Superior Tribunal de Justiça

MANDADO DE SEGURANÇA Nº 14.753 - DF (2009/0209431-9) RELATOR IMPETRANTE ADVOGADO IMPETRADO : : : : MINISTRO JORGE MUSSI RAQUEL LEMOS GONÇALVES PUTTINI MARCOS BARBOSA MINISTRO DE ESTADO DO TRABALHO E EMPREGO EMENTA ADMINISTRATIVO. SERVIDOR PÚBLICO FEDERAL. REMOÇÃO PARA ACOMPANHAMENTO DE CÔNJUGE. PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS ESTABELECIDOS NO ART. 36, PARÁGRAFO ÚNICO, III, "A", DA LEI N. 8.112/90. ORDEM CONCEDIDA. 1. Segundo o art. 36 da Lei 8.112/90, preenchidos os pressupostos estabelecidos no inciso III, a remoção é direito subjetivo do servidor, independente do interesse da Administração e da existência de vaga. 2. Para a remoção para acompanhamento de cônjuge, a norma estabelece como requisito prévio o deslocamento no interesse da Administração, não sendo admitido qualquer outra forma de alteração de domicílio. Precedentes. 3. A realização de processo seletivo para preenchimento das vagas de setor recém criado pelo Tribunal de Contas da União, na cidade do Rio de Janeiro, não afasta o interesse público da Administração. A adoção desse instrumento formal condiciona-se ao juízo de conveniência da Administração, que escolheria o servidor observando os limites da legislação de regência. 4. Ordem concedida para para garantir a remoção da impetrante para a cidade do Rio de Janeiro/RJ. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros da Terceira Seção do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, por unanimidade, conceder a segurança, julgando prejudicado o agravo regimental, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Og Fernandes, Sebastião Reis Júnior, Marco Aurélio Bellizze, Vasco Della Giustina (Desembargador convocado do TJ/RS), Adilson Vieira Macabu (Desembargador convocado do TJ/RJ), Gilson Dipp e Laurita Vaz votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento a Sra. Ministra Maria Thereza de Assis Moura. Brasília (DF), 28 de setembro de 2011. (Data do Julgamento).

MINISTRO JORGE MUSSI Relator

Documento: 1093200 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 13/10/2011

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parágrafo único.Site certificado . Documento: 1093200 . Saulo Benigno Puttini. Narra que seu marido. É o relatório. "a". contra ato do Ministro de Estado do Trabalho e Emprego. impetrou mandado de segurança. opinou pela concessão da segurança. O Ministério Público Federal.DJe: 13/10/2011 Página 2 de 8 .112/90. 36.112/90. da Lei n. é servidor público ocupante do cargo de analista de controle externo do Tribunal de Contas da União e participou de concurso de remoção. para assegurar o exercício de seu cargo no Rio de Janeiro/RJ.753 . principalmente porque no momento da impetração estava em gozo de licença gestante.Superior Tribunal de Justiça MANDADO DE SEGURANÇA Nº 14. 8. da Lei n. mediante participação em processo seletivo. se deu de ofício. alterando sua lotação para o Rio de Janeiro/RJ. o que não autoriza o benefício previsto no art. Pugna pela concessão da ordem.Inteiro Teor do Acórdão . parágrafo único. por seu advogado. no parecer às fls. que lhe negou requerimento de remoção para acompanhamento de cônjuge. a autoridade apontada como coatora sustenta que a remoção do cônjuge da servidora ocorreu por interesse particular. a fim de que seja preservada a unidade familiar. Nas informações prestadas (fls. III. 36. para ocupar função de confiança.DF (2009/0209431-9) IMPETRANTE ADVOGADO IMPETRADO : RAQUEL LEMOS GONÇALVES PUTTINI : MARCOS BARBOSA : MINISTRO DE ESTADO DO TRABALHO E EMPREGO RELATÓRIO O SENHOR MINISTRO JORGE MUSSI (Relator): Raquel Lemos Gonçalves Puttini. III. 155/164). A medida liminar foi concedida às fls. 186/197. A impetrante considera ilegal a negativa da Administração em lhe conceder a remoção prevista no art. "a". caracterizando o interesse público na mudança para o Rio de Janeiro/RJ. pois o deslocamento funcional de seu cônjuge. 145/147. com pedido de liminar. 8. a quem pretende acompanhar.

