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Direito da personalidade à intimidade
Silvio Romero Beltrão, Juiz de Direito, Mestre e Doutorando pela UFPE, Professor de Direito Civil da UFPE. Coordenador de Eventos Científicos e Culturais do Centro de Estudos Judiciários do TJPE. Sumário: 1 Introdução; 2 Evolução do direito à intimidade; 3 Conceito; 4 Limites ao direito à intimidade; 5 Direito à intimidade no Brasil; 6 Decisões dos Tribunais; 7 Conclusão; Referências.

Introdução A exis tênci a de um is olamen to natural da pess oa, onde a mes ma pos s a viver o s eu interior e s e man ifes tar livre dos olhos so ciais pres ervando a s ua intimidad e é fundamenta l para o d es en v olvimento da pers onalidade humana. A C ons tituição B ras ileira declara que: “ [...] são invioláve is a in timidade, a vida privada, a honra e a image m das pes s oas , ass eg u rado o direito à indeniza ção pelo dano mater ial ou moral d eco r r ente de s ua violação”.( art. 5º , inc. X ). A inti mi dade e a vida privada são erigidas na C ons tituiç ão co mo v alores humanos , na condição de direito individual e para tanto em d ef es a des te direito fundamenta l, nos preocupamos em pres ervá- las d o co n hecimento alheio. Nos s os erros , nos s as imp erfeiçõ es e até mes mo nos s as v ir tu d es não devem es tar obrigatoriamen te expos tas ao domín io p ú b lico, pois , interes s es variados podem forçar- nos a ocultar d eter minados fatos do conheci me nto de outras pes s oas . V ários exe mplos poderiam s er citados , como interes s es ex clu s ivos de ordem privada e intima, a jus tificar a s ua pres ervação do co n h ecimento alheio. - A mu lher que já trabalhou em cas a de cos tumes e ao mudar e p r o g r edir na vida não quer vê o s eu pas s ado revelado. - O homos s exual que es conde da famí lia a s ua opção s exual. - O ateu que para não perder emprego em cas a de pess oas r elig io s as es conde a s ua des crença. - O milion ário que para não s e vê suj eito a ass altos e pedido d e emp rés t imo es conde a s ua riqueza.

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2 Em tais s ituações , terceiros des autorizados não podem violar os s egredos e res ervas da pess oa, pois , certamente caus ariam tr an s to rnos e danos irreparáveis . P or s ua vez, o des envolvimento tecnológico, a Internet, os v ár io s s atélites es palhados pela nos s a órbita es tão propiciando uma v er d ad eira es pionage m à inti mi dade da pess oa. A intercepta ção de corres pondências via Internet pode d es v en dar s egredos ini magináv eis , os teles cópios com s uas potentes len tes podem vigiar os pass os de cada pes s oa na terra, as microcâmer as podem revelar s egredos s ó revelados entre quatro paredes , tu d o is to j á é uma realidade nos nos s os dias . N es te mes mo sentido, o próprio lixo de uma pes s oa pode r ev elar os seus s egredos mais íntimos . D aí a neces s idade de s e pres ervar a intimidade e privacidade d e cad a pess oa, pois , como obs erva G reenw alt, citado por Eds on F er r eir a da S ilva , “[...] dada um a s ociedade em qu e m uitos es tilos de vid a e pon tos de vis ta ger am r eações n egativas s e são conh ecidas p u b licam en te, é ess en cial um gr au s u bs tan cial de liber dade con tr a as o bs er vações , par a qu e h aja genu ín a au ton om ia”. 1 Jos é de O liveira A s cens ão, por s ua vez, ens ina e m sua O bra D ir eito C ivil - Teoria G eral 2 , que o direito a individualidade, inerente a clas s ificação de direito de pers onalidade, pode s er dividido, s egundo Hu b mann, em três es feras . - a individual; - a privada; - a s ecreta. D iz O liveira A s cens ão, que a es fera individual protege o h o mem em relação à s ocied ade, quanto a s ua identificaç ão pess oal e su a image m, e ainda quanto ao valor da honra. A es fera privada, por outro lado, concentra- s e na p r iv acidade, como uma defes a da autonomia neces s ária à pes s oa para q u e n ão s ej a abs orvida pela comun idade. P or último, a es fera secreta corres ponde aos as pectos de r es er v a abs oluta, inerente ao conhecimento e cons ciência de cada in d iv íd uo, s endo por iss o ma is dens a. Enfim, O liveira As cens ão, ao falar do direito à inti mid ade d ef en d e a demarc ação des te direito, para que não s e torne um su p er d ireito.
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SILVA, Edson Ferreira da. Direito à Intimidade. São Paulo: Oliveira Mendes, 1998. p. 2. ASCENSÃO, José de Oliveira. Direito Civil: Teoria Geral. Coimbra: Coimbra, 1998. p. 97. vol. I.

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quando na verdade houve u m ma l entendido. O direito da intimidad e s us cita inúmeras dificuldad es . N ão é neces s ário mui to es forço para ao abrir os j ornais v er if icar a intro mis s ão da imprens a na intimidade e na vida privada d as p ess oas . optei pelo pres ente trabalho. ante o as s édio in ter miten te dos fotógrafos . D evem. atu alment e ins erido no C ódigo C ivil. mes mas . voltado p elo interes s e de es tudar o direito de in timidade s ob o ponto de vis ta do direito da pers onalidade. com um prévio j ulgamento s ocial. A neces s idade de revelar a vida íntima da P rinces a D iane talv ez tenha s ido a caus a maior da s ua trágica mort e. tem caráter su b j etivo. pois . por outro lado os valores so ciais s ão mut áveis no te mpo e no es paço. através de fals a denúncia e nada ficou demons trado q u an to a exis tência de abus os s exuais . s em que antes tenham.s e definir os limites da intimidade e da privacidade em co n j unto com os limi tes públicos de informa ção.as muitas vezes como autoras cr imes . apontado. q u an d o s e encontram antagônicos . onde. há dificuldad e em s e es tabelecer e m q u ais s ituações o interes s e pela pres ervação da inti midad e deva s er s acr if icado em prol de um outro interes s e j uridicamente protegido. a decretaç ão de pris ões preventivas e amea ças de lincha me ntos aos proprietários . o que divulgado pela impr ens a caus ou uma revolta popular co m o apedrej amen to da es cola. mas a credibilidad e da es cola n u n ca ma is foi recuperada e os s eus proprietários s ofrem até hoj e os tr au mas e danos caus ados . variando de pes s oa a pes s oa. As s im. N es te mes mo sentido.3 P or is s o é que com freqüência s e es tabelece m conflitos entre o in ter es s e de pres ervar a inti mi dade e o direito de infor mação e a lib er d ade de i mprens a. s ido j ulgadas pela jus tiça. s endo a p r ime ira delas precis ar a extens ão do s eu conteúdo. 2 Evolução do direito à intimidade 3 . de de de as F ato notório e de r epercus s ão nacional foi a denúncia de que em r es peitada es cola de S ão P aulo ocorria abus os s exuais contra cr ian ças . A própria imprens a cos tuma noticiar o envolvi men to p ess o as com crimes e outros fatos des abonadores da conduta através imag en s e entrevis tas .

