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Índice

1. REGIME JURÍDICO ADMINISTRATIVO

7

2. LICITAÇÃO PÚBLICA

7

2.1.

Princípios da Licitação Pública (Art. 3º)

7

3. INCISO XXI DO ARTIGO 37 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL

7

4. QUEM E O QUE PRECISA SER LICITADO?

8

4.1. Quem? (Art. 1º)

8

4.2. O quê? (Art. 2º)

8

5. INEXIGIBILIDADE E DISPENSA DE LICITAÇÃO PÚBLICA

8

5.1. Considerações Gerais

8

5.2. Inexigibilidade

9

5.3. Exclusividade de Fornecedor

9

5.4. Contratação de Serviços Técnicos Profissionais Especializados de Natureza Singular

10

5.5. Contratação de Serviços Jurídicos

11

5.6. Contratação de Serviços Artísticos

12

5.7. Credenciamento

12

5.8. Dispensa

13

5.9. Licitação Dispensada para Alienação de Bens Públicos

13

5.10. Licitação Dispensável em razão do Valor do Contrato

14

5.11. Licitação Dispensável em Razão da Urgência

16

5.12. Dispensa em Razão de Licitação Fracassada

17

5.13. Dispensa em Razão de Preços Excessivos

17

5.14. Dispensa em Razão de Rescisão Contratual

18

5.15. Dispensa para Compra ou Locação de Imóveis

18

5.16. Dispensa em Razão dos Atributos Pessoais do Contrato

18

5.17. Procedimento para Contratação Direta

19

6. MODALIDADES DE LICITAÇÃO

20

6.1. Concorrência

20

6.2. Tomada de Preços

20

 

6.3. Convite

21

6.4. Concurso

21

 

6.5. Leilão

21

6.6. Observações Gerais

21

7. FASE INTERNA DA LICITAÇÃO

22

7.1. Requisição

22

7.2. Avaliação Técnica

22

7.3. Autorização para Abertura de Procedimento

22

7.4. Abertura do Processo

22

7.5. Órgão ou Setor Responsável pela Elaboração do Edital

22

7.6. Descrição do Objeto

22

7.7. Projeto Básico (Art. 6º, Inc. IX; Art. 7º, Inc. I e § 2º, Inc. I)

22

7.8. Projeto Executivo (Art. 6º, Inc. X; Art. 7º, Inc. II e § 1º)

23

7.9. Orçamento Estimado em Planilhas (Art. 7º, Inc. II e Art. 40, § 2º, Inc. II)

23

7.10. Recursos Orçamentários

23

7.11. Lei de Responsabilidade Fiscal (Art. 16, Inc. I e II e § 4º, Inc. I da LC nº 101/2000)

23

7.12. Elaboração do Instrumento Convocatório

23

7.13. Minuta do Contrato (Art. 40, § 2º,, Inc. III)

23

7.14. Consultoria Jurídica (Art. 38, Par. Único)

23

7.15. Assinatura do Instrumento Convocatório (Art. 40, § 1º)

23

8. DIRETRIZES PARA FASE INTERNA DA LICITAÇÃO

23

8.1. Obras e Serviços

23

8.2. Compras

24

4

9.1. Observação

24

9.2. Conceito

24

9.3. Princípio da Vinculação ao Instrumento Convocatório

24

9.4. Publicidade

24

9.5. Alterações do Instrumento Convocatório

25

9.6. Impugnação ao Instrumento Convocatório

25

9.7. Audiência Pública (Art. 39)

25

10.

HABILITAÇÃO

25

10.1. Conceito

25

10.2. Princípios

25

10.3. Quais os documentos devem ser exigidos?

26

10.4. Habilitação Jurídica

27

10.5. Regularidade Fiscal

27

10.6. Capacitação Técnica

28

10.7. Qualificação Econômica Financeira

29

10.8. Cumprimento ao Inciso XXXIII do art. 7º da Constituição Federal

31

10.9. Participação de Cooperativas

31

10.10. Processamento da Habilitação

31

11. (IN) EXEQÜIBILIDADE DAS PROPOSTAS

32

12. GARANTIA ADICIONAL

33

13. CRITÉRIOS DE JULGAMENTO

33

13.1. Princípio do Julgamento Objetivo (Art. 44)

33

13.2. Menor Preço (Art. 45, § 1º, Inc. I)

33

13.3. Melhor técnica (Art. 46, § 1º)

33

13.4. Técnica e Preço (Art. 46, § 2º)

33

13.5. Maior Lance e Oferta

34

13.6. Desempate

34

14.

ADJUDICAÇÃO (ART. 38, INC. VII E ART. 43, INC. VI)

34

14.1. Finalidade

34

14.2. Adjudicação Compulsória

34

14.3. Efeitos da Adjudicação

34

15.

HOMOLOGAÇÃO

34

15.1. Juízo de Legalidade

34

15.2. Juízo de Conveniência

34

 

PREGÃO

34

1. O que é o pregão?

34

2. Histórico

35

3. Quais as normas aplicáveis ao pregão?

35

4. Relações entre Lei e os Decretos

35

5. Qual a abrangência territorial do pregão?

35

 

6. Discricionariedade na adoção do pregão

36

7. Objeto do pregão - bens e serviços comuns

36

8. Pregão como forma de evitar restrições decorrentes do parcelamento indevido da licitação

36

9. Inconformidade do pregão para licitações julgados por critérios técnicos

36

 

10.

Inconformidade do pregão com alienações, obras e serviços de engenharia e locações

imobiliárias

36

11. Agentes administrativos envolvidos no pregão

36

12. Procedimento para elaboração do edital - Fase Interna do Pregão

37

13. Publicidade do edital

38

14. Impugnação do edital

38

15. Atos preparatórios ao julgamento

38

16. Julgamento das propostas

38

5

18. Habilitação

40

19. Recursos

40

20. Adjudicação

41

21. Homologação

41

22. Disposição a respeito dos contratos administrativos

41

23. Impedimento para contratar

41

PREGÃO ELETRÔNICO

42

1. Considerações Iniciais sobre o pregão eletrônico

42

2. Adoção pelo Estado do Decreto Federal

42

3. Organização do sistema

42

4. Credenciamento

42

5. Procedimento

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LEI Nº 8.666, DE 21 DE JUNHO DE 1993

44

LEI N O 10.520, DE 17 DE JULHO DE

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Curso de Licitação Pública e Contrato Administrativo

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Curso de Licitação Pública e Contrato Administrativo

Curso de Licitação Pública e Contratos Administrativos

1. Regime Jurídico Administrativo

Direito Administrativo Princípios e regras jurídicas pertinentes à administração pública. Administração Pública – Função Gerenciar os negócios públicos, o interesse público.

Gerenciar os negócios públicos, o interesse público. 2. Licitação Pública Causa da licitação pública –

2. Licitação Pública

Causa da licitação pública – Isonomia (formalidades) Finalidade da licitação pública - Eficiência Conciliação (liberdade?)

2.1. Princípios da Licitação Pública (Art. 3º)

a) Isonomia e eficiência

b) Legalidade – art. 4º da Lei no 8.666/93: Todos têm direito público subjetivo à fiel observância do pertinente procedimento

estabelecido nesta Lei (

c) Moralidade e razoabilidade

d) Vinculação ao instrumento convocatório

e) Julgamento objetivo

f) Impessoalidade

g) Publicidade

h) Competitividade

i) Continuidade do serviço público

j) Economicidade

)

Curso de Licitação Pública e Contrato Administrativo

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Art. 37, “A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência, e, também, ao seguinte:

inc. XXI, ressalvados os casos especificados nas legislação, as obras, serviços, compras e alienações serão contratados mediante processo de licitação pública que assegure igualdade de condições a todos os concorrentes, com cláusulas que estabeleçam obrigações de pagamento, mantidas as condições efetivas da proposta, nos termos da lei, o qual somente permitirá as exigências de qualificação técnica e econômica indispensáveis à garantia do cumprimento das obrigações.”

4. Quem e o que precisa ser licitado?

4.1. Quem? (Art. 1º)

a) Poder Executivo, Legislativo e Judiciário;

b) Administração direta e indireta;

c) Empresas públicas e sociedades de economia mista;

d) Fundos especiais;

e) Entidades controladas.

4.2. O quê? (Art. 2º)

a) Todo contrato administrativo deve ser, em regra, precedido de licitação.

4.2.1. Jurisprudência

Prejulgado nº 736 TCE/SC - Os fundos especiais municipais criados nos termos do art. 71 da Lei Federal nº 4.320/64, ante à ausência de personalidade jurídica, estão impedidos de celebrar contratos sem interveniência do Município. É admissível a transferência de titularidade de contrato, legalmente celebrado, que tem por objeto a prestação de serviços de saúde aos servidores do Município, para entidade municipal criada para essa finalidade, quando constituída sob a forma de autarquia ou fundação pública - embora com denominação de Fundo -, por acordo entre as partes, mantidas as condições originais do contrato. Prejulgado nº 807 TCE/SC - As Fundações Públicas são entidades de Direito Público, com personalidade jurídica de direito privado. A competência do Conselho Curador da Fundação esta estampada no art. 14 do estatuto da própria entidade. Os empregos e funções da Fundação referem-se a atividades permanentes da entidade e a investidura neles, de empregados, dependera de aprovação previa em concurso publico de provas ou de provas e títulos. Estão sujeitas a prestação de contas de gestão ao Tribunal de Contas e a entidade a que são vinculadas, as Fundações instituídas e mantidas pelo Poder Publico. São Fundações instituídas e mantidas pelo Poder Publico aquelas cujo custeio o erário concorra com mais de 50% de sua receita anual. As Fundações instituídas mas não mantidas pelo Poder Publico estão sujeitas tão somente a apresentação de prestação de contas dos recursos recebidos da entidade a que estão vinculadas, a própria entidade. Prejulgado 1241 TCE/SC - Quando da aplicação de recursos financeiros repassados pelo Poder Público, a título de subvenções ou convênios para despesas de custeio de entidades de direito privado sem fins lucrativos, estas não se submetem ao regime da Lei de Licitações, muito embora tenham que prestar contas da utilização dos recursos recebidos, nos termos do art. 8º da Lei Estadual nº 5.867, de 27 de abril de 1981 e atender aos requisitos expressos pelo Decreto nº 2.001, de 29 de dezembro de 2000, no caso do Estado. Não encontra amparo legal a transferência de recursos a entidades privadas sem fins lucrativos para realização de despesas de custeio ou de capital, cuja natureza seja de competência exclusiva da Administração Pública Municipal ou Estadual, considerando que tais transferências não estão previstas pela Lei Federal nº 4.320/64, que estatuiu normas gerais de Direito Financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços das entidades federadas. Prejulgado 703 TCE/SC - A licitação, no caso pertinente à consulta formulada pelo prefeito municipal de Criciúma, é necessária, por se tratar de transferência de verba pública a entidade privada para que realize uma obra pública que integrara o patrimônio do município. Trata-se de transferência a título de delegação de recursos e encargos prevista no art. 40 da Resolução Normativa nº 16/94, deste Tribunal de Contas. Nessa circunstância, a licitação é necessária porque junto com os recursos e os encargos da unidade gestora está sendo transferida à entidade privada beneficiaria, também, a obrigação de realizar a licitação, que e decorrente do art. 37,inciso XXI, da Constituição Federal e do art. 2º .da Lei Federal nº 8.666/93. Não há alternativa legal para a construção do posto de saúde em parceria com a associação de moradores do bairro São Defende, sem licitação, fora das hipóteses previstas nos arts. 24 e 25 da lei de licitações, uma vez que o repasse se dará a título de delegação de recursos e encargos, por parte da unidade consulente.

5. Inexigibilidade e Dispensa de Licitação Pública

5.1. Considerações Gerais

O nosso sistema constitucional consagra, de modo irrefutável, a obrigatoriedade de licitação pública, especialmente em

razão do princípio da isonomia (caput do artigo 5º) e para preservar o interesse público e a moralidade administrativa.

A parte inicial do inciso XXI do artigo 37 da Constituição Federal é bastante clara: “Ressalvados os casos especificados na

legislação, as obras, serviços, compras e alienações serão contratados mediante processo de licitação pública (

A regra é a obrigatoriedade de licitação pública e a exceção a contratação direta, quer por inexigibilidade, quer por

dispensa, conforme a determinação do legislador. Importante notar que a regra deve ser interpretada como regra e a exceção, por sua vez, como exceção, isto é, de maneira restritiva. Em caso contrário, se o intérprete ampliar a exceção, ela passa à regra, desnaturando a sistemática

)”.

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constitucional.

5.1.1. Jurisprudência

Prejulgado 1288 – TCE/SC - A dispensa de licitação embasada no art. 24, IV, da Lei Federal nº 8.666/93 só é cabível em situação de emergência ou calamidade, devidamente comprovada, que ponha em risco a segurança das pessoas. As disposições da Lei Federal nº 8.666/93 relativas à dispensa de licitação devem ser interpretadas restritivamente, pois a regra geral é a realização do processo licitatório, consoante mandamento dos arts. 37, XXI, da Constituição Federal e 2º da citada Lei.

