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Universidade de Brasília Centro de Pesquisa e Pós-Graduação sobre as Américas - CEPPAC Processos de Desenvolvimento nas Américas Professores Danilo

Nolasco Marinho e Moisés Balestro 2º Semestre de 2011 ___________________________________________________________________________ Fichamento de Introduction to Varieties of Capitalism - Hall e Soskice. 2001. Os esforços teóricos e analíticos de Hall e outros que vem desenvolvendo a agenda de pesquisa das “Variedades de Capitalismo” (VoC) se inserem num movimento, vivido pela Economia Política e pela Ciência Política nas últimas décadas, de recuperação do papel das instituições e da história nos modelos analíticos e explicativos da economia e da sociedade como um todo. Além do movimento de integração de variáveis econômicas e políticas nesses modelos. A abordagem das variedades de capitalismo (VoC) é desafiadora das abordagens dominantes, especialmente ao confrontar a ideia clássica da convergência institucional (que já estava em Smith e em Marx) com a expansão e consolidação do capitalismo pelo mundo. A construção da abordagem das VoC parte da negativa da tese neoliberal da inexorável convergência institucional supostamente promovida pelas economias capitalistas nas democracias liberais. Na mesma época em que a democracia começava a ser compreendida como dividida em subespécies institucionais Hall e Soskice começaram a investigar a mesma perspectiva de subespécies institucionais na trajetória histórica e na atualidade do sistema capitalista. A abordagem tenta superar 3 perspectivas dominantes sobre variação institucional que dominaram os estudos comparativos sobre o capitalismo nos últimos 30 anos: as abordagens da modernização (estruturas institucionais que aumentaram capacidade dos Estados sobre o setor privado), neocorporativista (capacidade do Estado de negociar acordos duráveis entre empresários e sindicatos de trabalhadores) e a abordagem do sistema social de produção (com maior atenção ao comportamento das empresas face às transformações tecnológicas e produtivas). A divergência fundamental das VoC com esses enfoques refere-se à concepção de como o comportamento é afetado pelas instituições mediante a interação estratégica dos atores econômicos. Procuram, assim modelar os relacionamentos chaves na economia política em termos de teoria dos jogos, focando como os tipos de instituições alteram os resultados dessas interações estratégicas e fazendo uma ponte entre os estudos sobre negócios e de economia política comparativa. Centralidade da empresa (firma) na análise!!! E visão relacional da firma, em 5 esferas de competência/coordenação: relações industriais, vocacionais/educacionais, governança corporativa, inter-firmas e com os próprios empregados. 2 tipos ideais de trajetórias e de equilíbrios/ambientes institucionais no capitalismo dos países desenvolvidos: as economias liberais de mercado (ELM) e as economias coordenadas de mercado (ECM).

produzem políticas e resultados econômicos diferentes. na maioria das vezes em diferentes graus de combinações. diferentemente da análise econômica tradicional. Daí a tendência dos países a se especializarem nos setores econômicos mais eficientes. 2 . em vista do respectivo ambiente institucional. as mais importantes instituições do capitalismo são mutuamente complementares. Assim. do que derivam diferentes tipos de comportamentos das empresas e padrões de investimento. a efetividade de uma instituição depende das características de outras com as quais interage. As economias liberais de mercado (ELM) repousam em relações contratuais. sua análise histórica resulta na constatação da existência de basicamente dois tipos dominantes de combinações institucionais: as economias liberais de mercado (ELM) e as economias coordenadas de mercado (ECM). Aqui se pode fazer uma aproximação da abordagem das VoC com o weberianismo clássico. explica porque não é possível encontrar ao longo da história qualquer tipo de combinação institucional. enquanto que nas ECM prevalecem relações não mercantis de colaboração e de compromisso entre empresas e demais agentes econômicos. as ELM possuem mercados de capital e de trabalho fluidos e livres de regulamentações. em seu processo de interação. no sentido de induzirem-se e emularem-se mutuamente. com relações competitivas entre empresas e formação de preços exclusivamente pela sinalização de oferta e demanda. Ou seja. tendo na livre mobilidade desses investimentos o maior seguro contra os riscos do mercado. Essa densa rede de instituições. para a abordagem das VoC. Já as economias coordenadas de mercado (ECM) baseiam-se em formas estratégicas de coordenação. Aqui. por exemplo). segundo a abordagem das VoC. liga-se à ideia da complementaridade institucional: as instituições devem ser compreendidas e avaliadas em suas relações com outras instituições. Esse conceito de complementaridade institucional é que. uma vez que raramente serão identificados em algum lugar em estado “puro” e. as diferentes lógicas das ELM e das ECM criam diferentes incentivos para os agentes econômicos (um ambiente institucional distinto) que. onde empresas e trabalhadores investem prioritariamente em determinados segmentos econômicos e criam instituições para proteger esses investimentos. por sua vez. portanto. em busca de vantagens comparativas. na abordagem das VoC. ocorrem. a comportamentos mais eficientes. De fato. as empresas são encaradas como institucionalmente inseridas numa rede relacional portadora de complementaridades responsáveis por vantagens competitivas dos países. mas tão somente aquelas em que tal complementaridade se dá. Para esses autores.As empresas atuantes nestes dois tipos de sistemas não operam num mesmo mercado (de trabalho ou de capital. a ponto de os próprios autores das VoC classificarem muitos países numa categoria mista. de fato. seguro contra riscos e cumprimento de contratos. Em linhas gerais. as instituições econômicas são formadas para ajudar empresas e demais agentes econômicos a otimizar o uso de seus próprios recursos econômicos e a condição para o funcionamento eficiente de uma economia é a existência de uma densa rede de instituições que disponibilizem informação. em que a competição livre encoraja os agentes econômicos a fazerem investimentos diversificados. na medida em que esses dois modelos de combinações institucionais do capitalismo assemelham-se a tipos ideais weberianos.

. especialmente no que respeita à recuperação do papel das instituições e da história nos modelos analíticos e explicativos da economia e da sociedade...... 2009)..... e de como política e economia condicionam-se mutuamente. a conceituação da relação entre instituição e indivíduo como condicionada por modelos normalizados de comportamento. incorporando na análise as classes sociais e pontos de conflitos sistêmicos (Hancké... o foco central da análise das VoC são as empresas. vistas como principais agentes econômicos... de como os arranjos econômicos influenciam as escolhas políticas os sistemas eleitorais e seus efeitos distributivos. Aliás.. 3 . As VoC enfatizam os ambientes e as complementaridades institucionais. bem como as tendências à especialização produtiva voltadas à obtenção de vantagens comparativas.... Essa é. 1985). por exemplo. Ressaltaram ainda mais a importância da política. a ênfase nas relações assimétricas de poder associadas ao funcionamento das instituições (VoC) e a importância dada às relações entre instituições e idéias e crenças.... muitos críticos das VoC têm questionado a atenção quase exclusiva dessa abordagem ao capital... .... Todavia.. em detrimento do trabalho e do Estado. além do movimento de integração de variáveis econômicas e políticas nesses modelos. Hall e Soskice apontaram várias incompreensões e aproveitaram para esclarecer e fazer algumas revisões em seus próprios pontos de vista.As VoC partem da nova economia institucional.. Agregue-se a isso... Outra crítica é de que os autores das VoC limitam-se a uma interpretação descritiva e classificatória da trajetória e dos modelos de capitalismo atualmente existentes (= tipologia não explicativa). Dialogando com essas críticas. Daí que. a principal crítica dirigida às VoC pelos envolvidos no empreendimento teórico-metodológico do “Bringing the State Back In” (Skocpol. .