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FASES DO DESELVOLVIMENTO INFANTIL Olá caros leitores Este artigo pretende propiciar algumas noções das linguagens e desenvolvimento

infantil. Com isto vocês conhecerão um pouco de Jean Piaget, onde juntamente com ele, diversos educadores deixam claro em considerar, que os primeiros anos de vida de uma criança são muito importantes para seu desenvolvimento físico, emocional, social e mental. Jean Piaget preocupou-se em explicar a psicologia genética, onde como a criança adquire conhecimento e como se desenvolve. É conhecida como a teoria da inteligência, do desenvolvimento cognitivo. Para Piaget as crianças adquirem conhecimento por meio de: - ações sobre os objetos - de experiências cognitivas concretas ( experimentações diversas ) - elas constroem o seu conhecimento intelectual em estágios, tais como ? Sensório motor ? zero a 2 (dois) anos ? Pré-operatório ? 2 a 7 anos ? Operatório concreto ? sete a 11 anos ? Operatório formal ? onze a 15 anos SENSÓRIO MOTOR ? zero a 2 anos ? Nesta fase a criança explora o mundo através dos sentidos, isto é ? Ela precisa tocar, ? Provar objetos Esta exploração não é intencional, ela ocorre acidentalmente, por reflexos. PRÉ-OPERATÓRIO ? de 2 a 7 anos ? Educação pré-escola ? Nesta fase apresenta estágios diferenciados ? Estágio egocêntrico ? De 2 a 4 anos ? Estágio intuitivo ? De 5 a 7 anos - aparece a função silábica ? coisas que começam a ser representadas por símbolos como: a) Uma vassoura é um cavalo b) uma cadeira empurrada é um trem, etc FASE PURAMENTE EGOCÊNTRICA ? a criança pensa que todos pensam como ela. - a noção de espaço, adquirida por volta dos 2 anos, antecede a noção de tempo, que só é adquirida por volta dos 4 anos. ? - nessa fase dos 2 anos a criança ainda não consegue entender transformações mesmo que elas ocorram na sua presença ? - não ocorre raciocínio lógico ? - a percepção é que orienta o seu conhecimento OPERATÓRIO CONCRETO 7 a 11 anos A criança já consegue usar a lógica para chegar às soluções da maior parte dos problemas concretos. Entretnto, sua dificuldade aumenta quando se trata de lidar com problemas nãoconcretos. OPERATÓRIO FORMAL 11 aos 15 anos

O Pré adolescente e o adolescente Seu pensamento lógico já consegue ser aplicado a todos os problemas que surgem ? O que não implica dizer que todo adolescente é totalmente lógico nas suas coes CONCLUSÃO GERAL Piaget destaca também que desenvolvimento das operações mentais depende de um meio rico de estímulos. Em u ambiente adequado e propício, a criança desenvolve suas potencialidades, favorecendo assim não só seu crescimento físico, como emocional e social. Cabe, então, já pré-escola um papel importante nesse processo e, os professores e educadores em geral, o de estimulador e agente desse desenvolvimento. A CRIANÇA PRÉ-ESCOLAR REFLETE A POLÍTICA EDUCACIONAL VIGENTE HOJE NO BRASIL ? Creche ou berçário- zero a 3 anos ? Maternal ? e 3 e 4 anos ? Jardim ? divididos em I e II ? 4 e 5 anos ? Pré escola- 5 e 6 anos Nesse período as crianças apresentam habilidades que nos permitem a sistematização. Exploração dessas habilidades em todos os sentidos. CARACTERISTICAS DESSAS FASES 1 fase crianças de 3 a 4 anos ? A atividade motora está em primeiro lugar ? A criança tem desembaraço e espontaneidade ? Imita facilmente os movimentos que observa nos outros ? Melhora a coordenação dos movimentos ? Principalmente na vertical e na horizontal ? Desenvolve o equilíbrio para cima e para baixo ? O sensório-motor é bem intenso ? Aos três anos anda de velocípede, joga bola, corre, vira rapidamente, salta para cima e para baixo ? É capaz de executar jogos de encaixe e construções de pequenas torres ? Recorta papel com as mãos ? Brinca com massa de modelar ? Os lápis as atraem, rabiscam por todos os lados e em todos os sentidos ? ESTA EXPERIMENTAÇÃO LIVRE LHE PERMITE DESCOBRIR AS POSSIBILIDADES DO MATERIAL E DAS MÃOS ? Aos 4 anos sobe cadeiras, mesas, salta num pé só, carrega copos ou xícaras com líquidos sem derrubar, desde que não estejam tão cheios ? Aprende a se vestir ? Abotoa roupas ? Amarra sapatos ? Se penteia ? Escova os dentes e presta pequenos serviços em casa ? É preciso que os adultos a estimulem, em vez de fazer tudo por elas ? É capaz de copiar uma figura geométrica simples ? Desenha com prazer e às vezes seus desenhos são reconhecidos ? Usa pincel e gosta de estímulos com pinturas livres ? Consegue usar tesoura sem ponta e se esforça em cortar certo ? Descobre a realidade exterior a ela, começa a ver o mundo como ele é ? Compreende a necessidade de fazer bem feito o que lhe é solicitado ? Sua atitude é mais realista e objetiva ? Seu vocabulário passa de 1000 palavras e melhora sua comunicação verbal ? Mantém longas conversas longas e em suas frases entra muito o "eu".

? Segue instruções se bem dirigida ? Tem iniciativa própria ? Tem grande interesse pelo mundo ? Quer saber o tempo todo ? Como, por que das coisas, por isso pergunta sempre. ? Comove-se ao ouvir história, gosta de reproduzir as histórias utilizando a linguagem corporal ? Na dramatização não mantém o mesmo papel por muito tempo ? Conta histórias com ficção e realidade, usa fantasia e encontra pretextos com muita facilidade ? Nessa fase realiza o maior número de cantos sociais ? Diverte-se menos com jogos individuais ou solitários ? Não é indiferente a presença de companheiros e explica-lhes o que está fazendo ? ATENÇÃO ESSA CONVERSA AINDA NÃO É COLABORAÇÃO ? ELA AINDA É EGOCÊNTRICA ? É exibicionista ao extremo ? A colaboração é pequena, dependendo muito do meio em que vive ? Começa a aceitar brincadeiras em grupos pequenos ? Descobre-se a si mesma através destas relações de igualdade, sente-se uma entre muitos ? Aparece a competição por ocasião das atividades comuns CRIANÇAS DE 5 ANOS ? A atividade sensório-motora aumenta ? Orienta-se pelo resultado e não mais pela simples satisfação ? Ganha mais desembaraço e ousadia ? Pode pular corda, ? Patinar, andar de bicicleta, subir na mesa e saltar para o chão, trepar em árvores ? Executa exercícios de provas físicas ? É ágil e tem maior controle corporal e equilíbrio ? Maneja lápis com mais segurança ? Desempenha formas de relação entre si ? Descobre valor representativo de desenhos começando a utilizá-los como expressão de pensamentos ? Apega-se ao realismo ? Aumenta sua capacidade de atenção ? É mais responsável e prática ? Guarda seus brinquedos de forma ordenada ? É capaz de comparar, tem percepção de ordem, forma e detalhe ? O sentido de tempo e duração se desenvolve ? Seguem enredo de histórias com atenção, sendo capaz de repetir muitos trechos ? A linguagem ganha coerência e clareza , facilitando a comunicação, o desenvolvimento social, intelectual e emocional .ATENÇÃO é aqui que devemos ter muito cuidado nesta fase. ? As perguntas diminuem, mas quando surgem são mais sérias ? Seu vocabulário chega a 2 mil palavras ? Melhora a comunicação e a interação ? Distingue mão esquerda de direita ? Não desenvolveu ainda o raciocínio lógico ? É capaz de interiorizar percepções e ações, mas ainda continuam no concreto, tem apenas pensamento intuitivo, o que ignora liga a sua própria experiência ou às explicações dos adultos ? Aos 5 anos torna-se mais sociável ? É mais amistosa do que hostil ? Os desejos dos companheiros começam a ser mais considerados, com promessas compensatórias, mas ainda se coloca em primeiro lugar ? Já tem sentido de grupo

? Aparece a regra no brinquedo ? O acordo e a combinação prévia entre os participantes contribuem para a socialização ? Quando as crianças não estão de acordo preferem resolver de seu modo , sendo dispensável a intervenção dos adultos ? Nas discussões ou brigas são mais freqüentes quando envolvem objetos pessoais.

SEIS ANOS A atividade nessa fase é constante ? A criança tem maior controle da musculatura fina ? Tem consciência das mãos como instrumento ? Equilibra conscientemente o corpo no espaço ? Tem melhor desenvolvimento motor ? Melhor acuidade visual e auditiva ? Gosta de jogos agitados ? Salta mais alto que pode ? Quer correr mais que todos ? Constrói torres mais altas que ela ? Pode fazer pular uma bola e pegá-la com facilidade ? Experimenta usar ferramentas ou costurar com pontos largos ? É muito ativa e o ritmo é bem desenvolvido ? Começa a ganhar força ? Impõe-se tarefas mais precisas a medida que o meio lhe restringe a liberdade de movimentos ? A grande expansão do desenvolvimento intelectual ? Certo nível de maturidade é atingido ? Adquire conhecimentos variados ? A linguagem está completa ? As necessidades sociais e culturais são incorporadas ao pensamento, contribuindo para estruturá-lo. ? Com o apoio da linguagem, as classes lógicas se constituem gradualmente ? Os conceitos ganham precisão ? Imensa curiosidade e necessidade de comunicação A PARTIR DO SEXTO ANO A sociedade impõe as crianças novas formas de contato social, novos conhecimentos e novos modelos de comportamento. Ela consegue adaptar-se a grupos cada vez maiores, é muito sociável. Faz questão de não destoar do resto do grupo. É sensível ao estado emocional de outras pessoas, principalmente ao dos pais. Não trata bem os irmãos menores sem a supervisão dos pais, nem colegas, sem a dos professores. Precisa de normas para dirigir sua conduta. Gosta de brincar em grupo, porém tem ciúmes dos amigos. Fica feliz ao ser elogiada. É muito mais fácil conseguir dela um comportamento adequado através do estímulo do que pela censura. Então deixo aqui esta pequena parcela de contribuição para todos aqueles que necessitam, ou tiverem alguma dúvida sobre o tema, atenciosamente, Professora Solange.

EDUCAÇÃO INFANTIL
OBJETIVO PEDAGÓGICO

Quando

ingressa

na

Educação

Infantil,

a

criança

inicia

uma

nova

trajetória

de

desenvolvimento. Nesta etapa, ela ganha segurança no andar e mergulha definitivamente na descoberta da oralidade. As atividades propostas pelo EN Infantil visam ampliar as oportunidades de interação da criança com diferentes situações e temáticas, enriquecendo sua rotina para a construção de sua identidade e vínculos afetivos com o mundo ao redor. Seguindo o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil, objetivamos contribuir com a formação de um cidadão autônomo que consiga acompanhar as transformações e mudanças do mundo moderno.

INFANTIL III Nessa fase visamos explorar atividades que desenvolvam a criança fisicamente, socialmente e psicologicamente, estimulamos a linguagem oral através de histórias, dramatização e brincadeiras, respeitando, sempre, as diferenças individuais de cada um. Idade que vai de 2 anos e 6 meses a 3 anos e 6 meses. INFANTIL IV Nessa fase, visamos o desenvolvimento da criança nos principais conceitos básicos do esquema corporal, da orientação espacial, da organização temporal, do ritmo, da coordenação viso-motora, além de, buscar o desenvolvimento da linguagem como forma de comunicação. Idade que vai 3 anos e 6 meses a 4 anos e 6 meses. INFANTIL V Nessa fase visamos o desenvolvimento integral da criança através de uma evolução harmoniosa nos aspectos biológicos, físico-motor, cognitivo e afetivo-emocional, dando realce à coordenação motora e ao preparo para a escrita (período preparatório). Buscamos o desenvolvimento da linguagem como forma de comunicação e ampliação do pensamento. Temos a preocupação com a pronúncia correta dos fonemas (prontidão para o 1º Ano – Alfabetização). Procuramos desenvolver conceitos básicos de cidadania, respeito mútuo, cooperação e colaboração com os colegas e todos os funcionários da escola, bem como a importância e o cuidado com a natureza. Através de conceitos básicos e material concreto buscamos o desenvolvimento do raciocínio lógico matemático. Idade que vai de 4 anos e 6 meses a 5 anos e 6 meses.

formando conceitos e organizando o esquema corporal e a psicomotricidade contribui de maneira expressiva para a formação e estruturação do esquema corporal e tem como objetivo principal incentivar a prática do movimento em todas as etapas da vida de uma criança. que colabora diretamente no processo de alfabetização. Clique para Ampliar . Por meio de atividades recreativas as crianças desenvolvem suas aptidões perceptivas como meio de ajustamento do comportamento psicomotor.Musicalização A música. criam. socializa e sensibiliza a criança. Por meio de atividades dinâmicas. a criança busca experiências em seu próprio corpo. fator importante em todas as fases da vida. interpretam e se relacionam com o mundo em que vivem. na coordenação motora e no desenvolvimento da parte auditiva. as crianças. além de suas atribuições próprias. ainda. desenvolve seu poder de concentração e raciocínio. mental e no equilíbrio sócio-afetivo. além de se divertirem. auxiliando. .__________________________________________________________ AULAS ESPECIALIZADAS Na Educação Infantil. A recreação dirigida proporciona a aprendizagem das crianças em várias atividades esportivas que ajudam na conservação da saúde física.

o aprimoramento do senso estético. não é só uma ação pedagógica. .Clique para Ampliar Escolinhas Esportivas -Dança A dança é uma atividade que prioriza uma educação motora consciente e global. emocional e intelectual. não podemos deixar de destacar sua relevância para a cultura corporal de movimento da escola e sua conseqüente influência na aprendizagem sociocultural e motora das nossas crianças. Clique para Ampliar . mas também psicológica com o fim de normalizar ou melhorar o comportamento da criança.Futebol na categoria chupetinha O futsal é o esporte mais popular do Brasil e. por isso. e o prazer da atividade lúdica para o desenvolvimento físico. além de proporcionar o resgate de valores culturais.

Além.Xadrez É de grande importância este jogo para o desenvolvimento dos processos psicológicos básicos da criança. EN INFANTIL. levando os alunos a se relacionarem com o mundo atual como cidadão consciente.Aulas de Flauta A iniciação musical na Educação Infantil estimula as áreas do cérebro da criança que vão beneficiar o desenvolvimento de outras linguagens. moral e social das crianças. que constituem referência em todo o país. o xadrez é uma das melhores lições que uma criança pode obter na escola que é como organizar seu pensamento. dinâmico. Elas vão. crítico. é claro. abordando metas de excelência educacional. construindo seus conhecimentos e organizando noções através de sua interação com o meio. Pensando no crescimento intelectual. ético. emocional. construindo hipóteses que lhes pareçam razoáveis. Sabemos que as crianças procuram ativamente aquilo que vivenciam. LUGAR DE CRIANÇA FELIZ! . . responsável.Clique para Ampliar . portanto.Bambinos em Destaque A EN Infantil baseia seu trabalho nos parâmetros curriculares nacionais. solidário e feliz. cognitivo. de ser um grande barato! . e esta valiosa lição pode ser obtida mediante o estudo de xadrez.

Sabemos que as crianças procuram ativamente aquilo que vivenciam. construindo hipóteses que lhes pareçam razoáveis. a respeitar a opinião do outro. Elas vão. autônomo. aprenda a argumentar.Clique para Ampliar PROJETOS Os Projetos possibilitam o desenvolvimento de habilidades cognitivas. transformando o meio através de suas ações. ativo e participante. crítico. construindo seus conhecimentos e organizando noções através de sua interação com o meio. e a ter uma postura crítica diante da vida. portanto. A criança é mediada pelo professor para que reflita. Apresentação de Paradidáticos . a investigação e a formação de conceitos. A criança deve ter oportunidade de se tornar um indivíduo questionador. o raciocínio. Essas habilidades incluem. entre outras.

De acordo com Gil (2004. de modo que possam interferir e transformá-la em um espaço com vista ao bem comum e principalmente a prática da cidadania. A formação de indivíduos críticos e atuantes. p. dinâmicas. Sendo assim. já o desenvolvimento corresponde a um conjunto de fenômenos que se refere a evolução neuropsicológica e motora da criança. pois é preciso que se tenha um desenvolvimento integra. refletidas num projeto político pedagógico calçado como objeto de norteamento. atuantes e conscientes é pensar também em alternativas que valorizem a realidade educacional dos aprendizes. portanto. pois não existem formas educar se não tendo como base o respeito desde cedo sendo instigado. a prática educacional na formação dos indivíduos deve configurar numa proposta aberta. que desenvolvem aptidões para os desafios da vida adulta. Pensar a importância da educação na formação de indivíduos críticos. criando ambientes dinâmicos e estimuladores que favoreçam mais. flexíveis. por isso é fundamental que se possa oferecer condições a criança de ter um desenvolvimento sócio-afetivo adequado e desenvolver também a sua capacidade de aprendizagem respeitando os limites de cada idade. nutricionais e psicológicos. a efetivação da aprendizagem. baseado agora num olhar maior sobre a democratização e o processo de socialização de saberes que conseqüentemente tende a levá-lo a autonomia. O presente estudo foi realizado a partir de muitas fontes de informações em pesquisa exploratória com levantamento de revisão de literatura sobre o tema estudado. exige das escolas um novo modo de envolvimento do educando na produção do seu próprio conhecimento. Como defendeu Piaget é fundamental ainda que o elo exista entre professor e aluno para que se possa existir um processo de aprendizagem relevante. O presente estudo tem por objetivo: Verificar a importância de compreender o desenvolvimento infantil até a adolescência como forma de dinamizar o processo de aprendizagem. O crescimento corresponde ao ganho de massa corporal registrado ao longo da vida. biológicos. social. . ajuda muito na formação dos indivíduos. A boa qualidade de vida favorece ao desenvolvimento saudável da criança em todos os aspectos.32) as pesquisas exploratórias e descritivas são fundamentais para a realização de um trabalho mais aprofundado sobre o tema abordado. reflexão e análise por toda comunidade escolar. ou seja. Os fatores que favorecem a boa qualidade de vida e desenvolvimento são os fatores genéticos. a educação seja ela infantil ou não deve começar desde cedo instigar os indivíduos a respeitar os demais. Quando o ambiente em que a criança cresce oferece estímulos para os sentidos. DESENVOLVIMENTO INFANTIL Uma criança apresenta dois aspectos distintos de evolução: o crescimento e o desenvolvimento. habilidades físicas e para a inteligência formal. psicológico.Clique para AmpliarINTRODUÇÃO O desenvolvimento da criança é um fator relevante em todos os aspectos.

o aluno tem conhecimentos próprios e adquiridos que devem ser associados e interagir. uma vez que se volta para os jogos e atitudes dos demais. quando diz que a linguagem e a visão de mundo interfere na leitura de mundo e da palavra.Para Muoura et al (2009. p. a criança trabalha encima de seus reflexos inatos (sugar. nunca se deve desprezar o conhecimento que o aluno traz para a escola. 2001. A criança de seis anos multiplica suas experiências a partir do convívio com novos colegas em ambiente escolar. para que assim se possa ter uma aprendizagem adequada e eficiente. porque com seus movimentos físicos a criança dirige as sensações provenientes do meio. engolir. e as funções do seu comportamento social modifica-se intensamente em face dessa ou daquela fase etária. A criança precisa de um ambiente saudável para crescer. Sendo assim. O convívio social é fundamental para o desenvolvimento intelectual e afetivo da criança. Segundo o autor é função do professor lembrar e fazer associações da linguagem e o conhecimento científico com a linguagem e o conhecimento do educando.) e aprende a se movimentar e dirige as sensações na construção do objeto. Para Vygotsky. O primeiro estágio é o da inteligência sensório-motora. com novos conhecimentos adquiridos. e vice-versa. Por isso o comportamento social deve ser visto como comportamento reiterante refratado em função do desenvolvimento social do organismo. o Estatuto da Criança e do Adolescente o ECA. Concorda com ele Freire (1997). Piaget chama este nível de sensório motor. P. ou seja.1) Piaget defende a inteligência e seu desenvolvimento em estágios.278). etc. defende ainda que é necessário uma interação social apra que se possa ter uma cognição desenvolvida. . Anúncios Google A criança passa efetivamente por muitos estágios de adaptação ao meio social. tem evoluído de forma a garantir os diretos aos pequenos de crescerem com dignidade. Nesse contexto ocorrem mudanças rápidas surgidas pela vivencia escolar. tossir. (VYGOTSKY. ao mesmo tempo que integra o aluno no seu contexto. agarrar. e sim associar e melhorar os mesmos.

