1. Segundo Boaventura, o que é o fascismo social? E quais as suas dimensões.

É um regime social e civilizacional e não político, produzido pela sociedade e não pelo Estado. Caracterizado pelas relações sociais e experiências de vida vivida debaixo das relações de poder e de troca desiguais. Fascismo do Apartheid social: é a segregação dos excluídos mediante a divisão das cidade em zonas selvagens e civilizadas. Fascismo Para-estatal: Tem haver com a usurpação das prerrogativas estatais. Fascismo da Insegurança: consiste na manipulação discricionária do sentimento de insegurança das pessoas e dos grupos sociais vulnerabilizados. Fascismo Financeiro: que controla os mercado financeiro e sua economia.

2. Segundo Boaventura, quais os tipos de sociedade civil (descrição) e sua relação com o Estado. Sociedade civil Intima Sociedade civil estranha e sociedade civil incivil.  Sociedade civil íntima: círculo interior feito a voltas do Estado, caracterizada por indivíduos que gozam de um nível elevado de inclusão social.  Sociedade Civil Estranha: é um círculo intermediário em redor do Estado. As experiências de vida das classes ou grupos sociais nela incluídos são um misto de inclusão e exclusão social.  Sociedade civil incivil: corresponde ao círculo exterior habitado pelos excluídos, é o círculo do fascismo social.

3. Segundo Boaventura, como enfrentar o fascismo social? É preciso outro Direito e outra política: o direito e a política da globalização contrahegemônica e combate a exclusão do cosmopolitismo subalterno.

4. Segundo Boaventura, o que é o cosmopolitismo subalterno? É o nome de projetos emancipatórios cuja as reivindicações e critérios de inclusão social se projetam para além dos horizontes do capitalismo global. O Estado Liberal assumiu o monopólio da criação e da adjudicação no Direito, e este ficou assim reduzido ao direito estatal, conforme os interesses dos grupos sociais por trás. Isso implica o radical “des-pensar” do direito, o re-inventar do direito por forma adequar-se as reivindicações normativas dos grupos sociais subalternos e dos movimentos dos excluídos. 5. O que é Globalização hegemônica e contra-hegemônica? A globalização hegemônica é uma forma de exclusão social, na globalização hegemônica, a expansão desenfreada do capitalismo global é o interesse geral, estando

Uma coisa é utilizar um instrumento hegemônico num dado co. São grupos sociais. ou seja. A globalização contra-hegemônica é o combate contra a exclusão social. iniciativas e movimentos locais. movimentos que se mostram resistentes a globalização neoliberal e a exclusão social e que lhe contrapõe alternativas. nacionais e transnacionais que tem mostrado o esforço de enfrentar a globalização neoliberal. local. tendo como seu primeiro objetivo a erradicação do fascismo social. O direito e as práticas nascentes de uma legalidade cosmopolita subalterna.bate político. campos sociais em que diferentes mundos da vida normativos se encontram e se defrontam. 7. O direito não se resume em estatal. Relação entre Cosmopolitismo e o direito e condições para a legalidade cosmopolita. ou seja: interpretar de maneira expansiva às iniciativas. Esta é a condição necessária para a emancipação social. Visa delinear e não particularizar uma investigação sobre a teoria e a prática jurídica do cosmopolitismo subalterno. Em resumo. O direito de uma perspectiva cosmopolita é uma necessidade quase dilemática das lutas em torno da não-cidadania.legitimada para produzir formas de exclusão social amplas. outra é utilizá-lo de maneira hegemônica. A legalidade cosmopolita aprofunda a globalização contra-hegemônica. A Globalização Neoliberal é uma dessas formas.Um uso não-hegemônico de ferramentas jurídicas hegemônicas parte da possibilidade de as integrar em mobilizações políticas mais amplas. que podem incluir ações tanto legais como ilegais. formas de poder. d. saberes. f.Enquanto formas subalternas da legalidade.A legalidade cosmopolita é uma legalidade subalterna apontada à sociedade civil incivil e a estranha. a. conectada de diferentes modos com lutas paralelas travadas noutros lugares. c.A legalidade cosmopolita é voraz relativamente às escalas de legalidade e. A legalidade cosmopolita vive perseguida por esse fosso. universo simbólicos e agências normativa e rivais se encontram em condições . redes. Quais as várias formas de legalidade Cosmopolita em ação? O direito nas zonas de contato. nem em individual. 6. é o conjunto de políticas de tipo confrontacional de lutas sociais. nacional. o cosmopolitismo submete os três princípios modernos da regulação a uma hermenêutica de suspeição gO fosso entre o excesso de sentido e o défice de desempenho e inerente a uma política de legalidade.As formas não-hegemônicas de direito não favorecem nem promovem o cosmopolitismo subalterno. A abordagem consiste numa sociologia das emergências. b. terá que se empreender num espírito prospectivo e prescritivo. contudo não deve ser excluídos de práticas jurídicas cosmopolitas. Zonas em que idéias.

sociedade civil íntima e os restantes. O Estado como o mais recente de todos os movimentos sociais O declínio do poder regulador torna obsoletas as teorias do Estado que prevalecem até o momento. o cosmopolitismo apresenta um objetivo com 4 vertentes: a. rejeita. seja liberal ou marxista. que não sejam inteiramente sujeitas as regras de mercado capitalista. norteados pela solidariedade e não pela ganância d. A partir do momento em que o econômico se desvincula do social. Existem ainda os não cidadãos da sociedade civil não civil. O direito e a produção não capitalista No campo da economia. c. A despolitização do Estado e a desestatização da regulação social. sociedade civil estranha. Direitos para os não-cidadãos A cidadania na sociedade capitalista resume a uma questão de graus: super cidadão.A desmercadorização: procurar que os bens e os serviços públicos e as instituições não sejam privatizadas.Desenvolver e aperfeiçoar sistemas alternativos de produção. compostas por um conjunto híbrido de fluxos. mostram que se assiste a o surgimento. local nacional e global. . em conseqüência da globalização neoliberal que reduz o trabalho a mero fator de produção. sob o mesmo nome. assimilam. este vê também ser-lhe amputada a possibilidade de servir de suporte e veículo dos direitos de cidadania. O direito e a redescoberta do mundo do trabalho É um fato crucial para construção das sociabilidades cosmopolitas.Promoção de mercados não capitalista subalternos.A redescoberta democrática do trabalho (produção/relação salário) b. resultantes da erosão do contrato social. em que é possível detectar o rastro da desigualdade das trocas. O trabalho é um campo social em que os choques entre o demoliberalismo e cosmopolitivismo se revelam mais violentos nos planos. redes e organizações concentradas em modelos de democracia. de uma forma nova e mais vasta de organização política.desiguais e mutuamente se repelem. Estado. e subvertem de modo a dar origem a constelações político-jurídicos de natureza híbrida. isto é. ou no caso de o serem. mas de produção não capitalista.