Temporada 01 Capítulo 09

O Pai da Noiva
By We Love True Blood

Well, that's the thing about life, is the surprises, the little things that sneak up on you and grab hold of you!

Jessica estava sentada em cima de Alcide na cama e o afundava cada vez mais no colchão velho e mal cheiroso. Nem estava se importando com o dia amanhecendo, só queria descobrir o motivo de Bill mandar o capanga para fora da cidade. Não ligava para o lobo, mas ligava para o que seu pai fazia. Apertou o pescoço do homem, sentiu as veias pulsando em sua mão e disse: “Desembuche logo o motivo de sair da cidade”. Ela apertou mais ainda o pescoço dele. “Não sei do que você está falando Menina Jessica...” “Você sabe que posso quebrar seu pescoço num piscar de olhos. Acho bom não me enrolar. Já está amanhecendo.”, ela gritou. “Você não precisa fazer isso...vamos sentar e conversar. Por favor...” tentou argumentar o lobisomem. “Vai se fazer de difícil? Veremos quem pode mais.” Ainda segurando o pescoço dele com uma mão, levantou o quadril e com a outra mão abriu a calça jeans de Alcide. “Ou é do meu jeito ou do seu...” “O que você vai fazer? O que você pensa que está fazendo...pare com isso!” Alcide não acreditava no que estava acontecendo, tentou se soltar começando a se debater. Jessica baixou a calça e a cueca dele sem problemas, dessa vez usando as duas mãos. “Ué, eu não te excito? Na verdade, parecia bem maior com a calça jeans”, ela

balançou a cabeça conforme passava a mão no membro do lobo. “Não vai crescer?”, e soltou uma gargalhada. “Isso não é linguajar para uma moça como você, e estas atitudes muito menos... eu exijo que me solte, agora mesmo! Não quero lhe machucar...”. “Você realmente não me conhece, eu sempre consigo o que quero.”, ela abaixou a cabeça até ficar bem perto do ventre dele e deu uma demorada lambida no membro amolecido. Alcide deixou escapar um gemido alto que só serviu para estimular mais a vampira. Jessica sentiu a excitação dele, poderia até ouvir o coração disparando, o peito subindo e descendo por conta da respiração acelerada. A vontade de mordê-lo era enorme, e ela não poderia fazer isso, mas o sexo desviava a sua atenção do sangue, precisava de sexo. “Vai continuar sofrendo desse jeito? Vou lhe dizer uma coisa, se não me contar o que quero, vou dizer para meu amado pai que fui estuprada, quero vê se ele irá ficar do seu lado desta vez”. Alcide suspirou, evitou olhar para a vampira. Não iria trair a confiança de seu patrão e Menina Jessica não tinha motivo para toda essa insistência, mais uma vez estava brincando com os seus sentimentos. Provocando, tirando-o do sério. Apenas ela conseguia essa proeza. Ele balançou a cabeça em negativa. Jessica o encarou furiosamente: “Você não irá viajar, pois não colocará os pés fora dessa espelunca.” Jessica segurou o rosto de Alcide com força e o encarou dizendo algumas palavras. Em seguida sorriu de satisfação. -------------------------------Sookita acordou como se tivesse passado a noite em cima de uma cama de pregos, cada parte de seu corpo doía ou fazia algum barulho estranho. Parecia mais uma velha de 90 anos do que uma jovem de 20 e poucos. O sofá do quarto parecia tão confortável, só que dormir nele não era muito agradável. Havia dormido com a roupa da viagem, estava com um gosto desagradável na boca, o cabelo despenteado e o pior era que o banheiro ficava no quarto onde o vampiro estava dormindo graciosamente. Soltou um palavrão alto, olhou para o relógio do seu celular e ainda nem era 5 da tarde.