Aos oito anos.100). aa dignidade. á cultura. Sua oscilação de humor é quase constante. além de coloca-los á salvo de toda forma de negligência. ao respeito. o Estado e a sociedade como um todo tem responsabilidades para com as crianças. ART. as meninas se mostram mais interessadas nas conversas de adultos e uma certa repudia pelo sexo oposto. O período correspondente aos dez anos a criança possui grande desenvoltura social. a interessar-se por dinheiro e o que acontece depois da morte. Encontram-se mais avançada na dinâmica e organização do seu sistema de ação.( 1985. com múltiplos interesses. . violência. á liberdade e a convivência familiar e comunitária. já compreende melhor as diferenças entre elas e os adultos. portanto durante esse período entre nascimento e adolescência é fundamental que a criança se desenvolva em um ambiente que proporcione a sua integridade física e intelectual. á saúde. á educação. com absoluta prioridade. mas já demonstra interesse pelo sexo oposto. da sociedade e do Estado assegura á criança e ao adolescente. Soifer. Os temores vão perdendo intensidade. pois o ECA não tem oferecido muito em relação as crianças brasileiras. É dever da família. ao lazer. As meninas criam laços afetivos mais fortes com as amigas. esse período é marcado pelos acontecimentos sociais que desperta para os sentimentos com os demais a sua volta. exploração. nesse período as mudanças são consideráveis tanto no plano físico quanto no psicológico. Mostra-se eclético. A OMS Organização Mundial da Saúde. a profissionalização.Aos sete anos a criança começa a adquirir uma certa capacidade se colocar no lugar do outro. O Brasil tem a legislação mais avançada com relação a proteção aos direitos das crianças e adolescentes. está em contato com o ambiente dos mais velhos graças as numerosas adaptações. fator que facilita a construção da auto-estima. o direito á vida. As meninas tornam-se mais propensas ao choro e os meninos a ira.227. O apetite desses indivíduos é gigantesco compatível com o crescimento acelerado dessa fase da vida. pois a escola proporciona a estes o ingresso ao mundo das ciências e dos contatos pessoais. com mudanças rápidas de humor e procura firma-se no ambiente com gritos e rebeldias. crueldade e opressão. mas a realidade ainda é dura muitos brasileirinhos que vivem nas ruas. O ECA afirma que todos os direitos devem ser preservados e para tanto a família. á alimentação. Apela para as diferentes válvulas de escape como roer unhas e brincar com o cabelo. diz que a adolescência tem início aos doze anos. e se mostra capaz de analisar valores culturais e sociais. Já parece um adulto em formação. Quanto aos meninos sua maturação sexual ainda se mostra invisível. discriminação. P. Para o professor conhecer essa fase é fundamental. A adolescência tem início com a puberdade que começa por volta dos doze anos.

um profissional.069. que se atenta a todos os fatos para mediar situações e fazer acontecer o aprendizado a todo momento. Fatores que não possibilitam o desenvolvimento adequado e sadio para as crianças brasileiras. sem para tanto que seja desconsiderado o conhecimento que a criança já traz para escola.8.gov. a transformação que acontece de forma individual e coletiva na formação da cidadania é um fator relevante para todos os estudiosos das teorias de aprendizagem. Lei n. Por isso. o desenvolvimento do conceito e da noção de cidadania também é relativamente importante. o desenvolvimento físico corresponde a sua maneira de crescer com fatores genético e biológicos interferindo nesse processo.No Brasil a realidade é ainda permanece com a influência de preconceitos. de 13 de julho de 1990.planalto. alguns aspectos de violência e principalmente de exclusão social. Disponível em: http:/www. o que gera um desestimulo em relação as expectativas para o futuro. FREIRE. REFERENCIAS BRASIL. São Paulo 1997. a criança. onde se tem uma posição definida. Já o desenvolvimento social e afetivo é outro fator relevante que deve ser levado em consideração em especial no processo de aprendizagem. Paulo.br Acessado em 23 de junho de 2009. A escola é um lugar fundamental na vida de todo os seres humanos. um educador que se movimenta. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa Paz e Terra. Dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente. Sendo assim. O que se ver na verdade é que a criança precisa de um ambiente que venha a favorecer o seu desenvolvimento psicológico e físico de maneira adequada. CONSIDERAÇÕES FINAIS A criança desde que nasce desenvolve-se de forma relevante e dinâmica. é perceptível que o estatuto da Criança e do Adolescente precisa ter uma nova reformulação e um empenho efetivo das autoridades para que esse venha a ser respeitado. . por isso o professor deve ter uma postura firme e descentralizada. o adolescente e seu desenvolvimento integral. mas sim. a escola deve ser um ambiente estimulador e dinâmico para a aprendizagem dos educandos. É preciso interagir com o ambiente social para quês e tenha uma visão de mundo mais ampliada e melhorada. não deve haver só uma pessoa. e dá outras providências. É neste movimento ininterrupto de intervenções na realidade do aprendiz em contínua construção e transformação que o aprendizado tende a se concretizar. nunca uma posição convenientemente neutra quanto às questões sobre a cidadania. somente assim e pode ter uma educação de qualidade e transformadora para todos. É importante ressaltar que por trás da formação do educando.

comunidade. Piaget. Tornam-se ecos das coisas ensinadas e aprendidas. mas sim ajudar a criança a tomar consciência de si mesma. das brincadeiras. fazendo deste assunto um fator primordial a ser trabalhado por todos os pedagogos. como aparecem nos manuais. que é de suma importância. escola e familiares que tenham a intenção de educar. a função dos jogos lúdicos na educação infantil e na construção interdisciplinar do processo ensino e aprendizagem. Último acesso em 01 de julho de 2009. Palangana. professores. precisamos considerar a opinião de diversos autores. V. brincadeiras e espaços que estão sendo criados como as brinquedotecas para facilitar em maior âmbito a aprendizagem das crianças. R. porque se dar ao trabalho de se meter por caminhos não explorados? Basta repetir aquilo que a tradição sedimentou… o saber sedimentado nas poupas dos riscos da aventura de pensar.MOURA Ana Maria. dos outros e da sociedade. serão abordados em alguns capítulos certos elementos que caracterizam os diversos tipos de jogos. Porto Alegre: Artes Médicas. 2. 1994.I EPÍGRAFE “A respeito das atividades de repetição e fixação.asp?Documento_ID=17. 1. Também será abordada a importância dos jogos na construção dos conceitos matemáticos e para isto. Disponível em: http://www2. sabendo que isto não se limita a repassar informações ou mostrar apenas um caminho. Além disso. INTRODUÇÃO O brincar faz parte do mundo da criança. assim elas aprendem melhor e se socializam com facilidade. apreendem o espírito de grupo. dos brinquedos. como Vygotsky. RESUMO Através deste trabalho nonográfico de caráter bibliográfico de conclusão do curso de Pós-Graduação em Educação Infantil será mostrada a importância do lúdico no processo de socialização das crianças como também sua importância no processo ensino e aprendizagem. SOIFER. Psiquiatria Infantil Operativa. projeto-se neste. . Se existe uma forma certa de pensar e fazer as coisas. Tendo como tema central “O lúdico” na construção do processo de ensino e aprendizagem na educação infantil.br/visualizaDocumento. José Ricardo Cozac e muitos outros que de forma direta ou diretamente citam em seus livros a importância do lúdico no cotidiano infantil. através dos jogos. também o desenvolvimento dos educandos alcançado através deste. et al. Tornam – se incapazes de dizer o diferente. aprendem a tomar decisões e percebem melhor o mundo dos adultos.abed. As Teorias de Aprendizagem e os Recursos da Internet Auxiliando o Professor na Construção do Conhecimento.”(RUBEM ALVES. brinquedos.org. Tão bem que se tornam incapazes de pensar coisas diferentes. Consequentemente. as crianças são ensinadas e aprendem bem. muitos conhecidos.1985a.

já que é a expressão livre e espontânea do interior. pois Fröebel. principalmente a televisão. são a partir de situações de descontração que o professor poderá desenvolver diversos conteúdos. extremamente capitalista. prática essa que deve abandonar os moldes da educação bancária e absorver o lúdico através dos jogos como o instrumento principal para o desenvolvimento da criança. gerando uma integração entre as matérias curriculares. e a maneira como o professor dirigem o brincar. que ocupa também uma posição relevante na história do pensamento pedagógico sobre a primeira infância e pertence à corrente cultural filosófica do idealismo alemão. Os jogos lúdicos O acesso gratuito à escola conforme nossa Constituição da República Federativa do Brasil de 1988.” É condição indispensável para a garantia dessa premissa constitucional e para que se complete na totalidade do seu sentido. procura-se a solução com a utilização dos jogos para despertar na criança o interesse pela descoberta de maneira prazerosa e com responsabilidade. deve estar acompanhada de procedimentos que assegurem condições para sua concretização. tornam as aulas mais atraentes para os alunos. O aprendizado acontece de maneira continuada e progressiva e requer ferramentas que possibilitem seu desenvolvimento. em seu artigo nº. intelectual. Vivemos uma época em que a tecnologia avança aceleradamente inclusive na educação. Quando esta brincando se expressa mostrando seu intimo. desenvolve-se a criatividade. exercendo poder e controle através dos meios de comunicação. onde as crianças trabalhariam além do corpo a interação com o outro. diz que: “A Educação é um direito de todos e dever do Estado [. principalmente da socialização. resgatando assim o lúdico como instrumento de construção do conhecimento. sabendo-se que a criança precisa de tempo para brincar. As aulas muitas vezes. inclusive as crianças. Uma das alternativas para se burlar essa influencia está no lúdico. Os espaços lúdicos são ambientes férteis também para a aprendizagem e o desenvolvimento.].1. emocional. Através dos jogos lúdicos. além destas razões. que influencia todos. tornam-se meras repetições de exercícios educativos. Todos devemos buscar o bem–estar dos pequenos durante o processo de ensino e aprendizagem. As brincadeiras são importantes por fazerem parte do mundo das crianças e por proporcionarem momentos agradáveis dando espaço à criatividade. e por isso os espaços para se jogar são imprescindíveis nos dias de hoje. O jogo. do brinquedo e da brincadeira. seus sentimentos e sua afetividade. A criança tem a característica de entrar no mundo dos sonhos das fábulas e normalmente utiliza como ponte às brincadeiras. desenvolverão psicológica. porque a alternativa de trabalhar de maneira lúdica em sala de aula é muito atraente e educativa. Atualmente em nossa sociedade. ficando a aula monótona e como conseqüência vazia. CAPÍTULO I 3. mas as atividades lúdicas não podem ser esquecidas no cotidiano escolar. 205.. físico-motora e socialmente as crianças. Isso não é assunto novo. nas brincadeiras de uma forma geral..Sistematizar o brincar significa uma reorganização da prática pedagógica desempenhada pelo professor. a capacidade de tomar decisões e ajuda no desenvolvimento motor da criança. 3. . sempre defendeu que o jogo constitui o mais alto grau de desenvolvimento da criança.

pois brincando a criança experimenta. sobre o qual nos fala Kishimoto: “O jogo como promotor da aprendizagem e do desenvolvimento. Dessa maneira percebemos a necessidade do professor de pensar nas atividades lúdicas nos diferentes momentos de seu planejamento. que tal movimento a faz buscar e viver diferentes atividades fundamentais. elas demonstram através das brincadeiras como vê e constrói o mundo. vivendo assim uma experiência que enriquece sua sociabilidade e a capacidade de se tornar um ser humano criativo. A tal ponto isso se faz verdade. negociações e trocas. passa a ser considerado nas práticas escolares como importante aliado para o ensino. simultaneamente. um exemplo de atividade que desperta e muito o interesse do aluno é o jogo. como gostaria que ele fosse quais as suas preocupações e que problemas a estão atormentando. A brincadeira. Para VIGOTSKY (1989. pela ética e pela moral. descobre. a criação de situações imaginárias surge da tensão do individuo e a sociedade. exercita. É a oportunidade de desenvolvimento. desenvolve o psicomotor e a afetividade e amplia conceitos das várias áreas da ciência”. Verificamos.conhece a si própria e aos outros e realiza a dura tarefa de compreender seus limites e possibilidades e de inserir-se em seu grupo. expressa-se na brincadeira o que tem dificuldade de expressar com palavras. (1994. confrontos. portanto que as atividades lúdicas propiciam à criança a possibilidade de conviver com diferentes sentimentos os quais fazem parte de seu interior. e ela vai então. já que colocar o aluno diante de situações lúdicas como jogo pode ser uma boa estratégia para aproximá-lo dos conteúdos culturais a serem veiculados na escola”. De acordo com o Referencial Curricular Nacional Para Educação Infantil: . p. ou seja.De acordo com RONCA (1989. Aí aprende e internaliza normas sociais de comportamentos e os hábitos fixados pela cultura. Destacando ainda mais a importância do lúdico. p. O lúdico liberta a criança das amarras da realidade”. destacando que o brinquedo. não só no processo de desenvolvimento de sua personalidade e de seu caráter como também ao longo da construção de seu organismo cognitivo”. 13). que a criança sente e expressa a curiosidade e importante noção de que viver é brincar. lembramos as palavras de Ronca: “O lúdico permite que a criança explore a relação do corpo com o espaço. promovendo conquistas cognitivas.27). assimilando e gastando tanto. p. inventa. E ao brincar . emocionais e sociais. provoca possibilidades de deslocamento e velocidades. E aliar atividades lúdicas ao processo de ensino e aprendizagem pode ser de grande valia. (1989. p. é o caminho pelo quais as crianças compreendem o mundo em que vivem e são chamadas a mudar.84) “As crianças formam estruturas mentais pelo uso de instrumentos e sinais. ou cria condições mentais para sair de enrascadas. pois nele a criança constrói classificações. 27) “O movimento lúdico. torna-se fonte prazerosa de conhecimento. Lembrando que o jogo e a brincadeira exigem partilhas. Percebemos desse modo que brincando a criança aprende com muito mais prazer. para o desenvolvimento do aluno. elabora seqüências lógicas.

porém tal contribuição no desenvolvimento das atividades pedagógicas dependerá da concepção que se tem do jogo. mas meios que enriquecem o desenvolvimento intelectual e que podem contribuir significativamente para o processo de ensino e aprendizagem e no processo de socialização das crianças. p. Pois de acordo com Ronca: “O lúdico torna-se válido para todas as séries.28). passa adquirir um aspecto significativo e efetivo no curso de desenvolvimento da inteligência da criança”. De acordo com os PCNs de Educação Física (vol. corporais. E nessa perspectiva o lúdico se torna muito importante na escola. v1. os jogos. tornando-se criadora e construtora de novos conhecimentos. (1989. Segundo o Referencial Curricular Nacional Para Educação Infantil (1998. absorvido de maneira lúdica. etc. no jogo e na fantasia. pois permitem o exercício de uma ampla gama de movimentos. v1. como atividades relacionadas apenas infância. os brinquedos podem e devem ser objetos de crescimento. Ao combinar informações e percepções da realidade problematizada. p. E sobre esse ponto de vista o lúdico se torna de vital importância para a educação. desenvolvendo a criatividade. os jogos de construção e aqueles que possuem regras. brincando a criança vai construindo e compreendendo o mundo ao seu redor. 7. propiciam a ampliação dos conhecimentos da criança por meio da atividade lúdica”. embora predominante neste período. que solicitam a atenção do aluno na tentativa de executá-la de forma satisfatória”. p.27) “as atividades lúdicas. através das brincadeiras favorecem a auto-estima das crianças ajudando-as a superar progressivamente suas aquisições de forma criativa”. não se restringe somente ao mundo infantil”. as brincadeiras. Ressaltando que segundo NOVAES (1992. Lembrando que as atividades lúdicas são de grande valia para o educador que souber se utilizar apropriadamente dessas atividades. sendo que o aluno será o maior beneficiado.36) “As situações lúdicas competitivas ou não. 1997. O jogo é uma fonte de prazer e descoberta para a criança. como os jogos de sociedade (também chamados de jogos de tabuleiro) jogos tradicionais. são contextos favoráveis de aprendizagem. E ainda.28) “O ensino. Desse modo. A partir dessas definições constatamos que o lúdico está relacionado a tudo o que possa nos dar alegria e prazer. entender-se e posicionar-se em relação a si e a sociedade de forma lúdica e natural exercitando habilidades importantes na socialização e na conduta psicomotora. (l998. descobrir-se. didáticos. o que poderá contribuir no processo ensino e aprendizagem. Os jogos não são apenas uma forma de desafogo ou entretenimento para gastar a energia das crianças. porque é comum pensar na brincadeira. .99). a imaginação e a curiosidade. possibilitando à criança a exploração do mundo. pois trabalha com a imaginação e produz uma forma complexa de compreensão e reformulação de sua experiência cotidiana.“As brincadeiras de faz-de-conta. Assim sendo entendemos que o lúdico contribui para o desenvolvimento da auto-estima o que favorece a auto-afirmação e valorização pessoal.. porque pelo lúdico a criança faz ciência.p. desafiando a criança a buscar solução para problemas com renovada motivação. Na realidade. p.

preocupando-se excessivamente em colocá-los enfileirados. totalmente fora da realidade da criança. é que existe ainda uma aprendizagem apoiada em métodos mecânicos e abstratos. O professor comanda toda a ação do aluno. mas são meios que contribuem e enriquecem o desenvolvimento intelectual. imóveis em suas carteiras comandando os olhares das crianças para que ficassem com os olhos no quadro – negro. esta visão está vinculada à postura de muitos educadores. movimentos. Para que essa visão seja realmente difundida e aplicada há uma necessidade de reestruturação da formação e conduta profissional dos professores para que se aproveite a atividade lúdica como centro das idéias sobre o processo de socialização. Através da interação a criança terá acesso à cultura. Seu mundo cultural. a cooperação que acontece por ocasião dos jogos. ou sofrem distorções sobre a sua função. proporcionam a relação entre parceiros e grupos. Quando o professor recorre aos jogos. o silencio e a disciplina rígida. ele está criando na sala de aula uma atmosfera de motivação que permite aos alunos participarem ativamente do processo ensino aprendizagem. Nestas escolas. Além das indagações sobre a conduta profissional dos professores. uma disputa onde existem ganhadores e perdedores. ou seja. Dentro da realidade brasileira qualquer instituição que tenha como objetivo potencializar atividades lúdicas ou de aprendizagens terá por si mesma um grande significado social. assimilando experiências e informações.O jogo normalmente é visto por seu caráter competitivo. A atividade lúdica é o berço obrigatório das atividades sociais e intelectuais. se essa renovação será bem vista e apoiada para que esta realmente obtenha sucesso. pergunta-se ainda se as escolas estão ou não preparadas para essa renovação de atitude do quadro docente. Os jogos são vistos apenas como disputa. O jogo é uma atividade física ou mental organizada por um sistema de regras. fruto da imaginação das crianças. . Para que a aprendizagem ocorra de forma natural é necessário respeitar e resgatar o movimento humano. não é apenas uma forma de divertimento. a trocas de idéias. não podemos considerar o jogo apenas como uma competição. atitudes lúdicas. Alertar aos educadores em relação à repressão corporal existente e à forma mecânica e descontextualizada como os conteúdos vêm sendo passados para as crianças. devemos incentivar os trabalhos em grupos. incorporando atitudes e valores. Um dos principais objetivos da escola é proporcionar a socialização. para estes o jogo é um ato diferente do brincar. por esse motivo não devemos isolar as crianças em suas carteiras. Predominado sempre durante as aulas a imobilidade. competições. criaturas e fantasias. respeitando a bagagem espontânea de conhecimento da criança. Atualmente o jogo não pode ser visto e nem confundido apenas como competição e nem considerado apenas imaginação. deixando de lado o valor pedagógico. dos valores e aos conhecimentos criados pelo homem. principalmente por pessoas que lidam com crianças da educação infantil. O que podemos perceber em algumas escolas. a sua importância para o desenvolvimento cognitivo. as atividades lúdicas são descartadas. Porém para FRIEDMANN (1996: 75) “o jogo não é somente um divertimento ou uma recreação”.

