ÁFRICA Banco Mundial propõe fim de barreiras comerciais em África

ECONOMIA Carvão vai estimular exportações em 17%

DOSSIER Millennium Challenge Account dá impulso ao Norte

Publicação mensal da S.A. Media Holding . abril de 2012 . 100 Mt

TURISMO País entre os melhores destinos DESENVOLVIMENTO Malonda capta investimentos para o Niassa

NIASSA qUER FAzER NEgóCIO
RESENHA JURÍDICA Exercício da actividade seguradora em Moçambique

Niassa waNts tO dO busiNess
FISCALIDADE O uso de meios electrónicos no cumprimento das obrigações fiscais

Nº 52 . Ano 05

Afritool
Av. 25 de Setembro, Nr. 2009 Caixa Postal Nr. 2183 Tel. +258 21309068/328998 Fax. +258 21328997/333809 info@afritool.co.mz Maputo - Moçambique

A mAis de 13 Anos A proporcionAr os mAis Altos pAdrões de serviços, com produtos de QuAlidAde, preços competitivos, ideiAs inovAdorAs, Atendimento personAlizAdo
MoçAMbique TANzANiA ChiPre SwAzilâNdiA

delegAçõeS em quelimane, Tete e Nampula

e Material Méd

Equipamento

Ferramentas e Implementos Agricolas

Motocultivador

Motores

ico

editora capital c editora capital c

6 SUMÁRIO

dossier
DR

ECONOMIA
DR

FACTOS & NÚMEROS
DR

VALORES

19

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DOSSIER

24

19 30
TDM, p 02 AFRITOOL, p 03 MMEC, p 04 MCEL, p 05 STANDARD BANK, p 08 ZAP, p 11 EDITORA CAPITAL, p 15

Millenium Challenge Account dá impulso ao norte
Os investimentos aplicados pela Millenium Challenge Account em prol do desenvolvimento são notórios nas províncias do norte de Moçambique. As áreas das infraestruturas, abastecimento de água, acesso e posse segura de terras, entre outras, estão na ordem do dia daquele organismo, visando gerar uma grande dinâmica na vida das comunidades daquelas províncias.

DESENVOLVIMENTO
Malonda capta investimentos para a província do Niassa
Reduzir a pobreza e melhorar os meios de subsistência das comunidades rurais das comunidades mais desfavorecidas no Niassa são os objectivos da Fundação Malonda, que tem atraído investimentos para a província, além de apoiar o sector privado e mediar possíveis conflitos.

ÍNDICE DE ANUNCIANTES
TIM, p 17 CR HOLDING, p 19 AFRIN, p 37 PWC, p 41 SUPERBRANDS, p 47 CORRE, p 51 BCI p 52

SUMÁRIO 7

OBSERVATÓRIO
DR DR

SECTOR
DR DR

visÃo

33

34
ENTREVISTA

39

50

O nacional está a aprender a fazer negócio
A área florestal e o turismo são as cartas que a província do Niassa têm na manga para incrementar o desenvolvimento local. Entretanto, a falta de vias de acesso e de mercados para comercialização constituem o calcanhar de Aquiles para que a província dê este importante passo.

26 38

ANÁLISE
Criar espaços energéticos comunitários pode ser uma solução
A expansão das energias renováveis é uma realidade benéfica para as comunidades. Nesse contexto, um maior conhecimento e maior aceitação pública das tecnologias seriam certamente importantes para impulsionar este tipo de energias.

EDITORIAL 9

Desenvolver sim, mas de olhos postos na Comunidade
Niassa possui oportunidades imensas no que diz respeito ao desenvolvimento de negócios sustentáveis. O agro-business é o seu ‘cavalo de tróia’, e embora a província tenha subido no ranking de investimentos graças aos projectos florestais, as florestas assumem-se como uma clara aposta num horizonte temporal um pouco mais distante. A adicionar ao rol de riquezas da terra surge o cultivo do algodão, milho, sorgo, feijão manteiga, arroz, tabaco, madeiras e pedras semi-preciosas. Dizem os locais, com uma pitada de orgulho, que a província possui das maiores reservas de carvão mineral do país, já para não falar do mundo. Outra mais valia reside no sector do turismo que vive intensamente da atracção que o Lago exerce nos visitantes nacionais, mas sobretudo nos estrangeiros. Além das 60 mil espécies de peixes ornamentais existentes naquelas águas límpidas, há a acrescentar ainda a flora e a fauna abundante assim como uma terra fértil que parece tocar o céu. Apesar de abençoada pela Natureza, a província luta com a falta de vias de acesso e de mercados para a comercialização dos seus produtos, e lida com sonhos de grandes projectos que tardam a acontecer. Perfilam-se missões empresariais originárias do Brasil, cujo interesse recai sobre o cultivo da soja e do milho e sobre a produção pecuária, e o Programa de Inovação em Agronegócios (Inovagro) estende os seus tentáculos para além da Zambézia, Nampula e Cabo Delgado, chegando igualmente àquelas paragens. Por outro lado, encontra-se prevista para este ano a implementação de uma fábrica de empacotamento de feijão em Lichinga. Contudo, não existe financiamento para o arranque do projecto. E é igualmente expectável a montagem de uma fábrica de ração destinada à indústria avícola. Ao mesmo tempo, a Associação para o Desenvolvimento Comunitário do Niassa encontra-se a licenciar-se no sentido de desenvolver o microcrédito e a AMODER procura preencher as lacunas sentidas pelos empreendedores, concedendo créditos a agricultores e transportadores. No ano passado, o governador provincial do Niassa convidou os actores da cadeia de produção e de valores a se envolverem cada vez mais no aumento da produção e produtividade agrárias, aproveitando todas as oportunidades agro-ecológicas e, sobretudo, as que o Governo colocou à disposição para o fomento de agricultura, através do Fundo Distrital de Desenvolvimento. Já a Fundação Malonda assume-se como uma parceira inquestionável não só na promoção como na facilitação do desenvolvimento do sector privado no Niassa, sobretudo no sector das florestas; agricultura; turismo; geologia e mineralogia. Resumindo e concluindo, a dinâmica da província não pára, apesar da distância que a medeia de outros centros nevrálgicos, das dificuldades de financiamento, da falta de vias de comunicação e de mercados para a comercialização dos produtos agrícolas, entre outras. Aliás, um estudo feito pela KPMG garante que os empresários do Niassa são os mais optimistas em relação ao clima de negócios. E esse é o espírito que Niassa parece desenvolver: o de ser positivo.c

O

Helga Nunes

helga.nunes@capital.co.mz

FICHA TÉCNICA
Propriedade e Edição: Southern Africa Media Holding, Lda., Capital Magazine, Av. Mao Tse Tung, 1245 – Telefone/Fax (+258) 21 303188 – revista.capital@capital.co.mz – Directora geral: André Dauane – andre.dauane@mozmedia.co.mz – Directora Editorial: Helga Neida Nunes – helga.nunes@mozmedia.co.mz – Redacção: Arsénia Sithoye - arsenia.sithoye@mozmedia.co.mz; Sérgio Mabombo – sergio.mabombo@mozmedia.co.mz – Secretariado Administrativo: Márcia Cruz – revista.capital@capital.co.mz; Cooperação: CTA; Ernst & Young; Ferreira Rocha e Associados; PriceWaterHouseCoopers, ISCIM, INATUR, INTERCAMPUS – Colunistas: António Batel Anjo, E. Vasques; Elias Matsinhe; Federico Vignati; Fernando Ferreira; Hermes Sueia; Joca Estêvão; José V. Claro; Leonardo Júnior; Levi Muthemba; Maria Uamba; Mário Henriques; Nadim Cassamo (ISCIM/IPCI); Paulo Deves; Ragendra de Sousa, Rita Neves, Rolando Wane; Rui Batista; Sara L. Grosso, Vanessa Lourenço; Fotografia: Luís Muianga, Amândio Vilanculo; Gettyimages.pt, Google.com; – Ilustrações: Marta Batista; Pinto Zulu; Raimundo Macaringue; Rui Batista; Vasco B. Capa: Helga Neida – Paginação: A. Magaia – Design e Grafismo: SA Media Holding – Tradução: Pedro Amaral – Departamento Comercial: Neusa Simbine – neusa.simbine@mozmedia.co.mz; – Distribuição: Nito Machaiana – nito. machaiana@capital.co.mz; SA Media Holding; Mabuko, Lda. – Registo: N.º 046/GABINFO-DEC/2007 - Tiragem: 7.500 exemplares. Os artigos assinados reflectem a opinião dos autores e não necessariamente da revista. Toda a transcrição ou reprodução, parcial ou total, é autorizada desde que citada a fonte.

abril 2012

revista capital

10 BOLSA DE VALORES EM ALTA JANELA ÚNICA ELECTRóNICA
Através da Janela Única Electrónica, as Alfândegas de Moçambique colectaram no TIMAR - Terminal Internacional Marítima, no Porto de Maputo, cerca de 130 milhões de meticais nos primeiros dois meses deste ano, em resultado da submissão de 172 despachos electrónicos. O montante corresponde a cerca de 27 % da receita recuperada pelo TIMAR.

CAPITOON

DÍVIDA MOçAMBICANA
O ministro de Planificação e Desenvolvimento de Moçambique, Aiuba Cuereneia, revelou que estão a ser fechadas as negociações e as devidas compensações da dívida externa de Moçambique para com Angola. De referir que a dívida de Moçambique a Angola resultou de importações de petróleo, na década de 1980.

PRODUçãO DE AçÚCAR
A Açucareira de Moçambique (AM), sob gestão da firma sul-africana Tongaat Hulett, atingiu, em 2011, uma produção recorde de 63 mil toneladas de açúcar, contra cerca de 44 mil toneladas de 2010. O representante daquela unidade fabril, George Naude, disse que o sucesso alcançado deveu-se à introdução de novas técnicas de produção agrária, no âmbito da produção do açúcar naquela fábrica, cujo accionista minoritário é o Governo com 15 % de acções.

EM BAIXA EMBARCAçãO ESPANHOLA
As autoridades moçambicanas apreenderam uma embarcação espanhola que foi encontrada a praticar pesca ilegal, tendo capturado 1.200 quilos de atum na Zona Exclusiva do País. Trata-se da embarcação Txori Argi, que foi ordenada a dirigir-se ao Porto de Nacala, província nortenha de Nampula, para inspecções e averiguações aprofundadas, na sequência do seu envolvimento na pesca ilegal. O navio espanhol foi condenado a pagar mais de 1.200.000 dólares pela infracção cometida.

COISAS QUE SE DIZEM…
quem nos dera… «Estender os benefícios para toda a sociedade», Desejo de Ernesto gove, manifestado aquando do 36º Conselho Consultivo do Banco de Moçambique … Dá saúde e faz crescer «Sem um povo educado e saudável podemos ter crescimento económico, mas não desenvolvimento económico», Economista Ragendra de Sousa, no âmbito do Conselho Consultivo do BM As meliantes! «São as empresas públicas que pressionam a taxa de juro», Idem Uma prosperidade que exige ingredientes completos «A abundância em recursos naturais não é um passaporte automático para a prosperidade» Relatório do CIP sobre os desafios da indústria extractiva em Moçambique Crescimento aparente? «O actual modelo de crescimento da China é insustentável» Presidente do Banco Mundial, Robert B. zoellick Um erro, uma lição «É bastante óbvio que aderir ao euro foi um erro para a Grécia e também para Portugal» Nobel da Economia, Paul Krugmam

ONg’S
O Governo da província da Zambézia manifestou a sua preocupação com o facto de as Organizações Não Governamentais (ONG’s) que operam naquela parcela do país não declararem os seus orçamentos para financiar projectos. O facto foi dado a conhecer pela directora provincial do Plano e Finanças da Zambézia, Joaquina Gumeta, durante o encontro para avaliar o impacto das actividades desenvolvidas pelas ONG’s naquele ponto do país. Actualmente, existem trinta e três organizações a operar na província, no entanto, apenas metade declara o orçamento.
revista capital abril 2012

12 MUNDO

NOTÍCIAS
ciado a suspensão da produção de veículos na Europa a partir de 2013. Entretanto, a principal cláusula a ser cumprida pelo comprador consiste em manter os postos de trabalho dos 1.500 trabalhadores. Na ocasião do anúncio da medida, cerca de mil dos 1.500 funcionários bloquearam a entrada da fábrica em jeito de protesto. No seguimento da manifestação, os sindicatos convocaram uma greve revelando que o encerramento da fábrica representaria um desastre para os países do Sul. No entanto, a Mitsubishi justificou a sua decisão de suspensão da produção com o ambiente operacional difícil que se vive na Europa. A NedCar emprega actualmente 1.500 funcionários e produz os modelos Colt e Outlander.c Guarulhos, mais de 31 mil milhões de dólares, um acréscimo de 373 por cento sobre o valor mínimo, tendo o vencedor sido o consórcio Invepar, formado por fundos de pensão brasileiros em parceria com a sul-africana ACSA.c

EUA

Obama quer reduzir défice em quatro biliões

EUA

Vendas de discos de Whitney sobem

O presidente dos EUA, Barack Obama, apresentou propostas no sentido de reduzir o défice em quatro biliões de dólares durante os próximos 10 anos. A longo prazo, o país deverá conseguir ter o défice sob controlo para manter a base da economia. Obama apresentou o orçamento para 2013, que inclui várias propostas de obras públicas, aumentos de impostos para os mais ricos e para as empresas, projectando um défice de 1,3 biliões de dólares para este ano, o que significa o quarto ano seguinte de défices acima de um bilião de dólares. O chefe de gabinete de Obama afirma que o proposto é semelhante ao plano apresentado em 2012 então rejeitado pelos republicanos. Entretanto, os republicanos voltaram a criticar o documento do presente ano.c

BRASIL

governo arrecadou 14.2 mil milhões de dólares com a concessão de três aeroportos
A Agência Nacional de Aviação Civil do Brasil obteve um encaixe de 14.2 mil milhões de dólares com a concessão dos aeroportos de Guarulhos (Cumbica), Campinas (Viracopos) e Brasília (JK). Realizado na Bolsa de Valores de São Paulo, o leilão da concessão reuniu 11 consórcios que apresentaram propostas para os três aeroportos que, em conjunto, movimentam 30 por cento dos passageiros e 57 por cento da carga aérea do Brasil. O maior valor foi pago pelo Aeroporto de

HOLANDA

Mitsubishi vende fábrica automóvel holandesa por um euro
A Mitsubishi Motors está a vender a sua fábrica automóvel na Holanda por apenas um euro. A decisão surge após ter anun-

As vendas dos discos da cantora norte-americana Whitney Houston, que perdeu a vida na segunda semana de Fevereiro, subiram 300 por cento nas lojas FNAC em Portugal. O Fenómeno verificou-se também em outros mercados da Europa e nos próprios Estados Unidos. Em todas as 17 lojas do grupo FNAC notou-se uma especial procura pelo álbum ‘The Bodyguard’. Refira -se que a cantora, Whitney Houston, que já somava 48 anos, foi encontrada sem vida num quarto de hotel em Los Angeles, Califórnia. A cantora teve sucesso sobretudo nas décadas de 1980 e 1990 e conquistou dezenas de prémios, figurando no livro do Guiness como a mais premiada das mulheres na música.c

DESTAqUE

Empresários de Minas gerais estudam investimentos no País
Uma delegação de empresários brasileiros do Estado de Minas Gerais, representando 14 empresas de vários sectores de actividades, visitou Moçambique em Março no sentido de avaliar as oportunidades de investimento em áreas como a engenharia, saúde, agro-pecuária, cosméticos, infra-estruturas e comunicações, segundo revelou o Centro de Promoção de Investimento (CPI), em Maputo. Durante um encontro com empresários moçambicanos e responsáveis do CPI, os empresários brasileiros foram alertados para as facilidades concedidas pelo governo moçambicano, nomeadamente o baixo valor do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Colectivas (IRPC) para o sector agrícola. c
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governo da Dinamarca doa 30 milhões de USD a Moçambique
A Dinamarca disponibilizou cerca de 30 milhões de dólares americanos para investir em projectos de agro-pecuários de produção de soja para servir de matéria-prima para indústrias do sector privado na província central de Manica. Para além de soja, de acordo com informações que nos foram disponibilizadas, o investimento destina-se à produção de queijo.c

DR

BANCA

BCI

BCI distinguido como o “Melhor Banco da Província de Cabo Delgado em 2011”
Seguindo uma prática que se vem enraizando nos últimos anos, a CTA – Confederação das Associações Económicas de Moçambique (Delegação da Província de Cabo Delegado) distinguiu, pela 2ª vez consecutiva, o BCI como “O Melhor Banco da Província de Cabo Delegado”. A distinção teve lugar no passado dia 25 de Fevereiro de 2012, em Pemba, numa cerimónia organizada por aquela Confederação de Agentes Económicos e Empresários, que contou com a presença do Governador da Província de Cabo Delegado, Dr. Eliseu Machava, e do Presidente do Município de Pemba, Dr. Tagir Carimo, entre muitas individualidades do meio político e empresarial daquela Província do Norte de Moçambique. A entrega do prémio foi feita por Sua Excelência o Governador da Província de Cabo Delgado ao Sr. João Mário de Barros Carrilho, Director Comercial de Região do BCI. De acordo com os seus promotores, a nomeação baseia-se em critérios como a qualidade na prestação de serviços aos Clientes; o contributo efectivo, durante o ano que findou, para o desenvolvimento da população e da Província; e o significativo esforço demonstrado no alargamento da presença do Banco, consubstanciado na expansão da sua rede comercial por diversos distritos da Província de Cabo Delgado.

Reabertas 2 Agências BCI na Cidade de Maputo, totalmente renovadas e modernizadas

O BCI procedeu à reabertura ao público de 2 Agências na Cidade de Maputo, após significativas obras de renovação e modernização. Trata-se da Agência Alto Maé, localizada na Av. Eduardo Mondlane, nº 3048/50, e da Agência Imprensa, localizada na Rua da Imprensa, no Prédio 33 andares. Ambas as Agências dispõem desde já

um nova estrutura de distribuição de espaços, ajustada às actuais necessidades e expectativas dos Clientes, e oferecem mais comodidade e segurança, garantido igualmente uma mais elevada eficiência operacional. As Agências dispõem agora de espaços mais amplos para o atendimento geral e de espaços dedicados ao atendimento personalizado, por Gestores de Clientes.

