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GILBERTO THUMS – Procurador de Justiça

ESTATUTO DO DESARMAMENTO – Lei nº 10.826 de 22.12.2003 - texto publicado em 12.01.2004 - atualizado em 21.06.2004. Primeiras anotações – por GILBERTO THUMS(*)

- Trata-se de mais uma lei editada com o objetivo de buscar soluções para combater a onda crescente de violência no país. Na mesma linha das mais recentes leis penais, está impregnada de aberrações jurídicas, normas absurdas e de duvidosa constitucionalidade. Grandes controvérsias judiciais serão travadas sobre o tema e a desproporcionalidade das penas e a proibição de liberdade provisória. Só faltou considerar hediondos os crimes. - Inovação significativa ocorre no tema sobre fiança e liberdade provisória. Algumas condutas são afiançáveis (arts. 12, 13 e 14) enquanto outras são consideradas apenas inafiançáveis (arts. 14, § único, e 15), o que significa que admitem liberdade provisória com fulcro no art. 310, parágrafo único do Código de Processo Penal, provisória (arts. enquanto outras são definidas como insuscetíveis de liberdade 16, 17 e 18). Tratamento mais rigoroso do que o dispensado ao

homicídio doloso simples, roubo qualificado por lesão gravíssima, etc. Trata-se de fúria legislativa que vai superlotar ainda mais o sistema penitenciário com presos provisórios. Dificilmente essas regras terão aplicação integral. Os magistrados

certamente adaptarão essa normas excessivamente gravosas ao sistema processual, tratando os crimes de forma igualitária. - Foi revogada expressamente a Lei nº 9.437/97 a partir de 23.12.2003. Crimes instantâneos consumados até às 24h de 22.12.2003, ficarão sujeitos à lei anterior. Crimes permanentes, representados pelas condutas portar, manter sob guarda, transportar, possuir, deter, etc. iniciadas sob a égide da Lei nº 9.437, mas flagrados já na vigência da lei nova, cujas penas são mais graves, sujeitar-se-ão ao novo estatuto. Assim, se alguém saiu à rua portando arma de fogo sem licença da autoridade na tarde do dia 22.12.2003 e foi flagrado após a meia noite do dia 23, ficará sujeito às penas da nova lei. 1

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A nova lei foi sancionada

no dia 22.12.2003, mas publicada no dia

23.12.2003 e sua vigência se deu na data da publicação. - Os portes de armas já concedidos expirar-se-ão em 24.09.2004 (art. 29, cuja vigência foi alterada pela Lei nº 10.884/2004) e o prazo de validade do novo porte será regulamentado por Decreto. - O Presidente da República editou a MP 174 (convertida na Lei nº 10.884/2004) prorrogando os prazos concedidos pelos arts. 29, 30 e 32, determinando que sua fluência só iniciará a partir da publicação do decreto regulamentador, se for anterior a 23.06.2004. Não sendo editado até esta data o decreto, então a dies a quo será 23 de junho de 2004. Portanto, os portes concedidos pela polícia estadual

continuarão em vigência, até escoar o prazo do art. 29. - Quem é possuidor ou proprietário de arma de fogo não registrada tem o prazo de 180 dias (24.12.2004) para registrá-la, mediante apresentação de nota fiscal ou documento idôneo. Este prazo está prorrogado conforme será exposto a seguir. em razão da Lei nº 10.884,

A questão dos arts. 29, 30 e 32 da Lei nº 10.826/2003.

No dia 17 de junho de 2004 foi publicada a Lei nº 10.884, que converteu em lei a MP 174, que prorrogava os prazos dos artigos supracitados do Estatuto do Desarmamento. Assim, o termo inicial dos prazos previstos nos arts. 29, 30 e 32

passa a fluir a partir da publicação do decreto regulamentador, não ultrapassando, para ter efeito, a data limite de 23 de junho de 2004. Ora, para compreender-se o significado do que foi dito pela Lei nº 10.884, é necessário observar que prazos são esses que foram estabelecidos:
Art. 29. As autorizações de porte de armas de fogo já concedidas expirar-se-ão 90 (noventa) dias após a publicação desta Lei.

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GILBERTO THUMS – Procurador de Justiça Parágrafo único. O detentor de autorização com prazo de validade superior a 90 (noventa) dias poderá renová-la, perante a Polícia Federal, nas condições dos arts. 4o, 6o e 10 desta Lei, no prazo de 90 (noventa) dias após sua publicação, sem ônus para o requerente.

Art. 30. Os possuidores e proprietários de armas de fogo não registradas deverão, sob pena de responsabilidade penal, no prazo de 180 (cento e oitenta) dias após a publicação desta Lei, solicitar o seu registro apresentando nota fiscal de compra ou a comprovação da origem lícita da posse, pelos meios de prova em direito admitidos.

Art. 32. Os possuidores e proprietários de armas de fogo não registradas poderão, no prazo de 180 (cento e oitenta) dias após a publicação desta Lei, entregá-las à Polícia Federal, mediante recibo e, presumindo-se a boa-fé, poderão ser indenizados, nos termos do regulamento desta Lei.

Parágrafo único. Na hipótese prevista neste artigo e no art. 31, as armas recebidas constarão de cadastro específico e, após a elaboração de laudo pericial, serão encaminhadas, no prazo de 48 (quarenta e oito) horas, ao Comando do Exército para destruição, sendo vedada sua utilização ou reaproveitamento para qualquer fim.

Pela ementa da Lei nº 10.884 fica evidente que os termos iniciais dos prazos constantes dos referidos artigos foi alterado e não mais pode ser lido como está escrito na sua redação original da Lei nº 10.826. Assim, fica a nova redação, caso

não venha a ser publicado o Decreto regulamentador antes do dia 23.06.2004:

Art. 29. As autorizações de porte de armas de fogo já concedidas expirar-se-ão 90 (noventa) dias

a contar de 23 de junho de 2004..

Parágrafo único. O detentor de autorização com prazo de validade superior a 90 (noventa) dias poderá renová-la, perante a Polícia Federal, nas condições dos arts. 4º, 6º e 10 desta Lei, no prazo de 90 (noventa) dias, ônus para o requerente.

a contar de 23 de junho de 2004, sem

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mediante recibo e. de uso permitido. Art. 30. entregá-las à Polícia Federal. Possuir ou manter sob sua guarda arma de fogo. Os prazos acima transcritos relativos aos arts. Os possuidores e proprietários de armas de fogo não registradas poderão. 30 e 32 referem-se registro é a exclusivamente ao art. 12 do Estatuto do Desarmamento. em desacordo com determinação legal ou regulamentar. no prazo de 180 (cento e oitenta) dias a contar de 23 de junho de 2004. 12 é a ausência de registro. no interior de sua residência ou dependência desta. ainda no seu local de trabalho. porque o providência necessária e indispensável para a legalização da arma: Posse irregular de arma de fogo de uso permitido Art.WWW. desde que seja o titular ou o responsável legal do estabelecimento ou empresa: Pena – detenção. e multa. sob pena de responsabilidade penal. de 1 (um) a 3 (três) anos. ou. 5º assim dispõe: 4 . porque o art. nos termos do regulamento desta Lei. pelos meios de prova em direito admitidos.COM. 12. A determinação legal ou regulamentar de que trata o art. presumindo-se a boa-fé. no prazo de 180 (cento e oitenta) dias a contar de 23 de junho de 2004. acessório ou munição. poderão ser indenizados. solicitar o seu registro apresentando nota fiscal de compra ou a comprovação da origem lícita da posse.INCORRETO. 32.BR GILBERTO THUMS – Procurador de Justiça Art. Os possuidores e proprietários de armas de fogo não registradas deverão.