112/90. destaca-se o seguinte precedente oriundo da Terceira Documento: 1093200 . II . Extrai-se do texto transcrito que a remoção. também servidor público civil ou militar.de ofício. cônjuge. na hipótese em que o número de interessados for superior ao número de vagas. Parágrafo único.DF (2009/0209431-9) VOTO O SENHOR MINISTRO JORGE MUSSI (Relator): A questão que ora se apresenta está em definir a existência de direito líquido e certo da impetrante à remoção para acompanhamento de cônjuge. companheiro ou dependente que viva às suas expensas e conste do seu assentamento funcional. III a pedido para outra localidade. a pedido ou de ofício. de qualquer dos Poderes da União.Superior Tribunal de Justiça MANDADO DE SEGURANÇA Nº 14.que foi deslocado no interesse da Administração. b) por motivo de saúde do servidor. dispõe o art. no interesse da Administração. com ou sem mudança de sede. de acordo com normas preestabelecidas pelo órgão ou entidade em que aqueles estejam lotados. Para fins do disposto neste artigo. condicionada à comprovação por junta médica oficial. entende-se por modalidades de remoção: I . quando preenchidos os pressupostos legais.527/97. servidor público transferido para o Rio de Janeiro/RJ. no âmbito do mesmo quadro.Site certificado .DJe: 13/10/2011 Página 3 de 8 .Inteiro Teor do Acórdão . Remoção é o deslocamento do servidor. constitui direito subjetivo do servidor. 36 da Lei 8. a critério da Administração.753 . independentemente do interesse da Administração: a) para acompanhar cônjuge ou companheiro.a pedido. dos Estados. do Distrito Federal e dos Municípios . como forma de resguardar o cânone da unidade familiar. in verbis : Art. 36. Com efeito. independente do interesse da Administração e da existência de vaga. c) em virtude de processo seletivo promovido. com a redação dada pela Lei nº 9. Nesse sentido.

Aqui. portanto. julgado em 12/08/2009. a Administração tem o dever jurídico de promover o deslocamento horizontal do Servidor dentro do mesmo quadro de pessoal. mormente na qualidade de empregador. 36. que o tratamento da patologia pode ser realizado na própria cidade de lotação.Inteiro Teor do Acórdão . na espécie em julgamento. 5. nas hipóteses dos incisos I e II do art. 36 da Lei 8. registre-se. o disposto no art. expressamente garantido pelo art.112/90 deve ser interpretado em harmonia com o que estabelecido no art. prévio deslocamento de qualquer deles no interesse da Administração. qualquer que seja a dimensão institucional em que atue. ORDEM CONCEDIDA PARA DEFERIR A REMOÇÃO DA SERVIDORA DE PALMAS/TO PARA A CIDADE DE BELO HORIZONTE/MG. 6.112/90. 196 do Texto Maior (direito subjetivo à saúde). 36. 36 da Lei 8. 1. 4. 3. 196 da CF. O Poder Público tem. RECOMENDAÇÃO DA JUNTA MÉDICA OFICIAL. nos casos enquadrados no inciso III. b da Lei 8. ponderando-se os valores que ambos objetivam proteger.grifou-se). uma vez preenchidos os requisitos. bem jurídico constitucionalmente tutelado e consectário lógico do direito à vida. a norma exige. tem cunho psicológico e justamente por isso seu trato não se resume a medidas paliativas de cunho medicinal. DJe 28/08/2009 . A própria Junta Médica Oficial atestou a imperiosidade da transferência da Servidora para o Estado de origem para a eficácia do tratamento da patologia que. o cônjuge da impetrante participou de concurso de remoção. DIREITO À SAÚDE. TERCEIRA SEÇÃO.Superior Tribunal de Justiça Seção: MANDADO DE SEGURANÇA. INCISO III. o estado de saúde da impetrante.112/90.DJe: 13/10/2011 Página 4 de 8 . PARÁGRAFO ÚNICO. Não obstante o argumento utilizado pelo Ministério do Trabalho e do Emprego para indeferir o pedido de remoção da Servidora. 2. A teor do art. de modo que. Ordem concedida para garantir a remoção da impetrante para Belo Horizonte/MG. a concessão de remoção é ato discricionário da Administração. ART. não sendo admitido qualquer outra forma de alteração de domicílio. o instituto passa a ser direito subjetivo do Servidor. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO. obrigatoriamente. PRECEDENTES DO STJ. Rel. Em homenagem ao princípio de hermenêutica constitucional e da concordância prática. a dizer. nos termos da postulação. ao passo que. III.112/90. em que pese o parecer ministerial pela denegação (MS 14. PEDIDO DE REMOÇÃO. AUDITORA FISCAL DO TRABALHO. há que considerar. que se encontra comprovadamente debilitado em razão de suas funções profissionais. ALÍNEA B DA LEI 8. Documento: 1093200 . o dever político-constitucional impostergável de assegurar a todos proteção à saúde. Nos casos em que se pretende o acompanhamento de cônjuge. ATO ADMINISTRATIVO VINCULADO.Site certificado .236/DF.