É de suma importância que nós. Parecem simples. lembrar que esta preocupação com o brinquedo esteve presente. a função destes na construção do psiquismo infantil ou ainda a importância de utilizá-los como recurso pedagógico. se verifica que a atividade lúdica está no centro de muitas idéias sobre o desenvolvimento psicológico. saibamos como usar os jogos para ajudar o aluno no desenvolvimento do raciocínio lógico. mas depois de observá-los. como creches ou pré-escolas. Platão colocava a importância de a criança aprender brincando para combater a opressão e a violência.Brincar e jogar são coisas simples na vida das crianças. .2. entre outros. estas pesquisas têm como objeto de estudo. seja no contexto familiar ou em instituições coletivas. a influência da cultura na constituição dos brinquedos. pelo crescente número de pesquisas existentes no campo da educação. educadores. O ato de jogar é tão antigo quanto o próprio homem. Não é demais. em Platão e Aristóteles (século IV a. Para uma utilização eficiente e completa de um jogo educativo é necessário realizar previamente uma avaliação. como aspectos pedagógicos e fundamentalmente a situação pré-jogo e pós-jogo que se deseja atingir. psicológica e pedagógica. associada à redescoberta da infância e das particularidades infantis e se tornou valorizada com as concepções de Rousseau sobre a natureza infantil. Considero que por meio dos jogos lúdicos. por exemplo. que a infância não devia mais ser compreendida apenas como uma etapa que precede a idade adulta. Posteriormente. O jogo. analisando tanto aspectos de qualidade de software.C. como forma de prepará-las para a vida. sim. na contemporaneidade. mas também no processo de aprendizagem. mas maior conhecimento sobre a importância da utilização dos jogos lúdicos na construção e no desenvolvimento do raciocínio lógico dos meus alunos 3. no entanto. entendendo que o jogo deve fazer parte do processo de ensino esta monografia pretende mostrar que a educação lúdica facilita não só o processo de socialização. sem esquecer que a sua principal importância é conhecer sua aplicação na escola. emocional ou social do ser humano. intelectual. como um período da vida que possui características e necessidades próprias. dos brinquedos e das brincadeiras em sala de aula possamos desenvolver o hábito do pensar nos educandos sem desviá-los do mundo real e de seu cotidiano. enquanto Aristóteles enfatizava a necessidade de se utilizar em jogos “sérios” na educação de crianças pequenas. mas. Acredito que esse tema tem importância não só para a prática diária do professor que se configura como um meio. O ensino utilizando meios lúdicos cria ambiente gratificante e atraente servindo como estímulo para o desenvolvimento integral da criança. Conseqüentemente. Brinquedo: caracterização geral A importância do brinquedo no desenvolvimento da criança tem sido demonstrada. Segundo Kishimoto (1995). em seus estudos. pois o lúdico pode estar presente na aprendizagem e no desenvolvimento. Esse filósofo e pedagogo buscaram mostrar. já na idade antiga. esta mesma preocupação ressurgiu no século XVIII. o brincar e o brinquedo desempenham um papel fundamentalmente na aprendizagem e no processo de socialização das crianças.). Segundo abordagens diversas nas áreas sociológica. na verdade o jogo faz parte da essência de ser dos mamíferos.

que surge concomitantemente à primeira. Para Rousseau. Nela o autor relata a transformação ocorrida no sentimento de infância (entendido como consciência da particularidade infantil) e de família. tudo manejar: não contrarieis esta inquietação. e quando a família passa a reorganizar o seu espaço e a relação entre seus membros que surge o moderno sentimento de infância. tal valorização baseava-se em uma concepção protetora da criança e aparecia em propostas voltadas para a educação dos sentidos da criança. quando surgem novas descobertas. nem forma reconhecível no corpo (…)”. e direcionadas à recreação. “…No princípio da vida quando a memória e a imaginação são ainda inativas. (…) “pequena não conta”. 1994: p. utilizando brinquedos. que respeitava na criança batizada a alma imortal”.XVII). Essa indiferença era uma conseqüência direta e inevitável da demografia da época. mãe de cinco “pestes”. e conclui que a criança não aparecia representada na iconografia da época (séc. a criança só presta atenção àquilo que afeta seus sentidos no momento. que fazia com que considerassem que não valia a pena conservar a imagem de um ser fadado a um desaparecimento tão precoce: “…vemos uma vizinha. de novos medicamentos.(…. mas a ela se contrapõe. tu terás perdido a metade. que necessita da moralização e da educação do adulto. Segundo Wayskop (1995). a outra. (…) “não reconhecer nas crianças nem movimento na alma. (Ariés. da relação higiene/saúde). Assim é que ela aprende a sentir calor. toma a criança como um ser incompleto. graciosa. mas sem desespero”.A esse respeito. . a partir do exame de pinturas. basta primeiramente mostrar-lhe. antigos diários. etc. mas como ela só presta atenção a suas sensações. É dessa preocupação. “Antes que eles te possam causar muitos problemas. túmulos. no campo. 14). contribuíram para um novo sentimento de valorização da infância. …”as minhas morrem todas pequenas. Ela quer meter a mão em tudo. frio. dizia ainda Montaigne.56-7). pelo fato de haver um alto índice de mortalidade infantil. tranqüilizar assim uma mulher inquieta. que surge a necessidade de se proibir os jogos entendidos como “maus” e recomendar-se àqueles então conhecidos como “bons”. E é esse sentimento que vai corresponder a duas atitudes contraditórias em relação à criança: uma a considera ingênua. e que acabara de dar à luz. não sem tristeza. antes não encontrada. sendo suas sensações o primeiro material de seus conhecimentos oferece-las numa ordem conveniente e preparar sua memória a fornece-las um dia na mesma ordem de seu entendimento. apud Leme Goulart. tanto Rosseau como Ariés. Ainda segundo Ariés. bem distintamente a ligação destas sensações com os objetos que a provocam. é somente a partir do século XVIII. imperfeito. inocente. a dureza. é interessante considerar os estudos desenvolvidos por Ariés (1986) em sua obra “História Social da Criança e da Família”. ela sugere um aprendizado muito necessário. Persistiu até o século XIX. a moleza. e quem sabe todos”. (Rousseau. testamentos. mulher de um relator..)”.”Perdi dois ou três filhos pequenos. de preservar a moralidade da criança e também de educá-la. na medida em que era compatível com o cristianismo. 1986: pp. possibilitada por novas condições de vida que se estavam colocando ao homem. entre inúmeras outras no campo da medicina (descoberta de vacinas.

que facilitassem o contato com a natureza. portanto. de forma gradual e cuidadosa.1994). sem coagi-la. preocupando-se com a educação das crianças em idade pré-escolar. para Froebel. O jardim de infância devia ser para o educador fonte de observação e conhecimentos e seu objetivo seria o de promover o desenvolvimento da criança. Bruner e Vygotsky. a valorização dos brinquedos e brincadeiras como nova fonte de conhecimento e de desenvolvimento infantil. a atividade lúdica e os destacava como de extrema validade no processo de desenvolvimento infantil. entre outros. na medida em que valorizava o brinquedo. defendida por ele (Leme Goulart. deu-se início à elaboração de métodos próprios para a educação infantil. Froebel dava muito valor ao desenvolvimento sensorial da criança e. o que a prepararia para o futuro. Daí. era. a educação deve ser ativa. tecelagem.3. no despontar do século XX. em função disso. e o brinquedo é introduzido nos currículos das pré-escolas (Wayskop. em sua concepção. o que despertaria seu interesse e seu amor pela natureza e pelos seus bens. e de uma educação com atividades livres e espontâneas. Com o nascimento da Psicologia Infantil. Assim. Percebe-se. assim. Após estas considerações iniciais. manter a ordem. ser impraticável distinguir estes termos com nitidez. que passam a discutir e a reafirmar a importância do ato de brincar. os quais ainda são utilizados nos dias de hoje nos jardins de infância e nas escolas maternais. ou seja. 1995). muitas vezes. para o objetivo do presente trabalho. O que é o brinquedo Muitos autores usam indistintamente o termo brinquedo para nomear tanto o jogo quanto à brincadeira. A necessidade de uma educação especial para a primeira infância. Froebel (1782-1852). Emerge. pelo fato de ter contribuído muito para a discussão sobre a educação infantil. a importância de Froebel. Assim. considerava-as. nas propostas de alguns estudiosos e educadores do século XVIII em diante (Pestalozzi. Em seu livro “Brinquedo e . recortes. a partir da influência da postulação de Rousseau sobre a natureza do conhecimento da criança. São eles: modelagem. Já segundo Piquemont (1963). picagem. possuir o seu jardinzinho e cultivá-lo. propôs a criação de escolas destinadas à criança – os “jardins de infância” (Kindengarten) –. apresentar algumas idéias básicas a respeito do que consiste o brinquedo e o brincar. tal como Pestalozzi. isto é. sempre a respeitando e proporcionando prazer nas atividades. é necessário habituar a criança a observar e seguir o caminho da natureza. Nesse sentido. por exemplo. pois o que dá o sentido de viver é agir. para Rousseau.Como observa Leme Goulart (1994). 3. entre outros) nas quais se evidencia o interesse dos mesmos pelas crianças pequenas. ensinar-lhe a disciplina. Ainda segundo Piquemont. Decroly e Montessori. Froebel. como base de qualquer ensinamento. assim. surgem novas concepções e pesquisas por parte de pensadores como Piaget. desenhos e trabalho com contas e agulhas. por exemplo. materiais esses que receberam o nome de “dons”. a criança devia estar em contato com a natureza. É o que se verifica. como plantas humanas que precisavam ser cuidadas e protegidas. parece-nos importante. criou materiais educativos especiais para os pequeninos. utilizar todos os órgãos e não simplesmente respirar: por isso. Froebel queria um lugar onde as crianças tivessem livre acesso aos brinquedos e pudessem manipulá-los à vontade.

Bomtempo (1986) acrescenta. 1986: p. 1) Objeto que serve para as crianças brincarem. Acrescenta que o brinquedo.36). em processos interativos. folguedo. enquanto ao assumir a função educativa. brincadeira. quando a brincadeira envolve regras. ao mergulhar na ação lúdica. no entanto. É a intenção da criança que vale e não exatamente o que o professor deseja. a manipulação de objetos e o desempenho de ações sensório-motoras (físico) e as trocas nas interações (social). Ao permitir a ação intencional (afetividade). se a criança preferir apenas empilhar peças. o brinquedo desempenha um papel de grande relevância para desenvolvê-lo. Assim. a função lúdica está presente. a autora coloca que através deste é estabelecida uma relação íntima com a criança. passatempo. diferenciando cores. corpo e interações sociais. prazer e até mesmo desprazer quando é escolhido por vontade própria. . que na maioria das vezes as pessoas se referem à palavra “jogo”. Kishimoto (1996) comenta algumas modalidades de brincadeiras presentes na educação infantil. folia. “…se considerarmos que a criança pré-escolar aprende de modo intuitivo. a função educativa e a lúdica estão presentes. seus conhecimentos e sua apreensão do mundo. Mas. Também ao discutir tipos de brinquedos e brincadeiras. 25).Indústria Cultural”. 3) Divertimento. Já ao referir-se ao brinquedo. quando se trata de uma atividade não estruturada. por exemplo. fazendo de conta que está construindo um castelo em uma situação imaginária. Concordando com as posições de Oliveira e Bomtempo. a construção de representações mentais (cognição). brincadeira. Kishimoto (1996) vem confirmar que é muito difícil fazer a definição de jogo devido à variedade de fenômenos considerados como jogo e acrescenta que essa dificuldade cresce. dependendo apenas do significado a ele atribuído pelas diferentes culturas e pelas regras e objetos que o caracterizam. 2) Jogo de crianças. envolvendo o ser humano inteiro com suas cognições. 1996: p. Como ilustração. sem um conjunto de regras para a sua utilização. adquire noções espontâneas. brincadeira. organizado por Aurélio Buarque de Holanda Ferreira (apud Oliveira. propicia diversão. tiradas de um dos mais conhecidos dicionários brasileiros. fazendo uma diferenciação entre elas: a) O brinquedo/jogo educativo ao assumir. o brinquedo ensina qualquer coisa que complete o indivíduo em seu saber. Salles Oliveira (l986: p. a função lúdica. Reforçando também esta idéia de que em nossa língua os termos jogo e brincadeira são utilizados de forma similar. visto como objeto. contribuindo para a aprendizagem e o desenvolvimento infantil…”. a autora coloca que a criança ao manipular livremente um quebra-cabeça. e “brinquedo”.25) aponta quatro possibilidades para se definir o que é o brinquedo. o jogo contempla várias formas de representação da criança ou suas múltiplas inteligências. é sempre o suporte da brincadeira e que esta última se constitui na ação que a criança exerce ao valorizar as regras do jogo. quando o mesmo objeto pode ser visto como jogo ou não jogo. (Kishimoto. afetividade. 4) Festa.

sem riscos e com controle próprio. o brinquedo. também Cunha (1998) acredita que o brinquedo estimula a inteligência. 3) “As crianças brincam porque a hereditariedade e o instinto as levam a recapitular as atividades ancestrais importantes para o indivíduo” (Stanley Ha 11). em seu livro “Brinquedo e Cultura”. o jogo. permite a invenção e a imaginação e possibilita que a criança descubra suas próprias capacidades de apreensão da realidade. assunto este ao qual nos reportaremos adiante. apresenta. 1994) é outro autor que. Freud e Erikson). é um tipo de jogo livre. experimentam. testar situações da vida real ao seu nível de compreensão. O brinquedo é um objeto infantil. para um adulto. é o suporte do jogo. o brinquedo é um objeto que a criança manipula livremente. estimulando a criatividade e desenvolvendo habilidades da criança. é a que deixa mais evidente a presença da situação imaginária. No entanto. à criança. Para este autor. pois. exercita a inteligência. é importante ressaltar que o conteúdo do imaginário provém de experiências anteriores adquiridas pelas crianças em diferentes contextos. ao contrário. 4) “as crianças brincam para descarregar suas emoções de forma catártica” (Aristóteles. fazendo com que a criança solte sua imaginação e desenvolva a criatividade. pode ser destinado tanto à criança quanto ao adulto. no qual a criança brinca pelo prazer de o fazer. ela cria situações novas. Claparede. sem estar condicionado às regras ou a princípios de utilização de outra natureza. Para este autor. algumas das principais tendências sobre o que leva a criança a brincar: 1) “as crianças brincam porque tem excesso de energias” (Spencer). preocupado com o papel do brinquedo no desenvolvimento infantil. pois. 2) “as crianças brincam porque esse é um instinto que as leva a preparar-se para a vida futura” (Gross). a autora enfatiza que o brinquedo diminui o sentimento de impotência da criança. nos mostra as diversas funções deste para as crianças em idade pré-escolar. enquanto o brinquedo. 19). . é o objeto que desperta a curiosidade. que se constitui. brincar é um ato reconhecido como espontâneo e natural. O que é brincar Normalmente. desenvolve sua imaginação e habilidades.4. reconhece outras. Além destes aspectos. basicamente. sintetizadas em seis pontos. c) A brincadeira de faz-de-conta. em um sistema que integra a vida social das crianças e que passa de geração a geração. espontâneo. Campagne (apud Andrade. 5) “as crianças brincam porque e agradável. sem restrição de uma faixa etária. 3. torna-se sempre motivo de zombaria. Ele permite. Rosamilha (apud Salles Oliveira. No mesmo sentido de Kishimoto. 1986: p. Brougère (1995). também faz uma diferenciação entre jogo e brinquedo. O jogo é importante pelo seu aspecto hedônico” (Hurlock e SultonSmith). d) Os jogos ou brincadeiras de construção são de grande importância para a experiência sensorial. ao manipulá-lo.b) A brincadeira tradicional infantil. de acordo com os interesses e necessidades de cada grupo e época. por exemplo. de ligação com a infância. compara. por sua vez.

com duas ou três crianças. Existem amplos aspectos que devem ser considerados. dividem tarefas. Não é. portanto. nem sempre ao dividir os brinquedos. de certo modo. emocional e intelectual da criança. Bandet & Sarazanas (apud Andrade. somente por simples prazer ou para gastar suas energias que as crianças brincam. ela não tem condições de brincar com um número grande de pessoas. Segundo ela. podemos questionar as idéias dos autores que vêem o brincar como meio para descarga de energias. inventa. por exemplo. além de estimular o desenvolvimento intelectual da criança. descobre. Além disso. Já Wayskop (1995) afirma que a brincadeira precisa perder o caráter de jogo e. é muito restrito. por um lado. Brincar. sim. além de ajudar a descarregar o excesso de energias. pois ambos estão envolvidos. assim. podemos perceber que há grande dificuldade em se encontrar uma concordância sobre o que significa o comportamento de brincar. Quando a criança é muito pequena. as crianças têm várias maneiras de brincar. É o que nos afirma. pois o ato de brincar é indispensável à saúde física. que é. Acrescenta ainda que brincar é um dom natural que contribuirá no futuro para o equilíbrio do adulto. .6) “o brincar é um aspecto de todo comportamento. Cunha (1998). Ele está implícito na assimilação que o indivíduo realiza em relação a realidade” (Piaget). ganhar confiança para poder mostrar que é útil ao futuro da criança. dá prazer à criança e estimula o desenvolvimento intelectual da mesma. ou sozinhas. Também acrescenta que a atividade do brincar tem sido reconhecida como uma forma mais livre e informal de educação de crianças em idade pré-escolar. Pelas definições acima expostas. para alguns autores. coloca que “brincando a criança experimenta. pois. por exemplo. 1994) também mostram preocupação sobre a forma como as crianças brincam e colocam que todos os meios de educação deveriam informar-se sobre este aspecto e sobre os objetos que poderiam ajudar na atividade construtiva da brincadeira. por outro. Bettelheim (1988): as crianças brincam porque esta é uma atividade agradável e ao brincar a criança exercita também a mente. seu mundo. isto é. nessa idade. além do corpo. no máximo. não lhe atribuindo importância. ensina. Parece. Acrescentam ainda que não se possa conhecer nem educar uma criança sem saber por que e como ela brinca. desenvolvendo atividades iguais ou semelhantes. a autora coloca que estas já conseguem se organizar em grupos mais amplos e. tanto sozinhas. sem brincar uma com a outra. não se devendo de forma alguma subestimar esta atividade. os hábitos necessários para seu crescimento. porém. por sua vez. que vários motivos levam a criança a brincar. estão brincando juntas e. é agradável. exercita e confere suas habilidades” (p. Bomtempo (1986) faz um levantamento de como as crianças brincam. na maioria das vezes. muitas vezes. as crianças. De qualquer modo. para poder ser aceita como atividade infantil. De seu lado. sem forçá-la. brincam uma ao lado da outra. O brincar é muito importante porque. o brincar é livre e se opõe a toda regra fixa. sem dúvida. 9). essencial para o desenvolvimento da criança em idade pré-escolar. como em grupo. é através do brincar que a criança aprende a se preparar para o futuro e para enfrentar direta ou simbolicamente dificuldades do presente. Ao falar de crianças maiores. Se.