5.2. Inexigibilidade

A inexigibilidade diz respeito às situações em que a competição é inviável, não se desenvolve. Vê-se que a licitação pública

é uma competição, uma disputa em torno do contrato administrativo. Se em dadas situações não há disputa, por

conseqüência, não há licitação, não se pode exigi-la, isto é, ela é inexigível.

A inviabilidade de competição é questão de fato, não necessariamente de Direito. Ao Direito cabe apenas reconhecer a

inexigibilidade, minimizando, por isso, o papel do legislador. De todo modo, os agentes administrativos devem sempre procurar viabilizar a competição, haja vista que a regra é a obrigatoriedade de licitação pública.

5.3. Exclusividade de Fornecedor

Inciso I do artigo 25 da Lei nº 8.666/93 - “É inexigível a licitação quando houver inviabilidade de competição, em especial: I - para aquisição de materiais, equipamentos, ou gêneros que só possam ser fornecidos por produtor, empresa ou representante comercial exclusivo, vedada a preferência de marca, devendo a comprovação de exclusividade ser feita através de atestado fornecido pelo órgão de registro do comércio do local em que se realizaria a licitação ou a obra ou o serviço, pelo Sindicato, Federação ou Confederação Patronal, ou, ainda, pelas entidades equivalentes”.

5.3.1. Incidência do Dispositivo

O dispositivo incide em aquisições, obras ou serviços.

5.3.2. Definição do Objeto

As características substanciais podem ser exigidas. As características periféricas precisam ser justificadas.

5.3.3. Delimitação da Exclusividade

A

exclusividade, em regra, deve ser aferida em todo território nacional.

A

exceção concerne a fornecedores que tenham celebrado contratos de exclusividade comercial dentro de dada região com

o

fabricante do produto. Dessa sorte, no perímetro definido pelo contrato, há de se reconhecer a exclusividade e, por

corolário, a inexigibilidade.

5.3.4. Comprovação da Exclusividade

De acordo com o inciso I do artigo 25 a comprovação da exclusividade deve ser feita através de atestado fornecido pelo órgão de registro de comércio do local em que se realizaria a licitação ou a obra ou o serviço, pelo Sindicato, Federação ou Confederação Patronal, ou, ainda, pelas entidades equivalentes. Ocorre que todos os órgãos nominados são absolutamente incompetentes para afirmar se alguém é ou não é fornecedor exclusivo. Aconselha-se consultar, sobretudo,

o INPI, responsável pelas patentes. Sem embargo, a prova da exclusividade deve ser feita por todos os meios de provas admitidos em Direito.

5.3.5. Jurisprudência

A inexigibilidade de licitação só poderá originar compra da Administração Pública, em se tratando de exclusividade e em função de processo de padronização, caso reste claramente comprovado, nos termos da legislação vigente, que existe somente uma firma que poderá fornecer o bem desejado. O atestado fornecido deverá assegurar de forma clara e inequívoca que somente referida empresa poderá fornecer à administração. Para tanto deverá se embasar em pesquisa de mercado e não em declaração do próprio interessado. (TCE-SC, Pré-julgado nº 440) Na inexigibilidade de licitação não se cogita limite de valor para a contratação, pois afastadas a licitação e as respectivas modalidades, embora o preço deva ser compatível com as vendas do mesmo material a outros consumidores. A contratação de assinatura de revistas, periódicos e publicações similares pode ser efetivada por processo de inexigibilidade de licitação, tendo o disposto no caput do art. 25 da Lei Federal nº 8.666/93 como fundamento legal para realização da despesa. Devem ser observadas as exigências do art. 26 daquele diploma legal, especialmente quanto à justificativa de interesse público na aquisição daqueles específicos materiais e sua relação com as atividades do órgão, bem como do preço e sua compatibilidade com o mercado. A aquisição de livros diretamente de editora ou do autor também pode ser realizada por processo de inexigibilidade de licitação. No caso de aquisição de livros no mercado varejista (livrarias revendedoras), diante da possibilidade de competição, imprescindível a realização de processo licitatório, podendo ser efetivada por processo de dispensa de licitação quando o valor foi inferior ao limite para licitação na modalidade de convite (hipótese do inciso II do art. 24 da Lei Federal nº 8.666/93).

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No caso de aquisição de livros no mercado varejista (livrarias), impende estabelecer programação anual de aquisição desses bens, em cumprimento da vigência dos respectivos créditos orçamentários (por exercício financeiro), cuja previsão de custos indicará a modalidade de licitação a ser utilizada, sob pena da aquisição em diversas etapas durante o ano, por dispensa de licitação em razão do valor, caracterizar parcelamento irregular de compras. (Prejulgado 1124. TCE-SC) EMENTA: Serviços de Telecomunicações. Competitividade. Licitação. Inviabilidade de Competição. Inexigibilidade. Inteligência da Lei Federal 83.666/93. Com a privatização dos serviços de telecomunicações a conseqüente abertura de mercado passa a ser necessária a licitação para a contratação e utilização destes serviços, salvo se na localidade houver inviabilidade de competição, hipótese onde poderá a Administração utilizar-se do Instituto da Inexigibilidade de licitação previsto no art. 25 da Lei Federal 8.666/93, observadas as exigências do art. 26 do mesmo diploma lega (TCE-SC. PROCESSO: COM 01/01427891. PARECER: 069/2002) A contratação do seguro obrigatório DPVAT para veículos oficiais, pode ocorrer por inexigibilidade de licitação, mediante instauração do competente processo, nos termos do caput do art. 25 e art. 26 da Lei n° Federal nº 8.666/93, em decorrência da inviabilidade de competição, se oferecido somente por um consórcio de empresas integrantes do Convênio DPVAT. As empresas privadas, bem como as empresas públicas e sociedades de economia mista não estão dispensadas de comprovar a regularidade para com o FGTS e INSS ao contratar com órgãos e entidades do Poder Público, qualquer que seja a forma de contratação, nos termos do § 3º do art. 195 da Constituição Federal e artigo 27 da Lei Federal nº 8.036/90. Prevalece o interesse público quando imprescindível e inadiável a contratação, pela Administração, de empresa privada, bem como de empresa pública ou sociedade de economia mista que deixar de comprovar a regularidade fiscal, quando demonstrada inviabilidade de competição (art. 25, caput, da Lei Federal n° 8.666/93), observados os ditames do art. 26 da Lei de Licitações. Cabe à Polícia Militar de Santa Catarina, como entidade integrante da Administração Pública Estadual, acionar, através da Procuradoria Geral do Estado, o Instituto Nacional de Seguro Social e o órgão administrador do FGTS, bem como o Ministério Público do Estado para que sejam tomadas as providências cabíveis visando o resguardo do erário e o respeito à Constituição Federal e demais legislação vigente, em face da negativa, sem fundamentação legal, de apresentação de documentação comprobatória de regularidade com a previdência social e com o FGTS. (Prejulgado nº 917, TCE/SC)

Os serviços prestados por firmas franqueadas pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos deverão ser contratados mediante prévio processo de licitação pública que propicie igual oportunidade a todos quantos tenham interesse em contratar com o Poder Público. (TCE-SC, Prejulgado nº 374)

A aquisição de passagens rodoviárias para atender necessidades da Administração Pública deverá ser precedida de licitação. Existindo, comprovadamente, apenas uma empresa de transporte coletivo rodoviário de passageiros que atenda ao Município, a compra dos bilhetes de passagem poderá ser feita com fundamento em inexigibilidade de licitação, por inviabilidade do competitório, por força do artigo 25 da Lei Federal nº 8.666/93, atentando para o artigo 26 e demais dispositivos dessa Lei, que devem ser observados. (TC-SC, Prejulgado 469)

TRANSPORTE ESCOLAR. 1. Contratação direta. Lei 8.666/93. Art. 25. 2. CF/88, art.175. Consulta. Contratação sem processo licitatório, de serviços de transporte escolar, alegando-se a inviabilidade técnica ou econômica. Impossibilidade, por não ter ficado caracterizado tal situação, e ainda, de acordo com o art. 175 da Constituição Federal e os Arts. 2º e 124 de Lei de Licitações (Relator: Conselheiro João Féder. Protocolo: 26439/95. Origem: Município de Santa Maria do Oeste. Interessado: Prefeito Municipal. Decisão: 9447/95. Resolução 17.10.95. RTCE/PR 116, p. 225).

Mediante prévia licitação é possível a contratação de agência de propaganda visando a produção, filmagem e a edição de informativo dos atos da Câmara Municipal. O tipo de divulgação e os meios de comunicação pretendidos devem estar previstos no edital, os quais constarão do contrato de prestação de serviços a ser celebrado com o Legislativo e as formas para o certame e os requisitos práticos e legais a serem obedecidos só podem ser aqueles estabelecidos pela Lei Federal nº 8.666/93. Pode o Poder Legislativo divulgar, através de meios de comunicação televisivos, seus serviços, atos ou campanhas quando os mesmos tiverem caráter educativo, informativo ou de orientação social. A peça divulgatória não deverá conter nenhum nome, símbolo, imagem, marca ou logotipo de agentes políticos, partidos ou instituições públicas que caracterizem promoção pessoal, devendo, além do mais, os contratos de veiculação obedecerem, rigorosamente, as prescrições da Lei Federal nº 8.666/93, sob pena de responsabilidade do ordenador do ato, passível de punição, nos termos da legislação. (TCE-SC, Prejulgado nº 1250) LICITAÇÃO. Inexigibilidade. Irregularidade. Não comprovação da exclusividade na fabricação do componente ativo do medicamento. Para legalidade da contratação direta com base na exclusividade é necessária a comprovação da exclusividade da fabricação do componente ativo do medicamento e não da marca em si, e também que o representante comercial seja único. É necessário que a substância ativa seja produzida por um único laboratório (TCE/SP. TC- 2.152/026/95. Rel. Cons. Sérgio Ciquera Rossi, 23.1.96, DOE/SP de 28.2.96, p. s11).

5.4. Contratação de Serviços Técnicos Profissionais Especializados de Natureza Singular Inciso II do artigo 25 da Lei nº 8.666/93 - “É inexigível a licitação quando houver inviabilidade de competição, em especial: II - para a contratação de serviços técnicos enumerados no art. 13 desta Lei, de natureza singular, com profissionais ou empresas de notória especialização, vedada a inexigibilidade para serviços de publicidade e divulgação”.

Ocorre que em determinadas situações a Administração não dispõe de critérios objetivos para comparar as propostas apresentadas pelos interessados. Isso provoca a inviabilidade da competição, ao menos da competição que se espera de

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licitação pública, que é aquela pautada por critérios objetivos.

5.4.1.

Pressupostos

Pressuposto objetivo - É necessário, em primeiro lugar, que o serviço a ser prestado seja singular. Não há inexigibilidade se

o serviço for rotineiro, ordinário, que possa ser realizado por profissionais de porte médio. Para a inexigibilidade é

imprescindível, antes de tudo, que o serviço seja especial, que requeira a intervenção de profissionais especiais, acima da

média.

Pressuposto subjetivo - O profissional a ser contratado também precisa ser singular, ele precisa ser reputado acima da média.

5.4.2. Jurisprudência

A contratação direta de profissional por inexigibilidade de licitação fundamentada no artigo 25, inciso II da Lei Federal nº

8.666/93, só é legal quando o serviço a ser prestado for singular, incomum à Administração, e o profissional for notoriamente especializado, ou seja, reconhecido no meio da comunidade de especialistas da qual pertence, além de a sua especialidade ser pertinente à natureza do serviço a ser prestado. (TCE-SC, Prejulgado nº 444)

ADMINISTRATIVO. Estudos desenvolvidos sobre a possibilidade do enquadramento na hipótese da inexigibilidade de licitação para a contratação de professores, conferencistas ou instrutores para ministrar cursos de treinamento e aperfeiçoamento de pessoal, bem como inscrição de servidores para participação de cursos abertos a terceiros. Hipótese aceita. Arquivamento. Licitação. Inexigibilidade. Natureza singular. Considerações. Licitação. Notória especialização. Considerações (TCU - Relator: Ministro Adhemar Paladini Ghisi. DA-0439-50/98-P. Plenário. Data da sessão: 15.7.1998)

A hipótese de inexigibilidade de licitação, prevista no artigo 25, inciso II, da Lei n° 8.666, de 21 de junho de 1993, para

contratação de serviços de assessoria e de ministração de cursos, somente será possível quando estiverem conjugados os requisitos da especialização e da singularidade do serviço, a serem examinados ,na oportunidade, pelo Administrador Público. (TCE-SC, Pré-julgado nº 243)

5.5. Contratação de Serviços Jurídicos

Em regra, o prestador de serviços jurídicos deve ser servidor público efetivo, aprovado em concurso para provimento de cargo público.

É lícito contratar outros profissionais, excepcionalmente, nas seguintes hipóteses:

(a)

a entidade não conta em seu quadro de pessoal cargo jurídico;

(b)

ocorre excessiva demanda, que não pode ser atendida pelos advogados efetivos;

(c)

os advogados da entidade revelam interesse pessoal na questão;

(d)

as questões são singulares, requerendo a intervenção de advogado notório especialista.

