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Radiojornalismo e Mídias Sonoras I Comunicação Social – Jornalismo Prof.

Clarice Speranza

Guilherme Rovadoschi

Rádio Errante: O erro na voz de quem o comete.

Deu uma grande confusão na emissora. Mas. Aí o cara se empolgou no inglês e anunciou a banda e a música com o nome totalmente errado. Uma vez presenciei uma notícia sendo lida e o locutor trocou trafego por tráfico. Para nós locutores. Tem muitas como o clássico erro "A nível de" no lugar de “Em nível de”. Erros de operação são comuns. quanto pra tocar músicas. acho que o principal erro é na troca de palavras.Hans Ancina Locutor da Rádio PopRock FM “Rádio requer rapidez tanto pra dar noticias. Um exemplo clássico disso é o locutor de uma radio de um grande grupo de comunicação aqui do estado que estava anunciando um bloco de musicas e tinha uma sequência de sons gringos. Dentro de uma rádio ao vivo ocorrem tantos erros... que nós da PopRock chegamos a fazer umas esquetes nos intervalos de programação chamado “Radiografia”.” . Nossa. Muitos jovens repórteres cometem erros e vícios de linguagem. chamadas e programas gravados. esse é um fato muito engraçado. só com os nossos erros no Estúdio B que é o estúdio onde é gravado toda a produção da rádio. errar vinhetas e tal. deu muito material bacana com muitos erros na gravação de comerciais.” Nilton Fernando Criador da Ipanema FM e Locutor da Rádio Continental FM “Existem muitos erros. Mas os erros mais engraçados são quando acontece o erro na pronuncia de alguma coisa ou na leitura de uma noticia errada. essas são coisas que acontecem.

todas tem uma peculiaridade especial. Que é um erro trivial para qualquer um no meio jornalístico. principalmente nos jovens locutores e repórteres radiofônicos é o uso do “houveram”. Mais antigamente quando tinha toca discos e vinil. muitas vezes chamava o break comercial e esquecia de desligar o microfone e ficava falando qualquer besteira em cima dos comerciais.Felipe Vieira Jornalista e Locutor da Rádio Guaíba AM/FM “O fato mais corriqueiro que vejo nos erros.” . o cara mixava uma musica tri bem. acabava tirando a que estava no ar e não a que tinha tocado antes. São essas coisas que a profissão nos proporciona.” Eduardo Santos Diretor de Programação e locutor da PopRock FM “Nos meus tempos de Ipanema. e aí quando ia tirar a agulha. Também fiz entrevistas com músicos bêbados. mais do que se imagina. Falar no gerúndio também é um erro bem comum.

Sabrina Homrich Ex-locutora das Rádios Ipanema FM e PopRock FM “Existem vários exemplos: Errar o horário. Mas posso te adiantar que o Alexandre Fetter. Mas às vezes a memória falta e a gente sem saber o que dizer comete o pior erro de um radialista que é dizer a palavra: né. a única coisa que tu precisa saber é que no rádio não tem imagem. na época coordenador de rede da PopRock FM me chamou na sala dele uma vez e me disse assim: “Seu Padeiro. da Ipanema pra PopRock e falava o nome do programa ou até o nome da rádio trocado. Isso acontecia seguidamente.” Então uma dica pra todos os alunos de comunicação. O fato mais curioso aconteceu quando eu mudei de rádio. Já aconteceu comigo de deixar o microfone aberto e ficar cantando a música que tá no ar. nunca diga né!” . então não tive grandes erros. por isso tu vai ter que falar o tempo todo.” Cesar Figueiredo (Padeiro) Ex-locutor da Rádio PopRock FM “Minha experiência em rádio foi de um ano. deixar o microfone aberto e vazar conversas que não deviam ir ao ar.

” Dani Hilzendeger Ex-locutora da Ipanema FM e PopRockFM “Já errei muito no ar. A trouxa naquele momento fui eu. Teve uma vez que eu fiz uma pergunta pro Lobão e ele não entendeu meu raciocínio. eu tenho mais de 25 anos de profissão e sempre acontece algum erro. Ano passado o colega Jayme Oliveira caiu em uma pegadinha. Ele não leu o e-mail antes de ir para o ar e ficou complicado pra ele. o nome de quem estava enviando era Paula Tejando e ele mandou pro ar sem querer. Principalmente no inicio de carreira. semana passada rolou um comercial aqui na rádio que não editaram direito. não clarifiquei meu pensamento. no meio da locução. só que quem enviava era o Thomas Turbando. mas aconteceu.” . o locutor tossiu e ficou rolando isto todo o Domingo. Por exemplo. Uma baixaria. Marco Antônio que hoje está na 104FM foi pego pelo mesmo problema.Danilo Barcellos Locutor da Rádio Alegria FM “A gente erra demais! Não adianta. e ele perguntou se eu achava que ele tinha cara de trouxa. Ou seja.