Logo. é no brincar que a criança aprende modos de se comportar. a crianças trabalham com informações. p. mas alguém que sente prazer em aprender. Para que isso aconteça é necessário que o professor reflita sua prática pedagógica percebendo o aluno mais que um mero executor de tarefa. de maneira mais específica. pois.67) “Saber que deve respeito à autonomia e identidade do educando exige de mim uma prática em tudo coerente”. propondo uma mudança na escola que considera teórica demais. sendo que deste mundo fazem parte o brinquedo e os jogos. dados os objetivos e limites do presente trabalho. Cabe ao educador por meio da intervenção pedagógica propiciar atividades significativas que levem a uma aprendizagem de sucesso. pois. Conclui-se. . de expressar emoções. a teoria de um dos autores que mais têm contribuído para a compreensão do papel do brinquedo/brincar no desenvolvimento da criança em idade pré-escolar – a teoria de Piaget. No entanto. de se relacionar. passamos agora a enfocar. o brincar é a combinação da ficção com a realidade.38) “o professor deve ter sensibilidade de atualizar a sua prática”. dados e percepções da realidade. Assim. mas na forma de ficção. Palavras que levam a refletir sobre a importância de uma prática pedagógica voltada a valorização e respeito da individualidade do aluno. Como veremos. que conhecer a criança. bem como a importância do brincar e do por que e para que a criança brinca é fundamental para ajudá-la em seu desenvolvimento. não começou hoje. Ao brincar. a caracterização dos dois primeiros estágios do desenvolvimento cognitivo e. dos conhecimentos adquiridos e de seus desejos e sentimentos. 3. ambos assumindo diferentes modalidades e contribuindo de diferentes formas para o desenvolvimento do pensamento infantil. Reflexão essa que o autor e também educador já fazia nos anos vinte do século passado. preparando-se para o futuro. apresentaremos. De acordo com FREIRE (1996. de reagir. Mas a preocupação com uma educação significativa. a criança em idade pré-escolar conhece o mundo através do relacionamento que ela estabelece com pessoas e objetos. p. para esse autor. Podemos perceber isso claramente através das palavras de FREINET (1975. vão crescendo e incorporando a representação que fazem da sua realidade. brincando a criança está aprendendo a criticidade.5. faremos uma breve análise do papel atribuído por Piaget ao brinquedo no desenvolvimento da criança em idade pré-escolar. O autor com essas colocações chama o professor a pensar sobre sua prática visualizando a necessidade de uma constante atualização. Fundamentação Teórica Estabelecida à caracterização geral do que é o “lúdico e brinquedo”e em que consiste o “brincar”. de forma sintética. Ensinar exige a convicção de que a mudança é possível e que contribuirá significativamente para formação de cidadãos que atendam as demandas do século XXI. os conceitos básicos da teoria piagetiana. atualizada e que respeite o aluno. em seguida.Para Lima (1992).

elabora seus sentidos. para estabelecer contatos sociais. p. entre outras. conhecimentos e regras. De acordo com OLIVEIRA (1995. “os jogos de regra são: a atividade lúdica do ser socializado”. Defendia ainda a idéia de que a escola deveria ser um lugar bastante alegre com atividades prazerosas.45) Percebemos através das palavras do autor à importância da brincadeira na vida da criança e a necessidade que a criança tem de ser respeitada enquanto brinca. pois cada faz-de-conta supõe comportamentos próprios da situação. está é uma verdade que não se pode mudar. p. em sua metódica evolução. Mas para que isso ocorra o professor precisa ter sensibilidade ao intervir permitindo que as crianças possam elaborar através da brincadeira de forma pessoal e independente. p. É uma forma de a criança entrar em contato com a cultura. emocional. social. ao brincar com um tijolinho de madeira como se fosse um carrinho por exemplo. p. O que aparentemente ela faz apenas para distrair-se ou gastar energia é na realidade uma importante ferramenta para o seu desenvolvimento cognitivo. seja criança ou adulto. Considerando as palavras do autor. jornal escolar. Através da brincadeira ela fala. busca compreender o mundo. por fim para comunicar-se com as pessoas”.29). Para as crianças é algo muito sério. ela se relaciona como o significado em questão (a idéia de carro) e não com o objeto concreto que tem nas mãos.29).Fazendo inclusive sugestões como o uso de: jogos pedagógicos. além disso. vemos que o ato de brincar para criança é mais que uma atividade lúdica. Desse modo vemos a importância do jogo na vida da criança. o jogo e a brincadeira são atividades para as horas de lazer. E a infância é tempo de brincar. Se estudarmos a história do jogo. sendo o mesmo. trabalho em grupo. Para o adulto. assim como espaço estruturado para brincar permite o enriquecimento das competências imaginativas. permitindo descobrirem a si mesmos e ao mundo. (1998 V1. suas emoções. durante milênios”. para realizar a integração da personalidade. psicológico”. sentimentos.36) “No brinquedo a criança comporta-se de forma mais avançada do que nas atividades da vida real e também aprende. objeto e significado”. E o brincar é uma das atividades fundamentais da criança. como nos cita PIAGET (1978. sobre o qual nos fala WINNICOTT (1975. uma atividade construída socialmente e culturalmente. “A criança aprende muito ao brincar. E com base no Referencial Curricular Nacional Para Educação Infantil: “A intervenção intencional baseada na observação das brincadeiras das crianças oferecendo-lhe material adequado. Ou seja. aulas passeio. por exemplo. (1979. criativas e organizacional”. Para Vigotsky. p. as situações imaginárias fazem com que as crianças sigam regras. representa um meio riquíssimo de expressão.47) “O indivíduo. pois seu mundo é mutante e esta em permanente oscilação entre fantasia e realidade. a brincadeira possibilita a ação com significados. . para controlar ansiedade. veremos que sua importância foi reconhecida em todos os tempos. Segundo PIAGET (1978. que permite dar asas a imaginação. como a brincadeira. um passatempo. p32) “A criança brinca para buscar prazer. revive no jogo a maioria das atividades pelas quais passou a espécie.

(1991. E assim. o aspecto lúdico e prazeroso que existem nos processos de ensinar e aprender não se encaixam nas concepções tradicionalistas da educação”. ajuda às crianças a formarem um bom conceito de mundo. p. No jogo a criança se coloca em movimento num universo simbólico. as quais serão permeadas pela ludicidade e a busca constante do envolvimento de todas as crianças. sobre a importância do jogo. E é principalmente na escola. nos fala Vygotsky: “É na atividade de jogo que a criança desenvolve o seu conhecimento do mundo adulto e é também nela que surgem os primeiros sinais de uma capacidade especificamente humana. formando sua personalidade. Enfim. mas esta não precisa ser forçada. a criança assimila a necessidade de cumprimento das leis da sociedade e das leis morais. o jogo. saltar e dançar. mas é preciso que a escola se apresente a criança não como um bicho papão. A escola ao valorizar o lúdico. E. Toda a ação humana envolve atividade corporal. p. a se socializar. um mundo onde a afetividade é acolhida. através dos jogos de regras. estendendo-o também ao ato pedagógico. entrando em contato com uma aprendizagem mais sistematizada. pode ocorrer através do prazer e da alegria que os jogos e brincadeiras proporcionam. Lembrando que o jogo. Pois de acordo com KISHIMOTO (1994.Ou seja. um grande avanço para superação de uma prática desestimulante e estática. ainda. A escola é um espaço que deve promover o desenvolvimento da criança. a criatividade estimulada e os direitos da criança respeitados. que a criança começa a incorporar regras de conduta. Brincando a criança cria situações fictícias. vivenciando sentimentos como amor e medo. promover uma aprendizagem significativa. Ressaltando que o trabalho com jogos e brincadeiras é sem dúvida. a sociabilidade vivenciada. a criança se movimenta pelo prazer do exercício para adquirir maior mobilidade e explorar o meio ambiente. A criança cria um mundo de papéis e relações sociais. são algumas das atividades que estão ligadas a sua necessidade de experimentar o corpo não só para o seu domínio. participam com prazer desfrutam da oportunidade que eles lhes oferecem para o seu desenvolvimento. mas um lugar prazeroso e importante. os jogos despertam na criança interesse e atração. projetando-se no mundo ao seu redor. transformando com algumas ações o significado de alguns objetos”. desenvolvendo através do brinquedo sua imaginação.122). . Procedimentos Metodológicos A ação física é a primeira forma de aprendizagem da criança. onde ao mesmo tempo em que. a criança movimenta-se nas ações do cotidiano: brincar. a capacidade de imaginar (…). a brincadeira e a diversão fazem parte deste maravilhoso mundo do movimento e estarão presentes nas mais diversas atividades aqui propostas. a criança aprende a lidar com o mundo. estando à motricidade ligada à atividade mental. Desse modo a criança envolve-se em um mundo ilusório nos quais todos os desejos são realizáveis. 134) “O brinquedo. correr. 3. mas na construção da sua autonomia.6. através da brincadeira e do jogo. onde através da fantasia um simples pedaço de pau transforma-se de acordo com seu desejo.

Desta forma. por seus pais. A utilização de jogos educativos no ambiente escolar traz muitas vantagens para o processo de ensino e aprendizagem. efetivamente. p. movimento de pinça e modelagem.p16). colagem.31).1. Já no Pré-escolar. Então o que fazer. o objetivo é acompanhar a evolução emocional de cada criança através da criatividade individual e integração com as demais. na expectativa social de gerarem uma sociedade mais justa. Sendo assim o jogo lúdico é uma atividade que tem valor educacional intrínseco. já que desse modo às crianças se conhecem e se expressam melhor. expressão corporal. “As crianças já vivenciam muitas cobranças na rotina de suas vidas: são cobradas na escola pelos professores. O lúdico é nosso companheiro diário. Segundo Cozac psicólogo do esporte: “[. Os jogos acabam sendo uma importante válvula no exercício da liberdade e auto-descoberta infantil” (Cozac. A educação infantil e seu desenvolvimento por meio da utilização dos jogos lúdicos A educação infantil divide-se em várias etapas. com certeza terá seus objetivos alcançados com maior êxito. procuramos converter a maior parte das atividades diárias da criança em jogos motores e lúdicos. Jogar educa. conhecendo limites de maneira agradável e saudável. Convém relembrar que o caráter lúdico nas brincadeiras. Enfatizamos os jogos na área do conhecimento lógico-matemático. 2001. e preservação na área de ciências. 2001. adquirindo conhecimentos. por meio de jogos de equilíbrio e direção. assim como viver educa: sempre sobra alguma coisa.O professor que vê nas atividades lúdicas um recurso valioso para a aprendizagem de seu aluno. jogos e atividades infantis são essenciais para o desenvolvimento da personalidade das crianças. CAPÍTULO II 4. de acordo com a faixa etária da criança. em casa. Assim como os jogos. Infelizmente. Poucos pais possibilitam a seus filhos uma escolha livre do esporte/exercício que irão praticar” (COZAC. brincadeiras. .] a atividade esportiva. Os pais devem dar liberdade máxima para a escolha do esporte que seus filhos queiram desenvolver. 4. através das técnicas de recorte. No que corresponde à faixa etária de cinco anos. Este ponto é unanimidade na maioria das crianças. que promovem o desenvolvimento motor e sócio-afetivo das crianças. procuramos dar maior ênfase ao desenvolvimento motor. dobradura... visível apenas. deve ser feita com amor e dedicação. as crianças são obrigadas a fazer esse ou aquele esporte por desejo dos pais. a prática esportiva assume um a importância fundamental no processo da sociabilidade infantil. no olhar das crianças. As atividades realizadas são proporcionadas de forma lúdica: jogos. oferecendo ambientes para que ela possa descobrir e realizar tarefas com prazer e alegria. entre elas:  O jogo é um impulso natural da criança funcionando assim como um grande motivador. seja ela apenas um exercício ou uma modalidade esportiva onde haja competição. para não pressionar a criança na escolha do esporte ou dos jogos adequados? Cozac alerta para o fato de que muitas vezes.

Por termo à exploração das brincadeiras infantis através da manipulação da publicidade. Portanto. O jogo favorece a aquisição de condutas cognitivas e desenvolvimento de habilidades como coordenação. senso de responsabilidade. cooperação.    A criança através do jogo obtém prazer e realiza um esforço espontâneo e voluntário para atingir o objetivo do jogo.58). através da pesquisa e cooperação com serviços da comunidade como grupos de animação para crianças em idade pré-escolar. É pelo contato com brinquedos e materiais concretos ou pedagógicos que se estimulam às primeiras conversas.56) “[. Se o objetivo é formar professores que vão educar crianças de 0 a 6 anos. Tomar medidas para permitir que as crianças se movimentem em segurança na comunidade. social. A razão fundamental prende-se com a atualidade da teoria do desenvolvimento cognitivo de Vygotsky (1994.. rapidez. O jogo integra várias dimensões da personalidade: afetiva. Proporcionar a todas as crianças bons materiais lúdicos. força. bibliotecas e veículos de animação itinerantes de brinquedos. autor que tem sido bastante referido nos cursos e disciplinas de Educação.2. fazendo relações.. concluindo e concretizando de forma agradável e interessante. focando-se. Para Vygotsky (1994. estudar o brinquedo e o material pedagógico é essencial para a formação docente. concentração. apartamentos e espaços deteriorados. O jogo mobiliza esquemas mentais: estimula o pensamento. O jogo é o vínculo que une a vontade e o prazer durante a realização de uma atividade. o imaginário infantil.] o jogo traz oportunidade para o preenchimento de necessidades irrealizáveis e também a possibilidade para exercitar-se no domínio do simbolismo”. iniciativa pessoal e grupal. se desenvolvem e se socializam. no . assimilando experiências e informações. destreza. também sua aplicação na área educacional. sobretudo para as que têm necessidades especiais. acabar com a produção e a venda de brinquedos de guerra de jogos violentos de destruição. p. Aumentar a consciência da grande vulnerabilidade das crianças que vivem em favelas. Encorajar o uso e a conservação de jogos tradicionais. Portanto. senso de justiça. A participação em jogos contribui para a formação de atitudes sociais: respeito mútuo. obediência às regras. as trocas de idéias. a ordenação de tempo e espaço. etc. Objetivos no Desenvolvimento dos Jogos Lúdicos com Alunos da Educação Infantil:        Difundir os conhecimentos existentes sobre ambientes e programas de tempo livre entre os profissionais de planejamento e políticos. favorecendo um melhor ordenamento do tráfego e uma melhoria dos transportes públicos. interessei-me pelas atividades lúdicas e seus valores. 4. em escolas temos que questionar como crianças dessas faixas etárias aprendem. p. os contatos com parceiros. Encorajar cada vez maior número de pessoas de diversas formações e níveis etários a ocuparem-se das crianças. acredita-se que é através do uso dos jogos que poderemos introduzir os educandos e estimular e seu desenvolvimento lógico. motora e cognitiva. Partindo do pressuposto de que é brincando que a criança ordena o mundo a sua volta. a exploração e a descoberta de relações. O ensino utilizando meios lúdicos cria ambientes gratificantes e atraentes servindo como estímulo para o desenvolvimento integral da criança. definido.

canções e historia. Põem em evidência as qualidades especificamente humanas do cérebro e conduzem a criança a atingir novos níveis de desenvolvimento. o único tipo correto de pedagogia é aquele que segue em avanço relativamente ao desenvolvimento e o guia. “No desenvolvimento a imitação e o ensino desempenham um papel de primeira importância. Diz ele que “a adaptação da criança é bastante mais ativa e menos determinista” (SUTHERLAND apud Vygotsky. mas as funções em vias de maturação” (VYGOTSKY.. Vygotsky deu maior ênfase à cultura do que à herança biológica para o desenvolvimento cognitivo. e a regra inerente á situação. deve ter por objetivo não as funções maduras. e o autor define como a discrepância entre o desenvolvimento atual da criança e o nível que atinge quando resolve problemas com auxílio. 1996). 103). O autor realça igualmente o papel do jogo da criança na medida em que este possibilita a criação de uma Zona de Desenvolvimento Proximal. as crianças aprendem coisas que constituem as características comuns da sua cultura. p. Para compreender a importância que Vygotsky atribui ao jogo em relação à criança precisamos esclarecer idéias a propósito da sua teoria de que o desenvolvimento cognitivo resulta na interação entre a criança e as pessoas com quem mantém contatos regulares. “No processo de socialização para a respectiva cultura. a brincadeira proporciona um campo muito mais amplo para as mudanças quanto a necessidades e consciência” (VYGOTSKY in BAQUERO. Por conseguinte. “Ainda que se possa comparar a relação brincadeira-desenvolvimento à relação instruçãodesenvolvimento. O conceito central da teoria de Vygotsky é o de Zona de Desenvolvimento Proximal. ou seja. 1996. A criança fará amanhã sozinha aquilo que hoje é capaz de fazer em cooperação. Partindo deste pressuposto considera-se que todas as crianças podem fazer mais do que o conseguiriam fazer por si sós. Baquero sintetiza em três pontos fundamentais o que há de comum entre a atividade de jogo e as situações escolares de aprendizagem: a presença de uma situação ou cenário imaginário. a criança precisa de ir conhecendo as ferramentas fundamentais para a nossa cultura [. 1998..]” (SUTHERLAND. Muitos dos escritos de Vygotsky que apresentam o conceito de Zona do Desenvolvimento Proximal fazem referência à criança em idade escolar. representar papéis e situações quotidianas. imaginar situações. o autor esclarece que Vygotsky (1979) distingue no jogo a sua amplitude. por exemplo: mitos. p. Porém. os seus conteúdos. p. 1979. mas sim o duplo jogo que existe entre exercitar no plano imaginativo capacidades de planejar. a presença de regras de comportamento. 138). essencialmente os aspectos da sua teoria que se centram no desenvolvimento e na aprendizagem da criança em idade escolar. . contos de fadas. As ferramentas integram uma arte extremamente importante de uma cultura. no entanto isto não significa que o autor considere que este conceito seja apenas aplicável em idade escolar e em conseqüência do papel exercido pelas aprendizagens formais. 78). Não é o caráter espontâneo do jogo que o torna uma atividade de vanguarda no desenvolvimento da criança. e o caráter social das situações lúdicas. a definição social da situação.entanto.

Ora. 1979.74.36). 1991. 1991. a atuação no mundo imaginário e o estabelecimento de regras a serem seguidas criam uma zona de desenvolvimento proximal. em Vygotsky a criança cria (desenvolve o comportamento . a regra e a situação imaginária caracterizam o conceito de jogo infantil em Vygotsky (1991): “Tal como a situação imaginária tem de ter regras de comportamento também todo o jogo com regras contém uma situação imaginária” (VYGOTSKY. mas sim a transformação criadora das impressões para a formação de uma nova realidade que responda às exigências e inclinações da própria criança” (VYGOTSKY. atividade criadora e combinatória. Esta idéia de transformação criadora é completamente diferente da idéia de Piaget de assimilação do real ao eu. a relação entre o jogo e o desenvolvimento cognitivo na criança deve também procurar se na relação entre o jogo e a atividade combinatória do cérebro. não obstante estes elementos da sua experiência anterior nunca se reproduzem no jogo de forma absolutamente igual e como acontecem na realidade. Haverá dois tipos fundamentais de conduta humana que constituem a plasticidade do nosso cérebro: atividade reprodutora. mas enquanto que em Piaget (1975) a imaginação da criança não é mais do que atividade deformante da realidade. como forma de satisfazer seus desejos não realizáveis.A ludicidade faz a criança criar uma situação ilusória e imaginária. Segundo Vygotsky (1979). A criança brinca pela necessidade de agir em relação ao mundo mais amplo dos adultos e não apenas ao universo dos objetos a que ela tem acesso. porque no jogo a criança representa e produz muito mais do que aquilo que viu. a discrepância entre o autor e Piaget mais se acentua. na medida em que impulsionam conceitos e processos em desenvolvimento”. 12). Para Vygotsky o jogo proporciona alteração das estruturas. as concepções de Vigotsky e Piaget quanto ao papel do jogo no desenvolvimento cognitivo diferem radicalmente. Tanto em Vygotsky como em Piaget se fala numa transformação do real por exigência das necessidades da criança. em nossa opinião. Por último importa referir que existe outra idéia fundamental em Vygotsky (1979) relativamente ao jogo que se relaciona com o papel que o autor atribui à imaginação. em estreita relação com a memória. No brinquedo é como se ela fosse maior do que é na realidade. os processos de criação são observáveis. Como este afirma. p. a essência da criatividade. Para Piaget (1975) no jogo prepondera a assimilação. com muita freqüência estes jogos são apenas um eco do que as crianças viram e escutaram aos adultos. p. Como afirma Palangana (1994). o seu desenvolvimento e a importância do trabalho criador para a evolução e maturação da criança. “Todos conhecemos o grande papel que nos jogos da criança desempenha a imitação. uma das questões mais importantes da psicologia e da pedagogia infantil diz respeito à criatividade das crianças. ( VYGOTSKY. a criança assimila no jogo o que percebe da realidade às estruturas que já construiu e neste sentido o jogo não é determinante nas modificações das estruturas. p. em estreita relação com a imaginação. ou seja. sobretudo nos jogos da criança. Em síntese. O jogo da criança não é uma recordação simples do vivido. um dos pontos em que. “Mesmo havendo uma significativa distância entre o comportamento na vida real e o comportamento no brinquedo.

