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UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO
ESCOLA DE ENGENHARIA DE SÃO CARLOS
Departamento de Engenharia de Estruturas
Laboratório de Madeiras e de Estruturas de Madeira











SET 406 - ESTRUTURAS DE MADEIRA
(NOTAS DE AULA)









PROF. TITULAR Carlito Calil Junior
ENG
o
CIVIL MSc. Lívio Túlio Baraldi (Programa PAE/96)
ENG
o
CIVIL MSc. Guilherme Corrêa Stamato (Programa PAE/98)
ENG
a
CIVIL MSc. Núbia dos Santos Saad Ferreira (Programa PAE/98)







SÃO CARLOS, OUTUBRO DE 1998



2







AGRADECIMENTOS

À Pró-Reitoria de Pós-Graduação da Universidade de São Paulo pelo programa
PAE (Programa de Aperfeiçoamento de Ensino), que viabilizou a elaboração
deste material.

Ao Roberto Galindo pela cooperação nos trabalhos de microcomputador para a
montagem desta apostila.

Ao professor Rocco pelas sugestões para a elaboração deste trabalho.

3
Apresentação


Este trabalho é resultado das notas de aulas referentes à disciplina SET 406 -
Estruturas de Madeira do curso de graduação em Engenharia Civil da Escola de
Engenharia de São Carlos. As aulas foram ministradas nos períodos de 1996 a
1998.

Esta apostila apresenta: introdução sobre as propriedades físicas e mecânicas da
madeira; critérios de dimensionamento de elementos estruturais; ligações, com
abordagem dos tipos de conectores mais utilizados; peças compostas;
contraventamento e disposições construtivas; segundo os critérios de
dimensionamento da norma NBR 7190:1997.

Essa publicação contou com a colaboração de três alunos de pós-graduação,
desenvolvendo o Programa de Aperfeiçoamento de Ensino (PAE) da
Universidade de São Paulo.

Agradecemos antecipadamente por quaisquer sugestões e críticas que serão
sempre bem-vindas ao aprimoramento desta obra.


Prof. Dr. Carlito Calil Junior

São Carlos, setembro de 1998.


4
SUMÁRIO


NOTAÇÃO I

1. INTRODUÇÃO 1
2. ESTRUTURA DA MADEIRA 3
2.1. CLASSIFICAÇÃO DAS ÁRVORES 3
2.2. FISIOLOGIA E CRESCIMENTO DA ÁRVORE 3
2.3. ANATOMIA DO TECIDO LENHOSO 4
2.4. CARACTERÍSTICAS QUÍMICAS DA MADEIRA 6
2.4.1. Celulose 7
2.4.2. Lignina 7

3. PROPRIEDADES FÍSICAS DA MADEIRA 8
3.1. TEOR DE UMIDADE 9
3.2. DENSIDADE 10
3.3. RETRATIBILIDADE 11
3.4. RESISTÊNCIA DA MADEIRA AO FOGO 11
3.5. DURABILIDADE NATURAL 12
3.6. RESISTÊNCIA QUÍMICA 13

4. PROPRIEDADES MECÂNICAS DA MADEIRA 14
4.1. PROPRIEDADES ELÁSTICAS 14
4.1.1. Módulo de Elasticidade (E) 14
4.1.2. Módulo de elasticidade transversal (G) 15
4.1.3. Coeficiente de Poisson 15
4.2. PROPRIEDADES DE RESISTÊNCIA 15
4.2.1. Compressão 15
4.2.2. Tração 18
4.2.3. Cisalhamento 18
4.2.4. Flexão simples 19
4.2.5. Torção 20
4.2.6. Resistência ao choque 20
4.3. FATORES QUE INFLUENCIAM NAS PROPRIEDADES DA MADEIRA 20
4.3.1. Fatores anatômicos 20
4.3.2. Defeitos por ataques biológicos 25
4.3.3. Defeitos de secagem 26
4.3.4. Defeitos de processamento da madeira 27
4.4. DIMENSÕES COMERCIAIS DA MADEIRA 27

5
5. CONSIDERAÇÕES GERAIS PARA PROJETOS 25
5.1. INTRODUÇÃO 25
5.2. HIPÓTESES BÁSICAS DE SEGURANÇA 25
5.2.1. Estados limites 25
5.3. AÇÕES 26
5.3.1. Classes de carregamento 26
5.3.2. Carregamentos 27
5.3.3. Situações de projeto 27
5.3.4. Combinações de ações 28
5.3.5. Coeficientes para as combinações de ações 29

6. PROPRIEDADES DE RESISTÊNCIA E RIGIDEZ DA MADEIRA 33
6.1. PROPRIEDADES DA MADEIRA A SEREM CONSIDERADAS 33
6.1.1. Caracterização completa da resistência da madeira serrada 34
6.1.2. Caracterização mínima da resistência da madeira serrada 34
6.1.3. Caracterização simplificada da resistência da madeira serrada 35
6.1.4. Caracterização da rigidez da madeira 35
6.2. VALORES REPRESENTATIVOS DAS PROPRIEDADES DA MADEIRA 38
6.2.1 Coeficientes de modificação (K
mod
) 39
6.2.2. Coeficientes de ponderação (¸
w
) 40


7. CRITÉRIOS DE DIMENSIONAMENTO 41
7.1. ESTADOS LIMITES ÚLTIMOS 41
7.1.1. Compressão paralela às fibras 41
7.1.2. Compressão normal às fibras 50
7.1.3. Compressão inclinada em relação às fibras 50
7.1.4. Tração paralela 51
7.1.5. Cisalhamento 51
7.1.6. Flexão simples reta 53
7.1.7. Flexão composta 57
7.1.8. Flexão oblíqua 60
7.1.9. Estabilidade lateral de vigas de seção retangular 62
7.2. ESTADOS LIMITES DE UTILIZAÇÃO 63
7.2.1. Deformações limites para as construções correntes 64
7.2.2. Deformações limites para as construções com materiais frágeis não estruturais 64
7.2.3. Vibrações 65


8. LIGAÇÕES EM ESTRUTURAS DE MADEIRA 66
8.1. GENERALIDADES 66
8.2. LIGAÇÕES COM PINOS METÁLICOS 67
8.2.1. Resistência dos pinos 67
8.3. LIGAÇÕES COM CAVILHAS 70
8.3.1. Resistência das cavilhas 70
8.4. DISPOSIÇÕES GERAIS 71
8.4.1. Ligações por pinos 71
8.5. EXEMPLO DE LIGAÇÕES EM ESTRUTURAS DE MADEIRA 72

6
9. PEÇAS COMPOSTAS 85
9.1. PEÇAS COMPOSTAS 85
9.1.1. Generalidades 85
9.1.2. Peças compostas de seção T , I ou caixão ligadas por pregos 85
9.1.3. Peças compostas com alma em treliça ou de chapa de madeira compensada 85
9.1.4. Peças compostas de seção retangular ligadas por conectores metálicos 86
9.2. ESTABILIDADE DE PEÇAS COMPOSTAS 86
9.2.1. Peças solidarizadas continuamente 86
9.2.2. Peças solidarizadas descontinuamente 86

10. CONTRAVENTAMENTO 91
10.1. ESTABILIDADE GLOBAL. CONTRAVENTAMENTO. 91
10.1.1. Generalidades 91
10.1.2. Contraventamento de peças comprimidas 91
10.1.3. Contraventamento do banzo comprimido das peças fletidas 93
10.1.4. Estabilidade global de elementos estruturais em paralelo 93




12. BIBLIOGRAFIA 102

7
1. INTRODUÇÃO

A madeira é um material orgânico, de origem vegetal encontrada tanto em
florestas naturais quanto em florestas artificiais resultantes de reflorestamentos
industrializados. Sua fonte é abundante e renovável.

Do ponto de vista da utilização estrutural, a madeira compete com o concreto e o
aço, embora exista algum preconceito quanto à durabilidade e à resistência da
madeira por parte daqueles que não conhecem profundamente esse material.

Esta idéia foi sendo formada ao longo do tempo porque as indústrias do aço e do
concreto, que sempre foram em menor número e de maior porte que as indústrias
da madeira, tiveram um grande investimento em pesquisas, com seus resultados
sendo rapidamente divulgados e acompanhados pelas normas de cálculo,
propiciando a elaboração de projetos com alto grau de qualidade técnica.

Já para a madeira, o grande número de indústrias, as chamadas serrarias, se
espalharam por todas as regiões do Brasil e a utilização do material madeira
ocorreu desordenadamente e sem acompanhamento técnico adequado, haja vista
que o texto original da norma brasileira para estruturas de madeira, a NBR 7190 -
Cálculo e Execução de Estruturas de Madeira, que data da década de 50, apenas
foi realmente atualizado em 97.

Com a aplicação correta da madeira, através da escolha adequada da espécie na
classificação e do sistema estrutural apropriado, pode-se equipará-la e até
avantajá-la em relação ao concreto e o aço em suas aplicações. Além disso, a
madeira ainda permite variações em sua aplicação como, por exemplo, a madeira
laminada colada e o compensado, que permitem a execução de estruturas com
características diferenciadas em relação a outros materiais.

Com relação à durabilidade da madeira, a execução de processos de secagem e
preservação adequados, juntamente com modernas técnicas de utilização, pode
garantir à madeira durabilidade de 50 anos ou mais.

Entretanto, uma característica da madeira que merece destaque é sua
anisotropia, responsável por diferentes comportamentos de acordo com a direção
de aplicação da carga em relação às fibras. Outra característica importante refere-
se à grande variabilidade de suas propriedades devida às inúmeras espécies
disponíveis no mercado.

Do ponto de vista técnico, muitas pesquisas foram realizadas nas últimas duas
décadas no Brasil e com isso pôde-se realizar recentemente a revisão da norma
brasileira para estruturas de madeira. Esta norma condensa os resultados destas
pesquisas relativas à caracterização de diversas espécies de madeira, além de
substituir o critério de dimensionamento, antes baseado no Método das Tensões
Admissíveis, para o Método dos Estados Limites.

Muito precisa ainda ser feito para o desenvolvimento da madeira no Brasil,
principalmente com a parceria entre as indústrias e as instituições de pesquisa.

8
Este trabalho pretende contribuir para o desenvolvimento da madeira no Brasil,
discursando sobre os novos critérios de dimensionamento e características da
madeira, apresentados pela atual norma brasileira para projeto de estruturas de
madeira, NBR 7190:1997.

9
2. ESTRUTURA DA MADEIRA

2.1. CLASSIFICAÇÃO DAS ÁRVORES

Botanicamente as árvores são classificadas como Fanerogamas, que constituem
um grupo de plantas superiores, de elevada complexidade anatômica e
fisiológica. O grupo das Fanerogamas se subdivide em Gimnospermas e
Angiospermas.

Dentro do grupo das Gimnospermas destacam-se as Coníferas, conhecidas
internacionalmente como madeiras moles ou “soft woods”. Constituem
praticamente sozinhas, principalmente no hemisfério norte, grandes florestas e
fornecem madeiras das mais empregadas na indústria e na construção civil. Na
América do Sul destacam-se os Pinus e a Araucária.

O grupo das Angiospermas se divide em duas categorias: Monocotiledônias e
Dicotiledôneas.

Na categoria das Monocotiledônias encontram-se as palmas e gramíneas. As
palmas são madeiras que não apresentam boa durabilidade, mas podem ser
utilizadas de modo satisfatório em estruturas temporárias, como escoramentos e
cimbramentos. Nas gramíneas destaca-se o bambu, que não é madeira no
sentido usual da palavra, mas tendo em vista a sua boa resistência mecânica
associada à sua baixa densidade, presta-se para a construção leve.

Já as Dicotiledôneas são usualmente designadas como madeira dura ou “hard
woods”. Nesta categoria encontram-se as principais espécies utilizadas na
construção civil no Brasil.

2.2. FISIOLOGIA E CRESCIMENTO DA ÁRVORE

O crescimento principal da árvore ocorre verticalmente. Esse crescimento é
contínuo, apresentando variações em função das condições climáticas e da
espécie da madeira. Além desse crescimento vertical, ocorre também um
aumento do diâmetro do tronco devido ao crescimento das camadas periféricas
responsável pelo crescimento horizontal (câmbio). No corte transversal de um
tronco de árvore essas camadas aparecem como anéis de crescimento, figura 2.

Do ponto de vista macroscópico da árvore, podem-se observar as seguintes
características: do crescimento vertical resulta a medula (geralmente a madeira
mais fraca ou defeituosa); ao conjunto dos anéis de crescimento chama-se lenho,
o qual apresenta-se recoberto por um tecido especial chamado casca; entre a
casca e o lenho existe uma camada extremamente delgada, aparentemente
fluida, denominada câmbio.
A seiva bruta, retirada do solo, sobe pela camada periférica do lenho, o alburno,
até as folhas, onde se processa a fotossíntese produzindo a seiva elaborada que
desce pela parte interna da casca, o floema, até as raízes. Parte desta seiva
elaborada é conduzida radialmente até o centro do tronco por meio dos raios
medulares.
10

As substâncias não utilizadas pelas células como alimento são lentamente
armazenadas no lenho. A parte do lenho modificada por essas substâncias é
designada como cerne, geralmente mais densa, menos permeável a líquidos e
gases, mais resistente ao ataque de fungos apodrecedores e de insetos e
apresenta maior resistência mecânica. Em contraposição, o alburno, menos
denso, constituído pelo conjunto das camadas externas do lenho, mais
permeáveis a líquidos e gases está mais sujeito ao ataque de fungos
apodrecedores e insetos, além de apresenta menor resistência mecânica.




FIGURA 1 - Seção transversal do tronco de uma árvore (Fonte: MAINIERI, 1983)

2.3. ANATOMIA DO TECIDO LENHOSO

A madeira é constituída principalmente por células de forma alongada
apresentando vazio interno, mas tendo tamanhos e formas variadas, de acordo
com a sua função e com a classificação botânica da árvore.

11

FIGURA 2 - Descrição simplificada da anatomia da árvore (fonte: RITTER, 1990)


Observando ao microscópio o corte de uma árvore, são identificados
principalmente os seguintes elementos: traqueídes, vasos, fibras e raios
medulares.

As coníferas são constituídas principalmente por traqueídes e raios medulares
que têm como funções transportar a seiva bruta e dar resistência e rigidez à
madeira.








FIGURA 3 - Coníferas

As Dicotiledôneas são constituídas principalmente por fibras, parênquima, vasos e
raios. Neste caso têm-se os vasos com a função de transportar da seiva bruta, os
raios de transportar horizontalmente a seiva elaborada e as fibras de conferir
resistência e rigidez.





Traqueíd
es
Raio
s
12








FIGURA 4 - Dicotiledôneas

Os traqueídes constituem a maior parte da madeira das coníferas, têm
comprimento de 3 a 4 mm e diâmetro de 45 micra. Os vasos são designados nos
cortes transversais da madeira como poros, podendo ser simples ou múltiplos,
com diâmetros de 0,02mm até 0,5mm. As fibras apresentam pequeno vazio
interno conhecido como lumem, constituem a maior parte da madeira das
Dicotiledôneas e seu comprimento pode variar de 0,5mm a 1,5mm. Os raios
medulares destinam-se ao transporte radial da seiva elaborada e ao
armazenamento de material orgânico não utilizado na formação das células.

2.4. CARACTERÍSTICAS QUÍMICAS DA MADEIRA

A madeira apresenta o CH
2
O, um radical monossacarídio, como seu componente
orgânico elementar, formado a partir da fotossíntese que ocorre nas folhas
através da combinação do gás carbônico do ar com a água do solo e absorção de
energia calorífica, como mostra a equação abaixo:

CO
2
+ 2H
2
O + 112,3 Cal ÷ CH
2
O + H
2
O + O
2

Na seqüência ocorrem as reações de polimerização que originam os açúcares
que formam a maioria das substâncias orgânicas vegetais.

Em sua composição química a madeira apresenta grande quantidade de carbono,
fixado na celulose e lignina.

A madeira apresenta três componentes orgânicos principais, que são: celulose,
hemicelulose e lignina. A participação de cada um desses elementos varia de
acordo com a classificação botânica da árvore, como mostra o quadro abaixo:

TABELA 1 - Composição orgânica das madeiras (Fonte: HELLMEISTER, 1983)

Coníferas Dicotiledôneas
Celulose 48-56% 46-48%
Hemicelulose 23-26% 19-28%
Lignina 26-30% 26-35%
Vaso
s
Raio
s
Fibras
13
2.4.1. Celulose

A fórmula geral da celulose é n(C
6
H
10
O
5
), sendo esta um polímero constituído por
várias centenas de glucoses. As paredes das fibras, vasos e traqueídes são
formadas por celulose.

Cada conjunto de celulose apresenta três oxidrilas que podem unir-se a três
moléculas de água. Estas três moléculas de água e a celulose apresentam uma
relação em peso molecular de 1:3 (54/162), dando uma indicação da
porcentagem máxima de água de impregnação da celulose.

2.4.2. Lignina

A lignina age na madeira como um cimento, ligando as cadeias de celulose dando
rigidez e dureza ao material.

14
3. PROPRIEDADES FÍSICAS DA MADEIRA

Conhecer as propriedades físicas da madeira é de grande importância porque
estas propriedades podem influenciar significativamente no desempenho e
resistência da madeira utilizada estruturalmente.

Podem-se destacar os seguintes fatores que influem nas características físicas da
madeira:
- Classificação botânica.
- O solo e o clima da região de origem da árvore.
- Fisiologia da árvore.
- Anatomia do tecido lenhoso.
- Variação da composição química.

Devido a este grande número de fatores, os valores numéricos das propriedades
da madeira, obtidos em ensaios de laboratório, oscilam apresentando uma ampla
dispersão, que pode ser adequadamente representada pela distribuição de
Gauss.

Entre as características físicas da madeira cujo conhecimento é importante para
sua utilização como material de construção, destacam-se:
- Umidade.
- Densidade.
- Retratibilidade.
- Resistência ao fogo.
- Durabilidade natural.
- Resistência química.

Outro fator a ser considerado na utilização da madeira é o fato de se tratar de um
material ortotrópico, ou seja, com comportamentos diferentes em relação à
direção de crescimento das fibras. Devido à orientação das fibras da madeira e à
sua forma de crescimento, as propriedades variam de acordo com três eixos
perpendiculares entre si: longitudinal, radial e tangencial, como pode ser visto na
figura a seguir.

As diferenças das propriedades nas direções radial e tangencial são relativamente
menores quando comparadas com a direção longitudinal. Comumente as
propriedades da madeira são apresentadas, para utilização estrutural, somente no
sentido paralelo às fibras da madeira (longitudinal) e no sentido perpendicular às
fibras (radial e tangencial).
15

FIGURA 5- Eixos principais da madeira em relação à direção das fibras (Fonte:
Timber Bridges)


3.1. TEOR DE UMIDADE

A umidade da madeira é determinada pela seguinte expressão:

w
m m
m
=
÷
·
1 2
2
100
onde:
m
1
= massa úmida
m
2
= massa seca
w = umidade (%)

A norma brasileira para estruturas de madeira (NBR 7190:1997), apresenta, em
seu ANEXO B, um roteiro detalhado para a determinação da umidade de
amostras de madeira.

A água é importante para o crescimento e desenvolvimento da árvore,
constituindo uma grande porção da madeira verde.

Na madeira a água apresenta-se de duas formas, como água livre contida nas
cavidades das células (lumens), e como água impregnada contida nas paredes
das células.
16

FIGURA 6 - Umidade na madeira (Fonte: RITTER, 1990)


Quando a árvore é cortada, ela tende a perder rapidamente a água livre existente
em seu interior para, a seguir, perder a água de impregnação mais lentamente. A
umidade na madeira tende a um equilíbrio com a umidade e temperatura do
ambiente em que se encontra.

O teor de umidade correspondente ao mínimo de água livre e ao máximo de água
de impregnação é denominado de “Ponto de saturação das fibras”. Para as
madeiras brasileiras esta umidade encontra-se em torno de 25%. A perda de
água na madeira até o ponto de saturação das fibras se dá sem a ocorrência de
problemas para a estrutura da madeira. A partir deste ponto a perda de umi dade é
acompanhada pela retração (redução das dimensões) e aumento da resistência,
por isso a secagem deve ser executada com cuidado para se evitarem problemas
na madeira.

É importante destacar ainda que a umidade apresenta grande influência na
densidade da madeira.

Para fins de aplicação estrutural da madeira e para classificação de espécies, a
norma brasileira especifica a umidade de 12% como de referência para a
realização de ensaios e valores de resistência nos cálculos.

3.2. DENSIDADE

A norma brasileira apresenta duas definições de densidade a serem utilizadas em
estruturas de madeira. A primeira delas é a “Densidade Básica” da madeira
definida como a massa específica convencional obtida pelo quociente da massa
seca pelo volume saturado e pode ser utilizada para fins de comparação com
valores apresentados na literatura internacional. A segunda, definida como
“Densidade Aparente”, determinada para uma umidade padrão de referência de
12%, pode ser utilizada para classificação da madeira e nos cálculos de
estruturas.
17
3.3. RETRATIBILIDADE

Define-se retratibilidade como sendo a redução das dimensões em uma peça da
madeira pela saída da água de impregnação.

Como visto anteriormente a madeira apresenta comportamentos diferentes de
acordo com a direção em relação às fibras e aos anéis de crescimento. Assim, a
retração ocorre em porcentagens diferentes nas direções tangencial, radial e
longitudinal.

Em ordem decrescente de valores, encontra-se a retração tangencial com valores
de até 10% de variação dimensional, podendo causar também problemas de
torção nas peças de madeira. Na seqüência, a retração radial com valores da
ordem de 6% de variação dimensional, também pode causar problemas de
rachaduras nas peças de madeira. Por último, encontra-se a retração longitudinal
com valores de 0,5% de variação dimensional.

Apresenta-se a seguir um gráfico qualitativo para ilustrar a retração nas peças de
madeira.














FIGURA 7 - Retração na madeira


Um processo inverso também pode ocorrer, o inchamento, que se dá quando a
madeira fica exposta a condições de alta umidade onde ao invés de perder água
ela absorve, provocando um aumento nas dimensões das peças.

3.4. RESISTÊNCIA DA MADEIRA AO FOGO

Erroneamente, a madeira é considerada um material de baixa resistência ao fogo.
Isto de deve, principalmente, à falta de conhecimento das suas propriedades de
resistência quando submetida a altas temperaturas e quando exposta à chama,
pois, sendo bem dimensionada ela apresenta resistência ao fogo superior à de
outros materiais estruturais.
Uma peça de madeira exposta ao fogo torna-se um combustível para a
propagação das chamas, porém, após alguns minutos, uma camada mais externa
Retração
Umidade
Tangenci
al
Radial
Axial
PS PE(ar
)
1
0
6
0,5
PE= Umidade de equilíbrio
ao ar
PS= Ponto de saturação das
fibras
18
da madeira se carboniza tornando-se um isolante térmico, que retém o calor,
auxiliando, assim, na contenção do incêndio, evitando que toda a peça seja
destruída. A proporção de madeira carbonizada com o tempo varia de acordo com
a espécie e as condições de exposição ao fogo. Entre a porção carbonizada e a
madeira sã encontra-se uma região intermediária afetada pelo fogo mas não
carbonizada, porção esta que não deve ser levada em consideração na
resistência.




FIGURA 8 - Resistência ao fogo (Fonte: RITTER, 1990)


Outra característica importante da madeira com relação ao fogo é o fato de não
apresentar distorção quando submetida a altas temperaturas, tal como ocorre
com o aço, dificultando assim a ruína da estrutura, conforme pode ser observado
na figura 8. Essa figura apresenta os perfis metálicos retorcidos devido à perda de
resistência sob alta temperatura, apoiados sobre uma viga de madeira que,
apesar de carbonizada, ainda possui resistência.

3.5. DURABILIDADE NATURAL

A durabilidade da madeira, com relação à biodeterioração, depende da espécie e
das características anatômicas. Certas espécies apresentam alta resistência
natural ao ataque biológico enquanto outras são menos resistentes.

Outro ponto importante que deve ser destacado é a diferença na durabilidade da
madeira de acordo com a região da tora da qual a peça de madeira foi extraída,
pois, como visto anteriormente, o cerne e o alburno apresentam características
diferentes, incluindo-se aqui a durabilidade natural, com o alburno sendo muito
mais vulnerável ao ataque biológico.
19
A baixa durabilidade natural de algumas espécies pode ser compensada por um
tratamento preservativo adequado às peças, alcançando-se assim melhores
níveis de durabilidade, próximos dos apresentados pelas espécies naturalmente
resistentes.

3.6. RESISTÊNCIA QUÍMICA

A madeira, em linhas gerais, apresenta boa resistência a ataques químicos. Em
muitas indústrias é preferida em lugar de outros materiais que sofrem mais
facilmente o ataque de agentes químicos. Em alguns casos a madeira pode sofrer
danos devidos ao ataque de ácidos ou bases fortes. O ataque das bases provoca
aparecimento de manchas esbranquiçadas decorrentes da ação sobre a lignina e
a hemicelulose da madeira. Os ácidos também atacam a madeira causando uma
redução no seu peso e na sua resistência.

20
4. PROPRIEDADES MECÂNICAS DA MADEIRA

As propriedades mecânicas são as responsáveis pela resposta da madeira
quando solicitada por forças externas. São divididas em propriedades de
resistência e elasticidade.

A norma brasileira para estruturas de madeira apresenta os métodos de ensaio
para a determinação destas propriedades.

4.1. PROPRIEDADES ELÁSTICAS

Elasticidade é a capacidade do material de retornar à sua forma inicial, após
retirada a ação externa que o solicitava, sem apresentar deformação residual.
Apesar de não ser um material elástico ideal pois apresenta uma deformação
residual após a solicitação, a madeira pode ser considerada como tal para a
maioria das aplicações estruturais.

As propriedades elásticas são descritas por três constantes: o módulo de
elasticidade longitudinal (E), o módulo de elasticidade transversal (G) e o
coeficiente de Poisson (v). Como a madeira é um material ortotrópico, as
propriedades de elasticidade variam de acordo com a direção das fibras em
relação à direção de aplicação da força.

4.1.1. Módulo de Elasticidade (E)

De acordo com a norma brasileira trabalha-se com três valores de módulo de
elasticidade: o módulo de elasticidade longitudinal (E
0
), determinado através do
ensaio de compressão paralela às fibras da madeira; o módulo de elasticidade
normal (E
90
), que pode ser representado como uma fração do módulo de
elasticidade longitudinal pela seguinte expressão:

E
E
90
0
20
= (Fonte: NBR 7190:1997)

ou ser determinado por ensaio de laboratório; e o módulo de elasticidade na
flexão (E
M
), que também pode ser determinado de acordo com o método de
ensaio apresentado pela norma brasileira e pode ser relacionado com o módulo
de elasticidade longitudinal pelas expressões abaixo:

Para as coníferas E
M
= 0,85 E
0
(Fonte: NBR 7190:1997)
Para as dicotiledôneas E
M
= 0,90 E
0
(Fonte: NBR 7190:1997)
21
4.1.2. Módulo de elasticidade transversal (G)

Pode ser estimado a partir do módulo de elasticidade longitudinal (E
0
), pela
seguinte relação:

G
E
=
0
20
(Fonte: NBR 7190:1997)

4.1.3. Coeficiente de Poisson

A norma brasileira, NBR 7190:1997, não traz em seu texto nenhuma
especificação a respeito de valores do coeficiente de Poisson para a madeira.

4.2. PROPRIEDADES DE RESISTÊNCIA

Estas propriedades descrevem as resistências últimas de um material quando
solicitado por uma força.

Da mesma forma que o exposto anteriormente, as propriedades de resistência da
madeira também diferem segundo os três eixos principais, embora com valores
muito próximos nas direções tangencial e radial. Por isso, as propriedades de
resistência são analisadas segundo duas direções: paralela e normal às fibras.

4.2.1. Compressão

Três são as solicitações às quais se pode submeter a madeira na compressão:
normal, paralela ou inclinada em relação às fibras.

Quando a peça é solicitada por compressão paralela às fibras, as forças agem
paralelamente à direção do comprimento das células. Desta forma as células, em
conjunto, conferem uma grande resistência à madeira na compressão.

Para o caso de solicitação normal às fibras, a madeira apresenta valores de
resistência menores que os de compressão paralela, pois a força é aplicada na
direção normal ao comprimento das células, direção esta onde as células
apresentam baixa resistência. Os valores de resistência à compressão normal às
fibras são da ordem de 1/4 dos valores apresentados pela madeira na
compressão paralela. A figura 9 mostra de maneira simplificada o comportamento
da madeira quando solicitada à compressão.



22


FIGURA 9 - Comportamento da madeira na compressão (Fonte: RITTER, 1990)


Já para solicitações inclinadas em relação às fibras da madeira adotam-se valores
intermediários entre a compressão paralela e a normal, valores estes obtidos pela
expressão de Hankinson:

f
f f
f f
c
c c
c c
u
u u
=
·
· +
0 90
0
2
90
2
sen cos




FIGURA 10 - Compressão na madeira (Fonte: RITTER, 1990)
Compressão paralela: tendência de
encurtar as células da madeira ao longo
do seu eixo longitudinal.
Compressão normal: comprime as células
da madeira perpendicularmente ao eixo
longitudinal.
Compressão inclinada: age tanto paralela
como perpendicularmente às fibras.
23
4.2.2. Tração

Duas solicitações diferentes de tração podem ocorrer em peças de madeira:
tração paralela ou tração perpendicular às fibras da madeira. As propriedades da
madeira referentes a estas solicitações diferem consideravelmente.

A ruptura por tração paralela às fibras pode ocorrer de duas maneiras, por
deslizamento entre as células ou por ruptura das paredes das células. Em ambos
os modos de ruptura a madeira apresenta baixos valores de deformação e
elevados valores de resistência.

Já na ruptura por tração normal às fibras, a madeira apresenta baixos valores de
resistência. Na tração, análogo ao caso da compressão normal às fibras, os
esforços agem na direção perpendicular ao comprimento das fibras tendendo a
separá-las, alterando significativamente a sua integridade estrutural e apresenta
baixos valores de deformação. Deve-se evitar, para efeito de projetos, a
consideração da resistência da madeira quando solicitada à tração na direção
normal às fibras.


FIGURA 11 - Tração na madeira (Fonte: RITTER, 1990)

4.2.3. Cisalhamento

Existem três tipos de cisalhamento que podem ocorrer em peças de madeira. O
primeiro se dá quando a ação age no sentido perpendicular às fibras
(cisalhamento vertical), este tipo de solicitação não é crítico na madeira, pois,
antes de romper por cisalhamento a peça já apresentará problemas de resistência
na compressão normal.

Os outros dois tipos de cisalhamento referem-se à força aplicada no sentido
longitudinal às fibras (cisalhamento horizontal) e à força aplicada perpendicular às
linhas dos anéis de crescimento (cisalhamento “rolling”). O caso mais crítico é o
do cisalhamento horizontal que leva à ruptura pelo escorregamento entre as
Tração paralela: alongamento das
células da madeira ao longo do eixo
longitudinal
Tração normal: tende a separar as
células da madeira perpendicular ao
seus eixos, onde a resistência é
baixa, devendo ser evitada.
24
células de madeira. Já o cisalhamento “rolling” produz uma tendência das células
rolarem umas sobre as outras.

FIGURA 12 - Cisalhamento na madeira (Fonte: RITTER, 1990)

4.2.4. Flexão simples

Quando a madeira é solicitada à flexão simples ocorrem quatro tipos de esforços:
compressão paralela às fibras, tração paralela às fibras, cisalhamento horizontal e
nas regiões dos apoios compressão normal às fibras. A ruptura em peças de
madeira solicitadas à flexão ocorre pela formação de minúsculas falhas de
compressão seguidas pelo desenvolvimento de enrugamentos de compressão
macroscópicos. Este fenômeno gera o aumento da área comprimida na seção e a
redução da área tracionada, podendo, eventualmente, romper por tração.

FIGURA 13 - Flexão na madeira (Fonte: RITTER, 1990)
Cisalhamento vertical: deforma as células
da madeira perpendicularmente ao eixo
longitudinal. Normalmente não é
considerada pois, outras falhas ocorrerão
antes.
Cisalhamento horizontal: produz a
tendência das células da madeira de
separarem e escorregarem
longitudinalmente.
Cisalhamento perpendicular: Produz a
tendência das células da madeira rolarem
umas sobre as outras, transversalmente
ao eixo longitudinal.
25
4.2.5. Torção

As propriedades da madeira solicitadas por torção são muito pouco conhecidas. A
norma brasileira recomenda evitar a torção de equilíbrio em peças de madeira,
em virtude do risco de ruptura por tração normal às fibras decorrente do estado
múltiplo de tensões atuante.

4.2.6. Resistência ao choque

A resistência ao choque é a capacidade do material absorver rapidamente energia
pela deformação. A madeira é considerada um material de ótima resistência ao
choque. Existem várias formas de quantificar a resistência da madeira ao choque,
sendo que a norma brasileira prevê o ensaio de flexão dinâmica para determiná-
la.

4.3. FATORES QUE INFLUENCIAM NAS
PROPRIEDADES DA MADEIRA

Pelo fato da madeira ser um material de origem biológica, está sujeita a variações
na sua estrutura que podem acarretar mudanças nas suas propriedade. Estas
mudanças são resultantes de três fatores principais: anatômicos, ambientais e de
utilização.

4.3.1. Fatores anatômicos

Densidade

Quanto maior a densidade, maior é a quantidade de madeira por volume e como
conseqüência a resistência também aumenta.

Alguns cuidados devem ser tomados com valores da densidade, pois, a presença
de nós, resinas e extratos pode aumentar a densidade sem contudo contribuir
para uma melhoria significativa na resistência.

Outro fator importante a ser destacado refere-se à umidade da madeira quando
determinada a densidade, como descrito no item 3.2.

Inclinação das fibras

A inclinação das fibras tem uma influência significativa sobre as propriedades da
madeira a partir de certos valores. Esta inclinação descreve o desvio da
orientação das fibras da madeira em relação a uma linha paralela à borda da
peça.

A norma brasileira permite desconsiderar a influência da inclinação das fibras
para ângulos de até 6°. A partir deste valor deve-se verificar a variação das
propriedades da madeira pela fórmula de Hankinson, apresentada no item 4.2.1.
26

Nós

Os nós são originários dos galhos existentes nos troncos da madeira após o
desbaste dos mesmos. Existem dois tipos de nós, os soltos e os firmes. Ambos
reduzem a resistência da madeira pelo fato de interromperem a continuidade e
direção das fibras. Também podem causar efeitos localizados de tensão
concentrada. A influência de um nó depende do seu tamanho, localização, forma,
firmeza e do tipo de tensão considerada. No geral os nós têm maior influência na
tração do que na compressão.






FIGURA 14 - Presença de nós na madeira (MAINIERI, 1983)

Falhas naturais da madeira

Dois tipos de falhas principais podem ocorrer devido à natureza da madeira. A
primeira delas está relacionada com o encurvamento do tronco e dos galhos
durante o crescimento da árvore, alterando o alinhamento das fibras e podendo
influenciar na resistência. Outro fator a ser observado é a presença de alburno,
que por suas próprias características físicas apresenta valores de resistência
menores.

FIGURA 15 - Presença de alburno (Fonte: MAINIERI, 1983)


27
Presença de medula

Quando a peça serrada contém a medula, provoca diminuição da resistência
mecânica e facilita o ataque biológico. Podem também surgir rachaduras no cerne
próximo à medula, decorrentes de fortes tensões internas devidas ao
processamento.


FIGURA 16 - Medula (Fonte: MAINIERI, 1983)

Faixas de parênquima

As faixas de parênquima têm baixa densidade e pouca resistência mecânica.
Quando presentes em elementos submetidos à compressão, estes podem entrar
em ruína por separação dos anéis.



FIGURA 17 - Faixas de parênquima (Fonte: MAINIERI, 1983)
28
4.3.2. Defeitos por ataques biológicos

Estes defeitos surgem dos ataques provenientes de fungos ou insetos. Os insetos
causam as perfurações, que podem ser pequenas ou grandes, já os fungos
causam manchas azuladas e podridões (clara ou parda), como ilustrado na figura
abaixo.




Perfurações pequenas



Perfurações grandes



Podridão



Podridão



Mancha

FIGURA 18 - Ataques biológicos (Fonte: MAINIERI, 1983)

29
4.3.3. Defeitos de secagem

São originados pela deficiência dos sistemas de secagem e armazenamento das
peças. Podem ser: encanoamento, arqueamento, encurvamento, torcimento e
rachadura, como mostra a figura abaixo.


Encanoamento



Arqueamento





Encurvamento




Torcimento

FIGURA 19 - Defeitos de secagem (Fonte: MAINIERI, 1983)
4.3.4. Defeitos de processamento da madeira

São defeitos originados na manipulação, transporte, armazenamento e desdobro
da madeira. Destacam-se aqui dois defeitos principais: as arestas quebradas e a
variação da seção transversal, como mostra a figura 20.



