Capítulo

O processo de convergência das tecnologias de telecomunicações e processamento de informações (via sistemas computacionais) tem promovido profundas alterações na organização do trabalho na indústria, no comércio, na prestação de serviços, nas pesquisas, na vida particular do cidadão, na saúde e na educação. Dentre os maiores representantes desse processo figuram os serviços multi-mídia, hoje presentes em dispositivos móveis e celulares, e a proliferação de serviços variados sobre a infra-estrutura de redes de computadores como a Internet. Nesses serviços, incluem-se as diversas modalidades de comunicação vocálica, agrupadas sob um dos mais conhecidos e discutidos acrónimos do mercado de comunicações atual: VoIP (Voice over IP). O acesso à informação tem se tornado cada vez mais rápido e ubíquo (no sentido de que independe de dispositivo ou localização). Em síntese, estamos falando de um processo abrangente e desencadeador de uma série de eventos sociológicos que configuram um novo modelo social conhecido como a sociedade da informação. Para que possamos entender esse processo, seus desdobramentos e consequências, é interessante observar como se deu a evolução tecnológica dos sistemas de comunicação. Em especial, é fundamental perceber como as tecnologias usadas nos sistemas telefónicos e nas redes de computadores efe-tivamente se aproximaram, rumando na direção de um ponto comum. Como será visto ao longo deste capítulo, e de todo o livro, as tecnologias de VoIP certamente ocupam um espaço importante no epicentro de todo o processo, alimentando o desenvolvimento de novas técnicas, arquiteturas e protocolos, e também sendo alimentadas por eles.

V o lP

1.1 A E V O LUÃO D O S IS T E M A T E LE F O Ç ÓN IC
De certa forma, a evolução dos sistemas de telecomunicações se confunde com a criação e evolução do sistema telefónico. Em 1844, Samuel Morse enviou sua primeira mensagem usando seu sistema de telegrafia entre Washington e Baltimore. Aproximadamente dez anos depois, a telegrafia já era disponível em vá rios países como um serviço para o público geral. Contudo, passaram-se cerca de 20 anos até que se tornasse possível, supostamente por acaso, a conversão de sinais de voz em sinais elétricos para transmissão. Em 1875, enquanto o cientista Alexander Graham Bell e seu jovem ajudante Thomas A. Watson se dedicavam a um projeto relacionado ao sistema de telegrafia e sem, a princípio, qualquer relação com o telefone, estranhamente o aparato experimental no qual trabalhavam transmitiu um som totalmente diferente do esperado. Analisando o que havia ocorrido, Bell percebeu que, devido à forma A lexan d er G ra ha m B ell com que uma parte do equipamento de re cepção 1 8 4 7 a 1 92 2 havia sido montado naquela ocasião, ele conseguira produzir uma corrente elétrica cuja variação acontecia na mesma in tensidade que o ar variava de densidade junto ao transmissor. A descoberta per mitiu que, a partir de vários refinamentos, em 14 de fevereiro de 1876, Bell sub metesse sua patente do telefone, descrevendo seu aparato como "... o aparelho para transmitir voz e outros sons (...) pelas variações da corrente elétrica, simila res às variações do ar, acompanhando cada palavra pronunciada...". Em 1877, Graham Bell fundaria a primeira companhia Bell de telefonia.

U m p o u c o d e óriat (d o B ra s il!) h is
D om P edro teve um papel significativo para ação definitiva do Invento de Bell. Em II prom o 1877 foi realizada a E xposi Centen na F ilad ção do ário, élfia, que com em o rava os anos da 100 independ ência dos Estados Unidos. Na data prevista para a ção dos traba expostos, apresenta lhos 25 de junho de 1877, um a comda qual D om Pedro ão iss II fazia parte passou a assistindo a tarde dem onstra ções. Q uando, ao final, chegaram ao local onde B ell expunha seu invento, D om Pedro, apesar da resist dos dem ais m em bros da ão, insistiu ência com iss em experim entar o aparelho. Enquanto Bell perm anecia na ponta de ão do fio, a transm iss150 m etros de dist ância, D om P edro com e a escutar nitidam ente sua voz declam ando Shakespeare: "T o be or not to çava be...". E le teria ão pronunciado as palavras que entraria m hist "M eu D eus, isto ent para a ória: fala!". A repercussdo invento ganharia ent m anche dos jornais. ão ão as tes

I n t r o dç ão u

3

Nesse ínterim, surgia a primeira organização regulatória internacional de telecomunicações, criada inicialmente para tratar questões de interoperabilidade entre os sistemas de telegrafia adotados em diferentes países. Essa organização veio posteriormente a se tornar o ITU (International Telecommunications Union). Atualmente, o setor T do ITU (Telecom standardization) é responsável pela padronização técnica e de operação de sistemas de telecomunicações, e os padrões por ele definidos são conhecidos, no jargão ITU, como Recomendações ITUT.

1 .1 .1 A s p rim eiras cen tra is te lef ón ica s
Com o crescimento da demanda por serviços de telefonia, não era mais possível ter um sistema como a invenção inicial de Bell, com linhas diretas e dedicadas entre os usuários. A solução, como veremos no Capítulo 2, foi a utilização de recursos compartilhados chaveados (ou comutados) entre as diversas conversações - por isso o uso do termo Rede Telefónica Pública Comutada (RTPC),1 usado até hoje para se referir ao sistema telefónico público em geral. Em particular, a forma de chaveamento tradicionalmente utilizada em sistemas telefónicos é conhecida como cbav eamento l comutação de circuitos, que será amplamente tratada no Capítulo 2. Por hora, basta termos a ideia de que, para haver comunicação telefónica, é necessário que se estabeleça um circuito (caminho) entre a origem e o destino durante todo o tempo da conversação. Nos primeiros sistemas telefónicos, o circuito estabelecido entre os interlocutores era feito por uma técnica conhecida como chaveamento físico manual, na qual operadores humanos, nas centrais telefónicas, recebiam pedidos de ligação (conexão) e eram encarregados de fechar fisicamente (através de cabos e conectores) os circuitos entre o chamador e o chamado, bem como liberar esse circuito após o término da conversação. Nessa época, existia uma manivela junto ao equipamento do usuário que fazia parte de um conjunto chamado magneto. Para realizar uma chamada, a pessoa girava a manivela de seu telefone, gerando uma corrente elétrica que fazia acionar um alarme na mesa operadora da central. A telefonista atendia e, ao ser informada pelo chamador sobre o destino da ligação desejada, fazia tocar a campainha no telefone desejado (usando uma manivela similar na própria mesa). Caso o telefone chamado fos' Em inglês, PSTN (Public Switched Telephone Network).

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se atendido, a telefonista poderia então completar a ligação usando um cordão condutor unindo os terminais do chamador e do destino solicitado (Sortica, 1999 e Romano, 1977). A primeira central automática eletromecânica de chaveamento foi inventa da em 1891 por Almon Strowger, dispensando os operadores humanos. Essa central possuía capacidade apenas para 56 terminais telefónicos (Sortica, 1999). Com a invenção de Strowger, os telefones passaram a não utilizar mais a antiga manivela; usuários podiam indicar diretamente o número do destinatário atra vés de um novo tipo de dispositivo de discagem.

C h a v e a d o r d e S tr o w g e r

U m d o s p r im e ir o s a p a r e lh o s t e león ic o s c o m D is c a d o r f

A escala de oferecimento do serviço telefónico também começou a crescer no início do século XX. Em 1913, Paris já contava com cerca de 93 mil telefones manuais, com as ligações atendidas por telefonistas. Em Nova York, na mesma época, já havia uma rede com cerca de 500 mil telefones, sendo que a automação do sistema se iniciaria em 1919. Em 1922 e 1925, antes mesmo de Paris e de Estocolmo, foram inauguradas no Brasil (mais precisamente em Porto Alegre), as duas primeiras centrais automáticas do país (sendo que a primeira delas foi a terceira central automática das Américas, depois apenas das de Chicago e Nova York) (Sortica, 1999).

Q u e m fo i A lm o n S tro w g e r?
A h isória c o n ta q u e o o b je tiv o d e S tro w g e r, a o in v e n ta r aátic a ,trarav li to me t c e n e l ara r-s u d a c o n c o rrc ia d e s le a l q u e h a v ia s e in s ta u ra dào aç ão v id o l-in te n c io n a d a m a ên de m a u de te le fo n is ta d e L a p o rte (In d ia n a ). S tro w g er e ra u md o mop rees u m ên a g fue r ria , e a ário e n d a c ia n á ta l te le fo n is ta e ra e s p o s a d o ário p rie tu m a fu n e r c o n c o rre n te . E la s e m p re s e p ro d e ária " e q u iv o c a v a " q u a n d o a lgo lic ita v a u m aç ão a a ra a fu n e r d e S tro wr, c o m p le ta n d o ém s u lig p ária ge a s ligç õe s p a ra a e m p re s a d o m a rid o . a

em 1960. começava a motivar a ideia de que a convergência dessas duas áreas traria benefícios incomparáveis. Uma visão mais ampla das redes telefónicas. é dada no Capítulo 4. até a ge ração de relatórios periódicos sobre o funcionamento e o desempenho geral do sistema. as primeiras centrais di gitais. Uma das primei ras formas em que essa convergência se manisfestou foi exatamente pela utiliza ção de sistemas computacionais nas centrais telefónicas. monitore. hoje é possível que um operador. Novas formas mais eficazes de gerenciamento e ferramentas para auxiliar nas tarefas corriqueiras de operação também se tor naram possíveis. rápidas e baratas. já surgiam. Arquiteturas de gerência surgiram para permitir a operação e o ge renciamento remoto da rede telefónica. Na década de Í980. Juntamente com a introdução das centrais digitais no sistema telefónico. A invenção do transistor. e sua evolução até a produção do primeiro circuito integra do (1958) produzido por Robert Noyce. as centrais telefónicas baseadas em siste mas computacionais (chamadas Centrais de Programa Armazenado . permitindo a operadores manipular fa cilmente parâmetros que alteram o funcionamento do equipamento por meio de ferramentas de software. Computadores localizados em centros de gerência e operação da rede telefónica passaram a poder receber informações e processá-las com os mais diversos propósitos.l T e le fo n ia d ig ita l Até a década de 1950. desde a emissão das cobranças aos usuários.2). ma nutenção e provisão dos serviços de telefonia. Por exemplo. A digitalização presenciada nos sistemas telefónicos. Surgida ainda na década de 1950. em paralelo aos avan ços que a tecnologia digital já estava proporcionando aos sistemas computacio nais (que serão comentados na Seção 1. além de provocar as mudanças nos sistemas computacionais. em geral. permitindo a criação de novas centrais telefónicas mais robustas.CPAs) evoluíram para oferecer uma série de vantagens em termos de operação. da forma como elas se apresentam atualmente.I n t r o dçuão . em 1948. localize falhas e até altere configurações de equipamentos em qualquer ponto da rede telefónica. nos laboratórios da Bell. visando sã olucionar problemas de fun cionamento ou simplesmente melhorar o desempenho da rede. A configuração dos equipamen tos se tornou. Em março de 1958. por três pesquisadores do la boratório da Bell. impulsionaram a indústria de telecomunicações. mais flexível. a rede telefónica era totalmente baseada em tecnologia analógica. a partir de um centro de operações localizado em algum ponto es tratégico. doze anos após o surgimento do primeiro com putador digital. exceto pelas linhas de assinantes (a última ponta de linha que chega até a residência ou esta belecimento). o sistema começou a se tornar predominantemente digital. a rede telefónica começaria a presenciar a introdução de circuitos para a transmissão de sinais digitais nas linhas entre as centrais. .

