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a imagem livre de suporte

material desenvolvido para a oficina ministrada por Lina Lopes, Paloma Oliveira e Mateus Knelsen no espaço Trackers de São Paulo, durante os dias 8, 9 e 10 de dezembro de 2010.

este trabalho está sobre uma licença Creative Commons de atribuição e partilha similar 3.0. para mais detalhes, consulte o site da licença. caso citado, favor mencionar o nome do autor Mateus Knelsen e a url de origem http://medul.la/textos/projecao_mapeada.pdf. para outras informações, consulte http://medul.la. documento desenvolvido com os softwares livres gimp, inkscape e scribus.

O jargão "novas mídias" é possivelmente o melhor exemplo de um certo espírito "modernista" que. em suas dimensões visual e cognitiva. Tal entusiasmo não está presente somente no discurso publicitário.lanternas mágicas mágicas mágicas lanternas mágicas lanternas lanternas mágicas lanternas lanternas lanternas mágicas mágicas lanternas mágica um panorama Parafraseando Peter Weibel 1 . mas uma intensificação da experiência da imagem. Um espírito de crítica e produção que apela a uma capacidade utópica que o discurso tecnológico teria de se auto‐explicar e auto‐referenciar. há alguns anos. Future cinema – The cinematic imaginary after the film. PETER Weibel. da atuação tecnológica sobre a cultura. E talvez seja justamente esta hegemonia da imagem sobre nossa percepção que faça com que se admitam muito facilmente certos discursos entusiastas acerca. A paisagem midiática se impõe como uma tecitura labiríntica sobre o mundo perceptível. 1 WEIBEL. sendo o objeto tecnológico cada vez mais capaz de inserir imagens inacreditáveis na cultura. Expanded cinema. a ampliação das possibilidades dos aparatos visuais e dos recursos dos softwares posssibilitam não somente uma ampliação do horizonte visual. Esta falta de referência é talvez o principal sintoma da hegemonia absoluta da imagem. Cambridge: MIT Press. se instaurou em um certo número de manifestações artísticas que visam uma dialética com as ferramentas tecnológicas. com suas diversas camadas de significado que apontam para todos os tempos e espaços. p. Jeffrey. por vezes. acerca das decisões mais triviais. principalmente. tornando‐se difícil chegar a uma conclusão. . Peter. In: SHAW. 7. video and virtual environments. 2003.

Antes de se discutir alguns exemplos históricos que caracterizam esta diáspora. encontro organizado na Cinemateca de São Paulo. GUERRA. diga‐se de passagem) ou projeção mapeada são instâncias desta revisita a uma noção da imagem tecnológica como "auto‐ suficiente". mas em um esquizofrênico fluxo de informações que permeia o universo perceptível e a subjetividade. Esta revisita pode ser abordada como sintoma de um movimento que. como também uma expressão literal da modernidade líquida. tal qual distinguiria Lacan 4. possui diversos exemplos de uma diáspora da situação institucionalizada da caixa preta para um contexto de intervenção. . p. conforme lembra André Parente 3. portanto. do papel do artista e do público estão entre os sintomas de uma operação direta não numa realidade objetiva. em especial sobre um caráter de simulação e desvio do instituicional. a ação imagética proferida pelas mídias eletrônicas e digitais no universo cotidiano rumo a uma tecitura de simulação autônoma. Tais experimentações encontram hoje um contexto favorável para sua realização. 63.Propõe‐se aqui que o conjunto de técnicas e trabalhos recentes os quais convencionou‐se denominar video mapping (um termo bastante inadequado. como sugere Bauman. típica das vanguardas modernistas. que a projeção mapeada não só é uma vertente desta diáspora. mas sim expandido ou liquefeito2. Vide BAUMAN. Alba Gomes. mas também à crescente necessidade de se experienciar imagens coletivamente. devido não só às ferramentas eletrônicas e digitais. 4 Vide CARVALHO. Glória. 1999. A atuação midiática ao longo da história do cinema e da linguagem audiovisual. 2002. Aqui assume‐se. em 04 dez. do espaço corporal. não foi quebrado pela pós‐modernidade. Zygmunt. 2 Conforme seu conceito de modernidade líquida. 3 Em palestra proferida durante o seminário Cinema e arte contemporânea. Modernidad líquida. Rio de Janeiro: Garamond. Buenos Aires: Fondo de Cultura Económica. de performance. é importante que se discorra sobre duas dimensões desta operação midiática na cultura: uma técnica e outra sensória‐cognitiva. A ressignificação de linhas e volumes arquitetônicos. Interpretação e método: repetição com diferença. 2010. de releitura do espaço arquitetônico.

