crítica

anatol rosenfeld TEXTO/GONTEXTO

Falam6 ncstas /J . natude ralmente com variaçõesnacionais.possivelmente fecundas. O que propomos. A hiÉtese básica cm que nos apoiamos é a supo-. vm espírito unificador que s€ comunica â tõdas as manifestações cultuÍas em contato. Estas considerações sobre o romanc€ modemo nIo visam a uma aprescntaçãosistemática ou histórica.nestaspáginas. de um vasto setor da liteÍatura atual. baseadonuma série de hipóteses. sição-{e que em cada fase histórica cxists ccrto Zeitgeist. é um jogo de retlcxões. por mais rudimentar que seja. especie de diálogo lúdico com o leitor.REFLEXÕES SOBRE O ROMANCE MODERNO t.

.veAbstendo-nos tais interpretações de rificamos apenas o fato da âbstração. elininada pela pintura moderna. da realjdade sensível.C.no nascentista.Em todos csscs câsos podemos falaÍ de uma negação do realismo. "Só a pintura abshâtâ pode dar expressão que pela sua ao própria essência não-figuÍativo: a um estadopsíquié co. Como se sabe. O mundo é relativizado. que impÍ€gnâ.visto em rela- 77 . Mesmo ou estas correntes deixaÍam de visar a reprodução mais ou menosfiel da-êalidade empírica.páginas da "cultura ocidcntal".sensívcl. inclui também correntes figurativas como ' o cubismo.é apcnas"usada" para facilitar a expressão de emoções e visões subjetivas que lhe deformam a ' apar€ncia.' ou eliminado (no não-figurativismo). O teÍmo "desrealização" se refcre ao fato de qu€ a pintu. é spcnas ponto dc pâíida de uma rcdução a suasconfigurações geométricassubjacentes. E além disso julga esta arte pÍofundamenteirreligio sa poÌ nela não se vislumbraremoutros valoÍes que e os puramenteestéticos por tornar-seassim a pÍópÍia arte em ídolo. pois. c€rta unidad€ de espírito e scntimento de vida.tais como ciências. â realidadc apreendida pelc n6sos s€ntidos. filosofia . fascinantes.recusandoa função de reproduzir ou copiar a realidadeempírica.. projetandoo mundo a partir de urna consciência individual. no expressionismo. no cubismo. considcra a abrtração (c o anti-rcalirmo) como manifectaçõocor76 riqueira.para dar só estesexemplos .atribuindo-lhe grande importância. não tomando cm conta as diversificações nacidnais. no campo das artes.' ra deixou de ser mirnética. isto é.é dissociadoou "reduzido" (no cubismo).não ú haja intcÍdependência e mútua influência cntÍe esses campos. A segunda hipótese sugcre que se deva considerar." Já o católico Hans Sedlmayr consideraa arte abstrata(e modernaem geral) um fenômenoúíico na história. fÍeqüente na história. sê usarmos estc teÍmo no scntido mais lato. Ademais. exprcssionismo surrealismo.ou a ele se ligam. por exemplo. cm contcrto inúlito. uma revolução "como antes nunca existiu". todas estasatividades. fenômcno fundamentalda época sofista e renascentrsÌa. A perseste fato hâ muitas especulações pectiva central. diversa da refoi introduzida na época dos sofistas. As hipóteses sobreessecurioso fenômenotenprovável que a PersPectiva seja um dem a considerar recuÍso paÍa a conquista artística do mundo terreno. extremas. idealizadâ ou não. no surrealisrno. Esta. com alta especializaçãoe autonomia das várias esferas . Dessefato seguem. Marccl Brion.Ísso. que mesmo numa cultura muito complera como a nossa. há mais de meio século. A perspectivacrìa a ilusão do espaçotridimensional. mal além disú.não conheciamou não empregavama P€rspectiva. É caracteística típica de épocasem que se acentua a emancipaçãodo indivíduo. de uma forma csrilirads ott não. na pintura moderna. Sobre freu.cm c€ía mrdida. O retato de-' foi sqpareceu. a perspectiva abolida ou so-' e distorções "falsificações". Supomoo. de um sentimentode vida religioso ou pelo menos espiritualizado. paÌa apÍesentar a imagem onírica de um nundo disociado e absurdo. no surrealismo. vem suscitando reâçõespouco amáveisno gande público. designândo a teodência de reproduzir. sendo evidente no tocante à pintura abstrata ou nãoì -figurativa. a pintura egípciaou a pintura euÍoÉia medieval. Há interprctaçócs diametralmcntc opGtas dc$t€ fcnômcno. vários momentos de igual importância: o ser humano.surgiu a no Renascimento. perspectivagrega. fomece apenas el€mentos i8olado3. deformado (no expressionismo) . como de excepcionâlimportância o fenômeno da "desrcalização" que se observa na pintura e que. séculoV a. artcs. bascado nal tcorias dc Worringer.

