Descrição de imagens digitais 
 

Ana Carolina Simionato 
  RESUMO    As  Imagens  digitais  sofreram  um  aumento  exponencial  de  seu  número  em  nossa  contemporaneidade  e  não  se  tem  a  disposição  um  sistema  específico  para  a  descrição  e  recuperação  de  imagens  que  contemple  a  lógica  de  descrição  da  Biblioteconomia  e  que  obedeçam as normas de autorias e de utilização de imagens. A ausência de um padrão de  descrição  ocasiona  uma  dificuldade  no  processo  de  busca,  de  acesso  e  de  recuperação  de  recursos informacionais, no caso recursos imagéticos, interferindo no seu uso e reuso. Busca  na  disciplina  de  catalogação,  e  nas  regras  internacionais  para  a  descrição  bibliográfica,  orientações para a construção de formas de representação para a imagem digital. O estudo  é  descritivo‐exploratório.  A  metodologia  orienta‐se  pela  pesquisa  documental  e  empírica.  Como  resultado,  apresenta  os  elementos  importantes  para  a  construção  futura  de  um  esquema de descrição de imagens digitais, que contemple a lógica descritiva já definida na  área para os recursos informacionais tradicionais.    
Palavras‐chave: Catalogação e tecnologias; Informação e tecnologia; Descrição de imagens digitais.   

  1 INTRODUÇÃO  Estamos  todos  vivenciando  um  mundo  digital,  onde  a  Internet  se  configura  como  um  local  de  circulação  de  informações  de  rápido  armazenamento  e  acesso.  A  grande  massa  de  informações  produzida  neste  universo  digital  é  constituída  hoje  por  imagens  capturadas  por  mais  de  um  bilhão  de  dispositivos:  celulares, câmeras fotográficas, filmadoras  e  equipamentos  de  imagens  médicas  em  todo o mundo.   O  crescente  uso  dessas  imagens  e  das  informações  nelas  contidas,  nos  faz  refletir em considerar a forma de seu uso  e reuso, levando em conta principalmente,  os  direitos  autorais  com  a  sua  correta  atribuição  nessas  imagens.  Para  sua  identificação  e  localização  a  ausência  de  um  sistema  de  descrição  especializado,  padronizado  e  universal  também  se 

apresenta  como  um  problema  em  busca  de solução.   Na  segunda  revisão  do  Código  de  Catalogação  Anglo‐Americano  –  AACR2,  o  capítulo  8,  refere‐se  a  materiais  gráficos  de  todos  os  tipos,  quer  opaco  (originais  e  reproduções  de  arte  bidimensionais,  quadros,  fotografias,  desenhos  técnicos),  quer  destinado  a  ser  projetados  ou  vistos  (diafilmes, radiografias, diapositivos), bem  como  coleções  desses  materiais  gráficos.  Possivelmente,  o  novo  código  proposto  como  um  padrão  internacional:  RDA  (Descrição  de  Recursos  e  Acesso)  trará  dados  mais  atualizados  que  acompanharão  os  desenvolvimentos  tecnológicos.  Entretanto,  essas  parecem  ser  regras e esquemas de descrição que ainda  não  amparam  o  catalogador  para  a  descrição  eficiente  da  imagem  digital  que  possam responder a questão: Que formas 
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Revista Novas Tecnologias em Informação, Marília, v. 1, n. 1, p. 12‐20, 2010. 