“Até a minha mala ficou lá...”, falou em voz alta. Suspirou caminhando na direção da varanda que estava protegida com a vedação contra o Sol. Apertou o botão na parede e a proteção começou a subir e o sol quente e delicioso entrando pela janela. Sentou-se numa cadeira na espaçosa varanda, observando ao longe a praia lotada. O mar azul reluzia conforme o sol batia nas ondas. E ela estava presa naquele quarto junto daquele vampiro. Quando criança foi várias vezes para Acapulco com os vizinhos, sua avó não gostava da agitação das cidades praianas. Adorava nadar e não seria nada ruim perder algumas boas horas naquelas águas. Olhou com raiva na direção do quarto, nada daquela porta abrir. Entrou novamente, pegou uma bebida do frigobar e algumas guloseimas. A Autoridade que pagasse tudo. Estava nessa porcaria de missão obrigada, pensou irritada. O sol estava começando a se por, Sookita resolveu tentar acordar Eric de alguma maneira, não iria ficar disfarçando mais o gosto ruim na boca com bala de hortelã. Precisa escovar os dentes, trocar de roupa. Não sonharia em bater na porta e dar de cara com aquele sorriso cínico. Não iria dar o gostinho de vitória para ele. Sentou-se no sofá, e sentiu calafrios ao lembrar-se do dia mal dormido que teve. Suas costas estalaram com a lembrança e seu pescoço também. Pegou o controle da televisão, colocou na Televisa bem na hora da novela Amorcito Corazón1. Por sorte era uma cena dramática, Adelita, a freira, estava se despedindo, e todo mundo chorando sem parar. Seria perfeito para irritar o vampiro. Sookita aumentou o volume, só se escutava vozes, gritos e choros exagerados, como toda boa novela, ela pensou feliz. Ela acompanhava pouco essa novela, estava irritada pela demora dele em acordar. Olhava toda hora para janela, o sol já estava começando a ir embora. E olhava em seguida para a porta e nada. Até que após 15 longos minutos, a porta dupla do quarto foi escancarada e um Eric sonolento e ainda usando apenas a cueca preta falou irritado: “Dá para baixar o volume dessa droga?”, ele passou a mão nos cabelos loiros tentando arrumá-los. Sookita tentou evitar olhar, mas o inusitado da cena falou mais forte. Será que Bill tinha um corpo como aquele? Eric parecia uma escultura grega, tudo milimetricamente no lugar, não tinha gordura nenhuma naquele corpo. As coxas grossas, os pelos claros no peito... O p... melhor parar de pensar. Foco,
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A novela realmente existe e passa no horário das 18hs.

foco, ela pensava. Aquele lá era o Eric, ele era tudo, menos de seu interesse. Bill sim era o seu foco principal, o seu amado Bill. Colocou um sorriso falso no rosto, desligou a televisão e respondeu: “Desculpe, não tive intenção de acordá-lo. Espero que tenha dormido bem.”, enfatizou o bem no fim da frase. “Muito bem. Já de você não posso dizer o mesmo. Parece que foi atropelada por um caminhão.”, ele a olhou debaixo para cima. “Se não fosse tão puritana, poderia ter dormido ao meu lado sem maiores problemas.”, ele deu de ombros. “Nem quero discutir esse assunto, fico com prazer no sofá.”, como doeu dizer isso, pensou mordendo os lábios, só de imaginar outro dia dormindo ali. Ele parecia não se importar com sua presença, foi em direção ao banheiro, fechou a porta e Sookita ouviu o barulho do chuveiro sendo ligado. Sem perder tempo, invadiu o quarto e morreu de inveja daquela cama enorme, desarrumada e convidativa. Será que custava muito dormir ali com ele? Poderia colocar uma barreira de travesseiro entre os dois, sentou-se na cama e soltou um gemido ao sentir o colchão delicioso. Iria encostar a cabeça no travesseiro um pouquinho, só para testar se era bom também. Sem perceber Sookita cochilou deitada de lado com uma perna em cima da cama e outra fora. Acordou novamente assustada sentindo algo pingando em seu rosto, quando abriu os olhos deu com Eric perigosamente perto, apenas com uma toalha em volta da cintura, e completamente molhado. Alguns pingos continuavam caindo em seu rosto, Sookita limpou rapidamente, colocou as mãos no peito dele o empurrando gentilmente. Levantou-se num pulo. “Estou vendo como o sofá te fez bem. Se não fosse tão teimosa.”, ele balançou a cabeça. “Vá se arrumar temos muito que fazer hoje.”, ele disse apontando na direção do banheiro. Sookita quase saiu correndo de perto de Eric, ele definitivamente estava disposto a dificultar a sua vida. Pegou sua mala e frasqueira, entrou no banheiro e bateu a porta com força. Tomou um longo banho, com direito a depilação e a esfoliação na pele. Lavou bem os cabelos, os secou com o secador do hotel, passou hidratante, deu uma ajeitadinha na sobrancelha e quando ia tirar o robe para colocar a lingerie. Eric abriu a porta do banheiro de supetão vestindo impecavelmente um smoking.

