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Circular Técnica

N.º: 150 C

MÊS: Outubro

ANO: 2002

ISSN (N.º)

CULTURA DA OLIVEIRA (Olea europea L.)1 Adelson Francisco de Oliveira2 Joaquim Gonçalves de Pádua2

Introdução A oliveira é uma das plantas mais antigas cultivadas pelo homem, juntamente com o trigo e a videira. Originária da bacia do mediterrâneo, foi introduzida no Brasil por imigrantes europeus por volta de 1820, e no sul de Minas Gerais a partir de 1955 por produtores locais. Nosso país é totalmente dependente da importação para abastecimento interno de Azeitonas e Óleo de Oliva, apesar dos estados do sul do Brasil apresentarem microclimas favoráveis ao cultivo da oliveira. Aspectos Agronômicos Escolha do Local: A oliveira é uma planta de clima temperado quente, necessitando de baixas temperaturas no período que antecede a floração para ocorrência de produções satisfatórias. Temperaturas de inverno (médias) entre 8 e 10ºC, não ultrapassando 21ºC, altitudes variáveis (200-1.300 m) e regime de chuvas superior a 800 mm são suficientes para produções econômicas. Prefere solos profundos, bem drenados, com pH superior a 5,5 onde produz um azeite de melhor qualidade. Fortes neblina e ocorrência de mudanças bruscas de temperaturas aumentam consideravelmente o aborto floral.

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Projeto Financiado pela FAPEMIG Pesquisadores da EPAMIG/CTSM

CT/CTSM Nº 150

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em espaçamento de 8m entre plantas e 10m entre linhas. sendo importante a adoção de práticas conservacionistas. aração e gradeação. evitando a ocorrência e aumentando a disponibilidade de água. Plantio: As mudas de oliveira podem ser plantadas em qualquer época do ano. 150 . sem prejuízos das características físicoquímicas do solo. deve ser adicionada a seguinte adubação: 20 litros de esterco de curral.80. mas preferencialmente no período chuvoso. Estas operações devem ser realizadas pelo menos com dois meses de antecedência. ou princípio de inverno. com índice de pega superior a 70%.º 03 PÁG. luz e nutrientes. 500 gr de superfosfato simples e 500 gr de fosfato natural. Aspectos Culturais Capina: A cultura deve ser mantida limpa principalmente na fase de crescimento da planta. utilizando como porta-enxerto o Ligustrum ovaliforme Hassk. pertencente a mesma família e a mesma tribo das oliveiras cultivadas.Propagação: A multiplicação da oliveira se dá por enxertia. As mudas obtidas por enxertia são formadas em 1 ano. e que seja efetuado o tutoramento da muda. nas dimensões de 0. Preparo do Solo e Abertura de Covas: O preparo do terreno é igual ao de qualquer outra fruteira. O plantio realizado no período seco necessita de irrigação até o completo pegamento da muda. Para as mudas obtidas pelo enxerto em ligustrum. com boa afinidade entre si.80 x 0. vegetal utilizado como cerca viva. Devem ser realizadas capinas no final de outono.80 x 0. é muito importante que no momento do plantio o ponto de enxertia fique 25 em baixo do nível do solo. 500 gr de calcáreo dolomítico. e produzem a partir do 4º ano de plantio. sendo que o superfosfato simples deve ser aplicado superficialmente a cova. As covas devem ser abertas considerando o nível do terreno. e sempre que se fizer necessário para manter a cultura no limpo. Na terra retirada dos primeiros 35 cm de profundidade da cova. com operações de roçada. CT/CTSM N. podendo em solos soltos e profundos serem menores.

