Campus de Ilha Solteira

Disciplina 320 – Trabalho de Formatura

TÍTULO: “Desenvolvimento de circuitos de condicionamento de sinais e de interfaceamento para células de carga de um sistema automatizado para caracterização mecânica de materiais”.

Palavras-chave: Extensômetros, células de carga, ensaios estruturais, circuito de condicionamento, instrumentação eletrônica.

DISCENTE: André Cutrim Nazareno

ORIENTADOR: Prof. Dr. Aparecido Augusto de Carvalho

ILHA SOLTEIRA, 15 DE SETEMBRO DE 2011

Faculdade de Engenharia de Ilha Solteira Cursos: Agronomia, Ciências Biológicas, Eng. Civil, Eng. Elétrica, Eng. Mecânica, Física, Matemática e Zootecnia. Avenida Brasil Centro, 56 Caixa Postal 31 CEP 15385-000 Ilha Solteira São Paulo Brasil pabx (18) 3743 1000 fax (18) 3742 2735 scom@adm.feis.unesp.br www.feis.unesp.br

Agradecimentos
Após um longo tempo de estudos fecho minha vida acadêmica com este trabalho, que tive o prazer de desenvolver em conjunto com Flávio Sato e Edmundo Beinecke; este ultimo meu amigo e companheiro de muitas batalhas (reais e virtuais!). Primeiramente agradeço a Deus por ter me dado saúde e pais maravilhosos que sempre me apoiaram. Aos meus pais que fizeram vários sacrifícios em pró de meus estudos e que durante minha vida me cercaram de amor e muito carinho. A dádiva de ter tido minhas irmãzinhas pela qual tenho muito amor. Lelé e Jujú, amo muito vocês! Agradeço também aos meus amigos e amigas que me ajudaram a moldar meu caráter me dando muitas alegrias e boas noites de diversão pelas ruas de Ilha Solteira. ED, Girino, Wander, Peron, Whisky, Cra, Alexandre (buiú), Celso, Adriano, Cris (pela qual tenho um grande carinho), Deco, Keiven (saudades eternas) e mais uns 5 mil que não caberiam nesta página (não fiquem com raiva caso não estejam aqui). A minha avozinha querida Neide, que me deu um amor que só se pode medir com unidades astronômicas. Saudades eternas! Ao meu professor e orientador Aparecido, que me deu esta oportunidade, nunca poderei agradecer de forma apropriada e justa o apoio dado durante minha jornada (vou torcer pro Santos em segredo). Aos meus professores que com muito orgulho tive o prazer de tê-los como mestres. A todos aqueles que tiveram o prazer de rir um pouco e desfrutar de bons momentos em minha companhia.

2

Sumário

1 2 3 3.1 3.2 3.2.1 3.2.2 3.3 3.4 3.5 4 5 5.1 5.2 6 7 8 9

Resumo Palavras-Chaves Introdução Considerações Iniciais Para Desenvolvimento do Trabalho Introdução aos Extensômetros A relação tensão-deformação (lei de Hooke) Princípio dos Extensômetros Princípio do circuito de medição Como são feitos os Extensômetros (Strain-Gage) Células de carga- conceitos básicos. Objetivos Métodos Utilizados Circuito de condicionamento de sinais Circuito de tratamento e Interface Determinação da curva deformação x carga para células de carga. Conclusões Referências Bibliográficas Apêndice

4 4 4 4 9 10 12 16 19 20 22 22 25 26 29 35 37 38

3

1-) Resumo
O desenvolvimento de sistemas capazes de monitorar e controlar ações estão sendo cada vez mais utilizados, de modo a permitir maior refinamento e confiança nos resultados obtidos. Na área instrumental de laboratório às vezes surgem situações em que se deve ter controle maior sobre o ensaio, fato que por vezes apresenta grandes dificuldades devido à falta de técnicos especializados ou de equipamentos mais sofisticados, que apresentam grandes custos. Neste trabalho desenvolveu-se um sistema capaz de traçar a curva de carga x deformação para ensaios estruturais e a partir desta possibilitar o controle de velocidade de carregamento. O sistema é composto por circuitos de condicionamento dos sinais produzidos pelas células de carga empregadas nos ensaios. Inicialmente a informação parte da célula de carga e é enviada ao sistema de aquisição de dados, que transforma as informações em dados digitais: o microcontrolador processa as informações informando a deformação sofrida pela célula.

2-) Palavras-Chaves
Extensômetros, células de carga, ensaios estruturais, circuito de condicionamento, instrumentação eletrônica.

3-) Introdução
3.1-) Considerações Iniciais Para Desenvolvimento do Trabalho Desde os primórdios da ciência, pesquisadores vêm tentando reproduzir em laboratório o comportamento dos materiais e até mesmo de estruturas completas. No começo, muitos ensaios na área de estruturas eram realizados

4

fora dos laboratórios, sobre encostas rochosas, fazendo o papel de lajes de reação, ou seja, os elementos de maior rigidez dos ensaios, utilizando peso morto para sobrecarregar as estruturas. No início do século passado, os processos para a realização de ensaios consistiam na inserção de cargas nos corpos-de-prova sendo que estas cargas eram aplicadas dentro de um quadro isostático, bombeando-se manualmente um cilindro hidráulico preso a este. Um quadro isostático configura-se em uma estrutura aporticada na qual somente os elementos estruturais que a compõem absorvem os esforços nela inserida. Isto significa dizer que a estrutura do quadro isostático não transfere esforços a qualquer outra estrutura sobre a qual ele esteja apoiado, como por exemplo o solo. Sendo assim, com a utilização deste aparato dispensa-se o uso de laje de reação. O quadro isostático é normalmente denominado de prensa de ensaios. Normalmente as prensas de ensaio têm limitações bem definidas com relação às dimensões dos corpos-de-prova. A Figura 1 mostra uma prensa de ensaios utilizada para corpos-de-prova de concreto, onde pode-se observar as limitações em relação aos corpos-de-prova a serem ensaiados. Por este motivo outro tipo de estrutura foi desenvolvido para a realização de ensaios em corpos-de-prova de grandes dimensões, sendo conhecidas como pórticos de reação.