Arestas quebradas


Variação da seção transversal

FIGURA 20 - Defeitos de processamento (Fonte: MAINIERI, 1983)


30


4.4. DIMENSÕES COMERCIAIS DA MADEIRA

Apresenta-se na tabela abaixo a nomenclatura, seguida das seções comerciais
das madeiras encontradas comercialmente no Brasil.

TABELA 2 - Madeira serrada
Nomenclatura Seção Transversal Nominal (cm)

Ripas 1,2 x 5,0 ;1,5 x 5,0
Ripões 2,0 x 5,0 ; 2,5 x 6,0
Sarrafos 2,0 x 10,0 ; 3,0 x 12,0 ; 3,0 x 16,0
Caibros 5,0 x 6,0 ; 6,0 x 6,0
Caibrões 5,0 x 8,0 ; 6,0 x 8,0
Pontaletes 7,5 x 7,5 ; 10,0 x 10,0
Vigotas, Vigas 6,0 x 12,0 ; 6,0 x 16,0
Tábuas 2,5 x 22,0 ; 2,5 x 30,0
Pranchas 4,0 x 20,0 ; 4,0 x 30,0
Pranchões 6,0 x 20,0 ; 6,0 x 30,0
Postes 12,0 x 12,0 ; 15,0 x 15,0

TABELA 3 - Postes roliços
Comprimento Tipo Diâmetro
(m) Base (cm) Topo (cm)
7 leve 18,5 13,7
8 leve 19,7 14,0
9 leve
médio
pesado
20,8
23,6
27,7
14,3
17,2
21,3
10 leve
médio
pesado
21,6
24,8
28,6
14,6
17,8
21,6
11 leve
médio
pesado
22,6
25,8
29,9
15,0
18,1
22,3
12 leve
médio
pesado
23,6
26,7
30,8
15,3
18,5
22,6
13 médio
pesado
25,4
29,6
16,2
20,4
14 médio
pesado
26,4
30,6
16,5
20,7
15 médio
pesado
27,0
30,8
16,5
20,4
16 médio
pesado
28,0
32,4
16,9
21,3
17 médio
pesado
29,3
33,7
17,5
22,0
18 médio
pesado
29,9
34,4
17,5
22,0
19 médio
pesado
31,2
36,3
17,8
22,0
20 médio
pesado
32,5
37,7
17,8
22,6

31
5. CONSIDERAÇÕES GERAIS PARA PROJETOS

5.1. INTRODUÇÃO

A norma brasileira para projeto de estruturas de madeira especifica que um
projeto é composto por memorial justificativo, desenhos e, também por plano de
execução quando há particularidades do projeto que interfiram na construção.

O memorial justificativo deve conter os seguintes elementos:

- Descrição do arranjo global tridimensional da estrutura.
- Esquemas adotados na análise dos elementos estruturais e identificação
de suas peças.
- Análise estrutural.
- Propriedades dos materiais.
- Dimensionamento e detalhamento esquemático das peças estruturais.
- Dimensionamento e detalhamento esquemático das emendas, uniões e
ligações.

Os desenhos devem estar em acordo com o anexo A da NBR 7190:1997.

Deve ser mantida coerência de nomenclatura entre o memorial justificativo, os
desenhos e as relações entre os cálculos e detalhamentos.

5.2. HIPÓTESES BÁSICAS DE SEGURANÇA

5.2.1. Estados limites

São os estados assumidos pela estrutura, a partir dos quais apresenta
desempenhos inadequados às finalidades da construção.

Estados limites últimos

Estados que por sua simples ocorrência determinam a paralisação, no todo ou em
parte, do uso da construção.

Estados limites de utilização

Estados que por sua ocorrência, repetição ou duração, causam efeitos estruturais
que não respeitam as condições especificadas para o uso normal da construção,
ou que são indícios de comprometimento da durabilidade da construção.
32
.3. Ações

A norma brasileira NBR 8681 (Ações e segurança nas estruturas) define ações
como as causas que provocam esforços ou deformações nas estruturas. As
ações podem ser de três tipos:

a) Ações permanentes: são aquelas que apresentam pequena variação
durante praticamente toda a vida da construção.
b) Ações variáveis: ao contrário das ações permanentes as ações variáveis
apresentam variação significativa durante a vida da construção.
c) Ações excepcionais: são aquelas que apresentam duração
extremamente curta, e com baixa probabilidade de ocorrência, durante a
vida da construção.

Para a elaboração dos projetos, as ações devem ser combinadas, com a
aplicação de coeficientes sobre cada uma delas, para levar em conta a
probabilidade de ocorrência simultânea. A aplicação das ações deve ser feita de
modo a se conseguirem as situações mais críticas para a estrutura.

A fim de levar em conta o bom comportamento estrutural da madeira para cargas
de curta duração, na verificação da segurança em relação a estados limites
últimos, pode-se fazer uma redução de 25% sobre as solicitações.

No caso da verificação de peças metálicas, inclusive nos elementos de ligação,
deve ser considerada a totalidade dos esforços devidos à ação do vento.

5.3.1. Classes de carregamento

As classes de carregamento de qualquer combinação de ações é definida pela
duração acumulada prevista para a ação variável tomada como principal na
combinação. As classe de carregamento estão especificadas na tabela abaixo.

TABELA 4 - Classes de carregamento (Fonte: NBR 7190:1997)

Classe de carregamento Ação variável principal da combinação
Duração acumulada Ordem de grandeza da
duração acumulada da
ação característica
Permanente
Longa duração
Média duração
Curta duração
Duração instantânea
Permanente
Longa duração
Média duração
Curta duração
Duração instantânea
vida útil da construção
mais de 6 meses
1 semana a 6 meses
menos de 1 semana
muito curta
5.3.2. Carregamentos

Carregamento normal

33
Um carregamento é normal quando inclui apenas as ações decorrentes do uso
previsto para a construção, é considerado de longa duração e deve ser verificado
nos estados limites último e de utilização.

Como exemplo podemos citar para coberturas a consideração do peso próprio e
do vento e para pontes o peso próprio junto com o trem-tipo.

Carregamento especial

Neste carregamento estão incluídas as ações variáveis de natureza ou
intensidade especiais, superando os efeitos considerados para um carregamento
normal. Como por exemplo o transporte de um equipamento especial sobre uma
ponte, que supere o carregamento do trem-tipo considerado.

A classe de carregamento é definida pela duração acumulada prevista para a
ação variável especial.

Carregamento excepcional

Na existência de ações com efeitos catastróficos o carregamento é definido como
excepcional, e corresponde à classe de carregamento de duração instantânea.
Como exemplo temos a ação de um terremoto.

Carregamento de construção

Outro caso particular de carregamento é o de construção, onde os procedimentos
de construção podem levar a estados limites últimos, como por exemplo o
içamento de uma treliça.

Determina-se a classe de carregamento pela duração acumulada da situação de
risco.

5.3.3. Situações de projeto

São três as situações de projeto que podem ser consideradas: duradouras,
transitórias e excepcionais.

Nas situações duradouras são verificados os estados limites últimos e de
utilização, devem ser consideradas em todos os projetos e têm a duração igual ao
período de referência da estrutura. Para os estados limites últimos consideram-se
as combinações normais de carregamento (item 5.3.2), enquanto que para os
estados limites de utilização devem ser verificadas as combinações de longa ou
média duração.

Quando a duração for muito menor que o período de vida da construção tem-se
uma situação transitória. Deve ser verificada quando existir um carregamento
especial para a construção e na maioria dos casos pode-se verificar apenas
estados limites últimos. Caso seja necessária a verificação dos estados limites de
utilização, ela deve ser feita com combinações de média ou curta duração.

34
As situações com duração extremamente curta são consideradas excepcionais e
somente são verificadas para os estados limites últimos.

5.3.4. Combinações de ações

Estados limites últimos

Combinações últimas normais

F F F F
d gi gi k Q Q k j Qj k
j
n
i
m
= + +
|
\

|
.
|
= =
¿ ¿
¸ ¸ ¢
, , , 1 0
2 1


Neste caso as ações variáveis são divididas em dois grupos, as principais (F
q1,k
) e
as secundárias (F
qj,k
) com seus valores reduzidos pelo coeficiente ¢
0j
, que leva
em conta a baixa probabilidade de ocorrência simultânea das ações variáveis.
Para as ações permanentes devem ser feitas duas verificações, a favorável e a
desfavorável, por meio do coeficiente ¸
g
.

Combinações últimas especiais ou de construção

F F F F
d gi gi k Q Q k j ef Qj k
j
n
i
m
= + +
|
\

|
.
|
= =
¿ ¿
¸ ¸ ¢
, , , , 1 0
2 1


A única alteração em relação às combinações últimas normais está na
consideração do coeficiente ¢
0j
, que será o mesmo, a menos que a ação variável
principal F
Q1
tenha um tempo de atuação muito pequeno, neste caso ¢
0j,ef
= ¢
2j
.

Combinações últimas excepcionais

F F F F
d gi gi k Q exc Q j ef Qj k
j
n
i
m
= + +
= =
¿ ¿
¸ ¸ ¢
, , , , 0
1 1


Neste caso a diferença está na consideração da ação transitória excepcional sem
coeficientes.
35
Estados limites de utilização

Combinações de longa duração

F F F
d uti gi k j Qj k
j
n
i
m
, , ,
= +
= =
¿ ¿
¢
2
1 1


Esta combinação é utilizada no controle usual de deformações das estruturas. As
ações variáveis atuam com seus valores correspondentes à classe de longa
duração.

Combinações de média duração

F F F F
d uti gi k Q k j Qj k
j
n
i
m
, , , ,
= + +
= =
¿ ¿
¢ ¢
1 1 2
2 1


Utiliza-se esta combinação no caso de existirem materiais frágeis não estruturais
ligados à estrutura. Nestas condições a ação variável principal atua com valores
de média duração e as demais com os valores de longa duração.

Combinações de curta duração

F F F F
d uti gi k Q k j Qj k
j
n
i
m
, , , ,
= + +
= =
¿ ¿
1 1
2 1
¢

São utilizadas quando for importante impedir defeitos decorrentes das
deformações da estrutura. Neste caso a ação variável principal atua com seus
valores referentes a média duração.

Combinações de duração instantânea

F F F F
d uti gi k Q esp j Qj k
j
n
i
m
, , , ,
= + +
= =
¿ ¿
¢
2
1 1


Neste caso tem-se a ação variável especial e as demais ações variáveis agindo
com valores referentes a combinações de longa duração.

5.3.5. Coeficientes para as combinações de ações

Combinações últimas

Para as combinações nos estados limites últimos são utilizados os seguintes
coeficientes:
¸
g
= coeficiente para as ações permanentes
¸
Q
= coeficiente de majoração para as ações variáveis
¢
0
= coeficiente de minoração para as ações variáveis secundárias
¢
0,ef
= coeficiente de minoração para as ações variáveis secundárias de
longa duração

36
Os valores dos coeficientes apresentados pela norma são os seguintes:

Ações permanentes (¸
g
)

Ações permanentes de pequena variabilidade

A norma brasileira considera como de pequena variabilidade o peso da madeira
classificada estruturalmente cuja densidade tenha coeficiente de variação não
superior a 10%, e especifica para este caso os seguintes valores:

TABELA 5 - Ações permanentes de pequena variabilidade
(Fonte: NBR 7190:1997)

Combinações
para efeitos(*)
desfavoráveis favoráveis
Normais
g
¸ = 1,3
g
¸ = 1,0
Especiais ou de Construção
g
¸ = 1,2
g
¸ = 1,0
Excepcionais
g
¸ = 1,1
g
¸ = 1,0
(
*
) podem ser usados indiferentemente os símbolos
g
¸ ou
G
¸

Ações permanentes de grande variabilidade

Quando o peso próprio da estrutura não supera 75% da totalidade dos pesos
permanentes, adotam-se os valores apresentados na tabela 6.

TABELA 6 - Ações permanentes de grande variabilidade (Fonte: NBR 7190:1997)

Combinações para efeitos
desfavoráveis favoráveis
Normais
g
¸ = 1,4
g
¸ = 0,9
Especiais ou de Construção
g
¸ = 1,3
g
¸ = 0,9
Excepcionais
g
¸ = 1,2
g
¸ = 0,9

Ações permanentes indiretas

Para as ações permanentes indiretas, como os efeitos de recalques de apoio e de
retração dos materiais, adotam-se os valores indicados na tabela 7.

37
TABELA 7 - Ações permanentes indiretas (Fonte: NBR 7190:1997)

Combinações para efeitos
desfavoráveis favoráveis
Normais
c
¸ = 1,2
c
¸ = 0
Especiais ou de Construção
c
¸ = 1,2
c
¸ = 0
Excepcionais
c
¸ = 0
c
¸ = 0


Ações variáveis (¸
Q
)

A norma brasileira especifica os seguintes valores para ¸
q
em análise de
combinações últimas:

TABELA 8 - Ações variáveis (Fonte: NBR 7190:1997)

Combinações ações variáveis em geral
incluídas as cargas acidentais
móveis
efeitos da
temperatura
Normais
Q
¸ = 1,4
c
¸ = 1,2
Especiais ou de Construção
Q
¸ = 1,2
c
¸ = 1,0
Excepcionais
Q
¸ = 1,0
c
¸ = 0


Ações variáveis secundárias (¢
0
)

Este coeficiente varia de acordo com a ação considerada, como pode ser visto na
tabela 9.


38
Ações variáveis secundárias de longa duração (¢
0,ef
)

O coeficiente de minoração para ações variáveis secundárias (¢
0,ef
) é igual ao
coeficiente de minoração para ações variáveis (¢
0
) adotado nas combinações
normais, salvo quando a ação variável principal F
Q1
tiver um tempo de atuação
muito pequeno, caso este, em que ¢
0,ef
pode ser tomado com o correspondente
valor de ¢
2
, utilizado nas combinações de estados limites de utilização.

Combinações de utilização

Para as combinações nos estados limites de utilização são utilizados os seguintes
coeficientes:

¢
1
= coeficiente para as ações variáveis de média duração
¢
2
= coeficiente para as ações variáveis de longa duração

Os valores de ¢
1
e ¢
2
são apresentados na tabela 9.


TABELA 9 - Fatores de minoração (Fonte: NBR 7190:1997)

Ações em estruturas correntes
+
0
+
1
+
2

- Variações uniformes de temperatura em
relação à média anual local
- Pressão dinâmica do vento

0,6
0,5

0,5
0,2

0,3
0
Cargas acidentais dos edifícios
+
0
+
1
+
2

- Locais em que não há predominância de
pesos de equipamentos fixos, nem de
elevadas concentrações de pessoas
- Locais onde há predominância de pesos de
equipamentos fixos, ou de elevadas
concentrações de pessoas
- Bibliotecas, arquivos, oficinas e
garagens


0,4


0,7

0,8


0,3


0,6

0,7


0,2


0,4

0,6
Cargas móveis e seus efeitos dinâmicos
+
0
+
1
+
2

- Pontes de pedestres
- Pontes rodoviárias
- Pontes ferroviárias (ferrovias não
especializadas)
0,4
0,6

0,8
0,3
0,4

0,6
0,2
*

0,2
*
0,4
*

*
Admite-se +
2
=0 quando a ação variável principal corresponde a um efeito
sísmico


39
6. PROPRIEDADES DE RESISTÊNCIA E RIGIDEZ DA
MADEIRA

6.1. PROPRIEDADES DA MADEIRA A SEREM
CONSIDERADAS

São quatro as propriedades da madeira a serem consideradas no
dimensionamento de elementos estruturais: densidade, resistência, rigidez ou
módulo de elasticidade e umidade.

A densidade é utilizada na determinação do peso próprio do madeiramento da
estrutura, e pode-se adotar o valor da densidade aparente, como definida no item
3.2.

Para a resistência, podem ser utilizados valores obtidos de ensaios de
caracterização de espécies realizados em laboratório ou valores de resistências
fornecidos pela norma brasileira de estruturas de madeira que apresenta as
características de diversas espécies ou de acordo com a classe de resistência
que a espécie pertence. Estes valores de resistência são determinados
convencionalmente pela máxima tensão que pode ser aplicada a corpos-de-prova
normalizados e isentos de defeitos até o aparecimento de fenômenos particulares
de comportamento além dos quais há restrição de emprego do material em
elementos estruturais.

O módulo de elasticidade da madeira determina o seu comportamento na fase
elástico-linear. Devem ser conhecidos os módulos nas direções paralela (E
0
) e
normal (E
90
) às fibras. Na falta da determinação experimental do módulo de
elasticidade na direção normal às fibras pode ser utilizada a seguinte relação:

E E
90 0
1
20
=

Como já visto anteriormente, a umidade presente na madeira pode alterar as suas
propriedades de resistência e elasticidade, por isso, deve-se ajustar estas
propriedades em função das condições ambientais onde permanecerão as
estruturas. Este ajuste é feito em função das classes de umidade como
apresentado na tabela 10.

Os valores das propriedades de resistência e elasticidade da madeira
apresentados neste trabalho são referentes à umidade padrão de referência de
12%. Caso alguma propriedade seja obtida por ensaios de laboratório com teor
diferente de umidade (10% s U s 20%) deve-se fazer a correção pelas seguintes
expressões:
- Resistência:
( )
(
¸
(

¸

÷
+ =
100
12 % U 3
1
% U
f
12
f

- Elasticidade:
( )
(
¸
(

¸

÷
+ =
100
12 % U 2
1
% U
E
12
E


40
TABELA 10 - Classes de umidade (Fonte: NBR 7190:1997)

Classes de umidade Umidade relativa do
ambiente
amb
U

Umidade de equilíbrio
da madeira
eq
U

1 s 65° 12°
2 65° <
amb
U
s 75° 15°
3 75° <
amb
U
s 85° 18°

4
amb
U
> 85°
durante longos
períodos

> 25°


Para valores de umidade superior a 20% e temperaturas entre 10°C e 60°C
admite-se como desprezível as variações nas propriedades da madeira.

Na hipótese de execução da classificação de um lote de madei ra para utilização
estrutural, a norma brasileira especifica três procedimentos distintos que podem
ser tomados para a caracterização das propriedades de resistência e um
procedimento para as propriedades de elasticidade, como descritos a seguir:

6.1.1. Caracterização completa da resistência da madeira serrada

Esta caracterização é recomendada para espécies de madeira não conhecidas, e
consiste da determinação das seguintes propriedades:

- Resistência à compressão paralela às fibras (f
c,0
).
- Resistência à tração paralela às fibras (f
t,0
).
- Resistência à compressão normal às fibras (f
c,90
).
- Resistência à tração normal às fibras (f
t,90
).
- Resistência ao cisalhamento paralelo às fibras (f
v,0
).
- Resistência de embutimento paralelo (f
e,0
) e normal (f
e,90
) às fibras.
- Densidade básica.

Todos os procedimentos para a realização dos ensaios de classificação estão
descritos no anexo E da norma brasileira.

6.1.2. Caracterização mínima da resistência da madeira serrada

Esta caracterização é recomendada para espécies de madeira pouco conhecidas,
e consiste da determinação das seguintes propriedades:

- Resistência à compressão paralela às fibras (f
c,0
).
- Resistência à tração paralela às fibras (f
t,0
).
- Resistência ao cisalhamento paralelo às fibras (f
v,0
).
41
- Densidade básica e densidade aparente.

No caso da impossibilidade da execução dos ensaios de tração pode-se admitir
que este valor seja igual ao da resistência à tração na flexão.

6.1.3. Caracterização simplificada da resistência da madeira serrada

Para espécies de madeira usuais pode-se fazer a classificação simplificada a
partir dos ensaios de compressão paralela às fibras, adotando-se as seguintes
relações para os valores característicos das resistências:

f
c0,k
/ f
t0,k
= 0,77
f
tm,k
/ f
t0,k
= 1,0
f
c90,k
/ f
c0,k
= 0,25
f
e0,k
/ f
c0,k
= 1,0
f
e90,k
/ f
c0,k
= 0,25
Para coníferas: f
v0,k
/ f
c0,k
= 0,15
Para dicotiledôneas: f
v0,k
/ f
c0,k
= 0,12

6.1.4. Caracterização da rigidez da madeira

Caracterização completa

A caracterização completa da rigidez da madeira é feita por meio da determinação
dos seguintes valores, que devem ser referidos à condição padrão de umidade
(U=12%), com a realização de pelo menos dois ensaios:

- Valor médio do módulo de elasticidade na compressão paralela (E
c0,m
).
- Valor médio do módulo de elasticidade na compressão normal (E
c90,m
).

Os valores dos módulos de elasticidade na compressão e tração são
considerados equivalentes.

Caracterização simplificada

Pode ser feita apenas na compressão paralela às fibras:

- Valor médio do módulo de elasticidade na compressão paralela (E
c0,m
).
- Na direção normal vale a relação: E
c90
= (1/20) E
c0
.

Caso não seja possível a realização de ensaios de compressão paralela, pode-se
adotar correlações com valores do módulo de elasticidade na flexão como
descrito no capítulo 4.

Visando a padronização das propriedades da madeira, a norma adota o conceito
de classes de resistência, propiciando, assim, a utilização de várias espécies com
propriedades similares em um mesmo projeto. Para isto, o lote de madeira deve
ter sido classificado e o revendedor deve apresentar certificados de laboratórios
idôneos, que comprovem as propriedades do lote dentro de uma das classes de
resistência.
42

TABELA 11 - Classes de resistência das coníferas (Fonte NBR 7190:1997)

Coníferas
(Valores na condição padrão de referência U = 12°)

Classe

f
cok

(MPa)

f
vk
(MPa)

E
co,m

(MPa)

µ
bas,m

(kg/m
3
)

µ
aparente

(kg/m
3
)
C 20
C 25
C 30
20
25
30
4
5
6
3 500
8 500
14.500
400
450
500
500
550
600


TABELA 12 - Classes de resistência das dicotiledôneas (Fonte NBR 7190:1997)

Dicotiledôneas
(Valores na condição padrão de referência U = 12°)

Classe

f
cok
(MPa)

f
vk

(MPa)

E
co,m
(MPa)

µ
bas,m

(kg/m
3
)

µ
aparente

(kg/m
3
)
C 20
C 30
C 40
C 60
20
30
40
60
4
5
6
8
9 500
14.500
19.500
24.500
500
650
750
800
650
800
950
1000


No caso da utilização de uma espécie em particular, com a sua identificação
correta, e não sendo possível a classificação do lote para a obtenção das
propriedades, pode-se utilizar os valores apresentados na tabela 13.




43
TABELA 13 - Propriedades de algumas espécies de madeira
(Fonte: NBR 7190:1997)

Nome comum Nome científico µap(12°)
(Kg/m
3
)
fc0
(MPa)
ft0
(MPa)
ft90
(MPa)
fv
(MPa)
Ec0
(MPa)

n
Angelim Araroba Votaireopsis araroba 688 50,5 69,2 3,1 7,1 12876 15
Angelim Ferro Hymenolobium spp 1170 79,5 117,8 3,7 11,8 20827 20
Angelim Pedra Hymenolobium petraeum 694 59,8 75,5 3,5 8,8 12912 39
Angelim Pedra V. Dinizia excelsa 1170 76,7 104,9 4,8 11,3 16694 12
Branquilho Termilalia spp 803 48,1 87,9 3,2 9,8 13481 10
Cafearana Andira spp 677 59,1 79,7 3,0 5,9 14098 11
Canafístula Cassia ferruginea 871 52,0 84,9 6,2 11,1 14613 12
Casca Grossa Vochysia spp 801 56,0 120,2 4,1 8,2 16224 31
Castelo Gossypiospermum praecox 759 54,8 99,5 7,5 12,8 11105 12
Cedro Amargo Cedrella odorata 504 39,0 58,1 3,0 6,1 9839 21
Cedro Doce Cedrella spp 500 31,5 71,4 3,0 5,6 8058 10
Champagne Dipterys odorata 1090 93,2 133,5 2,9 10,7 23002 12
Cupiúba Goupia glabra 838 54,4 62,1 3,3 10,4 13627 33
Catiúba Qualea paraensis 1221 83,8 86,2 3,3 11,1 19426 13
E. Alba Eucalyptus alba 705 47,3 69,4 4,6 9,5 13409 24
E. Camaldulensis Eucalyptus camaldulensis 899 48,0 78,1 4,6 9,0 13286 18
E. Citriodora Eucalyptus citriodora 999 62,0 123,6 3,9 10,7 18421 68
E. Cloeziana Eucalyptus cloeziana 822 51,8 90,8 4,0 10,5 13963 21
E. Dunnii Eucalyptus dunnii 690 48,9 139,2 6,9 9,8 18029 15
E. Grandis Eucalyptus grandis 640 40,3 70,2 2,6 7,0 12813 103
E. Maculata Eucalyptus maculata 931 63,5 115,6 4,1 10,6 18099 53
E. Maidene Eucaliptus maidene 924 48,3 83,7 4,8 10,3 14431 10
E. Microcorys Eucalyptus microcorys 929 54,9 118,6 4,5 10,3 16782 31
E. Paniculata Eucalyptus paniculata 1087 72,7 147,4 4,7 12,4 19881 29
E. Propinqua Eucalyptus propinqua 952 51,6 89,1 4,7 9,7 15561 63
E. Punctata Eucalyptus punctata 948 78,5 125,6 6,0 12,9 19360 70
E. Saligna Eucalyptus saligna 731 46,8 95,5 4,0 8,2 14933 67
E. Tereticornis Eucalyptus tereticornis 899 57,7 115,9 4,6 9,7 17198 29
E. Triantha Eucalyptus triantha 755 53,9 100,9 2,7 9,2 14617 08
E. Umbra Eucalyptus umbra 889 42,7 90,4 3,0 9,4 14577 08
E. Urophylla Eucalyptus urophylla 739 46,0 85,1 4,1 8,3 13166 86
Garapa Roraima Apuleia leiocarpa 892 78,4 108,0 6,9 11,9 18359 12
Guaiçara Luetzelburgia spp 825 71,4 115,6 4,2 12,5 14624 11
Guarucaia Peltophorum vogelianum 919 62,4 70,9 5,5 15,5 17212 13
Ipê Tabebuia serratifolia 1068 76,0 96,8 3,1 13,1 18011 22
Jatobá Hymenaea spp 1074 93,3 157,5 3,2 15,7 23607 20
Louro Preto Ocotea spp 684 56,5 111,9 3,3 9,0 14185 24
Maçaranduba Manilkara spp 1143 82,9 138,5 5,4 14,9 22733 12
Mandioqueira Qualea spp 856 71,4 89,1 2,7 10,6 18971 16
Oiticica Amarela Clarisia racemosa 756 69,9 82,5 3,9 10,6 14719 12
Pinho do Paraná Araucaria angustifolia 580 40,9 93,1 1,6 8,8 15225 15
Pinus caribea Pinus caribea var. caribea 579 35,4 64,8 3,2 7,8 8431 28
Pinus
bahamensis
Pinus caribea var.bahamensis 537 32,6 52,7 2,4 6,8 7110 32
Pinus
hondurensis
Pinus caribea var.hondurensis 535 42,3 50,3 2,6 7,8 9868 99
Pinus elliottii Pinus elliottii var. elliottii 560 40,4 66,0 2,5 7,4 11889 21
Pinus oocarpa Pinus oocarpa shiede 538 43,6 60,9 2,5 8,0 10904 71
Pinus taeda Pinus taeda L. 645 44,4 82,8 2,8 7,7 13304 15
Quarubarana Erisma uncinatum 544 37,8 58,1 2,6 5,8 9067 11
Sucupira Diplotropis spp 1106 95,2 123,4 3,4 11,8 21724 12
Tatajuba Bagassa guianensis 940 79,5 78,8 3,9 12,2 19583 10

As propriedades de resistência rigidez aqui apresentadas foram determinadas
pelos ensaios realizados no Laboratório de Madeiras e de Estruturas de
Madeiras (LaMEM) da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da
Universidade de São Paulo.

µap(12°) = massa específica aparente a 12° de umidade
fc0 = resistência à compressão paralela às fibras
ft0 = resistência à tração paralela às fibras
ft90 = resistência à tração normal às fibras
fv = resistência ao cisalhamento
Ec0 = módulo de elasticidade longitudinal obtido no ensaio de compressão paralela às fibras
n = número de corpos de prova ensaiados

44
6.2. VALORES REPRESENTATIVOS DAS
PROPRIEDADES DA MADEIRA

A realização de ensaios de laboratório para a determinação das propriedades da
madeira fornece, a partir da análise estatística dos resultados, valores médios
dessas propriedades (X
m
).

Para a utilização destas propriedades em cálculos de estruturas de madeira estes
devem ser transformados em valores característicos (X
k
), para, na seqüência,
serem obtidos os valores de cálculo (X
d
).

A obtenção de valores característicos para resistência de espécies de madeira já
investigadas por laboratórios idôneos, é feita a partir dos valores médios dos
ensaios pela seguinte relação:

X
k,12
= 0,7X
m,12


Caso seja feita uma investigação direta da resistência para uma dada espécie de
madeira, os valores devem ser obtidos de acordo com o tipo de classificação
adotado. Para a caracterização simplificada de espécies usuais deve-se extrair
uma amostra composta por pelo menos 6 exemplares, retirados de modo
aleatório do lote, que serão ensaiados à compressão paralela às fibras. Já para a
caracterização mínima de espécies pouco conhecidas, de cada lote serão
ensaiados no mínimo 12 corpos-de-prova, para cada uma das resistências a
serem determinadas.

Cada lote ensaiado não deve ter volume superior a 12 m
3
e todos os valores
devem ser expressos para o teor de umidade padrão de 12%.

O valor característico da resistência deve ser estimado pela expressão:

X
X X X
n
X
k
n
n
=
+ + +
÷
÷
|
\

|
.
|
|
|
·
÷
2
2
1
11
1 2
2
1
2
.....
,
onde: n = número de corpos-de-prova ensaiados.

Os resultados devem ser colocados em ordem crescente X
1
s X
2
s .... s X
n
,
desprezando-se o valor mais alto se o número de corpos-de-prova for ímpar e,
não se tomando para X
k
valor inferior a X
1
e nem a 0,7 do valor médio.

Obtidos os valores característicos das propriedades da madeira pode-se obter o
valor de cálculo X
d
, pela seguinte expressão:

X K
X
d
k
w
=
mod
¸


para:
- ¸
w
= coeficiente de minoração das propriedades da madeira
- K
mod
= coeficiente de modificação
45
6.2.1 Coeficientes de modificação (K
mod
)

Os coeficientes de modificação afetam os valores de cálculo de propriedades da
madeira em função da classe de carregamento da estrutura, da classe de
umidade e da qualidade da madeira utilizada.

O coeficiente de modificação é determinado pela expressão a seguir:

K
mod
= K
mod,1
·K
mod,2
·K
mod,3


O coeficiente de modificação K
mod,1
, que leva em conta a classe de carregamento
e o tipo de material empregado, é dado pela tabela 14.

TABELA 14 - Valores de K
mod,1
(Fonte: NBR 7190:1997)

TIPOS DE MADEIRA
Classes de
carregamento
Madeira serrada
Madeira laminada colada
Madeira compensada
Madeira
recomposta
Permanente 0,60 0,30
Longa duração 0,70 0,45
Média duração 0,80 0,65
Curta duração 0,90 0,90
Instantânea 1,10 1,10

O coeficiente de modificação K
mod,2
, que leva em conta a classe de umidade e o
tipo de material empregado, é dado pela tabela 15.


TABELA 15 - Valores de K
mod,2
(Fonte NBR 7190:1997)


Classes de umidade
Madeira serrada
Madeira laminada colada
Madeira compensada
Madeira
recomposta
(1) e (2)
(3) e (4)
1,0
0,8
1,0
0,9

Caso a madeira serrada seja utilizada submersa, deve-se adotar o seguinte valor
para o coeficiente de modificação: K
mod,2
= 0,65.

46
O coeficiente de modificação K
mod,3
, leva em conta a categoria da madeira
utilizada. Para madeira de primeira categoria, ou seja, aquela que passou por
classificação visual para garantir a isenção de defeitos e por classificação
mecânica para garantir a homogeneidade da rigidez, o valor de K
mod,3
é 1,0. Caso
contrário, a madeira é considerada como de segunda categoria e o valor de K
mod,3

é 0,8.

Para o caso particular das coníferas, deve-se sempre adotar o valor de 0,8, para
levar em conta a presença de nós não detectáveis pela inspeção visual.

Nas verificações de segurança que dependem da rigidez da madeira, o módulo de
elasticidade na direção paralela às fibras deve ser tomado como:

E
co,ef
= K
mod,1
·K
mod,2
·K
mod,3
·E
c0,m


6.2.2. Coeficientes de ponderação (¸
w
)

Para estados limites últimos

A norma brasileira especifica os valores dos coeficientes de ponderação, de
acordo com a solicitação:

- Compressão paralela às fibras: ¸
wc
= 1,4
- Tração paralela às fibras: ¸
wt
= 1,8
- Cisalhamento paralelo às fibras: ¸
wv
= 1,8

Para estados limites de utilização

Adota-se o valor básico de ¸
w
= 1,0.


47
7. CRITÉRIOS DE DIMENSIONAMENTO

7.1. ESTADOS LIMITES ÚLTIMOS

7.1.1. Compressão paralela às fibras

A solicitação de compressão paralela às fibras da madeira pode ocorrer em
barras de treliça, pilares não submetidos a forças excêntricas ou a forças que
provoquem flexão, ou ainda, em elementos componentes de contraventamentos
ou travamentos de conjuntos estruturais.

O critério de dimensionamento de peças estruturais de madeira solicitadas à
compressão paralela às fibras depende diretamente do índice de esbeltez (ì) que
ela apresenta. Este índice é calculado a partir da seguinte expressão:

ì =
L
i
min
0


sendo i
min
o raio de giração mínimo da seção transversal do elemento estrutural e
L
0
o comprimento de flambagem do elemento, podendo assumir os seguintes
valores:
- L
0
=2L, no caso em que uma extremidade do elemento estrutural esteja
engastada e a outra livre.
- L
0
=L, nos demais casos.

Peças curtas (ìs40)

Para elementos estruturais comprimidos axialmente a condição de segurança é
expressa por:

d c d c
f
, 0 , 0
s o , onde:

o
c0,d
=tensão de compressão atuante (valor de cálculo);
f
c0,d
=resistência de cálculo à compressão.




EXEMPLO 1: Verificar se uma barra de treliça, L
0
=133 cm, seção transversal de
2x(3cmx12cm), é suficiente para resistir a uma solicitação de:

Carga permanente: -675 daN
Vento de pressão: -294 daN

Considerar: Dicotiledônea - classe C60.




48

Propriedades geométricas:

A=72 cm
2


I
min
=864 cm
4


i
min
=3,46 cm

ì=38 < 40 - Peça curta


Combinação das ações: Permanente + Vento = Comb. última normal

F F F F
d gi gi k Q Q k j Qj k
j
n
i
m
= + +
|
\

|
.
|
= =
¿ ¿
¸ ¸ ¢
, , , 1 0
2 1

Não existe ação variável secundária

Coeficientes:
¸
g
=1,4 (Ação permanente de grande variabilidade)
¸
Q
=1,4 (Ação variável - normal)
Ação variável de curta duração: redução=0,75

F
d
=1,4x675 + 0,75x1,4x294 = 1254 daN

Propriedades da madeira:

Cálculo de f
c0,d
:
w
k c
d c
f
K f
¸
, 0
mod , 0
=
K K K K
mod mod, mod, mod,
= · ·
1 2 3

K
mod,1
= Função da ação variável principal e classe de carregamento
Vento: Longa duração ÷ K
mod,1
= 0,70
K
mod,2
= Função da classe de umidade e tipo de material
Classe de umidade 1; Madeira serrada ÷ K
mod,2
= 1,0
K
mod,3
= Categoria da madeira
Madeira de 2
a
categoria ÷ K
mod,3
= 0,8

K
mod
= 0,7x1,0x0,8 = 0,56


¸
w
÷ Função do tipo de solicitação
Compressão (E.L.U.) ÷ ¸
wc
= 1,4

Madeira classe C60 ÷ f
c0,k
= 600 daN/cm
2


f f
daN
cm
c d c d 0 0 2
0 56
600
14
240
, ,
,
,
= ¬ =



y
12
x
3 12 3
(cm)
49
Tensão atuante:

2
, 0 , 0
4 , 17
72
1254
cm
daN
A
F
d c
d
d c
= ¬ = = o o

Verificação:

o
c0,d
s f
c0,d
¬ 17,4 < 240 OK!

Como será apresentado mais adiante, seria necessária alguma verificação
referente à peça composta.