In: Media Art History. o vídeo introduziu a pós‐ produção e uma plurificação de subversões desta imagem cinética. apropriando‐se de toda a produção cultural e atribuindo‐a uma mesma ontologia. animando o inanimável por meio da "magia" tecnológica. geralmente próxima das experimentações em projeção mapeada. Oliver. da arquitetura. remixando não somente imagens provenientes de uma câmera. é um processo que sempre esteve tangente ao lugar do metafísico: a psique. 5 MANOVICH. do som. em uma colossal e caótica base de dados ligada em rede. atuando sobre quem experiencia cultura como uma "massagem". aplicadas nas proporções colossais de prédios e monumentos. Vilém. MCLUHAN.Como sugere Manovich. com a cinematografia. do corpo e da mídia. The language of new media. mas geradas no próprio meio digital. Remember phantasmagoria! Illusion politics of the eighteenth century and its multimedial afterlife. 7 FIORE. a morte (e a sua superação). São Paulo: Cosac & Naify. em paralelo às resoluções de imagem cada vez mais absurdas. a linguagem da imagem em movimento. se o cinema inaugurou. Lev. San Francisco: Hardwired. 1996. a vida artificial. Assim. Cambridge: MIT Press. A idéia de relação telemática. 8 GRAU. A atuação do Video Jockey (VJ). por sua vez. 6 FLUSSER. as recentes explorações audiovisuais sugerem uma continuidade de um processo de convergência dos atos de registro. . 148. 2001. p. produzindo imagens‐trama de diversas camadas em tempo real. moldando da percepção ao comportamento 7. p. Além do âmbito da operação técnica. a linguagem cinematográfica inaugura uma série de processos perceptivos e constitutivos presentes na forma como as linguagens eletrônicas e digitais operam tecnicamente 5. Cambridge: MIT Press. Marshall. A computação. Este contato com um universo ausente torna‐se mais evidente do que nunca com todos os recursos técnicos atuais. amplia as propostas da videoarte. p 287. exemplifica esta hegemonia da mediação e o que Flusser denomina como atuação pós‐histórica 6 ao longo dos campos da imagem. já disseram Mcluhan e Fiore que "todas as mídias são extensões de alguma faculdade humana ‐ psíquica ou física". segundo Oliver Grau 8. The medium is the massage. O mundo codificado. Quentin. 2008. montagem e pós‐produção em um mesmo plano temporal instantâneo. 26. 2007. Neste sentido.

msu.jpg Antes do advento dos aparatos que conhecemos hoje. propiciado por estas apresentações na sua época.Figura 1: Ilustração do funcionamento de uma câmera escura de 1544. parte do significado do termo "fantasmagórico" se deve ao impacto no imaginário popular.montana. No entanto. inicialmente proposta por Rasmussen Walgenstein para o rei Frederik III de Copenhague. por meio da lanterna mágica. Fonte: http://gemini. foi desviada de um uso primariamente catequicista para apresentações instalativas e performáticas que mais tarde ficaram conhecidas como fantasmagoria 9. a situação da câmera escura (o princípio das máquinas fotográficas) já propiciava a projeção de imagens. 9 Ibidem. só a partir da metade do século XVII em diante a projeção ganharia popularidade.edu/~photohst/mta303/notes/camera‐obscura1. Aliás. . A operação "mágica" de imagens.. p. 150.

Robertson pintava as bordas dos círculos de vidro que continham os moldes das imagens projetadas. e outros ambientes que apelavam ao sobrenatural. 142. 150. 10 Ibidem. p. . Uilizando de sofisticada cenografia e técnica de reflexão da luz por meio de espelhos. planejou apresentações por toda a Europa. cemitérios. p. Oliver. O resultado era a figura iluminada de um ser sobre‐humano. eliminando assim a clara limitação que as circundava. Fonte: GRAU. Figuras 2 e 3: As lanternas mágicas foram utilizadas tanto em contextos religiosos (como forma de gerar temor diante de figuras demoníacas ampliadas) quanto em espetáculos de fantasmagoria. Para tornar presentes espíritos e outras figuras fantasmagóricas. que flutuava pelo ambiente e pelos espectadores como uma entidade desgarrada de um suporte 10. 2007. In: Media Art History. Cambridge: MIT Press. que a partir do final do século XVIII.Um dos nomes mais proeminentes dos espetáculos de fantasmagoria foi o de Etienne Gaspard Robertson. Remember phantasmagoria! Illusion politics of the eighteenth century and its multimedial afterlife. Robertson criou uma atmosfera em sala que simulava tempestades.

