Arcadismo O Ano de 1768 é considerado a data inicial do arcadismo no Brasil, com dois fatos marcantes: a fundação da arcádia Ultramarina

, em Vila Rica; a publicação de obras, de Cláudio Manoel da Costa. A Escola Setecentista desenvolve-se até 1808 com a chegada da Família Real ao Rio de Janeiro, que com suas medidas político - administrativas, permite a introdução do pensamento pré - romântico no Brasil. No inicio do século XVIII dá-se a decadência do pensamento barroco, para o exagero da expressão barroca havia cansado o publico e a chamada arte cortesã que se desenvolvem desde a Renascença, atinge em meados do século um estágio estacionário e mesmo decadente, perdendo terreno para o subjetivismo burguês; o problema da ascensão que procura a pureza e a simplicidade das formas clássicas; no combate ao poder monárquico, os burgueses cultuam o “bom selvagem” em oposição ao homem corrompido pela sociedade do. Ancien Régime. Momento Histórico do Arcadismo Na Inglaterra e na França surge, em meado do século XVIII, uma burguesia que passa a dominar economicamente o estado, através de um vasto comercio ultramarino e da multiplicação de estabelecimentos bancário, assenhorados se mesmo de uma parte da agricultura. A velha Nobreza arruína-se; os religiosos, com suas polêmicas, levam os problemas teológicos ao descredito. Em toda a Europa tais circunstancias são semelhante e as influencia do pensamento burguês se alastram. Características do Arcadismo A ARCÁDIA Lusitana tinha por lema a frase latina Inutilia Truncat („acaba-se com as inutilidades‟),o que vai caracterizar todo o arcadismo. Visavam com isto truncar os exageros, o rebuscamento a extravagância cometidos pelo Barroco, retornando a uma literatura simples. Inspirados na frase de Horácio Fugere urbem („fugir da cidade‟) e levados pela teoria de Rousseau acerca do “bom selvagem”, os árcades voltam se para a natureza em busca de uma vida simples, bucólicas, pastoril. É a procura do locus amoenus,de refúgio ameno em oposição aos centros urbanos monárquicos; a luta do burguês culto contra a aristocracia se manifesta pela busca da natureza. Cumpre salientar que este objeto configurava apenas um estado de espírito, uma posição política e ideológica, uma vez que todos os árcades viviam nos centros urbanos e, burgueses que eram, lá estavam seus interesses econômicos. Isto justifica falar-se em fingimento poético no arcadismo fato que transparece no uso dos pseudônimos pastoris. Origens do Romantismo na Europa No início do século XVIII, a Era Clássica entra em crise, dando origem, na Europa, ao movimento romântico cujas primeiras sementes dão-se na Inglaterra e na Alemanha, cabendo à França, posteriormente, a função de difusora desse movimento. A Inglaterra enviava para a Escócia, devido à separação geográfica e linguística, a literatura clássica francesa que, por sua vez, era divergente da literatura popular escocesa. Logo, percebeu-se que a literatura escocesa estava sendo deixada em segundo plano, ficando, cada vez mais, atrelada à oralidade. Esse fato causou uma revolta dos escoceses contra o movimento clássico, tendo como principal objetivo ressuscitar o prestígio das velhas lendas e canções tradicionais escocesas, conforme cita Massaud Moisés, em “A Literatura Portuguesa”, p. 113: “(...) a Inglaterra exporta para a Escócia os produtos do Classicismo francês, em tudo contrário à literatura popular escocesa que existira até os fins do século XVI e que agora se reduzia à transmissão oral. Tudo, razões políticas e literárias, convidava a uma rebelião que visasse a instaurar o prestígio dessas velhas lendas e canções que corriam na voz do povo (...)”. O primeiro escritor escocês a rebelar-se contra a poesia clássica foi Allan Ramsay quando, em 1724, publica uma antologia de velhos poemas escoceses: “The Evergreen”, seguida de outra coletânea, “The Teatable Miscellany”, também de velhas canções e, já com base no sentimento da natureza,