Jos é A dércio Leite S ampa io. O domínio da privacidade não es tá s ubmet ido ao controle p ú b lico. como a liberdade de to mar decis ões so b r e ass untos ínti mos . 13. I. 1 Os D ireitos Fu n d am en tais No es tudo do direito à inti mid ade e à vida privada encontras e o es tudo da própria independência do homem perante o Es tado. os princípios gerais e os direitos cons agrados n aq u ela época protegiam e alcançav am os obj etivos hoj e traçados pelo co n ceito de inti mi dade e privacidade. As proibições contidas no C apítulo 39 da C arta M agna I n g les a te m a s eguinte dis pos ição: “N en hu m h om em livr e s er á pr es o 3 SAMPAIO. Coimbra: Coimbra. em pr in cípio. com a idealiz ação e pos itivação dos dir eitos fu n dam en tais .s e que os fatores que hoj e ens ej am uma dis ciplina da in timidade e da vida privada. o direito à vida privada leva em cons ideração a au to nomi a da pes s oa humana. contudo. 4 ASCENSÃO. N es te s entido. o ar bítr io. con fun din do-s e. s em uma proteção es pecífica. s endo ass im. s er á a h is tór ia de su as lu tas con tr a a opr ess ão. a criação das relações de cons umo. p. o avanço d a tecnologia.4 O D ireito à intimidade e à vida privada não poss ui express a co n s tr u ção j urídica antes do final do s éculo X IX . ju lgarm os qu e. Direito à intimidade e à vida privada. tr atad o co mo o direito de decis ão livre. p. Nota. daí porque o termo pr ivatus etimo logic amen te falando repres enta o que es tá “ for a do Es tado. ens ina que: Não obs tan te. antes recebia m um trata me nto jurídico ad v in d o dos ins titutos clás s icos . 3 2 . p er ten cente à pes s oa ou ao indivíduo m esm o” . José Adércio Leite. que já s e demons tra m nas primeiras d eclar ações de direitos que r evelam como garantias de independência a in v io labil idade da pess oa. a intimidade e a vida privada pas s aram a exigir um s is te ma de proteção mais es pecífico e refinado. co mo res ultado da n eces s itada proteção aos perigos dos novos tempos . em pr ol da afirm ação de su a liber dade. da s ua cas a e de suas corres pondências . vol. A partir do des envolvimento da s ociedade. 1998. como ens ina o M es tre O liveira A s cens ão 4 . a h is tór ia do dir eito fu n dam en tal à in tim idade e à vida pr ivada s er á a h is tór ia do h om em em bu s ca de r ealiz ação de su a dign idade. Belo Horizonte: Del Rey. n es s e s en tido. 4 . N es te s entido. José de Oliveira. Direito Civil: Teoria Geral. 34. 1998. vale dizer q u e d e forma reflexiva. com o cr es cimento das cidades .

p.m as o R ei da I n glater r a n ão pode en tr ar .5 o u d etido em pr is ão ou pr ivado de su as ter r as ou pos to for a da lei ou b a n id o ou de qu alqu er m aneir a m oles tado. p. co n s tituindo. tornou-s e famos o o dis curs o no P arlamento B r itân ico de Lord C hata m. formul ando. por ocas ião dos debates acerca do us o de o r d en s gerais de arres tos : O h om em m ais pobr e pode. Direito à intimidade e à vida privada. A proteção ao domi cíl io demons tra a extens ão da liberdade in d iv id ual. proclamado a in v io labil idade do domicí lio.s eu telh ado pode m over -s e . co n s ag rada no direito. nos cas os for m alm ente pr evis tos em lei” . José Adércio Leite. 2 D ireito d e p rop ried ad e 5 SAMPAIO. n em o far em os vir a m enos qu e por ju lgam en to legítim o d e s eus par es e pela lei da ter r a”. Es s a cas a pode s er fr ágil . Belo Horizonte: Del Rey. 1998. para o p r in cíp io “m an’s hous e in his cas tle ”. 36.a tem pes tade pode en tr ar . aonde s e viu frus trada a execução d e u ma dívida pela obs taculiz ação do ingress o do xerife na p r o p r iedade do executado. a ch u va pode en tr ar . 1307. no julga mento s em ayne cas e . tendo. a previs ão legal co n tid a na M agna C arta evoluiu dentro do C om m om L aw . Belo Horizonte: Del Rey. a C ons tituiç ão F rances a de 1791. em s u a cas a. Parliamentary History of England. formulado por Lord C oke em 1 6 0 4 . para efeitos de p r o teção de s ua famí lia e obj etos . e não pr oceder em os co n tr a ele. 2 . aonde s e res guarda o local que em primeiro lugar s e d es en v olve a vida privada e s eus aconteci me ntos ínti mos . José Adércio Leite. Direito à intimidade e à vida privada. nes te mes mo s en tid o . 5 . 34. 1753-1765. tan to par a su a defes a co n tr a in jú r ia e a violên cia. N es te s entido. apud SAMPAIO. dis pondo que: “ N enhum agente da for ça p ú b lica pode entr ar na cas a de um cidadão.o ven to pode sopr ar em s eu in ter ior . s egundo o M es tre Leite S ampaio. des afiar todas as for ças da C or oa.s e na atual proteção à vida privada e à inti mid ade. 6 A cas a do homem foi equiparada a um cas telo. 1998. p.s eu s exér citos n ão se atr ever ão a cru z ar o um br al da arr u in ada m or ada. qu an to par a o s eu r epous o”. s enão que par a executar um m a ndado da polícia ou da jus tiça.s e o s eguinte princípio: “A cas a d e um h om em é o seu cas telo e for talez a. s endo de logo cons iderada uma g ar an tia de todos os cidadãos contra o Es tado. 6 HANSARD. 5 Ora.

Direito à intimidade e à vida privada. 40. Belo Horizonte: Del Rey. logo a s eguir e de maneir a des tacada erguida à co n d ição de um direito oponível ao Es tado diante da neces s idade p o lítica de contenção de s eus poderes ”. 9 MATONI. s ociais e econômicas . p. 1998. José Adércio Leite. demons tr a a p r ime ira tutela patrocinada pela propriedade à tranqüilidade dos que ali h abitas s e m. as cois as referentes à afeição conj ugal. aonde o M es tre Leite S ampa io faz ênfas e em co men t ar: “ A própria máxima man’s hom e is his cas tle . pas s ou-s e a reconhecer alé m da propriedade mater ial s obre as cois as corpóreas . ten d o como ponto de partida o direito do autor e o direito à imagem. N es te s entido. O s entido de propriedade era bem mais amplo do que o atu alment e empreg ado. com as mu tações das práticas s ociais a defes a da vida privada co n s tr u ída sob a noção clás s ica de propriedade pas s ou a neces s itar de tr an s f o rmaçõ es técnicas exigidas para aco mpanhar as mudanças p o líticas . a propriedade no âmbito ima teria l. Direito à intimidade e à vida privada. 1998. A proteção er ga om nes do direito de propriedade concedia as co n d ições neces s árias à defes a contra quais quer incurs ões em s eu âmb i to interno e is olado. p. Das recht am eigenen bilde. 6 . doutrinadores 9 que encontra m no direito à honra a o r ig em do direito à inti mid ade e à vida privada. “para quem a ‘propriedade’ do home m incluía ‘s ua vida e s eu co r p o . p. A inviolabil idade do domicí lio elevada à garantia da lib er d ade individual demons tra a influência do conceito de propriedade n a d ef es a da vida privada. Das recht am eigenen dilde apud SAMPAIO. 48. Belo Horizonte: Del Rey. José Adércio Leite. entre elas a faculdade de em s eus limites des envolver uma vida s ecreta e íntima. As s im. o Mes tre Leite S ampa io 7 cita co mo exemp lo Ho b b es . 3 D ireito à hon ra H á. o d ir eito de propriedade tenha s ervido para tutelar o domínio privado. OLSHAUSEN. 8 Ibidem. GAREIS. N es te s entido. e depois .6 No D ireito R omano a propriedade abs oluta as s egurava ao d om in us divers as prerrogativas . no entanto. es tando contido em s eus obj etos as pectos do d ir eito à inti mid ade e à vida privada. os b en s e os meios de vida’”. 8 2 . El derecho a la intimidad. 7 SAMPAIO. não é de s e es tranhar que antes do s éculo X IX . co n tu d o. 39. a s eguir.

