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TEXTOS E TUTORIA http://www.revistaconecta.

com/ Conect@ - número 2 - setembro/2000 AVALIAR NA CIBERCULTURA Andrea Cecilia Ramal Pesquisadora do Centro Pedagógico Pedro Arrupe Autora de Histórias de gente que ensina e aprende Doutora em Educação - PUC-RJ Diretora da Instructional Design. Leia outros textos da autora Comentários de Claudia M.V. Pereira Dê sua opinião! Estamos em 2069, num ambiente de estudo e pesquisa, antigamente chamado de “sala de aula”. Os aprendizes têm entre 12 e 16 anos e conversam com o dinamizador da inteligência coletiva do grupo, uma figura que em outras décadas já foi conhecida como “professor”. Eles estão levantando e confrontando dados sobre os Centros de Cultura e Saberes Humanos (ou, como diziam antes, as “escolas”) ao longo dos tempos. Admirados, não conseguem conceber como funcionava no século passado, um ensino que reunia os jovens não em função dos seus interesses ou temas de pesquisa, mas simplesmente por idades. O orientador de estudos lhes fala da avaliação: ela classificava os alunos por números ou notas segundo seu desempenho e em função disso eles eram ou não “aprovados” para o nível seguinte. Os aprendizes ficam cada vez mais surpresos. Como determinar “níveis de ensino?” Como catalogar “fases de conhecimento?” O que seriam “etapas” escolares? Em que nó da rede curricular eles se baseavam para fundamentar isso? A surpresa maior se dá quando descobrem que essas avaliações ou “provas” eram aplicadas a todos os estudantes do grupo. A MESMA PROVA? - espantam-se todos. Não conseguem conceber uma situação em que todos tivessem que saber exatamente os mesmos conteúdos, definidos por outra pessoa, no mesmo dia e hora marcados. “Eles não ficavam angustiados?“ –comenta um aprendiz com outro. Os jovens tentam se imaginar naquela época: recebendo um conjunto de questões a resolver, de memória e sem consulta, isolados das equipes de trabalho, sem partilha nem construção coletiva. Os problemas em geral não eram da vida prática, e sim coisas que eles só iriam utilizar em determinadas profissões, anos mais tarde. Imaginando a cena, os aprendizes começam a sentir uma espécie de angústia, tensão, até mesmo medo do fracasso, pânico de ficar na mesma série, de ser excluído da escola… “Assim eu não ia querer estudar”, diz um deles, expressando o que todos já experimentam...Mas em seguida, envolvidos por outros temas da pesquisa, o grupo inicia uma nova discussão ainda mais interessante, e todos afastam definitivamente da cabeça aquele estranho pensamento. A cena que proponho transcorre em 2069. Este é o único dado que me parece fictício, porque creio que essa mudança na escola realmente ocorrerá. Pode ser mais tarde, ou mesmo muito antes. O tempo depende de nós que estamos nas escolas, da abertura de visão das instâncias governamentais de supervisão escolar e das políticas públicas de investimento numa reforma educativa, mas, de qualquer forma, as práticas escolares tradicionais não vão poder se sustentar na cibercultura (ver nota 1). As novas formas de escrever, ler e lidar com o conhecimento integram uma nova ecologia cognitiva: maneiras diferentes de pensar e de aprender. Conheceremos também outras formas de ensinar, de organizar a escola e, é claro, de avaliar. Uma das mudanças será a ênfase que passará a ser colocada, juntamente com os produtos ou resultados, nos processos. Será tão importante verificar a que respostas o aluno chegou quanto saber os caminhos utilizados para isso. Porque os percursos dizem muito mais sobre o desenvolvimento de habilidades e competências do que as respostas. Por exemplo, em matemática, uma equação memorizada pode levar a uma solução, mas nada diz sobre o quanto o aluno foi criativo ou sobre o modo como articulou saberes no seu raciocínio. Isso se vincula com uma nova relação com o erro. Na época da caneta-tinteiro, o erro era algo abominável. Errar significava refazer toda a página. A outra opção era um trabalho sujo e mal visto por todos. O que os líquidos