Peças medianamente esbeltas (40<ìs80)

Deve ser garantida a segurança em relação ao estado limite último de
instabilidade. Esta condição é verificada, no ponto mais comprimido da seção
transversal, se for respeitada a seguinte condição:

1
, 0 , 0
s +
d c
Md
d c
Nd
f f
o o


Como se pôde observar pela expressão anterior, a norma brasileira não
considera, para peças medianamente esbeltas, a verificação de compressão
simples, sendo necessária a verificação da flexo-compressão no elemento
estrutural em razão de possíveis excentricidades.

Esta verificação deve ser feita isoladamente para os planos de rigidez mínima e
de rigidez máxima do elemento estrutural.

As seguintes considerações são feitas nesta verificação:
o
Nd
=Valor de cálculo da tensão de compressão devida à força normal de
compressão;
o
Md
=Valor de cálculo da tensão de compressão devida ao momento fletor M
d
,
calculado pela expressão:

M N e
d d d
= ·
onde:
e e
F
F N
d
E
E d
=
÷
|
\

|
.
|
1

sendo:
e e e
i a 1
= +
com:
e
M
N
i
d
d
=
1


onde e
i
é decorrente dos valores de cálculo M
1d
e N
d
na situação de projeto, não
se tomando para e
i
valor inferior a h/30, sendo h a altura da seção transversal
referente ao plano de verificação, e e
a
, excentricidade acidental dada por:

50
e
L
a
=
0
300

e

F
E I
L
E
c ef
=
t
2
0,
0
2


onde I é o momento de inércia da seção transversal da peça relativo ao plano de
flexão em que se está verificando a condição de segurança, e E
c0,ef
é o módulo de
elasticidade efetivo, definido em 6.2.1.



EXEMPLO 2: Verificar se a barra do banzo da treliça abaixo, L
0
= 169 cm, seção
transversal 2x(6cmx12cm), é suficiente para resistir a uma solicitação de:

Carga permanente = -7097 daN
Vento de pressão = -3148 daN

Considerar: Madeira: Dicotiledônea - classe C60

Propriedades geométricas:

A=144 cm
2


I
min
=1728 cm
4


i
min
=3,46 cm

ì=49 > 40 - Peça medianamente esbelta


Combinação das ações: Permanente + Vento = Comb. última normal

F F F F
d gi gi k Q Q k j Qj k
j
n
i
m
= + +
|
\

|
.
|
= =
¿ ¿
¸ ¸ ¢
, , , 1 0
2 1


Não existe ação variável secundária

Coeficientes:
¸
g
=1,4 (Ação permanente de grande variabilidade)
¸
Q
=1,4 (Ação variável - normal)
Ação variável de curta duração: redução=0,75

F
d
=1,4x7097 + 0,75x1,4x3148 = 13241 daN


Propriedades da madeira:

y
12
x
6
6 6
51
Cálculo de f
c0,d
:
w
k c
d c
f
K f
¸
, 0
mod , 0
=

K K K K
mod mod, mod, mod,
= · ·
1 2 3

K
mod,1
= Função da ação variável principal e classe de carregamento
Vento: Longa duração ÷ K
mod,1
= 0,70
K
mod,2
= Função da classe de umidade e tipo de material
Classe de umidade 1; Madeira serrada ÷ K
mod,2
= 1,0
K
mod,3
= Categoria da madeira
Madeira de 2
a
categoria ÷ K
mod,3
= 0,8

K
mod
= 0,7x1,0x0,8 = 0,56

¸
w
÷ Função do tipo de solicitação
Compressão (E.L.U.) ÷ ¸
wc
= 1,4

Madeira classe C60 ÷ f
c0,k
= 600 daN/cm
2


f f
daN
cm
c d c d 0 0 2
0 56
600
14
240
, ,
,
,
= ¬ =

Tensões atuantes:

- Devido à força normal:

o o
N
d
N
d d
F
A
daN
cm
= = ¬ =
13241
144
92
2


- Devido ao momento (Função de excentricidades que podem ocorrer na peça)

o
M
d
d d d
d
M
I
y M N e = ¬ = ·
Portanto deve-se determinar o valor da excentricidade de cálculo “e
d
”:

e e
F
F N
d
E
E d
=
÷
|
\

|
.
|
1


e
1
= e
i
+e
a
(Soma das excentricidades inicial e acidental)
F
E
; N
d
÷ Carga crítica de Euler e carga atuante

No caso de treliças: e
i
=0;

e
L
a
= = =
0
300
169
300
0 56 , cm ¬ e
1
= 0 + 0,56 = 0,56cm


2
cm
daN
137200 245000 8 , 0 0 , 1 7 , 0
m , 0 c
E
mod
k
ef , 0 c
E = · · · = · =
I=I
min
=1728 cm
4
(Perda de estabilidade na direção de menor inércia)

52
daN 81926
2
169
1728 137200
2
E
F =
· · t
=

cm 67 , 0
13241 81926
81926
56 , 0
d
e =
|
.
|

\
|
÷
=

cm daN 8871 67 , 0 13241
d
M · = · =

2
31 6
1728
8871
cm
daN
d
M
= = o

Verificação da estabilidade:

1 51 , 0
240
31
240
92
0 , 1
, 0 , 0
< = + ¬ s +
d c
M
d c
N
f f
d d
o o
OK!


Peças esbeltas (80<ìs140)

Neste caso adota-se a mesma verificação para peças medianamente esbeltas,
pela expressão:

1
, 0 , 0
s +
d c
Md
d c
Nd
f f
o o

com:
M N e
F
F N
d d ef
E
E d
= ·
÷
|
\

|
.
|
1,


sendo o valor de F
E
igual ao calculado para peças medianamente esbeltas e a
excentricidade efetiva de 1
a
ordem, e
1,ef
, dada por:

e e e e e e
ef c i a c 1 1 ,
= + = + +
onde:
e
i
= excentricidade de 1
a
ordem decorrente da situação de projeto;
e
a
= excentricidade acidental;
e
c
= excentricidade suplementar de 1
a
ordem que representa a fluência da
madeira.

Estas excentricidades são calculadas por:

e
M
N
M M
N
i
d
d
gd qd
d
= =
+
1
1 1
não se tomando valor inferior a h/30.
com M
1gd
e M
1qd
, os valores de cálculo, na situação de projeto, dos momentos
devidos às cargas permanentes e às cargas variáveis, respectivamente;

e
L
a
=
0
300
;

53
( )
( ) | |
( ) | |
¦
)
¦
`
¹
¦
¹
¦
´
¦
÷ + =
¦
)
¦
`
¹
¦
¹
¦
´
¦
+ + ÷
+ +
1 exp
2 1
2 1
qk gk E
qk gk
N N F
N N
a ig c
e e e
¢ ¢
¢ ¢ |

com ¢
1

2
s1.

Os valores de N
gk
e N
qk
, são os característicos da força normal devidos às cargas
permanentes e variáveis, respectivamente, e ¢
1
e ¢
2
como especificados em
5.3.5. e e
ig
calculado como segue:

e
M
N
ig
g d
gd
=
1 ,

onde M
1g,d
é o valor de cálculo do momento fletor devido apenas às ações
permanentes.

O coeficiente de fluência (|) é dado pela tabela a seguir:

TABELA 16 - Coeficiente de fluência | (Fonte: NBR 7190:1997)

Classes de Classes de umidade
carregamento (1) e (2) (3) e (4)
Permanente ou de
longa duração
0,8 2,0
Média duração 0,3 1,0
Curta duração 0,1 0,5



EXEMPLO 3: Verificar se a barra do banzo da treliça abaixo, L
0
=169 cm, seção
transversal 6cmx16cm, é suficiente para resistir a uma solicitação de:
Carga permanente = -2.400 daN
Vento de pressão = -564 daN

Considerar: Madeira Dicotiledônea - classe C60.




A = 96 cm
2


I
min
= 288 cm
4


i
min
= 1,73 cm

ì = 98 > 80 ÷ Peça esbelta


16
6
y
x
54
Combinação das ações: Permanente + Vento = Comb. última normal

F F F F
d gi gi k Q Q k j Qj k
j
n
i
m
= + +
|
\

|
.
|
= =
¿ ¿
¸ ¸ ¢
, , , 1 0
2 1

Não existe ação variável secundária

Coeficientes:
¸
g
=1,4 (Ação permanente de grande variabilidade)
¸
Q
=1,4 (Ação variável - normal)
Ação variável de curta duração: redução=0,75

F
d
=1,4x2400 + 0,75x1,4x564 = 3952 daN

Propriedades da madeira:

Cálculo de f
c0,d
:
w
k c
d c
f
K f
¸
, 0
mod , 0
=

K K K K
mod mod, mod, mod,
= · ·
1 2 3

K
mod,1
= Função da ação variável principal e classe de carregamento
Vento: Longa duração ÷ K
mod,1
= 0,70
K
mod,2
= Função da classe de umidade e tipo de material
Classe de umidade 1; Madeira serrada ÷ K
mod,2
= 1,0
K
mod,3
= Categoria da madeira
Madeira de 2
a
categoria ÷ K
mod,3
= 0,8

K
mod
= 0,7x1,0x0,8 = 0,56

¸
w
÷ Função do tipo de solicitação
Compressão (E.L.U.) ÷ ¸
wc
= 1,4

Madeira classe C60 ÷ f
c0,k
= 600 daN/cm
2


f f
daN
cm
c d c d 0 0 2
0 56
600
14
240
, ,
,
,
= ¬ =


Tensões atuantes:

- Devido à força normal:

2
cm
daN
41
N
96
3952
A
d
F
N
d d
= o ¬ = = o

- Devido ao momento (Função de excentricidades que podem ocorrer na peça)

o
M
d
d d ef
E
E d
d
M
I
y M N e
F
F N
= ¬ = ·
÷
|
\

|
.
|
1,

55

O valor da excentricidade é:

e e e e e e
ef c i a c 1 1 ,
= + = + +

e
i
= 0
e
a
= cm
L
56 , 0
300
0
=
( )( ) 1 ÷ + =
c
a ig c
e e e e
( )
| |
( )
| |
c
N N
F N N
gk qk
E gk qk
=
+ + ·
÷ + + ·
| ¢ ¢
¢ ¢
1 2
1 2


F
E
= 13654 daN

( ) | |
( ) | |
cm 67 , 0 11 , 0 56 , 0 0
ef , 1
e 11 , 0
c
e 18 , 0
564 2 , 0 0 2400 13654
564 2 , 0 0 2400 8 , 0
c = + + = ¬ = ¬ =
· + + ÷
· + +
=

cm daN 3726
3952 13654
13654
67 , 0 3952
d
M · =
|
.
|

\
|
÷
· =

o
M
d
daN
cm
= 39
2


Verificação da estabilidade:

1 33 , 0
240
39
240
41
1
d , 0 c
f
M
d , 0 c
f
N
d d
< = + ¬ s
o
+
o
OK!

7.1.2. Compressão normal às fibras

Para a verificação de esforços de compressão normal às fibras, deve ser levada
em conta a extensão do carregamento, medida paralelamente à direção das
fibras.

A condição de segurança, neste caso, é expressa por:

o
c d c d
f
90 90 , ,
s
onde f
c90,d
, vale:

f f
c d c d n 90 0
025
, ,
, = · ·o

O coeficiente o
n
é igual a 1 quando a extensão da carga, medida na direção das
fibras, for maior ou igual a 15 cm; quando esta extensão for menor e a carga
estiver afastada de pelo menos 7,5 cm da extremidade da peça esse coeficiente é
fornecido pela tabela 17.




56
TABELA 17 - Valores de o
n
(Fonte: NBR 7190:1997)

Extensão da carga normal às fibras,
medida paralelamente a estas (cm)
o
n

1
2
3
4
5
7,5
10
15
2,00
1,70
1,55
1,40
1,30
1,15
1,10
1,00


Quando a carga atuar na extremidade da peça ou de modo distribuído na
totalidade da peça de apoio, admite-se o
n
=1,0.


7.1.3. Compressão inclinada em relação às fibras

A norma brasileira permite ignorar a influência da inclinação nas tensões normais
em relação às fibras da madeira até o ângulo de o=6°. Caso a inclinação seja
superior a este valor, é preciso considerar a redução da resistência, adotando-se
a expressão de Hankinson:
57
f
f f
f f
o
o o
=
·
+
0 90
0
2
90
2
sen cos


7.1.4. Tração paralela

No caso de peças tracionadas, a seguinte condição de segurança deve ser
verificada:

d t d t
f
, 0 , 0
s o

Caso exista inclinação das fibras da madeira em relação ao eixo longitudinal da
peça, esta pode ser desprezada até o ângulo de o=6°. Caso esta inclinação seja
maior, deve-se adotar a expressão de Hankinson para uma redução de f
t0,d
.

7.1.5. Cisalhamento

Nas situações onde ocorrem solicitações de cisalhamento a seguinte verificação
deve ser feita:

t
d v d
f s
0,


EXEMPLO 4: Para o nó de apoio de uma treliça, esquematizado abaixo,
dimensionar a altura do dente “e” e a folga “f”, e também verificar a seção crítica à
tração e à compressão normal da peça sobre o apoio, de acordo com os critérios
da NBR 7190:1997. Considerar madeira Dicotiledônea - classe C60.






















Compressão normal às fibras:

Unidades: cm e daN;
Banzos: 6x16;
Coluna: 10x10;
Valores de cálculo.
800
3890
3950
10°
e
10
f
58
- Tensão atuante:

o
c d
d
c
F
A
90,
= F
d
= Reação de apoio
A
c
= Área de contato do pilar com a viga

2
, 90
13
10 6
800
cm
daN
d c
=
·
= o

- Resistência de cálculo:

f
c90,d
=0,25·f
c0,d
·o
n
; f
c0,d
= Resistência de cálculo à compressão
paralela às fibras
o
n
= Coeficiente = 1,1 (tabela 17)

f k
f
daN
cm
c d
c k
c
0,
0,
2
0 56 600
14
240 = =
·
=
mod
,
, ¸


f
daN
cm
c d c d 90,
2
90,
0 25 240 11 66 = · · = > , , o OK!

Compressão inclinada às fibras (e):

- Resistência de cálculo (Hankinson)

f
f f
f f
c d
c c
c c
u
u u
,
sen cos
=
·
· + ·
0 90
0
2
90
2


f
c0,d
=240 daN/cm
2

f
c90,d
=0,25·f
c0,d
·o
n
= 0,25·240·1,0 = 60 daN/cm
2


f
daN
cm
c d u ,
sen cos
=
·
· + ·
=
240 60
240 10 60 10
220
2 2 2


- Solicitação de cálculo:

cm 0 , 3 e
d , c
f
6
10 cos
e
3950
c
A
d
F
d , c
> ¬
u
s
·
|
.
|

\
|
= =
u
o

Obs: Recomenda-se que a altura do entalhe (e) não seja maior que ¼ da altura
da seção da peça entalhada. Caso seja necessário uma altura de entalhe maior,
deve-se utilizar dois dentes.


Tração paralela às fibras:

- Resistência de cálculo:
59
f
t0,d
= f
c0,d
ou f
c0,k
= 0,77f
t0,k
¬
2
, 0
240
8 , 1
77 , 0
600
56 , 0
cm
daN
f
d t
~
|
.
|

\
|
·
=
- Solicitação de cálculo:

( )
d t
util
d
d t
f
cm
daN
A
F
, 0
2
, 0
50
3 16 6
3890
< =
÷ ·
= = o OK!

Cisalhamento:

- Solicitação de cálculo:

( )
t
d
d
F
A
f
f
=
·
=
·
+ ·
=
+
cos cos
tan
,
,
10 3950 10
3 10 6
648 3
0 53



- Resistência de cálculo:

f k
f
daN
cm
v d
v k
v
0,
0,
2
0 56 80
18
25 = =
·
=
mod
,
, ¸


- Condição de segurança:

f
f
f cm
v d v d 0, 0,
25
648 3
0 53
25 4 > ¬ >
+
¬ > t
,
,
,

7.1.6. Flexão simples reta

Na prática, é bastante comum a ocorrência de peças fletidas, mencionando-se,
por exemplo, alguns componentes de estruturas de cobertura; peças integrantes
dos cimbramentos e fôrmas de madeira; componentes estruturais de pontes e
viadutos; entre outros.

Para os estados limites últimos devem ser verificadas as condições de segurança
para as tensões normais e tangenciais.

Tensões normais

Para peças estruturais submetidas a momento fletor, cujo plano de ação contém
um eixo central de inércia da seção transversal resistente, as seguintes
verificações devem ser feitas:

d c d c
f
, 0 , 1
s o
d t d t
f
, 0 , 2
s o
onde:
f
cd
e f
td
são as resistências à compressão paralela e à tração paralela,
respectivamente;
o
c1,d
e o
t2,d
são respectivamente as tensões atuantes de cálculo nas bordas
mais comprimida e mais tracionada da seção transversal considerada.
60

Os valores de resistência são determinados como descrito no capítulo 6 e os
valores das tensões normais são determinados de acordo com os conceitos da
resistência dos materiais, que especifica a tensão normal como sendo:

o =
M
I
y

Tensões tangenciais

A verificação da segurança neste caso é feita do mesmo modo que especificado
no item 7.1.5 com a seguinte condição:

t
d v d
f s
0,


Sendo t
d
a máxima tensão de cisalhamento atuante na peça, determinada de
acordo com os conceitos da resistência dos materiais, como:

t
d
V S
b I
=
·
·


Para vigas de seção transversal retangular, de largura b e altura h, tem-se:

t
d
V
b h
=
·
· ·
3
2


Os valores de resistência são determinados como descrito anteriormente.

A norma brasileira apresenta algumas considerações especiais no caso do
cisalhamento, de acordo com o tipo de carregamento e com a variação da seção
transversal.

Cargas concentradas junto aos apoios diretos

Nas seções próximas aos apoios, os esforços de cisalhamento podem ser
reduzidos até a distância de 2h, sendo h a altura da viga. O valor da força
cortante reduzida é calculada pela expressão:

V V
a
h
red
= ·
· 2


sendo a, a distância entre o ponto de aplicação da carga e o eixo do apoio.

Esta adoção se justifica pela própria configuração anatômica da madeira, pois na
região do apoio ocorre o esmagamento das fibras em decorrência dos esforços de
compressão normal.

Vigas entalhadas

61
No caso de variações bruscas de seção transversal, devidas a entalhes, faz-se
majoração dos valores das tensões de cisalhamento, levando-se em conta a
relação entre as alturas. A tensão de cisalhamento é multiplicada pelo fator h/h
1
.

t
d
d
V
b h
h
h
=
·
· ·
|
\

|
.
|
3
2
1 1


1
a
Condição: h
1
> 0,75h

FIGURA 21 - Cisalhamento: Variação da seção (Fonte: NBR 7190:1997)


2
a
Condição: h
1
s 0,75h

Neste caso a norma brasileira recomenda a utilização de parafusos verticais
dimensionados à tração axial para a totalidade da força cortante a ser transmitida,
ou o emprego de variações graduais de seção, com mísulas de comprimento não
inferior a 3 vezes a altura do entalhe.


FIGURA 22 - Cisalhamento: Entalhe (Fonte: NBR 7190:1997)

EXEMPLO 5: Uma viga biarticulada de 6cm de largura está submetida a um
carregamento permanente distribuído de 65daN/m e a uma carga concentrada
permanente de 130 daN, no ponto médio do vão de 420cm. Calcular a altura
necessária da viga, considerando madeira da classe C40 e ações permanentes
de grande variabilidade.








h
1
h
h
1
h
h
h
1
h
3 ( h - h ) >
1
1
h
130
65
420
6
h
62
Esforços atuantes:

- Momento fletor:







- Cortante (função de "h"): redução na região próxima aos apoios








Redução da força cortante na região do apoio:


2015
2 1
65
1 0
,
,
,
+
= ¬ =
x x
x


V
h
V h
red
red
310 2
65
100
2015 1 3
÷
= ¬ = ÷ , ,


- Valores de cálculo:

M
d
= 1,4x28000 ¬ M
d
= 39200 daN·cm

Tensões:

2
cm
daN
2
h
39200
2
3
h 6
h 12 39200
y
I
d
M
M
d
=
· ·
· ·
= = o

( )
2
33 , 0
4 , 50
6 2
32 , 1 5 , 201 3
2
3
cm
daN
h h
h
h b
V
red
V
d
÷ =
· ·
÷ ·
=
· ·
·
= t

Condições de segurança:

2
, 0
160
4 , 1
400 56 , 0
cm
daN
f
d c
=
·
=
2
h
39200
d , 1 t d , 1 c
= o = o

cm 6 , 15 h 160
2
h
39200
d , 0 c
f
d , 0 c
> ¬ s ¬ s o

280
M : daN·m
Valor característico
201,5
2h
2h
201,5
65
65
201,5 - 1,3h
V : daN
Valores
característicos
2h
201,5
65
2,1
x
63
2
, 0
7 , 18
8 , 1
60 56 , 0
cm
daN
f
d v
=
·
= 33 , 0
4 , 50
÷ =
h
vd
t

cm h
h
f
vd vd
6 , 2 7 , 18 33 , 0
4 , 50
> ¬ s ÷ ¬ s t

h
nec
= 15,6 cm ¬ Seção adotada de 6cmx16cm


7.1.7. Flexão composta

Dois tipos de flexão composta podem ocorrer: a flexo-tração e a flexo-
compressão. Este tipo de solicitação ocorre em diversas situações estruturais,
cabendo destaque a pilares submetidos à compressão axial e à ação do vento
atuando perpendicularmente ao seu comprimento, a pilares com carga aplicada
com excentricidade e a vigas com solicitação de compressão axial associada às
que provocam flexão.

Flexo-tração

A norma brasileira especifica que a condição de segurança é verificada em função
de duas situações, aplicadas ao ponto mais solicitado da borda mais tracionada,
considerando-se uma função linear para a influência das tensões devidas à força
normal de tração. A condição de segurança é expressa pela mais rigorosa das
duas expressões seguintes:

1
, 0
,
, 0
,
, 0
,
s + +
d t
d My
M
d t
d Mx
d t
d Nt
f
k
f f
o o o


1
, 0
,
, 0
,
, 0
,
s + +
d t
d My
d t
d Mx
M
d t
d Nt
f f
k
f
o o o


Como pode ser observado, a verificação é feita pela combinação das tensões
devidas à força normal de tração e à flexão. O coeficiente k
M
de correção pode
ser tomado com os valores:
- seção retangular: k
M
= 0,5
- outras seções transversais: k
M
= 1,0


Flexo-compressão

Para as solicitações de flexo-compressão devem ser verificadas duas situações
de segurança: de estabilidade, a ser feita de acordo com os critérios
apresentados para o dimensionamento de peças solicitadas à compressão; e a
verificação de acordo com a mais rigorosa das duas expressões a seguir,
aplicados ao ponto mais solicitado da borda mais comprimida, levando-se em
conta a resistência do elemento estrutural em função dos carregamentos:

64
1
, 0
,
, 0
,
2
, 0
,
s + +
|
|
.
|

\
|
d c
d My
M
d c
d Mx
d c
d Nc
f
k
f f
o o o


1
, 0
,
, 0
,
2
, 0
,
s + +
|
|
.
|

\
|
d c
d My
d c
d Mx
M
d c
d Nc
f f
k
f
o o o


O coeficiente k
M
foi definido no item anterior.


EXEMPLO 6: Um pilar com madeira da classe C60, seção quadrada de 12cm x
12cm, altura de 360cm, biarticulado, está submetido a uma ação permanente de
grande variabilidade de 1285 daN, com excentricidade de 3cm (como
apresentado abaixo) e a uma ação variável distribuída (devida a vento) de 35
daN/m. Verificar se a seção é suficiente para resistir às tensões atuantes.















Esforços atuantes:

- Tensão normal:

2
cm
daN
13
12 12
4 , 1 1285
A
d
N
d
=
·
·
= = o
- Tensão de flexão:

Ação permanente: cm daN M
p
k
· = · = 3855 3 1285
Ação variável: cm daN M
v
k
· =
·
= 5670
8
360 35 , 0
2


2 3
4 , 39 6
12
11351
11351 5670 4 , 1 75 , 0 3855 4 , 1
cm
daN
cm daN M
d
M d
= = ¬ · = · · + · = o

Verificação da resistência:

Como o
My,d
=0 e k
M
=0,5 para seções retangulares, a situação mais crítica é:

360 cm
12 cm
12cm
N
g,k
= 1285 daN
c/ e = 3 cm
x
y
35 daN/m
x
65
1 17 , 0 1
240
4 , 39
240
5 , 12
1
2
, 0
,
2
, 0
,
< ¬ s +
|
.
|

\
|
¬ s +
|
|
.
|

\
|
d c
d Mx
d c
d Nc
f f
o o
OK!

Verificação da estabilidade:

- Índice de esbeltez:

ì = =
·
= >
L
i
min
0
360 12
12
104 80 Peça esbelta

- Tensões atuantes:

a) Devido à normal:

o
N
d
daN
cm
= 12 5
2
,

b) Devido à flexão:

- Carga distribuída:

M
k,x
=5670 daN·cm ¬ o
Mk,x
=20 daN/cm
2


- Carga concentrada:

M N e
F
F N
d x d ef
E
E d
, ,
= ·
÷
|
\

|
.
|
1


daN
L
I E
F
ef c
E
18055
360
12 245000 56 , 0
2
3 2
2
0
, 0
2
=
· · ·
=
· ·
=
t
t


e
1,ef
= e
i
+e
a
+e
c

cm
N
M M
N
M
e
d
d q d g
d
d
i
3 , 6
1800
11351
, 1 , 1
1
= =
+
= = ( mín.= h/30 = 0,4 cm )
e
a
= L
0
/300=1,2 cm
e
c
= devido à fluência
( ) ) 1 ( ÷ · + =
n
a ig c
e e e e com:
( ) | |
( ) | |
¦
)
¦
`
¹
¦
¹
¦
´
¦
· + + ÷
· + +
=
k q k g E
k q k g
N N F
N N
n
, 2 1 ,
, 2 1 ,
¢ ¢
¢ ¢ |


cm 0 , 3
1800
3855 4 , 1
,
, 1
=
·
= =
d g
d g
ig
N
M
e

( ) | |
( ) | |
( ) cm 3 , 0 1
06 , 0
e 2 , 1 0 , 3
c
e 06 , 0
0 0 2 , 0 1285 18055
0 0 2 , 0 1285 8 , 0
n = |
.
|

\
|
÷ · + = ¬ =
· + + ÷
· + +
=
66

cm 8 , 7 3 , 0 2 , 1 3 , 6
ef , 1
e = + + =

2 3
54 6
12
15595
15595
1800 18055
18055
8 , 7 1800
cm
daN
cm daN M
Mdx d
x
= = ¬ · = |
.
|

\
|
÷
· · = o

Esforço crítico na direção "x":

1 3 , 0
240
54
240
13
1
, 0 , 0
< = + ¬ s +
d c
Md
d c
N
f f
d
o
o
OK!


7.1.8. Flexão oblíqua

Na prática, solicitações de flexão-oblíqua ocorrem basicamente nas terças e nas
ripas, elementos componentes de estruturas de cobertura.

A norma brasileira especifica neste caso a verificação pela mais rigorosa das
duas condições seguintes, tanto em relação às tensões de tração quanto às de
compressão paralela:

1
, ,
s +
wd
d My
M
wd
d Mx
f
k
f
o o


1
, ,
s +
wd
d My
wd
d Mx
M
f f
k
o o


onde o
Mx,d
e o
My,d
são as tensões máximas devidas às componentes de flexão
atuantes segundo as direções principais, f
wd
é a respectiva resistência de cálculo,
de tração ou de compressão conforma a borda verificada e o coeficiente k
M
como
descrito anteriormente.
EXEMPLO 7: Dimensionar uma terça submetida a uma carga permanente vertical
distribuída, de 50 daN/m e a uma carga acidental vertical de 65 daN concentrada
no ponto médio do vão livre de 3,75 m. Considerar uma inclinação no telhado de
22° e madeira da classe C60.









Esforços atuantes:

Na direção "x":

65
daN
50
daN/m
375
cm
b
h
22º
x
y
u
67
cm daN M M
d d x
· = ¬ · · + · = 19319 5650 75 , 0 4 , 1 8149 4 , 1
,


2 3
115914
2
12 19319
h b h b
h
Mxc Mxt
·
=
· ·
· ·
= =o o

Na direção "y":

cm daN M
yd
· = · + · = 7805 2283 4 , 1 3292 4 , 1

h b h b
b
Myc Myt
·
=
· ·
· ·
= =
2 3
46830
2
12 7805
o o

Valores de resistência:

f f
daN
cm
t d c d 0 0 2
240
, ,
= =

Condições de segurança:

1
, ,
s +
wd
d My
M
wd
d Mx
f
k
f
o o
· 1
, ,
s +
wd
d My
wd
d Mx
M
f f
k
o o


1
195
5 , 0
483
2 2
s
·
+
· h b h b
· 1
195 483
5 , 0
2 2
s
·
+
· h b h b



Adotando-se seção de 6x12, temos:

0,56 + 0,23 < 1 · 0,28 + 0,45 < 1 OK!


7.1.9. Estabilidade lateral de vigas de seção retangular

A norma brasileira não apresenta nenhum critério para a verificação da
estabilidade lateral de vigas, permitindo a utilização de teoria cuja validade tenha
sido comprovada experimentalmente.

Por outro lado especifica algumas considerações, que se satisfeitas pode-se
dispensar a verificação da segurança em relação ao estado limite último de
instabilidade lateral:

1
a
Condição: os apoios de extremidade da viga impedem a rotação de suas
seções extremas em torno do eixo longitudinal da peça;

2
a
Condição: existe um conjunto de elementos de travamento ao longo do
comprimento L da viga, afastados entre si de uma distância não maior que L
1
, que
também impede a rotação dessas seções transversais em torno do eixo
longitudinal da peça.

68
No caso de vigas com seção retangular de largura b e altura h, determina-se L
1
a
partir da seguinte expressão:

L
b
E
f
c ef
M c d
1
0
0
s
,
,
|

onde o coeficiente |
M
é dado por:

|
t ¸
M
f
h
b
h
b
=
·
|
\

|
.
|
÷
|
\

|
.
|
1
0 26
4 0
0 63
3
2
1
2
,
,
,


ou pelos valores fornecidos pela norma brasileira apresentados na tabela abaixo:

TABELA 18 - Coeficiente |
M
(Fonte NBR 7190:1997)

h
b

|
M

h
b

|
M

1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
6,0
8,8
12,3
15,9
19,5
23,1
26,7
30,3
34,0
37,6
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
41,2
44,8
48,5
52,1
55,8
59,4
63,0
66,7
70,3
74,0
Nos casos em que ocorrer a seguinte situação:

L
b
E
f
c ef
M c d
1
0
0
>
,
,
|


também se dispensa a verificação da segurança em relação ao estado limite
último de instabilidade lateral, desde que sejam satisfeitas as exigências da
resistência de flexão simples reta, com:

o
|
c d
c ef
M
E
L
b
1
0
1
,
,
s
|
\

|
.
| ·


EXEMPLO 8: Verificar a estabilidade lateral da viga abaixo acordo com os
critérios da NBR 7190:1997.




Seção 6cmx16cm
Classe C60
300 cm
69

Condição:

L
b
E
f
c ef
M c d
1
0
0
s
·
,
,
|
¬
4 , 1
600 56 , 0
15 , 11
245000 56 , 0
6
300
·
·
·
s

3 , 51 50 < OK!


7.2. ESTADOS LIMITES DE UTILIZAÇÃO

Na verificação das estruturas no estado limite de utilização consideram-se
basicamente limites de deslocamento que possam ocasionar desconforto aos
usuários e/ou danos a materiais não estruturais da construção e ou que
provoquem vibração excessiva.

A condição para verificação da segurança é dada pela seguinte situação:

S S
d uti , lim
s
onde:
S
lim
é o valor limite fixado para o efeito estrutural que determina o
aparecimento do estado limite considerado;
S
d,uti
são os valores desses mesmos efeitos, decorrentes da aplicação das
ações estabelecidas para a verificação, calculados com a hipótese de
comportamento elástico linear da estrutura.

Para as considerações das combinações de ações, efeitos de umidade e duração
dos carregamentos deve-se adotar o especificado nos capítulos 5 e 6.

A norma brasileira adota as seguintes condições a serem verificadas, caso não
existam restrições especiais impostas por normas particulares ou pelo proprietário
da construção.

7.2.1. Deformações limites para as construções correntes

São consideradas apenas as combinações de ações de longa duração, levando-
se em conta a rigidez efetiva do módulo de elasticidade definida no capítulo 6.

Os limites de deslocamentos permitidos pela norma são:

L/200 dos vãos;
L/100 do comprimento dos balanços

É muito comum a aplicação de contra-flechas nas estruturas com o objetivo de
diminuir os problemas na verificação de estados limites de utilização. Caso esta
contra-flecha aplicada à estrutura seja no mínimo igual à flecha devida às ações
permanentes, pode-se considerar a flecha devida às ações permanentes reduzida
a 2/3 do seu valor.
70

Para a verificação de casos de flexão-oblíqua, os limites anteriores de flechas
podem ser verificados isoladamente para cada um dos planos principais de
flexão.

7.2.2. Deformações limites para as construções com materiais frágeis não
estruturais

As combinações a serem utilizadas nesta verificação são as de média e curta
duração de acordo com o rigor da segurança pretendida.

A norma brasileira limita nos seguintes valores as flechas totais, incluindo o efeito
da fluência:

L/350 do vão;
L/175 do comprimento dos balanços.

Para a verificação das flechas devidas às ações variáveis são especificados os
seguintes valores:

L/300 dos vãos;
L/150 do comprimento dos balanços;
valor absoluto de 15 mm.

Nas construções especiais, tais como fôrmas para concreto, cimbramentos,
torres, etc, as deformações limites devem ser estabelecidas pelo proprietário ou
por normas especiais.

7.2.3. Vibrações

O texto da norma brasileira especifica apenas que devem ser evitadas vibrações
excessivas da estrutura que possam prejudicar o desempenho dos elementos ou
que tragam desconforto aos usuários.

Admite ainda uma freqüência natural de vibração mínima de 8 Hertz.

Nas construções correntes admite-se uma flecha máxima de 15mm causada pela
vibração.


EXEMPLO 9: Para a seção adotada no exemplo 7, verificar a terça para o estado
limite de utilização.

Combinação para construção corrente:

F F F
d util g q ,
= +
¿ ¿
¢
2


¢
2
= 0,2 ¬ Não há predominância de pesos de equipamentos fixos

F
d,util
= F
g
+ 0,2F
q
(Separar na direção "x" e "y")
71
F
x
= 46,4 + 0,2 x 60,3 = 46,4 + 12,1
F
y
= 18,7 + 0,2 x 24,2 = 18,7 + 4,9

cm cm
L
I E
L F
I E
L F
ef c
d qx
ef c
d gx
d x
88 , 1 14 , 1 11 , 0 03 , 1
200
v
48 384
5
v
, 0
3
,
, 0
4
,
,
< = + ¬ = s
· ·
·
+
· ·
· ·
=
÷
OK!

cm cm
L
I E
L F
I E
L F
ef c
d qy
ef c
d gy
d y
88 , 1 85 , 1 19 , 0 66 , 1
200
v
48 384
5
v
, 0
3
,
, 0
4
,
,
< = + ¬ = s
· ·
·
+
· ·
· ·
=
÷
OK!


72
8. LIGAÇÕES EM ESTRUTURAS DE MADEIRA

8.1. GENERALIDADES

Devido à limitação no comprimento das peças de madeira, principalmente no caso
de madeira serrada, que são encontradas em comprimentos de 4 a 5 metros, para
viabilizar a execução das estruturas é necessária a execução de ligações.

Existem dois tipos principais de ligações: por aderência ou por penetração. As
ligações por penetração se caracterizam pela utilização de elementos de ligação.
As forças transmitidas de uma peça para outra convergem geralmente para uma
pequena área (parafusos, anéis, etc.), como mostra a figura 23.

FIGURA 23 - Ligações por penetração (Fonte: Calil)

As ligações por aderência são estabelecidas por meio de uma fina película de
adesivo. Os esforços são absorvidos por superfícies relativamente grandes
formadas pelas áreas ligadas pelo adesivo.

FIGURA 24 - Ligações por adesivo (Fonte: Calil)


Para a execução das ligações em estruturas de madeira, os principais tipos de
dispositivos utilizados são:
- Pinos metálicos (prego e parafuso)
73
- Cavilhas (pinos de madeira torneados)
- Conectores (chapas com dentes estampados e anéis metálicos)

FIGURA 25 - Tipos de ligações (Fonte : Calil)

No cálculo das ligações a norma brasileira não permite a consideração do atrito
entre as superfícies de contato devido à retração e à deformação lenta da
madeira, nem de esforços transmitidos por estribos, braçadeiras ou grampos.

