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O Racismo no Brasil

Valdiana Ribeiro Castro

No Brasil, a história de seus conflitos e problemas envolveu bem mais do que a formação de classes sociais distintas por sua condição material. Nas origens da sociedade colonial, o nosso país ficou marcado pela questão do racismo e, especificamente, pela exclusão dos negros. Mais que uma simples herança de nosso passado, essa problemática racial toca o nosso dia a dia de diferentes formas. Em nossa cultura poderíamos enumerar o vasto número de piadas e termos que mostram como a distinção racial é algo corrente em nosso cotidiano. Quando alguém autodefine que sua pele é negra, muitos se sentem deslocados. Parece ter sido dito algum tipo de termo extremista. Talvez chegamos a pensar que alguém só é negro quando tem pele “muito escura”. Com certeza, esse tipo de estranhamento e pensamento não é

misteriosamente inexplicável. O desconforto, na verdade, denuncia nossa indefinição mediante a ideia da diversidade racial. Numa pesquisa que atingiu todo o território nacional em 1995, constatou-se que 89% dos brasileiros reconheciam a existência de preconceito racial no Brasil, contudo, apesar dessa consciência, só 10% admitia ser pessoalmente preconceituoso. O fato do individuo não se reconhecer preconceituoso, por outro lado, não exclui a demonstração desse mesmo preconceito. Martiniano Silva (Camino et al ,2001) argumenta que esse racismo seria muito mais engenhoso e mascarado, e, por conseguinte, mais eficiente em sua função de discriminar e mais difícil de erradicar. Os resultados da pesquisa realizada pelos autores apontam que estudantes atribuíram aos negros adjetivos como alegres e simpáticos, entretanto, esses mesmos estudantes acreditam que o povo brasileiro considera os negros como desonestos, agressivos e pouco inteligentes. Os

pois sabemos e aprendemos nas escolas da vida que os negros eram escravos. viviam nas senzalas e eram tratados como bicho. em revistas. não consegue atender a toda a demanda da população. Agora. Somos telespectadores da nossa história onde também assumimos a função de protagonista.resultados do estudo refletem o conflito no qual o brasileiro vive: a consciência da discriminação que o negro sofre e os laços criados pela miscigenação e as pressões politicamente corretas que impedem que o papel de cada um nesse processo de discriminação seja elucidado. O termo denota a crença de que o Brasil escapou do racismo e da discriminação racial vista em outros países. O próprio Freire em determinado momento. Fatos que vão à contrapartida ao que pregava Gilberto Freire. na política. nos revela que de fato. o que significa que esses índices têm crescido entre em negros e pobres. existe sim o preconceito e que os negros sofrem discriminação. de modo algum. frisa que essa Democracia Racial ainda era falha. embora bem elaborado. filmes. mais especificamente. Freyre disse: “Perfeita. Isso está mais que provado. nunca respeitou os negros. o mesmo se faz muito presente e se mostra cada dia mais forte. Nas novelas que passam em horários nobres nas TVs. os que possuem empregos com menor remuneração. além disso. sendo preciso apenas analisar as estatísticas brasileiras para fins de constatação: os negros são aqueles que moram em situações menos favoráveis. A sociedade brasileira “elitizada”. que dependem de um sistema de saúde que. que o . Ou seja. sobre a existência da Democracia Racial no Brasil. estudos recentes apontam que epidemias como o HIV/AIDS têm sofrido uma pauperização. Coisa que por fatos mostrados anteriormente não ocorre. programa de auditório. Ao ligarmos a televisão ou folhear uma revista vimos tudo isso acontecer diariamente. Embora possamos concordar que as manifestações públicas de racismo são severamente criticadas no espaço social. Os negros dificilmente têm acesso às funções de maior relevo. como nos Estados Unidos e Europa.

têm maior dificuldade em conseguir emprego. como também. os negros em virtude das dificuldades de acesso aos serviços de educação e saúde. Nele são expostas situações reais que dá a real situação do Brasil. há 74% mais vítimas entre os negros que entre os brancos. Ainda há. Não só esses fatores. na faixa dos 15 aos 24 anos.” Discordando de Freire e tendo como embasamento os sinais vistos por nossa e na nossa sociedade. principalmente o que diz respeito a oportunidades de vagas no mercado de trabalho. Como revela em parte do texto: “Negros e pardos recebem menores salários. mas ainda há preconceito de raça e de cor entre grupos brasileiros e entre certos brasileiros individualmente. creio que sem dúvida. lideram estatísticas de vítimas de mortes violentas e constituem maioria da população carcerária.Brasil é. não digo que haja racismo no Brasil. que os dê fontes de desenvolvimento e os defina na sociedade como iguais a população de outras cores. apresentam níveis de condições de vida bastante . vários outros contribuem para a inviabilizarão de crescimento e inserção dos negros nos diferentes setores dessa economia globalizada. 18 de novembro de 2006. a escolaridade. é notório em todos os aspectos. existe sim o racismo no Brasil. torna-se perceptível que sempre estiveram em posições desiguais. a mais avançada democracia racial do mundo hoje. Ocorre que. em relação à oportunidade. isto é. Segundo dados de 2004.” As maiores dificuldades encontradas pela população negra se explica pelo abismo que separa as condições de vida em sociedade da população negra da branca. Ao analisar indivíduos negros e brancos em várias dimensões. os rendimentos. e uma precisa conclusão quanto a não existência dessa Democracia Racial. a falta de políticas públicas que garantam esses direitos. e ainda estamos longe de ter uma democracia que cuide dos negros. como também. A mais avançada neste caminho de uma democracia racial. Conclusão parecida e muito bem reforçada pelo texto “Pesquisas expõem as múltiplas faces do racismo no Brasil” de Marco Aurélio Weissheimer da Carta Maior – Envolverde.

O pequeno número de ocupação no mercado de trabalho existe em virtude dos baixos índices de escolaridade expressos pelas dificuldades de acesso a uma educação básica de qualidade e maior incidência da pobreza. reflexão e combate mais importante para cada brasileiro. efetivamente. o que resta é um “faz de conta”: todos nós sabemos que o racismo existe. que os colocam a margem do progresso da sociedade. por conseguinte. rendimento e qualidade da ocupação. Basta Brasil! . fatores esses.inferiores aos brancos. infelizmente. o povo brasileiro vive um processo dissociativo: todos esses índices nos são velhos conhecidos e. Quando consideramos tais dados e outros. simultaneamente. No final. tão comuns à nossa sociedade. a problemática do racismo deveria ser o elemento de discussão. não podemos deixar de considerar que. cada dia fechamos mais os olhos para essa realidade. mas não admitimos nossa contribuição para sua persistência e isso ocorre no mesmo momento em que a questão da desigualdade e. No mercado de trabalho esses dados também são alarmantes e se expressam com clareza através dos indicadores desfavoráveis de emprego.