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1 UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLOGIA DEPARTAMENTO DE FÍSICA LABORATÓRIO DE FÍSICA C RELATÓRIO POLARIZAÇÃO DA LUZ SÃO CRISTÓVÃO - SE 15 DE JUNHO DE 2010 2 RELATÓRIO POLARIZAÇÃO DA LUZ REFERENTE À AULA PRÁTICA DE 08 DE JUNHO DE 2010 ALUNOS: Maria Daniella Santos Silva Renata Santos Seixas Samia Tássia Andrade Maciel Sharla Elizabete Nascimento Aragão Viviane Ferreira Santos TURMA: 104524-M3 PROF º. : William De Souza Santos SÃO CRISTÓVÃO - SE 15 DE JUNHO DE 2010 3 INTRODUÇÃO A teoria eletromagnética considera a luz, bem como todas as demais radiações eletromagnéticas, uma onda transversal, sendo as direções de vibração dos campos elétrico e magnético, perpendiculares à direção de propagação e não paralela a esta, como acontece com as ondas longitudinais. As ondas transversais, representadas na figura 1, possuem a característica adicional de serem plano-polarizadas. Figura 1 As fontes comuns de luz visível diferem das fontes de ondas de rádio e de microondas pelo fato dos radiadores elementares, isto é, os átomos e as moléculas agirem independentes entre si. A luz por eles emitida numa certa direção em trens de ondas independentes, cujos planos de vibração se acham distribuídos ao acaso em torno da direção de propagação, tal luz é não polarizada. A luz polarizada tem aplicações na Física Aplicada, na Engenharia e na Indústria. Nos cristais líquidos, a luz polarizada é uma importante ferramenta de investigação prática e teórica. As distribuições de tensões, em peças mecânicas, podem ser analisadas por meio de modelos transparentes colocados entre polarizadores cruzados. Quando se aplica um campo elétrico em certos líquidos, eles se tornam birrefringentes, o que permite utilizá-los como “válvulas de luz”, controlando, eletricamente, informações que podem ser conduzidas por fibras ópticas. Nesta experiência, examinam-se alguns aspectos dos fenômenos de polarização da luz. Para isso é necessário abordar alguns fundamentos básicos de eletromagnetismo. Não estão definidos os limites de abrangência do espectro eletromagnético. Suas manifestações alcançam desde ondas de rádio com ì na ordem de 6 10 m até raios 4 gama, com ì na ordem de 14 10 m ÷ . Apenas uma fração deste espectro é capaz de sensibilizar o olho humano ( ) -7 7 3 10 7 10 m m ì ÷ × s s × . A esta estreita faixa das ondas eletromagnéticas chamamos luz. É conveniente, por simplicidade, abstrair das discussões a existência do campo magnético e fazer do campo elétrico o centro da atenção dos fenômenos de polarização, ainda que, fenomenologicamente, eles sejam indissociáveis. A produção de ondas eletromagnéticas se faz por aceleração de cargas elétricas. Sob condições especiais pode-se fazer que as desacelerações das cargas produzam os campos elétricos em direções preferenciais de vibração, com estreito paralelismo entre si. Neste caso, diz-se que o espectro eletromagnético é polarizado. Quando não são tomados cuidados, e as desacelerações das cargas não obedecem a qualquer critério seletivo, o espectro produzido é constituído de campos elétricos, cujas orientações são casuais, não guardando qualquer correlação entre si. Este é o caso da luz natural ou não polarizada. Entre os cristais que ocorrem na natureza, alguns são altamente anisotrópicos à propagação da luz, no sentido de que podem ser mais transparentes às componentes da radiação que tenha seus vetores de campo elétrico oscilando numa certa direção do que em outra, por exemplo, que lhe seja perpendicular. Esse comportamento é uma função da estrutura do cristal, que é diferente segundo direções mutuamente ortogonais, numa delas sendo facilitada a absorção de energia da onda, e não na outra, na qual é facilitada a transmissão - direção fácil. A absorção se processa pelo fato de que, forçados pelo campo elétrico da onda, os íons do cristal, por ressonância, são induzidos a oscilar. Portanto, a anisotropia em questão está ligada às diferentes freqüências naturais de oscilação do cristal segundo aquelas direções. Os cristais que apresentam a propriedade de polarizar a luz são denominados dicróicos. Com forte dicroísmo pode-se citar, como exemplos, a turmalina, que é um cristal natural, e o polaróide, este um material artificial com a vantagem do baixo custo. Em 1938, Edwin