  uma  nova  forma  realizada pelo usuário.br/home/index.com. Marília.  e  se  adaptando  ao  meio  informacional  digital  popularizado  como  “tags” (palavras‐chave ou etiquetas).  Del.  tais  como:  O  ESTADO  de  São  Paulo  (http://www.  que  em  junho  de 2005. v.icio. Isabel Ortega Garcia. Revista Novas Tecnologias em Informação.  temos  os  usuários  do  Flickr  (http://www.  que  ao  final  seria  uma só descrição.  Esse  estudo  gerou  um  relatório  conhecido  por  SEPIA  WP  (Manutenção  Européia  para  o  Acesso  de Imagens Fotográficas).  SKOPEO  (um  modelo  utilizado  para  o  projeto  europeu  de  Arquivos  Visuais).  como  a  dimensão  social  da  folksonomia.us)  e  o  Youtube  (http://www.  assistente  editor  da  OCLC  (On‐line  Computer  Library  Center).  Outras  “tags”  são  encontradas  em  sites  como  o  Amazon  (http://www. Siv Bente  Grongstad e Edwin Klijn que tinham como  objetivo  listar  as  instituições  que  descrevem  a  fotografia.  ISBD.  os  elementos  de  descrição  são  sintetizados e um estudo de caso será  apresentado.  com  a  separação  da  descrição  para  o  acesso  a  imagem.  MARC.  a  americana  Diane  Neal. Descrição de imagens digitais  de  descrição  de  imagens  permitiriam  ao  usuário  identificar  rapidamente  o  que  deseja?  Entre  as  tentativas  de  descrição  de imagens.  há  uma  análise  de  como  os  quatro  modelos  descritivos  internacionais  (ISAD.com). Além  disso. p.youtube.com). C.icio.  são  utilizados  em  relação às coleções fotográficas.  para  ilustrar  o  trabalho  na  prática  (SEPIA.  mas  destaca  que  tanto  as  dimensões  de  gestão  de  informações  pessoais.  Cada  modelo é introduzido resumidamente.  pessoas  e formas que foram gravadas.com.  AACR2  (Código  de  Catalogação  Anglo‐Americano.  Como  exemplo.  para  a  descrição  destas  imagens.estadao.   Os  pesquisadores  analisaram  os  padrões  de  desvios  internacionais:  ISAD  (Descrição  Internacional  de  Arquivos  Padronizados).amazom.  Segunda  Revisão)  e  o  formato  MARC  (Catalogação legível por computador). n.  em  abril  de  2001. 2010. pois as  imagens  são  na  verdade  objetos.  Uma  forma  de  descrição  das  imagens  mais  comum  está  tomando  espaço. 1.SIMIONATO.  análises  de  outros  modelos  descritivos  estão  incluídas:  FOTIOS  (um  modelo  holandês  concebido  exclusivamente  para  os  materiais  fotográficos).  e  são  principalmente  utilizadas  em sites da web 2.  arte  objetos.  tradução  livre).  ISBD  (Padrão  Internacional  de  Regras  da  Descrição  Bibliográfica).  por  um  grupo  de  pesquisadores:  Torsten  Johansson. 1.  que  podem  classificar  suas  fotos  com  “tags”  para  a  localização  de  imagens. A.  livros  e  fotografias). destaca a de Jonathan Furner.flickr. apresentou novas sugestões para  a  descrição  de  imagens.  e  identificar  que  problemas  são  encontrados  na  descrição  dos  materiais  e  em  que  circunstâncias  procuram ou não um modelo de descrição  particular  dos  materiais.0 com a participação do  usuário  na  descrição  do  conteúdo.br).  No  artigo  Introduction  Folksonomies  and  Image  Tagging: Seeing the Future? Publicado em  2007.  AACR2)  mais  freqüentemente  mencionados. Essa  descrição  classifica  imagens  por  palavras  principais  que  são  definidas  pelo  próprio  usuário.us  (http://del.  os  Dados  Elementares  Catalográficos  (um  modelo  utilizado  em  Secretaria  de  Requisitos  Fotográficos  e  no  Arquivo  Nacional da Suécia) e os Diretórios de  Campos  Históricos  (um  modelo  Norueguês para descrever as coleções  de  material  histórico  –  cultural.  da  descrição  de  identificação  e  da  descrição  da  imagem  detalhada.  2001.  relata  sobre  as  “tags”  e  como  elas  podem  descrever  a  imagem. 12‐20.  E  hoje  são  encontradas  até  em  sites  de  jornais.  13 .  na  Suécia. segundo o autor.   Outra  iniciativa  de  catalogação  de  imagens  digitais  foi  produzida  em  Estocolmo.  No  relatório.