“Eric! Pelo amor de Deus, o que você acha que está fazendo? Eu estou nua. Saía daqui, agora” “Não, minha querida, você não está nua, na verdade está usando este robe cafona de hotel. E você poderia terminar logo com isso?” “Eu não me importo com o que você pensa, achei que já soubesse disso. Agora você pode me dar um pouco de privacidade, por favor?” “Não...” “Será que ouvi direito? Você disse Não?” “Ouviu sim, eu não vou sair até nós resolvermos algumas coisas pendentes sobre a missão.” Ela suspirou resignada, apertando o cinto do robe com força em torno do corpo: “Diga logo, faço qualquer coisa para você me deixar em paz.” Ele recostou-se calmamente na porta, ignorando o olhar frio de Sookita e começou a falar: “Você sabe bem que não podemos deixar passar nada nessa festa hoje. Será o casamento da filha do Senador Morales, se leu bem o relatório também sabe que se passará por uma amiga de infância da moça. Não é para deixar buraco e muito menos parecer uma múmia quando eu chegar perto de você.”, mostrou a aliança no dedo dele. “Não se esqueça, minha amada”. “Eu nem imaginava que o Senador era envolvido com essas coisas, ele é futuro candidato a presidência.” “Por isso estou nessa missão. Só eu sou capaz de matá-lo sem deixar pistas.” Sookita quase engasgou quando ouviu isso, não tinha nada sobre assassinar o Senador Antonio Hernandez Morales no relatório, tinha certeza disso, pois tinha lido várias vezes e em detalhes. “Ma...matar...mas não tinha isso no relatório?”, ela indagou num fio de voz. “Não no seu, mas no meu sim. Você acha que eu participaria de uma missão tola fingindo de casado para caçar alguns traficantes de V?”

“Não estou preparada para esse tipo de coisa. Bill não mencionou que seria tão arriscado.” “Se ele dissesse, você não viria. De repente, ele não parece tão correto assim.”, ele deu uma risadinha. “Mas...mas...era para descobrirmos quem são os traficantes que fornecem V para Vale...eu não li errado.” “Sim, eu faço questão de descobrir quem fornece e quem compra. Principalmente para matar o maldito que atirou em mim na missão passada e me jogou nessa fogueira.”, ele passou a mão na nuca ao lembrar o tiro que levou. Sookita ficou pálida. Ele realmente pretendia matar Jason Ricky se descobrisse. Sentou-se na beirada da banheira para disfarçar seu horror. Havia esquecido que o resultado do que descobrissem em Tijuana poderia levar diretamente para seu irmão. “Por que atiraram em você?” Ele deu um soco na porta, quase a rachando no meio: “Porque eu invadi o esconderijo de um dos traficantes, era para matar todos em retaliação ao que estavam fazendo com o V. Um espertinho se escondeu, deu um tiro pelas minhas costas, e fugiu com toda a mercadoria.” Jason não mentiu, infelizmente. Agora ela estava perdida. Como fazer para que não descobrissem sobre ele? Sua cabeça estava doendo, não sabia como agir. Eram muitas informações, ainda mais o futuro assassinato do Senador, um dos mais poderosos e influentes, dono de uma fortuna em minérios. “Como o Senador Morales é envolvido com tráfico de V?”, perguntou tentando não deixar transparecer seu pavor. “Cocaína não rende mais para os americanos, hoje em vida o V é mais valioso e vantajoso de distribuir. O que vai para o Vale é apenas o resto...o bom atravessa a fronteira de Tijuana com San Diego. O Senador não fez fortuna sendo um bom cidadão, mas tendo antigamente estreita relação com os cartéis do tráfico de drogas e agora com a moda da vez, sangue de vampiro.”, ele fez uma careta. “Então é pior do que eu pensava.”, disse Sookita.