H. Land descobriu um material, que denominou polaróide, que polariza a luz através da absorção seletiva por moléculas orientadas. Esse material é produzido a partir de folhas finas de hidrocarbonetos de cadeia longa, que são esticadas durante a manufatura de tal forma que as moléculas se alinham. Depois que uma folha é mergulhada em uma solução contendo iodo, as moléculas se tornam bons condutores elétrico. Contudo, a condução tem lugar principalmente ao longo das cadeias de 5 hidrocarbonetos, porque os elétrons de valência das moléculas podem deslocar-se facilmente apenas ao longo das cadeias. Como resultado, as moléculas facilmente absorvem a luz cujo vetor campo elétrico seja paralelo ao comprimento delas e transmitem a luz cujo vetor campo elétrico seja perpendicular ao seu comprimento (eixo de transmissão). Na Figura 2 tem-se uma fonte de luz não polarizada representada pelas direções aleatórias de vibração do campo elétrico. Se esta luz atravessar o polaróide, a vibração do campo elétrico terá uma direção característica determinada pelo polaróide, resultando em luz plano-polarizada. Figura 2 – Luz natural e Luz polarizada. Se for colocado um segundo polaróide no trajeto luminoso de uma luz plano- polarizada, este deixará passar apenas a componente do campo elétrico que vibra em sua direção característica de polarização. Se m E representa a amplitude da luz plano-polarizada, determinada pelo primeiro polaróide, denominado polarizador, a amplitude da luz transmitida pelo segundo polaróide, agora denominado analisador, será a componente de m E na direção de transmissão do analisador (Figura 3). 6 Figura 3 – Polarizador e Analisador. Caso este mesmo feixe, então polarizado, incida sobre outra amostra de material semelhante, não é difícil prever que, após atravessá-lo, terá uma intensidade que será função do ângulo entre o vetor campo elétrico da luz incidente e a direção fácil desta nova amostra do cristal. Sendo m E o módulo do vetor campo elétrico da onda incidente e u o ângulo entre este vetor e a direção fácil, a componente efetiva de campo que atravessará o cristal será ( ) cos m E u . Portanto, como a intensidade é proporcional ao quadrado da amplitude, tem-se que a intensidade do feixe emergente, I , será: ( ) 2 cos m I I u = (0.1) onde a constante de proporcionalidade, m I , depende da intensidade do feixe incidente. Esta é a expressão da denominada lei de Malus. Se for colocado um terceiro polaróide com o plano de polarização formando 90º com o primeiro (polarizador), a intensidade da luz emergente, obtida por duas aplicações sucessivas da Lei de Malus, será dada por: ( ) ( ) 2 cos cos 90 m I I u u = ÷ ( ¸ ¸ (0.2) Utilizando a relação trigonométrica: 7 ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) sin sin cos sin cos a b a b b a + = + (0.3) mostra-se que a equação (1.2) fica: ( ) 2 sin 2 4 m I I u = (0.4) Um dos métodos de obter luz plano-polarizada utiliza o fenômeno da reflexão. Quando a luz natural incide na superfície de um material refringente, observa-se que existe uma reflexão preferencial para as ondas em que o vetor campo elétrico vibra perpendicularmente ao plano de incidência, que é determinado pelo raio incidente e a normal à superfície. Para um determinado ângulo de incidência qp, denominado ângulo de polarização, observa-se que o feixe refletido é totalmente polarizado num plano perpendicular ao plano de incidência. Neste caso, o ângulo entre o feixe refletido e o feixe refratado é de 90º. O feixe refratado é parcialmente polarizado. Para um ângulo de incidência diferente do ângulo de polarização, tanto o feixe refletido como o refratado são parcialmente polarizados. Na Figura 4 tem-se luz não polarizada incidindo sobre um bloco de vidro, de índice de refração 2 n , com um ângulo de incidência p u . Como o feixe refratado é perpendicular ao feixe refletido: 90º r p u u + = (0.5) Por aplicação da lei de Snell: ( ) ( ) 1 2 sin sin p r n n u u = (0.6) Combinando as equações (1.5) e (1.6) resulta a Lei de Brewster: ( ) 2 21 1 tan p n n n u = = (0.7) 8 Figura 4 - Lei de Brewster O funcionamento dos óculos escuros e películas de insufilm baseiam-se fundamentalmente no bloqueio de certas polarizações da luz. Existem outras aplicações mais avançadas em fotografia, onde profissionais acoplam filtros polarizadores para