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Artigos Artigos de Doutrina - José Affonso Dallegrave Neto SUSPENSÃO DO CONTRATO DE TRABALHO E O NOVO ART. 476-A DA CLT

José Affonso Dallegrave Neto(*) Introdução O contrato individual de trabalho vem sofrendo transformações sensíveis em comparação com a tradicional estrutura consagrada na primeira metade deste século. Naquela época considerava-se um modelo de Estado Social que conferia ampla garantia de direitos e intensa regulamentação da relação capital-trabalho. As relações de trabalho estavam assentadas dentro do que ficou designado modelo fordista, ou seja, estrutura produtiva rígida com pouco espaço para negociação e hierarquia verticalizada na figura de um gerente imediato e próximo ao operário. Este padrão consolidou a estrutura da relação de emprego e seus requisitos rigorosamente definidos: subordinação hierárquica e direta, pessoalidade no desempenho das tarefas, serviço contínuo e duradouro e salário pago em relação ao tempo disponível ao empregador. Hoje, a reestruturação produtiva possui contornos flexíveis com hierarquia à distância[1], serviços com duração precária e salário pago em função do resultado. Por outro lado, o Estado deixa de objetivar o bem-estar-social e passa a se posicionar omisso e legitimador da livre negociação entre empregado e empregador. Nessa perspectiva neoliberal a estrutura clássica do contrato de trabalho sofre mutações e novas figuras são criadas pelo legislador[2], revigorando outras tantas. A suspensão do contrato de trabalho é exemplo do que se está a asseverar. Outrora esquecido, o vetusto instituto passa a ter importância, vez que na prática a suspensão encerra uma forma de flexibilidade contratual aliada a custo zero (ou quase-zero). Amauri Mascaro Nascimento observa que a suspensão temporária como medida de proteção ao desemprego não é uma invenção brasileira, mas um instrumento praticado em diversos países há algum tempo, conforme recomendação da OIT através da Convenção n. 168 ratificada pelo Brasil mediante o Decreto-legislativo n. 89, de 10/12/92.[3] O presente estudo abrange a suspensão contratual como um todo e a nova figura exsurgida através do advento do art. 476-A, da CLT, em face da MP 1726[4]. 1. Suspensão do contrato: conceito, características e distinção com a interrupção Pode-se conceituar suspensão contratual como a cessação provisória da obrigação de fazer do empregado (trabalhar) e da obrigação de dar do empregador (remunerar), em face de uma causa prevista em lei, no contrato ou no instrumento normativo. São exemplos destas três espécies de suspensão: a) a aposentadoria por invalidez, por motivo legal (art. 475 da CLT); b) a licença sem vencimentos, motivada por pactuação contratual; e c) a liberação do empregado eleito presidente sindical, sem ônus para a empresa cedente ante previsão normativa. A suspensão distingue-se da interrupção sobretudo porque nesta, ao contrário daquela, a cessação provisória da obrigação de trabalhar não importa a cessação do pagamento salarial. Exemplos típicos de interrupção é a fruição das férias e o repouso semanal, que são remunerados apesar do obreiro ter paralisado sua prestação de trabalho. Outra distinção diz respeito à contagem do período de afastamento para efeitos legais. Na interrupção contratual computa-se sempre o período de ausência para os fins de férias, gratificação de natal, FGTS, INSS e tempo de serviço. Na suspensão, de acordo com Orlando Gomes e Elson Gottschalk, o tempo de serviço e os direitos que são assegurados durante o período da suspensão “variam em conteúdo e extensão, conforme a causa determinante da solução de continuidade”[5]. Em se tratando de suspensão contratual de iniciativa ou culpa do empregado (licença sem vencimentos e suspensão disciplinar), o tempo de afastamento não será computado para nenhum fim legal. Ao contrário, sendo