O palco à italiana era tlpicamente um palco pers_ pecúvico. Não cabe ao homcm projetar a partiÍ de si um nundo de cuja ordem divina ele faz parte istegal. c€na que faz paíe da sala de espeúculoe. É evidcnte que a visão perspecúvica seria impos_ sível na ldade Média. da mesma forma como a pintura moderna se confessa plano de tela cobeÍa de cores. é esta quc prescreve ag leis ao mundo. sem separaÍ-sedela pela moldura que a . poÍtanto. chegamosà nossa terceira hipótese: tais alterações profundas. ser salientado que a negação ilusionismoé particularmente do bem caracterizada no teatÍo.ferra é imóvel ìixa no ccntÍo do mundo. Íomas subjeüvas da nossa consciência.. supondo como única certeza inabâlável a do eu existcnte (é a paÍiÍ dele que Descaries reconstrói o mundo desfe! to pcla dúvida).. que não se tÍata de uma conrciência individual ). esta constituição do mundo a paíir da consciência humana surgc pcla primeira vez com oe sofistas: ..fenômcnos" _ isto é. Há uma interpenetração entre o espaçocênico e o espaço empírico da sala que borra a persp€cliva.. mercê das quais proiera a rcalidade sensível dos lenômenos.o palco à italiana. quc éle ape_ nas apreende (em parte) e cuja constituição nõo de_ pende das formas subjetivas da sua consciência.ciência. assim o desenvolvlmento do teatro conduz à reconstituição dos seus Íenômenos específicos: do lud. da cena. devem. Melchinger ressalla com precisão que. l)m mundo relativo é apÍBêntado como se fo6sê absoluto.a partiÍ da consciência (não importa.O homcm é a mcdida de todas as coisas" ( Protágoras). mas ]esta relatividade rcvqBtc-scda ilusão do 4bsoluto. Na filocofia ocidentat. Mercce. essa oÍdem parece fadada à dissolução.1' fessar teatro. assim o homem tem uma Dosi_ ção fixa za mundo e não uma posição ern lacc dele.é gx-p!eç9ãs uo seDtigrentode vida ou de uma atitude de espiritual que r€negam ou pclo menos põem em dúvida a "visão" do mundo que se desenvolveu a pârtir do Reqqrcimento. de . a imitação minuciosada vida empírica. máscar4 disfarce. n€sÌe contexto. A viôão persp€ctívica ressurgedepois nr filosofia É8-Íènascentista com Descaíes que pelo mcnoo paÍte do cogilo.us (joio) que prccisamente não é a rcalidade. na afirmação dc que a glltura -moderna.que não é o mundo. 78 I Nossâ scgunda hipótese resulta. Ë uma visão antÍopocêntrica do mundo.espacial". verificadas na pintura (e tambem nas outras artes). No momento 0m que a Terra começa a rúover-se. E encontrou sua expressão máxima em Kant que projeta o mundo dos . Recorrendo à nossa primeira hipótese da unidade espiritual das faseshistóricas. . da mçsma for_ ma como o desenvolvimento da pintura levou do fe_ nômeno individual "árvore" à liúa ou cor puras ou à organização abstrata da supcrfície. ao abandonar a partir dos inícios do nossoséculoas convenções tradicionais. volumes e figuras. A reviravolta co_ perniciana é. aliás. Resultado semelhante decorre dos teatros de arenâ. O críüco teatral S. da p€ça. em vez de simular o espaço tridimensional.começa a se con. a perspertiva "ilusionista" e a realidadc dos fenômenos projetados por ela . o mundo como nos aparece. A cena moderna.é constituído a paíir dcla. seguida de outra. lntes dc tudo. Estc. único a que teríamos acesso . prescreve-llrc as perspcctivasde espaço e tem_ po.enquadra" e cons_ titui como mundo distinto.\çAo a $t^ consciência. Como a .sem caixa de palco. A ordem depende da mente divina e não da humana.1 . rcferida à consciêiciahumand que lhe impõe teis e óptica subje_ tivas.eliminando ou deformando o ser humano. . que não é a vida. ' tal como visada pelos naturalistas. jogo cênico. é nitidamente aperspectívica. no dizer de Kant: iá não é o mundo quc prescÍevc as lcis à o*o "oo.

de um pr@esso cle desmascaramento do mundo epidérmico do senso comum. De um nodo gcral é mm o grandesuccoc còm piraodclto quc rc inicia no teatro a destruição crpoçocênicofcchado.e com isso o mundo empírico dos sentidos . O fundamentalmentc üovo é que a arte modcma não o reconheceapenastematicâmente.tcoria da relaüvidadecênica". pctoo crclarccimcntoo que elâs porventura são capazesdc oÍcrcccr !o csmpo da lite_ ratuÍa c pela iluminação quê c€rtâs intcÍprctâções. com o mundo temporal e espacial posto como real e absoluto pelo realismo trâdicionâl e pelo senso comum. podcrão por vez lan_ 'ua çar sobrc I pintura. a arte modema nada fez senão . embora ncste campo scja bcm ncnor o númcro de pessoasque sc deram conta dc modificaçõcc semclhant€s àquclas quc na piatura pÍovocarâm vcÍdrdeiÍoa cacândalos. par"c-. crpç9. colhidas destarG no Íomancc. manifcstaÍ-se tambéD no romancc. formas Ìelativas da nossa conrciência. já que vastoss€toresdo público lhe dão franca preferência. o irrcal. Nota-scno romancedo nouo réculo uma modi_ ficação análoga à rta pútura modcma. Ê abourdo ncgar à artc tradicional o direito de vida.reconhecer o que ó corriqueiro na ciência e filosofia.o rorr*". é6rtespo[d. A yìsão de uma realidade mais profunda. cmpanto a psicologiaprofunda 80 faz otÍcmcc€Í 06 planoc da consciência..un ou outro modo. cspaçoc Cmpo ficúcioc cqroçam a oscilare pclasparedes Íotas do pâlco penctrao mito. Fcnômcno$emelhante ocorre no tcauo com â Peça de Sonho. O valor das nossashipótescs mede-sc pcla fertilidade da sua aplicação. Além dirro. a mírtica. A dificuldade que boa parte do público.###BOT_TEXT###quot;os relógiosforam dcrtrúdoc". tem-se diantc dessasmanifeg8I . impregnando a realidadc de elementoc onírico6. através de uma alegoÍia pictórica ou a afirrnação teórÈa de uma peÍsonagemde romance.uma ordem que já não parece corrcsponder à realidade verdadeira. fundindopassado.tna6 atravésda assimilação desta Íelatividade à pópria estrutura da obradc-arte. modificação que paÍrcc ser essencial cstÍutura do modcraiüno. Com a . com sua reflexão crítica sobre as poeiçõesocupadas pclo suieito cognoscente. mais real. Revclando espaçoe tcmpo -. do gge a do senso qomum é incorporada à formâ total da É só assim que essa visão se-torna realmentc €UIa válida em termo$estéticos. " A c:9!gtggS. no cn Faulkner começarna dcefazcrI oÍdcm cÍonológica. espaço e tcmpo. Com iso. as altcraçõcs ocorridas no romancc não "diio tâlto na vista" como a.como relativo6 ou mcsmo como aparentes. mas sempÍe manipuladas cono sc fosscm absolutas.. Joycc. isto é.e à própria vida psíquica . antes de tudo. dc StÍindberg. Trata-se. Dc fato. encoutra em adaptar-se a este tipo de pintura ou Íomance decorre da circunstância de a arte moderna negar o compÍomissocom este mundo empírico das "aparências". são por assim dizcr denunciadas como relativas e subjetivas. q continuidrdc-t@{irrel foram abaladas. Duvidando da posiçío absoluta da "consciência ccntral".t O romancemodenio nasceu momento quc pÍoutt. No cntanto. À À eliminaçãodo espaçor_gq_q _ilgrãodo. A" ruccoão tcmporal.prodo cessoque acompanha cupcraç1o mccânicaclássia da ca e da matemática cuclidiana.Gide. A consciência como quc põe em dúvida o scu direito de impor às coisas . 2. o mcrcado dc romancceé abastccido cm elcala úuito mrior por obras dc tipo tradicionâI. pÍesênt!e futuÍo. ela repete o que Íaz a sociologia do conhecimento.cdc una aÍtr visual.