Nos três primeiros casos a contratação dá-se através do inciso IX do artigo 37 da Constituição Federal, relativa à

contratação temporária, ou através de licitação pública. Apenas no último caso é que a contratação dá-se por inexigibilidade.

5.5.1. Jurisprudência

DECISÃO: 6.2.1. Quanto à contratação de advogado ou serviços jurídicos, deve ser considerado o seguinte: 6.2.1.1. Tendo os serviços jurídicos, incluída a defesa judicial ou extrajudicial dos interesses do Município, natureza de atividade administrativa permanente e contínua, é recomendável que haja o correspondente cargo efetivo no quadro de servidores do Município para atender tal função, com provimento mediante concurso público (art. 37 da Constituição Federal);

6.2.1.2. É cabível a contratação de profissional do ramo de direito, desde que devidamente justificada para atender

específicos serviços (administrativo ou judicial) que não possam ser realizados pela assessoria jurídica dada a sua

complexidade e especificidade, configurando necessidade dos serviços de profissional (jurista) de notória especialização, hipótese em que a contratação, por inexigibilidade de licitação, se dará nos termos dos artigos 25, II, parágrafo 1º , c/ c o artigo 13, V e § 3º , e 26 da Lei Federal n 8.666/93, observados os princípios constitucionais que regem a Administração Pública e observando-se, também, os arts. 54 e 55, da Lei Federal n 8.666 de 21.06.93, ou por dispensa de licitação quando atendidos os requisitos do artigo 24, II, e 26 da Lei de licitação.

6.2.1.3. Para suprir a falta transitória de titular do cargo de advogado (ou outro equivalente), poderá o Município contratar

profissional, temporariamente, até que haja o devido e regular provimento, segundo for regulado em lei municipal específica, inclusive quanto ao prazo, nos termos do inciso IX do art. 37 da Constituição Federal, ou, ainda, contratar serviços jurídicos através de processo licitatório;

6.2.1.4. Quando não houver cargo de advogado ou equivalente na estrutura administrativa do Município, para atender os

serviços jurídicos gerais é admissível, até a criação do cargo e respectivo provimento: a) a contratação de profissional em caráter temporário, mediante autorização por lei municipal específica, nos termos do inciso IX do art. 37 da Constituição

Federal; ou b) a contratação de prestação de serviços jurídicos, através de processo licitatório, na forma da Lei Federal n 8.666/93. (TCE-SC. PROCESSO: CONTC 9480611/98 PARECER: 377/00 SESSÃO: 23/08/00. DECISÃO: 2483/2000)

6.2.1. A regra geral para a contratação de serviços de advocacia, por parte da administração Pública, é a realização de

certame licitatório, nos termos do art. 37, XXI, da Constituição Federal e do art. 2º, caput, da Lei Federal n 8.666/93.6.2.2. Excepcionalmente, está o administrador autorizado a deixar de licitar, efetuando a contratação direta nos casos previstos nos arts. 24 (dispensa) e 25 (inexigibilidade) da Lei Federal n 8.666/93.6.2.3. Tratando-se de hipótese na qual a pequena relevância da contratação, devido ao pequeno valor, não justifica gastos com uma licitação comum, torna-se possível a

) (

contratação direta de advogado, mediante processo de dispensa do competitório, com fundamento no art. 24, inc. II d Lei

Curso de Licitação Pública e Contrato Administrativo

12

Federal n 8.666/93. (TCE-SC. PROCESSO: COM 00/00424081. PARECER: 428/00. SESSÃO: 18/12/2000. DECISÃO:

4084/2001)

Somente é admissível o contrato de risco (ad exitum) na Administração Pública quando o Poder Público não despender qualquer valor, sendo a remuneração do contratado exclusivamente os honorários pela sucumbência devidos pela parte vencida, nos montantes determinados pelo juízo na sentença condenatória.Não é admissível a celebração de contrato pela Administração Pública onde esteja previsto que o contratado perceberá a título de remuneração um percentual sobre as receitas auferidas pelo ente com as ações administrativas ou judiciais exitosas promovidas pelo contratado, pois neste caso seria imperiosa a inclusão de cláusula contendo o valor do contrato e observância das normas orçamentárias e financeiras, que exigem previsão de receitas e despesas.O contrato de risco (ad exitum) não exonera a administração da realização do processo licitatório, salvo os casos de dispensa de licitação e inexigibilidade previstos em lei. (TCE-SC, Pré-julgado nº

1199)

5.6. Contratação de Serviços Artísticos

Inciso III do artigo 25 da Lei nº 8.666/93 - “É inexigível a licitação quando houver inviabilidade de competição, em especial:

III -para contratação de profissional de qualquer setor artístico, diretamente ou através de empresário exclusivo, desde que

consagrado pela crítica especializada ou pela opinião pública”.

5.6.1. Jurisprudência

É possível a contratação de profissional de qualquer setor artístico diretamente ou através de empresário exclusivo, desde

que consagrado pela crítica especializada ou pela opinião pública, nos termos do inciso III do artigo 25 da Lei Federal n° 8.666/93, com redação dada pela Lei Federal n° 8.883/94, observados os demais dispositivos legais pertinentes à matéria. (TCE-SC, Prejulgado nº 299)

Para se efetivar contratação de artista por Inexigibilidade de Licitação faz-se necessário que o trabalho artístico a ser desenvolvido - pelas características e finalidade - só possa ser realizado por determinado artista e que esse detenha consagração em face da opinião pública e/ou da crítica especializada. (TCE-SC, Prejulgado nº 977)

5.7. Credenciamento

O credenciamento ocorre nas situações em que a Administração não pretende contratar uma empresa ou número limitado

delas, mas todas as que tiverem interesse. Nesse sentido, não há relação de exclusão, o que, por sua vez, inviabiliza a competição.

O credenciamento só tem lugar nas situações em que todos os credenciados são tratados com igualdade pela

Administração, para prestarem os mesmos serviços, recebendo a mesma remuneração. Portanto, o credenciamento incide

na contratação de serviços pelo Poder Público para que o contratado o preste diretamente em favor da população, que é

quem escolhe o credenciado, de acordo com as conveniências dela.

O credenciamento costuma ser utilizado para a contratação de serviços médicos, laboratórios, inspeção de veículos,

bancos etc.

5.7.1. Procedimento

passo - A Administração, por decreto, prescreve quais os serviços pretende credenciar, o quanto pagará por ele e quais

os

requisitos para a habilitação dos credenciados.

passo - Os interessados se credenciam.

passo - A população recebe os serviços da rede de credenciados.

passo - O credenciado que prestou o serviço apresenta fatura à Administração e, posteriormente, recebe o pagamento.

5.7.2. Jurisprudência

Pode a Administração buscar na iniciativa privada a contratação de serviços privados para atender as necessidades da

rede pública da saúde, conforme dispõe o artigo 197 da Constituição Federal e a Lei Federal n° 8.080/90. A contratação deverá ser precedida de licitação ou, nos termos da Lei Federal n 8.666/93, diretamente, através de dispensa ou inexigibilidade.

A inexigibilidade de licitação decorre da inviabilidade de competição e tem fundamento no artigo 25 da Lei Federal n°

8.666/93. A necessidade de contratação de todo o universo de interessados para executar determinado objeto, por preço certo e prefixado pela Administração, caracteriza situação de inexigibilidade de licitação.O credenciamento não pode ser

utilizado em substituição à licitação ou ao contrato. Quando a Administração pretende contratar determinado objeto com todo o universo de interessados, estando caracterizada a situação de inexigibilidade de licitação é recomendável a utilização do credenciamento como mecanismo de seleção dos possíveis interessados. No caso da adoção do credenciamento, os preços devem ser previamente definidos pela Administração, seguindo os mesmos valores constantes da tabela do sistema único de saúde, nos termos do artigo 26 da Lei Federal n° 8.080/90.O documento a ser emitido por pessoa física referente a serviços prestados é a nota fiscal ou o recibo, conforme o enquadramento fiscal em que o profissional se encontra, e consequentemente, este será o documento de comprovação da despesa pública. (TCE-SC, Pré-julgado nº 579)

Pode o Município consulente, para a cobrança de seus carnês de tributos utilizar-se da rede bancária, nas seguintes hipóteses: credenciar somente os bancos oficiais com agências no território municipal, ou; credenciar os bancos oficiais e um da rede privada com agências no Município, escolhido por processo licitatório regular, ou; credenciar toda a rede

13

Curso de Licitação Pública e Contrato Administrativo

bancária (privada e pública), com agências no Município, sendo, neste caso, dispensada a licitação por inviabilidade de competição nos moldes do artigo 25, caput, da Lei n° 8.666/93. (TCE-SC, Pré-julgado nº 377)

Poderá o Município contratar instituição bancária, oficial ou não, para prestar serviços de cobrança da Dívida Ativa, desde

que

estabelecimentos

previamente

estabelecida, configura-se a hipótese de Inexigibilidade de Licitação. (TCE-SC, Pré-julgado nº 957)

os

atendidos

os

requisitos

bancários

previstos

para

na

Lei

sua

Federal

Dívida

8.666/93.

Pretendendo

em

o

contrapartida

Município

uma

contratar

todos

arrecadar

Ativa,

pagando

tarifa

A regra geral expressa no art. 37, inciso XXI, da Constituição Federal compele a realização de prévia licitação para a

contratação de obras, serviços, compras e alienações, objetivando assegurar a igualdade de condições a todos os concorrentes. Em conformidade com o art. 197 da Constituição Federal, combinado com a Lei Federal nº 8080, de 19.09.90, a execução das ações e serviços de saúde deve ser feita diariamente ou através de pessoas físicas e jurídicas de direito privado, ressalvando-se que o art. 199 da Carta Magna estabelece que as instituições privadas poderão participar, no que se refere à constituição do Sistema Único de Saúde, de forma complementar. Quando se tratar da execução das ações e serviços de saúde, compreendendo a prestação dos serviços médico- assistenciais, médico-hospitalares e laboratoriais, entre outros, nada impede que o poder público utilize o sistema de credenciamento, que se vincula ao manifesto interesse da administração em colocar a disposição da comunidade toda a rede de serviços de profissionais da área da saúde, bem como de pessoas jurídicas que prestam serviços assistenciais,

hospitalares ou laboratoriais, mediante condições, incluindo o preço a ser pago, previamente definidas e amplamente difundidas, as quais os interessados poderão aderir livremente a qualquer tempo. Caracterizado o interesse de observar todos os profissionais e pessoas jurídicas que satisfaçam os requisitos e que expressamente acatem as condições do poder público, configurar-se-á a inviabilidade de competição contemplada no caput do art. 25 da Lei Federal nº 8.666/93, de 21 de junho de 1993, com as alterações subseqüentes, estando plenamente atendidos os princípios previstos pelo art. 3º da Lei de Licitações. (TCE-SC. Pré-julgado 680)

Quando a entidade estatal mantém demandas judiciais em diversas Comarcas do Estado, inviabilizando a adequada defesa dos interesses por seu corpo jurídico próprio, é admissível a contratação de advogados pelo sistema de credenciamento,

mediante pré-qualificação, aberto à universalidade dos profissionais autorizados ao exercício da profissão pela Ordem dos Advogados do Brasil, sem limitação de advogados credenciados. Havendo pretensão de contratar número certo ou máximo de advogados, impõe-se a contratação por meio de processo licitatório.

O credenciamento deve obedecer aos princípios da isonomia, impessoalidade e publicidade, e depende da publicação e

ampla divulgação de edital de pré-qualificação aos profissionais interessados na prestação de serviços advocatícios, contendo os requisitos, cláusulas e condições preestabelecidas e uniformes, vinculação ao termo que inexigiu a licitação, responsabilidade das partes, a vigência, os casos de rescisão e penalidades, o foro judicial e a remuneração com base na Tabela de Honorários da Ordem dos Advogados do Brasil. Na pré-qualificação se exigirá a regularização para o exercício da profissão e a comprovação do atendimento aos requisitos dos arts. 27 a 31 da Lei Federal nº 8.666/93 (capacidade jurídica, habilitação técnico-profissional, regularidade fiscal), no que couber, cujos documentos requeridos integrarão o registro cadastral a ser mantido e atualizado pela contratante. As demandas judiciais devem ser distribuídas de forma equânime e imparcial dentre os advogados pré-qualificados para cada Comarca e inscritos no registro cadastral mantido pela entidade estatal contratante, observada a estrita ordem cronológica de ajuizamento ou recebimento de citação ou intimação para defesa dos interesses da entidade, podendo ser adotado o sistema de sorteio aleatório entre todos os credenciados, excluindo-se sempre os sorteados anteriormente. (TCE-SC, Pré- julgado nº 1244)

5.8. Dispensa

Na dispensa a competição é plenamente possível. No entanto, se realizada licitação pública, outros valores, também relacionados ao interesse público, sofreriam gravames. Para evitar tais gravames, o legislador autoriza a dispensa.

O legislador é quem prescreve as hipóteses de dispensa. Fora das situações previstas por ele não há de se reconhecer dispensa.

