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Introdução à História do Mobiliário
Mais do que simples objetos que integram a decoração, ou refletem prferências e estilos, os móveis podem servir como narrativas de períodos, movimentos, sociedades; podem nos contar um pouco a história de reis e rainhas, indicando questões como status e poder. Sua importância no cotidiano é grande, e podemos pensar a história do mobiliário sob diversos aspectos. Este olhar sobre o móvel é apresentado por Lucie-Smith, na introdução da obra Furniture: a concise history (1997), da qual foi retirado o texto abaixo. Os Significados do Móvel

O móvel ocupa um lugar curiosamente ambíguo entre os artefatos humanos. Estritamente falando, ele não é necessário para a existência humana; e algumas culturas, mais especialmente aquelas nômades, parecem viver suficientemente bem sem móveis. Por causa de seu volume, os móveis implicam numa existência sedentária. De fato, em certo sentido, os móveis são inseparáveis da arquitetura. Mas a posse de artigos de mobiliário implica, de todo modo, num nível de cultura de alguma forma acima do nível de subsistência, assim como implica no abandono de hábitos e posturas animais. Nesse sentido, os móveis de assento são os mais significativos, desde o uso de um banco ou de uma cadeira para sentar-se depende de que o usuário tenha sido educado por seu ambiente cultural. Por outro lado, isso não significa falar de superioridade cultural. O banco ou a cadeira têm uma longa e contínua história na Europa Ocidental e no Oriente Próximo, mas são diferentemente exóticos na Índia e não são universalmente empregados na China e no Japão. Se considerarmos de modo mais amplo a questão, parece que o mobiliário pode ser pensado, em diferentes períodos da história, sob quatro ângulos diferentes. O primeiro é óbvio: pode-se pensar nos móveis em termos de função, e essas funções práticas são, de fato, comparativamente, poucas. Algumas pessoas se sentam num móvel (bancos, poltronas ou cadeiras); outras colocam coisas nele (mesas e estantes), reclinam e dormem (camas e sofás); ou usam para guardar coisas (armários e guarda-roupas). Essas funções são muitas vezes combinadas, mas de modo mais freqüente ocorre uma refinada diferenciação entre as categorias de móveis, de modo que cada peça adquire sua forma

são do ponto de vista da habilidade artesanal. específica e altamente especializada necessidade. Aquele que ocupa a mais alta posição na hierarquia social tem enfatizado seu papel particular. por exemplo. Os móveis encontrados na tumba de Tutankhamon. por exemplo. até há bem pouco tempo. portanto. Os materiais atuais usados em mobiliário. A noção completa de interior doméstico como o cenário de uma peça que representamos enquanto vivemos. sendo que as questões de conveniência ou conforto são freqüentemente deixadas de lado. especialmente nos séculos dezenove e vinte. é possível dizer que a real revolução tecnológica atingiu a fabricação de móveis apenas recentemente e ainda está acontecendo. O terceiro método de abordagem do mobiliário é o aspecto tecnológico.. Os móveis obedecem tanto à fantasia quanto são respostas para as necessidades cotidianas. Uma delas é que os móveis. e a tecnologia concernente aos móveis era mais uma questão de habilidade com a qual um material em particular era trabalhado.definitiva através de sua designação para uma única. os móveis são apenas um pouco menos importantes que a roupa e os adornos pessoais como meios de transmitir um significado de posição social. etc. e. certas coisas devem ser levadas em conta. eram artefatos artesanais mais do que industriais. os tipos de madeira. contamnos sem dúvida claramente certas coisas. onde um indivíduo escolheu viver. Não houve. uma progressão contínua a esse respeito. O quarto ângulo a partir do qual se pode observar o mobiliário se baseia no fato de que os móveis são usados para constituir um espaço puramente pessoal e subjetivo. enquanto esse método oferece uma boa medida do progresso tecnológico. de maneira nenhuma. mais refinados do que qualquer outra coisa produzida na Europa desde o início da Idade Média até a metade do século dezoito. O segundo ângulo representa um aspecto sobre o qual os historiadores do mobiliário estão agora mais conscientes: os móveis desempenham um papel muito importante como indicadores de uma posição social. de que os móveis são peças que compõem uma colagem tridimensional constantemente e caprichosamente alterada. As técnicas de fabricação de móveis e os materiais considerados adequados mudaram mais drasticamente nos últimos sessenta anos do que nos seis séculos anteriores. Mas. . é propagada hoje em qualquer loja de decoração. No entanto. De fato. a madeira. Por isso uma história do mobiliário baseada sobre a evolução técnica seria mais conveniente para o estudo dos móveis a partir do século vinte.