Portanto. ela acumula material com o qual depois estrutura a sua fantasia que progride num complexo processo de transformação em que jogam a dissociação e a associação como principais componentes do processo. 5. Limitação do espaço: o espaço reservado seja qual for a forma que assuma é como um mundo temporário e fantástico. É através do jogo que a criança aprende a agir. Segundo Vygotsky (1991). auto-afirmação e autonomia. 1995).combinatório) a partir do que conhece das oportunidades do meio e em função das suas necessidades e preferências. CAPÍTULO III 5. “Na concepção piagetiana. além de ser culturalmente útil para a sociedade como expressão de ideais comunitários. Para Vygotsky (1979) a imaginação depende da experiência. os jogos têm dupla função: consolidar os esquemas já formados e dar prazer ou equilíbrio emocional a criança” (PIAGET apud FARIA. das necessidades e dos interesses. tem uma função vital para o indivíduo principalmente como forma de assimilação da realidade. Pontos básicos da Teoria de Piaget . Limitação de tempo: o jogo tem um estado inicial. Na concepção de Vygotsky (1979). o que a criança vê e escuta (impressões percebidas) constituem os primeiros pontos de apoio para a sua futura criação. Existência de regras: cada jogo se processa de acordo com certas regras que determinam o que “vale” ou não dentro do mundo imaginário do jogo. Passerino (1996) afirma que existem certos elementos que caracterizam os diversos tipos de jogos e que podem ser resumidas assim:        Capacidade de absorver o participante de maneira intensa e total (clima de entusiasmo. do pensamento e da concentração”.2. sentimento de exaltação e tensão seguidos por um estado de alegria e distensão). assim como da capacidade combinatória e do exercício contido nessa atividade e não podemos reduzir a imaginação às necessidades e sentimentos do homem. tem um caráter dinâmico. O jogo é necessário ao nosso processo de desenvolvimento. proporciona o desenvolvimento da linguagem. Isto é. Para unir posteriormente os diferentes elementos o homem tem de romper com a relação natural em que os elementos foram percebidos. “o lúdico influencia enormemente o desenvolvimento da criança. das quais se destacam apenas algumas através de um processo de comparação entre elas. envolvimento emocional. num exercício das ações individuais já aprendidas gerando ainda um sentimento de prazer pela ação lúdica em si e pelo domínio sobre as ações. O que auxilia no processo de integração social das crianças. ou seja. na verdade o jogo faz parte da essência de ser dos mamíferos. adquire iniciativa e autoconfiança. um meio e um fim. os jogos consistem numa simples assimilação funcional. O jogo no processo de ensino e aprendizagem O ato de jogar é tão antigo quanto o próprio homem. Toda a impressão representa um todo complexo composto por um conjunto de partes diferentes e a dissociação consiste na divisão dessas partes. Atmosfera de espontaneidade e criatividade. 5. Possibilidade de repetição. sua curiosidade é estimulada. Estimulação da imaginação.1.

afetivo. experiências que supõem o funcionamento dos esquemas e órgãos que implicam a formação de hábitos e a utilização das possibilidades adaptativas do indivíduo em relação dos objetos do meio. que poderão resultar em diferentes tipos de interação. A criança baseia-se não mais nas características físicas dos objetos. mas nas propriedades das ações que foram exercidas sobre eles.Segundo Piaget. Já a experiência lógico-matemática está relacionada às ações sobre os objetos. se o indivíduo for capaz de relacionar essas novas experiências com as adquiridas anteriormente. os esquemas se transformam. Nessas situações. etc. de forma integrada com os aspectos cognitivo. uma vez que este se constitui a partir das transformações ocorridas nos esquemas com os quais a criança nasce. que seria o crescimento biológico dos órgãos. Mas. Em sua constituição. de acordo com Wadsworth (1992). é na interação sujeito-objeto (meio) que vão sendo assimiladas determinadas informações. moral. as quais podem ser de ordem física e lógico-matemática. que se adaptam e se modificam com o desenvolvimento mental. tamanho. Tais esquemas são estruturas. 3) a aprendizagem social. a equilibração é entendida no sentido mais amplo da auto-regulação ou seqüência de compensações ativas do sujeito em resposta às perturbações exteriores. dinâmico e contínuo.. Face-a este postulado. que se constitui no processo de auto-regulação interna do organismo. Contudo. costumes e padrões culturais. objetos e a si própria. o desenvolvimento é. ultrapassando o conhecimento do objeto utilizado e estabelecendo descobertas em torno do mesmo. Ao nascer. que decorrem da interação social. assim. ao terminar de selecioná-los. e 4)-a equilibração. na busca sucessiva de reequilíbrio após cada desequilíbrio. brincando. 2) os exercícios. já que é através desta que se realiza a transmissão social. Em relação a cada um destes fatores. lingüístico e social. Através da experiência física. linguagens. pois. a criança é capaz de extrair informações dos objetos. Para este autor. peso. tornam-se mais diferenciados. . ou seja. a criança irá perceber inúmeras situações ocorridas em relação às pessoas. Com o seu desenvolvimento. conta-os e descobre a quantia dos mesmos. quanto a experiência. conseqüente de combinações entre o que o organismo traz e as circunstâncias oferecidas pelo meio. mais numerosos. isto é. pode-se dizer o seguinte: A maturação é um aspecto intrínseco ao indivíduo e desempenha papel importante também em seu desenvolvimento cognitivo. ou seja. que significa a aquisição de valores. de repente. Por fim. a criança possui poucos esquemas. como: forma. tanto as influências sociais. Em relação ao ambiente social. O meio físico é conhecido e conquistado através das experiências que a criança realiza. resolve separar os blocos pequenos dos grandes para brincar. físico-motor. faz outras descobertas. inicialmente de natureza reflexa. Como exemplo. ocorrem interferências da criança. E. o desenvolvimento do indivíduo se faz ao longo de um processo gradual. segundo o estágio de desenvolvimento cognitivo em que este sujeito se encontra. poderíamos citar uma criança que ao brincar com blocos. o que possibilita o desenvolvimento é a interação do sujeito com o seu meio. vários fatores interatuam e se entrelaçam de forma dinâmica e contínua: 1) a maturação. só podem ter efeito sobre o sujeito se ele for capaz de assimilá-las.

vai do nascimento aos dois anos. a inteligência é. transformar o objeto. Sua principal característica é o desenvolvimento da linguagem e a capacidade de representar. Piaget admite a necessidade de o indivíduo se adaptar ao meio e. do ato de conhecer. A criança muda suas idéias próprias para que possam coincidir com um novo acontecimento. no decorrer do qual ocorrem mudanças graduais. são os responsáveis pela adaptação do sujeito ao mundo. Conhecer significa. portanto. não havendo. o desenvolvimento da inteligência. Ao contrário da assimilação. e é através da experiência (como ação e movimento) que o indivíduo incorpora o mundo exterior e o vai transformando ao longo de sua vida. Não como volta ao equilíbrio anterior. o resultado da experiência do indivíduo. Estes dois processos. que vai dos sete aos doze anos. o pré-operacional. a partir do contato com o mesmo. São processos distintos. o pensamento opera sobre os objetos manipuláveis. Ela acontece sem interferir no conhecimento. para este autor. O equilíbrio é. o caminho pelo qual o objeto é construído. Ou seja. Segundo Piaget (1982). na medida em que os esquemas são construídos. Já a acomodação representa o momento da ação do objeto sobre o sujeito. a assimilação e a acomodação. 5. a criança ainda não “pensa”. Assim. sendo esse de nível superior e que se constituirá em um novo ponto de partida para novos conhecimentos. A assimilação/acomodação apresenta-se como suporte para o restabelecimento do equilíbrio. o das operações concretas e o das operações formais. aplicando esquemas já constituídos ou solicitados anteriormente. E modificar. estruturar. Para que haja. sendo através destas mudanças que os esquemas são modificados continuamente. mas há o desenvolvimento cognitivo. Vejamos em que eles consistem. a acomodação exige mudanças no nível das idéias. Na assimilação. garantir a construção do seu próprio pensamento. Nele. modificação do mesmo. Já o estágio das operações concretas. . Piaget definiu o desenvolvimento como um processo contínuo. ocorre quando a criança começa a aplicar o raciocínio lógico para os problemas concretos. é compreender o mecanismo de sua transformação e. ou seja. Quando o indivíduo está em equilíbrio. com o propósito de explicar o crescimento cognitivo. organizar. o sujeito age sobre os objetos que o rodeiam. um estado de balanço entre assimilação e acomodação. portanto. pois. O estágio pré-operacional vai dos dois aos sete anos. sensório-motor.O fator de equilibração é extremamente importante no processo de desenvolvimento. O primeiro estágio. ele atinge o conhecimento. explicar o real a partir das experiências vividas. mas como um novo equilíbrio. porém. a assimilação é a tendência a relacionar um novo acontecimento com uma idéia que a criança já possui. portanto. Caracterização dos estágios do desenvolvimento cognitivo Segundo Wadsworth (1992). Piaget dividiu o desenvolvimento intelectual em quatro grandes estágios: o sensório-motor. portanto. indissociáveis. conseqüentemente.3.

mas já distingue um significado (imagem. Ela já começa a compreender e estabelece algumas relações observadas no mundo que a rodeia que dizem respeito aos outros e também aos próprios objetos. daquilo que ele significa (objeto ausente). que é quando a criança imagina uma situação e imagina estar vivenciando-a. geralmente. o que permite que represente um objeto ausente ou um evento não percebido por meio de símbolos. Os símbolos e as representações lhe dão margem para compreender diferentes situações. Ela passa a representar. processo que viabiliza a assimilação da realidade ao próprio “eu” da criança ou a acomodação de estruturas existentes ao meio físico e social. isto é. 5. passando da reprodução pelo sujeito de suas próprias ações. Essa imitação de um modelo exterior se modifica quando a criança passa a usar o jogo simbólico. grande é o avanço da criança. palavra ou símbolo). e os movimentos realizados. Caracteriza-se pela manifestação do pensamento da criança através de sensações (sensório) e movimentos (motor). diz-se que nesta fase a criança está imersa em um egocentrismo inconsciente e integral. Neste período. Neste período. A criança. o comportamento imitativo evolui gradativamente.O último estágio. situação ou pessoa por símbolos -palavras – o que significa que a inteligência da criança passa a realizar ações interiorizadas ou mentais: ela se torna capaz de usar esquemas simbólicos ou representacionais (função semiótica). a criança explora muito o seu corpo. Ela dispõe de esquemas representativos. sem representação. em sua fase inicial. ou seja. 5. neste período. em que tem a oportunidade de compreender melhor a realidade. sejam eles adultos ou crianças de diferentes idades. . o indivíduo alcança seu nível mais elevado de desenvolvimento cognitivo. O pensamento. é a própria ação prática da criança. por um contato direto da criança com pessoas e objetos. Segundo Piaget. a mostrar sua emoção e seus desejos através da representação. uma ação. O Período Sensório-Motor O período sensório-motor inicia-se. como no período anterior.5. surge uma nova capacidade: a imitação. Por isso. cuja preparação é iniciada no final do período sensório-motor. são centrados nela. Nele.4. Depois. portanto. a partir do nascimento e se estende até os dois anos de idade. à reprodução de modelos. passa a utilizar símbolos para que algumas pessoas possam compreender o que quer transmitir. ela já não brinca mais isolada. não depende mais somente das sensações e de seus movimentos. o principal progresso que há em relação ao anterior é o desenvolvimento da capacidade que a criança tem de substituir um objeto. pensamento ou linguagem. como já foi dito. corresponde ao período da adolescência – dos doze anos em diante – e se caracteriza pelo surgimento do pensamento abstrato. A criança começa primeiro. Nesse estágio. No âmbito desses esquemas simbólicos. a usar símbolos que têm importância para ela. Outra característica importante refere-se à construção de esquemas de ação que possibilitam à criança assimilar pessoas e objetos. A criança já atua no jogo simbólico: é o jogo do “fazde-conta”. das operações formais. As experiências são marcadas. O Período Pré-Operacional Piaget define o segundo período do desenvolvimento cognitivo como pré-operacional (dos dois aos sete anos).

Classificação dos Jogos Os jogos podem ser classificados de diferentes formas. O egocentrismo. a transdução e a centração servem como obstáculo ao pensamento lógico e estão estreitamente relacionados. (PIAGET apud RIZZI. dramatizações. Ela é capaz apenas de reproduzir as posições iniciais e finais e não consegue integrar uma série de eventos que ocorrem. Por isso. as pessoas e os objetos que fazem parte dele e. mas também à linguagem corporal.E a linguagem a manifestação mais clara da função simbólica. Estas características gradualmente se integram. não seria importante indagar como e através de que meios/instrumentos ela estabelece essas relações? E qual o papel do brinquedo entre esses meios? Piaget nos assegura que é através do brinquedo/brincadeira/jogo que a criança assimila a realidade. através da qual a criança pode representar diferentes situações. imitações). Percebe-se. de acordo com o critério adotado. Quando se fala em comunicação. o seu pensamento é sempre lógico e correto. pois não tem a capacidade de se colocar no lugar do outro. a transdução . tomando diferentes formas nos diferentes estágios. não consegue reconstruir a transformação. A seguir. 2 . O raciocínio transformacional. na interação com o meio. A criança não é capaz de acompanhar a transformação pela qual um estado transforma-se em outro. O egocentrismo. esta não está ligada somente à fala. as estruturas cognitivas que lhe permitirão conhecer o mundo que a circunda. usando seu próprio corpo (gestos. assim. nesse processo. mímicas. Para a criança egocêntrica. A criança tem o “eu” como único sistema de referência. a qualidade do ambiente em que a criança vive e das relações que nele estabelece é de fundamental importância. Também está presente no pensamento infantil pré-operacional a centração.1. Ela não reflete e nem questiona seus próprios pensamentos. apesar de ser uma característica do pensamento pré-operacional. nestes dois estágios que cobrem a idade pré-escolar – o sensóriomotor e o pré-operacional –. está sempre presente no desenvolvimento cognitivo. 6. A criança age movida pela percepção e somente com o tempo ela será capaz de descentrar e avaliar os eventos perceptuais de forma coordenada com os conhecimentos. Ela se considera o centro do mundo. esquecer que. Acredita que todos pensam as mesmas coisas que ela e que todos pensam como ela. entretanto Piaget elaborou uma “classificação genética baseada na evolução das estruturas“. o que é muito mais importante. contudo. 1997). Outra característica básica que é destacada neste período é o egocentrismo. vai progressivamente se desenvolvendo e construindo. que a criança. estabelecer as relações que lhe permitirão entender esse mundo em suas múltiplas dimensões. Não se pode. embora ela apareça bem mais tarde. procuraremos explicitar esse pensamento. CAPÍTULO IV 6. na medida em que o desenvolvimento cognitivo ocorre. Vários autores se dedicaram ao estudo do jogo. e outra característica do pensamento infantil préoperacional. Ela ocorre quando a criança é capaz de fixar sua atenção apenas sobre um número limitado de aspectos de um evento.

emitir sons. 6. Entre os 7 e 11-12 anos. etc. o simbolismo decai e começam a aparecer com mais freqüência desenhos. p27). trabalho. Inicialmente a atividade lúdica surge como uma série de exercícios motores simples. construções com materiais didáticos. Jogos de exercício sensório-motor Como já foi dito antes. ou seja. 1997). sobretudo no terceiro nível. Sua finalidade é o próprio prazer do funcionamento. desenvolve-se principalmente na fase dos 7 aos 12 anos. tem como função assimilar a realidade”. Jogos de Regras O jogo de regras. começa a se manifestar por volta dos cinco anos. trabalhos manuais. A criança tende a reproduzir nesses jogos as relações predominantes no seu meio ambiente e assimilar dessa maneira a realidade e uma maneira de se auto-expressar.Piaget classificou os jogos em três grandes categorias que correspondem às três fases do desenvolvimento infantil:    Fase sensório-motora (do nascimento até os 2 anos aproximadamente): a criança brinca sozinha.. uma posição situada a meio de caminho entre o jogo e o trabalho inteligente [. medos e angústias. mas ocupam. Estes exercícios consistem em repetição de gestos e movimentos simples como agitar os braços.. etc. Assim Piaget (1975). jogos de xadrez. Esta é a fase dos jogos de regras como futebol. “consiste em satisfazer o eu por meio de uma transformação do real em função dos desejos.3. representações teatrais. A função desse tipo de atividade lúdica.4. o ato de jogar é uma atividade natural no ser humano.2. etc. entretanto. baralho. no segundo e. Nesse campo o computador pode se tornar uma ferramenta muito útil. andar de bicicleta. classificou os jogos correspondendo a um tipo de estrutura mental: 6.]” (PIAGET apud RIZZI. Esse jogo-de-faz-de-conta possibilita à criança a realização de sonhos e fantasias. quando bem utilizada. Fase pré-operatória (dos 2 aos 5 ou 6 anos aproximadamente): as crianças adquirem a noção da existência de regras e começam a jogar com outras crianças jogos de faz-de-conta. 1997. de acordo com Piaget. damas.] é evidente que os jogos de construção não definem uma fase entre outras. etc. moto ou carro. (PIAGET apud RIZZI. correr. O próprio Piaget afirma: “[.. sacudir objetos. sem utilização da noção de regras. Os jogos de regras são classificados em jogos sensório-motor (exemplo futebol). Piaget não considera este tipo de jogo como sendo um segundo estágio e sim como estando entre os jogos simbólicos e de regras. Embora estes jogos comecem na fase maternal e durem predominantemente até os 2 anos. Por exemplo. Jogos simbólicos O jogo simbólico aparece predominantemente entre os 2 e 6 anos. aliviando tensões e frustrações. pular. revela conflitos. caminhar. 6. .). eles se mantém durante toda a infância e até na fase adulta. Este tipo de jogo continua durante toda a vida do indivíduo (esportes. RPG.. Fase das operações concretas (dos 7 aos 11 anos aproximadamente): as crianças aprendem as regras dos jogos e jogam em grupos. e intelectuais (exemplo xadrez).