Apesar de todo o esforço de padronização envolvendo as RDSI e sua eventual adoção em algumas instân cias (aspectos dessas redes são vistos no Capítulo 4). redes de computadores também oferecem serviços e têm características que as colocam em um ponto de fronteira com a área de teleco municações. culminando com a proposição das recomendações da série para as redes públicas digitais de serviços integrados (RDSI). as diferentes características dos tráfegos gerados pelas várias fontes de informação haviam orientado anteriormente o desenvolvimento de sistemas de comunicação especificamente projetados para atender a determinados tipos de fonte. O oferecimento de novos serviços que conjugam os diversos tipos de informação se mostrou um atrativo para as opera doras de telecomunicações e para toda a indústria ligada à computação de uma forma geral.2) através de tecnologias como DQDB (Distributed Queue Dual Bus) e FDDI (Fiber Distributed Data Interface). imagem. vídeo etc. redes próprias de radiodifusão ou a cabo para rádio e televisão. áudio. as re des de comutação de pacotes para dados textuais. O resultado havia sido o surgimento e aprimoramento das várias redes es pecíficas para o transporte dos diferentes tipos de informação: o sistema telefóni co (baseado no esquema de comutação de circuitos) para o tráfego de voz. 1 . mais tar de motivaria o conceito de integração de serviços em redes digitais. Todas essas redes haviam sido claramente proje-tadas para sua aplicação específica.3 Integra de servi ção ços A digitalizacão do sistema telefónico trouxe também questionamentos. o desenvolvimento das redes de computadores pode ser considerado tanto como resultado.1). Porém. de forma a obter uma economia devido ao compartilhamento dos recursos. O conceito de integração de serviços foi explorado mais a fundo primeira mente no contexto de redes locais e metropolitanas de computadores (vide Se-ção 1. Por outro lado. po deria ser igualmente representado de forma digital sugeria que sistemas de co municação genéricos poderiam ser projetados para atender à transmissão dessas diversas mídias de maneira integrada.V o lP 1. Na verdade. mas acabou ganhando força também junto ao ITU.1.2. como também uma parte da própria evo lução que culminou na introdução da tecnologia digital e computacional nos sis- . O desafio de construir uma única rede capaz de atender a todos esses serviços. adaptando-se mal a outros tipos de serviço. tendo sido preteridas pelas redes IP (veja a Seção 1. essas redes não se tornaram o padrão de facto para integração de serviços. O fato de que todo tipo de informação. incluindo texto.2 E V O L U D A S R E D E S D E C O M P U T A D O R E S Ç ÃO O surgimento das redes de computadores pode ser considerado parte da evolu ção dos sistemas computacionais relacionado ao surgimento dos sistemas distri buídos.

foram motivadas por vários avanços em outros sistemas de comunicação. Nesse contexto. entre equipamentos internos da rede (chamados roteadores). numerados sequencialmente e cronologicamente.I n t r o d ç ão u 7 temas de telecomunicações. as redes de computadores (e toda tecnologia desenvolvida durante sua evolução) motivaram e. e s s e s e q u ip a m e n to s e ra m d e n o m in(In te s IM e s e sP a gcee s s o /s ). a ARPANET utilizava linhas diretas convencionais. em vez de fazer as ligações diretamente entre os equipamentos. ao mesmo tempo. N a re a lid a dó . Em 1979 já eram tantos os pesquisado res envolvidos no projeto que. motivando então o projeto dos protocolos TCP (Transmission Control Protocol) e IP (Internet Pro-tocol). com tecnologias específicas. criou-se o IETF (Internet Engineering Task Force). De 1950 a 1970. O aparecimento dessas redes tornou mais interessante o aproveitamento das suas infra-estruturas já instaladas para interligar os roteado res. De certa forma. surgiram várias outras redes importantes. a BITNET. para organizar e dirigir os esforços de desenvolvi mento. Porém. vários estudos foram conduzidos tendo como tema as re des de computadores geograficamente distribuídas (Wide Área Networks -WANs). portanto. ao longo das décadas de 1970 e 1980. a USENET. sendo. . a d o rfa c P M s ro Considerando então o fato de que os protocolos TCP/IP foram desenvolvi dos para aproveitar as redes existentes e interligá-las em uma grande inter-rede. Nessa reorganização. colocada em funcionamento em setembro de 1969. Em 1986. a JUNET e a FidoNet. A documentação dos trabalhos relativos ao desenvolvi mento da Internet são encontrados em relatórios denominados Requests for Comments (RFCs). um dos pilares do processo de conver gência iniciado na década de 1990. orientando sua implantação a curto e médio prazos. ou de inter-redes. foi criada a ICCB (Internet Control and Configuration Board). a história das redes de computadores pode ser considerada como um ponto de interseção entre o desenvolvimento dos sistemas computacionais e dos sistemas de telecomunicações. O primeiro resultado prático de grande impacto foi provavelmente a ARPANET. a JANET. de que trataremos no Capítulo 3. em 1985 a ARPANET viria a ser rebatizada como Internet. Inicialmente. ponto a ponto. Assim. que seria renomeada para IAB (Internet Activities Board) em 1983. Surgia então o conceito de uma tecnologia para interconexão de redes.b s m m a is taérdqeu e n o m e s c o m o "ro te a d o r" e "g a te w a y " v iria m e e e fe tiv a m e n te a s e re m u tiliz a d o s p a ra re fe re n c ia r o s e q u ip a m erio r s u tiliz a d o s n o in te n to d e u m a re d e d e c o m p u ta d o re s p a ra e n c a m in h a r p a c o te s . novos mecanismos se faziam necessários. a estrutura da IAB foi reorganizada de forma a dividir as responsabilidades de coordenação dos diversos interesses que começavam a surgir. In ic ia lm e n te . grupo responsável por coordenar e dis seminar as tecnologias a serem usadas na Internet. como a HEPNET.

tanto por parte do ITU. em especial. para ci- . interligado ao serviço de telefonia convencional. tem recebido grande atenção das concessionárias de telefonia regionais e de longa distância. a entrada definitiva de VolP no mercado corporativo e. algumas pequenas companhias já eram capazes de oferecer serviço de VolP. Não por coincidência. acirrou a corrida das tecnologias e começou a impulsionar o processo de convergência ao encontro do protocolo IP. 9 e 10). o aumento considerável nas taxas de transmissão na Internet e. quanto por parte de ambos. Mas a tecnologia de VolP evoluiu rapidamente. por volta de 1998. provedores dos mais variados tipos também oferecem. com certa qualidade. atualmente. o início da produção de equipamentos específicos para VolP (gateways. paralelamente. a preços competitivos. conjuntamente (os padrões mais importantes relacionados a VolP gerados por esses organismos são apresentados nos Capítulos 8.PCs). Os fatores supracitados permitiram.o Internet Phone (da VocalTec Communications) . Ao final daquela mesma década. dos provedores de serviços Internet. cable modem e WiFi (Wireless Fidelity). quanto por parte do IETF. desencadeando toda uma nova linha de interesses por parte dos setores ligados a telecomunicações. uma gama de serviços tradicionalmente vinculados a redes específicas passou a ser também oferecida sobre redes IP. por exemplo. por fabricantes de grande porte. o crescimento do acesso à Internet foi estrondoso. adaptadores. e de outros provedores de serviços de comunicação (como TV a cabo. O conceito de VolP tomou forma em meados da década de 1990. Devido à grande capilaridade e alcance da rede telefónica. Fluxos para distribuição de áudio e vídeo (streaming) de emissoras de rádio e TV pela Internet são lugar-comum hoje.1 O surgim ento de VolP Como decorrência do apelo em torno do nome Internet. serviços de telefonia sobre as mais diversas infra-estruturas -DSL (Digital Subscriber Line). principalmente durante as décadas de 1980 e 1990. em várias partes do mundo. telefones IP). 1. nesse mesmo período surgiam os primeiros padrões relacionados a VolP. propiciou uma melhoria abrupta na qualidade de comunicação dessa tecnologia. já no início deste milénio. e.2. naquela época a qualidade da comunicação não chegava nem próxima da qualidade padrão dos sistemas telefónicos convencionais. por exemplo). Contudo. O acesso residencial à Internet por meio de modems (moduladores/demoduladores) é um dos primeiros representantes desse fenómeno. encarando a rede telefónica analógica como uma mera intermediária para se alcançar os serviços oferecidos por uma outra rede com características bem distintas.a permitir a troca de pacotes IP transportando amostras de voz entre computadores pessoais (Personal Computers . quando surgiu o primeiro software comercial .V o lP O crescimento da Internet. A provisão de serviços de comunicação vocálica sobre redes IP (VolP).

I n t r o d ç ão u 9 tar algumas -. um serviço telefónico é aquele que o permite efetuar uma chamada e conversar durante um certo período. correio eletrônico e streaming.3 D E V O IP E T E L E F O N IA IP A SS R V I C O M U NÇ ÃO ÇO E D E IC A M U L T IM IA C O M Q O S ÍD É bastante comum. Já o termo telefonia IP tem sido empregado para se referir à aplicação de tecnologias de VoIP na transmissão e na sinalização.248 são exemplos claros disso). mantendo uma qualidade sonora suficiente para que ele e seu parceiro entendam perfeitamente as sentenças pronunciadas e reconheçam. Telefonia IP é também frequentemente mencionada como a extensão do serviço de comunicação vocálica propiciada por tecnologias de VoIP até o equipamento do usuário final e sua consequente possibilidade de integração com outros serviços típicos da Internet . o uso dos termos "VoIP" e "telefonia IP" de modo diferenciado. Talvez exista um apelo midiático e industrial em torno dessa visão de telefonia IP. Do ponto de vista do serviço. VoIP é usado geralmente para se referir às técnicas de empacotamento e transmissão de amostras de voz sobre redes IP e aos mecanismos de sinalização necessários ao estabelecimento de chamadas telefónicas nessas redes (quase todo este livro é dedicado à apresentação dessas tecnologias). por exemplo (alguns cenários de integração desses serviços com VoIP são apresentados no Capítulo 7). Por exemplo. o Skype (da Skype Technologies S. entre outros. em grande parte. 1 . Tantas alternativas tecnológicas trazem um novo panorama à provisão do serviço de telefonia tradicional. na realidade. Ainda assim. Sob esse prisma. MGCP e Megaco/H. para um usuário. mas sim tecnologias multimídia primordialmente aplicadas no contexto de serviços de comunicação vocálica (padrões como H. de certa forma evidenciada pelo fato de que as principais tecnologias de VoIP não são.redirecionamento e retenção de chamadas. a infra-estrutura utilizada não é relevante.323.) e o Push-to-Talk (da ICQ Incorporated). SIP.A. encontram-se amplamente disponíveis aplicações que possibilitam o "velho e bom" serviço de VoIP de PC para PC ao estilo do Internet Phone. por exemplo -. Por outro lado. sob a perspectiva dos usuários. como atestam o NetMeeting (da Microsoft Corporation). De qualquer modo. tecnologias dedicadas a VoIP. todas elas sobrepostas pelo IP. mas também como uma plataforma de integração de serviços. ao interesse do mercado na provisão de serviços de comunicação de voz. a telefonia IP é vista não só como capaz de esta-beJecer chamadas telefónicas e outras facilidades típicas de sistemas telefónicos convencionais . a voz um do outro. mais importante que as tecnologias em si é a percepção que esses usuários têm acerca dos serviços que lhes são oferecidos e suas características de provisão. tanto na mídia quanto na indústria.Web. é fato que essas tecnologias devem seu rápido desenvolvimento. ambos. mas sim as carac- . com o oferecimento de um serviço de qualidade similar ao da telefonia convencional.

ao contrário do ser viço de telefonia. Por exemplo. A QoS é uma característica que varia de serviço para serviço. apesar de simplificada.). ou o valor da transferência poderia ser alterado em até ordens de grandeza. a QoS associada ao serviço de telefonia descrito anteriormente tolera pequenos ruídos espaçados ao longo da conversação (pequenos ruídos de baixa intensi dade não costumam atrapalhar muito a conversação entre seres humanos -basta perceber que. Note que a descrição do serviço telefónico. a partir desse ponto.10 V olP terísticas apresentadas. Chamamos a atenção para o fato de que. Assim. os exemplos clás sicos da rede tradicional de telefonia (baseada no esquema de comutação de cir cuitos) para o serviço telefónico e das redes de comutação de pacotes para dados textuais (e aplicações do tipo transferência bancária etc. poderia causar grandes danos. em grande parte das situações. conversamos com outras pessoas na rua ou em ambientes ruidosos). podemos falar da infra-estrutura (no exemplo. Assim.1. 2 inclui aspectos tanto da operação por parte do usuário (o usuário primeiro estabelece uma chamada ou ligação. um servi ço de transferências bancárias no qual um usuário pode solicitar o crédito ou débito de um valor em uma conta.3. detalhes dos tempos máximos para que uma chamada seja completada e vários outros parâmetros de desempenho e qualidade. baseada no conceito de comutação de circuitos (de que trataremos com mais detalhes no Capítulo 2). a partir da ideia de integração de serviços. depois fala etc. foram justamente as diferen tes características de QoS que haviam orientado o desenvolvimento dos sistemas de comunicação no sentido de cada um ser especificamente projetado para aten der a um determinado tipo de serviço. a transferência bancária. suficiente apenas para fazer com que um único bit transmitido seja alterado e chegue errado ao recep tor. Um pequeno ruído.) como aspectos da qualidade do serviço (o usuário deve ouvir a voz do outro interlocu tor de forma suficientemente clara para entendê-lo e reconhecê-lo). uma função do tipo de aplicação e da mídia transmitida. por outro lado. a comunica ção vocálica).QoS). Citamos. Imagine. É claro que a infra-estrutura tradicionalmente utilizada pelas redes telefónicas. sendo. entre outros. . Porém. em ge ral. toda definição de um serviço tem aspectos operacionais e aspectos de Qualidade de Serviço (Quality of Service . já que um crédito poderia virar um débito. é um serviço altamente sensível a erros. necessitando que a rede (sistema de comunicação) utilizada trate as situações de erro de maneira a oferecer a QoS exigida. o cenário vislumbrado passa a ser diferente. Voltando ao que mencionamos na Seção 1. a rede telefó nica) como um conceito separado daquele de serviço (no exemplo. De seja-se uma única infra-estrutura para oferecer vários serviços simultaneamente 2 Uma descrição completa poderia incluir formas de tarifação. para mais ou para menos. foi propositadamente desenvolvi da para oferecer tais características.

