ANUROFAUNA DA FLORESTA NACIONAL DE PIRA´ DO SUL I

Nathalie Edina Foerster
Lucas Batista Crivellari; Carlos Eduardo Conte
Universidade Estadual de Ponta Grossa, Ponta Grossa, PR. nathalie.foerster@gmail.com Universidade Estadual Paulista - UNESP, Departamento de Zoologia e Botˆnica, S˜o Jos´ do Rio Preto,SP. a a e Universidade Federal do Paran´, Departamento de Zoologia, Curitiba, PR. a

INTRODUCAO ¸˜ O Brasil possui a maior diversidade de anf´ ıbios anuros do planeta, com um total de 877 esp´cies (SBH, e 2011, Frost 2011), n´mero que deve estar ainda suu bestimado visto que muitas regi˜es ainda n˜o foram o a estudadas (Pombal & Gordo 2004) como a Floresta Ombr´fila Mista (FOM) do Estado do Paran´ (Conte o a et al., 2010). Agravante ´ que diversos estudos tˆm e e apontado o decl´ ınio de anuros pelo planeta (Blaustein, 2007), sendo que a destrui¸˜o de h´bitats ´ um dos princa a e cipais fatores respons´veis por esse decl´ a ınio (Heyer et al., 990; Blaustein, 1994). Portanto, considerando essa carˆncia de estudos e a redu¸˜o da FOM, esse ecossise ca tema se torna uma ´rea importante para a realiza¸˜o de a ca estudos de sua anurofauna. Mesmo sendo um ecossistema reduzido a menos de 1% de cobertura em estado avan¸ado no Paran´ (Castella & Britez 2004), abriga c a cerca de 130 esp´cies, das quais 13 s˜o endˆmicas e 18 e a e esp´cies ainda n˜o formalmente descritas (Conte 2010). e a OBJETIVOS Realizar o levantamento da fauna de anf´ ıbios anuros da Floresta Nacional de Pira´ do Sul e contribuir para o ı conhecimento da diversidade e distribui¸˜o deste grupo ca no Estado do Paran´. a ´ MATERIAL E METODOS A pesquisa foi realizada na Floresta Nacional de Pira´ ı do Sul (FLONA), localizada na divisa entre o primeiro e segundo planalto do Paran´ a uma altitude de 1000 a

metros (Moro et al., 009). A FLONA possui uma ´rea a total de 152 hectares, com uma vegeta¸˜o bastante dica versificada, com ´reas de reflorestamento de Arauc´ria, a a Imbuia e Pinus e floresta nativa (Moro et al., 009). O clima da regi˜o de acordo com K¨ppen ´ do tipo Cfb, a o e subtropical umido, com a temperatura m´dia m´xima ´ e a nos meses mais quentes inferior a 22o C e inferior a 18°C nos meses mais frios, com ver˜es moderadamente queno tes. O estudo foi realizado mensalmente no per´ ıodo de outubro de 2010 a mar¸o de 2011, durante o per´ c ıodo noturno, do crep´sculo at´ aproximadamente as 24:00h. u e O invent´rio e a estimativa de abundˆncia foram rea a alizados pelo m´todo de amostragem em s´ e ıtio de reprodu¸˜o (Scott Jr & Woodward, 1994) e por busca ca ativa (Conte & Rossa - Feres 2006). Foram amostrados cinco habitats, quatro dentro do interior da mata (riacho, a¸ude, banhado e um taboal), al´m de um c e a¸ude em borda de mata. A estimativa de riqueza de c esp´cies, considerando o levantamento efetuado nos core pos d’´gua, foi calculada pelo estimador “Abundance a Coverage Estimator” (ACE) com base na abundˆncia a mensal das esp´cies. e

RESULTADOS Foi registrada a ocorrˆncia de 26 esp´cies de anuros e e na FLONA, que representam 84% da riqueza estimada (ICE 31 esp´cies) pertencentes ` oito fam´ e a ılias: Brachycephalidae (Ischnocnema henselii), Bufonidae (Rhinella abei), Centrolinidae (Vitreorana uranoscopa), Cyclorhamphidae (Proceratophrys boiei), Hylodidae (Crossodactylus sp.), Hylidae [Aplastodiscus perviridis,
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X Congresso de Ecologia do Brasil, 16 a 22 de Setembro de 2011, S˜o Louren¸o - MG a c