“A boa notícia é que eu vou resolver tudo, com sua preciosa ajuda”. Eric deu um sorriso que faria qualquer pessoa tremer nas bases. “Seu vestido está em cima da cama. A Autoridade não poupou despesas dessa vez.”, ele saiu do banheiro caminhando em direção a porta do quarto. Fechou rapidamente e sumiu do outro lado. Sookita desabou no chão do banheiro. Maldita hora que caiu no papo de Eric, justo ele. Como acreditou que ele queria reencontrar a fé? Como foi estúpida...ou quis acreditar mesmo? ------------------------------------Sookita ainda olhava-se assustada no espelho do closet, a cabeleireira tinha acabado de deixar o quarto. Seu cabelo estava preso num lindo coque moderno, seu rosto maquiado sem excessos, totalmente diferente de quando foi na boate. E o vestido vermelho era o mais lindo que já tinha visto, estilo sereia com drapeados até abaixo da cintura. Ela não se lembrava de já ter se sentido tão bonita, em toda sua vida! Só estava incomodada com o decote tomara que caia, não era acostumada com essas coisas, ficava toda hora puxando para cima. Inclusive, sentia medo de tropeçar no vestido e cair. Por sorte não estava usando um salto tão alto, era médio, seus pés e coluna agradeceriam ao final da festa. Pela primeira vez não estava se sentindo inferior ao vampiro que a esperava lá fora. Não faria feio, sentia uma ponta de orgulho por aparecer dessa maneira na frente dele. Respirou fundo, abriu a porta dupla do quarto, desceu com cuidado os degraus em frente e discretamente procurou Eric com o olhar. Ele não estava ali, Sookita ficou desapontada e irritada ao mesmo tempo por sentir isso. Sookita encontrou Eric ao lado do elevador, encostado na parede. Ele mexia no seu celular, visivelmente entediado. Quando ela se aproximou ele apenas balançou a cabeça positivamente, mas não disse uma palavra. Eric apertou o botão do elevador. Sookita tentava não pensar no quanto estava desconsertada, pelo menos alguma coisa esperava ele dizer, mesmo que fosse alguma grosseria. Entraram em silêncio no elevador, estavam indo para o lobby, a festa aconteceria num luxuoso salão ao lado do cassino. Ela arrumava de vez em quando o decote, fazia falta ter peitos maiores, ela pensou. Olhou de canto de olho para Eric, ele estava impassível teclando no celular.

“Vai ficar mexendo toda hora nesse decote?”, ele comentou repentinamente. Sookita sentiu o coração disparar ao ouvir a voz dele e respondeu sem pensar: “Eu não estou acostumada em me vestir assim.” Ele apenas balançou a cabeça novamente. A porta do elevador se abriu e mais pessoas entrara, tiveram que se afastar para o canto. Sookita estava preocupada em alguém pisar na cauda do vestido e estragar tudo. Eric apertava a sua cintura com uma das mãos, reparou no quanto eram grandes. Chegaram ao lobby, caminharam até a recepção, ele ainda a segurando na cintura, conduzindo-a pelo caminho. Ele murmurou baixinho no seu ouvido antes de entraram no salão: “Lembre-se somos Julian e Ramona Castela.” “Quero descobrir quem foi o gênio que me deu esse nome.”, fez uma careta. “Deve ter sido Bill.” O segurança confirmou o nome dos dois numa listagem, só faltava ter revista de tanta segurança que tinha no local. Reparou que alguns estavam armados, notou pelo olhar que Eric também percebeu. Sookita ficou boquiaberta com o luxo da festa, o local era enorme, com uma pista de dança no meio do salão. Ao redor muitas mesas redondas para seis pessoas, com decorações de flores de todos os tipos. Lustres que pareciam de filmes em vários pontos no teto jogavam uma luz discreta, dando um clima intimista, apesar do número enorme de convidados. Havia gente para todos os lados. E percebeu o motivo de Eric não ter dado a mínima para como estava vestida, tinha mulheres magníficas desfilando pelo salão com corpos a La Jennifer Lopez. Ele a puxou na direção do bar que ficava perto do DJ que ainda não estava tocando, afinal os noivos não haviam chegado. Pediu alguma coisa para o bartender, ela não ouviu direito com todo o burburinho de pensamentos alheios em sua mente. Ele estendeu para ela uma taça com sal na borda e uma bebida meio amarelada. “Beba. Está parecendo Alice no País das Maravilhas”. Sentiu um geladinho da bebida descendo pela garganta e o gosto salgadinho nos lábios. Nunca tinha provado algo tão saboroso antes, sua avó não deixava

que bebesse. Jason sempre fez escondido. Sookita não tinha coragem de mentir para sua avó naquela época, só havia bebido cerveja algumas vezes e algumas tequilas por insistência de Tara. Isso era totalmente novo para ela. “Hum, o que é isso?” “Frozen Margarita, as mulheres que saio sempre pedem isso. Serve para quebrar o gelo.”, ele riu. Sookita deu de ombros, não queria saber detalhes da longa lista amorosa dele.