que chega por vezes a provocar o fechamento total de todo o seu percurso. portanto. por exemplo. No meio termo estão as redes que procuram oferecer QoS e tratamento di ferenciados dependendo do tipo de veículo e da situação. A grande disseminação das fibras ópticas observada durante a década de 1990. em vez de informações trafegando em uma rede de comunicação. mas não têm a mesma urgência de um passageiro em um táxi tentando chegar ao ae roporto. Se a rede estiver congestionada. por exemplo. o IP tradicional não oferece garantia alguma sobre as características de entrega das informações e nem diferencia os fluxos de informação que estão trafegan do pela rede (por exemplo. qualquer garantia de QoS. não dão qualquer tratamento diferenciado para veículo algum correspon dem às redes de comutação de pacotes tradicionais (o IP tradicional. in formações podem demorar ou até se perder. Pessoas voltando do tra balho. Em outras palavras. da melhor forma que o estado da rede naquele momento permitir. começou a levantar novos questionamentos sobre os problemas relacionados à garantia de . indistintamente. não oferecendo. cada qual com sua QoS preservada e com o me nor desperdício possível de recursos da rede. Não seria interessante se todos os táxis que fazem o trajeto para o aero porto pudessem obter uma identificação a priori que os garantisse acesso a cami nhos mais livres. Em geral. ou a vias especiais menos congestionadas? Um exemplo onde esse tratamento diferenciado já é efetuado é no caso das ambulâncias. De imediato. Sinais de trânsito também perdem o efeito para esses veículos. Sistemas que. elas podem ser entregues com segurança e rapidez. de forma simplificada e geral. pensemos em uma analogia bastante simples. assegurando a "melhor QoS atingível" nesse sistema (às custas de um desperdício enorme dos recursos da rede viária). ao contrá rio.I n t r o dçuão 11 (a ideia de serviços multimtdia). É claro que passagei ros em diferentes veículos têm necessidades diferentes. motoristas começam a abrir caminho dando prioridade à sua passagem. garantindo o uso exclusivo das vias e. o controle da QoS nas redes de comunicação. Podemos afirmar que o IP tradicional faz o melhor esforço para entregar todas as informações. por outro lado. por exem plo). fluxos de voz são tratados exatamente da mesma forma que fluxos de arquivos de texto). Mais diferenciado ainda é o tratamento dado a celebridades ou governantes. gostariam de chegar o mais rápido possível em casa. Imagine que. temos veículos trafegando pelas ruas de uma cidade grande. os mecanismos de controle de trânsito (os sinais e os guardas de trânsito) não tomam conhecimento dessas situações e tratam todos de forma idêntica. portanto. e os guardas de trânsito contribuem para tal funcionamento. Sistemas que tra balham sempre fechando percursos inteiros (como se todos fossem celebrida des) correspondem às redes de comutação de circuitos. para entender. aliada à queda vertiginosa dos preços desse meio (resultado da economia de escala). se a rede estiver ociosa. com aumentos extraordinários nas taxas de transmissão. Ao ouvir a sirene característica.

Ambas as propostas têm sua importância no estabelecimento de um serviço de comunicação vocálica com qualidade (o serviço de "telefonia IP"). não acompanhava o passo do crescimento mundial. Como o preço das linhas havia caído muito e. tornava-se economicamente viável construir essa rede superdimensionada. o Brasil presenciaria a instalação dos primeiros telefones públicos. É como se a rede ficasse tão "livre" a ponto de tornar possível oferecer a qualidade desejada a todos que a utilizam. como presente do próprio Graham Bell ao Imperador Dom Pedro II". é como se as ruas da cidade fossem tão largas que nunca haveria problemas de tráfego. Note que a tarefa de manter a QoS tende a ser bem menos custosa quando se tem uma rede com capacidade de transmissão muito acima (ordens de magnitude acima) do tráfego a ela submetido. a capacidade havia aumentado bastante. 3 Vídeo sob demanda é um serviço no qual o usuário pode requisitar da operadora a exibição de um vídeo no momento em que lhe for mais conveniente. outras partes reconheciam que o serviço de melhor esforço. Na nossa analogia com o sistema viário. Algumas abordagens começaram então a surgir no sentido de colocar as redes baseadas no IP em posição de oferecer um suporte mais adequado à integração de serviços. Ambas serão apresentadas no Capítulo 6. a médio e longo prazo. É o que ficou conhecido ao final da década passada pelas operadoras como overprovisioning.3 telemedicina etc. de dar sustentação a uma rede de abrangência mundial. por si só. Se. poderia não ser capaz. nas décadas de 1940 e 1950. por um lado. que incluísse toda variedade de tipos de tráfegos e aplicações como telefonia. ao mesmo tempo. na Quinta da Boa Vista. quando ainda poucos países no mundo conheciam tal tecnologia. As primeiras centrais automáticas brasileiras foram instaladas em 1922. "a versão mais aceita é de que o primeiro telefone tenha sido instalado em 1877 no Palácio de São Cristóvão (hoje Museu Nacional). mesmo sem se realizar praticamente qualquer esforço adicional. vídeo sob demanda. Duas dessas propostas foram encampadas pelo IETF. Porém. parte da comunidade sustentava propostas de abandonar completamente toda e qualquer tentativa de tratamento de QoS e utilizar redes superdimensionadas. Em 1935. Segundo Sortica (1999). Dependendo do grau de controle dispo nível. avanço rápido. . 1. retrocesso etc.4 A E V O L U B R A S IL E IR A Ç ÃO O Brasil aparece entre os primeiros países do mundo a ter telefones em funcionamento. o usuário tem à sua disposição todos os controles comuns de um aparelho de videocassete como pausa.12 VolP QoS. o sistema telefónico brasileiro. bem como o sistema de telecomunicações de uma forma geral. denominadas de Modelo de Serviços Integrados (ou simplesmente IntServ) e Modelo de Serviços Diferenciados (ou DiffServ).

Em 1995. em 1965. cada uma atuando segundo seus próprios interesses. no final da década de 1960. a aprovação da Emenda Constitucional N 2 8 abriu o setor brasi leiro de telecomunicações à participação de capitais privados. havia no Brasil mais de mil empresas telefónicas. enquanto o CPqD dedicava-se à confecção do software (Alencar. Já em 1969. mesmo que esteja numa reserva indígena. A Telebrás surgiu para adquirir e absorver essas empresas. o CPqD atuou. é inaugurada Tanguá.. consolidando-as em empresas de âmbi to estadual (as 27 estatais do chamado Sistema Telebrás). no setor de centrais digitais para telefonia. 1998). como as de fabricação de fibras ópticas e de centrais tele fónicas digitais . durante a década de 1980. mas também na falta de coordenação entre as empresas. cuja principal missão era interligar o território nacional e via bilizar a comunicação internacional. que apoiou o domínio e o desenvolvimento na cional em várias áreas.I n t r o dçuão 13 O sistema brasileiro de telecomunicações iniciou os anos da década de 1960 com redes e serviços funcionando de forma bastante ruim. Três empresas ficaram responsáveis pela produção do hardware: a Promon. deverá dispor de pelo menos um telefone público". A precariedade era observada não apenas na péssima qualidade do serviço e do atendimento.) No futuro próximo.colocando o Brasil entre os poucos países do mundo a dominar tais tecnologias com produtos fabricados localmente. veio a publicação da primeira edição do PASTE (Plano de Recuperação e Ampliação do Sistema de Telecomunicações e do Sistema Postal) pelo Ministério das Co municações (Minicom). Em 1976. em conjunto com várias empresas nacionais. a primeira estação terrena de comunicações via satélite e realizada a primeira transmissão comercial de televisão via satélite: o lançamento da nave Apoio IX. a Alcatel e a SID.. segundo o próprio ministério. a Eei N 2 9. cujo propósito era planejar e coordenar o sis tema de telecomunicações em âmbito nacional. Em 1972 foi criada a Telebrás. os serviços de Transporte de Si nais de Telecomunicações por Satélites e a utilização da rede pública de teleco- . Em especial. já que. a Telebrás criou seu CPqD (Centro de Pesquisa de Desenvolvi mento em Telecomunicações). foi criada a Empresa Brasileira de Telecomuni cações (Embratel). para produzir uma família de centrais públicas completamente nacionais: as centrais Trópico. pequenas e de médio porte. Em um esforço para tirar o país dessa situação. em agosto de 1962 foi promulgado o Código Brasileiro de Telecomunicações e. toda localidade com mais de 100 habitan tes. Aprovada em 1996. seria "um modelo em que o foco principal está centrado nas necessidades e direitos do cidadão (. ou Lei Mínima. como ficou conhecida na época. Nesse mesmo ano. organizou os serviços Móvel Celular.295. Em seguida. a Embratel passaria a exercer o controle sobre todos os equipamentos e a operação das telecomunicações inte restaduais e internacionais do país. Começou então a ser definido um novo modelo para o desenvolvimento do setor de telecomunicações brasileiro que.

o usuário pas sou a ter a possibilidade de escolher a prestadora de serviço a cada chamada de longa distância. que definiu as obrigações das empresas concessionárias do serviço de telefonia fixa. aprovada pelo Congresso Na cional em 16 de julho de 1997. A alternativa colocou as empresas em clima de concorrência permanente. fixou o número de operadoras desse serviço para cada uma dessas re giões e estabeleceu os prazos de vigência de contratos e de admissão de novas prestadoras de serviços de telecomunicações. Com a Lei Míni ma. l O Plano Geral de Outorgas (PGO). no início de julho de 1999. depois. Esse conjunto de metas. Em termos de competição direta. tarifas e preços passam a ser . pensada para. Seguiu-se então a produção de uma série de documentos. é de cumprimento obrigatório pelas ope radoras e foi aprovado pelo Conselho Diretor da ANATEL. com qualidade. que di vidiu o Brasil em quatro regiões para a exploração do serviço de telefonia fixa. tal como ocorre com o PGMU. em sua área de operação. em um cenário no qual qualidade. outorgar e fiscalizar as empresas do setor. Em julho de 1998. independente de sua localização geográfica ou condição económica. i O Plano Geral de Metas de Qualidade (PGMQ). em regime público ou privado. Com o modelo adotado. quantidade e diversida de adequadas e preços justos. desenvolver os trabalhos permanentes e abrangentes de regulamentar. nacional e in ternacional.14 V o lP municações para a prestação de Serviços de Valor Adicionado. em uma primeira etapa. por meio da Resolução N^ 30. as 27 operadoras do sistema Telebrás já haviam sido privatizadas. de 29 de junho de 1998. Em síntese. estava montada também a estrutura para se colocar à venda as autorizações para exploração da Banda B da telefonia celular por empresas nacionais e es trangeiras. a PGMU pode ser entendida como "a obrigação de cada concessio nária de telefonia fixa em oferecer. tendo sempre como referência pri meira as necessidades e os interesses do usuário. no que tange às exigências para universalização (popularização) dos serviços. na zona rural ou em pequenas localidades e áreas de urbanização precária". que estabelece as metas de qualidade a serem cumpridas pelas prestadoras de serviço de telefonia fixa. dentre os quais ressaltamos: l A Lei Geral das Telecomunicações (LGT). acesso a qualquer pessoa aos seus serviços. que autorizou a privatização do Sistema Telebrás e criou a Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL). l O Plano Geral de Metas de Universalização (PGMU). viabilizar as privatizações e. em vigor desde abril de 1998. outro fato importante foi a introdu ção da concorrência no segmento de chamadas de longa distância.

resolveu inter vir também na questão. tendo como principal objetivo integrar os esforços institucionais na área de redes de computadores e gerar um "know-how" de âmbito nacional nessa área de conhecimento. consideran do a importância da informática na implantação da nova rede. de modo a assegurar a sua plena participação nas decisões que afetam a implantação de uma in fra-estrutura de redes para aplicações de ensino e pesquisa. Desde então. pela sua maior flexibilidade e potencial para redução de custos. pelo decreto 301. desde 1970. em julho de 1980. O LARC. tem também re presentado as instituições membros (basicamente centros de pesquisa e univer sidades) junto a instâncias governamentais e privadas. Nessa época. foi criado o LARC (Laboratório Nacional de Redes de Computadores). a teleinformática era obje. mas somente em abril de 1975. essas reco mendações foram marcadas sobretudo pela preocupação de assegurar o con trole permanente do estado sobre o setor e de apoiar a indústria nacional (Be nakouche. Paralelamente. Em janeiro de 1979. em reunião ocorrida em João Pessoa. no Brasil.1 A E v ç ão d a s r e d e s d e c o m p u ta d o re s n o B ra s il o lu Segundo (Benakouche. o LARC. também em conjunto com a SBC.to de discussão. Os trabalhos dessa comissão. regulamentando seu funcionamento. um dos simpósios mais respeitados e procurados do país.4 . . Esse relatório fazia uma síntese da situação e uma série de recomendações com vistas ao desenvolvimento do setor da teleinfor mática no país. a então Secretaria Especial de Informática (SEI). o LARC tem participado ativamente das discussões e do processo de articulação para viabilizar os avanços na área de redes de computadores. 1995).I n t r o d ç ão u 15 atrativos fundamentais na conquista do assinante. dos quais apenas dois pertenciam ao Minicom. o Minicom decidiu reafirmar e explicitar suas intenções a respeito da questão. a Empresa Brasileira de Telecomunicações (Embratel) recebeu a incumbência de instalar e explorar uma rede nacional de transmissão de dados. 1995). constituída por 13 mem bros. a Comissão Especial n214/Teleinformática. recor rendo novamente à edição de um decreto que reafirmou a concessão do serviço à Embratel. criando. Em conformidade com a orientação geral da SEI. o uso de tecnologias de VoIP internamente na infra-estrutura tem sido considerado como vantagem competitiva. vem organizando o Simpósio Brasi leiro de Redes de Computadores (SBRC). a comunidade académica também procurava se organizar no sentido de contribuir no desenvolvimento do setor. Nesse contexto. Em 13 de dezembro de 1979. Desde 1985. em conjunto com a SBC (Sociedade Brasileira de Computação). desenvolveram-se entre julho e setembro de 1980 e foram concluídos com a redação de um relatório publicado pela SEI em 1981. 1 .

