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TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 14ª REGIÃO 5ª VARA DO TRABALHO DE PORTO VELHO – RO SENTENÇA EM: PROCESSO nº: RECLAMANTE: RECLAMADO: 15.03.

2012 000975-12.2011.5.14.0005 PAULO ROBERTO GONÇALVES MORAIS VRG LINHAS AÉREAS S.A

Esclareço que o pequeno atraso ocorre em razão dos deslocamentos semanais, excesso de serviço, além de licença médica do Magistrado. 1 RELATÓRIO

Dispensado nos termos do art. 852-I da CLT.

2 FUNDAMENTOS

2.1

PRELIMINAR DE INÉPCIA DO PEDIDO DE EQUIPARAÇÃO SALARIAL E

DESVIO DE FUNÇÃO – PEDIDO SUCESSIVO – ART. 289 DO CPC - REJEIÇÃO

A causa de pedir da petição inicial demonstra claramente a sucessividade de pedidos, nos termos do art. 289 do CPC, ou seja, caso não deferida a equiparação salarial pleiteia o desvio funcional ou a cumulação de funções, portanto, rejeito a pretensão.

2.2

EQUIPARAÇÃO SALARIAL, DESVIO OU CUMULAÇÃO DE FUNÇÃO

A petição inicial requer equiparação salarial com a função de “Despachante Técnico I” (DT1), ou sucessivamente, o reconhecimento de desvio de função ou cumulação de função com base no paradigma Claudionor Silva de Oliveira, dispondo que este exercia a função de DT1 desde 01.05.2009.

Pois bem:

e mais importante. 000975-12. o que foi confirmado pela testemunha convidada pelo Reclamante. 461. Sra. o paradigma sempre exerceu a mesma função desde 01. do TST. . § 1º. As funções (tarefas) são as mesmas. que não existem diferença entre as funções de KR e DT1. o importante é a mesma função com idênticas tarefas (princípio da primazia da realidade). e os testemunhos. da CLT. é no referido sentido. não permanecia o tempo integral e em todas as jornadas como “DT1”. pois no depoimento pessoal. pois segundo a instrução oral. tal fato impede qualquer pleito equiparatório. pois o Reclamante tinha a função de “auxiliar de aeroporto”. 126). para evitar eventuais embargos de declaração ou recurso em tal sentido.09.2011. é que no Direito do Trabalho aplica-se o princípio da primazia da realidade.TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 14ª REGIÃO 5ª VARA DO TRABALHO DE PORTO VELHO – RO PROCESSO N. ou seja. observam-se nos documentos de fls. a Reclamada alertou que a função de de DT1 é a antiga função de auxiliar de rampa (KR). o paradigma ingressou na função em período superior a 02 anos em comparação ao Reclamante. e conforme previsão do art.09. Assim sendo. apenas houve mudança de denominação. superada a questão da equiparação salarial. não há cumulação de função. Primeiramente.2006 (fls. para perceber que não existe equiparação salarial. item III. Ressalte-se. lembrando que a Súmula 6. Outro motivo. 252). que o paradigma indicado pelo Reclamante exerce a função de KR (denominada atualmente de DT1). o Reclamante nunca executou duas funções ao mesmo tempo. do TST. para qual foi contratado.2006.0005 2 Basta ler a instrução oral. o Reclamante ora atuava na função de DT1. Pois bem. porém era chamado para substituir os DT1 quando estes faltavam. ora na função de “auxiliar de aeroporto”.5. portanto. desde 01. dispondo que não importa a denominação do cargo.14. 124/126. ora executava funções de “auxiliar de aeroporto”. o Reclamante alega pedido subsidiário de desviou ou cumulação de função. ora era escalado para executar função de DT1. Ana Paula (fls. ou seja.