Figura 1 – Prensa de Ensaios

5

há muito tempo. 2002). vigas de concreto. todas as outras estruturas possíveis de serem ensaiadas na qual o uso de prensa de ensaios torna-se inadequada. um problema interessante na experimentação de estruturas em geral. formando assim uma estrutura estaticamente equilibrada.Tais estruturas são fixadas através de conectores apropriados às lajes de reação. modelos de pórticos tridimensionais. é fundamental o conhecimento dos métodos de medidas dos deslocamentos e deformações para quem deseja fazer experimentação estrutural (SATO. Figura 2 – Pórtico de reação Em décadas recentes. das células de carga. as cargas introduzidas tanto nos pórticos de reação quanto nas prensas de ensaios eram medidas através de manômetros analógicos. e que por ter grandes dimensões permitem ensaios de grandes corpos-de-prova. Os processos de medições dos deslocamentos e deformações têm sido. Tais medidas levam o projetista a melhorar seus projetos e a entender melhor determinados comportamentos de sua estrutura. ou seja. tais como: paredes estruturais. A Figura 2 mostra um pórtico de reação. consequentemente. conectados as mangueiras de óleo. antes do advento dos Extensômetros e. 6 . Como a experiência nos mostra. entre a bomba manual e os cilindros de carga. grandes blocos de concreto. coberturas em casca (Shell roofs).

comparadas às lidas por um relógio comparador. Tornou-se possível medir deformações de elementos muito rígidos. USA) trabalhando independentemente um do outro. e os extensômetros foram mais intensamente usados na fabricação de células de carga que podem medir com precisão as cargas que são impostas nos ensaios. esta automação ficou relegada às prensas universais de ensaio. Porém. vários tipos de instrumentos foram desenvolvidos para tais aplicações. também. e a precisão dependia. entre outros fatores que influenciavam na acurácia e precisão na obtenção dos dados. Com os extensômetros. usando dispositivos de alavancas. por mais precisos que fossem. Edward Simmons (Califórnia Institute of Technology. entre outros. podem-se medir deformações bem pequenas. CA. Esta experiência deu origem aos extensômetros. da pessoa que realizava a leitura. 7 . A célula de carga serviu como um propulsor tecnológico na obtenção dos valores de carga e consequentemente da automação de equipamentos para ensaios de resistência mecânica dos materiais. utilizaram pela primeira vez fios metálicos colados à superfície de um corpo de prova para medida de deformações. nônio óticas ou combinações destes princípios. que são utilizados atualmente. que eram mostrados em relógios analógicos. os relógios comparadores ainda são utilizados para medir deformações em corpos-de-prova. que eram impraticáveis com a utilização de relógios comparadores. USA) e Arthur Ruge (Massachusetts Institute of Technology Cambridge. A evolução das prensas de ensaio primeiramente aconteceu de forma analógica através de circuitos elétricos que transformavam as deformações das células de carga nas cargas efetivas do ensaio.Desde 1870. na sua maioria utilizando amplificações mecânicas. engrenagens. Por algum motivo. desde essa época até os dias atuais. Em 1937-39. ficando os pórticos de reação em segundo plano. Somente por volta dos anos 20 é que se desenvolveram dispositivos mecânicos com precisão adequada e que ainda hoje são utilizados. Pasadena. MA. bem como de balanças de precisão.

os relógios comparadores continuam sendo utilizados (SATO. mas que limita a utilização das prensas de ensaio prende-se ao fato de que as mesmas possuem propriedades intrínsecas em seu projeto. ou possuir uma bomba elétrica com controle total da velocidade de injeção de óleo no cilindro. tal qual a dimensão dos cilindros de carga nela instalados que muitas vezes limitam os corpos-de-prova de menores resistências. o que é impraticável. A velocidade de carregamento 8 . as leituras de deformação. os mesmos são formados por módulos que facilitam o seu deslocamento quando comparado com uma prensa de ensaio formada por um único conjunto. sensores de carregamento. que não chega a ser um problema. que eram feitas através das células de carga. a automação destes pórticos ficou relegada a segundo plano até o momento. devido ao alto custo das mesmas. mesmo com a evolução tecnológica. A minimização dos efeitos causados por variações nas velocidades de carregamento em ensaios de caracterização mecânica quando controlado manualmente não oferece uma boa precisão nem tampouco confiabilidade nos resultados. 2002). bomba elétrica hidráulica. Outra característica. Para resolver tal problema de operação.A partir do advento dos dispositivos digitais. Na sua tese de doutorado está desenvolvendo um sistema capaz de interligar pórticos de reação. para as modernas prensas universais de ensaios. Um dos módulos do pórtico de reação é exatamente o cilindro hidráulico. e desta forma sua escolha para cada tipo de ensaio se torna uma necessidade. estas prensas deveriam permitir a troca dos cilindros. Um fato importante é que. Em seu trabalho de mestrado Sato (2002) realizou a automação de um sistema de carregamento em ensaios estruturais. Contudo. sendo esta uma das principais vantagens deste tipo de estrutura de ensaio. alimentavam com informações os controladores digitais e assim se deu à evolução dos primeiros quadros isostáticos de ensaios. válvulas de vazão. Apesar dos pórticos de reação serem estruturas de grande porte. válvulas de pressão e microcontroladores. que ainda hoje não são comumente encontradas nos laboratórios de pesquisas.

Deformações em várias partes de uma estrutura real sob condições de serviço podem ser medidas com boa precisão sem que a estrutura seja destruída. fazendo-se necessários estudos para se viabilizar novos métodos de automatização nos equipamentos utilizados em Engenharia Civil. Com o desenvolvimento do país nos últimos anos e com a grande expansão da construção civil no Brasil. a Copa do Mundo de Futebol de 2014 e as olimpíadas de 2016. A medida é realizada colando um extensômetro nestas estruturas. Os Extensômetros fornecem um método excelente de converter deformações 9 . Extensômetros são usados para medir deformações em diferentes estruturas. e são usados usualmente entre os engenheiros de instrumentação. mas também no campo. visando a melhoria da precisão e segurança no controle de equipamentos utilizados em Engenharia Civil. o desenvolvimento e expansão da indústria no país. 3. convertendo a deformação causada em uma quantidade elétrica (voltagem) e amplificando-a para leitura em um local remoto. Uma característica importante do equipamento é que com ele os ensaios para caracterização dos materiais poderão ser feitos não somente em laboratório. Os medidores de deformação chamados Extensômetros elétricos são dispositivos de medida que transformam pequenas variações nas dimensões em variações equivalentes em sua resistência elétrica. prédios comerciais e habitacionais. está havendo vendo um grande aumento de empregos nesta área. O extensômetro é a unidade fundamental destes dispositivos. isto leva a uma analise quantitativa da distribuição de deformação sob condições reais de operação. o aumento do número de casas de classe média e média alta.2-) Introdução aos Extensômetros. Assim.constante e a velocidade de deformação constante são as principais variáveis na obtenção das cargas de ruptura e da forma de ruptura de muitas estruturas. Com a utilização deste sistema tem-se um monitoramento com maior precisão dos dados medidos através da célula de carga. como por exemplo.