to de discussão. dos quais apenas dois pertenciam ao Minicom. foi criado o LARC (Laboratório Nacional de Redes de Computadores). Em 13 de dezembro de 1979. Nessa época. de modo a assegurar a sua plena participação nas decisões que afetam a implantação de uma in fra-estrutura de redes para aplicações de ensino e pesquisa.4 . em conjunto com a SBC (Sociedade Brasileira de Computação). no Brasil. criando.1 A E v o lu d a s re d e s d e c o m p u ta d o re s n o B ra s il ç ão Segundo (Benakouche. Em janeiro de 1979. . em julho de 1980. 1995). mas somente em abril de 1975. 1995). a então Secretaria Especial de Informática (SEI). desenvolveram-se entre julho e setembro de 1980 e foram concluídos com a redação de um relatório publicado pela SEI em 1981. tem também re presentado as instituições membros (basicamente centros de pesquisa e univer sidades) junto a instâncias governamentais e privadas. um dos simpósios mais respeitados e procurados do país. essas reco mendações foram marcadas sobretudo pela preocupação de assegurar o con trole permanente do estado sobre o setor e de apoiar a indústria nacional (Be nakouche. o uso de tecnologias de VoIP internamente na infra-estrutura tem sido considerado como vantagem competitiva. consideran do a importância da informática na implantação da nova rede. Desde 1985. 1 . pela sua maior flexibilidade e potencial para redução de custos. constituída por 13 mem bros. tendo como principal objetivo integrar os esforços institucionais na área de redes de computadores e gerar um "know-how" de âmbito nacional nessa área de conhecimento. resolveu inter vir também na questão. recor rendo novamente à edição de um decreto que reafirmou a concessão do serviço à Embratel. Em conformidade com a orientação geral da SEI.I n t r o dçuão 15 atrativos fundamentais na conquista do assinante. Nesse contexto. a Empresa Brasileira de Telecomunicações (Embratel) recebeu a incumbência de instalar e explorar uma rede nacional de transmissão de dados. a Comissão Especial n214/Teleinformática. também em conjunto com a SBC. Desde então. O LARC. o LARC tem participado ativamente das discussões e do processo de articulação para viabilizar os avanços na área de redes de computadores. o Minicom decidiu reafirmar e explicitar suas intenções a respeito da questão. a teleinformática era obje. vem organizando o Simpósio Brasi leiro de Redes de Computadores (SBRC). desde 1970. pelo decreto 301. regulamentando seu funcionamento. o LARC. Paralelamente. em reunião ocorrida em João Pessoa. Os trabalhos dessa comissão. a comunidade académica também procurava se organizar no sentido de contribuir no desenvolvimento do setor. Esse relatório fazia uma síntese da situação e uma série de recomendações com vistas ao desenvolvimento do setor da teleinfor mática no país.

4 consegue acesso à rede BITNET através de uma cone xão de 9. Em 1992. Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. a in tenção de investir e promover o desenvolvimento da Internet no país. resultado de uma iniciativa que envolvia. onde iniciativas com plementares deveriam ser estimuladas. A criação 4 5 O LNCC se localiza atualmente na cidade de Petrópolis. através da ligação com a CERFNET. a comunidade académica (representada pelo LARC e seus partici pantes) apresentou o anteprojeto para a criação da Rede Nacional de Pesquisa (RNP). Paralelamente à iniciativa da RNP. com o apoio do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvi mento Científico e Tecnológico). usando enlaces de 64 Kbps dentro da cidade do Rio.16 V olP A Inte rne t no B ra sil Os primórdios da Internet no Brasil datam da década de 1980. Foi o primeiro serviço internacional de correio e conferências eletrônico do país operado por uma en tidade privada (já utilizando o sistema básico que depois comportaria sua inte gração à Internet). e pelo economis ta Carlos Alberto Afonso. Em 1988. Califórnia. Estados Unidos. por meio de uma conexão de 4. na época localizado na cidade do Rio de Janeiro. Estados Unidos. o Betinho. dotada de personalidade jurídica de direito privado. além do próprio CNPq. Em novembro do mesmo ano. a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) também liga-se à BITNET e à HEPNET. A Rede Rio inovou. fundado em 1981 pelo sociólogo Herbert de Souza. a FAPESP. é uma fundação de fomento à pesquisa. região serrana do Estado do Rio. o IBASE (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Económicas). cujo objetivo era interligar instituições de ensino e pesquisa do Estado do Rio de Janeiro. a RNP já havia implantado uma rede de abrangência nacional in terligando pontos de presença (Points Of Presence . vinculada ao MCT (Ministério da Ciência e Tecnologia).POPs) em 11 capitais brasi leiras. outros projetos de abrangência esta dual também foram desenvolvidos. o La boratório Nacional de Computação Científica (LNCC).600 bps estabelecida com a Universidade de Maryland. Um deles foi a Rede Rio. através do MCT e do Minicom. Em 1994. Em 1989. Em 1989. coloca em operação oAlternex. o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT). não se envolvendo nos Estados.800 bps com o Fermi National Accelerator Laboratory (FermiLAB). o governo brasileiro divulga. a Finep (Financiadora de Estudos e Projetos). O objetivo da RNP era desenvolver uma infra-estrutura de rede no âmbito federal (interes tadual) e internacional. a FAPERJ (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro) e a FAPERGS (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul). em Chi cago. . O CNPq. no Centro de Computação de San Diego. Em 1988. e tinha acesso à NSFNET. 5 foi criada a RNP.

A Internet brasileira cresceu ver tiginosamente nos anos que se seguiram. Seu enlace in ternacional era então de 256 Kbps. telemedicina. Ao final de 1999. Ainda em 1998. Em meados de 1994. Em 17 de outubro de 1998. além de coletar. através de 3. centros de pesquisa e organismos governamentais. organização não-governamental que passou a operar o backbone RNP2. tanto em número de usuários quanto de provedores e de serviços prestados através da rede. Em 1995. a RNP foi transformada em Associação Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (AsRNP). O Comité Gestor teria ainda como atribuições principais: fomentar o desenvolvimento de serviços da Inter net no Brasil. Como resultado. e é criado o Comité Gestor da Internet no Brasil (CGI-BR).300 computadores dispersos por mais de 400 instituições no país. Todos esses avanços alcançados na infra-estrutura da Internet brasileira também motivaram a introdução de novas aplicações no âmbito da convergên cia das infra-estruturas e serviços de telecomunicações. A RNP entraria com a experiência adquirida com a Internet académica e com a infra-estrutura básica (uma rede nacional de alta ve locidade) para a instalação da Internet comercial. o MCT e o MEC assinaram. boa parte delas universidades. O convénio ficou conhecido como Pro grama Interministerial de Implantação e Manutenção da Rede Nacional para Ensino e Pesquisa. em outubro de 1999. na qual analisava a situação da Internet no Brasil e sugeria soluções para a modernização da infra-estrutura existente. com o obje-tivo de traçar os rumos da implantação. em parte. o Conselho Técnico Científico do LARC elabo rou a Carta de Florianópolis. da administração e do uso da Internet no país. recomendar padrões e procedimentos técnicos e operacionais. entre outros. o acesso à Internet via Embratel começa a funcionar de modo de finitivo.I n t r o dçuão 17 da estrutura necessária para a exploração comercial da Internet ficaria a cargo da Embratel e da RNP. escolhendo cinco mil usuários para o teste piloto. a RNP divulgou os nomes dos quatorze primeiros consórcios que seriam contemplados com equipamentos e financiamento para executar projetos para a versão brasileira da Internet. repre sentantes de provedores e prestadores de serviços ligados à Internet e represen tantes de usuários e da comunidade académica. organizar e disseminar informações sobre os serviços da Internet. As instituições localizadas em várias regiões do país ficaram responsáveis por desenvolver projetos que envolviam educação à dis tância. em parte pela melhoria nos serviços prestados pela Embratel e. Participariam do Comité Gestor membros do Minicom e do MCT. teleconferência. vídeo sob demanda. O grande crescimento da Internet no Brasil aconteceu ao longo do ano de 1996. um acordo desti nando verbas para a implantação do backbone RNP2 a fim de conectar todo o Brasil em uma rede de alta tecnologia. Ainda em 1999. iniciando seu serviço de acesso à Internet em caráter experimental. pelo próprio crescimento natural do mercado. A Embratel lança então o Ser viço Internet Comercial. foi en- . a RNP conectava cerca de 30 mil usuários (educadores e pesquisadores em sua maioria).

Esses serviços contêm restrições. Contudo. algumas barreiras legais. que recebeu da ANATEL a seguinte definição: Uma proposta para integrar os sistemas de telecomunicações dos pode res Executivo. Contudo. texto. definidos de forma regulamenta da no Brasil. Nesse sentido. sim. a AsRNP foi transfor mada em uma Organização Social (OS). 1. da tecnologia de VolP. estaduais e fe deral.18 VolP tregue ao executivo um projeto. ao mesmo tempo em que coloca à disposição da sociedade um instrumento para busca de informações e participação da cidadania nas discussões que envolvem os destinos do país (PASTE. serviços de VolP se enquadram. nas esferas municipais. denominado de Br@sil. A Infovia deve ser estendida a todo o terri tório nacional. a falta de regulamentação completa pode também obstruir a implantação.4. em larga escala. elaborado pelo Comité Sobre a Infra-estrutura Nacional de Informações (C-INI) e aprovado pela ANATEL. atualmente. Legislativo e Judiciário. como Serviços de Comunica ção Multtmtàïa (SCM). na terminologia dessa agência. e a principal àelas è o . com o concurso de Pontos Eletrônicos de Presença (Points of Presence POPs). Se gundo a visão da ANATEL. há a possibilidade de adoção de um paradigma semelhante ao da Europa. a adoção de serviços de VolP ainda não chegou a um patamar de influência e representatividade no mercado nacional que justifique a necessidade de regulação dos mesmos. conectada à Internet e com capacidade para transmis são de voz. a AsRNP ganhou maior autonomia administrativa para executar suas tarefas e o poder público ga nhou meios de controle mais eficazes para avaliar e cobrar o cumprimento dos objetivos traçados para a organização. A partir desse ato.gov. 2000). promovendo a convergência de suas redes de telecomunicações numa Infovia bidirecional. principalmente nas menores e mais remotas localidades. A regulamentação para serviços de voz imposta pela ANATEL não especifica a tecnologia usada. embora. Embora ainda não encontre regulamentação específica. No dia 9 de janeiro de 2002. por decreto presidencial. O programa abre fronteiras para a telemedicina e para a teleducação. esse paradigma de regulação poderá ser alterado em razão dos novos modelos de comunicação impostos pela integração de serviços. em que serviços de VolP seriam classificados como serviços de telefonia tradicional (STFCs). a prestação de servi ços de VolP encontra. esses ser viços sejam denominados Serviços Telefónicos Fixos Comutados (STFCs).2 A regulamentação de serviços de VolP no Brasil Serviços de VolP per se não estão. o que sugeriria o uso de infra-estrutura de comutação de circuitos. imagens e sons. na terminologia da ANATEL. Atualmente.