p. Es s es dir eitos devem r epr es en tar u m m ín im o. Apes ar do diss ens o quanto à origem dos direitos da p er s o n alidade. M as devem r epr es en tar tam bém u m m áxim o. 7 . a proteção à honra tinha abrigo em leis p r ó p r ias . que lhe havia f eito vários ins ultos . por ela ju s tificados e im pos tos . É então a partir da noção de que a pers onalidade humana é in v io lável que s e te m o início da cons trução do direito à intimidad e co m a definição de s eus as pectos próprios .7 D e certa forma. Coimbra: Coimbra. dando. Do direito da pers onalidade. 2 . como um direito autôno mo. 1998. 64. C ita. tendo algumas cons truções ju r is p r udenciais unido à tes e de defes a da intimidade com a defes a a h o n r a. qu e cr ie o es paço n o qu al cada h om em poder á des en volver su a pers on alidade. José de Oliveira.s e obs curecido ante a ên f as e atribuída ao direito à honra. batalhas es s as que foram vencidas a partir da C o ns titui ção A lemã de 1949. Direito Civil: Teoria Geral.s e o exemplo da queixa apres entada por Archange R oi p er an te um J uiz de P az de M ontreal contra a s ua vizinha. 4 D ireitos d a Pers on alid ad e . No direito da pers onalidade a pes s oa é o fundamento e o fim d o d ir eito s endo as s im. com a intromis s ão e revelação de ass untos p er tin ente à vida privada que deveria m ficar ocultos . I. vol. pois . s egundo as lições do M es tre O liveira As cens ão: A dign idade da pes s oa h um an a im plica qu e a cada h om em s ejam atr ibu ídos dir eitos . apes ar do as pecto inti mid ade encontrar. de sua dis cus s ão doutrinária su r g ir a m os maior es contributos para a formação e a individualiz ação d o d ir eito à inti mid ade e à vida privada. somen te no s éculo pas s ado es te direito ganhou relevo co m s ó lidas bas es científ icas . A partir da A lemanh a foram travadas divers as batalhas d o u tr inárias quanto à exis tência ou autonomia do direito de p er s o n alidade. defendida a res erva s obre a inti mid ade da v id a privada como fator es s encial ao des envolvimento da p er s o n alidade humana.” Ora. qu e ass egu r em es ta dign idade na vida s ocial. s endo defendida pelos Tribunais . com a introdução do artigo 1º na C o ns titui ção A lemã que definiu a “intangibil idade da dignidade h u man a” como direito fundamental e em s eu artigo 2º dis pôs quanto “ a g ar an tia do livre des envolvi mento da pers onalidade. 10 ASCENSÃO. pela in ten s idade da tu tela qu e r ecebem 1 0 .se ênfas e a v in cu lação da honra aos ass untos da vida privada.

12 Ibidem. pin tu r as ou com pos ições m u sicais . as em oções e os s en tim en tos do in divídu o. p. em fatos da vida pes s oal. in depen den te de form a de s u a expr es s ão: m an ifes tos em car tas . C ontudo. 8 . deu. S egundo o M es tre Leite S amp aio. qu e com pr een dia os pens am en tos .. diár ios . mas s im em bas es es p ir ituais . 57. aqu ilo qu e o Ju iz C ooley ch am a de o dir eito “de s er deixado em paz ” (r igh t to be alon e). social ou dom és tica 1 2 . R ecen tes in ven ções e m étodos n egociais ch am am a aten ção par a o pr óxim o pas s o qu e deve s er dado com vis tas à pr oteção da pes s oa e par a segu r an ça do in divídu o. Direito à intimidade e à vida privada. atr avés do ges tu al. 5 R igh t of pr ivacy A partir da publicação de um artigo na H ar var d Law r eview .] r es um ido em es tar s ó. livr os .se nos Es tados U nidos a reforma do d ir eito à inti mid ade e à vida privada. in titu lado Right of pr ivacy . Belo Horizonte: Del Rey. 59. p. s ofrem li mit ações na própria lei 11 WARREN E BRANDEIS apud SAMPAIO.tops ” 1 1 . por exem plo. o novo s entido de proteção ju r íd ica não tinha as s ento em bas es fís icas . José Adércio Leite. tendo na verdade como fundamento a inviolabil idade da p er s o n alidade . em com por tam en tos ou m anias . 1998. O obj eto do Right of pr ivacy .8 2 . pois . atitu des ou n a s im ples apar ên cia pes s oal. des en h os . mes mo a proteção da dignidade da pes s oa humana atr av és de direitos da pers onalidade e do r ight of pr ivacy não s ão eles tid o s como direitos abs olutos . F otogr afias in s tan tân eas e em pr es as jorn alís ticas in vadir am o es paço s agr ado da vida dom és tica. Ver balm en te em con vers as . Os autores do artigo S amuel D ennis Warren e Louis D embitz B r an d eis apres entaram o novo direito através da evolução do C om m on L a w d iante da evolução dos eventos e da neces s idade de proteção das p ess o as . não tendo ainda por fundamento a propriedade ou a quebra d e co n trato. e n um er os os apar elh os m ecân icos am eaçam tor n ar r ealidade o vaticín io de “wh at is wh is per ed in th e clos et sh all be pr oclaim ed fr om th e h ous e. com o as de u m colecion ador de jóias ou de ou tr as coleções m ais extr avagan tes .. em expr ess ões faciais . as de aqu ecedor es ou de caldeir as . [.

2. s úditos e s ervidores e para tanto sua v id a er a expos ta ao público.. Lições de Direitos da Personalidade. in ter es s ava ao pú blico. As s im. ed. 13 14 CAMPOS. N es te s entido. etc. D epois . 1995. 9 . D io go Leite C ampos em s ua Obra Lições de D ir eito s da P ers onalidade 1 3 ao dis s ertar sobre o D ireito à Privacidad e es clar ece que na sociedad e ingles a do s éculo X VI quanto mais in f lu en te na sociedade e mais alto o grau de nobreza tanto mais p ú b lica era a vida des ta pess oa. m esm o s e n ão podiam s er m odificados . Diogo Leite.ps íquicos . tu do o qu e n ele er a com o h om em . as s u as idéias . o s eu poder . p. a exemplo de co mu n idad es indígenas . as r efeições . a su a capacidade de in flu en ciar a vida s ocial e política. es ta breve s íntes e his tórica demons tra a evolução do d ir eito à inti mid ade quando partiu da idéia de ele men to inerente ao d ir eito de propriedade até s er admitido na qualidade de direito au tô n o mo com s uas próprias definições . em que os v alores vigentes em cada época e lugar exercem influência sobre o in d iv íd uo.9 q u an d o se contrapõem a direitos de outras pes s oas e a interes s es so ciais relevantes . er am tes tem un h ados por um lar go nú m ero de pess oas . os s eu s s en tim en tos . dado qu e er a u m h om em qu e gover n ava. que em razão des s es valores te m a neces s idade de r es g u ar dar do conheci men to de outras pess oas os as pectos ma is p ar ticu lares de sua vida. O nobre da s ociedade ingles a tinha o dever de dar exemplo de v id a in fluenci ando s eus parentes . a nudez fazia parte dos cos tu mes . Ibidem. 96. 1 4 N aquela in timidade. os s eu s deitar e levan tar . época não havia a noção de privacidade e As s im co mo nas culturas primi tivas . p. dada a su a im por tân cia. Nada n ele er a pr ivado: as s u as qu alidades . o que não cau s av a nenhu m cons trangimento aos integrantes des tes grupos . O s s eu s vícios e vir tu des er am con dições do m al-es tar ou do bem -es tar do E s tado: er am con tr olados de per to. Tu do o qu e o s ober an o er a ou faz ia tin h a r elevân cia social. Coimbra: Coimbra. 96. toda a su a vida es tava aber ta ao pú blico: as s u as devoções . 3 Co n ceito A definição do conteúdo e di mens ão do direito à intimidade tem in ício a partir do es tudo dos fenômenos sócio. o par to da rain h a.