encontrar informações necessárias para sua pesquisa em meio à infinidade de sites. que tratava os conteúdos em escala industrial. Aproximando-nos da versão final de um texto. capacidade de articular conhecimentos. indica 4. então. resistissem a fazer rascunhos. Quem acha que isso é pouco não deve ainda ter experimentado procurar algo na Internet. podemos observar. comparar. em pouco tempo. A resposta. Acompanhava-os pelos monitores: o modo como planejavam (ou não) seu texto. como leitor-autor. jornais e canais de tv. Uma época em que o aluno não tinha facilidade de acesso aos saberes. ao menos enquanto capacidade confinada ao cérebro humano. um momento privilegiado para avaliar será o processo de produção do texto. o monitor é o próprio esboço. E na deles? Continuando no exemplo da redação. são pauta de nossos encontros pedagógicos do próximo milênio. remetendo apenas aos produtos. Tento delimitar melhor meu interesse: palavras-chaves avaliação e escola. envolvimento. e o professor era o único responsável por transmiti-los. Neste exato momento em que escrevo o artigo. hoje busca-se a eficácia – produzir aquilo que é necessário. no modelo do just in time learning a avaliação escolar deverá se tornar uma verificação não da memória do aluno. Isso ajudará a preparar o cidadão da era do ciberespaço: como a matéria-prima da produção será a informação. As tecnologias intelectuais do nosso momento histórico relativizam a importância da memória. seremos responsáveis por formar alunos que possam otimizar os próprios processos de construção do conhecimento. um ser consciente e crítico. além de economizar tempo e garantir a qualidade visual. sujeito da comunicação e do processo cognitivo. portanto. habituados ao monitor. para dar um exemplo. que envolvem desde o refinamento e a otimização das buscas até questões éticas. performance. É o modelo do just in time. A crescente produção e disponibilização de informações nos leva à idéia de que a sala de aula organizada por idades ou por níveis homogêneos de escolaridade já cumpriu o seu papel. o que é mais adequado? Todas as informações serão atuais. mas estar pronto para consegui-la e assimilá-la quando necessário. Desde já sabemos que é ineficaz percorrer todas as referências sugeridas para buscar o que queremos ou comparar os dados. Já pude vivenciar algo disso quando lecionava Língua Portuguesa e levava meus alunos ao laboratório de computação. Se avaliar é atribuir valor. Não é de espantar que. que tem sua correlação no just in time learning – não é necessário acumular informação. abro uma janela na Web e uso a ferramenta de busca Alta Vista. O acesso às informações dentro. Mas as melhores avaliações parecem-me sempre as que não valem nota. Leitura e escrita ganharam uma tecnologia intelectual que potencializa nossas capacidades. um desenho ou qualquer outra produção multimídia. medir a qualidade de processos abrangentes. buscava-se o padrão de eficiência – produzir mais em menos tempo. mudar. redimensionar – é a aprendizagem por simulação.625 páginas em português. nas quantidades ideais. e hoje um saber vale especialmente por sua utilidade e eficácia em função de propósitos e objetivos dos sujeitos em cada circunstância. ele deverá ser um profissional capaz de aprender sempre. Agora. mas sim de suas condições para.700 páginas respectivamente. Na nossa escola. e os conteúdos da formação inicial se tornarão rapidamente obsoletos. Forneço a palavra-chave avaliação em inglês. livros.496. Aprendemos no ensaio e erro. social e política. motivação. a partir de critérios como consistência. 1995). adolescentes de 15 anos. ou mesmo verdadeiras? As novas formas de lidar com o conhecimento disponível. Não é preciso armazenar saberes: suportes digitais externos podem fazer isso por nós. além de interesses bem definidos. Hoje já temos diferentes bagagens culturais na sala. de comunicar-se e estabelecer relações. Ela corresponde a uma escola massificadora. Na escola das próximas décadas. empreendedor e criativo para administrar sua carreira e sua vida pessoal.340 páginas em inglês e 564. Paradoxalmente. podemos conhecer nosso trabalho antes de vê-lo impresso. um trabalhador que utiliza as tecnologias da era da informação tem uma produtividade 45 vezes maior do que a de outro de 120 anos atrás. para que nosso intelecto fique disponível para funções mais importantes e decisivas.894 e 107. meus alunos de redação. Avaliar será. depois em português. previsibilidade. Considero que essas foram as melhores avaliações que fiz dos desempenhos e habilidades na produção textual dos meus estudantes. o tempo que alguns dedicavam a trabalhar numa frase e até mesmo os instantes de dúvida ou dispersão. o mesmo para todos simultaneamente. Como encontrar. As notas raramente conseguem expressar e descrever processos. que saiba trabalhar de forma cooperativa e que seja flexível. e .corretores apenas sugeriram acontece plenamente no monitor dos computadores. Antes. que dialogue com as diferentes culturas e os diversos saberes.222. como dizemos. Segundo uma pesquisa de Peter Drucker (apud Tapscott e Caston. as referências aumentam: agora temos 5. selecionar o que é relevante e pertinente e utilizar esses dados gerando novos conhecimentos a serviço dos demais. quase imediata. escrever era algo ligado ao papel. É claro que isso não valia nota.

