de ver o aluno indisciplinado e violento como problema: a superação de tais fenômenos passa pelo entendimento de que. Esse processo passa necessariamente pela mudança do tipo de relação individual estabelecida. de tentar recompor a imagem (que acredita representálo). 6 . mais do que problemas. Assim. A mudança propiciará o desenvolvimento de sujeitos autônomos. No último capítulo. Culpá-la é desprezar questões como a obrigatoriedade imposta aos pais de que eles trabalham excessivamente para garantir minimamente a sobrevivência de seus filhos. eles são indicadores de como está se dando a dinâmica formal. tanto as internas quanto as externas. refere-se a situações limites. pois tal diagnóstico não evidencia que o problema está na política educacional orientadora. quase sempre de coação. ser ou estar esteticamente fora dos padrões. “As soluções”. como por exemplo. E também não levar em consideração que a função da escola é contribuir para o pleno desenvolvimento da personalidade do educando.contrário. sobretudo quando a resistência à frustração é baixa ou mediana. Por último. ao fazer isso os educadores não estão contribuindo em nada para resolver o problema. Ela é um patrimônio público e. o autor aponta algumas soluções que se podem tentar implantar: • Substituir a cultura da culpa pela da responsabilidade: nos últimos tempos há uma tendência dos profissionais culparem a família pelas condutas indisciplinadas dos alunos. tem-se a concepção construída por Lacan. Deve-se mudar a maneira como o professor vê o aluno. que fazem uso da democracia como meio de resolução de seus conflitos interpessoais. os adolescentes e a comunidade em geral tenham condições de se conscientizarem de sua responsabilidade na preservação da escola. isto é. considerando-o muito ou pouco inteligente/maduro. por alguma razão real ou simbolicamente arranhada. Ao terem consciência disto há possibilidade que diminuam os casos de depredação da instituição.

o respeito mútuo. é algo que o autor chama à atenção. A assistência psicológica para os profissionais ligados à educação. paulatinamente. dentre vários aspectos.onde os conteúdos ministrados podem estar aquém ou além da capacidade dos aprendizes. Nas punições expiatórias a qualidade do castigo é estranha à infração cometida. Apesar dos esforços de alguns docentes. em 1997 publicou por intermédio da Secretaria de Educação Fundamental. respondendo também mecanicamente. “formação” pedagógica e assistência psicológica. a solidariedade e o diálogo. oferecer as condições para que os educadores aprendam ou relembrem os conteúdos necessários ao exercício da profissão e assim. como justiça. constrói e reconstrói o seu conhecimento. além de visões que concebem o aprendiz como sujeito ativo que. ainda hoje. percebe-se que a realidade está dissociada sala de aula. Ele deve procurar articular tais conteúdos à vida efetivamente vivida pelos escolares. para a qualidade do ensino. sobretudo para os docentes. ao invés de considerá-las inimigas. • Ter a dignidade do ser humano como parâmetro educativo: Os parâmetros curriculares nacionais apontam que a educação deve procurar formar indivíduos que tenham suas condutas guiadas por valores alicerçados na dignidade do ser humano. a partir da interação com o meio físico e social. • Substituir o uso de punições expiatórias pelas sanções por reciprocidade: o uso de punições em que há relação entre o castigo aplicado e o delito cometido. • Orientação pedagógica. • Conceber e concretizar a educação como fator de desenvolvimento: o Ministério da Educação. pois dessa forma estaria contribuindo para a melhoria da saúde mental dos docentes e. os Parâmetros Curriculares Nacionais . psicopedagógica e psicológica: é necessário que os professores e os demais membros responsáveis pela administração e pela manutenção da instituição escolar recebam orientações psicopedagógicas. tenham melhores condições de articular teoria e prática. • Articular os conteúdos tradicionais à vida: esta solução está mais articulada à metodologia de ensino que deve ser utilizada pelo professor em sala de aula. conseqüentemente. 7 . Isto implica o desenvolvimento de valores morais. Os alunos continuam aprendendo mecanicamente e. em conseqüência. Tais medidas visa. garantindo uma educação voltada para o pleno desenvolvimento da personalidade do educando.

sem projetos e altamente especializados ou programados para trabalhar. não valorizá-la. “Os valores morais e éticos estão cada vez mais ocupando posições periféricas na sociedade. e no seu lugar haverá seres previsíveis. por não terem os valores morais como centrais em sua personalidade e por terem o espaço de recreação prematuramente cerceado e. pelo conteúdo escolar estar aquém ou além do desenvolvimento cognitivo e da aprendizagem. • Priorizar os valores morais e éticos: segundo Piaget a moral e a inteligência são desenvolvidos a partir da maturação do organismo e da interação com o meio. pelo menos . iguais.• Abolir qualquer forma de humilhação: a prática do rebaixamento moral pode levar a. a escola deixa de ser o templo do saber e do conhecimento intelectual para tornar-se o lugar de divertimento e de descanso. matar e amar. Assim.” Após analisar todos esses fatores pode-se concluir que a indisciplina está muito mais ligada ao fato da criança e adolescentes não saberem o que estão fazendo na escola. por razões ligadas às condições objetivas da vida. discordarem dos métodos de ensino e da maneira como os professores se relacionam com eles. de desenvolvimento. a indisciplina pode estar relacionada ao fato de muitas escolas terem limites morais insuficientemente desenvolvidos. condenando o homem ao desaparecimento. Assim. conseqüentemente. A inserção prematura de adolescentes e crianças no mercado de trabalho formal e informal os obrigam a diminuírem o espaço do brincar. duas conseqüências – construir uma relação com o mundo de mera subserviência ou perceber sua auto-imagem diminuída. 8 .