5.9. Licitação Dispensada para Alienação de Bens Públicos

Os incisos I e II do artigo 17 da Lei nº 8.666/93 encerram hipóteses de licitação dispensada, respectivamente, para a disposição de bens imóveis e de bens móveis.

A alienação de bens imóveis deve obedecer as seguintes formalidades:

(a)

existência de interesse público devidamente justificado (caput do artigo 17);

(b)

avaliação (caput do artigo 17);

(c)

autorização legislativa para órgãos da administração direta e entidades autárquicas e fundacionais (inciso I do artigo

17);

(d)

licitação na modalidade concorrência (inciso I do artigo 17), com exceção dos bens derivados de procedimentos

judiciais ou de dação em pagamento, que poderão ser vendidos por leilão (inciso III do artigo 19).

A alienação de bens móveis deve obedecer as seguintes formalidades:

(a)

existência de interesse público devidamente justificado (caput do artigo 17);

(b)

avaliação (caput do artigo 17);

(c)

licitação, na modalidade leilão, para valores até R$ 650.000,00 (§ 6º do artigo 17), ou na modalidade concorrência,

para valores acima desse montante (§ 3º do artigo 23).

Curso de Licitação Pública e Contrato Administrativo

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A CELESC S.A. ao pretender adquirir veículos novos para a sua frota não poderá entregar os veículos usados como

parte do pagamento dos novos. Deverá, pois, proceder a alienação por leilão ou concorrência, observando, ainda, as prescrições dos artigos 45 e 53 da Lei Federal nº 8.666/93. A alienação de bens inservíveis da Administração Pública, quando móveis, dependerá de avaliação prévia e de licitação conforme Lei Estadual n° 5.164/75. Para a venda de bens

móveis avaliados, isolada ou globalmente, em quantia não superior ao limite previsto no artigo 23, inciso II, alínea "b" da Lei Federal n° 8.666/93, a Administração poderá permitir o leilão. A concorrência pública é a modalidade adequada para

a alienação de bens móveis de valor superior ao limite indicado no artigo 23, inciso II, alínea "b", da Lei Federal n° 8.666/93. (TC-SC, Prejulgado 328)

A alienação de bens móveis inservíveis deve ser realizada através de licitação na modalidade de concorrência e, quando o valor se situar até o limite constante do artigo 23, II, "b", da Lei n° 8.666/93, poderá a Administração realizar sob a modalidade de leilão. As compras e alienações devem se dar através de processos licitatórios distintos, utilizando-se as modalidades licitatórias adequadas, previstas nos artigos 22 e 23 da Lei n° 8.666/93. Excepcionalmente, quando devidamente justificado no processo da licitação, atendendo o interesse público e demonstrada a ausência de prejuízo, através de licitação na modalidade de concorrência pública, poderá a Administração adotar a dação em pagamento, oferecendo bem móvel inservível como parte do pagamento de compra. Nos registros contábeis devem ser procedidos todos os lançamentos pertinentes às operações realizadas, registrando-se, conforme o caso: a receita pela alienação dos bens; a despesa pela aquisição dos bens; a baixa dos bens, no Passivo Permanente, pela alienação;a inscrição dos bens no Ativo Permanente, pela aquisição efetivada; o lançamento de correção dos bens alienados, no Ativo ou Passivo Permanente, quando couber. (TCE-SC, Prejulgado nº 504)

5.10. Licitação Dispensável em razão do Valor do Contrato Obras e serviços de engenharia - R$ 15.000,00 (quinze mil reais) Demais serviços e compras – R$ 8.000,00 (oito mil reais)

5.10.1. Obras e serviços de engenharia

Obras e serviços de engenharia são aqueles que são prestados valendo-se de técnicas de engenharia. Logo, são aqueles que requerem a intervenção de profissional de engenharia, devidamente inscrito no CREA.

A Resolução nº 218, de 29 de junho de 1975, do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia, considera de

atribuição exclusiva de profissional de engenharia as funções de direção, execução e fiscalização de obra e serviço técnico,

bem como condução de equipe de instalação, montagem, operação, reparo ou manutenção.

A propósito, o artigo 15 da Lei nº 5.194, de 24 de dezembro de 1966, prescreve o seguinte: “São nulos de pleno direito os

contratos referentes a qualquer ramo da engenharia, arquitetura ou de agronomia, inclusive a elaboração de obras, quando firmados por entidade pública ou particular com pessoa física ou jurídica não legalmente habilitada a praticar a atividade nos termos desta Lei.

5.10.1.1. Jurisprudência

A realização de obras ou serviços de engenharia, pela Administração Municipal poderá ser efetuada pelo regime de execução direta ou execução indireta. As obras e serviços de engenharia, executadas diretamente pela Administração ou no sistema de mutirão, terão a responsabilidade técnica da Prefeitura, a quem caberá a Anotação de Responsabilidade

Técnica (ART). Na realização de obras e serviços de engenharia pelo regime de execução indireta, o contrato deverá ser

de

firmado

com

profissional

ou

empresa

registrada

no

Conselho

de

Engenharia,

a

quem

caberá

a

Anotação

Responsabilidade Técnica.” (TCE-SC, Prejulgado 034).

5.10.1.2. Proibição de fracionamento do objeto

O ponto jurídico mais relevante no que tange a essas hipóteses de dispensa reside na proibição de parcelamento de

contrato para alcançar em cada parcela os valores autorizadores da dispensa, conforme deflui da redação dos incisos I e II

do artigo 24 da Lei nº 8.666/93. Ou seja, não é permitido fragmentar o objeto do contrato, para, em vez de firmar um só,

firmar vários, visando a esquivar-se da obrigatoriedade de licitação pública, já que, por hipótese, cada parte isoladamente atingiria o montante previsto para a dispensa.

Os valores das obras e serviços de engenharia precisam ser somados quando:

(a)

da mesma natureza

(b)

realizadas no mesmo local

(c)

potencialmente em conjunto ou concomitantemente

5.10.2.

Inciso II do artigo 24

O inciso II do artigo 24 da Lei nº 8.666/93 prescreve a obrigatoriedade da soma dos valores dos demais serviços (que não

sejam de engenharia) e das compras que refiram a parcelas de maior vulto, que possam ser realizadas de uma só vez, para o efeito de apurar os limites da dispensa. Quer-se evitar, da mesma forma, que serviço ou compra a serem realizados

de

uma só vez, sejam fragmentados, com o escopo de sujeitar cada fragmento ao limite de R$ 8.000,00 (oito mil reais), isto

é,

com o escopo de sujeitá-lo à dispensa.

5.10.3. Entidades administrativas distintas

Os contratos de entidades desconcentradas distintas não devem ser somados para o efeito de apurar a ocorrência de

15

Curso de Licitação Pública e Contrato Administrativo

dispensa.

5.10.4. Contratos Imprevisíveis

Ressalva-se que a obrigação de somar os valores dos contratos vale somente em princípio, pois há obras, compras e serviços que não podem ser previstos de antemão, na lei orçamentária, antes do exercício financeiro. É evidente que a compra, o serviço ou a obra apenas podem ser realizados de uma vez se a Administração dispuser de meios para prevê-los integralmente. Não se pode pretender que sejam somados valores concernentes a contratos imprevisíveis, por óbvio, porque nem sequer se sabe antecedentemente de sua necessidade, quanto mais de seu montante.

5.10.5. Limites para a dispensa e aditivos contratuais

Outra questão que se relaciona à abrangência dos limites preceituados nos inciso I e II do artigo 24 da Lei nº 8.666/93 diz respeito às alterações contratuais, que repercutem no valor inicialmente pactuado. Os contratos administrativos são regidos pelo princípio da mutabilidade, segundo o qual os mesmos podem ser alterados a fim de melhor contemplar o interesse público. Todavia, ao lado desse princípio, merece destaque o princípio da intangibilidade do equilíbrio econômico- financeiro, que demanda preservar incólume a relação proposta pelo contratante entre o custo para oferecer o produto e o preço proposto à Administração, em virtude do que, se o contrato foi alterado, é imperativo rever os seus valores.

A possibilidade de alterar o contrato administrativo funda-se exatamente na proteção ao interesse público, que, assaz das

vezes, precisa ser adaptado à nova realidade, que não havia como ser concebida previamente. Portanto, é lícito contratar

com dispensa, em razão do valor econômico do contrato, e, posteriormente, em razão de nova configuração do interesse público, alterar o seu objeto, mesmo que isso implique ultrapassar os valores inicialmente entabulados. Entretanto, isso só

é lícito na medida em que a nova textura do objeto do contrato não podia ser prevista, porém tenha resultado, realmente, de nova demanda amparada pelo interesse público, devidamente justificado. Em sentido oposto, se o agente administrativo define inicialmente o objeto do contrato em quantidade menor ou com características mais simples justamente para adequá-lo aos limites de valor da dispensa e depois pretende alterá-lo, então incorre em ilegalidade, cuja conduta se subsume ao tipo penal estatuído no artigo 89 da Lei nº 8.666/93.

5.10.6. Limites para a dispensa e prorrogação de contratos

Tema relacionado à alteração contratual, embora com textura diversa, é o da prorrogação do contrato, nas situações previstas nos incisos do artigo 57 da Lei nº 8.666/93, que também repercutem em acréscimo de valores e, por ilação, podem fazer com que os valores limites da dispensa sejam extrapolados. Por exemplo: o inciso II do artigo 57 da Lei nº 8.666/93 permite a prorrogação de contratos de prestação de serviços contínuos, por prazos iguais e sucessivos, por até sessenta meses, e, excepcionalmente, desta vez com fulcro no § 4º do artigo 57, por outros doze meses. Então, suponha-se contrato contínuo de prestação de serviços celebrado por dois meses, vigente durante o período compreendido entre 31 de outubro a 31 de dezembro, cujo montante atingiu R$ 8.000,00 (oito mil reais), realizado, portanto, mediante a dispensa de licitação pública prescrita no inciso II do artigo 24 da mesma Lei. Ora, se esse contrato for prorrogado para o próximo exercício inteiro, o seu valor integral irá certamente ultrapassar R$ 56.000,00 (cinqüenta e seis mil reais), importância que não poderia ser contratada mediante dispensa, mas por licitação pública. Se isso fosse permitido, bastaria firmar os contratos por poucos meses para valer-se da dispensa, afastando a obrigatoriedade de licitação pública, que, repita-se à exaustão, é a regra, em obséquio à parte inicial do inciso XXI do artigo 37 da Constituição Federal. Daí que os contratos que admitirem prorrogação devem ser programados em sua totalidade, inclusive computando os valores que incidiriam sobre eles se realmente fosse levada a cabo a prorrogação, para o efeito de definir a modalidade de licitação pública a ser adotada ou a possibilidade de dispensa. Enfatiza-se, a favor dessa tese, que a prorrogação, ao contrário da mera alteração do objeto, pode ser perfeitamente prevista antes de se firmar o contrato, pelo que é incabível à espécie sustentar nova e imprevisível configuração do interesse público.

5.10.7. Jurisprudência

Em conformidade com o preceito do artigo 20, da Lei Federal n° 8.666/93, os procedimentos licitatórios podem ser realizados descentralizadamente, com a adoção da modalidade correspondente às obras, serviços ou compras a serem

efetivados local ou regionalmente, conforme o caso, atentando para a ressalva da norma legal em sua parte final. O artigo 23, em seus parágrafos 1°, 2° e 5°, da Lei Federal n° 8.666/93, com redação dada pela Lei Federal n° 8.883/94, permite os seguintes procedimentos:

- obras, serviços e compras podem ser parceladas ou realizadas por etapas, desde que observada a cada evento a

modalidade de licitação correspondente à execução total do objeto em licitação (§§ 1° e 2°, do artigo 23);

- obras e serviços da mesma natureza a serem realizados no mesmo local, deverão observar a modalidade licitatória

pertinente ao objeto global em licitação (§ 5°, do artigo 23);

- obras e serviços, ainda que da mesma natureza, a serem realizados em locais diferentes, podem ser licitados na

modalidade correspondente a cada objeto em licitação (§ 5°, do artigo 23);

- obras e serviços realizados no mesmo local, cujas parcelas ou etapas possam ser executados, por sua natureza, por

empresas especializadas diversas, serão licitadas individualmente, observando a modalidade correspondente a cada objeto em licitação. (TCE-SC, Prejulgado nº 270)

No caso de aquisição de livros no mercado varejista (livrarias), impende estabelecer programação anual de aquisição desses bens, em cumprimento da vigência dos respectivos créditos orçamentários (por exercício financeiro), cuja previsão de custos indicará a modalidade de licitação a ser utilizada, sob pena da aquisição em diversas etapas durante o ano, por dispensa de licitação em razão do valor, caracterizar parcelamento irregular de compras. (TCE-SC, Pré-julgado nº 1124)

Curso de Licitação Pública e Contrato Administrativo

16

O valor limite para compras e contratação de serviços por dispensa de licitação com base no art.24, II, da Lei Federal