e o resultado tem sido não apenas a publicação de livros fascinantes. que nasceu do interesse dos antiquaristas do século dezenove. enquanto a mobília utilitária possuía poucas decorações. ao contrário. mas também a questão do arranjo dos móveis como um todo. Egito Os tronos e cadeiras cerimoniais eram revestidos de ouro e prata. http://tavernafilosofica. com assentos mais baixos e dimensões menores do que os modelos egípcios. Embora o mobiliário não seja necessário para a existência humana em algumas culturas (especialmente as nômades). Ela tenta. movimentos e sociedades e pode nos contar histórias. mas também a recriação de espaços em museus. mostrar como os móveis têm relação com o desenvolvimento geral das sociedades e também com a psicologia individual. (a cadeira klismos era voltada ao universo feminino!). Roma . O mobiliário grego possui proporções mais harmônicas. eles refletem preferências e estilos.com/2011/06/18/senta-que-la-vem-historia/ Os móveis são mais que simples objetos integrados à decoração. A questão do arranjo dos móveis entre si é um tema sobre o qual os historiadores do assunto têm também dedicado uma atenção cada vez maior. Para compreender o mobiliário do passado é essencial considerar não apenas o tipo de significado que cada móvel ocupa isoladamente para aqueles que o compraram ou o encomendaram. foi desde então confundido com a obsessão pelo antigo. servindo como narrativas de períodos. são elementos fundamentais para a compreensão da história da humanidade. como a hierarquia social.O estudo do mobiliário. o mobiliário egípcio era para ser guardado e não usado. (Geralmente. pois acreditavam que usariam na vida após a morte). A história do mobiliário tem pouco a ver com as questões de identificação e autenticidade.wordpress. Grécia As cadeiras são divididas em modelos de honra – usadas em cerimoniais ao ar livre – e de uso comum.

mas mostra a decoração rica e elegante do mobiliário bizantino. (Considerada a Idade das Trevas. fazer refeições e conversar (seminários) e utilizado como assento e repouso. a casa renascia!). presente na maioria das casas romanas. ainda é rara. (As mulheres que sentavam no lectus. o lectus era um dos mais importantes. (O exagero do Barroco era visível até na falta de proporção do mobiliário!) Rococó O mobiliário rococó corresponde aos padrões da etiqueta e do comportamento da corte. (No Renascimento. (O uso das cores era muito presente. Idade Média Era comum modelos dobráveis ou desmontáveis. demonstrando a preocupação com o conforto e a privacidade. Neoclassicismo . tanto nas construções e objetos). como forma de diferenciar as peças e também economizar nos materiais empregados. Bizancio O trono de Maximiano é uma escultura em relevo de marfim projetado para uso da igreja. prevalecendo características ainda medievais no mobiliário. com múltiplas funções. Suas funções eram variadas: descanso. Renascimento Os móveis deixam de ser peças isoladas e tornam-se parte do projeto da residência.Entre os móveis de assento. mobílias transportadas em viagens. a Idade Média trouxe uma “luz” para a história do mobiliário). não eram bem vistas!). Barroco Os móveis de assento modificaram-se sob influência do comércio com o Oriente e os encostos vazados da Índia. A mobília de luxo. (As noções de conforto do Rococó são mais próximas às nossas e a questão de etiqueta é visível na delicadeza de uma poltrona!). sobretudo em cerimônias e banquetes. como móveis de assento servindo para guardar ou armazenar utensílios.