Talvez estejamos chegando à forma de leitura e escrita mais próxima do nosso esquema mental: assim como pensamos em hipertexto. O esquema da escada não nos serve mais: prefiro o esquema curricular da rede. com saberes em constante (re)construção). em lugar da visão do conhecimento. Isso se afina com o ensino por projetos. O hipertexto digital. nova forma de escrita e de comunicação da sociedade informático-mediática. ou da própria sociedade como estrutura. desenvolver competências. O modelo hipertextual de simultaneidade e não linearidade precisa chegar à escola. é também uma espécie de metáfora que vale para as outras dimensões da realidade. Por isso. O hipertexto me parece uma expressão da experiência de fragmentação da contemporaneidade. a idéia é permitir que o conhecimento seja buscado e construído pelos alunos. como seleção de informação e articulação de saberes interdisciplinares. visões de mundo. é preciso que sua formação passe a ter maior ênfase em psicologia e ecologia cognitivas. gerando novos discursos. os pontos podem se interconectar. de modo multidisciplinar. Os grupos surgirão. habilidades. como no hipertexto. Em vez de verificar a assimilação de conteúdos. sem limites para a imaginação a cada novo sentido dado a uma palavra. não mais em páginas. . links e redes.principalmente. fazendo links que vão nos associar a outros textos. deste modo. tentando transpor a metáfora do hipertexto para a realidade escolar. em vez de acumular dados no arquivo mental. que pressupõem etapas a serem vencidas. pode ajudar a desenvolver a capacidade de aprender continuamente. Quanto ao professor. É uma prática que visa ao desenvolvimento das capacidades de socialização e de aprendizagem cooperativa formando o espírito de pesquisa. em currículos seqüenciais e lineares. hierarquia. ele deverá detectar acertos e deficiências nos processos de pesquisa. o eixo da avaliação também se desloca totalmente. teríamos a concepção de descentramento – uma infinidade de termos e pontos que não estão acabados. Sua linguagem é uma tecnologia intelectual que tem influência na estruturação dos nossos modos de expressão e na maneira de organizarmos o pensamento. outros fragmentos. assim como o hipertexto em si como mediação para a produção. nem conteúdos mais importantes. e a educação precisa ser personalizada. já que supões diversos processos cognitivos além da memorização de conteúdos. concebido há muito por John Dewey e retomado hoje por educadores como Fernando Hernández.cit. aumentando a iniciativa dos alunos e. Em outras ocasiões tenho falado de currículo em rede. em função de parcerias e projetos comuns. heterogeneidade(os nós da rede são compostos por diversos conteúdos. fora da escola. na qual. a partir de pesquisas pessoais e coletivas. Usará as informações dessa avaliação como dados de contexto. Todas as trajetórias são individuais. linearidade por outros de multilinearidade. Nessa linha. construímos nossa vida abrindo janelas. torna ingênua a tentativa de estabelecer planejamentos rígidos e esquemas antecipados de aprendizagem. para adequar cada vez mais os processos aos alunos. dando forma a sempre novas paisagens). substituindo sistemas conceituais fundados nas idéias de margens. mas nós da rede curricular igualmente funcionais e multiconectados.) poderíamos dizer que o currículo em rede funcionaria segundo os princípios de metamorfose (transformando-se ininterruptamente. mas em contínua (re)produção e negociação de sentidos e informações. E o que será aprender? Será. Com objetivos pertinentes e temas voltados para a vida cotidiana. mas em dimensões superpostas que se interpenetram e que podemos compor e recompor a cada leitura. Fazendo uma analogia com os princípios do hipertexto na caracterização de Pierre Lévy (op. mas todo o seu funcionamento depende de um diálogo permanente com o exterior) e mobilidade dos centros(não há um único centro. e com várias formas de conexão). Para George Landow (1997). Considero que a internalização por parte do sujeito dos aspectos formais do hipertexto. procedimentos. pré-requisitos que funcionam como degraus. nós. do saber. posturas de vida e de trabalho (ver nota 2). formados a partir da complementação de competências para a aprendizagem cooperativa. também navegamos nas múltiplas vias que o novo texto nos abre. que são acionados conforme as circunstâncias. a recepção e a significação do conhecimento se vincula às novas formas de aprender em nosso mundo. dividida em múltiplos pontos de uma rede na qual novas conexões surgem conforme a necessidade. Sua função mais necessária na escola do próximo milênio será traçar as estratégias. o ensino por projetos tem mais chances de construir aprendizagem significativa. Não é mais possível continuar organizando os saberes de maneira fragmentada. ajudando-os a aprender de outras formas. outras idéias. Escrevemos e lemos. entre outros. exterioridade(o esquema curricular não constitui uma unidade orgânica isolada. numa permuta sem regras fixas e sempre aberta a construções diferentes. quando orientado por um professor bem preparado. ajudar a definir passos e dimensões de pesquisa.

ou porque desconfia que um dia os conteúdos serão úteis. Uma empresa comercial trabalha em função da satisfação do consumidor. será concedido. com a intenção de elevar o potencial coletivo dos grupos. uma produtora de vídeos deseja o sucesso junto aos espectadores. o trabalho. trabalham com um objetivo que. trabalhando juntos e felizes. na qual o aluno perceba que ele é o principal interessado em verificar o quanto rendeu seu estudo e como pode aprimorar as estratégias de construção do saber. de modos de pensamento e de valores que se desenvolvem juntamente com o crescimento do ciberespaço”. na cibercultura a nota pode deixar de existir. o carpe diem que todos nós buscamos. tais como o tema das desigualdades e da exclusão. Deverá ser uma escola com outras motivações. todos os seres humanos. Notas 1. Os alunos não são orientados para a elaboração dos próprios planos de estudo interdisciplinares.5 para “passar de ano”. fonte de injustiças e de contradições. e aprender seja algo imprescindível na