. Dispõem de grandes quantidades de informações que podem ser apresentadas de maneiras diversas (imagens.5. planejamento e organização. detalhes. lateralidade. expressão lingüística (oral e escrita). Este jogo aparece quando a criança abandona a fase egocêntrica possibilitando desenvolver os relacionamentos afetivo-sociais. sendo que seu descumprimento é normalmente penalizado. etc. O jogo de regra pressupõe a existência de parceiros e um conjunto de obrigações (as regras). para uma utilização eficiente e completa de um jogo educativo é necessário realizar previamente uma avaliação. que em alguns casos pode ser controlada pelo usuário. forma. e uma forte competição entre os indivíduos. orientação temporal e espacial (em duas e três dimensões). sinestésica). portanto não precisariam ser trabalhados em estágios superiores. auditiva. é impressionante ver quantos alunos de oitava série carecem de uma boa coordenação motora. percepção auditiva. posição. sons. 1997):         Trabalham com representações virtuais de maneira coerente. numa forma clara objetiva e lógica. relacionada é claro à faixa etária que constituirá o público alvo. Quando se estuda a possibilidade da utilização de um jogo computadorizado dentro de um processo de ensino e aprendizagem devem ser considerados não apenas o seu conteúdo senão também a maneira como o jogo o apresenta. percepção visual (tamanho. Jogos Educativos Computadorizados Os Jogos educativos computadorizados são criados com a finalidade dupla de entreter e possibilitar a aquisição de conhecimento. Também é importante considerar os objetivos indiretos que o jogo pode propiciar. texto. analisando tanto aspectos de qualidade de software como aspectos pedagógicos e fundamentalmente a situação pré-jogo e pós-jogo que se deseja atingir. como: memória (visual. complementação). sem se preocupar com os erros. Como já foi dito anteriormente. Estimulam a criatividade do usuário. coordenação motora visomanual (ampla e fina). incentivando-o a crescer. Trabalham com a disposição espacial das informações. 6. Nesse contexto os jogos de computador educativos ou simplesmente jogos educativos devem tentar explorar o processo completo de ensino-aprendizagem. Exigem concentração e uma certa coordenação e organização por parte do usuário. E eles são ótimas ferramentas de apoio ao professor na sua tarefa. Apesar de parecer que alguns destes tópicos são exclusivamente de pré-escola e. Têm uma paciência infinita na repetição de exercícios.O que caracteriza o jogo de regras é a existência de um conjunto de leis imposto pelo grupo. Permitem um envolvimento homem-máquina gratificante. Permite que o usuário veja o resultado de sua ação de maneira imediata facilitando a autocorreção (afirma a auto-estima da criança). o que lhe confere um caráter eminentemente social.). Basicamente bons jogos educativos apresentam algumas das seguintes características (PIAGET apud RIZZI. raciocínio lógico-matemático. cor. tentar. filmes.

objeto que nós educadores colocamos ao seu alcance. pois todos reconhecem mesmo aqueles que habitualmente não lidam com crianças. das coisas que lhes são importantes e naturais de se fazer. os melhores cursos para executivos exploram as atividades lúdicas para a apreensão de conceitos e de atitudes como: formação de liderança. auxiliando. CAPÍTULO V 7. motivação. o uso do lúdico explica-se em programas de treinamento avançados porque são a melhor forma de transmissão de conhecimentos. reflexão sobre valores. . dessa maneira. avaliação e fixação. É sob este aspecto que iremos discorrer: como brincar na sala de aula e aprender do mesmo jeito. quando falamos em lúdico e no brincar não estamos falando em algo fútil e superficial. do tipo de jogos. A diferença entre os educadores é que para alguns o jogo. Será que o brincar tão bem aceito para trabalhar com os pequenos. dramatização e manifestações artísticas. cooperação e. que respeitam as características próprias das crianças. histórias. no segundo e terceiro grau o lúdico fica absolutamente esquecido. Esta participação espontânea faz com que ela se torne uma “pesquisadora” consciente do objeto de ensino. o conteúdo que julgamos ser importante e estar no momento adequado para o aluno aprender. nos dias de hoje e nos países mais adiantados do mundo. a brincadeira fica muito bem quando a “parte séria” acaba o que quer dizer: vamos estudar fazer as tarefas e quando tudo estiver pronto.1. auxilia no interesse.Tentando resumir quais seriam os princípios para análise de um jogo. aprender melhor e mais. Desta forma gerenciamos o aprendizado à medida que escolhemos o que colocamos à disposição desta pesquisa. Já nas primeiras séries do ensino fundamental começa a polêmica: brincar ajuda ou distrai? E quando falamos nas demais séries. 7. engajamento. Outra questão muito comum é a fase na qual o jogo é aceito nas salas de aulas. O uso do lúdico na educação na educação infantil prevê principalmente a utilização de metodologias agradáveis e adequadas às crianças que façam com que o aprendizado aconteça dentro do “seu mundo”. pois agora todos têm que trabalhar muito seriamente! O curioso é que. seus interesse e esquemas de raciocínio próprio. isso quer dizer que o jogo é parte integrante da ação educadora. vocês estarão “livres para brincar!”. sem o domínio direcionador do adulto. até. tem uma fase de impedimento para as crianças mais velhas. que o “brincar” é parte integrante do dia-a-dia delas. O lúdico na educação Todos os educadores afirmam que o jogo é importante para a educação. E haveria outras coisas que as interessassem mais do que a brincadeira? Assim. foi criado um formulário que contém informações sobre o jogo. ou até. mas de uma ação que a criança faz de forma autônoma e espontânea. o coordenador de informática na sua fase de avaliação e permitindo que o professor tire o máximo de proveito dos recursos disponíveis. Entendemos que utilizar metodologia lúdica. atraia e motive a criança a participar. E para outros educadores o jogo mescla-se dentro do processo de ensino e aprendizagem. Quando falamos em educação infantil o assunto é natural e procurado. adolescentes e jovens para retornar na idade adulta? E por quê? Porque os adultos sabem melhor diferenciar o trabalho sério da brincadeira? Certamente que não.

No Brasil começam a surgir bons livros que orientam para esta nova ferramenta educacional. é a corrida onde cada estado persegue a sua capital. oportunidades de auto-conhecimento. onde o aluno é tido como um mero receptáculo do saber e a certeza da absorção do conhecimento fica meio nebulosa. onde a pequena comunidade age sob o domínio de regras que aprenderam ou que ela mesma desenvolveu: Os jogos infantis constituem admiráveis instituições sociais. Ela precisa saber quais são as regras. Em uma atividade competitiva. O que precisa é que o educador esteja realmente convencido de que está é uma ferramenta útil e que ele terá vantagens em aplicar. Posto que o professor adotando estes elementos irá trazer o lúdico para dentro da sala de aula. . isto é. o que se espera ela. social. que conhece as preferências da faixa etária que trabalha. Em relação à forma que as crianças se relacionam com as regras em um jogo. ou seja. de descobertas de potencialidade. por seus próprios meios. porque além da transmissão de conteúdos os jogos podem colaborar na formação do indivíduo de forma ampla. mas “montar” uma atividade assim. pois só assim é que poderão alcançar o objetivo do jogo. pois quando o professor nomeia que “agora iremos fazer um jogo” ou “agora irei contar uma história para vocês” ele já estabelece que será dedicado um tempo determinado para isso e automaticamente todos percebem que farão uma “evasão da realidade”. ético. formação da auto-estima e exercícios de relacionamento social. Com relação aos objetivos e regras próprias é o fato da criança sentir com domínio da situação. por exemplo. que é ver quem realmente “é o melhor”. quando se obteve o desejado. não é tão difícil como pode parecer em um primeiro momento.Esta forma de interação contraria as metodologias passivas. intelectual. 1994) demonstrou que o jogo proporciona relações sociais completas. como físico. O terceiro e o quarto elemento se completam. proporcionando o desenvolvimento em outros aspectos. Isso se explica na prática pelo alto senso de justiça encontrado nas crianças na participação em um jogo. é o jogo de memória que em lugar de figuras usa sinônimos. mesmo considerando-se que é o adulto (professor) que está liderando. e assim por diante. Ela precisa acompanhar a evolução da atividade e perceber. da criatividade. submetendo-se a elas e querem que todos tenham o mesmo comportamento. vamos responder que é introduzindo conteúdos que desejamos passar no escopo da brincadeira. entre os meninos. precisa ser aquele educador “meio menino” que também se diverte com isso. E que vantagens isto trará? Trará muitas. resta perguntar que vantagens isto trará? E o aprender como é que fica? Respondendo primeiro a última pergunta. comporta. afetivo. imaginação. de forma que ela consiga prever a relação de causa e efeito de seus atos. O jogo de bolinhas. Piaget no livro Juízo moral da criança (Piaget. Este desenvolvimento pode ser obtido através de situações comuns decorrentes da aplicação de jogos como o exercício da vivência em equipe. um sistema muito complexo de regras. artístico. mais importante do que ganhar é conseguir acompanhar e avaliar o desempenho de todos os participantes. como é que o aluno irá aprender com isso. todo um código e toda uma jurisprudência. elas entenderão as regras. É a história que precisa de algumas contas simples para se desenrolar.

em geral. de forma interdisciplinar e. Estes parâmetros dirigem o seu foco principal para a cidadania e a formação do indivíduo de forma globalizada. E o que seria? Principalmente a utilização de metodologias agradáveis e adequadas às crianças que façam com que o aprendizado aconteça dentro do “seu mundo”. o aluno não deve somente absorver conteúdos. de valorização dos demais e convívio com as diferenças. e no ser humano em geral. devemos lembrar que criança é somente um ser pequeno e doce. Isto foi e sempre será dessa maneira. construir uma pipa ou ouvir uma história.Esta forma de ver o papel da educação esta de acordo com o conteúdo dos Parâmetros Curriculares Nacionais. temendo pelo fim da inocência. Para que isto seja possível os PCNs contemplam. O jogo e as atividades lúdicas. pluralidade cultural. trazendo sempre um inconfundível brilho no olhar ao pular amarelinha. nós que às vezes nos atrapalhamos com teorias complicadas e esquecemos de oferecer a elas as coisas mais simples. quando falamos em lúdico e no brincar não estamos falando em algo fútil e superficial. mas necessita desenvolver habilidades. dramatização e manifestações artísticas atraia e motive a criança a participar. para o ensino fundamental. de forma hábil. além das disciplinas tradicionais. saúde. isto porque as diferentes combinações que um jogo pode encerrar o uso de elementos desafiantes e externos. as crianças não mudaram. fazendo com que ela seja uma pesquisadora consciente . proporcionarem o desenvolvimento de múltiplas capacidades.2. do tipo de jogos. ou seja. sobretudo. Facilitador da auto – descoberta e a auto – avaliação. histórias. mas de uma ação que a criança faz de forma autônoma e espontânea. aspectos como a criatividade. Entendemos que utilizar metodologia lúdica. formas de expressão e de relacionamento. Jogos educativos: a proposta de uma história Será que poderíamos falar que o uso do lúdico na educação começou com Comênio quando da publicação em 1657 a obra “O mundo ilustrado das coisas sensível” considerada o primeiro livro ilustrado para crianças? Para esta resposta precisaríamos conceituar o que entendemos como o uso do lúdico na educação. meio ambiente e educação sexual. sem o domínio direcionador do adulto. podem ser os principais veículos para atender estas propostas. a cooperação. o senso crítico e o espírito empreendedor os jogos aparecem para. das coisas que lhes são importantes e naturais de se fazer. atitudes. as coisas de crianças… 7. motivando uma postura de desafio para novas conquistas e aprendizagem. as interações entre os alunos em diferentes combinações em equipes facilitam a abordagem em diferentes temas. que respeitam as características próprias das crianças. especialmente no tocante aos Temas Transversais. capazes de descortinar potencialidades e minimizar limitações. E haveria outras coisas que as interessassem mais do que a brincadeira? Assim. com maior adesão e participação dos meninos e meninas. Estes novos parâmetros têm também como principal preocupação que esta gama de assuntos seja transmitida de forma transversal. E se às vezes nos assustamos com as crianças manejando tecnologias para nós incompreensíveis. assuntos como ética. seus interesse e esquemas de raciocínio próprio. Em uma época em que se fala muito das inteligências múltiplas e que se valoriza nos alunos.

daquilo que julgamos que ser importante e estar no momento adequado para ela aprender. isto porque. Em 1905. Rousseau ao escrever o Emílio em 1762 dá um passo decisivo para colocar a criança em uma categoria de especificidade própria. Contrariamente a metodologias passivas onde o aluno é tido como um mero receptáculo do saber. devido ao grande índice de mortalidade infantil. conforme definido no segundo parágrafo. Assim. a criatividade e o trabalho em conjunto. voltando para Comênio poderíamos entender melhor o animo que o levou a conceber um livro ilustrado pela leitura de um trecho de sua Didática Magna onde aponta como um dos fundamentos do ensinar e aprender com facilidade. torna-se-nos evidente que a educação da juventude se processará facilmente se: E se os espíritos forem constrangidos a fazer nada mais que aquilo que desejarem fazer espontaneamente segundo a idade e por efeito do método. Neste panorama preocupar-se em ilustrar fartamente um livro para crianças aprenderem latim seria um ato que alimentaria a espontaneidade do aprender. dentre outros. onde a certeza da absorção do conhecimento fica meio nebulosa. Nela ele dá continuidade ao pensamento da autonomia. colocando-as imediatamente sob os sentidos. E. seria possível que não “vingasse” e seria contraproducente gastar tempo com elas. . Por isto ele é tido como o Pai da Pedagogia Moderna. Portanto uma metodologia lúdica. A obra de Rousseau influenciou e foi ponto de partida para muitos pensadores da educação dentre eles Pestalozzi que foi um grande estudioso de sua obra. A grande lição de Rousseau é que um projeto pedagógico não existe isoladamente e não se faz isolado da vida das crianças. O cerne de sua metodologia é a educação pela ação. reflexão e pelo exercício. coloca o aluno como centro do processo educacional e é a primeira vez que dá notícias do uso de jogos com objetivos pedagógicos. mostrando que se o educador leva em conta estas características ele poderá ser mais eficiente. repito-o. que se processa segundo um andamento suave e agradável. entusiasmado com isso ele passa a ser um estudioso deste método e desenvolve sua própria teoria chamada “Philosofie de la Sphère”. Embora ele não tenha tido como profissão inicial à de professor (formou-se em lingüística em 1765 foi um grande estudioso da educação e formulou vários postulados que o levaram à criação de institutos de ensino que pudessem testá-los). tal como preconizou Rousseau. Assim. tudo se processará segundo um andamento suave e agradável. estimulando a iniciativa. Se a criança inexistia até mesmo fisicamente o que se diria então de dar-lhe características abstratas e próprias de pensamento? O que de fato somente começaria a ser levado a sério no início do século XX com os estudos Montessori e Piaget. Se observarmos as pegadas da natureza. As crianças provenientes das famílias abastadas eram mantidas longe de suas famílias e criadas por amas de leite até cerca de oito anos. para entender a importância deste ato de Comênio é imprescindível se recorrer ao papel que a criança exercia na sociedade desta época. em outras palavras uma educação voltada para a autonomia. Se todas as coisas forem ensinadas. Froebel começa a trabalhar em uma escola cuja metodologia era a de Pestalozzi.

Freinet em sua “Educação pelo Trabalho” defende que agindo. anímico e espiritual. Como é sabido os dois estudiosos trazem grandes divergências e grandes convergências. onde ela tem a liberdade de escolha no que quer fazer. Como fruto deste trabalho as teorias construtivistas modernas encontram-se orientadas segundo as seguintes afirmações: Valorização do pensamento do aluno: Estes são vistos como pensadores com direito a emitirem suas opiniões. A liberdade de pensamento estimula a análise. 1987. devido ao seu lamentável curto período de vida. o que torna o fruto do trabalho certamente mais rico. classificação e a criatividade. Mas o significativo é que ambos os pensadores reconhecem o papel ativo da criança na construção do conhecimento. Piaget e Vygotsky pensadores em cujas teorias pesquisas e práticas erigiram-se as bases das metodologias educacionais em prática na atualidade. o trabalho coletivo e comunitário. O ensino é dado de acordo com essas características: um mesmo assunto nunca é dado da mesma maneira em idades diferentes. E sentiam prazer pela própria perfeição. O que lhes interessava era descobrirem a si mesmas. no fazer e na própria avaliação dos seus resultados. em estágios. que poderão se transformar ao longo do percurso e. Sua pedagogia incentiva às aulas fora do ambiente escolar. A importância de Vigotsky só não pode ser comparável pela quantidade menor de sua produção científica. Maria Montessori. Para Piaget o processo de conhecimento se dá através da percepção de que o sujeito faz do seu redor. p64). Já Vigotsky na teoria Histórico cultural o sujeito é interativo porque constitui conhecimento e se constitui a partir das relações intra e interpessoais. esta interação gera diferentes perspectivas. e se exercitarem numa espécie de mundo oculto como é o da vida que se desenvolve”. Mas é sem dúvida em Piaget que se encontram as bases de estudo para o entendimento da forma de compreensão e raciocínio da criança. tornando-se espertas e ágeis. Steiner e sua Pedagogia Waldorf tem como embasamento à concepção de desenvolvimento do ser humano que leva em conta as diferentes características das crianças e jovens segundo sua idade aproximada. criando e construindo é que se processa um aprendizado efetivo. provoca a construção do conhecimento pelo próprio aluno. . “Nossas crianças aprenderam a movimentarem-se entre as coisas sem esbarrar nelas. Maria Montessori era médica e através da experimentação percebeu que a criança aprende melhor quando é colocada em seu mundo. Dar novo rumo ao conteúdo a ser aprendido. Freinet. enfim.Vimos nascer grandes nomes como: Rudolf Steiner. onde cada novo estágio ocorre apenas quando há o equilíbrio que é fruto das assimilações e acomodações feitas no estágio anterior. Cada um com suas peculiaridades. a correr sem produzir ruído. (Maria Montessori. O conhecimento se dá a partir da ação do sujeito sobre a realidade. a troca de experiência leva à complementação de conhecimentos de um aluno pelos outros. mesmo. as suas possibilidades. Ela é uma pedagogia holística por ser encarada do ponto de vista físico. Aprendizado cooperativo: na proposta de construção de conhecimento.

principalmente. A coisa parece ser simples: Como poderemos ter uma sociedade livre se não ensinamos os futuros cidadãos a pensar? 7. em suas plenas potencialidades e. manifestarem indagações. o ideal da educação que faça desabrochar o ser como um todo. formularem estratégias. punindo-os quando dão idéias e minando o seu senso crítico na apresentação de dados prontos e inquestionáveis. seu planejamento e as novas ações. O desenrolar da brincadeira seguirá regras que ele consente ou que foram negociadas livremente entre os seus pares. A construção do conhecimento não é altamente valorizada como a capacidade de demonstrar domínio dos conhecimentos convencionalmente aceitos. E que ponto de identidade teriam todos os outros? O da autonomia do aprendiz. E o que tudo isto tem a ver com o jogo e o lúdico? Simplesmente porque é a maneira natural das crianças interagirem entre si. De uma maneira ou de outra todos pregam a liberdade dos estudantes de buscarem conhecimentos e formularem as suas próprias idéias. o incentivo ao diálogo. em total liberdade.Tarefas e matérias interdisciplinares. Atribuir as teorias construtivistas de “modernas” demais e. E sua participação estará condicionada às suas habilidades. astúcia e o planejamento em usá-las. A pedagogia Froebel desenvolve esta linha no seu modelo de educação esférica onde os alunos aprendem em contato com o real. colaborativos. pois são conceitos inerentes à lógica humana) é a incongruência de se querer formar homens e mulheres participantes. o fará tirar conclusões e reposicionamentos provavelmente de forma solitária. rejeitá-las é muito cômodo. por isso. vivenciando situações. A autonomia pregada por Rousseau e seguida por Pestalozzi é situação natural quando falamos da criança no jogo. e . pesquisado em fontes primárias de dados e materiais manipuláveis. será que os seus antecessores que pregaram metodologias educacionais de vanguarda em sua época não apresentaram grandes identidades de pensamentos? Pestalozzi conserva em sua metodologia muitas das características do construtivismo: o ensino pela experimentação. verificarem seus acertos e erros e poderem. sem influências. que privilegiam o todo. Os professores são os mediadores entre o ambiente. através deles. Encorajam o diálogo entre os alunos e apresentam formas de manipulação de um conteúdo aberto e significativo. O aluno é levado a refletir sobre estes objetos. Ele.3. o conteúdo e o aluno: na ótica dos itens apresentados acima os professores são os grandes maestros que incitam a indagação. As lições que ele retira do resultado. sem qualquer punição. exercendo o seu poder de escolha quanto ao destino que dará ao seu tempo. reformularem. colocando o aluno como o centro da ação. e seus parceiros estão lá espontaneamente. com as coisas e os objetos de aprendizagem. criativos e úteis fincando-os em uma carteira. a tomar consciência deles. O ensino estabelece como premissa a noção de que existe um mundo fixo que o estudante deve vir a conhecer. Embora a maioria dos educadores atribui as bases do construtivismo a Piaget e Vigotsky. Mas o que a história conta a quatro séculos (e deve ser muito mais.