. o caráter "metafísico" da imagem sendo atribuído não pela performance ou pelo conjunto instalativo. o que tornava suas criaturas mais críveis. tenta de certa forma resgatar parte deste efeito conseguido por Robertson. Parte do efeito conseguido por Robertson se deve ao uso de máscaras nos discos de vidro. do ponto de vista técnico. muito do que se vê hoje em termos de projeção já vinha sendo trabalhado por lanternistas do século XVII e XVIII.barflyclub. contemporaneamente.Figuras 4 e 5: Ilustrações típicas projetadas nos espetáculos de fantasmagoria. muito comum na contemporânea projeção mapeada. fugindo da convencionalidade da tela. Fonte: http://system. tal qual no tempo de Robertson. no entanto ainda sustentada pelo argumento cinematográfico da imagem tecnológica. ainda parece carregar esta bagagem "mística" atribuída pelos lanternistas. se apropria do fascínio propiciado pelos espetáculos de fantasmagoria como uma câmera de simulação. Além dos aspectos técnicos. é interessante observar como a projeção per se. A institucionalização da imagem em movimento. mas pela tecnologia.jpeg Robertson foi um dos primeiros ilusionistas a experimentar com o conceito de máscara.com/include/image/events/e6c40a30‐0597‐487d‐aace‐29dc8950c8c8. A máscara. em conjunto com uma série de experimentações de aplicação da imagem no espaço ‐ incluso projeção em fumaça de incenso ‐ evidenciam que. ou a situação cinema. mesmo antes do advento do cinema. A projeção mapeada.

Fonte: http://upload. possa‐se formar uma imagem única a partir de diversos projetores 11. ou a suavização das arestas da imagem para que.Em 1897. Grimoin‐Samson utiliza de outro recurso técnico bastante utilizado na projeção mapeada: o chamado frame blending. ao se justapor com outras imagens com o mesmo recurso aplicado.jpg .wikimedia. 11 Disponível em http://www.projectionscreen. Nesta impressionante instalação.net/history/ cinema‐projection‐from‐origins‐to‐1940s Figura 6: ilustração da instalação Cineorama. simulando a subida de um balão de gás.org/wikipedia/commons/ a/a6/Cineorama. de forma a obter uma imagem única e panorâmica de 300 metros em uma sala circular. Raoul Grimoin‐Sanson desenvolve um experimento em que sincroniza 10 projetores cinematográficos.

Estes ingredientes não são meramente formais ou estéticos: propõem um modelo processual de arte. e que vem a convergir com características culturais contemporâneas de experiências sensórias. mais nítidas. Cambridge: MIT Press. assumidos pela automação do software e facilitados pela interface. corpos em performance. Oliver. Na contemporaneidade. 148. Conforme afirma Grau. criando assim resultados generativos. Remember phantasmagoria! Illusion politics of the eighteenth century and its multimedial afterlife.Observa‐se. estabelecendo e questionando paradigmas de consumo de informação. imagens que sobrepõem e assim incorporam texturas caóticas do espaço urbano. o funcionamento do ilusionismo. em particular no âmbito da visualidade. 2007. In: MediaArtHistory. incríveis de tão críveis. de suportes. p. 12 GRAU. a projeção ainda está neste lugar do ilusionismo. que se combinam aos dados atualizados em tempo real de infindáveis bancos de dados on‐line. não se deve subestimar as contribuições do universo digital: os fragmentos de tempo e de pixels remixáveis. que muitos dos créditos que são dados às lanternas mágicas da atualidade são na realidade parte de um processo que se iniciou antes mesmo do advento do cinema. sublinhando uma tecnologia que pode tornar presente o ausente. assim como as questões associadas que permeiam a epistemologia e a obra de arte em si" 12. imagens que passam por inúmeros cálculos. estes "fenômenos formam um conjunto que estamos experienciando novamente na arte de hoje e na representação visual. Obviamente. sobre um caráter mais complexo de simulação. imprevisíveis. de relações de autoria de limites entre a passividade e a atuação no que se refere a obra 13. onde o que fascina é a capacidade da imagem de subsituir aquilo que a suporta. A projeção mapeada está neste contexto de pervasividade da mídia. a base material de uma arte que aparenta ser imaterial. a convergência do realismo e da fantasia. instantâneos. . É um modelo para a 'manipulação dos sentidos'. portanto. imagens cada dia maiores. 13 Ibidem. de discurso tecnológico auto‐suficiente e de relações de poder que se cria em torno de uma alfabetização midiática. arranjos arquitetônicos. que estimula a transgressão de meios.