desde que apresentem documento comprobatório de origem lícita da arma (nota fiscal.2004 e este foi revogado expressamente.WWW. (Redação dada pela Lei nº 10. receptação. Portanto. deverá ser absolvido por atipicidade de conduta. 12 só poderá ser aplicado ao agente que não cumpriu os prazos dos artigos 30 e 32. ou.) conforme preceitua o art. recibo. 5 . somente será crime a posse irregular de arma de fogo de uso permitido a partir de 23 de dezembro de 2004.BR GILBERTO THUMS – Procurador de Justiça O certificado de Registro de Arma de Fogo. o possuidor ou proprietário – quer de boa-fé. isto é. tem o direito de entregar a arma à Polícia Federal até o dia 23. Portanto o art.12. na primeira hipótese. e será indenizado. desde que seja ele o titular ou o responsável legal pelo estabelecimento ou empresa. ou porque não quer (art.884). o registro da arma de fogo de uso permitido somente é possível se a arma não é de origem criminosa (furto. as pessoas que são proprietárias ou possuidoras de arma de fogo de uso permitido poderão registrá-las. com validade em todo o território nacional.COM. declaração firmada por testemunha idônea. no seu local de trabalho. já que aquele tipo penal só entra em vigor em 23. 30. porque possuía ou mantinha sob guarda arma de fogo de uso permitido. ou dependência desses. Até essa data. autoriza o seu proprietário a manter a arma de fogo exclusivamente no interior de sua residência ou domicílio. formal de partilha. não tendo direito à indenização na segunda hipótese. roubo.437/97. 30) ou porque não pode (art.826 ou pelo art. Quem estiver sendo processado pelo art. 12 da Lei nº 10. Por outro lado.INCORRETO. ou qualquer prova admitida em Direito sobre posse ou propriedade de coisas móveis). etc. ainda. contrabando.2004. A lei quer obrigar o registro de todas as armas para efeitos de controle do SINARM. no interior de sua residência ou local de trabalho se for titular da empresa. quer de má-fé e que não for registrar a arma. 10 da Lei nº 9. não registrada. 32).12.

RESUMINDO: até 23. se for anterior.12. 6º a 10.2004 é possível entregar à polícia federal arma de fogo sendo possuidor de má-fé. tornando-se um crime permanente.12. Se o proprietário ou possuidor da referida arma afirmar que não possui o documento comprobatório da propriedade no momento. Portanto. Até o dia 23. desde que se prove a origem lícita da arma. Sequer a arma pode ser apreendida. ainda que não consiga fazer a prova da propriedade exigida pela lei para proceder ao registro da arma.2004 é possível registrar arma de fogo de uso permitido. caberá prisão em flagrante? Evidentemente que não. 29. o crime só começará a se consumar do dia 23.INCORRETO. Questão extremamente difícil pode apresentar-se à polícia que.9. 6 .BR GILBERTO THUMS – Procurador de Justiça Já o porte de arma de fogo de uso permitido .2004 é possível entregar à polícia federal arma de fogo de uso permitido e receber indenização. 14 . se o porte já estiver vencido. Observa-se que o porte em discussão é o comum Federal e não o porte funcional nem o previsto para as pessoas indicadas pelos arts.09.2004. Até 23.12. durante diligência na casa de alguém. aplicase somente às pessoas que tinham porte comum (federal ou estadual). encontra arma de fogo não registrada (arma de uso permitido). porque.art. até 23. a regra estabelecida no art.12.2004. 29. fixando o prazo em 23. o proprietário da arma deve providenciar sua renovação imediata. ou na data de seu vencimento.COM. se possuidor de boa fé.WWW.2004 valem os portes comuns (estadual ou federal) cujo prazo de validade for superior a esta data.está condicionado aos prazos do art. não podendo ser processado pela posse ilegal. mas que vai providenciá-lo no prazo de 180 dias que a lei assegurou. TODOS os portes concedidos anteriormente ao Estatuto do Desarmamento caducarão no dia 23 de setembro de 2004. Assim. ou data anterior.

deve requerer mandado de busca e apreensão na residência onde a arma fora encontrada. Outra questão a ser considerada é a ‘abolitio criminis’ para aqueles agentes que foram flagrados com arma no interior de sua residência até o dia 22.BR GILBERTO THUMS – Procurador de Justiça Esta conclusão decorre da interpretação literal do art. Esta observação referente à abolitio criminis não se refere às armas de uso proibido ou restrito. Essa hipótese caracteriza o crime do art.2004 (prorrogado o prazo). Ver mais detalhes nas anotações ao art. etc). cabendo prisão em flagrante se a arma for localizada. anotando o número. porque essas armas jamais poderão ser registradas.12. Geralmente estas armas são produto de crime (furto. a marca e o calibre da arma e. Sugere-se que a polícia faça um registro de ocorrência sobre a arma de uso permitido encontrada na residência. 12.826/2003. 14 e não do art. Caso contrário.12. roubo. Durante esse período o agente deverá providenciar no registro da arma.2004 confirme junto ao SINARM se houve o registro. O mesmo pode ser dito para quem possuir ou mantiver sob guarda arma de fabricação caseira. nem às armas de procedência ilícita. 12.12. Se a arma encontrada for de uso proibido ou restrito deve haver imediata prisão em flagrante com enquadramento no art. Outra situação que deve ser observada diz respeito às armas de fogo de uso permitido que forem encontradas na residência de alguém e que estão registradas em nome de terceiro. Não procedendo desta forma haverá a incidência do art.INCORRETO.COM. esteja em poder de quem estiver.2003 e estão sendo acusados por posse ou guarda de arma de uso permitido em sua residência ou local de trabalho. 7 . receptação. 12 da Lei nº 10. 30. após o dia 22. que jamais poderá ser registrada. Para essas condutas .WWW. como roubo. 16 da nova lei.a lei nova deverá retroagir e operar a descriminalização. receptação. Neste caso é impossível ao detentor ou possuidor da arma fazer o respectivo registro. na medida em que somente passará a ser ilícito penal no dia 22. contrabando. etc.‘possuir ou manter sob guarda’ .

437/97 concedeu prazo de 180 dias para proceder ao registro.WWW. que é crime permanente.826/2003. O STJ cancelou a súmula 174. é necessário verificar a situação da aludida arma.2004. desde que fosse apta a intimidar a vítima. Portanto. que previa uma figura penal pela utilização da arma de brinquedo na prática de crimes. . 8 . 30 diz respeito apenas às condutas do art. 12. Havendo qualquer elemento de prova de que a arma tem procedência ilícita. poderá haver enquadramento no art. podendo até haver flagrante. e. como por exemplo a conduta “ocultar ou ter em depósito”. § 1º.Acabou a discussão sobre arma de brinquedo e sua tipificação na lei de armas como crime autônomo. A jurisprudência acabou consagrando o entendimento de que o tipo penal incriminador referente à arma de brinquedo feria o princípio da proporcionalidade. 14 da nova lei. a tipificação ocorrerá no art. é possível novamente acusar o agente por roubo majorado por empregar arma de brinquedo na prática do crime. inciso II. Agora. herança ou não ter registrado a arma quando a Lei nº 9.COM. Se foi adquirida ilegalmente ou é objeto de crime precedente. da Lei nº 9437/97 (primeira lei de armas).012.g. mas restritas às hipóteses em que a posse ou propriedade da arma tenha um precedente lícito: como por exemplo. não sendo aplicado. A referida súmula foi cancelada em virtude do art. 14 da Lei nº 10. 10. que passarão a ser incriminadas a partir de 22. com a revogação da Lei nº 9437/97 volta-se ao ‘statu quo ante’ e talvez seja repristinada a jurisprudência que se havia consolidada na súmula 174 do STJ. sem o competente registro. adquirir.INCORRETO. No caso de haver identificação de outro verbo. emprestar. Porém nunca o STJ decidiu se haveria concurso formal ou material com a lei de armas. sem flagrante (apreensão da arma e registro de ocorrência). Firmou-se assim nova jurisprudência no sentido de que a arma de brinquedo não majora o crime de roubo. etc. receber. que reconhecia a majoração de pena no crime de roubo se o agente tivesse perpetrado o fato utilizando arma de brinquedo. haverá ilícito penal. Repisa-se: o art. na hipótese de encontrar-se arma de uso permitido na residência de alguém.BR GILBERTO THUMS – Procurador de Justiça Assim.