.ï.ïJ."ï'ã.il.uto'iã'ut *i[il atuaridade :ï.o*rn* que o homem nossa tempo náo-cronoÌógicoA *..ï.Sïi-.... .ï:ïï'iil. conta. poret..t"oáo t.Ãé' o narraoor' orúte o intcrmcdiário' isto .u"1..il Não todo6 os-momentos anteriores' .Nóo o".ij:i ìïïiu|.t""te continuament'e' num padrão res não se integÍassem' quasesemPre'marcas Do ruúe o Íctrocesso..ã.p"t"d" .paÍque não fazem' poÍ inteiÍo' tacões a impÍesseo de que tosua tcmática É apenas-na .in."4'carsa c mistuamorfizaao extremo' confundindo Írag.-"""u"t cuias lintrasre tunde' como simultanci' ïtïffi. eÍ ïi e' ôe outÍo modo' ï Amor do romance' ï.1ïitii'ão acolhcr o dcnso tccido dag mas até a da frasc que' ao ú modificaa *tÍutura u"' io..".s'o to / . ":.:t ïJ"---ürrye'-' imagens obsessNas moto e das il:ïJ.iï.1::*ã#i: .ver corn..ï..i"o.ïï:'ïitjïl** po nada tem lï: t ::'rs..3 .-?0". o passadoe o essa PreocuPação: intensamente nota It se dc emoções' laoae'l... como e exPectativas.ot' g-":i':ïïffï. no a PcÍsonegpm dirtansiamcnto i.....iïï."'"-"ï"-]fi ."."."ïi.ff ..ïf":'l.. ou dos o "oo "or.e.. as Ektiv q:!e : que. p"' 'reais'' A naÍraçóotorúa-sê1*T .31"ìï. emPI Wrightnão se Pode irmáos 3...i" iÀ "p'"t"oo 8.."*Estasnão atinsiÍam ff:ït"'"ï."t"o f iït* tãi"."IúÃ". "p""as lcmbrada' r em toda a sua pujança' como PÍÊsênça dï:a Y-f "T"t' atuat]:i p"""ao' o pÍoc."_ iì!iiT.:ftrr33i'1tt * ï. .i"ì-* o abârcando futuÍo ".:n "ï"iï..Ë " próprio fluxo da consciência' .....no Íomaoce um movimento .""tat*a de reproduzirestc à ' úveis temPoÍ8is--lcva cia ...iar"aaa como uma "*tCrn uma sinfonia ou melodia ouviÍ *laf"ao.. i* ou" I ìempo' momendc não passa Por uma sucessão ..| . no relógio e o temPo nâ d" g:ol*1: Angústia' Mesmo num Íomancc como '.. tcmPoÍal' dade.-Yf::ïf.""..': .". muito radicais' se não adota PÍocessos ffi. dcselos anjústias e com ocrccbidos vividâsM muito tempo e se mïtï1"ã "tp"t'*"i8s força e rcalidademaiores do quc com *"1. t"n"-u. "u"iid.r.:ï::. em ' afirmado aPenas ".i:" ó ì..-.ú rút"' nítidaentrePassaão' ry"t"oT--: não teme c$e o leitor oue ll"ï":.3i ?i ilï..J" de um relógio' mas cada o Pontti'o Ëã.tiJ..J-.. ..t" "no" tcm"--náo vive apenas . a Goethereconheceu exreJá no seculopassado' 'e relatividade tcmpo (e santo do t" iioiiï"tlïi" antes) verificou no Íomatrmuitoeséculos Ï. anteÍro' e sisniÍicativa se os sÕns ..""ã-"-." em experiência' " não é transformado Ë...atÍavés giraório .- ::..t" Ë. <tã-penonagcru.conr tua fusão do8 do monólogohterior' Desapa' o*ta ãã.t que se debate na "" ïïnÀãgo..".." um r ãisso.i. ca. no tem de ProcessaÍ-se ProPff úFY: passam 1 úia estrutuÍaos níveistemPorais :ï#: ::. ."t de pressão. po. o futuro.' ãi.. a distensão -*-'i Íluxo da co ciêÍ' .ã"..: o* o tr e tensõesdirigidas Para que enconsciênciâ é uma totalidade ìnr. da ÍePetiçlo incdsant€ futuro se inserem -."tioÍ da Personagem do Pesaangústia' vivendo o tempo ..Ut J91i i dá o parsadocomo-passado' ÏïI -coof ' Para fazàlo ÍcssrÚgrr "tã".i..ú.'-.. e PÍescntes êgor8 de objetosou pessoas ..Ìï"iã". mais Íamosoe d: iT: Muitos dos romances e slm não só t€maticamente assinalar . "omã r... com os aviões."'.#ì..."11:l"iï.