softwares. em trabalhos com diferentes abordagens.com/photos/thiagoamaralcavalcanti/4616558950/sizes/l/in/photostream/ . Figura 7: Projeção no Páteo do Colégio. projeções magnânimas que requerem produções enormes e que resignificam espaços inteiros. tanto no âmbito da linguagem como da técnica. Os trabalhos que ganham maior populariedade tendem a ser aqueles que exploram o espaço arquitetônico. Fonte: http://www. na fachada do Páteo do Colégio. combinações entre visualidade e suporte. consequentemente.flickr.multiplicidade Uma das principais características dos trabalhos recentes em projeção mapeada é a multiplicidade de empregos de aparatos. Um bom exemplo deste tipo de trabalho foi realizado pela produtora Visualfarm durante a Virada Cultural de 2010. um prédio histórico da cidade de São Paulo. realizada na Virada Cultural 2010. Esta variedade de possibilidades implica.

remixando imagens de acordo com a sugestão da paisagem sugerida pela escultura.ak.Figura 8: AntiVJ ‐ Nuits Sonores Fonte: http://photos‐b.fbcdn.jpg O espaço arquitetônico também é objeto problematizado em Nuits Sonores.snc1/4252_97404089991_720839991_2627561 _8259411_n. do coletivo norte‐americano AntiVJ. A apresentação faz parte de uma série de instalações do coletivo que misturam objetos geométricos com projeções que sublinham a matemática de suas linhas e formas. .net/hphotos‐ak‐ snc1/hs022.

cujas paredes se modificam continuamente pela luz das projeções. que tornam a circulação pela instalação uma experiência sensória e divagante. Figura 9: Electronic Shadow ‐ Le Pavillón des Métamorphoses Fonte: http://www.etapes.com/files/Image/Romuald%20r/electronic% 20shadow/pavillon28p. um espaço que alude a um labirinto.Ainda com um pé na arquitetura.jpg . o coletivo Electronic Shadow propõe Le Pavillón des Métamorphoses.

de Lucas Bambozzi. a computação gráfica. Figura 10: Lucas Bambozzi ‐ Maquete de Presenças Insustentáveis Fonte: http://bambozzi. o trabalho Mini‐ mapping. presente na exposição Presenças Insustentáveis.Com um caráter de contra‐proposta a esta escala monumental. mas ainda dentro do espectro de resignificação de um espaço. que tomou conta da galeria Luciana Brito. como parodiam as manifestações "pop" dos trabalhos em projeção mapeada.wordpress. em março de 2010. A obra transita delicadamente entre a escultura. a instalação e a arquitetura. com uma proposta narrativa e detalhes visuais que não só dialogam com o restante das obras presentes na exposição. em São Paulo.jpg?w=450&h=337 .files.com/2010/03/ img_0571.

realizado pelo Itaú Cultural de São Paulo. o visitante pode notar a sombra de minúsculos sapatos a dançar por dentro do bulbo.jpg . o artista espanhol busca um diálogo com o cinema levado a outros suportes e situações narrativas. Nela.culturagalega. Zapateado Luz esteve presente na exposição Cinema Sim. Figura 11: Rúbem Ramos Balsa ‐ Zapateado Luz Fonte: http://www.org/atalaia/files/ full/bombillabaixa.Outra obra semelhante ao trabalho de Bambozzi é Zapateado Luz. Ao observar a lâmpada com cuidado. em que o expectador adentra em uma sala vazia sobre uma melancólica iluminação amarelada de uma lâmpada incandenscente. em 2008. de Rúben Ramos Balsa.

além de possibilitar transporte e proteção do equipamento. e uma estrutura que contenha a todos os componentes anteriores. um filtro que contém o "molde" da imagem a ser ampliada. o esquema abaixo ilustra seu funcionamento. Tomando como modelo um projetor DLP.com/us/2004/10/15/home_theater_cinema _paradiso_with_video_projectors/schema‐dlp.tomshardware.do aparelho e das variáveis projetuais Um projetor é composto de 4 componentes principais: uma fonte emissora de luz (geralmente uma lâmpada dicróica ou uma matriz de LEDs). Figura 12: Esquema de um projetor DLP Fonte: http://img. uma lente que diverge os raios de luz (ampliando a imagem).jpg . Os modelos contemporâneos contém um jogo de espelhos que otimizam o aproveitamento da luz proveniete da lâmpada e propiciam certa maleabilidade quanto a disposição dos componenentes dentro do aparelho.