barrar luz refletida de superfícies muito claras ou melhorar o contraste em superfícies onde ocorrem muito espalhamento e difusão dos raios de luz, como o céu, por exemplo. Os monitores LCD e telas de celulares ou outros portáteis também se baseiam em polarização para filtrar as cores mostradas. Se colocarmos outro polarizador na frente de uma tela destas (um óculos escuro, por exemplo) observaremos a queda na qualidade da imagem ou até bloqueio total da luz, dependendo do que a tela mostra. Polarização por refração A polarização pode ocorrer também pela refração da luz. Refração ocorre quando um feixe de luz passa de um material para outro. Na superfície dos dois materiais, o caminho do feixe muda de direção. O feixe refratado adquire certo grau de polarização. Na maioria das vezes, a polarização ocorre em um plano perpendicular à superfície. A polarização da luz refratada é freqüentemente demonstrada em uma aula de Física usando um cristal único, que serve como um cristal de dupla-refração. Ambos os feixes de luz refratados são polarizados - um em uma direção paralela à superfície e outra em uma direção perpendicular à superfície. Uma vez que estes dois raios refratados são polarizados com uma orientação perpendicular, um filtro polarizador pode ser usado para bloquear completamente uma das imagens. Se o eixo de polarização 9 do filtro está alinhado perpendicular ao plano da luz polarizada, a luz é completamente bloqueada pelo filtro. E se o filtro é então girado de 90 graus em qualquer direção, a segunda imagem reaparece e a primeira imagem desaparece. Agora isso é pura observação que nunca pôde ser observado se a luz não apresenta qualquer comportamento ondulatório. Polarização por espalhamento O fenômeno de absorção em reirradiação é chamado de espalhamento. O espalhamento pode ser demonstrando fazendo-se passar um feixe de luz através de um recipiente de água no qual uma pequena quantidade de leite em pó foi adicionada. As partículas de leite absorvem luz e a reirradiam, fazendo a luz ser visível. Do mesmo modo, feixes de laser podem se tornar visíveis pela introdução de partículas de pó ou fumaça no ar para espalhar a luz. Um exemplo é a luz das moléculas de ar, que tende a espalhar os curtos comprimentos de onda mais que os longos comprimentos de onda, e que dão ao céu sua cor azul. A polarização por espalhamento é considerado um espalhamento de moléculas como em uma antena elétrica dipolar, que irradia ondas com uma intensidade máxima nas direções perpendiculares ao eixo da antena. O vetor campo elétrico da luz espalhada perpendicular à direção de propagação está no plano do eixo da antena e do ponto no campo. Polarização por Birrefringência Birrefringência é um fenômeno complicado que ocorre na calcita e em outros cristais não-cúbicos e em alguns plásticos sob tensão, tal como o celofane. Muitos materiais são isotrópicos, isto é, a velocidade da luz passando através do material é a mesma em todas as direções. Por causa da sua estrutura atômica, materiais birrefringentes são anisotrópicos. A velocidade da luz depende do plano de polarização e da direção de propagação da luz. Quando um raio de luz incide sobre tais materiais, ela pode ser separada em dois raios chamados de raio ordinário e raio extraordinário. Esses raios são polarizados em direções mutuamente perpendiculares, e eles se deslocam com velocidades diferentes. Dependendo da orientação relativa do material e do feixe de luz incidente, os raios podem também se deslocar em direções diferentes. 10 OBJETIVO Estudar a variação da intensidade da luz que atravessa dois polarizadores, em função do ângulo formado pela orientação dos mesmos. MATERIAIS UTILIZADOS - Fonte de luz e sua alimentação; - Polarizadores; - Anteparo; - Fotodetector; - Multímetro; - Disco graduado; - Banco óptico; - Suportes para banco óptico. 