sem a paga correspondente.07. no caso dos autos.0004 – RO . das funções originalmente conferidas ao empregado. observando-se os requisitos impostos pelo art. mas pode acontecer mesmo quando este não exista. porém. Esse comportamento infringe o caráter sinalagmático do contrato e implica enriquecimento ilícito para o empregador. É necessário esclarecer que o desvio de função acontece quando o trabalhador exerce função diversa.2011: Entende-se como desvio de função a prestação de serviços pelo trabalhador em função diversa da pactuada. Na equiparação salarial. porém com salários diversos. sem que haja o pagamento do salário respectivo. deve-se comparar o trabalho de um empregado com outro (paradigma) que exerça funções idênticas. ao passo que no desvio não há essa comparação. 000975-12.5.5. Alice Monteiro de Barros apresenta o seguinte comentário acerca do assunto: O desvio de função implica modificação. 461 da CLT e Súmula n.TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 14ª REGIÃO 5ª VARA DO TRABALHO DE PORTO VELHO – RO PROCESSO N.2011. todavia. no Acórdão dos autos n. Disso decorre a diferença entre os conceitos de equiparação salarial e diferença salarial. de maior complexidade e melhor remuneradas. com atribuições. a situação é distinta quanto ao desvio de função. O desvio funcional está relacionado ao fato de que o obreiro.14.2011. enquanto permanecer tal situação. ao pagamento dos salários correspondentes às funções que efetivamente exerce o trabalhador. Para esta. Dessa forma. Aqui. Dra.14. 6 do TST. 0000226-95. é necessário que ambos os empregados (paradigma e paragonado) tenham a mesma função. e não de equiparação salarial. Assim. como entendeu o juiz “a quo”. Observe-se trecho da brilhante decisão da Desembargadora Federal do Trabalho do nosso TRT da 14ª Região. deve ser analisado se as atividades desenvolvidas pelo recorrente no curso da contratualidade se afastaram das funções originariamente fixadas e se foram desenvolvidas de forma não eventual. sem acréscimo salarial. passa a exercer outra. destinandolhe atividades. ele gera direito. mais qualificadas. 125 da SDI-2 do TST).0005 3 Porém. pelo empregador. Geralmente. via de regra. Mesmo considerando que o desvio de função não autoriza o reenquadramento ou reclassificação (OJ n. apesar de contratado para desenvolver determinada função. é suficiente a prova de que o reclamante desempenhava habitualmente função(ões) diversa(s) daquela para a qual foi contratado. em geral. Maria Cesarineide de Souza Lima. verifica-se que a hipótese é de desvio de função. . o desvio de função ocorre quando há quadro de carreira.1ª TURMA – datado de: 20.

ao Juízo. deve-se levar em consideração. para efeitos de cálculos. e que enquanto o salário do Reclamante era de R$ 664.14. Sra. e o desvio não permite alteração na função na CTPS. foi a única a dispor sobre o período de trabalho como DT1. fato este negado pelo Reclamado. Assim sendo. item I.0005 4 Pois bem. Esclareço que: na visão do Juízo não cabe deferir o pagamento integral da diferença salarial de forma mensal. que o Reclamante trabalhava 04 vezes por semana na semana na função de DT1 (conforme testemunho da Sra.2011. são unânimes em afirmar que o Reclamante era colocado na função de DT1.5. nos termos da Súmula 159. colocando que as jornadas com troca de função ocorriam 03 ou 04 vezes por semana. fazendo surgir o direito às diferenças salariais por desvio de função. A testemunha. Para tanto.60 (conforme petição inicial). pois só existente o Direito à diferença salarial enquanto o Reclamante efetivamente atuou na função de DT1. 04 vezes por semana. Ana Paula). durante todo o contrato de emprego. era habitual e permanente. 450 e 460 da CLT.TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 14ª REGIÃO 5ª VARA DO TRABALHO DE PORTO VELHO – RO PROCESSO N. a substituição (desvio de função) não era ocasional (eventual) e nem se dava em tempo extremamente reduzido. muito pelo contrário. . condeno o Reclamado ao pagamento de diferenças salariais em todas as vezes que o Reclamante laborou na função de DT1. é de fácil percepção que o Reclamante laborou na função de DT1. e que esta função era melhor remunerada que a aquela de “auxiliar de aeroporto”. 000975-12. Portanto. pois o pleito de equiparação foi indeferido. ou seja. Assim sendo.52. conforme OJ 125 da SDI-I do TST. pois as testemunhas. confirmando as palavras do Reclamante durante o depoimento pessoal. cabe analisar se o desvio funcional não ocorreu por tempo extremamente reduzido. Ana Paula. do TST e art. até aquela convidada pelo Reclamado. Não há retificação da CTPS a ser realizada. o salário do trabalhador na função de DT1 era de R$ 912.