O jogo quando aplicado com objetivos educacionais opera muito mais do que no desenvolvimento físico. interesses e necessidades desse grupo. pois pode desenvolver a inteligência. 1999. ou os conflitos e problemas. p 82). Situações que privilegiam a iniciativa. social. como pode parecer à primeira vista. ou saber qual o estágio de desenvolvimento em que se encontram essas crianças. “O poder do jogo. ou. o que pretende é estimular o desenvolvimento de determinadas áreas ou igualmente promover aprendizagens específicas. ela aprende a tomar decisões. proponho a seguir um instrumento metodológico através do qual o educador possa conhecer a realidade lúdica do seu grupo de crianças.1. CAPÍTULO VI 8. isto é. se pretende ter um diagnóstico do comportamento do grupo em geral e dos alunos de forma individual. habilidades artísticas e estéticas. Assim. permitindo-lhe o aproveitamento de todo o seu potencial.mesmo que em conjunto com o seu grupo. ultrapassando uma visão meramente conteudista. Encontramos ralações também no tocante à busca do desenvolvimento do ser como um todo. o educador deve ter seus objetivos bem claros. . lingüístico e físicomotor e propiciar aprendizagens específicas. há uma decisão por parte dos jogadores: decisão de entrar no jogo. mas uma situação na qual esse comportamento adquire uma significação específica. Se. desenvolvido. A ação e experimentação de Maria Montessori e a ação da “Educação pelo Trabalho” de Freinet estão de acordo com uma metodologia que utiliza o jogo como mecânica para aprender. porém. não há mais jogo. idéias. No jogo a criança não é mais do que é na realidade. conflitos e dificuldades. ainda. (Brougére. constitua um meio de estimular o desenvolvimento cognitivo. os sentidos. de criar situações imaginárias permite à criança ir além do real. mas não se limita a isso. Nele a criança toma iniciativa. com total independência. o que pode ser muito bem usado na aplicação da teoria das inteligências múltiplas de Howard Gardner. detalharei essa proposta. Sem livre escolha. e da perspectiva interacionista – construtivista. a partir do jogo. a criatividade e a cooperação. vivência de regras éticas e o relacionamento social. Haverá situação que coloca a criança em autonomia maior? O jogo não é um comportamento específico. afetivo. comportamento. o que colabora para o seu desenvolvimento. A ação como método também identifica o jogo com a pedagogia Waldorf. a introjetar o seu contexto social na temática do faz de conta. Para que essa situação particular se crie. Vê-se em que o jogo supõe comunicação e interpretação. executa. moral. Gilles. 8. planeja. afetividade. conhecer os valores. ter esse amplo panorama de informações. paralelamente. mas também de organizá-lo de acordo com modalidades particulares. é possível. Ao se enquadrar à atividade lúdica no contexto educacional. Ela aprende e se desenvolve. e sim sucessão de comportamentos que têm sua origem fora do jogador. e que. O poder simbólico do jogo do faz-de-conta abre um espaço para a apreensão de significados de seu contexto e oferece alternativas para novas conquistas no seu mundo imaginário”. avalia. O jogo como meio educacional E se a escola fosse o lugar da criança brincar para crescer e aprender? Partindo da análise da estrutura de um jogo. A seguir. seus interesses e necessidades. possibilidade de decidir. Enfim.

um ego íntegro e uma autonomia que sustente uma saúde mental positiva. Em relação ao desenvolvimento moral as crianças constroem normalmente o seu próprio sistema de valores morais. pelo afeto e pela confiança (necessidades básicas das crianças). do qual depende seu desenvolvimento geral. curiosa. responsabilidade e cooperação. sobre as coisas. assim como a construção e o acesso aos conhecimentos socialmente disponíveis do mundo físico e social. moral e físico-motor). devemos situá-lo a partir da definição de objetivos mais amplos. no dia – a – dia. junto com outras instâncias da vida social. Nesse sentido. a autonomia terá um campo para se desenvolver tanto do ponto de vista intelectual como do sócio-afetivo: a descentração e a cooperação são básicas para o equilíbrio afetivo da criança. lingüístico. criatividade. Através da construção autônoma se forma uma boa concepção de si. previamente. A educação deve instrumentalizar às crianças de forma a tornar possível a construção de sua autonomia. O jogo no contexto da educação Para pensar o jogo como meio educacional. independente. constata-se que as atividades que as crianças estão realizando na escola têm um tratamento compartimentado.2. Esses são os requisitos práticos fundamentais para começar o trabalho lúdico. Que papel tem a educação em relação à sociedade? A escola é um instrumento de transformação da sociedade. a educação deve privilegiar o contexto sócio-econômico e cultural. Nessa linha de pensamento. afetivo. assim como espíritos capazes de criticar e distinguir entre o que está provado e o que não está deve ser o principal objetivo da educação. assim como exprimir seu pensamento com convicção são características que fazem parte da personalidade integral da criança. criticidade. reconhecendo as diferenças existentes entre as crianças (e considerando os valores e a bagagem que elas já têm). para que essas transformações se efetivem. sua função é contribuir. ter a preocupação de propiciar a todas as crianças um desenvolvimento integral e dinâmico (cognitivo. ter iniciativa e confiança na sua capacidade de construir uma idéia própria. criativos. inventivos e descobridores. 8. devese encorajar a autonomia e o pensamento tico independente. Os objetos. Esse processo é uma verdadeira – construção interior. Para ajudar os indivíduos a chegar a níveis mais elevados do desenvolvimento afetivo e cognitivo. em função das necessidades e dos interesses do grupo e segundo seus objetivos. O educador deve definir. Tornando como base à concepção da criança como ser integral. baseando-se em sua própria necessidade de confiança com as outras. o trabalho da escola deve considerar as crianças como seres sociais e trabalhar com elas no sentido de que sua integração na sociedade seja construtiva. Ser esperta. . Deve também definir os espaços físicos. aonde esses jogos irão se desenvolver: dentro da sala de aula. social. Formar homens sensíveis. no pátio ou em outros locais. brinquedos ou outros materiais a serem utilizados devem ser providenciados. A aprendizagem depende em grande parte da motivação: as necessidades e os interesses da criança são mais importantes que qualquer outra razão para que ela se ligue a uma atividade. qual é o espaço de tempo que o jogo irá ocupar em suas atividades. Num contexto onde a relação adulto – criança caracteriza-se pelo respeito mutuo.o jogo pode ser utilizado como um instrumento de desafio cognitivo.

afirma que no jogo a criança transforma. 8. a criança tem acesso à cultura. a criatividade e a criticidade. mas sua utilização não exclui outros caminhos metodológicos. não somente abre-se uma porta para o mundo social e para a cultura infantil como se encontra uma rica possibilidade de incentivar o seu desenvolvimento. existe no homem a experiência histórico-social. já que essa seria uma postura ingênua: o jogo é uma alternativa significativa e importante. que é o produto do desenvolvimento transmitido de uma a outras gerações. Há um aspecto ao qual se deve dar especial atenção ao se trabalhar com o jogo de forma mais consciente: o caráter de prazer e ludicidade que ele tem na vida das crianças. a possibilidade de trazer o jogo para dentro da escola é uma possibilidade de pensar a educação numa perspectiva criadora. pensando na participação dinâmica da criança nesse processo. consciente. sua importância no desenvolvimento integral das crianças. Aqui. levando-se em conta a realidade de cada grupo de crianças. sua espontaneidade e. integrando . Partindo de uma concepção sócio-construtivista-nteracionista do jogo. além da experiência individual. devem ser levados em conta seus interesses e necessidades. A idéia de aproveitar o jogo como alternativa metodológica não prioriza sua utilização enquanto mero instrumento didático. aos valores e aos conhecimentos históricos. Antes de passar ao detalhamento desse instrumento metodológico. pela imaginação. A certa altura do seu desenvolvimento. Para tal. Através do jogo.Para concretizar esses grandes objetivos. proponho um instrumento de análise do jogo que permite o aproveitamento desse recurso no âmbito da educação. a partir de atividades que constituam desafios e seja ao mesmo tempo significativo e capazes de incentivar a descoberta. é interessante a construção progressiva. deve-se destacar as interações sociais de uma criança com outras ou com adultos no processo de construção do conhecimento. de estratégias metodológicas que respondam aos objetivos formulados. e o educador deve ter bem claros esses objetivos. pensando-o como um meio de garantir a construção de conhecimentos e a interação entre os indivíduos.3. Sem esse componente básico. os objetos produzidos socialmente. Nesse sentido. Nessa interação. ou seja. Ele ainda ressalta a importância dos signos para a criança “internalizar” os meios sociais. Assim. como vincular a atividade lúdica à função da escola. Essa metodologia deve ser construída. junto com ela. a criança amplia os limites de sua compreensão. A importância das interações sociais e do contexto sócio-cultural Segundo a linha teórica interacionista – construtivista. Leontiev (1903-1979) amplia essa idéia afirmando que. analisarei as principais idéias teóricas que o sustentaram. através da experiência social. as concepções construtivistas de Piaget vêm responder às idéias de desenvolvimento e aprendizagem que elaboro em seguida. deve-se prestar especial atenção para não considerar a atividade lúdica como único e exclusivo recurso de ação. Vygotsky. autônoma. que se aprofundou no estudo do papel das experiências sociais culturais a partir da análise do jogo infantil. perde-se o sentido de utilização de um instrumento cujo intuito principal é o de resgatar a atividade lúdica. É nessas estratégias que quero situar o jogo como mais uma alternativa metodológica. As idéias de Vygotsky e seus discípulos foram relevantes para a compreensão da importância do contexto sócio-cultural e das interações sociais. na prática educacional.

a criança pode escolher entre aceitar ou discordar de certas convenções. A motivação é outro fator que influencia o desenvolvimento: se a motivação é grande. forma de representação verbal é básica no processo de desenvolvimento. a criança irá se esforçar para fazer coisas mais complexas. a imaginação e a criatividade e. sua identidade. o jogo é o canal através do quais os pensamentos e sentimentos são comunicados pela criança. passar do pensamento concreto ao pensamento mais abstrato. O jogo está intimamente relacionado à representação simbólica e reflete e facilita o desenvolvimento dessa representação.5. esse conhecimento poderá ser usado no sentido de ajudá-las no desenvolvimento de uma compreensão positiva da sociedade e na aquisição de habilidades. sua autoimagem positiva. Até adquirir a facilidade da linguagem. pois os problemas afetivos canalizarão suas energias. Amor. Paralelamente. Porém o jogo também pode ser um meio de promover aprendizagens ou induzir comportamentos que os adultos não desejam encorajar. Esse processo dialético entre a criança e a sociedade tem na linguagem um dos signos mais importantes do desenvolvimento infantil. portanto. ler e escrever são formas de o indivíduo ter acesso aos conhecimentos construídos histórica e socialmente.4. O desenvolvimento da linguagem A linguagem. por meio da linguagem. No jogo. medo. Assim. crenças sociais. ódio. Se despertar nas crianças a consciência dos conhecimentos sociais que estão acontecendo durante o jogo. o meio básico de comunicação social dos indivíduos. Piaget sustenta que a linguagem só aparece depois do pensamento. é possível desenvolver a memória. O desenvolvimento afetivo À medida que a criança se desenvolve e interage com o meio e com o grupo. A criança afetivamente perturbada sofrerá um bloqueio no desenvolvimento geral. Os padrões iniciais praticados durante o jogo são padrões de interações sociais que as crianças irão usar mais tarde nos seus encontros com o mundo. insegurança. O jogo oferece. na verdade. de interagir socialmente. um meio. e que ele depende sobretudo da coordenação de esquemas sensórios-motores. A linguagem é. o conhecimento acumulado da cultura e os conceitos científicos) ao seu próprio conhecimento. promovendo seu desenvolvimento social. A afetividade é uma constante no processo de construção do conhecimento e é ela que. tanto de cooperação como de competição social. muito especialmente. muitas vezes. agressividade. O jogo pode ser muito significativo no que se refere ao conhecimento social mais amplo e à melhoria do comportamento em prol do social. Falar. lealdade e estratégias. portanto. durante o jogo. . suas personalidades são desenvolvidas. a criança pode experimentar tanto as convenções estipuladas na sociedade como as variações dessas convenções. tensão. 8. alegria ou tristeza são alguns dos afetos mais comuns. irá influenciar o caminho da criança na escolha dos seus objetivos. a possibilidade de aprender sobre solução de conflitos. A linguagem é uma forma de se comunicar e se expressar.símbolos socialmente elaborados (valores. 8. com os quais o educador deverá lidar para encaminhar a criança no seu desenvolvimento. negociação.

(Kamii & Devries. Os jogos em grupo. O desenvolvimento moral O desenvolvimento moral é igualmente um processo de construção que vem do interior. são particularmente interessantes. No jogo pode ser comprovada a importância dos intercâmbios afetivos das crianças entre elas ou com os adultos significativos (os pais e os professores). A oportunidade de a criança expressar seus afetos e emoções através do jogo só é possível num ambiente e espaço que facilitem a expressão: é o adulto que deve criar esse espaço. e uma cooperação. Os jogos constituem sistemas complexos de regras. 1980). Com a perspectiva geral do desenvolvimento e da função do jogo. pois um tem que prever o que o outro vai fazer. Essa relação de confiança e respeito é o pano de fundo para o desenvolvimento da autonomia. através da afirmação do eu e na idade escolar. 48). enquanto os jogos sociais comportam regras elaboradas pelas crianças. Na transmissão das regras do jogo de bolinhas. com quem e por quanto tempo. são os mais velhos os que passam primeiro às crianças a forma de brincar. ajudando na tarefa de consolidação do eu. Todas as áreas de desenvolvimento foram analisadas de forma independente.7. elas estão integradas. para que ele possa acontecer. quando ela as constrói de forma voluntária. 8. o trabalho em grupo.a consciência da regra. seguindo-as e aceitando suas conseqüências”. as regras morais foram recebidas pelas gerações anteriores de adultos. O jogo é uma “janela” da vida emocional da criança. a observação do jogo espontâneo infantil é o ponto de partida. O jogo espontâneo é considerado o meio essencial da aprendizagem e do desenvolvimento das crianças de zero a seis anos. por exemplo. no ser humano. para melhor caracterizalas. não sendo possível isolá-las umas das outras. explicitarei a seguir uma metodologia alternativa para a utilização do jogo como um meio educacional.a consciência da razão de ser das leis. As instituições que incluem o jogo espontâneo no currículo incentivam idade. E só a cooperação leva à autonomia. No jogo ocorre a união da cooperação e da autonomia: . 8.6. são opostos. As regras do exterior são adotadas como regras da criança. são colaboradores. quando. “Os papeis de cada criança são interdependentes. o que implica a possibilidade de usar de estratégia. pois um não pode existir sem o outro. Já nas instituições lúdicas há realidades espontâneas e ricos ensinamentos. pois o jogo não pode acontecer sem um mútuo acordo dos jogadores nas regras. Piaget constata que a forma mais interessante para promover a cooperação. Nessa linha de pensamento. fator essencial do progresso intelectual. 1980. Instrumento Metodológico: registro e análise das características observadas durante um jogo Para proceder a um diagnóstico. Porém. . . regras arbitrárias que são fixadas por convenção e consenso.O jogo espelha e melhora o progresso da criança na pré-escola. aqueles nos quais as crianças brincam juntas e segundo regras convencionais. A criança constrói sua própria regra moral quando resolve “sacrificar certos benefícios imediatos em proveito de uma relação recíproca de confiança com o adulto ou com outras crianças” (Kamii. O jogo espontâneo é livre e nele a criança tem: ela estabelece a vontade de brincar como. sem pressões.

No caso dos jogos tradicionais. A interação social é indispensável para o desenvolvimento moral quanto cognitivo. a maioria deles têm como característica principal. “deixe a criança brincar”. se desenvolver. de forma clara. os educadores consideram-no um momento importante para observar as crianças em outras. Estrutura e características do jogo É assim que se brinca… Cada jogo tem suas regras.9. Esses “conselhos” são lidos. As crianças se tornam mais capazes de descentrar e de coordenar pontos de vista quando estão envolvidas em situações que requerem coordenação. As crianças se desenvolvem não apenas social. Mas cada grupo de crianças as interpreta. recreacionistas e outros. interagir com outras crianças.” (Piaget. 8. O desenvolvimento social nesta fase auxiliará de forma significativa a criança no período operacional concreto (6 aos 12 anos) pois neste ela terá que formular conceitos e realiza soluções de uma forma não apenas individual mas sim pensando no todo que a rodeia. Neste período as crianças ainda têm o egocentrismo como característica e o “brincar” na ludoteca auxilia e muito o desenvolvimento da noção de coletividade. a de serem jogos de regras. como a criança se . relatado por Piaget. moral e cognitivamente. Vou explicar as regras do jogo. professores. em outras. o jogo torna-se ainda mais importante. e não simplesmente ensinar as crianças a jogá-los. da experimentação. A Capacidade crescente das crianças de jogar jogos deve-se a sua crescente capacidade de se descentrar e coordenar pontos de vista a partir desta constatação acredita-se que os jogos em grupo devem se usados na sala de aula não pelo mero fato de se ensinar as crianças a jogá-los. ainda. descarregar energias e agressividade. cria e recria a seu modo. Cabe a você traduzi-Ias… “Brincar é importante”. Quando falamos de crianças de 4 a 7 anos. mas continuamos sem entender. 8. 1994). “Os jogos infantis constituem admiráveis instituições sociais. pois estas se encontram no período pré-operacional. “o jogo é uma necessidade do ser humano” etc.Em algumas escolas. a criança pode se expressar através do jogo. A importância dos jogos em grupo O objetivo dos jogos em grupo é o de estimular o desenvolvimento da socialização e o da autonomia. o jogo espontâneo não tem espaço. mas também política e emocionalmente através dos jogos. as respostas são várias. da criatividade. ouvidos e dados a todos aqueles que lidam com crianças: pais.8. da pesquisa e de aprendizagens significativas. O jogo é uma forma de atividade particularmente poderosa para estimular a vida social. mas para promover sua habilidade de coordenar pontos de vista e a socialização. o jogo espontâneo é simplesmente um “recheio” entre idade e outra. (2 aos 6 anos). aprender… Sim. Os educadores que dão destaque ao jogo espontâneo no planejamento consideram-no como um facilitador da autonomia. Por quê? As respostas são variadas: é um momento de divertimento. Há uma intuição generalizada de que o jogo é importante para a criança.

o que é bastante importante. a publicidade. o jogo. Essa importância será mostrada no decorrer deste livro. ao mesmo tempo. sobretudo. sobretudo nos níveis pré-escolar e de 1º grau. a propaganda e toda a mídia eletrônica têm influência profunda na mente infantil. Se a televisão tira tempo do jogo. Através do jogo. Para o adulto o jogo constitui um “espelho”. para cada faixa etária. tanto dentro como fora da escola. em contato com outras crianças e outros adultos e. Partindo da idéia de que o jogo é uma necessidade para a criança. Quando pensamos na atividade lúdica. O tempo e espaço de brincar O jogo acontece em determinados momentos no cotidiano infantil. que deixa de ser dedicado à atividade lúdica. sua formação moral. Antes de passar a uma análise mais detalhada sobre a atividade lúdica.9. e. seu estágio de desenvolvimento. da participação grupal. uma fonte de dados para compreender melhor como se dá o desenvolvimento infantil. Daí sua importância. cooperação. os objetos do jogo. 8. Embora a televisão ocupe um intervalo significativo de tempo. para que serve cada jogo. a forma como interage com seus colegas. ela está se comunicando com o mundo e também está se expressando. tanto do ponto de vista teórico como através de uma análise das informações que os vários tipos de jogos podem nos fornecer e como podemos aproveitá-las na prática. O desenvolvimento e o aprendizado da criança se dão também outras instâncias de seu dia-a-dia.1. de percepção de si e do outro e. ela desperta a criança para questões novas. fora da escola. seu desempenho físicomotor.desenvolve através do jogo. Entretanto. Por quê? Há evidentemente um programa de ensino a ser cumprido e os objetivos a serem atingidos. A televisão. Com isso. mais especificamente. na sala de aula. para que possamos conhecer melhor o nosso objeto de estudo. ela é uma fonte de informações um estímulo sumamente rico que a criança processa. de forma direta com os meios de comunicação. Na escola “não dá tempo para brincar”. atuação individual. É fundamental tomar consciência de que a atividade lúdica infantil fornece informações elementares a respeito da criança: suas emoções. seu nível lingüístico. a importância de cada um para a realização do jogo. o que é um fator negativo. destaquemos suas variáveis. justificam os educadores. os parceiros do jogo. e ter um tempo preestabelecido durante o planejamento. o jogo pode e deve fazer parte das atividades curriculares. constata – se que o tempo para ela brincar tem se tornado cada vez mais escasso. o que ela aprende brincando e. o jogo fica relegado ao pátio ou destinado a “preencher” intervalos de tempo entre aulas. a relação entre meios e fins. devemos levar em consideração: o tempo e o espaço de brincar. O jogo implica para a criança muito mais do que o simples ato de brincar. . Podemos vir no jogo à possibilidade de solidariedade. modificando e enriquecendo sua temática. fornece conteúdos que a criança assimila e que se espelham em seu jogo.