a suspensão de iniciativa do empregador (vg. o art. 17 da Lei 7.783/89, lock-out) ou mesmo nas hipóteses de suspensões contempladas expressamente em lei, como é o caso do art. 476-A, da CLT, o tempo de afastamento será considerado para fins legais de férias, 13º salário e FGTS. A propósito, Estêvão Mallet sustenta com acerto que, quando “a suspensão do contrato se dá por iniciativa do empregador e em seu proveito, a ausência do empregado ao serviço caracteriza falta justificada, não afetando a normal aquisição das férias, ou a apuração do décimo terceiro salário”[6]. O Enunciado n º 89 do TST autentica essa inferência ao dispor que “se as faltas já são justificadas pela lei consideram-se como ausências legais e não serão descontadas para o cálculo do período de férias”. Igualmente a lei que disciplina o décimo terceiro salário, Lei 4090/62, em seu artigo 2º, estatui que “as faltas legais e justificadas ao serviço não serão deduzidas” para os fins de contagem e quantificação da verba. 1.1. Impossibilidade de rescisão imotivada durante o afastamento Outra característica que enseja polêmica na doutrina e na jurisprudência é a que versa sobre a possibilidade de rompimento unilateral e

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139. a precisa dicção do parágrafo segundo do art. São pois situações diversas.. e não o chamamento da federação ou confederação. em caso de dispensa no transcurso da suspensão ou em até três meses após o retorno do empregado. por um período de 2 (dois) a 5 (cinco) meses. da CLT). 114 da Constituição. A partir de então. para participação do empregado em curso ou programa de qualificação profissional oferecido pelo empregador. 15. 03/02/97) “O período de suspensão do contrato de trabalho por auxílio-doença. 1ª R. pois neste lapso temporal. 476-A. n. por exemplo. nesta hipótese de recusa de negociação coletiva por parte do sindicato (ou mesmo no caso de negociação com tentativa conciliatória malograda) o remédio processual será a interposição do DC. Parece-me claro que.dissídio coletivo. 476-A. com o advento do art. sem maiores encargos sociais para o empregador. O parágrafo primeiro do art. quando se sabe que o contrato suspenso nunca faz cessar integralmente seus efeitos. é facultado aos respectivos sindicatos ajuizar dissídio coletivo. podendo até mesmo caracterizar rescisão por justa causa em detrimento da parte que negligenciar tal obrigação. Délio Maranhão adverte que “a dispensa que se verifica durante a suspensão é nula”[8].com. Uma coisa é a recusa ou insucesso da negociação por parte do sindicato existente e legítimo. Rel. 9ª R. RO 21.até porque não se pode falar em suspensão total. Prefiro a nomenclatura utilizada pela CLT em seu capítulo IV. § 5º. mediante previsão em convenção ou acordo coletivo de trabalho e aquiescência formal do empregado. contagem para efeitos de anuênio . § 2º.apej. que manifesta duas proteções ao empregado: (i) o retorno ao trabalho e (ii) as vantagens atribuídas à categoria do obreiro afastado. A nova modalidade introduzida pelo art. restringe o poder de resilição do empregador. da CLT. o legislador acabou por corroborar a impossibilidade de rescisão imotivada ao prever multa de um salário em prol do empregado. 2 of 6 06/04/2012 11:04 . do Título IV – suspensão e interrupção . a CLT sofreu o acréscimo do art. o fato da obreira estar ou não sujeita à despedida por justa causa. podendo a Justiça do Trabalho estabelecer normas e condições.e da sua categoria profissional. via de regra. Há que se identificar uma diferença relevante quanto ao ponto em comento: na interrupção o empregado tem asseguradas. mas cumulativos.como por exemplo. O fundamento legal para chegar a tal conclusão decorre do próprio artigo 471. 4ª Turma. da CLT.asp imotivado do empregador durante os períodos de interrupção e de suspensão contratuais. 