  enxergamos  nitidamente  o  objeto.  os  jornalistas  do  portal  classificam  as  matérias  segundo  temas  específicos. C. é por meio das tags  que  o  usuário  pode  encontrar  outros  materiais  disponibilizados  pelo  portal  sobre aquele assunto de seu interesse. de forma e de conteúdo. E além das transformações ópticas.  Apresenta‐se  como  proposta  de  pesquisa  identificar nas discussões sobre um código  de  catalogação  internacional  e  nos  relatórios  preliminares  da  RDA  orientações  sobre  o  tratamento  de  imagens  no  universo  digital.   Revista Novas Tecnologias em Informação.  A  luz  é  uma  informação  codificada.  a  mensagem  levada  ao  cérebro  passa  por  processos  complicados  e  nos  fazem  enxergar  objetos  em  posição  correta  (MÁXIMO.  no  qual  é  comparável  com  o  principio  da  câmara  obscura.  No  entanto. mas apenas como parte do  acervo  material  gráfico  (originais  e  reproduções  de  arte  bidimensionais.   As  iniciativas  destacadas  são  estrangeiras.  o  que  exige  um  resgate  histórico  sobre  a  imagem  e  apresentações  de  seu  conceito  como  informação. v. sua distribuição no  espaço. ALVARENGA.  2008).  com  regras  que  facilitem  sua  consulta  e  que preservem o princípio de uma das leis  da  Biblioteconomia:  poupe  o  tempo  do  usuário (RANGANATHAN.  Mas  exatamente  o  que  é  uma  imagem? Pergunta Joly (1996). Neste Jornal.  fotografias. forma uma imagem na parede do  fundo. 1. p.  seu  comprimento de onda.  a  imagem  em  seu  sentido  figurado  significa  representação. 2010. Além disso.  Mas  a  imagem  se  revela  por  meio  da sua formação quando olhamos para um  objeto.  desenhos  técnicos).  É  um  jeito  simples  e  intuitivo  de  saber  quais  são  os  assuntos  quentes  do  dia  com  apenas  uma  passada  de olhos. Descrição de imagens digitais  shtm).  o  cristalino  (situado  na  região  anterior  do  globo  ocular)  forma  uma  imagem  real  e  invertida  deste  objeto  na  retina  e.  criando  a  necessidade  da  construção  de  diversificadas formas de representação.  ou  palavras‐ chave. 1955). além de navegar pelas  listas  de  matérias  nos  editorias. 12‐20.  ocorrem  também  às  químicas  e  nervosas. 1996).  o  leitor  pode  simplesmente  clicar  em  uma  tag  e  ver  todas  as  matérias  relacionadas  com  o  assunto selecionado. aparecendo  com um tamanho de texto ou mesmo com  cores  diferentes. n. de  modo a garantir a recuperação da imagem  por  outras  formas.   Por  meio  das  tags.SIMIONATO.  responsável  pela  formação  em  ofícios  de  produção  audiovisual  do  Instituto Francês de Ciência da Informação  e  de  Comunicação  aos  “consumidores  de  imagens” que somos.  A  folksonomia  está  pautada  na  tradução  de  uma  imagem  para  um  texto  verbal.   O  desempenho  do  olho  inclui  transformações  ópticas. por meio do princípio de  captura. Marília.  e  aí  os  processos  da  visão  humana  são  singulares.  de  modo  a  produzir  a  visão  (AUMONT. A.  em  que  a  luz  refletida  penetra  por um orifício e.  E  é  a  partir  delas  que  o  sistema  do  novo  portal compõe a chamada nuvem de tags.  além  da  textual. professora  na  Universidade  Michel  de  Montaigne  –  Bordeaux  III. 1993).   As  regras  e  os  esquemas  de  catalogação  não  tratam  da  descrição  da  imagem  digital.  e  não  oferecem  um  padrão  técnico detalhado e aceito universalmente  para a descrição.  quadros.  fazendo  com  que  assuntos  mais  freqüentes sejam destacados.  nestas  condições.    2 IMAGEM    Do  latim  “imago”.  como  uma  informação  a  ser catalogada. 1.  E  é  necessário  se  fazer  uma  descrição de forma além do conteúdo.  14 .  que  o  sistema  visual  localiza  e  interpreta  quanto  a  sua  intensidade. reprodução ou imitação da  forma de uma pessoa ou objeto (HOUAISS.