do uso de recursos destinados a reproduzir com a márima fidelidade a experiência psíçica. do enËdo c da pcÍronalidadc. subctitÍdo pela prescnçadircta do fluxo psiquico.mB nrir coo trl. aqa-ì'é6dc um tempo de cronologia coercnte. Ioro implica uma séric de alterâções que eliminam ou âo menos borram a perspectiva nÍtida do ÍoEEncc rcalirtr. É que tÍadicionakncnte coube ao narrador. desaparecctambém a ordem lógica da oração e a coerência da cstrutuÍa que o narador clássico inprinia à seqüência dos aconlecimentos. pÍocura sulrcÍaÍ a perspecúra tÍêdicional. mundo em que. a penonàgpm 85 \ . base do enredo tradicio. cm pleno ato presentc. com seu encadeamentológico de motivos e situa.mais uma categoria fundamental da realidade empírica e do senso comum: a da causa. que de um ou outÍo modo se ligam à abolição do tempo cronológico (correspondente à do espaço-ilusão pintura).. gaÍantir a . tambémI se fiaglnenta c dccompõc no Íomanoe. poir. scgundo Frcud. além dai lormas de tempo e espaço. Implicam umz retilicaçõo do enfoque: o nanador.gg: 1 Aõ Ìin. Com isso esgarça-se. mao este exc€sso lcvou a conscqüênciasque invertcm pot 84 inteiro a forma do romancc tÍadicionsl. Neste proc€sso de desmascaramcntofoi cnvolvido tanbém ã. Espaço. no fundo. não po1 dendo demiti-lo por inrciÍo. como Íormar cpidérnicas poi ncio itar qusis o rcnlo conum pÍocura impor uma ordcm Íiqtícia à realidade. no pÍoccrso dclcÍito.tcrìúmano.ì Ìf"Pffi4lq4. portaüto. como eixo cm tomo do qual revolve a narÍação. ademais. não sc crfarpa alrcnas ros contomc exterioÍes. \ Taig modificações. [Iá. tempo c causalidâdc foram "dcsnârcarados" õmó móras apaÉnciar . Recoúecemos. A cnÍocaçSo I microecópica aplicada à vida poíquftr tcw cÍci!6 tc. de uma radicalização do ro.ixa-ãa-àFr€seíFo E. dc contoÍnd Íirocr c cleroc.ì de hntc do mclhantes à visão dc un inrcto èhiro microscópio. Tratâ-se. Èlininado ou dcÍormado ne pintura. Nto o Írcoohec. a ausência do organizador e a supÍessãode uma ordem iluória ccrtaments se justifican. plena interdependênciaentre a dissoluçãoda cronologia. paÍa o poço do incomci€nt€.' ções. Dr mcams ícna ç {cr. de motivação caussl. Dcvido I focaliiação ampliada de ccrt6 mccanirmoe prÍquicoc pcrdc-se a noção da pcrsonalidadc total c do scu "carátcr" que já nõo pode scr claborado dc modo plártico. focalizamoe apcnas usra paÍc. Ao desaparccer o intermediário. No cntanto. não cxistc t mpo cronológico e em que sc acumularianr. como un Eu quc ocupa totalmcnte a t€la imaginária do rc narrc€. imeúãmcnta amplirda. manca psicológico e rcalista do século passado. mas também no3 limitcs intarnos: cla sc transcende para o nundo ínfero dar camadas inftapessoais do ir. submergindo na própria corrente psíquica da penonagem ou tomando qualquer posição que lhe parece menos ficúcia que as tradicionais e "ilusionistas". SegundoWolfgang Kayser. eliminada a dittâncio. com scu início. a supressãoda função mediadora do narrador é ruinosa para a ficção. A consciência da personagempassa a manifestar-seua sua atualidadc imediata. rcgundo Jung não ó os experiências da vida individual c sim s arqucdpicar e coletivas da própria humaoidade. decorrem.Ì) gramatical do pronome "ele" e da voz do pretérito. d.pclo quc na se vê.I li9qde (lei de causa e efeito).faz a persgnagcmnítids. mcio e fim. Este. ao longo de um enrcdo cm scqüência causal. À aboliõo do crpaço -ilusáo corresponde â do tempo cronológico. se esta ordem é posta em dúvida. tiio típica do romancl convcncional. mütar anrlogias com a pintuÍa modcrna. no afã de apÍeseútar a "realidade como tal" c não aquela Ícâlidade lógica e bcm comportada do narrador tradicionãI. Esta última.i nal.ordcm 8fnificativa da obra e do mundo nanado.xtcriores.ls ì dele.

