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CONCURSO DE PESSOAS
1. Considerações iniciais a) Crime unissubjetivo e plurissubjetivo Unissubjetivo: pode ser cometido por um único agente, mas admite o concurso eventual de pessoas Plurissubjetivo: também chamado crime de concurso necessário, exige o concurso de pelo menos duas pessoas Conduta paralela (ex: quadrilha) Conduta convergente (ex.: adultério e bigamia) Conduta divergente (ex.: rixa) b) Terminologia CP • CP • CP de 1940: co-autoria Revela apenas uma face do concurso de pessoas de 69: concurso de agentes Muito amplo, abarcaria até os fatos da natureza atual: concurso de pessoas

Teorias sobre o concurso de pessoas Pluralista: há tantos crimes quantos forem os participantes do fato delituoso Dualista: há um crime para os que realizam a atividade principal e outro para os que desenvolvem uma atividade secundária Monista ou unitária: há um único crime para autor e partícipe (foi a teoria adotada pelo CP) • Unidade de crime não significa necessariamente a mesma pena • Existem algumas exceções Ex: desvio subjetivo de conduta Ex: aborto Requisitos do concurso de pessoas Pluralidade de participantes e de condutas Relevância causal de cada conduta Liame subjetivo: basta a adesão, não é necessário o ajuste prévio Identidade de infração penal: na verdade é consequência jurídica do concurso de pessoas Causalidade física e psíquica Não basta o nexo de causalidade, sendo imprescindível o liame subjetivo Ex.: alguém empresta a arma que não é utilizada (falta a causalidade física) Ex.: alguém deixa inadvertidamente a porta aberta e o ladrão entra (falta a causalidade psíquica ou o liame subjetivo) Conceito restritivo de autor Autor é só quem realiza o verbo núcleo do tipo Teoria objetivo-formal Autor é só quem realiza o verbo núcleo do tipo, sendo os demais meros partícipes Teoria objetivo-material Considera a maior importância da conduta do autor em relação à do partícipe Conceito extensivo de autor
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Direito Penal Prof. Rafael Nogueira

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hipnose. 31 do CP: enumeração meramente exemplificativa Instigar: reforçar uma idéia preexistente A instigação deve ser feita a uma pessoa determinada. incita etc. basta a adesão Deve haver contribuição efetiva e relevante O domínio do fato deve pertencer a vários intervenientes Participação em sentido estrito Há uma ampliação da punibilidade de fatos que. Espinheiro. vindo a complementá-lo com um componente subjetivo Autor é quem tem o controle final do fato.com. antijurídico e culpável.br www. Rafael Nogueira 2/4 .br Teoria do domínio do fato Parte do conceito restritivo de autor. Recife/PE.) Autoria de escritório: pressupõe uma máquina de poder. caso contrário. é necessário o início de execução do crime Art. quem decide sobre sua prática. ficariam impunes Para ser punida.atfcursos. sem. coação irresistível etc. ter o controle final da ação delituosa a) Espécies de autoria Autoria propriamente dita: o autor age sozinho. em princípio. sem colaboração Autoria intelectual: o sujeito planeja a ação delituosa.: vários agridem a vítima) Parcial ou funcional: há uma divisão de tarefas (domínio funcional do fato) Simples: dois ou + executores da conduta típica Complexa: executor + autor intelectual ou funcional Co-autor • Direto ou material: executa o verbo do tipo • Intelectual: é o autor da idéia delituosa • Funcional: executa parte do comportamento típico Partícipe Não realiza comportamento típico e não tem poder de decisão sobre a execução ou consumação do crime Sua conduta é acessória Também chamado de colaborador de crime alheio Co-autoria Consubstanciada na divisão de tarefas Não é necessário o prévio ajuste. haverá incitação ao crime (art. que pode existir tanto em um Estado paralelo quanto em uma organização paraestatal ou em uma máquina de poder autônomo (ex: máfia) b) Co-autoria Realiza-se o verbo típico ou parte dele Direta: todos realizam a conduta típica (ex. induz.: inimputável.• Quem quer que concorra para o crime é considerado autor Teoria subjetiva da participação O autor quer o fato como próprio e o partícipe quer o fato como alheio Rua Buenos Aires. embora não a execute diretamente Autoria indireta ou mediata: alguém se vale de outrem para a prática de um delito (ex. contudo. 80. interrupção e circunstâncias Há uma preocupação maior com a conduta que com o resultado Distingue-se o autor do partícipe porque este apenas coopera. CEP: 52180-020 Fones: 3221-0061 e 3221-3773 atf@atfcursos.com. excluídas apenas as atenuantes e agravantes Acessoriedade mínima: basta que o fato principal seja típico Direito Penal Prof. 286) Induzir: fazer surgir uma idéia até então inexistente Cumplicidade: é forma de auxílio material (pode ocorrer desde os atos preparatórios até a consumação) • Pode ocorrer também na forma omissiva Requisitos da participação: relevância causal e consciência da participação na ação de outrem a) Acessoriedade da participação Acessoriedade extrema ou absoluta: o fato principal deve ser típico.