 C.  Principalmente  em  Platão e Aristóteles:  Imitadora.  Aprendemos  a  associar  o  termo  “imagem”  com  noções  complexas  e  contraditórias.  por  exemplo.  15 .  ilustrações  decorativas.  arte  e  no  culto  aos  mortos.  com  o  intuito  de  demonstrar  a  realidade.   Rudolph  Arnheim  (1969)  coloca  na  imagem  um  valor  de  representação.  vídeo.  função  hoje  indissociável da arte e da imagem que visa  a obter um efeito estético.  é eficaz pelo próprio prazer que sente  com  isso.  diz  que  a  imagem  é  sempre  modelada  por  estruturas  profundas.  Além  do  mais.  No  campo  da  arte.  da  ilustração  à  semelhança.     Revista Novas Tecnologias em Informação. 1. Marília.  educa.  um  valor  de  símbolo. Descrição de imagens digitais  Segundo  Joly  (1996)  sem  uma  resposta  definida.  imaginários  ilusórios. levando em consideração  o olhar do próprio sujeito.  ela  engana. Aonde vamos há imagem!  Presente  em  todo  o  lugar.?)  afirma  que  "a  imagem  é  universal.  mas  é  também  um  meio  de  comunicação  e  de  representação  do  mundo.  para  outros.  da  religião  à  distração.  Como para Walter Benjamin (1985) o que  foi fotografado não silencia.  leva  ao  conhecimento.  mas  que  toma  traços  emprestados  do  visual  e  depende  da  produção  de  um  sujeito:  imaginário  ou  concreta. pois faz com que mesmo o  fenômeno  único  possa  gerar  muitos  outros semelhantes.  mas  também  em  iluminuras. n. 12‐20. para o segundo.   A  persistência  deste  real  na  imagem  capturada  levou  Benjamin (1985)  a  importantes  reflexões  sobre  a  questão  da reprodução no mundo contemporâneo.  surge  através  da  fotografia.  pode  refletir  o  elemento  cultural  de  determinado  contexto.  Para  o  primeiro  seduz  as  partes  mais  fracas de nossa alma.  Desvia  da  verdade  ou.  que  é  passível  de  se  tornar  uma  ferramenta  filosófica  (JOLY.  a  imagem  é  núcleo  de  reflexão  filosófica  desde  a  Antiguidade. 1.  a  noção  de  imagem  vincula‐se  essencialmente  à  representação  visual:  afrescos.  há  considerações  sobre  a  imagem da fotografia tentando entendê‐la  como  um  desenvolvimento  da  pintura  renascentista.  epistêmica  –  quando  a  função  de  conhecimento  é  atribuída  à  imagem. Explicita uma forma de percepção  que tem uma aguda capacidade de captar  o  semelhante  no  mundo.  desde  Walter  Benjamin  (1982‐1940).  Neiva  Jr.   As  imagens  digitais  como  vemos.  A  fotografia  surge  no  século  XX.  filmes.  estética.  p.  Aumont  (1996.  mas  sempre  particularizada".  pois  representa  coisas  concretas.  Sendo  assim.  A  única  imagem  válida  aos  olhos  de  Platão  é  a  imagem  “natural”  (reflexo  e  sombra).  da  linguagem  à  sombra”  (JOLY. que nem sempre  remete  ao  visível. 2010.  que  não  vem  expresso  por  caracteres.  uma  imagem  seria  como indicadora de algo.  na  medida  em  que  propõem  mundos  simulados. p. fotografia e até imagens de síntese.  escrita.  religião.  pinturas.  Em  ótica  esta  expressão  “imagem  virtual”  designa  uma  imagem  produzida  pelo  prolongamento  de  raios  luminosos:  a  imagem  na  fonte  ou  no  espelho. v.  para  uns.  a  imagem  é  dotada  de  função.  A técnica cria na imagem um valor mágico  que nunca seria possível encontrar em um  quadro.  que  pode  ser:  simbólica. A.  “que  vão  da  sabedoria  à  diversão.  da  imobilidade  ao  movimento.  ao  contrário.  já  que  representa  coisas  abstratas  e  um  valor  de  signo  quando  representa  um  conteúdo  amplo.  desenho.  (1994)  lembra  que. 1996). continua real.  gravura.  Já  Jacques  Aumont  (1996). a imagem passa por alguém que  a  produz  ou  reconhece.SIMIONATO.  Joly  (1996)  também  aponta  as  “novas”  imagens  que  também  são  chamadas  de  imagens  “virtuais”.  e  a  reprodução  radicaliza isso. 1996).