consciência de futuros cidadãos que desejam se aprimorar e colocar o conhecimento a serviço da comunidade. O aluno sabe complemento nominal e adjunto. Várias empresas têm utilizado esse programa. faz tanto sentido a ponto de mover suas vidas. Temos seres mais críticos. exigem um currículo amplo. Entendo o termo cibercultura a partir da definição de Pierre Lévy (1999. de uma sala de aula.Não é possível pensar em formação da autonomia dos estudantes com aulas estruturadas sobre um paradigma tradicional de ensino. E nosso desafio. buscar uma nova educação. as forças políticas e econômicas. atentos e perspicazes. sem exceção. na qual estudar seja interessante. sua forma diferente de ver o mundo. Em muitas escolas. a negociação entre os poderes. Os processos de comunicação do ciberespaço não pressupõem a harmonia e o consenso: reproduzemse neles todos os conflitos entre os diversos lugares sociais. O diagrama é dinâmico – tendo sido detectadas as competências iniciais. A forma de superá-lo é envolver os estudantes na própria avaliação. de práticas. É claro que as transformações que antevemos não garantem a priori a resolução dos problemas que se colocam na cibercultura e para os quais ela ainda não apresenta perspectivas de solução. o aluno ainda passa mais tempo ouvindo explicações do que realizando estudos pessoais. 17): “o conjunto de técnicas (materiais e intelectuais). a avaliação parece servir apenas para decretar promoções e reprovações. Precisava de 0. A empresa francesa Trivium desenvolveu um interessante software de avaliação de competências. mas não reconhece um adjetivo: nota 7. por exemplo. Ela corresponde a outra época do pensamento – da crença na objetividade. pesquisar seja algo inevitável para satisfazer as curiosidades despertadas. ou outras áreas podem ser reforçadas em lugar destas. Isso só será possível numa escola em que o aluno não estude “porque o pai mandou”. uma entidade filantrópica deseja levar felicidade a pessoas. Acertou 12 em 20 questões: nota 6. que já vêm para a escola com muitas idéias. denominado Gingo. assim. se é “esforçado” e obediente. embora ainda não saiba dizer muito bem para quê. de todo modo. O acompanhamento do trabalho ainda é superficial. distantes das necessidades do cotidiano e de seu mundo. ao contrário do filme. ou “para sair logo”. para eles. de atitudes. Isso é menosprezar muito nossos estudantes. e a disputa entre as diferentes vozes ganha as proporções de uma rede do tamanho do planeta. elas podem ser estimuladas. é descobrir com eles como se pode viver na escola. em escalas menores. (retornar ao texto) 2. das correspondências lineares. a maturidade das crianças e jovens de hoje. Ao contrário disso. Alguém ainda lida bem com este paradigma? Ele já se mostrou ineficaz. Trata-se de um programa que permite visualizar uma representação imediata (na forma de uma árvore) dos recursos humanos de uma empresa ou. Não podemos esperar que o aluno do século XXI continue estudando e trabalhando apenas pela nota do boletim. desenvolvidas. ligado a instrumentos de avaliação que muitas vezes funcionam como formas de pressão e controle. “para não ficar de recuperação”. para eles. p. que inclusive comporte essas discussões. descobrir talentos e sanar . Mas. as nossas relações com as ideologias. Não temos mais nas salas de aula alunos como os do personagem de Robin Williams em Sociedade dos Poetas Mortos. retrato pouco fiel da realidade. Os estudantes toleram cada vez menos os cursos que não têm relação com suas vidas.

a experiência pôde ser compartilhada sem que autor e leitor necessariamente participassem do mesmo contexto. Mudança de Paradigma. o mito funcionava como estratégia para garantir a preservação de crenças e valores. Leia outros textos da autora Dê sua opinião! "Vivemos um desses raros momentos em que. Os entusiastas do software indicam que os funcionários se sentem mais motivados para o estudo e a aprendizagem. 34. apagavam-se dados irrecuperáveis pelo grupo social.revistaconecta. Assim ajuda a tecer. p.17) Nas culturas que não conheciam a escrita. no papel. . num horizonte de eterno retorno. de uma nova relação com o cosmos." (Pierre Lévy. linha após linha. O interesse aumenta. pôde analisar o próprio conhecimento das coisas e do mundo. a transmissão da história se dava através das narrativas orais: o narrador relatava as experiências passadas a ouvintes que participavam do mesmo contexto comunicacional. O tempo era concebido como um movimento cíclico. sua cultura. Ela torna presente e atemporal a palavra dos líderes. LÉVY. A escrita inaugurou uma segunda etapa na história humana. suas leis.fr): (retornar ao texto) Referências Bibliográficas LANDOW. mudaram as relações entre o indivíduo e a memória social. assim como a autonomia e o senso de responsabilidade pelo próprio desenvolvimento. em especial a auditiva.deficiências. George. recomendo o site da Trivium (http://www.com/Destaque [Edição 4] LER E ESCREVER NA CULTURA DIGITAL Andrea Cecilia Ramal Pesquisadora do Centro Pedagógico Pedro Arrupe Autora de Histórias de gente que ensina e aprende Doutora em Educação . suas realizações.PUC-RJ Diretora da Instructional Design. seus sentimentos e vivências. Don & CASTON. e fazê-lo chegar até os homens de outras culturas e outros tempos. Para maiores informações sobre o software. Teoría del hipertexto. Pierre. O sujeito pôde projetar sua visão de mundo. Art. _____________________________________________________________________________________ http://www. O saber e a inteligência praticamente se identificavam com a memória. São Paulo: Makron Books.trivium. Cibercultura. Era uma espécie de história encarnada nas pessoas: quando os mais velhos morriam. 1999. TAPSCOTT. O saber que era condicionado pela subjetividade se tornou objetivo e possível de se distanciar. as páginas da História. A escrita relativiza o papel da memória: é como se fosse um auxiliar cognitivo situado fora do sujeito. quer dizer. Com ela. Rio de Janeiro: Ed. 1997. já que percebem melhor o sentido. Barcelona: Paidós. um novo estilo de humanidade é inventado. 1993. 1995. Ao fazer isso. a partir de uma nova configuração técnica.