“Você não parece ser o tipo que precise quebrar o gelo.”, comentou com desdém. “Como tipos com você sim.”, ele estendeu outra taça. “Não comece Eric, ou devo dizer, marido?” “Agora está entrando no clima, estou gostando de ver.”. Ele sorriu enquanto a observava bebendo a segunda taça. Sookita bebeu de uma vez a bebida que continuava descendo deliciosa por sua garganta, estava até assustada por agir dessa maneira. Seria a tensão da situação? Por estarem em território desconhecido com todos aqueles seguranças? Acompanhava com o olhar os outros convidados da festa que desfilavam como se estivessem numa passarela. Reparou que muitas mulheres lançavam olhares cobiçosos para Eric, o seu marido de mentirinha. Não conseguia evitar “ouvir” os pensamentos delas, algumas o achavam gostoso, outras queriam dormir com ele, e ficavam chocadas por ele ter a companhia de uma “loira tão sem graça”. Talvez bebesse outra taça para não ser obrigada a ouvir em detalhes os desejos sexuais alheios, ainda mais envolvendo Eric. -----------------------------------“Eric, cadê a noiva? Eu quero ver a noiva. Será que o noivo é bonito? Será que eles se amam como nas novelas? Cadê eles? Cadê?” “Acho melhor você parar de beber, pelo jeito não é muito acostumada.”, ele tirou a quarta taça da mão dela. “Nãooooo! Me dá isso aqui... você não manda em mim, você não é...”

“O quê, seu pai? Controle-se, as pessoas já estão olhando pra nós”. Esta última parte Eric cochichou no ouvido de Sookita. “Isso faz cócegas Eric...para!” “Eu achando que uma bebidinha iria te fazer sair do estado Madre Teresa, mas não imaginava que iria diretamente para Lindsay Lohan.”, ele balançou a cabeça, segurando o braço dela com força. “Lindsay quem? Não conheço não...é o nome da noiva?”. “Deixe pra lá. O importante é que você tente se recompor. Como irá me ajudar se não consegue nem mais colocar um pé na frente do outro?”, disse rispidamente. Eric começou a se afastar do bar trazendo Sookita junto de si. Ela estava com o rosto vermelho, os olhos estalados e rindo por qualquer coisa. “Eric? Eric? Olha pra mim...olha...está vendo aquela ruiva ali, aquela ali com os peitos enormes? Ela esta pensando em fazer um negócio chamado boquete em você...quer pegar no seu...como é? Pau...acho que é isso.... E quando a gente chegou aqui, tinha uma pensando em um tal de 69. Será que ela acha que aqui é um cassino? O cassino fica do outro lado, não é? E por que você tem que ir junto? Você é um bom jogador?” Ele agora corria pelo salão com ela indo na direção do banheiro feminino. Várias pessoas viraram o rosto quando ouviram a palavra boquete. Justo quando não podiam chamar a atenção. Sabia que tinha sido um erro trazer essa telepata junto, ele não precisava desse estorvo numa missão tão importante. No momento que chegaram à porta do banheiro, várias mulheres saíram apressadas. Eric olhou na direção da entrada e os noivos haviam chegado empolgados. A maioria das pessoas se afastaram e foram na direção deles. Eric abriu a porta do banheiro com uma mão, segurando Sookita com a outra. Não tinha ninguém. Entrou com ela, por sorte havia um sofá no meio do enorme banheiro. Sentou Sookita ali e em seguida trancou a porta do local. “Se eu jogar água na sua cara a maquiagem vai sair toda...não vai ficar bonito de se ver.” Sookita estava pálida, dizendo que queria vomitar, colocava a mão na testa. Eric obviamente já tinha visto mulheres bêbadas, a maioria no Santo Martillo,

