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Polarização da Luz

Joelson Otávio Paes Departamento de Física – Universidade Federal do Paraná Centro Politécnico – Jd. das Américas – 81531-990 – Curitiba – PR - Brasil e-mail: joelsonpaes@yahoo.com.br

Neste trabalho estudamos o fenômeno da polarização da luz pelos métodos da absorção

e da reflexão. Utilizamos, três polarizadores de folha polaróide e uma lente de acrílico, utilizada na reflexão e estudo do ângulo de Brewster. Obtemos resultados conclusivos sobre a

lei de Malus, com as medida da intensidade da luz transmitida através de um esquema montado utilizando polarizadores e também analisamos o processo de polarização por reflexão, fazendo com que um feixe de luz não polarizada incida sobre a superfície de uma peça de acrílico através do ângulo de Brewster.

Palavras chave: polarização, lei de Malus, ângulo de Brewster.

Introdução

A luz é uma onda transversal, os campos eletromagnéticos são perpendiculares à direção de propagação e o campo magnético é sempre perpendicular ao campo elétrico. A polarização é definida em relação à orientação do campo elétrico, que possui coordenadas x e y , se uma destas coordenadas for

possuir uma diferença de

fase de 90º entre sí, dizemos que a luz é linearmente polarizada, se essa razão for diferente de 90º, poderá ser circularmente ou elipticamente polarizada. Existem quatro métodos para polarização da

luz:

Por absorção seletiva, reflexão, espalhamento e birrefringência. Como em nosso experimento utilizamos somente polarização por absorção e reflexão discutiremos aqui somente estes dois itens, caso haja interesse em saber sobre os outros dois tipos de polarização, pode-se facilmente achar tal informação em Ref.[1], [2] ou [3].

nula ou o campo

E e

x

E

y

Polarização por Absorção:

Em 1938 E. H. Land, inventou uma película polarizadora conhecida como Polaróide. Este material contém moléculas de hidrocarbonetos de cadeia longa, que durante o processo de fabricação a película é esticada em determinada direção e essas cadeias são alinhadas. Quando a película é mergulhada em uma solução que contenha iodo, estas cadeias se tornam condutoras nas freqüências óticas. Quando a luz incide com seu vetor campo elétrico perpendicular sobre essas cadeias a luz é transmitida, se incidir paralelamente às cadeias, as

correntes elétricas que se estabelecem nelas absorvem a energia da luz. A direção perpendicular às cadeias é chamada de eixo de transmissão. Quando dois polarizadores são colocados em seqüência , a intensidade da luz que sai do segundo polarizador está relacionada com a intensidade da luz que incide sobre o primeiro de acordo com a lei de Malus:

θ

I (

) = I

max

cos

2

θ

,

(1)

onde θ é o ângulo entre as direções de polarização dos polarizadores. Num arranjo com dois polarizadores o primeiro filtro no qual a luz incide é chamado polarizador e o segundo é o analisador. Se a direção de transmissão desses dois filtros estiverem perpendiculares entre sí a luz não passará através do sistema.

Polarização por Reflexão:

Quando um feixe de luz incide na fronteira entre dois meios uma parte da luz é transmitida e outra é refletida, e esse raio refletido é parcialmente polarizado, entretanto quando o ângulo do raio refletido formar 90º com o raio transmitido, o raio refletido será completamente polarizado. Este efeito foi descoberto em 1812 por Sir David Brewster, e por isso ficou conhecido como ângulo de Brewster, ou ângulo de polarização (Figura 1). Sabendo que o ângulo formado pelo feixe refletido e o transmitido é de 90°, aplicando a lei de Snell

n senθ

1

p

= n sen

2

(90º

θ

p

)

,

(2)

encontramos a relação entre o índice de refração dos meios.

Figura 1 Polarização por reflexão. O feixe incidente da esquerda, inicialmente despolarizado, reflete na superfície,

Figura 1 Polarização por reflexão. O feixe incidente da esquerda, inicialmente despolarizado, reflete na superfície, em conseqüência disso, uma parte é transmitida parcialmente polarizada, já o feixe refletido está totalmente polarizado. é o ângulo de Brewster.

está totalmente polarizado. é o ângulo de Brewster. Assim temos que: tan θ p = n

Assim temos que:

tan

θ

p

=

n

2

n

1

,

(3)

também conhecido como lei de Brewster.