10 P or sua vez. 10 . enquanto que em P ortugal denomina. aonde foi concebida a doutrina das es feras s ão u tilizadas as s eguintes expres s ões pr ivats phär e . I.s e “ direito à p r o teção da inti mid ade da vida privada”. s egundo o M es tre Eds on F erreira da S ilva. Os valores de cada grupo em diferentes épocas determinam o q u e d eve ou não s er pres ervado do conheci men to alheio. 97. onde nos Es tados Unidos é conhecido pelo nome r ight of pr iva cy ou r ight to be alone . N a Es panha. N es te s entido. s endo es tes v alo r es a bas e obj etiva em que s e deve fundar a tutela j urídica da in timidade.s e e m der echo a la intim idad e der echo a la vid a pr ivada . 1998. citado por Eds on F erreira da S ilva. o círculo externo s eria abrangido pela es f er a privada s tr icto s ens u (p r ivats phär e). em que as dificuldades s e co n cen tram na definição do direito da intimidade e o s eu conteúdo. intim s phär e g eh er ms phär e. N a A lemanha. por s ua vez na Itália es te direito s e d is tin g ue em três categorias : dir itto alla r is er vatez z a e dir itto alla s egr etez z a ou al r is petto della vita pr ivata . vol. fala. várias expres s ões s ão utilizadas para identificar es te d ireito. Coimbra: Coimbra. surgem os proble mas das definições . ES F ER AS D A PR IV A C ID A D E Es fera privada s tr icto s ens u Es fera da intimidade Es fera do s egredo S egundo C os ta J únior. ao comentar as d iv is ões impos tas pela doutrina alemã. Inicialmen te. nos povos civili zados as pes s oas não s e s en tir iam bem cas o fos s em apres entadas às outras des pidas de s uas v es tes . 1 5 C os ta J únior. José de Oliveira. compr eendendo todos aq u eles aconteci me ntos que a pes s oa des ej a que não s e tornem do d o mín io público. alude a círculos concêntricos d a es f era da vida privada. Direito Civil: Teoria Geral. p. 15 ASCENSÃO. na F rança é conhecido como dr oit a la vie pr ivée ou dr oit a l’intim ité .

s e d ef in ição do que s ej a intimidad e. 1 6 D as várias tentativas de definição. con ta com apar elh os altam en te s ofis ticados 1 7 . apes ar da doutrina e juris prudência ameri cana utilizar em em lar g a es cala a expres s ão intimidad e. mes mo ass im. é tu do aqu ilo qu e n ão deve s er objeto do dir eito à in for m ação n em da cu r ios idade da sociedade m oder n a qu e. São Paulo: Oliveira Mendes.s e que apes ar da d if icu ldade de s e es tabelecer o conteúdo da intimidade é certo dizer da n eces s idade do homem ter um campo de sua vida proibido ao público. quando da ap licação do direito ao cas o concreto. 16 SWINDLER.11 A es fera da intimidade. s eria aquela em que somen te poucas pes s oas es tariam au to r izadas a particip ar. delineou que o “ direito à vida privada pode s er definido co mo o direito de viver a sua própria vida em is ola mento. Tais dificuldades voltam. Edson Ferreira da. Direito à Intimidade. ta mbém denominada de es fera da co n f iança.s e s aber o que real men te é res ervado à inti mid ade. Edson Ferreira da. verifica. 1998. 1998. p. não s e te m uma co mp le ta idéia de s ua repres entação. René Ariel. 35. ante a dificuldade de definir o co n teú do da intimidad e. tomando co mo exemp lo o D ireito dos Es tados Un id o s . S egundo R ené A riel D otti: [. têm preferido procla mar o direito. s endo aquelas que repres enta m uma relação d e f ami liar idade. 11 .. p.] gen er icam en te. William apud SILVA. g ar an tida pela res erva mental de cada pes s oa. Proteção da vida privada e liberdade de informação apud SILVA. Direito à Intimidade. No menor dos círculos es taria a es fera do s egredo. C ontudo. s em s er su b metido a uma publicidade que não provocou ou des ej ou”. as tentativas de uma boa As divers as legis lações . em s ua obra Pr oblem s of law in jo u r n a lis m . Willia m Sw indler. co m o o bj etiv o es pecial de pres ervar a mais intima camada do indivíduo. São Paulo: Oliveira Mendes. entre a es f er a privada e a íntima. deixando p ar a a juris prudência o preenchimento des te conteúdo. 34. N es te s entido.. 17 DOTTI. apes ar das divers as definições pers is ti ainda a d if icu ldade em deli mi tar a fronteira entre o público e o privado. B us ca. a vida pr ivada abr an ge todos os as pectos qu e por qu alqu er r az ão n ão gos tar íam os de ver cair no dom ín io pú blico. entre a es fera íntima e a es fera do s egredo. par a tan to.

As s im. o mes mo es tá s uj eito a limitaçõ es . vol. Direito à intimidade e à vida privada. que pode variar de in ten s idade em face das culturas . Direito Civil: Teoria Geral. em q u e a noção e o conteúdo do direito à intimidad e s e revela através d a n eces s idade de s ubtrair do conhecimento alheio. deve-s e concluir. ao es tabelecer o conteúdo do próprio direito. que a ma ior d if icu ldade de s e es tabelec er uma correta noção do que s ej a vida p r iv ad a. Proteção civil da intimidade apud SILVA. José de Oliveira. 1 8 Ora.” FERNANDES. Edson Ferreira da. I. 19 SAMPAIO.s e como uma caracterís t ica do direito à inti mid ade. 20 ASCENSÃO. o M es tre O liveira A s cenção ens ina que os d ir eito s de pers onalidade. p. as pectos da vida p r iv ad a. N es te s entido. so f r e m li mita ções intríns ecas e extríns ecas 2 0 .s e às variações de s eu conteúdo. res ultam da n eces s idade de conj ugação de determinados direitos com outras s itu açõ es també m protegidas . não r ep r es entando na realidade o s eu conteúdo. lugares e épocas . p.12 M as a neces s idade de proibir a invas ão à es fera ínti ma d emo n s tras . Belo Horizonte: Del Rey. As li mit ações intríns ecas dize m res peito aos li mit es d emar c ados pela lei. a definição de inti mi dade es tá ligada ao s ens o comu m ad q u ir ido em uma s ociedade em decorrênci a de deter min ada relação. 97. dos quais o direito à intimidade faz parte. 12 . independente de qualquer relação. por s ua vez. 18 “Concordamos com Milton Fernandes que esta garantia contra a curiosidade e a malícia. co n tr a todos . 4 L im ites ao d ireito à in tim id ad e O D ireito à intimidade apes ar de abs oluto não é ilimitado. Apes ar do direito à inti mid ade s er oponível er ga om nes . As limi taçõ es extríns ecas . 1998. São Paulo: Oliveira Mendes. es tá na mobil idade de s eu conteúdo. embora constitua característica da vida privada. Coimbra: Coimbra. N es te s entido. Direito à Intimidade. José Adércio Leite. Tais limita ções pode m ser obj eto de uma atuação legis lativ a o u p o r intervenção j udicial 1 9 . confor me a complex idade da vida s ocial. com certa precis ão. 383. 1998. longe está de constituir-lhe a essência. p 36. a noção de vida privada deve ter uma f lex ib ilidad e que pos s a ad equar. Milton. in tr o d uzidas pelo tempo. 1998.