tenha condenação anterior conforme mencionado. 10. à semelhança da lei anterior. igualmente ‘abolitio criminis’. porque traficantes. 9 . já possuía condenação anterior por crime contra o patrimônio. que previa pena de 2 a 4 anos de reclusão para o agente que infringiu qualquer das condutas do art. 10. a pessoa ou por tráfico de drogas. 10 ’caput’. . 14 e 16. quem será atingido diretamente pela nova lei é o cidadão não criminoso. assassinos de aluguel continuarão na posse de armas letais inclusive de uso proibido e jamais se importarão com a lei em comento. da Lei nº 9437 vai ser beneficiado pela nova lei. .INCORRETO.Também foi suprimida a qualificadora do art. Cabe revisão criminal para afastar a pena grave de 2 a 4 anos. como crime autônomo. etc. ‘caput’ e § 1º. que afastou a hipótese como qualificadora (pena de 2 a 4 anos de reclusão). tais como o homicídio.O BEM JURÍDICO objeto da tutela penal. assaltantes. Assim. da Lei nº 9437. § 3º. com arma de uso permitido e. 13. portanto a lei visa a prevenir a ocorrência de crimes mais graves normalmente praticados com uso de arma de fogo. com direito a JEC. a pessoa ou por tráfico de drogas. 10. é a segurança coletiva ou a incolumidade pública. Ocorreu. Pela nova lei. na data do fato.WWW. Somente será objeto de exame na aplicação da pena com circunstância judicial ou agravante. inclusive na sua residência. Todavia. § 1º. 12. não se faz qualquer distinção para o fato do agente que infringiu as condutas dos arts. inciso II. que ficará desarmado. inciso IV. inciso IV. Quem já foi condenado tem direito à revisão criminal. não sofrerá majoração de pena. tem sua punibilidade extinta por ‘abolitio criminis’. Volta a ser o crime do art. Quem for flagrado já sob a égide da nova lei de armas e possuir condenação anterior por crime contra o patrimônio.COM. da Lei nº 9437/97. quem foi condenado pelo art. nesta parte. roubo. com pena de detenção e 1 a 2 anos. da Lei nº 9437/97.BR GILBERTO THUMS – Procurador de Justiça Quem estiver sendo acusado por infração ao art. 10. I e III. § 3º. estupro.

ABSURDO: quem for flagrado portando arma sem autorização e se esta arma for considerada inapta para efetuar disparos. Certamente a jurisprudência vai traçar alguns parâmetros para a aplicação da nova lei em relação à munição e acessórios. que se caracteriza como formal.Os tipos penais podem ser classificados como TIPOS ALTERNATIVOS em face da multiplicidade de verbos.WWW. .BR GILBERTO THUMS – Procurador de Justiça . porque atingem o mesmo bem jurídico. que estará consumado o ilícito. como por exemplo a posse ou o porte de um único cartucho. várias condutas típicas. guardar e depois portar ilegalmente arma de fogo. Exceção feita ao art. A matéria vai gerar infindáveis controvérsias e grandes injustiças. principalmente os magistrados.COM. p. através de perícia. Assim. representarão apenas um único crime. basta a mera situação de perigo.INCORRETO. porque os tipos penais não prevêem a ocorrência de dano efetivo a qualquer bem jurídico. a fim de evitar condenações esdrúxulas. mas não em relação à arma. É preciso ficar atento.Os crimes são de PERIGO PRESUMIDO. mas a conduta é típica em relação à munição se esta for eficaz.ex: adquirir. ainda que para várias armas. acessórios e munição. Assim. arma de fogo. Assim. 10 . . de que é apta a efetuar disparos. 15 (disparo de arma de fogo). armas sem cão ou gatilho ou com defeito que impede a deflagração da munição não têm sido consideradas armas para efeitos da lei de armas. tal como ocorre na lei de tóxicos. Manter sob guarda. uma mira telescópica numa arma que não funciona é crime em relação ao acessório. sem autorização. caracterizarão um só crime. sendo impertinente sua classificação como crime de perigo ou de dano.EFICÁCIA DA ARMA: a jurisprudência tem-se inclinado pela necessidade de provar. não haverá o crime para arma. para uma justa aplicação e não uma feroz e obsessiva aplicação cega da lei. isto é. O mesmo pode ser dito em relação ao acessório. a capacidade lesiva da arma. mas estiver municiada.

de acordo com legislação específica. . São de uso restrito: I . na saída do cano.arma de uso restrito: arma que só pode ser utilizada pelas Forças Armadas. .º 3665/2000.62 x 39. II . munições. munições.375 Winchester e .308 Winchester. 16.44 Magnum.45 Auto. não sendo iguais ou similares ao material bélico usado pelas Forças Armadas nacionais. As armas. 17 da Lei nº 9. Esta classificação implica modificação do tipo penal e das respectivas penas.armas de fogo automáticas de qualquer calibre. 15. . em: I . 7.40 S&W. energia superior a mil libras-pé ou mil trezentos e cinqüenta e cinco Joules e suas munições.armas de fogo curtas.243 Winchester. .44 Magnum. V . Art.38 Super Auto. . . munições. acessórios e equipamentos que.INCORRETO. cuja munição comum tenha.WWW. 7 Mauser. 16 e 17. os calibres .44 SPL. . e por pessoas físicas e jurídicas habilitadas. Art. IV . visto que a classificação das armas cabe ao Ministério do Exército. 15. Regulamento para a Fiscalização de Produtos Controlados (R105). e II .437/97. 23 será disciplinada por decreto por enquanto vale o atual Presidencial mediante proposta do Comando do Exército) Decreto n.357 Magnum. bem como a pessoas jurídicas.armas. . possuam características que só as tornem aptas para emprego militar ou policial. devidamente autorizadas pelo Exército. 11 . cuja munição comum tenha. acessórios e equipamentos iguais ou que possuam alguma característica no que diz respeito aos empregos tático.22-250. como por exemplo. 9 Luger. .223 Remington. .de uso permitido.30-06. na saída do cano.BR GILBERTO THUMS – Procurador de Justiça . . .armas.COM.de uso restrito.NORMA PENAL EM BRANCO: classificação legal das armas: uso permitido e uso restrito ou proibido (art. acessórios e equipamentos são classificados. que foi editado em obediência ao art. energia superior a (trezentas libras-pé ou quatrocentos e sete Joules e suas munições.. .357 Magnum. de acordo com a legislação normativa do Exército. III . por algumas instituições de segurança.armas de fogo longas raiadas.270 Winchester.arma de uso permitido: arma cuja utilização é permitida a pessoas físicas em geral. Ver a diferença entre os arts.45 Colt e . . quanto ao uso. como por exemplo. estratégico e técnico do material bélico usado pelas Forças Armadas nacionais. .

.dispositivos de pontaria que empregam luz ou outro meio de marcar o alvo.COM. de repetição ou semi-automáticas. 12 . XVI . cuja munição comum tenha.22 LR.BR GILBERTO THUMS – Procurador de Justiça VI . XII . ou dispositivos similares capazes de provocar incêndios ou explosões. na saída do cano. escudos.armas de fogo longas raiadas.equipamentos para visão noturna. .38-40 e .armas de pressão por ação de gás comprimido ou por ação de mola.dispositivos ópticos de pontaria com aumento igual ou maior que seis vezes ou diâmetro da objetiva igual ou maior que trinta e seis milímetros.32-20. etc. os calibres . VIII . conceituadas como tais os dispositivos com aparência de objetos inofensivos.armas de fogo de alma lisa de calibre superior ao doze e suas munições.munições com projéteis que contenham elementos químicos agressivos. XIX . XV – espadas e espadins utilizados pelas Forças Armadas e Forças Auxiliares. energia de até mil libras-pé ou mil trezentos e cinqüenta e cinco Joules e suas munições. XVIII . de repetição ou semi-automáticas. . mas que escondem uma arma. IX . XIV .32 S&W.dispositivos que constituam acessórios de armas e que tenham por objetivo dificultar a localização da arma.armas de fogo curtas. na saída do cano. capacetes. como por exemplo. São de uso permitido: I . simulacro do Fz 7. 17.380 Auto. X .38 SPL e . como os silenciadores de tiro. II .WWW. tais como coletes. e XXI . . cuja munição comum tenha. XIII .armas e dispositivos que lancem agentes de guerra química ou gás agressivo e suas munições. tais como bengalas-pistola.equipamentos de proteção balística contra armas de fogo portáteis de uso restrito. XVII .62mm. com calibre superior a seis milímetros. como por exemplo. que servem para amortecer o estampido ou a chama do tiro e também os que modificam as condições de emprego.arma a ar comprimido. cujos efeitos sobre a pessoa atingida sejam de aumentar consideravelmente os danos. FAL. . VII . energia de até trezentas libras-pé ou quatrocentos e sete Joules e suas munições.32 Auto. periscópios.veículos blindados de emprego civil ou militar. tais como projéteis explosivos ou venenosos. Art. que disparem projéteis de qualquer natureza.25 Auto.22 LR. os quebra-chamas e outros. . XX .44-40. lunetas.armas de fogo dissimuladas.armas de fogo de alma lisa de calibre doze ou maior com comprimento de cano menor que vinte e quatro polegadas ou seiscentos e dez milímetros. etc.blindagens balísticas para munições de uso restrito. tais como os bocais lança-granadas e outros.munições ou dispositivos com efeitos pirotécnicos. canetas-revólver e semelhantes. XI .INCORRETO. os calibres . M964. tais como óculos.