471 apenas assegura os benefícios gerais da categoria[7]. Ressalte-se que dentre as hipóteses de suspensão subsiste. 476-A. Seguindo a tradição doutrinária.890/95. 2. Na suspensão somente se aplicam as vantagens de caráter geral – por exemplo: reajuste coletivo normativo. ante a sua finalidade exclusiva de assegurar a fiscalização das condições especiais de trabalho.” (TRT. Observa-se que não há qualquer ressalva acerca da possibilidade de desligamento durante a suspensão ou interrupção.” (TRT.” Consoante se percebe da redação do artigo transcrito. 611. quando de sua volta ao trabalho.. ressalvando as exceções expressas em lei. o caminho lógico e natural é o ajuizamento do DC . o empregado não poderá ser despedido sem justa causa quando o seu contrato estiver interrompido ou suspenso. Há quem sustente que o art. da CLT Por força de Medida Provisória. Da leitura do texto legal se extraem os primeiros quesitos de validade desta nova modalidade de suspensão do contrato individual de trabalho: a manifestação por escrito do empregado e o referendum normativo em ACT ou CCT. não se constitui requisito de validade para o implemento da suspensão. se assim fosse. entendo que esta exigência. Nos termos do art. os direitos e obrigações decorrentes do contrato de trabalho não subsistem em sua plenitude. é quem detêm legitimidade ad causam para o ajuizamento do Dissídio Coletivo perante o Tribunal do Trabalho. O § 2º do art. Não se perca de vista. obreiras e patronais. Assim. 616 da CLT foi revogado pelo § 2º do art. 471 desta Consolidação. Não se tratam de requisitos alternativos. da Constituição da República: “Recusando-se qualquer das partes à negociação ou à arbitragem. 114. Estou convencido de que a previsão de multa teve como propósito compensar o prejuízo do empregado que incorreu em hipótese excepcional em relação a regra geral anunciada.: art.731/94. § 2º. respeitadas as disposições convencionais e legais mínimas de proteção ao trabalho. DJPR 23/06/95) Recentemente. prescrever-se-ia “caso o empregado não tenha seu contrato rescindido pelo empregador.” A finalidade da supradita suspensão contratual afigura-se clara: o aperfeiçoamento profissional do empregado. Divirjo dessa posição. o dever de lealdade recíproca entre os signatários. vantagens individuais . A jurisprudência ratifica esse correto posicionamento: “Empregado em cumprimento de pena de suspensão não pode ter rescindido seu contrato de trabalho antes do término da referida penalidade. Ac. 476-A da CLT determina ao empregador a notificação da entidade sindical com a antecedência mínima de 15 (quinze) dias do início da suspensão contratual. somente as entidades sindicais. registre que boa parte da doutrina refere-se à interrupção como suspensão parcial e a suspensão propriamente dita como “suspensão total”. Por último. Caso a negociação coletiva encetada não dê frutos. DOERJ III. com duração equivalente à suspensão contratual. assim disposto: “O contrato de trabalho poderá ser suspenso. a exemplo de outros dispositivos da CLT que impõem a notificação do sindicato e/ou do Ministério do Trabalho com o fito fiscalizatório (vg. nesse sentido. Donase Xavier Bezerra. não dá direito à empregadora de resilir o contrato. a redação da lei seria diferente. serão asseguradas as vantagens da categoria profissional na ocasião de sua volta”. observado o disposto no art. outra é o chamamento da Federação ou Confederação pelo fato de não existir sindicato representativo para aquela categoria profissional. Da colação destes artigos depreende-se que a partir da promulgação da CF/88 não existe mais a possibilidade de interposição de DC por parte das empresas. pois. tais entidades somente deverão ser chamadas nos casos de negociações envolvendo categorias econômicas ou profissionais “inorganizadas em Sindicatos”.APEJ http://www.br/artigos_doutrina_jadn_14. conforme processo administrativo acostado aos autos.