] dir etam en te: atr avés de um a lei qu e in cida im ediatam en te sobr e o âm bito de pr oteção do dir eito à in tim idade. Os órgãos j uris dicionais atuam de duas formas para res tringir o d ir eito à inti mid ade: 13 . do exer cício das fun ções in s titu cion ais do M in is tér io Pú blico e da fis caliz ação con tábil.. o direito à inti mi dade não pode s er cons iderado tão ab s oluto que em conj ugação com outros direitos não poss a s er af as tad o.. inc. 4 . A res trição ao direito à inti mid ade. informa o art. p o d e s er de ordem direta ou indireta. nas hipótes es e na forma que a lei es tabelec er p ar a f ins de inves tigação cri mina l ou ins trução proces s ual penal”.. A s s im . p or ordem judicial. X II. pode h aver a perm is s ão legis lativa de qu ebr a de s igilo ban cár io.] in dir etam en te: a par tir da con form ação ou con cr etiz ação de ou tr o dir eito. ante a maior relev ância des te último direito em proteção da d ig n id ade humana. 5° . s alvo. s egundo Leite S ampaio. Tal é o cas o da r es er va da lei r es tr itiva da in violabilidade de com u n icação telefôn icas . N es te s entido.. [. 2 Po r in terven ção ju ris d icion al . pelo C on gr ess o Nacion al e Tr ibu n al de C on tas da Un ião. ou em defes a do interes s e público. [. em pr in cípio. os poderes e deveres que co mp õ e m o s eu conteúdo s ão demar cados pela lei. 4 . em n om e da s egur an ça e da m or alidade pú blica. fin an ceir a e or çam en tár ia da U n ião e das en tidades da adm in is tr ação D ir eita e In dir eta. de dados e das comunica ções telefônicas .13 Quanto ao direito à intimidade. de um a com petên cia ou bem con s titu cion al. des de qu e haja au tor iz ação cons titu cion al expr ess a n es s e s en tido. es tando s uj eitos aos limites i mpos tos por es ta mes ma lei. no últi mo cas o . A inti mi dade não pode s ofrer nenhuma res trição que não ten h a bas e legal fundada no princípio da legalid ade. da C ons tituição F ed er al: “ É inviolável o s igilo da corres pondência e das comunic ações teleg r áfic as . P or s ua vez. 1 Po r atu ação legis lativa. onde ninguém s er á o brigado a fazer ou deixar de fazer algu ma cois a s enão em virtude d e lei.

ou du r an te o dia.s e no direito de informar e no d ir eito de s er informado. contudo. pode-s e citar o conflito entre o direito d a p es s oa mant er em s igilo uma doença ter minal e a poss ibilidad e da d iv u lg ação e publicidad e des ta doença para s alvar. bem ou interes s es . b) Todos tê m direito a receber dos órgãos públicos informações de s eu interes s e particul ar ou de 14 .s e a liberdade d e in f o rma ção e o interes s e de produção j udicial da verdade. cabe ao juiz s olucionar os conflitos en v o lv endo direitos da pers onalidade. ponderando de forma prudente q u al d ireito deverá prevalecer. previa men te. da C ons tituição F ederal bras ileira. XI. des taca m. é o D ir eito a Liberdade de Imprens a. Outra li mita ção ao D ireito à intimidad e. devendo. s alvo em cas o de flagr an te delito ou d es as tr e.Autorizando medidas que derrogam os as pectos inerentes ao d ir eito à inti mid ade. 5º . ou par a pr es tar socor r o. 5º. . é encontrado no art. outras v id as . vej amos : “A cas a é as ilo in violável do in divídu o. ter por fundamento u ma b as e legal em que é autorizado ao órgão j uris dicional intervir e r es tr in gir o direito à inti mid ade com o obj etivo de cu mprir interes s e de maio r relevância.14 .Intervindo na s olução de conflitos entre o direito à in timidade e outro direito. quando dis ciplina: a) É ass egurado a todos o aces s o à informação e res guardado o s igilo da fonte. a título de exemplo. quando neces s ário ao exercício profis s ional(art. em conflito com outros direitos . O direito de s er informado vem dis pos to na C ons tituiç ão F ed er al de 1988. X IV ). D entre as várias limitaçõ es que podem sofrer o direito à in timidade. in c. 4 . A liberdade de imprens a agrega ele mentos funcionald emo crá ticos e coletivos dividindo. n in gu ém n ela poden do pen etr ar s em co ns en tim en to do m orador . por d eterm in ação ju dicial”. com prej uízo daquele. Tal procedi mento. A título de exemplo. A autorização par a med idas derrogatórias te m origem na p r ó p r ia natureza juris dicional. 3 Da lib erd ad e d e in form ação. P or outro lado. s uj eitas às mes mas condições de conta min ação. bas tante dis cutida.

para a defes a de direitos e es clareci me ntos de s ituações de interes s e pes s oal (art. o que deve ter relevo é a atitude invas ora que pode produzir no invas or res pons abilidade. devem ter j us tificat iva particular me nte s éria. res s alvadas aquelas cuj o s igilo s ej a impr es cindíve l à s egurança da s ociedade e do Es tado (art. que com o dis curs o do direito co letiv o de ser informado todo fato. 390. a natureza da união conj ugal.s e des protegido perante os ass alto s da liberdade de informa ção. tr atamento médi co ou s ubmis s ão à intervenção cirúrgica.b). tamb é m. s ob pena de res pons abilidade. preferências e g os to s s exuais . defeitos fís icos . p r ev alecer uma ou outra. Belo Horizonte: Del Rey. aconteci me nto ou s ituação co m r elev ân cia pública e efeito na vida comun itári a. filos óficas e religios as . O direito à intimidad e deve s er tomado a s ério. uma vez demons trada a atitude invas ora co m les ões à intimidade. relações famil iares e afetivas . opiniões políticas . Direito à intimidade e à vida privada. para de acordo com as circuns tânc ias de cada cas o. es te direito de conhecer e de informar não deve. As s im. D es ta forma. his tória amo r o s a e senti men tal. 5º . 5º . fatos ligados ao “es tado de saúde.dever de informar que s e r elaciona com um direito coletivo de conhecer. apes ar da prática jo r n alís tica demons trar o contrário. relações co nj u g ais ou extraconj ugais . recuperação d e u m es tado mórb ido. 15 . independentemen te do paga mento de taxas : b) a obtenção de certidões e m repartições públicas .15 interes s e coletivo ou geral. o invas or res ponderá na ordem civil e até cr imin al. des banca a garantia co n s titucional à res erva da intimidade. nes te s entido Leite S ampa io 2 1 aponta a neces s idade de dotar o direito à inti mid ade e a lib erdade de informaç ão de um mes mo nível de proteção. obj etiva 21 SAMPAIO. não interes s a que o invas or es tej a no exercício d e s u a liberdade de informar. O direito à intimidad e apres enta. 1998. S endo as s im. in clu in do o exercício da religios idade ou da prática de culto. H á na C ons tituição F ederal um direito. Leite S ampaio define que independente da v er acid ade dos fatos ou a correção das opiniões . s er definido como um direito ili mi tado. p. José Adércio Leite. que s erão pres tadas no prazo da lei. em ab s tr ato. X XX III). c) S ão a todos ass egurados . X XX IV . C ontudo. ap es ar do legíti mo exercício da liberdade de informar.

es critores . As s im.16 e r elevante r ev elad os ”. por não man if es t arem uma influênci a s ocial. Direito à intimidade e à vida privada. os dramas fami liares des tas pess oas ou as preferências s ex u ais de um político fogem do interes s e público. ele deve ter um es paço res ervado a s ua inti midad e. autos de p r o ces s o. o direito à inti mi dade. g u ias es pirituais . ante a influênci a que es tas pes s oas exercem na sociedade. não podendo s er fotografado. p. demons tra m. 393. patrocinado p o r d in heiro público. defes as orais em tribunais . há exceções em que deter min adas pes s oas têm u m co mporta me nto que excluem a ilicitude da invas ão da intimidade p ela impr ens a. 22 SAMPAIO. p. José Adércio Leite. s e os fatos forem públicos não há como prendê-los n o es p aço da res erva da inti mid ade. artis tas . s em perder a sua identidade. co n tu d o. Belo Horizonte: Del Rey. 23 Ibidem. 2 2 ao interes s e público para s erem inves tigados ou P or outro lado.s e na fronteira da inti mid ade com a n eces s idade de conhecimen to público dos as pectos particulares de d eter minada pes s oa que pos s am influenciar s ocialment e outras p ess o as . ou de um guia es piritual às cus tas de doações de f iéis 2 3 . ou como chefe político. candidatos a cargos eletivos . P or o u tr o lado. 390. tais como. A tes e de que es ta pes s oa pública não te m qualquer res erva d e in timidade para mi m parece s uperada. P es s oas que abertament e apres entam suas experiências p ess o ais . mes mo s endo uma p ess o a pública. entre outros . fazendo pres umir autorização ou cons entimento tácito para a expos ição da vida privada e íntima para uma amp liad a p latéia. Em via pública o in d iv íd uo també m deve es tar livre da identif icaç ão e obs ervação de um an ô n imo. quando em a mbient e p ú b lico é compri mi do. N es te s entido. a dificuldade regis tra. com relevante interes s e p ú b lico. P or fim. P or sua vez. 16 .s e ass untos privados . inquéritos policiais . 1998. a vida opulenta de um C hefe de Es tado. pois . dis tante dos s entidos coletivos . como me io de s e promover em diante das câmaras e man ch e tes de j ornais . o n d e determinadas pess oas exercem influência sobre uma certa co mu n idad e. além dos d is cu r s os nos corpos legis lativos deve m s er divulgados livremente q u an d o de interes s e público e quando não es tej am cobertos com o man to do s egredo de j us tiça. deve també m s er cons iderada a pes s oa envolvida. C ontudo. ao menos que não s ej a f acilment e identific ado e não es tej a em pri meiro plano na foto. a publicidad e dos atos proces s uais .