A madeira quando perfurada pode apresentar problemas de fendilhamento. Para
evitar este problema devem ser obedecidos os espaçamentos e pré-furações
especificados pela norma brasileira e apresentados a seguir para cada tipo de
conector.

O estado limite último de uma ligação é atingido por deficiência de resistência da
madeira ou do elemento de ligação. O dimensionamento da ligação é feito pela
seguinte condição de segurança:

S
d
s R
d
onde:

S
d
= Valor de cálculo das solicitações;
R
d
= Valor de cálculo da resistência.

8.2. LIGAÇÕES COM PINOS METÁLICOS

8.2.1. Resistência dos pinos

A norma brasileira define a resistência total de um pino como sendo a soma das
resistências correspondentes às suas diferentes seções de corte.

Outra observação importante refere-se ao número de pinos utilizados na ligação,
caso existam mais de oito pinos em linha, dispostos paralelamente ao esforço a
ser transmitido, os pinos suplementares devem ser considerados com apenas 2/3
de sua resistência individual. Assim sendo, o número total de pinos será:
(f) CDE
74
( ) n n
0
8
2
3
8 = + ÷
Cabe ainda ressaltar que nunca deve-se utilizar ligações com um único pino.

A resistência característica de escoamento mínima do aço utilizado na fabricação
de pregos e parafusos deve ser, de acordo com a norma brasileira, de 600 MPa e
240 MPa, respectivamente.

As seguintes propriedades são consideradas no cálculo da resistência de um
pino, em uma dada seção de corte:
-Madeira:
- Resistência ao embutimento (f
wed
) das duas peças interligadas;
- Espessura convencional “t”, de acordo com a figura 26.
Pino:
- Resistência de escoamento (f
yd
);
- Diâmetro do pino.


FIGURA 26 - Espessura convencional (t) - ligações com uma seção de corte
(Fonte: NBR 7190:1997)

No dimensionamento das ligações de estruturas de madeira por pinos duas
situações podem ocorrer: o embutimento da madeira ou a flexão do pino. Estes
dois fenômenos são função da relação entre a espessura da peça de madeira e o
diâmetro do pino, dada pela seguinte expressão:

| =
t
d


onde:

t = espessura convencional da madeira;
d = diâmetro do pino.

A comparação deste coeficiente com o valor de |
lim
, que leva em conta as
resistências da madeira e do aço, determina a forma de cálculo da resistência de
uma seção de corte do pino. O coeficiente |
lim
é determinado pela seguinte
expressão:
(
t
1
( t 2 d )
t e t
>
2
( P A R A F U S O S )
2
( P R E G O S )
v a l o r e n t r e
t é o m e n o r
1
d
t
2
t
d
1
t
4
t
(
2 4
t < t
>
4
( t 1 2 d ) v a l o r e n t r e
1
t e t
2 4
t < t
2
(
4
t = t
t é o m e n o r
t e t
2 1
v a l o r e n t r e
t é o m e n o r
t = t
t
1 2
t
4
(
2
2
75
|
lim
, = 125
f
f
yd
ed

sendo:
f
yd
= tensão de escoamento do pino metálico (valor de cálculo), podendo ser
admitida como igual à resistência nominal característica de escoamento;
f
ed
= Resistência ao embutimento da madeira (valor de cálculo).

Com isto têm-se as seguintes situações de cálculo:

I) | s |
lim
(embutimento da madeira)

R
t
f
Vd ed ,
,
1
2
0 40 = ·
|


II) | > |
lim
(flexão do pino)

R
d
f
Vd yd ,
lim
,
1
2
0 625 =
|

f
f
yd
yk
s
=
¸
com ¸
s
= 1,1

Caso sejam utilizadas chapas de aço nas ligações, são necessárias as seguintes
verificações: a primeira delas do pino metálico com a madeira como visto
anteriormente; e a segunda, do pino com a chapa metálica de acordo com os
critérios apresentados pela NBR 8800.

No caso de pinos em corte duplo, como mostrado na figura 27, aplicam-se os
mesmos critérios apresentados anteriormente, para cada seção de corte.



FIGURA 27 - Espessura convencional (t) - ligações com duas seções de corte
(Fonte: NBR 7190:1997)



( P A R A F U S O S )
1 2
2
2
t
2
t
2
t t
3
t
1
t
( P R E G O S )
2
t
2
2
t
2
t
3
t
<
t
3
(
t
4
4
(
t t
3 =
4
>
t
1 2 d
4
t
2 1
t
3
t
(
(
t t
3 =
4
t é o menor
valor entre t
1
e
t
2
(t > 2d)
76
8.3. LIGAÇÕES COM CAVILHAS

Para a confecção de cavilhas, a madeira utilizada deve apresentar como
propriedades mínimas de resistência os valores especificados para a classe C60.
Caso sejam utilizadas espécies de densidade inferior, estas devem ser
impregnadas com resinas que aumentam a sua resistência até a valores
compatíveis com a classe C60.

8.3.1. Resistência das cavilhas

Os critérios para a determinação da resistência de uma cavilha, para uma dada
seção de corte, seguem os mesmos especificados para ligações por pinos
metálicos, sendo neste caso considerados os seguintes parâmetros da madeira
utilizada:
- Resistência à compressão paralela (f
c0,d
) da cavilha considerada em sua
flexão.
- Resistência à compressão normal da cavilha (f
c90,d
).
- Diâmetro da cavilha (d).
- Espessura convencional (t), como definida anteriormente.

1 2
apenas em ligações secundárias
t t
1 2 3
t
2
2
t
2
2
t t t


FIGURA 28 - Espessura convencional (t) - Ligações por cavilhas (Fonte: NBR
7190:1997)

As ligações podem apresentar cortes simples ou duplos, sendo que as
configurações de corte simples só podem ser empregadas em ligações
secundárias.

De modo análogo ao apresentado para os pinos metálicos, a determinação da
resistência é feita em função do coeficiente |, como descrito a seguir:

| =
t
d
e |
lim
,
,
=
f
f
c d cav
c d cav
0
90


77
Com isso obtêm-se duas situações de cálculo:

I) | s |
lim
(esmagamento da cavilha)

R
t
f
Vd c d cav , ,
,
1
2
90
0 4 = · ·
|

II) | > |
lim
(flexão da cavilha)

R
d
f
Vd c d cav ,
lim
,
,
1
2
90
0 4 =
|


8.4. DISPOSIÇÕES GERAIS

8.4.1. Ligações por pinos

Ligações pregadas

É obrigatória a execução de pré-furação na madeira para ligações pregadas,
obedecendo-se os seguintes valores:
Dicotiledôneas: 0,95 d
ef

Coníferas: 0,85 d
ef
sendo d
ef
o diâmetro efetivo medido nos pregos a serem usados.

Para a execução das estruturas provisórias pode-se dispensar a pré-furação
desde que sejam observados os seguintes critérios:
- Utilização de madeira de baixa densidade (µ
ap
s 600 Kg/m
3
).
- Diâmetro máximo de 1/6 da espessura da peça de madeira mais
delgada.
- Espaçamento mínimo entre os pregos de 10 vezes o diâmetro.

Ligações parafusadas

Duas situações podem ocorrer neste caso:
- Pré-furação não maior que o diâmetro mais 0,5 mm, para consideração
de ligação rígida.
- Valores maiores que o anterior com consideração de ligação deformável.

Entende-se por ligação rígida aquelas que obedecem os critérios de pré-furação e
utilizem no mínimo 4 pinos.

Ligações cavilhadas

A pré-furação deve apresentar o mesmo diâmetro da cavilha.
78
Espaçamentos

1,5d
nd
1,5d 1,5d 3d
1,5d
4d
nd
7d nd nd
1,5d
1,5d
3d
1,5d 3d
1,5d
4d
nd
parafusos
n = 4
pregos,cavilhas
cavilhas parafusos ajustados
jaaaaaaaaaajustadosaf
astados
4d nd
1,5d
1,5d
3d
n = 6


FIGURA 28 - Espaçamentos mínimos em ligações por pinos
(Fonte: NBR 7190:1997)

Diâmetros mínimos

- Pregos: 3 mm
- Parafusos: 10 mm
- Cavilhas: 16 mm



8.5. EXEMPLO DE LIGAÇÕES EM ESTRUTURAS
DE MADEIRA


Para a treliça esquematizada abaixo, serão dimensionadas as ligações referentes
aos nós 1, 4, 5, 12 e 13.












[ Dimensões em metros ]


1
2
3
4
5
6
7
8
9
10 11
12 13 16 15 14
1,75
1,75
1,75
1,95
1,70 1,70 1,70 1,70 1,88 1,88 1,70 1,70
79
Dados:

 Madeira Classe C-60 (Dicotiledônea).
 Madeira de 1ª. categoria.
 Inclinação da treliça: o = 15°.
 Seções transversais das barras (em cm):

Diagonais: Banzos Inferior e Superior: Montantes:











 Esforços nas barras (em kgf) ( + ) Tração ( - ) Compressão

BARRA Ação Permanente
Ação Variável (Vento)
Sobrepressão Sucção
1-2 -2649 -1267 6731
1-10 2386 1235 -6558
3-4 -2156 -1129 5994
4-5 -1830 -965 5126
4-11 404 234 -1243
4-12 -350 -197 1041
5-12 507 285 -1513
5-13 0 0 0
12-13 1401 662 -3522


Carregamentos:

Determinação dos coeficientes de ponderação das ações:


 Ação permanente de grande variabilidade (F
G,k
) :

¸
g
= 1,4 (combinação desfavorável)
¸
g
= 0,9 (combinação favorável)


 Ação variável – vento (F
Q,k
)

¸
q
= 1,4 (ação do vento)


Combinações últimas normais:

3
3
12
12
3 3 6
12
6
12
80
Qk q k G g d
F F F · · + · = 75 , 0
,
¸ ¸


1) Carregamento Permanente e Vento (sobrepressão)

Barra Esforço (kgf)
1-2 -5039
1-10 4637
3-4 -4204
4-5 -3575
4-11 811
4-12 -697
5-12 1009
5-13 0
12-13 2657


2) Carregamento Permanente e Vento (sucção)

Barras Esforço (kgf)
1-2 4683
1-10 -4739
3-4 4353
4-5 3735
4-11 -942
4-12 778
5-12 -1132
5-13 0
12-13 -2437


Características da Madeira:

Classe C-60 ¬ f
c0,k
= 600 kgf/cm
2

f
v0,k
= 80 kgf/cm
2

 Carregamento de longa duração ¬ k
mod,1
= 0,70
 Classe de umidade 1 ¬ k
mod,2
= 1,0
 Madeira de 1ª. categoria ¬ k
mod,3
= 1,0
 ¸
c
= 1,4

¬
2
c
k c0,
mod d t0, d c0,
cm
kgf
300
1,4
600
0,70
f
k f f = · =
¸
· = =

¬
2
n d , 0 c d c90,
cm
kgf
75 00 , 1 300 0,25 f 25 , 0 f = · · = o · · =

Características dos pinos (parafusos):


 f
y,k
= 2400 kgf/cm
2

 ¸
s
= 1,1
81

¬
2
,
cm
kgf
2181
1 , 1
2400
f = =
d y



Dimensionamento das Ligações:


Nó 1 (ligação entre banzos):















Determinação da quantidade de parafusos necessária para absorver o esforço
crítico de tração 4683 kgf.

| = = =
t
d
3
1
3

t = menor valor entre t
1
= 3 cm e t
2
= 6/2 = 3 cm. Portanto, t = 3 cm.
d = diâmetro do parafuso. Considerando d = d
min
= 10 mm

5 , 3
280
2181
25 , 1
f
f
25 , 1
d , e
d y,
lim
= · = · = |
o


o · + o ·
·
=
o 2
d , 90 e
2
d , 0 e
d , 90 e d , 0 e
d , e
cos f sen f
f f
f


Sendo: f
e0,d
= f
c0,d
= 300 kgf/cm
2

f
e90,d
= 0,25.f
c0,d
.o
e
= 0,25.300.1,95 = 146,25 kgf/cm
2


determina-se a resistência da madeira ao embutimento inclinado (f
e15,d
):
2
, 15
2 2 2
, 90
2
, 0
, 90 , 0
, 15
cm
kgf
280
) º 15 ( cos 25 , 146 ) º 15 ( sen 300
25 , 146 300
) º 15 ( cos ) º 15 ( sen
f
=
· + ·
·
=
+
·
=
d e
d e d e
d e d e
d e
f
f f
f f

6
3
3
3 3
6 15º
5039
4683
4637
e
f
12
12
82

Como | < |
lim
¬ ocorrerá embutimento na madeira. A resistência de cada seção
de corte para um parafuso será dada por:

d e15,
2
d v1,
f
t
0,40 R · · =
|


kgf 336 280
3
2
3
0,40
d v1,
R = · · =

Como tem-se quatro seções da corte, a resistência de um parafuso é de 1344 kgf.
Para resistir ao maior esforço de tração, 4683 kgf, serão necessários 4 parafusos
de 10mm de diâmetro.


Dimensionamento da Ligação Entalhada:

Compressão inclinada às fibras:

2
cm
kgf
250
) º 15 (
2
cos 75 ) º 15 (
2
sen 300
75 300
) º 15 (
2
cos
d , 90 c
f ) º 15 (
2
sen
d , 0 c
f
d , 90 c
f
d , 0 c
f
d , 15 c
f =
· + ·
·
=
+
·
=

o
c15,d
= 3,2cm e 250
811
6
º 15 cos
5039
> ¬ s =
·
|
.
|

\
|
=
e e A
F
c
d

Tração paralela às fibras:

f
t0,d
= f
c0,d
= 300 kgf/cm
2

o
t0,d
=
( ) ( )
cm 4 , 9 e 300
12
773
6 12
4637
s ¬ s
÷
=
· ÷
=
e e A
F
útil
d


Cisalhamento:

f
vo,d
=
2
kgf/cm 31
8 , 1
80
7 , 0
v
k , 0 v
f
mod
k = · =
¸
·

t
d
=
( )
cm
tg e f A
F
d
2 , 25 f 31
6 º 15
º 15 cos 5039 º 15 cos
> ¬ s
· · +
·
=
·
f
adotado
= 26 cm


Nó 4

1) Ligação do Montante com o Banzo






e
adotado
= 3,5 cm >1/4 h
4
697
778
75º
83

Considerando o esforço crítico: N
d
= 778 kgf

Para t = 3 cm e d = 10 mm, tem-se:

| = = =
t
d
3
1
3

2
cm
kgf
151
d , 75 e
f
) º 75 (
2
cos 25 , 146 ) º 75 (
2
sen 300
25 , 146 300
) º 75 (
2
cos
d , 90 e
f ) º 75 (
2
sen
d , 0 e
f
d , 90 e
f
d , 0 e
f
d , 75 e
f
=
· + ·
·
=
+
·
=


75 , 4
151
2181
25 , 1
lim
= · = |

Para | < |
lim
¬ embutimento da madeira. A resistência de cada seção de corte
para um parafuso será dada por:

kgf 2 , 181 151
3
2
3
0,40
d v1,
R = · · =

Para duas seções de corte, a resistência de um parafuso é de 362,4 kgf. Logo,
serão necessários 3 parafusos.


2) Ligação entre a Diagonal e o Banzo








Considerando o esforço crítico: N
d
= 942 kgf
Para t = 3 cm e d = 10 mm, tem-se:

| = = =
t
d
3
1
3

2
, 24
2 2 2
, 90
2
, 0
, 90 , 0
, 24
cm
kgf
256
) º 24 ( cos 25 , 146 ) º 24 ( sen 300
25 , 146 300
) º 24 ( cos ) º 24 ( sen
f
=
· + ·
·
=
+
·
=
d e
d e d e
d e d e
d e
f
f f
f f


4
942
811
24º
84
64 , 3
256
2181
25 , 1
lim
= · = |

Para | < |
lim
¬ embutimento da madeira. A resistência de cada seção de corte
para um parafuso será dada por:

kgf 307 256
3
2
3
0,40
d v1,
R = · · =

Para duas seções de corte, a resistência de um parafuso é de 614 kgf. Logo,
serão necessários 2 parafusos.

Nó 12

1) Ligação do Montante com o Banzo








Considerando o esforço crítico: N
d
= 778 kgf
Para t = 3 cm e d = 10 mm, tem-se: | = = =
t
d
3
1
3

Para a ligação do montante com o banzo inferior, a solicitação é normal às fibras:

2
cm / kgf 25 , 146
e,90d
f =

83 , 4
25 , 146
2181
25 , 1
lim
= · = |
Para | < |
lim
¬ embutimento da madeira. A resistência de cada seção de corte
para um parafuso será dada por:

kgf 175 25 , 146
3
3
0,40 R
2
d v1,
= · · =

Para duas seções de corte, a resistência de um parafuso é de 350 kgf. Logo,
serão necessários 3 parafusos.








697
778
2
12
85
2) Ligação entre a Diagonal e o Banzo










Considerando o esforço crítico: N
d
= 1132 kgf

Para t = 3 cm e d = 10 mm, tem-se:

| = = =
t
d
3
1
3

2
, 47
2 2 2
, 90
2
, 0
, 90 , 0
, 47
cm
kgf
192
) º 47 ( cos 25 , 146 ) º 47 ( sen 300
25 , 146 300
) º 47 ( cos ) º 47 ( sen
f
=
· + ·
·
=
+
·
=
d e
d e d e
d e d e
d e
f
f f
f f


2 , 4
192
2181
25 , 1
lim
= · = |

Para | < |
lim
¬ embutimento da madeira. A resistência de cada seção de corte
para um parafuso será dada por:

kgf 230 192
3
3
0,40 R
2
d v1,
= · · =


Para duas seções de corte, a resistência de um parafuso é de 460 kgf. Logo,
serão necessários 3 parafusos.


Nó 5


1) Ligação do Banzo:







Considerando o esforço crítico: N
d
= 3735 kgf

3735
1009
1132
47º
12
5
15º
3575
86
Para t = 3 cm e d = 10 mm, tem-se: | = = =
t
d
3
1
3

2
, 15
2 2 2
, 90
2
, 0
, 90 , 0
, 15
cm
kgf
280
) º 15 ( cos 25 , 146 ) º 15 ( sen 300
25 , 146 300
) º 15 ( cos ) º 15 ( sen
f
=
· + ·
·
=
+
·
=
d e
d e d e
d e d e
d e
f
f f
f f


48 , 3
280
2181
25 , 1
lim
= · = |

Para | < |
lim
¬ embutimento da madeira. A resistência de cada seção de corte
para um parafuso será dada por:

kgf 336 280
3
3
0,40 R
2
d v1,
= · · =

Para quatro seções de corte, a resistência de um parafuso é de 1344 kgf. Logo,
serão necessários 3 parafusos.


2) Ligação do Banzo com a Diagonal









Considerando o esforço crítico: N
d
= 1132 kgf

Para t = 3 cm e d = 10 mm, tem-se: | = = =
t
d
3
1
3
2
, 29
2 2 2
, 90
2
, 0
, 90 , 0
, 29
cm
kgf
241
) º 29 ( cos 25 , 146 ) º 29 ( sen 300
25 , 146 300
) º 29 ( cos ) º 29 ( sen
f
=
· + ·
·
=
+
·
=
d e
d e d e
d e d e
d e
f
f f
f f


76 , 3
241
2181
25 , 1
lim
= · = |

Para | < |
lim
¬ embutimento da madeira. A resistência de cada seção de corte
para um parafuso será dada por:

kgf 289 241
3
3
0,40 R
2
d v1,
= · · =

5
29º
1009
1132
87
Para duas seções de corte, a resistência de um parafuso é de 578,4 kgf. Logo,
serão necessários 2 parafusos.

Nó 13

1) Ligação do Banzo com o Montante










Devem ser colocados apenas 2 parafusos de diâmetro 10 mm (o mínimo exigido
por norma).

Em seguida estão apresentados os croquis das ligações acima dimensionadas.


Nó 13





























0 0
13

3 3 6
12
12
6
+ +
6
6
4 4 4
2 parafusos | 10 mm
unidade: cm
88

Nó 4



















































3
3
6
12
+ +
4
3
4 4 4
12
cm
3 parafusos | 10 mm
6
3
3
12
12
+
4
4
6,4
5
89


Nó 12























Nó 5



























3
3
6
12
+ +
12
cm
4,5
1,5
6
3
3
12
12
4
4,5
+ + + +
cobrejuntas
2,5
6 parafusos | 10 mm
4

3 3 6
12
12
cm
6
+
7
4
4 4 4
3 parafusos | 10 mm
12
3
3
12
4
+ +
unidade: cm
90

Nó 1





























cobrejuntas
unidade: cm
15º

3 3 6
12
12
6
3
3
8 parafusos | 10
mm
+
+
+
+
+
+
+
+
2
4
6
7
4
7
3
4
1
3
1
4
4
4
7
4
46
91
9. PEÇAS COMPOSTAS

9.1. PEÇAS COMPOSTAS

9.1.1. Generalidades

As peças compostas por elementos justapostos solidarizados continuamente
podem ser consideradas como se fossem peças maciças, com as restrições
adiante estabelecidas.

9.1.2. Peças compostas de seção T , I ou caixão ligadas por pregos

As peças compostas por peças serradas formando seção T , I ou caixão,
solidarizadas permanentemente por ligações rígidas por pregos, dimensionadas
ao cisalhamento como se a viga fosse de seção maciça, solicitadas a flexão
simples ou composta, podem ser dimensionadas como peças maciças, com
seção transversal de área igual à soma das áreas das seções dos elementos
componentes, e momento de inércia efetivo dado por

ef r th
I I
=
o


onde I
th
é o momento de inércia da seção total da peça como se ela fosse maciça,
sendo

- para seções T :
r
o
= 0,95
- para seções I ou caixão:
r
o
= 0,85

Na falta de verificação específica da segurança em relação à estabilidade da
alma, recomenda-se o emprego de enrijecedores perpendiculares ao eixo da viga,
com espaçamento máximo de duas vezes a altura total da viga.

9.1.3. Peças compostas com alma em treliça ou de chapa de madeira
compensada

As peças compostas com alma em treliça formada por tábuas diagonais, e as
peças compostas com alma formada por chapa de madeira compensada, devem
ser dimensionadas à flexão simples ou composta, considerando exclusivamente
as peças dos banzos tracionado e comprimido, sem redução de suas dimensões.

A alma dessas vigas e as suas ligações com os respectivos banzos devem ser
dimensionadas a cisalhamento como se a viga fosse de seção maciça.

9.1.4. Peças compostas de seção retangular ligadas por conectores
metálicos

92
As vigas compostas de seção retangular, ligadas por conectores metálicos,
solicitadas à flexão simples ou composta, suposta uma execução cuidadosa e a
existência de parafusos suplementares que solidarizem permanentemente o
sistema, podem ser dimensionadas à flexão, em estado limite último, como se
fossem peças maciças, reduzindo-se o momento de inércia da seção composta,
adotando:

I
I
ef r th
=
o


sendo

- para dois elementos superpostos:
r
o
= 0,85
- para três elementos superpostos:
r
o
= 0,70

onde I
ef
é o valor efetivo e I
th
o seu valor teórico.
Os conectores metálicos devem ser dimensionados para resistirem ao
cisalhamento que existiria nos planos de contato das diferentes peças como se a
peça fosse maciça.

9.2. ESTABILIDADE DE PEÇAS COMPOSTAS

9.2.1. Peças solidarizadas continuamente

A estabilidade das peças compostas por elementos justapostos solidarizados
continuamente pode ser verificada como se elas fossem maciças com as
restrições impostas anteriormente.

9.2.2. Peças solidarizadas descontinuamente

As peças compostas solidarizadas descontinuamente por espaçadores
interpostos ou por chapas laterais de fixação como mostrado na figura 29 devem
ter sua segurança verificada em relação ao estado limite último de instabilidade
global.

Para as peças compostas por dois ou três elementos de seção transversal
retangular, permite-se a verificação da estabilidade, como se elas fossem de
seção maciça, nas condições adiante estabelecidas.
93

FIGURA 29 - Peças solidarizadas descontinuamente (Fonte: NBR 7190:1997)

Os espaçadores devem estar igualmente afastados entre si ao longo do
comprimento L da peça. A sua fixação aos elementos componentes deve ser feita
por ligações rígidas com pregos ou parafusos.

Permite-se que estas ligações sejam feitas com apenas 2 parafusos ajustados
dispostos ao longo da direção do eixo longitudinal da peça, afastados entre si de
no mínimo 4d e das bordas do espaçador de pelo menos 7d, desde que o
diâmetro de pré-furação d
o
seja feito igual ao diâmetro d do parafuso.

Nessa verificação, para as seções mostradas na figura 30, admitem-se as
seguintes relações:
a
e s p a ç a d o r
i n t e r p o s t o
( a 3 b ) s
( a 6 b )
l a t e r a i s
c h a p a s
h
a
L
b
1
L
1
1
b
L
1
L
1
s
1
1
L
1
b
1
h
b
1
1
a
1
a
h
b
1
e s p a ç a d o r
i n t e r p o s t o
( a 6 b )
1
l a t e r a i s
( a 3 b )
c h a p a s
h
a
1
1
1
1
b
L
1
b
L
L
1
s
s
1
1
a
1
a
h
b
1
b
1
b
1
h
94

FIGURA 30 - Seções compostas por dois ou três elementos iguais
(Fonte: NBR 7190:1997)

Seção do elemento componente

A b h
1 1 1
=
I b h
1 1 1
3
12 =
I h b
2 1 1
3
12 =

Seção composta
A n A =
1

I n I
x
=
1

I n I A a
y
= +
2 1
1
2
2
I I
y
y ef I ,
= |

com
|
o
I
y y
I m
I m I
=
+
2
2
2
2

onde :

m = número de intervalos de comprimento L
1
em que fica dividido o comprimento
L total da peça
o
y
= 1,25 para espaçadores interpostos
o
y
= 2,25 para chapas laterais de fixação

m
L
L
=
1

A verificação deve ser feita como se a peça fosse maciça de seção transversal
com área A e momentos de inércia I
x
e I
y,ef
.
2
1
2
b
1
A R R A N J O a
1
2
2
1
n = 2
a
1 1
a
Y
h
X
h
1
1
A R R A N J O b
a
1
2
2
1
n = 3
1 1
a
h
Y
X
95

Nessa verificação, as condições de segurança especificadas com relação à
estabilidade são representadas por:

N
A
M I
I W
M
a A
n
I
I
f
d d
y ef
d
y ef
cod
+ + ÷
|
\

|
.
|
|
s
2
2 1 1
2
2
1
, ,

onde
W
I
b
2
2
2
1
=

A segurança dos espaçadores e de suas ligações com os elementos
componentes deve ser verificada para um esforço de cisalhamento cujo valor
convencional de cálculo é dado por

V A f
L
a
d vo d
=
1
1
1
,


Dispensa-se a verificação da estabilidade local dos trechos de comprimento L
1

dos elementos componentes, desde que respeitadas as limitações:

9b
1
s L
1
s 18b
1

a s 3b
1
peças interpostas
a s 6b
1
peças com chapas laterais


EXEMPLO 10: Para o pilar esquematizado abaixo, pede-se: o posicionamento
dos espaçadores e o cálculo da inércia mínima.














Disposição dos espaçadores:

De acordo com a NBR 7190:1997:

a b a a cm Adotado a cm s · ¬ s · ¬ s ¬ = 3 3 6 18 12
1
:
Se o valor de L
1
, estiver dentro do intervalo: 9b
1
sL
1
s18b
1
, pode-se dispensar a
verificação da estabilidade local dos trechos de comprimento L
1
.
Com isso, tem-se:

9 6 18 6 54 108
1 1
· s s · ¬ s s L cm L cm
a1
a1
6 6
12
x
y
h
a
N
d
=1,4x2140=2996 daN
L=300 cm (altura do pilar)
96

Portanto, adotando L
1
=100 cm, dispensa-se a verificação da estabilidade local de
cada trecho.



















Cálculo dos momentos de inércia:

I I cm
x x
=
· ·
¬ =
2 6 12
12
1728
3
4


I I
y ef I y ,
= · |

( )
4 2
3
12096 9 12 6 2
12
6 12 2
cm I
y
= · · +
· ·
=

|
o
I
y y
I m
I m I
=
·
· + ·
2
2
2
2


I cm
2
3
4
6 12
12
216 =
·
= m
L
L
= = =
1
300
100
3 o
y
= 125 ,

4
,
10644 12096 88 , 0 88 , 0 cm I
ef y I
= · = ¬ = |

Portanto a direção crítica é a “x”, e a verificação da estabilidade é feita de acordo
com os critérios apresentados no capítulo 7.

6
L
L
1

L
1

L
1

a
h
97

10. CONTRAVENTAMENTO

10.1. ESTABILIDADE GLOBAL.
CONTRAVENTAMENTO.

10.1.1. Generalidades

As estruturas formadas por um sistema principal de elementos estruturais,
dispostos com sua maior rigidez em planos paralelos entre si, devem ser
contraventadas por outros elementos estruturais, dispostos com sua maior rigidez
em planos ortogonais aos primeiros, de modo a impedir deslocamentos
transversais excessivos do sistema principal e garantir a estabilidade global do
conjunto.

No dimensionamento do contraventamento devem ser consideradas as
imperfeições geométricas das peças, as excentricidades inevitáveis dos
carregamentos e os efeitos de segunda ordem decorrentes das deformações das
peças fletidas.

Na falta de determinação específica da influência destes fatores, permite-se
admitir que, na situação de cálculo, em cada nó do contraventamento seja
considerada uma força F
1d
, com direção perpendicular ao plano de resistência
dos elementos do sistema principal, de intensidade convencional, conforme o que
adiante se estabelece.

10.1.2. Contraventamento de peças comprimidas

Para as peças comprimidas pela força de cálculo N
d
, com articulações fixas em
ambas as extremidades, cuja estabilidade requeira o contraventamento lateral por
elementos espaçados entre si da distância L
1
, devem ser respeitadas as
seguintes condições adiante especificadas em função dos parâmetros mostrados
na figura 31 .

As forças F
1d
atuantes em cada um dos nós do contraventamento podem ser
admitidas com o valor mínimo convencional de N
d
/150, correspondente a uma
curvatura inicial da peça com flechas da ordem de 1/300 do comprimento do arco
correspondente.

A rigidez K
br,1
da estrutura de apoio transversal das peças de contraventamento
deve garantir que a eventual instabilidade teórica da barra principal comprimida
corresponda a um eixo deformado constituído por m semi-ondas de comprimento
L
1
entre nós indeslocáveis. A rigidez K
br,1
deve ter pelo menos o valor dado por:
m L
I E
m
K
m
ef co
br
t
o
t
o cos 1 sendo 2
3
1
2 ,
2
min , 1 ,
+ = = (Tabela 19)
Onde:
98

m = número de intervalos de comprimento L
1
entre as (m-1) as linhas de
contraventamento ao longo do comprimento total L da peça principal;
L
1
= distância entre elementos de contraventamento;
E
co,ef
= valor do módulo de elasticidade paralelo às fibras da madeira da peça
principal contraventada;
I
2
= momento de inércia da seção transversal da peça principal contraventada,
para flexão no plano de contraventamento.


FIGURA 31 - Parâmetros para verificação da estabilidade lateral
(Fonte: NBR 7190:1997)

Tabela 19 - Valores de o
m
(Fonte NBR 7190:1997)
m 2 3 4 5
o
m

1 1,5 1,7 1,8 2

Se os elementos de contraventamento forem comprimidos pelas forças F
1d
, eles
também deverão ter sua estabilidade verificada. Esta verificação é dispensada
quando os elementos de contraventamento forem efetivamente fixados em ambas
as extremidades, de modo que eles possam cumprir sua função sendo solicitados
apenas à tração em um de seus lados.
As emendas dos elementos de contraventamento e as suas fixações às peças
principais contraventadas devem ser dimensionadas para resistirem às forças F
1d
.

L

=

m
L
1
d
N
F
1 d
N
d
L
1
1
L

=

m
L
L
d
N
F
1 d
F
1 d
1
1
F
1 d
k
b r , 1
F
1 d
b r , 1
L
L
1
2
1
2
1
k
1 d
F
d
N
k
b r , 1
·
99
10.1.3. Contraventamento do banzo comprimido das peças fletidas

Para o contraventamento do banzo comprimido de treliças ou de vigas fletidas,
admitem-se as mesmas hipóteses especificadas em 10.1.2, adotando-se para F
1d

os mesmos valores anteriores, aplicados neste caso à resultante R
cd
das tensões
de compressão atuantes nesse banzo, na situação de cálculo.

No caso de vigas, a validade desta hipótese exige que esteja impedida a rotação,
em torno de seu eixo longitudinal, das seções transversais de suas duas
extremidades.

10.1.4. Estabilidade global de elementos estruturais em paralelo

Para um sistema estrutural principal, formado por uma série de n elementos
estruturais planos em paralelo, cuja estabilidade lateral individual requeira
contraventamento, deve ser prevista uma estrutura de contraventamento,
composta por outros elementos estruturais planos, dispostos em planos
perpendiculares ao plano dos elementos contraventados.

Se a estrutura de contraventamento estiver submetida a carregamentos externos
atuantes na construção, os seus efeitos devem ser acrescidos aos decorrentes da
função de contraventamento.

No caso de estruturas de cobertura, na falta de uma análise estrutural rigorosa,
permite-se considerar a estrutura de contraventamento como composta por um
sistema de treliças verticais, dispostas perpendicularmente aos elementos do
sistema principal, e por treliças dispostas perpendicularmente ao plano dos
elementos do sistema estrutural principal, no plano horizontal e no plano da
cobertura, colocadas nas extremidades da construção e em posições
intermediárias com espaçamentos não superiores a 20 metros.

O sistema de treliças verticais é formado por duas diagonais, dispostas
verticalmente em pelo menos um de cada três vãos definidos pelos elementos do
sistema principal, e por peças longitudinais que liguem continuamente, de uma
extremidade a outra da construção, os nós homólogos dos banzos superior e
inferior dos elementos do sistema principal, como mostrado na figura 32.


FIGURA 32 - Arranjo vertical de contraventamento (Fonte: NBR 7190:1997)
Em cada nó pertencente ao banzo comprimido dos elementos do sistema
principal, deve ser considerada uma força transversal ao elemento principal, com
intensidade F
1d
= N
d
/150 , onde N
d
é o valor de cálculo da resultante das tensões
atuantes no banzo comprimido de um elemento do sistema principal.

As estruturas de contraventamento das extremidades da construção, como
mostrado na figura 33, e de eventuais posições intermediárias, quando existentes,
1 d 1 d 1 d
F F
1 d
F
1 d
F F
1 d
F
1 d 1 d
F F
100
devem resistir, em cada um de seus nós, a forças cujo valor de cálculo F
d

corresponda, pelo menos, a 2/3 da resultante das n forças F
1d
existentes no
trecho a ser estabilizado pela estrutura de contraventamento considerada.

A rigidez destas estruturas de contraventamento deve ser tal que o seu nó mais
deslocável atenda à exigência de rigidez mínima

min , 1 ,
3
2
br br
K n K >
onde K
br,1,min
é dado em 10.1.2.


FIGURA 33 - Arranjo horizontal de contraventamento (Fonte: NBR 7190:1997)
EXEMPLO DE CONTRAVENTAMENTO EM ESTRUTURAS DE MADEIRA

A estrutura a ser contraventada é uma estrutura de cobertura de um galpão que
possui 27,0 metros de comprimento, 12,5 m de largura e 4,0 m de altura. O
galpão possui oitões de alvenaria em cada uma das suas extremidades
longitudinais. No dimensionamento da cobertura foi possível dispor as treliças, de
1,56 m de altura, a cada 4,5 m de distância entre si.

Dados:

 Seção transversal dos contraventamentos: 6 cm x16 cm
L
L
L
1
N
d
F
1 d
N
d
N
d
1
F
1 d
N
d d
N
d
N
C
O
N
T
R
A
V
E
N
T
A
M
E
N
T
O
F >
2
d
3
d
1
F
F
d
F
d
F
d
n F
d 1
D
E


E
X
T
R
E
M
I
D
A
D
E
F
d
F
d
101
 Máximo esforço de cálculo atuante no banzo comprimido da treliça: N
d
= 3589
daN
 Madeira C 40, serrada e de 2
a
categoria
 Classe de umidade 1
 Vento de longa duração

Resolução

No caso de estruturas de cobertura, na falta de uma análise estrutural mais
rigorosa, permite-se considerar a estrutura de contraventamento como composta
por um sistema de treliças verticais, dispostas perpendicularmente aos elementos
do sistema principal, e por treliças horizontais dispostas também
perpendicularmente ao mesmo sistema, só que no plano horizontal e no plano da
cobertura. Recomenda-se que a distância máxima entre elementos horizontais
enrijecidos seja de 20,0 m, e que os elementos do contraventamento vertical
sejam dispostos de modo a se ter um elemento a cada dois vãos.