R. P. C. R. T. D. R.R. 2004.FERES.FERES. o e POMBAL Jr. J. KWET.MG a c 2 . Arquivos de Zoologia 31(4): 231 . A riqueza encontrada representa 18% das esp´cies registradas para e o Paran´ que ´ de 142 esp´cies (Conte. MACHADO. CONTE. Amphibian population declines: evolutionary considerations. M. Perfil fitossociol´gico da veo geta¸˜o da Floresta Nacional de Pira´ do Sul. 23(1):162 . MORO.. BLAUSTEIN. (gr. CHAVES. S˜o Louren¸o .org/vz/herpetology/amphibia/ American Museum of Natural History.49. especialmente para a manuten¸˜o ca ca de esp´cies com h´bitos florestais. albosignatus.A.S.. Machado & Bernarde (2002) com 28%.297 .256. R. Missouri Bot. 2010). MORO. a DUELLMAN. SBH (Sociedade Brasileira de Herpetologia). J. sendo que Dendropsophus minutus (n=270). F..) Historia natural da Serra do Japi. I.E.. 2007. & ROSSA . (Eds.htm (´ltimo acesso em 09/05/2011). 2009. a e a bras. MIODUSKI. Sociedade Brasileira de Herpetologia. ˆ REFERENCIAS BERNARDE. New York. Paran´. P. ˜ CONCLUSAO Os resultados obtidos indicam que. C. Hylidae foi a fam´ mais repreılia sentativa em rela¸˜o ao n´mero de esp´cies. 2004. p233.37.75:79 . W.C.C. Fuscovarius com apenas um registro cada. laterestriga) e Leptodactylidae (Leptodactylus cf. Riqueza e distribui¸˜o espa¸o .R. M. B. Flora e Fauna. uranoscopa.444. P. & SAZIMA.5%. D. Anura) em uma localidade do Munic´ de Tijucas do Sul. gracilis e P.A. L. Novos registros na distribui¸˜o geogr´fica de anuros na Floresta ca a com Arauc´ria e considera¸˜o sobre suas vocaliza¸˜es. R.4 (8 April. Paran´. BioScience 57: 437 . Braıpio a sil.. D.A. faber.. PR. ca e a Brasil (Amphibia: Anura). Esta¸˜o Ecol´gica da Jur´ia Itatins: Amca o e biente F´ ısico. BIANCHINI. S.FERES. & MACHADO. . surdus (n=160) e Hypsiboas bischoffi (n=135) foram as esp´cies mais abundantes. D. valor a e e aproximado ao encontrado em outros trabalhos realizados no estado. CASTELLA. Amphibians in a bad light. PEREIRA. Anurofauna da Bacia do Rio Tibagi. Patterns of species diversity in anuran amphibians in the american tropics. com 16 ca u e esp´cies. A.A. H.A. A. Ribeir˜o Preto. S. Spahenorhynchus cf.104. 2005. bischoffi. J´ e a as esp´cies mais raras foram Scinax sp. a ca co Biota Neotropica 10(2): 1 24. Lista de esp´cies de anf´ e ıbios do Brasil. Dendropsophus microps. http://www. BLAUSTEIN.br/checklist/anfibios.Feres (2007) com 22. H. & ROSSA .sbherpetologia. 1988. cf. S. 16 a 22 de Setembro de 2011. GELS. Revista Brasileira de Zoologia 24:1025 . & BERNARDE. CONTE. Leiuperidae (Physalaemus cuvieri. Bokermannohyla circumdata.321.C. R. p.F. E. minutus. USA. Revista Brasileira de Zoologia 22:940 .. (Eds.104. R. KACZMARECH.306. & R. 2002. como por exemplo. Anf´ ıbios anuros da Jur´ia. In: MARQUES O. refor¸ando a importˆncia da prec a serva¸˜o da mesma. 1990. Gard.A. Natural History 10: 32 ..948 CONTE. LINGNAU. C. Rhinella abei e S. SHIBATTA. HADDAD.C.V. como ´ o caso de e a e Proceratophrys boiei. Bras´ ılia. p. Bernarde & Machado (2001) e Conte & Machado (2005) com 16% e Conte & Rossa . 2011. M. surdus]. & MACHADO. et al. P.. Amphibian Species of the World: an Online Reference. R.243 . CONTE. Diversidade e ocorrˆncia temporal da anurofauna (Amphibia. ambientes de reprodu¸˜o e temporada de e ca vocaliza¸˜o da anurofauna em Trˆs Barras do Paran´. Ann. fuscovarius.A. Scinax sp. R. Frogs of Boracea.E...S. BRITEZ. 2001. p. zool. In : ORELLATO. 2011). aromothyella. a p. 2007. A. como observado por Duellman (1988) e Haddad & Sazima (1992). latrans). Holos. & GORDO. 2010. ROSSA . Brasil.)A Bacia do Rio Tibagi. um remanescente de Floresta Ombr´fila Mista pode abrigar diversas esp´cies o e de anf´ ıbios anuros.410. e W.E. R. A. cf.. H. prasinus.. 2006. D.54% do total. O. Reca ı lat´rio t´cnico. S. u X Congresso de Ecologia do Brasil. e Anura) em S˜o Jos´ dos Pinhais.. & BANCROFT. Ischnocnema henselii e V.K. Bokermannohyla circumdata. Campinas: Editora da Unicamp/FAPESP.P. 1992. perereca. 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A fam´ Hylidae tamb´m foi ılia e mais representativa em rela¸˜o ` abundˆncia de inca a a div´ ıduos. Riqueza de esp´cies. MILAN. M. C.1037. R.E.org. MACHADO. Version 5. B.A.E. Phyllomedusa tetraploidea. ruber ).

.. Hayek..SCOTT Jr. S. S˜o Louren¸o . p. & WOODWARD. (eds).MG a c 3 . Measuring and Monitoring Biological Diversity Standard Methods for Amphibians.125.. W. Surveys at breeding. Washinton: Smithsonian Institution Press. A. B. In: Heyer. J. X Congresso de Ecologia do Brasil. 16 a 22 de Setembro de 2011.. N. 1994. & Foster. R.118 . D. C. L. Donnelly. R. M. A. W. Mcdiarmid. M.