. De qu"tqu.impressão. a pintura.i"l'ïlï" -a" nova cxpcriênciada penonalidade fr"tn"o". ..precisamente. urn mundo que timbraem jemonstrar-lhe. dcn_ cÁtruturada obra. no8 Íomaoccs dc Bcckett..Partimoc.::.ì"ãt. a poeou. uma vez quo o próprio Íluxo psíquìco. A pempectiva desapaÍece porque não há mais nenhum mundo exterioÍ a projetar. rá_ em pida.-'.m p.cLeg4.. se. De certa forma eram realistas. com sua aÍe alegre e luminòsa. reproduzir apenasâ aparênciapassageira realidade.1-"1"*" qlvrduo. No cntanio..á-seagora uma ruptura completa.iaváJidoc murilâdo _.u...f"ür* iï de dcsenvolvimenr* "tig"-" ã vcrdadcponto d€ paÍidâ ou partc :lu.. ED rcu tugsr cncontÍamoc a visão micrcópica c por ito não-pcrsp€ctÍvica de mecanie_ mos pcÍquicocfundamentais ou de situaçOes humaias arquctÍpicar.i ."íü.1ï c"". Um dos poros e eltmlnadoe com issodesaparcce a perspectiva. abalado poÍ catactismos guerrci_ ros.. noutro câso. reproduz apenas a sua própria impressão.. Daí a Kandinsky há só um passo: o da expressõo imediata do mundo psíquico.úo-figurativo.. *. no fato "ì"ï"ï"lj !:3:. ao extremo.f. *. cxplicado".. postoem termosesquemáticos e simplificados."uer"jo *ìi-luraã ou @nvenção. E no mesmo_ momentoa persp€ctiva começaa borrar_se: o. quc a O se veritica. em Os pinÍores rmpressionistas. 'dccmonaçm da pcssoa h"r. o processotalvez tenha tnv11 ou_ inrcrdcpend'cnte. Jr. poÍ sua vez. . d. mundo. 4. entanto. da i i^prrn são tugazdo momento.ern iacc.qucse O 1doresultado mo .erdadcirarevolta das coisas. é justo acentuaÍque "fr"g"a. mcro tuporte prccário.ì netiria estaerpcriêocia situação da p*"árl" .. partir de uma consciéncia que agora se lhe afigura epidérmica e superficial. rerta ú o mundó reduzido a esruturas geométricas cm equilíbrio que. ui.z to._cariedadc suarituafãonum da mundocaótico. ":r9:d:ir..poÍ uma r.i:. resta só o fluro da vida prfquica que aUso.. que não aceita ordensdestaconrciência. do mundo. o íúi . c assrmrenunciaà posiçãode quem se coloca.a perspectiva expressão pma é de relaçãocntre dois pólos..odo ï:_t_llprt" a ccrezÀingênua posiçãodivioa da do in::.. ex. Num caso.. rov. -o. Notamos uma especiede prcssentimento disso no augedo \iq{ivìd_ualismo._ veu totalmetrte o mundo (seria o caso de Kandinsky e dos seusseguidores)..iui I:ï:"*.'Jo segurntc. absorvemo homem (seria o caso dc Mon- 87 .. exigemadâptações estéücas capazcsde incorporaro 6iado dc Íluxo e insegurança . constituir.1 "rctraio" individual.ltnícar" guc acabara.a 86 sos técnicosd. ó indiúduo.eo . transformação. l. ponto.. sendo um o homem e o ouuo o mundo pro_ ptado.Jïï#:. sem n€cessi_ dade de recorrer à mediaçãode ímpressões figurafivas.il úduo em face do mundo. se esptaiasobre plano o o _ j1". a mcro DortaCer abstÍaro . "ì] i:ffi: a Passam amcaçaÍe dominar o homcm N.do T incÌln_ !e desses dcrenvolvimenbo. flutuante c vaga.."111 ":r rT" rcatidadeque dcixou a"" ..". certamente não desejavam exprimir nenhumacosmovisao protunda.. de âltcrâçõcs . e da rua *r"au" clc. englobando mundo.nesteprocesso que coÍÌespon_ 1: oe ao do monólogointerior radical _ ce manifestapre_ cisamente crise acimaapontada.\ . para forçar a analogia com . .... a projetá-to de o aíisra je nao sesentirauto_r rzâdo partiÍ da propt" *r*iÀi"ì"ì a tì? todos oe valores cm transição po.àrrn"ir. da úngu".a certczado homcmde pode.. tornarâm-sesubjetivospor quereÍem ser objetivos... pleno seculoXIX. Mas precisamente por isso já não alegam reproduzira realidadee sim apenas a sua . imcnsosmovimenbscoletir ï1.pìntor já não pretendeprojetar a realidade. . Desejavam.

O intelectual. da volta do filho pródigo. estãs são intêmporais como é intcmporal o "tempo mítico" quc. ainda não conquistara os cotrtornos dcfinitivos do eu. No fuldo c cn cssência o homcm rcpcte semprc as mesmas cstÍuturas arqucdpicar a3 dc Édipo ou de ElectÍa (a própria psicologia reconcu ao mito). quc é apcnas o rcvcrro "dialético" doa imensos espaçosvazios. erprime-sê no estado de peequisa e experimentação no romance. oa partidâ da casa paterna. torna-sc agora símbolo do abismo entre o homem e o mundo. sÊ apa- 8) . voltando sobrc si mesmo. fundido com a vida universal. Benn chamou a "catástÍofe eôquióide". de inÍcio Í€cuÍso artístico para dominar o mundo terrêno. dos surrealistas: peÍspectiva deformada que encontramos tsmde bém nos romances Kafka. Assim. a peÍsp€ctiva. A própria emergência c cnancipação do indMduo racional e cooscicntc é apenas paÍte daquclc "etcmo retorno". ãi-stâniiá"ãe qu--e persp€cti vì sc toma a expiessõo dccisiva no momento em que o indivÍduo já não tem a fé renascentista na posição i privilegiada da consciência humana ern /ace do mundo e náo acredita mais na possibilidade de. epidérmico. O sentimento dcssa "consciência infeliz" suscita uma verdadeira angristia. e manifesta-se.drian c dc scus scguidores). é ciÍcülar.c assim em diante. o "esquizóide" neurótico. 8ò Daí a glorificação dos dcurcs palsados c o misticismo orientalizante dc tântas "Bc8t Gêncratioú" e adeptos dc Zen. cbegado à subctância anônima do ênie humano. a fragÍnentação da unidade paradisíaca original.--superaÍt disfircia -a cntre indivÍduo c mundo. podcr vislumbrar a intcgração no mundo elcmentar do mito. da individuação. dissociadoentre os valores em transição. Em ambos os caso6. 5. principalÍnente. O abandono da perspectiva mostÍa scÍ cxpressão do anseio dc. em que não sc dera ainda o pecado original da "individuação" e da projeção penp€ctívica. cronológico. supÍime-le a distância enEe o homcm e o mundo e com isso a perspectiva. Comprccndemos agora mais de PcÍto PoÍqua a personalidade individual tiúa de desfazêÍ-sec toÍnar' -se abgtrata no pÍoc€sso técnico descrito: paÍa que 8e revelem tanto melhor as configurações arqueúpicas do ser humano. as do pecado original. símbolo dessa cisão c distância que o poeta G. Esta consciência individual seÍia apenâs uma tênue camada. uma onda fugaz no mar insondável do incoosciente anônino. esta glorificação do início e do elementar são típicos justamefte para as vanguardasmais requintadas. cujos autores tentam ÍetificaÍ as enfocações tradicionais. no desejo de fugir para um mundo ou uma época em que o homem. cxpÍime nesta mcsma dccompocição do indivíduo a sua esperança dc. longe de scr linear c progÍe8sivo (como é o tampo judâico-cristão). a partir del4 podeÍ constituir uma realidadc que não seja falsa e "ilusiooirta'. Esse culto do arcaico. é um padÍão fixo quc a humanidadc Ícpctc na sua caminhada ciÍ€ulaÍ atÍavés dos milênio6. feitos dc pesadelo e Àogústia.de Tcscu no labirinto . de Promeúeu. arautos fenorosos dc uma unidade apcrspêcúvica cm que não há "pontoc de fuga" c cm quc os seÍcs sc confundem c spagam na "unio mystica" plana. enqusnto revela essa fragurcntação nas suâs IrÍsonagens desfeitas e amorfas. Gerâções inteiras de artktas e intclectuais pÍocuÍatn ÍrctrcontÍâr uma pooição ertável c e&ra pr@uÍa. Ícsultado c causa dc uma instabilidâdc cada vez maior. Vimos quc a radicalização do romance psicolô gico do séculopassadolevou à sua autodissolução da mesma forma como a aprofundação da pesquisa cienúfica levou a hipótese de o indivíduo consciente e racional ser apenasum €nte ficúcio. O tempo linear.