asp Ao revés. bem como no princípio constitucional da norma mais benéfica ao empregado. por sua vez. Nessa perspectiva. I. Veja-se que o período de 16 meses não se dá entre o término de uma suspensão e o início de outra. da Constituição quando se reporta ao dissídio coletivo. o ACT e a CCT não podem contrariar as disposições legais mínimas e seus respectivos regulamentos. pág. com base na ordem hierárquica acima aduzida. uma espécie de caráter geral de prevenção. 7º. 3ª R. Da mesma forma.” (TRT. 5º) Sentença Normativa. da CLT. se o dissídio coletivo é um sucedâneo da tentativa frustrada de celebração de ACT ou CCT. 2) Leis em sentido amplo. da CLT. Os fatos geradores são distintos. 4. sem prejuízo do pagamento das horas extras como forma de reparar o dano do empregado que não teve assegurado o descanso mínimo intrajornada. que alterou a redação do art. o empregado poderá postular a declaração de nulidade da suspensão com o conseqüente pagamento de todos direitos trabalhistas. Logo. DJSC. Benefícios do empregador Não há como negar que a suspensão prevista no art. do art. com a garantia de todas as verbas rescisórias e indenizatórias daí decorrentes[11].com. Pelo contrário. Oportuno consignar o aresto do magistrado Antonio Carlos Chedid: “A sonegação do descanso intrajornada implica infringência de um dispositivo legal (art. 22. Nada obsta que o instrumento normativo da categoria preveja um período menor de 1 a 4 meses.. “Logo. embora prevendo abusos e artimanhas.apej.” (TRT. 13/06/95) Conforme já me manifestei em outra ocasião. A hipótese do art. Logo. da CF). 71. Ora. A lei não veda a possibilidade nem impõe limites à prorrogação do prazo de suspensão. 71 da CLT. além daquele a viabilizar o respectivo curso de aprimoramento profissional.331/95. assinala limite quanto à freqüência da suspensão contratual ao dispor que no período de dezesseis meses ela não poderá ocorrer mais de uma vez. 476-A.APEJ http://www. 4º) ACT e CCT. § 1º). Duração e periodicidade da suspensão O caput do art. a hierarquia normativa trabalhista deve ser assim considerada: 1º) Constituição. 71 da CLT) resultando na aplicação de penalidade administrativa e no dever de ressarcimento do dano causado ao obreiro. como se de trabalho tivesse sido o período de afastamento. a nulidade do ato. estabaleceu: 3 of 6 06/04/2012 11:04 . cuja competência legislativa continua sendo do Congresso Nacional (art. art. 29/06/95. desde que não ultrapasse o seu prazo máximo de 2 a 5 meses ou outro mais benéfico previsto no ACT ou CCT. tampouco lhes outorgou competência para revogar norma de direito do trabalho. Seguindo essa orientação. É o exemplo do art. 476-A da CLT segue a regra geral. III. as Leis não podem contrariar as disposições mínimas de proteção aos direitos sociais assegurados na Carta-Mãe ou em suas disposições transitórias. quando existente. 474. § 4º. 3. O art. tem-se que tal comando constitucional de respeito às normas legais mínimas de proteção a eles também se estendem. estará alijado do recolhimento de FGTS e INSS. é nula de pleno direito (CLT. nos termos da aplicação analógica do art. quando além do caráter fiscalizatório a norma inobservada importar prejuízo direto ao empregado. Constituem-se exceção os casos de greves ou “lock-out” que têm como apanágio a suspensão coletiva. na medida em que o primeiro visa preventivamente a reprimir a ocorrência do fato e o segundo a reparar o dano pelo descumprimento do preceito legal.923/94. Levi Fernandes Pinto. A norma tem dois objetivos: obstar o uso abusivo desta prerrogativa legal por parte do empregador e refrear a onerosidade excessiva do FAT (fundo de amparo ao trabalhador) que. eventual pagamento de ajuda compensatória mensal por parte da empresa não terá natureza salarial[12]. é o responsável pelo custo da bolsa paga durante o período de afastamento do trabalho. 476-A. que assegura o reconhecimento das convenções coletivas e acordos coletivos de trabalho. Em tempos de crise e de necessidade de inovações tecnológicas. 