condenando o Reclamado ao pagamento no valor de 30% sobre o salário básico daquele (Súmula 191 do TST).14. Sra. .3 ADICIONAL DE PERICULOSIDADE – TESTEMUNHAS E LAUDO PERICIAL PROCEDÊNCIA O Reclamante alega na petição inicial que sempre efetuou atividade periculosa na pista do aeroporto enquanto as aeronaves eram reabastecidas. que não havia tempo suficiente para fazê-los ao final do expediente diário. c) que sejam consideradas para fins de cálculos apenas os dias em que o Reclamante trabalhou. dispondo que os cursos “online” são obrigatórios e para fins de promoção. com base nos testemunhos e no expressivo laudo pericial. e além disso. não havendo tempo suficiente para realização durante a jornada de trabalho. 2. Por sua vez.0005 5 2. Ana.TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 14ª REGIÃO 5ª VARA DO TRABALHO DE PORTO VELHO – RO PROCESSO N.2011. 252 e 253). Elinalva. 233) que o Reclamante faz jus ao adicional de periculosidade. sendo devida pela contraprestação do serviço realizado. com prazo. o laudo pericial é extremamente detalhado e conclusivo quanto ao assunto. dispõe que os cursos são obrigatórios. Assim sendo. Sra. é enfática. as testemunhas foram claras ao confirmar as atividades do Reclamante na pista de voo e no momento do abastecimento (fls. Registre-se que: a) a verba possui caráter salarial (salário condicional). Pois bem.4 HORAS EXTRAS PELA REALIZAÇÃO DE CURSOS – OBRIGATORIEDADE E IMPOSSIBILIDADE DE REALIZAR DURANTE A JORNADA LABORAL .5. que os geravam certificados e que estes eram entregues ao Reclamado. dispondo (fls. conforme cartões de ponto juntados aos autos.PROCEDÊNCIA A testemunha. a testemunha. pois acontecia em todas as jornadas trabalhadas. declaro ser Direito do Reclamante auferir o adicional de periculosidade. 000975-12. b) o contato não é habitual e por tempo extremamente reduzido (Súmula 364 do TST).

defiro o pedido do Reclamante. 000975-12. Tais horas serão acrescidas do adicional mínimo legal de 50%. o local não é considerado de difícil acesso. As testemunhas confirmaram que há funcionários que vão com veículo próprio para o trabalho. e a ausência de promoção funcional quando não realizados ou incompletos. pois requer apenas horas de percurso quando do final do expediente diário noturno (05 horas da manhã) pois em tal horário não haveria transporte público disponível. a impossibilidade de realizá-lo dentro da jornada diária. .TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 14ª REGIÃO 5ª VARA DO TRABALHO DE PORTO VELHO – RO PROCESSO N. O pedido é limitado.14. e aí reside o principal motivo do indeferimento. é um deles. sendo que indefiro o pedido de acréscimo de 100%. Elinalva. pois não provado que o Reclamante tenha feito o curso em dias de domingos ou feriados. Assim sendo. além de ficar na zona urbana da referida cidade. 2. que corta a cidade toda. portanto.2011. no total de 12 horas extras.0005 6 Portanto. É fato notório que o aeroporto de Porto Velho/RO. não é verdadeira.5. na contestação. inclusive a testemunha. a tese do Reclamado.5 HORAS DE PERCURSO (IN ITINERE) – LOCAL DE FÁCIL ACESSO - IMPROCEDÊNCIA Rejeito a pretensão. Sra. possui acesso extremamente fácil pela famosa Avenida Governador Jorge Teixeira. até porque razoável. pois nítido que o Reclamante gastava seu tempo à disposição do empregador e sem o pagamento da devida contraprestação. pois as testemunhas atestam a obrigatoriedade. que os cursos não são obrigatórios e realizados dentro da jornada.

2. utiliza a via de acesso para praticar caminhadas e lazer. o Aeroporto de Porto Velho é de fácil acesso e distante apenas 07 quilômetros do centro de Porto Velho: O Aeroporto Internacional de Porto Velho — Governador Jorge Teixeira (IATA: PVH. portanto. defiro os reflexos do FGTS nas verbas acima concedidas de adicional de periculosidade.0005 7 O aeroporto é cercado por bairros residenciais com grande população..5. indefiro o pedido de horas de percurso. 2.2012.2011. com acesso em pista dupla. diferença salarial e horas extras. pelo fato da facilidade de acesso. 2. Com fácil acesso no bairro do Belmont.TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 14ª REGIÃO 5ª VARA DO TRABALHO DE PORTO VELHO – RO PROCESSO N. ICAO: SBPV) é o principal complexo aeroportuário do Estado brasileiro de Rondônia. 58. acessado em 15. o que não é o caso. § 2º. (http://pt. pois não houve verbas rescisórias incontroversas. Portanto. pois são concedidos na Justiça do Trabalho apenas se atendidos os requisitos da nova redação da Súmula 219 do TST.6 DIFERENÇAS DE FGTS . o aeroporto é servido pelas Avenidas Gov. Localizado na capital Porto Velho. o Reclamante fez pedido expresso. (. . da CLT.7 MULTA DO ART.). quanto ao FGTS. Jorge Teixeira de Oliveira e Lauro Sodré.. 000975-12. com fundamento no art. 467 DA CLT Indefiro. o terminal é distante cerca de sete quilômetros do centro da cidade.03.8 HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS Indefiro.14.PROCEDÊNCIA Diferentemente de outras causas de pedir. aos finais de semana. Conforme dados do conhecido site informativo Wikipédia.wikipedia.org/wiki/Aeroporto_Internacional_de_Porto_Velho). sendo que a população.