isto é. além de visarem a um retorno à poesia livre. que em 1770 encontra-se com Herder em Estrasburgo. há uma ruptura do passado de estrangeirismos inseridos à cultura alemã. Em meio a este clima.. Em 1760. na Alemanha assim como na Escócia. assim. o sucesso imediato motivou-o a continuar com o cumprimento da tarefa de fazer conhecida uma tão rica e original tradição poética. pois surgiram vários escritores escoceses e ingleses envoltos pela “escola do sentimento” contra a “escola da razão” e é importante citar os nomes de: James Thomson (1700-1748). juntamente com Pamela (1740-1741). quando não acima (. um velho bardo escocês do século II d. sob a influência do cartesianismo. p. a mesma soma-se à influência das novas correntes literárias inglesas que. passaram a ser exaltadas na Alemanha. visto que o autor dos poemas era Macpherson. quando descobriu-se que tudo não passava de uma mistificação. contudo. de cunho melancólico. deve-se ressaltar que houve um sintoma de renascença alemã após todo um período de transição e conflitos entre espiritualismo e materialismo como foi marcada a Era Clássica. as baladas e canções de Ossian se beneficiaram em pouco tempo de generalizado aplauso em toda a Europa culta do tempo. e. C. Goethe. porém. da guerra e do amor. Southey. Edward Young (1683-1745). “Death and Immortality” (17421745).. porém. da melodia natural e espontânea das frases utilizadas. 114: “(. da ciência de Newton e da filosofia de Locke. Byron e Shelley. nos próximos anos houve o aparecimento de vários poetas cujas obras refletiam seus sentimentos. outro nome importante é o de Samuel Richardson (1689-1761). citam-se os nomes de: Thomas Gray. exalta Shakespeare. junta-se a ele e a outros escritores para que montassem uma aliança de combate às regras e à separação de gêneros vigentes na escola clássica. através da “Dramaturgia de Hamburgo”.publica.. or Night Thoughts on Life”. em 1725. o Ossianismo tornou-se uma forte corrente literária cuja influência não deixou nenhum país europeu imune e. Lessing. devido a seu caráter predominantemente estrangeiro. sentimental. p. entretanto. é aberta a senda para a instalação e consolidação do movimento romântico na Inglaterra e na Europa. Clarrisa Harlowe (1747-1748) e Sir Charles Grandison (1753-1754). sobretudo os referentes a” “Fingal” e “Temora”.. o que continuou sendo desenvolvido pelos jovens pertencentes ao movimento “Sturm und Drang” (Tempestade e ímpeto). irracional. cuja profunda e benéfica influência. a literatura estava sob influência francesa. Nesse contexto. após o Aufklärung alemão. o escritor escocês James Macpherson (1736-1796) começou a publicar a tradução em prosa dos poemas escritos por Ossian. Massaud Moisés: “No primeiro quartel do século XVIII. e logo alguns trechos foram traduzidos para outras línguas. seus transes interiores. Neste contexto. bem como um acentuado primitivismo no sentimento da natureza. desponta o movimento alemão chamado Aufklärung (“filosofia das luzes”). 114. O Aufklärung pregava o uso da razão como condição básica para a reforma e transformação do mundo e da sociedade. última floração do barroco decadente. Embora aguardassem vinte ou mais anos para ser inteiramente traduzidas. Samuel Taylor Coleridge. segundo Massaud Moisés. autor de “The Seasons” (1726-1730). O afrancesamento manifesta-se ainda no culto das boas maneiras e das modas parisienses”. bem como os costumes vigentes como retrata em “A Literatura Portuguesa”.. era já suficientemente tarde para que houvesse um impedimento da difusão do Ossianismo. Wordsworth. Com tanto sucesso. autor de “The Complaint. que é considerado o precursor do romance. anti-Aufklärung. . Este exemplo não ficou sem eco. em “A Literatura Portuguesa”. declarando-se contra o clássico francês. causou inspiração a tantos outros escritores através da simplicidade lexical e sintática. É importante citar que a influência francesa não desapareceu de repente na Alemanha. dando início à poesia funérea.) a impressão causada foi a de espanto e surpresa. “The Gentle”.)”. a literatura alemã vive sob influência do rococó francês. Robert Burns. Com Laocoonte. Em meio ao unânime elogio. ouviam-se raras vozes discordantes: não poucos elevaram o bardo gaélico ao nível de Homero e Virgílio. o movimento não obteve grande êxito. Com isso.