As características das medidas com Extensômetros são resumidas abaixo:         Alta precisão de medição. Medições possíveis dentro de uma ampla faixa de temperatura. ou após transformação em sinal digital ) pode ser aplicada á engenharia de controle. deslocamento). Usados como elementos transdutores para medidas de várias   quantidades físicas (força. e a magnitude de força por unidade de área é chamada de tensão.2. Isto implica no fato de que a força para contrabalançar a ação externa é gerada internamente no material. A saída (sinal analógico. Excelentes respostas aos fenômenos dinâmicos. e τ tensões cisalhantes. 3. Suponha que um material é tracionado.1-)A relação tensão-deformação (lei de Hooke) Se um material é tracionado. e a quantidade de alongamento seja dada por enquanto que o 10 . Fácil utilização desde que conhecida a boa técnica. mantendo uma relação constante entre a magnitude da força externa e a quantidade de deformação.em quantidade elétrica. A tensão é um vetor. Possibilita medida em locais remotos. torque. Como símbolo para tensão. δ é usado para indicar tensões verticais. tendo uma magnitude e uma direção expressa em termos de ou qualquer outra relação de força por unidade de área. Comumente os materiais têm a propriedade de se alongar quando tracionados e de encolher quando comprimidos. pressão. aceleração. a força aplicada no material é proporcional á deformação causada na região elástica. Excelente linearidade. Aplicáveis submersos em agua ou em atmosfera de gás corrosivo desde que utilizado tratamento apropriado. Pequeno tamanho e pouco peso.

1) A Figura 3 mostra a relação entre tensão e deformação de um corpo de prova de aço doce submetido a um carregamento de tração. A relação de alongamento deformação não apresentando dimensão. 11 . Esta é a chamada região elástica onde se aplicam a leis de Hooke. A tensão é proporcional à deformação entre a origem e o ponto a.comprimento original seja l. onde uma inclinação aproximadamente linear é obtida. é chamada (3. A relação tensão-deformação na região elástica é dada pela seguinte equação: Figura 3 – Curva tensão-deformação.

2) Onde E é uma constante de proporcionalidade. onde é o comprimento original antes da deformação. Na figura 3 alinha contínua mostra parte de um fio metálico.deformação de um fio sob tração. A linha pontilhada apresenta o fio e resistência igual a este apresenta uma resistência elétrica. a qual é referida como módulo de elasticidade longitudinal ou módulo de Young. metálico alongado.1) 12 . e .2. 3. A resistência elétrica r é dada por: (3. como usado nos Extensômetros. Figura 3. seu comprimento agora igual a .(3.2-)Princípio dos Extensômetros O extensômetro é baseado no fato de que os materiais mudam sua resistência elétrica quando sofrem uma deformação.

5) Tirando a derivada da equação (3. . seja comprimido á . e o diâmetro original. resistividade do material do fio. Primeiramente tira-se o logaritmo. (3. Para obter uma mudança relativa na resistência. e então: (3. .5) tem-se: 13 . faz-se a derivada.3) Onde a área da seção transversal de um círculo como mostrada na figura 3 é dada por: (3.2) Resultando na expressão: (3. e então.Onde:   : área da seção transversal do fio.na figura 3 é alongado por uma tensão de tração. os logaritmos para todos os membros da equação devem se diferenciados.igual ao efeito dado pelo coeficiente de Poisson.4) Suponha que o comprimento do fio.

.10) na equação (3. . substituindo a equação (3.8).(3. tem-se: (3.8) A mudança na resistividade elétrica. não é nada mais que a deformação. tem-se: 14 .9) E que: (3. de modo que: (3. ocorre proporcionalmente com a mudança volumétrica do material. e finalmente pode-se escrever a equação (3. v é o coeficiente de Poisson.7) da seguinte forma: (3.7) Onde.9) e em seguida na equação (3.6) na equação (3. Agora.3).10) Substituindo a equação (3.6) Onde.

14): (3. conforme a equação (3. onde é aproximadamente igual à unidade.14) é chamado coeficiente piezo-resistivo.(3. Uma é determinado dependendo do material resistivo usado para o extensômetro. e geralmente expressa pelo símbolo vez que o valor de . Então. o qual apresenta valores diferentes dependendo da direção dos eixos dos cristais.9).12) é chamado de sensibilidade à deformação do material metálico. 15 . exibe uma resistividade variável com a magnitude de tensão imposta a ele.12) pode ser mudada para: (3. a equação (3. o que leva a parte direita da equação (3.11) Na equação (3. que é determinada experimentalmente. é uma constante proporcional.13) A qual indica que a mudança relativa na resistência é proporcional à magnitude da deformação medida.12) O valor definido pela equação (3. O valor de para semicondutores simples de cristais usados como elementos sensores de deformação. (3. A maioria dos materiais resistivos comumente usados em extensômetros são ligas de cobre e níquel. é desejável que o material resistivo tenha um valor sem correlação com a magnitude da deformação.11) ser aproximadamente igual a dois.

Este circuito permite eliminar a influência da temperatura no extensômetro (FARIA. para medir as variações de resistência dentro de um circuito elétrico. e a presenta valor igual a: (3. A ponte de Wheatstone é o circuito mais usado para a ligação dos extensômetros. O circuito é geralmente chamado de ponte de wheatstone. em outras palavras. sendo a corrente que varia neste caso. e apresenta valor igual a: 16 .circuito em ponte de Wheatstone. Ainda da física elementar.3 -)Princípio do circuito de medição Circuitos elétricos especiais são empregados para medidas de deformação com extensômetros montados em corpos de prova. Figura 4. Da física elementar sabe-se que os resistores em série são divisores de tensão e que a tensão entre os resistores em paralelo não varia.3. para dois resistores em série com uma tensão de alimentação aplicada a eles conforme mostra a Figura 5 a tensão entre o ponto A e D é chamada de .15) Analogamente para o outro circuito da Figura 5 a tensão entre o ponto A e B é chamada de . 2001).

e assim tem-se: 17 .17) Se R = R2 = R3 = R4.(3. que nada mais é que o valor de que se pretende medir. é aplicada no circuito da ponte. gerada nos terminais de saída da ponte. a equação (3.17) pode ser reescrita como: (3. obtém-se exatamente a ponte de Wheatstone da Figura 4. Colocando os dois circuitos da figura 5 em paralelo. então existirá uma voltagem elétrica. . Supondo agora que na Figura 4. e supondo ainda que o extensômetro sofra uma deformação e a resistência mude para R+∆R.16) Figura 5. R é a resistência do extensômetro e R2.Circuito de resistores em série. onde a diferença de potencial entre os pontos D e B será a diferença entre e . conforme: (3. E.18) Uma vez que 2R >> ∆R 2R+ ∆R 2R. R3 e R4 são resistores fixos e uma voltagem elétrica.

Uma lâmina metálica resistiva de espessura de alguns micros é fixada em um material eletricamente isolado chamado base. 3. tem-se: (3. é necessário apenas medir a voltagem de saída da ponte. 18 . extesômetros são feitos para ter uma resistência de 120 . fica claro que é proporcional à deformação. é proporcional à variação relativa na resistência do extensômetro. Então. Porções desnecessárias do material da lâmina são eliminadas pelo processo de foto-gravação.20) Assim. este trabalho é seguido pela soldagem dos fios de saída. Usualmente.Esquema de confecção dos extensômetros (Strain-Gage).13).19) A partir disso. percebe-se que a voltagem de saída da ponte.1000Ω.19) na equação (3. Figura 6. de acordo com o padrão desejado do extensômertro. mas existem extensômetros disponíveis com resistências de 350 500Ω. .4 -)Como são feitos os Extensômetros (Strain-Gage) Um tipo comum de extensômetro ou Strain-Gage é mostrado na Figura 6.(3. Substituindo a equação (3.