Art Déco O estilo Art Déco caracteriza-se por formas geométricas e linhas retas. utilização de padrões matemáticos e geométricos. como o próprio edifício se ligava ao ambiente através da harmonia das suas proporções. guiada por seu ideal utilitário. (Quanto menos. . de forma racional. Organicismo Pretendia-se captar algo do espírito da natureza. (Numa simples cadeira. dos altos edifícios imponentes no cenário urbano. (Diferente de outros estilos. volumes e planos sobrepostos. podemos enxergar uma mistura de épocas e estilos!). melhor!). Funcionalismo O funcionalismo é marcado por um período entre-guerras. uso de materiais e cor. (Nota-se que a cadeira é projetada com o mínimo material possível. romana. Minimalismo Apresenta um mínimo de elaboração formal e o máximo de utilização de materiais industrializados. rt Nouveau O Art Nouveau (Arte Nova) não pretendia revalorizar estilos passados. (A forma de ovo de uma cadeira pode ser considerada uma “arte manisfesto”!). cultural e tecnológica. econômicas. para que possa ser reproduzida em série. com custos menores!). repetição de elementos. mas não tanto nos materiais!). com modificações políticas.O Neoclassicismo. essa nova arte inova nas formas. buscava com as referências clássicas uma revalorização dos princípios da arte como fonte de inspiração – móveis influenciados pela arte grega. (Parece um tipo de poltrona familiar. renascentista e barroca. sociais e culturais. da agitação das grandes cidades. solidez. simples de ser encontrada numa residência comum na nossa sociedade!). mas criar algo realmente novo que traduzisse o clima da época. associado à percepção da vida urbana. o novo classicismo.

económico e humano” B. sendo livre como a fantasia e exacto como a invenção. Há muitos séculos a cadeira é considerada um dos objetos mais importantes do mobiliário e símbolo da posição social de quem se sentava sobre ela..br/blog/?p=45 A cadeira é um objeto muito antigo. mas defende uma revisão de seus pressupostos. não só a imagem como a fantasia. social. Pós – Modernismo O Pós-Modernismo não pretende substituir o modernismo. A criatividade pode ser compreendida pela capacidade de propor novas soluções para situações ou problemas tradicionais. sob a forma de trono ou cadeira eléctrica por exemplo. ". Munari Enquanto objecto simbólico. compreende todos os aspectos de um problema. a criatividade é usada no campo do design. não só a função como a invenção.Ultratecnicismo A solução dos problemas espaciais deveria acontecer através de materiais e métodos construtivos altamente industrializados. o universalismo. a distribuição e mesmo a tecnologia demonstram-se cada vez mais padronizados. priorizando a perfeição técnica. As cadeiras mais antigas de que se tem notícia são as cadeiras egípcias. A qualidade. Alguns objectos destacam-se junto dos consumidores especialmente pelo factor inovação obtida pela criatividade no projecto. que demonstram ter sido de grande riqueza e esplendor. elas eram cobertas com materiais caros e foram . não foi de uso comum até o século XVI. o pragmatismo. embora durante muitos séculos fosse um artigo que conferia status e dignidade a quem a usava. a informação. quando então ganhou popularidade. artísticos. históricos e confere um estatuto social ao seu utilizador. Feitas de ébano e marfim.com. considerando o design como um modo de projectar. o abstracionismo e a ênfase na analogia mecânica. mas também os aspectos psicológico. esculpidas em madeira dourada. É um objecto repleto de conotações. conteúdos culturais. de fato. liberando a relação forma e função e revalorizando da História. a produção. (Um questionamento sobre a racionalidade!). expressa poder e autoridade. (A tecnologia invade o mobiliário!)..chairetable. http://www.