Já em situações em que a tela de projeção assume tamanhos maiores (como em uma sala de cinema comum. quanto à resolução da imagem ‐ em grande parte determinada pelo tipo de display que a luz atravessa antes de passar pela lente ‐ ou quanto à dimensão que a imagem projetada possui. podendo chegar a até 33. muitos modelos possibilitam a utilização de proporções variadas. indicando a potência da luz percebida. derivada de uma outra unidade chamada fluxo luminoso (1 candela*esterradiano).co. que por sua vez provém da fotometria. determinada pela lente. medida em ANSI lumens (lm). que na verdade é uma convenção que inclui diversas resoluções do formato em questão que geralmente chegam até 1280x960 pixels (alguns raros modelos chegam a 2048 x 1536 pixels. A desvantagem deste tipo de display é justamente a resolução. com cabos e placa de vídeo especiais).Sem adentrar em demasia nas propriedades físicas envolvidas. Ao se utilizar lentes de throw ratio baixo ou grande‐ angulares.gifg . são 3 as presentes no mercado atualmente: > o tipo LCD.000 lm de potência. o uso de projetores pode ser planejado quanto à potência de luminância da imagem. porém. Figura 13: Esquema de um projetor 3LCD Fonte: http://www.000 lm. Quanto ao tipo de tecnologia de imagem presente no aparelho. em que a tela possui de 10 a 15 metros de comprimento). estes projetores trabalham nativamente com o formato de imagem 4:3. capazes de projetarem imagens nítidas de tamanho equivalente a uma tela de 80". os pixels tendem a ficar consideravelmente aparentes na imagem. Projetores mais comuns possuem de 1000 a 2500 lm de potência. o projetor deve ter no mínimo 15. sigla para Liquid Cristal Display ou Display de Cristal Líquido.uk/images/lcdbig. por exemplo. ANSI lumen é uma unidade de medida estabelecida pela American National Standards Institute. incluso o padrão 16:9.familybaron. está presente na vasta maioria dos projetores com um input de vídeo popularmente conhecido como tipo VGA (Video Graphics Array). Em geral.

caso o modo de imagem esteja desativado. O controle dos microespelhos se dá por meio de eixos magneticamente manipulados.Figura 14: O micro‐componente DMD Fonte: http://static. é outro tipo de display cuja característica principal é um microdispositivo chamado DMD (Digital Micromirror Device). cruzando por debaixo da lente principal até chegar a um espelho que a reflete para o DMD.howstuffworks. A vantagem do display DLP em relação ao LCD é que há uma redução drástica de perda de luminosidade com os micro‐espelhos. que contém micro‐espelhos em uma matriz retangular equivalente a resolução da imagem (com um máximo de 1920x1080 pixels). para um dissipador de calor. A luz proveniente da lâmpada atravessa uma lente objetiva e por uma roda cromática. A imagem abaixo ilustra a trajetória da luz em um projetor DLP.jpg > o tipo DLP. ou Digital Light Processing. Os microespelhos refletem a luz para a lente principal ou.com/gif/ces‐2006‐dlp‐1. . cada pixel equivalendo a um micro‐espelho. o que confere maior contraste e uma gama maior de cores à imagem.

possibilitando a construção de projetores portáteis.static.jpg . o que aumenta o tempo de vida útil do aparelho e diminui a necessidade de espaço.com/2511/3962835485_f9d92dc67c. porém tem como fonte de luz uma matriz de LEDs. Figura 15: Uma matriz de LEDs Fonte: http://farm3.flickr.> ainda existem os projetores LED (Light Emitting Diode) que combinam uma das tecnologias de imagem mencionadas acima.