em larga escala. O programa abre fronteiras para a telemedicina e para a teleducação. esse paradigma de regulação poderá ser alterado em razão dos novos modelos de comunicação impostos pela integração de serviços. sim. Nesse sentido. a falta de regulamentação completa pode também obstruir a implantação. Embora ainda não encontre regulamentação específica. a prestação de servi ços de VolP encontra. embora.4 . na terminologia da ANATEL. Contudo. e a principal delas é o . nas esferas municipais. estaduais e fe deral. como Serviços de Comunica ção Multimídia (SCM). denominado de Br@sil. A regulamentação para serviços de voz imposta pela ANATEL não especifica a tecnologia usada. Se gundo a visão da ANATEL. por decreto presidencial. atualmente. 1 .2 A re g u la m e n tad e s e rv i s d e V o lP n o B ra s il ç ão ço Serviços de VolP per se não estão. principalmente nas menores e mais remotas localidades. que recebeu da ANATEL a seguinte definição: Uma proposta para integrar os sistemas de telecomunicações dos pode res Executivo. 2000). Atualmente. na terminologia dessa agência. algumas barreiras legais. a adoção de serviços de VolP ainda não chegou a um patamar de influência e representatividade no mercado nacional que justifique a necessidade de regulação dos mesmos. da tecnologia de VolP. elaborado pelo Comité Sobre a Infra-estrutura Nacional de Informações (C-INI) e aprovado pela ANATEL. o que sugeriria o uso de infra-estrutura de comutação de circuitos. há a possibilidade de adoção de um paradigma semelhante ao da Europa. a AsRNP ganhou maior autonomia administrativa para executar suas tarefas e o poder público ga nhou meios de controle mais eficazes para avaliar e cobrar o cumprimento dos objetivos traçados para a organização. Contudo. A Infovia deve ser estendida a todo o terri tório nacional. conectada à Internet e com capacidade para transmis são de voz.18 V olP tregue ao executivo um projeto. A partir desse ato. Legislativo e Judiciário. promovendo a convergência de suas redes de telecomunicações numa Infovia bidirecional. Esses serviços contêm restrições. ao mesmo tempo em que coloca à disposição da sociedade um instrumento para busca de informações e participação da cidadania nas discussões que envolvem os destinos do país (PASTE. serviços de VolP se enquadram. com o concurso de Pontos Eletrônicos de Presença (Points of Presence POPs).gov. a AsRNP foi transfor mada em uma Organização Social (OS). em que serviços de VolP seriam classificados como serviços de telefonia tradicional (STFCs). definidos de forma regulamenta da no Brasil. texto. esses ser viços sejam denominados Serviços Telefónicos Fixos Comutados (STFCs). No dia 9 de janeiro de 2002. imagens e sons.

mas ainda limita consideravelmente o escopo de oferecimento de serviços VoIP ao público em geral. . o que dá margem à redução de custos no mercado corporativo. Isso permite. a oferta de serviços de VoIP no âmbito de uma rede privada e apenas com uma das pontas na rede telefónica pública.I n t r o dçuão 19 impedimento de uma instância de uso desse serviço iniciar e terminar simulta neamente chamadas telefónicas na rede telefónica pública. essen cialmente.

um microcomputador.1 R E D E S D E C O M U N IC A Ç ÃO De uma forma geral. . uma rede de comunicação é formada por um conjunto de módulos processadores (MPs)1 capazes de trocar informações e compartilhar recursos. e a área de telecomunicações. um telefone. 2 . O sistema de comunicação vai se constituir de um arranjo topológico interligando os vários módulos processadores através de enlaces físicos (meios de transmissão) e de um conjunto de regras com o fim de organizar a comunicação (protocolos).1. um terminal video texto etc. um computador de grande porte. Poderíamos citar. interligados por um sistema de comunicação.A comunicação é o resultado do ato de se transmitir informações. 1 A definição de módulos processadores se refere a qualquer dispositivo capaz de se comunicar através do sistema de comunicação. uma máquina copiadora. conforme ilustrado na Figura 2. O objetivo deste capítulo é fornecer um embasamento sobre as principais características dos sistemas de telecomunicações. por sua vez. por exemplo. tem como objetivo expandir os limites das comunicações para permitir a transmissão de sinais a distâncias maiores do que aquelas que se poderia alcançar sem o auxílio de aparatos tecnológicos.

por vezes.LANs) surgiram para viabilizar a tro ca e o compartilhamento de informações e dispositivos periféricos (recursos de Hardware e software). responsabilidade da própria instituição.WANs) são redes cuja abrangência alcança as dimensões de um país. em geral. costuma-se considerar "região pequena" distâncias entre poucos metros e 25 Km. mas de redes metropolitanas (Metropolitan Área Networks . empresa ou organização dona da rede. tais redes são em geral públicas. são administradas e opera das por concessionárias locais de uma região. e sua administração e operação é. Uma rede metropolita na apresenta. principalmente no que diz respeito às dis tâncias envolvidas. tal definição é bastante vaga. Em geral. sendo que as MANs. chamado sub-rede de . Atualmen. chamamos esses sistemas não mais de redes locais. De forma bastante imprecisa. cobrem distâncias maiores do que as LANs. Dessa forma.1 ç ão . De fato. que vendem seus serviços ao público em geral.te. cabos de longa distância e submarinos). Em geral. pode-se caracteri zar uma rede local como sendo uma rede que permite a interconexão de MPs em uma região relativamente pequena.MANs). muito embora as limitações associadas às técnicas utilizadas em redes locais não imponham tais limites a es sas distâncias.22 V olP F ig u ra 2R e d e d e c o m u n ic a . é comum também encontrarmos redes metropolitanas que utilizam tecnolo-gias semelhantes às das redes geograficamente distribuídas. As redes locais (Local Área Networks . preservando a independência dos MPs e permitindo a in tegração em ambientes de trabalho cooperativo. nos dias de hoje. o sistema de comunicação. Já as redes geograficamente distribuídas (Wide Área Networks . em geral. Quando a distância de ligação entre os vários MPs começa a atingir distâncias metropolitanas. características semelhantes às das redes locais. redes metropolitanas são redes cujo porte está entre o das redes locais e o das redes geograficamente distribuídas. enlaces de microondas. cidade ou estado. Por terem um custo de comunicação bastante elevado (circuitos para sa télites. isto é. ou mesmo do mundo inteiro.

2 . dentre eles a abrangência da rede em questão. todas as estações são interligadas duas a duas entre si através de um caminho físico dedicado. Em uma rede com N estações. tornando tal topo logia economicamente inviável. Embora essa topologia apresente maior grau de paralelismo de comunicação. de forma a permitir a comunicação ple na e simultânea entre quaisquer pares de estações.Princípios de Comunicação 23 comunicação. Considerando as limitações de velocidade e confiabilidade. naturalmente. é mantido. gerenciado.2. Nessa topologia. contudo. operado e de propriedade de grandes concessionárias (públicas ou privadas). seriam ne cessárias N(N-l)/2 ligações ponto a ponto para que se pudessem conectar to dos os pares de estações através de linhas dedicadas. que irá variar de acordo com uma série de parâme tros. Os enlaces utilizados poderiam ser ponto a ponto. como a apresentada na Figura 2. 2 . em termos de instalação de cabos e de hardware específico para comu nicação. ela se torna quase sem pre impraticável. para a conexão de MPs em rede se ria em uma topologia totalmente ligada. Dessa forma. o custo do sistema.para um aumento tanto de confiabilidade quanto de desempenho -sem. confrontamo-nos com diversas formas possíveis de utilização das linhas de transmissão e organização de topologia.1 T o p o lo g ia p a ra re d e s g e o g ra fic a m e na s d is trib u íd te Uma primeira tentativa. por exemplo. somos levados. Ao constituir os enlaces físicos em um sistema de comunicação. bastante intuitiva. cresceria com o quadrado do número de estações. principalmente em redes com grande número de estações e fisicamente dispersas.1 . chegar ao grau de redundância presente na topologia completa- F ig u ra 2T o p o lo g ia to ta lm e n te . à busca de uma topologia que contenha alguns caminhos redun dantes . com comunicação bidirecional.

a comutação de mensagens e a comutação de pacotes. cada enlace entre estações pode ser compartilhado. . Vemos assim que. Em outras palavras. todas tratadas na Seção 2. A topologia intermediária. mas caminhos alternativos existem e podem ser utilizados em casos de falhas ou congestionamentos em determinadas rotas. de forma que uma mensagem pode passar por vários sistemas intermediários até chegar ao seu destino final. Esse endereça mento é a forma de identificar univocamente cada uma das estações conecta- .3 No caso em que estações sem conexão física direta desejem se comunicar. O F ig u r a 2T o p o lo g ia p a rc ia lm e n te lig a d a . é a topologia parcialmente ligada. Em qualquer topologia em que se tem a presença de elementos intermediá rios.3. Na topologia em grafo parcialmente ligado. O pro cesso de utilização e liberação. encaminhar as suas mensagens para alguma ou tra estação que possa fazer a entrega da mensagem para a estação de destino.3. o módulo processador (MP) deve ser capaz de reconhecer se uma infor mação deve ser passada adiante. também denominada topologia em grafo. Esse processo pode se repetir várias vezes. por diferentes conversações. ao longo do tempo. de alguma forma. nem todas as ligações entre pa res de estações estão presentes. ou se ele próprio é o destinatário. em momentos diferentes. como ilustra a Figura 2. na topologia parcialmente ligada.24 VolP mente ligada. Existem três for mas básicas de comutação: a comutação de circuitos. em qualquer rede com topologia diferente da totalmente ligada tem-se a necessidade de definir mecanismos de endereçamento que permitam aos MPs decidir que atitude tomar ao receber uma informação. cujas restrições já foram apresentadas. desses enlaces pode ser feito de várias formas. denominadas comutação ou chaveamento. elas deverão. utilizada pela maioria das redes geograficamente distribuídas.

esse esquema de endereçamento é conhecido como plano de numeração. dependendo do tipo específico de tecnologia utilizada e do órgão de padronização que a especifica. 2 Os equipamentos terminais dos usuários em uma rede de comutação de pacotes têm recebido diferentes denominações. o endereço dos nós de origem e destino são necessários apenas durante a fase de estabelecimento da conexão. No caso da rede telefónica. A denominação ETD ou DTE é a normalmente utilizada pelo ITU.). a denominação DCE e DSE é oriunda do ITU. A topologia final normalmente utilizada em redes geograficamente distribuídas pode ser visualizada na Figura 2. No caso de ser estabelecida uma conexão entre dois nós da rede antes da troca de qualquer informação.2 T o p o lo g ia p a ra re d e s lo c a is e m e tro p o lita n a s As características geográficas das redes locais e metropolitanas levam a considerações de custo e tecnologia bastante diferentes das redes de longa distância. sendo denominados nós de comutação ou comutadores (Data Switching Equipments . Podem ser utilizadas topologias muitas vezes inviáveis em ambientes geograficamente distribuídos.DCEs). .DSEs). é o que usualmente chamamos de sub-rede de comunicação.1 . Isso levou à introdução de sistemas externos ao equipamento dos usuários. Essas sub-redes são.4. De forma análoga. juntamente com os nós de comutação e as regras de comunicação que executam. Examinaremos a seguir as topologias mais utilizadas nessas redes: estrela. possível decisão de encaminhamento etc. na sua grande maioria. operadas por empresas especializadas no fornecimento de serviços de comunicação.Princípios de Comunicação 25 das à rede. Em redes geograficamente distribuídas. processamento. por exemplo. caso não haja estabelecimento de conexão.2 O arranjo topológico formado pêlos DCEs. Por outro lado. o IETF costuma denominar os equipamentos intermediários de roteadores ou gateways. anel e barra. há um grande volume de tarefas a ser realizado por cada equipamento para o tratamento das informações recebidas (armazenamento. 2 . O IETF costuma denominar esses equipamentos simplesmente de estações do usuário ou hosts. Equipamentos para concentrar o tráfego interno e funcionar como pontos intermediários de restauração dos sinais no interior da rede também são comumente encontrados em redes geograficamente distribuídas. São os Equipamentos de Comunicação de Dados (ou Data Communicating Equipments . cada unidade de dados deve carregar o endereço do nó de destino e de origem. responsáveis pela realização dessas várias tarefas.

Já no caso de chavea mento de circuitos. Nesse tipo de to pologia. No primeiro caso. trib u . e o custo de um novo PABX pode ser justificado apenas pelas novas vantagens do serviço te lefónico melhorado. uma vez que concen tram todas as mensagens no nó central. interligando os demais nós (escravos). de forma a incorporar algum poder computa cional para suporte a linhas de dados. . o nó central. O gerenciamento das comunicações por esse nó pode ser feito por chaveamento de pacotes ou chaveamento de circuitos.26 DSEs V o lP DSEs Fronteira da sub-rede de Comunicaão ç F ig u r a 2R e d e g e o g ra fic a m e n te íd a . Grandes esforços foram empregados no sentido de acres centar novas funções ao PABX. baseado em informações recebidas. além de melhorar as funções de chavea mento de ligações telefónicas às quais eram primeiramente dedicados.4 d is T o po lo gia e m e stre la Uma rede com topologia em estrela é ilustrada na Figura 2. Tal nó age. As vantagens desse procedimento são óbvias: os equipamentos de dados pode rão usar os mesmos cabos e dutos oferecidos aos telefones. O termo PABX (Private Automatic Branch Exchange) é comumente utilizado para se referir a um tipo de CPCT que se liga ao Serviço Telefónico Fixo Comutado (STFC). conexão essa que existirá durante toda a conversação. estabelece uma conexão entre o nó de origem e o nó de destino. pacotes são enviados do nó de origem para o nó central que o retransmite então ao nó de destino no momento apropriado. como centro de controle da rede. assim. Redes em estrela não têm necessidade de roteamento. cada nó é interligado a um nó central (mestre). através do qual todas as mensagens devem passar. As CPCTs (Centrais Privadas de Comutação Telefó nica) são exemplos de redes em estrela baseadas em chaveamento de circuitos.5.