14 ÁFRICA

NOTÍCIAS
NBS estima que a pobreza poderá conhecer um ligeiro aumento até 71,5, em 2012.c

NIgÉRIA Mais de 60% vive na pobreza
A percentagem de nigerianos que vivem na pobreza aumentou, tendo passado de 54,7 % em 2004 para 60,9 % em 2010, de acordo com dados divulgados pelo Gabinete Nacional de Estatísticas (NBS). Segundo o NBS, o número de pessoas que vivem na pobreza aumentou apesar de um crescimento de 7,6% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. O especialista nigeriano em estatística, Yemi Kale, descreveu a situação como um “paradoxo”, pois o número de nigerianos que vivem na pobreza continua a aumentar enquanto a economia cresce. «O NBS estima que esta tendência poderá reforçar-se em 2012 se os impactos positivos potenciais de vários programas de luta contra a pobreza e o desemprego não forem tidos em conta», alertou Yemi Kale durante a apresentação de um relatório intitulado «Análise da Pobreza na Nigéria em 2010». A distribuição do número de pobres pelas seis zonas geopolíticas do país revela que o noroeste e o nordeste registam as taxas de pobreza mais elevadas com 77,7% e 76,3%, respectivamente. O sudoeste, onde se situa Lagos, a capital económica, regista as taxas de pobreza menos fracas com 59,1%. Quanto aos índices da taxa de pobreza relativa, absoluta e a partir do limiar de um dólar americano por dia, o

BREVES DOS PALOP´S ANgOLA

zIMBABWE Cahora Bassa poderá cortar energia ao zimbabwe
A Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) poderá cortar o fornecimento de energia eléctrica ao Zimbabwe devido a uma dívida acumulada no valor de 90 milhões de dólares, segundo o ministro zimbabweano da Energia, Elton Mangoma. Mangoma disse que a empresa nacional de energia, Zimbabwe Electricity Supply Authority (ZESA) possui uma dívida acumulada com terceiros em mais de um bilião de dólares referente a despesas de importação de energia, empréstimos e contribuições em projectos conjuntos com a Zâmbia. «Nesta fase, apenas com as receitas da ZESA, não existe nenhuma possibilidade de saldarmos a dívidas. Não estamos a pensar em saldar as dívidas a curto prazo, mas que o tesouro tome em consideração a gestão da dívida», afirmou o ministro. Actualmente, o Zimbabwe precisa de 2.200 MW de energia para suprir as suas necessidades, dos quais consegue gerar apenas 1.300 MW, daí ter de importar a quantidade remanescente aos países vizinhos.c

governo ‘cozinha’ novas privatizações
Nos últimos 10 anos, o governo angolano privatizou 198 empresas, através do Gabinete de Redimensionamento Empresarial, revelou o ministro da Economia, Abrahão Gourgel. Gourgel afirmou que muitos beneficiários das empresas privatizadas não liquidaram as suas dívidas com o Estado, uma vez que não pagaram os valores pela privatização das empresas, ou então pagaram parcialmente, situação que perdura até hoje. O processo de privatizações inclui empresas e sociedades dos ramos da pesca, agricultura, indústria, comércio, transportes, geologia e minas, petróleo, construção civil e bancos. c

gUINÉ-BISSAU

Novo acordo de pesca foi firmado com a União Europeia
A Guiné-Bissau e a União Europeia rubricaram um novo acordo de pesca que permitirá aos barcos europeus capturar peixes nas águas territoriais da GuinéBissau, nos próximos três anos. No novo acordo que substituirá o protocolo em curso, e que deve expirar a 15 de Junho próximo, foi decidido que navios portugueses, franceses e espanhóis poderão capturar nas águas territoriais de Guiné-Bissau atum, camarão e cefalópodes. Em virtude do novo acordo de pesca, a UE concederá ao Governo da Guiné-Bissau uma compensação financeira anual de 9.9 milhões de euros, dos quais três milhões para programas de desenvolvimento da pesca local.c
DR

DESTAqUE

Banco Mundial propõe fim de barreiras comerciais em África
O Banco Mundial (BM) alertou os países africanos no sentido de suprimir as barreiras comerciais no continente, sobretudo com os seus vizinhos, para que possa haver uma integração económica e um aumento dos rendimentos comerciais. De acordo com um relatório citado pelo jornal nigeriano “Guardian”, o BM considera que as barreiras comerciais privaram o continente de novas fontes de crescimento económico e de novos empregos, aumentando ao mesmo tempo a pobreza. O mesmo documento salienta ainda que as redes de produção
revista capital abril 2012

que sustentaram o dinamismo económico em outras regiões, como a Ásia do Leste, ainda não foram concretizadas em África. No relatório, o BM indica que vários países africanos perdem biliões de dólares americanos em receitas comerciais potenciais a cada ano, devido a enormes obstáculos às suas trocas comerciais com os países vizinhos que tornam mais fácil a África fazer negócios com o resto do mundo do que consigo mesma. Por outro lado, os obstáculos ao comércio livre são enormes e afectam de modo desproporcional os pequenos comerciantes, maioritariamente as mulheres.c

16 MOÇAMBIQUE

NOTÍCIAS

ENERgIA

AMBIENTE DE NEgóCIOS

Centro e norte de Moçambique estarão ligados por nova linha de transmissão de energia
nos permitem também a produção de energia, para além das energias renováveis. Isto oferece ao país melhores condições para a existência de um sector de energia que pode responder de forma segura, eficaz e duradoura às exigências do desenvolvimento económico e social», afirmou. Recentemente, o Governo lançou oficialmente o projecto de transporte CESUL, combinação de uma linha aérea de Alta Tensão de Corrente Alternada (HVAC) de 400 kV e uma linha de Alta Tensão de Corrente Contínua (HVDC) de 800 kV, ligando o centro e o sul do País. O Projecto CESUL, com um custo estimado de 1,8 biliõess de dólares norteamericanos, vai constituir a “espinha dorsal” da Rede Eléctrica Nacional de Transporte de Energia Eléctrica em Alta Tensão, para além de viabilizar os projectos de produção hidroeléctrica e térmica em curso no vale do Zambeze, assegurando o transporte da energia eléctrica a ser produzida para potenciais centros consumidores nacionais e da Região.c

Lançamento do Fundo para Ambiente de Negócios

O Governo moçambicano projecta construir uma nova linha de transmissão de energia eléctrica que liga as regiões Centro e Norte como forma de satisfazer as exigências do desenvolvimento económico e social, impulsionadas pelas descobertas e exploração de recursos minerais. O director nacional de Energia, Pascoal Bacela, disse que a nova linha deverá seguir eventualmente o trajecto CaiaNampula/Nacala (Centro-Norte), sendo a outra alternativa a rota Tete (Centro)/ Nampula/Nacala (Norte). «A nossa felicidade como país é poder contar com elevado potencial hidroeléctrico e recursos como o carvão e hidrocarbonetos e o gás natural, que

FISCALIDADE

75 por cento da receita aduaneira será colectada com meios electrónicos
O Gestor do Projecto da Janela Única Electrónica (JUE), Guilherme Mambo, informou que cerca de 75% da receita aduaneira prevista para este ano poderá ser cobrada através da Janela Única Electrónica (JUE), projecto que entrou em vigor nos finais de 2011 com o objectivo de melhorar o ambiente de negócios e diminuir os custos operacionais ligados ao processo de desembaraço de mercadorias. Segundo Guilherme Mambo, cerca de 75% da receita aduaneira é colectada pelas principais Alfândegas seleccionadas para a introdução imediata da JUE enquanto os remanescentes 25% são cobertos por cobranças feitas através de pequenas unidades aduaneiras e terminais espalhados pelo País. «Os 75% incluem os principais portos e fronteiras terrestres com a África do Sul e com o Zimbabwe, Contudo, e conforme planeado, todas as Alfândegas serão abrangidas pela JUE gradualmente para assegurar que todo o processo de
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desembaraço beneficie da celeridade que a JUE irá oferecer», disse. A Janela Única Electrónica é um projecto que prevê abranger não só a tramitação de documentos de desembaraço das Alfândegas mas também outros emitidos pelas instituições de controlo do sector público como os ministérios que emitem licenças de importação e exportação como também outros agentes que realizam o controlo de mercadorias em nome do Estado. O custo total do projecto, incluindo infra-estruturas e equipamentos, está estimado em cerca de 12.7 milhões de dólares norte-americanos. De acordo com Cacilda Chicalia, gestora de Comunicações no projecto, a implementação da JUE traz inúmeros desafios, alguns de carácter tecnológico e outros de mudança de atitude, tanto dos operadores importadores, bem como dos funcionários encarregues de garantir a execução do desembaraço de mercadorias.c

Foi lançado no dia 15 de Fevereiro, em Maputo, o Fundo para Ambiente de Negócios (FAN), evento que contou com a presença de representantes do Ministério da Indústria e Comércio, do sector privado, dos sindicatos, da sociedade civil e parceiros de cooperação. Este fundo para a Advocacia e Pesquisa de Negócio constitui uma das três componentes do Programa de Desenvolvimento do Sector Privado (PSDP) que actua também nas áreas de: Desenvolvimento de Agro-Negócios e Estradas do Distrito. Um dos objectivos do evento era realçar o papel que o sector privado pode desempenhar no crescimento da economia e na criação de emprego e divulgar as actividades do FAN. O FAN é financiado pela Agência Dinamarquesa de Desenvolvimento Internacional (DANIDA). O fundo coloca 12 milhões de USD, durante o período 2011-2015, à disposição das associações profissionais cujo papel principal é o de estabelecer diálogo com o Governo no processo de estabelecimento de políticas que afectam directa ou indirectamente o sector privado, afim de capacitá-las nos processos de pesquisa, diálogo e advocacia. O objectivo final é a promoção do diálogo entre o sector privado e o Governo na criação de um ambiente propício para os negócios.c

18 REGIÕES

NOTÍCIAS

NAMPULA Vietnamitas recebem terra para investir
O Governo da Província de Nampula concedeu mais de 40 mil hectares de terra arável a investidores vietnamitas para a produção e processamento de caju, mandioca e madeira. Em alguns distritos daquela província como Mogovolas, Ribaué e Meconta foram encontradas condições favoráveis para a plantação e processamento de caju e de mandioca, segundo afirmou Truong Tan Thieu, presidente da comissão popular da província de Binh Thuoc, no Vietname. Tan Thieu constatou naqueles distritos a insuficiência de algumas infra-estruturas básicas nas áreas de transporte e comunicação, electricidade, abastecimento de água, para além dos recursos humanos com qualificações necessárias para a dimensão dos projectos que se pretendem implantar, principalmente no sector de caju. No entanto, as partes assinaram a acta nos termos da qual o Governo de Nampula concederá aos empresários vietnamitas uma área de 10 mil hectares para o plantio de cajueiros e 30 hectares para o estabelecimento de uma fábrica de processamento de castanha de caju, no distrito de Mogovolas, e fornecer mudas de cajueiros para o programa de plantio. Para a exploração da mandioca, no distrito de Ribaué, o Governo Provincial irá assegurar 20 mil hectares para a produção daquele tubérculo e proceder à entrega de variedades melhoradas e tolerantes às doenças da região. No sector das florestas, em Meconta, deve ser entregue aos vietnamitas uma licença em regime de concessão florestal bem como áreas para a instalação de indústrias de processamento da madeira. A província de Nampula possui um total de 4,5 milhões de hectares de terra arável mas, actualmente, apenas cerca de 1,7 milhões de hectares estão a ser exploradosc

zAMBÉzIA 45 milhões de dólares para fábrica de tantalite

Cerca de 45 milhões de dólares americanos estão a ser investidos pela empresa “Highland Minning Company Corporation” na construção de uma nova fábrica de processamento de tantalite em Marropino, distrito do Ile, na província da Zambézia. Com o novo empreendimento, esperase elevar o processamento de tantalite das actuais 100 toneladas por hora para 320, o que trará ganhos financeiros à empresa com a extracção, processamento e exportação da produção. Em 2011, a empresa mineira exportou para os seus principais mercados na Tailândia e Américas 75 toneladas e conseguiu arrecadar 150 mil libras. O director-geral da empresa, Delio Darsamo, disse que se espera uma rendibilidade anual no valor de 500 libras esterlinas. A empresa tem como desafios, para os próximos anos, atingir lucros na ordem das 200 mil libras mas, para isso, será necessário incrementar os níveis de produção para dez vezes mais.c

Trata-se do balcão do Yingue MicroBanco, financiado pelo Fundo de Reabilitação Económica (FARE) e pelo Gabinete de Promoção de Investimento (GAPI). O mesmo pertence a investidores nacionais naturais de Morrumbene e conta com um capital social de três milhões de meticais e os seus activos totais ascendem a cerca de sete milhões de meticais. Yingue Micro-Banco abriu as portas em meados de 2011 em regime experimental, tendo já concedido 162 créditos a diversos projectos nas áreas de agricultura, comércio e indústria. A presidente do Conselho de Administração do referido banco, Ana Mussanhane, explicou na cerimónia inaugural que os requisitos necessários para a aprovação dos projectos não diferem tanto dos exigidos nas restantes instituições financeiras de crédito, nomeadamente a credibilidade do proponente, a qualidade e a sustentabilidade do projecto apresentado. O desafio do Yingue Micro-Banco, segundo Ana Mussanhane, é abrir a linha de poupança de forma a diminuir as distâncias que os residentes de Morrumbene percorrem para a cidade da Maxixe ou para a vila da Massinga com o intuito de realizar operações bancárias.c

NOTA DE RODAPÉ

INHAMBANE Morrumbene ganha nova instituição de microfinanças
Foi oficialmente inaugurada, em Morrumbene, uma instituição de microfinanças, o primeiro estabelecimento financeiro a instalar-se naquele distrito da província de Inhambane.
revista capital abril 2012

Dinamarca doa 30 milhões de dólares a Moçambique
A Dinamarca desembolsou cerca de 30 milhões de dólares americanos para investir em projectos agro-pecuários e na produção de soja, matéria-prima que irá servir às indústrias do sector privado na província de Manica. Para além da soja, o investimento destina-se igualmente à produção de queijo.c

DOSSIER

DESENVOLVIMENTO 19

Millennium Challenge Account dá impulso ao Norte
Os investimentos feitos pela Millennium Challenge Corporation, à luz do acordo de cooperação financeira com o Governo moçambicano, estão a gerar uma grande dinâmica na vida das comunidades da zona norte do País, região beneficiária dos projectos desta organização. Além da componente social, os projectos do Millennium Challenge Account Moçambique têm uma abordagem económica muito forte, que privilegia sobretudo as infraestruturas, uma importante e estratégica alavanca da economia nacional.
Abastecimento da água é uma das prioridades A zona norte do País está a experimentar novas realidades em diversos domínios por conta dos projectos em implementação do Millennium Chalenge Account Moçambique (MCA-Moçambique). Pela natureza do programa, várias são as áreas abrangidas, desde o saneamento e abastecimento de água potável, à construção e reabilitação de infra-estruturas de vulto. Aliás, os projectos do MCA dividem-se pelas seguintes componentes: Abastecimento de água e saneamento; reabilitação e construção de estradas; acesso e posse segura de terra; e apoio ao rendimento do agricultor. No que diz respeito ao abastecimento de água e saneamento, o objectivo do MCA é expandir o acesso, melhorar a qualidade da água assim como dos serviços de abastecimento e de saneamento e abranger os sistemas de esgotos e drenagem nas cidades e vilas num programa extensivo às zonas rurais. Nesta perspectiva, vários foram os furos abertos e redes de abastecimento deste líquido instaladas e reabilitadas nas quatro províncias da região norte do País.
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20 DOSSIER

DESENVOLVIMENTO
com plena capacidade de abastecimento de água tendo em conta as necessidades de consumo do preciso líquido em cada ramo de actividade.

Nampula é alvo das atenções A cidade de Nampula terá fornecimento de água potável 24 horas por dia, a partir de 2013, isto após a conclusão das obras de reabilitação do sistema de abastecimento de água daquele município. O sistema de abastecimento possui uma extensão de condutas de cerca de 22 km e a capacidade de reserva de cerca de 18.650 metros cúbicos de água que abastece um total de 23.500 ligações domiciliárias e 453 fontenárias. A capacidade de produção e transporte de água do actual sistema de água é limitada, cobrindo pouco mais da metade dos 522 mil habitantes que a cidade de Nampula tem, segundo o último censo. Por via disso, a urbe enfrenta sérias restrições no fornecimento normal do líquido em causa. Contudo, este é um cenário que poderá ficar para a história com a conclusão das obras de reabilitação e ampliação da rede de abastecimento de água, num investimento calculado em 37,2 milhões de dólares, desembolsados na sua totalidade pelo MCA. Uma vez concluídas, as obras deverão permitir que o actual sistema tenha a sua capacidade de transporte de água duplicada, passando assim para cerca de 40 mil metros cúbicos por dia. Ainda na província de Nampula, o sistema de abastecimento de água de Nacala Porto Cidade também se encontra em reabilitação, sendo que a partir do próximo ano os 120 mil habitantes desta autarquia terão acesso a água com mais qualidade e devidamente fornecida. Fora o benefício directo aos habitantes, o sistema de abastecimento de água vai tornar mais atractiva ainda a Zona Económica Especial de Nacala. Aliás, há relatos de que muitos investidores condicionaram a instalação dos seus empreendimentos naquele ponto à existência de uma rede

O cenário da água vivido em Nacala À semelhança do sistema de abastecimento da cidade de Nampula, o de Nacala é financiado pelo MCA e está orçado em cerca de 30 milhões de dólares. O sistema compreende o equipamento da estação de água com novos grupos de bombagem, edificação de uma nova estação com capacidade de 25 mil metros cúbicos por dia, para além da construção de 19 quilómetros de conduta adutora de 500 milímetros de diâmetro, assim como uma nova estação de bombagem que intermediará com a actual e o novo centro de distribuição. O projecto inclui também a construção de dois reservatórios de 4 mil metros cúbicos cada, uma torre de 250 metros e estação de bombagem, fora a construção de pouco mais de 12 quilómetros de conduta de distribuição e outras obras complementares. Na essência, as intervenções do MCA na melhoria dos sistemas de abastecimento de água vão contribuir para a redução dos altos custos associados decorrentes das deficiências dos actuais sistemas de fornecimento e para a redução da incidência de doenças relacionadas com o consumo de água imprópria, uma das maiores causas de mortalidade nas crianças com idades inferiores a cinco anos, beneficiando igualmente as mulheres. Milhões são investidos em estradas Até finais do ano passado, o MCA deu

passos sigificativos na implementação de projectos visando a reabilitação e construção de empreendimentos de vulto, como é o caso da barragem de Nacala que, em Julho de 2011, teve a primeira pedra do seu projecto de reabilitação lançada. As obras do empreendimento estão estimadas em cerca de 28 milhões de dólares, financiados pelo Governo Americano, através da Millennium Challenge Corporation, este último por via do MCA. Implementado pela empresa Sul Africana WBHO, o projecto de reabilitação da barragem deverá interromper a circulação de veículos na Estrada Nacional número 1 no troço que atravessa a barragem. Daí que o empreiteiro já tivesse criado vias alternativas. Além de beneficiar os 200 mil habitantes do município de Nacala, espera-se que a reabilitação da barragem de Nacala venha a impulsionar os investimentos na zona económica especial com o mesmo nome. O MCA também está envolvido na reabilitação de 102 quilométros de estrada no troço entre Nampula-Rio Ligonha e de 150km no troço Namialo-Rio Lúrio, na mesma província. Estima-se que a reabilitação dos dois troços venha a custar pouco mais 130 milhões de dólares. As previsões dos empreiteiros apontam para a conclusão das obras no primeiro semestre de 2013.