Por exemplo. sua altura é calculada multiplicando o valor do comprimento por 3 e em seguida dividindo o valor por 4: Se Ci = 6. como é o caso da Canon e da Sanyo.66 Então Ai = (6. alguns fabricantes disponibilizam ferramentas on‐line que simulam este tipo de situação. Uma lente cuja razão é de 1. A mesma lógica se aplica em imagens com outro tipo de proporção (16:9.8.66m Se a imagem possui uma proporção 4:3. indica que a divisão da distância do projetor com relação ao suporte (em metros) pelo comprimento da imagem ampliada (também em metros) resulta no valor 1. As lentes de ampliação de imagem são classificadas por um número que indica a razão entre a distância projetor‐aparato e o comprimento de imagem. Assim.8 = 12/Ci Ci = 12/1. em um caso onde há um espaço com recuo disponível de 12 metros. Para facilitar estes cálculos.66m x 5m. medido em metros).8.). e um projetor com uma lente R = 1. Dp = Distância do projetor (em relação ao suporte. etc. Ci = Comprimento da imagem ampliada (em metros). a imagem resultante possui 6. Esse valor provém do ângulo de refração da luz propiciada pela lente. .8 Ci = 6.Um ponto muito importante no projeto de instalações que envolvam projeção é a decisão sobre qual lente utilizar.8. para o cálculo da razão da lente pode‐se utilizar a fórmula: R = Dp/Ci onde R = Razão da lente.66 x 3)/4 Ai = 5m No caso acima. pode‐se calcular o tamanho da imagem resultante por meio da fórmula: 1. 16:10. por exemplo.

9.com/stores/images/images_747/ ETD75LE2. 1. não apresentando. distorção de imagem para um Dp relativamente grande. As lentes com R ≤ 1. e nem todos os modelos de projetor as suportam.8~2. 1. As lentes padrão destes projetores tem geralmente R = 1. São lentes raras no mercado.3 a 1. estas lentes causam uma distorção (o conhecido efeito "olho‐ de‐peixe") devido a grande angulação de refração da luz. com um pixel de tamanho considerável (em especial nos projetores LCD). Isto significa que a lente do projetor é na verdade composta de um conjunto de lentes.0~6.8 até 2. e sua consequente perda de resolução e contraste Já as lentes com R ≥ 4.4. para adaptação às diversas condições de projeção Fonte: http://salestores. e operam de maneira oposta em relação às grande‐angulares. e a variação da distância entre elas possibilita a variação de R de 1. 2.2.0 são consideradas tele‐ objetivas. os projetores até 5.0. Em geral. No entanto. As lentes alternativas.4.000 lm possuem lentes fixas (não substituíveis) cujo R varia de 1.8.9 e 4. tornando a imagem projetada mais "circular".3.0~2. Figura 16: Projetores de maior luminescência possibilitam a troca de lente. porém.000 lm e acima geralmente possuem uma lente padrão e a possibilidade de troca por lentes de valores R alternativos. em geral. Os projetores de 6.0 são chamadas grande‐ angulares e são úteis quando o recuo para a projeção é pequeno.É importante saber que os valores de R para as lentes disponíveis para cada projetor variam com o modelo e o fabricante. possuem os seguintes valores de R: 0. São portanto apropriadas em casos em que o recuo entre projetor e anteparo é muito extenso (além de 30m). ou o conhecido efeito de zoom óptico.jpg .

Super Video (S‐Video) e variantes do sinal VGA.hisdigital.com. a resolução máxima obtida é 800 x 600 pixels. Assim. Fontes: http://store. Em RCA ou S‐Video..Ainda quanto a projetores. ainda que a fonte emissora do sinal seja digital (como um computador). um cabo RCA ou VGA transporta informação analógica. Um cabeamento VGA pode gerar resoluções que dependem da fonte. sempre em formato 4:3. órgão que regia os padrões dos componentes eletrônicos nos EUA em 1940). não sendo tão comuns os equipamentos que suportam sinal de vídeo analógico de alta resolução).9289. Figuras 17.coolgear. é importante que se cite os diferentes tipos de sinal de vídeo com os quais é possível se trabalhar atualmente. mas que geralmente chegam até 1280 x 960 pixels (ou mesmo superiores.com/UserFiles/product/S‐video‐cable_1_1469. O sinal do tipo composto é analógico e possui cabeamento tipo RCA (sigla originária de Radio Corporation of America.jpg http://www. 18 e 19: Da esquerda para a direita.au/images/VGA_MM_2M_9289.jpg . um exemplo de um conector RCA.jpg http://www.com/images/703‐0011. S‐Video e VGA.