com 90 isso. Dedalus e Molly. revi. Esta odisséia do século XX. Em todas estase em muitas outras obras se nota.numa visão saudosa e irônica .montagens artificiais. à "essência absoluta que vive por trás da aparência que vemos".ãdotando poÍ assimdizer uma visão estereoscópica ou tridimensional. variações de estilo.r p'eÍsonagens a ilusão da realidade Íoe ram criadas por uma esÉie dc truque: o romancista. a interminável viagem do herói homérico. evidente tentati. No ronance do século pascado I peÍspectiva. logo de fora. a plasticidade d.abtração e desindividualizaçãode quê partimo6.as ao longo de um enÍedo cronoló gico (r€trocessosno tempo eram marcâdoc como tais). Na dimensão mítica. lutando com o MinotauÍo do tcmpo.um mundo em que as e$feras divina e humana aiuda se interpenetram numa unidade sem fenda. é celebrada. são a erpÍB3ão formal precisa de um mundo em que a continuidade do tcmpo empírico e o eu coeÍ€nte e epidérmico iá não têm sentido. 8ão apenas manifestações fugazes. Renasce. evoca a unidade mítica e revela ao mesmo tempo.ga como mera aprÍência tro eteÍlo Íetortro dâE mê3mas Êituaçõese e$úuturas coletivas. que disse de si que "sou trezentoc. as angristias do her6i de Berlim Alexanderplatz (Alfred Doeblin). va de superar a ümensõo da realidade sensível para chegar. de Michel Butor. é parte da luta etema entÍe as foÍças divinag e demoníacas. Ë uma repetição da queda. é €xpulsa da unidade original. sofre a tortura de Sísilo num mundo absurdo. poÍ assim dizer. esta desÍealização.pÍesente e futuro se identifican: as personagenssão. ainda que em termos de paródia. conhe. que a ultrapassa e abarca. no mar urbano da "Polis" de Dublin. são sincronizadag com temas bíblico6. confundem-se com seus predecessores remotos. 9T . o heói de L'Emploi du Temps. de Guimarães Roaa. é portadora de uma mensagem sobre-humana. Tetêmaco e Penélope.abertas não só para o passado individual e sim o da humanidade. No esfacelamentode Macunaíma naoiÍestam-se. Revel. vividas na Babel modema da gande cidade. máscâÍas momentâneas de um processo eterno que tratrsceÍde não so o indiúduo e sim a própria humanidade: esta. em grau maior ou menoÍ. do inconsciente no conscic e. as sstruturas arqueúPicas do3 deuscsdespedaçadc. enfocava as suas peÍsonagens logo de dentro.o herói & Grande krtão: Yeredas. onisciente. repete no labirinto da g:ande cidade a aventura de Teseu. Essa corupção oÍigioal atua incessantementr nos dias atuais. reintegrada no Arqui-Ser. Na odisúia de um só dia. através das preocupaçõesnacionais c p€ssoaisde Mário de Andrade. pÍenhe de dissociaçõ€s.ia-lhes o futuro e o passadoempíÍico8. lou trezentoc-c-cinqüenta".a constÍução ciÍculaÍ. scgundo as palavrâs do pintor expressionistâ Franz Marc. na sua própria estÍutura. as perconagens míücas de Ulisses. vive a frustração do homem que almeja chegar ao Castelo dos poderes insondáveis etc. Íealçava-lhesa veroesimilhança(aparência da verdade) conduzindo. biográficos. a razâo dessaprocuia saudosa. A técnica complexa de Faulkner. Boa parte da obra de Faulkner reencena como mito puritano a conspurcaçãoda terra prometida pelo materialismo e pelo ódio racial. ergue-seprometeicamentecontra as divindadee. atÍavés dâs máscaÍas de Bloon. a irnrpção do passado no presente €. 6. abertas paÍa o pâssâdo que é pÍesente que é futuro que é pÍesentc que é passado . situava-as num ambiente de cujo plano de fundo se destacavamcoú nitidez. vc o drama de Fausto em pleno sertão brasileiro. mas de novo rocompostos. passado. Assim. em Ulysses transpaxecem. a inversão cronológica dos acotrtecimentos.

