RESUMO ESTENDIDO HABITAÇÃO SOCIAL E SUBMORADIAS NO BRASIL

MORAIS, Gerson Elieser Freitas de Morais. Aluno da Unifev – Centro Universitário de Votuporanga. FIORENTINO, Gustavo Grippi. Aluno da Unifev – Centro Universitário de Votuporanga. NAKABASHI, Victor Rodrigues. Aluno da Unifev – Centro Universitário de Votuporanga. FILHO, Waldemar Ribeiro do Valle. Aluno da Unifev – Centro Universitário de Votuporanga. ANTUNES, Fernando Kleber Ribeiro. Docente da Unifev - Centro Universitário de Votuporanga. Introdução Parece que a raiz de todos os problemas urbanos no Brasil brota dos conceitos de habitação social, submoradias e a respectiva política habitacional. A busca de uma moradia digna pelo ser humano é um dos objetivos essenciais à sua natureza, por questão de sobrevivência. Como urbanistas pretendemos estabelecer um retrato da situação atual da habitação social no Brasil e ousar no esboço de algumas propostas. Objetivo Sendo assim, este estudo objetiva delinear a problemática habitacional brasileira, no contexto atual e ao longo de sua história, considerando os limites de suas consequências na vida das pessoas, e de como isso afeta a toda uma sociedade. Pretendemos ainda criar uma forma de integração da presença do setor privado e público para elaboração de novas alternativas de moradias, e um melhor planejamento urbano para o futuro do país. Metodologia Este trabalho surgiu de um seminário realizado em sala de aula, na disciplina de Planejamento Urbano, apresentado em forma de texto e slides, onde se sintetizou toda uma pesquisa realizada na Internet e em livros, em órgãos governamentais e entidades independentes ligadas a urbanismo, bem como de diversas documentos e teses realizadas sobre temas similares nos diversos meios acadêmicos. Resultados Para que possamos entender um pouco mais essa temática é importante que façamos uma breve viagem pela história da política habitacional brasileira. Até a década de 30, praticamente não havia uma política habitacional, somente a ação dos especuladores, proprietários de imóveis que no sentido de maximizar o lucro, comprimiam cômodos em forma de cortiços, criando um adensamento populacional inadequado por ser desprovido de toda e qualquer infraestrutura. Como a população necessitava estar próxima aos seus lugares de trabalho, se sujeitavam à uma política de aluguéis extorsivos e completamente fora da realidade. A partir da década de 30, com a era Vargas, é que o Estado se apresenta como o grande concorrente dessa corrente especulativa, forçando através da Lei do Inquilinato, a que os preços dos aluguéis chegassem a um patamar mais razoável. Além disso, com a criação dos Institutos de Aposentadoria e Pensão (IAP), podemos considerar como o início oficial da Política Habitacional brasileira, que na época constituíam as únicas entidades governamentais voltadas para melhorar as condições do trabalhador. Uma característica interessante desta época era o fato de que o Estado era proprietário dos diversos conjuntos habitacionais construídos. Com a revolução de 1964, uma nova política habitacional foi instituída com a Lei nº 4.380/64, que criou o Sistema Financeiro da Habitação (SFH), o Banco Nacional da Habitação e as sociedades de crédito imobiliário.