Um ano após o plantio realizar-se nova poda. Nos quatro anos seguintes as plantas devem crescer livremente. seu crescimento concentra-se na parte superior de cada ramo. Rossi) e diversas espécies de formigas. Peru). Após este período inicia-se a poda da produção. fazer as seguinte adubação em cobertura: Fertilizante gr/pl Superfosfato simples Sulfato de amônio Cloreto de potássio Jun 300 50 Out 50 50 Nov 100 50 Dez 50 50 Jan 100 - No segundo e terceiro ano recomenda-se a seguinte adubação: Fertilizantes gr/pl Superfosfato simples Sulfato de amônio Cloreto de potássio Bórax Sulfato de zinco Calcáreo Jun 500 100 60 Out 100 50 50 50 50 Nov 100 50 Se necessário Jan 100 50 - Poda: É recomendada a poda da oliveira.Adubação: No primeiro ano após o plantio. Mosca da oliveira (Dacus oleae. Há que considerar entretanto que a oliveira frutifica em ramos do ano anterior. Tratos Fitossanitários: Principais doenças: tuberculose da oliveira (Pseudomonas savastonoi Smith). não havendo regras bem definidas.º 150 PÁG. Principais pragas – Cochonilhas (Saissetia oleae. ao mesmo tempo em que produzem frutos. 04 . a uma altura não superior a 1m. Pril). Antracnose da oliveira (Gloeasporium olivarum). com apenas limpezas. buscando orientar simetricamente a posição dos ramos formadores da estrutura da copa. CT/CTSM N. Fumagina (Cappodium elaeophilum. ainda no viveiro. e que a alternância de produção é devido ao exaurimento de nutrientes do solo e a incapacidade das plantas de formarem ramos para diferenciação floral.

quando eliminam-se as defeituosas. época em que apresentam maior percentual de óleo.º 150 PÁG. segundo as características de cada variedade. Para as condições de Maria da Fé. CT/CTSM N. 05 . Neste estado. destinada a extração de óleo e a “ASCOLANA” para produção de azeitonas de mesa. as azeitonas devem ser submetidas a uma seleção manual (maiores e menores). apresentam-se extremamente amargas. as que sofreram ataques de pragas e doenças. As destinadas a extração de azeite. pois no momento da colheita são extremamente amargas. Para a utilização das azeitonas para consumo em mesa. No ano agrícola 87/88 foram observadas produções média de 23 kg de azeitonas por planta para a “Grappolo” e 20 kg por planta para a “Ascolana”. devendo ser “adoçadas” ou “curtidas” por diferentes processos. As azeitonas destinadas a mesa devem ser colhidas manualmente evitando machucaduras. destinadas a mesa. há variedades próprias para mesa. ramos e folhas vindos do campo. e para extração de azeite de oliva. Azeitonas Verde: Logo após a colheita. após o completo desenvolvimento dos frutos. não são apropriadas ao consumo logo após a colheita. Colheita A colheita de azeitonas se dá nos meses de janeiro e fevereiro. Formigas com formicida granulado ou pó. as azeitonas podem ser destinadas ao consumo em mesa.00 lt/100 lts de água. A antracnose é facilmente controlada com pulverizações a base de fungicidas cúpricos ou orgânicos. verde ou preta. As azeitonas.Tratamento – Pulverizações com óleo mineral (triona B) na base de 2. ou a extração do óleo de oliva. Utilização das Azeitonas Como já mencionamos anteriormente. impróprias pois ao consumo. devem ser colhidas após a completa maturação. é necessário submetê-la ao tratamento de “adoçamento” ou “curtimento”.0 lts/100 lts de água mais Folidol óleo 10% 1. Estas variedades tem apresentado boas produções e com regularidade nos últimos anos. duas variedades tem se destacado: a “GRAPPOLO”. resíduos. Variedades e Produção Na cultura da oliveira. que é prejudicial ao curtimento.