A popularização do seu uso decorre do fato que a variável peso é interveniente em grande parte das transações comerciais e de medição das mais frequentes dentre as grandezas físicas de processo. a circunstância que a tecnologia de sua fabricação. que desponta como exportador importante no mercado internacional. O uso de células de carga como transdutores de medição de força abrange hoje uma vasta gama de aplicações desde nas balanças comerciais até na automatização e controle de processos industriais.conceitos básicos. Associa-se. mas muitos dos extensômetros disponíveis hoje em dia apresentam uma auto compensação. é hoje amplamente dominada pelo nosso País. no caso particular do Brasil.célula de carga usual. 19 . assim como a resistência também é alterada pela mudança de temperatura. O princípio de funcionamento das células de carga (figura 7) baseiase na variação da resistência ôhmica de um sensor denominado strain gage. feitos para sofrerem menos os efeitos da temperatura. Diferentes métodos de medição são disponíveis para eliminar tais efeitos. que antes era restrita a nações mais desenvolvidas.O extensômetro exibe uma mudança de temperatura devido à deformação nele causada. 3. quando submetido a uma deformação. Figura 7.5 -)Células de carga. em virtude da deformação dos extensômetros. Utiliza-se comumente em células de carga quatro extensômetros ligados entre si segundo a ponte de Wheatstone e o desbalanceamento da mesma.

Outro efeito que também deve ser controlado é a "repetibilidade". denominada corpo da célula de carga e inteiramente solidários à sua deformação. há necessidade de se "compensar" os efeitos de temperatura através da introdução no circuito de Wheatstone de resistências especiais que variem com o calor de forma inversa a dos extensômetros. A forma geométrica. indicação da mesma deformação decorrente da aplicação da mesma carga sucessivamente. Considerando-se que a temperatura gera deformações em corpos sólidos e que estas poderiam ser confundidas com a provocada pela ação da força a ser medida. também deve ser verificada e controlada através do uso de materiais isotrópicos e da correta aplicação da força sobre a célula de carga (Figura 8).é proporcional à força que a provoca. aço ou liga cobre-berílio). Os extensômetros são colados a uma peça metálica (alumínio. deve conduzir a uma "linearidade" dos resultados (Figura 8). visando assegurar que a sua relação de proporcionalidade entre a intensidade da força atuante e a consequente deformação dos extensômetros seja preservada tanto no ciclo inicial de pesagem quanto nos ciclos subsequentes. É através da medição deste desbalanceamento que se obtém o valor da força aplicada. 20 . portanto. que por sua vez medirão sua intensidade. o que acarreta que as medições de cargas sucessivas não coincidam com as descargas respectivas (Figura 8). ou seja. portanto sobre o corpo da célula de carga e a sua deformação é transmitida aos extensômetros. A força atua. independentemente das condições ambientais. Um efeito normalmente presente ao ciclo de pesagem e que deve ser controlado com a escolha conveniente da liga da matéria-prima da célula de carga é o da "histerese" decorrente de trocas térmicas com o ambiente da energia elástica gerada pela deformação. tanto no seu projeto quanto na sua execução. Obviamente que a forma e as características do corpo da célula de carga devem ser objeto de um meticuloso cuidado.

Figura 8-Gráfico de deformação x carga. mostrando histerese. repetibilidade e não linearidade. deve-se considerar o fenômeno da "fluência" ou creep. 21 .Gráfico de deformação x tempo mostrando a fluência ou creep. Este efeito decorre de escorregamentos entre as faces da estrutura cristalina do material e apresenta-se como variações aparentes na intensidade da força sem que haja incrementos na mesma (Figura 9). Figura 9. Finalmente. que consiste na variação da deformação ao longo do tempo após a aplicação da carga.

atualmente Texas) e 22 .4-) Objetivos O objetivo do projeto é o desenvolvimento dos circuitos de condicionamento de sinais e de interfaceamento de células de carga utilizadas em um sistema de automação de ensaios de caracterização mecânica dos materiais empregados na construção civil. mostrando em um display de cristal líquido e armazenando na memória de um microcontrolador para posterior utilização. capaz de controlar as formas de carregamento e descarregamentos de corpos de prova. No Laboratório de Sensores já foram desenvolvidos várias pesquisas de mestrado e doutorado na área de sensores e instrumentação eletrônica. passaram a alimentar com informações os controladores digitais. Assim se deu à evolução dos primeiros quadros isostáticos de ensaios para as modernas prensas universais de ensaios. O NEPAE possui laboratório de ensaios. devido ao alto custo das mesmas. Os circuitos de condicionamento dos sinais produzidos pelas células de carga são constituídos essencialmente por um amplificador de instrumentação construído com o amplificador INA 129 (da Burr-Brown. as leituras de deformação. 5-) Métodos Utilizados O projeto foi desenvolvido no NEPAE (Núcleo de Ensino e Pesquisa da Alvenaria Estrutural) do Departamento de Engenharia Civil da Faculdade de Engenharia de Ilha Solteira da UNESP e no Laboratório de Sensores do Departamento de Engenharia Elétrica. fazer a conversão de acordo com a curva de calibração de cada célula de carga. de aquisição de dados e diversos outros instrumentos. que ainda hoje não são comumente encontradas nos laboratórios de pesquisas. sistemas de ensaios. equipado com ponte rolante. A meta é a implementação de um sistema eletrônico capaz de ler dados inseridos a partir de um laptop ou um terminal apropriado e a partir dos parâmetros inseridos. A partir do surgimento do conversor A/D. que eram feitas diretamente nas células de carga. laje de reação. sendo equipado com recursos computacionais e vários tipos de instrumentos eletrônicos de precisão.