Procedimento Experimental

Para o estudo da polarização da luz por absorção e por reflexão, utilizamos os seguintes materiais: Fibra óptica e suporte, lente cilíndrica, trilho graduado, fonte de luz incandescente, disco graduado com base, polarizadores com escala graduada, acessórios para obtenção de feixe único e múltiplo juntos com suporte, suporte especial para ser colocado em cima do disco graduado, lente cilíndrica, fotômetro e acessórios. Posicionamos sobre o trilho graduado, a fonte de luz e um polarizador na frente da fonte. Com essa montagem, ligamos a fonte e olhamos diretamente pelo polarizador girando-o, e observamos se há alguma orientação específica dos vetores campo elétrico nos feixes que saem da fonte de luz incandescente. Montamos então sobre o banco óptico, para analisar a lei de Malus, um esquema contendo fonte de luz, polarizadores e suporte com a fibra óptica, que se conecta ao fotômetro. A fibra óptica é utilizada para coletar a luz na montagem, levando-a até o fotômetro para se obter a intensidade da luz transmitida, através dos polarizadores (conforme a figura 2):

através dos polarizadores (conforme a figura 2): Figura 2: Montagem para experimento da verificação da lei

Figura 2: Montagem para experimento da verificação da lei de Malus.

Inicialmente utilizamos dois polarizadores. Fixando a direção de polarização do primeiro (polarizador A) variamos de diferentes valores o ângulo de polarização do segundo (polarizador B). Medimos com o fotômetro a intensidade da luz que é transmitida através dos polarizadores. O mesmo procedimento é repetido para o caso seguinte, onde fixamos o polarizador B em 0° e giramos o A. Montando assim, a Tabela 1. Introduzimos então, um terceiro polarizador (polarizador C) entre os polarizadores A e B (agora os dois fixados à 90° entre sí) e variamos o ângulo

do polarizador C, o ângulo θ no polarizador C é medido com respeito à direção de polarização de A. Montando assim a Tabela 2. Para os estudos sobre polarização por reflexão e análise do ângulo de Brewster, utilizamos a fonte de luz incandescente sobre o trilho graduado, os acessórios de fenda múltipla e única sobrepostos (para se conseguir apenas um feixe de luz), disco graduado, lente cilíndrica e anteparo sobre o disco. Distribuídos conforme a Figura 3:

Figura 3: Montagem experimental para observação da polarização da luz por reflexão e o ângulo

Figura 3: Montagem experimental para observação da polarização da luz por reflexão e o ângulo de Brewster.

Como vimos anteriormente o feixe de luz totalmente polarizado é aquele em que o raio incidente se encontra com o ângulo de Brewster, em relação à normal, o qual é obtido quando o ângulo entre os raios refletidos e refratados é de

90°.

Assim com a emissão de um feixe de luz incidindo sobre o lado plano da lente cilíndrica, giramos o disco graduado até que os raios refletidos e transmitidos formem um ângulo de 90º entre si (figura 4), Conforme variamos o ângulo de incidência, observamos a imagem refletida do filamento da lâmpada através do polarizador.

refletida do filamento da lâmpada através do polarizador. Figura 4: esquema dos raios de luz para

Figura 4: esquema dos raios de luz para a determinação do ângulo de Brewster.

Resultados e Discussão

No início do experimento, olhamos a luz através do polarizador e girando-o observamos que a luz não é polarizada, isto é, seus componentes campo elétricos se propagavam em todas as direções. Colocamos então o polarizador A sobre o banco óptico deixando fixo e adicionamos um segundo polarizador B, que girávamos alterando o seu eixo de transmissão. Através da fibra óptica e do fotômetro montamos a Tabela 1. Observamos que a máxima transferência de luz se dá quando os polarizadores estão alinhados (quando um polarizador estiver em 0º o outro deverá estar em 0º também ou em 180º), qualquer variação nos ângulos acarreta uma atenuação na intensidade de luz transmitida, tendendo a ser zero quando estiverem perpendiculares. Fixando o polarizador B e variado o ângulo do A, obtemos praticamente a mesma alteração de intensidade, contudo com uma pequena variação.

Tabela 1 Dados experimentais para o estudo da polarização da luz por absorção. As incertezas são de

± 0,1 lx e ± 0,5º .

Intensidade da luz sem Polarizadores

8,4 lx

Intensidade da luz com o polariz. A

 

3,4 lx

   

Inten.

   

Inten.

Polar.

A

Polar.

B

Luz

Trans.

Polar.

A

Polar.