não vis ualizando u ma f o rma de reparação des te dano. s eparação d os cô nj uges . co mo d ef es a dos interes s es da pes s oa. in cis o X. que a intimidade é inviolável. 573 CC. em que. se abra janela. terraço ou varanda.17 As s im. ao contrário do que acontece co m a v io lação à honra que é de interes s e s ocial que deva s er res tabelecid a. ou sobre este deite goteiras. a menos de metro e meio do seu. as pes s oas públicas enquanto suas inti mid ades poss am in f lu en ciar uma deter minad a camada da sociedade. 155 do Código de Processo Civil Brasileiro. é confundida com o direito à h o n r a.s e sobre a defes a da inti mi dade. ao meu ver. mes mo quando s ej am verdadeiros . daí a pouca profundidade do es tudo de s eus as pectos que s ão p os to s de lado ante a valoração da honra. 5 O d ireito à in tim id ad e no B ras il Apes ar da C ons tituição F ederal de 1988 dis por em s eu artigo 5º . D aí que os Tribunais bras ileiros s ão raramen te provocados p ar a man ifes tar. terraço ou varanda a men o s de um metro e meio do imóvel vizinho 24. apes ar da falta de lei es pecífica. não há ainda a idéia na s ociedade de que a d iv u lg ação de s egredos íntimos . convers ão des ta em divórcio. A falta de legis lação própria quanto à intimidad e reflete na so cied ade que ainda não des pertou para a i mportânc ia da defes a da in timidade. A s ociedade não entende como ofens a à inti mid ade a r ev elação de s egredos íntimos quando verdadeiros .” 25 Art. é fácil encontrar in ú mer os dis pos itivos legais que utiliza m as pectos do direito à in timidade co mo o obj etivo de pres ervar o des envolvimento da p er s o n alidade na vida das pess oas . P or outro lado. As s im. filiação. 24 Art. bem como a daquele. não há no ordena mento ju r íd ico bras ileiro lei es pecífica que tutele a intimidade. ali men tos e guarda de men o r es 2 5 . ou se faça eirado. O C ódigo de P roces s o C ivil dis pôs quanto ao s egredo de ju s tiça nas ações que dizem res peito a cas amen to. A intimidad e em s i. ante a les ão da inti mid ade. p os s am repres entar uma ilici tude. C ontudo. “O proprietário pode embargar a construção de prédio que invada a área do seu. eirado. o C ódigo C ivil bras ileiro no Título D a P ropriedade co n d en a a cons trução em prédio de j anela. de uma forma geral. têm res tringido a su a in timidade na exata med ida do interes s e público. 17 .

diz r es peito à vida pr ivada do ofen dido e a divu lgação não foi m otivada em raz ão de in ter es s e pú blico. n ºs II e I V. 5. o C ó d ig o Tributário. a pr ova da ver dade. com dolo ou cu lpa. reconhecendo o direito à defes a da vida p r iv ad a como li mit e ao exercíc io da liberdade de informa ção. §1º N os cas os de calú n ia e difam ação. dá-s e r elev ân cia a lei n.250/67. reconhece o direito à in d en ização por danos mora is . A Lei de Imprens a. o C ódigo de P roces s o P enal. nes te s entido. 1º des ta lei define a liberdade de infor mação. no art. em O Es tatuto da C riança e do A doles cente. r es pon den do cada u m . 49 e §1º . por q u alqu er m eio. conhecida como Lei de Imprens a. o r ecebim en to e difu s ão de in form ações ou idéias . n os cas os pr evis tos n o ar tigo 16. o C ódigo C omercia l. quer regulando e res guardando as informações p r o f iss ionais e patri moni ais da pes s oa. difam ação ou in jú r ias . devendo. a violação de direitos têm dis pos itivo p r ó p r io. excepcion ada n o pr az o da con tes tação. II . o C ódigo P enal. des de qu e adm is s ível na for m a dos ar tigos 20 e 21. deve. a Lei de R egis tros P úblicos . exclu ír a a r es pon s abilidade civil. viola dir eito. salvo s e o fato im pu tado. N es te mes mo sentido. o C ódigo de D efes a d o C o ns umidor. correm s eg r ed o de j us tiça os atos qu e revelarem a inti mi dade das partes . contudo. M as não obs tante a exis tência de dis pos itivos na Lei de I mp r en s a em defes a do direito à privacidade. em bor a ver dadeir o.os dan os m or ais e m ater iais . A des crição de todos ess es dis pos itivos seria no mín imo can s ativa e pouco didática. por s er a p r imeir a lei a admit ir ind enização pelo dano moral e a res s alvar o r es p eito à vida privada. r ess alv ando a res pons abilidade civil por eventuais abus os . vej amos : Art. no ar tigo 18 e de calú n ia.s e por outro lado.os dan os m ater iais n os dem ais cas os . quer res tringindo a divulgação de infor mações in timas das pes s oas . pelos abus os qu e com eter . todos eles p os s uem em s eu texto dis pos itivos que vis am à proteção da pess oa e d e s ua inti mid ade. ou cau s a pr eju íz o a ou tr em . que dis põe: A qu ele qu e n o exer cício da liber dade de m anifes tação de pen s am en to e de in form ação.s e revelar que a 18 . fica obr igado a r epar ar : I . n os term os da lei.18 Os atos proces s uais s ão públicos . 1º É livr e a m an ifes tação do pen s am en to e a pr ocu r a. e s em depen dên cia de cen su r a. O art.

salvo em cas o d e flagran te d elito ou d es as tre. por s erem ilícitas . A rt. s alvo. o que torna a violação mais v antaj os a do que a reparação eventual. no art. as p rovas S endo ass i m. O D ireito à Inti midade é elevado a categoria de D ireito F u n d amenta l. nem a corres pondência in ter ceptad a ilicit amen te. n in gu ém p od en d o p en etrar sem con s en tim ento d o m orad or. de d ad os e das com un icações telef ôn icas . vez que a indenizaç ão por ato culpos o d o jo r n alis ta é limi tada a 20 s alários mínimos .. XI I – é in violável o s igilo d a corres p on d ên cia e das com un icações telegráf icas . C ontudo. N es te mes mo sentido. as s egur ado o dir eito à in den iz ação pelo dan o m ater ial ou m or al decor r en te de su a violação. da corres pondência e das comuni cações em geral. ou du ran te o d ia p or d eterm in ação jud icial. 5º . que o d ir eito à inti mid ade co meça a s e aperfeiçoar. 5º [. 5º [. no p roces s o.. n as h ip ótes es e na form a qu e a L ei es tab elece r p ara f in s d e in ves tigação crim in al ou in s tru ção p roces su al p en al. é a partir da C ons tituição F ederal de 1988. não podem s er admi tidas como prova as g r av ações clandes tin as de convers as privadas .] XI – a cas a é o as ilo in violável d o in d ivíd u o.. p or ord em ju d icial. ob tid as p or m eios ilícitos . P or s ua vez. s em au to r ização judicial. como r ep r es entação da paz e s oss ego da pess oa na qualidade de elemen to ess en cial a garantia da intimidade. n o ú ltim o cas o.. A rt. determinou que as provas obtidas com violação d a in ti midad e não s ão válidas . L VI – s ão in ad m iss íveis . X . a h on r a e a im agem das pes s oas . 19 . a vida pr ivada. ou p ara p res tar s ocorro. da C ons tituição F ederal. a inti mid ade da pess oa tamb ém é protegida por o u tr o s dis pos itivos cons tituciona is .] X – s ão in violáve is a in tim idade. a C ons tituição F ederal vis ando coibir a in v as ão da intimidade para o fim de produção de provas judiciais .19 r ef er id a lei tem um s entido de maior proteção à liberdade de impr ens a d o q u e a defes a da intimidad e. que trata m da inviolabil idade do d o mic ílio.