processamento e armazenamento de dados e ainda responsável pela saída de controle das válvulas. pois. o que dará uma valiosa base teórica para pesquisa e para a manipulação e desempenho do mesmo. as equações do modelo matemático obtido exigem alta velocidade de processamento. este microcontrolador é um dispositivo de alta tecnologia de 16 bits. que estarão atuando na operação da prensa de ensaios. há vários exemplos de aplicação deste dispositivo em projetos de sensoriamento em instrumentação. sendo um microcontrolador moderno e de alta tecnologia. que é comumente empregado. O dsPIC 33FJ32MC202. 23 . funções para tratamento de sinais digitais como cálculos de FFT (Fast Fourier Transform). etc em apenas poucos ciclos de processamento. possui além das funções normais de um microcontrolador. Neste trabalho foi utilizado o microcontrolador dsPIC 33FJ32MC202. Outro motivo da escolha do dsPIC 33FJ32MC202 é de sua velocidade de cálculos por segundo. O microcontrolador será responsável pela recepção dos dados de entrada. feito através de conexão serial. A interação com o usuário se da através de um display LCD e um teclado telefônico ou alfa numérico.por filtros passa-baixas que foram implementados com amplificadores operacionais. este dispositivo pode operar numa velocidade de até 40 MIPS (Milhões de Instruções Por Segundo) e 80 Mhz de clock. ele possui conversores analógico/digital e digital/analógico de 12 bits. ambos controlados pelo microcontrolador de forma a tornar mais simples a operação do módulo de controle do sistema. para uma altíssima confiabilidade dos resultados práticos a serem analisados e memória interna programável para coleta e envio de dados para o microcomputador se necessário. cálculos de convolução. em projetos de eletrônica com âmbito científico. É um dispositivo multi-função com entradas e saídas analógicas e digitais programáveis. O principal componente do circuito de interfaceamento é o microcontrolador. que será feito através de um teclado controlador pelo mesmo.

o software utilizado para o tratamento matemático dos modelos foi o MATLab. tornando mais simples a implementação de modelos teóricos na prática. A Figura 10 mostra o diagrama de blocos do sistema. 24 .Diagrama de blocos do sistema.O desenvolvimento do software utilizado se deu a partir da plataforma MikroC e MPLAB. Figura 10. As equações do modelo matemático foram programadas no microcontrolador. Os dados foram coletados através de conexão serial para análises laboratoriais através do MATLAB/Simulink. software extensamente utilizado por estudantes e pesquisadores de Engenharia Elétrica pelo mundo. ambos os softwares tem uma alta gama de exemplos demonstrados.

Essa será captada pelo amplificador de instrumentação. inclusive o 60hz da rede. captar um sinal analógico proveniente do mesmo. A frequência de corte é baixa devido aos sensores trabalharem com níveis de tensão DC (tensão contínua). Então qualquer componente AC (tensão alternada) pode ser considerada perturbação. é uma medida que mostra o quanto o dispositivo consegue atenuar tensões iguais que estão nas entradas diferenciais do amplificador. amplifica-lo e filtra-lo.5. que tem a função de amplificar os pequenos níveis de tensão do sensor em níveis desejados. Este componente é muito utilizado como amplificador. isso é importante para que o ruído possa ser atenuado e separado do sinal que se pretende medir. Foi utilizado um filtro passa-baixa (Figura 12) com frequência de corte de 20 Hz. pois tem baixo consumo. A célula de carga recebe uma força deformando-a proporcionalmente a essa força. 25 . muitas vezes presentes nos circuitos. Figura 11.1 -)Circuito de condicionamento de sinais Este circuito está acoplado ao sensor e tem a função de alimentar o sensor. ganho elevado e facilmente ajustável por um resistor externo além de um elevado CMRR. gerando assim uma diferença de potencial (ddp) entre os terminais B e D (Figura 4). O amplificador de instrumentação INA 129.diagrama interno do INA 129.

na figura acima não foram utilizados porém no projeto tomou-se o cuidado de eliminar este fator que pode prejudicar a leitura de dados pelo microcontrolador.Figura 12. O Microcontrolador utilizado é bastante completo possuindo além de conversor A/D uma memória interna significativa e também boa velocidade de procesamento sendo estes alguns dos requisitos exigidos neste sistema implementado.Filtro passa-baixa com ganho unitário utilizando o AmpOp LM741.2 -)Circuito de tratamento e Interface. O microcontrolador recebe sinais analógicos provenientes do circuito de condicionamento de sinais e faz a conversão A/D. este por sua vez realiza os devidos cálculos a partir dos dados recebidos e os armazena em sua memória interna enviando também a um display acoplado ao sistema. 5. 26 . verificar condições impostas em rotinas internas e fazer a transmissão dos mesmos para o microcomputador. Abaixo é possível ver o diagrama de blocos do microcontrolador dsPIC33FJ32MC202 (Figura 13). Este circuito tem como função converter sinais analógicos em digitais. tratar esses dados. Observando que os pinos 1 e 5 do CI são utilizados para se fazer a correção do offset do AmpOp.

27 .Figura 13-Diagrama de blocos do dsPic33FJ32MC202 A programação do microcontrolador foi feita usando o programa MiKroC da MikroelElektronika. A gravação foi feita com o programa MPLab a partir do código gerado. Que é um compilador C próprio para microcontroladores. A Figura 14 ilustra telas do software MPLab.

Figura 14.Telas do software MPLab. Como o dsPIC33FJ32MC202 já disponibiliza esta comunicação em sua arquitetura apenas foi executada por meio da porta serial do microcomputador geralmente usada por impressoras. 28 . É possível verificar o diagrama de blocos da interface serial do microcontrolador na Figura 15. A comunicação entre o microcontrolador e o microcomputador foi feita através da porta serial.

O MAX 232 é um circuito integrado conversor de nível. que converte sinais TTL em RS232 e vice-versa.diagrama de blocos do módulo de comunicação serial No auxilio à comunicação serial foi utilizado um CI MAX 232. Figura 16. 29 .CI MAX 232 utilizado no auxílio à comunicação serial. A sua implementação no sistema pode ser conferida na Figura 16.Figura 15.

mas não necessariamente precisa-se fazer a comunicação com o microcomputador sempre pela serial pode-se utilizar também a USB. Utilizando-se do software ISIS da Labcenter 30 . Após a montagem do sistema de aquisição. Abaixo (Figura 17) circuito implementado. A saída utilizada do microcontrolador foi a serial. Microcontrolador devidamente alimentado e com o ganho do amplificador ajustado de forma a não saturar os amplificadores operacionais utilizados (ganho de 300x). através de um conversor serial/USB.Ele fornece uma ótima rejeição de ruído e é mais robusto à descargas e curtos. Figura 17. condicionamento e interfaceamento. condicionamento e interfaceamento descritos anteriormente agora se tornam possível fazer ensaios de forma a traçar as curvas características de dois tipos de células de carga que as denominaremos simplesmente como célula de carga “lisa” e “rosqueada”.Sistema de aquisição. 6-) Determinação da curva Carga x deformação para células de carga.

Eletronics é possível verificar o esquema dos circuitos utilizados na aquisição e tratamento dos dados recebidos via célula de carga (Figura 18). Foram realizados de forma sucessiva três ensaios para cada célula de carga analisada. Figura 18-Circuito de aquisição e tratamento de sinais. Obtiveram-se os seguintes resultados para as células em questão: 31 . com base nestes resultados foi possível traçar as curvas carga x deformação e observar o comportamento de cada célula. A princípio foram realizados tais ensaios de forma a verificar a reação da célula de carga a fenômenos físicos como creep e repetibilidade.