inciso IV.armas para uso industrial ou que utilizem projéteis anestésicos para uso veterinário.COM. 242 do ECA. V .armas de fogo de alma lisa. Assim. com calibre igual ou inferior a seis milímetros e suas munições de uso permitido. IV . mas não de fogo.Arma de pressão não pode ser equiparada à arma de fogo. 242 do Estatuto da Criança e do Adolescente. que não exige que se trate de arma de fogo. 13 . sujeito à pena de 3 a 6 anos de reclusão. entregar arma de pressão para criança tem enquadramento no art. e suas munições de uso permitido. Muita polêmica será travada entre a norma do art. todavia sua entrega ou venda a pessoa menor de 18 anos pode configurar o crime previsto no art.veículo de passeio blindado. também sujeito à mesma pena. as de menor calibre. VIII . Se for arma de fogo. notadamente por criança ou adolescente.armas que tenham por finalidade dar partida em competições desportivas. com comprimento de cano igual ou maior do que vinte e quatro polegadas ou seiscentos e dez milímetros. Há um contra-senso. de repetição ou semi-automáticas.764/2003). etc. Uma estupidez legal.826 e o art. VII . com qualquer comprimento de cano.WWW. porque esta norma faz referência apenas à arma.dispositivos óticos de pontaria com aumento menor que seis vezes e diâmetro da objetiva menor que trinta e seis milímetros. da Lei nº 10. calibre doze ou inferior.INCORRETO. tais como coletes. VI . Representa extremo perigo de graves lesões a manejo indevido da referida arma. 16. destinados a armas de fogo de alma lisa de calibre permitido. e XI . que utilizem cartuchos contendo exclusivamente pólvora.cartuchos vazios.armas de pressão por ação de gás comprimido ou por ação de mola.equipamentos de proteção balística contra armas de fogo de porte de uso permitido.blindagens balísticas para munições de uso permitido. parágrafo único. como por exemplo um traficante entrega uma metralhadora para um adolescente tomar conta de uma ‘boca-de-fumo’ a tipificação ocorrerá no Estatuto do Desarmamento. portanto está fora da presente lei. IX . escudos. 242 do ECA. capacetes. X . conhecidos como "cartuchos de caça". semi-carregados ou carregados a chumbo granulado. .BR GILBERTO THUMS – Procurador de Justiça III . alterado por lei anterior (Lei nº 10.

5º.2006 (art. Isto significa que nenhuma arma pode circular ou trocar de propriedade ou posse sem PRÉVIA autorização do SINARM e da Polícia Federal. provar capacidade técnica. 2. 4. Lei nº 8. PORTE DE ARMA: Só é permitido para os casos previstos em legislação própria (ex. provar ocupação lícita e residência fixa.437 valem até o dia 23.Quem pretender adquirir arma de fogo deverá apresentar requerimento à polícia federal. comprovar idoneidade por certidões: justiça federal. § 6º).INCORRETO. ver comentários sobre porte funcional) ou para: 14 .ELEMENTOS NORMATIVOS: a maioria dos tipos penas apresentam elementos normativos consistentes na expressão sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar. AQUISIÇÃO DE ARMA: .BR GILBERTO THUMS – Procurador de Justiça . Será expedido CERTIFICADO de registro de arma de fogo pela polícia federal que é PRECEDIDO de autorização do SINARM. mais negativas policiais 3. aptidão psicológica.É obrigatório.625. estadual militar e eleitoral. .12. atendendo aos seguintes requisitos: 1. 4º. 3º. .O registro é o documento que autoriza a MANTER a arma no interior da residência/domicílio ou dependências ou no local de trabalho se for o responsável pela empresa. LOMAN. etc.WWW.VALIDADE: deve ser renovado a cada 3 anos e re-comprovar os requisitos do art. O SINARM expede autorização de compra e a polícia federal REGISTRA. justificar a necessidade da aquisição. conforme o art.COM. Os registros da Lei nº 9. REGISTRO DA ARMA: vale em todo o território nacional. .

polícia. observados os parâmetros estabelecidos na lei de diretrizes orçamentárias. 51.IV e 52. Compete privativamente ao Senado "XIII .polícias militares e corpos de bombeiros militares. V . 2. guardas portuários. XIII da CF – Art." Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19. 5 . transformação ou extinção dos cargos. criação.polícia ferroviária federal.dispor sobre sua organização. polícia. Em áreas rurais.000 habitantes.WWW. 5 e 6 a arma deve ser da corporação e pode ser portada FORA DE SERVIÇO depende de regulamento. e a iniciativa de lei para fixação da respectiva remuneração. 144 CF: I .empresa de segurança privada ‘e’ de transporte de valores – Lei nº 7102/84.agentes da ABIN e agentes do DSGSIPR.polícia rodoviária federal.INCORRETO. 52 .polícias civis. de 04/06/98: Art. II . III . quando em serviço depende de regulamento. 51. transformação ou extinção dos cargos..agentes e guardas prisionais. se a subsistência familiar depende da arma depende de regulamento. guardas municipais com + 500. 6 . Para os itens 1. funcionamento. 8 .integrantes das forças armadas. integrante de escolta de preso. 3 regulamento. Já foi editada media provisória diminuindo para 150." Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19. 3.guardas municipais com + 250. empregos e funções de seus serviços.BR GILBERTO THUMS – Procurador de Justiça 1 . empregos e funções de seus serviços. observados os parâmetros estabelecidos na lei de diretrizes orçamentárias. funcionamento. e a iniciativa de lei para fixação da respectiva remuneração.000 hab.art. 9 integrante de entidade de desporto que demanda uso de arma depende de regulamento. criação.integrantes de órgãos policiais – art. Compete privativamente à Câmara dos Deputados: "IV – dispor sobre sua organização.polícia federal. porte de caçador 15 . IV . de 04/06/98: 7 .COM. 2 .000 habitantes depende de 4 .

da Lei Complementar n. 42 da Lei nº 8. art. quem concede é o Comando do Exército.INCORRETO. que o juiz tem a prerrogativa de portar arma para defesa pessoal. Os membros do Ministério Público têm porte funcional decorrente da disposição constante do art. para receber a carteira funcional deveria comprovar aptidão técnica de manejo de arma de fogo. Isenção de taxas: área rural p/sobrevivência e servidores públicos (itens 1 a 7 acima). PORTE FUNCIONAL: depende de lei federal que estrutura a carreira do servidor público. Para caçadores. V. A matéria vai gerar controvérsias. Assim.WWW. 19. foi afetada pelo novo estatuto. estruturadas por lei federal. 34. Dúvida vai existir sobre as leis estaduais que atribuem porte funcional a determinada categoria.DOS CRIMES 16 . Entendo que somente lei federal pode dispor sobre porte de arma e somente as pessoas relacionadas na Lei nº 10.BR GILBERTO THUMS – Procurador de Justiça As armas das empresas de segurança: são de propriedade e guarda da empresa e o porte será em nome da empresa. validade temporária: depende de regulamento. após autorização do SINARM. ver responsabilidade: art. perde a eficácia a autorização se o portador for detido/abordado em estado de embriaguez. estão autorizadas a portar arma.º 35/79. A CONCESSÃO DO PORTE para responsáveis pela segurança de estrangeiros no Brasil é do Ministério da Justiça. . No caso da magistratura. deve valer em todo o território nacional. Outras carreiras públicas. 13. Outro aspecto relevante. o magistrado ou o promotor de justiça. A autorização de porte COMUM é da Polícia Federal. prende-se à capacitação técnica de utilização de arma de fogo para os servidores que possuem porte funcional previsto em lei federal especial. II. que prevê o porte funcional de arma.102. A Lei nº 7.826 possuem porte funcional. dispõe o art.625/93. colecionadores e atiradores.COM.