“Werther”. Segundo Maçado Moisés no livro “A literatura Portuguesa”: “.. como sinônimo de equilíbrio.. Em 1781.. e aproximando se da linguagem coloquial. em 1774. Certos sentimentos como a saudade (saudosismo). (Segundo Massaud Moisés – p.142). isto é. monumentos de povos desaparecidos torna-se igualmente uma forma de escapismo.” (p. libertando se dos modelos greco-latinos-. O escritor do romantismo recusa formas poéticas. Schiller publica “Os Salteadores”. as coisas não são vistas como realmente são. Velhos castelos medievais de repente se tornam ponto de atração. restos de velhas civilizações. E da França disseminou-se pelo resto do mundo. centrada no” “eu” interior de cada um” (p. aproximando-se da fantasia. frágil. Romantismo Características do Romantismo A palavra romantismo e derivados origina-se da forma francesa “romantique” (adjetivos de roman – romant – romanz).. preferem o caos ou anarquia. submissa e inatingível. Segundo Massaud Moisés no seu livro “A Literatura Portuguesa”: “. Liberdade de criação: Todo tipo de padrão clássico preestabelecido é abolido. experimenta um prazer agridoce em fazê-lo. a nostalgia e a desilusão são constantes na obra romântica. • a mulher é vista como virgem. ne sont – ils pás bien romantiques!”). mas como deveriam ser segundo uma ótica pessoal. de acordo com o que sente. obra que representa o símbolo acabado dos males da imaginação.. ato que teve grande sucesso na Europa da época. Goethe publica. ruínas de monumentos greco-latinos passam a ser visitados e apreciados pelo que evocam de melancolia e tristeza na lembrança de um tempo morto para sempre. publicada em 1776. a tristeza. o rótulo “Sturm und Drang” é retirado duma peça de igual título feita por Klinger. a palavra passou a romantik e romantisch. Monsieur. Assim: • a pátria é sempre perfeita. o romântico mergulha cada vez mais na própria alma. 141) Subjetivismo: O poeta do romantismo quer retratar em sua obra uma realidade interior e parcial. Recuperar estados da alma talvez subconscientes no encontro da vida livre. dando início ao Romantismo na Alemanha. peça histórica que inaugura o gênero na Alemanha e. já assinalada em 1694 num texto do Abade Nicase (“Que dites – vous. Trata os assuntos de uma forma pessoal. atitude narcisista em que o individualismo prevalece microcosmos (mundo interior) X macrocosmos (mundo exterior). de as pasteroux. o artista do romantismo passa a idealizar tudo. E embora confesse tempestades intimas ou fraquezas sentimentais. ao universalismo clássico opõem um conceito de arte extremamente individualista: substituem a visão macrocósmica. Segundo Massaud Moisés no livro “A Literatura Portuguesa”: “. Sentimentalismo ou saudosismo: No romantismo exaltam-se os sentidos e tudo o que é provocado pelo impulso. . Egocentrismo no romantismo: Cultua-se o “eu” interior.143) Idealização: Motivado pela fantasia e pela imaginação.Com o movimento anti-Aufklärung começando a apagar-se. tão valorizados pelos clássicos. usa o verso livre e branco. certo da superior dignidade do sofrimento. bela.145). colocam a aventura ao cosmos. Emprestada pelo Inglês e o Alemão. idéia que expressava. levando ao suicídio. Velhas ruínas. em lugar da ordem clássica. a examinar-lhe mórbida e masoquistamente com o intento único de revelá-la e confessá-la. • o amor é quase sempre espiritual e inalcançável. assim. longe das cidades e das formulas gastas de civilidade.” (p.. de onde foi importada por literatos franceses juntamente com a vaga.

Nativismo: Fascinação pela natureza. Nacionalismo ou Patriotismo: Exaltação da Pátria de forma exagerada. Muitas vezes. em que somente as qualidades são enaltecidas.. colocam a aventura.. aguça a imaginação. inquietação. A natureza é procurada como confidente passiva e fiel. que não carecem da fundamentação lógica. Imerso no caos interior.. que convida ao sonho e ao devaneio”. a vida espiritual e a crença em deus são enfocadas como pontos de apoio ou válvulas de escape diante das frustrações do mudo real. a natureza também o é. a Natureza torna-se individualizada. se triste o romântico. o que não é muito claro. ou fuga para a natureza. Já que o romantismo não aceita a realidade. frutos de pura fantasia. Luta entre o Liberalismo e o Absolutismo: . como era concebida entre os clássicos. cultivadas ou meramente nascidas e continuadas durante a introversão o levam ao tédio.” Medievalismo: Há um grande interesse dos escritores do romantismo pelas origens de seu país. Segundo Massaud Moisés no livro “A Literatura Portuguesa”: “.. os românticos pretendem a reabilitação do cristianismo anterior as lutas da Reforma e Contra-reforma. mas só atua como reflexo do eu. Em lugar da ordem clássica. a fuga a deserção pelo suicídio. Segundo Massaud Moisés no livro “A Literatura Portuguesa”: “. personificada. da força da paisagem. a imaginação.. e um consolo nas horas amargas: deixando de ser pano de fundo. o nacionalismo do romantismo é exaltado através da natureza. os modelos as