5 T o p o lo g ia e m a n e l Uma rede em anel consiste em estações conectadas através de um caminho fe chado. Inicialmente.Princípios de Comunicação 27 F ig u ra 2T o p o lo g ia e m e s tre la . como ilustrado na Figura 2. sendo cada estação ligada a esses re petidores.7. . mas consiste em uma série de repetidores ligados por um meio físico. . conforme apresenta a Figura 2. Foram propostas várias melhorias na topologia em anel.6 . Uma das principais foi a introdução de concentradores. esses concentradores eram apenas elementos passiInterface do anel F ig u r a 2T o p o lo g ia e m a n e l. também denominados hubs.6. Um anel não interliga as estações diretamente.

acionado externamente. cada nó conectado pode "ouvir" todas as informações transmitidas.8). Sem o concentrador. ou switches. O isolamento de falhas se torna mais simples porque existe um ponto de acesso central para o sinal. eles passaram a ser utilizados como concentradores dos repetidores do anel (concentradores ativos). O uso de concentradores tem várias vantagens.7 vos que permitiam a concentração de todo o cabeamento utilizado e possuíam um mecanismo de relês que. Outra vantagem do concentrador é a possibilidade de adição de novas estações sem a parada total da rede. a localização da falha requer uma busca através de todo o anel. Mais tarde. similar às transmissões de radiodifusão. permitia o isolamento de estações em falha. quando um repetidor ou um enlace falha. Nas redes em barra. Essa característica vai facilitar as aplicações com mensagens do tipo difusão (mensagens globais). cada enlace físico de transmissão conecta apenas dois dispositivos). . Ao contrário das outras to-pologias que discutimos até aqui.28 VolP F ig u ra 2C o n c e n tra d o r p a s s iv o . em que todas as estações (nós) se ligam ao mesmo meio de transmissão (Figura 2. T o po lo gia e m ba rra A topologia em barra é baseada em um conceito bastante semelhante ao conceito de barramento em um sistema de computador. que são configurações ponto a ponto (isto é. Nesses casos. uma vez que novos repetidores podem ser ativados no concentrador por meio da utilização de relês. . exigindo o acesso a todos os locais que contêm repetidores e cabos. Além disso. a topologia em barra tem uma configuração multiponto. o fato de o anel estar "contido" na implementação interna do concentrador dá margem a otimizações no desempenho do concentrador por intermédio de técnicas de comutação semelhantes às adotadas nas redes em estrela. os concentradores são geralmente denominados comutadores.

2 E N L A C E S D E T R A N S M IS S ÃO O processo de comunicação envolve a transmissão da informação pêlos enlaces que compõem a topologia da rede. os sinais podem ser representados como uma função do tempo. seja ele o ar ou um par de fios telefónicos.P r i n ícp i o sd eC o m u n i c a ç ão 29 i F ig u r a 2T. Nesse processo é necessária a codificação das informações em uma forma propícia à transmissão em cada um dos enlaces físi cos disponíveis. correspondendo à codificação da informação transmitida.2 . Em geral.9 ão d a 2. 2 . variação essa que permite representar a infor mação transmitida. que varia ao longo do tempo. o A utilização de concentradores (hubs ou switches) em redes em barra traz melhorias semelhantes àquelas conseguidas em redes em anel.8 p o lo g ia e m b a rr a . Se produzirmos variações de tensão em uma ex- . A Figura 2.1 C a ra cís tic a s d o s s in a is te r Sinais nada mais são do que representações da variação de alguma caracterís tica física ao longo do tempo. Em outras palavras. por exemplo). sinais possuem alguma grandeza (a amplitude. são produzidos para se propagar como ondas através de algum meio físico. o que corresponde à produção de sinais capazes de se propagar em cada um dos meios envolvidos. Conseqüentemente. F ig u r a 2R e d e e m b a rra c o m çu tilize h u b /s w itc h . .9 mostra o hub/switch de uma rede em barra.

30 V o lP tremidade de um par de condutores. como apresentado na Figura 2. como veremos no Capítulo 5. tem-se uma sequência de intervalos dentro dos quais a amplitude é fixa. variar continuamente.10. por exemplo. como pode ser observado na Figura 2. por exemplo. por definição. por exemplo. codificado em um sinal digital para transmissão. à ideia de variação contínua e discreta. respectivamente. Durante o tempo de cada intervalo de sinalização a amplitude do sinal permanece.11. É importante que se entenda que qualquer tipo de informação pode ser transmitida através de um sinal analógico ou digital. pode ser amostrado e quantizado. Pode-se dizer que o sinal é construído através de uma sequência de intervalos de tamanho fixo iguais a T segundos. constante. de certa maneira. dessa forma. S in óg Já um sinal digital caracteriza-se pela presença de um conjunto de valores contável que o sinal (função do tempo) pode assumir. Sinais analógicos podem ser convertidos em digitais e vice-versa. sendo obrigada a dar saltos de um valor possível para outro. pela carac terística física de condutividades do meio. caracterizando um dos símbolos digitais transmitidos. Também é possível a transmissão de informação digital (codificada digitalmente) através . e o resultado dessa quantização. não pode mais variar continuamente. Um sinal de voz analógico. chamados intervalos de sinalização. F ig u ra 2 . sabemos que. essas variações poderão ser obser vadas e medidas na outra extremidade.1 0 a l a n a lic o . S in a is a na l o s e sin a is d ig ita is ógic Os termos analógico e digital correspondem. Sinais analógicos são aqueles em que a grandeza que sofre a variação pode assumir um número incontável de valores ao longo do tempo. A grandeza. No caso de o conjunto de valores ser composto de dois elementos. portanto. podendo.

mas sim o es pectro de um "sinal de voz humano genérico". Em outras pala vras. poderemos traçar não mais o espectro de um sinal específico. um famoso matemático francês chamado Jean Fourier pro vou que qualquer sinal pode ser considerado como uma soma (possivelmente infi nita e contínua) de sinais senoidais de diversas frequências (Fourier. das potências das componentes presentes em um sinal de voz típico. a am plitude (ou potência) daquele componente (senoidal) na composição do sinal. P ro c e s s o d e d ig itaão a ç liz O processo de digitalização de sinais para transmissão (ou conversão Analógi-coDigital . observa-se que certas características se mantêm semelhantes quando analisamos os espectros de vários sinais de voz. para cada frequência do espectro. em que o sinal é definido em termos de seus componentes. A essa representação também dá-se o nome de espectro do sinal. em que uma função g(t) do tempo é descrita. S in de sinais analógicos. Para exemplificar as representações de um sinal no domínio do tempo e da frequência. considere as Figuras 2. Se analisarmos estatisticamente uma série de amostras de sinais de voz. no domínio da fre quência. falaremos dos processos de conversão D/A (Digital/Analógica) também no Capítulo 5.P r i n cp i o sd eC o m u n i c a í ç ão 31 T 1 0 1 :1 0 0 1 :1 0 : 0 F ig u r a 2 .conversão A/D) baseia-se na amostragem do sinal analógico antes . apresentar os componentes corresponde a apresentar. B a n d a p a s s a n te Ainda no século XIX. a segunda é uma re presentação no domínio da frequência.13. Apesar de os sinais produzidos pela voz humana variarem de acordo com o que está sendo falado. como e por quem está sendo falado.12 e 2. Esse é o espectro representado na Figura 2.13. Cada sinal senoidal é denominado um componente do sinal original. nas quais ilustramos o uso de um tipo de sinal que será para nós fundamental ao longo do texto: o sinal de voz. 1878). correspondendo a uma representação genérica.1 1 a l d ig ita l. Na representação no domínio da frequência. as análises de Fourier nos dizem que um sinal sempre pode ser descrito de duas formas equivalentes: a primeira corresponde à própria representação no domínio do tempo.

-30 4000 5000 F ig u ra 2 . A primeira pergunta que surge é: quantas amostras ou.2 0.8 F ig u ra 2.7 0.1 0.32 VolP 25 20 15 _.4 0. conforme ele vai sendo produzido. seguida da codificação do valor de cada amostra utilizando um determinado número de bits e da transmissão da sequência de bits que vai sendo gerada ao longo desse processo. o quão espaçadas no . 10 l 5 a> o) O ~ S -5 -10 -15 -20 -25 O 0. t Es íp v o da transmissão. p ro n m do 1000 2000 3000 Frequncia (Hz) ê S.6 0.5 tempo (seg) 0.1 2ep re se n ta d a a m p litu d e d o sin a l (m e d id o em m V ) R ção p ro d u z id o p e la ún c ia d e "c o m o v a i" eç ão fu n te m p o . alternativamente.3 0.1 3 p e c tro d o s in a l d e ico z.

tempo as amostras devem ser tomadas? A resposta veio em 1928. 1928). . ano em que Harry Nyquist publicou seu trabalho clássico (Nyquist. que mais tarde abriria as bases para a comunicação digital.

Os meios físicos são classificados como guiados e não-guiados.2 Meios físicos Qualquer meio físico capaz de transportar informações eletromagnéticas é passível de ser usado em redes de comunicação. as ondas eletromagnéticas são guiadas em meios sólidos como. No primeiro caso. o sinal resultante pode ser completamente reconstruído a partir de amostras igualmente espaçadas no tempo desse sinal. ta x a u tiliz a d a se m u m d o s p a d rõe in te rn a c io n a is m a is a d o ta d o s p a raão odd ifico z e m s is te m a s d e te le fo n ia d ig e ç c e va ta l. . Os detalhes sobre a forma com que cada amostra pode ser obtida e codificada. se considerarmos que um sinal de voz com "qualidade telefónica" tem uma banda necessária de O a 4000 Hz. alternativamente. se quisermos um processo no qual não haja degradação devido a um número insuficiente de amostras (isto é.000 amostras por segundo (ou. n te p ro c e s s o . e o intervalo entre as amostras (1/2W segundos).d e c o d ific a dsrad u o s a tra n s m is a . As amostras obtidas no processo de digitalização devem então estar espaçadas a intervalos regulares de 1/2 W segundos. as ondas eletromagnéticas propagam-se na atmosfera ou no espaço livre. e q u i d is c u tire m o s e m d e ta lh e s ítuo C5 . se um sinal arbitrário (analógico ou digital) é filtrado de tal forma a não conter frequências acima de W Hz.Princípios de Comunicação 33 Nyquist provou que. Nyquist obteve a expressão matemática que é capaz de fornecer a interpolação do sinal a partir apenas dessas amostras e demonstrou que 2 W amostras por segundo é a frequência mínima de amostragem necessária para que essa interpolação possa ser feita sem erros. A taxa de 2W amostras por segundo ficou conhecida como taxa de amostragem de Nyquist. o número de amostras necessário para reconstruir esse sinal (considerando que ele será filtrado nessa faixa). Apenas a título de exemplo. que serão tratados no Capítulo 5.0 0 0 a m o s tra s /s e g x 8 b its ) = 6 4 K b p s . como intervalo de Nyquist.p n lo a 2. E x e m p lo átic o Pr S e c a d a a m o s tra d o s in a l d e v o z fo r p ro d u z id a . um par de fios metálicos trançado. um cabo coaxial ou um cabo de fibra ótica. segundo Nyquist. tomadas a uma frequência igual a no mínimo 2W vezes por segundo. por exemplo.oe s in a l re s u lta n te p a ra a tra n s máis sm s in a lig ita l d e its n t ão s e r u d ta x a ig u a l a (8 . DPCM etc). bem como o número de bits escolhido para cada amostra e outros detalhes de funcionamento deram origem a alguns esquemas de conversão A/D conhecidos e encontrados em padrões internacionais (como o PCM. tomadas de forma espaçada demais). uma amostra a cada 125 useg). é de 8. u tiliz a n d o 8 bão . Já nos meios ditos não-guiados.2. a n teão . ou "sem fio".

cabos de par trançado de melhor qualidade foram gradativamente sendo produzidos. Dada a grande evolução apresentada desde os primeiros pares utilizados em te lefonia. - F ig u r a 2 . A cate goria 2 corresponde ao cabo UTP tipo 3 definido pela IBM. dependendo da distância.). Tal classificação distingue seis categorias de cabos UTP. Com o aumento da demanda por taxas de transmissão mais elevadas. Ca ça d A transmissão no par trançado pode ser tanto analógica quanto digital. A banda passante do par trançado é notavelmente alta. no entanto. Taxas de transmissão podem atingir a ordem de centenas de megabits por segundo. criou-se uma classificação para cabos sem blindagem (Unshielded Twis-ted Pairs UTP) que leva em consideração as diversas capacidades de utilização e aplicação. A categoria l é basicamente utilizada em sistemas de telefonia. dependendo de quanto se esteja disposto a pagar. As aplicações básicas das categorias res tantes são listadas na Tabela 2. utilizado em siste mas com baixas taxas de transmissão. Esses efeitos podem. considerando o fato de ele ter sido inicialmente projetado para o tráfego analógico telefónico. par trançado blindado etc. técnica de transmissão e qualidade do cabo.1 4 b o c o m p a re s traons s e m b lin d a g e m e c o m b lin d a g e m . A desvantagem do par trançado é a sua susceptibilidade à interferência e ruí do. ser minimizados com uma blindagem ade quada. como ilustra a Figura 2. dois fios são enrolados em espiral de forma a reduzir o ruído e manter constantes as propriedades elétricas do meio através de todo o seu com primento.1. numeradas de l a 6.14. .34 V o lP P ar traça do n No par trançado. O par trançado pode ser comprado com diferentes propriedades (par trançado comum.