8.666/93 se refere ao respectivo objetivo da aquisição, não tendo direta correlação com o item orçamentário pela qual se dará aquisição. A aquisição, mesmo por dispensa de licitação, requer prévia indicação e aprovisionamento orçamentário, alem de existência de recursos financeiros. A dispensa de licitação com fundamento no inciso II do art.24 da Lei Federal 8.666/93, com redação dada pela Lei Federal nº 9.648/98, se constitui exceção, estando vinculada à justificativa plausível e inocorrência de parcelamento de uma mesma obra, serviço ou compra de maior vulto que possa ser realizada de uma só vez. A administração deve planejar adequadamente as compras e contratações necessárias, evitando a necessidade de aquisições por dispensa de licitação. (TCE-SC, Pré-julgado nº 689)

Não pode o Administrador Público parcelar obra ou serviço com o intuito de burlar a Lei e enquadrá-los na hipótese de dispensa por baixo valor, para favorecer determinadas pessoas em detrimento de outras - diante das oportunidades que a Administração oferece - sob pena de sujeição a crime de responsabilidade, consoante dispõe o artigo 89 da Lei N° 8.666/93. (TCE-SC, Pré-julgado nº 430)

É vedado o parcelamento de contratações de uma mesma obra, serviço ou compra que possa ser realizada conjunta ou

concomitantemente - com o intuito de se enquadrar na hipótese de "dispensa por baixo valor" ou em modalidade inadequada de licitação com limite de valor inferior - por contrariar os artigos 8° e 24, II, da Lei de Licitações e o interesse público, além de frustar o princípio da moralidade administrativa, preconizado no artigo 37, caput, da Constituição Federal (TCE-SC, Pré-julgado nº 488)

abstenha-se de realizar despesas de mesma espécie, com dispensa de licitação, cujos montantes ultrapassem o limite

estabelecido pelo art. 24, inciso II, sob pena de se configurar fracionamento de despesa com fuga ao procedimento licitatório, e atente para o fato de que compras realizadas a intervalos superiores a 30 dias não descaracterizam o fracionamento e de que o art. 24, inciso XII, não ampara a aquisição de perecíveis indefinidamente.” (Tribunal de Contas da União. Ac. nº 305, Diário Oficial da União de 05.06.00, p. 57)

“(

)

proceda a um adequado planejamento de seus procedimentos licitatórios, quando da realização de suas despesas,

em conformidade com a disponibilidade de créditos orçamentários e recursos financeiros e com as suas peculiaridades como unidade industrial, objetivando contratações mais abrangentes e abstendo-se de proceder a sucessivas contratações de serviços e aquisições de pequeno valor, de mesma natureza, semelhança ou afinidade, realizadas por dispensa de licitação fundamentada no inciso II do art. 24.” (Tribunal de Contas da União, Decisão nº 310, publicada no Diário Oficial da União de 04.05.2000, p. 142)

(

)

OBRAS. Parcelamento. Viabilidade técnica e econômica. Licitação. Modalidade convite. Nada obsta que a execução de uma mesma obra seja fracionada em tantas vezes quantas se comprovarem técnica e economicamente viáveis, desde que isso represente vantagem para a Administração e cada certame licitatório seja raizado na modalidade que seria adotada para a modalidade da obra (TCE/PR. TC- 10.319/95. Rel. Cons. Henrique Naigeboren. 25.7.95. RTCE/PR 115, jul/set/95, p.

228).

Ressalvados os casos especificados na legislação, a aquisição de peças e a contratação de serviços de manutenção em

veículos e equipamentos rodoviários deve ser precedida de licitação, operacionalizadas conforme as características e peculiaridades de cada órgão/entidade, observando-se a legislação.A contratação dos serviços de manutenção em veículos

e equipamentos rodoviários pode se dar da seguinte forma: 1) através de diversas licitações, uma para cada necessidade

(observando-se a modalidade adequada para o conjunto das licitações), incluindo-se ou não o fornecimento de peças; 2) através de licitação cujo contrato contemple o regime da empreitada por preço unitário, incluindo-se todos os serviços necessários, e utilizando-se da relação do preço homem/hora para a remuneração, com fornecimento de peças pelo órgão/entidade contratante; 3) através de licitação conforme item anterior, com o fornecimento de peças pelo contratado, sem exclusividade, com prévia aprovação do órgão/entidade contratante do orçamento das peças a serem substituídas. A aquisição de peças pode ser operacionalizada: 1) juntamente com a contratação dos serviços, na forma do item anterior; 2) através de processo licitatório específico; 3) mediante a utilização do Sistema de Registro de Preços; 4) excepcionalmente, por dispensa de licitação, nos termos do art. 24, inciso II, da Lei Federal nº 8.666/93, alterado pela Lei Federal nº 9.648/98. (TCE-SC Pré-julgado nº 803)

5.11. Licitação Dispensável em Razão da Urgência

Inciso IV do artigo 24 da Lei nº 8.666/93: “É dispensável a licitação: nos casos de emergência ou de calamidade pública, quando caracterizados urgência de atendimento de situação que possa ocasionar prejuízo ou comprometer a segurança de pessoas, obras, serviços, equipamentos e outros bens, públicos ou particulares, e somente para os bens necessários ao atendimento da situação emergencial ou calamitosa e para as parcelas de obras e serviços que possam ser concluídas no prazo máximo de 180 (cento e oitenta) dias consecutivos e ininterruptos, contados da ocorrência da emergência ou calamidade, vedada a prorrogação dos respectivos contratos.”

5.11.1. Jurisprudência

Na impossibilidade de prorrogação de contrato e não concluída licitação para novo contrato, a Prefeitura poderá celebrar contrato por prazo máximo de 180 dias (emergencial, até que se conclua processo licitatório), com fundamento no inciso IV do art. 24 da Lei Federal nº 8.666/93, desde que devidamente caracterizada situação de emergência, devidamente fundamentada, observados os requisitos do art. 26 da Lei de Licitações e Contratos Administrativos, sem prejuízo da necessária apuração, em regular processo administrativo, das responsabilidades pela não realização de licitação antes do encerramento do contrato. (TCE-SC, Prejulgado 984)

17

Curso de Licitação Pública e Contrato Administrativo

“Consoante registrado anteriormente, a Lei determina que ocorrendo situação calamitosa ou emergencial, as obras e serviços deverão ser concluídas no prazo máximo de 180 (cento e oitenta) dias, vedada a prorrogação dos respectivos contratos. No entanto, a superveniência de fato excepcional ou imprevisível, estranho à vontade das partes, que altere as condições do respectivo contrato, é razão suficiente para alteração do contrato, a teor do disposto no art. 57, § 1º, item II, da Lei nº 8.666/93.” (Tribunal de Contas da União. TC nº 500.296/96-0)

DISPENSA DE LICITAÇÃO. 1). São pressupostos de aplicação da hipótese de dispensa de licitação preconizados no artigo 24, IV, da Lei 8.666/9: a) caracterização de uma situação emergencial ou calamitosa, provocada por fatos u situações excepcionalíssimas que fogem à previsão da Administração; b) que esteja presente urgência concreta e efetiva do atendimento à situação decorrente do Estado emergencial ou calamitoso, visando afastar risco de danos a pessoas, obras, serviços, equipamentos e outros bens c) que o risco, além de concreto e efetivamente provável, se mostre iminente e especialmente gravoso; 2) Dessume-se do mesmo dispositivo legal- artigo 24, IV, da Lei 8.666/93- que o prazo máximo de duração de contratos de prestação de serviços firmados em casos de emergência ou calamidade pública, que fundamentem dispensa de licitação, é de cento e oitenta dias, a contar da ocorrência da emergência ou calamidade, vedada qualquer prorrogação; 3). A dispensa da licitação com base na hipótese do artigo 24, IV, da Lei 8.666/93, deve necessariamente ser justificada e comunicada à autoridade superior, para ratificação e publicação na imprensa oficial, no prazo de cinco dias, como condição de eficácia dos atos, e o processo de dispensa deve ser instruído com os seguintes elementos 9 ex vi do art. 26, da Lei 8.666/930: a) caracterização da situação emergencial ou calamitosa que justifique a dispensa; b) razão da escolha do fornecedor ou executante; c) justificativa do preço ( Decisão T.C. no 0893/96. Origem:

TCE-PE. Órgão julgado: secretaria d Segurança pública. Data da publicação: 27.6.96).

“(

desde que as ações tomadas pela Administração tenham sido prejudicadas pela superveniência de fato excepcional ou imprevisível, estranho à vontade das partes” (TCU, Decisão nº 820/96)

o retardamento do início e a devolução da contagem do prazo de 180 dias,

)

ser possível, quando da dispensa

(

),

Licitação. Ausência. 2. Procedência. Documentação impugnada. Realização de despesas com a recarga de extintores de incêndio, sem o necessário procedimento licitatório, alegando-se emergência. Não se admite como caso de urgência as situações que, previsíveis, não são providenciadas a tempo pelo administrador. Procedência da impugnação, devendo o responsável recolher aos cofres da Codapar a importância despendida irregularmente, devidamente corrigida (TC-PR. Relator: Conselheiro João Féder. Protocolo: 311112/96. Origem: 2a Inspetoria de Controle Externo. Interessado:

Companhia de Desenvolvimento Agropecuário do Paraná. Decisão: 2.897/98. Resolução: 12.3.98).

Precedendo

hortifrutigranjeiros, pão e outros gêneros perecíveis podem se dar por dispensa de licitação com fulcro no art. 24, inciso XII, da lei em referência (TCE-SC, Prejulgado 648).

de

a

licitação,

dada

a

urgência

que

decorre

da

proximidade

do

início

do

ano

letivo,

as

compras

5.12. Dispensa em Razão de Licitação Fracassada

Inciso V do artigo 24 da Lei nº 8.666/93 - “É dispensável a licitação: quando não acudirem interessados à licitação anterior e esta, justificadamente, não puder ser repetida sem prejuízo para a Administração, mantidas, neste caso, todas as condições preestabelecidas.”

5.12.1. Jurisprudência

As disposições da Lei Federal n° 8.666/93 relativas à dispensa de licitação devem ser interpretadas restritivamente, pois a regra geral é a realização do processo licitatório, consoante mandamento do artigo 37, XXI, da Constituição Federal e artigo 2° da citada Lei. A dispensa de licitação com fundamento no inciso V do artigo 24 da Lei Federal n° 8.666/93 só é admissível quando nenhum interessado apresentar envelopes de documentação de habilitação e proposta de preços – licitação deserta. Não cabe a dispensa quando todos os participantes foram inabilitados ou desclassificados – licitação fracassada –, sujeitando a Administração à repetição do certame. (TCE-SC, Pré-julgado nº 822)

Face à inabilitação dos licitantes, é lícita a hipótese de aquisição de combustíveis, mediante dispensa de licitação, consoante o disposto no inciso VI, do artigo 22, mantidas as condições estabelecidas no instrumento convocatório inicial (TCE-SC. Pré-julgado nº 056)

Quando não acudirem interessados à licitação anterior, por duas vezes consecutivas, é lícita a hipótese de alienação com dispensa de licitação, desde que esta não possa ser repetida sem prejuízo para a Administração, consoante o disposto no artigo 22, inciso VI, do Decreto-Lei 2.300/86, mantidas as condições estabelecidas no instrumento convocatório inicial. (*Decreto-lei n° 2.300/86 - Revogado. Observar Lei Federal n° 8.666/93.) (TCE-SC, Pré-julgado nº 57)

5.13. Dispensa em Razão de Preços Excessivos

Inciso VII do artigo 24 da Lei nº 8.666/93: “A licitação pública é dispensável: quando as propostas apresentadas consignarem preços manifestamente superiores aos praticados no mercado nacional, ou forem incompatíveis com os fixados pelos órgãos oficiais competentes, casos em que, observado o parágrafo único do art. 48 desta Lei e, persistindo a situação, será admitida a adjudicação direta dos bens ou serviços, por valor não superior ao constante do registro de preços, ou dos serviços.”

5.13.1. Jurisprudência

Curso de Licitação Pública e Contrato Administrativo

18

“(

)

a contratação da espécie deverá ser efetuada mediante licitação pública, a qual deverá ser precedida de pesquisa de

preços de assinaturas junto às editoras ou seus distribuidores autorizados, visando à sua comparação com os preços

propostos pelos licitantes;

vencedor seja compatível aos preços praticados no sistema de assinaturas; caso contrário, as propostas deverão ser

desclassificadas as propostas, a Administração poderá contratar

assinaturas diretamente às editoras ou distribuidores autorizados, mediante dispensa de licitação com base no inc. VIII do

art. 24, fazendo expressa menção, no ato formal da adjudicação direta, à forma e periodicidade dos pagamentos acordados; ao contratar assinaturas, cuja periodicidade deverá obedecer às necessidades e conveniências de cada órgão,

os gestores públicos deverão exigir da contratada condições de fornecimento e pagamento semelhantes às do setor privado, de conformidade com o disposto no inc. III, do art. 15, devendo, na hipótese de resultarem infrutíferas as gestões nesse sentido, avaliar a possibilidade de se absterem da aquisição dos correspondentes periódicos e substituí-los, caso

(TCU. Decisão nº 589/96. Plenário, Rel. Min. Paulo Affonso Martins de Oliveira. DOU

haja disponibilidade no mercado ( de 15.10.96, p. 20904).

desclassificadas com fulcro no art. 48 da Lei nº 8.666/93;

a adjudicação do objeto da licitação somente deverá ser efetivada caso a proposta do licitante

)”

5.14. Dispensa em Razão de Rescisão Contratual

Inciso XI do artigo 24 da Lei nº 8.666/93 - “É dispensável a licitação pública: na contratação de remanescente de obra,

serviço ou fornecimento, em conseqüência de rescisão contratual, desde que atendida a ordem de classificação da licitação anterior e aceitas as mesmas condições oferecidas pelo licitante vencedor, inclusive quanto ao preço, devidamente corrigido.”