se de um lado é causa.narrador. 92 Em muitos romatrc€s de traNição o pÍópÍio naÍconÍador começa a ironizar a sua peÉpectiva ainda descúpaÍ-se por sabeÍ tãnvencional. as pessoassc fragmentam. Já não existe um Eu naÍradoÍ fíxo face a um Eu naftâdo em. O narÍadoÍ. a reminiscência transforma o passado em ahralidade.l é feita de tÍevas impenetráveis que não permitem a visão circunspecta do romarcista tradicional. vai tecnican€nte muito além de Proust. Não -descreve a psicologia individual de Fulano e Sisrano que. as perspectivasse borram. O primeiro grande romancista que rompe a tÍa. mesmo quando não se manifestava de um modo acentuado. Como o nanador já não se encontra fora da situação narÍada e sim profundarncnte envolvido nela não há a distância que produz a visão perspecúvica.junto com o mundo exterior' no fluxo da consciência caótica da personagem. dade de romances mdemos narrados na voz do presente. Por mais fictício que seja o imperfeito da narração. num magÍra sem nome ou contomos" (L'Ere de Soupçon). A romancista Nathalie Sarraute acentua que "o leitor se encontra de chofre no íntimo. É digno de nota a grande quanti. ente humano como suâs figuras. confonne a expÍcssão de Virgínia Woolf.de eniadeamento cswal. numa profundeza em que nada mais permanece das marcas confortáveis com cujo auxílio (o autor trâdicional) constÍói a personagcmficúcia. Nos seus próprios Íomances. lançando-se. visto que a cronologia se confunde no tempo vivido.como so a autora quisessedemonstrar a relatividade de tudo e a teoria de Einstein. transformação. Possivelmente a relatividade da própria teoria da relatividade. esta voz grâmatical revela distância e indica que o narrador não faz paÍte dos sucessos. Vimos que esta "técni. sem tempo. Quanto mais o narrador se envolve na situação. o próprio Eu narrador se trânsforma constantemente.há outrot tipoe de narrativas em que o narrador se omite . Ele submerge. de fato.pela ensomentede fora: renunfocação rígida das personagens 93 . desaparecendo por trás da obÍa como se esta se naÍÌasse sozinha. o romance se passa no íntimo do . é Marcel Proust: para o narrador do seu graude romance o mundo já nãõ-ãúm dado objetivo e sim vivência subj€tiva. Os mecanismospsíquicos são os mesmos em todos os seres humanos: ele nresmo os vive.. de outro lado é resultado do fato de que. quer para eliminar a irnpressãode distância entr€ o narrador e o mundo narrado. ca". o mundo na1rado se torna opaco e caótico. impunha-lhe uma ordem que se assemelhava à projeção â partir de uma consciênciasituada fora ou acima do contextonarrativo. conquanto ainda de modo moderado. participa das mesmas estmturas coletivas: não as inventa. quer para apÍesentar a "geometria" de um mundo eterno.tanto atraves-Oa mais os contornos nítidos se confundem. viqfu tÌricroscópicae da voz do presente.ainda que se apresentecomo Eu que alega narrar as próprias aventuras:o Eu que narÍa já se distanciou o suficiente do Eu passado (nanado) para ter a visão perspecúvica. no mesmo lugar em que se encontra o autor. O Eu passadojá se tornou objeto paÍâ o Eu narrador. não Pode conhecer. descreve processos fundamentais de dentro da perso nagcm que se confunde com o narÍador no monólogo interior. dição do seculo XIX. numa matéria tão anônima como o sangue. a vida atua. Chega nesmo a to a Íesp€ito de personagensde que não pode conhec€r as emoçõese a biogÍafia mais íntimas' Surge então a tentativa de superar tais dúvidas através da autoridade do mito: o narrador.ou pelo nenos suPera o nartador tradicional . 1 Se neste tipo de romanc€s o narrador objctivo se omite..

.psicologia que elimina qualquer referênciaà vida psíquica).exilado" c o poder meta94 que o êsmage. O graadc modelo dc tais romârccs é USA. como foi chamado. É um Eu que nada tem a narrar sobre a sua vida íntima porque não a tem ou não a s61hsçs. curiosamente.Hemingwayaplicou com rigor esta técnica derivada da psicologiacomportamentista ("Behaviorism" .om preciúo a catc mito da frurtração e da impossibilidade dc reencontrâr a usidade pcÍdida: o pccado é a própria individuação. KaÍta. naré rada na forma do Eu. cuja técnica cncontraDoEtâmbém cm Berlim Alcmnfurplotz. cujo tcms é a simultânêidadc da vida coletiva de uma €âta ou cidado ou dc um amplo e€Pâço gcográfico num scgDsnto dc tcmpo. Dcscreve-lhes a apenas o comportamento exteÍior e reproduzos diálogos.quace totalneotc deaindividualizados . escreveu o milo dâ impo$ibilidade do Íetorno ao mundo mítico. 06 indivíduos . ligada a um estilo seco e impessoal. de Beckctt): Penpcctiva falra c cxagerâda do6 EuÍrcalistas que coÍrê6Pondec. maldades que não conhecera.' romancede Camus. à mancira de rapidftaimc cortcs cincmatogÍáficos.uma coerênciade atitudes que ienoraÍa. com efeito.cmboÍa mG dc dificada. itineráric de bonde . vive planandona superfíciedas sensações. Não tem dimensão interior. já não cxiste a mínima relação.Nunca ìhes penetraa alma. apenas a âfirmação do absurdo.moatagcm quc Írproduz. Neste mundo. É precisamente Êtrungerque se chamao melhor L. torna as personagens estranhas ime penetráveis. em L'Êtranger. já em si destrúda pela simultaneidadc doô acontÊci95 . po_rém. informaçõcr polítie! c meteorológicas.O próprio assassínio cometeé conseqüência um. mab rccantementc. exprimiu a profunda dúvida em face da alienação rnterpostacntre o homem. o c€ntÍo pe8soalou a enÍocaçeo coeÍente e suces6ivade uma personagemcentral. É uma focalizaçeo que s€ presta d€ iúcio a dar vida intensa a um mundo heróicoe primitivo em que a psicologiaé substituída p€la ação. que de reflexo e não de ódios ou emoções íntimas.cia a conhecerJhes intimidade. Introjeta nel€ motivos que não tiveÍa.são lançadoo no turbilháo d€ uEa úontagem csótica de monólogG intcrioÍcs. Reconhcccmos. le Swsis (Sartrç) ou. cartazer dc propagüda. em certa medida. Em Camusjá úo há físico insondável dúvida. Também ncútc tiPo dc romances se vcrifica o abandooo completo da picologia "retrôtitla" do Íomanc€ tÍadicioÁal (psicologia e romônc€ que. isento de quaisquerexplicações causais. Mas a perspectiva unilateral. Doe Parco. Faz dele personagem romance trade dicional para poder condená-lo. nodcias dc jorúol. mas com a técnicabehaviorista. Ainda o mcsmo ocoÍÍe nas obrac. A técnica rimultânea jo8ê com graúdcs espaç('6 e coletivos. o rcdcmoinho da vidâ mctropolitsna. em Possoge Milan. sem comunicação. Esta obra. Notamos nesta obra dc Camus algo da óptica "surrealistâ" de Kafta cont 8ua8"pcrEonagÊnlem Prr> jao" que ncm nome têm e que vivem no t mPo Pâralisado da espera (como a:l pcÍ&rnag€nr & pqa Espe' rando Godot.i sÍn "falso Eu". quase sempÍe. Em algunscontos admiráveis. o tribunal dc KaÍka: estc. Esse tÍibunal absurdo é um grande símbolo da alienação:entre o Íéu -cidadão de quem o Estado e scu tribunal tiÍam o tieu direito e foÍça . & Michel Butor.num mundo iguâlmenteestÍanho e Indcvassável. O indivíduo dissolve-seoa polifonia dc vastoú afrcscos gus tendem â abaodonar poÍ intciÍo a ilusão óptica da penpcctiva. Elimina. entes "estrangeiros". cstâtísticãs. d.O tribunal que o condena tenta restituirlhe a alma para poder condenáìo. são objctos dc paódia).solitários. bem como em ouitos outfos romances. os seres humanos tendem a toÍnar-se objetos sem alma entre objetos sem alma.è cste mesmo tÍibunal criado oelo cidadão.