sendo a mãe de todas as cadeiras modernas. O excesso de detalhes e adornos das peças antes artesanais cede lugar ao minimalismo do conceito “forma e função” e da busca pelo novo. pois graças ao seu encanto discreto mas irresistível. Muitas cadeiras encontradas em diversos estados de conservação trazem os apoios esculpidos como pernas que terminam nas garras de leões ou touros.apoiados em representações das pernas por formas bestiais ou em figuras domésticas. influenciou o modo de vida e criou verdadeiras revoluções de conceitos e comportamento. o design italiano tem seus admiradores incondicionais em todo o mundo. O design contemporâneo por sua vez. inspirada nos tubos de sua bicicleta. O Design Italiano é outro tema de suma importância e influência no design das cadeiras. até mesmo em detalhes pequenos. O uso de metal tanto no corpo quanto nas pernas aumentou. O século XX viu o uso crescente de tecnologia na produção de cadeiras. o maior sucesso do design industrial de todos os tempos. Uma das primeiras cadeiras a se tornar famosa foi a Hill House de Charles R. Os móveis modernos criados principalmente sob a influência da escola da Bauhaus na primeira metade do século XX foram tão felizes e arrojados em sua concepção que deram origem não só a estilos e formas. Uma cadeira de braço em ótimo estado de preservação foi encontrada em uma tumba no Vale dos Reis e é incrivelmente semelhante. seus designers estão em plena . a cadeira Wassily. De tão atual. é atual quase cem anos depois.As cadeiras Thonet numeradas foram as primeiras a serem produzidas através do curvamento de madeiras e pioneiras também na venda por catálogos. com aquele “estilo de Império ” à cadeira que seguiu a campanha de Napoleão no Egito. se tornou a Meca do design internacional. A revolução industrial do final do século XIX. mas a tecnologias de fabricaçãoe suas criações se multiplicam e sofrem releituras das mais diversas formas. Marcel Breuer foi o precursor do design arrojado para as cadeiras. sua criação. além de revolucionar os meios de produção.é um verdadeiro clássico do design mundial e como todo clássico. Ainda hoje. está aí. Deu origem ao sistema de construção de mobiliário tubular usado ainda hoje. Mackintosh em 1928. o da funcionalidade. A tecnologia está mais à mão e designers podem ter suas criações multiplicadas sob um novo conceito. O ponto das grandes mudanças é a revolução industrial quando peças únicas dão lugar à produção em série. há quem diga que a cadeira Wassily tem design contemporâneo. sobretudo a zona de Milão. Depois da 2ª Guerra Mundial.

Cada vez mais vemos produtos que utilizam em sua concepção. a vida cotidiana acontece no terraço. em redes. cadeiras para Shoppings sempre com uma qualidade superior. onde o hominídeo utilizava-se de cadeiras simples feitas em pedra. mais nobre para receber a visita. . peças únicas são criadas com o conceito atemporal da produção seriada. designers criam em conjunto em nome da auto-suficiência superando obstáculos e desenvolvendo novas tecnologias. Os tempos de hoje pedem profissionais mais diretos. aproveitamento de materiais de maneira ecologicamente correta e tingimento com pigmentos naturais e não poluentes. Uma Boa alimentação em uma cadeira de shopping ou em uma cadeira de um refeitório de refeição coletiva tende sempre a ser nobre nas cadeiras da Chair & Table Acompanhe nosso Blog e fique por dentro de tudo relacionado ao ramo de Cadeiras e Mesas para Refeitórios. lanchonetes.essa função mais requintada foi preservada até hoje. madeiras de reflorestamento. as cadeiras passaram a ser artigos de luxo da nobreza e possuiam armações e construções diversas. e o jeitinho bem brasileiro de viver de fato privilegia o uso da cadeira em momentos mais formais. um só motivo para criar e encantar. um lugar. por aqui. Hoje. pois. O contemporâneo bebeu da fonte do modernismo e tem em comum com o estilo mestre. em tamboretes. Durante o período da Idade Média. o mobiliário indispensável eram a rede e a esteira indígenas. De certa forma. banquinhos e. A Chair & Table fortalece aida mais esse fator histórico. a genialidade. a cadeira faz parte de algo importante no cotidiano do ser humano e a Chair & Table colabora com isso. Shoppings e muito mais. Hoteis. A cadeira continua sendo um símbolo desta criação e aparece também no trabalho de artistas de maneira polêmica e muitas vezes inusitada. Até então. A cadeira chegou ao Brasil no século XVI com a vinda dos portugueses.atividade produzindo e criando inovações. Em famílias do interior ou nas casas de pescadores no litoral nordestino. As cadeiras estão sempre na sala. claro. Produzindo cadeiras para refeitórios. cadeiras para lanchonetes. seguindo a história. com a globalização. restaurantes. De maneira histórica.simplicidade e objetividade nos projetos. digamos assim. a data de criação da cadeira pode datar tempos primordiais. materiais recicláveis. onde forma e função são uma só diretriz. ambas de fibras vegetais.