é mais seguro ". devido ao prestígio que os sistemas alfabetizados adquiriram.portanto. Tudo passa a estar inscrito numa cronologia. a escola estuda a língua como fenômeno estático. 1999). como se o mundo fosse um livro a ser lido e interpretado.. isso quase nunca ocorreu: justamente se memoriza o que não faz sentido. Num livro é difícil. mesmo incômodo. e só depois ver o seguinte. A escrita dá impulso às estruturas normativas e desempenha um papel fundamental na constituição do discurso científico. O aluno não tem controle sobre ele . evitando a recriação. uma vez que o estudante. suas raízes e sua história. Astle escreveu em 1874 que "a mais nobre aquisição da humanidade é a fala. contra a diversidade de interpretações. como buscando acesso a uma lei universal. Nesse ponto.imitar a sabedoria dos matemáticos. a escola não prescindiu do conhecimento memorizado. para a multiplicidade de interpretação dos signos. na escola. sem possuí-lo. À lógica da justaposição. A memória de uma cultura já não cabe apenas no conto: ela é constituída de documentos. como aconselhava Francis Bacon. nada vale. é a ele estranho. que separa a língua (fenômeno social) da fala (expressão individual de cada sujeito. Passamos da revelação à decifração. é o texto que. É uma espécie de memória impessoal que traz com ela uma preocupação certamente não muito nova. entendida como desvio do sentido original e "puro". À autoridade do autor sem a obra material (narrador) contrapõe-se a autoridade da obra sem necessidade da presença do autor: o texto fala por si mesmo. independentemente do contexto. . sem a necessidade de mediadores ou intérpretes.. permanentes. a compilação de teorias e paradigmas. exerce o controle. estabelecendo desde o início as definições de nossas palavras e termos. absolutas e universais. direcionando o ensino para a sistematização das normas. por outro lado. Ele existe objetivamente. 1997). O saber está distanciado. encadeado e segmentado. que falam por si mesmos: cabe ao aluno-leitor descobrir "o que o autor quis dizer". O texto é retirado de sua função social viva. que não se prestam à polissemia. vestígios. circunstancial e contextualizada). como se não confiasse no novo auxiliar cognitivo. A escola se entende a partir das categorias próprias da cultura escrita: sua organização se faz sobre o conhecimento objetivo dos fatos. mas que vai ganhar ênfase no imaginário dos especialistas: a de conseguir produzir. acaba se designando a cultura oral como inferior. Seguindo a tendência da busca e da valorização da objetividade e da neutralidade. a desconfiança quanto ao efetivo entendimento das mensagens. Com uma diferença. sem abrir espaço para a diversidade. porém: para os narradores. portanto. disponível e maleável para a leitura. e a arte mais sutil é a escrita. ler equivale a compreender o que foi expressado. datas e arquivos. O conhecimento escolar da cultura letrada se estruturou como as páginas de um livro: linear. própria da oralidade. o que não tem relação com a realidade. pois. e a segunda. seu contexto. consultar dois trechos de páginas diferentes ao mesmo tempo: na escola também. inclusive porque. dos selvagens sem civilização" (apud Olson. o documentário de comprovações. de certa forma. a história relatada fazia sentido porque era parte de suas vidas. contrapõe-se a lógica do encadeamento. a escola é herdeira da tradição positivista e do estruturalismo de Saussure. para as intenções dos falantes. como fator de alienação escolar. o estudo e a avaliação de outros sujeitos. A cultura escrita raramente chega sem violência. o que só serve para depois. a escrita traz o sentido de linearidade. externo ao leitor e. para que outros possam saber como os aceitamos e entendemos. o conhecimento especulativo. absolutas e universais. assim. para a adequação ao sistema. registrar ou estabelecer verdades que sejam definitivamente independentes dos sujeitos que as produziram e dos contextos em que foram geradas . Também assim se dá a relação com os textos. T. A possibilidade de tratamento objetivo dos fatos e das experiências advinda da escrita traz. e decidir se concordam ou não conosco" (apud Hacking. O distanciamento possibilitado pela grafia permite o registro das experiências e das hipóteses. A ambição teórica será a construção de enunciados que falem por si mesmos. É preciso passar primeiro pelo pré-requisito. O texto surge.Em vez do horizonte de eterno retorno das narrativas orais. Daí o predomínio das linguagens matemáticas ou "exatas". Nessa escola.ao contrário. seu currículo se estrutura em função de saberes que pretendem funcionar como verdades permanentes. registros históricos. Esta dualidade se reflete numa pressão em direção à universalidade e à objetividade. Apesar de tê-lo objetivado no papel. a primeira distingue eminentemente o homem da criatura bruta.