do objcto . timbra eú ig[orrÍ. quer a consciência no mundo. atrâvés da constântc Ílútomada do fio do raciocínio e do círculo .a:' uln. do ciúme como tal. dlcm rcÍ cnçafn96 das com ccía Íêserva. nas outras aÍtca)' radicais como Marcel Brion gamos a ónclusões tão essenãu Hans Sedlmayr: de que À arte modema seÍia dúvida se cialmente religiosa ou irreligiosa' Mas sem h91q911 exprime na aúe noderna uma nova visão do a e àa realidade ou' melhor. E no últfuro caso abrc-sc um abismo entrc indivíduo e mundo c. pois esta só sc define no mundo. como sintomas.o "achÀtamcnto'. Ncrtar páginac Dão foi tentado aprescntar uma teoÍia s 8im uma réric de hipótcscr quc. Todas as três pcrrpccúvas. dcixa dc scr pcsroa htcgra. MuÍto menos foi tentado aprc. acatc mundo imcnso dr realidadc social quc súoca o "clcmcnto" hunano.das cogtaçõl$' O desta penpectiva. cujo efeito é o mesmo da microscópica . na vida psíquica da sua personagem. falando de Caous e Kafta. flutuante como um ção. dcstacando. a pcssoa pcrde a sua integridadc.mentos. Curiocamcntc. de grande dictância. ao mcsmo tcmpo cxpressãoverdadcira das transformações ameaçadoras quc a perspectiva equilibrada do romancc tradicional. mesmo à base destâ €rposiçáo decorrensemelhantes' mentar é óbvio que preocupações Zeitgeist. como todar as analogiae entrc ar divonar srtcr. climinando por inteto a personagct! que é Portadora deste ciúme' rudiEntretanto.sc o foco nÉo !c dissolvcrsc junto con as p€Ísonagensvisadâs. em amboe oo câ:tos o narrador sc confessa incapaz ou dcsautorizado a mântcÌ{e na poeição distanciada c superior do narrador-'1rcú$t. Por eremplo.como ntquelcs cm quc se lança no rodopiar do mundo. o indivíduo dcsfaz o mundo e deixa dc scr pessoaíntegÍa. Poder-se-iafalar de um enfocação telescripica. tentativa que se iltuãçáJãã homem e revelq no próprio esforçglte assjmlf{' na gsJrutura precaáÀ oúra-de-arte (e não apenas na temática)' a .íeaãõíãa úiCão do indivíduo no mundo moderno' A fé renascentistana posição privilegiada do indivíduo desapareccu. por assim dizer o padrão gpométÍico. 8. quando usada cm nossos diar. aind! n6te óptica. tcntou incorpoÍar na própria estruhrÍa deste trabalho a dúvida. Vcmos. no segundo caso. eEr l. tcnla reproduzir o etemo ÍitDo "gáÍico".' são. também rcsta cnfeação. quc a pcrspcctiva taoto !c dcsfaz nos romances em quc o narrador submerç. se manifestam na pintuÍa e no do do mesmo Não che. tÍagÀda pela vaga da rcalidade coletiva.lo'Jsie. visadas a PartiÍ dos momentos da absração' ou da eliminação do retÍato individual c da ausência Mas esta nossa enfocadeformação da perspectiva. por inteiÍo. sab€ndo-scunilateral embora mobilc dc Calder.talvcz que irnporta é a fcíilidadc cioco . sem dúvida.mtrndo-d€ -gu_gll. Quer o mundo se dissolva na consciência. poÍtarto.oaoo* (". sendo sintomas de um gravc dcscquilíbrio. um Pouco arbitnírio. o mundo dcgfaz o indiúduo que. ainda que ela seia precária como lão hojc todas as PcrsPoctivas. cm todo6 os tÍôs casoe c rcsultadoc ce assemclham: no primeiro. Robbe-GÍillet que.sc delc. sentar um quadro comPleto das novas enfocaçõca' Não foi abordado o romance existcucialista' nem o ÍG mance "geométrico" de A. Nem todas âs facetas Puaeran sc. O modo dc abordsr o problema foi' evidcntemcntc. 97 .9je!4 ilusão a partir da sua posição privilegiada" Essa distância é precisamentc exageradae ac€ntuada âo cxtÍÊmo na perspectiva deformada que. a qual substitui a cronologia.. chamamos dc "surrcalista". a tentativa de redefinir do indivíduo.