cartucho de armas militares(. 16. É por isso que o princípio da insignificância vai se fazer presente em casos de inexpressiva lesividade social da conduta. sujeito a 3 anos de reclusão. Parece algo absurdo. Para configurar o crime não importa se o agente está só com a arma. OBS: é extremamente comum militares ou ex-militares terem em casa. Posse irregular de arma de fogo de uso permitido ::possuir ou manter sob guarda arma de fogo. canhão.). sem direito à liberdade provisória. Esta situação configura hoje o crime do art. morteiro. Exemplo: um cartucho de munição para nada serve se não houver a arma que dele fará uso. que apresenta situações esdrúxulas ao equiparar a munição ou o assessório com a própria arma de fogo. poderemos ter na mesma penitenciária um sujeito condenado porque tinha um cartucho de metralhadora como suvenir e um traficante de armas que tinha um arsenal de munição. recebendo o mesmo tratamento penal. 17 . É preciso identificar os reais objetivos da lei e não transformá-la numa máquina de condenações sem levar em conta a lesão ao bem jurídico que visa a proteger. acessório ou munição de uso permitido. porque o tipo penal é o mesmo. como suvenir. mas para a nova lei isto não importa. Inegável que a lei está impregnada e contaminado pelo vírus do direito penal máximo e do movimento de tolerância zero.INCORRETO. É nesse sentido que se propugna pelo bom senso dos magistrados para evitar condenações injustas. ou simplesmente com um acessório da arma de fogo.COM.50. ou a penas com a munição.WWW.BR GILBERTO THUMS – Procurador de Justiça NOTA: exige-se bom senso e extrema cautela na interpretação da nova lei. Art.000. A lei não distingue a posse de um único cartucho ou 50. Desta forma. no mínimo. Acredito que a judiciário saberá fazer a distinção. no interior da residência/dependência/local de trabalho (responsável da empresa) em desacordo com norma legal ou regulamentar. 12. etc. 1.

Não se aplica o porte ilegal porque o registro é suficiente para manter a arma nestes locais (art. neste caso estará ‘portando’ a arma. aquisição anterior a 1997 e não providenciou o registro ou a sua renovação. por herança. isoladamente uma única arma pode ter sua conduta tipificada no verbo “fornecer”. roubadas. todavia. 12 fica visivelmente restrita para as hipóteses em que o agente tem a posse ou a propriedade lícita da arma. 16. 14. que o proprietário de empresa não pode circular nas suas dependências com a arma na cintura. com 3 a 6 anos de reclusão. A conduta de quem ‘vendeu’ a arma não encontra tipificação no art.. SUJEITO ATIVO: quem possui ou guarda no interior da residência/local de trabalho arma não registrada. Tratando-se de arma de origem criminosa ou cujo registro é impossível levar a efeito. se a arma ou munição for de uso restrito: o crime é o do art. Quem vende. 16. o crime não será o do art. Está armado. 14 ou do art. mas é passível de crítica esta interpretação. nem no art. arma de fogo de pessoa que é a legítima proprietária da arma. e para enquadrar no art. mas o do art. como é o caso de armas de fabricação caseira. evidencia-se o crime do art. por exemplo. portanto é o crime do art. ainda que registrada. 16.BR GILBERTO THUMS – Procurador de Justiça DETENÇÃO – 1 a 3 anos e multa não cabe mais JEC Há apenas duas condutas típicas: ‘possuir’ e ‘manter sob guarda’ arma de fogo sem o devido registro ou com o registro vencido. 14. armas adulteradas. Exemplificando: se o agente adquiriu. mas é certo que o agente tem a propriedade lícita da arma.INCORRETO. ABSURDO: equiparar arma de fogo com munição ou acessório. conforme se trate de arma de uso permitido ou proibido respectivamente. 12. 18 . Crime inafiançável e insuscetível de liberdade provisória. e esta arma foi encontrada na residência do agente. 17 exige-se a prova de que o agente exerce a mercancia. etc. que atende aos clientes nas mesas com arma na cintura. sem autorização do SINARM.WWW.COM. Deve-se observar. isto é trata-se de comerciante de armas. por “adquirir” arma de fogo sem autorização. de um dono de restaurante. 5º). É o caso. 14. a aplicação do art. Assim. receptadas.

Art.INCORRETO. 2. 2. Diversa será a hipótese de quem possui ou mantém sob guarda um único cartucho de munição para arma de uso permitido. II.COM. a modificação de um efeito secundário do tiro ou a modificação do aspecto visual da arma. 18 da LCP. 13. isoladamente. não pode ser enquadrado em nenhum dispositivo da lei nova. Portanto. vale mais do que uma vida para o direito penal brasileiro. é um estojo para porte. sem direito à liberdade provisória. quem for flagrado apenas com o cano. considera-se “acessório de arma: artefato que. etc. portanto o art. DETENÇÃO – 1 a 2 anos e multa vai para o JEC SUJEITO ATIVO: possuidor ou proprietário de arma que omite as cautelas exigidas a fim de impedir o apoderamento por parte de menores ou doentes mentais. Omissão de cautela na guarda de arma :: trata-se de NEGLIGÊNCIA na guarda da arma (de sua posse ou propriedade) que faz com que menor de 18 anos ou doente mental dela se apodere. ou o ferrolho ou a culatra de uma arma. porque está incurso no dispositivo penal em comento.BR GILBERTO THUMS – Procurador de Justiça O regulamento vigente define o que vem a ser acessório: Conforme Decreto 3. Revogado. Situação esdrúxula ocorre na hipótese do artigo em comento se a munição em poder do agente for de uso proibido (para fuzil. coldre não é acessório de arma. 3º. metralhadora.WWW.Partes isoladas de arma não se confundem com acessório nem com a própria arma. porque todas as condutas relacionadas com munição estão regradas na nova lei.) a pena será de reclusão de 3 a 6 anos. mas é possível também identificar-se imprudência na conduta. CRIME CULPOSO caracterizado normalmente por negligência.” OBS: 1. possibilita a melhoria do desempenho do atirador. Assim. a munição. Isto significa um tratamento mais rigoroso para um cartucho do que para um homicídio doloso simples. acoplado a uma arma. art.665/2000. 19 .

14 – porte ilegal de arma de fogo de uso permitido :: Condutas típicas = 13 verbos: portar. 242 da Lei nº 8. CRIME de mera conduta: o agente tanto pode agir com dolo ou com culpa. sem autorização ou em desacordo com norma legal/regulamentar. ocorrido o fato.BR GILBERTO THUMS – Procurador de Justiça Nesta parte houve melhora legislativa. receber. ocultar. que impõe o dever de comunicar. fornecer. 13.437 punia a conduta culposa com a mesma pena do dolo. ter em depósito.:: deixar de comunicar à polícia federal: perda.826 e não no ECA. furto.COM.WWW. 20 . Art. que estejam sob sua guarda. a conduta pode ser por mero esquecimento ou 4. 7º. porém ser for arma que não é de fogo. Assim. porque a Lei nº 9. O art. 13 tem aplicação restrita para conduta culposa. 16. o que agora foi corrigido. transportar.:: deixar de registrar ocorrência policial ou . § único – omissão de responsável por empresa de segurança . ARMA DE FOGO. remeter. Art. empregar.INCORRETO.069. PENA: detenção de 1 a 2 anos e multa vai para o JEC SUJEITO ATIVO: proprietário ou diretor responsável de empresa de segurança ou de transporte de valores. 3. adquirir. porque a lei pune a conduta omissiva em face do art. intencionalmente. poder-se-ia aplicar a regra do art. § único da Lei nº 10. deter. PENA: reclusão de 2 a 4 anos e multa. § 1º. emprestar. no prazo de 24h após acessório ou munição. ceder. ACESSÓRIO ou MUNIÇÃO de uso permitido. A entrega dolosa de arma de fogo a menor de 18 anos tem tipificação no art. roubo ou outra forma de extravio de arma de fogo. manter sob guarda.

