PROPOSTA DE ESTRUTURAÇÃO DO SERVIÇO PÚBLICO NO INCRA E MDA

Assinam:
Confederação Nacional das Associações dos Servidores do INCRA – CNASI Associação Nacional dos Engenheiros Agrônomos do Incra – ASSINAGRO

Associação Nacional dos Servidores do MDA – ASSEMDA

Estruturação do serviço público no MDA e INCRA
Valorizar o serviço público no MDA e INCRA, é valorizar a Reforma Agrária, a Agricultura Familiar e o Desenvolvimento Rural Sustentável

1. Contextualização

1.1. O papel do INCRA e MDA
O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) é a autarquia federal responsável pela construção e execução da Política Nacional de Reforma Agrária e pelo ordenamento fundiário nacional no Brasil, desde 1970, quando surgiu o órgão. Nestes 41 anos o INCRA foi um dos órgãos que mais se caracterizou como fomentador do desenvolvimento no interior do Brasil. Foi por ação do INCRA que centenas de povoações se tornaram municípios, territórios passaram a estados e pobres alcançaram o status de cidadão. Estes cidadãos hoje somam cerca de 10 milhões de pessoas – entre assentados, quilombolas, comunidades tradicionais que vivem em Unidades de Conservação , etc –,assistidas pelos servidores do INCRA com os programas e ações da autarquia. Cumpre portanto, à autarquia, o papel de executar uma missão exclusiva de Estado, preponderantemente relacionada ao ordenamento e gestão de sua estrutura fundiária e à inclusão social por meio da reforma agrária, políticas públicas que dão tratamento ao regime de posse e uso da terra no País, estribado no princípio constitucional da função social da propriedade rural. A natureza exclusiva de Estado, conferida a essas atribuições, deve-se ao fato de as mesmas não terem correspondência no setor privado. A concepção e implementação dessas inúmeras atribuições se fazem por meio de planos, programas, projetos e ações, de natureza interdisciplinar a demandarem a participação de profissionais de diferentes áreas, de nível superior e técnico/intermediário. Recente pesquisa sobre a qualidade de vida, produção e renda dos assentamentos da reforma agrária comprova a importância das políticas públicas implantadas pelo órgão:

Quadro 1- Percepção pelo beneficiário de melhoria na condição de vida após o Assentamento Fonte: INCRA

O Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), por sua vez, foi criado em 25 de novembro de 1999 pela medida provisória n° 1.911 e tem por competências a reforma agrária e o reordenamento agrário, a regularização fundiária na Amazônia Legal, a promoção do desenvolvimento sustentável da agricultura familiar e das regiões rurais, e a identificação, reconhecimento, delimitação, demarcação e titulação das terras ocupadas pelos remanescentes das comunidades dos quilombos.

Em seus poucos anos de atuação o MDA já implantou e/ou desenvolveu importantes programas para o desenvolvimento da agricultura familiar no Brasil, programas que já beneficiaram milhões de brasileiros, como o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (PRONAF). O PRONAF financia projetos individuais ou coletivos geradores de renda aos agricultores familiares e beneficiários da reforma agrária. Cita-se também o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), que garante preço mínimo aos produtos da agricultura familiar. O Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), cuja lei criadora, Lei nº 11.947/2009, determinou que no mínimo 30% dos recursos repassados pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) será destinado à compra de produtos da agricultura familiar. Entendemos que na atual conjuntura, sobretudo com a crise econômica internacional, o agronegócio tem respondido por considerável parcela em nossa balança comercial e do PIB nacional, portanto não podemos desconsiderar sua importância no momento (sem deixar de questioná-lo quanto ao modelo e a sustentabilidade); porém, de outra banda, vem estimulando novamente o Brasil a ser mero exportador de matérias primas, o êxodo rural (conforme dados do IBGE 2006) e a desindustrialização, que além de ampliar a concentração territorial, os monocultivos, disputam o mesmo espaço e ameaçam a agricultura familiar abastecedora do nosso mercado interno. Corrobora com este raciocínio a ameaça à nossa legislação, dentre as quais o cumprimento da função social das propriedades vide cumprimento da legislação ambiental com as possíveis alterações do atual código florestal (sem contar a questão dos defasados índices de produtividade). Nesta mesma esteira vem a flexibilização de aquisição de terras por estrangeiros, o código de mineração, a demarcação de terras indígenas e quilombolas via PEC 215, situações estas que ameaçam nossa soberania territorial, alimentar, de água potável, mineral e energética. Situação que indiscutivelmente ressalta o papel urgente e estratégico do fortalecimento MDA e INCRA no atual cenário.