Contribuições previdenciárias: o Reclamado deve recolher as verbas previdenciárias incidentes apenas sobre as verbas de natureza salarial reconhecidas nesta sentença. na forma do novo art. 2. portanto.TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 14ª REGIÃO 5ª VARA DO TRABALHO DE PORTO VELHO – RO PROCESSO N. evitando-se eventuais embargos.2011.000. portanto. 790. As seguintes verbas deferidas na presente sentença possuem caráter indenizatório: diferenças (reflexos no FGTS). deve ser recolhido e comprovado pelo Reclamado. exceto quanto ao FGTS. . da CLT. 2. arbitro honorários periciais no valor de R$ 2.14. o Juízo fica impedido de deferi-los. Juros de Mora – desde o ajuizamento do feito (art. Imposto de Renda – caso ocorra. 13 e 14 da petição inicial qualquer menção aos reflexos nas verbas deferidas acima. forma de liquidação: por cálculos. tanto a sua cota-parte. 12-A da Lei n. 883 da CLT).00.9 BENEFÍCIOS DA JUSTIÇA GRATUITA Defiro os benefícios da Justiça Gratuita postulados pelo Reclamante. sobre a importância da condenação já corrigida monetariamente (Súmula 200 do TST). as demais possuem natureza salarial.0005 8 2. que não há nos pedidos de fls. Correção Monetária – conforme Súmula 381 do TST.11 DEMAIS PARÂMETROS DE LIQUIDAÇÃO E ESCLARECIMENTOS Esclareço. 000975-12.10 HONORÁRIOS PERICIAIS Somente com o laudo pericial é que o Juízo fixou a certeza sobre a ocorrência da periculosidade.5. haja vista o preenchimento dos pressupostos do art. § 3º. porém aquele deve proceder à retenção (dedução) das importâncias pertinentes às contribuições devidas por esta. e o Reclamado foi sucumbente no objeto da perícia. como também a cota-parte da Reclamante. e deduzido do crédito da Reclamante. sendo o Reclamado condenado ao referido pagamento. 7713/88.

Defiro. no mérito.14. Cumpra-se no prazo de 48 horas após o trânsito em julgado. Nada mais. para condenar este ao pagamento de: a) diferenças salariais.5.500.TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 14ª REGIÃO 5ª VARA DO TRABALHO DE PORTO VELHO – RO PROCESSO N. c) 12 horas extras com acréscimo de 50%. que arbitro em R$ 3. ainda. mais reflexos em FGTS. (assinado digitalmente) WADLER FERREIRA Juiz Federal do Trabalho Substituto .000. os benefícios da Justiça Gratuita ao Reclamante. 000975-12. calculadas sobre o valor total da condenação.00. Observe-se a fundamentação que passa a integrar este dispositivo para todos os efeitos legais..0005 9 3 DECISÃO Ante o exposto. no importe de R$ 70. Julgo PARCIALMENTE PROCEDENTES os pedidos formulados na presente ação trabalhista ajuizada por PAULO ROBERTO GONÇALVES MORAIS em face de VRG LINHAS AÉREAS S. Como os autos estão em carga com o Magistrado em cidade distinta da sede da Vara. todas as vezes que o Reclamante laborou na função de DT1. De Ariquemes/RO para Porto Velho/RO. inclusive quanto aos parâmetros de liquidação. Custas processuais pelo Reclamado. aguarde-se a chegada e notifiquem-se as partes sobre a presente decisão. após rejeitar a preliminar de inépcia da petição inicial.00. conforme a fundamentação. d) honorários periciais no valor de R$ 2.2011. e o que mais dos autos. mais reflexos em FGTS. Intimem-se as partes.00. mais reflexos no FGTS. b) adicional de periculosidade na quantia de 30% sobre o salário básico do Reclamante.A.