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DOSSIER

DESENVOLVIMENTO 21

MCA garante o apoio ao rendimento do agricultor Outro campo onde o MCA intervém é o da agricultura, através do apoio a agricultores, a título individual ou através de associações. Actualmente, dezenas de agricultores, entre associações e individuais, estão a beneficiar de fundos para a implementação de Projectos de Desenvolvimento de Pequenos Negócios, financiados pelo MCA através do Projecto de Apoio ao Rendimento do Agricultor (FISP – Farmer Income Support Project). Trata-se de projectos que se destinam às pequenas e médias empresas, associações e cooperativas, com especial enfoque para a indústria de produção de coco e das culturas intercalares na área costeira das províncias da Zambézia e Nampula, onde são abrangidos os distritos do Chinde, Inhassunge, Nicoadala, Namacurra, Maganja da Costa, Pebane, Moma e Angoche. Os projectos em causa são financiados através do Fundo de Desenvolvimento de Negócios, que, até ao momento, tem estado a beneficiar cerca de 40 agricultores, sendo que já foram disponibilizados cerca de oito milhões de um total de 27 milhões de meticais que o MCA dispõe para financiar pequenos projectos neste sector.

Acesso e posse segura da terra estão na ordem do dia A promoção do acesso à terra por parte das comunidades é uma das principiais prioridades do programa do MCA. É nesta perspectiva que o programa tem encetado esforços no sentido de junto dos Governos locais obter parcelas com os Direitos de Uso e Aproveitamento de Terra devidamente legalizados para as comunidades. Nesse sentido, 8 municípios e 12 distritos das Províncias de Nampula, Zambézia, Cabo

Delgado e Niassa, estão a implementar um projecto de regularização do uso e aproveitamento da terra. No corolário deste processo, só no município de Nampula, na provícia com o mesmo nome, cerca de 33 mil parcelas de terra já foram regularizadas. O MCA pretende que, até Setembro de 2013, cerca de 140 mil cidadãos, tenham o seu direito de uso e aproveitamento de terra devidamente regularizado e garantido, através de um título de propriedade nas províncias da região norte.c

A génese do Millenium Challenge Account
Em 2007, o Governo moçambicano e norte-americano rubricaram um acordo de cooperação financeira, através do Ministério da Planificação e Desenvolvimento e do Millennium Chalenge Account, respectivamente. Esta cooperação financeira viria a ser designada “Compacto” e está orçada em 506,9 milhões de dólares, tendo sido projectada para um horizonte temporal de 5 anos. Trata-se de um programa que abrange as províncias da Zambézia, Nampula, Cabo Delgado e Niassa no que diz respeito aos sectores de abastecimento de água e saneamento, reabilitação de estradas, melhoria de acesso seguro à terra, e apoio ao rendimento dos agricultores através do combate à doença letal do amarelecimento do coqueiro e da introdução de culturas intercalares. Diferente de outras iniciativas, o MCA tem como abordagem a “redução da pobreza através do crescimento económico”c

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22 ECONOMIA

Infraestruturas e formação enquanto pilares do crescimento sustentado
Arsénia Sithoye [texto]

O

s oradores da conferência CEO Experience, organizada pela Accenture e “O País Económico”, indicam o aumento de infraestruturas e a formação profissional como bases para um Crescimento Sustentado em Moçambique. Tendo por base o tema “Estratégias para Alcançar ou Manter um Crescimento Sustentado”, a primeira edição da conferência CEO Experience em Moçambique reuniu mais de 150 executivos e tinha como objectivo promover e incentivar o debate e a partilha de experiências entre altos quadros nacionais e internacionais sobre os desafios associados ao alto desempenho da economia moçambicana e das organizações a operar no país. Fizeram parte do painel da CEO Experience Moçambique o presidente do Conselho de Administração da Electricidade de Moçambique (EDM), Manuel Cuambe; a administradora delegada das Linhas Aéreas de Moçambique (LAM), Marlene Manave; a administradora executiva dos Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM), Marta Mapilele; e o PCA do Banco Único, João Figueiredo. No debate em torno do tema, cada um

destes oradores deu o seu parecer sobre o assunto e dissertou sobre a experiência vivida na sua instituição. Investir na Agricultura. Sim ou não? Para o PCA do Banco Único, João Figueiredo, apesar do seu contributo na economia nacional, a agricultura não pode ser tida como a fonte de um desenvolvimento sustentável, principalmente nos moldes em que está a ser praticada actualmente. Para aquele dirigente, o desenvolvimento económico nacional passa por uma abordagem agroindustrial, pelo afastamento da indústria para as zonas de produção e uma clara aposta na formação do capital humano. Em contrapartida, o PCA da Electricidade de Moçambique, Manuel Cuambe, considera fundamental o investimento na agricultura, sendo entretanto preciso criar infraestruturas necessárias para que a actividade económica desenvolva, como infraestruturas de distribuição de electricidade, de acesso a telecomunicações, de abastecimento de água e de transporte de bens diversos.

A administradora delegada da LAM, Marlene Manave, entende que a integração da tecnologia na agricultura pode mudar o cenário económico do país, mas para que o crescimento sustentado seja uma realidade é necessário formalizar o sector informal. Para Manave, um dos grandes desafios do país é saber quantificar a contribuição da economia informal para o Produto Interno Bruto (PIB), fazendo com que este sector contribua cada vez mais para as receitas do Estado. Por seu turno, a administradora executiva dos CFM, Marta Mapilele, considerou que a agricultura mecanizada poderia contribuir para o desenvolvimento humano. Segundo Mapilele, «a reabilitação e projecção de novas infraestruturas para o transporte ferroviário poderá dinamizar outros sectores como o turismo e a indústria mineira». Aponta igualmente as áreas de saúde e a formação profissional como fundamentais para o desenvolvimento económico do país. Entretanto, todos os oradores foram unânimes dizendo que ao investir na educação/formação e na criação de infraestruturas poder-se-á alcançar um crescimento sustentado em Moçambique.c

Accenture opera há mais de 30 anos em áfrica
A Accenture é uma empresa global de consultoria de gestão, serviços de tecnologia e outsourcing. Comprometida com a inovação, colabora com seus clientes, ajudando-os a tornarem-se empresas ou governos de alto nível de performance. Cerca de 236.000 profissionais, reunindo as mais variadas competências técnicas atendem a todos os sectores da actividade económica em mais de 120 países. A conferência CEO Experience é uma
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iniciativa que nasceu em Portugal há quatro anos, posicionando-se desde cedo como o evento anual de referência para CEOs e membros dos Conselhos de Administração. A operar no continente africano há mais de 30 anos e com clientes em 16 países, incluindo Moçambique, a Accenture está profundamente envolvida no desenvolvimento económico e social de um crescente número de países africanos, colaborando com diversas organizações locais mas

também com empresas multinacionais que procuram oportunidades de crescimento em África.c

ECONOMIA

IMPORTAÇÕES - EXPORTAÇÕES 23

Carvão vai estimular exportações em 17%
Sérgio Mabombo [texto]

A

s exportações nacionais irão atingir 3.020 milhões de dólares no presente ano impulsionadas principalmente pela absorção do carvão pelo mercado internacional. O montante supera o anterior valor de 2011 que foi de 2.574 milhões de dólares, o que representa um crescimento de 17 por cento, segundo dados do Plano Económico e Social (PES 2012). O carvão passa a constituir o fulcro do subsector dos grandes projectos na economia moçambicana possibilitando um aumento de 22 por cento para uma receita anual bruta de 2.384 milhões de dólares. Por outro lado, estima-se um aumento da procura no mercado internacional de produtos que compõem a lista das exportações tradicionais como a castanha de caju, a madeira, o açúcar e o tabaco, entre
Importadores Mundo Holanda África do Sul Portugal China Zimbabwe Espanha India Malawi Alemanha Valor das Exportações 2006 2381132 20840 361707 29738 32939 76128 43495 30197 24738 25871

outros, contribua para aumentar as respectivas receitas. Os dados do PES projectam um crescimento de 4 por cento das exportações tradicionais, em 2012. Por seu turno, as importações irão aumentar 11 por cento, em 2012, comparativamente com 2011. Este incremento irá permitir o alcance de pouco mais de 4.289 milhões de dólares, como resultado do aumento das importações dos grandes projectos e dos restantes secValor das exportações em 2007 2412079 10454 429339 39938 44041 73329 33837 15915 17426 9043 Valor das exportações em 2008 2653260 1476381 265541 26413 51604 81347 51048 28401 46768 24709

tores que não fazem parte desta categoria. Os dados disponibilizados pelo Instituto para a Promoção das Exportações (IPEX) indicam que a produção global para 2012 irá verificar um crescimento de 8.5 por cento, graças ao desempenho positivo dos sectores de Agricultura, Transporte e Comunicações, Indústria, Comércio e Pescas. No que concerne aos destinos das exportações moçambicanas, a Holanda era, até 2010, o mercado que absorvia maior volume, devido ao seu alto consumo do alumínio da Mozal. Aquele país importou de Moçambique no referido ano mercadoria avaliada em cerca de 2.243 milhões de dólares. Por sua vez, o valor das exportações de Moçambique para a vizinha África do Sul foram calculados em pouco mais de 118 milhões de dólares, enquanto Portugal, o terceiro destino, importou do País cerca de 467 mil dólares.c
Valor das exportações em 2009 2147169 893933 460309 32189 74478 73798 31443 56512 46709 24814 Valor das exportações em 2010 2243069 1181948 467224 108344 79568 72069 30602 30435 26970 20399

Valores em Dólares Americanos

BREVES

País importa cada vez mais de Portugal
ortugal aumentou as suas exportações para Moçambique em cerca de 44 por cento, comparativamente a 2010. Com efeito, o volume de exportações superou os 150 milhões de euros de 2010 ao alcançar a cifra dos 217 milhões, em 2011. A crescente influência que Portugal exerce em vários sectores de actividade em Moçambique possibilitou que o país passasse da 28ª para a 26ª posição enquanto cliente de Portugal. No sentido inverso, verificou-se também uma tendência de crescimento das exportações moçambicanas para o país europeu. O incremento das exportações moçambicanas são estimadas em 44 por cento para o exercício de 2011. Os mesmos indicam uma evolução de Moçambique como fornecedor de Portugal, o que conferiu ao país passar da 66ª posição para a 62ª. A tendência positiva do comércio moçambicano é impulsionada em larga medida pela implementação da Lei para o Crescimento e Oportunidades para África (AGOA) que compreende o desenvolvimento de exportação isenta de taxas para alguns mercados da Europa e América. A mesma lei já permitiu que o comércio entre os Estados Unidos da América e Moçambique conhecesse números assinaláveis. As cifras do comércio entre os dois países passaram dos 289 milhões de dólares, em Outubro de 2010, para 418 milhões, no mesmo período de 2011.c

P

Volume de Comércio entre China e CPLP cresceu 11%
Moçambique é o quarto maior parceiro comercial da China no seio da CPLP com um volume de negócios de 8,6 milhões de dólares. As trocas comerciais entre a China e a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), no passado mês de Janeiro, atingiram 9.262 milhões de dólares, representando um aumento de 943 milhões de dólares (11%), face ao mesmo período de 2011, quando o volume de comércio entre as partes foi de 8.319 milhões de dólares, de acordo com estatísticas dos Serviços da Alfândega da China, recentemente divulgadas em Macau.c
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24 FACTOS & NÚMEROS

CÁ DENTRO
O sector agro-pecuário com um peso de 21% foi o que mais contribuiu na economia nacional, no terceiro trimestre de 2011. Os instrumentos de gestão económica e sociais aprovados pela Assembleia da República definem a manutenção de um saldo positivo das Reservas Internacionais Líquidas (RIL) suficientes para financiar cerca de 5 meses de importações este ano.

5 meses de importações.

7.7% de crescimento

TOP 10 do IDE em Moçambique (2011)
Posição 1 País China África do Sul Portugal Maurícias EUA Reino Unido E.A.Unidos Noruega Austrália India Projectos 11 65 67 15 7 12 5 1 2 9 IDE 312.882.974 256.829.407 107.533.626 69.382.656 68.127.966 47.459.529 24.777.590 22.383.600 10.071.125 8.582.595 2 3 4 5 6 7 8 9 10 TOP 10 do IDE em Moçambique (2011)

7.7% é a meta a ser alcançada pelo Governo em termos de crescimento económico para o presente ano, num pacote de desafios que inclui ainda manter a inflação média anual em torno de 7.2. 3 mil milhões USD. As exportações nacionais vão atingir o valor de 3 mil milhões de dólares no presente ano, caso a máquina económica nacional funcione conforme o previsto pelo Executivo moçambicano.

Fonte: CPI (Valores em dólares americanos)

LÁ FORA

PIB nos EUA = 15.087 triliões USD
O crescimento do PIB da maior economia mundial em 2011 foi de 1.7 por cento. Apesar do crescimento modesto, a gigante cifra do PIB calculada em 15,087 triliões de dólares coloca os EUA com o maior PIB mundial.

BREVES

Indústria extractiva vai crescer em 2012
Os aumentos da produção de carvão, de 186%, e de ilmenite e diatomite vão contribuir de forma significativa para o crescimento de 27,5% previsto para a indústria extractiva em Moçambique em 2012, de acordo com o Plano Económico e Social aprovado pelo Parlamento. A expansão da produção do carvão resultará do início da exploração comercial nos empreendimentos de Benga, Cahora Bassa e Moatize, na província de Tete, estando prevista uma produção de 5,8 milhões de toneladas de carvão de coque ou metalúrgico e de 172 mil toneladas de carvão térmico. Por seu turno, a produção no projecto de exploração de areias pesadas de Moma, na província de Nampula, deverá registar em 2012 um crescimento de 34,9% na ilmenite, 19,8% no caso do zircão e de 41,6% no rutilo. Ainda de acordo com o Plano Económico e Social para 2012 a produção de ouro deverá registar um decréscimo de 17,7%. Relativamente às pedras preciosas e semi-preciosas, prevê-se um crescimento de 150% devido ao aumento da produção de turmalinas na província da Zambézia, bem como o reinício da produção de granadas no Niassa, norte de Moçambique. O plano de produção de gás natural para 2012 irá manter-se inalterado ao nível de 132 milhões de gigajoules.

32 milhões de desempregados
A China possui um contingente de 32 milhões de desempregados, o que corresponde a 3.36 por cento tomando em consideração uma população economicamente activa de 950 milhões de pessoas.