exigindo portanto uma precisão maior do sinal de vídeo: uma precisão digital. A diferença fundamental entre estas interfaces. Trata‐se de um mapeamento variável de pixels. Estes tipos de interfaces surgiram para substituir os formatos analógicos. uma vez que o elétron pode atingir a pontos variáveis na tela. Nos agora antigos monitores CRT (Cathode Ray Tube).uk/uploads/media/ dvid24pp‐large.co. um conector HDMI. que possuem uma matriz definida de pixels. por exemplo) e taxas de atualização altíssimas (como nos recentes televisores 3D.lektropacks. com 120Hz de refresh rate). Figuras 20 e 21: Acima.howstuffworks. essencialmente. As interfaces DVI e HDMI vieram não só a suprir esta necessidade. bem como possibilitar mapeamentos de pixels em proporções colossais (como em extensos painéis de LED. enquanto a segunda é dedicada exclusivamente a informação visual. é tipo de mapeamento de pixels.com/gif/hdmi‐2‐1. a grosso modo. Fontes: http://www. originam um ponto luminoso. um exemplo de um conector DVI. a informação proveniente da fonte é transformada em raios catódicos que. uma vez que a quantidade de raios emitidos depende da informação proveniente da fonte e. além do tipo de informação que corre pelos cabos.jpg . além de possibilitar as maiores resoluções atingíveis pelos displays correntes. e logo abaixo.Já o sinal do tipo digita pode ter um input de tipo DVI (Digital Visual Interface) ou HDMI (High Definition Multimedia Interface). é uma informação que instrui o aparato a efetivar campos cromáticos no display. Isso pode até não ser um problema nos monitores CRT. mas pode causar efeitos não desejáveis em LCDs. Algumas das diferenças entre as interfaces HDMI e DVI incluem o fato da primeira suportar até 8 canais de áudio em paralelo ao sinal de vídeo. ao atingirem a tela. este formato não propicia uma imagem efetivamente precisa.jpg http://static. Assim.

Para se estabelecer uma equivalência entre a área do mapa de bits (isto é. não "imprimirá" ‐ será praticamente imperceptível ‐ em ambientes com alta incidência de luminosidade externa (seja luz solar ou artificial) ou com iluminação interna sem possibilidade de controle. isto é. . o mapa cartesiano de pixels) e a área do suporte.3 metros de comprimento: se 1024 pixels = 4 metros então x pixels = 1. assim como 768 pixels = 3 metros Assim pode‐se mensurar áreas específicas de projeção. E aqui residem. basta se realizar a equação lógica matemática conhecida como regra de 3. Essa regra é importante principalmente para saber onde posicionar os elementos visuais na hora de produzir a imagem ou o vídeo a ser projetado.A produção do conteúdo a ser projetado. Se o projetor mandará uma imagem de resolução 1024 x 768 pixels. no jargão dos profissionais da área. Deve‐se ter em conta também que a imagem projetada. então é correto dizer que: 1024 pixels = 4 metros. Assim pode‐se pensar em uma melhor adequação da imagem no mesmo. além das variáveis técnicas. Por exemplo.3 metros 4x = 1024(1. principalmente em ambientes amplos ou abertos ao ar livre. com um maior nível de precisão. se há a necessidade de descobrir qual o valor em pixels de uma área que possui 1. O projeto de iluminação é fundamental para a leitura desejada para as informações projetadas. a imagem ou o vídeo. e se a área projetada tem 4 x 3 metros.3) x = 333 pixels (aproximadamente) A mesma regra pode ser aplicada para se descobrir a altura em pixels. diversos outros fatores contextuais. É sempre aconselhável que se tenha em mãos as medidas do suporte sobre o qual será realizada a projeção. depende diretamente não só da escolha do equipamento como das condições existentes para se realizar a projeção.

de forma a "situar" a projeção no seu suporte. pode também ser máscarada. a imagem pode se adequar as propriedades de um suporte ou ter sua distorção ‐ causada por uma angulação adversa entre projetor e suporte ‐ corrigida. Ao se deslocar estes pontos em um espaço cartesiano. ao exemplo do que fazia Robertson em seus espetáculos de fantasmagoria. O recurso de keystone da maioria dos projetores é bem limitado. o que permite o mapeamento de superfícies mais complexas. de cor preta. ou seja. que siga suas delimitações.O mapeamento de projeção. sendo um software de mapeamento mais indicado para a realização de projeções que exigem um maior grau de detalhe. Em ambos os casos. Figura 22: Mapeamento do Museu Nacional de Brasília. ser contornada por uma forma. Esta adequação pode ser realizada pelo próprio projetor (muitos aparelhos vem com o recurso de keystone programável) ou por meio de softwares específicos. o que ocorre é a manipulação das coordenadas de um plano no qual a imagem ‐ o mapa de bits ‐ é aplicado. se dá ao se adequar uma imagem à característica do suporte e à angulação do projetor com relação ao mesmo. A imagem assim pode se "encaixar" em formas mais orgânicas ou diferentes dos padrões retangulares. estabelecendo uma relação de pertinência. Existem softwares mais sofisticados que permitem a manipulação de além de 4 pontos. . Fonte: imagem do próprio autor. especificamente. a aplicação da imagem no suporte se dá por meio da manipulação dos 4 pontos que formam o retângulo dos mapas de bits. Geralmente. A imagem.