e o ju iz. a C ons tituiç ão F ederal ain d a impõ e ao s egredo de jus tiça para as ações que vis e m pres ervar a in timidade e o interes s e s ocial. no C ap ítu lo II. ou se d es tin arem a fins com erciais . o C ódigo C ivil B ras ileiro traz divers as in o v ações quanto à introdução do D ireito da P ers onalidade. repitas e q u e. p o u co dis pormos de decis ões afeitas à inti midad e. com ins trumen tos próprios de defes a cons agrados n a C o n s tituição. a maior parte delas u tiliza. ad otará as p rovid ên cias n ecess árias p ara im ped ir ou f azer ces s ar ato con trário a es ta norm a. ou a p u b licação. independente de reparação civil quanto ao d an o. a d ivu lgação d e es critos . a s eu req u erim en to e s em p reju ízo d a in d en ização qu e cou b er.s e do dano moral. D es ta forma. A rt. diante de divers os dis pos itivos cons tituciona is em d ef es a da intimidade. se lh e atin girem a hon ra. 6 D ecis ões d os T rib u n ais D emons trando a prática j urídica do direito à inti mi dade. a b oa fam a ou a res p eitab ilid ad e. L X –a lei s ó p od erá res trin gir a pu b licid ad e d os atos p roces su ais q u and o a d ef es a d a in tim id ad e ou o in teres s e s ocia l o exigir em . Apes ar das atuais inovações em defes a da intimidad e. 21– A vid a p rivad a da p es s oa natu ral é in violável. ou s e n eces s árias à adm in is tração d a jus tiça ou m anu ten ção d a ord em pú b lica. a req u erim en to do in teres s ad o. têm tomados as s eg u in tes decis ões : 20 . a trans m iss ão da p alavra. alg u n s Tribunais S uperiores e Tribunais de Es tado. A rt. es te direito é ainda p ouco defendido em noss os Tribunais . O C ódigo C ivil inova no tratamento do direito à inti mi dade ao co ns agrá. P or sua vez. do Livro das P es s oas . pode-s e concluir que a inti midad e foi elevada a d ir eito s ubj etivo. pois . a exp os ição ou a u tili zação d e im agem d e u m a p ess oa p od erão s er p roib id as . compondo nos artigos 20 e 21 d is p os itivos próprios em defes a da inti mi dade. 20– Salvo s e au tori zad as .20 Quanto aos atos p roces s uais em s i. para em via obliqua defender a inti mid ade.lo com direito subj etivo e ao mes mo tempo dis por os meio s de defes a des te direito.

Inves tigação cri minal. da CF de 1988. porque não s e compadec e com o preceito íns ito no art. A in. 577). 5º . 5º .863-1. O cas amento não confere a nenhum dos cônj uges o poder de interferên c ia no es paço livre de configuração da própria vida do outro. 8ª C . da CF : Inexis tência.u. uma vez que é incomp atíve l com o res peito à pers onalidade do outro cônj uge qualquer reconhecimento de poder de fis calização mar ita l. 6ª C .) II – S EP A RA Ç Ã O J UD IC IA L – F ita magnéti ca de convers ação telefônic a – P rova obtida clandes tina me nt e – P rodução inadmis s ível no proces s o judicial. j. 3ª C . onde a inti mid ade das pes s oas não pode s er violada – S egurança parcial me nte concedida. N ão prevalece.(M S nº 207. pp.A quebra do s igilo bancário não afronta o art.06.v. TJS P . X . 22.21 I – M AN D AD O D E S EGU R A N ÇA – Li minar – C onces s ão – P oss ibilid ade de divulgação de procedi men to judicial – D ivulgação do procedi men to permi tida – Liberdade de Imprens a. S ilva Wolff. 5º. X . que s ofre limi tações relativa me nt e a terceiros – P roces s o de s egredo de jus tiça.O 21 .407-8. j.C iv. contudo. Quebra. rel. 14.91. rel. 24. Nº 211. da C ons titui ção F ederal (P recedente: P et. I . X II e LV I.94) IV – EM EN TA : Inquérito. 5º .. TJ SP . D es .(A g.2. inad mis s ível s e torna a sua utili zação no proces s o j udicial. II . J os é Os ór io. da C ons tituição da R epública – Inviolabi lidade da vida privada mes mo em s e tratando de honra conj ugal – D ireito pers onalís s i mo – R ecurs o não provido.94. Agravo regi menta l. Afronta ao art. X e X II. rel. Evidenciado que a prova cons ubs tanciada em fita magnét ica de convers ação telefôni ca fora obtida clandes tin amen te.6. C ontraditório. 14. R T 687/1993. D es . A Lei só poderá res tringir a publicidad e dos atos proces s uais quando a defes a da intimidade ou o interes s e social o exigire m.139-140) III – P R OV A – S eparação judicial – J untada aos autos de fitas magn éti cas gravadas co m telefone mas da es pos a – Inadmis s ibilid ade – Exis tênci a de roman ce da es pos a co m amigo do cas al – Irrelevânci a – A rt. In. S igilo bancário. C os ta M ans o.508-1. X e XII. D es . j.X II e LV I. 332 do C P C (meios legais e mora lmen te legíti mos ) e des res peita os princípios cons titucion ais cons agrados pelo art. s em conheci men to de nenhum dos interlocutores .

des er do cidadão. 5º . R el. ass untos íntimos . A inviolab ilidad e des s e direito pers onalís s i mo. Lio C es ar S chimtt.R E136239.089. 17. M andado de S egurança vis ando a apreens ão de gravação clandes tina. inter alia). A norma vis a a pres ervação da aexis tim atio própria ou famili ar. A garantia cons titucion al s e amp lia para o núcleo familiar. Francis co R es ek.de-s er. III . R ecurs o não provido. “S TF . por interes s e de outre m ou do próprio Es tado. não caracter iza violação da inti mid ade ou privacidad e dos participant es do diálogo. D es . S ócio. j.90) V II – P ER ÍC IA M ÉD IC A – Não s e pode cons tranger pes s oas a s e s ubme tere m a exame de s eu órgãos genitais quando não des ej arem. Em MS nº 590. ade mais . D ecis ão 03/02/94. da C ons tituição da R epública. es tranhos à entidade famil iar. A só gravação de convers a familiar por pes s oa da própria fa míl ia. X .C iv. D ireito do s ócio.: D es . J TJ /S P -LEX – 158. a publicização do s eu j eito. p. un. R el. A ces s o à lis ta com nomes e endereços dos dema is as s ociados para remes s a de corres pondência. incluído no âmb ito do incis o X IV do referido dis pos itivo. ele abdica. A norma cons tituciona l cons agra direito que diz com a dignidade pess oal. incis o X .019. ins us cetível de s er obj eto de leilão.” (TJS P . da 5ª C . A norma cons titucion al veda o controle do modo. Indeferimento da limin ar em M andado de S egurança mant ido (A c. do indivíduo. invioláve is s uas reuniões .22 princípio do contraditório não prevalece na fas e inquis itória (H C F 55447 e H C 69372.4.: M in. Inexis tência de ofens a ao art. M es quita de P aula. P edido devidamen te j us tificado.A gravo regimen tal não provido. D eclaratória improced ente. valor pers onalís s i mo. A grInq 897/DF . 9ª C âmara C ivil. N o M omento em que o cidadão pas s a a fazer parte de uma as s ociação. com relação aos demais as s ociados . 5º. A C 218525-2/S ão P aulo. juntada aos autos de process o j udicial. mas negócios res tritos ao âmb ito fami liar. da privacidad e que é res guardada pela norma cons titucion al. D ecis ão: 23/11/94) V – EM EN TA : C lube. do direito do cidadão 22 . 23) V I – P R IV A C IDA D E – D ireito C ons tituciona l A rt. da C ons tituição da R epública. Tribunal P leno. TJ R S A gR g. prima facie. não envolvendo. por terceiros .