Não estamos falando de cadeira com braços ou aquelas que são chamadas de cadeiras. o que se pode afirmar é que elas determinaram uma nova forma de proceder o desenvolvimento do produto. das criadas por designers anonimos e as que surgiram fruto de conceitos e movimentos estéticos de artistas. pois perderiam o seu desenho original. Ou simplesmente sentar a beira de um penhasco e ver o mar. . em restaurantes ou em casa. sem braços e com a relação assento-encosto em medidas e angulos que obrigam o usuario a ficar numa posição especifica para cumprir uma função pré definida. resistentes. Todos querem deixar a sua marca fazendo uma cadeira simples e diferente das outras. que foram e ainda são tão uteis na historia da humanidade desde o mais remoto dos tempos da manufatura rudimentar. mas são na verdade. poltronas. mas as cadeiras tem um mistica propria e estabelecem uma conexão imediata com o observador.http://saberdesign. pesos adequados. as industriais produzidas em grandes quantidades. algumas se completam com esses apoios e ganham força enquanto Design e favorece o conforto do usuario Esse mais desejado objeto de projeto dos designers fez a historia do Design. São as cadeiras simples. desde a mais simples as mais sofisticadas. Simples cadeiras. para sentar e comer junto a´mesa. São aquelas cadeiras usadas com medidas que seguem padrões definidos.com.br/content/cadeiras-e-seus-autores-que-fizeram-historia-do-design%E2%80%93-parte-1-seculo-xix Não há objeto de uso individual mais projetado e desenvolvido pelos designers e arquitetos na historia do que a cadeira. Nem todas as cadeiras simples podem ter estruturas longitudinais para apoio dos braços. arquitetos e designers. O designer se afirma e mostra a sua cara por uma simples cadeira. São milhares e milhares de projetos desenvolvidos por todos os povos. desde as feitas em casas por artesãos e marceneiros. Há uma relação sagrada e intima entre a aspiração do designer e o chamado para ele desenvolver a sua cadeira em especial. Porem. Historicamente. Ninguem sabe como nem porque. um desafio constante e um jeito particular de fazer algo diferente.

O papel icônico e representativo desempenhado pela cadeira temsido uma espécie de profecia que se cumpriu. È com esse material que começamos esta série de artigos. comoutros significados que não os de uma peça domobiliário.Uma cadeira é um poema. a história remontaria ao trabalho da empresa austríacaThonet. alémde ser elamesma. o mesmo podendo ser dito do trabalho de Charles e Ray Eames com o plástico. Embora os estilos se sucederam conforme a epoca historica desde a antiguidade. tão longa que a palavra se inseriu profundamente na língua inglesa. a madeira. e assim por diante. E com ele.Bemno início. http://pt.Epor forneceremuma tela tão restrita. Os artigos que seguem. Por todas essas razões. quando a Revolução Industrial já estava mudando o mundo e os seus conceitos com relação aos objetos de uso. não umromance.scribd. ex cathedra pronouncements. embora reconheçamos a importancia deles para a historia desse particular objeto de uso. Elas têmuma longa história. através da abolição das habilidades artesanais. que continuam mais do que nunca hoje em dia a manter essa mistica que virou Design. e este livro apresenta uma introdução . a partir do século XIX.Emportuguês. catedrático e cátedra (emterminologia ligada aomundo universitário) e inúmeros usos da palavra“cadeira”.Cadeiras podemsimbolizar autoridade. Foi quando as tecnicas e processos da antiga manufatura se encerravam e uma nova maneira de construir os objetos começava. não os levamos em conta.Como as cadeiras se tornaramsímbolosmuito relevantes demudanças estilísticas e tecnológicas.O uso do aço tubular por Marcel Breuer teve umimpacto e umsignificado semelhantes. E o Design nascia.com/doc/42082269/Cadeiras-Que-Mudaram-o-Mundo Seria possível traçar a história do design nos últimos 150 anos simplesmente comuma sequência de cadeiras.. os arquitetos e designers que querem ser considerados importantes precisamter desenhado pelomenos umexemplo de sucesso para demonstrar suas credenciais.A cadeira. oDesignMuseumvaloriza sua coleção de cadeiras contemporâneas.. cuja transformação da feitura demóveis para umprocesso industrial.Usam-se os termos:chairmen e chairwomen. não tem a finalidade de construir uma historia da cadeira. tambémtemos a expressão“falar de cátedra” (significando falar comconhecimento de causa). dão a seus designersmuito pouco espaço para se esconder.O começo de tudo foi pelo uso do material natural mais abundante na terra e o que o homem soube primeiro trabalhar com ferramentas manuais simples e liberdade criativa. apenas procuramos identificar as mais representativas e interessantes sob a otica formal e de importancia tecnica e historica do seu uso em particular. seats of power. é tambémmuitomais. como ao se referir aosmembros daAcademia Brasileira de Letras. os seus criadores e fabricantes. poderia ser encarada como a representação do impacto da produção em massa emtodos os tipos de design. identidade e domesticidade.