1.2. A situação do serviço público nos órgãos
O INCRA, entre 1985 e 2011, teve o seu quadro de pessoal severamente reduzido de 9 mil para 5,7 mil servidores - uma subtração de aproximadamente 37% na sua força de trabalho. Nesse mesmo período, sua atuação territorial foi acrescida em 32,7 vezes – saltando de 61 para mais de 2000 Municípios, resultando em um aumento de cerca de 124 vezes no número de Projetos de Assentamentos . Até 1985 o INCRA geria 67 projetos de assentamento. Hoje este número supera os 8.300, e área total passou de 9,8 milhões para 80,0 milhões de hectares – representando um incremento de 8,1 vezes. O número de famílias assentadas passou de 117 mil para aproximadamente um milhão, totalizando cerca quatro milhões de pessoas – encerrando, assim, um verdadeiro paradoxo entre um crescimento vertiginoso de serviço e uma redução drástica de meios para atendê-los de forma consequente. Ressalta-se ainda que o número de servidores está prestes a sofrer novas reduções, somente no Governo Dilma, outros 2.000 funcionários estarão em condições de aposentadoria, aprofundando ainda mais o deficit de servidores no órgão, que até 2014 será aumentado em 30%. Contudo, a aposentadoria não se apresenta isoladamente como causa do enorme déficit de servidores. A baixa remuneração percebida por esses trabalhadores tem sido também um importante agente de evasão. Nos últimos dez anos o INCRA realizou três concursos, é verdade que o número de vagas disponibilizadas foi insuficiente para suprir a gigantesca demanda do órgão, entretanto, nem essas poucas vagas hoje se encontram preenchidas. Dos dois primeiros concursos realizados, cerca de 30 % dos servidores já pediram exoneração, e do último concurso, cuja homologação se deu há poucos meses, apenas 51% dos profissionais convocados assumiram os cargos, ou seja, além de serem disponibilizadas poucas vagas, os concursos para provimento no INCRA são pouco atraentes, sendo que nem mesmo as parcas vagas oferecidas são preenchidas em sua íntegra. Tal fato nada mais é que um importante reflexo da baixa remuneração oferecida por esta autarquia. Situação semelhante é vivida pelo MDA. Criado em 1999, seu primeiro concurso ocorreu apenas em 2009, sendo que já houve uma evasão de 1/3 dos servidores. Hoje, a força de trabalho do MDA é inferior a 140 servidores para todo o país. Assim como no INCRA, a principal causa da evasão são os baixos salários. Se no caso do INCRA fala-se em reestruturação o MDA ainda carece de estruturação. A estrutura de serviço

público no MDA é extremamente deficiente. Não há política de capacitação, nem política de qualidade de vida no trabalho, tampouco política de carreira, e nem previsão de contratação de novos servidores, apostando o governo federal ainda na precarização do trabalho, através das terceirizações e consultorias A remuneração dos servidores efetivos do órgão é, em média, três vezes inferior à do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento., sendo que ambos os órgãos, MDA e MAPA, realizam funções similares e de igual importância para o desenvolvimento brasileiro.

2. Distorções salariais hoje existentes entre os órgãos agrários
Comparativo da remuneração das carreiras de NS do INCRA e do MDA com o NS do MAPA e NI do MAPA (Remuneração em R$ x Anos/níveis de progressão na carreira)

18,000.00 16,000.00 14,000.00 12,000.00 10,000.00 8,000.00 6,000.00 4,000.00 2,000.00 0.00 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 Fiscal Federal Agropecuário MAPA Nível Intermediário MAPA Perito Federal Agrário (Eng. Agrõnomo) INCRA Analista em Reforma e Desenvolvimento Agrário - INCRA Cargos nível superior PGPEMDA Nível Superior Lei 12.277 -MDA

Comparativo da remuneração das carreiras de nível intermediário do INCRA, MDA e MAPA

8,000.00 7,000.00 6,000.00 5,000.00 4,000.00 3,000.00 2,000.00 1,000.00 0.00 1 2 3 4 5 6 7 8 9 Nível Intermediário MAPA Nível Intermediário INCRA Nível Intermediário 10 11 12 13 MDA

Comparativo histórico entre os valores da remuneração das carreiras de Fiscal Federal Agropecuário (MAPA) e Perito Federal Agrário (INCRA), para o início e final de carreira. Início das carreiras

1 2

. 0 0 0 F i s c ( A g r P e r i ( A g r a l F e d e r a l A g r o p e ô n o m o - M A P A ) t o F e d e r a l A g r á r i o ô n o m o – IN C R A ) c u á r i o

1 0

. 0 0 0

8

. 0 0 0

6

. 0 0 0

4

. 0 0 0

2

. 0 0 0

0 d e z / 9 d 9 e z / 0d 0e z / 0 d 1 e z / 0d 2e z / 0d 3e z / 0 d 4 e z / 0d 5e z / 0 d 6 e z / 0 d 7 e z / 0d 8e z / 0 9

Final das carreiras
1 8 .0 0 0 1 6 .0 0 0 1 4 .0 0 0 1 2 .0 0 0 1 0 .0 0 0 8 .0 0 0 6 .0 0 0 4 .0 0 0 2 .0 0 0 0 d e z / 9 d9 e z / 0 d e z / 0 d1 e z / 0 d e z / 0 d3 e z / 0 d e z / 0 d5 e z / 0 d e z / 0 d7 e z / 0 d8 e z / 0 9 0 2 4 6 F i s c a l F e d e r a l A g r o p e c u á r i o ( A g r ô n o m o - M A P A ) P e r i to F e d e r a l A g r á r i o ( A g r ô n o m o – IN C R A )

Gráfico demonstra que as carreiras do INCRA e MAPA sempre foram correlatas em termos salariais, apenas a partir de 2003 ocorre a disparidade salarial entre os órgãos.

3. Pauta conjunta dos servidores do INCRA e MDA
 Concurso Público para MDA e INCRA - Para que haja força de trabalho suficiente para atender a
demanda de desenvolvimento agrário e reforma agrária no Brasil, além de substituir (MDA) mão de obra irregular.

 Equiparação salarial com os fiscais agropecuários do MAPA – Eliminar as distorções existentes entre os
órgãos federais que lidam com o tema agrário no Brasil, através da paridade remunerativa do MDA e INCRA com o MAPA, por conta da similitude de atribuições: os de Nível Superior (MDA e INCRA) com os Fiscais Federais Agropecuários (MAPA), os de Nível Intermediário (MDA e INCRA) com os de Nível Intermediário (MAPA).