  para  distingui‐la  da  fotografia  convencional.04 megapixels.01 megapixels em  fita cassete – uma a cada 23 segundos.  obra  da  Fairchild  Imaging. no  Canadá.  foi  inventado em 1969.  a  All‐Sky  tinha  um  microcomputador  Zilog  Mcz1/25  para  processar as imagens acopladas.  e  necessita  de  produtos  químicos  para  que  sua  imagem  se  fixe  em  algum  suporte.   A  imagem  digital  é  o  termo  mais  correto  para  designar  o  que  se  costuma  chamar  no  Brasil  de  fotografia digital – aquela diretamente  produzida  por  um  processo  digital  ‐.  Resumidamente  para  ser  uma  imagem  digital  é  necessário  apenas  ter  passado  por  um  processo  digital.  A imagem digital é embrionária da  Guerra  Fria. Diferente de todos os  outros  projetos  de  astrofotografia  da  época. n.  Batizado  de  201ADC  capturava  imagens de 0.  como  exemplo  a  captura  pela  câmera  digital  ou  pelo  celular.  A  primeira  câmera  digital  seria  a  Fairchild  All‐Sky  Camera.  dotada  de  um  dispositivo  óptico”  (FERREIRA.  ao  contrário. 12‐20. 2010. v.  a  primeira grande empresa norte‐americana  de  telecomunicações)  criavam  o  primeiro  circuito  CMOS  (Complementary  Metal‐ Oxide‐Semiconductor).  mais  especificamente  no  programa  espacial  norte‐americano.  a  Enciclopédia Itaú Cultural diz.  Revista Novas Tecnologias em Informação. Já o Dispositivo  de  Carga  Acoplado.  mas  a  Mariner  4  foi  lançada  ainda  em  1964.  por  sua  vez. Descrição de imagens digitais  3 IMAGEM DIGITAL  A imagem fotográfica é o resultado  de  um  processo  de  “fixar  em  uma  chapa  sensível  à  luz. A.  a  própria  Fairchild. denominam este sistema de  digital imaging.  as  sondas.  seja  ele  qual  for.  um  experimento  construído na Universidade de Calgary.  sumiriam  para  sempre  no  espaço  e  precisavam  de  uma  forma  eficaz  de  transmitir  suas  descobertas  eletronicamente (CASTRO.  em  1965.  a  partir  do  sensor  201ADC  mencionado acima. 1.  a  Kodak  apresentaria  o  primeiro  protótipo  de  uma  câmera  sem  filme baseada no sensor CCD da Fairchild.01 megapixels.  primeiro  tipo  de  sensor  usado  na  fotografia  digital.  As  primeiras imagens sem filme registraram a  superfície  de  Marte  e  foram  capturadas  por  uma  câmera  de  televisão  a  bordo  da  sonda  Mariner  4.  colocaria  no  mercado  sua  câmera  de  CCD. p.  2009).  quase  todos  baseados  nesse  mesmo  sensor.  Como  definição  de  imagem  digital.  a  MV‐101  –  o  primeiro  modelo  comercial da história.  a  digitalização  de  uma  figura  pelo  scanner.  no  interior  de  uma  câmera  escura.  Os  americanos.  As  primeiras  fotos  são  de  1965.  Como  o  processo  ainda  é  muito  recente.  A  primeira  versão  comercial  chegaria  ao  mercado  em  1973.  os  laboratórios  da  RCA  (Radio  Corporation  of  America.  16 . enquanto os franceses  preferem  denominá‐lo  de  système  numérique.  2009). 2007). mas que levaram quatro  dias  para  chegar  a  Terra.  os  astronautas  retornavam  a  Terra  para  revelar  os  filmes  (as  famosas  fotos  da  Lua).  Neste  mesmo  ano.  em  referência  ao  sistema  binário  de  codificação  que  constitui  a  base  da  imagem  digital  (ENCICLOPÉDIA  ITAÚ  CULTURAL.  não  existe  ainda  um  consenso  universal  em  relação  à  terminologia.  sem  ter  a  menor  idéia de que um dia este seria a base das  primeiras câmeras digitais.  entre outros. No  ano  seguinte. C.  a  imagem  de  objetos  iluminados  diante  dessa  câmera.  O  equipamento  pesava  quatro  quilos  e  gravava as imagens de 0.  por  exemplo.  A  necessidade  dessa  nova  invenção  se  justificava  da  seguinte  forma:  nas  tradicionais  missões  tripuladas.  Em  1975. o que lhe  renderia o título de “digital”. 1. nos laboratórios Bell.  Eram  22  imagens  em  preto  e  branco  de  apenas  0. Marília.SIMIONATO.