normas. Dentro da Europa. Na Europa. terras exóticas. a Itália e a Espanha são os países mais procurados certamente por manterem vivos traços dos séculos medievais e cavalheirescos e uma atmosfera poética. desse modo. ao “mal do século”. individual (fatos ligados ao seu próprio passado.. Pessimismo: Conhecido como o “mal do século”.. batem-se pela total liberdade na criação artística e defendem a mistura e a” “impureza” dos gêneros literários. Segundo Massaud Moisés no livro “A Literatura Portuguesa”: “. Os românticos revoltam-se contra as regras. a Historia”. frustração.146) Culto ao Fantástico: A presença do mistério. Religiosidade: Como uma reação ao Racionalismo materialista dos clássicos.Segundo Massaud Moisés no livro “A Literatura Portuguesa”: “. Para sair dele. O artista se vê totalmente envolvidos por paisagens exóticas. levando-o muitas vezes ao suicídio. desespero. cai em profunda tristeza. representando o sonho. Tanto é assim que o mundo medieval é considerado a “noite da humanidade”. pois ela constitui fundamentalmente “um estado da alma””. angustia solidão. O artista se vê diante da impossibilidade de realizar o sonho do “eu” e. solução definitiva para o mal do século. a fantasia. por ser uma época obscura. ao universalismo clássico (142).. do sobrenatural. do uso da razão. o poeta do romantismo acaba por sentir melancolia e tristeza que. preferem o caos. quer dizer do Cristianismo considerado virtuoso e ingênuo como só teria sido praticado na Idade Media” (p. a sua infância) ou histórico (época medieval). retornam à Idade Media e cultuam seus valores. Segundo Massaud Moisés no livro “A Literatura Portuguesa”: “. volta ao passado. Após o tédio sobrevém uma terrível angustia logo transformada em insuportável desespero. Escape Psicológico: Espécie de fuga. de seu povo.. o romântico só encontra duas saídas. ou a anarquia.. a pátria. Contrapondo-se aos mitos pagãos do classicismo.. como se ele fosse uma continuação da natureza..

Segundo Massaud Moisés no livro “A Literatura Portuguesa”: “(. muitas vezes personagens históricos. que foram de algum modo. Portugal era um país pequeno e decaído. tristeza. A implantação do romantismo em Portugal ocorre num contexto sociopolítico. tal como na Europa. Em 1825 Garrett publicou o poema Camões que passa a ser considerado o ponto de partida para a fixação da cronologia do romantismo português. cansaço da vida: d) realidade política e social (o abolicionismo. A evolução. São os anos posteriores às invasões francesas. sentimento de morte. caracterizando a região em que vive com seu folclore. na pintura. a quem ama como irmão de dor e injustiça: instaura-se a demofilia. o romantismo manifestouse também na pintura e na arquitetura. O romantismo constitui uma tomada de consciência e uma conquista dum senso histórico e dum senso crítico novo aplicado aos fenômenos da cultura. sentimentos liberais. O Último Tamoio . que aborda o nosso homem o nosso homem do interior. Aparece também.. pessimismo. a revista Niterói. seu costume e tipo característico. o romantismo português procurava ainda afirmar-se. e) os problemas urbanos surgidos com o relacionamento indústria-operário. b) o regionalismo (ou sertanismo). patriotas exilados. a obediência ás regras e á razão entram em crise. que tinham originado o refúgio da corte portuguesa no Brasil e é também o tempo em que o desejo de independência dessa colônia ganha força. Enquanto o romantismo de Delacroix avançava já para um projeto renascentista e o realismo tomava forma no horizonte parisiense. um movimento literário. propunham-se contribuir para um renascimento pátrio. a corrupção e o materialismo. Não existiam mestres.. Esses patriotas. de Gonçalves de Magalhães. o romântico dificilmente optava por um nobre. marcado pela melancolia. nessa época.) O romântico liberal em política sente-se fadado a uma grande missão civilizadora e redentora do povo. Até na escolha do herói. com publicação de Suspiros Poéticos e Saudades. confiantes nas virtudes da liberdade. adotava heróis grandiosos. saudoso da grandeza perdida. Geralmente. a democracia”. Porto Alegre e Torres Homem. o seu surgimento é o resultado do amor que os jovens artistas tinham à natureza. do neoclassicismo para o romantismo foi lenta e tormentosa. o poder agrário). Em Portugal. Romantismo no Brasil Começa o Romantismo no Brasil em 1836. c) o chamado mal do século ou byronismo. amantes recusados. infelizes: vida trágica. . as lutas humanitárias. O espírito clássico. com ideias românticas de Gonçalves de Magalhães.Obra do Romantismo Brasileiro A literatura romântica no Brasil apresentou várias tendências: a) o indianismo e o nacionalismo: valorização do índio e da nossa fauna. só tardiamente ganhou expressão entre nós. Começa-se a relacionar o Homem com o meio a que pertence e a época de que é produto.Poder do povo X poder da monarquia. Romantismo em Portugal Em Portugal o processo de instauração do romantismo foi lento e incerto. e surge o Romantismo.