11 PROCEDIMENTO EXPERIMENTAL Antes de tudo, foi feito o reconhecimento de cada parte da aparelhagem a ser utilizada. Instalaram-se dois polarizadores (polarizador e analisador) entre a fonte de luz e o anteparo, e entre o analisador e o anteparo colocaram-se a lâmina com orifício circular. Variou-se a orientação do ângulo em um polarizador, observando a intensidade da luz sobre o anteparo. RESULTADOS E DISCUSSÕES: Na presença do fotodetector, verificou-se que quando os polarizadores estão girados de um ângulo 0º graus, há uma maior intensidade de luz que incide sobre o fotodetector. Quando os polarizadores estão girados de um ângulo de 90º graus, teoricamente não haverá incidência de luz sobre o fotodetector. Foi verificado que quanto maior a intensidade de luz sobre o fotodetector, menor será a resistência sobre ele, e quanto menor a intensidade de luz sobre o fotodetector, maior será a resistência sobre ele. Com os dados calculados durante o experimento em sala de aula foi feita a tabela 1, mantendo a corrente fixa (I=1,1 V): 0º 12,6 V 10º 11,5 V 20º 9,8 V 30º 7,7 V 40º 5,4 V 50º 3,4 V 60º 1,8 V 70º 0,8 V 80º 0,5 V 90º 0,7 V Pode-se também determinar a equação (1.7), que também já foi verificada na introdução: 12 ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) 1 2 1 2 2 Quando , significa que o feixe refletido e totalmente polarizado. Usando a Lei de Snell-Descartes, temos: sin sin onde: 90º 90º logo: sin sin 90º sin 90º cos sin cos 90º i B r B t B t t B B B B B n n n n n u u u u u u u u u u u u u = = = + = = ÷ = ÷ = ÷ ( ) ( ) ( ) ( ) 2 1 2 2 1 cos sin cos tan B B B B n n n n n u u u u = ( ¸ ¸ = = Figura 5 - Reflexão de luz em ângulo de Brewster B u . O feixe refletido é totalmente polarizado. Onda plano-polarizada: a figura 1 e 6 representa uma onda plano-polarizada, isto é, todos os vetores E em todos os pontos do espaço pelos quais passa a onda são paralelos e estão no mesmo plano. O mesmo vale para os vetores B , que estão num plano perpendicular. Como os planos de vibração dos campos elétrico e magnético são 13 sempre perpendiculares, para caracterizar uma onda eletromagnética qualquer é usual especificar a direção do plano do campo elétrico e a direção de propagação da onda. Assim, define-se o plano de polarização de uma onda eletromagnética como o plano ao longo do qual oscila o campo elétrico. A luz proveniente de uma lâmpada incandescente, por exemplo, é não polarizada já que consiste de um grande número de ondas, cada uma vibrando segundo uma direção aleatória. Figura 6 - Vetores campo elétrico e campo magnético de uma onda eletromagnética plano-polarizada. Onda circularmente polarizada: neste caso a direção do campo elétrico vai mudando ciclicamente no espaço e no tempo. O vetor campo elétrico vai girando conforme a figura 7. A onda pode ser polarizada circularmente à direita, ou seja, quando o fim do vetor campo elétrico (se a luz vem em nossa direção) circula no sentido anti- horário; ou pode ser polarizada circularmente à esquerda, ou seja, quando o fim do vetor campo elétrico (se a luz vem em nossa direção) circula no sentido horário. 14 Figura 7 – Onda eletromagnética circularmente polarizada. Onda elipticamente polarizada: neste caso a direção do campo elétrico vai mudando ciclicamente no espaço e no tempo. A polarização circular é um caso particular de polarização elíptica onde o vetor campo elétrico, e x y E E , em fase e quadratura são iguais e a defasagem u é igual a ±90º. A polarização elíptica é quando x y E E = . A figura 8 abaixo mostra uma onda elipticamente polarizada. Figura 8 – Ondas plano-polarizada, elipticamente polarizada e circularmente polarizada. 15 Podemos também determinar o ângulo que deve ser girado o polarizador para que a intensidade se reduza a metade. Pela equação (1.1): ( ) ( ) ( ) ( ) 2 2 2 cos cos 2 1 1 cos cos 2 2 1 arccos 45º 2 m m m I I I I u u u u u = = = ÷ = | | = = | | \ . CONCLUSÃO REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS - AZEVEDO, Luiz Gonzaga de, VALÉRIO, Mário Ernesto Giroldo, MACEDO, Zélia Soares. Laboratório de Física C – Caderno de Experiências. Aracaju-SE. Versão 2005-02. - Como nós sabemos a luz se comporta como uma onda? - Polarização. The Physics Classroom. Site: http://www.physicsclassroom.com/class/light/u12l1e.cfm. Acesso dia 10 de junho de 2010, às 16h42min. - Criptografia Quântica - Polarização da Luz. Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2007. Site: http://www.gta.ufrj.br/grad/07_1/quantica/PolarizaodaLuz.html. Acesso dia 10 de junho de 2010, às 16h21min. - HALLIDAY, David, RESNICK, Robert & KRANE, Kenneth S. Física 4. 4 a edição. Rio de Janeiro: LTC Editora, 1996; - SERWAY, Raymond A., JR.,John W. Jewett. Princípios de Física 4. Óptica e Física Moderna. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2004.