br www. condições e elementares Qualificadoras: também conhecidas como “tipos derivados”. III.atfcursos. a pena do menos grave será aumentada da metade • Abordar a lesão corporal seguida de morte Excesso nos meios x excesso no fim 15. seja punível 10. antijurídico e culpável. Espinheiro. CEP: 52180-020 Fones: 3221-0061 e 3221-3773 atf@atfcursos. Concurso em crime culposo A maioria da doutrina brasileira admite a co-autoria. a redução é obrigatória. do CP O liame subjetivo pode existir ou não. a morte de alguém Ex. além de típico. assim. sendo vedada sua presunção Ex: multidão que subtrai 10. Rafael Nogueira 3/4 . que alguns entendem como sendo participação: sujeito apressado para chegar a um compromisso instiga o motorista do táxi a dirigir em velocidade. Recife/PE.: sujeito que instiga a mãe a não amamentar o filho Pode haver participação omissiva em crime comissivo (ex. é necessária a presença de vínculo subjetivo) • Crimes omissivos impróprios: idem anterior (é imprescindível a existência de liame subjetivo) Participação • Crime omissivo próprio: ocorre através de ato comissivo Ex: alguém instiga médico a não notificar doença Ex: paraplégico instiga alguém a deixar criança morrer afogada • Omissivos impróprios Ex. pelo menos na fase da denúncia Pode ser aplicada a atenuante do art. Multidão delinqüente Não há necessidade de perfeita individualização da conduta de cada um. Comunicabilidade das circunstâncias. 29. Autoria colateral Ausência de liame subjetivo Punição de cada um segundo a eficácia da conduta Autoria incerta x autoria ignorada 13. e não crimes autônomos. causando. mais aceito de co-autoria: 2 pedreiros deixam cair acidentalmente uma viga de ferro que carregavam juntos. mas nega a possibilidade de participação Ex.com.Rua Buenos Aires.000 garrafas de refrigerante de um caminhão Ex: linchamento com resultado morte 14. Punibilidade no concurso de pessoas Fundamenta-se em uma norma de extensão Participação de menor importância (Art. alteram os limites da pena cominada Direito Penal Prof. resultando a morte de um pedestre 11.: caixa que deixa o cofre aberto) 12. 80. Concurso em crimes omissivos Co-autoria • Crimes omissivos próprios Ex: 2 médicos deixam de notificar doença (para que exista concurso de pessoas.br Acessoriedade limitada: a ação principal deve ser típica e antijurídica • Instigação de alguém a agir em legítima defesa: domínio final do fato Hiperacessoriedade: exige-se que o fato. sendo apenas o quantum facultativo Cooperação dolosamente distinta = desvio subjetivo de conduta • Ocorre quando um dos agentes quis participar de crime menos grave • Vale tanto para co-autores quanto para partícipes • Aplica-se apenas a pena do crime de que ele queria participar • Se era previsível o resultado mais grave.com. 65. § 1º): uma vez reconhecida. e.

basta excluir mentalmente sua presença. sempre se comunicam Ex: peculato. salvo quando elementares do crime Circunstâncias objetivas: sempre se comunicam Elementares do crime: sejam objetivas ou subjetivas.atfcursos. Aspectos polêmicos relacionados ao concurso de pessoas Autoria mediata e crimes de mão própria • Crimes próprios: é possível (ex: alguém dá a chave da repartição a um inimputável. CEP: 52180-020 Fones: 3221-0061 e 3221-3773 atf@atfcursos. será elementar. logo em seguida. será circunstância Condições de caráter pessoal: não se comunicam. Rafael Nogueira 4/4 .br Direito Penal Prof. desde que o extraneus dela tenha consciência 16. não têm quantum determinado Elementares: integram o tipo do crime Circunstâncias: estão em torno do tipo Para distinguir elementares de circunstâncias. uma vez que a execução do delito foi iniciada Arrependimento e desistência do partícipe Devem ser aptos a provocar a desistência do autor Desistência: só pode acontecer nos casos de participação material (ex: o sujeito promete emprestar a arma e desiste da idéia) Arrependimento: pode ocorrer tanto na participação moral quanto na material Ex: dissuasão Ex: pegar a arma de volta Participação em cadeia A instiga B a emprestar sua arma a C para que este venha a matar D Participação sucessiva: pode haver liame subjetivo ou não • Ex: A instiga B a matar C. D também resolve fazer o mesmo • Deve ter eficácia causal Concurso de pessoas x favorecimento real • Atentar para o momento em que se deu a participação Rua Buenos Aires.com. 80.br www.com. a fim de que sejam subtraídos computadores) • Crimes de mão própria: impossível Co-autoria em crimes de mão própria: tem sido admitida pelo STJ e pelo STF • A doutrina admite a participação Co-autoria sucessiva: ocorre quando está em andamento o cometimento de uma infração penal A intervenção deve ocorrer até o momento da consumação Ex: A percebe que seu irmão está agredindo alguém e parte para ajudá-lo O co-autor sucessivo só responde a partir da sua intervenção Repercussão do arrependimento eficaz e da desistência voluntária do autor na conduta do partícipe • 1ª corrente: acha que se estende.Causas de aumento e diminuição: existe um quantum determinado que incidirá sobre a pena na 3ª fase de aplicação Circunstâncias agravantes e atenuantes: aplicadas na 2ª fase. Espinheiro. caso contrário. se a conduta for atípica ou sofrer desclassificação para outro crime. em que a condição de funcionário público se comunica. como consequência da teoria monista • 2ª corrente: acha que o partícipe responde por tentativa. Recife/PE.