A rigor jurídico, essa hipótese não merece a qualificação de dispensa de licitação pública, porque houve licitação pública,

em razão da qual é que se celebra o contrato. Perceba-se que a contratação é condicionada ao aceite do novo contratado em torno de todas as condições oferecidas pelo

licitante vencedor, inclusive quanto ao preço. O objetivo disso é refutar negociata às custas do interesse público.

5.15. Dispensa para Compra ou Locação de Imóveis

Inciso X do artigo 24 da Lei nº 8.666/93: “É dispensável a licitação: para compra ou locação de imóvel destinado ao atendimento das finalidades precípuas da administração, cujas necessidades de instalação e de localização condicionem a sua escolha, desde que o preço contratado seja compatível com o praticado no mercado.” Esse dispositivo, em vez de dispensa, consigna hipótese de inexigibilidade. Note-se que só é lícito comprar ou locar imóvel cujas necessidades de instalação e de localização condicionem a sua escolha. Portanto, se a Administração quiser comprar ou locar imóvel em região central de determinado Município e existirem vários imóveis que podem atender aos seus propósitos, é inevitável proceder à licitação pública. A contratação direta encontra lugar nas situações em que houver

somente um imóvel cujas características atendam aos interesses da Administração, pelo que, a rigor jurídico, está-se diante

da hipótese já prevista no inciso I do artigo 25 da Lei nº 8.666/93, relativa à inexigibilidade provocada pela exclusividade do

bem. Ora, em sentido contrário, se houvesse vários imóveis, todos prestantes aos propósitos da Administração, não há a mínima justificativa para contratar diretamente. Como visto, o legislador não recebeu do Constituinte espécie de carta branca para

dispensar de licitação o que bem ou mal lhe aprouvesse. Antes disso, só lhe é lícito criar hipótese de dispensa em face de situações em que a realização de licitação imporia prejuízo ou gravame ao interesse público.

5.15.1.

Requisitos

A dispensa em tela depende da concorrência de três requisitos:

(a)

o imóvel deve se destinar ao atendimento das finalidades precípuas da Administração;

(b)

seja realizada avaliação prévia;

(c)

e o preço seja compatível com o valor de mercado.

5.15.2.

Jurisprudência

Nada obsta que o Poder Público efetue locação de imóvel com pessoa jurídica e/ou física, utilizando-se da figura da dispensa de licitação, na forma como dispõe o artigo 24 inciso X da Lei 8.666/93; e com fundamento no artigo 62, § 3º, inciso I da Lei das Licitações, a restrição imposta à renovação de contratos por força do disposto no artigo 57 não é aplicável na locação de imóveis. (TCE-SC, Prejulgado nº 318)

De acordo com o artigo 2° da Lei Federal n° 8.666/93, alterada pelas Leis nos 8.883/94 e 9.032/95, os contratos de locação firmados pela Administração Pública devem, obrigatoriamente, ser precedidos de certame licitatório e a eles se aplica, no que couber, o disposto nos artigos 55 e 58 a 61, conforme prevê a regra do inciso I do parágrafo 3° do artigo 62 do mesmo diploma legal. O Edital de Licitação para locação de bens caracterizando operação de leasing deve prever expressamente a condição de opção de compra, em cumprimento à disposição legal que rege a matéria. (TCE-SC, Pré-julgado nº 517)

5.16. Dispensa em Razão dos Atributos Pessoais do Contrato

Inciso XIII do artigo 24: “É dispensável a licitação: na contratação de instituição brasileira incumbida regimental ou estatutariamente da pesquisa, do ensino ou do desenvolvimento institucional, ou de instituição dedicada à recuperação

social do preso, desde que a contratada detenha inquestionável reputação ético-profissional e não tenha fins lucrativos.”

O dispositivo em apreço refere-se a dois tipos de instituição: primeiro, às destinadas à pesquisa, ao ensino ou ao

desenvolvimento institucional; segundo, às dedicadas à recuperação de presos.

19

Curso de Licitação Pública e Contrato Administrativo

5.16.1. Requisitos

 

(a)

Instituição brasileira;

(b)

sem fins lucrativos (fundações, institutos etc.);

(c)

devem consignar nos estatutos o objetivo de se dedicarem a pesquisa, ao ensino e ao desenvolvimento institucional;

(d)

devem ostentar inquestionável reputação ético-profissional;

(e)

deve haver correlação lógica entre os objetivos, a natureza da instituição e o objeto do contrato;

(f) deve prestar os serviços diretamente

5.16.2. Jurisprudência

"A dispensa de licitação fundamentada no inciso XIII do art. 24 da Lei nº 8.666/93, somente poderá se efetivar se

comprovado o nexo entre as atividades mencionadas no dispositivo, a natureza da instituição e o objeto da contratação"

) (

Pública, o princípio maior da licitação - balizada por princípios outros como o da impessoalidade, da moralidade - impõe-se uma interpretação rigorosa do dispositivo legal citado, de modo a exigir que a entidade contratada tenha objetivos

compromissos

condizentes

"A fim de compatibilizar a norma com o ordenamento jurídico vigente, onde se tem, no campo da Administração

com

o

objeto

da

contratação

e

estrutura

que

comporte

o

cumprimento

pessoal

dos

assumidos."(Tribunal de Contas da União. Decisão nº 346/99, Rel. Min. Lincoln Magalhães da Rocha, data: 09.6.99, Publicado no DOU nº 117-E, de 22.6.99, apud, Informativo de Licitações e Contratos, agosto/99)

O CIEE - Centro de Integração Empresa-Escola pode ser contratado por órgãos e entidades da administração direta e

indireta do Estado por dispensa de licitação, com fundamento no art. 24, XIII, da Lei Federal nº 8.666/93, desde que o objeto do contrato esteja relacionado à pesquisa e ensino, atendidos aos demais requisitos do referido dispositivo e do art. 26 da Lei de Licitações e, ainda, que não hajam outras instituições que ofereçam semelhantes serviços. (TCE – SC, Pré- julgado nº 1283)

É admissível a contratação de instituição brasileira sem fins lucrativos incumbida regimental ou estatutariamente da

pesquisa, ensino ou desenvolvimento institucional por dispensa de licitação com fundamento no art. 24, inc. XIII, da Lei Federal nº 8.666/93, exclusivamente quando o objeto do contrato se referir a pesquisa, ensino ou desenvolvimento institucional, e desde que atendidos aos demais requisitos prescritos naquele dispositivo legal.Em decorrência, não encontra amparo legal a contratação por dispensa de licitação com base no inc. XII do art. 24 da Lei Federal nº 8.666/93 de laboratórios de Universidades para fornecimento de medicamentos a órgãos ou entidades estaduais ou municipais visando suprir as necessidades de atendimento público de saúde, pois tal objeto não tem vinculação com serviços de ensino, pesquisa ou desenvolvimento institucional. (TCE-SC, Pré-julgado nº 1191)

É viável a celebração de contrato, por dispensa de licitação com fundamento no art. 24, inciso XIII, da Lei 8.666/93, entre a

Fundação Universidade do Estado de Santa Catarina – UDESC e Municípios, visando a execução de Cursos de Pedagogia, na modalidade à distância, nos termos autorizados pelo Ministério da Educação, prevendo participação financeira do Município.É vedado à UDESC a cobrança de mensalidades diretamente dos alunos, pois caracterizaria infração ao princípio constitucional de gratuidade do ensino em estabelecimentos públicos (art. 206, V, CF e art. 162, V, Constituição Estadual).Compete ao Município estabelecer normas para eventual participação financeira dos seus alunos- docentes, segundo o interesse público local, contendo garantias para cumprimento integral das obrigações financeiras assumidas pelos alunos com o ente, mesmo em caso de desistência do curso.Nos Municípios a receita da eventual participação dos servidores (docentes-alunos) será contabilizada como receitas orçamentárias, no Código integrante das Receitas Diversas especificado como "1990.99.00 – Outras Receitas", observando que a partir de janeiro de 2001 a receita será registrada no Código 1999.00.00 – Receitas Diversas, com a criação de sub-classificação específica, como por exemplo "1999.01.00 – Participação de Servidores em Curso de Capacitação", conforme previsto na Portaria Interministerial nº 163/01, alterada pela Portaria nº 326/01. (TCE-SC, Pré-julgado nº 1048)

A contratação do SEBRAE é dispensada da realização de licitação por satisfazer, a entidade, os pressupostos do artigo 24,

XIII, da Lei Federal nº 8666/93.(TCE-SC, Pré-julgado 172)

5.17. Procedimento para Contratação Direta

1º PASSO - definir o objeto da contratação;

2º PASSO – fazer previsão orçamentária (inciso I ou § 1º do artigo 167 da Constituição Federal);

3º PASSO - motivar o ato de dispensa e de inexigibilidade, indicando o seu fundamento legal (caput do artigo 26 da Lei nº 8.666/93 e o próprio princípio da motivação);

4º PASSO - pesquisar no mercado para precisar com quem contratar e em quais condições;

5º PASSO - declinar as razões da escolha do contratado (inciso II do artigo 26 da Lei nº 8.666/93 e o princípio da indisponibilidade do interesse público), comprovando a habilitação dele para cumprir o objeto do contrato;

6º PASSO - de todo modo, se o contratado for pessoa jurídica, requerer certidão de regularidade junto à seguridade social (§ 3º do artigo 195 da Constituição Federal) e certidão de regularidade junto ao Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (Lei nº 8.036/90);

Curso de Licitação Pública e Contrato Administrativo

20

8º PASSO - juntar parecer da consultoria jurídica (inciso VI do artigo 38 da Lei nº 8.666/93);

9º PASSO - comunicar as dispensas previstas nos §§ 2º e 4º do artigo 17 e nos incisos III a XXIV do artigo 24, bem como as situações de inexigibilidade referidas no artigo 25, dentro de três dias, à autoridade superior, para ratificação e publicação na imprensa oficial, no prazo de cinco dias, como condição para eficácia dos atos (caput do artigo 26), o que permite a não publicação do instrumento de contrato na Imprensa Oficial (parágrafo único do artigo 61 da Lei nº 8.666/93);

10º PASSO - nos demais casos de dispensa (incisos I e II do artigo 24 da Lei nº 8.666/93 e as alíneas dos incisos I e II do artigo 17 da mesma Lei), publicar os contratos dela decorrentes na imprensa oficial até o quinto dia útil do mês seguinte ao de sua assinatura, para ocorrer no prazo de vinte dias daquela data, qualquer que seja o seu valor, ainda que sem ônus (parágrafo único do artigo 61 da mesma Lei).

Formalidades Específicas nos casos de dispensa para a alienação de bens, é obrigatória a justificativa em interesse público (caput do artigo 17 da Lei nº 8.666/93), a avaliação prévia (também caput do artigo 17) e, para a alienação de imóveis da administração direta, autárquica e fundacional, a autorização legislativa (inciso I do mesmo artigo 17). se a dispensa referir a caso de emergência, caracterizar a emergência (inciso I do artigo 26 da Lei nº 8.666/93); se a dispensa referir a material de pesquisa, juntar documento de aprovação do projeto de pesquisa aos quais os bens serão alocados (inciso IV do artigo 26 da Lei nº 8.666/93);

5.17.1. Jurisprudência

Na contratação por inexigibilidade de licitação deve a empresa contratada comprovar a sua regularidade com a seguridade social e FGTS, nos termos do artigo 195, § 3° da Constituição Federal, artigo 27, "a" da Lei n° 8.036/90, artigo 47, I, "a" da Lei n° 8.212/91 e artigo 2° da Lei n° 9.012/95. (TCE-SC, Prejulgado nº 525).