59) A incidência da multa administrativa tem o escopo de coibir prática ilegal. seguindo a estrutura da atual Constituição Federal.[9]” O parágrafo 2o. vez que é cediço que as normas coletivas. XXVI.br/artigos_doutrina_jadn_14. pode-se prorrogar a suspensão quantas vezes quiserem as partes. interessante ao empregador suspender o contrato de seus empregados a fim de alcançar seu intento sem maiores gastos. O que não será possível é a ampliação desta raia legal. por exemplo.. mas a contar do começo da primeira suspensão. 3º) Regulamentos de Lei. Este entendimento foi hoje sufragado pela Lei n. Por último. Já a sanção pecuniária em prol do empregado tem sempre o fito de reparar o prejuízo. no período de afastamento. O uso regular da suposição legal já traz benefícios ao empresário. podendo o empregador suspender o contrato (i) individual de determinado empregado ou (ii) de todos de um mesmo setor da empresa ou ainda (iii) do número integral de empregados do estabelecimento da empresa. delimita o prazo mínimo de dois e máximo de cinco meses para a duração da suspensão contratual. podem ocorrer com um ou vários empregados simultaneamente. da Constituição Federal. não atribui às entidades sindicais poder legiferante. além de gerar multa administrativa. 12ª Região.[10] Ultrapassada a duração máxima. Ademais. 73. 476-A seja do interesse do empregador que. da CLT. 8. conforme se verá. não caracterizando a figura do bis in idem.. RO 2738/95. 476-A. da CLT que prevê o pagamento da multa administrativa. Os dois parâmetros legais não se excluem. Outrossim. art. temos que as cláusulas contratuais não podem contrarias as disposições da Sentença Normativa que. assinale-se a ementa abaixo transcrita: “A Convenção Coletiva não pode sobrepor-se à norma cogente de proteção ao trabalho consubstanciada na redução da hora noturna (CLT. torna-se custoso à empresa investir na qualificação de mão-de-obra e ao mesmo tempo continuar pagando salários e encargos sociais. 9º) a cláusula de convenção coletiva que determina a inobservância da hora noturna reduzida. implicará reparação do dano impingido ao obreiro. devam sempre respeitar “as disposições legais mínimas de proteção ao trabalho”. 114. o § 6o. de acordo com o que estatui expressamente o parágrafo 2º. se completam. do art. 1ª T. DJMG. 4. fruto de negociação. Os casuísmos de suspensão do contrato de trabalho. do art. Rel. ao obreiro será facultado considerar rescindido sem justa causa o seu contrato. Ac. devem observar as disposições convencionais mínimas.

na suspensão em análise o § 5o.asp “se durante a suspensão do contrato não for ministrado o curso ou programa de qualificação profissional. III.não estar em gozo de qualquer benefício previdenciário de prestação continuada. ou causar prejuízo a outrem. IV. sujeitando-se o empregador ao pagamento imediato dos salários e dos encargos sociais referentes ao período. duas hipóteses poderão ocorrer: o empregado retorna ao serviço com a garantia de todas as condições de trabalho anteriores ao afastamento ou o seu contrato é rescindido com pagamento das verbas rescisórias “calculadas sobre o salário do mês anterior à suspensão e se houver aumento de salários. assegurando incondicionalmente ao empregado o valor mínimo da BQP a ser pago pelo empregador em caso de ausência de pagamento pelo FAT. Para tanto. Uma vez ultimado todos os pressupostos legais e convencionais. São. contudo sem o devido registro em CTPS e. “serão os mesmos adotados em relação ao benefício do Seguro-Desemprego (exceto quanto ao requisito da dispensa sem justa causa)”. acima mencionados. todos os casos já mencionados no art. salvo auxílio-acidente. ficará descaracterizada a suspensão. 