Arranjo dos contraventamentos:













Vista A-A:






Verificação da instabilidade do contraventamento vertical

A força F
1d
admitida como transversal ao elemento principal e portanto, atuante
no contraventamento vale:


150
N
F
d
1d
=


onde N
d
é o máximo esforço de cálculo atuante no nó o qual se quer
contraventar. Para o exemplo, N
d
= 3589 daN.

F
1d
F
1d
u
Contraventamento vertical
1,56 m
4,00 m
contraventamento horizontal
oitão de
alvenaria
12,5 m
4,50 m
4,50 m 4,50 m 4,50 m 4,50 m
A A
4,50 m
102
A seção transversal do contraventamento é:












As características geométricas da seção transversal do contraventamento são:

cm 73 , 1
96
288
i cm 62 , 4
96
2048
i
cm 288
12
6 16
= Iy cm 2048
12
16 6
= Ix
cm 96 16 6 = A
y x
4
3
4
3
2
= = = =
=
×
=
×
= ×



Determinação do índice de esbeltez da peça:

! crítico mais 138
73 , 1
2
2
156
2
450
y
r
y
lfl
y
103
62 , 4
2
156
2
450
x
r
x
lfl
x
¬ =
+
= = ì
=
+
= = ì



Pelo índice de esbeltez, conclui-se que se trata de um peça esbelta. O ângulo
que a diagonal do contraventamento faz com a horizontal, vale:



19
450
156
arctg = = u

Logo, a força normal atuante é:

daN 25
cos
1
150
3589
cos
1
150
N
N
d
d
= × = × =
'
u u
(por tramo)


A peça (esbelta) deve satisfazer à seguinte condição:

1
f f
d c0, d c0,
s +
Md Nd
o o

Então:
6 cm
16 cm
103




daN 1368
2
156
2
450
288 109200
2
2
0
L
I
ef co,
E
2
E
F
cm 79 , 0
300
2
2
156
2
450
300
0
L
a
e
a) uma treliç de tratar se (por 0
i
e
=
+
× × t
=
t
=
=
+
= =
=



( ) ( )
( ) ( )
( ) ( ) cm 03 , 0 1
0,03
e 79 , 0 0 1
d
e
a
e
ig
e
c
e
03 , 0
50 1368
50 8 , 0
qk
N
2 1 gk
N
E
F
qk
N
2 1 gk
N
= d
= |
.
|

\
|
÷ + = |
.
|

\
|
÷ + =
=
÷
·
=
¢ + ¢ + ÷
¢ + ¢ + |


( ) daN.cm 47
50 1368
1368
03 , 0 87 , 0 0 50
d
N
E
F
E
F
ef 1,
e
d
N
d
M =
|
.
|

\
|
÷
+ + · =
|
|
.
|

\
|
÷
=

Logo:

2
y
d
cm
daN
50 , 0 3
288
47
x
I
M
= · = · =
Md
o

Determinação da resistência de cálculo à compressão paralela às fibras:

 Vento de longa duração: kmod
1
= 0,70
 Classe de umidade 1, madeira serrada: kmod
2
= 1,00
 Madeira de 2
a
categoria: kmod
3
= 0,80

Então:

2
w
k c0,
d c0,
cm
daN
160
4 , 1
400
80 , 0 00 , 1 70 , 0
f
kmod f = × × × = × =
¸



Verificação: OK! 1 <<
160
50 , 0
160
52 , 0
f f
d c0, d c0,
÷ + = +
Md
Nd
o
o


Conclui-se que a resistência da peça é muito maior que a ação atuante, porém,
deve-se considerar que o comprimento de flambagem (ì = 138) está praticamente
no limite permitido para peça comprimida (ì = 140), não sendo possível diminuir a
seção do contraventamento.

2
d
cm
daN
52 , 0
96
2 25
A
N
=
×
= =
tramos
Nd
o
104
11. DISPOSIÇÕES CONSTRUTIVAS

11.1. GENERALIDADES

A norma brasileira apresenta em seu capítulo 10 algumas considerações sobre a
utilização de elementos estruturais de madeira e a execução de estruturas de
madeira, sendo elas:

- O projeto deve propiciar uma definição clara do sistema estático
adotado, para se evitarem problemas com os valores dos esforços
atuantes nas seções críticas. No caso da utilização de sistemas
estruturais estaticamente indeterminados é obrigatória a utilização de
nós rígidos, já para estruturas isostáticas permite-se o emprego de
ligações deformáveis, que são consideradas rígidas nos cálculos, e
deve-se aplicar à estrutura isostática uma contra-flecha com forma
parabólica de pelo menos L/100, onde L é o vão teórico da estrutura
considerada. No capítulo 8 são apresentadas as definições para
ligações rígidas e deformáveis, de acordo com o tipo de conector
utilizado.

- Devem ser tomados cuidados como: tratamento preservativo, facilidade
de escoamento das águas e arejamento das faces vizinhas e paralelas,
a fim de se evitar a deterioração das peças. O projeto deve oferecer
facilidade de inspeção e substituição em caso de deterioração.

- Para as pontes ferroviárias deve-se utilizar sempre madeira tratada e no
caso de pontes rodoviárias e passarelas sem revestimento protetor,
deve-se admitir uma camada de desgaste com pelo menos 2 cm de
espessura.

11.2. DIMENSÕES MÍNIMAS DAS PEÇAS DE
MADEIRA

Nas peças principais isoladas a área mínima das seções transversais deve ser de
50 cm
2
e a espessura mínima de 5 cm. São exemplos de peças principais
isoladas as vigas e barras longitudinais de treliças.

Nas peças secundárias esses limites reduzem-se respectivamente para 18 cm
2
e
2,5 cm.

Caso sejam utilizadas peças principais múltiplas, a área mínima da seção
transversal de cada elemento que compõe a peça deve ser de 35 cm
2
e a
espessura mínima de 2,5 cm. Já para peças secundárias múltiplas esses limites
são reduzidos para 18 cm
2
e 1,8 cm.


11.3. ESBELTEZ MÁXIMA DAS PEÇAS DE
MADEIRA

105
Para elementos estruturais comprimidos, o comprimento máximo não pode ser
ultrapassar 40 vezes a dimensão transversal correspondente ao eixo de
flambagem. Já para elementos estruturais tracionados este limite passa para 50
vezes.

11.4. CHAPAS DE AÇO

Para pontes, a espessura mínima das chapas de aço das ligações é de 9 mm,
enquanto que para outras estruturas este valor é de 6 mm.

11.5. LIGAÇÕES

As dimensões mínimas dos dispositivos de ligação utilizados nas estruturas de
madeira devem obedecer, além dos valores especificados no capítulo 8, as
seguintes condições para as arruelas na fixação de parafusos:

- Diâmetro ou comprimento do lado de no mínimo 3 vezes o diâmetro do
pino.

- Espessura mínima:
9 mm em pontes;
6 mm para outras estruturas;
1/8 do diâmetro.

Além disso devem ser verificados os seguintes aspectos na execução das
ligações:

- Os eixos das barras de treliças devem encontrar-se, sempre que
possível, nas posições teóricas dos nós para diminuir os problemas de
excentricidade nas ligações.

- Os pinos devem ser simetricamente dispostos em relação ao eixo da
peça de modo a reduzir ao mínimo o risco de se afrouxarem
simultaneamente em conseqüência de um possível fendilhamento da
madeira.



11.6. PEÇAS QUE APRESENTAM CONICIDADE

Para a verificação de elementos estruturais à compressão que apresentem
conicidade (postes), deve-se adotar o diâmetro médio calculado, como mostrado
abaixo, e trabalhar com uma seção quadrada de área equivalente.








106





| |
| |
m
= +
÷
2
1 2
3





FIGURA 34 - Diâmetro médio de postes


L/3 2L/3
L
|
2

|
1

107
12. BIBLIOGRAFIA

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). Projeto de
Estruturas de Madeira - NBR 7190:1997. ABNT, Rio de Janeiro, 1997.

CALIL JUNIOR, C. SET 406 - Estruturas de Madeira - Notas de aula. Escola de
Engenharia de São Carlos, Publicações EESC/USP, São Carlos, 1996.

CALIL JUNIOR, C. Roteiro de projetos de telhados com treliças de madeira.
SET 112 Estruturas de Madeira - Notas de aula. Laboratório de Madeiras e
de Estruturas de Madeira (LaMEM), São Carlos, 1989.

HELLMEISTER, J.C., Madeiras e suas características In: Encontro Brasileiro
em Madeira e em Estruturas de Madeira, 1. Anais, v. características, p. 1-37.
São Carlos, 1983.

MAINIERI, C. Manual de identificação das principais madeiras comerciais
brasileiras. Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo
(IPT). Companhia de Promoção de Pesquisa Científica e Tecnológica do
Estado de São Paulo (PROMOCET), 1983.

RITTER, M. A. Timber bridges. Forest Products Laboratory - Forest Service,
Madisson, 1990.

AGRADECIMENTOS

À Pró-Reitoria de Pós-Graduação da Universidade de São Paulo pelo programa PAE (Programa de Aperfeiçoamento de Ensino), que viabilizou a elaboração deste material.

Ao Roberto Galindo pela cooperação nos trabalhos de microcomputador para a montagem desta apostila.

Ao professor Rocco pelas sugestões para a elaboração deste trabalho.

2

Apresentação

Este trabalho é resultado das notas de aulas referentes à disciplina SET 406 Estruturas de Madeira do curso de graduação em Engenharia Civil da Escola de Engenharia de São Carlos. As aulas foram ministradas nos períodos de 1996 a 1998.

Esta apostila apresenta: introdução sobre as propriedades físicas e mecânicas da madeira; critérios de dimensionamento de elementos estruturais; ligações, com abordagem dos tipos de conectores mais utilizados; peças compostas; contraventamento e disposições construtivas; segundo os critérios de

dimensionamento da norma NBR 7190:1997.

Essa publicação contou com a colaboração de três alunos de pós-graduação, desenvolvendo o Programa de Aperfeiçoamento de Ensino (PAE) da

Universidade de São Paulo.

Agradecemos antecipadamente por quaisquer sugestões e críticas que serão sempre bem-vindas ao aprimoramento desta obra.

Prof. Dr. Carlito Calil Junior São Carlos, setembro de 1998.

3

1. Compressão 4.3.1. RETRATIBILIDADE 3. Defeitos de processamento da madeira 4. DURABILIDADE NATURAL 3.2.1.3. FATORES QUE INFLUENCIAM NAS PROPRIEDADES DA MADEIRA 4. DENSIDADE 3.3. RESISTÊNCIA DA MADEIRA AO FOGO 3.4.5. ANATOMIA DO TECIDO LENHOSO 2. Módulo de elasticidade transversal (G) 4. PROPRIEDADES MECÂNICAS DA MADEIRA 4. ESTRUTURA DA MADEIRA 2.1.4.2. PROPRIEDADES ELÁSTICAS 4.2. Flexão simples 4. FISIOLOGIA E CRESCIMENTO DA ÁRVORE 2.2.2. RESISTÊNCIA QUÍMICA 8 9 10 11 11 12 13 4.6.4.2.2.1.3.3. Tração 4. Torção 4.2. PROPRIEDADES FÍSICAS DA MADEIRA 3.2.3.1.3. Coeficiente de Poisson 4. Cisalhamento 4. Fatores anatômicos 4.1.4. Defeitos de secagem 4.2. INTRODUÇÃO 1 2.3. CLASSIFICAÇÃO DAS ÁRVORES 2. Módulo de Elasticidade (E) 4.2.2. TEOR DE UMIDADE 3. Defeitos por ataques biológicos 4.3.SUMÁRIO NOTAÇÃO I 1.4. CARACTERÍSTICAS QUÍMICAS DA MADEIRA 2.4.4.1. Resistência ao choque 4. DIMENSÕES COMERCIAIS DA MADEIRA 14 14 14 15 15 15 15 18 18 19 20 20 20 20 25 26 27 27 4 .3. Lignina 3 3 3 4 6 7 7 3.2.5.1. Celulose 2.1. PROPRIEDADES DE RESISTÊNCIA 4.6.

Coeficientes para as combinações de ações 25 25 25 25 26 26 27 27 28 29 6. Estados limites 5.2.1. LIGAÇÕES EM ESTRUTURAS DE MADEIRA 8.1.1. Flexão composta 7.5.2. Situações de projeto 5.4.3.4.1.4. Vibrações 41 41 41 50 50 51 51 53 57 60 62 63 64 64 65 8.3.3.3.5. Estabilidade lateral de vigas de seção retangular 7.1. PROPRIEDADES DA MADEIRA A SEREM CONSIDERADAS 6.1.3.3.3.2.1.2. CRITÉRIOS DE DIMENSIONAMENTO 7.2. Ligações por pinos 8.4.2. Classes de carregamento 5.1. DISPOSIÇÕES GERAIS 8.2. Caracterização simplificada da resistência da madeira serrada 6.1 Coeficientes de modificação (Kmod) 6. Coeficientes de ponderação (w) 33 33 34 34 35 35 38 39 40 7. Compressão normal às fibras 7.1.5.1.1. EXEMPLO DE LIGAÇÕES EM ESTRUTURAS DE MADEIRA 66 66 67 67 70 70 71 71 72 5 . VALORES REPRESENTATIVOS DAS PROPRIEDADES DA MADEIRA 6. ESTADOS LIMITES ÚLTIMOS 7.5. Compressão inclinada em relação às fibras 7.1.1. Combinações de ações 5.1.6. Flexão oblíqua 7.7. Cisalhamento 7. Deformações limites para as construções com materiais frágeis não estruturais 7.2.4. Caracterização completa da resistência da madeira serrada 6.1.3.3.1. Flexão simples reta 7. Resistência das cavilhas 8.1.8. INTRODUÇÃO 5. CONSIDERAÇÕES GERAIS PARA PROJETOS 5.1. Caracterização da rigidez da madeira 6.1. LIGAÇÕES COM CAVILHAS 8.2.2.1.3. PROPRIEDADES DE RESISTÊNCIA E RIGIDEZ DA MADEIRA 6.1. Tração paralela 7. Compressão paralela às fibras 7. Caracterização mínima da resistência da madeira serrada 6.1. Carregamentos 5.2. HIPÓTESES BÁSICAS DE SEGURANÇA 5.2. LIGAÇÕES COM PINOS METÁLICOS 8.2. Deformações limites para as construções correntes 7.2.1.2.1.3.1. Resistência dos pinos 8. ESTADOS LIMITES DE UTILIZAÇÃO 7.3.2. AÇÕES 5. GENERALIDADES 8.9.

1. 10.4.1.1.1.1.1.2. Generalidades 9. Estabilidade global de elementos estruturais em paralelo 91 91 91 91 93 93 12.2.1.2. ESTABILIDADE DE PEÇAS COMPOSTAS 9.1.1. Peças solidarizadas descontinuamente 85 85 85 85 85 86 86 86 86 10. Contraventamento de peças comprimidas 10.2. ESTABILIDADE GLOBAL.9.1. PEÇAS COMPOSTAS 9.3. CONTRAVENTAMENTO 10. BIBLIOGRAFIA 102 6 . Peças compostas com alma em treliça ou de chapa de madeira compensada 9. Peças compostas de seção retangular ligadas por conectores metálicos 9. Peças compostas de seção T .2. I ou caixão ligadas por pregos 9.2.1.1. CONTRAVENTAMENTO.4.1. Contraventamento do banzo comprimido das peças fletidas 10. Peças solidarizadas continuamente 9. PEÇAS COMPOSTAS 9.3. Generalidades 10.

Muito precisa ainda ser feito para o desenvolvimento da madeira no Brasil. embora exista algum preconceito quanto à durabilidade e à resistência da madeira por parte daqueles que não conhecem profundamente esse material. Com a aplicação correta da madeira. por exemplo. as chamadas serrarias. Esta idéia foi sendo formada ao longo do tempo porque as indústrias do aço e do concreto. a madeira compete com o concreto e o aço. pode garantir à madeira durabilidade de 50 anos ou mais. Além disso. antes baseado no Método das Tensões Admissíveis. apenas foi realmente atualizado em 97. juntamente com modernas técnicas de utilização. Já para a madeira. propiciando a elaboração de projetos com alto grau de qualidade técnica. pode-se equipará-la e até avantajá-la em relação ao concreto e o aço em suas aplicações. haja vista que o texto original da norma brasileira para estruturas de madeira. a NBR 7190 Cálculo e Execução de Estruturas de Madeira. além de substituir o critério de dimensionamento. Do ponto de vista da utilização estrutural. a madeira ainda permite variações em sua aplicação como. tiveram um grande investimento em pesquisas. 7 . o grande número de indústrias. para o Método dos Estados Limites. a madeira laminada colada e o compensado. que permitem a execução de estruturas com características diferenciadas em relação a outros materiais. através da escolha adequada da espécie na classificação e do sistema estrutural apropriado. Esta norma condensa os resultados destas pesquisas relativas à caracterização de diversas espécies de madeira. Outra característica importante referese à grande variabilidade de suas propriedades devida às inúmeras espécies disponíveis no mercado. se espalharam por todas as regiões do Brasil e a utilização do material madeira ocorreu desordenadamente e sem acompanhamento técnico adequado. INTRODUÇÃO A madeira é um material orgânico. responsável por diferentes comportamentos de acordo com a direção de aplicação da carga em relação às fibras. com seus resultados sendo rapidamente divulgados e acompanhados pelas normas de cálculo. que sempre foram em menor número e de maior porte que as indústrias da madeira. uma característica da madeira que merece destaque é sua anisotropia. Entretanto. que data da década de 50. Com relação à durabilidade da madeira. Sua fonte é abundante e renovável. principalmente com a parceria entre as indústrias e as instituições de pesquisa. a execução de processos de secagem e preservação adequados.1. muitas pesquisas foram realizadas nas últimas duas décadas no Brasil e com isso pôde-se realizar recentemente a revisão da norma brasileira para estruturas de madeira. Do ponto de vista técnico. de origem vegetal encontrada tanto em florestas naturais quanto em florestas artificiais resultantes de reflorestamentos industrializados.

NBR 7190:1997. apresentados pela atual norma brasileira para projeto de estruturas de madeira. 8 . discursando sobre os novos critérios de dimensionamento e características da madeira.Este trabalho pretende contribuir para o desenvolvimento da madeira no Brasil.

No corte transversal de um tronco de árvore essas camadas aparecem como anéis de crescimento. podem-se observar as seguintes características: do crescimento vertical resulta a medula (geralmente a madeira mais fraca ou defeituosa). Nas gramíneas destaca-se o bambu. mas tendo em vista a sua boa resistência mecânica associada à sua baixa densidade. As palmas são madeiras que não apresentam boa durabilidade. entre a casca e o lenho existe uma camada extremamente delgada. Na América do Sul destacam-se os Pinus e a Araucária. sobe pela camada periférica do lenho. Parte desta seiva elaborada é conduzida radialmente até o centro do tronco por meio dos raios medulares. ao conjunto dos anéis de crescimento chama-se lenho. figura 2.2. Nesta categoria encontram-se as principais espécies utilizadas na construção civil no Brasil. aparentemente fluida. Na categoria das Monocotiledônias encontram-se as palmas e gramíneas. O grupo das Angiospermas se divide em duas categorias: Monocotiledônias e Dicotiledôneas. denominada câmbio. Constituem praticamente sozinhas. FISIOLOGIA E CRESCIMENTO DA ÁRVORE O crescimento principal da árvore ocorre verticalmente. 9 . CLASSIFICAÇÃO DAS ÁRVORES Botanicamente as árvores são classificadas como Fanerogamas. retirada do solo. Além desse crescimento vertical. Já as Dicotiledôneas são usualmente designadas como madeira dura ou “hard woods”. como escoramentos e cimbramentos. principalmente no hemisfério norte. grandes florestas e fornecem madeiras das mais empregadas na indústria e na construção civil. mas podem ser utilizadas de modo satisfatório em estruturas temporárias. o floema. presta-se para a construção leve. Do ponto de vista macroscópico da árvore. Dentro do grupo das Gimnospermas destacam-se as Coníferas. ocorre também um aumento do diâmetro do tronco devido ao crescimento das camadas periféricas responsável pelo crescimento horizontal (câmbio). que não é madeira no sentido usual da palavra. de elevada complexidade anatômica e fisiológica.1. conhecidas internacionalmente como madeiras moles ou “soft woods”. 2. onde se processa a fotossíntese produzindo a seiva elaborada que desce pela parte interna da casca. que constituem um grupo de plantas superiores. A seiva bruta. até as folhas. o alburno. ESTRUTURA DA MADEIRA 2. o qual apresenta-se recoberto por um tecido especial chamado casca. até as raízes. Esse crescimento é contínuo. O grupo das Fanerogamas se subdivide em Gimnospermas e Angiospermas.2. apresentando variações em função das condições climáticas e da espécie da madeira.

Em contraposição. FIGURA 1 . A parte do lenho modificada por essas substâncias é designada como cerne. de acordo com a sua função e com a classificação botânica da árvore. mais permeáveis a líquidos e gases está mais sujeito ao ataque de fungos apodrecedores e insetos. menos permeável a líquidos e gases.3. mais resistente ao ataque de fungos apodrecedores e de insetos e apresenta maior resistência mecânica. além de apresenta menor resistência mecânica. o alburno.Seção transversal do tronco de uma árvore (Fonte: MAINIERI. 10 .As substâncias não utilizadas pelas células como alimento são lentamente armazenadas no lenho. menos denso. 1983) 2. geralmente mais densa. ANATOMIA DO TECIDO LENHOSO A madeira é constituída principalmente por células de forma alongada apresentando vazio interno. constituído pelo conjunto das camadas externas do lenho. mas tendo tamanhos e formas variadas.

parênquima. 1990) Observando ao microscópio o corte de uma árvore.FIGURA 2 . vasos e raios. vasos. os raios de transportar horizontalmente a seiva elaborada e as fibras de conferir resistência e rigidez.Descrição simplificada da anatomia da árvore (fonte: RITTER.Coníferas As Dicotiledôneas são constituídas principalmente por fibras. Neste caso têm-se os vasos com a função de transportar da seiva bruta. 11 . Traqueíd es Raio s FIGURA 3 . As coníferas são constituídas principalmente por traqueídes e raios medulares que têm como funções transportar a seiva bruta e dar resistência e rigidez à madeira. são identificados principalmente os seguintes elementos: traqueídes. fibras e raios medulares.

A madeira apresenta três componentes orgânicos principais. um radical monossacarídio.Dicotiledôneas Os traqueídes constituem a maior parte da madeira das coníferas.4. podendo ser simples ou múltiplos. constituem a maior parte da madeira das Dicotiledôneas e seu comprimento pode variar de 0. fixado na celulose e lignina. hemicelulose e lignina. como seu componente orgânico elementar. com diâmetros de 0. CARACTERÍSTICAS QUÍMICAS DA MADEIRA A madeira apresenta o CH2O.Composição orgânica das madeiras (Fonte: HELLMEISTER. que são: celulose.5mm.02mm até 0.3 Cal  CH2O + H2O + O2 Na seqüência ocorrem as reações de polimerização que originam os açúcares que formam a maioria das substâncias orgânicas vegetais.Raio s Vaso s Fibras FIGURA 4 . 1983) Coníferas Celulose Hemicelulose Lignina 48-56% 23-26% 26-30% Dicotiledôneas 46-48% 19-28% 26-35% 12 . Em sua composição química a madeira apresenta grande quantidade de carbono. formado a partir da fotossíntese que ocorre nas folhas através da combinação do gás carbônico do ar com a água do solo e absorção de energia calorífica. Os raios medulares destinam-se ao transporte radial da seiva elaborada e ao armazenamento de material orgânico não utilizado na formação das células. A participação de cada um desses elementos varia de acordo com a classificação botânica da árvore. Os vasos são designados nos cortes transversais da madeira como poros. 2.5mm a 1. como mostra a equação abaixo: CO2 + 2H2O + 112.5mm. As fibras apresentam pequeno vazio interno conhecido como lumem. como mostra o quadro abaixo: TABELA 1 . têm comprimento de 3 a 4 mm e diâmetro de 45 micra.

13 . Estas três moléculas de água e a celulose apresentam uma relação em peso molecular de 1:3 (54/162).2.4. 2.2. Cada conjunto de celulose apresenta três oxidrilas que podem unir-se a três moléculas de água. Celulose A fórmula geral da celulose é n(C6H10O5). As paredes das fibras. Lignina A lignina age na madeira como um cimento. vasos e traqueídes são formadas por celulose. dando uma indicação da porcentagem máxima de água de impregnação da celulose. ligando as cadeias de celulose dando rigidez e dureza ao material.1. sendo esta um polímero constituído por várias centenas de glucoses.4.

 Retratibilidade. somente no sentido paralelo às fibras da madeira (longitudinal) e no sentido perpendicular às fibras (radial e tangencial). Comumente as propriedades da madeira são apresentadas. radial e tangencial.  Anatomia do tecido lenhoso. Podem-se destacar os seguintes fatores que influem nas características físicas da madeira:  Classificação botânica. Entre as características físicas da madeira cujo conhecimento é importante para sua utilização como material de construção. os valores numéricos das propriedades da madeira.  Variação da composição química. Devido à orientação das fibras da madeira e à sua forma de crescimento. destacam-se:  Umidade.  Durabilidade natural.  O solo e o clima da região de origem da árvore.3. ou seja. Outro fator a ser considerado na utilização da madeira é o fato de se tratar de um material ortotrópico.  Densidade. Devido a este grande número de fatores. As diferenças das propriedades nas direções radial e tangencial são relativamente menores quando comparadas com a direção longitudinal. com comportamentos diferentes em relação à direção de crescimento das fibras. como pode ser visto na figura a seguir. PROPRIEDADES FÍSICAS DA MADEIRA Conhecer as propriedades físicas da madeira é de grande importância porque estas propriedades podem influenciar significativamente no desempenho e resistência da madeira utilizada estruturalmente. que pode ser adequadamente representada pela distribuição de Gauss. obtidos em ensaios de laboratório. as propriedades variam de acordo com três eixos perpendiculares entre si: longitudinal.  Resistência ao fogo.  Fisiologia da árvore. 14 . para utilização estrutural. oscilam apresentando uma ampla dispersão.  Resistência química.

A água é importante para o crescimento e desenvolvimento da árvore. TEOR DE UMIDADE A umidade da madeira é determinada pela seguinte expressão: w onde: m1 = massa úmida m2 = massa seca w = umidade (%) m1  m2  100 m2 A norma brasileira para estruturas de madeira (NBR 7190:1997). 15 .1. como água livre contida nas cavidades das células (lumens). apresenta.FIGURA 5. Na madeira a água apresenta-se de duas formas. um roteiro detalhado para a determinação da umidade de amostras de madeira. em seu ANEXO B.Eixos principais da madeira em relação à direção das fibras (Fonte: Timber Bridges) 3. constituindo uma grande porção da madeira verde. e como água impregnada contida nas paredes das células.

A primeira delas é a “Densidade Básica” da madeira definida como a massa específica convencional obtida pelo quociente da massa seca pelo volume saturado e pode ser utilizada para fins de comparação com valores apresentados na literatura internacional. Para fins de aplicação estrutural da madeira e para classificação de espécies. 16 . A segunda. a seguir. 1990) Quando a árvore é cortada. ela tende a perder rapidamente a água livre existente em seu interior para. por isso a secagem deve ser executada com cuidado para se evitarem problemas na madeira. Para as madeiras brasileiras esta umidade encontra-se em torno de 25%. a norma brasileira especifica a umidade de 12% como de referência para a realização de ensaios e valores de resistência nos cálculos. A umidade na madeira tende a um equilíbrio com a umidade e temperatura do ambiente em que se encontra.2. É importante destacar ainda que a umidade apresenta grande influência na densidade da madeira. determinada para uma umidade padrão de referência de 12%. pode ser utilizada para classificação da madeira e nos cálculos de estruturas.FIGURA 6 . definida como “Densidade Aparente”. 3. perder a água de impregnação mais lentamente. O teor de umidade correspondente ao mínimo de água livre e ao máximo de água de impregnação é denominado de “Ponto de saturação das fibras”. DENSIDADE A norma brasileira apresenta duas definições de densidade a serem utilizadas em estruturas de madeira. A perda de água na madeira até o ponto de saturação das fibras se dá sem a ocorrência de problemas para a estrutura da madeira. A partir deste ponto a perda de umidade é acompanhada pela retração (redução das dimensões) e aumento da resistência.Umidade na madeira (Fonte: RITTER.

Assim. Uma peça de madeira exposta ao fogo torna-se um combustível para a propagação das chamas. Por último. encontra-se a retração tangencial com valores de até 10% de variação dimensional. 3. porém. após alguns minutos. encontra-se a retração longitudinal com valores de 0. pois. provocando um aumento nas dimensões das peças. a madeira é considerada um material de baixa resistência ao fogo. que se dá quando a madeira fica exposta a condições de alta umidade onde ao invés de perder água ela absorve. Na seqüência.Retração na madeira Um processo inverso também pode ocorrer. Isto de deve. à falta de conhecimento das suas propriedades de resistência quando submetida a altas temperaturas e quando exposta à chama. o inchamento. principalmente. Retração Tangenci al Radial 1 0 6 0. podendo causar também problemas de torção nas peças de madeira. RESISTÊNCIA DA MADEIRA AO FOGO Erroneamente.3. a retração radial com valores da ordem de 6% de variação dimensional. Como visto anteriormente a madeira apresenta comportamentos diferentes de acordo com a direção em relação às fibras e aos anéis de crescimento. sendo bem dimensionada ela apresenta resistência ao fogo superior à de outros materiais estruturais.5 PE(ar ) PS Axial PE= Umidade de equilíbrio ao ar PS= Ponto de saturação das fibras Umidade FIGURA 7 . uma camada mais externa 17 . radial e longitudinal.5% de variação dimensional.4. a retração ocorre em porcentagens diferentes nas direções tangencial. Apresenta-se a seguir um gráfico qualitativo para ilustrar a retração nas peças de madeira.3. Em ordem decrescente de valores. também pode causar problemas de rachaduras nas peças de madeira. RETRATIBILIDADE Define-se retratibilidade como sendo a redução das dimensões em uma peça da madeira pela saída da água de impregnação.

assim. Outro ponto importante que deve ser destacado é a diferença na durabilidade da madeira de acordo com a região da tora da qual a peça de madeira foi extraída. incluindo-se aqui a durabilidade natural. 1990) Outra característica importante da madeira com relação ao fogo é o fato de não apresentar distorção quando submetida a altas temperaturas. tal como ocorre com o aço. pois.5. Entre a porção carbonizada e a madeira sã encontra-se uma região intermediária afetada pelo fogo mas não carbonizada.da madeira se carboniza tornando-se um isolante térmico. 3. conforme pode ser observado na figura 8. com relação à biodeterioração. FIGURA 8 . evitando que toda a peça seja destruída. o cerne e o alburno apresentam características diferentes. com o alburno sendo muito mais vulnerável ao ataque biológico.Resistência ao fogo (Fonte: RITTER. apesar de carbonizada. DURABILIDADE NATURAL A durabilidade da madeira. A proporção de madeira carbonizada com o tempo varia de acordo com a espécie e as condições de exposição ao fogo. Certas espécies apresentam alta resistência natural ao ataque biológico enquanto outras são menos resistentes. Essa figura apresenta os perfis metálicos retorcidos devido à perda de resistência sob alta temperatura. 18 . dificultando assim a ruína da estrutura. depende da espécie e das características anatômicas. ainda possui resistência. que retém o calor. auxiliando. na contenção do incêndio. apoiados sobre uma viga de madeira que. porção esta que não deve ser levada em consideração na resistência. como visto anteriormente.

6. apresenta boa resistência a ataques químicos. Em alguns casos a madeira pode sofrer danos devidos ao ataque de ácidos ou bases fortes. O ataque das bases provoca aparecimento de manchas esbranquiçadas decorrentes da ação sobre a lignina e a hemicelulose da madeira.A baixa durabilidade natural de algumas espécies pode ser compensada por um tratamento preservativo adequado às peças. Em muitas indústrias é preferida em lugar de outros materiais que sofrem mais facilmente o ataque de agentes químicos. 19 . alcançando-se assim melhores níveis de durabilidade. Os ácidos também atacam a madeira causando uma redução no seu peso e na sua resistência. RESISTÊNCIA QUÍMICA A madeira. próximos dos apresentados pelas espécies naturalmente resistentes. em linhas gerais. 3.

a madeira pode ser considerada como tal para a maioria das aplicações estruturais. após retirada a ação externa que o solicitava. As propriedades elásticas são descritas por três constantes: o módulo de elasticidade longitudinal (E).1. PROPRIEDADES ELÁSTICAS Elasticidade é a capacidade do material de retornar à sua forma inicial. as propriedades de elasticidade variam de acordo com a direção das fibras em relação à direção de aplicação da força. sem apresentar deformação residual. Como a madeira é um material ortotrópico.90 E0 (Fonte: NBR 7190:1997) (Fonte: NBR 7190:1997) 20 . que também pode ser determinado de acordo com o método de ensaio apresentado pela norma brasileira e pode ser relacionado com o módulo de elasticidade longitudinal pelas expressões abaixo: Para as coníferas Para as dicotiledôneas EM = 0. PROPRIEDADES MECÂNICAS DA MADEIRA As propriedades mecânicas são as responsáveis pela resposta da madeira quando solicitada por forças externas. 4. determinado através do ensaio de compressão paralela às fibras da madeira. e o módulo de elasticidade na flexão (EM). Apesar de não ser um material elástico ideal pois apresenta uma deformação residual após a solicitação. que pode ser representado como uma fração do módulo de elasticidade longitudinal pela seguinte expressão: E 90  E0 20 (Fonte: NBR 7190:1997) ou ser determinado por ensaio de laboratório.1. São divididas em propriedades de resistência e elasticidade. o módulo de elasticidade transversal (G) e o coeficiente de Poisson (). o módulo de elasticidade normal (E90). A norma brasileira para estruturas de madeira apresenta os métodos de ensaio para a determinação destas propriedades.85 E0 EM = 0.1.4. Módulo de Elasticidade (E) De acordo com a norma brasileira trabalha-se com três valores de módulo de elasticidade: o módulo de elasticidade longitudinal (E 0). 4.

1. Da mesma forma que o exposto anteriormente. 4. as propriedades de resistência da madeira também diferem segundo os três eixos principais. Compressão Três são as solicitações às quais se pode submeter a madeira na compressão: normal. Quando a peça é solicitada por compressão paralela às fibras.2.2.1. pois a força é aplicada na direção normal ao comprimento das células. paralela ou inclinada em relação às fibras. a madeira apresenta valores de resistência menores que os de compressão paralela. Os valores de resistência à compressão normal às fibras são da ordem de 1/4 dos valores apresentados pela madeira na compressão paralela. as forças agem paralelamente à direção do comprimento das células. embora com valores muito próximos nas direções tangencial e radial.3. 4. Módulo de elasticidade transversal (G) Pode ser estimado a partir do módulo de elasticidade longitudinal (E 0). Por isso. NBR 7190:1997.4. não traz em seu texto nenhuma especificação a respeito de valores do coeficiente de Poisson para a madeira. PROPRIEDADES DE RESISTÊNCIA Estas propriedades descrevem as resistências últimas de um material quando solicitado por uma força. A figura 9 mostra de maneira simplificada o comportamento da madeira quando solicitada à compressão. as propriedades de resistência são analisadas segundo duas direções: paralela e normal às fibras.1.2. Coeficiente de Poisson A norma brasileira. conferem uma grande resistência à madeira na compressão. 21 . em conjunto. pela seguinte relação: G E0 20 (Fonte: NBR 7190:1997) 4. Desta forma as células. Para o caso de solicitação normal às fibras. direção esta onde as células apresentam baixa resistência.

Compressão inclinada: age tanto paralela como perpendicularmente às fibras.Compressão na madeira (Fonte: RITTER. valores estes obtidos pela expressão de Hankinson: f c  f c0  f c90 f c0  sen   f c90 cos2  2 Compressão paralela: tendência de encurtar as células da madeira ao longo do seu eixo longitudinal. FIGURA 10 . Compressão normal: comprime as células da madeira perpendicularmente ao eixo longitudinal.FIGURA 9 . 1990) Já para solicitações inclinadas em relação às fibras da madeira adotam-se valores intermediários entre a compressão paralela e a normal. 1990) 22 .Comportamento da madeira na compressão (Fonte: RITTER.