DESTAqUE
durante 2011, em Moçambique

2,98 Mil milhões de dólares foi o que renderam os impostos renderam,

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EMPRESAS 25

Sumol+Compal abrem fábrica perto de Maputo

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Sumol+Compal assinou o contrato promessa de compra de uma instalação industrial em Moçambique, nos arredores de Maputo, para produzir localmente produtos da marca. Em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), o grupo dá ainda conta da constituição da SUMOL+COMPAL Moçambique, na qual o grupo empresarial detém “na fase de arranque” uma participação de 90 por cento. O objectivo da nova empresa é garantir a produção e a comercialização de produtos Sumol+Compal no mercado moçambicano e em 12 dos restantes 13 países que também fazem parte da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC – Southern African Development Community). O anúncio de constituição da empresa, publicado a 20 de janeiro no jornal oficial

de Moçambique (Boletim da República), definiu que o objecto social da nova sociedade anónima Sumol+Compal Moçambique compreende a indústria e comércio de bebidas, incluindo refrigerantes, sumos e águas, da cerveja e do malte, dos derivados e das conservas de frutos e vegetais e outros produtos alimentares, bem como a dos concentrados. A empresa pode ainda desenvolver actividades agro-industriais, importação e exportação dos produtos e gestão de marcas e actividades conexas. No comunicado enviado à CMVM, o grupo anuncia um investimento de oito milhões de euros para o primeiro ano da nova empresa. A Sumol Compal está ainda presente em Marrocos, Senegal, Angola e África do Sul, entre outros países africanos. As vendas para os mercados

internacionais, entre 2009 e 2011, registaram um crescimento anual superior a 22 por cento, segundo o grupo, e em 2011 as vendas para os mercados internacionais atingiram 80 milhões de euros, mais 30 por cento do que em 2010, o que é digno de menção se se pensar que Portugal vive uma crise sem precedentes. «Este projecto de raiz constitui um passo importante no processo de internacionalização da SUMOL+COMPAL, ponto crucial da estratégia da companhia para os próximos anos, e insere-se no programa mais alargado de identificação de parcerias estratégicas que possam contribuir para a consolidação do negócio em Portugal e para o crescimento nos mercados internacionais», afirma uma fonte do grupo naquele comunicado.c

AGENDA
14 a 16 de Junho de 2012 Congresso Ibérico de Estudos Africanos 2012: “Sob a árvore da palavra” No Oitavo Congresso de Estudos Africanos CIEA8, a ter lugar, de 14 a 16 de Junho de 2012, na Universidade Autónoma de Madrid, pretende-se reflectir sobre as profundas transformações (políticas, sociais, económicas e culturais) que estão a ocorrer no continente africano, e sobre a reconfiguração da relação deste com o resto do mundo. Este Congresso é uma oportunidade para criar pontes de encontro e diálogo, entre diferentes correntes dos cada vez mais ricos e diversos estudos africanos, e para favorecer as relações e vínculos entre grupos e centros de investigação que, a partir da Península Ibérica e África, coincidem no desejo de combater leituras pessimistas sobre o continente africano. Assim, “sob a árvore da palavra” investigadores e investigadoras da Europa e África terão um espaço para partilhar a crescente diversidade teórica, analítica, epistemológica e metodológica. Este Congresso é uma oportunidade para aprofundar a compreensão da complexa e múltipla realidade africana, da natureza das suas transformações e resistências, dos processos interessantes de interconexões locais, nacionais, regionais e globais, bem como dos diversos relatos do passado e visões de futuro que estão a emergir nas suas sociedades. 24 e 25 de Julho de 2012 Conferência Tecnologias de Informação e Comunicação e as Novas Dinâmicas O Centro de Investigação em Economia e Sociedade do Instituto Superior Monitor comunicam a realização de uma conferência subordinada ao tema “As Tecnologias de Informação e Comunicação e as Novas Dinâmicas Sociais”, a realizar em Maputo nos próximos dias 24 e 25 de Julho de 2012. A submissão de resumos deverá acontecer até ao dia 15 de Abril através do site http:// www.congressotic.ismonitor.info/, onde poderá aceder a toda a informação sobre o congresso.

OPORTUNIDADES DE NEgóCIO
Moçambicano procura parceiro português para instalar fábrica de tijolos Empresário moçambicano procura parceiro português para instalação de pequena unidade industrial de fabrico de tijolo para construção civil. Os interessados deverão identificarse apresentando a sua manifestação de interesse via e-mail para a CCPM: ccportmoz@gmail.com.
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26

GOVERNADOR DA PROVÍNCIA DE NIASSA I DAVID MARIZANE

«O nacional já está a aprender a fazer negócio»
Helga Nunes [texto e fotos]

Niassa é uma província que possui inúmeras oportunidades de negócio sustentável. As vantagens que surgem do agrobusiness são imensas e as florestas assumem-se como uma clara aposta embora os seus resultados apenas se vislumbrem a médio e longo prazos. Outra mais valia passa seguramente pelo turismo que vive do Lago, das espécies selvagens e de uma terra fértil que parece tocar o céu. Dificuldades há muitas e quando o governador da Província, David Marizane, é confrontado com as mesmas, refere sobretudo a falta de vias de acesso e de mercados para a comercialização dos produtos.
Referiu em Outubro que a previsão para a campanha agrícola seria de 1.600 mil toneladas, cifra que quase duplica a produção conseguida na época transacta. qual será a expectativa de produção para os próximos três anos? Queremos aumentar as áreas de produção nos distritos. Os sete milhões que estamos a alocar nos distritos estão a impulsionar a produção de alimentos, a criação de infraestruturas, assim como a actividade comercial, pois a produção é maior. O problema com que nos temos deparado não passa pela falta de cereais, mas sim pela falta de mercados para a
revista capital abril 2012

comercialização. Estamos a envolver toda a população na produção de comida, pois esta é a base de desenvolvimento da nossa província. E vamos aumentar as áreas de produção olhando para esses fundos todos, porque queremos que os sete milhões aumentem a produção e haja mais controlo dessa produção para os mercados. Como vai funcionar a nível de distribuição? Aquilo que cada distrito produzir tem de encontrar mercado de escoamento, seja para outras províncias ou para outros países que precisem. Todos os distritos

da província do Niassa produzem e têm excedentes agrícolas. Portanto, não estamos aflitos por um distrito que não produz o suficiente, mas sim por um mercado receptor da produção, para que todo o excedente agrícola saia da província e contribua para a receita familiar. Esta é a nossa preocupação, neste preciso momento. Já estamos com alguns contactos com o Pro-Savana que é uma organização que nos vai ajudar na promoção da própria produção. Trata-se de um organismo que conta com a participação de brasileiros, japoneses e moçambicanos,

ENTREVISTA
o qual esperamos venha a assegurar a comercialização dos nossos produtos. Pensamos que, daqui a 12 ou 13 anos, possamos atingir as 1.600 mil toneladas de cereais na província do Niassa. Há condições para isso. Em 2011, convidou os intervenientes da cadeia de produção e de valores no sentido de se envolverem cada vez mais no aumento da produção e produtividade agrárias, aproveitando todas as oportunidades agro-ecológicas e, sobretudo, as que o governo pôs à disposição para o fomento de agricultura, através do Fundo Distrital de Desenvolvimento, FDD. Como encaram os agricultores a existência do FDD? Falando do que se vive no terreno, notase uma satisfação por parte da população. O que estamos a registar é o aumento de cereais… muitos celeiros, muito milho e toda a gente a abraçar essa produção. Por outro lado, estamos a encontrar uma resposta por parte das próprias comunidades no terreno: o reembolso. Hoje, o reembolso dos sete milhões na província do Niassa subiu. Já temos até Janeiro 30 milhões de reembolso. Há dois anos, era difícil atingir este montante de devoluções. A população já sabe que esse valor tem de ser devolvido para beneficiar outros e cada beneficiário está a tirar o proveito máximo desse dinheiro para melhorar a sua vida. Nesse sentido, encontramos as motorizadas, as viaturas, a criação de animais, a construção de casas melhoradas para as próprias comunidades e isso alegra-nos bastante. Tenho dito aos meus colegas que vejam a loja móvel - uma bicicleta que tem um pouco de tudo. E essa consciência de fazer lojas móveis, de aproximar o produto do cliente significa que o nacional já está a aprender a fazer negócio. Os principais produtos do Niassa são o algodão, milho, sorgo, madeiras e pedras semi-preciosas. De que modo os mesmos vêm contribuindo de facto para o desenvolvimento económico da província e de que forma o governo vem encetando esforços no sentido da captação do investimento para a produção dos mesmos? Além das culturas que mencionou, será bom acrescentar o feijão manteiga, o tabaco, o arroz, entre outros, porque Niassa tem o melhor feijão. Essas culturas têm contribuído bastante para a melhoria de vida da nossa população. Só na área alimentar, a população do Niassa conseguiu 600 milhões de meticais. Nas culturas de rendimento - refiro-me ao tabaco e algodão - foram 757 milhões de meticais. Além da província de Maputo, e da cidade de Maputo, Niassa é a província que mais importa ou importava em termos de valores, segundo dados do INE relativos a 2010. Contudo, era a que menos exportava de todas as províncias. Como é que pensa que essa situação pode vir a ser revertida num futuro próximo? Logicamente que, no futuro, teremos mais exportações do que importações. Esperase em breve com a colheita das plantações florestais atingir o pico de exportações de cinco milhões de toneladas de madeira por ano. E a concretização do projecto de exploração de carvão mineral também vai melhorar a vida e o crescimento económico da nossa província. Com a efectivação do Pró-Savana, a província terá de exportar diversos produtos agrícolas para vários pontos do mundo e com a melhoria do processo de fiscalização dos nossos recursos faunísticos aumentaremos a exportação de troféus. Mas se melhorarmos a área de turismo, tal vai contribuir para as receitas nos cofres do Estado. A prioridade são as comunidades. Por essa razão, o Governo Provincial está a criar os comités de gestão de conflitos porque cada operador, no fim de trabalho, tem de dar uma percentagem daquilo que obteve ao longo do ano. E a partir dessa receita, a comunidade tem de sentar, usando o Conselho Consultivo para decidir o que fazer com esse dinheiro. Abrir furos de água? Construir estradas? Construir unidades sanitárias? Construir escolas? Estamos a pedir à comunidade para gerir esses recursos de forma a melhorar a vida das mesmas. A província do Niassa subiu no ranking de investimentos graças aos projectos florestais. Pensa-se que a viabilidade da linha férrea e a implementação de estradas asfaltadas dependem da vitalidade desses projectos. Ou será mais o inverso? quando as empresas chegarem ao ponto de exportar a madeira irão existir as necessárias vias? É um desafio. Aumentamos o fundo para infraestruturas para assegurar a circulação de pessoas e bens e abrirmos vias de acesso onde há maior produção. Essa foi a nossa aposta e pensamos que, no fim deste ano, vamos ter uma resposta que vai ao encontro das grandes preocupações da nossa população. Temos um problema que passa pela estrada Cuamba-Lichinga,

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contudo, temos a certeza de que um dia iremos convidar os jornalistas para virem testemunhar o lançamento da primeira pedra da construção dessa mesma estrada que irá ligar Cuamba a Lichinga. Ainda sobre os projectos florestais, à semelhança dos créditos de carbono que têm vindo a ser distribuídos em Moçambique pela Nhambita Community Carbon Project, acha que uma das vertentes de negócio da província do Niassa poderá passar pela implementação dos mesmos, beneficiando naturalmente dos produtos da floresta local? O governo provincial tem conhecimento do trabalho que está a ser desenvolvido pela empresa Nhambita e certamente que com as plantações florestais e as florestas comunitárias, os créditos de carbono poderão ser uma oportunidade de arrecadar mais ganhos para as comunidades do Niassa. Pensamos que a nossa população devia realmente ter mais seminários e encontros que propiciassem a explicação dos valores que as nossas plantas, águas e animais selvagens têm. Eis a razão de estarmos a promover encontros com as comunidades e as lideranças comunitárias. Este ano, vamos ter dois encontros com os líderes comunitários para responsabilizá-los pela protecção da riqueza que a província possui e pela conservação do ambiente. O estabelecimento da Reserva do Lago Niassa é um projecto do governo de Moçambique que tem como objectivo a redução da pobreza através da preservação do ambiente local. que balanço nos pode fazer acerca do Projecto Arco Norte? Estamos muito preocupados em mobilizar os agentes económicos que possam investir na área turística, e, a esse propósito, conseguimos convidar a ministra sueca que visitou o local e saiu impressionada com aquilo que são as águas do Lago. Vamos continuar a lançar as imagens que o Lago Niassa possui e a promover as suas oportunidades de turismo. Há pouco, tivemos um encontro com a Fundação Malonda e falamos sobre aumentar os contactos com os agentes económicos que estão interessados em investir no Lago. Mas também queremos que haja mais gente a investir No EntrerLago, em Mecanhelas. São lagos dos quais não estamos a tirar nenhum proveito. O Lago Niassa tem acima de 60 mil espécies de peixe ornamentais, mas quem está a tirar proveito desse peixe é o vizinho Malawi.c
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INTERVIEW I GOVERNOR OF NIASSA PROVINCE I DAVID MARIZANE

Niassa is a province with countless sustainable business opportunities. The advantages that result from agro-business are immense and forests are a clear bet although results are only expected at medium and long term. Tourism is surely another benefit, based on the Lake, wildlife species and a fertile land that seems to touch the sky. There are many difficulties and when they confront the Governor of the Province, David Marizane, mostly regarding to the lack of access routes and markets for trading goods.

«Nationals are already learning how to do business»
Helga Nunes [text and images]

Last October you mentioned that the forecast for the agricultural campaign would be 1.600 thousand tons, a number that almost doubles the production achieved last season that was almost 991 thousand tons of food crops. What is the production expectation for the next three years? We want to increase production areas in the districts. The seven million we are assigning to the districts are propelling food production, creation of infrastructures, as well as a commercial
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activity for the production is higher. The problem we have been facing does not concern the lack of cereals, it is in fact the lack of markets to trade them. We are engaging all the population in food production, for this is the basis for development in our province. And we will increase the production areas considering all those funds, because we want the seven million to increase production and more control of that production for the markets. How is it going to work on a distribution level?

That which each district produces will have to find a distribution market, to either other provinces or other countries in need. Every district in Niassa province produces and has agricultural surpluses. Therefore, we are not distressed for one district that does not produce enough but for a market that will receive the production, so that the entire agricultural surplus leaves the province and contributes for the family income. This is our concern now. We already made a few contacts with PróSavana, which is an organization that will help us promote production itself. It

ENTREVISTA
is a body, which has the participation of Brazilians, Japanese and Mozambicans, and we hope it assures the trade of our products. We think that in 12 or 13 years, we may achieve 1.600 thousand tons of cereals in Niassa province. There are conditions to do so. In 2011, you invited the intervenients of the production and value chain in order to increasingly engage in the increase of production and agricultural productivity, taking advantage of all the agro-ecologic opportunities and mostly of the ones the government made available for the promotion of agriculture, through the Development District Fund (Fundo Districtal de Desenvolvimento) FDD. How do the farmers perceive the existence of the FDD? Speaking on what is experienced on the field, the population demonstrates satisfaction. What we are registering is the increase of cereals... many barns, a lot of maize and everyone embracing this production. On the other hand, we are finding an answer by the communities themselves on the field: the refund. Nowadays, the return on the seven million in Niassa province has increased. We already have, up to January, 30 million in returns. Two years ago, it was difficult to achieve this amount in returns. The population already knows that this amount must be returned to benefit others and each beneficiary is taking the maximum advantage of that Money to improve their lives. In that sense, we may find motorbikes, vehicles, animal breeding, construction of improved houses for the communities and that makes us very happy. I have told my colleagues to have a look at mobile shops – a bicycle with a little bit of everything. That consciousness of making mobile shops, of getting the product closer to the consumer, means that nationals are learning how to do business. Niassa’s main products are cotton, maize, sorghum, wood and semiprecious stones. In what way are these, in fact, contributing to the economic development of the province and in what way has the government been engaging efforts to attract investments to produce them? Besides the cultures you mentioned, would be good to add butter beans, tobacco, rice, amongst others, because Niassa has the best beans. These cultures have been fairly contributing for the life improvement of our population. Only in the food area, Niassa’s population achieved 600 million meticals. Regarding cash crops – namely tobacco and cotton – it was 757 million meticals. Besides Maputo province and Maputo city, Niassa is the province that imports or used to import the most regarding amounts, according to data from INE (Statistics National Institute) regarding 2010. However, the one exported less amongst all provinces. How do you think this situation will be reversed in a near future? In the future, we will logically have more exports than imports. It is soon expected, with the harvest of forest plantations, to reach the peak of exports of five million tons of wood per year. In addition, the completion of mineral coal exploration Project will improve the life and economic growth of our province. With the settlement of Pró-Savana, the province will have to export various agricultural products to various spots in the world, and with the improvement of the supervision process of our wildlife resources, we will increase the exportation of trophies. However, if we improve the tourism area, it will contribute for the income of the State. Communities are the priority. For that reason, the Provincial Government is creating conflict management committees because each operator, at the end of work, must give a percentage of what was gained along the year. From that income, the community has to gather, using the Consultive Committee, to decide what to do with that money. Maybe open water boreholes? Build roads? Build health units? Build schools? We are asking the community to manage those resources to improve their lives. Niassa province has gone up in the investment ranking through forest projects. It is thought that the viability of the railway and the implementation of tarred roads depend on the vitality of these projects. Or is it the contrary? When companies reach the level of exporting wood the necessary routes will exist? It is a challenge. We increased the fund for infrastructures to assure the circulation of people and goods, and we opened access routes where the production is higher. That was our focus and we think that, by the end of this year, we will have an answer that will meet the main concerns of the population. We have a problem on

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the road between Cuamba and Lichinga, however, we are certain that one day we will invite the journalists to witness the lay of the first stone for the construction of the road which will connect Cuamba and Lichinga. Still on forest projects, similarly to carbon credits, which have been distributed in Mozambique by Nhambita Community Carbon Project, do you think one of the business components of Niassa province might be the implementation of these, naturally benefiting from the local forest products? The provincial Government has knowledge of the work being performed by Nhambita and, certainly, with forest plantations and community forests, carbon credits might be a good opportunity to collect more profits for Niassa communities. We think our population really should have more seminars and meetings to explain the value of our plants, water and wildlife. This is the reason we promote meetings with the communities and community leaderships. This year, we will have two meetings with community leaders to make them responsible for the protection of the wealth the province has and the environment. The establishment of the Niassa Lake Reserve is a project of the Mozambican government with the goal of reducing poverty through the preservation of local environment. What is your balance on the Arco Norte Project, aimed at developing tourism on the Niassa Lake region and meeting one of the purposes of the Provincial Strategic Plan (PEP 2017)? We are very concerned in mobilizing economic agents that may invest in the tourism area and, regarding that, we managed to invite the Swedish minister who visited the spot and was very impressed with the Lake. We will continue to spread images of Niassa Lake and promote its tourism opportunities. Not long ago, we had a meeting with Malonda Foundation and we spoke about increasing contacts with economic agents who are interested in investing on the Lake. However, we also want more people to invest on Entrer-Lago, in Mecanhelas. These are lakes, which we are not benefitting from. Niassa Lake has over 60 thousand species of ornamental fish and the neighbouring Malawi is the only one benefiting of it.c

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30 DESENVOLVIMENTO

FUNDAÇÃO MALONDA

Malonda capta investimentos para a província do Niassa
Arsénia Sithoye [texto].