4 .2 d e fin iu u m a ve ão e s te n d id a d e ss e s ca b o s . teoricamente independente do comprimento do cabo. 2 -1 -200 2. U e m 1 0 0 M b p s. p o r p o d e a tin g ir va lo re s íp ica é 10 ém d e aé 3 5 0 M H z . mantém uma capacitância constante e baixa. mas cabos de baixa qualidade podem ser inadequados para velocidades altas e dis tâncias longas. um dielétrico que os sepa ra. A b a n d a p a ss a n ted te ss e s ca b o s 0 M H z. entre os condutores. outros são mais imunes a ruídos e interferência etc. F ig u r a 2 . d e n o m in a d o s C a b o s C a te gêsria 5 e (d o in g l rs o E n h a n c e d ). cada um com características específicas. Alguns são melhores para transmissão em alta frequência. E le s su p ota x a s d e tra ns m is s e a t 1 G b p s. ao contrário do par trançado. Os cabos de mais alta qualidade não são maleáveis e são difíceis de instalar. C a te g o ria 6 C a b o c o a x ia l Um cabo coaxial (Figura 2. . t C a b o s e h a rd w a re c o m ca ra c te rd e tra n s m isd e a t 2 0 M H z . P a ra u s o e m re d e s G ig a b it E th e rn e t. P ro jeta d oitirpta xa s da tra n sm s ara orde m d e gig a b its p o r s eg u n d o . Ca G u fle r.1 5 b o c o a x ia l (F o n te : D e ria d e C o n e c tiv id a d e .P r i n cp i o sd e C o m u n i c a í ç ão 35 T A B E L A 2U tilizçaão d o s c a b o s U T P c a te g o ria s 3 . U tiliz a típ ic a e m ís tica s ão s é ção ta xa s d e éa 1 0 M b p s. tendo. . a ic d e t 4 0 at de finidos p ela norm a A N S I/T IA /E IA -568 -B . ch e g a nédo0a M H z. outros têm atenuação mais baixa.15) é constituído de um condutor interno circundado por um condutor externo. Essa característica vai lhe permitir suportar taxas da ordem de megabits por segundo .R to u O cabo coaxial. O condutor externo é por sua vez circundado por outra camada isolante. 5 e 6 . a n o rm a A N S I/T IA /E IA -5 6 8 B .1 C a te g o ria 3 C a te g o ria 4 Q a te q a ria 5 e C a te g o ria 5e ) C a b o s e h a rd w a re c o m ca ra c te rd e tra n s m isd e a t 1 6 M H z . U tiliz a típ ic a e m ís tica s ão s é ção ta xa s d e éa 1 6 M b p s. t rta m ão d é C a b o s e h a rd w a r e c o m b a n d a píp s saa n te 2 5 0 M H z . t C a b o s e h a rd w a re c o m b a n d a p a s s a n te d e 1 0 0ção Hp ic a tiliz ata xa s dée a t M tí z. Existe uma grande variedade de cabos coaxiais. 1 9 9 3ç ão eApuro driz a d a ). R io d e J a n e iro : C a m p u s .

1 6 b o c o m d u a s fib r a s . As redes sem fio são uma al ternativa viável para locais onde é difícil. por exemplo. por onde é feita a transmissão da luz (Figura 2. F ig u r a 2 . çd M e io s ão -gu ia d o s o u se m fio n Nas redes sem fio (wireless). através de um cabo ótico. minimizando assim as perdas de transmissão. Seu emprego é particularmente importante para co municação entre equipamentos terminais móveis: computadores portáteis. a transmissão sem fio é adequada tanto para ligações ponto a ponto quanto para ligações multiponto. informações são transmitidas em ondas eletromagnéticas propagadas na atmosfera ou no espaço (vácuo). O cabo ótico consiste em um filamento de sílica ou plástico. . R e p roãou A u to riz a d a ) . onde. Ao re dor do filamento existem outras substâncias de menor índice de refração. instalar cabos metálicos ou de fibra ótica. As ondas são produzidas pela movimentação de elétrons em antenas transmissoras e provocam a movi mentação de elétrons em antenas receptoras. C s. o rompimento de um cabo po deria paralisar todo um sistema de defesa. em vez do cabo de 75 ohms comumente utilizado nas TVs a cabo. A maioria dos sistemas com transmissão em banda básica utiliza o cabo com impedância característica de 50 ohms. que fazem com que os raios sejam refletidos internamente. R io d J a n e iro : a m p o 1 9 9 3 . Por sua natureza. Meios não-guiados são também utilizados em aplicações nas quais a confiabilidade do meio de transmissão é requisito indispensável.16). ou mesmo impossível. com frequências variando entre IO 12 e IO 14 Hz (faixa de frequências do in fravermelho).e Ca ótic a s rfle r. tele fones celulares etc. (F o n te : D eG u ia d e C o n e c tiv id a d e . além de possibilitar maior espaçamento entre os pontos de regeneração do sinal. Um exemplo drástico seria em aplicações bélicas. F ib raóptic a A transmissão em fibra ótica é realizada pelo envio de um sinal de luz codifica do.36 V olP com poucas distorções ou ecos.

por provocarem danos à saúde. Por exemplo. não sendo. As faixas de frequências de rádio. Frequências mais altas são evitadas nessas redes. antes da transmissão. uma qualidade inferior àquela do sinal original. sabemos que. ao admitir que a banda passante dos sinais de voz está contida na faixa de 300 a 3. as antenas são construídas para produzir ondas que se propagam em uma única direção. Nesse momento.400 Hz.400 Hz. a um filtro que preserve (idealmente) apenas essa faixa. No primeiro caso. estaremos aceitando o compromisso de que os sinais gerados têm o que chamamos de "qualidade telefónica".\ Lz /Vis ível \— / — / — — —\ / Fibra \ \ Ótica / \r^ l /—————————————————————————————————— \ i Par Tran çado y M 1 A ( Cabo Coaxial V VN \ \l /[ l f( K A V e f Transmissão ^ \ via Satélite / l Vl /Rádio AM \ Nl \ l r^ v l 102 K 1 Rádio FM \ TV / V Y" ! l V V nento 106 ida (metros) 105 104 103 101 10 1 C 1T 2 1 0- IO 3' 4 IO " io -5 IO "6 F ig u ra 2 . ao transmitir apenas as componentes desse intervalo. 2. porém aceitável para a aplicação que se propõem (no caso. necessário transmitir componentes fora dessa faixa para tal aplicação.1 7 p e c tro e le tro m a gon p a ra te le c o m u õeic a Es étic ç n s. estaremos aceitando um compromisso de degradação de qualidade. Já no segundo.17 mostra a faixa do espectro eletromagnético utilizada para comunicações. .Princípios de Comunicação 37 As transmissões sem fio podem ser direcionais ou omnidirecionais. a de telefonia). microondas. A partir dessa definição.2. poderemos submetê-los. portanto. as ondas eletromagnéticas produzidas propagamse em todas as direções. Em outras palavras. a banda passante necessária para que um sinal de voz tenha qualidade telefónica vai de 300 a 3. infravermelho e luz visível são utilizadas em redes sem fio.3 Multiplexação l A definição de uma banda passante para um sinal determina o intervalo de frequências para suas componentes consideradas mais significativas. MHz Frequ ências 10 z 3 10 4 10 10 A í \l 10 7 1 0 180 190 1 100 K C om pri A r dedr NI GHz 1 0 A ) ^ 11 112 0 1 1 03 K A Microondas N \f THz 1 0 A 14 110 Potência e Telefone \ / Rádio J\ Infravermelho V l J v l \J u . A Figura 2.

não seria possível transmitir três sinais si multaneamente (Sj. a multiplexação por divisão do tempo (Time Division Multiplexing . como mostra a Figura 2.38 -*Hz VolP Banda passante do meioísico f Banda passante necessária para o sinal F ig u ra 2 . como indicado na Figura 2.).FDM). a largura da banda passante necessária para que um sinal tenha uma determinada qualidade é bem menor do que a banda passante dos meios físicos disponíveis. e a técnica que permite a transmissão de mais de um sinal em um mesmo meio físico é denominada multiplexação.1 8e io ís ic o c o m b a n d a p a s s a n te m a io r d o q u e a b a n d a p ária a n te n e sins sl. Existem três formas básicas de multiplexação: a multiplexação por divisão de frequências (Frequency Division Multiplexing . através de um mesmo meio físico. S 2 e S3). dados? Por exemplo. A pergunta natural a se fazer neste momento é: não seria possível aproveitar a banda passante extra disponível para a transmissão de outros sinais? Mais es pecificamente.19? A resposta a essa pergunta é sim.TDM) e a multiplexação por sz Curva de Resposta do Meio F ig u ra 2 .1M u ltip le ç ão n a fre q uc ia (F D M ). com a banda passante necessária (W l5 W2 e W. M f a s s p a ra o c e a Em muitas situações práticas.18. 9: xa ên .

cada um ocupando uma banda ou canal distinto com a largura necessária para a sua transmissão. que passamos a descrever. submete-se cada sinal a um filtro (que iremos. os vários sinais po dem ser transmitidos em um mesmo meio físico. no transmissor. O passo se guinte é deslocar a faixa de frequências original dos sinais de forma que eles pas sem a ocupar faixas disjuntas. nesse momento. o compartilhamento do meio é realiza do pela separação dos sinais em bandas de frequências distintas e disjuntas. A forma que utilizamos aqui (exemplificada pela Figura 2. Para realizar a multiplexação.19. Felizmente. é a soma de todos os sinais em todas as fre quências) de forma a fazer com que o sinal desejado ocupe novamente sua faixa original. Como resultado. um canal de frequências como o intervalo de frequências utilizado para a transmissão de um sinal. e será a primeira a ser estudada com mais detalhes. ele poderá deslocar o espectro do sinal recebido (que.19) para explicar o conceito de multiple-xação corresponde à multiplexação por divisão de frequências (ou simplesmente tnultiplexação na frequência). respectivamente) de forma a fazê-las ocupar as regiões disjuntas do espectro ilustradas. O processo de deslocamento da faixa de frequências que faz com que um determinado sinal previamente modulado ocupe novamente sua faixa de ' Os detalhes sobre as técnicas de modulação estão fora do escopo deste livro. Como os sinais foram previamente filtrados levando em consideração a largura de sua banda passante necessária. Define-se. na próxima seção. inicialmente. po rém mantendo suas amplitudes intactas.CDM).Princ ípios de Com unica ção 39 divisão de códigos (Code Division Multiplexing . deslocam-se as faixas do segundo e do terceiro sinal (S2 e S3. M u ltip le x a p o r d iv is d e fre q u c ia s ç ão ão ên Na multiplexação na frequência (FDM). sem que um sinal interfira no outro (seu vizinho). é como se pudéssemos pegar cada componente e simplesmente mudar suas fre quências (adicionando o mesmo valor fixo /" a para todas as componentes). sem sobreposição. presumir ideal) de forma a preservar somente a faixa rela tiva à sua banda passante necessária. um sistema baseado em FDM deve executar algumas funções básicas. a informação de cada um deles está preservada e totalmente contida naquela faixa de frequências escolhida para a transmissão. Dessa forma. . portanto. Em primeiro lugar. as técnicas que permitem esse deslocamento de uma faixa de frequências para outra são bastante conheci das e fazem parte de um conjunto denominado técnicas de modulação} Tomando como exemplo o sistema da Figura 2. De uma maneira intuitiva. Um receptor que deseje recuperar um dos sinais transmitidos em uma linha multiplexada na frequência deverá conhecer o canal que está sendo utilizado para a sua transmissão. Isso permitirá o alojamento desses sinais na forma desejada.