que não se sobrepõem uns aos outros. Mas não é preciso ir tão longe: no Brasil conhecemos uma realidade análoga. tem muito mais de monologismo do que de polifonia . não há horizonte. . além do mais. Talvez não seja: quem lê reconstrói.estou me apropriando de conceitos do lingüista russo Mikhail Bakhtin. Clarice Lispector (1980) escreveu: "ao prender o que me aconteceu usando palavras estarei destruindo um pouco o que senti . Enquanto na era da escrita o mote é "construir o futuro". A cibercultura A conexão simultânea dos atores da comunicação a uma mesma rede traz uma relação totalmente nova com os conceitos de contexto.mas é fatal". sem buscar uma síntese de conjunto. quando na educação das crianças são impostas as normas da língua "culta".) Em qualquer momento do diálogo existem as massas enormes e ilimitadas de sentidos esquecidos que serão recordados e reviverão em um contexto e num aspecto novo"(Bakhtin. o abandono da forma peculiar que cada cultura tem de ver o mundo e de conceber a experiência vivida. um "fim" no término da linha. Anular a possibilidade da polifonia é anular o diálogo e a reconstrução possível de sentidos... abrindo-se mão da memória e da experiência pessoal. mas existem simultaneamente. por conseqüência. até mesmo como um instrumento de reprodução do sistema. ou de classes sociais injustiçadas. 1985). e da linearidade das culturas letradas. em nome da centralidade do intelecto. ao qual. a educação escolar muitas vezes se constitui como dominação da razão sobre outras competências e saberes humanos. Uma escola monológica é aquela em que um único sentido sobressai. e não existem fronteiras para um contexto dialógico. Ao contrário. em alguns povos da África. como afirma Lévy (1993). por exemplo. com intensidades múltiplas que variam de acordo com o momento. são compelidas a se alfabetizar no idioma dominante. trazendo aos aprendizes não apenas uma técnica de escrita. naturalmente. Esse tipo de trabalho com a linguagem exclui a dimensão criadora. nem ponto-limite. de fragmentação e de assimilação". cria uma tensão dialética que configura a arquitetura própria de todo o discurso" (apud Silva e Cid. 1998). espaço e temporalidade. fechando o acesso ao que só poderia ser completado pelo leitor. passamos a uma percepção do tempo. fundamentados sobre uma concepção racionalista e linear. as populações migrantes do campo. sendo inevitável o abandono da língua materna e. em tempo real. Vivemos num ritmo de velocidade pura. embora menos explícitas. com seus currículos rígidos. A relação com textos não se dá tanto pela narrativa e pela criação como pela interpretação e análise morfológica. vivemos uma fragmentação do tempo. Do horizonte do eterno retorno das narrativas. ao emocional. têm dificuldades para se adaptar. Segundo Lopes (1998). mas também "todos os diferentes conteúdos e conceitos que uma cultura letrada elabora com a própria força da escrita. como páginas de um livro. mais ligados ao espírito. hoje vale o que ocorre neste preciso momento. enfim. 1998). como pontos ou segmentos da imensa rede pela qual nos movimentamos. Em lugar disso. A polifonia. é um jogo dramático de vozes "que torna multidimensional a representação e que. deslocadas e dispersas da sua cultura de origem. (. numa série de presentes ininterruptos.Visões similares ainda existem hoje. e que neste caso é. mais do que como linhas. impedindo os demais de virem à tona. Em Moçambique. nos quais vêm sendo estabelecidos alfabetos para representar línguas orais. numa análise mais ampla. para Bakhtin. a língua passa a servir. A escola costuma limitar a possibilidade de penetrar na experiência do outro. Estas crianças ingressam num mundo todo feito contra elas. A escola como a conhecemos até agora. uma cultura estrangeira" (Lopes. à afetividade. imposta pela busca prioritária de uma compreensão teórica do real e da linguagem. desprezando os saberes que elas trazem do próprio meio cultural fenômeno que tem repercussões mais graves nos alunos provenientes do interior. "a política lingüística moçambicana está ainda no pós-independência a ser utilizada como instrumento de dominação. na perspectiva da polifonia "Não existe nem a primeira nem a última palavra.

para a negociação dos sentidos. sem início. e aí está uma de suas conexões com o campo educacional. Não existe. comparar e fazer anotações ao mesmo tempo. é também uma espécie de metáfora que vale para as outras dimensões da realidade. Trata-se de um ciberespaço. já que o leitor devia segurá-lo com ambas as mãos para poder correr o texto. O hipertexto. O que é um hipertexto(1)? Como o próprio nome diz. palavras e sons.e papel determinante no pensamento ocidental. Dentro do hipertexto existem vários links. escrever. é perder-se. que teve data de nascimento . O hipertexto é subversivo com relação à linearidade. A internalização da estrutura do hipertexto como mediação para a produção de conhecimento implica novas formas de ler. e vamos construindo. projetistas gráficos. cada site é um hipertexto . uma reunião e interação de consciências que produzem conhecimento e navegam juntas. E. que o monologismo havia colocado em segundo plano. para a construção coletiva do pensamento. nós mesmos. Sem margens. uma espécie de texto. o momento de seu declínio. Imagem e som ganham o status de "linguagem" e. no momento em que desejarmos. O cursor do mouse está permanentemente presente no texto do monitor. A imagem disponibilizada na Internet e acessada pelo aluno passa a ser também mediadora para o conhecimento do mundo(2). por inerência. a noção de autoria. Construído na soma de muitas mãos. que permitem tecer o caminho para outras janelas. poderíamos dizer que. uma