F

undação Malonda é uma entidade privada sem fins lucrativos e de utilidade pública criada em 2005 com o objectivo de promover e facilitar investimentos, especificamente na província do Niassa. O programa resulta de um acordo de cooperação entre o Governo de Moçambique e a Agência Sueca para o Desenvolvimento Internacional (ASDI) com o objectivo de reduzir a pobreza e melhorar os meios de subsistência das comunidades rurais mais desfavorecidas mas economicamente activas da província
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do Niassa, através do desenvolvimento do sector privado e das actividades participativas em benefício destas comunidades. O director executivo da Fundação Malonda, Francisco Pangaya, conta que a mesma foi criada pelo Decreto Ministerial de 25 de Janeiro de 2005, do Conselho de Ministros, com objectivo de promover e facilitar investimentos, especificamente na Província do Niassa. Segundo Francisco Pangaya, os desafios da Fundação Malonda na altura eram dar apoio aos investidores privados,

no sentido de reduzir as possíveis barreiras aos investimentos bem como atrair investimentos para a província. A prioridade da Fundação Malonda foi então para a área de desenvolvimento de plantações florestais, favorecida pelas condições climáticas que a província dispõe como chuvas constantes e terras férteis favoráveis para o efeito. «Com estas condições, o Niassa seria o lugar ideal para iniciar com a atracção de investimentos na área de florestas por empresas moçambicanas ou estrangeiras. Em 2006, tivemos as primeiras indicações de que

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algumas empresas já tinham visto o nosso website e começaram a contactar-nos. É o caso da Chikweti e da Florestas de Niassa», referiu Francisco Pangaya. Além das florestas, o foco vai para turismo e agricultura Além de atrair investimentos para a área de plantação florestal, a Fundação Malonda começou a delinear campanhas na área de comercialização de excedentes agrícolas dos camponeses espalhados pelos distritos, que, por várias razões, não conseguiam vender os seus excedentes. Em parceria com a Associação Moçambicana para o Desenvolvimento Rural (AMODER), os excedentes dos camponeses são comprados e colocados no mercado para a venda ou troca por outros produtos. Por outro lado, a Fundação Malonda passou a prestar apoio a alguns investidores na área de comércio. Francisco Pangaya lamenta o facto de até ao momento não existir ainda um investidor na área de produção de alimentos em Matama, havendo apenas uma pequena empresa que está a produzir sementes. Entretanto, diz estarem a trabalhar no sentido de conseguir um investidor que possa fazer trabalhos de grande envergadura nesta área tão vital. Neste momento, seis empresas estão a operar na área florestal. Segundo aquele dirigente, a Fundação Malonda perspectivava grandes desenvolvimentos para o sector florestal, tanto que em 2011 as seis empresas que exploram esta área, no seu conjunto, contavam com cerca de seis mil trabalhadores. Infelizmente, este número foi reduzindo por várias razões, dentre as quais a crise económica internacional. «Achamos que estamos a evoluir mas onde os investimentos estão a crescer neste momento é na área do turismo onde aparecem pedidos de investimento. Como sabem, nesta província localiza-se o Lago Niassa e temos recebido pedidos de investimento para essa área. Já temos alguns operadores lá, alguns deles atraídos pela Malonda e outros vieram de outras fontes». Relativamente a área de agricultura, Pangaya afirma que há promessas de que este sector será de grande importância para a Fundação Malonda no futuro, pois há empresas internacionais que já manifestaram interesse em investir naquela área. Dissertando sobre a evolução da Fundação Malonda nos últimos sete anos, o director executivo da Malonda considera que a situação da província está a mudar.

«Nos anos 2004/05, a província tinha somente dois bancos a operar, nomeadamente o BIM e o Barclays. Mas por causa da nossa vinda, e na tentativa de vender a imagem da província, hoje em dia para além dos bancos mencionados, temos o BCI e o Standard Bank a funcionar. Isto porque o volume dos fundos que circulam já cresceu e a demanda para esses serviços também. Os investimentos estão a trazer alguma mudança na província», exemplificou Pangaya. Peça fundamental na resolução de conflitos Um dos maiores instrumentos usados pela Fundação Malonda para a divulgação da imagem da província do Niassa passa pelo website www.malonda.co.mz que contém toda a informação necessária para os investidores, e não só. Por outro lado, também contam com o élan de meios como a Capital e a TVM (Televisão de Moçambique) e com o apoio de parceiros em países como Portugal e Estados Unidos da América, que têm transmitido a informação a outros, além da embaixada da Suécia, de onde provêm os fundos da Malonda através da ASDI. Devido ao desenvolvimento que a província do Niassa está a registar, resultante dos investimentos conquistados pela Fundação Malonda e não só, vezes há em que surgem conflitos entre as comunidades e os investidores devido a diferentes interpretações em relação à mudança e ao desenvolvimento. Um dos Papéis da Fundação Malonda passa também por mediar as conversações entre as partes, chegando a um meio-termo. Recentemente, a Fundação Malonda encomendou um estudo sobre conflitos entre a comunidade e os investidores, visando uma melhor percepção sobre as causas dos conflitos e os possíveis mecanismos para a resolução. Actualmente, decorre um processo de capacitação dos intervenientes deste processo, nomeadamente a liderança comunitária, os comités de gestão em conjunto com o governo e as empresas, estando tudo a decorrer com sucesso. Responsabilidade social também faz parte dos objectivos No início das suas actividades, a Fundação Malonda trabalhava directamente em alguns projectos como o Projecto Florestal de Mussa, o projecto de ecoturismo de Majune, o projecto agrícola de Matama

e vários projectos de desenvolvimento comunitário foram levados acabo pela Malonda, como exemplo da construção de uma escola primária de raiz em Lichinga distrito, construção de um escritório comunitário em Malaga-Majune, abertura e reabilitação de furos de água em alguns povoados dos distritos onde decorreram os primeiros investimentos florestais, apoio a criação de comités de gestão entre vários. Em 2010, após um estudo de avaliação realizado pela ASDI sobre os projectos da Malonda, decidiu-se que a Malonda não deveria implementar projectos pois contrariava o seu papel de promotor e facilitador de investimentos, passando a competir directamente com outros investidores, o que não era de bom-tom. A partir de então, os projectos da Malonda passaram para a gestão de privados, junto com os trabalhos de responsabilidade social iniciados pela Fundação.c

Investidores, precisam-se!
Prevê-se para os próximos cinco anos um incremento de projectos e programas de investimentos para o Niassa, mas esta depende do financiamento do governo da Suécia. Para já, existe um projecto para a área de agricultura, em Matama, que passa por um complexo agrícola com quase quatro mil hectares de terra, para o qual se procura um investidor. «A outra área em que estamos agora a postar é a área de turismo. A província dispõe de vários sítios de grande atracção turística, sobretudo na zona do Lago Niassa e nos lagos Chírua, Chiuta e Amarramba, ao sul da província. Existe também a Reserva do Niassa, fazendas do Bravio. São áreas que praticamente precisam de investimentos e nós estamos à procura de possíveis parcerias nesse sentido», frisou Francisco Pangaya.

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32 SECTOR

BANCA

STANDARD BANK

Grupo está na ‘Crista da Onda’

O

Grupo Standard Bank foi distinguido com quatro prémios “Deal Of The Year” promovidos pela revista ‘Project Finance’, em reconhecimento dos melhores negócios europeus e africanos. A distinção do Standard Bank resulta da sua capacidade e dos feitos demonstrados no decurso de 2011, no âmbito da implementação de operações de financiamento a grandes projectos no continente africano, incluindo Moçambique. Os prémios ‘Deal of the Year’, para 2011, foram atribuídos ao Standard Bank em quatro distinções, nomeadamente ‘Africa Oil & Gas Deal of the Year’, relativa ao refinanciamento do gasoduto da ROMPCO, em Moçambique; ‘África Mining Deal of the Year’, relativa à Mina de Cobre de Boseto,

no Botswana; ‘África Power Deal of the Year’ relativa ao projecto de Kivuwatt, no Ruanda, e África Renewables Deal of the Year’ relativa ao projecto ‘Addax BioEnergy’, na Serra Leoa. Em Moçambique, o Standard Bank disponibilizou 350 milhões de rands de dívida subordinada de 600 milhões à ROMPCO (Republic of Mozambique Pipeline Investment Company) para refinanciar os empréstimos concedidos por dois dos accionistas da ROMPCO. Recentemente, o Standard Bank foi classificado, pelo segundo ano consecutivo, como a marca bancária mais valiosa em África, de acordo com o relatório de 2012 das 500 Maiores Marcas Bancárias Mundiais, compilado pela consultora e gestora de activos, a ‘BrandFinance Banking’.

Segundo o relatório, publicado na principal revista do sector bancário mundial, ‘The Banker’, a marca do Grupo Standard Bank vale 2,17 biliões de dólares norteamericanos, o que fez com que o maior grupo bancário em África subisse três lugares no ‘ranking’ mundial, da anterior 76ª posição para 73ª a nível mundial, em 2011. Presente em Moçambique há mais de 100 anos, o Standard Bank tem vindo a desempenhar um papel fundamental no desenvolvimento da economia moçambicana e dos restantes países da África Austral, através do financiamento de importantes projectos socio-económicos e provendo serviços financeiros e soluções bancárias.c

BANCO DE MOÇAMBIQUE

Redução das reservas internacionais líquidas

S

egundo dados do Banco de Moçambique, o saldo preliminar das Reservas Internacionais Líquidas de Moçambique registou, em Janeiro último, uma queda de 125,2 milhões de dólares norte-americanos. Os dados, analisados pelo Comité de Política Monetária, indicam que as reservas internacionais líquidas situaramse em cerca de 2.101,5 milhões de dólares, redução resultante da venda líquida de 157,6 milhões efectuada pelo Banco de Moçambique aos bancos comerciais, dos quais 61,4 milhões de dólares são destinados ao pagamento da factura de importação dos combustíveis líquidos. Assim, o saldo das Reservas Internacionais

corresponde a cerca de 5 meses de cobertura de importações de bens e serviços não factoriais projectadas para todo o ano, contra 5,8 observados no mês anterior. Por outro lado, as reservas bancárias em moeda nacional aumentaram 228 milhões de meticais em Janeiro último, perante a libertação de 336 milhões de Meticais decorrente da redução do coeficiente de reservas obrigatórias decretado em Dezembro do ano passado, com efeitos a partir de 7 de Janeiro último. No mesmo período, o saldo da base monetária (variável operacional da política monetária) situou-se em 31.943 milhões de meticais, o que representa

uma redução na ordem de 2.375 milhões de meticais face a Dezembro de 2011 e de 727 milhões de meticais em relação às estimativas feitas para o período. O Banco de Moçambique explica, que tal redução é resultado, fundamentalmente, do retorno de notas e moedas ao banco central, no valor de 2.266 milhões de Meticais, após o pico sazonal de 2.083 milhões registados em Dezembro. Assim, de modo a assegurar que o saldo da Base Monetária não ultrapasse os 33 mil milhões de meticais no final de Fevereiro corrente, o Comité de Política Monetária do Banco de Moçambique decidiu intervir nos mercados interbancários.c

DESTAqUE

Anuladas 51 unidades bancárias
O Banco de Moçambique anulou as licenças de 51 unidades bancárias que haviam sido autorizadas a entrar em funcionamento devido ao término do prazo concedido para o efeito. Das 51 unidades abrangidas pela decisão do Banco
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Central, 27 deveriam operar na cidade do Maputo, seis em Sofala; quatro em Inhambane, Tete e Zambézia; três em Manica; duas em Nampula e uma em Cabo Delgado e província do Maputo, respectivamente.

VALORES 33

Mestrados da UEM voltados para as descobertas de gás e petróleo
estudantes tenham acesso ao ensino. Quilambo, que falava em conferência de imprensa hoje, em Maputo, disse que os novos mestrados cujos modelos estão ainda em desenho por docentes da instituição, em parceria com especialistas da Suécia. A fonte disse, por outro lado, que apesar de a instituição ter, durante anos, consagrado como vocação a formação vai, nos próximos tempos virar as atenções para a investigação de referência, para melhor contribuir para aos desafios da vida prática. A questão da qualidade de ensino esteve entre os vários assuntos abordados no encontro e, para o efeito, Quilambo disse que a universidade introduzirá, a breve trecho, o avaliador externo, uma figura de fora da academia que fará a avaliação qualitativa dos graduados e as metodologias usadas no processo de ensino. Além do avaliador externo, a Universidade terá igualmente uma unidade de avaliação de qualidade que vai produzir recomendações relativas ao processo de ensino, com vista a melhorar ainda mais os padrões qualitativos.c

A

Universidade Eduardo Mondlane vai, a partir da segunda metade deste ano, abrir quatro novos cursos de mestrado nas áreas de Engenharia de Petróleo, Tecnologia da Madeira, Tecnologia de Alimentos e Gestão de Recursos. Ainda na lista de perspectivas para 2012, a mais antiga instituição de ensino superior no país introduziu três novos cursos de licenciatura, nomeadamente Pesquisa

Geológica e Cartografia, Geologia Aplicada e Engenharia de Petróleo, no quadro da reforma curricular em curso naquele estabelecimento de ensino. Orlando Quilambo, reitor da UEM, disse que a adopção e introdução de novos cursos visa responder aos desafios dos tempos modernos, marcados pela descoberta de realidades muito novas no país como, por exemplo, petróleo e gás, mas também para permitir que mais

Formação da Janela Única Electrónica vem e convence
o âmbito do processo de operacionalização do sistema da Janela Única Electrónica, desde Setembro passado, já foram formados gratuitamente, através do Centro de Formação desenhado para o efeito em Maputo, um total de 532 pessoas, provenientes de diversas áreas de actividade, de modo a fazerem uso da nova tecnologia de desembaraço célere de mercadorias. No total dos formandos, incluemse funcionários aduaneiros da Alfândega no Porto de Maputo e os restantes são operadores das diferentes áreas do comércio externo, nomeadamente despachantes aduaneiros, agentes de navegação e operadores de navios, agentes transitários, operadores de terminal de carga, importadores e exportadores, autoridade portuária e bancos comerciais. De acordo com Ilídio Gonçalves, funcionário aduaneiro, formador da Janela Única Electrónica, «neste momento,

N

foram já formados todos os funcionários das Alfândegas da TIMAR, onde decorre a fase-piloto de implementação da Janela Única Electrónica». «O nosso objectivo essencial, em relação aos operadores do Porto de Maputo e Alfândegas, é transmitirmos todo o conhecimento para que possam operar de forma independente com o sistema», e acrescentou que a formação incide sobre matérias baseadas em módulos como verificação documental, inspecção nãointrusiva de mercadorias importadas e exportadas, procedimentos para o desembaraço total da mercadoria, entre outros. Relativamente aos funcionários das Alfândegas, o processo de formação focaliza-se agora sobre outras áreas, tais como auditoria e investigação, normação e procedimentos, assim como avaliação e classificação, por forma a garantir um célere processamento do desembaraço

com base no sistema da JUE. Francisco Coana, despachante aduaneiro da Associação Testemunhas de Jeová, em formação, disse tratar-se de «um processo que nos vai ajudar a tirar o máximo proveito possível do sistema da Janela Única Electrónica, reduzindo substancialmente a burocracia e o tempo nos processos de desembaraço de mercadorias». Por seu turno, Rita Divete, despachante aduaneira da HBM, disse acreditar que com esta formação, poderá responder com mais-valia e rapidez às solicitações dos clientes, pois a Janela Única Electrónica veio revolucionar o sector. De referir que o projecto da Janela Única Electrónica irá ter um impacto substancial na melhoria do ambiente de negócios em Moçambique, estimando-se que o tempo de desembaraço de mercadoria no País reduza substancialmente.c

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34 OBSERVATÓRIO DO TURISMO

Moçambique entre os melhores destinos turísticos para 2012
ara o jornal ‘Financial Times’, Moçambique é uma das grandes atracções do mercado turístico para 2012. O jornal recolheu a opinião de vários agentes de viagens que apontaram alguns dos destinos que deverão ser mais procurados pelos turistas. Will Jones da agência de viagens Journeys by Design diz: “Com uma linha costeira de 2,500 km inexplorada,

P

plena de belezas, Moçambique é o último grito dos destinos litorais”. Mas outro agente, Joel Zack, da Heritage Tours, não lhe fica atrás: “Moçambique oferece o luxo sem perder a sensação de se estar em África. As praias são fantásticas e as pessoas muito amáveis”. No que diz respeito ao turismo de topo, o destaque vai para a ilha de Quilalea,

situada no arquipélago das Quirimbas, no Norte do País. Não obstante, outros pontos mágicos são igualmente apontados como a Ilha de Ibo e as ilhas de Bazaruto e Benguerra, que atraem as atenções das agências de viagem, assim como o Parque Nacional da Gorongosa. Ou seja, Moçambique soma e segue em termos de destinos de reconhecida qualidade turística.c

TURCONSULT

O crescimento do turismo em Moçambique e as oportunidades de desenvolvimento dos vínculos económicos com as economias locais

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s estatísticas oficiais indicam que o número de chegadas internacionais ao País tem estado a crescer progressivamente. Os investimentos no Turismo também demonstram um crescimento considerável, colocando o sector no quarto lugar no conjunto dos investimentos directos estrangeiros registados em Moçambique nos últimos 6 anos. Por outro lado, o recente fenómeno da nossa economia relacionado com a descoberta e início de exploração de carvão mineral, gás e petróleo tem vindo a contribuir para o aumento do tráfego de pessoas a nível interno, para além de que as relações económicas do mercado interno e as actividades relacionadas com a administração nacional contribuem para que cada vez mais moçambicanos viagem pelo País. A oferta turística em termos de serviços de alojamento (quartos) e similares (restaurantes) tem também registado aumentos progressivos. No entanto, nota-se ainda uma fraca ligação entre o crescimento das actividades de turismo e a resposta das economias locais à crescente
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demanda de produtos e serviços a incorporar na Cadeia de Valor do Turismo como fornecimentos locais de terceiros. O turismo como actividade económica tem um grande potencial de estimular a capacidade empresarial local devido ao facto de exigir um vasto leque de serviços e produtos fundamentais para a prestação de serviços de alojamento, restauração e actividades que tirem partido dos atractivos locais como programas turísticos, o que constitui em última análise a essência do negócio do Turismo. Os produtos hortícolas e a respectiva cadeia de produção e fornecimentos proporcionam grandes oportunidades de inclusão de pequenos e médios produtores, mas será necessário introduzir novos produtos que respondam às necessidades de serviços de restauração de qualidade internacional. Serviços de segurança e manutenção, lavandarias e outros podem ser contratados em regime de “outsourcing” pelos hotéis. O desenvolvimento de negócios ligados às actividades náuticas, pesca de lazer,

o artesanato, os espectáculos culturais, o teatro, as agências de turismo receptivo, os operadores de programas locais, o turismo de habitação, entre muitas outras actividades, fazem parte de um grande universo de negócios com grandes oportunidades de inclusão na Cadeia de Valor do Turismo. Torna-se necessário entender que todas as pesquisas realizadas sobre a Cadeia de Valor do Turismo têm demonstrado que o fenómeno do Turismo não aponta somente para o mercado estrangeiro como estando na origem do crescimento do sector mas que, pelo contrário, o número maior de turistas que visitam os diversos pontos do País são essencialmente nacionais ou residentes. Por esse motivo deverá ser entendido pelas pessoas activas das economias locais que o Turismo abre inúmeras portas para a diversificação das actividades económicas locais que estão gradualmente a ser influenciadas por novos tipos de solicitações ligadas à necessidade de alojar, alimentar e divertir turistas e viajantes nacionais e estrangeiros.c

OBSERVATÓRIO DO TURISMO 35

65% dos estrangeiros não conhecem a ‘Marca Moçambique’

A

lém do recente lançamento, por parte de Moçambique, Suazilândia e a província sul-africana de Mpumalanga, da marca regional de turismo denominada ‘Triland’, que nasce para captar potenciais visitantes na Europa, na Ásia e no continente americano, urge reflectir sobre a propalada ‘Marca Moçambique’. Depois de cerca de três anos após o seu lançamento (tendo o mesmo decorrido a 26 de Fevereiro de 2009), apenas 35% dos turistas estrangeiros diz conhecer aquele branding, contra 91% dos nacionais. Aliás, 65% dos estrangeiros é peremptório quando afirma desconhecer a ‘Marca Moçambique’, que nasceu para promover «um país rico em segredos e tesouros naturais».

