O super-servo urbano.

Super -latim super, sobre... Servo - latim servus, -i, escravo... Todo o discurso eleitoral e o consequente discurso institucional ( de Governo e poder local) é dirigido a uma massa eleitoral que embora tenha formalmente – constitucionalmente – o poder, essa capacidade de escolher, decidir e gerir; na realidade não o usa. Claro que o voto é um exercício de poder, mas será que a formação de voto, ou seja, a formação de opiniões; será esta uma actividade neutra? Será politicamente neutra a estrutura que é necessária para fornecer as informações aos cidadãos e dota-los de um poder em vez de subordina-los a um poder? Se se reflectir sobre o voto, sobre a abstenção, sobre a queda de participação pública ( considerando um período de 50 anos),sobre a imagem do líder político (face à população), as limitações e enviesamentos dos inquéritos (enquanto ferramenta de consulta popular); reflectindo sobre estes pontos o que podemos afirmar sobre o valor do voto? É difícil conseguir da maioria o reconhecimento que a Democracia não se limita ao voto, e que mesmo focando eo acto de votação, quantos cidadãos estarão excluídos perante essa possibilidade. É um poder de distribuição desigual, e não conta com mesmo valor o voto do cidadão com capacidade com ileteracia democrática e institucional quando comparado como o voto do cidadão que domina a linguagem democrática do regime, que conhece as ferramentas de poder e que tira partido das mesmas. Com esta exposição não estou a apelar ao sufrágio restricito ou censitário ou instruído, o facto de o sufrágio ser quasi-universal é um importante avanço civilizacional que gradualmente surtirá o seu efeito na sociedade. Mas é este ponto que importa, ele é de tendência universal e não de facto universal – formalmente é , mas interessa neste momento transportar o direito formal para o campo real. O que acontece quando a totalidade de votantes ( os que já estam no exercício do voto) na realidade posicionam-se numa cadeia hierárquica de transmissão de poder pela influência do sentido de voto? O momento mais nivelado é o depósito do voto, esse sim é igual para todos os que estão abrangidos pelo campo da "universalidade eleitoral". Mas o voto depende de um processo de formação e neste existe um desequilíbrio de forças de influência. Neste aspecto será considerado o votante numa condição de servidão.Excessivo? A liberdade de escolha é limitada pela formação de voto. A limitação da liberdade é a promoção de uma condição de servidão. Mas o cidadão que constantemente ou raramente deposita o voto está numa condição superior ao que não o faz. Em igualdade de condições quem não exerce o voto desperdiça poder, e em desigualdade de condições (considerando todos os que estão excluídos da noção de universalidade e que têm as faculdades humanas para exerce-lo) outros estão na condição de subalternos de quem faz uso desse poder. Aos que se colocam numa posição superficial no acesso a esse poder, mas que não possuem a capacidade de fazer mais do que consumir as decisões que influênciam este poder (não são a fonte do poder) aplica-se a ideia de Super-servo. Ou seja aquele que não estando numa condição senhorial não se encontra na condição de servidão total. Participação pública.

Em matéria de política urbana , e considerando a importância das redes sociais e sua intensidade nos meios urbanos, passa-se a reflexão seguinte: As intervenções urbanas de coesão social; o código postal. A relação com cidadãos de zonas urbanas carentes de intervenção integradora da parte das instituções e do seu combustível social: o super-servo. O que o distingue dos visados pela acção de integração, o código postal ? Não será toda uma quantidade de recursos que orbitam ou que são repelidos pelo mesmo que ajudam a traçar uma linha fronteiriça? A tradição institucional alimentada pela eleição de forças que a exercem, tem alimentado a narrativa da salvação e da caridade em relação ao cidadãos das Zonas Urbanas Carentes de Intervenção Integradora (ZUCII). Toda a acção deste tipo reforça o aspecto representativo da democracia e menospreza o aspecto participativo da mesma. É a cultura da chefatura sebastiânica, do marketing da salvação cruzado com o mandato delegado pela fonte prática de poder. Na condição de procuradores dos interesses instalados , o seu papel passa pela dramatização do heroismo individual patrocinado pelo conjunto empregadores-investidores. O público-alvo dessa narrativa é o super-servo. O objectivo formal da acção é a população das ZUCII e objectivo real da mesma é o super-servo e a formação do voto de forma a garantir o patrocínio da Fonte Prática do Poder (FPP) e com este a manutenção do poder (esse eterno objectivo da actividade política). Quando é feita a adaptação da narrativa ao modelo participativo, frequentemente identificam-se as marcas sebastiânicas, basta absorver o discurso e pesar a descrição da experiência. A causa da intervenção é a instituição ou a população visada? Onde está o móbil da acção? Qual a verdadeira fonte de poder? A experiência realça a troca de saberes , a experiência conta com duas fontes de poder equilibradas, conta com um grau de particação satisfatório? Desenvolve-se num ambiente transparente de troca de conhecimento? Esta troca da~se em dois sentidos super-infra, infra-super? A instituição modela-se por estímulo popular, e este institucionaliza-se? Quem é identificado como o beneficiário do projecto: a população visada ou a população geral? E o elemento beneficiente está presente na narrativa? E matriz de avaliação do projecto, quem define os seus critérios? Estas são algumas das questões que acredito colocarem a tónica na solução participada (que resulta em muito mais que simples trocas de códigos postais, ela é uma oportunidade de levar a cabo uma acção de pedagogia democrática – o que soma benefícios). Seria esta a contradição da exploração do voto do super-servo. Uma interrupção da lógica de ter A Sociedade orientada para o cliente e para o accionista. Reforçando a sociedade orientada para o sucesso que a ideia de Coesão Social ... comummente aceite, em termos de dinâmica da vida social, designando a harmonia, a união da forças sociais e das instituições que as sustentam e que concorrem para um fim harmonioso e coerente de vida em comum. IN http://www2.seg-social.pt/preview_documentos.asp?r=13085&m=PDF.

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