O caso mais crítico é o do cisalhamento horizontal que leva à ruptura pelo escorregamento entre as 23 .2. Tração Duas solicitações diferentes de tração podem ocorrer em peças de madeira: tração paralela ou tração perpendicular às fibras da madeira. Em ambos os modos de ruptura a madeira apresenta baixos valores de deformação e elevados valores de resistência. para efeito de projetos. Na tração. O primeiro se dá quando a ação age no sentido perpendicular às fibras (cisalhamento vertical). devendo ser evitada. Os outros dois tipos de cisalhamento referem-se à força aplicada no sentido longitudinal às fibras (cisalhamento horizontal) e à força aplicada perpendicular às linhas dos anéis de crescimento (cisalhamento “rolling”).4.2. As propriedades da madeira referentes a estas solicitações diferem consideravelmente. Tração paralela: alongamento das células da madeira ao longo do eixo longitudinal Tração normal: tende a separar as células da madeira perpendicular ao seus eixos. análogo ao caso da compressão normal às fibras. pois. Cisalhamento Existem três tipos de cisalhamento que podem ocorrer em peças de madeira.3. alterando significativamente a sua integridade estrutural e apresenta baixos valores de deformação. os esforços agem na direção perpendicular ao comprimento das fibras tendendo a separá-las. Deve-se evitar. A ruptura por tração paralela às fibras pode ocorrer de duas maneiras. 1990) 4.2. FIGURA 11 . este tipo de solicitação não é crítico na madeira. por deslizamento entre as células ou por ruptura das paredes das células. a consideração da resistência da madeira quando solicitada à tração na direção normal às fibras.Tração na madeira (Fonte: RITTER. onde a resistência é baixa. antes de romper por cisalhamento a peça já apresentará problemas de resistência na compressão normal. a madeira apresenta baixos valores de resistência. Já na ruptura por tração normal às fibras.

romper por tração. Flexão simples Quando a madeira é solicitada à flexão simples ocorrem quatro tipos de esforços: compressão paralela às fibras. tração paralela às fibras. Normalmente não é considerada pois. 1990) 4. outras falhas ocorrerão antes. podendo. cisalhamento horizontal e nas regiões dos apoios compressão normal às fibras. Cisalhamento vertical: deforma as células da madeira perpendicularmente ao eixo longitudinal. FIGURA 12 .Flexão na madeira (Fonte: RITTER. 1990) 24 . Já o cisalhamento “rolling” produz uma tendência das células rolarem umas sobre as outras. FIGURA 13 . transversalmente ao eixo longitudinal.2. Cisalhamento perpendicular: Produz a tendência das células da madeira rolarem umas sobre as outras.células de madeira. Cisalhamento horizontal: produz a tendência das células da madeira de separarem e escorregarem longitudinalmente. A ruptura em peças de madeira solicitadas à flexão ocorre pela formação de minúsculas falhas de compressão seguidas pelo desenvolvimento de enrugamentos de compressão macroscópicos.4. eventualmente.Cisalhamento na madeira (Fonte: RITTER. Este fenômeno gera o aumento da área comprimida na seção e a redução da área tracionada.

Esta inclinação descreve o desvio da orientação das fibras da madeira em relação a uma linha paralela à borda da peça. Inclinação das fibras A inclinação das fibras tem uma influência significativa sobre as propriedades da madeira a partir de certos valores. A norma brasileira recomenda evitar a torção de equilíbrio em peças de madeira. sendo que a norma brasileira prevê o ensaio de flexão dinâmica para determinála. ambientais e de utilização.3. A madeira é considerada um material de ótima resistência ao choque. A norma brasileira permite desconsiderar a influência da inclinação das fibras para ângulos de até 6.2.2.2.5. resinas e extratos pode aumentar a densidade sem contudo contribuir para uma melhoria significativa na resistência. maior é a quantidade de madeira por volume e como conseqüência a resistência também aumenta.4. Alguns cuidados devem ser tomados com valores da densidade. 4. Torção As propriedades da madeira solicitadas por torção são muito pouco conhecidas. está sujeita a variações na sua estrutura que podem acarretar mudanças nas suas propriedade.1. Outro fator importante a ser destacado refere-se à umidade da madeira quando determinada a densidade. 25 . como descrito no item 3. em virtude do risco de ruptura por tração normal às fibras decorrente do estado múltiplo de tensões atuante. apresentada no item 4. A partir deste valor deve-se verificar a variação das propriedades da madeira pela fórmula de Hankinson. 4.1. FATORES QUE INFLUENCIAM NAS PROPRIEDADES DA MADEIRA Pelo fato da madeira ser um material de origem biológica. Estas mudanças são resultantes de três fatores principais: anatômicos. pois.6. 4. Fatores anatômicos Densidade Quanto maior a densidade. Existem várias formas de quantificar a resistência da madeira ao choque. Resistência ao choque A resistência ao choque é a capacidade do material absorver rapidamente energia pela deformação. a presença de nós.2.3.

firmeza e do tipo de tensão considerada. A influência de um nó depende do seu tamanho.Presença de alburno (Fonte: MAINIERI.Nós Os nós são originários dos galhos existentes nos troncos da madeira após o desbaste dos mesmos. No geral os nós têm maior influência na tração do que na compressão. localização. A primeira delas está relacionada com o encurvamento do tronco e dos galhos durante o crescimento da árvore. 1983) Falhas naturais da madeira Dois tipos de falhas principais podem ocorrer devido à natureza da madeira. FIGURA 15 . Ambos reduzem a resistência da madeira pelo fato de interromperem a continuidade e direção das fibras. forma. Existem dois tipos de nós. os soltos e os firmes. 1983) 26 . Também podem causar efeitos localizados de tensão concentrada.Presença de nós na madeira (MAINIERI. que por suas próprias características físicas apresenta valores de resistência menores. Outro fator a ser observado é a presença de alburno. FIGURA 14 . alterando o alinhamento das fibras e podendo influenciar na resistência.

decorrentes de fortes tensões internas devidas ao processamento. FIGURA 16 . Quando presentes em elementos submetidos à compressão. provoca diminuição da resistência mecânica e facilita o ataque biológico. 1983) Faixas de parênquima As faixas de parênquima têm baixa densidade e pouca resistência mecânica. estes podem entrar em ruína por separação dos anéis.Faixas de parênquima (Fonte: MAINIERI. Podem também surgir rachaduras no cerne próximo à medula. 1983) 27 .Medula (Fonte: MAINIERI.Presença de medula Quando a peça serrada contém a medula. FIGURA 17 .

que podem ser pequenas ou grandes. como ilustrado na figura abaixo.Ataques biológicos (Fonte: MAINIERI.3. Os insetos causam as perfurações.2. 1983) 28 .4. Perfurações pequenas Podridão Perfurações grandes Podridão Mancha FIGURA 18 . Defeitos por ataques biológicos Estes defeitos surgem dos ataques provenientes de fungos ou insetos. já os fungos causam manchas azuladas e podridões (clara ou parda).

como mostra a figura 20. Podem ser: encanoamento. Encanoamento Encurvamento Arqueamento Torcimento FIGURA 19 . arqueamento.Defeitos de secagem (Fonte: MAINIERI. transporte. encurvamento. Arestas quebradas Variação da seção transversal FIGURA 20 . 1983) 29 . Defeitos de processamento da madeira São defeitos originados na manipulação. armazenamento e desdobro da madeira.3. 1983) 4. Defeitos de secagem São originados pela deficiência dos sistemas de secagem e armazenamento das peças.3.4.3. torcimento e rachadura. Destacam-se aqui dois defeitos principais: as arestas quebradas e a variação da seção transversal.Defeitos de processamento (Fonte: MAINIERI.4. como mostra a figura abaixo.

3 17. 6.5 22.0 x 6. 3.1 22.4. 6. 4.0 x 16.5 37.3 18.2 21.6 16. seguida das seções comerciais das madeiras encontradas comercialmente no Brasil.0 x 12.0 2.5 20.0 x 5.7 16.6 17.0 x 10.0 .5 22.6 22.4 30.3 33. 15.4 29.2 x 5.3 14.0 4.5 20.0 . 6.0 . TABELA 2 .8 23.7 14.4 31.0 32.5 x 30.4 16.6 15.0 17.6 27. Vigas Tábuas Pranchas Pranchões Postes Seção Transversal Nominal (cm) 1.0 x 12.0 18.9 23. DIMENSÕES COMERCIAIS DA MADEIRA Apresenta-se na tabela abaixo a nomenclatura.2 20.0 5.7 13.0 .8 22.5 x 6.6 26.6 25.8 28.8 28.0 6. 10.0 x 30.6 27. 2.5 x 7.5 x 5.0 x 12.0 14.0 .8 21. 2.4 16.0 .Postes roliços Comprimento (m) 7 8 9 Tipo leve leve leve médio pesado leve médio pesado leve médio pesado leve médio pesado médio pesado médio pesado médio pesado médio pesado médio pesado médio pesado médio pesado médio pesado Diâmetro Base (cm) Topo (cm) 18.2 36.0 x 15.Madeira serrada Nomenclatura Ripas Ripões Sarrafos Caibros Caibrões Pontaletes Vigotas.0 .5 19.0 x 8.0 x 20.0 x 20.6 26.4.0 5.9 21.0 17.0 7.7 20.0 x 16.0 2.6 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 30 .6 24. 6.5 x 22.0 TABELA 3 .7 30.0 17.5 22.8 29.8 22.0 .0 x 6. 3.0 x 10.7 21.9 34.0 .0 6.4 29.7 29.0 2.3 17.3 15.3 32.1.0 .5 .0 12.0 30.0 .8 25.0 x 30.0 x 8.

HIPÓTESES BÁSICAS DE SEGURANÇA 5.  Propriedades dos materiais.1. os desenhos e as relações entre os cálculos e detalhamentos. 31 . Os desenhos devem estar em acordo com o anexo A da NBR 7190:1997.5. repetição ou duração. no todo ou em parte. desenhos e.  Esquemas adotados na análise dos elementos estruturais e identificação de suas peças. a partir dos quais apresenta desempenhos inadequados às finalidades da construção. causam efeitos estruturais que não respeitam as condições especificadas para o uso normal da construção. O memorial justificativo deve conter os seguintes elementos:  Descrição do arranjo global tridimensional da estrutura. Deve ser mantida coerência de nomenclatura entre o memorial justificativo.  Dimensionamento e detalhamento esquemático das peças estruturais. Estados limites últimos Estados que por sua simples ocorrência determinam a paralisação.  Análise estrutural.  Dimensionamento e detalhamento esquemático das emendas. Estados limites de utilização Estados que por sua ocorrência. 5. também por plano de execução quando há particularidades do projeto que interfiram na construção. do uso da construção. CONSIDERAÇÕES GERAIS PARA PROJETOS 5.2.2.1. uniões e ligações. INTRODUÇÃO A norma brasileira para projeto de estruturas de madeira especifica que um projeto é composto por memorial justificativo. ou que são indícios de comprometimento da durabilidade da construção. Estados limites São os estados assumidos pela estrutura.

A fim de levar em conta o bom comportamento estrutural da madeira para cargas de curta duração.3.3.Classes de carregamento (Fonte: NBR 7190:1997) Classe de carregamento Ação variável principal da combinação Duração acumulada Ordem de grandeza da duração acumulada da ação característica vida útil da construção mais de 6 meses 1 semana a 6 meses menos de 1 semana muito curta Permanente Longa duração Média duração Curta duração Duração instantânea 5. deve ser considerada a totalidade dos esforços devidos à ação do vento. para levar em conta a probabilidade de ocorrência simultânea. as ações devem ser combinadas.3. As classe de carregamento estão especificadas na tabela abaixo. b) Ações variáveis: ao contrário das ações permanentes as ações variáveis apresentam variação significativa durante a vida da construção. pode-se fazer uma redução de 25% sobre as solicitações. As ações podem ser de três tipos: a) Ações permanentes: são aquelas que apresentam pequena variação durante praticamente toda a vida da construção. A aplicação das ações deve ser feita de modo a se conseguirem as situações mais críticas para a estrutura. Para a elaboração dos projetos. durante a vida da construção..1. No caso da verificação de peças metálicas. Ações A norma brasileira NBR 8681 (Ações e segurança nas estruturas) define ações como as causas que provocam esforços ou deformações nas estruturas. c) Ações excepcionais: são aquelas que apresentam duração extremamente curta. Classes de carregamento As classes de carregamento de qualquer combinação de ações é definida pela duração acumulada prevista para a ação variável tomada como principal na combinação.2. com a aplicação de coeficientes sobre cada uma delas. Carregamentos Carregamento normal Permanente Longa duração Média duração Curta duração Duração instantânea 32 . 5. e com baixa probabilidade de ocorrência. inclusive nos elementos de ligação. na verificação da segurança em relação a estados limites últimos. TABELA 4 .

ela deve ser feita com combinações de média ou curta duração. Determina-se a classe de carregamento pela duração acumulada da situação de risco. Quando a duração for muito menor que o período de vida da construção tem-se uma situação transitória. Carregamento excepcional Na existência de ações com efeitos catastróficos o carregamento é definido como excepcional. 5. Carregamento especial Neste carregamento estão incluídas as ações variáveis de natureza ou intensidade especiais.3. e corresponde à classe de carregamento de duração instantânea. Para os estados limites últimos consideram-se as combinações normais de carregamento (item 5. como por exemplo o içamento de uma treliça. Carregamento de construção Outro caso particular de carregamento é o de construção. Como exemplo temos a ação de um terremoto. Como exemplo podemos citar para coberturas a consideração do peso próprio e do vento e para pontes o peso próprio junto com o trem-tipo.3.2). enquanto que para os estados limites de utilização devem ser verificadas as combinações de longa ou média duração. 33 .3. superando os efeitos considerados para um carregamento normal. Deve ser verificada quando existir um carregamento especial para a construção e na maioria dos casos pode-se verificar apenas estados limites últimos. Situações de projeto São três as situações de projeto que podem ser consideradas: duradouras.Um carregamento é normal quando inclui apenas as ações decorrentes do uso previsto para a construção. Caso seja necessária a verificação dos estados limites de utilização. Nas situações duradouras são verificados os estados limites últimos e de utilização. onde os procedimentos de construção podem levar a estados limites últimos. transitórias e excepcionais. que supere o carregamento do trem-tipo considerado. A classe de carregamento é definida pela duração acumulada prevista para a ação variável especial. é considerado de longa duração e deve ser verificado nos estados limites último e de utilização. Como por exemplo o transporte de um equipamento especial sobre uma ponte. devem ser consideradas em todos os projetos e têm a duração igual ao período de referência da estrutura.

Combinações últimas excepcionais Fd    gi Fgi .exc   Q   0 j.3.k   Q   j 2 Neste caso as ações variáveis são divididas em dois grupos. Combinações últimas especiais ou de construção m n   Fd    gi Fgi .k  FQ. as principais (F q1. Combinações de ações Estados limites últimos Combinações últimas normais Fd    gi Fgi .k i 1 j1 m n Neste caso a diferença está na consideração da ação transitória excepcional sem coeficientes. que será o mesmo. que leva em conta a baixa probabilidade de ocorrência simultânea das ações variáveis.k i 1 m n    FQ1. 34 .As situações com duração extremamente curta são consideradas excepcionais e somente são verificadas para os estados limites últimos. por meio do coeficiente g.ef FQj.4.k    i 1 j 2 A única alteração em relação às combinações últimas normais está na consideração do coeficiente 0j.k    0 j FQj.k   Q  FQ1. a menos que a ação variável principal FQ1 tenha um tempo de atuação muito pequeno. a favorável e a desfavorável. 5.ef FQj.k) e as secundárias (Fqj.k    0 j. neste caso 0j.k) com seus valores reduzidos pelo coeficiente 0j. Para as ações permanentes devem ser feitas duas verificações.ef = 2j.

k i 1 j 2 m n São utilizadas quando for importante impedir defeitos decorrentes das deformações da estrutura. Combinações de duração instantânea Fd .k    2 j FQj.Estados limites de utilização Combinações de longa duração Fd .k    1 j FQj.k i 1 j 2 m n Utiliza-se esta combinação no caso de existirem materiais frágeis não estruturais ligados à estrutura. Combinações de curta duração Fd . 5.3.k i 1 j1 m n Esta combinação é utilizada no controle usual de deformações das estruturas. Neste caso a ação variável principal atua com seus valores referentes a média duração.esp    2 j FQj.ef = coeficiente de minoração para as ações variáveis secundárias de longa duração 35 .uti   Fgi .k   1 FQ1.uti   Fgi . Nestas condições a ação variável principal atua com valores de média duração e as demais com os valores de longa duração.k    2 j FQj.k  FQ.5.uti   Fgi .uti   Fgi . Coeficientes para as combinações de ações Combinações últimas Para as combinações nos estados limites últimos são utilizados os seguintes coeficientes: g = coeficiente para as ações permanentes Q = coeficiente de majoração para as ações variáveis 0 = coeficiente de minoração para as ações variáveis secundárias 0.k  FQ1. Combinações de média duração Fd .k i 1 j1 m n Neste caso tem-se a ação variável especial e as demais ações variáveis agindo com valores referentes a combinações de longa duração. As ações variáveis atuam com seus valores correspondentes à classe de longa duração.

4  g = 1.3  g = 1. adotam-se os valores indicados na tabela 7.1 favoráveis  g = 1.Ações permanentes de pequena variabilidade (Fonte: NBR 7190:1997) Combinações para efeitos(*) desfavoráveis Normais Especiais ou de Construção Excepcionais  g = 1.2  g = 1.Os valores dos coeficientes apresentados pela norma são os seguintes: Ações permanentes (g) Ações permanentes de pequena variabilidade A norma brasileira considera como de pequena variabilidade o peso da madeira classificada estruturalmente cuja densidade tenha coeficiente de variação não superior a 10%.  g = 1.9  g = 0. adotam-se os valores apresentados na tabela 6.2 favoráveis  g = 0. como os efeitos de recalques de apoio e de retração dos materiais.0 (*) podem ser usados indiferentemente os símbolos  g ou  G Ações permanentes de grande variabilidade Quando o peso próprio da estrutura não supera 75% da totalidade dos pesos permanentes. TABELA 6 .Ações permanentes de grande variabilidade (Fonte: NBR 7190:1997) Combinações para efeitos desfavoráveis Normais Especiais ou de Construção Excepcionais Ações permanentes indiretas Para as ações permanentes indiretas. e especifica para este caso os seguintes valores: TABELA 5 .3  g = 1.0  g = 1.9 36 .0  g = 1.9  g = 0.

2  Q = 1.Ações variáveis (Fonte: NBR 7190:1997) Combinações ações variáveis em geral efeitos da temperatura incluídas as cargas acidentais móveis Normais Especiais ou de Construção Excepcionais  Q = 1.0  = 0 Ações variáveis secundárias (0) Este coeficiente varia de acordo com a ação considerada.0   = 1.2   = 1.2   = 1.4  Q = 1.2  = 0  = 0  = 0  = 0 Ações variáveis (Q) A norma brasileira especifica os seguintes valores para q em análise de combinações últimas: TABELA 8 .TABELA 7 . como pode ser visto na tabela 9. 37 .Ações permanentes indiretas (Fonte: NBR 7190:1997) Combinações para efeitos desfavoráveis Normais Especiais ou de Construção Excepcionais favoráveis   = 1.

6 * Admite-se 2=0 quando a ação variável principal corresponde a um efeito sísmico 38 .Pressão dinâmica do vento Cargas acidentais dos edifícios .4 0.2 0.Fatores de minoração (Fonte: NBR 7190:1997) Ações em estruturas correntes .4 0. ou de elevadas concentrações de pessoas .4 0. TABELA 9 .Locais em que não há predominância de pesos de equipamentos fixos.ef) é igual ao coeficiente de minoração para ações variáveis (0) adotado nas combinações normais. oficinas e garagens Cargas móveis e seus efeitos dinâmicos .8 0.4 0.4* 0. em que 0.ef) O coeficiente de minoração para ações variáveis secundárias (0. nem de elevadas concentrações de pessoas .6 2 0.Ações variáveis secundárias de longa duração (0.7 1 0.6 0.2* 0.7 0.5 0.Pontes ferroviárias (ferrovias não especializadas) 0 0.3 0 2 0.2 1 2 0. arquivos.ef pode ser tomado com o correspondente valor de 2. Combinações de utilização Para as combinações nos estados limites de utilização são utilizados os seguintes coeficientes: 1 = coeficiente para as ações variáveis de média duração 2 = coeficiente para as ações variáveis de longa duração Os valores de 1 e 2 são apresentados na tabela 9. utilizado nas combinações de estados limites de utilização.2* 0.6 0. salvo quando a ação variável principal F Q1 tiver um tempo de atuação muito pequeno.Bibliotecas.3 0.3 0.Locais onde há predominância de pesos de equipamentos fixos. caso este.Pontes de pedestres .Pontes rodoviárias .6 0.5 0 1 0.Variações uniformes de temperatura em relação à média anual local .8 0 0.

Este ajuste é feito em função das classes de umidade como apresentado na tabela 10.Elasticidade: E12  E U% 1   100   39 . Na falta da determinação experimental do módulo de elasticidade na direção normal às fibras pode ser utilizada a seguinte relação: E 90  1 E 20 0 Como já visto anteriormente. a umidade presente na madeira pode alterar as suas propriedades de resistência e elasticidade. O módulo de elasticidade da madeira determina o seu comportamento na fase elástico-linear. Estes valores de resistência são determinados convencionalmente pela máxima tensão que pode ser aplicada a corpos-de-prova normalizados e isentos de defeitos até o aparecimento de fenômenos particulares de comportamento além dos quais há restrição de emprego do material em elementos estruturais. deve-se ajustar estas propriedades em função das condições ambientais onde permanecerão as estruturas. PROPRIEDADES DA MADEIRA A SEREM CONSIDERADAS São quatro as propriedades da madeira a serem consideradas no dimensionamento de elementos estruturais: densidade. Devem ser conhecidos os módulos nas direções paralela (E0) e normal (E90) às fibras. resistência. e pode-se adotar o valor da densidade aparente. A densidade é utilizada na determinação do peso próprio do madeiramento da estrutura. Caso alguma propriedade seja obtida por ensaios de laboratório com teor diferente de umidade (10%  U  20%) deve-se fazer a correção pelas seguintes expressões:  3U%  12 . PROPRIEDADES DE RESISTÊNCIA E RIGIDEZ DA MADEIRA 6.2. Para a resistência. podem ser utilizados valores obtidos de ensaios de caracterização de espécies realizados em laboratório ou valores de resistências fornecidos pela norma brasileira de estruturas de madeira que apresenta as características de diversas espécies ou de acordo com a classe de resistência que a espécie pertence. por isso. como definida no item 3.Resistência: f12  f U% 1   100    2U%  12 .6. rigidez ou módulo de elasticidade e umidade.1. Os valores das propriedades de resistência e elasticidade da madeira apresentados neste trabalho são referentes à umidade padrão de referência de 12%.

1. . . e consiste da determinação das seguintes propriedades: .Resistência à compressão normal às fibras (f c. . . .0).Resistência à compressão paralela às fibras (f c.0) e normal (fe. a norma brasileira especifica três procedimentos distintos que podem ser tomados para a caracterização das propriedades de resistência e um procedimento para as propriedades de elasticidade.90) às fibras.Resistência ao cisalhamento paralelo às fibras (f v.Resistência à tração paralela às fibras (ft. .1.90).Resistência à tração normal às fibras (ft.Classes de umidade (Fonte: NBR 7190:1997) Classes de umidade Umidade relativa ambiente Uamb  65 65 < Uamb  75 75 < Uamb  85 do Umidade de equilíbrio da madeira Ueq 12 15 18 1 2 3 Uamb > 85 4 durante longos períodos  25 Para valores de umidade superior a 20% e temperaturas entre 10C e 60C admite-se como desprezível as variações nas propriedades da madeira.Resistência ao cisalhamento paralelo às fibras (f v. 6.Resistência à compressão paralela às fibras (f c.0).Resistência à tração paralela às fibras (ft. como descritos a seguir: 6. .TABELA 10 . Na hipótese de execução da classificação de um lote de madeira para utilização estrutural. Caracterização completa da resistência da madeira serrada Esta caracterização é recomendada para espécies de madeira não conhecidas. Caracterização mínima da resistência da madeira serrada Esta caracterização é recomendada para espécies de madeira pouco conhecidas.90).0). Todos os procedimentos para a realização dos ensaios de classificação estão descritos no anexo E da norma brasileira.Densidade básica.0). e consiste da determinação das seguintes propriedades: .Resistência de embutimento paralelo (fe.0). 40 . .1.2.0).

77 ftm.k / ft0. a norma adota o conceito de classes de resistência.1.k / fc0..k / fc0. Visando a padronização das propriedades da madeira. pode-se adotar correlações com valores do módulo de elasticidade na flexão como descrito no capítulo 4.k = 0.1.Valor médio do módulo de elasticidade na compressão normal (E c90.m). Caracterização simplificada da resistência da madeira serrada Para espécies de madeira usuais pode-se fazer a classificação simplificada a partir dos ensaios de compressão paralela às fibras. 41 .k / fc0.12 6.k = 1. com a realização de pelo menos dois ensaios: .k = 0. assim.k = 1.0 fe90. o lote de madeira deve ter sido classificado e o revendedor deve apresentar certificados de laboratórios idôneos.k / fc0. que comprovem as propriedades do lote dentro de uma das classes de resistência.m).4.k = 0. propiciando. 6.Na direção normal vale a relação: Ec90 = (1/20) Ec0.15 Para dicotiledôneas: fv0. .25 Para coníferas: fv0. Os valores dos módulos de elasticidade na compressão e tração são considerados equivalentes. Caso não seja possível a realização de ensaios de compressão paralela.m). Caracterização da rigidez da madeira Caracterização completa A caracterização completa da rigidez da madeira é feita por meio da determinação dos seguintes valores. a utilização de várias espécies com propriedades similares em um mesmo projeto. . Para isto.3.Densidade básica e densidade aparente. que devem ser referidos à condição padrão de umidade (U=12%).k = 0.k = 0.Valor médio do módulo de elasticidade na compressão paralela (E c0. Caracterização simplificada Pode ser feita apenas na compressão paralela às fibras: .k / fc0.k / ft0.0 fc90.Valor médio do módulo de elasticidade na compressão paralela (E c0.25 fe0. adotando-se as seguintes relações para os valores característicos das resistências: fc0. No caso da impossibilidade da execução dos ensaios de tração pode-se admitir que este valor seja igual ao da resistência à tração na flexão.

com a sua identificação correta.500 24. pode-se utilizar os valores apresentados na tabela 13.Classes de resistência das coníferas (Fonte NBR 7190:1997) Coníferas (Valores na condição padrão de referência U = 12) Classe fcok (MPa) fvk (MPa) 4 5 6 Eco.m (MPa) 9 500 14.500 bas. e não sendo possível a classificação do lote para a obtenção das propriedades.500 bas.m (kg/m3) 500 650 750 800 aparente (kg/m3) 650 800 950 1000 C 20 C 30 C 40 C 60 20 30 40 60 No caso da utilização de uma espécie em particular.m (MPa) 3 500 8 500 14. 42 .Classes de resistência das dicotiledôneas (Fonte NBR 7190:1997) Dicotiledôneas (Valores na condição padrão de referência U = 12) Classe fcok (MPa) fvk (MPa) 4 5 6 8 Eco.500 19.m (kg/m3) 400 450 500 aparente (kg/m3) 500 550 600 C 20 C 25 C 30 20 25 30 TABELA 12 .TABELA 11 .

8 7.2 5.5 79.4 2.8 47.5 9. Umbra E.9 2.5 3.0 78. Saligna E. Urophylla Garapa Roraima Guaiçara Guarucaia Ipê Jatobá Louro Preto Maçaranduba Mandioqueira Oiticica Amarela Pinho do Paraná Pinus caribea Pinus bahamensis Pinus hondurensis Pinus elliottii Pinus oocarpa Pinus taeda Quarubarana Sucupira Tatajuba Nome científico Votaireopsis araroba Hymenolobium spp Hymenolobium petraeum Dinizia excelsa Termilalia spp Andira spp Cassia ferruginea Vochysia spp Gossypiospermum praecox Cedrella odorata Cedrella spp Dipterys odorata Goupia glabra Qualea paraensis Eucalyptus alba Eucalyptus camaldulensis Eucalyptus citriodora Eucalyptus cloeziana Eucalyptus dunnii Eucalyptus grandis Eucalyptus maculata Eucaliptus maidene Eucalyptus microcorys Eucalyptus paniculata Eucalyptus propinqua Eucalyptus punctata Eucalyptus saligna Eucalyptus tereticornis Eucalyptus triantha Eucalyptus umbra Eucalyptus urophylla Apuleia leiocarpa Luetzelburgia spp Peltophorum vogelianum Tabebuia serratifolia Hymenaea spp Ocotea spp Manilkara spp Qualea spp Clarisia racemosa Araucaria angustifolia Pinus caribea var.8 12.9 3.1 4.6 3.4 32.5 93.6 147.3 54.6 10.7 9.2 4.8 95.hondurensis Pinus elliottii var.9 138.bahamensis Pinus caribea var.8 57.5 4.1 123.4 85.0 6. Maidene E.0 93.9 4.0 10.9 96.8 5.8 6.1 52.8 76.7 51.2 3.6 78.6 70. Triantha E.1 11. elliottii Pinus oocarpa shiede Pinus taeda L.6 10.9 82.9 4.2 2.3 3.4 83.6 90.1 6.1 64.1 8.1 15.7 3.3 66.3 5.1 3.5 111.9 100.9 42.8 39.0 60.4 78.4 8. Microcorys E.8 3.2 9.7 84.0 3.1 7.3 56.7 118.6 10.8 8.7 48.7 50.5 62.8 11.7 46.2 115.6 83.9 71.7 5.1 86.1 59. ap(12) = massa específica aparente a 12 de umidade fc0 = resistência à compressão paralela às fibras ft0 = resistência à tração paralela às fibras ft90 = resistência à tração normal às fibras fv = resistência ao cisalhamento Ec0 = módulo de elasticidade longitudinal obtido no ensaio de compressão paralela às fibras n = número de corpos de prova ensaiados 43 .1 108.5 93.2 70.5 3.1 3.7 4.9 120.8 7.8 58.6 4.7 3. Propinqua E. Punctata E.2 54.9 11.3 63. Maculata E.7 10.TABELA 13 .6 42.3 10.9 40.3 40.7 6.9 12.5 46.2 117.7 3.8 139.2 79.2 12. caribea Pinus caribea var.7 12.4 9.5 48.0 2.0 4.6 44. Paniculata E.8 7.5 59. Camaldulensis E.2 3.4 76.4 71.7 10.4 8.9 40.0 4.6 3.9 90.6 8.4 78.3 4.8 4. Citriodora E.5 58. Branquilho Cafearana Canafístula Casca Grossa Castelo Cedro Amargo Cedro Doce Champagne Cupiúba Catiúba E.9 fv (MPa) 7.9 87.1 82.2 99.4 3.8 48.3 9.5 104. Cloeziana E.9 35.1 71.9 10.1 9.Propriedades de algumas espécies de madeira (Fonte: NBR 7190:1997) Nome comum Angelim Araroba Angelim Ferro Angelim Pedra Angelim Pedra V.4 62.5 4.4 11.3 48. Grandis E.6 2.5 89. Erisma uncinatum Diplotropis spp Bagassa guianensis ap(12) 3 (Kg/m ) 688 1170 694 1170 803 677 871 801 759 504 500 1090 838 1221 705 899 999 822 690 640 931 924 929 1087 952 948 731 899 755 889 739 892 825 919 1068 1074 684 1143 856 756 580 579 537 535 560 538 645 544 1106 940 fc0 (MPa) 50.5 2.9 79.6 3.0 4.1 123. Dunnii E.9 72.8 2.8 52.5 115.0 10.4 69.4 37.4 2.2 69.9 8.8 ft90 (MPa) 3.8 75.2 Ec0 (MPa) 12876 20827 12912 16694 13481 14098 14613 16224 11105 9839 8058 23002 13627 19426 13409 13286 18421 13963 18029 12813 18099 14431 16782 19881 15561 19360 14933 17198 14617 14577 13166 18359 14624 17212 18011 23607 14185 22733 18971 14719 15225 8431 7110 9868 11889 10904 13304 9067 21724 19583 n 15 20 39 12 10 11 12 31 12 21 10 12 33 13 24 18 68 21 15 103 53 10 31 29 63 70 67 29 08 08 86 12 11 13 22 20 24 12 16 12 15 28 32 99 21 71 15 11 12 10 As propriedades de resistência rigidez aqui apresentadas foram determinadas pelos ensaios realizados no Laboratório de Madeiras e de Estruturas de Madeiras (LaMEM) da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da Universidade de São Paulo.5 ft0 (MPa) 69.6 2.6 4.1 125.9 1.0 6.0 51. Tereticornis E.8 6.5 13.5 2.8 11.5 9.7 53.7 9.5 15.0 62.2 9.8 7.0 7.6 95.5 82.4 43.4 89.1 5.0 31.3 11. Alba E.3 12.0 14.4 133.8 157.0 56.0 115.0 54.

retirados de modo aleatório do lote. é feita a partir dos valores médios dos ensaios pela seguinte relação: Xk. Para a utilização destas propriedades em cálculos de estruturas de madeira estes devem ser transformados em valores característicos (X k).Kmod = coeficiente de modificação 44 . Já para a caracterização mínima de espécies pouco conhecidas. Os resultados devem ser colocados em ordem crescente X 1  X2  ... os valores devem ser obtidos de acordo com o tipo de classificação adotado.7 do valor médio.. para. não se tomando para Xk valor inferior a X1 e nem a 0. a partir da análise estatística dos resultados.7Xm.. Cada lote ensaiado não deve ter volume superior a 12 m3 e todos os valores devem ser expressos para o teor de umidade padrão de 12%. para cada uma das resistências a serem determinadas. Para a caracterização simplificada de espécies usuais deve-se extrair uma amostra composta por pelo menos 6 exemplares. pela seguinte expressão: X d  K mod para: w Xk . Obtidos os valores característicos das propriedades da madeira pode-se obter o valor de cálculo Xd.. de cada lote serão ensaiados no mínimo 12 corpos-de-prova. serem obtidos os valores de cálculo (Xd).12 = 0. X n    1 2 X k  2  X n   11 . A obtenção de valores característicos para resistência de espécies de madeira já investigadas por laboratórios idôneos. O valor característico da resistência deve ser estimado pela expressão:  X 1  X 2 ..12 Caso seja feita uma investigação direta da resistência para uma dada espécie de madeira.6.. desprezando-se o valor mais alto se o número de corpos-de-prova for ímpar e.  Xn. que serão ensaiados à compressão paralela às fibras. valores médios dessas propriedades (Xm).w = coeficiente de minoração das propriedades da madeira . n  2 1   2 onde: n = número de corpos-de-prova ensaiados.2. VALORES REPRESENTATIVOS DAS PROPRIEDADES DA MADEIRA A realização de ensaios de laboratório para a determinação das propriedades da madeira fornece. na seqüência.

0 0.2.65 0. da classe de umidade e da qualidade da madeira utilizada. O coeficiente de modificação é determinado pela expressão a seguir: Kmod = Kmod. é dado pela tabela 15. deve-se adotar o seguinte valor para o coeficiente de modificação: Kmod.1 (Fonte: NBR 7190:1997) TIPOS DE MADEIRA Classes de carregamento Madeira serrada Madeira laminada colada Madeira compensada Permanente Longa duração Média duração Curta duração Instantânea 0. que leva em conta a classe de umidade e o tipo de material empregado.2 (Fonte NBR 7190:1997) Madeira serrada Classes de umidade Madeira laminada colada Madeira compensada (1) e (2) (3) e (4) 1. TABELA 14 . que leva em conta a classe de carregamento e o tipo de material empregado.60 0.Valores de Kmod.30 0.1 Coeficientes de modificação (Kmod) Os coeficientes de modificação afetam os valores de cálculo de propriedades da madeira em função da classe de carregamento da estrutura.6.Valores de Kmod. TABELA 15 .45 0.90 1.80 0.2 = 0.1 Kmod.1.10 Madeira recomposta O coeficiente de modificação Kmod.8 1.3 O coeficiente de modificação Kmod.2.2 Kmod.10 0. é dado pela tabela 14.65. 45 .70 0.90 1.0 0.9 Madeira recomposta Caso a madeira serrada seja utilizada submersa.

ou seja. deve-se sempre adotar o valor de 0.8 Para estados limites de utilização Adota-se o valor básico de w = 1.3Ec0. o módulo de elasticidade na direção paralela às fibras deve ser tomado como: Eco. Coeficientes de ponderação ( w) Para estados limites últimos A norma brasileira especifica os valores dos coeficientes de ponderação.3 é 0. aquela que passou por classificação visual para garantir a isenção de defeitos e por classificação mecânica para garantir a homogeneidade da rigidez. Nas verificações de segurança que dependem da rigidez da madeira. 46 .Tração paralela às fibras: wt = 1.2. para levar em conta a presença de nós não detectáveis pela inspeção visual. a madeira é considerada como de segunda categoria e o valor de K mod.4 .0.ef = Kmod.m 6.8. Para madeira de primeira categoria. de acordo com a solicitação: .2 Kmod. Para o caso particular das coníferas.0. Caso contrário. o valor de K mod. leva em conta a categoria da madeira utilizada.1 Kmod.3 é 1.3.2.Compressão paralela às fibras: wc = 1.O coeficiente de modificação Kmod.8.Cisalhamento paralelo às fibras: wv = 1.8 .

seção transversal de 2x(3cmx12cm). ESTADOS LIMITES ÚLTIMOS 7.1.1. podendo assumir os seguintes valores:  L0=2L.classe C60.d=tensão de compressão atuante (valor de cálculo). onde: c0. em elementos componentes de contraventamentos ou travamentos de conjuntos estruturais. EXEMPLO 1: Verificar se uma barra de treliça. Compressão paralela às fibras A solicitação de compressão paralela às fibras da madeira pode ocorrer em barras de treliça.  L0=L. é suficiente para resistir a uma solicitação de: Carga permanente: -675 daN Vento de pressão: -294 daN Considerar: Dicotiledônea . Este índice é calculado a partir da seguinte expressão:  L0 imin sendo imin o raio de giração mínimo da seção transversal do elemento estrutural e L0 o comprimento de flambagem do elemento. nos demais casos. O critério de dimensionamento de peças estruturais de madeira solicitadas à compressão paralela às fibras depende diretamente do índice de esbeltez () que ela apresenta. CRITÉRIOS DE DIMENSIONAMENTO 7. 47 . no caso em que uma extremidade do elemento estrutural esteja engastada e a outra livre. Peças curtas (40) Para elementos estruturais comprimidos axialmente a condição de segurança é expressa por:  c 0.d  f c 0.1.7. L 0=133 cm. fc0. pilares não submetidos a forças excêntricas ou a forças que provoquem flexão.d . ou ainda.d=resistência de cálculo à compressão.