os condomínios dos apartamentos têm surgido como um novo espaço de jogo e troca entre as crianças. podendo ser um quarto só para jogos. São espaços públicos e/ou privados que funcionam como bibliotecas de brinquedos. surgiram desde o começo da década de 80 as chamadas brinquedotecas ou ludotecas. quando não tem uma . divisórias etc. na escola. dentro de casa. a criança se comunica verbalmente ou através de gestos. O espaço reservado à atividade lúdica da criança dentro da casa (quando ele existe) muda de um contexto para o outro. um quintal. já que a criatividade das crianças toma conta dos espaços e os transforma em função das suas “necessidades lúdicas”. O espaço e o tempo definem. um pátio.3. Para brincar de mamãe ela consegue transformar um lápis e uma borracha em pai e mãe. ainda. enfatizando o resgate do tempo do brincar no dia-a-dia infantil.9. Dentro de suas possibilidades. as características de cada brincadeira. Em relação ao espaço do brincar. e em crianças que apresentam algum distúrbio emocional. pois. podem ser desenvolvidas atividades aproveitando mesas. os objetos ou os brinquedos tomam vida e tornam-se parceiros da criança. Os objetos do jogo A criança brinca de lutar tanto com um galho de árvore como com uma espada do He-Man. Em creches. o pátio é a principal “testemunha” do jogo infantil. Alternativamente. se colocar no lugar do outro. Brincar na rua é um aprendizado e uma oportunidade para a criança interagir com outros parceiros e desenvolver jogos nos qual a atividade física predomina. Durante essas trocas. o espaço de trabalho pode ser transformado em espaço de jogo. No jogo partilhado com um ou mais indivíduos (outras crianças ou adultos). como recursos. o lúdico tem mais chance de acontecer. sobretudo no pátio. a criança “transforma” esses espaços para adaptálos a sua brincadeira. sons. A brincadeira na rua ou em outros espaços abertos tem várias implicações (não considerando a questão da falta de segurança). escolas e universidades há brinquedotecas com fins especificamente educacionais. que tradicionalmente se dava na rua. de espaços lúdicos. com seu próprio corpo ou com o espaço. o espaço é muito limitá-lo. Essas interações sociais são fundamentais no jogo. organizados de forma que as crianças possam desenvolver criativamente suas atividades lúdicas. no clube. realizar ações mais ou menos prazerosas e expressar-se. Em qualquer um dos casos. Na sala de aula. 8. cadeiras. 8. Na escola é possível planejar os espaços de jogo.9. espaço privilegiado de algumas poucas crianças. a criança tem a oportunidade de assumir diversos papéis. além dos parques e praças (escassos nas grandes cidades). houve um recuo: brincar na rua é um risco. experimentar.2.É na “dosagem” do aproveitamento que a criança faz do seu tempo livre deve entrar o papel do adulto. O parceiro do jogo Em algumas ocasiões a criança brinca sozinha: esse comportamento é freqüente nos pequenos (mais egocêntricos). A criança brinca também com as palavras. Fora da sala. a área comum de um condomínio e outros. a brincadeira “corre solta” e a atividade física predomina. É nas interações estabelecidas com outras pessoas que o jogo acontece e assume características únicas. Como alternativa.

além dos parques e praças (escassos nas grandes cidades). divisórias etc. jovens e adolescentes vão brincar”. a primeira brinquedoteca foi instalada na Escola Indianópolis. Finalmente. sobretudo no pátio. podem ser desenvolvidas atividades aproveitando mesas. destinam-se à pesquisa de brinquedos. que. com o sentido de jogo. termo adequadamente justificado. de que a primeira ludoteca foi fundada em 1934 na cidade de Los Angeles (Califórnia). cadeiras. Em creches. há brinquedotecas com fins basicamente sociais. além de atender à comunidade.2. Entre seus objetivos. o espaço de trabalho pode ser transformado em espaço de jogo. Na escola é possível planejar os espaços de jogo. A brinquedoteca como facilitadora do processo de socialização. como recursos. Esse tipo de brinquedoteca tem aumentado em diversos centros comunitários. As cores. surgiram desde o começo da década de 80 as chamadas brinquedotecas ou ludotecas. está oferecer. além da rua e do reduzido espaço das casas. Nos dias atuais. Em 1960 a UNESCO lançou a idéia a nível internacional. A imaginação e a fantasia da criança são extremamente férteis: ela pode chegar a criações incríveis de objetos de brincar. uma vez que na língua portuguesa se utiliza habitualmente o vocábulo” brincar “. História das ludotecas “As ludotecas são espaços de jogos. madeira etc. mantêm brinquedotecas. Outras brinquedotecas têm fins terapêuticos e funcionam em clínicas e hospitais. A palavra Ludo tem origem na palavra latina ludu. a criança tem oportunidade de se desenvolver. Fora da sala. de espaços lúdicos. escolas e universidades há brinquedotecas com fins especificamente educacionais. divertimento” (NEGRINE. mas nada concreto. No Brasil. a brincadeira “corre solta” e a atividade física predomina. pano. ainda. Airton. o apelo ao consumo fala mais alto. Como alternativa. É o caso de brinquedos feitos de sucata. Algumas empresas. Na sala de aula. organizados de forma que as crianças possam desenvolver criativamente suas atividades lúdicas. São espaços públicos e/ou privados que funcionam como bibliotecas de brinquedos. “ No Brasil se costuma denominar de brinquedoteca. Existem indicadores. 1994.1. CAPÍTULO VII 9. 9. em São Paulo. as normas de segurança até a especificação das características do brinquedo. 9. ao mesmo tempo. ensino e aprendizagem das crianças da educação infantil. 62). A implementação de espaços lúdicos em hospitais pediátricos permite um trabalho complementar de comprovada importância para apoio psicológico às crianças internadas. sobretudo quando atinge as crianças para a compra de atrativos brinquedos. sobretudo os fabricantes de brinquedos.boneca ao seu alcance. uma oportunidade diferente para a criança brincar. Atualmente elas se multiplicam por todo o país. O aperfeiçoamento dos brinquedos é cada vez maior e a preocupação dos fabricantes vai desde os materiais. interagir com outras crianças e adultos e ter acesso a brinquedos raros para elas. onde crianças. com o objetivo de estimular o desenvolvimento das crianças e sendo assim concluíram que a escola seria o melhor lugar . quando se faz referência ao jogo infantil.

a ouvir e até mesmo a ter um espírito de liderança. mas as escolas mais tradicionais ainda. os jogos não devem ser feitos de forma aleatória. A utilização de métodos criativos de ensino nas aulas. 9. mas acredita-se que foi logo após a expansão das ludotecas na Espanha. mas também a exercer influência sobre a indústria dos brinquedos. na escola e na sociedade de um modo geral. As atividades lúdicas utilizadas em sala de aula são consideradas um meio pelo qual a criança desenvolve sua criatividade. brinquedos e ludotecas. o professor deve observar o momento de introduzi-lo e . realizou-se o III Seminário estatal sobre jogos. não se possuem registros exatos de como e quanto elas cresceram. em São Paulo. A socialização é o processo pelo quais os indivíduos são preparados para participar de sistemas sociais e em contrapartida a socialização é a habilidade para a convivência social. O conhecimento social surge a partir da primeira socialização ocorrida na família onde a criança conhece os valores e hierarquias familiares. No Brasil não há um ano específico e citado para o surgimento. Para que se possa ter uma idéia do percurso histórico das ludotecas. Já o papel da socialização do comportamento é moldar o individuo tem sua trajetória social. Neste sentido. pois tratava de um modelo pedagógico-social de ludoteca como instituição educativa e parte integrante e responsável também pela socialização das crianças. pois antes disto elas existiam em bairros e ou centros de cidades.para que as ludotecas fossem implantadas. as ludotecas como espaço lúdico alternativo são instituições que possibilitam a abertura de um novo e proveitoso campo de atuação. Na Espanha em 1922. do jovem e ao adulto. A investigação e o tema eram totalmente desconhecidos. já existiam 125 ludotecas e a tendência era de que estas continuassem se multiplicando e foi o que realmente ocorreu. A partir daí.3. pois através dos jogos em grupo a crianças aprende a repartir. pode-se dizer que um 1979 Maria de Borja. faz com que os alunos tenham gosto pelas aulas. Isso significa que os pedagogos definitivamente não apenas passaram a investigar os resultados do jogo no processo de desenvolvimento e aprendizagem. Conhecimento Social e Socialização do Comportamento A socialização surge de processos estabelecidos pela sociedade vigente onde o individuo se insere e agrupa novos conceitos a sua conduta social que derivam de sua participação e convivência em grupo na família. sua capacidade de socialização. Nos jogos estas características de conhecimento social e socialização do comportamento são evidentes e notórias. dínamo do conhecimento infantil. apresentou na Espanha uma tese doutoral: “Estudo para implantação de uma rede de ludotecas na Catalunha” (Espanha). Atualmente a grande maioria das escolas que seguem a linha construtivista possui inseridas nos ambiente escolar uma ludoteca. seu espírito de liderança e a capacidade de atuar em grupo. adaptando-o e incluindo-o nas relações grupais. Em 1993. depois ele se expande por toda a vida da criança. já que as relações de sociabilidade estão intrinsecamente ligadas ao “brincar”.

movimentos.qual a sua aplicabilidade naquele momento. competições. a sua importância para o desenvolvimento cognitivo. Para Friedmann (1996. O professor comandava toda a ação do aluno. p. imóveis em suas carteiras comandando os olhares das crianças para que ficassem com os olhos no quadro – negro. facilitando seu processo de socialização.No presente. O jogo como instrumento motivador da aprendizagem matemática A maneira como se ensina leva a vários resultados diferentes e não significa que ocorra aprendizagem. O jogo era visto apenas como disputa. e ensinar é oportunizar essa construção. O que se percebia na escola. mas sim o conhecimento do mundo que a cerca. Seu mundo cultural. Atualmente o jogo não pode ser visto e nem confundido apenas como competição e nem considerado apenas imaginação. e aprender não é apenas aceitar o que se diz. ou tinham distorções sobre a sua função. através dos jogos e brincadeiras as crianças aprendem a se comunicar melhor com o mundo adulto. Para que a aprendizagem ocorra de forma natural é necessário respeitar e resgatar o movimento humano. dos valores e aos conhecimentos criados pelo homem. principalmente por pessoas que lidam com crianças das séries iniciais. proporcionam a relação entre parceiros e grupos. que precisava do saber sistematizado para tornar-se útil às exigências da sociedade. ensinar não é sinônimo de transmitir informações. Predominava sempre durante as aulas a mobilidade. CAPÍTULO VIII 10. o silencio e a disciplina rígida. O jogo é uma atividade física ou mental organizada por um sistema de regras. 16) “é um alerta aos educadores em relação à repressão corporal existente na escola e à forma mecânica e descontextualizada como os conteúdos vêm sendo passados para as crianças”. Através da interação a criança terá acesso à cultura. atitudes lúdicas. não só o conhecimento acadêmico. 75) “o jogo não é somente um divertimento ou uma recreação”. não é apenas uma forma de divertimento. onde tudo se encontra pronto.1. incorporando atitudes e valores. ele está criando na sala de aula uma atmosfera de motivação que permite aos alunos participarem ativamente do processo ensino aprendizagem. Segundo Santos (1998. respeitando a bagagem espontânea de conhecimento da criança. fruto da imaginação das crianças. assimilando experiências e informações. Aprender é construir significados. Durante muitos anos o ensino nas séries iniciais encara a criança como um pequeno adulto. mas são meios que contribuem e enriquecem o desenvolvimento intelectual. as aulas aconteciam de forma desinteressante. A metodologia utilizada ia contra o processo e desenvolvimento natural da aprendizagem e o desenvolvimento humano. o professor deve interagir com seus alunos. As atividades lúdicas eram descartadas. preocupando-se excessivamente em colocá-los enfileirados. Quando o professor recorre aos jogos. 10. com o conhecimento já pré – estabelecido. totalmente fora da realidade da criança. criaturas e fantasias. assim ele estará ajudando o aluno a elaborar a sua visão de mundo. O papel do professor . era uma aprendizagem apoiada em métodos mecânicos e abstratos. Ao brincar a e ao jogar a criança constrói o conhecimento. deixando de lado o valor pedagógico.

podendo desencadear aprendizagem de conteúdos. deve possibilitar a melhoria de suas relações com o conhecimento. moral e intelectual” (p. pensam que já está na hora de levá-las ao nível posterior. O professor tem a missão de estimular o pensamento espontâneo da criança. os momentos lúdicos e a criatividade são muito valorizados e por isso os jogos são muito utilizados. 1987. O bom professor de. pois podemos ver o comportamento da criança. sendo as primeiras relações com os objetos que o representam e signos são desenvolvidos por fatos e não mantém semelhanças representativas com os objetos. possibilita uma relação mais afetiva entre o professor. condições psicológicas favoráveis. A aprendizagem deve ser então um processo promotor do desenvolvimento do indivíduo. condições ambientais e fundamentos . a heteronomia da criança passa a ser mais trabalhada do que a própria autonomia. prêmios. Quando os professores concluem que a criança já chegou ao nível. Para Kamii ( 1987) segundo Piaget “ a finalidade da educação deve ser a de desenvolver a autonomia da criança. Isto porque. Hoje. deve torná-lo crítico.p.passa a ser o de criador de situações favoráveis à aprendizagem. que busca na pedagogia. 13). rigor do raciocínio e tem uma linguagem específica. Como as escolas ainda educam tradicionalmente. os professores mantêm as crianças nas regras. precisa ter claro em sua mente que o saber matemático difere dos outros saberes porque tem um caráter abstrato. na qual o professor deve promover a autonomia do aluno. através de sanções. na psicologia. surgiu à necessidade de maior capacitação do profissional da educação infantil. A aplicação de jogos pedagógicos está condicionada a quatro elementos: a capacidade de constituir em um fator de auto-estima. etc. dentro dessa inovação. os jogos educativos. Estudos feitos mostram que alunos do primeiro ano do ensino superior não estão capacitados para serem críticos. o aluno deve buscar estabelecer relações com as informações dando-lhes significado e não apenas as memorizando. criativo e autônomo.33). deve-se ressaltar a diferença entre a construção do número (não é observável. como as estrelinhas. exige precisão de conceitos. aluno e conhecimento. Na educação infantil. procurando inovações pedagógicas que levem a mudança de postura do aluno na aula. Autonomia significa agir por leis próprias. O meio ambiente. O jogo. Diante dessa nova realidade. “O número é construído por cada criança a partir de todos os tipos de relações que ela cria entre os objetos” (KAMII. o nível sócioeconômico e cultural da criança tanto pode agilizar o desenvolvimento lógico-matemático como retardá-lo. o que mais se busca é unir a matemática formal àquela utilizada na vida. O aluno que já tem o conhecimento lógico-matemático é capaz de representar os números com símbolos ou signos. notas. consigo mesmo e com os outros. mas não vemos o pensamento que se desenvolveu mentalmente). na filosofia e na sociologia contribuições para explicar os componentes do processo de ensino e aprendizagem dessa disciplina. na educação tem o objetivo de não opinar sobre o que não acreditam. pois existe apenas na cabeça da criança) e quantificação de objetos (a observação é feita em partes. Com o surgimento da Educação Matemática. didáticos ou pedagógicos poderiam ser um importante instrumento de ensino e aprendizagem em qualquer fase da educação. que é indissociavelmente social.

procurando transmitir para as crianças um conteúdo educacional adequado e desejável. supera. é fundamental para o desenvolvimento cognitivo do aluno. Essas podem ser razões suficientes para que se defenda seu uso no ensino de matemática. entre eles: o trabalho pedagógico. uma nova percepção quanto ao erro. éticos e construtivos. futuramente. preparar e dirigir atividades lúdicas exitosas. portanto. antes de trabalhar com jogos em sala de aula. A influência desses fatores impossibilita que o professor continue a considerar-se o dono do saber. O jogo. o jogo pode representar um desafio e provocar o pensamento reflexivo do aluno. Brincar e jogar são coisas simples na vida das crianças.teóricos. Vários fatores influenciam na utilização do jogo didático quando se tem o objetivo de reter conteúdos. o jogo não deve ser fácil demais e nem tão difícil. Conclusão Resume-se então. pelo menos em parte. de forma a produzir um veículo adequado à formação de cidadãos plenos. ao desenvolvimento de atitudes de convívio social. o brincar e o brinquedo desempenham um papel fundamentalmente na aprendizagem. Em síntese. assim. A importância do uso de jogos na aprendizagem da matemática está ligada. Além disso. além de proporcionar prazer e diversão. como as demais disciplinas. que o aluno mantenha uma postura de receptor do conhecimento e há a possibilidade de o professor mediar aprendizagem. e negar o seu papel na escola é talvez renegar a nossa própria história de aprendizagem. etc. analisando e refletindo sobre os possíveis erros. entrelaçar suporte e mensagem. O professor não pode subjugar sua metodologia de ensino a algum tipo de material porque ele é atraente ou lúdico. autoconfiantes. embora ao passar dos anos . pois. Portanto. 9. O conteúdo deve estar de acordo com o grau de desenvolvimento do aluno. especialmente em na educação infantil. devemos ter um cuidado especial na hora de escolher jogos. A falta de interação entre a vida e a matemática faz com que o aluno seja bom no que faz fora da sala de aula e não saiba relacionar esse conhecimento com o aprendido na escola ou vice-versa. seu egocentrismo natural. para que os alunos não se desestimulem. ao atuar em equipe. Para o bom desempenho do aluno em matemática é essencial que o professor compreenda como o ele constrói seu conhecimento e a necessidade de possibilitar-lhe a construção dos seus próprios conceitos. pois o aluno. através deste trabalho que as atividades lúdicas são uma mídia privilegiada para a aplicação de uma educação que vise o desenvolvimento pessoal e a cooperação. e também na qualidade da mensagem. A Matemática. é necessário testá-los. deve ser muito bem trabalhada para que. Assim sendo. É necessário um cuidado muito importante da parte do professor. terá condições de entender as dificuldades que os alunos irão enfrentar. que devem ser interessantes e desafiadores. o uso de jogos e materiais concretos em sala de aula. não é preciso que se tenha um método específico ou especial. em uma dinâmica de grupo. Podendo assim. O brincar existe na vida dos indivíduos. a necessidade do planejamento. Apoiada sempre na qualidade do suporte de como planejar. os alunos não apresentem dificuldades muito grandes pela falta de desenvolvimento do pensamento lógico e abstrato.

propondo uma pedagogia baseada na interação coletiva. Apesar de tantas teorias defenderem uma aprendizagem por meio dos jogos e dos movimentos espontâneos da criança. A criança precisa interagir de forma coletiva.tenha diminuído o espaço físico e o tempo destinado ao jogo. O papel do professor durante o processo didático-pedagógico é provocar participação coletiva e desafiar o aluno a buscar soluções. ela passa a reconstruir objetos e reinventar as coisas. cooperação e autonomia. é através dos jogos que ela se expressa e conseqüentemente se comunica com o mundo. tornam-se mais significativos à medida que a criança se desenvolve. a partir da livre manipulação de materiais variados. Os jogos. na criatividade. as atitudes. portanto. apresentar suas soluções é necessário também criar ambiente propício e incentivar as crianças a terem pensamento crítico e participativo. elas estão longe de usufruir de uma pedagogia fundamentada na ludicidade. criatividade e na expressividade livre dos atos. ao jogar a criança aprende e investiga o mundo que a cerca. sendo que cada uma delas possui esquemas específicos para assimilação do meio. Em relação ao jogo. e a solução deve ser construída pela mesma. e as relações diante das derrotas. pode-se concluir que o jogo é uma ferramenta de trabalho muito proveitosa para o educador. pois através dele o professor pode introduzir os conteúdos de forma diferenciada e bastante ativa. O jogo implica para a criança mais que o simples ato de jogar. como trocas. o que exige uma adaptação mais completa. toda e qualquer atividade lúdica deve ser respeitada. na ludicidade envolvendo todo o contexto escolar. segundo Piaget. Essa adaptação deve ser realizada ao longo da infância e consiste numa síntese progressiva da assimilação com a acomodação. pois propicia a relação entre parceiros e grupos. ou seja. é necessário salientar que o sucesso pedagógico de qualquer trabalho vai depender da postura do professor durante as atividades didático–pedagógicas. Diante da pesquisa e do embasamento teórico utilizado. uma boa proposta o jogo na sala de aula. por isso. podemos observar a diversidade de comportamento das crianças para construir estratégias para a vitória. precisa apresentar seu ponto de vista. pois. Para que isso ocorra de maneira proveitosa torna-se necessário aperfeiçoar e instruir professores. e nestas relações. Com um simples jogo o professor poderá proporcionar apreensão de conteúdos de maneira agradável e o aluno nem perceberá que está aprendendo. Com toda essa questão chegou-se a conclusão da necessidade de se retornar aos estudos dos jogos. É importante salientar nesse momento os benefícios que o jogo fornece à aprendizagem das crianças no que diz respeito ao desenvolvimento físico–motor envolvendo as características de sociabilidade. . Através do jogo que pode-se despertar na criança um espírito de companheirismo. O jogo representa sempre uma situação-problema a ser resolvida pela criança. reações e emoções que envolvem as crianças e os objetivos utilizados. fazendo parte das decisões do grupo. sendo. sendo que a utilização dos jogos de forma errônea é o principal ponto negativo deste recurso. discordar. provocado pelo aparecimento de brinquedos cada vez mais sofisticados e pela influência da televisão. a criança passa por diversas etapas.