No hipótese do inciso V, art. 24 da Lei 8.666/93, no caso de compra direta, não é dispensada o formalização do contrato, sendo que a minuta do contrato é parte integrante do edital, vinculando a administração às condições já estabelecidas, inclusive aos termos contratuais, sendo inaplicável a dispensa do contrato ou a substituição por tempo equivalente (TC-PR)

LICITAÇÃO. Exigibilidade. Certidão negativa de débito. Certificado de regularidade do FGTS. Indispensável a apresentação do documento exigido no inc. IV do art. 29 da Lei 8.666/93, e todas as modalidades licitacionais bem como nas situações de dispensa e inexigibilidade, excepcionadas, tão-somente, as modalidades de concurso, leilão e concorrência para alienação de bens (TCE/PR. TC- 8.631/95: Rel. Cons. João Féder, 20/6/95, RTCE/PR 114, abr/jun/95, p. 223)

) (

8.666/93 e

instrumentos hábeis, como por exemplo,

execução de serviço"; (TCU, TC 011.621/93-1)

1.3. publicação dos extratos de todos seus contratos no Diário Oficial da União, nos termos do î 1º do art. 61 da Lei nº

de outros

do

art. 33 do Regulamento de Licitações e Contratos

do

GEIPOT, mesmo

em

se

tratando

"nota de empenho", "carta contrato", "autorização de compra", "ordem de

6. Modalidades de Licitação

6.1. Concorrência

Para contratos de obras e serviços de engenharia, cujos valores excedam R$1.500.000,00. (art. 23, inc. I, alínea "c")

Para os demais contratos de compras e serviços, cujos valores excedam R$650.000,00 (art. 23, inc. II, alínea "c") Compras e alienações de bens imóveis. (art. 23, § 3º) Concessões de direito real de uso. (art. 23, § 3º) Licitações internacionais, salvo se possuir cadastro internacional de fornecedores. (art. 23, § 3º)

Prazo para publicidade do edital:

45 dias – contrato com regime de empreitada integral ou quando a licitação for julgada pelos critérios de melhor

técnica ou de técnica e preço. (art. 21, § 2º, inc. I, alínea "b")

30 dias – demais casos. (art. 21, § 2º, inc. II, alínea "a")

Procedimento: Aberta a todos os interessados que comprovem as aptidões mínimas para a habilitação. (art. 22, § 1º)

6.2. Tomada de Preços

Para obras e serviços de engenharia, cujo valor da contratação não ultrapasse R$1.500.000,00. (art. 23, inc. I, "b") Para demais serviços e compras, cujo valor da contratação não ultrapasse R$650.000,00. (art. 23, inc. II, "b") Licitações internacionais, com cadastro internacional de fornecedores. (art. 23, § 3º)

Prazo para publicidade do edital:

30 dias – licitação julgada pelos critérios de melhor técnica ou de técnica e preço. (art. 21, § 2º, inciso II, alínea "b")

21

Curso de Licitação Pública e Contrato Administrativo

Procedimento:

"modalidade de licitação entre interessados devidamente cadastrados ou que atenderem a todas as condições exigidas para cadastramento até o terceiro dia anterior à data do recebimento das propostas." (art. 22, § 2º).

Jurisprudência Nos termos da Lei n° 8.666/93, é deferido exclusivamente a órgãos ou entidades da Administração Pública a instituição de cadastro de fornecedores para fins de utilização em licitações públicas. Não encontra amparo legal a instituição de cadastro de fornecedores por Associação de Município que tenha por finalidade a sua utilização pelos Municípios dela integrantes. O ente público licitante poderá utilizar-se de cadastro de fornecedores de qualquer órgão ou entidade da Administração Pública, mediante previsão em norma própria ou nos editais de cada licitação, consoante autorização do art. 34, § 2º, da Lei nº 8.666/93 (TCE-SC, Pré-julgado 705)

6.3. Convite

Para obras e serviços de engenharia, cujos valores não excedam R$150.000,00. (art. 23, inc. I, alínea "a") Demais serviços e compras cujos valores não excedam R$80.000,00. (art. 23, inc. II, alínea "a") Licitação internacional, qualquer que seja o valor, quando não houver fornecedor do bem ou serviço no País. Prazo para publicidade da carta-convite: 5 dias (art. 21, § 2º, inc. IV)

Procedimento (art. 22, § 3º) Administração convida três ou mais interessados do ramo pertinente (carta-convite). Fixa em lugar apropriado (mural da repartição) cópia do convite (carta-convite). Abre aos demais cadastrados que apresentarem interesse em até 24 horas da apresentação das propostas.

Sugestão: Sempre publicar o convite.

Advertências:

Art. 22, § 6º – "existindo na praça mais de três possíveis interessados a cada novo convite, realizado para objeto idêntico ou assemelhado, é obrigatório o convite a , no mínimo, mais um interessado, enquanto existirem cadastrados não interessados na última licitação." Art. 22, § 7º – "quando, por limitações, do mercado ou manifesto desinteresse dos convidados, for impossível a obtenção do número mínimo de licitantes exigidos no § 3º deste artigo, essas circunstâncias deverão ser devidamente justificadas no processo, sob pena de repetição do convite." – Em face da dificuldade em justificar a ausência de interessados, a regra é a repetição dos convites. (TCU, TC-008.225/99-0)

Jurisprudência É admissível a adjudicação do objeto licitado ao único interessado entre os convidados na modalidade de licitação convite, desde que, por limitações do mercado ou manifesto desinteresse dos convidados for impossível a obtenção do número mínimo de licitantes exigidos no § 3° do artigo 22 da Lei Federal n° 8.666/93, sendo que estas circunstâncias deverão ser devidamente justificadas no processo, sob pena de repetição do convite, nos termos do § 7° do artigo 22 da Lei Federal n° 8.666/93. (TCE-SC, Prejulgado 278)

Representação contra irregularidades em licitação promovida para a contratação de empresa para a execução de serviço de manutenção de cadeiras e estofados. Contratação de empresa que desempenha atividade inerentes a outro ramo de atividade. Procedência. Determinação para que sejam adotadas medidas visando o exato cumprimento da Lei, consistentes na anulação do certame e do contrato dele decorrente, admitindo-se sua subsistência pelo prazo necessário à elaboração do novo procedimento licitatório. Fixação de prazo para a ciência ao Tribunal. Comunicação ao interessado (TCU, Decisão

756/97)

6.4. Concurso

"é a modalidade de licitação entre quaisquer interessados para escolha de trabalho técnico, científico ou artístico, mediante

a instituição de prêmio ou remuneração aos vencedores, conforme critérios constantes de edital publicado na imprensa

oficial com antecedência mínima de 45 (quarenta e cinco) dias." (art. 22, § 4º)

6.5. Leilão

"é a modalidade de licitação entre quaisquer interessados para a venda de bens móveis inservíveis para a Administração ou de produtos legalmente apreendidos ou penhorados, ou para alienação de bens imóveis prevista no art. 19, a quem oferecer o maior lance igual ou superior ao da avaliação." (art. 22, § 5º)

Curso de Licitação Pública e Contrato Administrativo

22

a) Escolha da Modalidade

A escolha da modalidade deve ser feita com precaução. Se o valor orçado estiver muito próximo do limite da modalidade,

deve-se escolher outra mais abrangente. Tudo porque, se a proposta consignar preço maior do que o relativo à modalidade escolhida, a licitação estará frustrada.

Para contornar tal situação, aconselha-se:

- invocar o § 3º do artigo 48, conferindo-se o prazo de oito dias úteis para apresentação de novas propostas, ou, nos casos

de convite, três dias úteis.

- em dúvida, estabelecer como limite máximo das propostas o valor-limite da modalidade.

b)

Parcelamento

As

obras, os serviços e as compras podem ser parceladas, a fim de colher melhores condições mercadológicas (art. 23, §

1º). A cada parcela deve-se fazer uma licitação específica, preservada em cada uma delas a modalidade correspondente a todo objeto licitado. (art. 23, § 2º e 5º)

7. Fase Interna da Licitação

7.1. Requisição

O procedimento licitatório inicia-se com a requisição de alguma utilidade de interesse por dirigente de setor de órgão

administrativo.

7.2. Avaliação Técnica

A requisição deve ser dirigida a um setor técnico, para que se proceda à avaliação sistêmica das necessidades do órgão.

7.3. Autorização para Abertura de Procedimento

Com base na avaliação técnica, a autoridade competente deve aprovar a realização da licitação. (art. 38)

7.4. Abertura do Processo

Em seguida, procede-se à abertura de processo administrativo, devidamente autuado, protocolado e numerado, contendo a respectiva autorização, a indicação sucinta de seu objeto e de recursos próprios para despesa. (art. 38)

7.5. Órgão ou Setor Responsável pela Elaboração do Edital

Equipe de servidores responsáveis pela confecção do edital.

7.6. Descrição do Objeto

A primeira tarefa deste setor é descrever com a máxima precisão qual o objeto do edital. (art. 40, inc. I)

Meio termo se restringe o objeto - viola a competitividade se amplia o objeto - viola o julgamento objetivo

Para descrever um objeto, é necessário, antes de tudo, conhecê-lo.

Para conhecê-lo, em primeiro lugar, deve-se precisar qual o interesse da Administração. Deve-se saber o que se quer. Em segundo lugar, deve-se determinar o que melhor satisfaz o interesse da Administração. Deve-se avaliar as soluções possíveis. Em terceiro lugar, deve-se verter em linguagem escrita a solução encontrada, isto é, descrevê-la.

– Deve-se buscar auxílio técnico especializado.

– Deve-se definir a quantidade e a qualidade dos bens licitados.

7.7. Projeto Básico (Art. 6º, Inc. IX; Art. 7º, Inc. I e § 2º, Inc. I)

Em obras e serviços deve-se elaborar projeto básico, que disponha sobre todos os elementos técnicos, descrevendo o objeto com detalhes.

O Tribunal de Contas da União entende que em todas as obras e serviços é necessária a elaboração de projeto básico.

(TCU – Proc. no 006.031/94-3). Já a doutrina entende que só é necessário em casos de complexidade técnica. TCE-SC, Prejulgado 810 - A realização de licitação para contratação de obras e serviços de engenharia depende da existência de projeto básico aprovado pela autoridade competente, assim como de orçamento detalhado, nos termos do § 2º do art. 7º da Lei Federal nº 8.666/93, admitindo-se a elaboração do projeto executivo (projeto final) concomitantemente à

23

Curso de Licitação Pública e Contrato Administrativo

execução da obra desde que autorizado pela Administração.

O projeto básico deve ser anexado ao edital. (art. 40, § 2º, inc. I)

7.8. Projeto Executivo (Art. 6º, Inc. X; Art. 7º, Inc. II e § 1º)

Em obras deve-se elaborar projeto executivo, que contenha os elementos necessários e suficientes à sua execução completa, de acordo com as normas da ABNT.

Admite-se, no entanto, que o projeto executivo seja desenvolvido concomitantemente com a execução das obras e dos serviços.

O projeto executivo deve ser anexado ao edital. (art. 40, § 2º, inc. I)

7.9. Orçamento Estimado em Planilhas (Art. 7º, Inc. II e Art. 40, § 2º, Inc. II)

Todas as licitações devem ser precedidas de orçamento estimado em planilhas, que expressem a composição de todos os seus custos unitários e que devem ser anexadas ao edital.

7.10. Recursos Orçamentários

Com base no orçamento estimado deve-se indicar os recursos orçamentários. (art. 7º, inc. III e IV e art. 14)

7.11. Lei de Responsabilidade Fiscal (Art. 16, Inc. I e II e § 4º, Inc. I da LC nº 101/2000)

Toda licitação que implicar criação, expansão ou aperfeiçoamento da ação governamental que acarrete aumento de despesa, deve ser precedida de:

a) estimativa do impacto orçamentário-financeiro no exercício em que deva entrar em vigor e nos dois subseqüentes; b) declaração do ordenador da despesa de que o aumento tem adequação orçamentária e financeira com a lei orçamentária anual e compatibilidade com o plano plurianual e com a lei de diretrizes orçamentárias. A estimativa do impacto orçamentário-financeiro e a declaração de adequação orçamentária são relativos à ação governamental e não apenas ao custo específico do contrato.

7.12. Elaboração do Instrumento Convocatório

7.13. Minuta do Contrato (Art. 40, § 2º,, Inc. III)

7.14. Consultoria Jurídica (Art. 38, Par. Único)

"Ao examinar e aprovar os atos da licitação, a assessoria jurídica assume responsabilidade pessoal solidária pelo que foi praticado, ou seja, a manifestação acerca da validade do edital e dos instrumentos de contratação associa o emitente do parecer ao autor dos atos. Há dever de ofício de manifestar-se pela invalidade, quando os atos contenham defeitos. Não é possível os integrantes da assessoria jurídica pretenderem escapar aos efeitos da responsabilização pessoal quando tiverem atuado defeituosamente no cumprimento de seus deveres: se havia defeito jurídico, tinham o dever de apontá-lo." (JUSTEN FILHO, Marcar. Comentários à Lei de Licitações e Contratos Administrativos. 7ª ed. São Paulo: Dialética, 2000. p.

393)

7.15.