700 0 200 400 Carga(kN) 600 800 49.800 49.000 49.780 49.956 49.Ensaios para célula de carga “rosqueada”.700 0 200 400 Carga(kN) 600 800 Deformação(µɛ) ensáio 2 Ensáio 3 Deformação(µɛ) 50.209 50.828 49.960 49.077 50.100 50.000 49.104 50.970 50.300 50.874 49.200 50.800 49.829 49.065 50.200 50.400 50.784 49.145 50.835 49.989 50.900 49.937 49.040 50.800 49.809 49.189 50. Analisando os gráficos observa-se um padrão quase que linear.907 49. 32 .230 3º Deformação(µɛ) Ensáio 1 50.200 50.093 50.300 50.132 50.780 49.877 49.196 50.115 50.600 0 200 400 Carga(kN) 600 800 Ensáio 3 Figura 19.030 50.803 49.792 49.004 50.237 2º 49.927 49.900 49.249 ensáio 1 Ensáio 2 50.899 49.1º 0 50 100 150 200 250 300 350 400 450 500 550 600 650 700 750 49.023 50.851 49.993 50.929 49.795 49.153 50.878 49.900 49.000 49.855 49.853 49.170 50. em seguida analisaremos os resultados de forma conjunta a fim de observar os fenômenos causados pela sequência de ensaios e aquecimento das células de carga.100 50.815 49.058 50.

Acima podem ser vistos os ensaios realizados para a célula “rosqueada” sendo estes executados de forma sucessiva (Figura 20). Esta não linearidade pode (quando muito acentuada) afetar o funcionamento do sistema.700 0 200 400 Carga(kN) 600 800 Figura 20.200 50.curvas de carga x deformação para célula de carga “rosqueada”.100 Deformação(µɛ) 50.900 Linear (1º) 49. Em seguida realizaram-se os ensaios para a célula de carga “lisa” de forma a gerar a curva de calibração carga x deformação a mesma. 33 . É possível ver certa não linearidade nos resultados.50.000 3º 2º 1º 49. pois não representa a real deformação da estrutura.800 49.300 50. muito possivelmente causada pelos efeitos combinados de fenômenos como histerese e repetibilidade.

968 51.392 51.462 51.538 52.000 52.000 51.860 700 52.500 51. 34 .000 51.000 0 200 400 Carga(kN) 600 800 Ensáio 3 Figura 21.000 52.460 52.197 52.387 51.291 52.610 52.500 0 200 Deformação(µɛ) Ensáio 1 51.curvas carga x deformação para célula de carga “lisa” e ensaios de carga para respectiva célula de carga.541 51.032 Ensáio 3 53.500 Deformação(µɛ) 53.770 150 51.620 550 52.043 250 51.000 50.089 52.709 51.163 300 52.368 400 52.908 200 51.969 52.000 0 200 400 Carga(kN) 600 800 Ensáio 2 450 52.500 52.690 51.000 51.621 100 51.500 51.779 650 52.780 51.632 51.860 52.279 51.500 51.386 51.502 51.960 53.876 51.270 350 52.992 51.460 Ensáio 1 400 Carga(kN) 600 800 Ensáio 2 53.500 52.856 51.074 51.689 52.000 52.1º 0 50 2º 3º 53.771 52.513 51.500 52.942 750 52.379 52.179 51.831 51.700 600 52.739 51.545 500 52.627 51.500 Deformação(µɛ) 53.

200 52.600 Deformação(µɛ) 52. 35 . Novamente fica prejudicada a determinação da curva de calibração da célula de carga devido a forte presença de fenômenos físicos descritos anteriormente.200 0 200 400 Carga(kN) 600 800 2º 1º 3º Linear (1º) Figura 22.800 51. ainda por se tratar de um sensor robusto e por estar bastante gasto podendo conter impurezas alojadas entre os circuitos ocasionando erros tão acentuados.800 52.600 51.400 51. é possível novamente observar uma não linearidade nas curvas obtidas.200 53. Fazendo uma nova analise.000 51.53. Estas não linearidades novamente podem ser explicadas pela combinação dos fenômenos da histerese e repetibilidade que também foram encontrados na célula “rosqueada”.400 52.curvas de carga x deformação para célula de carga “lisa”. agora para a célula de carga “lisa”.000 52.

do Departamento de Engenharia Civil da Faculdade de Engenharia de Ilha Solteira. não necessitando de placas de aquisição e nem softwares especiais. possuindo resposta não linear. Os transdutores (células de carga) foram ensaiados de forma a testar o funcionamento do sistema.7-) Conclusões Foi implementado um sistema eletrônico para condicionamento de sinais e interfaceamento para células de carga com intuito de caracterização mecânica de materiais. Todas as implementações foram realizados no NEPAE (Núcleo de Ensino e Pesquisa da Alvenaria Estrutural). circuitos de condicionamento de sinais. apenas como exemplo estas células foram de bastante valia na observação de efeitos comuns em ensaios como a histerese. e no Laboratório de Sensores. microcontrolador programado adequadamente para aquisição de dados e visualização em um display de LCD. Funcionando adequadamente com cálculos precisos e velocidade de processamento satisfatória. Porém. repetibilidade e da “fluência”. O sistema é constituído por transdutores. gerando desta forma curvas que caracterizam a resposta destes quando variada a carga neles impostas. do Departamento de 36 . O sistema eletrônico implementado é versátil e moderno. fabricadas por empresas especializadas. utilizando comunicação serial. péssima repetibilidade e alta histerese. De programação fácil e extremamente versátil esta ferramenta certamente estará presente nas principais pesquisas científicas do gênero. Demonstraram robustez. Os resultados obtidos estão dentro do previsto pela teoria dos extensômetros metálicos contendo erros significativos devido ao uso de células de carga antigas e já bastante usadas em experimentos e ensaios afins. Por possuir um fácil manuseio o microcontrolador dsPIC 33FJ32MC202 se mostrou uma ferramenta poderosa para futuro projetos e pesquisas relacionadas a instrumentação. O microcontrolador atendeu às necessidades do projeto. projetos envolvendo automação e análise de sinais provenientes de sensores.

possível projeto de futuro este sistema desenvolvido será com auxilio controle digital. com a colaboração de engenheiros.Engenharia Elétrica da Faculdade de Engenharia de Ilha Solteira. para ajustar e corrigir automaticamente a pressão de válvulas hidráulicas com intuito de controlar as formas de carregamento e descarregamento de corpos de prova. 37 . Como incorporado.