será de reclusão de 2 a 4 anos. 310.INCORRETO. na medida em que há 13 condutas típicas. § único. Trata-se de aberração legislativa. 12. do CPP. exceto se a arma estiver registrada no nome do agente. até porque o magistrado poderá conceder liberdade provisória sem fiança. se em rua deserta ou num salão de baile. 21 . entre elas a de ‘portar’. Exemplo disso é o porte ilegal.COM. até o mero detentor da arma. EQUÍVOCOS: 1. A gravidade da conduta não pode ser mensurada pelo local em que a arma é guardada. Entendo inócua esta regra. com diferença do local onde a arma é guardada. A conduta manter sob guarda é a mesma do art. porque a fiança está relacionada à natureza do crime. não interessa onde o agente se encontra. a pena será de 1 a 3 anos de detenção. com fundamento no art. o crime é o mesmo. 2. SUJEITO ATIVO: qualquer pessoa. se for em outro local. quanto ao ‘nomen juris’ do tipo penal. Regra que se mostra inconstitucional.BR GILBERTO THUMS – Procurador de Justiça crime inafiançável. Se for na residência ou local de trabalho.WWW.

Disparo de arma de fogo. não pode ser acusado pela morte e por porte ilegal de arma de fogo. Há que se ter cautela na tipificação do crime da Lei de Armas. como por exemplo: possuir. a arma de fogo em desacordo com norma RECEPTAÇÃO: não faz mais sentido falar-se em crime de receptação dolosa/culposa em concurso com a Lei de Armas. aquisição ou qualquer outra conduta que independe do crime de homicídio. em vez de imputar a conduta de posse. sobram ainda 12 condutas típicas possíveis. etc.COM. Embora haja bens jurídicos diversos em confronto. em face da pena prevista. Sintetizando: se o agente cometeu homicídio com arma de fogo. mas será possível a tipificação na lei de armas se ficar evidenciado que o agente ‘adquiriu’. ::disparar arma de fogo ou acionar munição em lugar habitado/suas adjacências.BR GILBERTO THUMS – Procurador de Justiça CONCURSO DE CRIMES: homicídio praticado com arma de fogo sem porte o porte é crime-meio e restará absorvido pelo crime fim.WWW. que haverá de ser resolvido pelo princípio da especialidade. salvo se esta conduta não tiver como objetivo a prática de outro crime. Ainda que haja majoração de pena do crime-fim. PENA: reclusão de 2 a 4 anos e multa.. 5. Porém. legal/regulamentar. trata-se de conflito aparente de normas. SEM DIREITO À FIANÇA. ‘possuía’.INCORRETO. porque tem-se observado inúmeros casos em que o Ministério Público denuncia o agente por homicídio e porte ilegal de arma de fogo. em via pública ou em direção a ela. Art. adquirir. 15. Situação idêntica ocorre nos demais crimes praticados com violência ou ameaça grave à pessoa mediante uso de arma de fogo. que já estão consumadas muito antes do agente iniciar a execução do homicídio. 22 . a conduta relacionada à arma constitui tipo penal autônomo se o agente realizou condutas que não sejam ‘portar’ ou ‘empregar’ arma de fogo. nem por empregar arma de fogo.

147 do Código Penal) ou até para produzir lesão leve dolosa. Não se tipifica a conduta no caso de disparo acidental. respondendo pelo mero disparo da arma de fogo. porque a lei assim determina. houve piora legislativa . mas não era a intenção do agente que disparou a arma. o crime ficará absorvido pelo art. prevalecerá o art. havendo algum resultado como morte ou lesão. Em síntese: se o agente pretende assaltar. que vier a matar alguém. o mesmo ocorrerá num roubo com disparo de arma. Todavia.WWW. ‘caput’. 163. o agente responderá a título de culpa pelo resultado. que é menos grave. atirar em placa de sinalização. poderá responder pelo resultado a título de dolo eventual (art. porque a pena pela morte culposa não era o desígnio do agente. o disparo é mais grave do que a morte culposa e prevalecerá a Lei de Armas. como é o caso de dar um tiro no pé de alguém. prevalecerá o art. estuprar ou matar e dispara a arma de fogo. Todavia.COM. mas se for entendido que se trata de culpa no resultado (homicídio culposo) o agente também responderá por este resultado. extorquir. Nesta hipótese.INCORRETO. como por exemplo: atirar para intimidar alguém no caso de ameaça (art. 157 com suas qualificadoras e majorantes. 23 . como por exemplo. Exemplificando: numa tentativa de homicídio com disparo de arma de fogo. 121. II. haverá homicídio por dolo eventual e prevalecerá o Código Penal.BR GILBERTO THUMS – Procurador de Justiça CONDUTA TÍPICA: trata-se de disparar arma de fogo sem objetivo de cometer outro crime e não necessariamente crime mais grave. A solução atual deve ser buscada no desígnio do agente. Se ocorrer a morte de alguém. dano. ocorrendo disparo de arma a esmo = bala perdida. mas neste caso. foi modificada a redação em relação à lei anterior. Na redação anterior havia ressalva de ocorrência de crime mais grave. 121 c/c 14. porque a pena era de detenção de 1 a 2 anos. do Código Penal) ou culpa. do Código Penal. se tinha o propósito de praticar um crime menos grave. a conduta fica absorvida pelo crime mais grave pretendido.

BR GILBERTO THUMS – Procurador de Justiça Ocorrerão situações extremamente estúpidas. por disparar a arma (pena de 2 a 4 anos de reclusão) e sim pelo art. Exemplo: uma rajada de metralhadora para impor a ‘lei do silêncio’ num local. Quem disparar a esmo na via pública responde pelo crime do art. 15. Mais esdrúxulo ainda é o caso do agente que quer produzir lesão corporal leve numa pessoa. por posse ou aquisição ilegal da arma de fogo. do Código Penal. que era o desígnio do agente. a lei não faz qualquer distinção quanto à pena. 14 ou 16 conforme o caso. A matéria é controvertida e o legislador aumentou a possibilidade de compreensão do tema pela incoerência da pena. 24 . NOTA: se a arma que foi disparada é de uso proibido. É claro que se a arma for apreendida. Vislumbra-se a ocorrência de intermináveis discussões acerca deste tema. mirando no pé com a arma de fogo e efetuando o disparo.COM. Faltou coerência e sensibilidade ao legislador e. alguma conduta do art. Quem dispara com o objetivo de cometer crime menos grave tem aplicada a pena deste. dependendo de representação do ofendido. cultura jurídico-penal e a idéia de sistema. na lei anterior. 16 de acordo com a conduta flagrada.. ainda que produza culposamente um resultado danoso. Exemplo de um tiro para o ar de revólver calibre 22. O crime é o mesmo como se fosse arma de uso permitido.INCORRETO. Há vários julgados que reconheceram concurso material. não responderá pelo crime da lei de armas. 129. entre o disparo da arma e o porte ou posse ilegal. mas deverá beneficiar o réu. no caso do disparo. principalmente. Apesar do contra-senso prevalece o princípio penal da reserva legal e seus desdobramentos constitucionais. Houve cochilo do legislador. ‘caput’. porque é mais benéfica. Concretizada a lesão leve. É um equívoco grotesco da lei. Difícil compreender esta mentalidade obsessiva do legislador. quem dispara a arma de fogo para danificar placas de sinalização na via pública. Evidente que haverá possibilidade de tipificar.WWW. responderá por crime de dano. haverá a tipificação no art. Assim. porque o primeiro fato é muito mais grave.