Na altura ficou expresso que a Marca Moçambique iria funcionar, sobretudo, como um compromisso no sentido da exigência que não se pode compadecer com a falta de limpeza nas cidades, a pouca afabilidade dos agentes da polícia, a ineficácia dos operadores nem com a inexistência de infraestruturas de apoio, entre outras falhas. A meta definida pelo Ministério do Turismo consistia em suplantar os 180 milhões de dólares da receita do turismo internacional, arrecadados em 2008, e atingir os 4 milhões de turistas em 2020. Será que o ‘Triland’ vai servir para fortificar a ‘Marca Moçambique’?c

Turismo europeu cresce e supera expectativas
Contrariamente à tendência dos últimos anos, o crescimento nas chegadas durante os oito primeiros meses de 2011 foi maior nas economias avançadas (+4,9%) do que nas emergentes (+4,0%), devido principalmente aos resultados especialmente bons da Europa (+6%). Na Europa do Norte (+7%) e Europa Central e Oriental (+8%), a recuperação do declive de 2009, iniciado em 2010, ganhou impulso este ano. O mesmo sucedeu em alguns destinos da Europa do Sul (+8%), que este ano também se beneficiaram da diminuição das viagens para o Médio Oriente (-9%) e para o Norte de África (-15%). c

Captar turistas brasileiros poderá ser uma boa aposta

O

FEIRAS Internacionais em 2012
18 a 20 de Abril COTTM, Beijing (China) Novembro World Travel Market, Londres (Inglaterra) 12 a 15 de Maio INDABA, Durban (África do Sul) 27 a 29 de Novembro EIBTM, Barcelona (Espanha)

turismo interno no Brasil cresceu 16% entre 2007 e 2010, passando de 43 para 50 milhões de pessoas. Parte da responsabilidade desse crescimento pertence aos viajantes domésticos que já correspondem a 85% do turismo brasileiro, segundo dados do Ministério do Turismo. A tendência será continuar crescendo, esperando-se que emerjam mais 50 milhões de brasileiros que não tinham o turismo na sua base de consumo e que agora terão - uma tendência que se espera ver concretizada também em Moçambique. Além dos turistas domésticos, o sector irá investir igualmente na América do Sul. As principais apostas serão no Chile, pela sua boa posição económica, e na Argentina que tem vindo a se reestruturar financeiramente. Além disso, o Peru e a Colômbia também têm apresentado um forte crescimento económico, com bons mercados a serem explorados pelo turismo brasileiro, uma ideia que Moçambique poderia replicar em relação a países vizinhos em pleno gozo da saúde económica e até um pouco mais distantes como Angola (o quinto mercado emissor de turistas para a cidade

de Maputo). Por outro lado, o câmbio com o Real forte vem prejudicando a balança comercial do turismo, propiciando a saída dos brasileiros das classes A e B, que consideram mais vantajoso viajar para fora do país. Um dado extremamente importante, se tivermos em conta a proximidade estabelecida, nos últimos tempos, em termos de actividades culturais e de negócio entre Moçambique e o Brasil. Face à cooperação encetada entre os dois países e as oportunidades de negócio que se antevêem, urge estabelecer uma estratégia de captação de turistas brasileiros para Moçambique. Quem sabe a Copa do Mundo no Brasil não poderá ajudar Moçambique no sentido da atracção de mais visitantes?c
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36 COMUNICADOS

FDC

FDC ergue fábrica de cimento
Fundo de Desenvolvimento da Comunidade (FDC) está a construir uma nova fábrica de cimento, na localidade de Mahubo, distrito de Boane, Sul de Moçambique orçada em cerca de 4,2 milhões USD, com capacidade para produzir oito mil sacos por dia. Estimase que a unidade fabril esteja pronta até Julho de 2012. Para dar corpo e forma ao projecto foi lançada a primeira pedra para a construção da unidade fabril, que vai contar ainda com investimentos de um grupo de empresários indianos. A indústria poderá dar emprego a pelo menos 160 moçambicanos, como também abastecer de água potável e apoiar nas questões de saúde às comunidades, no que se enquadra na sua responsabilidade social. O trabalho de montagem decorre sem sobressaltos e ainda será construída uma estrada asfaltada de pouco mais de dois quilómetros que no futuro servirá de via de acesso à fábrica. Em relação ao cumprimento dos prazos da conclusão da obra, o representante da FDC, Ivandro Sitoe, garantiu que a fábrica entrará em funcionamento nos prazos previstos, o que poderá ser conseguido com o recurso ao uso da tecnologia indiana para este tipo de projectos.

milhões de toneladas. Prevê-se que, até aos meados de 2013, após a conclusão dos trabalhos na Linha de Sena, a mesma poderá atingir uma capacidade para transportar até 12 milhões de toneladas por ano. «Deverão decorrer estudos para apurar que intervenções devem ser feitas ao longo de toda a linha, no sentido de aumentar a capacidade de transporte para 12 milhões de toneladas por ano, numa primeira fase, e 18 milhões de toneladas, indo ao encontro da capacidade do terminal de carvão em construção no porto da Beira», avançou Marta Mapilele. Para o efeito, os CFM deverão realizar um investimento calculado em 120 milhões de dólares, incluindo os 45 milhões de dólares que estão sendo investidos actualmente. A administradora revelou que as companhias mineiras Vale (Brasil) e a anglo-australiana Rio Tinto já apresentaram aos CFM os seus planos de produção, que no global perfazem cerca de cinco milhões de toneladas de carvão, ou seja, abaixo da capacidade prevista para a Linha de Sena.

Manuel Braga não avançou nenhum dado sobre o volume do investimento realizado. Para além do pipeline, com cerca de dois quilómetros, houve esforços visando o aumento da capacidade de armazenamento de gás em mais de seis mil metros cúbicos. Actualmente, o gás é importado através de camiões o que se reflecte no preço ao consumidor. Moçambique é um dos principais produtores de gás na região austral de África, mas devido à falta de uma refinaria interna continua a depender fortemente das importações do gás de petróleo liquefeito (GPL), um subproduto do crude.

LAM

Aumentam ligações aéreas entre Maputo e Tete
A empresa pública Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) está, a ligar a cidade de Maputo, e a província de Tete, com dois voos diários, medida que visa oferecer maior flexibilidade aos passageiros e melhor corresponder às expectativas de negócio em cada um dos destinos. Os dois voos, um pela manhã e o outro ao fim do dia, permitirão a LAM aumentar as oportunidades para os seus clientes deslocarem-se a Tete e a voltar no mesmo dia, bem como para os citadinos daquela urbe que desejam visitar Maputo e regressar no mesmo dia. O aumento do número de voos para Tete não é algo surpreendente, na medida em que com as recentes descobertas de reservas de carvão e a consequente exploração tornaram a província e cidade de Tete em um verdadeiro entreposto de produção e saída do carvão. A província e cidade de Tete além de atrair gigantes multinacionais como, por exemplo, a Vale do Brasil e a Rio Tinto da Austrália, que operam no ramo do carvão, tornar-se-á na capital mineira do país, dado o seu potencial em diversos recursos minerais.

CFM

IMOPETRO

Arrancam as obras de conclusão da linha de Sena
As obras para a conclusão da Linha de Sena, na região centro de Moçambique, deverão arrancar ao longo do corrente mês, assegurou a administradora executiva da empresa Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM), Marta Mapilele. As obras, cujo custo está calculado em cerca de 45 milhões de dólares, deverão ser executadas num período de seis meses, segundo o cronograma dos CFM. Após a conclusão das obras, a Linha de Sena terá uma capacidade para transportar até 6,6 milhões de toneladas de carga por ano que correspondem à actual capacidade de armazenamento de carvão do porto da Beira, donde é exportado para o mercado internacional. Actualmente, a linha possui uma capacidade para transportar dois
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Porto de Maputo poderá receber gás domestico a partir de Abril com a conclusão das obras do Pipeline
O projecto de construção de um pipeline para a recepção de gás doméstico a partir do Porto do Maputo, Sul de Moçambique, deverá estar concluído até Abril de 2012. A conclusão desta infra-estrutura vai permitir que o país receba, em caso de necessidade, navios de gás numa economia de escala. Manuel Braga, Director-geral da Importadora Moçambicana de Combustíveis (IMOPETRO), garantiu que, como resultado da construção do pipeline, o país deixará de depender das importações feitas via terrestre a partir da África do Sul.

38 ANÁLISE

SECTOR ENERGÉTICO

Criar espaços energéticos comunitários pode ser uma solução
expansão das fontes de energia renováveis costuma ser determinada pelo estabelecimento de um ambiente favorável ao seu desenvolvimento e à disseminação da tecnologia, por meio de políticas que incentivem o seu uso, através da disponibilidade de recursos financeiros, públicos assim como privados, de um maior conhecimento e uma maior aceitação pública das tecnologias, do desenvolvimento da capacidade técnica e institucional a todos os níveis e da consolidação dos agentes de mercado. A expansão das energias renováveis vai exigir uma visão a longo prazo por parte do Governo e o reforço das principais estruturas institucionais, nomeadamente a Direcção Nacional das Fontes de Energia Novas e Renováveis (DNER) do Ministério da Energia e o Fundo Nacional de Energia (FUNAE). A energia é mais um factor de desenvolvimento do que um fim em si. Como tal, programas de implementação de RE deveriam estar intimamente ligados a outras áreas económicas, assim como a agricultura, fornecimento de água, ITC, turismo, indústria, etc.. A aprovada Estratégia de Energias Renováveis (EDENR) será implementada com a ajuda de uma Comissão de Organização que deverá assegurar a coordenação entre todos os sectores económicos e de desenvolvimento relevantes. Além disso, a planificação de projectos sobre RE será baseada numa abordagem de baixo para cima, partindo de avaliações das necessidades e potencialidades da comunidade (o
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A

“Plano Energético Comunitário” - PEC), e culminando num plano nacional de investimento e expansão. A EDENR atribui muita relevância à provisão de acesso a soluções energéticas modernas, independentemente da fonte ou da tecnologia usada, ela reconhece a importência que a energia doméstica tem para o desenvolvimento e para a redução da pobreza, e recomenda a criação de “Espaços Energéticos Comunitários” (EEC) como passo intermédio para o acesso em comunidades remotas e rurais. O aspecto comunitário pode ser explorado ainda mais através da introdução do conceito da Comunidade Multifacetada, ou seja, comunidades que são simultaneamente proprietários dos recursos, empresários, utilizadores e ambientalistas/auditores. A abordagem da SNV (Organização Holandesa para a Cooperação) de oferecer capacitação e assistência técnica às estruturas intermédias como as direcções provinciais e distritais, associações comunitárias e organizações locais de desenvolvimento, assenta perfeitamente na exploração destes papéis múltiplos, no contexto das energias renováveis para uso doméstico e produtivo com o objectivo de contribuir para a redução da pobreza. A energia contribui directamente para o desenvolvimento local e a redução da pobreza, fornecendo servicos energéticos modernos e de qualidade superior, com os benefícios daí decorrentes, mas também indirectamente, criando oportunidades para novas actividades

de geração de rendimento, nas quais a energia pode tanto ser um input como um resultado. Esta secção avaliará os factores determinantes e os possíveis caminhos para apoiar o sector das energias renováveis, concentrando-se no conceito de comunidade multifacetada com a intenção de estimular o desenvolvimento local (comunitário) e de contribuir para a redução da pobreza em Moçambique. Os factores e caminhos podem ser explorados com a participação das comunidades relevantes em complementaridade com programas nacionais de RE. Todas as intervenções (caminhos) devem ser complementadas com uma forte componente de capacitação, assistência técnica, estruturação das instituições e dos mercados, instrumentos reguladores e legais, e padrões técnicos e de qualidade. Onde se usa a palavra comunidade, esta pode referir-se à comunidade enquanto estrutura administrativa, a uma associacao comunitária ou a indivíduos da comunidade. Note, no entanto, que nem todas são viáveis na fase actual de desenvolvimento de Moçambique, uma vez que requerem competências técnicas que não existem ao nível da comunidade. A energia solar passiva e a protecção ambiental devem ser incorporadas no quotidiano das comunidades e devem adquirir uma “dimensão cultural”. Isto, somente se pode realizar através da disseminação contínua de informação, treinamento e demonstrações dos benefícios das “boas práticas”.c

DR

SECTOR

ENERGIA 39

Italiana ENI descobre mais gás na Bacia do Rovuma

A

companhia petrolífera italiana Eni anunciou a descoberta de mais depósitos de gás natural com reservas potenciais na ordem de 7.5 triliões de pés cúbicos (Tcf), resultado do furo de pesquisa Mamba Norte-1, aberto na área 4 da Bacia do Rovuma, no norte de Moçambique. Com estes resultados sobem para 30 triliões de pés cúbicos as reservas potenciais de gás natural no Complexo Mamba da área 4. Recentemente, na sequência da perfuração do “Mamba Sul”, a companhia anunciou a descoberta de cerca de 22,5 triliões de pés cúbicos de reservas de gás natural. Aberto em águas profundas (1.690 metros), o furo Mamba Norte-1 atingiu a

profundidade total de 5.330 metros e localiza-se cerca de 23 quilómetros a norte do furo Mamba Sul-1, a 45 quilómetros da costa da província de Cabo Delgado. O Instituto Nacional de Petróleos refere que nesta última descoberta foram encontrados 186 metros de areia saturada de gás natural do Oligoceno e Paleoceno. Testes realizados após conclusão do furo Mamba Norte-1 confirmaram a sua elevada produtividade (cerca de um milhão de metros cúbicos/dia, devido a limitações de equipamento). As actividades de pesquisa na área 4 prosseguem, estando previsto, ao longo do corrente ano, a abertura de cinco furos em prospectos e estruturas pré-identificadas para

avaliar o potencial do Complexo Mamba. Paralelamente, decorrem estudos de viabilidade de projectos combinados em larga escala de fornecimento de gás natural ao mercado nacional, regional e internacional (projectos de Gás Natural Liquefeito, produção de combustíveis líquidos, fertilizantes e outros projectos industriais). São concessionários da área 4 da Bacia do Rovuma, cujo contrato de pesquisa e produção foi assinado em 2006, a Eni East África Moçambique (operador), com 70 porcento de participações, a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (10 porcento), GALP Portugal com 10 por cento e Kogas Coreia do Sul com 10 por cento.c

STATE GRID vai encetar parcerias em Angola e Moçambique com a REN

A

venda de 25% da REN – Redes Energéticas Nacionais à State Grid Corp. da China irá conduzir à criação de duas parcerias em Angola e em Moçambique, detidas em partes iguais pela empresa portuguesa e pelo grupo chinês, disse a secretária de Estado do Tesouro e Finanças. No final da reunião do Conselho de Ministros em que foi aprovada a venda de 40% da participação do Estado português ao grupo chinês e à empresa Oman Oil, Maria Luís Albuquerque disse que a

constituição daquelas duas parcerias bem como a identificação de três projectos para investimento conjunto com a REN em linhas de transmissão de electricidade no Brasil é um dos compromissos assumidos pela State Grid Corp. no âmbito da sua proposta de compra. Além da identificação daqueles três projectos, a State Grid assumiu ainda o compromisso de contratar a assessoria técnica da REN no Brasil, país onde o grupo chinês já está presente. Quanto a África, Moçambique era já um

mercado na mira da REN, tendo em conta a possibilidade de aquisição de metade da participação de 15% detida pelo Estado português na Hidroeléctrica de Cahora Bassa e as oportunidades já detectadas no desenvolvimento da rede de transmissão moçambicana. O mercado chinês poderá também vir a ser explorado pela REN, embora não haja ainda decisões quanto a essa opção de parceria luso-chinesa.c

gALP E ADENE vão produzir biocombustíveis de segunda geração em Moçambique

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Galp Energia vai liderar um projecto para a produção de biocombustíveis de segunda geração a partir de óleo de Jatropha, cultivado em Moçambique. O projecto, que vale 2 milhões de euros é co-financiado em 50% pelo Fundo de Apoio à Inovação/ Adene. Para além da Galp e Adene, fazem parte do consórcio a Universidade de Évora, a Vicort, Domingos Reynolds de Sousa, o Instituto Superior de Agronomia e o Instituto Politécnico de Portalegre. O projecto vai gerar conhecimento na comunidade científica portuguesa e

moçambicana e criar oportunidade de emprego qualificado em Portugal. Serão investigadas áreas que vão desde o aperfeiçoamento das plantas, passando pela sua colheita, extracção de óleo e reproveitamento dos subprodutos. As plantações de Jatropha da Galp em Moçambique estão em franca expansão, prevendo-se que, até 2016, superem uma área plantada de 23 mil hectares, correspondentes a uma produção de óleo de 30 mil toneladas. A exploração agrícola é feita em parceria com as comunidades locais, que cultivam também milho e girassol.c
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40 RESENHA JURÍDICA