possibilidade para o diálogo entre as diferentes vozes. conectando algumas expressões com novos textos. a hipertextualidade não é um mero produto da tecnologia. hierarquia. portanto. e aberto para todos os links e sentidos possíveis. programadores. de certo modo. Cada uma das páginas da rede é construída por vários autores: designers. Ocorre ainda a subversão na hierarquia interna do texto: imagens falam. por outros de multilinearidade. invadem o espaço do significante escrito para tornar-se. Interessa-me estudá-lo nessa perspectiva. sem um princípio único. poderemos invadi-lo.o aparecimento da escrita . portanto. sem percurso estabelecido por antecipação. interativo e receptivo a todas as vozes conectadas que desejem escrever uma parte do megatexto produzido pela inteligência coletiva. novos textos. autores do conteúdo do texto. O hipertexto é subversivo na relação entre autor e leitor. O hipertexto como subversão da escola linear O hipertexto. nós. pelo menos verificamos que modifica as suas condições. nova forma de escrita e de comunicação da sociedade informático-mediática. agora que ler é mergulhar nas malhas da rede. se não podemos dizer que amplie os recursos da oralidade. reescrever seus caminhos. e sim um modelo relacionado com as formas de produzir e de organizar o conhecimento. A ilustração conquista o espaço da mensagem. uma após outra . uma versão da polifonia que Bakhtin buscava. reunião de vozes e olhares. fazendo com que estes se distanciem da linearidade da página e se pareçam mais com uma rede. que não permitia ler. e. nesta nova interface. é algo que está numa posição superior à do texto. portanto. um único autor: seria mais adequado falar de um sujeito coletivo. várias narrativas seriam possíveis . concebidos com diferentes modelos e igualmente relevantes para a comunicação social. linearidade. Se a marca do início determina a forma de construção da narrativa. O fim é o próprio link. O hipertexto é subversivo até com relação à postura física do leitor. mas sempre em seqüência. Ele amplia os recursos expressivos do texto escrito na possibilidade de articular imagens.clicando em certas palavras vamos para novos trechos. muitas vezes.todas aquelas construídas pelo leitor. tem agora. Na Internet. Um hipertexto é subversivo com relação à forma. como protagonista de uma construção em que o ouvinte trabalha os fios e tece a narração seguinte. ao livro encadernado. Subverte-se. optar por outras vias. que vai além do texto. é subversivo em relação ao monologismo. links e redes. cada texto termina com a abertura para outras mensagens. mais do que palavras. Na definição de Jay Bolter (1991): "as partes de um hipertexto podem ser agrupadas e reagrupadas pelo leitor". pensar e aprender. A linearidade. o hipertexto contemporâneo é. também elas. nem fim. Como afirmam Landow e Delany (1991). Cada percurso textual é tecido de maneira original e única pelo leitor cibernético. é libertar-se dos caminhos proibidos. que permite virar as páginas. Do livro de rolo. como um sinal concreto de que.O megadesign hipertextual reconfigura todo o espaço. na medida em que acrescenta à fala e à narração a possibilidade de vínculo com a palavra escrita e as ilustrações. substituindo sistemas conceituais fundados nas idéias de margem.

os processos mais eficazes e o diálogo possível entre as disciplinas. como arquiteto cognitivo. O que ocorrerá na sala de aula? Parece-me que as parcerias e a aprendizagem em conjunto serão inevitáveis. Além disso. traduzir-se pela simples justaposição de culturas múltiplas no interior duma sociedade. mas nos permite a visibilidade das janelas. teremos que voltar a pensar esses pressupostos. Essa maleabilidade traz a reflexão sobre o digital . Usando a linguagem dos PCNs. os recursos de cortar e colar fragmentos. um dispositivo mediador a partir do qual (re)conhece o mundo. As janelas abertas deixarão entrar luzes imprevistas. ocorre um paradoxo: aquele a ser educado é o que melhor domina os instrumentos simbólicos do poder. sem comunicação entre elas. como dinamizador de grupos. a infinidade de dobras caleidoscópicas. creio que devemos pensar o que significa construir uma pedagogia intercultural. e ocupam um espaço difícil de definir ou imaginar.trata-se de outro tipo de materialidade. um novo regime de circulação e de metamorfose das representações e dos conhecimentos. Hoje. A linearidade dará lugar ao hipertextual. na realidade cotidiana. Lopes (1998) distingue o intercultural do multicultural que. a tecnologia da dominação é mais conhecida pelo "dominado". com suas diversas competências. mudando as formas de construção do saber. Hoje. passamos a um texto totalmente maleável. para os não-letrados.(e nunca uma e outra). nas conexões. já sabemos que é alguém que interage com uma máquina. 2000). Vygotsky. Finalmente. Os conteúdos deixarão de se percorrer como páginas de um livro. quando os signos se multiplicam e um novo mundo. para ele. como educador. e nos conteúdos atitudinais. mas feito de bites. O prefixo inter indica ênfase nas trocas. Piaget. Obedecem a um ritmo específico de pertinência imediata e de obsolescência acelerada. ao móvel e flexível. cada uma permanecendo fechada . Muda a relação com o objeto: o texto não é mais algo palpável. o aparato de maior prestígio: as tecnologias. Essas informações digitais são provisórias e plásticas. Podemos ainda considerar os mesmos estágios mentais do construtivismo com crianças que têm acesso ao computador antes de se alfabetizarem? Se Vygotsky nos fez perceber o caráter dialético de construção da mente. reproduzindo no contexto escolar (por mais que houvesse cuidado e respeito pelo aluno) as situações de imposição lingüística