manter sob sua guarda. transportar. 17. aliás. não pode ser enquadrado no art. adquirir. sem autorização ou em desacordo com determinação legal/regulamentar. 17. que possui pena mais grave. 16 cedem lugar para o art. e quem vende uma arma de sua propriedade sem intuito de comércio. A venda isolada de uma única arma. empregar. 16. receber. porém neste dispositivo o agente visa à mercancia. MERCANCIA: se a ação do agente tiver como objeto o comércio de armas. Esta questão será objeto de grandes discussões.WWW. Posse ou porte ilegal de arma de fogo de USO RESTRITO :: Condutas típicas = 14 verbos: possuir. a pena mais grave da Lei de Armas – 4 a 8 anos de reclusão. 17. sem direito a liberdade provisória. sem o fim de mercancia não encontra tipificação para o vendedor. Art. deter.BR GILBERTO THUMS – Procurador de Justiça 6. PENA: reclusão de 3 a 6 anos e multa. ceder. fornecer. apenas para o adquirente. não se pode afirmar que vender é a mesma coisa que fornecer (abastecer. acessório ou munição de uso proibido ou restrito. dar. arma de fogo. numeração ou qualquer sinal identificador de arma de fogo ou artefato. Não tenho dúvidas que o legislador excluiu a conduta ‘vender’ porque está no art. porque o princípio da reserva legal não permite a analogia ‘in malam partem’. 16 I – suprimir ou alterar marca. emprestar. as condutas do art. 7. ocultar. ministrar). portar. remeter. 25 .COM. Isto é. ter em depósito. sem direito à liberdade provisória. Art. 16 § único – crimes equiparados ao art.INCORRETO.

26 .. 16. serrar o cano de espingarda calibre 12. NOTA: não confundir a conduta de quem ‘mexe’ na arma. balão. NOTA: quem portar. bola. 3. sinal ou marca suprimidos ou alterados. numeração ou sinal. porque o Decreto 3665/2000 exige que as armas de alma lisa de calibre 12 ou inferior devem ter cano de comprimento mínimo de 61 cm.BR GILBERTO THUMS – Procurador de Justiça Esta conduta só pode ser atribuída à pessoa que suprimiu ou alterou a marca. 4. porque espalha chumbo em área muito grande. granada. Pode ser praticado por armeiro ou qualquer pessoa. que vai permitir a utilização de munição 3 vezes mais potente. inciso IV.WWW. munição.INCORRETO. transporta. responderá pelo art. 2. Exemplos clássicos: 1. com a daquele que porta. cuja conduta típica é a modificação das características da arma de fogo. Trata-se de expressão conhecida como ‘arma raspada’. transportar ou fornecer arma com numeração. tornando-a equivalente a de uso proibido/restrito ou com o objetivo de induzir em erro a polícia. Neste caso a tipificação vai ocorrer no art.COM. Assim. Trata-se de caso de ‘arma mexida’. É um crime de difícil comprovação. Transformar um revólver calibre 38 em 357 Magnum através de modificação do tambor. guarda. oculta. pode ser uma arma. Por isso há que se distinguir o agente que ‘raspou’ a arma daquele que pratica outra conduta típica. II – modificar as características da arma de fogo. Trata-se de equívoco. Adaptar mira telescópica que aumenta mais de 6 vezes ou com emprego de luz – laser – para marcar o alvo. Agora foi incluído o artefato como objeto do crime. encurtando o cano.. com pena de reclusão de 3 a 6 anos e multa. adquirir. canivete. § único. para não dizer impossível. porque artefato significa qualquer objeto manufaturado. tudo. a arma mexida. a espingarda torna-se mais perigosa. etc. 16 ‘caput’ e não no inciso II do parágrafo único. possuir. dinamite. Adaptar silenciador na arma de fogo com o objetivo de abafar o estampido. o juiz ou o perito.

que é técnico habilitado em explosivos. mesmo que de fabricação caseira. tem a mesma pena da Nova Lei de Armas. por empregar artefato explosivo desde que não cause perigo concreto à coletividade. gerando perigo concreto a um número indeterminado de pessoas caracteriza o tipo penal do art. deter. como formas qualificadas de explosão. fabricar ou empregar artefato explosivo ou incendiário sem autorização ou em desacordo norma legal. É o caso do ‘bláster’. tipificada está a conduta do inciso III. NOTA: não confundir com fogos de artifício – art. Assim. a autorização para a aquisição dos artefatos explosivos. 251 na hipótese de gerar perigo concreto. diversamente do que ocorrida com a Lei nº 9.. Artefato explosivo é um engenho produzido pelo homem com o objetivo de provocar explosão em grandes proporções. porém não é necessário que se trate de artefato de alto poder destrutivo para tipificar a conduta. 251. Transgredidas estas normas. que apresentam extremo perigo.COM. dinamites. Tudo indica que deva prevalecer o art. Exige-se. Exemplo clássico é o material empregado pelo ‘homem-bomba’ ou ‘carrobomba’ utilizado por terroristas.WWW.BR GILBERTO THUMS – Procurador de Justiça III – possuir. etc. Outro entendimento levaria ao concurso material ou formal entre a Lei de Armas e o homicídio ou lesão corporal grave (na forma de dolo ou culpa) o que se mostra inconsistente. Por exemplo: detonações em rochas na construção de rodovias ou exploração de pedreiras. Hoje. além da habilitação técnica.INCORRETO. 251 do CP. provocar explosão. 27 . também podem se materializar através de práticas que dependem de autorização e de especialista habilitado. porque há possibilidade de lesão corporal grave e morte. São bombas. com pena de 3 a 6 anos de reclusão e multa. granadas. As condutas do inciso III não visam somente a fins ilícitos.437. até mesmo implosão de edifícios. 28 § único da LCP – nem com o crime de explosão do art.

quem adquire uma arma com numeração raspada e depois porta a mesma arma. com pena Também desapareceu a discussão cerca do concurso de crimes da lei de armas com a receptação. portar arma de fogo com numeração raspada. transportar ou fornecer arma de fogo com numeração. acessório. praticou apenas uma única conduta típica: inciso IV do § único do art. suprimido ou adulterado. entregar ou fornecer. arma de fogo. 242 do Estatuto da Criança e do Adolescente em relação à arma de fogo. possui. adquirir. A gravidade da conduta reside na dificuldade de identificar a arma que o agente traz consigo. mas é possível discutir-se sua aplicação em relação à arma de pressão. que foi motivo de muitas controvérsias e equívocos. É uma conduta que exige dolo e não deve ser confundida com a omissão na guarda da arma tipificada no art. Assim. a Lei atual não faz distinção para a tipificação em tela se a arma é permitida ou proibida. tem um único enquadramento. aparecem normalmente em grandes conflitos ou protestos populares. inciso IV. adquire ou fornece igual para as duas hipóteses. IV – portar.COM. 28 . Corrigiu-se omissão da lei anterior. transporta. não importando se arma é de uso permitido ou de uso restrito. Agora não há mais dúvidas para a conduta do agente que é flagrado com ‘arma raspada’. Diversamente do que ocorria na Lei n º:9437.WWW. 13 ‘caput’.BR GILBERTO THUMS – Procurador de Justiça Os artefatos incendiários são igualmente perigosos. se porta. V – vender. Se ‘raspou’ ou adulterou a identificação inciso I. Foi revogado o art. 16.INCORRETO. O exemplo mais conhecido é o coquetel ‘molotov’. constituído de um recipiente de vidro (garrafa/garrafão) contendo líquido inflamável e com uma bucha para atear o fogo. A partir da nova lei. possuir. munição ou explosivo a criança/adolescente. O recipiente é arremessado e gera incêndio ao quebrar-se no solo. marca ou sinal identificador raspado.