enci madas pela legenda “C omo os artis tas s e defende m da doença” e outra. A reparação do dano moral deve adotar a técnica do quantu m fixo.23 à intimidade. H avendo conflitânc ia entre o direito à intimidade e o direito à prova (due proces s of law ) deve prevalecer o que atenda ao interes s e ma ior. C ondenação de 1. é preceito cons titucion al (art. uma com man chete es ta mpada na capa.95) IX – DA N O MO R A L – Indenização – D ivulgação de notícia.10. da C F – V erba devida. 1ª C . X .11. por publicações feita pela revis ta A miga. M ilton N as cimento e C aetano V elos o” (A p. obteve autorizaç ão judicial – R ecurs o provido. tendo s us peita razoável s obre envolvimento no comérc io de drogas . da C F as s egura ao s er humano o direito de obs tar a intro mis s ão na s ua vida privada. incis o X . co m informa ção negativa do cantor e reproduzindo uma entrevis ta s ua. j .A . 5º. C rim. 3ª C .n. 30. O art. j. sob a manche te: “ A AID S de N ey M atogros s o. da C ons titui ção F ederal) (A I n. acerca de enfermid ade letal. fazendo referência aos doentes com A IDS na TV e na mús ic a. 5º. 185. 1º TA CS P . 5º . X.. e outra. rel. C arlos A lberto M enezes D ireito. pelos meios de comuni cação de mas s a.04. 27. TJ S P .901-3.91) 23 . D es . 2ª C . C rim. TJ R J . S ó o próprio paciente pode autorizar a divulgação de notícia s obre a sua saúde. rel. S egurado B ráz. 578. em favor do cantor N ey M atogros s o. inclus ive do cantor. incurável e trau mat izant e de que es taria acome tida a víti ma – violação dos direitos s ubj etivos privados acolhidos pelo art. rel. 19.94) V III – P RO V A C R IM INA L – Interceptação telefôni ca – A dmis s ibil idade – Inviolabilidad e do s igilo que não te m caráter abs oluto – A plicação do princípio da proporcionalidade – H ipótes e em que a P olícia. J. 3. n.500 s alários mín imos impos ta à empres a B loch Editores S . vale dizer ao interes s e da s ociedade (A P . com fotografias de divers os artis tas .059/91. Apelo provido. Juiz R odrigues de C arvalho. N ão é líci to aos me ios de comun icaçõ es de mas s a tornar pública a doença de quem quer que s ej a – ainda mais quando a notícia é bas eada apenas em boatos – pois tal informação es tá na es fera ética da pes s oa humana. à sua vida privada. dizendo res peito à sua inti mid ade.774-8.

s egundo os valores so ciais da cens ura e des aprovação de outras pess oas . fami liar ou profiss ional e até em res peito às idéias . pois . 24 . fato es te que pode s er revogado a qualquer tempo e d e f o r ma unilateral. contudo. o d ir eito à intim idade . e até porque certos mo d o s de vida podem s ofrer reprovação s ocial. As s im. não podendo s er obj eto d e alienação. pois . que vis am promover a equivalênc ia e o eq u ilíb rio das relações j urídicas e sociais . o s eu titular cons entir na divulgação d e su a intimidad e. S endo um direito abs oluto. A evolução do direito à inti midad e j á é fato cons umado em v ár io s país es da Europa e nos Es tados U nidos enquanto que no B ras il ain d a s e engatinha na idéia de que a inti mid ade é um direito com co n teú do próprio.24 Co n clu s ão O direito à inti mi dade. diferente do direito a honra. em defes a e proteção dos as pectos pes s oais da vida amo r o s a. es s encialmen te. a fim de evitar cons trangimentos e emb ar a ços é que a cons titui ção incluiu como direitos fundamen tais . mu it as vezes por vergonha de expor s ua fraquezas . os quais as pes s oas queiram man ter longe d o co nhecimento público. 1998. A intimidad e deve s er pres ervada ante a neces s idade das p ess o as de mantere m afas tad o do público aquilo que lhe é mais intimo. daí o s entimento de v er g o n ha que é des encadeado pela expectat iva. s exual. O direito à inti mi dade é indis ponível. s en timen tos e religios idades . podendo. e nes te s entido a inti mid ade s ofre li mi tações de ordem leg is lativa e j udicial. N es te s entido. não há direitos ilimit ados . 131. p. limitaçõ es de conheci men to e falta de habilidades . as normas cons tituciona is que es tab elece m os direitos e garantias fundamen tais da pes s oa human a. traz o s eguinte co n ceito : O dir eito à in tim idade con s is te n o poder ju r ídico de su btr air do con h ecim en to alh eio e de im pedir qu alqu er for m a de divu lgação de as pectos da n oss a exis tên cia qu e de acor do com os valor es s ociais vigen tes in ter es s a m anter s ob r es er va. aplicável er ga om nes . como direito da pers onalidade ad q u ir iu um lugar próprio no N ovo C ódigo C ivil. Eds on F erreira da S ilva 2 6 . não s e pode d izer que o direito à intimidad e é ili mi tado. 26 Silva. antes a sua tu tela tinha por bas e. imperfe ições .

inoltre. Coimbra: Coimbra. 294. orbene. ma ancre la sua você. o D ireito à in timidade cobre toda a exclus ão alheia do conheci me nto que tenham p o r r ef erência a pess oa por s i mes ma. 2 7 D aí que o N ovo C ódigo C ivil dis põe em s eu art. Tribunal Regional Federal da 1ª Região. ed. vol. pág. O Direito Geral da Personalidade.. José Afonso da. CAMPOS. São Paulo: Saraiva. ed. Dott. CUPIS. Ozéias J. Milano. 1998. 27 “ Il d i r i t t o a l l ’ i m m a g i n e c o s t i t u i s c e u m a m a n i f e s t a z i o n e c o s p i c u a D e l d i r i t t o a l l á riservatezza. Direito à intimidade e à vida privada. José Adércio Leite. Diogo Leite. BELTRÃO. I D ir itti D ella Per s onalitá . vale a dire l’insieme delle sua fallezze fisiche. José de Oliveira. 1999. ma non l’única. I Diritti Della Personalitá. São Paulo: Atlas. Dott. 1959. 1996. 1995. A G iuffrè – Editore. Coimbra: Coimbra. Abbiamo definito la riservatezza come quel modo di essere della persona il quale consiste nella esclusione dalla altrui conoscenza di quanto há riferimento allá persona medesina. M ilan o . SANTOS. Curso de Direito Constitucional Positivo. São Paulo: Lawbook. 21 a in v io labil idade da vida privada e a obrigação do Juiz a requeri men to d a p ar te interes s ada adotar as neces s árias providências para imped ir ou f azer cess ar os atos que les ionem es te direito. São Paulo: Malheiros. 11. Rabindrantah Valentino Aleixo Capelo. R ef erên cias ASCENSÃO. si riferiscono alla persona non solo la sua figura física. São Paulo: Oliveira Mendes. 2005. della sua vita. Direitos da Personalidade e o novo Código Civil. SILVA. A Constituição na Visão dos Tribunais. 1997. Coimbra. 25 . e. 2. Belo Horizonte: Del Rey. 1998. e lo sviluppo. 1959.25 S eguindo a orientaç ão de A driano de C upis . Adriano. A Giuffrè – Editore. SAMPAIO. SOUSA.” Adriano de Cupis. 1998. Direito Civil: Teoria Geral. I. Lições de Direitos da Personalidade. Direito à Intimidade. certi avvenimenti. Silvio Romero. SILVA. 1995. Edson Ferreira da. BRASIL. Lei de Imprensa Interpretada pelos Tribunais.