 A.  textura  e  forma.  Revista Novas Tecnologias em Informação.  construir  formas  mais  eficientes  para  representá‐las  é  um  modo de torná‐las disponíveis. 2010.  no  caso  da  imagem.  além  de  problemas  econômicos. n. v.   Alguns  sistemas  consideram  o  conteúdo  da  informação  extraído  da  leitura  da  imagem  e  sua  descrição  em  texto.  sumariamente.  e. segue os seguintes passos:  relaciona  características  visuais  da  imagem  baseadas  em  cor.SIMIONATO.  a  recuperação  da imagem procurada.  posteriormente.  analisado.  faz  a  classificação  das  características  visuais  da  imagem.  textura  e  forma.  e.  A  abordagem  geral  que  faz  um observador é simplesmente olhar para  uma  imagem  com  certo  interesse.  Ressalta‐se  aqui  a  importância  do  conteúdo visual da imagem. p.  problemas  estruturais. C.  posteriormente. a partir  da  análise  dos  principais  códigos  e  formatos  para  a  descrição  das  imagens  digitais (com ênfase aos acervos pessoais). Descrição de imagens digitais  Apesar  do  pioneirismo  da  Kodak  e  da  Fairchild. acessíveis e  recuperáveis.  segue  os  seguintes  passos:  relaciona  características  visuais  da  imagem  baseadas  em  cor.  pelos  elementos  que  descrevem  sua  forma  de  maneira  a  tornar  possível  a  identificação  de  um  esquema  para  construção  de  formas  de  representação  da  imagem  de  modo  a  torná‐la única.  como  por  exemplo.  entretanto.  sumariamente.3 megapixels. com  preço  estimado  em  US$  12  mil.   Nesse  sentido. 12‐20.  estas  tentativas  nem  sempre  obtiveram  o  resultado  esperado.  O  protótipo.  também  inventados  pela  Sony.  disquetes  de  duas  polegadas  precursores  dos  de  3½  atuais.  assim  se  torna  especialmente  necessário  o  esforço  na  padronização  das  orientações  para  a  descrição do material imagético.  Um  sistema  de  recuperação  baseado  na  imagem  digital  envolve  a  extração  de  características  da  imagem  e.  normalmente  baseada  na  inter‐ pretação  do  assunto  da  imagem.  faz  a  classificação  das  características  visuais  da  imagem.  interpretado  e  apresentado.  as  dificuldades  enfrentadas  na  implantação  do  uso  dos  códigos  e  formatos  de  catalogação. de 0. 1. 1.  divergências  lingüísticas.  isso  o  diferencia  significativamente  de  um  catalogador.  os  catalogadores  devem  tornar  possível  ao  usuário ter o acesso final ao que procura.  quem  daria  às  câmeras  sem  filme  (ainda  não  digitais)  o  status  de  produto de consumo seria a Sony.  A  unicidade  exigida  para  a  localização  e  recuperação  de  recursos  informacionais  em  ambientes  digitais  se  dá.  cuja  principal  tarefa  é  de  analisar  sistematicamente  e  classificar  os  elementos  de  uma  imagem  para  a  utilização  dos  consumidores  finais.  utilizando‐as  para  alimentar  o  banco  de  dados. que em  1981 anunciaria sua primeira Mavica. o que exige um tratamento  para além de conteúdo.  a  recuperação  da  imagem  procurada.     4 CATALOGAÇÃO DE IMAGENS DIGITAIS:  CONSIDERAÇÕES  A  estrutura  para  o  catalogador  descrever  a  imagem  é  relacionada  com  a  maneira  pela  qual  o  conteúdo  é  visualizado.  Um  sistema  de  recuperação  baseado  na  imagem  envolve  a  extração  de  carac‐ terísticas  da  imagem  e.   Com os resultados obtidos.  Porém. armazenava  até  50  fotos  coloridas  nos  inovadores  Mavipaks.  Suas  imagens.  divergência  de  objetivos  durante  o  processo  de  construção  de  formas de representação.  eram  similares  às  imagens  televisivas estáticas.  17 .  e  no  efetivo  acompanhamento e controle de qualidade  dos processos e produtos de catalogação. Marília.  devido  a  alguns  fatores.  utilizando‐as  para  alimentar  o  banco  de  dados.