Os primeiros romances editados no Brasil. os índios de Alencar ( O Guarani. afasta-se das convenções românticas. Manuel Antônio de Almeida. o sul ( o Gaúcho. retrata-se a vida da Corte. numa verdadeira revolução histórico-cultural. substituindo a Idade Média que não tivemos. Joaquim Noberto Sotero dos Reis. de Franklin Távora). Macedo e Alencar ( Diva. O Romantismo na história da literatura brasileira . Destaques: Álvares de Azevedo e Casimiro de Abreu 3) TERCEIRA GERAÇÃO ROMÂNTICA ( Candoeira – Poesia Social – Mugoana – Escola de Recife)Destaque: Castro Alves Romance Romântico Desde os primórdios da Literatura. de Bernardo Guimarães) e o Sertão e o Pantanal de Mato Grosso ( Inocência. para aproximar-se da imparcialidade dos narradores realistas. 2) POESIA DA SEGUNDA GERAÇÃO ROMÂNTICA ( Byroniana – Individualista – Egótica – Mal – do – Século – Ultra – Romantismo). as ciências. Não há penetração psicológica. para a província e para o sertão. ainda na década de 1830. O folhetim. a ficção romântica. exemplifica. aprovada no propósito nacionalista de reconhecer e exaltar nossas paisagens e costumes. a narrativa tem sido a manifestação mais difundida. marcam-se pelo aspecto do folhetinesco. publicado com periodicidade regular pela imprensa. imaginação. sentimento nacionalista. ambientes e tipos humanos da burguesia carioca. conde Araújo Porto – Alegre. que abrange a filosofia. criando uma obra que destoa do tom idealizador e heroico dos demais romancistas da época. Gerações Reconhecem-se três gerações. de Alencar) o sertão de Minas e Goiás ( o Garimpeiro e o Seminarista. de Alencar e O Cabeleira. é fruto de uma nova atitude de espírito diante dos problemas da vida e do pensamento. fugindo das normas acadêmicas tradicionais. No Brasil. B – A CIDADE Através do romance urbano e de costumes. no Rio de Janeiro do século XIX. roupas. num esforço nacionalista de reconhecer e exaltar a terra e o homem brasileiro. Esses poetas ( Gonçalves de Magalhães. cenas. costumes. liberdade na criação artística individualismo. diálogos. Atitude de uma geração projeta-se nas demais: 1) 1º Geração ( Indianismo – Nacionalismo): Gonçalves Dias foi o melhor poeta de sua geração. vistos com símbolos e elementos formadores da nacionalidade. Odorico Mendes e Gonçalves Dias) apresentaram fortes resíduos do Neoclassicismo. Em linhas gerais. na retratação das classes do Rio Colonial. a política.O Romantismo. gestos. O romancista não tem compromisso com a verdade histórica. nosso primeiro ficcionista de largo voo. as artes. as religiões. Busca-se retratar o Nordeste ( O Sertanejo. de modo que o escritor cria seu próprio vocabulário e forma sua própria sintaxe. quase todos os tipos do romance romântico. desdobrou-se em três direções: A – O PASSADO Através do romance histórico. As personagens são adaptadas através dos atos. acentuado as particularidades de seus costumes e ambientes.Iracema. buscava na história e nas lendas heroicas a afirmação da nacionalidade. melancolia. fotografando. com alguma fidelidade. O Romance projeta o gosto do público burguês. implica numa profunda metamorfose. a moral. José de Alencar. um movimento cultural muito amplo. eqüivale as atuais novelas de televisão e confina com a subliteratura. e Ubirajara) são transformados em cavaleiros medievais. do Visconde de Taunay). os costumes as relações sociais e ás famílias. pelo conjunto de sua obra. marcadas por certa unidade temática e formal nem sempre rígida. A obra romântica é marcada de sentimentalismo. sentimento religioso. O estilo toma suas liberdades. C – O REGIONALISMO Voltado para o campo. saudade. em Memórias de um Sargento de Milícias. evoluindo da narrativa oral. Lucíola e Senhora) representam essa vertente.