jpg. há a ilusão de se tratarem de uma imagem de uma única fonte. mas em linhas gerais. Fonte: http://www. os problemas citados sintetizam o desafio de técnicos e produtores de imagem ao se engajarem em tais situações.Quando há a necessidade de formar uma única imagem a partir de diversos projetores. deve‐se utilizar uma técnica conhecida como blending. Sua combinação pode produzir outras diversas circunstâncias que seriam impossíveis de ser abrangidas em sua totalidade por qualquer um que se proponha a discorrer acerca do projeto de projeção. porém num geral. que é a suavização das arestas da imagem.com/forums/ attachments/crt‐projectors/21712d1133618 425‐edge‐blending‐contrast‐modulation‐ twin‐projection‐pic2_dec_sm‐1. .avforums. Alguns projetores também apresentam o recurso de blending inclusos nas suas opções de imagem. de forma que ao se sobreporem. é sempre mais aconselhável utilizar de um software de mapeamento ou aplicar o efeito do blending como máscara sobre a imagem ou o vídeo. Figura 23: Duas imagens brancas de dois projetores distintos. Estes são alguns fatores que aquele que se engajar em realizar uma instalação com projetores deve ter em mente. com as máscaras de blending aplicadas.

hoje pulverizados. A alfabetização midiática contemporânea passa obrigatoriamente pela ciência e pela compreensão das tecnologias que a cada dia se tornam mais e mais pervasivas. A pergunta que fica é que tipo de imagem tecnológica que está se formando neste amplo e complexo horizonte. alicerçado pelas possibilidades do digital e por sua capacidade de reconfigurar estruturas de informação a todo momento. a síntese. a repetição que tenta se individualizar por meio de argumentos frágeis. em nossas opiniões quanto a obsolescência de objetos. na massificação do individual em um plano homogêneo feito prateleira da cultura de consumo. p. 14YOUNGBLOOD. Um cinema que propõe uma releitura da fantasmagoria. 415 . Prateleira comum para a qual recorrem muitos dos emissores de informação. em boa parte. ao aceitarmos discursos que exaltam e sublinham a capacidade das linguagens e interfaces tem de impôr realidades midiáticas? O quanto estes discursos influem em nossas decisões de consumo. O amador é aquele que atua por amor ao ofício. Somos todos modernistas. Expanded Cinema. Propõe. O profissionalismo é advento da ciência moderna e do capitalismo. O resultado é a complexificação do universo informacional. gerando serializações que se justificam nelas mesmas. afinal. Complexificação esta que dificulta a formulação de uma alfabetização midiática por parte da instância emissora. desprendido de estruturas narrativas e situações institucionalizadas. e pensemos sobre o que significa atribuir as imagens contemporâneas a uma "magia tecnológica". com a inocência do descobrimento que o conduz ao desvio. 1970. ao que é "culturalmente válido"? Atuar segundo uma postura artística também inclui criticar o próprio modus operandi da arte. Dutton & Co. falar de cinema implica falar‐se de uma metamorfose da percepção humana" 14. em seu profético livro Expanded Cinema. Gene. Sua obra é artesanal. New York: P. do teatro de sombras. A projeção mapeada está para este contexto como um ramo para uma árvore de processos. a expansão. devido. da videoarte. Implica na institucionalização dos signos. em última instância. modificando as relações entre objeto e indivíduos. revelando tendências culturais de experiência das coisas. cuja individualidade da instância marca um episódio em um processo de leituras do próprio fazer. o que torna cada discurso potencialmente válido e igualmente irrelevante. um novo cinema. Lembremos dos amadores que conceberam a lanterna mágica.. afirma que "hoje.uma questão Youngblood.

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