Application and design. [6] SATO. H. 38 . Nº.Manual técnico. [2] DOEBELIN. A. [4] MARTINELLI. Experimental stress analysisNotebook. Tokyo. Conhecendo o extensômetro elétrico de resistência. E. O. Ilha Solteira. 101E-U1. Cat. 1961. FEIS. São Carlos.8-) Referências Bibliográficas [1] BARRETO JR. Automação do sistema de carregamento em ensaios estruturais. Measurement systems. tese de doutorado. McGraw Hill. E. 1990. Contribuição ao emprego de extensômetros elétricos de resistência no estudo de estruturas. 1987. 2002. [3] KYOWA. New York. Strain gages: A complete lineup of high performance strain gages and accessories. [5] MEASUREMENTS GROUP. D. tese de mestrado. O. F. Raleigh. EESC.

buffer1[15]. char txt8[] = "Fuiii". char txt3[] = "Lcd4bit".h" #include "Complexo.2587538e+1.bufferadc[15]. char txt4[] = "UNESP FEIS".Universidade Estadual Paulista / Campus Ilha Solteira . char txt1[] = "Teste Teclado". char txt7[] = "1".h" // Se for chamar variavel declarada em subrotinas usar por ex: extern float unsigned short kp. /* Main UNESP . I.buffer2[15].SP */ #include "main. char txt5[] = "3". char txt6[] = "2". double ww = -1. 39 .9-) Apêndice Neste apêndice consta o programa (linhas de comando em linguagem de programação C) utilizado no microcontrolador para executar as tarefas necessárias na aquisição e tratamento de dados pelo sistema.buffer[15].bufferclk[15]. char i. char txt2[] = "Digite:".

//OSCTUN=0.PLLPRE=0. clk).37*43/(2*2)=80Mhz for 7. // M=43 // N1=2 // N2=2 // Bugado Tune FRC oscillator.teste.adc1=0.delta=0.z2 ). 40 . // Configure Oscillator to operate the device at 40Mhz // Fosc= Fin*M/(N1*N2).37 input clock PLLFBD=41.z2. CLKDIVbits.img=1. Fcy=Fosc/2 // Fosc= 7. //PORTA= 0xFFFF.//*********** Programa Principal *********** // void main(){ unsigned double clk. CLKDIVbits.PLLPOST=0."%3e".z3. unsigned int adc=0.real=1. teste = arg_complex( z1 ). z2. float media=0.media1=0. z2. // Porta A Output clk=Get_Fosc_kHz(). //TRISA= 0.real=1. Complex z1.deform=0.img=1. z3 = add_complex( z1. z1. if FRC is used ADPCFG = 0xFFFF. z1. sprintf(bufferclk.

buffer1). Lcd_Cmd(_LCD_CLEAR).4. adc=0. media1=0. sprintf(buffer2. adc1=0. uart_send(buffer. _ADC_INTERNAL_REF). // Configure AN pins as analog I/O ADC1_Init_Advanced(_ADC_12bit. //Lcd_Out(1.txt3). Lcd_Cmd(_LCD_CURSOR_OFF). // Initialize LCD Lcd_Cmd(_LCD_CLEAR)."%3e". ///// ///// //// for (i=0 .Lcd_Init(). Lcd_Out(1. // Clear display // Cursor off // Write text in first row // Write text in first row // Write text in second row sprintf(buffer."%3e". // Transforma Float e grava no arquivo char buffer[15] uart_init().6. delta=0. z3. //ADPCFG = 0. uart_off(). z3.bufferclk). Lcd_Out(2. i<20 .1. p/ mandar para a uart sprintf(buffer1. // sets ADC module in 12-bit resolution mode with internal reference used while (1) { //////////////////////// deform=0.img). teste). media=0. i++) { 41 .real).txt4)."%3e". Delay_ms(2000).

bufferadc). amostras de valores media1=(((3. deform). 42 ."e = ").1. //deform=(-V/1000)/(K*Vdd) deform=((-delta*4)*1e6)/(2."Tensao Canal 0"). Lcd_Out(1."%3e".buffer1).3 Volts (media de 20 // Tensão de referência 3. Lcd_Out(2.10*3."Deform Canal 0").3*adc1)/4096)/20). } media=(((3. delta). sprintf(bufferadc. adc1=ADC1_Get_Sample(1)+adc1. Lcd_Out(2.1.adc=AD_Conversion()+adc. //deform=(-V/1000)/(K*Vdd) sprintf(bufferadc.3*adc)/4096)/20). // Media para offset LEMBRE-SE Gain=1000 // Tensão de referência 3.4.3 Volts (media de 20 ADPCFG=0xFFFF.1."V = "). Lcd_Out(2. uart_send(buffer2.11*5). Delay_ms(2000).5. // Calcula da deformacao (valor negativo = compressao) Lcd_Out(1. uart_off(). Delay_ms(2000). amostras de valores delta=media-media1."%3e".3*1000).bufferadc).1. } /////////////////////////////// uart_init(). Delay_ms(5). // deform=(-media)/(2. Lcd_Out(2.

1. Delay_ms(25). Lcd_Out(2.1.buffer1).8. break. // Clear display // Cursor off // Write text in first row // Write text in second row ADPCFG = 0xFFFF. // Store key code in kp variable // Prepare value for output.txt2). Lcd_Out(2. do { kp = 0. transform key to it's ASCII value switch (kp) { case 1: kp = 49. Lcd_Cmd(_LCD_CURSOR_OFF). Lcd_Cmd(_LCD_CLEAR). Keypad_Init(). Lcd_Chr_Cp('1'). uart_off(). uart_send(bufferclk. //seta porta A digitalmente // Reset key code variable // Wait for key to be pressed and released do{ kp = Keypad_Key_Click().txt1). // 1 case 2: kp = 50. }while (!kp)."0"). Lcd_Cmd(_LCD_MOVE_CURSOR_LEFT). Lcd_Init().uart_init(). 43 . teclado_on(). Lcd_Out(1.

// 3 case 5: kp = 52. break. break. Lcd_Cmd(_LCD_CLEAR). Lcd_Cmd(_LCD_CLEAR). Lcd_Chr_Cp('8'). break."Saindo em:"). break. break. break. // 6 case 9: kp = 55.Lcd_Chr_Cp('2'). // 7 case 10: kp = 56. Lcd_Out(1. // 9 case 13: kp = 42. break. Lcd_Out(2.txt1). Lcd_Chr_Cp('0'). Lcd_Chr_Cp('6').txt2). } } while (kp!=42). // '0' // codigos em ASCII case 15: kp = 35. // 2 case 3: kp = 51. 44 //repete enquanto kp diferente de * // Write text in first row // Write text in second row . // 5 case 7: kp = 54. } // '*' if (kp == 35) { // Se kp = # entao volta Cursor ponto Inicial i=8. Lcd_Chr_Cp('7').1. case 14: kp = 48. // 8 case 11: kp = 57. break. break. break. // 4 case 6: kp = 53. break. Lcd_Chr_Cp('5'). Lcd_Chr_Cp('9'). Lcd_Chr_Cp('4'). // '#' default: kp += 48.1. Lcd_Out(1.1. Lcd_Chr_Cp('3').