Dizemque.MargaretMacDonald (18651933) – abarcou os campos da arquitetura. talvez. bares e espaços públicos. dez parafusos e duas arruelas.Barata e simples de fazer. 8 CADEIRADEENCOSTOALTO PARAOSSALÕESDECHÁDE MISSCRANSTON 1900 Charles Rennie Mackintosh A virada do século XX trouxe consigo uma onda de designers e arquitetos revolucionários que ajudarama abrir caminho para o MovimentoModernista. comentando sobre a cadeira nº 14.Em1859.Na Escócia. e jamais foi criado umitemtão prático e tão precisamente trabalhado”. eles revelamumpouco da revolução na moderna produção emmassa que essa discreta emuito familiar peça demobiliário representa.No entanto. Le Corbusier afirmou: “Nunca houve umdesignmelhor emais elegante.Ainda hoje são feitas variações de sua forma. as cadeiras.Contudo. leve e durável.A cadeira permaneceu sinônimo de uma descontraída cultura de café. Até o final do século XIX. oArts and Crafts e o Secessionismo da Europa Central. CADEIRASEMBRAÇOSNº 14 1859 Thonet Os arcos curvos gestuais e comprimidos da CadeiraThonet sem Braços nº 14 evocamo romantismo eterno de umcafé commesas na calçada. emsuamaioria.O trabalho deMackintosh – geralmente executado emcolaboração comsua esposa. a Cadeira semBraços nº 14 – geralmente conhecida por seu apelido alemão Konsumstuhl – rapidamente se tornou umdos produtos industriais demaior sucesso do século XIX. embora geralmente comoutrosmateriais – tais comometal soldado – que têmpouco a ver coma concepção original do que foi.Abaixo:A cadeira é feita de uma série de componentes de madeira vergada produzidos em massa. o aumento da demanda fez comque os fabricantes desenvolvessemmétodos de produção emmassa que se apoiassememnovas tecnologias e conquistassemnovos pontos comerciais. suspenso entre oArt Nouveau. Charles RennieMackintosh (1868-1928) eloquentemente fundiu o artesanato celta como elegante rigor japonês. a primeira peça demobiliáriomontada compactamente. fácil de desmontar e transportar. da pintura decorativa e domobiliário. quemoldarama história do design. mais reproduzidas e mais reinterpretadas de todos os tempos. eram feitas àmão. À direita:Presença comum em cafés. que depois são montados com o uso de parafusos. para criar umestilo diferenciado. para produzir interiores experimentais de uma surpreendentemodernidade – o equivalente no design ao .a 50 das principais delas. a Cadeira Thonet sem Braços é provavelmente uma das cadeiras mais reconhecidas. a produtora demóveis austríacaThonet – fundada porMichaelThonet (1796-1871) na década de 1830 – desenvolvera comsucesso uma cadeira feita comapenas seis peças demadeira vergada no vapor.