pois os romances foram traduzidos em 33 idiomas. evidenciando a imagem do pobre nordestino ante as dificuldades com os problemas e sofrimentos do povo nordestino. e então Oswald de Andrade (18901953) escreveu uma coleção de poemas que intitulou “Pau-Brasil” e nela avaliou a cultura brasileira. Graciliano Ramos(18921953). econômicas e sociais. uma história única na revelação da difícil vida sertaneja nordestina. o povo que trabalhava nas plantações de cacau na fazenda de propriedade de sua família e também em humildes pescadores de pequenas aldeias no litoral. e a própria literatura mostra essas influências. e a vida familiar em idiomas simples. evento este que culminou a expansão de novas ideias e propiciou uma revolução no campo artístico e literário. No Brasil surge então. composições em literatura. Ainda podemos destacar nessa linha. Surge então o Parnasianismo. a razão predomina . linha. a qual Alberto de Oliveira demonstrava o interesse em assuntos sociais. influenciados pelas ideias Marxistas e se concentraram no sofrimento do povo nordestino. considerado uma obra-prima no quesito época-sociedade-índios. Paulo. não um romance”. Os poetas destacavam-se nessa época: . Veio a Independência do Brasil e com ela.Tudo começou com a transferência da Família Real Portuguesa para o Brasil em 1808. No começo do século XX. em sua maioria. A influência das revoluções francesa e industrial e do pensamento liberal se deu em todos os campos. conforme nosso quadro ”A LITERATURA E OS SÉCULOS”. pôde ser explorado com mais vigor. José de Alencar (1829-1877) escrevia romances populares sobre os índios. José Lins do rego(1901-1957) e Rachel de Queiroz(1910-) foram os seguidores de José Américo de Almeida. com humor. inicialmente com José Américo de Almeida (1887-1969) que escreveu “A Bagaceira”. Já no período II do Romantismo no Brasil. Eles foram atentos a obra de José Américo de Almeida e. um romance histórico. que escreveu “A Moreninha”. a família trouxe com ela o espírito da Europa: o Romantismo europeu incipiente que acabaria influenciando culturalmente o Brasil. Os artistas foram invadidos com sentimento de orgulho pelo folclore nacional. Romantismo em Portugal Introdução As novas ideologias políticas. “O Guarani”. escrevendo poesia.Castro Alves (1847-1871) que escreveu sobre os escravos africanos e Gonçalves Dias (1823-1864) que escreveu sobre os índios. e Macunaíma que ele chamou “uma rapsódia. Na época. foram. o nordeste. os artistas brasileiros foram iluminados com novas ideias: . economicamente.começa então a Semana de Arte Moderna em S. pela primeira vez em poesia brasileira. através da poesia de Olavo Bilac (1865-1918). utilizando o seu estilo “indianista”. uma nova fase do Romantismo. A liberdade sobrepuja as regras. arte. Raimundo Corrêa (1860-1911). nossa história e nossa ascendência. a liberdade individual e uma preocupação com os assuntos sociais. com um outro conteúdo social. torná-la independente da Europa e promover nossas belezas tropicais e nossos índios.o subjetivismo. uma reação contra os excessos dos Românticos. Nossos escritores começaram então a se preocupar com alguns assuntos até aquele momento esquecidos ou não abordados nas obras da época: . Jorge Amado(1912-). a importância de se exaltar nossa cultura. Mário de Andrade (1893-1945) foi o líder mais importante dessa fase da literatura. dentre eles “Iracema”. as superstições. e Alberto de Oliveira (1859-1937) – este último escrevia poesia de 1a. Os primeiros romances de Jorge Amado. local onde todos eles nasceram. há um novelista desse período que é amplamente lido até hoje: Joaquim Manuel de Macedo. música e folclore brasileiro. o escritor do romantismo brasileiro mais traduzido de todos os tempos. De repente nossa terra floresce nas artes e na literatura. condizente aos padrões literários cariocas da sociedade da época. e. com uma história popular. vieram intervir na sociedade do século XIII.