recarregar e reciclar munição. A produção. alterar.) com a arma em questão. de qualquer forma. 29 do CP. viciar. Quem provocar explosão de grandes proporções.. etc. recarregar ou reciclar.WWW. Esta caracteriza-se pela criação de mera situação de perigo presumido à coletividade e não pelo objetivo de praticar determinado crime. munição ou explosivo. roubo. a adulteração de munição como figura típica mostra-se desarrazoada. Produzir. quem entalhar o projetil em forma de ‘x’ ou cone invertido em munição de uso permitido gera a tipificação em comento. como é o caso de uma implosão ilegal. 251 do Código Penal).COM.. Trata-se de tipo penal inovador. Mudar a carga de pólvora para aumentar o poder de impacto do projetil também se adapta ao tipo penal em tela. deve-se considerar a hipótese do art. (art. terá a mesma pena daquele que entalhou um ‘X’ num projetil de calibre 38. ou modificar munição original. 29 . mudar.INCORRETO. ABSURDO: além da incoerência acima. VI – produzir. gerando perigo à coletividade. sem autorização. deformar. porque adulterar significa corromper. haverá concurso de agentes quanto ao crime-fim e não estará tipificada a conduta em tela. para uso próprio.BR GILBERTO THUMS – Procurador de Justiça Se a criança ou adolescente vier a cometer um crime (homicídio. todavia a pena é desproporcional. A pena é desproporcional em relação à conduta incriminada. recarga ou reciclagem de munição apresentava tipificação no art. Mostra-se razoável a incriminação das condutas de produzir. munição ou explosivo. recarregar ou reciclar sem autorização legal. deturpar. Sem comentários. Adulterar. 18 da LCP. munição ou explosivo. se o agente tinha ciência que o menor apresentava propósito de cometer homicídio ou roubo. na medida em que o 2. de qualquer forma. Duas são as formas típicas: 1. Assim. ou adulterar. Assim. agente que possui uma fábrica clandestina de munição terá o mesmo tratamento daquele que. recarrega munição. estupro.

arma de fogo. Não se enquadra nessa disposição a conduta do agente que realiza ação isolada relacionada a uma única arma. 30 . adulterar. mala. receber. Exemplos: 1.BR GILBERTO THUMS – Procurador de Justiça 8. enquanto não houver a tradição da arma a conduta não estará consumada. transporta. adultera. desmontar. o comerciante oficial que vende arma de forma irregular. É imprescindível que se comprove a situação de mercancia na atividade do agente. desmonta. Isso porque não consta do tipo o verbo trazer consigo ou portar para venda. montar. FORMA QUALIFICADA: se as condutas realizadas pelo agente a pena é a aumentada da metade. desde que não seja importador nem exportador.WWW. 2. ter em depósito. remontar. 17. Somente se for um carro de combate é que será possível ao agente conduzir a arma sobre lagartas ou rodas. o armeiro. SUJEITO ATIVO: qualquer pessoa que desenvolva atividade ligada ao comércio de arma/munição ou acessórios. conduzir. Assim. o traficante de arma de fogo. vender. acessório ou munição. se um traficante de armas for flagrado com a arma na sua cintura antes de entregá-la ao adquirente. que vende.. ex. tem em depósito. FORMAS TÍPICAS: algumas condutas apresentam dificuldades de compreensão.COM. como por. isto envolvem arma de uso proibido ou restrito significa que a pena mínima será de 6 anos de reclusão para quem comercializar arma de fogo de uso restrito ou proibido. transportar. ou de qualquer forma utilizar. em proveito próprio ou alheio. mas nunca será porte. Também é sujeito ativo o agente prestador de serviços ou fabricante de armas. no exercício de atividade comercial ou industrial. monta. veículo. Transportar a arma é levá-la em sacola. tanto a forma oficial quanto a clandestina. será necessário fazer-se a prova de que houve venda e. neste caso. arma de fogo. que em sua oficina. etc.INCORRETO. do contrário a conduta será sempre de transportar. expor à venda. conduzir arma de fogo.. 3. etc. Comércio ilegal de arma de fogo ::Condutas típicas = 14: adquirir. o que não pode ser confundido com ato de portar ou trazer junto ao corpo. ocultar. alugar. etc. Art. sem autorização ou em desacordo com norma legal ou regulamentar. conduz.

18. isto é. adulterar’ arma de fogo sem autorização. 17. é hipótese comum de armeiros (profissionais em mecânica de armas) e sua tipificação se encontra no art. exercendo atividade comercial. se o agente visar à mercancia. de qualquer forma. mas é possível discutir judicialmente este entendimento sob o argumento de atipicidade e violação à garantia constitucional da reserva legal ‘vender munição’ visando à mercancia tipifica o art. Trata-se de ‘cochilo’ legislativo. porque esta hipótese não viso ao comércio de arma ou munição. remontar. inciso V. a importação não se consumou. com pena mínima de 4 anos de reclusão. for comerciante de armas ou melhor traficante de armas. traficância de armas.BR GILBERTO THUMS – Procurador de Justiça ‘Adquirir’ será conduta típica do art. A solução será buscar tipificação nos verbos ceder ou fornecer. Tráfico internacional de armas ::condutas típicas = 3: importar. Quem vende sua própria arma em desacordo com norma legal/regulamentar não encontra tipificação na legislação. exportar ou. Não se confunde com a venda do art. § 1º. 14 se o objetivo for para uso próprio. ‘desmontar. montar. se a fiscalização impediu que a ‘mercadoria’ chegasse ao destinatário. ‘Vender’ é uma conduta clássica do comércio de armamento. 9.COM. A conduta só se consuma após ultrapassar a zona alfandegária. 17. favorecer a entrada ou saída do país de arma de fogo. Importar significa fazer entrar no território nacional.WWW. 17. munição ou acessório.INCORRETO. Art. e será do art. 16. apreendendo-a na alfândega. 31 . Assim.

do art. munição ou acessório. isto é. 20 – MAJORANTE de metade da pena para os crimes dos arts. sem direito à liberdade provisória.2.BR GILBERTO THUMS – Procurador de Justiça Exportar é fazer sair do país.INCORRETO. . 3. 13 (omissão de cautela na guarda da arma). Se o agente for flagrado enquanto estiver fazendo o transporte da arma de fogo com destino ao exterior a conduta está na forma tentada. mínima de 6 anos de 10. 32 . 1.A majorante em tela aplica-se aos agentes relacionados nos arts. empresas privadas de segurança e de transporte de valores e entidades desportivas legalmente constituídas. 16. 17 e 18. 14. nivelando suas condutas no mesmo tipo penal. SUJEITO ATIVO: qualquer pessoa. 15. servidores públicos que a presente lei permite a concessão de porte de arma.COM. todavia se houver prova de que se trata de operação comercial. . do art. Favorecer de qualquer forma a entrada ou saída de arma de fogo. A presente lei não rompeu distinção básica do Direito Penal. Art. inclusive quem age como receptador ou no favorecimento real. que trata de condutas completamente distintas das do “caput”. 6º. não é necessário ser comerciante ou prestador de serviços. 12 (manter sob guarda em sua residência arma de fogo de uso . FORMA QUALIFICADA: se o tráfico internacional for objeto de arma de fogo de uso proibido ou restrito. Deve-se ter cuidado de não confundir a situação do concurso de agentes no tráfico internacional com a caracterização de outros crimes.WWW. pode-se tipificar no art. O legislador procurou envolver todos os partícipes e co-autores. a pena será aumentada da metade reclusão. 17 transportar e neste caso estará consumada. 7º e 8º.ficaram excluídos apenas os crimes: permitido). 16. do parágrafo único do art. engloba toda conduta cuja objetivo esteja relacionado com o tráfico internacional.

BR GILBERTO THUMS – Procurador de Justiça CONFISCO DA ARMA. que será juntado aos autos. Embora a lei não tenha feito referência expressa. mas não militar federal. COMPETÊNCIA: regra geral é estadual. É competência da justiça federal comum. tanto na nova lei de armas quanto em outros crimes. A clareza solar do art. logo a competência é estadual. soldado furta arma do Exército e vende a terceiros. armas de propriedade das Forças Armadas.WWW. acessórios ou munições apreendidos serão objeto de laudo pericial. Só será federal a competência se atingir bens ou interesses da União. Militar: não está previsto na legislação militar. Pode gerar muitas controvérsias. na verdade haverá confisco da arma que for objeto de qualquer crime. ___________________________________________ (*) Procurador de Justiça. ARMAS OBSOLETAS: a lei nova não trata mais de armas obsoletas.COM. e quando não mais interessarem à persecução penal serão encaminhados pelo juiz ao Comando do Exército para destruição. 25 estabelece que as armas de fogo. portanto não é crime militar. coordenador do Centro de Apoio Operacional Criminal do Ministério Público e professor universitário 33 .INCORRETO. Ex. Tráfico internacional. no prazo de 48 horas.