As elegantes composições arquitetônicas deMackintosh teriam uma extensa influência no desenvolvimento do design europeu do início do século XX – talvezmais notavelmente no trabalho do austríaco JosefHoffmann e de outros designers ligados àWiener Werkstätte (ver páginas 12-17).Ashbee. ao mesmo tempo. Domesmomodo que a cadeira de encosto alto deMackintosh. umhotel damoda e uma estação de cura. aWiener Werkstätte valorizava o bomdesenho inovador e a alta qualidade do artesanato tradicional. Os fundadores daWienerWerkstätte inspiraram-se na Guild of Handicraft. Em1900. para seus amplos Salões de Chá no nº 205 da IngramStreet. Catherine Cranston encomendou aMackintosh o desenho de uma sala de almoço para senhoras. ajudarama garantir a influência britânica entre a comunidade do design vienense. austero e luxuoso – as janelas da altura do pé direito e o revestimento longitudinal emmadeira enfatizavamcom insistência a dramática verticalidade de seu desenho. incluindoAshbee e Charles RennieMackintosh (ver páginas 10-11). confirmava o tema. era a primeira grande incumbência daWienerWerkstätte emque os designers se responsabilizarampor tudo.wagnerianoGesamtkunstwerk. ou “trabalho de arte total”.O Sanatório Purkersdorf (1904-1905). do estofado e da barra entre as pernas de trás.A estrutura em forma de caixa e o assento quadriculado replicavamo tema “quadrado” encontrado nas paredes e no chão e criavamuma atmosfera de luxuosamodernidade para o que era.As simples e precisas cadeiras de encosto alto – das quaisMackintosh fezmuitas variações – permaneceramumclássico. até cadamínimo detalhe do interior.Uma exposição emViena de objetos artesanais ingleses em1900 e visitas feitas à cidade por destacados designers ingleses.O interior realizado porMackintosh era.A severa forma geométrica da cadeira de encosto alto. essencialmente. sendo suavizada apenas por alguns detalhes decorativos.Assimcomo a Guild. . estabelecida no East End de Londres em1888. POLTRONAPARAOSANATÓRIO PURKERSDORF 1904-1905 KolomanMoser Essa cadeira radicalmente geométrica simboliza o trabalho da WienerWerkstätte.R. da própria construção em ferro e concreto. vinculando arquitetura e design de interior. desenhado por Hoffmann. posicionada ao longo dasmesas de chá emfileiras quasemilitares. a poltrona deMoser foi desenhada como parte de umprojeto coordenado. as inspiradoras “oficinas artesanais vienenses” fundadas em 1903 por um grupo de designers de vanguarda associados à Secessão de Viena – principalmente o designer gráfico Koloman Moser (1868-1918) e o arquiteto Joseph Hoffman (1970-1956).As poltronas deMoser ficavamno saguão do sanatório. no coração do distrito comercial de Glasgow. de C. cuidadosamente dispostas emtorno de altasmesas octogonais. À direita:A forma alongada de influências geométricas da cadeira de Charles Rennie Mackintosh para os Salões de Chá de Miss Cranston estava na vanguarda do desenvolvimento de uma nova linguagemvisual para o design do século XX. como as formas curvas no encosto vazado da cabeça.

esta simples cadeira de corte regular. . incontestavelmente. no nº 22 da Kärtner Strasse. as alegres setas indicativas. emViena – que compreendia não apenas a decoração interior. a atmosfera da iluminação.Entre os colaboradores.À direita:Com sua estrutura em forma de gaiola e seu assento quadriculado. Enquanto a Sitzmaschine descende. constavam nomes ilustres como Gustav Klimt e Oskar Kokoschka. os designers não apenas desafiavam preconceitos sobre qual deveria ser o aspecto das coisas. louças. a poltrona de Moser para o Sanatório Purkersdorf introduz uma estética para a era moderna SITZMASCHINE c. os elegantes acessórios de luz.mas tambémexploravamos caminhos pelos quais o design impactava a vida das pessoas. A contribuiçãomais relevante de Hoffmann foi. finalmente. acima de tudo. a cadeira tem funções mecanizadas próprias – o encosto se inclina. comgrades geométricas de vazados quadrados e retangulares. é claro. as cadeiras confortáveis emnovo formato e.Apesar de toda sua louvável funcionalidade utilitária. criada para a luxuosa estação de cura de Purkersdorf (ver páginas 12-13) – é umimportante exemplo de como amecanização estava se infiltrando no design como umtema novo e importante. a Sitzmaschine é.000 peças. que era colocada emtorno de mesas redondas igualmente discretas. emsua forma e construção racionalizadas. além. a estética da Sitzmaschine ecoa os componentesmóveis de ummotormovido a correia. da cadeiraMorris.Amodéstia do desenho e a falta de ostentação funcionavamcomo umcontraste perfeito para o esplendor Jugendstil do resto da decoração. obra de Bertold Löffler e Michael Polwony. esta era uma cadeira focada firmemente na Era dasMáquinas.Omundo estavamudando demaneira rápida e muito visivelmente. desenhada por PhilipWebb (1831-1915) em1866. como mobiliário.Umgenuíno Hoffmann”. daArts and Crafts. do genius loci daWerstätte. Josef Hoffmann. Além disso. semdúvida.A apropriadamente denominada Sitzmaschine (máquina para se sentar) – uma das inovações de Josef Hoffmann. um elegante exercício de CADEIRANº 728PARAO CABARÉFLEDERMAUS 1907 Josef Hoffmann Em 1907. Umcrítico da época descreveu entusiasmado o efeito geral do Cabaré Fledermaus: “[É]maravilhoso – as proporções. Comsua aerodinâmica feita de extensas curvas de faia vergada e painéis de sicômoro escavados.mais notavelmente o exuberante mosaico demajólica de 7. enquanto os primeiros veículos amotor se introduziamruidosamente na cena urbana de rua. talheres e até o crachá usado pelas recepcionistas. o bomgosto de todo o conjunto.1905 Josef Hoffmann Bemno início do século XX. sendo então segurado por um bastão que se encaixa em um dos pares de uma sucessão de maçanetas esféricas. tambémdesenhadas por Hoffmann.Novas técnicas de construção com“estrutura de coluna” impeliamas construções emdireção ao céu. aWienerWerkstätte terminou outro projeto ambicioso – o design para o Cabaré Fledermaus.