B

Luz

Trans.

 

2,2

     

10°

2,1

2,2

20°

1,9

30°

1,7

   

40°

1,3

30°

1,6

50°

0,9

60°

0,6

   

70°

0,3

60°

0,5

80°

0,07

90°

0,0

 

 

100º

0,08

90°

0

110°

0,2

120°

0,5

   

130°

0,8

120°

0,5

140°

1,3

150°

1,7

   

160°

1,9

150°

1,6

170°

2,1

180°

2,2

180°

2,2

Conforme a figura 5, podemos constatar realmente que a intensidade máxima se dá em 0º e 180º e a mínima em 90º, conforme afirmava a lei de Malus. Neste gráfico incluímos também a curva teórica descrita pela expressão (1). No arranjo com três polarizadores, onde foi colocado dois polarizadores, A e B, perpendiculares entre sí (um à 0º e outro à 90º em relação ao primeiro), inserimos um terceiro polarizador (C) entre eles. No caso dos polarizadores A e B, não há transferência de luminosidade, contudo quando ocorre a inserção do terceiro polarizador a luz polarizada que parte de A sofre uma pequena alteração quando passa por C, fazendo com que componentes da luz que passa por este atravessem B, entretanto muito menos intensa do que os feixes que partem de A.

Figura 5: Gráfico da intensidade de luz transmitida em função do ângulo entre os polarizadores.

Figura 5: Gráfico da intensidade de luz transmitida em função do ângulo entre os polarizadores. (Tabela 1).

Colhemos alguns dados e formulamos a Tabela 2:

Tabela 2: Resultados referentes à prática com três polarizadores. As incertezas são de ± 0,1 lx e ± 0,5°.

     

Instens.

Polar.

A

Polar.

B

Polar.

C

Luz.

Trans

   

0,1

30°

0,2

45°

0,3

90º

60°

0,2

90°

0,1

   

120°

0,3

150°

0,2

180°

0,1

Formulamos um segundo gráfico e observamos que a Lei de Malus é confirmada (figura 6).

e observamos que a Lei de Malus é confirmada (figura 6). Figura polarizador C. 6: Intensidade

Figura

polarizador C.

6:

Intensidade

em

função

de

θ

com

o

Na polarização por reflexão, montamos o

experimento

e

procedemos

conforme

mencionado na secção de procedimentos experimentais. Observando o feixe de luz refletido pela lente, quando este está totalmente polarizado podemos determinar o ângulo de Brewster. Girando o disco graduado observamos que o valor onde ocorre a máxima polarização é justamente quando o raio refletido e o refratado estão em 90º entre si, com isso o ângulo incidente é o ângulo de Brewster, o qual determinados, sendo este de (55,0 ± 0,5)º. Utilizando a equação (3) e tomando o índice de refração do ar como sendo 1, podemos determinar com facilidade o índice de refração da peça de acrílico. Quanto ao erro experimental, fazendo uma média da diferença da tangente do valor máximo e mínimo assumido pelo ângulo de Brewster, determinamos o índice de refração do acrílico como sendo de 1,43 ± 0,03.

Conclusões

Com base nos resultados experimentais, observamos que a utilização de polaróides obedecem a lei de Malus e que valem também para mais de um par de polarizadores em seqüência, o

que ocasiona a queda na intensidade do feixe de luz, conforme vai transpondo os polarizadores que absorvem sua energia, bloqueando o campo elétrico dos feixes que não possuam componentes paralelas ao eixo de transmissão dos polarizadores. Constatamos que realmente é possível gerar luz polarizada através da reflexão e que dependendo do ângulo incidente essa polarização pode ser total, se este ângulo for o ângulo de Brewster, ou parcial se for qualquer outro ângulo. E é através destes conhecimentos que hoje em dia são fabricados lentes polarizadoras e filtros para atenuar por exemplo, a reflexão em retrovisores de carros nas estradas e a causada pela reflexão da luz sob a água do mar que incide sobre os olhos e óculos nas praias.

Referências

[1] Paul A. Tipler, Física, vol. 2 – 1ª Ed. (Guanabara Dois S.A., Rio de Janeiro, 1978).

[2] Eugene Hecht, Optics, 2ª Ed. (Addison-Wesley Publishing Company Inc., 1974), cap. 8.

[3] Nussenzveig, H. Moysés, “Curso de física básica”, vol. 4, 1ª edição, Ed. Edgard Blücher, São Paulo, 1998.