vividas pelas culturas orais. em múltiplas dimensões que se interconectam e interpenetram. Graças a eles e outros tantos. acabados e descontextualizados será desestabilizada pelo descentramento. gerenciando uma sala de aula na qual os estudantes. a abertura das múltiplas caixas de texto. definidos. reproduz as tensões e os conflitos lingüísticos do mundo real? Partindo do princípio de que cada método pedagógico revela uma concepção do ser humano e uma compreensão sobre o modo como se aprende. Pela primeira vez na história. com base nos critérios de justiça social e respeito à dignidade humana (Ramal. os encantos do papel ou do pergaminho. nos processos educacionais de internalização das formas comunicacionais nesta cultura digital? Parece-me que as rupturas são tão radicais que exigirão um repensar de alguns dos elementos básicos da escola. O quarto ponto é a necessidade de reinventarmos a nossa profissão. A escola estruturalista dos saberes prontos. no letramento. para se tornarem janelas de um hipertexto. na interação com o meio através da linguagem. a norma culta. Em outros termos: até hoje o professor trazia o saber. de que forma sua obra deve ser relida hoje. deveremos rever nossos currículos. responsável por traçar as estratégias e definir os métodos mais adequados para que o aluno chegue a uma construção ativa do conhecimento. Em primeiro lugar. deveremos rever nossos referenciais teóricos. virtual. ao ajudar os estudantes a descobrirem as formas pelas quais se chega ao saber. Para começar. e isso é certo. pela contínua produção e negociação de sentidos e de novos discursos. dialogam com respeito entre si e estabelecem parcerias produtivas. Ferreiro iluminaram a reconstrução dos métodos e processos de alfabetização na escola visando garantir ao aluno um papel mais ativo. Um terceiro ponto: as relações de poder que surgem na escola a partir dos instrumentos tecnológicos são totalmente novas. comprometendo-se com o desafio de estimular a consciência crítica para que todos os recursos desse novo mundo sejam utilizados a serviço da construção uma humanidade também nova. a escrita "correta". pudemos saber um pouco mais sobre como o aluno pensa e como constrói o conhecimento. nos conteúdos procedimentais. "que pode. é um termo estático. Citarei apenas alguns deles. no diálogo. como prevê Pierre Lévy. parece-me que são necessárias novas pesquisas para verificar quem é o sujeito da educação hoje. pelas construções abertas e as paisagens inusitadas. A informatização instaura. vejo o papel do professor decisivo nos três eixos de conteúdos curriculares: nos conteúdos conceituais. Poderá não ter. O que muda na alfabetização.

Lúcia Therezinha Ribeiro de Araujo. Madrid: Siglo Veintiuno. a abertura ao outro.html). and DELANY. G. New Jersey: Lawrence Earlbaum. 1991. . Mikhail. in DELANY. Acredito na possibilidade de que o hipertexto contemporâneo . e na escola. O desafio mais instigante é o do professor. no prelo. e aberto para todos os links e sentidos possíveis . 13. P. Estética de la creación verbal.RAMAL. à partilha das interpretações.) Hypermedia and Literary Studies. David R. "Formar professores na cibercultura" in Revista da AEC.HACKING. reconhecendo que a experiência do outro é fundamental para a constituição da subjetividade e para a produção de saber coletivo. (voltar ao texto) REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS . .gov. Hypertext. Armindiara Braga Longo da "e" CID. que pode finalmente reinventar-se como alguém que vem dialogar e criar as condições necessárias para que todas as vozes sejam ouvidas e cresçam juntas. Cultura Acústica e Letramento em Moçambique: Em busca de fundamentos para uma educação intercultural. Rio de Janeiro: Centro Pedagógico Pedro Arrupe. . . O intercultural. .LOPES. . Leia também outros textos da autora: . 1991. 1999. em termos bakhtinianos. a resposta polifônica ao monologismo. and LAKOFF. 1997. . As tecnologias da inteligência. Caxambu: 21ª ANPEd. A pedagogia intercultural é. 1998. Andrea Cecilia. "Hypertext. . "O templo da palavra invadido pelo mundo da imagem e da navegação" in Revista Guia da Internet.LÉVY. uma possibilidade para construir uma sala de aula aberta à pluralidade de vozes.SILVA. 1998.LANDOW.au/vlmp/computing. G.construído na soma de muitas mãos. (http://www. Ian. Para isso. a escrita e o texto como unidades discursivas que só encontram sua completude no processo dialógico. 34.seja uma versão dessa polifonia que Bakhtin procurava. Construir uma pedagogia intercultural será tornar possível. Rio de Janeiro: Ediouro. A escola da cibercultura pode tornar-se o espaço de todas as vozes. 1985. e reconstruir o processo educativo como um acontecimento de interação de consciências. . no currículo. José S. à construção coletiva. São Paulo: Ática. 1997. and the History of Writing. é movimento e reciprocidade. "Projeto de Pesquisa: O projeto de leitura na sala de aula". Por que a linguagem interessa à filosofia? São Paulo: UNESP/Cambridge University Press. ao contrário. 2a. Writing Space: The Computer. Rio de Janeiro: Ed. Hypermedia and Literary . (orgs. Pierre. M.BOLTER. NOTAS (1) Uma pesquisa sobre a história do hipertexto pode ser realizada no Virtual Museum of Computing. Cambridge: The MIT Press. David Jay. número 8. (voltar ao texto) (2) Desenvolvi estas idéias em outro artigo: RAMAL (1997). junho de 2000.o mais que lhe for possível". P.Studies: the State of the Art".br. todas as falas e todos os textos. Revista Inovação em Processo. será necessário reentender a palavra. 1993.nma.____________________. no. O mundo no papel: as implicações conceituais e cognitivas da leitura e da escrita. à democracia da palavra.BAKHTIN. P.OLSON.