3 Kmod.k    0 j FQj.2  K mod.8 = 0.56 w  Função do tipo de solicitação Compressão (E.1 = Função da ação variável principal e classe de carregamento Vento: Longa duração  Kmod.46 cm =38 < 40 .75x1.k    i 1 j 2 Não existe ação variável secundária Coeficientes: g=1.3 = Categoria da madeira Madeira de 2a categoria  Kmod. k w K mod  K mod.Peça curta 3 12 3 (cm) 12 x Combinação das ações: Permanente + Vento = Comb.3 = 0.56 600 daN  f c 0.k = 600 daN/cm2 f c 0.4 Madeira classe C60  fc0. Madeira serrada  Kmod.7x1.k   Q  FQ1.4 (Ação permanente de grande variabilidade) Q=1.8 Kmod = 0.2 = 1.d  240 2 1.0x0.1  K mod.L.d: f c 0.0 Kmod.70 Kmod.)  wc = 1. última normal m n   Fd    gi Fgi .2 = Função da classe de umidade e tipo de material Classe de umidade 1.normal) Ação variável de curta duração: redução=0.4x294 = 1254 daN Propriedades da madeira: Cálculo de fc0.1 = 0.4 cm 48 .d  0.y Propriedades geométricas: A=72 cm2 Imin=864 cm4 imin=3.U.75 Fd=1.4 (Ação variável .d  K mod f c 0.4x675 + 0.

d   Md f c 0. a norma brasileira não considera.d 1 Como se pôde observar pela expressão anterior. d  Verificação: Fd 1254 daN    c 0.4 2 A 72 cm c0.4 < 240 OK! Como será apresentado mais adiante.Tensão atuante:  c 0. calculado pela expressão: M d  N d  ed onde:  FE  ed  e1   FE  N d  sendo: com: e1  ei  ea ei  M 1d Nd onde ei é decorrente dos valores de cálculo M1d e Nd na situação de projeto. se for respeitada a seguinte condição:  Nd f c 0.d  17. seria necessária alguma verificação referente à peça composta. Md=Valor de cálculo da tensão de compressão devida ao momento fletor Md. a verificação de compressão simples.d  fc0.d  17. As seguintes considerações são feitas nesta verificação: Nd=Valor de cálculo da tensão de compressão devida à força normal de compressão. sendo necessária a verificação da flexo-compressão no elemento estrutural em razão de possíveis excentricidades. no ponto mais comprimido da seção transversal. Esta condição é verificada. não se tomando para ei valor inferior a h/30. Peças medianamente esbeltas (40<80) Deve ser garantida a segurança em relação ao estado limite último de instabilidade. excentricidade acidental dada por: 49 . e ea. Esta verificação deve ser feita isoladamente para os planos de rigidez mínima e de rigidez máxima do elemento estrutural. sendo h a altura da seção transversal referente ao plano de verificação. para peças medianamente esbeltas.

75x1.1. L 0 = 169 cm.75 Fd=1. ef I L2 0 onde I é o momento de inércia da seção transversal da peça relativo ao plano de flexão em que se está verificando a condição de segurança.classe C60 Propriedades geométricas: A=144 cm2 Imin=1728 cm4 imin=3.46 cm =49 > 40 .2.ea  L0 300 e FE   2 Ec0. última normal m n   Fd    gi Fgi .k    0 j FQj.4 (Ação permanente de grande variabilidade) Q=1. EXEMPLO 2: Verificar se a barra do banzo da treliça abaixo.4x7097 + 0. e E c0.k    i 1 j 2 Não existe ação variável secundária Coeficientes: g=1.4 (Ação variável .normal) Ação variável de curta duração: redução=0.k   Q  FQ1. definido em 6.ef é o módulo de elasticidade efetivo. seção transversal 2x(6cmx12cm).4x3148 = 13241 daN Propriedades da madeira: 50 . é suficiente para resistir a uma solicitação de: Carga permanente = -7097 daN Vento de pressão = -3148 daN Considerar: Madeira: Dicotiledônea .Peça medianamente esbelta 6 6 6 x 12 y Combinação das ações: Permanente + Vento = Comb.

Cálculo de fc0.0x0.d: f c 0.2  K mod. Nd  Carga crítica de Euler e carga atuante No caso de treliças: ei=0. k w K mod  K mod. m  0.1  K mod.1 = Função da ação variável principal e classe de carregamento Vento: Longa duração  Kmod.8 = 0.56 w  Função do tipo de solicitação Compressão (E.56cm E c0.U.2 = Função da classe de umidade e tipo de material Classe de umidade 1.k = 600 daN/cm2 f c 0. Madeira serrada  Kmod.56 cm 300 300  e1 = 0 + 0.d  K mod f c 0.4 cm Fd 13241 daN    N d  92 2 A 144 cm .2 = 1.Devido ao momento (Função de excentricidades que podem ocorrer na peça) Md y  Md  N d  ed I Portanto deve-se determinar o valor da excentricidade de cálculo “e d”:  Md   FE   e d  e1   FE  N d  e1 = ei+ea (Soma das excentricidades inicial e acidental) FE. ea  L0 169   0.8  245000  137200 I=Imin=1728 cm4 (Perda de estabilidade na direção de menor inércia) 51 daN cm 2 .8 Kmod = 0.3 = 0.0  0.d  240 2 1.0 Kmod.7x1.Devido à força normal:  Nd  600 daN  f c 0.3 Kmod.3 = Categoria da madeira Madeira de 2a categoria  Kmod.L.1 = 0.56 = 0.56 Tensões atuantes: .)  wc = 1.d  0. ef  k mod  E c0.7  1.70 Kmod.4 Madeira classe C60  fc0.

FE 

 2  137200  1728  81926daN 169 2

81926   e d  0,56   0,67cm  81926  13241 
M d  13241  0,67  8871daN  cm

M 
d

8871 daN 6  31 2 1728 cm

Verificação da estabilidade:

N

d

f c 0, d

M

d

f c 0, d

 1,0 

92 31   0,51  1 OK! 240 240

Peças esbeltas (80<140) Neste caso adota-se a mesma verificação para peças medianamente esbeltas, pela expressão:

 Nd
f c 0,d
com:

 Md
f c 0,d

1

 FE  M d  N d  e1,ef    FE  N d 

sendo o valor de FE igual ao calculado para peças medianamente esbeltas e a excentricidade efetiva de 1a ordem, e1,ef, dada por:
e1,ef  e1  ec  ei  ea  ec

onde: ei= excentricidade de 1a ordem decorrente da situação de projeto; ea= excentricidade acidental; ec= excentricidade suplementar de 1a ordem que representa a fluência da madeira. Estas excentricidades são calculadas por:

M1gd  M1qd M1d  não se tomando valor inferior a h/30. Nd Nd com M1gd e M1qd, os valores de cálculo, na situação de projeto, dos momentos devidos às cargas permanentes e às cargas variáveis, respectivamente; ei 
ea  L0 ; 300

52

  N gk   1  2  N qk            FE N gk   1  2  N qk    ec  eig  ea exp  1    

com 1+21. Os valores de Ngk e Nqk, são os característicos da força normal devidos às cargas permanentes e variáveis, respectivamente, e 1 e 2 como especificados em 5.3.5. e eig calculado como segue:

N gd onde M1g,d é o valor de cálculo do momento fletor devido apenas às ações permanentes.
O coeficiente de fluência () é dado pela tabela a seguir: TABELA 16 - Coeficiente de fluência  (Fonte: NBR 7190:1997) Classes de carregamento Permanente ou de longa duração Média duração Curta duração Classes (1) e (2) 0,8 0,3 0,1 de umidade (3) e (4) 2,0 1,0 0,5

eig 

M 1 g ,d

EXEMPLO 3: Verificar se a barra do banzo da treliça abaixo, L0=169 cm, seção transversal 6cmx16cm, é suficiente para resistir a uma solicitação de: Carga permanente = -2.400 daN Vento de pressão = -564 daN Considerar: Madeira Dicotiledônea - classe C60.

y A = 96 cm2 Imin = 288 cm4 imin = 1,73 cm  = 98 > 80  Peça esbelta 6 16 x

53

Combinação das ações: Permanente + Vento = Comb. última normal

Fd    gi Fgi ,k
i 1

m

n    FQ1,k    0 j FQj,k   Q   j 2

Não existe ação variável secundária Coeficientes: g=1,4 (Ação permanente de grande variabilidade) Q=1,4 (Ação variável - normal) Ação variável de curta duração: redução=0,75 Fd=1,4x2400 + 0,75x1,4x564 = 3952 daN Propriedades da madeira: Cálculo de fc0,d:

f c 0,d  K mod

f c 0, k

w

K mod  K mod,1  K mod,2  K mod,3

Kmod,1 = Função da ação variável principal e classe de carregamento Vento: Longa duração  Kmod,1 = 0,70 Kmod,2 = Função da classe de umidade e tipo de material Classe de umidade 1; Madeira serrada  Kmod,2 = 1,0 Kmod,3 = Categoria da madeira Madeira de 2a categoria  Kmod,3 = 0,8 Kmod = 0,7x1,0x0,8 = 0,56 w  Função do tipo de solicitação Compressão (E.L.U.)  wc = 1,4 Madeira classe C60  fc0,k = 600 daN/cm2

f c 0,d  0,56

600 daN  f c 0,d  240 2 1,4 cm

Tensões atuantes: - Devido à força normal:

F 3952 daN Nd  d    N d  41 A 96 cm 2
- Devido ao momento (Função de excentricidades que podem ocorrer na peça)
 Md   FE  Md  y  M d  N d  e 1,ef  I  FE  N d 
54

67cm 13654  2400  0  0.d. for maior ou igual a 15 cm.d onde fc90.11  e1.11  0. medida paralelamente à direção das fibras. quando esta extensão for menor e a carga estiver afastada de pelo menos 7. é expressa por:  c 90. Compressão normal às fibras Para a verificação de esforços de compressão normal às fibras.1.d   n O coeficiente n é igual a 1 quando a extensão da carga.33  1 240 240 OK! 7. d  M d f c0. neste caso.25  fc 0.O valor da excentricidade é: e1.18  e c  0.5 cm da extremidade da peça esse coeficiente é fornecido pela tabela 17.ef  e1  e c  e i  e a  e c ei = 0 e = L0 a 300  0. medida na direção das fibras. 55 .d  fc 90. ef  0  0. deve ser levada em conta a extensão do carregamento.2. vale: fc 90.2  564  0.67   3726daN  cm  13654  3952   M d  39 daN cm 2 Verificação da estabilidade: N d f c0.82400  0  0. A condição de segurança.2  564 13654   M d  3952  0.d  0.56cm ec  eig  ea  e c  1   c FE  N gk    1   2   N qk  N gk    1   2   N qk     FE = 13654 daN c 0. d 1 41 39   0.56  0.

30 1. 7.00 1.3.10 1.1.5 10 15 n 2. Compressão inclinada em relação às fibras A norma brasileira permite ignorar a influência da inclinação nas tensões normais em relação às fibras da madeira até o ângulo de =6. adotando-se a expressão de Hankinson: 56 . Caso a inclinação seja superior a este valor. admite-se n=1.15 1.0.40 1.00 Quando a carga atuar na extremidade da peça ou de modo distribuído na totalidade da peça de apoio.Valores de n (Fonte: NBR 7190:1997) Extensão da carga normal às fibras.TABELA 17 .55 1. medida paralelamente a estas (cm) 1 2 3 4 5 7. é preciso considerar a redução da resistência.70 1.

f  f0  f90 f0 sen   f90 cos 2  2 7. 7. Tração paralela No caso de peças tracionadas.1. Caso esta inclinação seja maior. Banzos: 6x16. d Caso exista inclinação das fibras da madeira em relação ao eixo longitudinal da peça. a seguinte condição de segurança deve ser verificada:  t 0. Valores de cálculo. Coluna: 10x10. deve-se adotar a expressão de Hankinson para uma redução de f t0. 800 Compressão normal às fibras: 57 . 3950 f e 10 3890 10 Unidades: cm e daN. de acordo com os critérios da NBR 7190:1997.1. dimensionar a altura do dente “e” e a folga “f”. esta pode ser desprezada até o ângulo de =6. e também verificar a seção crítica à tração e à compressão normal da peça sobre o apoio.d. esquematizado abaixo. Cisalhamento Nas situações onde ocorrem solicitações de cisalhamento a seguinte verificação deve ser feita:  d  fv 0.5.classe C60. d  f t 0. Considerar madeira Dicotiledônea .d EXEMPLO 4: Para o nó de apoio de uma treliça.4.

d=0. Caso seja necessário uma altura de entalhe maior.0 = 60 daN/cm2 f c .. d  Fd Ac Fd = Reação de apoio Ac = Área de contato do pilar com a viga  c 90.Resistência de cálculo: 58 .56  600 daN  240 2 1.d  .d  .d  f c 0  f c 90 f c 0  sen   f c 90  cos2  2 fc0.25fc0. d  e  3.4 cm daN cm2  c90.252401.d=0.Tensão atuante:  c 90.d f c90. deve-se utilizar dois dentes.25fc0.d  kmod f c0.dn.d  0.Resistência de cálculo (Hankinson) f c.Solicitação de cálculo: 240  60 240  sen2 10  60  cos2 10  220 daN cm2 F 3950  c.d=240 daN/cm2 fc90.d = Resistência de cálculo à compressão paralela às fibras n = Coeficiente = 1.1 (tabela 17) f c0.dn = 0. 800 daN  13 2 6  10 cm fc0. OK! Compressão inclinada às fibras (e): . k c  0.25  240  11  66 .0cm Ac  e   6  cos 10  Obs: Recomenda-se que a altura do entalhe (e) não seja maior que ¼ da altura da seção da peça entalhada.Resistência de cálculo: fc90. d  d   f c. Tração paralela às fibras: .

Solicitação de cálculo:  t 0.d  kmod   25 2 v 1. respectivamente.k = 0. 59 .d e t2. por exemplo.3   A f  3 tan 10  6 f  0.ft0.d  25   f  25.d  f c 0.6. entre outros.8 cm 2 . é bastante comum a ocorrência de peças fletidas.k  f t 0.77   240 daN  1.d são respectivamente as tensões atuantes de cálculo nas bordas mais comprimida e mais tracionada da seção transversal considerada.3 f v 0. d  Cisalhamento: Fd 3890 daN   50 2  f t 0.d  600  0.56  80 daN f v 0.Solicitação de cálculo: d  . Flexão simples reta Na prática. d  f t 0. Tensões normais Para peças estruturais submetidas a momento fletor.d ou fc0.Condição de segurança: 648. alguns componentes de estruturas de cobertura. Para os estados limites últimos devem ser verificadas as condições de segurança para as tensões normais e tangenciais. peças integrantes dos cimbramentos e fôrmas de madeira.Resistência de cálculo: Fd  cos10 3950  cos10 648. k 0.4cm f  0. as seguintes verificações devem ser feitas:  c1.d Autil 6  16  3 cm OK! . mencionando-se.53 7.1.56     0.53   f v 0. componentes estruturais de pontes e viadutos. cujo plano de ação contém um eixo central de inércia da seção transversal resistente.77ft0. d onde: fcd e ftd são as resistências à compressão paralela e à tração paralela.d   v 0.d  t 2.8 cm .d = fc0. c1.

que especifica a tensão normal como sendo:  Tensões tangenciais M y I A verificação da segurança neste caso é feita do mesmo modo que especificado no item 7. Vigas entalhadas 60 . Esta adoção se justifica pela própria configuração anatômica da madeira.5 com a seguinte condição:  d  fv 0. os esforços de cisalhamento podem ser reduzidos até a distância de 2h. como: d  V S bI Para vigas de seção transversal retangular. a distância entre o ponto de aplicação da carga e o eixo do apoio. determinada de acordo com os conceitos da resistência dos materiais.d Sendo d a máxima tensão de cisalhamento atuante na peça. tem-se: d  3 V 2bh Os valores de resistência são determinados como descrito anteriormente. Cargas concentradas junto aos apoios diretos Nas seções próximas aos apoios. O valor da força cortante reduzida é calculada pela expressão: Vred  V  a 2 h sendo a. pois na região do apoio ocorre o esmagamento das fibras em decorrência dos esforços de compressão normal. de largura b e altura h. de acordo com o tipo de carregamento e com a variação da seção transversal.Os valores de resistência são determinados como descrito no capítulo 6 e os valores das tensões normais são determinados de acordo com os conceitos da resistência dos materiais. A norma brasileira apresenta algumas considerações especiais no caso do cisalhamento.1. sendo h a altura da viga.

devidas a entalhes.Cisalhamento: Entalhe (Fonte: NBR 7190:1997) EXEMPLO 5: Uma viga biarticulada de 6cm de largura está submetida a um carregamento permanente distribuído de 65daN/m e a uma carga concentrada permanente de 130 daN. h1 h h1 h 3(h-h 1) FIGURA 22 . faz-se majoração dos valores das tensões de cisalhamento. A tensão de cisalhamento é multiplicada pelo fator h/h1. Calcular a altura necessária da viga. considerando madeira da classe C40 e ações permanentes de grande variabilidade. 130 h 65 420 6 61 . d  1a Condição: h1 > 0. no ponto médio do vão de 420cm.No caso de variações bruscas de seção transversal.75h Neste caso a norma brasileira recomenda a utilização de parafusos verticais dimensionados à tração axial para a totalidade da força cortante a ser transmitida. com mísulas de comprimento não inferior a 3 vezes a altura do entalhe. levando-se em conta a relação entre as alturas. ou o emprego de variações graduais de seção.75h h1 3 Vd  h    2  b  h1  h1  h h1 h FIGURA 21 .Cisalhamento: Variação da seção (Fonte: NBR 7190:1997) 2a Condição: h1  0.

d   t1. d  0.5  1.56  400 daN  160 2 1.4x28000  Md = 39200 daNcm Tensões: Md  Md 39200  12  h 39200 daN y  I 6  h3  2 h 2 cm 2 V  d 3  Vred 3  201.6cm h2 62 . d  39200 h2 39200  160  h  15.5 65   x  1.1 x .3h 310  2h 100 2.5 2h 65 65 2h 201.33 2 2bh 26h h cm Condições de segurança: f c 0.d   c1.4 cm  c0.Esforços atuantes: .Cortante (função de "h"): redução na região próxima aos apoios 201. d  f c0.5 V : daN Valores característicos Redução da força cortante na região do apoio: 201.1  x x 201.5  1.0 2.5 2h 65 Vred 65   Vred  201.Valores de cálculo: Md = 1.32h  50.5 .1.Momento fletor: M : daNm 280 Valor característico .3h 201.4 daN    0.

4  0. aplicados ao ponto mais solicitado da borda mais comprimida. d 1  Nt .7  h  2. d  0.d f t 0.seção retangular: kM = 0. considerando-se uma função linear para a influência das tensões devidas à força normal de tração. aplicadas ao ponto mais solicitado da borda mais tracionada. Flexão composta Dois tipos de flexão composta podem ocorrer: a flexo-tração e a flexocompressão. d  kM  Mx. d   Mx. a verificação é feita pela combinação das tensões devidas à força normal de tração e à flexão. a pilares com carga aplicada com excentricidade e a vigas com solicitação de compressão axial associada às que provocam flexão. levando-se em conta a resistência do elemento estrutural em função dos carregamentos: 63 .33  18. Flexo-tração A norma brasileira especifica que a condição de segurança é verificada em função de duas situações.0 Flexo-compressão Para as solicitações de flexo-compressão devem ser verificadas duas situações de segurança: de estabilidade. d  kM  My.33 h  vd  f vd  50. a ser feita de acordo com os critérios apresentados para o dimensionamento de peças solicitadas à compressão.d f t 0.6 cm  Seção adotada de 6cmx16cm 7. Este tipo de solicitação ocorre em diversas situações estruturais.56  60 daN  18.d f t 0.d f t 0.4  0.outras seções transversais: kM = 1.1. A condição de segurança é expressa pela mais rigorosa das duas expressões seguintes:  Nt .7. d 1 Como pode ser observado. O coeficiente k M de correção pode ser tomado com os valores: .5 . cabendo destaque a pilares submetidos à compressão axial e à ação do vento atuando perpendicularmente ao seu comprimento.f v 0. e a verificação de acordo com a mais rigorosa das duas expressões a seguir.d f t 0.6cm h hnec = 15.8 cm  vd  50. d   My.7 2 1.d f t 0.

k = 1285 daN c/ e = 3 cm x y 35 daN/m 360 cm x 12cm 12 cm Esforços atuantes: . altura de 360cm.d  My.75  1. a situação mais crítica é: 64 .Tensão de flexão: d  Ação permanente: M k p  1285  3  3855 daN  cm Ação variável: M kv 0. EXEMPLO 6: Um pilar com madeira da classe C60.d   Mx.d       k M Mx.d=0 e kM=0.d  2 2 O coeficiente kM foi definido no item anterior.  Nc. com excentricidade de 3cm (como apresentado abaixo) e a uma ação variável distribuída (devida a vento) de 35 daN/m.35  360 2   5670 daN  cm 8 11351 daN 6  39. biarticulado.d   f  c 0. seção quadrada de 12cm x 12cm.4  5670  11351daN  cm   M d  Verificação da resistência: Como My.d    kM 1  f c 0.Tensão normal: N d 1285  1.d f c 0.d f c 0.d  My.4 daN   13 A 12  12 cm 2 . está submetido a uma ação permanente de grande variabilidade de 1285 daN.4 3 12 cm 2 M d  1.d   f  c 0.d   Nc. Verificar se a seção é suficiente para resistir às tensões atuantes.d  1  f c 0.4  3855  0. Ng.5 para seções retangulares.

ef   FE  N d  FE   Mk.x=20 daN/cm2  2  Ec 0. d 2   Mx.4  3855  3.ef = ei+ea+ec ei  M1d M1g .2  0  0  0.2 cm ec = devido à fluência ec  eig  ea   (e n  1) com:   N g . d N g . d 11351    6.5    1    1  0.Carga distribuída: Mk. k   1   2   N q .4  12.d 39. k  n  FE  N g .d   f  c 0.0 cm 1800 n 0.17  1    f c 0. k           eig  M 1g .5 daN cm 2 b) Devido à flexão: .Carga concentrada:  FE   M d .0  1.06  e c  3.  Nc. d  M1q .d 240  240   2 OK! Verificação da estabilidade: Índice de esbeltez:  - L0 360  12   104  80 i min 12 Peça esbelta Tensões atuantes: a) Devido à normal:  N d  12.x  N d  e1.d  1.4 cm ) ea = L0/300=1.x=5670 daNcm .56  245000  12 3 360 2  18055 daN e1.3 cm     18055  1285  0.2   e 0.ef  I L2 0   2  0. k   1   2   N q .2  0  0 65 .81285  0.= h/30 = 0.06  1  0.3 cm Nd Nd 1800 ( mín.

e1,ef  6,3  1,2  0,3  7,8 cm

15595 daN  18055  M d x  1800  7,8   6  54   15595 daN  cm   Mdx  12 3 cm 2  18055  1800 
Esforço crítico na direção "x":

N

d

f c 0, d

 Md
f c 0, d

1 

13 54   0,3  1 240 240

OK!

7.1.8. Flexão oblíqua Na prática, solicitações de flexão-oblíqua ocorrem basicamente nas terças e nas ripas, elementos componentes de estruturas de cobertura. A norma brasileira especifica neste caso a verificação pela mais rigorosa das duas condições seguintes, tanto em relação às tensões de tração quanto às de compressão paralela:

 Mx,d
f wd kM

 kM

 My,d
f wd

1

 Mx,d
f wd

 My,d
f wd

1

onde Mx,d e My,d são as tensões máximas devidas às componentes de flexão atuantes segundo as direções principais, f wd é a respectiva resistência de cálculo, de tração ou de compressão conforma a borda verificada e o coeficiente k M como descrito anteriormente. EXEMPLO 7: Dimensionar uma terça submetida a uma carga permanente vertical distribuída, de 50 daN/m e a uma carga acidental vertical de 65 daN concentrada no ponto médio do vão livre de 3,75 m. Considerar uma inclinação no telhado de 22 e madeira da classe C60. y u 65 50 x h daN daN/m 22º 375 cm Esforços atuantes: Na direção "x": b

66

M x, d  1,4  8149  1,4  0,75  5650  M d  19319 daN  cm

 Mxt   Mxc 

19319  12  h 115914  b  h3  2 b  h2

Na direção "y":
M yd  1,4  3292  1,4  2283  7805 daN  cm

 Myt   Myc 

7805  12  b 46830  2 b3  h  2 b h

Valores de resistência:

f t 0,d  f c 0,d  240

daN cm 2

Condições de segurança:

 Mx, d
f wd

 kM

 My, d
f wd

1 

kM

 Mx, d
f wd

 My, d
f wd

1

483 195  0,5 2  1  2 bh b h

0,5

483 195  2 1 2 bh b h

Adotando-se seção de 6x12, temos: 0,56 + 0,23 < 1  0,28 + 0,45 < 1 OK!

7.1.9. Estabilidade lateral de vigas de seção retangular A norma brasileira não apresenta nenhum critério para a verificação da estabilidade lateral de vigas, permitindo a utilização de teoria cuja validade tenha sido comprovada experimentalmente. Por outro lado especifica algumas considerações, que se satisfeitas pode-se dispensar a verificação da segurança em relação ao estado limite último de instabilidade lateral: 1a Condição: os apoios de extremidade da viga impedem a rotação de suas seções extremas em torno do eixo longitudinal da peça; 2a Condição: existe um conjunto de elementos de travamento ao longo do comprimento L da viga, afastados entre si de uma distância não maior que L 1, que também impede a rotação dessas seções transversais em torno do eixo longitudinal da peça.

67

No caso de vigas com seção retangular de largura b e altura h, determina-se L1 a partir da seguinte expressão:

E c 0,ef L1  b  M f c 0 ,d
onde o coeficiente M é dado por:

M 

1 4,0 0,26    f

 h 2    b

3

h 2   0,63 b 

1

ou pelos valores fornecidos pela norma brasileira apresentados na tabela abaixo: TABELA 18 - Coeficiente M (Fonte NBR 7190:1997)
h b

M

h b

M
41,2 44,8 48,5 52,1 55,8 59,4 63,0 66,7 70,3 74,0

1 6,0 11 2 8,8 12 3 12,3 13 4 15,9 14 5 19,5 15 6 23,1 16 7 26,7 17 8 30,3 18 9 34,0 19 10 37,6 20 Nos casos em que ocorrer a seguinte situação:

E c 0,ef L1  b  M f c 0 ,d
também se dispensa a verificação da segurança em relação ao estado limite último de instabilidade lateral, desde que sejam satisfeitas as exigências da resistência de flexão simples reta, com:

 c1,d 

E c 0,ef  L1    M  b

EXEMPLO 8: Verificar a estabilidade lateral da viga abaixo acordo com os critérios da NBR 7190:1997. 300 cm Seção 6cmx16cm Classe C60

68

69 . 7. Para as considerações das combinações de ações. ESTADOS LIMITES DE UTILIZAÇÃO Na verificação das estruturas no estado limite de utilização consideram-se basicamente limites de deslocamento que possam ocasionar desconforto aos usuários e/ou danos a materiais não estruturais da construção e ou que provoquem vibração excessiva. efeitos de umidade e duração dos carregamentos deve-se adotar o especificado nos capítulos 5 e 6. decorrentes da aplicação das ações estabelecidas para a verificação.1.3 7.2.56  245000  0. pode-se considerar a flecha devida às ações permanentes reduzida a 2/3 do seu valor. Deformações limites para as construções correntes São consideradas apenas as combinações de ações de longa duração.2. caso não existam restrições especiais impostas por normas particulares ou pelo proprietário da construção.4 OK! 50  51.d  300 0. calculados com a hipótese de comportamento elástico linear da estrutura. A norma brasileira adota as seguintes condições a serem verificadas.Condição: E c 0.ef L1  b  M  f c 0 . Caso esta contra-flecha aplicada à estrutura seja no mínimo igual à flecha devida às ações permanentes.15  1. Os limites de deslocamentos permitidos pela norma são: L/200 dos vãos. L/100 do comprimento dos balanços É muito comum a aplicação de contra-flechas nas estruturas com o objetivo de diminuir os problemas na verificação de estados limites de utilização. A condição para verificação da segurança é dada pela seguinte situação: Sd.uti são os valores desses mesmos efeitos. Sd.56  600 6 11. levandose em conta a rigidez efetiva do módulo de elasticidade definida no capítulo 6.uti  Slim onde: Slim é o valor limite fixado para o efeito estrutural que determina o aparecimento do estado limite considerado.

Para a verificação de casos de flexão-oblíqua. A norma brasileira limita nos seguintes valores as flechas totais. incluindo o efeito da fluência: L/350 do vão. tais como fôrmas para concreto.2. 7. verificar a terça para o estado limite de utilização. etc. Para a verificação das flechas devidas às ações variáveis são especificados os seguintes valores: L/300 dos vãos.util = Fg + 0. Vibrações O texto da norma brasileira especifica apenas que devem ser evitadas vibrações excessivas da estrutura que possam prejudicar o desempenho dos elementos ou que tragam desconforto aos usuários.util   Fg    2 Fq 2 = 0. as deformações limites devem ser estabelecidas pelo proprietário ou por normas especiais. os limites anteriores de flechas podem ser verificados isoladamente para cada um dos planos principais de flexão. torres. Nas construções especiais.2Fq (Separar na direção "x" e "y") 70 . cimbramentos. 7. Nas construções correntes admite-se uma flecha máxima de 15mm causada pela vibração.3. L/175 do comprimento dos balanços.2.2  Não há predominância de pesos de equipamentos fixos Fd. valor absoluto de 15 mm. L/150 do comprimento dos balanços. Combinação para construção corrente: Fd . Admite ainda uma freqüência natural de vibração mínima de 8 Hertz.2. EXEMPLO 9: Para a seção adotada no exemplo 7. Deformações limites para as construções com materiais frágeis não estruturais As combinações a serem utilizadas nesta verificação são as de média e curta duração de acordo com o rigor da segurança pretendida.

ef  I Fgy.66  0.d  Fgx.85cm  1.7 + 0.4 + 0.88cm 200 OK! v y .d  L3 48  Ec 0.1 Fy = 18.2 = 18.Fx = 46.2 x 24.d  5  L4 384  Ec 0.d  5  L4 384  Ec 0.14cm  1.d  L3 48  Ec 0.11  1.3 = 46.88cm 200 L  1.19  1.4 + 12.d   v  OK! 71 .ef  I  Fqx.2 x 60.7 + 4.ef  I v  L  1.ef  I Fqy.9 v x .03  0.

FIGURA 23 . os principais tipos de dispositivos utilizados são:  Pinos metálicos (prego e parafuso) 72 . As ligações por penetração se caracterizam pela utilização de elementos de ligação. como mostra a figura 23.1. LIGAÇÕES EM ESTRUTURAS DE MADEIRA 8. Os esforços são absorvidos por superfícies relativamente grandes formadas pelas áreas ligadas pelo adesivo. etc.Ligações por adesivo (Fonte: Calil) Para a execução das ligações em estruturas de madeira. principalmente no caso de madeira serrada.Ligações por penetração (Fonte: Calil) As ligações por aderência são estabelecidas por meio de uma fina película de adesivo. para viabilizar a execução das estruturas é necessária a execução de ligações. que são encontradas em comprimentos de 4 a 5 metros. As forças transmitidas de uma peça para outra convergem geralmente para uma pequena área (parafusos. FIGURA 24 . Existem dois tipos principais de ligações: por aderência ou por penetração.). anéis.8. GENERALIDADES Devido à limitação no comprimento das peças de madeira.

dispostos paralelamente ao esforço a ser transmitido. braçadeiras ou grampos.Tipos de ligações (Fonte : Calil) No cálculo das ligações a norma brasileira não permite a consideração do atrito entre as superfícies de contato devido à retração e à deformação lenta da madeira. caso existam mais de oito pinos em linha. Para evitar este problema devem ser obedecidos os espaçamentos e pré-furações especificados pela norma brasileira e apresentados a seguir para cada tipo de conector. LIGAÇÕES COM PINOS METÁLICOS 8. os pinos suplementares devem ser considerados com apenas 2/3 de sua resistência individual.2. Rd = Valor de cálculo da resistência. nem de esforços transmitidos por estribos. O dimensionamento da ligação é feito pela seguinte condição de segurança: Sd  Rd Sd = Valor de cálculo das solicitações. A madeira quando perfurada pode apresentar problemas de fendilhamento.1.2. Cavilhas (pinos de madeira torneados)  Conectores (chapas com dentes estampados e anéis metálicos) (f) CDE FIGURA 25 . o número total de pinos será: 73 . Resistência dos pinos A norma brasileira define a resistência total de um pino como sendo a soma das resistências correspondentes às suas diferentes seções de corte. O estado limite último de uma ligação é atingido por deficiência de resistência da madeira ou do elemento de ligação. onde: 8. Outra observação importante refere-se ao número de pinos utilizados na ligação. Assim sendo.

dada pela seguinte expressão:  onde: t d t = espessura convencional da madeira. que leva em conta as resistências da madeira e do aço. respectivamente. de acordo com a figura 26. d = diâmetro do pino. Estes dois fenômenos são função da relação entre a espessura da peça de madeira e o diâmetro do pino. As seguintes propriedades são consideradas no cálculo da resistência de um pino.  Diâmetro do pino. de 600 MPa e 240 MPa.  Espessura convencional “t”.2 n0  8   n  8 3 Cabe ainda ressaltar que nunca deve-se utilizar ligações com um único pino. A resistência característica de escoamento mínima do aço utilizado na fabricação de pregos e parafusos deve ser. < t 2 = t 2 d t é o meno r va lor entr e t1 e t 2 (t  2d ) (P ARAF USOS ) t1 t2 d t1 t4 t 2 t é o meno r va lor entr e t1 e t 2 (t  1 2d) 4 t < t 2 4 t1 t 2 t = t 2 4 t é o meno r va lor entr e t1 e t 2 (P REGO S) FIGURA 26 . em uma dada seção de corte: -Madeira:  Resistência ao embutimento (fwed) das duas peças interligadas. Pino:  Resistência de escoamento (fyd). A comparação deste coeficiente com o valor de lim.ligações com uma seção de corte (Fonte: NBR 7190:1997) No dimensionamento das ligações de estruturas de madeira por pinos duas situações podem ocorrer: o embutimento da madeira ou a flexão do pino.Espessura convencional (t) . de acordo com a norma brasileira. determina a forma de cálculo da resistência de uma seção de corte do pino. O coeficiente lim é determinado pela seguinte expressão: 74 ( ( ( t4 ( t4 .