procurando a total liberdade de criação. opondo-se às regras e modelos. assim como a mulher são importantes pontos desse momento. O homem. muitas vezes. melancolia. ao escrever despojava todos os seus anseios. vocabulário. retornava ao passado. Enfim. responsáveis pela abolição das monarquias aristocratas e pela introdução da burguesia que então. subjetivismo. coisa divina e. dominara a vida política. falando de solidão e nostalgia. por encontrá-la e perdê-la. frustrar-se por não encontrá-la ou. sendo que a expressão do sentimentalismo não precisa obedecer a nenhuma regra. Com isso. o romântico entrava em constante devaneio. que recebe uma remuneração para produzir a obra. idealizava a mulher como uma deusa. exageradamente. por apresentar características que viriam se firmar no espírito romântico: versos decassílabos brancos. do amor e. repudiava os clássicos. designa uma tendência geral da vida e da arte. Em 1825. tenta colocar o universo que presenciamos. tendo como fonte o eu-lírico. idealiza um universo melhor. Ao procurar a mulher de seus sonhos e. com isso. às vezes. da própria morte. Introdução do Romantismo em Portugal O advento do Romantismo em Portugal vem apenas confirmar a diluição do Arcadismo. . econômica e social da época. muitas vezes. por estar presenciando o Romantismo inglês. procura desvendar o que estamos sentindo. o pensamento romântico vai muito além do que podemos ver. envolvese com o teatro de William Shakespeare. O comportamento romântico caracteriza-se pelo sonho. diante das coisas. enquanto o público paga para consumi-la. Com o domínio burguês.sobre a emoção. consequentemente em Portugal. Para amenizar a situação. gerando conturbação e desordem interna na nação. O Romantismo não conta. onde prevalece o tom melancólico. do qual fluía um diverso conteúdo sentimentalista e. Características O Romantismo foi encarado como uma nova maneira de se expressar. um certo momento delimitado. inspirando-se na epopeia Os Lusíadas. O escritor romântico projetava-se para dentro de si. além de defender a "impureza" dos gêneros literários. mesmo que fossem inatingíveis. pelo devaneio. onde buscavam o bem-estar nos ambientes fúnebres e obscuros. Afinal. de forma subjetiva. tinha a natureza como confidente. Essas frustrações tidas por amores ou simples desilusões com a vida. Conceito O Romantismo. onde as "madames" eram tão sonhadas e desejadas. o que caracteriza o mal-do-século. melancólico da vida. por uma atitude emotiva. Esta escola. Ao mesmo tempo. defendendo a idéia da expressão do eu-lírico. A luta pelo trono em Portugal se dá com veemência. Almeida Garrett acaba por exilar-se na Inglaterra. faz de conta. A narrativa deste autor é uma biografia sentimental de Camões. Instaura-se um novo modo de expressão em toda a Europa e. Garrett publica a narrativa Camões. no trovadorismo. Daí a grande frequência dos temas de morte nos poemas românticos. provocaram muitos suicídios. nostalgia. enfrentar os problemas da vida e do pensamento. o ideal romântico. onde. A introversão era característica essencialmente romântica. A natureza. ocorre a profissionalização do escritor. era o escapismo pela obscuridade. usando do escapismo. antes adorada pelos clássicos. e a grande combinação dos gêneros literários. procurando fugir da realidade. Este poema é considerado introdutor do Romantismo em Portugal. então. onde entra em contato com a Obra de Lord Byron e Scott. não raramente. subjetiva. Outra forma de escapismo utilizada. Portugal é reflexo dos dois acontecimentos que marcaram e mudaram a face da Europa na segunda metade do século XVIII: a Revolução Francesa e a Revolução Industrial.

Além disso. A história de Castilho é a dum grande mal-entendido: graças à cegueira. Aqui. mesmo que tenha sido o provocador da Questão Coimbrã. o jornalismo. exilou-se na Inglaterra e na França. uma vez que se baseia não mais em ações individuais. Alexandre Herculano Herculano. alcançou injustamente ser venerado como mestre pelos românticos menores. dentre outras. Inicialmente. que lhe dava um falso brilho de gênio à Milton. cultivou a oratória parlamentar. o Romantismo não veio implantar-se totalmente nos primeiros momentos em Portugal. buscava-se gradativamente. Teve uma vida sentimental bastante atribulada em que se sobressai o seu romance adúltero com a viscondessa da Luz. os críticos consideram que renovou a historiografia. sua poesia caiu em compreensível esquecimento. a prosa de ficção e o teatro. O segundo momento do Romantismo Neste momento. Junto com Garrett. desfazem-se os enlaces arcádicos que ainda envolviam os escritores da época. ocorrem muitos temas de caráter religioso. ideal e ação política e literária. tem como principal papel traduzir poetas clássicos. Os escritores dessa época. Dona Branca (1826). Eurico. o qual entrou em contato com o de Shakespeare quando em exílio na Inglaterra. notamos com plena facilidade o domínio da estética e da ideologia romântica. enfocando as origens de Portugal como nação. voltados para a Idade Média. deixando sua fantasia no teatro e na prosa de ficção. o pensamento pedagógico e doutrinário. Almeida Garrett Almeida Garrett. criando polêmica com o clero.Retrato de senhora vestida de preto . pois carecia do egocentrismo tão almejado pelos românticos. apagar os modelos clássicos que ainda permeavam o meio sócio-econômico. prevalece o caráter histórico dos enredos. a poesia. Na ficção de Herculano. mas ainda clássicos em muitos aspectos. Viagens na minha terra (1846). mais do que à sua poesia. o presbítero (1844). Sua passagem pelo Romantismo é discreta. Castilho Castilho. Folhas Caídas (1853). Escreveu Camões (1825). foi um intelectual que atuou bastante nos programas de reformas da vida portuguesa. Na poesia. eram românticos em espírito. a qual inspirou seus melhores poemas. Não obstante válida historicamente. Os escritores . assimilou os moldes clássicos e morreu sem tornar-se romântico autêntico. dentre outras. Sua obras principais são: A harpa do crente (1838).António Ramalho O primeiro momento do Romantismo Como toda tendência nova. por participar da lutas liberais. Quanto à sua obra não-ficcional. mas no conflito de classes sociais para explicar a dinâmica da história.