onde a ordenação lógica e funcional das cidades começa a criar forma. correspondendo a um déficit de 6. Ainda assim. há uma quase total ausência de redes formais de ruas. para 408 mil.9. o déficit habitacional brasileiro era de 7. Com tudo isso. de 870 mil. orientar a iniciativa privada. importante para a qualidade de vida urbana decente de um ser humano. o BNH foi extinto em 1986 e virtualmente houve a falência do SFH. por exemplo. nem sempre bem remunerado. o Estado alienou todos os conjuntos habitacionais. o que representa 7. houve uma redução considerada “substancial” no número de pessoas que vivem em cortiços (domicílios do tipo cômodo). tais pessoas são obrigadas a morar em lugares de risco. função social da propriedade urbana. Assim. eletricidade ou telefone. garantindo novas condições institucionais a fim de promover o acesso à moradia digna. somente agora. pois em momento algum. encomendada pela Presidência da República e pelo BIRD à Fundação João Pinheiro. Essa nova Política Nacional de Habitação elaborada em 2004. Uma característica comum a todas essas fases é o atropelo da demanda habitacional sobre as políticas públicas criadas. em 2007. à proliferação de assentamentos precários e aos casos de mais de uma família vivendo numa mesma residência. tem como principal objetivo a retomada do planejamento do setor habitacional. essa necessidade foi atendida. Já em 2004. Nessa fase. A migração da população rural para o espaço urbano em busca de trabalho. os princípios de direito à moradia. a falta de moradia atinge 20. ao ônus excessivo com o aluguel. serviços médicos e de combate a incêndios. No que diz respeito aos residentes em assentamentos precários. Como a construção desses assentamentos é informal e não guiada pelo planejamento urbano. da Política Nacional de Desenvolvimento Urbano – PNDU. Segundo o site “Hnews”. Os principais problemas habitacionais. em todo o Brasil. Segundo a pesquisa “Deficit Habitacional no Brasil 2000”.6% e o aumento do déficit habitacional de 21. As favelas no Brasil são uma consequência dessa má distribuição de renda e do déficit habitacional brasileiro. eliminar as favelas. capenga em muitas ocasiões. por falta de perspectivas e por fazerem parte de uma classe social menos favorecida. sem saneamento básico. E finalmente. baseado em dados do IBGE. estão relacionados ao grande adensamento de pessoas. ainda vivem em condições de moradia inadequadas.5% da população urbana).6 milhões de domicílios. visualizamos o Programa Minha Casa. 54 milhões de pessoas (34. significando 14. Na atualidade. Praticamente um em cada três brasileiros que vivem nas cidades não tem condições dignas de moradia. A legislação sobre o uso e ocupação do solo. Entretanto. a questão habitacional como política de Estado e articulação das ações de habitação à política urbana. Minha Vida dentro do Sistema Nacional de Habitação de Interesse Social. após muitas mudanças chegamos ao Ministério das Cidades. financiar a aquisição da casa própria.3 milhões de habitantes.8% sobre o total de domicílios existentes. aumentar o investimento da construção civil e estimular a poupança privada.9% da população).8% da população urbana. mesmo nos dias de hoje. A pesquisa revelou que entre 1991 e 2000 a taxa de crescimento da população foi de 15. parece que vislumbra uma luz no final do túnel através dos planos diretores e das leis de zoneamento. . Ela vem atrelada a diversos fatores como consequência da falta de planejamento e da situação econômica precária de milhões de brasileiros. tornando-se uma mera política setorial.3 milhões. passando a propriedade dos imóveis para as mãos dos moradores. totalmente ineficaz e ineficiente na solução das ocupações irregulares. tendem à falta de serviços básicos como policiamento. Além disso. são fatores que levaram ao crescimento das favelas.Tinham por objetivo coordenar a política habitacional. aliada à histórica dificuldade do poder público em criar políticas habitacionais adequadas. que transferiu para a Caixa Econômica Federal seu acervo. Consta da Política Nacional de Habitação como parte integrante de um plano maior. em 1992. em 2006. ainda encontramos o que chamamos de submoradias. O número de pessoas em domicílios urbanos onde há superlotação domiciliar – densidade superior a três pessoas por dormitório – é de 12. o número de brasileiros em situação de irregularidade fundiária em áreas urbanas era de 7. moradia digna. de Minas Gerais. esgotos.7%.2 milhões de pessoas (11.

onde várias pessoas habitam o mesmo local. possa investir e contribuir para a construção de cidades com moradias adequadas ao modo de vida brasileiro. Considerações finais. Política. professor da Faculdade de Arquitetura (FAU-USP). Basicamente é um cômodo com banheiro interno ou externo. vivem em habitações classificadas como submoradia: cortiços. ainda em situação irregular e de insegurança. madeira. Atualmente. ainda que pareça utópica. para que apareçam novas possibilidades de investimentos no setor. De acordo com o especialista Whitaker. . Urbano. promovendo o uso e ocupação racional do solo urbano.Normalmente. que sem abrir mão do tão almejado retorno financeiro. Contudo. Palavras chaves: Moradia. ou metade da população do município de São Paulo. não só de esforço público respira a solução para os problemas habitacionais brasileiros. com plantas ajustadas ao tamanho das necessidades de cada família e formando aquela tão desejada cumplicidade da nação (governo. entendemos que essa conjugação de esforços deve produzir iniciativas que inibam a especulação imobiliária. Acreditamos que conhecer esses problemas é o primeiro passo na direção de uma solução definitiva. cerca de 5 milhões de pessoas. pois acreditamos que uma parceria coerente e justa com o setor empresarial. ou mesmo alvenaria. ainda. estadual e municipal. de diferentes espécies. empresas e povo) em prol do desenvolvimento de um país mais feliz. e com isso. são construídas com restos de materiais de construção. que oneram a produção de moradias e que vêm contribuindo para que parte da população viva. Contudo. favelas e autoconstruções. favorecer a tantas famílias brasileiras que peregrinam em busca de uma melhor habitação. iniciativas governamentais em suas três esferas: federal. A otimização dos resultados desses investimentos em habitação requer. e reduzindo os custos indiretos. Favelas. Habitacional. novas propostas deveriam surgir através de discussões políticas e mesmo através da influência do setor privado. além de 300 mil sem-teto.