Delay_ms(150).8. i<10. // Seta A0 como Input // for (i=0. TRISA0_bit=1. } // *** Conversão Analógica Digital *** // unsigned char op[12]. i++) { //while(1) { adc_value = ADC1_Get_Sample(0). Lcd_Out(2. } teclado_off(). Lcd_Cmd(_LCD_Clear). i++) { // Move text to the right 10 times Lcd_Cmd(_LCD_SHIFT_RIGHT). 45 . unsigned int AD_Conversion(){ int i. // desacopla teclado via RA2 Lcd_Cmd(_LCD_Turn_OFF).txt8).7. for(i=0. i<10 . LATB=0xFFFF. Delay_ms(1000).txt5).txt6).txt7).Lcd_Out(2. TRISB=0. Delay_ms(1000). Lcd_Out(2. Delay_ms(1000).8. Lcd_Out(1. unsigned int adc_value=0.8.

//adc_value=((3.1.img.op).z2.3 Volts #include "complexo. z3. //LCd_Out(2.h" II. return z3.real.real = z1.op).img = z1.real = z1.real + z2. Complex z2 ) { Complex z3.//Lcd_Out(2. //FloatToStr(adc_value. //Lcd_Cmd(_LCD_CLEAR). } // Wait 2 second // Tensão de referência 3.img = z1. } Complex sub_complex( Complex z1. 46 . z3.h para Manual de como utilizar Complex add_complex( Complex z1.real .img + z2. return z3.3*adc_value)/4096).z2. Complexo // Veja Complex. z3. Delay_ms(100)."V = ").img.real. return(adc_value).5. Complex z2 ) { Complex z3.img . z3.

real) + (z2. } Complex div_complex( Complex z1. z3.img )).real * z2.real * z2. z3.img * z2.img * z2. } double arg_complex( Complex z1 ) { double arg.img * z2. arg = atan(z1.real).real * z2.real = (z1.img * z2.img)).real) .} Complex mult_complex( Complex z1.real * z2. return z3.real). return z3.real * z2.(z1. Complex z2 ) { Complex z3. mod = sqrt(( z1.img = ((z1. } double mod_complex( Complex z1 ) { double mod. Complex z2 ) { Complex z3.img*z1.real) + (z1.real) .img = (z1.real) + (z1.img)).(z1.real*z1.img). z3. } 47 .img * z2. //Argumento (angulo w) return arg.img)) / ((z2. z3.img / z1.real * z2.real = ((z1.img * z2.img) + (z1.img)) / ((z2. return mod.real) + (z2.

48 . // Definindo Porta Teclado unsigned keypadPort_Direction at TRISB. void uart_init(){ // PPS_Mapping(8. // seta port A como saída LATA2_bit= 1. RX // Sets pin 8 to be Input. and maps UART1 // PPS_Mapping(9.h" char uart_rd.III. // Sets pin 9 to be Output. _OUTPUT. _U1TX). // desacopla teclado do barramento } IV. _U1RX). and maps UART1 TX TRISA2_bit= 0. LATA2_bit= 0. _INPUT. void teclado_on() { TRISA2_bit= 0. Teclado unsigned keypadPort at PORTB. Uart // ***** UART ***** // #include "main. // acopla teclado ao barramento } void teclado_off() { TRISA2_bit= 0.

Delay_ms(50).RP8R = 0x03. TRISB9_bit=0. UART1_Write(13). do { // Endless loop 49 . } // (Necessário para estabilizar UART) void uart_send(char texto[15]. //RPOR1bits.RP3R=3.RP9R=3. LATA2_bit= 1.char texto1[15]){ ADPCFG=0xFFFF. // codigo pra enter UART1_Write_Text(texto). TRISA2_bit= 0. // (Liga Teclado e uart) RPINR18bits. //RPINR18 = 0x09. UART1_Write_Text(texto1). TRISB8_bit=1. UART1_Write_Text(" j*"). UART1_Init_Advanced(19200. _UART_ONE_STOPBIT. RPOR4bits. // Make Pin RP8 U1TX //UART1_Init(19200). _UART_8BIT_NOPARITY.U1RXR=8. UART1_Write(13).LATA2_bit=1. _UART_HI_SPEED). uart_rd=0. // Assign RX input to RPR8 (pin 17) // Assign TX output to RPR9 (pin 18) // Tx em RP3 // Make Pin RP9 U1RX //RPOR4bits. UART1_Write(13). UART1_Write_Text("Para sair Pressione <ESC>"). // Verificar funcionamento // seta port A como saída // (Liga Teclado e uart) UART1_Write_Text("**** Teste UART ****").

U1RXR=0. RPOR4bits. while(1){ LATB=0xFFFF. TRISB9_bit=0. UART1_Write(uart_rd). Delay_ms(1000). TRISB=0. } // If data is received. Delay_ms(1000). RPINR18bits. U1MODEbits. Conexões de modulo // LCD Conexoes do modulo sbit LCD_EN at LATB15_bit. } }while(uart_rd != 0x1B). } //Desabilita UART //Desassocia RPN8 com U1RX //Desassocia RPN9 com U1TX //desacopla teclado e transmissao serial /* TRISB8_bit=0. LATB=0x0000.UTXEN = 0.RP9R=0. LATA2_bit=0. // read the received data. // Enable 50 . } */ V.if (UART1_Data_Ready()) { uart_rd = UART1_Read().UARTEN=0. // and send data via UART //(lê dados enquanto nao aperta ESC) (Enter=0x0D) void uart_off(){ U1STAbits.

Complex add_complex(Complex z1. void teclado_on(void). sbit LCD_D6_Direction at TRISB12_bit. } Complex. void uart_off(void). void teclado_off(void). Complex z2). sbit LCD_D5_Direction at TRISB11_bit.h typedef struct tagComplex { double real. sbit LCD_EN_Direction at TRISB15_bit. complexo. // Register Select sbit LCD_D4 at LATB10_bit. // Definindo Porta Teclado unsigned keypadPort_Direction at TRISB. sbit LCD_RS_Direction at TRISB14_bit.sbit LCD_RS at LATB14_bit. sbit LCD_D6 at LATB12_bit. 51 . void uart_send(char texto[15]. void uart_init(void). // Fim das conexoes do modulo de LCD unsigned keypadPort at PORTB.char texto1[15]). sbit LCD_D7_Direction at TRISB13_bit. double img. sbit LCD_D4_Direction at TRISB10_bit. sbit LCD_D5 at LATB11_bit. sbit LCD_D7 at LATB13_bit. Complex z2). unsigned int AD_Conversion(void). Complex sub_complex(Complex z1.

Complex mult_complex(Complex z1. double arg_complex(Complex z1).z3 associe valores tipo z1. double mod_complex(Complex z1).z2). Complex z2).img=1. Complex z2). z2.z2. Have Fun ! */ 52 .real=1 etc chame funcoes por z3 = mult_complex(z1. Complex div_complex(Complex z1. /* Como usar: no main defina variaveis do tipo Complex z1.