  técnica  e  direitos  autorais (copyright). etc. . .  Fonte: Autora.SIMIONATO.  Intensidade (em bits)  Tamanho da imagem  Nitidez  Marca d’água  Formato  Revista Novas Tecnologias em Informação. A.  Local onde a imagem digital foi publicada.  Boa / Média / Ruim  Sim / Não  (extensão) .png.  Se houve alguma edição (seja ela qual for –  técnica ou digital).  Elemento  Título principal  Indicação de responsabilidade  Indicação de edição  Local de publicação. .gif. Marília. 1.  Assunto principal da imagem. divididos em  descrição  padrão. tons de  cinza ou preto e branco (PB).  Data da captura. C.  pixels)  Altura (da imagem). distribuição.  Medida de um sinal ou do brilho de uma fonte de  luz  Quantidade de Bytes.  ELEMENTOS DA DESCRIÇÃO TÉCNICA  Indicação da cor  Unidade de medida  Altura   Largura  Dimensão  Resolução   Coloração da imagem digital – colorida.  Se houver uma validade. Kbytes ou Mbytes que a  imagem possui. qual o período.bipmap.  Medida pela qual a imagem é constituída (ex.  Altura X Largura (da imagem)  Número de pixels que uma tela ou impressora  pode exibir por unidade de área em DPI (pontos  por polegada). 12‐20. 1. v..  Data desta licença. p.  Responsável pela captura (da imagem). . Podemos observar no  quadro apresentado a seguir:    Quadro 1: Elementos essenciais para a descrição da imagem digital. não sendo descrito  pelo seu conteúdo. entre outras. 2010.  Data de fabricação  Assunto principal  Descrição do elemento  ELEMENTOS DA DESCRIÇÃO PADRÃO  Título da imagem digital.  18 .jpg.  Largura (da imagem). n. Descrição de imagens digitais  montamos  quadros  que  explicitam  os  elementos  da  catalogação  retirados  dos  próprios códigos e formatos.mng  COPYRIGHT  Tipo de licença  Data  Validade  Todos os direitos reservados (©) ou se possui  licença do Creative Commons.

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    * * *    Ana Carolina Simionato (anasimionato@marilia. 2007.  O  presente  artigo  é  baseado  no  relatório  parcial  da  pesquisa  “Catalogação  de  imagens digitais: busca por um sistema eficiente”. 1. M.l. Acesso em 16  jan. C. M.  Santos. Catalogação e descrição bibliográfica: contribuições a uma teoria. 12‐20. 2009.  SHATFORD.]. Descrição de imagens digitais  MEY. R.estadao. J. 39‐62. Campinas: Papirus. 1955. Durham: Ciência da Informação e  Biblioteconomia. n. orientada pela Profª.SIMIONATO. A.pt/pag/oliveira‐erivam‐fotografia‐analogica‐ fotografia‐digital.]. [S. ed. 2007. Brasília:  Associação dos Bibliotecários do Distrito Federal. S. São Paulo: USP. Rio de Janeiro: IBICT/DEP. p.  da  C. [S.      Artigo submetido em 4 de fevereiro de 2010.  SCHAEFFER. Disponível em: <http://www. S. 2008.M. Analyzing the subject of a picture: a theoretical approach: cataloging &  classification quarterly.]: [s.  SILVA. museu e imagem. C.  20 . Heading and canons: comparative study of five catalogue codes.  RANGANATHAN.unesp. In: Interdiscursos  da ciência da informação: arte.bocc. v. p. D. 2010. A.br>. 1986. E.youtube. 2. Folksonomies and Image Tagging Seeing the future. 2000. A imagem precária: sobre o dispositivo fotográfico.  NEAL.  Revista Novas Tecnologias em Informação. Acesso em: 12 jan.n. 6.br>. Drª.  1996.  2005. V. Plácida L. v. S.br) é aluna do 4º ano do curso  de Biblioteconomia da Unesp/Marília e bolsista FAPESP.pdf>.com. E. n.  OLIVEIRA. E.  Madras: S. In: Boletim da Sociedade  Americana da Ciência da Informação e Tecnologia. 1.ubi. 1987.  YOUTUBE.M. Universidade do Centro da Carolina do Norte. Viswanathan.  NEIVA JR.  docente  do  Departamento  de  Ciência  da  Informação  e  do  Programa  de  Pós‐ graduação em Ciência da Informação da Unesp/Marília.]: [s.  O ESTADO de São Paulo. Marília. 2007. São Paulo: Ática. Da fotografia analógica à ascensão da fotografia digital.com.l. Disponível em: <http://www. 1994. Disponível: <www. A.n. Acesso em: 23 dez. 3. Imagem x palavra: a recuperação da informação imagética. A imagem. 2009.