64 e 65 do CODEFAT. A sanção pecuniária será aplicada nos casos de rescisão imotivada no curso da suspensão ou em até três meses subseqüentes ao seu término. auxílio suplementar da Lei 6367/76 e abono de permanência de que trata a Lei 5890/73. sem a liberação pelo FAT do valor da bolsa ante a falta de preenchimento de requisito legal (art. os valores e o cálculo do número de parcelas. por conseqüência. da CLT) e os conseqüentes reflexos daí resultantes: a) cancelamento imediato da bolsa. negligência. e V.que recebeu salários nos 6 meses anteriores ao início da suspensão. tanto a periodicidade. ou o empregado permanecer trabalhando para o empregador. Diante das regras expostas. do art. 200 do MTb/CODEFAT[14] exige para a concessão da bolsa a (i) anotação da CTPS acerca da suspensão ocorrida e (ii) a comprovação de inscrição e duração em curso ou programa de qualificação profissional. sobre este. ambas de 28/07/94. 9o. 510 da CLT. c) sanções previstas nos instrumentos normativos. Para efeitos de eventual e posterior habilitação ao Seguro-Desemprego.não possuir renda própria para sustento seu e de sua família.. fica obrigado a reparar o dano.apej. b) pagamento dos salários e encargos sociais.APEJ http://www. por ação ou omissão voluntária. terminado o período da suspensão. 3o. II. Afora as condições acima elencadas referentes ao número de contribuições previdenciárias mínimas. da Lei 7998/90. o FAT custeará a bolsa de qualificação profissional (BQP). A Bolsa de Qualificação Profissional (BQP) Esta modalidade de suspensão legal. Possibilidade de rescisão pelo empregador Fugindo ao preceito de que nos casos de suspensão contratual não é permitido ao empregador rescindir sem justa causa o contrato mantido com seu empregado. 6.br/artigos_doutrina_jadn_14. 3o-A. Por óbvio que o pagamento desta multa não prejudicará a incidência integral das verbas rescisórias e indenizatórias. como por exemplo o do empregado que foi admitido a menos de seis meses. está jungida a um fim: a qualificação profissional do empregado. Consoante expressa previsão da nova redação introduzida na Lei 7998/90 em seu art.não estar em gozo do auxílio-desemprego. 3o. quanto os pré-requisitos de habilitação e os demais procedimentos operacionais de pagamento da BQP.1. e d) multas administrativas previstas no art. pois.ter sido empregado ou contribuído como autônomo durante 15 meses. 476-A não será considerado no cálculo dos interstícios de que tratam os incisos I e II. nos últimos dois anos anteriores à suspensão. 3o. o empregado terá direito à bolsa de qualificação profissional (BQP) quando comprovar: I. 6. Nos termos da adaptação do art. Número de parcelas e valor da bolsa Considerando as recentes alterações das Leis 7998/90 e 8900/94 e ainda o disposto nas Resoluções n. face ao disposto no art. da Lei 7998/90.03 parcelas da BQP (bolsa de qualificação profissional) se houver comprovação de vínculo e emprego de 6 a 11 meses dentre 4 of 6 06/04/2012 11:04 . como já se percebeu. surgem algumas questões em que o empregado terá seu contrato de trabalho suspenso. I da L.com.” As penalidades mencionadas implicam a declaração de nulidade do ato por atitude fraudulenta (art.” As negociações coletivas que visam legitimar esta espécie de suspensão contratual têm a chance de elidir tais situações de iniqüidades. o dispositivo determina o pagamento de uma multa a ser prevista no instrumento normativo. 471 da CLT”[13]. sem receber qualquer valor a título de bolsa. pode-se inferir que o trabalhador terá direito a: I . 5. em valor não inferior a 100% da última remuneração mensal anterior à suspensão. violar direito. permite expressamente que tal hipótese ocorra. Entendo que neste âmbito caberá ao empregador (agente culposo) reparar o prejuízo do empregado de forma espontânea ou através do remédio jurídico adequado (ação trabalhista). constitui-se obrigação do empregador propiciar o respectivo curso ou programa nos termos do instrumento normativo. bem como às sanções previstas em convenção ou acordo coletivo. Como forma de compensar os prejuízos advindos ao obreiro. Como bem lembra Amauri Mascaro Nascimento. 7998/90). a Resolução n. 476-A. Situação mais injusta ainda será a do empregado que já vinha laborando há mais de seis meses. O artigo 159 do Código Civil escora a presente ilação sem deixar margem a dúvidas: “aquele que.. o período de suspensão contratual do art. às penalidades cabíveis previstas na legislação em vigor. ou imprudência.