da Holanda.Atualmente. em1918. B3 –MAISTARDECONHECIDA COMO“CADEIRAWASSILY” 1925 Marcel Breuer Omodelo B3 foi umdos primeiros produtos a emergir daDessau Bauhaus. ao ser relançada na década de 1960. na realidade. esteve na vanguarda dos experimentos realizados por diversosmembros domovimento De Stijl.CADEIRAVERMELHO/AZUL 1917-1918 GerritThomas Rietveld A cadeiraVermelho/Azul. comcujo nome a cadeira acabou rebatizada. o grupo procurou inserir o pensamento neoplatônico no design. amarelo e preto.A cadeira foi inicialmente fabricada pelaThonet. cujos aspectos. faz comque ela se pareçamais com umdesenho técnico linear. isso nunca aconteceu.Enquanto sua requintada concha. companhia austríaca pioneira na fabricação demóveis (ver páginas 8-9) e estava disponível embranco. A cadeiraVermelho/Azul esteve entre as primeiras tentativas de se aplicar a filosofia De Stijl emuma forma de três dimensões e é uma construção rigorosa de linhas retas e planos chatos de cores primárias. leveza. contornada por finos tubos demetal niquelado. preto ou tecido demalha de arame. A surpreendente estética dessa peça demobiliário causou sensação e – como aconteceu comas pinturas retilíneas de Mondrian – até hoje continua a evocar o ar de umamodernidade abstrata. a forma tridimensional foi transformada emuma expressão fundamental de pura abstração. . preto e branco. inspirou-se parcialmente no guidão de aço tubular de sua querida bicicleta Adler. permitirama criação demóveis emnovas e surpreendentes formas. originalmente. o pintorWassily Kandinsky. ajudando a consolidar a reputação da escola como uma força de liderança no design funcional. aparência rígida e elegante.Fundado em1917.mas. umcolegamembro do De Stijl. azul. exigindo pouca habilidade na construção). Rietveld pretendesse que a cadeira fosse produzida emmassa (era feita de comprimentos uniformes demadeira. para ressoar as pinturas de PietMondrian (18721944).Embora. nas formas dobrável e não dobrável. seu volume espaçoso e seu estilo simples resultamna cadeira perfeita. criando objetos fundamentais que expressassema perfeição e a harmonia espiritual da geometria e das cores primárias. a cadeira Vermelho/Azul permanece uma peça icônica única – como uma ideia concretizada de uma cadeira – noToledoMuseumofArt. emOhio.Breuer deu umdos primeiros protótipos a umcolega da Bauhaus.Foi tambémumdos primeiros desenhos a explorar o aço tubular. desenhada pelo arquiteto GerritThomas Rietveld (1888-1964). Diz-se que seu designer.A cadeira foi originalmente pintada na típica paleta De Stijl. Reitveld repintou-a de vermelho. tais como força estrutural. emcinza. Omodelo B3 foi uma solução para o desafio técnico de se redefinir qual deveria ser a aparência de uma cadeira e como ela deveria ser feita.Marcel Breuer (1902-1981) – chefe da oficina de produção de armários da Bauhaus –. na verdade.