sendo nomeado Assessor.Superior Tribunal de Justiça sendo aprovado para preencher uma das 35 vagas oferecidas para a 9ª Secretaria de Controle Externo . pois escolhe o candidato mais capacitado e preparado dentre aqueles que se candidataram ao cargo. quando a Administração realiza processo seletivo. São Paulo: Atlas.Inteiro Teor do Acórdão . Documento: 1093200 . p. ocupando ainda função de confiança. 2007. sempre objetivando cumprir o Princípio da Eficiência. velando pela objetividade e imparcialidade" (MORAES. Sobre o princípio constitucional em destaque. o faz com o objetivo de obter o melhor nome para o exercício daquela função.DJe: 13/10/2011 Página 5 de 8 . Nas palavras de Alexandre de Moraes.9º SEREX. ou seja. Em que pese o argumento utilizado. Nesses casos. como bem destacou o Parquet Federal. Segundo argumenta a autoridade impugnada. a remoção por processo seletivo visa a escolha impessoal de um servidor dentre aqueles que pretendem a transferência para a localidade em foco. o que demonstra a predominância do interesse pessoal na mudança. buscando os melhores currículos para a ocupação dos novos postos de trabalho. importante ressaltar que ele foi acrescentado pela EC n. que dá bom resultado. O processo seletivo foi apenas o instrumento formal adotado. Por isso. exercendo suas atividades sob o manto da igualdade de todos perante a lei.Site certificado . 91). que decidiria em observância dos limites da legislação de regência. o interesse da Administração surgiu no momento em que o Tribunal de Contas da União criou nova unidade de lotação no Rio de Janeiro e abriu concurso de remoção para os Analistas de Controle Interno. que deve atuar sempre de maneira a produzir resultados favoráveis à consecução dos fins que cabem ao Estado alcançar. situada na cidade do Rio de Janeiro. "o administrador público precisa ser eficiente. deve ser aquele que produz o efeito desejado. porquanto a transferência do servidor estaria condicionada ao juízo de conveniência da Administração. 4ª ed. 19/98 como imposição ao agente público. tem-se que a escolha é pautada pelo juízo de conveniência e no resguardo do interesse público. apesar da conveniência pública no preenchimento da vaga. Direito Constitucional Administrativo. Alexandre de.