A prática das mãos calejadas e do suor no rosto é que nos faz crescer. Confessar ele é digno. Chegamos a um ponto de ancoragem. Eles são humanos. Foi isso que fizeram 8 locutores ou ex-locutores de grandes meios de comunicação do Rio Grande do Sul. Quem é melhor. naquela caixa mágica forrada de isopores cada um é nosso super-herói. persistir no erro é burrice. Alguém aí do fundo me entendeu? Todos os dias ligamos o rádio. nem mesmo de chuva. e ouvimos os profissionais da informação. da música. o outro tem a prática. A teoria pela teoria não ajuda em quase nada. Como não cair em armadilhas de cacófatos ou vícios de linguagem. do esporte e as vezes nem imaginamos o quão dura é a responsabilidade de cada um. sem a prática do dia-a-dia é difícil se ter a noção do quão arriscado é usar o microfone ao falar com um número amplo de pessoas. Talvez só com o poder da voz. Naquele estúdio. Talvez a busca não seja saber qual é o erro. Todo mundo erra. Nem tão ao céu.Quais são os erros mais comuns no Rádio? Aliás. Um tem o conhecimento. mesmo que por instantes não pareçam. Um erro a menos pra minha coleção. nem tão ao mar. um intelectual na sua poltrona sem fugir do seu mundo particular ou um boia-fria lutando pelo pão de cada dia e batalhando por seu espaço? Talvez eles sejam iguais. Deve ter sido esta a minha ideia inicial. como fugir do lugar comum e cativar seu próprio público. Sem criptonita e sem capa. como saber? Afinal. Errar é humano. Encontrei o caminho do texto. e sim como evitalo. que se perdeu entre linhas e parágrafos. mas sem chegar na prática. nem que seja por um momento de distração. Voz que falha. Dignificar o erro. Algo além da teoria. Aliar os dois é fundamental. Casos e fatos de estúdio se misturam entre músicas mais pedidas e sons imortais. . Acho que foi isso que eu queria no início. Histórias pessoais se impermeiam no meio dos áudios e notícias. voz que traí.

2. 4. podemos também citar o erro de um sobrenome ou pronunciar uma palavra errada. 7. considerados erros. são considerados mais graves por possíveis desdobramentos. 5. até mesmo sólida. . ou seja. Mesmo assim. Erros dolosos como uma informação inverídica ou citar fontes sem apurar as mesmas. 3. sem grandes consequências. culpa doutrina falsa Baseando-se nestas definições.Definições de erro: 1. ato ou resposta incorreta crença ou opinião que não corresponde à verdade ilusão juízo falso engano falta. Uma informação falsa é de grandes proporções e pode acabar com uma carreira. Uma resposta incorreta seria a informação do horário errado ou a divulgação da temperatura que não condiz com o momento. São erros sem desdobramentos. podemos constatar quais os erros se enquadrariam dentro de um estúdio radiofônico. 6. decisão.

do sentir o erro de perto. Ao ler o livro “Rádio – A mídia da emoção” de Cyro Cesar foi possível ver a teoria sobre o que não deve ser utilizado no rádio. Para quem sabe um dia. Já os erros de informação sem dolo. _______________________ Guilherme Rovadoschi . é a humanização da profissão. Igual aos tantos que admiramos e ouvimos. possamos nos tornar espelhos.Erros com cacófatos e vícios de linguagens são mais comuns que imaginamos e são defeitos que carregamos do convívio social. A grande lição que eu tiro deste trabalho e espero que todos vocês que compartilharam dele tirem. Alguns nos contaram boas histórias. Neste ponto. pela informação precisa. A diferença é a busca pela melhora. a teoria ajuda muito a entender e evitar os erros. Dois dias ou Dez anos. Mesmo que quebrem por alguns momentos com seus erros de vidro. todos nós consigamos evitar os erros. Pensamento rápido. Mesmo os mais constantes e até os fundamentais. como alguns tipos de linguagens e diversos clichês. só o tempo de rádio nos dá a segurança necessária para seguir sem percalços. fluente e bom vocabulário ajudam nas dificuldades que o rádio pode colocar no caminho. Todos são iguais. Mas admito que senti a falta da vivência. Ver que o erro é comum a todos. Para que cada vez mais. deixa um certo alívio na busca pela diferenciação que cada um tanto deseja. Ao entrar em contato com cada comunicador. só nos mostram o quão é corriqueiro os erros dentro de um estúdio. As informações passadas pelos comunicadores de Rádio. pelo bom profissionalismo. Os riscos são os mesmos. outros nos trouxeram bons ensinamentos. senti a verdade necessária pra prosseguir entendendo o processo dos erros radiofônicos.