1 s Caso sejam utilizadas chapas de aço nas ligações.ligações com duas seções de corte (Fonte: NBR 7190:1997) ( ( ( t 4< t ( t 4= t 75 . podendo ser admitida como igual à resistência nominal característica de escoamento. Com isto têm-se as seguintes situações de cálculo: I)   lim (embutimento da madeira) RVd .40 II)  > lim (flexão do pino) t2   f ed R Vd . são necessárias as seguintes verificações: a primeira delas do pino metálico com a madeira como visto anteriormente.625 f  lim yd com s = 1.lim  1. aplicam-se os mesmos critérios apresentados anteriormente.25 f yd f ed sendo: fyd = tensão de escoamento do pino metálico (valor de cálculo). para cada seção de corte. como mostrado na figura 27. fed = Resistência ao embutimento da madeira (valor de cálculo).1  0. do pino com a chapa metálica de acordo com os critérios apresentados pela NBR 8800.Espessura convencional (t) . No caso de pinos em corte duplo.1 f yd  f yk d2  0. 3 3 t 4 t 4  12 d t 4= t 3 t1 t2 t3 t1 t2 2 t2 t2 2 t3 t1 t2 2 t2 2 t3 (PARAFUSOS) (PREGOS) t é o menor valor entre t1 e t2 (t  2d) FIGURA 27 . e a segunda.

1.d).3.cav 76 . De modo análogo ao apresentado para os pinos metálicos. a madeira utilizada deve apresentar como propriedades mínimas de resistência os valores especificados para a classe C60.Ligações por cavilhas (Fonte: NBR 7190:1997) As ligações podem apresentar cortes simples ou duplos. como descrito a seguir:  t d e lim  fc 0d . Caso sejam utilizadas espécies de densidade inferior. para uma dada seção de corte. a determinação da resistência é feita em função do coeficiente .cav fc 90d .3. Resistência das cavilhas Os critérios para a determinação da resistência de uma cavilha. como definida anteriormente. t1 t2 t1 t2 2 t2 t2 2 t3 apenas em ligações secundárias FIGURA 28 . 8.d) da cavilha considerada em sua flexão.Espessura convencional (t) . sendo neste caso considerados os seguintes parâmetros da madeira utilizada:  Resistência à compressão paralela (fc0. sendo que as configurações de corte simples só podem ser empregadas em ligações secundárias.8.  Diâmetro da cavilha (d). LIGAÇÕES COM CAVILHAS Para a confecção de cavilhas.  Espessura convencional (t). estas devem ser impregnadas com resinas que aumentam a sua resistência até a valores compatíveis com a classe C60. seguem os mesmos especificados para ligações por pinos metálicos.  Resistência à compressão normal da cavilha (fc90.

Ligações parafusadas Duas situações podem ocorrer neste caso:  Pré-furação não maior que o diâmetro mais 0.1  0.4  II)  > lim (flexão da cavilha) t2 f  c 90d . Ligações por pinos Ligações pregadas É obrigatória a execução de pré-furação na madeira para ligações pregadas. Para a execução das estruturas provisórias pode-se dispensar a pré-furação desde que sejam observados os seguintes critérios:  Utilização de madeira de baixa densidade (ap  600 Kg/m3). DISPOSIÇÕES GERAIS 8.cav 8.4.95 def Coníferas: 0.4.5 mm.  Valores maiores que o anterior com consideração de ligação deformável.1.  Espaçamento mínimo entre os pregos de 10 vezes o diâmetro. para consideração de ligação rígida. Entende-se por ligação rígida aquelas que obedecem os critérios de pré-furação e utilizem no mínimo 4 pinos.85 def sendo def o diâmetro efetivo medido nos pregos a serem usados.  Diâmetro máximo de 1/6 da espessura da peça de madeira mais delgada. Ligações cavilhadas A pré-furação deve apresentar o mesmo diâmetro da cavilha.cav R Vd .1  0. 77 .4 d2 f  lim c 90d . obedecendo-se os seguintes valores: Dicotiledôneas: 0.Com isso obtêm-se duas situações de cálculo: I)   lim (esmagamento da cavilha) R Vd .

75 1. 4.5d 3d 1.75 1 10 11 12 2 3 4 5 6 7 8 9 13 14 15 16 1.70 1.5d 1.Espaçamentos 1. serão dimensionadas as ligações referentes aos nós 1.5d nd 4d 1.88 1. 5.5d 3d 1.70 1.70 [ Dimensões em metros ] 78 .5d pregos.5d nd nd 7d nd nd 4d 1.5. 1.75 1.70 1.70 1.88 1.5d 3d 1.70 1.5d 3d 1. EXEMPLO DE LIGAÇÕES EM ESTRUTURAS DE MADEIRA Para a treliça esquematizada abaixo.cavilhas cavilhas ajustados parafusos jaaaaaaaaaajustadosaf n = 6 astados parafusos n = 4 4d nd 1.5d 1. 12 e 13.Espaçamentos mínimos em ligações por pinos (Fonte: NBR 7190:1997) Diâmetros mínimos  Pregos: 3 mm  Parafusos: 10 mm  Cavilhas: 16 mm 8.5d FIGURA 28 .95 1.

k) : g = 1.9 (combinação favorável)  Ação variável – vento (FQ.Dados:     Madeira Classe C-60 (Dicotiledônea).k) q = 1. Seções transversais das barras (em cm): Diagonais: 3 12 3 Banzos Inferior e Superior: 3 6 3 Montantes: 6 12 12 12  Esforços nas barras (em kgf) BARRA 1-2 1-10 3-4 4-5 4-11 4-12 5-12 5-13 12-13 ( + ) Tração ( .) Compressão Ação Permanente -2649 2386 -2156 -1830 404 -350 507 0 1401 Ação Variável (Vento) Sobrepressão Sucção -1267 6731 1235 -6558 -1129 5994 -965 5126 234 -1243 -197 1041 285 -1513 0 0 662 -3522 Carregamentos: Determinação dos coeficientes de ponderação das ações:  Ação permanente de grande variabilidade (FG. Inclinação da treliça:  = 15.4 (ação do vento) Combinações últimas normais: 79 . Madeira de 1ª.4 (combinação desfavorável) g = 0. categoria.

0 c = 1.25  300  1.3 = 1.Fd   g  FG.1 = 0.1 80 .4 cm kgf cm 2  f c90.70  600 kgf  300 2 1.d   n  0.k = 2400 kgf/cm2  s = 1.d  k mod  f c0.k   q  0.k = 80 kgf/cm2     Carregamento de longa duração  kmod.25  f c0.k c  0.70 Classe de umidade 1  kmod. categoria  kmod.4  f c0.k = 600 kgf/cm2 fv0.2 = 1.00  75 Características dos pinos (parafusos):  fy.d  0.75  FQk 1) Carregamento Permanente e Vento (sobrepressão) Barra 1-2 1-10 3-4 4-5 4-11 4-12 5-12 5-13 12-13 Esforço (kgf) -5039 4637 -4204 -3575 811 -697 1009 0 2657 2) Carregamento Permanente e Vento (sucção) Barras 1-2 1-10 3-4 4-5 4-11 4-12 5-12 5-13 12-13 Esforço (kgf) 4683 -4739 4353 3735 -942 778 -1132 0 -2437 Características da Madeira: Classe C-60  fc0.d  f t0.0 Madeira de 1ª.

t = 3 cm.25. Considerando d = dmin = 10 mm lim  1.95 = 146.d = 300 kgf/cm2 fe90. d = diâmetro do parafuso.d  sen 2   f e90.300.25 f e15.d  cos 2  fe0. d cos (15º ) 300  sen (15º )  146. d   2 2 2 f e 0. d  280 kgf cm 2 81 .e = 0.d  f e90. d  f e90.25  f y.d f e 0.fc0.5 280 f e  . d  1.  t 3  3 d 1 t = menor valor entre t1 = 3 cm e t2 = 6/2 = 3 cm.d  2400 kgf  2181 2 1.25  2181  3.25. d 300  146.d. d sen (15º )  f e90.d = fc0.25 kgf/cm2 Sendo: determina-se a resistência da madeira ao embutimento inclinado (f e15.25  cos 2 (15º )  f e15.1 cm Dimensionamento das Ligações: Nó 1 (ligação entre banzos): 4683 6 3 12 3 5039 f e 15º 12 3 6 3 4637 Determinação da quantidade de parafusos necessária para absorver o esforço crítico de tração 4683 kgf. f y . Portanto.d = 0.d  f e 0.d): f e 0.d f e .1.

d  0. Dimensionamento da Ligação Entalhada: Compressão inclinada às fibras: fc15.d  fc0. Para resistir ao maior esforço de tração.d = 300 kgf/cm2 t0.d = k mod  f v 0.d sen cm 2 c90. A resistência de cada seção de corte para um parafuso será dada por: R v1.2cm Ac  e  e  6  cos 15º  Tração paralela às fibras: eadotado = 3.d = Fd 4637 773    300  e  9. a resistência de um parafuso é de 1344 kgf.d = fc0. serão necessários 4 parafusos de 10mm de diâmetro.8 fadotado = 26 cm d = Fd  cos 15º 5039  cos 15º   31  f  25.d 300  75 kgf   250 2 (15º )  f 2 (15º ) 300  sen 2 (15º )  75  cos 2 (15º ) fc0.Como  < lim  ocorrerá embutimento na madeira.d  fc90.d cos c15. 4683 kgf.7  80  31 kgf/cm 2 1.2cm  f  e  tg15º   6 A Nó 4 1) Ligação do Montante com o Banzo 4 75º 778 697 82 . k v  0.d  R v1.5 cm >1/4 h ft0.40  t2   f e15. d  0.4cm Aútil 12  e  6 12  e  Cisalhamento: fvo.d = Fd 5039 811    250  e  3.40  32  280  336 kgf 3 Como tem-se quatro seções da corte.

serão necessários 3 parafusos. a resistência de um parafuso é de 362. d  0.4 kgf.d cos (24º ) 2 2 f e 24.25  cos 2 (75º ) f e75. tem-se:  t 3  3 d 1 f e0. d sen 2 (75º )  f e90.Considerando o esforço crítico: Nd = 778 kgf Para t = 3 cm e d = 10 mm. d f e0. d  f e90.25  cos 2 (24º ) 2  f e 24. Logo.d sen (24º )  f e90.d  f e90. tem-se:  t 3  3 d 1 f e 0. d  151  lim  1. d cos 2 (75º ) kgf cm 2  300  146.d  256 kgf cm 2 83 .2 kgf 3 Para duas seções de corte.d f e 0.25 300  sen (24º )  146. A resistência de cada seção de corte para um parafuso será dada por: R v1.d   300  146.40  32  151  181.75 151 Para  < lim  embutimento da madeira.25  2181  4. 2) Ligação entre a Diagonal e o Banzo 4 24º 811 942 Considerando o esforço crítico: Nd = 942 kgf Para t = 3 cm e d = 10 mm. d   f e75.25 300  sen 2 (75º )  146.

d  0. Nó 12 1) Ligação do Montante com o Banzo 778 2 697 12 Considerando o esforço crítico: Nd = 778 kgf t 3 Para t = 3 cm e d = 10 mm.25  175 kgf 3 Para duas seções de corte. a resistência de um parafuso é de 614 kgf. serão necessários 3 parafusos.25 Para  < lim  embutimento da madeira.40  32  256  307 kgf 3 Para duas seções de corte.d  0.25  R v1. serão necessários 2 parafusos.lim  1. tem-se:     3 d 1 Para a ligação do montante com o banzo inferior.83 146. Logo. Logo. A resistência de cada seção de corte para um parafuso será dada por: lim  1. A resistência de cada seção de corte para um parafuso será dada por: R v1. a solicitação é normal às fibras: f e.25 kgf / cm 2 2181  4.25  2181  3. a resistência de um parafuso é de 350 kgf.90d  146. 84 .40  32  146.64 256 Para  < lim  embutimento da madeira.

A resistência de cada seção de corte para um parafuso será dada por: R v1.2) Ligação entre a Diagonal e o Banzo 1009 1132 47º 12 Considerando o esforço crítico: Nd = 1132 kgf Para t = 3 cm e d = 10 mm.d  192 kgf cm 2  lim  1. serão necessários 3 parafusos.d  0.d f e 0.d cos (47º ) 2 2 f e 47.d  f e90.40  32  192  230 kgf 3 Para duas seções de corte.25 300  sen (47º )  146.25  cos 2 (47º ) 2  f e 47. tem-se:  t 3  3 d 1 f e 0. Logo.d   300  146.2 192 Para  < lim  embutimento da madeira. Nó 5 1) Ligação do Banzo: 3735 3575 15º 5 Considerando o esforço crítico: Nd = 3735 kgf 85 .25  2181  4.d sen (47º )  f e90. a resistência de um parafuso é de 460 kgf.

d f e 0.25  cos 2 (29º ) f e 29. serão necessários 3 parafusos.d cos (15º ) 2 2 t 3  3 d 1 2  300  146.d  0.d 32  0.d sen (15º )  f e90.Para t = 3 cm e d = 10 mm.25 300  sen (15º )  146.25  2 2 cos (29º ) 300  sen (29º )  146.d  280 kgf cm 2  lim  1.d  f e 0. A resistência de cada seção de corte para um parafuso será dada por: R v1. tem-se:   f e15.d  f e 0.40  32  280  336 kgf 3 Para quatro seções de corte.d sen (29º )  f e90.25  2181  3. Logo.d  241 kgf cm 2  lim  1. 2) Ligação do Banzo com a Diagonal 5 29º 1132 1009 Considerando o esforço crítico: Nd = 1132 kgf Para t = 3 cm e d = 10 mm. a resistência de um parafuso é de 1344 kgf. tem-se:   t 3  3 d 1 300  146. A resistência de cada seção de corte para um parafuso será dada por: R v1.40   241  289 kgf 3 86 .d f e 0.d 2  f e 29.d  f e90.25  cos 2 (15º )  f e15.d  f e90.76 241 Para  < lim  embutimento da madeira.25  2181  3.48 280 Para  < lim  embutimento da madeira.

4 kgf. Logo. a resistência de um parafuso é de 578. serão necessários 2 parafusos. Nó 13 6 12 3 12 6 3 6 6 unidade: cm 2 parafusos  10 mm + + 4 4 4 87 . Nó 13 1) Ligação do Banzo com o Montante 0 0 13 Devem ser colocados apenas 2 parafusos de diâmetro 10 mm (o mínimo exigido por norma).Para duas seções de corte. Em seguida estão apresentados os croquis das ligações acima dimensionadas.

4 5 88 .Nó 4 4 4 4 3 6 12 3 12 3 12 6 12 cm 3 3 4 4 4 3 parafusos  10 mm + + + 6.

5 4 4 1.Nó 12 12 3 parafusos  10 mm 6 12 cm 3 3 12 unidade: cm 3 12 6 3 4 4 7 4 4 4 + + + Nó 5 2.5 3 6 12 3 12 3 12 6 12 cm 3 4.5 6 parafusos  10 mm + + + + + + cobrejuntas 89 .5 4.

Nó 1 unidade: cm 8 parafusos  10 mm 4 46 7 4 3 6 12 4 4 15º 3 7 4 1 3 1 3 4 7 2 4 6 + + + + 3 12 6 3 + + + + cobrejuntas 90 .

com espaçamento máximo de duas vezes a altura total da viga.9.1.1. devem ser dimensionadas à flexão simples ou composta.95 . com seção transversal de área igual à soma das áreas das seções dos elementos componentes.1. PEÇAS COMPOSTAS 9. solidarizadas permanentemente por ligações rígidas por pregos. sem redução de suas dimensões. 9. e momento de inércia efetivo dado por Ief  r Ith onde Ith é o momento de inércia da seção total da peça como se ela fosse maciça.1. solicitadas a flexão simples ou composta. com as restrições adiante estabelecidas.2.3. recomenda-se o emprego de enrijecedores perpendiculares ao eixo da viga. 9. Generalidades As peças compostas por elementos justapostos solidarizados continuamente podem ser consideradas como se fossem peças maciças. PEÇAS COMPOSTAS 9. e as peças compostas com alma formada por chapa de madeira compensada.85 Na falta de verificação específica da segurança em relação à estabilidade da alma. A alma dessas vigas e as suas ligações com os respectivos banzos devem ser dimensionadas a cisalhamento como se a viga fosse de seção maciça.para seções I ou caixão: r  0.1.para seções T : r  0. considerando exclusivamente as peças dos banzos tracionado e comprimido. 9. Peças compostas de seção retangular ligadas por conectores metálicos 91 . podem ser dimensionadas como peças maciças. dimensionadas ao cisalhamento como se a viga fosse de seção maciça. I ou caixão. Peças compostas de seção T .4.1. I ou caixão ligadas por pregos As peças compostas por peças serradas formando seção T . sendo . Peças compostas com alma em treliça ou de chapa de madeira compensada As peças compostas com alma em treliça formada por tábuas diagonais.

Peças solidarizadas descontinuamente As peças compostas solidarizadas descontinuamente por espaçadores interpostos ou por chapas laterais de fixação como mostrado na figura 29 devem ter sua segurança verificada em relação ao estado limite último de instabilidade global. solicitadas à flexão simples ou composta.para três elementos superpostos: r  0. em estado limite último.2.85 .2. nas condições adiante estabelecidas.As vigas compostas de seção retangular. permite-se a verificação da estabilidade. Para as peças compostas por dois ou três elementos de seção transversal retangular. podem ser dimensionadas à flexão. 9. 92 . como se fossem peças maciças. adotando: I ef  r I th sendo . ligadas por conectores metálicos.2.70 onde Ief é o valor efetivo e Ith o seu valor teórico.1. 9. reduzindo-se o momento de inércia da seção composta.2. ESTABILIDADE DE PEÇAS COMPOSTAS 9. Os conectores metálicos devem ser dimensionados para resistirem ao cisalhamento que existiria nos planos de contato das diferentes peças como se a peça fosse maciça. suposta uma execução cuidadosa e a existência de parafusos suplementares que solidarizem permanentemente o sistema.para dois elementos superpostos: r  0. Peças solidarizadas continuamente A estabilidade das peças compostas por elementos justapostos solidarizados continuamente pode ser verificada como se elas fossem maciças com as restrições impostas anteriormente. como se elas fossem de seção maciça.

b1 b1 b1 b1 b1 h1 a1 h a1 a1 h a1 h1 L1 L L1 b1 L1 espaçador interposto (a  3b ) 1 L1 L L1 b1 espaçador interposto (a  3b ) 1 chapas laterais (a  6b ) 1 b1 a h chapas laterais (a  6b ) 1 b1 b1 L1 a h a FIGURA 29 . Nessa verificação. desde que o diâmetro de pré-furação do seja feito igual ao diâmetro d do parafuso. admitem-se as seguintes relações: 93 . Permite-se que estas ligações sejam feitas com apenas 2 parafusos ajustados dispostos ao longo da direção do eixo longitudinal da peça. para as seções mostradas na figura 30. afastados entre si de no mínimo 4d e das bordas do espaçador de pelo menos 7d. A sua fixação aos elementos componentes deve ser feita por ligações rígidas com pregos ou parafusos.Peças solidarizadas descontinuamente (Fonte: NBR 7190:1997) Os espaçadores devem estar igualmente afastados entre si ao longo do comprimento L da peça.

Seções compostas por dois ou três elementos iguais (Fonte: NBR 7190:1997) Seção do elemento componente A1  b1 h 1 3 I 1  b1 h 1 12 3 I 2  h1 b 1 12 Seção composta A  n A1 I x  n I1 I y  n I 2  2 A1 a 2 I y.ef . m 94 .25 para espaçadores interpostos y = 2. ef  I I y 1 com I  onde : I 2 m2   y I y I 2 m2 m = número de intervalos de comprimento L 1 em que fica dividido o comprimento L total da peça y = 1.25 para chapas laterais de fixação L L1 A verificação deve ser feita como se a peça fosse maciça de seção transversal com área A e momentos de inércia Ix e Iy.h 2 1 2 1 a1 a1 Y X 1 2 2 1 a1 h Y X a1 ARRANJO a n=2 ARRANJO b n=3 2 1 2 b1 1 h 1 FIGURA 30 .

ef W2 2a 1 A 1 onde  I 1  n 2  I y.4x2140=2996 daN L=300 cm (altura do pilar) x 12 a1 h a a1 Disposição dos espaçadores: De acordo com a NBR 7190:1997: a  3  b1  a  3  6  a  18cm  Adotado: a  12cm Se o valor de L1. Com isso. estiver dentro do intervalo: 9b 1L118b1.Nessa verificação. pede-se: o posicionamento dos espaçadores e o cálculo da inércia mínima. pode-se dispensar a verificação da estabilidade local dos trechos de comprimento L 1.d L1 a1 Dispensa-se a verificação da estabilidade local dos trechos de comprimento L 1 dos elementos componentes. desde que respeitadas as limitações: 9b1  L1  18b1 a  3b1 peças interpostas a  6b1 peças com chapas laterais EXEMPLO 10: Para o pilar esquematizado abaixo. as condições de segurança especificadas com relação à estabilidade são representadas por: Nd Md I2 Md   A I y.ef     f cod   W2  I2 b1 2 A segurança dos espaçadores e de suas ligações com os elementos componentes deve ser verificada para um esforço de cisalhamento cujo valor convencional de cálculo é dado por Vd  A 1 f vo . y 6 6 Nd=1. tem-se: 9  6  L1  18  6  54cm  L1  108cm 95 .

25  I  0.ef  0. 96 . e a verificação da estabilidade é feita de acordo com os critérios apresentados no capítulo 7. dispensa-se a verificação da estabilidade local de cada trecho.ef  I  I y Iy  2  12  6 3  2 6  12  9 2  12096cm 4 12   I  I 2  m2 I 2  m2   y  I y 6 3  12 I2   216cm 4 12 m L 300  3 L1 100  y  1.88  I y .88  12096  10644cm 4 Portanto a direção crítica é a “x”. 6 L1 L L1 L1 a h Cálculo dos momentos de inércia: 2  6  12 3 Ix   I x  1728cm4 12 I y . adotando L1=100 cm.Portanto.

em cada nó do contraventamento seja considerada uma força F1d .1. CONTRAVENTAMENTO. 10. CONTRAVENTAMENTO 10. devem ser contraventadas por outros elementos estruturais.1. com direção perpendicular ao plano de resistência dos elementos do sistema principal.1. correspondente a uma curvatura inicial da peça com flechas da ordem de 1/300 do comprimento do arco correspondente. min  2  Onde:  m 2 Eco .1 da estrutura de apoio transversal das peças de contraventamento deve garantir que a eventual instabilidade teórica da barra principal comprimida corresponda a um eixo deformado constituído por m semi-ondas de comprimento L1 entre nós indeslocáveis. de modo a impedir deslocamentos transversais excessivos do sistema principal e garantir a estabilidade global do conjunto. de intensidade convencional. A rigidez Kbr. na situação de cálculo. conforme o que adiante se estabelece. No dimensionamento do contraventamento devem ser consideradas as imperfeições geométricas das peças. ESTABILIDADE GLOBAL. dispostos com sua maior rigidez em planos ortogonais aos primeiros. As forças F1d atuantes em cada um dos nós do contraventamento podem ser admitidas com o valor mínimo convencional de N d/150. devem ser respeitadas as seguintes condições adiante especificadas em função dos parâmetros mostrados na figura 31 . ef I 2 L 3 1 sendo  m  1  cos  m (Tabela 19) 97 .1. as excentricidades inevitáveis dos carregamentos e os efeitos de segunda ordem decorrentes das deformações das peças fletidas. 10. com articulações fixas em ambas as extremidades.10. dispostos com sua maior rigidez em planos paralelos entre si. Contraventamento de peças comprimidas Para as peças comprimidas pela força de cálculo N d . A rigidez Kbr. Na falta de determinação específica da influência destes fatores. cuja estabilidade requeira o contraventamento lateral por elementos espaçados entre si da distância L 1. permite-se admitir que.1 deve ter pelo menos o valor dado por: Kbr. Generalidades As estruturas formadas por um sistema principal de elementos estruturais.1.2.

de modo que eles possam cumprir sua função sendo solicitados apenas à tração em um de seus lados.m = número de intervalos de comprimento L 1 entre as (m-1) as linhas de contraventamento ao longo do comprimento total L da peça principal. As emendas dos elementos de contraventamento e as suas fixações às peças principais contraventadas devem ser dimensionadas para resistirem às forças F 1d. 98 .5 4 1.8  2 Se os elementos de contraventamento forem comprimidos pelas forças F 1d . Eco. I2 = momento de inércia da seção transversal da peça principal contraventada. L1 = distância entre elementos de contraventamento.1 1 k br. Nd Nd 2 1 2 F1d 1 F1d k br.Valores de m (Fonte NBR 7190:1997) m m 2 1 3 1.Parâmetros para verificação da estabilidade lateral (Fonte: NBR 7190:1997) Tabela 19 .1 F1d F1d Nd Nd FIGURA 31 .7 5 1. Esta verificação é dispensada quando os elementos de contraventamento forem efetivamente fixados em ambas as extremidades.1 L = mL 1 L1 L1 F1d L1 L1 F1d L = mL k br. para flexão no plano de contraventamento. eles também deverão ter sua estabilidade verificada.ef = valor do módulo de elasticidade paralelo às fibras da madeira da peça principal contraventada.

na falta de uma análise estrutural rigorosa. O sistema de treliças verticais é formado por duas diagonais.10.1. composta por outros elementos estruturais planos. os seus efeitos devem ser acrescidos aos decorrentes da função de contraventamento. formado por uma série de n elementos estruturais planos em paralelo.1. 10. Se a estrutura de contraventamento estiver submetida a carregamentos externos atuantes na construção. adotando-se para F1d os mesmos valores anteriores. colocadas nas extremidades da construção e em posições intermediárias com espaçamentos não superiores a 20 metros. quando existentes. onde Nd é o valor de cálculo da resultante das tensões atuantes no banzo comprimido de um elemento do sistema principal. As estruturas de contraventamento das extremidades da construção. e por treliças dispostas perpendicularmente ao plano dos elementos do sistema estrutural principal. a validade desta hipótese exige que esteja impedida a rotação. dispostas perpendicularmente aos elementos do sistema principal.Arranjo vertical de contraventamento (Fonte: NBR 7190:1997) Em cada nó pertencente ao banzo comprimido dos elementos do sistema principal. admitem-se as mesmas hipóteses especificadas em 10. deve ser prevista uma estrutura de contraventamento. de uma extremidade a outra da construção. como mostrado na figura 33. como mostrado na figura 32. permite-se considerar a estrutura de contraventamento como composta por um sistema de treliças verticais. No caso de vigas. e de eventuais posições intermediárias. e por peças longitudinais que liguem continuamente. em torno de seu eixo longitudinal. Contraventamento do banzo comprimido das peças fletidas Para o contraventamento do banzo comprimido de treliças ou de vigas fletidas. os nós homólogos dos banzos superior e inferior dos elementos do sistema principal. F1d F1d F1d F1d F1d F1d F1d F1d FIGURA 32 . deve ser considerada uma força transversal ao elemento principal. cuja estabilidade lateral individual requeira contraventamento. dispostas verticalmente em pelo menos um de cada três vãos definidos pelos elementos do sistema principal. das seções transversais de suas duas extremidades.4. com intensidade F1d = Nd/150 .3. Estabilidade global de elementos estruturais em paralelo Para um sistema estrutural principal. 99 . aplicados neste caso à resultante R cd das tensões de compressão atuantes nesse banzo.1. dispostos em planos perpendiculares ao plano dos elementos contraventados. No caso de estruturas de cobertura.2. no plano horizontal e no plano da cobertura. na situação de cálculo.

2.0 m de altura. Dados:  Seção transversal dos contraventamentos: 6 cm x16 cm 100 DE EXTR EMIDADE . Fd Fd Nd Nd Nd CONTRAVE NTAMENTO Fd F 1d L1 L1 F 1d Fd Fd Fd L1 Nd Nd Nd Fd  2 n F 1d 3 FIGURA 33 . 12. A rigidez destas estruturas de contraventamento deve ser tal que o seu nó mais deslocável atenda à exigência de rigidez mínima 2 K br  nK br. em cada um de seus nós. a forças cujo valor de cálculo F d corresponda.1.devem resistir.1.min 3 onde Kbr. pelo menos.5 m de largura e 4. de 1. No dimensionamento da cobertura foi possível dispor as treliças.56 m de altura.min é dado em 10.5 m de distância entre si. a cada 4.0 metros de comprimento. a 2/3 da resultante das n forças F 1d existentes no trecho a ser estabilizado pela estrutura de contraventamento considerada.1. O galpão possui oitões de alvenaria em cada uma das suas extremidades longitudinais.Arranjo horizontal de contraventamento (Fonte: NBR 7190:1997) EXEMPLO DE CONTRAVENTAMENTO EM ESTRUTURAS DE MADEIRA A estrutura a ser contraventada é uma estrutura de cobertura de um galpão que possui 27.

00 m Verificação da instabilidade do contraventamento vertical A força F1d admitida como transversal ao elemento principal e portanto. permite-se considerar a estrutura de contraventamento como composta por um sistema de treliças verticais. e por treliças horizontais dispostas também perpendicularmente ao mesmo sistema.5 m A 4. e que os elementos do contraventamento vertical sejam dispostos de modo a se ter um elemento a cada dois vãos.50 m 4.50 m 4.56 m  4.50 m 4. Recomenda-se que a distância máxima entre elementos horizontais enrijecidos seja de 20. dispostas perpendicularmente aos elementos do sistema principal. Máximo esforço de cálculo atuante no banzo comprimido da treliça: N d = 3589 daN  Madeira C 40. 101 .50 m 4. Nd = 3589 daN. Para o exemplo.50 m 4.50 m A Vista A-A: Contraventamento vertical 1. na falta de uma análise estrutural mais rigorosa. serrada e de 2a categoria  Classe de umidade 1  Vento de longa duração Resolução No caso de estruturas de cobertura.0 m. Arranjo dos contraventamentos: oitão de alvenaria contraventamento horizontal 12. só que no plano horizontal e no plano da cobertura. atuante no contraventamento vale: F1d F1d  Nd 150 F1d onde Nd é o máximo esforço de cálculo atuante no nó o qual se quer contraventar.

73 y   Pelo índice de esbeltez. vale: 156  19 450  = arctg Logo.62 cm 96 Ix = Iy = 16  63  288 cm 4 12 288 iy   1.62 450 2  156 2 2  138  mais crítico ! 1. conclui-se que se trata de um peça esbelta. a força normal atuante é: 1 3589 1  N Nd  d     25 daN (por tramo) 150 cos 150 cos A peça (esbelta) deve satisfazer à seguinte condição:  Nd f c0.d 1 102 .A seção transversal do contraventamento é: 16 cm 6 cm As características geométricas da seção transversal do contraventamento são: A = 6  16  96 cm 2 6  163  2048 cm 4 12 2048 ix   4. O ângulo que a diagonal do contraventamento faz com a horizontal.73 cm 96 Determinação do índice de esbeltez da peça: x  lfl x rx lfl y ry 450 2  156 2   103 4.d Então:   Md f c0.

não sendo possível diminuir a seção do contraventamento. ef I  2  109200  288 FE    1368 daN L02 450 2  156 2 d= FE  N gk  1   2 N qk  N gk  1   2 N qk      0.50  160 160 << 1  OK! Conclui-se que a resistência da peça é muito maior que a ação atuante.03  1  0.70  1.03 cm          FE M d  N d e1.03 1368  50 e c  e ig  e a  e d  1  0  0.d   Md f c0. 103 . Nd  Nd 25  2tramos   0. madeira serrada: kmod2 = 1.80  400  160 daN 2 cm 1. porém.52 daN 2 cm A 96 e i  0 (por se tratar de uma treliç a) ea  L0  300 450 2  156 2 2  0. deve-se considerar que o comprimento de flambagem ( = 138) está praticamente no limite permitido para peça comprimida ( = 140).70  Classe de umidade 1.00  0.79  e 0.d  0.k w  0.79 cm 300  2 E co.d  kmod  f c0.52 0.00  Madeira de 2a categoria: kmod3 = 0.8  50  0.80 Então: f c0.03   47 daN.4 Verificação:  Nd f c0.87  0.ef  F N d  E   1368    50  0  0.50 daN 2 cm Iy 288 Determinação da resistência de cálculo à compressão paralela às fibras:  Vento de longa duração: kmod1 = 0.cm   1368  50     Logo:  Md  Md 47 x   3  0.

 Devem ser tomados cuidados como: tratamento preservativo.2. Caso sejam utilizadas peças principais múltiplas. São exemplos de peças principais isoladas as vigas e barras longitudinais de treliças.5 cm.8 cm. para se evitarem problemas com os valores dos esforços atuantes nas seções críticas. onde L é o vão teórico da estrutura considerada. DIMENSÕES MÍNIMAS DAS PEÇAS DE MADEIRA Nas peças principais isoladas a área mínima das seções transversais deve ser de 50 cm2 e a espessura mínima de 5 cm. ESBELTEZ MÁXIMA DAS PEÇAS DE MADEIRA 104 . a fim de se evitar a deterioração das peças. facilidade de escoamento das águas e arejamento das faces vizinhas e paralelas. sendo elas:  O projeto deve propiciar uma definição clara do sistema estático adotado. DISPOSIÇÕES CONSTRUTIVAS 11. No capítulo 8 são apresentadas as definições para ligações rígidas e deformáveis. de acordo com o tipo de conector utilizado. a área mínima da seção transversal de cada elemento que compõe a peça deve ser de 35 cm2 e a espessura mínima de 2.1. já para estruturas isostáticas permite-se o emprego de ligações deformáveis. O projeto deve oferecer facilidade de inspeção e substituição em caso de deterioração.  Para as pontes ferroviárias deve-se utilizar sempre madeira tratada e no caso de pontes rodoviárias e passarelas sem revestimento protetor.3. e deve-se aplicar à estrutura isostática uma contra-flecha com forma parabólica de pelo menos L/100. deve-se admitir uma camada de desgaste com pelo menos 2 cm de espessura. Nas peças secundárias esses limites reduzem-se respectivamente para 18 cm2 e 2. 11.5 cm. No caso da utilização de sistemas estruturais estaticamente indeterminados é obrigatória a utilização de nós rígidos. que são consideradas rígidas nos cálculos. GENERALIDADES A norma brasileira apresenta em seu capítulo 10 algumas considerações sobre a utilização de elementos estruturais de madeira e a execução de estruturas de madeira. Já para peças secundárias múltiplas esses limites são reduzidos para 18 cm2 e 1.11. 11.

1/8 do diâmetro. e trabalhar com uma seção quadrada de área equivalente. LIGAÇÕES As dimensões mínimas dos dispositivos de ligação utilizados nas estruturas de madeira devem obedecer.6. as seguintes condições para as arruelas na fixação de parafusos:  Diâmetro ou comprimento do lado de no mínimo 3 vezes o diâmetro do pino. 6 mm para outras estruturas.  Espessura mínima: 9 mm em pontes.Para elementos estruturais comprimidos. CHAPAS DE AÇO Para pontes.  Os pinos devem ser simetricamente dispostos em relação ao eixo da peça de modo a reduzir ao mínimo o risco de se afrouxarem simultaneamente em conseqüência de um possível fendilhamento da madeira. Já para elementos estruturais tracionados este limite passa para 50 vezes. 11. enquanto que para outras estruturas este valor é de 6 mm. 11. Além disso devem ser verificados os seguintes aspectos na execução das ligações:  Os eixos das barras de treliças devem encontrar-se.5. além dos valores especificados no capítulo 8. deve-se adotar o diâmetro médio calculado. o comprimento máximo não pode ser ultrapassar 40 vezes a dimensão transversal correspondente ao eixo de flambagem.4. sempre que possível. 105 . como mostrado abaixo. PEÇAS QUE APRESENTAM CONICIDADE Para a verificação de elementos estruturais à compressão que apresentem conicidade (postes). nas posições teóricas dos nós para diminuir os problemas de excentricidade nas ligações. 11. a espessura mínima das chapas de aço das ligações é de 9 mm.

Diâmetro médio de postes 2L/3 106 .2 1 m  2  1  2 3 L/3 L FIGURA 34 .

1983. de Estruturas de Madeira (LaMEM). Publicações EESC/USP. Anais. Projeto de Estruturas de Madeira . ABNT. 1989. C. MAINIERI.NBR 7190:1997.C.12. Manual de identificação das principais madeiras comerciais Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo Companhia de Promoção de Pesquisa Científica e Tecnológica do Estado de São Paulo (PROMOCET). Escola de Engenharia de São Carlos. 1-37. 1997. Rio de Janeiro. p. Timber bridges. RITTER. (IPT). Laboratório de Madeiras e SET 112 Estruturas de Madeira . M.Estruturas de Madeira . características. HELLMEISTER. CALIL JUNIOR. C.. São Carlos. BIBLIOGRAFIA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT).Forest Service. 1. A.Notas de aula. v. Madeiras e suas características In: Encontro Brasileiro em Madeira e em Estruturas de Madeira. 1990.Notas de aula. Roteiro de projetos de telhados com treliças de madeira. SET 406 . Madisson. CALIL JUNIOR. 107 . 1996. São Carlos. C. brasileiras. 1983. São Carlos. Forest Products Laboratory . J.