quanto a equipamentos para extração do azeite de oliva. sendo necessário verificar em intervalos de 1 ou 2 horas. tornando-se adocicadas. em amostras de 3 ou 4 azeitonas. Em Maria da Fé. da parte externa para a interior dos frutos. que transformam as azeitonas em uma densa pasta.5 kgs de hidróxido de sódio para 100 litros d’água – 20 litros da solução são suficientes para o tratamento de 20 kgs de azeitonas). A lavagem é feita preferencialmente em água corrente. Prensagem e Decantação ou Centrifugação. etc. realizaram três fases distintas: Moagem. Finalmente os frutos podem ser armazenados em vasilhas apropriadas (de vidro. etc. Moagem: Colhidas.5% e para a variedade Ascolana a 0. além de evitar sempre que possível. são submetidas a moagem.º 150 PÁG. as azeitonas devem ser retiradas da solução de hidróxido de sódio. Itália.5 kgs ou 0. já com ponto de maturação adiantado. água. verifica-se uma mudança de coloração da polpa de verde claro para róseo. mantendo sua coloração e sabor.5% (1. CT/CTSM N. as azeitonas perdem totalmente o sabor amargo característico dos frutos. Submergidas nesta solução. Em seguida as azeitonas devem ser submetidas a lavagem em água limpa e de boa qualidade por um período de 15 a 20 dias. em todo procedimento de cura. plástico. quando apresentam maior teor de óleo. mãos. com aspecto úmido.). Portugal e Argentina. evoluíram sobremaneira. o contato dos frutos com o ar. Todos estes equipamentos. são acondicionadas em vasilhas de plástico onde serão submergidas em solução de hidróxido de sódio. as azeitonas. temos obtido bons resultados para a variedade Grappolo em solução a 1. Antes que a solução penetre até a semente. Recomenda-se. utensílios. em solução de cloreto de sódio (sal de cozinha) à concentração de no máximo 5%. o máximo de higiene de vasilhames. a reação da solução de hidróxido de sódio com a polpa dos frutos. Nesta condição as azeitonas podem ser armazenadas por longo período. pois estes cuidados permitem manter um melhor sabor e a coloração própria das azeitonas de mesa. ou 2/3 da polpa. auto-reguláveis. as azeitonas permanecem por um período de 5 a 10 horas. Não é recomendado realizar o “adoçamento” de mais de 20 kg de azeitonas por tratamento. 06 . ou trocando-se a água das vasilhas 2 ou mais vezes ao dia. Extração de azeite Os países grandes produtores de azeitonas. apresentado anteriormente. como a Espanha. por grandes moendas de granito. Decorrido este período. Estados Unidos.Em seguida. louça. Realizando cortes transversais com lâmina afiada. entretanto. A concentração da solução de hidróxido de sódio varia para cada local e variedade.

(1) (2) Pesquisador. e organoléticas. até 18% de rendimento. é filtrado.ufla.br Joaquim Gonçalves de Pádua EPAMIG/Fazenda Experimental de Jacuí CEP 37850-000 São Sebastião do Paraíso Tel (035) 3531-1496 . podendo atingir 700 libras/cm2. que num período de 12 a 24 horas em repouso separam-se. Tel (035)3821-6244 E-mail: ctsm@epamig. Desta prensagem. MS. mantendo suas características físico-químicas. Decantação: O óleo. MS. juntamente com a água de vegetação e mucilagens. podendo então ser armazenado. EPAMIG Fazenda Experimental de São Sebastião do Paraíso. podendo apresentar. EPAMIG/CTSM Pesquisador. dependendo dos equipamentos do estabelecimento elaiotécnico.Prensagem: Obtida a pasta de azeitonas. Recolhido em vasilhas próprias. sendo que o óleo concentra-se na parte superior dos tanques de decantação. O óleo de oliva assim obtido. resulta o óleo juntamente com água de vegetação e mucilagens que são recolhidos em tanques esmaltados. MG. o que evitam a sua fotooxidação. MG. são levados a decantadores. é chamado azeite virgem ou de primeira prensagem. consultar: Adelson Francisco de Oliveira EPAMIG/CTSM/EcoCentro CEP 37200-000 – Lavras. esta é submetida a prensagem gradativa e interminitente. de preferência em recipientes opacos. NOTA: Maiores informações.