Exercício da Actividade Seguradora em Moçambique

Silvia Prista Cunha

O

“Regime Jurídico dos Seguros” em Moçambique, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 1/2010, de 31 de Dezembro, estabelece as condições de acesso e exercício da actividade seguradora em Moçambique, incluindo o segmento do micro-seguro, permitindo o exercício desta actividade por sociedades anónimas e sociedades mútuas, com sede social em Moçambique, constituídas para o exercício da actividade de seguro directo, de resseguro ou do micro-seguro, e por sucursais de seguradoras, resseguradoras e micro-seguradoras estrangeiras, constituídas, no seu país de origem, sob a forma de sociedade comercial. Para o efeito, é necessária a autorização prévia pelo Ministro que superintende a área das Finanças, mediante parecer da entidade de supervisão – o Instituto de Supervisão de Seguros de Moçambique (“ISSM”), instituição criada com a entrada em vigor do Decreto-Lei n.º 1/2010, de 31 de Dezembro. De conformidade com esta legislação, não é permitido às seguradoras o exercício cumulativo da actividade do seguro directo e do resseguro do ramo “Vida” com a do seguro directo e do resseguro dos ramos “Não Vida”, sendo autorização para o início da actividade seguradora concedida separadamente para cada um dos referidos ramos. Não obstante a proibição do exercício cumulativo da actividade do seguro directo e do resseguro do ramo “Vida” com a do seguro directo e do resseguro dos ramos “Não Vida”, a nova legislação salvaguardou as seguradoras que, até à data da publicação da mesma encontravam-se autorizadas a explorar cumulativamente ambos ramos, permitindo-lhes a continuidade
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da exploração cumulativa mediante o cumprimento de determinados requisitos. Os valores de capital social mínimo exigidos para a constituição de sociedade anónima de seguros ou de resseguros diferem, consoante o ramo – “Vida” ou “Não Vida” – a explorar; em ambos os casos o valor mínimo do capital social deve ser sempre realizado em dinheiro e depositados à ordem da sociedade a constituir – não menos que 50% à data da constituição – em instituição de crédito autorizada a operar em Moçambique, com expressa declaração da quantia subscrita por cada accionista, podendo o capital subscrito remanescente ser realizado em espécie, em cumprimento e de acordo com as normas e formalidades estabelecidas pelo Código Comercial, desde que os respectivos bens ou direitos a transferir para a sociedade, sejam previamente comunicados à entidade de supervisão. O capital subscrito remanescente, deve ser realizado no prazo máximo de 180 dias a contar da data da escritura/contrato de constituição, salvo na parte em que houver realização em espécie, caso em que não haverá lugar a qualquer diferimento. As alterações ao capital social das seguradoras, ainda que no caso de aumentos sejam materializadas por incorporação de reservas, estão sujeitas a autorização prévia do ISSM, carecendo a aquisição, aumento ou diminuição de participação qualificada de autorização do Ministro que superintende a área das Finanças. Com a entrada em vigor do Regulamento das Condições de Acesso e de Exercício da Actividade Seguradora e da respectiva Mediação, aprovado pelo Decreto n.º 30/2011, de 11 de Agosto, foram

introduzidas algumas alterações à tramitação e processo de licenciamento ao exercício da actividade seguradora, bem como relativamente aos requisitos exigidos pelo ISSM. A título de exemplo, relativamente à exigência relativa à experiencia profissional, o novo Decreto veio agravar o grau de exigência, sendo agora requisito que a pessoa, além de ter de provar que tenha exercido, com manifesta competência, funções de responsabilidade nos domínios financeiro e técnico, deverá ainda ter no mínimo uma experiência de 4 anos nas referidas áreas. Relativamente ao mandatário geral, passa a ser igualmente um requisito obrigatório que o mesmo possua conhecimento bastante da língua portuguesa. Importa referir que a entrada em vigor do Regulamento das Condições de Acesso e de Exercício da Actividade Seguradora e da respectiva Mediação não determinou a revogação do Decreto n.º 41/2003, de 10 de Dezembro, que veio aprovar o Regulamento da Lei 3/2003, de 21 de Janeiro, que determina igualmente as Condições de Acesso e Exercício da Actividade Seguradora e Respectiva Mediação. Ou seja, existem disposições constantes do Decreto n.º 41/2003, de 10 de Dezembro, que continuam a ser aplicáveis, excepto àquelas disposições que contrariam o disposto no Regulamento das Condições de Acesso e Exercício da Actividade Seguradora e Respectiva Mediação ora em vigor”.c
Advogada silvia.cunha@fralaw.com

42 FISCALIDADE

PRICEWATERHOUSECOOPERS

Malaika Ribeiro *

A utilização de meio no cumprimento das
oçambique está claramente a entrar na era digital e no processamento electrónico de dados. Tem-se verificado um investimento nas infra-estruturas de telecomunicações, com a consequente expansão das redes eléctrica e de internet, com a implementação das tecnologias de fibra óptica que permitirão maior rapidez, largura de banda e, consequentemente, aumento do universo de utilizadores das tecnologias informáticas, tanto no sector público como no sector privado, assegurando capacidade de resposta do sistema de comunicações electrónicas. Em nosso entender, a admissão das novas tecnologias e dos meios telemáticos, tal como já acontece noutros sectores da Administração Pública deve, num futuro próximo, ser também uma aposta da Administração Fiscal e uma realidade no cumprimento das obrigações fiscais dos cidadãos e das empresas. À semelhança do que acontece na maior parte dos países europeus e na África do Sul (aqui pelo sistema E-filling), os cidadãos podem, na comodidade de suas casas tratandose de particulares, ou directamente dos departamentos competentes das empresas, preencher e entregar as suas declarações fiscais por via electrónica em sede de IRPS, IRPC e IVA, recebendo de imediato o comprovativo de entrega e a indicação do valor a pagar ou a receber, consoante o caso. O exemplo de Portugal Em Portugal, estas declarações electrónicas tanto podem ser preenchidas online, directamente no portal da Autoridade Tributária ou offline, através do “download” de uma aplicação nos computadores pessoais permitindo, desta forma, que as declarações sejam preenchidas sem necessitar de estar ligado à internet. Sempre que surjam dúvidas no
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M

preenchimento podem ser consultadas as instruções de preenchimento, bastando “clicar” no campo onde se tem dúvidas, consultar os códigos fiscais ou telefonar para um número de atendimento que apoia os contribuintes nestas questões. Antes de submeter há que validar toda a informação constante da declaração em apreço e se houver alguma divergência em algum dos campos, surge uma advertência no sistema convidando o utilizador a corrigir a(s) divergência(s) detectada(s), indicando dicas para solução do problema e só considerando a declaração correcta para submissão no sistema central, após a correcção de todas as divergências. Esta informação é comum a todos os modelos de declarações fiscais electrónicas, havendo especificidades em função do imposto a tratar. A título exemplificativo, vamos referir algumas situações que trazem vantagens e são cómodas tanto para os contribuintes como para a Administração Fiscal. IVA No caso do IVA, uma vez preenchidos todos os campos da declaração, o contribuinte sabe, de imediato, o valor a pagar ou a receber. Se tiver que pagar, deve fazê-lo até à data limite de entrega da declaração electrónica, através do acesso ao banco online ou em qualquer estação de correios ou tesouraria da fazenda pública. A falta de pagamento do valor devido ao Estado implica o accionamento imediato, por parte da Administração Fiscal, de um processo de contra-ordenação fiscal, acrescendo ao valor em dívida o pagamento de taxas e de juros de mora. Se tiver IVA a receber, caso o valor a entregar ao Estado seja inferior ao valor do IVA suportado, deve fazer constar na própria declaração se pretende o reembolso ou se o valor a receber reporta para o período seguinte, mensal ou trimestral, consoante os casos. Na declaração electrónica seguinte o valor

FISCALIDADE

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os electrónicos s obrigações fiscais
reportado do período anterior acresce, em campo próprio para o efeito, ao valor a deduzir no período que se está a declarar. IRPS Em sede de IRS (IRPS em Moçambique), uma vantagem que se pode referenciar é o facto de uma vez concluído o preenchimento da declaração e respectivos anexos e devidamente validada, faz-se a simulação da liquidação e o contribuinte fica a saber, de imediato o valor a receber ou a pagar. O recebimento do imposto retido a mais ou o pagamento do imposto retido a menos no ano anterior, faz-se após o processamento da declaração pela Administração Fiscal e que notifica o contribuinte em conformidade. No caso de IRS a receber pelo contribuinte o pagamento é efectuado por cheque ou transferência bancária, caso o contribuinte tenha indicado o seu número de conta bancária para o efeito na declaração electrónica. No caso de IRS a pagar, na notificação da liquidação é indicado o valor a pagar, o prazo de pagamento e a referência electrónica, caso o pagamento seja efectuado no Banco Online ou numa ATM. A actualidade em Moçambique Também no âmbito fiscal e aduaneiro, Moçambique começa a implementar medidas de simplificação e modernização, tanto de sistemas como de obrigações declarativas e procedimentos. No caso concreto das alfândegas, desde Dezembro de 2011 que está em fase piloto e de implementação no Porto de Maputo o sistema da Janela Única Electrónica (JUE) de desalfandegamento de mercadorias. A JUE está definida como o sistema informático de gestão aduaneira e de interligação entre os intervenientes do processo de desembaraço aduaneiro, na alínea y) do artigo 1º do Diploma Ministerial N.º 16/2012 de 1 de Fevereiro, que regulamenta as Regras Gerais de Desembaraço de Mercadorias. Este processo de desembaraço electrónico será gradualmente aplicado a nível nacional. Os principais objectivos com a implementação do novo sistema informático são aumentar a celeridade no processo de desembaraço aduaneiro de mercadorias, a diminuição dos custos de desalfandegamento e a redução da carga burocrática associada, nomeadamente no que respeita ao volume de documentos envolvidos no processo até aqui em vigor. Em termos práticos e na linha que referimos anteriormente relativamente ao caso português, pretendese que todos os agentes que intervêm no processo de desembaraço de mercadorias funcionem de forma integrada, através do acesso a uma plataforma única e recebam a informação submetida pelo declarante em simultâneo e em tempo real, em substituição do sistema até agora vigente de submissão em papel, de forma faseada e subsequente perante os diversos intervenientes. Atendendo a que a capacidade de resposta da Autoridade Aduaneira aumenta consideravelmente, por conseguir processar um maior número de pedidos no mesmo espaço de tempo, a receita do Estado inevitavelmente aumenta, verificando-se também a economia de tempo e de recursos. Relativamente às declarações fiscais, o sistema actual ainda é de submissão presencial e em papel. Não obstante, na linha da evolução tecnológica e de modernização que se vem desenhando, a Administração Fiscal também pretende implementar sistemas electrónicos no que respeita à submissão das declarações fiscais, perspectivando-se desenvolvimentos nesta matéria ainda este ano, de acordo com a divulgação efectuada nos meios de comunicação social. Reflexões finais Na nossa perspectiva, as vantagens superam largamente as desvantagens atendendo à comodidade que representa para os contribuintes, individuais e colectivos, evitando os congestionamentos que se verificam nos serviços, nos períodos em que se tem que proceder à entrega das declarações, melhorando substancialmente a organização, a sistematização e o processamento atempado da informação, melhorando a capacidade de resposta da Administração Fiscal na entrega das declarações de quitação de dívida e permitindo controlar em tempo real quem não procedeu à entrega das declarações a que está obrigado, nos termos legais. Consequências directas destas melhorias são o aumento da receita fiscal e da competitividade nas transacções comerciais em Moçambique, no caso das empresas. A desvantagem (dificuldade) mais imediata será a necessidade dos particulares terem computador e acesso à internet e de se adaptarem às novas tecnologias, sendo certo que fora das zonas urbanas esta dificuldade será acrescida. Desta forma será imprescindível um período de divulgação, formação e de adaptação dos contribuintes a estas novas realidades. Naturalmente que a evolução tecnológica tem que ser sustentada legal e juridicamente e, nesse sentido, será também necessário implementar estas medidas com a necessária adequação legal à nova realidade.c
Este artigo é de natureza geral e meramente informativa, não se destinando a qualquer entidade ou situação particular, e não substitui aconselhamento profissional adequado para um caso concreto. A PricewaterhouseCoopers Legal não se responsabilizará por qualquer dano ou prejuízo emergente de uma decisão tomada (ou deixada de tomar) com base na informação aqui descrita. (*) Senior Manager malaika.ribeiro@mz.pwc.com” abril 2012 revista capital

44 MERCADO DE CAPITAIS

PRIME CONSULTING MOÇAMBIQUE

Raúl Peres*

O processo de admissão de Valores – Parte I
- As unidades de participação em fundos de investimento; - Quaisquer outros valores mobiliários que pela sua natureza e características, possam ser admitidos à cotação. Requisitos de admissão à cotação São requisitos, ou condições, de admissão à cotação de acções, os seguintes (que funcionam cumulativamente): - A sociedade emitente encontrar-se constituída e a funcionar de acordo com as disposições legais e estatutárias aplicáveis; - A situação jurídica das acções estar em conformidade com as disposições legais aplicáveis; - A capitalização bolsista previsível das acções que são objeto do pedido de admissão à cotação ou, na sua falta, os capitais próprios da sociedade, incluindo os resultados não distribuídos do último exercício, não serem inferiores a MT 28.000.000,00 (vinte e oito milhões de meticais) para o Mercado de Cotações Oficiais ou a MT 7.000.000,00 (sete milhões de meticais) para o Segundo Mercado; - A sociedade ter publicado os seus relatórios de gestão e contas anuais relativos aos dois exercícios anteriores ao pedido de admissão; esta condição pode ser derrogada pela bolsa de valores se tal for seja recomendável por razões de mercado e desde que os investidores disponham das informações necessárias para formarem um juízo fundamentado sobre a sociedade e sobre as ações cuja admissão à cotação é pedida (por exemplo, novos projetos empresariais de dimensão relevante); - As acções serem (nos termos estatutários) livremente negociáveis; - Estar assegurada uma dispersão das acções pelo público considerada suficiente pela bolsa de valores; presume-se existir uma dispersão suficiente quando as ações que forem objeto do pedido de admissão à cotação se encontrarem dispersas pelo público numa percentagem não inferior a 15% do capital social subscrito e representado por essa categoria de ações ou, na sua falta, um número não inferior a 250.000 ações desde que se encontre assegurado o regular funcionamento do mercado. - O pedido de admissão à cotação englobar todas as ações da mesma categoria que se encontrem emitidas; - A sociedade apresentar uma adequada situação económico-financeira. Relativamente à admissão à cotação de obrigações, aspeto que tem sido particularmente saliente no caso da Bolsa de Valores de Moçambique, os requisitos de natureza jurídica, existência e funcionamento da entidade emitente e dos valores em si são, com as necessárias adaptações, equivalentes aos das acções, dependendo ainda a admissão à cotação de obrigações, cumulativamente, da verificação das seguintes condições: O montante do empréstimo obrigacionista a admitir não ser inferior a MT 16.000.000,00 (dezasseis milhões de meticais) para o Mercado de Cotações Oficiais, sendo o valor mínimo do empréstimo obrigacionista de MT 4.000.000,00 (quatro milhões de meticais) para o Segundo Mercado. - Encontrar-se comprovado que o pagamento do capital e dos juros está, de acordo com uma análise económico financeira baseada em critérios razoáveis de prudência, garantido. De notar que as obrigações convertíveis e as obrigações (ou outros valores) que deem direito à subscrição ou aquisição de acções só podem ser admitidos à cotação se as acções às quais elas se referem tiverem já sido anteriormente admitidas à cotação ou forem admitidas simultaneamente; mas a bolsa de valores poderá excecionalmente autorizar a admissão à cotação sem que as acções de encontrem admitidas, desde que considere que os portadores das obrigações dispõem de toda a informação necessária para formarem um juízo correto sobre o valor das acções relativas a estas obrigações. As condições para a admissão à cotação de outros valores mobiliários devem ser fixadas por regulamento da bolsa de valores, por analogia com o que se encontra legalmente estabelecido para as acções e obrigações, mas tendo em atenção a natureza e as disposições da legislação especial que respeite a esses valores.