publicado no DJe de 18/02/2011. são efetivadas no interesse da Administração. o órgão julgador não está obrigado a rebater. JUIZ DO TRABALHO. contrariamente aos interesses do recorrente. um a um. conforme se vê dos seguintes precedentes: AgRg no Ag 1354482/SC. 2. quanto a realizada a pedido do Magistrado. razão pela qual é devida a correspondente ajuda de custo. Agravo Regimental desprovido (AgRg no REsp 963. Não há falar em omissão quando o Tribunal de origem se manifesta fundamentadamente a respeito de todas as questões postas à sua apreciação. publicado no DJe de 16/02/2011. cumpre salientar que o argumento de que a impetrada ainda está em estágio probatório do cargo de Auditor Fiscal do Trabalho. DJe 13/12/2010 . INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 3. Destaca-se. Esse entendimento foi acolhido pelas Turmas que compõe a Primeira Seção deste Tribunal. nesse sentido. Segunda Turma. entretanto. em casos semelhantes. Primeira Turma. Ademais. QUINTA TURMA. Por essas razões. Precedentes. PROCESSO CIVIL.Inteiro Teor do Acórdão . Rel. relator Ministro Castro Meira.grifou-se). quando da remoção de magistrado para outra comarca. decidindo. Consoante assente orientação jurisprudencial desta Corte tanto a remoção ex offício. Finalmente. os argumentos apresentados pela parte. não há como acatar a tese de que a transferência para a cidade do Rio de Janeiro se deu para atender interesse particular do servidor.DJe: 13/10/2011 Página 6 de 8 . relator Ministro Teori Albino Zavascki. por força do edital do concurso a que se submeteu. REMOÇÃO A PEDIDO.960/SC. 1. julgado em 18/11/2010. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. somente porque esse participou voluntariamente de processo seletivo.Superior Tribunal de Justiça Convém ressaltar que. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO. ou decorreu de pedido do interessado. pouco importando se o preenchimento foi ex officio. acórdão da lavra do Excelentíssimo Senhor Ministro Napoleão Nunes Maia Filho: ADMINISTRATIVO. 535 DO CPC. deve prevalecer no mínimo três Documento: 1093200 . DIREITO À AJUDA DE CUSTO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. esta Corte já teve a oportunidade de se manifestar no sentido de que sempre está presente o interesse público no oferecimento do cargo vago. e AgRg no Ag 1319065/SC.Site certificado . e.

Site certificado . 226 da Constituição Federal. 36 da Lei 8.DJe: 13/10/2011 Página 7 de 8 . não afasta o direito líquido e certo aqui pleiteado. Diante do exposto.Superior Tribunal de Justiça anos na cidade de sua primeira lotação. A regra editalícia não pode se contrapor ao art. que consagra o princípio da proteção à família como base da sociedade brasileira e dever do Estado. que assegura o direito pleiteado e ao art. prejudicado o agravo regimental interposto às fls.112/90. concedo a ordem para garantir a remoção da impetrante para a cidade do Rio de Janeiro/RJ. Documento: 1093200 .Inteiro Teor do Acórdão . 168/182. tal como postulado.

753 / DF JULGADO: 28/09/2011 Relator Exmo. Sebastião Reis Júnior. Sr.Servidor Público Civil .DJe: 13/10/2011 Página 8 de 8 . ao apreciar o processo em epígrafe na sessão realizada nesta data. Marco Aurélio Bellizze. Dra. VANILDE S. Os Srs. 28 de setembro de 2011 VANILDE S. Ministro Relator. concedeu a segurança. Ministro JORGE MUSSI Presidente da Sessão Exma. Brasília. TRIGO DE LOUREIRO AUTUAÇÃO IMPETRANTE ADVOGADO IMPETRADO : RAQUEL LEMOS GONÇALVES PUTTINI : MARCOS BARBOSA : MINISTRO DE ESTADO DO TRABALHO E EMPREGO ASSUNTO: DIREITO ADMINISTRATIVO E OUTRAS MATÉRIAS DE DIREITO PÚBLICO . Sra. proferiu a seguinte decisão: A Seção. Presidiu o julgamento a Sra. JULIETA E.Remoção CERTIDÃO Certifico que a egrégia TERCEIRA SEÇÃO. julgando prejudicado o agravo regimental.Site certificado . M. TRIGO DE LOUREIRO Secretária Documento: 1093200 . Sra. Gilson Dipp e Laurita Vaz votaram com o Sr. Ministro Relator.Superior Tribunal de Justiça CERTIDÃO DE JULGAMENTO TERCEIRA SEÇÃO Número Registro: 2009/0209431-9 PAUTA: 28/09/2011 MS 14. Ministros Og Fernandes.Regime Estatutário .Inteiro Teor do Acórdão . por unanimidade. nos termos do voto do Sr. DE ALBUQUERQUE Secretária Bela. FAJARDO C. M. Adilson Vieira Macabu (Desembargador convocado do TJ/RJ). Vasco Della Giustina (Desembargador convocado do TJ/RS). Ministra Maria Thereza de Assis Moura. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA Subprocuradora-Geral da República Exma.