mas nunca viu uma mulher se embriagar em tão curto espaço de tempo. Eric não sabia muito como proceder em situações como esta, os seus funcionários eram quem cuidavam neste tipo de assunto humano em seu estabelecimento. Tentava se lembrar de como eles faziam quando foi interrompido por Sookita. “Eu não consigo respirar direito, este vestido está me matando... Acho que vou desmaiar.” “O que você quer que eu faça? Quer ficar nua aqui no banheiro?”, ele abriu os braços. “Ficar nua....daria tudo para ficar nua agora. Me sentir livre, sem nada me sufocando. Eric, você pode abrir meu zíper...pode? O vampiro demorou um pouco para entender o que ela queria. Agora ele serviria para abrir o zíper. Horas atrás ela estava revoltada pela possibilidade de dormirem na mesma cama. “Anda logo, anda...”, ela batia no peito parecendo que estava sufocando. Eric sentou-se ao lado de Sookita no sofá, virou ela de costas para ele abrindo lentamente o zíper que terminava um pouco abaixo da cintura. Ela respirou aliviada, quase gritou de felicidade. “Não imaginava que ficar bonita machucava tanto.” Sookita estava usando um corpete preto de renda por baixo do vestido. Eric não pode negar que a visão era bem interessante. Na verdade, ela parecia uma outra mulher neste momento, sem toda aquela mascara de mulher pura e perfeita. Seminua, com o rosto corado e um leve suor se formando em seu colo. Ele sentiu uma excitação em seu corpo, se fosse em outro momento não estaria perdendo tempo com seus pensamentos. Ela se assustou quando se viu num dos espelhos do banheiro. Parecia uma qualquer, uma leviana, igual aquelas moças que abominava quando saíam bêbadas do bar do Sam. “Meu Deus, nunca mais irei beber na vida. Olha o meu estado. Padre Antônio jamais me perdoaria se me visse assim.”, ela choramingou. Isso foi o suficiente para que Eric despertasse do transe que se encontrava. Como ele poderia ter esquecido que ali na frente dele estava Sookita Montenegro, a mulher mais certinha das redondezas.

De repente ouviram uma batida na porta, Sookita deu um salto e começou a se arrumar desesperadamente. Eric levantou-se também e a puxou pelo ombro, ele podia sentir a respiração dela no seu peito, se encararam por alguns segundos. Virou-a de costas mais uma vez e fechou o zíper rapidamente. “Estou me sentido melhor, só preciso um pouco de ar puro.”, disse envergonhada. Caminharam na direção da porta, Eric destrancou e deu com vários olhares irritados de outras mulheres plantadas ao lado de fora esperando para entrarem no banheiro. Sookita saiu em seguida sentindo o sangue queimar o seu rosto de tanta vergonha. Eric a puxou pela cintura e disse em voz alta: “Ela não consegue se saciar tem que ser até no meio de uma festa.”, ele a beijou no pescoço e saíram pela porta. “Eu não a culpo, é só olhar para você.”, uma mulher disse, mas a esta altura Eric já estava longe e não saberia identificar quem havia dito isso. “Aquela mulher estava dando em cima de você na minha cara. Não vai fazer nada?”, ela ainda tentou brincar sentindo-se feliz por conta de toda bebida que tomou. “Sookita você precisar manter o foco. A missão, lembra? Pois é...acho melhor você ir dar uma voltinha lá no jardim, que irei procurar o senador, dar uma checada no ambiente. Já houve distrações demais por hoje.”, ele disse a frase final de maneira severa. Ela reparou que os noivos estavam no centro da pista de dança, dançando uma valsa. E os convidados em volta aplaudindo. Assistiu até o final, e perdeu Eric de vista. A noiva, sua suposta “amiga de infância”, parecia muito feliz. Agora a bebedeira já havia passado um pouco, mas ainda sentia uma zonzeira. Tinha que se manter firme para caminhar. Havia portas duplas de vidro que davam para um bonito jardim, o hotel era realmente um luxo, e sem dúvida não era para o seu bico. Pensou em como Bill estaria agora, fazia um tempo que não pensava nele, sentia-se culpada, nem tinha ligado para ele. Nunca tinha feito isso antes, a missão exigia muito de sua atenção, mas quando voltasse o recompensaria. O jardim estava vazio, afinal, todo mundo estava na festa. Sookita respirou o ar profundamente, sentiu o cheiro das flores, da noite, o luar batendo calmamente em seu corpo. Caminhou por uma das trilhas toda arborizada com vários bancos e flores de vários tipos parecidas com as da mesa na festa.