CLT Comentada. Orlando. facultando ao empregador o pagamento da ajudaalimentação durante a fase de suspensão contratual de que trata o art. como por exemplo o Seguro-Desemprego. LTr. II. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: DALLEGRAVE NETO. II. Talvez por esse motivo é que a MP não tenha se preocupado em incluir expressamente a suspensão do art. Nestas circunstâncias. o segurado que deixar de exercer atividade remunerada abrangida pela Previdência Social ou estiver suspenso ou licenciado sem remuneração. MARANHÃO. Logo. ao empregado suspenso aplica o disposto do art. 476-A. Elson.00 aplicar-se-á. In: Revista LTr. do art. 200 do CODEFAT. 15. ao assim proceder. O valor das parcelas da BQP variará de acordo com as faixas salariais obtidas pela média dos últimos 3 (três) meses anteriores à suspensão contratual. 15.213/91.8 (oito décimos). II . Lamenta-se que os bônus do empregador estejam contemplados na categoria das normas agendi. da L.04 parcelas da BQP se houver comprovação de vínculo de emprego de 12 a 23 meses. dentre os últimos 36 meses anteriores à suspensão. o próprio enunciado do art. A fim de proteger o empregado suspenso. Segadas. José Affonso. enquanto que as pífias benesses trazidas ao empregado. A Medida Provisória que introduziu a suspensão em comento alterou a Lei do PAT[15]. in verbis: “Art.” Observa-se que a MP não utilizou a melhor técnica legislativa. pág. Benefícios assegurados ao empregado Pela redação estampada no caput e no § 4o. da Lei 7998/90 em seu novo artigo 8o-A e da Resolução n. em que a MP alterou artigos de leis específicas. a benesse contemplada ficou solta no bojo da MP. 15 . assim: I . da Lei 8.00. independentemente de contribuições: II . no que exceder. Direito do Trabalho: estudos. conclui-se que ao empregado são assegurados todos os benefícios gerais da categoria.00. III .asp os últimos 36 meses anteriores à suspensão contratual. Piragibe Tostes. 476-A. multiplicar-se-á pelo fator 0. engloba todas as suspensões contratuais de uma forma geral. Forense. 05/04/99.. São Paulo. III .se a referida média salarial do trimestre anterior à suspensão alcançar até R$ 300. A reforma da legislação trabalhista. Curso de direito do trabalho. sendo-lhe garantido a percepção de no mínimo uma parcela. 754.por morte do empregado beneficiário. a bolsa BQP pode ser cancelada nas seguintes situações: I . Amauri Mascaro.de R$ 300. 476-A da CLT. Brasília. além daqueles voluntariamente concedidos pelo empregador durante o interstício de afastamento. Rio de Janeiro. 62-11/98 5 of 6 06/04/2012 11:04 . Por força do art.Mantém a qualidade de segurado. LTr. mas apenas se reportar a ela. VIANA. 1971. Jornal Trabalhista Consulex. mesmo sem a obrigação patronal de recolhimento previdenciário. 15. o fator 0. São Paulo. de 04/11/98. II . 1998. MALTA. até o limite do inciso anterior. II . SUSSEKIND. nada impedindo que o empregador dela não queira se servir. Deveria fazer o mesmo que fez em relação aos demais benefícios. 1997. NASCIMENTO. Rio de Janeiro. GOMES. 04. dentre os últimos 36 anteriores à suspensão. Délio. De outra maneira.APEJ http://www.. Instituições de direito do trabalho.por comprovação de informação falsa à habilitação.com. Ano XVI. II da citada lei.5 (cinco décimos). 1980. Estêvão.por comprovação de fraude visando a percepção indevida Na hipótese IV estão inclusos os casos de fraude por ausência do curso profissionalizante ou por permanência de trabalho no período de suspensão (§ 6o. 4a. Ed. estejam na categoria das facultas agendi.00 a R$ 500. do 476-A) ou ainda por extrapolação dos prazos máximos de duração. Arnaldo.acima de R$ 500. vez que não modificou nem introduziu nova disposição à lei original. as parcelas da bolsa de qualificação profissional que o empregado tiver recebido serão descontadas das parcelas do Seguro-Desemprego a que fizer jus. Cuida de mera faculdade patronal prevista em lei. a regra nele contida e. o valor do benefício será igual a R$ 340. ocaso e pouco caso que os órgãos estatais legiferantes vêm demonstrando em relação aos direitos conquistados pela classe trabalhadora. MALLET.até 12 (doze) meses após a cessação das contribuições. Nova modalidade de suspensão do contrato de trabalho. a MP fez questão de lhe estender a qualidade de segurado do INSS durante o período de afastamento.05 parcelas da BQP caso haja comprovação de vínculo de no mínimo 24 meses. III . Vol. 7.apej.00. IV . ed. Semelhante observação vem reforçar a tendência de flexibilização. 1. GOTTSCHALK. n. 476-A da CLT na redação do art.por rescisão contratual ou fim da suspensão contratual.br/artigos_doutrina_jadn_14. Assim. Trabalhistas. 8213/91.