Pinheiro Chagas e Júlio Dinis. um tardio florescimento literário que corresponde ao terceiro momento do Romantismo. juntamente com a ideologia vigente. Casou-se com uma jovem de 15 anos. vencido pela cegueira. que purificam até o extremo as características românticas. A queda dum anjo (1866). diante da impossibilidade de viver com ela. acabando por cair em extremo pessimismo. Na prisão. lírica e de imediata comunicabilidade. Suas obras principais: Amor de salvação (1864). através duma sátira às vezes cortante. Sua principal obra: As pupilas do senhor reitor Conclusão Compreendemos que o Romantismo. que viria se firma. para atitudes realistas e parnasianas. não considerando a heroína como "mulher demônio". sua vida e sua obra espelham claramente o prazer romântico do escapismo das responsabilidades sociais da época. Tomás Ribeiro mistura a influência de Castilho e de Victor Hugo. Abandonou a prima e viveu amores passageiros com outra jovem e com uma freira. Satirizou o Ultra-Romantismo. mas sim como "mulher anjo". acaba por suicidar-se. sempre a um epílogo feliz. numa linguagem coerente. Tomás Ribeiro. frontalmente contrária à desesperação e ao amoralismo cético dos ultra-românticos. a quem abandonou com uma filha. como João de Deus. transformando-se em românticos descabelados. Uma crise religiosa levou-o a ingressar num seminário. Sua primeira esposa morreu e. Absolvidos e morto o marido de Ana. um incrível desalento derrotista Obra: Poesias (1855) Camilo Castelo Branco. Conheceu Ana Plácido. para a espécie humana. se casaram. Mas. a filha. Este momento em que a literatura presenciava. Xavier de Novais. tendenciando temas soturnos e fúnebres. embora remota. dentre outras. Esse período é marcado pela presença de poetas. Alguns anos depois da morte de Ana. Ocorre sua primeira tentativa de suicidar-se. Ambos foram presos. Vivendo na própria carne os devaneios de que se nutria a fértil imaginação de tuberculoso. pôs-se à margem da falsa notoriedade e dos ruídos da vida literária e manteve-se fiel até o fim a um desígnio estético e humano que lhe transcendia a vontade e a vaidade. Conduz suas histórias. finalmente passaram a viver juntos o que lhes custou um processo por adultério. tudo expresso numa linguagem fácil e comunicativa. senhora casada que seria o grande amor de sua vida. Soares de Passos Soares de Passos constitui a encarnação perfeita do "mal-do-século". sua prima. tardiamente com o Modernismo. Júlio Dinis Os poemas de Júlio Dinis armam-se sobre uma tese moral e teleológica. o marco principal para a definitiva liberdade de expressão do pensamento. e com ela passou a viver. em fusão dos remanescentes do Ultra-Romantismo. traziam um enorme descontentamento. Bulhão Pato começa ultra-romântico e evolui. logo em seguida. que motivou a Questão Coimbrã. Camilo escreveu Amor de Perdição. sua poesia é a dum "exilado" na terra a mirar coisas vagas e por vezes a se deixar estimular concretamente. Faustino Xavier de Novais dirigiu uma folha literária. do qual desistiu. Contemplativo por excelência. O terceiro Momento do Romantismo Acontece aqui. João de Deus João de Deus foi apenas poesia. em seguida raptou outra moça. Acusado de bigamia. o que explica o caráter entre passadista e progressista da sua poesia. Camilo. . Bulhão Pato.tomam atitudes extremas. caindo fatalmente no exagero. na medida em que pressupõem uma melhoria. Manuel Pinheiro Chagas cultivou a poesia de Castilho. não passou de uma forma de repudiar as regras que contornavam e preenchiam o campo literário da época que. talvez fosse. Lírico de incomum vibração interior. foi preso. a historiografia e a crítica literária.

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