Já estava por ali fazia um tempinho, quando começou a fazer o caminho de volta bateu de frente com alguém. Ouviu uma reclamação, se afastou e deu de cara com o Senador Morales. Sentiu vontade de desmaiar de susto. Ele estava segurando um cigarro e disse alegremente: “Não é toda vez que dou sorte de topar com uma mulher tão bonita enquanto venho fumar escondido.” “Oh, desculpe Senhor...eu não queria interromper.” “Senhor está no céu, pode me chamar de Antonio. Acho que nunca a vi antes, é parente do noivo?” Ela engoliu em seco, agora era o momento que estava esperando, mas não imaginava que seria sozinha com o senador. E onde estaria seu marido? Pensou olhando para os lados. “Não, não, sou amiga da noiva. Sou Ramona...” “Ah, realmente, minha filha tem muitas amigas. Mas raramente esqueço das amigas bonitas dela.”, ele deu uma piscadinha. Sookita não acreditava que ele estava dando em cima dela desse jeito, sem disfarçar. Os pensamentos dele não eram muito agradáveis, ele a estava imaginando amarrada numa cama, com chicotes, dando tapas. Ele usando uma roupa preta, colante no corpo. Quase fez uma careta de nojo. Mais do que nunca desejava a presença de Eric. “Ah, desculpe, mas sou amiga de infância...acho que o senh...Antonio não iria lembrar.” Ela o observou melhor, ele deveria ter quase uns 60 anos. Não era gordo, era alto, não tanto quanto Eric, mas tinha uma certa presença, como todo homem no poder. Era moreno, os cabelos bem cortados e curtos, um bigode estilo do Bill, pelo jeito era mania de político. “Nunca é tarde para se conhecer alguém, espero que retome a amizade com minha filha quando ela voltar da lua-de-mel.” “Ramona também está em lua-de-mel.”, Sookita estremeceu quando ouviu a voz de Eric. Ele chegou sorrateiramente por trás do Senador. Será que estava ali fazia algum tempo? Ela ponderou.

“E o senhor é?”, o senador já não aparentava mais o jeito amigável de antes. “Julian Castela, marido de Ramona Castela”, ele apontou na direção dela. “Parabéns aos dois pombinhos.”, disse para Eric e Sookita. “Obrigado, Senador Morales, desejamos o mesmo para a sua filha.”, Eric retrucou. Antes que pudessem continuar, uma mulher apareceu ali chamando o senador para fazer o brinde aos noivos, o jantar seria servido em seguida. “Espero que gostem da festa. E foi um prazer conhecer uma amiga de infância de minha amada filha.”, ele pegou a mão de Sookita e a beijou longamente. Acenando a cabeça para Eric e saindo em seguida. “O que ele queria com você Sookita?” Eric foi logo perguntando assim que o senador se afastou. “Não gostei de “ler” os pensamentos dele. Envolviam sexo e comigo.”, ela sentiu um calafrio. “Pelo menos nos apresentamos para ele, você se saiu bem. Ele pareceu bastante interessado”, Eric deu um tapinha nas costas dela. “Não do jeito que eu gostaria.”, ela disse tristemente. ---------------------------------O jantar tinha sido delicioso, agora estavam na sobremesa. Sookita nunca tinha comido algo tão bom antes, tão requintado. Desse jeito ia ficar mal acostumada. Havia outros vampiros na festa, assim como Eric, se alimentaram de TruBlood. Estavam numa mesa com outros dois casais, mais velhos que não paravam de falar. Eric como sempre se saía bem nessas situações, inclusive contando como conheceu sua “amada esposa”, Sookita apenas sorria e concordava com a cabeça. Distraidamente ela olhava para os casais no salão dançando e interagindo. Sentiu uma ponta de inveja e vontade de dançar um pouco, gostaria de deslizar pelo salão com aquele vestido lindo, não imaginava quando usaria algo assim novamente. Lançou um olhar para Eric e pelo jeito ele havia entendido o que ela desejava. Ele disse sussurrando em seu ouvido:

“Você sabe, pelo bem da missão. Todos os casais já dançaram ou estão dançando. Vamos?” Ela concordou com a cabeça, ele se levantou da mesa, pegou na mão dela e a conduziu até a pista. O Senador Morales acompanhava Sookita e Eric com o olhar, estava intrigado com aqueles dois. Sua filha não recordava de ter sido amiga de uma moça chamada Ramona. Pensou por alguns minutos, observando os dois dançando. Chamou seu assistente pessoal e fez um pedido: “Quero que descubra tudo sobre Julian e Ramona Castela.”

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