é comum a utilização do compartilhamento de linhas entre centrais telefó nicas e a concentração de linhas analógicas de acesso de assinantes. em muitos casos. .20). excede a taxa média de geração de bits das estações conectadas ao meio físico.. Cada estação deverá esperar o ins tante de início do segmento correspondente dentro de cada ciclo. São inúmeras as aplicações práticas do FDM. o domínio do tempo é dividido em intervalos de tamanho fixo T chamados frames ou ciclos. Exemplos são os canais de TV aberta. mas também pela multiplexação no tempo e pe la multiplexação por códigos. cada ciclo é subdi vidido em N subintervalos {í 1. í n} denominados slots ou segmentos que formam uma partição dos ciclos. a seguir. Quando isso ocorre. Na telefonia analó gica. A multiplexação no tempo pode ser classificada como síncrona ou assíncrona. No TDM síncrono (ou simplesmente TDM).. interca lando-se porções de cada sinal no tempo.40 V o lP frequências original é denominado demodulação.. identificados por uma determinada posição fixa dentro desses ciclos. o canal 3 é formado pelo terceiro segmento de cada ciclo. Denomina-se canal o conjunto de todos os segmentos. Canais podem ser alceados a estações que desejem transmitir. um em cada ciclo. como vere mos no Capítulo 4.20T D M ís ncron o. por sua vez. estações de rádio e outros sistemas de radiodifusão. eliminando as contribuições pertencentes aos outros sinais que com partilharam o meio utilizando as outras faixas. A multiplexação por divisão do tempo (Time Division Multiplexing . vários sinais podem ser transportados por um único meio. quando então •^ — - — — — — — — — — — ^— •» • - H •^ ——— T ——— ^- h A fonte transmite Ct = bT bits A fonte gera b T bits u ra F ig 2. O sinal demodulado pode. que. formam uma partição do tempo infinito (Figura 2. Por exem plo.TDM) se beneficia do fato de que a capacidade (em quan tidade de bits por segundo) do meio de transmissão. . M ultiple xa por divis do te m po ção ão Já mencionamos que é possível compartilhar um meio físico não apenas pela multiplexação na frequência. ser filtrado para conter somente a porção referente ao sinal original de interesse.

o canal esteja disponível para transmiti-la. então o meio físico pode ser compartilhado por. logo. Logo. independente de quantos ca nais estejam previstos no esquema. ou pela central que serve ao assinante.711. em outras palavras. Segundo a recomendação G. ou seja. onde T é o tempo do ciclo. nesse intervalo entre um ciclo e o próximo. Canais também podem ser alocados e liberados dinamicamente durante o funcionamento da rede. As centrais telefónicas passaram a ser conhecidas como "centrais TDM". Logo. de forma análoga à nossa definição para os canais FDM. no máximo.P rin cp io s d e o m u n i c a í C ç ão 41 poderá transmitir durante o tempo daquele segmento. Como a fonte gera b bps.000 Hz e. Depois de utilizar seu segmento em um ciclo. toda vez que a fonte de voz di gital produzir uma amostra. ou pelo terminal do usuário (um telefone digital). Esse número será o número de segmentos por ciclo nessa rede (isto é. Da mesma forma que alocamos canais de frequência em redes utilizando FDM.000 amostras por segundo. as amostras são produzidas a intervalos de l/800seg = 125useg. por simplificação. utilizam-se . Como em cada ciclo. cada segmento terá a dura ção de t = T/N segundos. N = C/b fontes simultaneamente. que todas as fontes de transmissão têm taxas fi xas e constantes iguais a b bps e que a capacidade de transmissão do meio é de C bps. no caso de uma RDSI. o ITU-T G. o ciclo do TDM tem de ter a duração de 125usçg. o número de canais disponíveis). eles são denominados canais chaveados (ou comutados). é necessário que. cada terminal ocupando um dos canais poderá trans mitir na taxa de C bps. No sistema telefónico digital. no qual considera-se uma banda passante de 4. então tem-se um canal dedicado (ou permanente). cada amos tra deve ser codificada com uma quantização de 256 níveis. ou. temos a necessidade de que Q = bT. que todos os bits gerados durante o período de espera pelo canal e durante a aquisição do mesmo sejam transmitidos para que a taxa de b bps da estação possa ser mantida e assegurada. uma taxa de amostragem de 8. Logo. a voz é digitalizada. em redes que utilizam TDM. utilizando a taxa de transmissão máxima oferecida pelo meio. Supondo. Sistemas com TDM síncrono foram extensivamente aplicados ao sistema de telefonia digital. a estação só terá direito à transmissão no próximo ciclo. utilizando-se PCM de acordo com algum dos padrões estudados no Capítulo 5. Tomaremos como exemplo um dos padrões mais utilizados. ele conseguirá transmitir um total de k = Ct bits por ciclo. Se a alocação de um determinado canal é fixa durante todo o tempo e preestabelecida antes do funcionamento da rede. Nesse caso. durante os t segundos de seu segmento. os canais devem ser alocados às diferentes fontes de transmissão ou estações. por efetuarem o chaveamento em linhas multiplexadas dessa forma. todos os bTbits devem ser transmitidos durante o próximo segmento. Para que cada canal de voz seja atendido adequadamente.711. ela terá gerado um total de bTbits. Para que o sistema funcione corretamente. por conseguin te.

portanto. Para que o sistema funcione corre. . deverá ser de 36 + 1/8. fora aqueles originados pelas amostras das fontes. é fruto da sincronização inicial da produção das amostras com o intervalo correto dentro dos ciclos. a taxa do meio.ção e liberação é também semelhante àquela proposta para o FDM. sendo responsabilidade de normas específicas estabelecer sua localização de forma precisa. tudo começa a se passar como se ela estivesse ligada a um meio de 64 Kbps totalmente dedicado. permitindo a correta sincronização e demultiplexação dos canais. com a capa cidade garantida. Esses bits. nos quais seja possível acomodar quatro segmentos. o que ela tem é um canal. inicialmente. 4 x 8 = 32 bits. o que dá exatamente 64 Kbps. sendo nesse caso deno minados canais chaveados (ou comutados). e a taxa do meio deverá então ser 32 -f-1/800 = 256Kps. se. Convém notar que os bits de sincronismo podem estar espalhados ao longo de todo o frame. servem para que multiplexadores e demultiplexadores tenham uma forma de descobrir onde começa e ter mina cada ciclo. 4 4 A controladora do sistema pode ser algum equipamento especial com o qual qualquer estação ou terminal tem a possibilidade de se comunicar.42 V o lP 8 bits para codificar cada amostra. em esquemas de TDM síncrono. denominados bits de sincronismo ou framing. uma estação solicita a alguma controladora do sistema. em um meio com capacidade total de 256 Kbps. nesse exemplo. esses bits são inseridos obedecendo a um padrão que pode ser reconhecido pêlos equipamentos de forma a permitir a delimitação dos frames. com capacidade de 64 Kbps. Logo. inserir mos 4 bits de framing. Cada uma das quatro fontes estará sincronizada com o seu respectivo canal. A criação da ilusão de um canal próprio. A partir daí. Na verdade. Suponha que desejamos ter um sistema capaz de multiplexar quatro canais de 64 Kbps gerados segundo o padrão ITU-T G. canais no TDM síncrono podem ser alocados e libera dos dinamicamente durante o funcionamento da rede. que é o tempo igual ao que leva para se chegar ao mesmo segmento dentro do ciclo subsequente. Assim. ter sincronizado a produção de suas amostras com o início do seu segmento dentro dos ciclos. compartilhado com mais três fontes. Conclusão: cada fonte produz uma amostra de 8 bits a cada intervalo de l/800seg. cada fonte deve.000 = 288 Kps. E comum. Assim como no FDM. Para isso. A forma com que é feita essa aloca. A duração de cada frame tem de continuar a ser 125useg para garantir o sincronismo entre as fontes e os respectivos canais.tamente.711 que acabamos de descrever. inserir dentro de cada ciclo (frame) alguns bits a mais. Isso corresponde a "sintonizar-se" no canal correio. cada qual com o tempo de transmissão suficiente para envio de 8 bits. então teremos um total d e ( 4 x 8 ) + 4 = 36 bits em cada frame. deveremos ter ciclos de I25[iseg. Voltando ao exemplo anterior (com 4 canais). para a fonte. como a produção das amostras da fonte se dá a cada \ 25\iseg. O total de bits em cada ciclo será. a cada ciclo. Em um es quema centralizado. ignoran do a existência das demais. Daí o nome TDM síncrono.

eles preferem ATDM (Assynchronous Time Division Multíplexing). . Para o TDM assíncrono. Assim como no FDM. t. Assim. Nesse esquema.21). que agora pode alocá-lo a outras es tações. essa segunda forma. t. a estação pode transmitir nes se canal pelo tempo que desejar.2 1 s p e íc io d e c a p a c id a d e e m s is te m a s c ocm T o . Para o M eio ísico F Dados Banda Desperdi çada Segundo Ciclo F ig u r a 2 . tem-se um desperdício de capacidade do meio físi co. Quando não mais deseja o seu monopólio. a atribuição de um canal livre para sua transmissão. estabe lecese uma conexão que permanece dedicada à estação transmissora até o mo mento em que ela resolva desfazê-la. a es tação o devolve à controladora do sistema. neste livro. quando o canal é alocado. causa confusão com o TDMA (Time Division Multíple Access).M s De rd ín ro n D O TDM assíncrono (também conhecido por TDM estatístico ou STDM -Statistical TDM) 5 é uma alternativa ao TDM síncrono que procura eliminar o desperdício de capacidade decorrente da comutação de circuitos inerente ao tipo de alocação utilizada. No TDM síncrono com canais chaveados. no TDM síncrono canais podem ser ponto a pon to ou multiponto. não há alocação preestabelecida de 5 Alguns autores utilizam a sigla STDM para identificar o TDM síncrono (Synchronous TDM) em vez do estatístico (ou assíncrono). já que o canal alocado não pode ser utilizado por qualquer outra estação até o momento da desconexão (Figura 2. Porém. por vezes.Princípios de Comunicação 43 por meio de um procedimento de sinalização. evitaremos as siglas STDM e ATDM. Ao alocar o canal chaveado. Note que quando uma estação que alocou um canal não estiver transmitindo (ou a taxa de transmissão for menor do que a taxa assegurada pelo canal).

Felizmente. faz com que não seja possível a todos os usuários se comunicarem simultaneamente. Em canais ponto a ponto com TDM síncrono. MAN.22). na topologia parcialmente ligada. Em compensação. Nas redes locais e metropolitanas. para redes de porte elevado. Nenhuma capacidade é desperdiçada.3 FO R M A S D E C O MÇ ÃO U TA Seja a rede uma LAN. porém. no TDM assíncrono. esse cabeçalho é totalmente desnecessário. por exemplo. Ao longo do tempo. Não havendo a noção de conexão dedicada. cada canal já identifica o transmissor. é desejável que o sistema de comunicação como um todo permita que qualquer terminal de usuário possa se comunicar com qual quer outro na rede. Para o Meio Físico Cabeçalho Capacidade Extra Disponível F ig u r a 2 . Assim. o meio físico é sempre compar tilhado no tempo por todas as estações a ele conectadas. ou WAN. Nas WANs. cada ligação (ou . a probabilidade de todos quererem se comunicar simultaneamente é muito baixa. cada unidade de informação transmitida deve sempre conter um cabeçalho que identifique a origem e o destino (Figu ra 2. já que o receptor também é identificado pela conexão.44 V o lP canal nem alocação por meio de estabelecimento de conexão. pois o tempo não utilizado está sempre disponível caso alguma estação gere tráfego e deseje utilizar o canal de transmissão. Parcelas de tempo são alocadas dinamicamente de acordo com a demanda das estações. a utiliza ção da topologia parcialmente ligada.2 2 M a s sc ro n o . No TDM síncrono. na qual nem todas as ligações entre pares de dispositivos estão presentes. a utilização de topologias com meio compartilhado do tipo barra é bastante comum. TD ín 2. existem sempre recursos compartilha dos.

2 . em cada enlace. caso o tráfego entre as estações não seja constante e contínuo. informações podem ser transmitidas e recebidas pelas estações envolvidas. Isso significa que. em geral pela ação de uma das estações envolvidas. de alguma forma. Em compensação. compartilhada. O processo de alocação e liberação dos recursos da rede para a utilização pê los diversos serviços é denominado comutação (ou chaveamento). utilizada em momentos diferentes por diferentes conversações. isso significa a determinação e alocação de uma rota entre as estações. so frem o processo de comutação. . Sinais de controle devem ser propagados por todos os nós intermediários do circuito de forma que todos os canais sejam liberados. Note que. podemos dizer que ca nais chaveados. a transferência da informação de uma porta de entrada de um comutador para uma porta de saída também exi ge a alocação e liberação de recursos da rede internos ao comutador.3. mesmo que não seja utilizada multiplexação nas linhas de entrada e saída. pois não há qualquer disputa por recursos. Dessa forma. 1. esse processo também é chamado de comutação. a comutação de mensagens e a comutação de pacotes.1 C o m u ta d e circuito s ção A comunicação via comutação de circuitos pressupõe o estabelecimento de um caminho dedicado durante todo o período de comunicação entre duas estações.P r in c io s de Com unica íp ção 45 parcela/canal dessa ligação) entre estações é. um circuito (também chamado de conexão ou chamada) fim a fim tem de ser es tabelecido. 3. na comutação de circuitos. a comutação trata do processo pelo qual os serviços utilizam e libe ram as parcelas resultantes dessa divisão. Em redes com topologia parcialmente ligada. A comunicação via comutação de circuitos envolve três fases: Estabelecimento do circuito: antes que estações possam se comunicar. Então. a conexão pode ser encerrada. em que. um canal é alocado e permanece dedicado a essa conexão até a hora da desconexão do circuito. Desconexão do circuito: após um certo período de tempo. Existem. basicamente. Transferência de informação: uma vez estabelecida a conexão. Coerente com nossa definição anterior. existe a garantia de que uma capacidade de transmissão estará sempre disponível quando as estações desejarem se comuni car. 2. três formas de comutação: a comutação de circuitos. na multiplexação por divisão da frequência ou do tempo. o caminho alocado durante a fase de estabelecimento da conexão permanece dedicado àquelas estações até que uma delas (ou ambas) decida desfazer o circuito. a capacidade do meio físico será desperdiçada. se a multiplexação trata da forma com que é feita a divisão do meio para o comparti lhamento.