pág. In: Revista LTr. pág. pág. 1457. São Paulo. a exemplo do part-time praticado nos EUA. 1980. 1998. Forense. citada. [12] A ajuda compensatória além de facultativa deve estar contemplada no ACT ou CCT. CLT Comentada. Jornal Trabalhista Consulex. foi incorporada na MP 1779. Nova modalidade de suspensão do contrato de trabalho. José Affonso. [8] MARANHÃO. Curso de direito do trabalho. A reforma da legislação trabalhista. As principais características dele são a flexibilidade de pactuação. alteração e rescisão contratual e a subordinação à distância: elimina-se a figura do gerente intermediário (rígida pirâmide hierárquica) e cria-se outros mecanismos de controle. pág. 328. 1997. GOTTSCHALK. pág. Ano XVI. LTr. 62-11/98.601/98 que criou o banco de horas e nova espécie de contrato a termo. Direito do Trabalho: estudos. 6 of 6 06/04/2012 11:04 . Posteriormente. 05.asp (*) O Autor é Mestre e Doutorando em Direito pela UFPR. 1. com reedições mensais.. São Paulo. [2] Como exemplo. [1] Os teóricos apontam o modelo japonês toyotista como paradigma hodierno de estrutura de produção. Rio de Janeiro. 33 e 34. [5] GOMES. Amauri Mascaro.com. Registre-se ainda a ampliação da CLT em seu artigo 58-A que introduziu a contratação de trabalho a tempo parcial. Todos os direitos reservados. 445 com o 451 da CLT. [13] NASCIMENTO. pág.apej. segue a mesma regra da CLT para os contratos a termo. [6] MALLET. [14] Publicada no DOU de 09/11/98. 05/04/99. cite-se a Lei 9. 04. além de flexíveis diminuem. 326. pág. [3] NASCIMENTO. 1459. Advogado membro do IAB e do IAP. ed. pág. Elson. Instituições de direito do trabalho. Ed. tais como o teletrabalho ou mesmo os CCQs . [4] A MP 1726 é de 03/11/98 e foi publicada em 04/11/98. Estêvão. [7] Nesse sentido Piragibe Tostes Malta. Délio et alli. Orlando. Neste sentido é a vinculação do art. [9] DALLEGRAVE NETO. Vol. As duas últimas figuras mencionadas. [10] A possibilidade de prorrogação com a observância da duração máxima além de constituir conclusão lógica. Amauri Mascaro.br/artigos_doutrina_jadn_14. 1971. nos quais os próprios grupos de empregados ficam incumbidos da fiscalização mútua. direitos trabalhistas tais como FGTS e férias. [11] Nesse sentido já se manifestou Estêvão Mallet em artigo citado. 567. Rio de Janeiro. 754. Professor da Faculdade de Direito de Curitiba.APEJ http://www. 4a. de 14/12/98. Presidente da APEJ – Academia Paranaense de Estudos Jurídicos. LTr. n. Brasília. Trabalhistas. [15] Trata-se da Lei 6321/76.círculos de controle de qualidade. Ob. © Copyright 2012 APEJ Academia Paranaense de Estudos Jurídicos.