Introdução Conforme já referimos em artigos anteriores, para que possam negociar-se na bolsa quaisquer valores emitidos por uma determinada sociedade, é necessário que estes sejam previamente “admitidos à cotação” na bolsa de valores. A admissão à cotação é, tão simplesmente, um processo através do qual a bolsa de valores verifica que os valores a cotar, e bem assim a sociedade que os emitiu, reúnem as condições necessárias para poder estar admitidos à cotação, e que estão salvaguardados os interesses públicos em presença, nomeadamente quanto à regularidade jurídica desses valores e funcionamento da sociedade, podendo assim ser negociados num mercado livre e aberto. Valores que podem ser admitidos à cotação Podem ser admitidos à cotação: - Os fundos públicos nacionais e estrangeiros e os valores mobiliários a eles equiparados; são “fundos públicos” os títulos representativos da dívida pública interna, os valores emitidos por institutos públicos ou fundos públicos nacionais e os valores mobiliários emitidos por entidades estrangeiras de natureza semelhante aos referidos. De referir ainda que são equiparados a fundos públicos nacionais os valores mobiliários representativos de empréstimos emitidos por quaisquer empresas ou entidades nacionais com garantia do Estado de Moçambique, e do mesmo modo são equiparados a fundos públicos estrangeiros os valores mobiliários representativos de empréstimos emitidos por quaisquer empresas ou entidades estrangeiras com garantia de um Estado estrangeiro, bem como empréstimos emitidos por instituições financeiras internacionais. - As ações emitidas por sociedades nacionais ou estrangeiras; - As obrigações emitidas por sociedades ou outras entidades nacionais ou estrangeiras legalmente autorizadas a emitir este tipo de valores;
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MERCADO DE CAPITAIS

PRIME CONSULTING MOÇAMBIQUE 45

o à cotação na Bolsa
Admissão à cotação de valores mobiliários estrangeiros Nos termos do Código do Mercado de Valores Mobiliários, os valores mobiliários emitidos por entidades estrangeiras que não sejam fundos públicos ou equiparados só poderão ser admitidos à cotação se se encontrarem verificadas todas as condições de que depende a admissão à cotação de valores nacionais de idêntica natureza. A Bolsa de Valores de Moçambique poderá igualmente exigir que os valores a admitir à cotação se encontrem já cotados numa bolsa do país da sede ou do estabelecimento principal da entidade emitente ou do país onde hajam sido emitidos. Os valores mobiliários emitidos por entidades não nacionais e que sejam objecto de uma representação material (valores titulados) devem estar de acordo com as normas em vigor no estado de emissão; se estas forem diversas das normas nacionais em vigor, a bolsa de valores deve levar este facto ao conhecimento do público antes da admissão à cotação. Competência para requerer e decidir a admissão à cotação Em geral, a admissão à cotação deve ser requerida, obrigatoriamente através de um operador de bolsa, pela sociedade

emitente – o que constitui a situação paradigmática - ou por titulares dos valores a cotar que detenham, pelo menos, 10% da emissão. A admissão à cotação de quaisquer valores mobiliários poderá também ser determinada oficiosamente pelo Banco de Moçambique, desde que assuma um relevante interesse público. Nestes casos, o Banco de Moçambique é obrigado a ouvir a entidade emitente e a bolsa de valores. Nos casos em que efetivamente seja determinada a admissão oficiosa, a entidade emitente terá que fornecer à bolsa de valores todos os documentos e informações que esta lhe solicite, com vista a assegurar a disponibilidade na bolsa de valores de um processo de admissão à cotação convenientemente instruído. Relativamente à admissão à cotação de fundos públicos nacionais e estrangeiros e de valores mobiliários a eles equiparados, os mesmos serão admitidos à cotação mediante autorização do Ministro das Finanças, com dispensa de quaisquer outras formalidades. A admissão é, mesmo, oficiosa e obrigatoriamente determinada pelo Ministro das Finanças relativamente

aos fundos públicos nacionais e valores aos mesmos equiparados, logo que estes valores mobiliários se tornem negociáveis, após processo de emissão e subscrição. À excepção dos casos de admissão oficiosa acima indicados, a competência para decidir da admissão de quaisquer valores mobiliários à cotação em bolsa pertence à bolsa de valores. As decisões sobre os pedidos de admissão devem ser notificadas aos requerentes no prazo máximo de trinta dias após a recepção do pedido ou, se a bolsa de valores solicitar informações complementares, no prazo máximo de trinta dias após a recepção desses elementos. No próximo artigo prosseguiremos a apreciação do processo de admissão à cotação na bolsa de valores, requisito prévio e indispensável para a sua transacção neste mercado.
(Continua) *Administrador da Prime Consulting Moçambique rperes@prime-consulting.org

46 NEGÓCIOS

PRIME CONSULTING MOÇAMBIQUE

Elsa dos Santos *

O Trabalho e o seu papel na vida das pessoas

O

trabalho é o elemento estruturador por excelência da vida do homem. O trabalho desempenha um papel central nas vidas das pessoas, que dele retiram diversos tipos de recompensas: materiais, na medida em que recebem uma remuneração pela actividade desenvolvida; sociais, pelo contacto com outras pessoas que o trabalho proporciona; prestígio, pelo estatuto social associado às funções desempenhadas; valorização pessoal, enquanto fonte de autoestima, identidade e meio de realização pessoal pelo trabalho prestado. Uma das formas de conhecer esses significados é analisar o lugar que o trabalho ocupa na vida das pessoas. O lugar do trabalho prende-se com as crenças que possuímos relativamente ao grau de importância que o trabalho desempenha nas nossas vidas. Este lugar de trabalho é visto como um resultado da socialização, uma vez que aprendemos a valorizar o trabalho a partir da religião, da cultura, dos familiares e dos amigos. No futuro, espera-se que se desenvolvam novas relações de trabalho, resultantes das modificações que terão lugar no papel que desempenham as actividades de produção, de distribuição e de comunicação, devido à acção de uma nova dinâmica social, ao deslizamento dos factores económicos e à automatização dos sistemas de informação. Isto ocorrerá no sentido de uma ampla mutação de trabalho: do trabalho à peça ao trabalho em sistema, e do trabalho em cadeia ao trabalho em rede. Podemos considerar a imposição à passagem de um modelo de trabalho rígido e fechado como elemento central da estruturação de toda a vida económica e social e factor principal de integração social, para o modelo aberto que não vai assegurar a todos de uma forma rígida e
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constante o emprego, persistindo uma massa importante de desempregados. Assim, podemos argumentar que as novas relações entre o homem e o trabalho trouxe ou traz consigo, e mais activamente novas formas de trabalho das quais citaremos três: • Trabalho independente, onde o trabalhador, por vezes chamado de “trabalhador por conta própria”, “autónomo” ou em “auto-emprego” é o indivíduo que exerce a sua actividade por conta própria sem auxílio de assalariados. Trata-se de um trabalhador que é simultaneamente um empresário. O trabalhador independente constitui uma realidade histórica antiga. Esta forma de trabalho sempre se manteve como modalidade de actividade económica relevante, embora secundária. Actualmente, o trabalho independente ou auto-emprego tende a ganhar novo vigor em virtude da competitividade das empresas e da necessidade de redução de custos, com a tendência para a terceirização da economia. • Trabalho temporário que é a cedência de colaboradores de uma agência privada de emprego para utilização de terceiros (Empresas Utilizadoras), por um período de tempo definido. Serve para: • Substituições por baixa ou férias; • Projectos com carácter temporal limitado até ao limite de 2 anos; • Acréscimos Temporários/Picos de Produção; • Tarefas Pontuais; • Vaga de posto de trabalho; • Acréscimo excepcional da actividade de Empresa; • Desenvolvimento de projectos, incluindo concepção, investigação, direcção e fiscalização, não inseridos na actividade corrente do empregador; • Outras actividades cujo ciclo anual

No futuro, espera-se que se desenvolvam novas relações de trabalho, resultantes das modificações que terão lugar no papel que desempenham as actividades de produção, de distribuição e de comunicação, devido à acção de uma nova dinâmica social, ao deslizamento dos factores económicos e à automatização dos sistemas de informação.
de produção apresente irregularidades decorrentes da natureza estrutural do respectivo mercado incluem as modalidades de trabalho sazonal. Estas formas de contrato de trabalho correspodem a respostas das empresas às garantias, consideradas excessivas, dos contratos normais subordinados e do trabalho temporário realizado através de uma empresa ou agência de emprego. • Trabalho a dias - esta é a forma mais precária de trabalho, correspondendo muitas vezes a actividades informais de prestação de serviço. Pode vir a assumir um papel mais relevante junto de alguns segmentos de actividade produtiva.
(*) Directora Da Prime Consulting Moçambique esantos@prime-consulting.org

48 ESTILOS DE VIDA

A propósito de bem servir...

A
bem servir

nossa capacidade de sermos dóceis e servis tem-nos valido alguns pontos no ranking do turismo regional e internacional. Países sobejamente conhecidos devido à sua atitude positiva perante o serviço na área de turismo estiveram sempre lado a lado quando os turistas metem conversa connosco. Somos um povo hospitaleiro, e por tradição, seja qual for a cultura que herdamos dos nossos antepassados, somos um povo que coloca sempre o convidado no ‘lugar de honra’. O fenómeno de popularizar as viagens de turismo, ao longo das últimas decadas, tornou os povos e culturas mais acessíveis. Não obstante, o efeito também se revelou nefasto pois tornou o viajante em massa menos educado, e, desde logo, menos sensível ao registo de outras culturas. Por outro lado, também nós por osmose vamos nos tornando menos hospitaleiros. E aí reside o busilis da questão. Por que nos deixamos guiar pelo que os outros

fazem e não pela cultura hospitaleira a que pertencemos? Por que temos a tendência de seguir os maus exemplos? A resposta a esta questão perderia qualquer sentido se déssemos mais valor ao que Moçambique tem de melhor: a sua (nossa) hospitalidade! Podemos não ter os melhores aeroportos, as melhores estradas, os melhores hospitais, mas temos a nossa maneira de ser, o nosso sorriso, a nossa maneira de bem-receber. Estes atributos têm mais valor e levam o nome de Moçambique mais longe do que qualquer outro recurso natural e material. A simbologia implícita no espírito hospitaleiro é poderosa, mas deverá ser consolidada com os melhores exemplos. Esta pequena coluna servirá, sobretudo, para trazer à tona situações que deveriam ser evitadas na prática do turismo e no fornecimento de serviços agregados vis a vis àquela nossa maneira de ser hospitaleira e também, falta de

profissionalismo, que tanto nos falta. Sem profissionalismo não poderemos ser ou estar confiantes face ao trabalho que fazemos nem atingiremos a tão badalada autoestima. Só o conseguiremos se abolirmos as faltas de educação e os gestos rudes, sinais cada vez mais frequentes na nossa sociedade. A autoestima é determinada pela confiança, não só nas capacidades profissionais de cada um, mas também no conhecimento da nossa cultura (e ela é demasiado rica para que ignoremos as suas múltiplas e variadas influências). Saber usá-la como uma ferramenta de marketing e no sentido de maximizar receitas será certamente um trunfo, essencial ao desenvolvimento de um turismo próspero para todos, mesmo para aqueles que recebem os turistas em sua casa, ou seja, em Moçambique! E todos sabemos de quem estamos a falar pois já fomos marcados pelo outro lado da moeda, numa ou noutra circunstância...c Rui Monteiro

“O Artista” arrebata Óscares em Hollywood

O
o que há de novo

Artista”, filme mudo francês do realizador Michel Hazanavicius, foi o grande vencedor na 84.ª edição cerimónia anual dos Óscares de Hollywood, tendo conquistado cinco estatuetas. O filme “O Artista”, a preto e branco, conta a história de um astro do cinema mudo de Hollywood que entra em decadência quando tem início o cinema falado e depois encontra a redenção por meio do amor de uma mulher. “O Artista” concorria em 10 categorias e conquistou as estatuetas de Melhor Filme, Melhor Actor, para o francês Jean Dujardin, Melhor Realizador, para Michel Hazanavicius, e também os de melhor Trilha Sonora e melhor Figurino. «Eu sou o director mais feliz do mundo

agora, obrigado a vocês por isso», disse Hazanavicius à plateia de astros, que incluía George Clooney, Michelle Williams, Angelina Jolie, Brad Pitt, como também membros da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. O melhor actor, Jean Dujardin, ficou emocionado com o prémio, e declarou «Amo esse país». Ele agradeceu à academia, aos companheiros da carreira no cinema e à sua mulher, e também recordou o realizador do cinema mudo Douglas Fairbanks como uma inspiração para o seu trabalho. “O Artista” ficará na história da 84.ª edição dos prémios da academia de cinema como o primeiro filme não anglo-saxónico a vencer o prémio de “Melhor filme”.c

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abril 2012

Filhos da Lua
insuficiência de melanina, substância responsável pela coloração da pele, cabelos e olhos. Segundo Solange dos Santos, «Filhos da Lua é a arte final criada a partir de um projecto de dois anos sobre pessoas portadoras de albinismo e fala das peripécias por que elas passam nas suas vidas, que são marginalizadas e perseguidas até a morte por causa da sua aparência». Para os organizadores desta exposição, a fotografia pode ajudar a melhorar a compreensão de um problema de uma minoria, sobre o qual a maioria das pessoas não sabe muito, por falta de informação sobre esta doença. «As imagens escolhidas para a exposição deve transformar os chamados erros e anomalias em cada singularidade e beleza», refere Solange dos Santos. Para além do lançamento do livro e da abertura da mostra fotográfica, o local acolheu um desfile de moda protagonizado por modelos albinos. A exposição fotografia “Filhos da Lua” estará patente na Fortaleza de Maputo até ao dia 23 de Março.c

galeria

“ Um presente para Si”
Cuide do seu corpo como um templo sagrado que deve ser amado e respeitado. O Evasões Spa, o seu espaço de serenidade e conforto, prepara-se para o receber disponibilizando as melhores terapias para tratar de si. Inaugure-se com uma sessão de sauna, para libertar os seus poros de toxinas prejudiciais, seguida de uma massagem de assinatura Evasões que o fará relaxar e renovar energias, recriando laços entre si e o universo. Alocar algumas horas do seu dia a tratar de si, deverá ser uma prioridade para o novo ano. Não adie o prazer, faça uma pausa e regozije-se.

ilhos da Lua é o título de uma exposição fotográfica e de um livro lançado na Fortaleza de Maputo, onde Solange dos Santos e Dominique Andereggen contam a história dos portadores de albinismo ensinando a sociedade moçambicana a conviver com os portadores daquela doença causada por

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Água: objecto de desejo

A

editora capital c

o contrário de alguns anos atrás, a água engarrafada era vista como um produto de elite, apenas para um público com maior poder de compra. Hoje, os consumidores estão cada vez mais exigentes, buscam um sabor natural e acima de tudo uma vida mais saudável. Actualmente, o cenário é favorável para as marcas de água, deixando de ser associada apenas à sua forma ou estado. A fórmula já não é apenas H2O, ganhou design diferente oferecendo ao público um show de embalagens que agregam valor aos produtos. Na nova tendência global da individualização – em contradição ao movimento de globalização – indivíduos do mundo inteiro reflectem esse processo através da busca de objectos exclusivos. E diante da concorrência, as marcas precisam traçar estratégias que se adaptem ao mercado. Relacioná-las com o que o consumidor mais deseja, ser diferente dos outros, é uma estratégia infalível. Pegamos como exemplo

a Água da Namaacha, que se posicionou de forma única a homenagear o grande pintor moçambicano, Malangatana. A marca criou uma edição limitada de garrafas com obras do pintor no rótulo. O objectivo era divulgá-las, a nível nacional e internacional, em camadas sociais que não tiveram contacto com o mesmo. O sucesso foi garantido e os consumidores, apelam por uma segunda edição. Agora é esperar uma surpresa das marcas para comemorar o Dia Mundial da Água, tendo em conta os alertas que têm sido dadoz no sentido de preservação deste recurso natural, sob pena de em poucos anos o planeta não ter água potável. Resta-nos saber se as marcas de água estão a criar uma política de sustentabilidade ambiental na implementação da protecção deste recurso natural, ou então, acreditar que haja um compromisso com o futuro na melhoria contínua de desempenho ambiental seja na produção, packaging ou na distribuição.c

50 VISÃO

EDUCAÇÃO FINANCEIRA

Educação financeira, sim! Mas não chega…
José Carlos Maximino

ecididamente, a educação financeira está na moda, um pouco por todo o lado: no mundo ocidental e em especial na Europa, a braços como uma enorme crise de endividamento, que toca a todos: países, mercados, empresas, famílias e indivíduos, onde a preocupação dominante tem a ver com a questão do sobre-endividamento, tanto como nos países em desenvolvimento (também ditos “emergentes”), onde o aumento de rendimentos a que se tem assistido esbarra, frequentemente, com a inexperiência – e consequente falta de preparação - de largos estractos da população - na gestão da relação quotidiana com o dinheiro e com os produtos financeiros. Organizações internacionais, governos, associações de consumidores e outras instituições da sociedade civil, bem como as próprias instituições financeiras, as escolas e, mais recentemente, as próprias empresas têm vindo a inscrever nas suas agendas programas de sensibilização e de formação destinados a incrementar os níveis de literacia financeira dos seus colaboradores e, em particular, as suas competências financeiras tendo em vista a gestão responsável das suas finanças pessoais. É uma co - responsabilização da sociedade, nas suas múltiplas formas de organização (política, económica, social, etc…), pela elevação dos conhecimentos e das

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competências financeiras individuais, que obviamente se saúde e aplaude, mas que não pode ser tomada como garante do que quer que seja em matéria de estabilidade financeira familiar. A verdade é que não é adquirido que níveis de conhecimento e competências mais elevadas resultem, obrigatoriamente, (são vários os estudos que o dizem!) em melhores prestações individuais no plano financeiro, porquanto (é da experiência de todos!), nem sempre as nossas decisões são ditadas por critérios de racionalidade. E os vários agentes dos mercados sabem muito bem disso! Além de que, como é comumente aceite, não basta saber. De que valerá, por exemplo, eu saber ler, interpretar e fazer contas, o suficiente para conseguir comparar os preços dos produtos e as condições de pagamento, que me habilitem a tomar a opção mais racional, se não estiver disposto a ter esse trabalho. Se eu não quiser fazê-lo… «Por outras palavras, é preciso estar motivado. É preciso eu querer!» Razão pela qual a educação financeira, sendo cada vez mais necessária face à complexidade crescente dos produtos, à multiplicidade da oferta e à sofisticação dos mercados, não é suficiente.

De que valerá, por exemplo, eu saber ler, interpretar e fazer contas, o suficiente para conseguir comparar os preços dos produtos e as condições de pagamento, que me habilitem a tomar a opção mais racional, se não estiver disposto a ter esse trabalho. Se eu não quiser fazê-lo… «Por outras palavras, é preciso estar motivado. É preciso eu querer!»
A informação, o conhecimento e as competências adquiridas nunca são demais, mas estão longe de assegurar, por si sós, a tomada das melhores decisões por parte dos indivíduos. E muito menos garantem o desejável conforto e estabilidade financeira individual ou familiar.c
ND: Esta página será publicada mensalmente e até ao mês de Abril de 2012 no decorrer de uma parceria firmada entre a revista Capital, a Universidade de Aveiro (Portugal) e o Ministério da Educação de Moçambique.

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abril 2012

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