Assinatura do Instrumento Convocatório (Art. 40, § 1º)

8. Diretrizes para Fase Interna da Licitação

8.1. Obras e Serviços

a) Obtenção de Recursos Financeiros

É vedado incluir no objeto da licitação a obtenção de recursos financeiros para sua execução, qualquer que seja a sua

origem, exceto nos casos de empreendimentos executados e explorados sob regime de concessão. (art. 7º, § 3º)

b) Quantitativos

É vedado realizar licitação sem precisar a quantidade do material a ser fornecido. (art. 7º, § 4º)

c) Marcas

É vedado estabelecer marca para o objeto licitado, exceto nos casos tecnicamente justificáveis. (art. 7º, § 5º)

Sugestão

– Sempre que indicar marca consultar corpo técnico, que, de preferência, deve elaborar um laudo. Jurisprudência Representação acerca de supostas irregularidades em procedimento licitatório - Exigência de marca específica em edital, sem justificativa técnica que a respaldasse - Restrição ao caráter competitivo do certame e inobservância dos princípios constitucionais da legalidade e da isonomia - Conhecimento - Procedência - Ciência à interessada - Determinações -

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24

Juntada às contas (

determinado fabricante, como exemplos a HP BRASIL e a XEROX, o mencionado instrumento convocatório afastou a

possibilidade de participação de fornecedores de outras marcas, contrariando, assim, a meu ver, dois princípios

feriu o princípio constitucional da isonomia porque fornecedores de

cartuchos de toners de outras marcas eventualmente existentes no mercado foram afastados liminarmente do certame sem que ao menos tivessem a oportunidade de apresentar suas propostas, vez que a indicação de marca, no presente caso, tinha o poder real de restringir a participação de fornecedores diversos daqueles que representassem as marcas HP e XEROX, infringindo, dessa forma, os artigos 37, caput, da Constituição Federal e 3º, caput, da Lei nº 8.666/93. (TCU, Decisão nº 1518)

constitucionais: o da legalidade e o da isonomia. (

dispor no edital que os cartuchos de toner original deveriam conter o selo de garantia de

)Ao

)

d) Padronização

Deve-se buscar padronizar as obras e os serviços, sempre atendendo às especificações locais. (art. 11, da Lei 8.666/93)

8.2. Compras

a) Padronização – Art. 15, Inc. I.

b) Registro de preços – Art. 15, Inc. I.

licitação na modalidade concorrência (art. 15, § 3º, inc. I) precedida de ampla pesquisa de mercado (art. 15, § 1º) vencedor obriga-se a manter sua proposta por 1 (um) ano, facultando à Administração, quando e na quantidade que lhe convir, adquirir os objetos licitados.

Decreto no 2.743/98 – para a União.

c) Condições de pagamento semelhantes a do setor privado. (art. 15, inc III)

d) Ser subdividida em parcelas. (art. 15, inc. IV)

e) Balizar-se pelos preços praticados no âmbito dos órgãos e das entidades da administração pública. (art. 15, inc. V)

f) Sempre atentar para as condições de guarda e armazenamento. (art. 15, § 7º, inc. III)

g) Publicidade mensal de todas as compras. (art. 16)

9. Instrumento Convocatório

9.1. Observação

Para a modalidade convite o instrumento convocatório é denominado "carta-convite"; para as demais modalidades é chamado "edital".

9.2. Conceito

Instrumento convocatório é o documento através do qual a Administração torna pública a realização de uma licitação, definindo o objeto licitado, os documentos a serem apresentados pelos interessados, quais os critérios para determinar o vencedor da disputa e todas as demais regras que lhe forem pertinentes.

9.3. Princípio da Vinculação ao Instrumento Convocatório

As pessoas interessadas avaliam suas condições para participar da licitação, formulam e oferecem suas propostas com base no que foi prescrito no instrumento convocatório. Por conseqüência, a Administração está vinculada ao teor do instrumento convocatório.

O papel da comissão de licitação é apenas dar cumprimento ao instrumento convocatório, ou seja, se o instrumento

convocatório requer a apresentação de um documento, ele deve ser efetivamente exigido, sob pena de inabilitação do licitante ou desclassificação de sua proposta. Doutro lado, se o documento não é requisitado pelo instrumento convocatório, a comissão de licitação não pode exigi-lo.

O princípio da vinculação ao instrumento convocatório não impede que a comissão de licitação, a autoridade competente, o

Tribunal de Contas ou o Judiciário interpretem as suas cláusulas, afastando formalidades inúteis, em obediência ao

princípio da competitividade.

9.4. Publicidade

a) Concorrência, tomada de preços, concursos e leilões

Diário Oficial da União, quando se tratar de licitação promovida por órgão ou entidade da Administração Pública Federal e, ainda, quando se tratar de obras financiadas parcial ou totalmente com recursos federais ou garantidos por instituições federais. (art. 21, inc. I)

Diário Oficial do Estado, ou do Distrito Federal, quando se tratar, respectivamente, de licitação feita por órgão ou entidade

da administração pública estadual ou municipal ou do Distrito Federal. (art. 21, inc. II)

Jornal diário de grande circulação no Estado e também, se houver, em jornal de circulação no município ou na região onde será realizada a obra, prestado o serviço, fornecido, alienado ou alugado o bem. (art. 21, inc. III)

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b) Carta-Convite

Fixação em lugar apropriado. (art. 22, § 3º)

Jurisprudência: Os prazos de publicidade da Lei Federal nº 8.666/93 são mínimos e se contam contínua e progressivamente a partir do primeiro dia útil após a última publicação do edital, cujo termo final também deverá ocorrer em dia útil na repartição pública promotora da licitação.A redução do prazo mínimo de publicidade do edital previsto no art. 21 da Lei Federal nº 8.666/93 afronta o princípio constitucional da publicidade, tornando ilegal o processo licitatório, devendo ser anulado por não comportar convalidação. (TCE-SC, Pré-julgado nº 719)

9.5. Alterações do Instrumento Convocatório

Os instrumentos convocatórios podem ser alterados, desde que seja dada às modificações ampla publicidade, reabrindo-se

o prazo inicialmente estabelecido, salvo se elas não afetarem a formulação das propostas. (art. 21, § 4º)

Jurisprudência

A publicidade dos atos de licitação destaca-se dentre os requisitos essenciais à sua legalidade, fazendo prevalecer a

isonomia que impede o procedimento seletivo com discriminação entre os participantes. Havendo alteração, a qualquer título, da data da apresentação das ofertas, a nova designação exige publicidade (TJDF, AGI nº 1999002000883-8)

9.6. Impugnação ao Instrumento Convocatório

a) Prazo

Não licitantes – cinco dias úteis antes da abertura dos envelopes de habilitação, devendo a Administração pronunciar-se em três dias úteis. (art. 41, §1º) Licitante – até o 2º dia útil que anteceder a abertura dos envelopes de habilitação. (art. 41, §2º)

A Administração não tem prazo para decidir sobre a impugnação. Até que a Administração decida, o licitante não pode ser

inabilitado ou sua proposta desclassificada. (art. 41, §3º)

b) Decadência

Quem não impugnar dentro do prazo estipulado perde o direito de fazê-lo na via administrativa. No entanto, a impugnação pode ser feita perante o Poder Judiciário, valendo-se, até mesmo, de mandado de segurança.

Jurisprudência

A caducidade do direito à impugnação (ou pedido de esclarecimentos) de qualquer norma do Edital opera, apenas, perante

a Administração, eis que o sistema de jurisdição única consignado na Constituição da República impede que se subtraia da apreciação do Judiciário qualquer lesão ou ameaça a direito. Até mesmo após abertos os envelopes (e ultrapassada a primeira fase), ainda é possível aos licitantes propor medidas judiciais adequadas à satisfação do direito pretensamente lesado pela Administração. (STJ. MS no 5.755/DF. Rel. Min. Demócrito Reinaldo.)

9.7. Audiência Pública (Art. 39)

Para licitações simultâneas ou sucessivas de valor superior a R$150.000.000,00. Com antecedência de 15 dias úteis da data prevista para a publicação do edital. Divulgada com antecedência mínima de 10 dias.

10. Habilitação

10.1. Conceito

É a fase da licitação pública em que a Administração verifica a aptidão dos licitantes para cumprirem o contrato. Na habilitação analisa-se a pessoa, o proponente, não a proposta. Demais disso, não há licitantes mais ou menos aptos. Ou o são, ou não o são.

10.2. Princípios

Indisponibilidade do Interesse Público X Competitividade

Inciso XXI do artigo 37 da Constituição Federal: “(

econômica indispensáveis à garantia das obrigações”. Inciso I do § 1º do artigo 3º da Lei nº 8.666/93: “É vedado aos agentes públicos: admitir, prever, incluir ou tolerar, nos atos de convocação, cláusulas ou condições que comprometam, restrinjam ou frustrem o seu caráter competitivo e estabeleçam preferências ou distinções em razão da naturalidade, da sede ou domicílio dos ou de qualquer outra circunstância impertinente ou irrelevante para o específico objeto do contrato”. Em decorrência disso, a Comissão de Licitação deve interpretar o edital sempre de maneira a permitir a habilitação de licitante capaz de satisfazer o objeto do contrato, sem se ater em formalismos.

o qual somente permitirá as exigências de qualificação técnica e

)

10.2.1. Jurisprudência

Curso de Licitação Pública e Contrato Administrativo

26

A interpretação das regras do edital de procedimento licitatório não deve ser restritiva. Desde que não possibilitem qualquer prejuízo à administração e aos interessados no certame, é de todo conveniente que compareça à disputa o maior número possível de interessados, para que a proposta mais vantajosa seja encontrada em universo mais amplo. O ordenamento jurídico regular da licitação não prestigia decisão assumida pela Comissão de Licitação que inabilita concorrente com base em circunstância impertinente ou irrelevante para o específico objeto do contrato, fazendo exigência sem conteúdo de repercussão para a configuração da habilitação jurídica, qualificação técnica, da capacidade econômica financeira e da regularidade fiscal (STJ, MS nº 5597) Não deve ser afastado candidato do certame licitatório, por meros detalhes formais. No particular, o ato administrativo deve ser vinculado ao princípio da razoabilidade, afastando-se de produzir efeitos sem caráter substancial (STJ, MS nº 5.361-DF) “Visa a concorrência pública fazer com que maior número de licitantes se habilitem para o objetivo de facilitar aos órgãos públicos a obtenção de coisas e serviços mais convenientes aos seus interesses. Em razão desse escopo, exigências demasiadas e rigorismos inconsentâneos com a boa exegese da lei devem ser arredados. Não deve haver nos trabalhos nenhum rigorosismo e na primeira fase de habilitação deve ser de absoluta singeleza o procedimento licitatório” (TJRS, Agravo de Petição nº 11.383, RDP nº 14, p. 240). Não inabilitar licitante em razão de apresentar documentação em número inferior de vias do exigido no edital (TCU, TC 010.355/95-2, BLC n. 6, 1997, p. 326).

10.3. Quais os documentos devem ser exigidos?

O artigo 27 da Lei nº 8.666/93 exige a verificação da habilitação jurídica, técnica, econômica-financeira, regularidade fiscal e

cumprimento do inciso XXXIII do artigo 7º da Constituição Federal. Em seguida, os artigos 28 a 31 da mesma Lei enunciam

quais os documentos que devem ser exigidos. Diante desse panorama, duas questões vêm à colação: Em primeiro lugar, é lícito exigir menos documentos do que os previstos nos artigos 28 a 31 da Lei nº 8.666/93? Em segundo lugar, o inverso, é lícito exigir mais documentos?

A primeira questão é respondida, claramente, pelo § 1º do artigo 32 da Lei nº 8.666/93, cuja redação é a seguinte: “A

documentação de que tratam os arts. 28 a 31 desta Lei poderá ser dispensada, no todo ou em parte, nos casos de convite, concurso, fornecimento de bens para pronta entrega e leilão”.

A segunda questão é mais complexa.

* Para Marçal Justen Filho, “existem condições gerais já previstas na lei. A Administração poderá prever condições

especiais, em cada licitação. Porém, essas condições terão de ser reconduzidas a uma das quatro categorias legais”.

* Veja-se que o artigo 28 e 29 exigem documentos de qualificação jurídica e fiscal “conforme o caso”. Já os artigos 30 e 31 preceituam que os documentos de qualificação técnica e econômica “limitar-se-á”.

* Para o TCU: “(

artigos 28 e 31, não sendo lícito exigir outro documento ali não elencado” (Decisão nº 523/97).

a Administração Pública, para fins de habilitação, deve se ater ao rol dos documentos constantes dos

)

* Serve de argumento, ainda, o princípio da legalidade, de acordo com o qual a Administração só pode fazer o permitido em lei.

* E, enfim, a regra em habilitação é ampliar a competitividade. Portanto, exigir o mínimo, o indispensável.

Em razão do exposto, é ilegal exigir em habilitação amostras, declaração de concordância com o edital, atestado de idoneidade financeira expedido por bancos, certidões negativas de protesto, certificado ISO 9000, atestado sanitário e outros documentos não previstos em lei.

10.3.1. Jurisprudência

A norma do § 1° do artigo 32, da Lei Federal n° 8.666/93, faculta ao Administrador a dispensa de apresentação, no todo ou

em parte, da documentação de habilitação de que tratam os artigos 28 a 31, da mesma Lei, quando na modalidade de convite, concurso, leilão, e na hipótese de fornecimento de bens para pronta entrega, estando portanto sujeito tão somente a sua discricionariedade, o uso dessa faculdade, estabelecendo em cada caso qual a documentação exigida ou dispensada. Não se inclui nessa faculdade, a exigência das Certidões Negativas de Débito com a Seguridade Social (INSS), e o FGTS, nos termos das Leis Federais n° 8.212/91 (artigo95) e 8.036/90 (artigo 27), as quais devem ser apresentadas de acordo com a decisão do Tribunal de Contas, com caráter normativo, no Processo nº C-04102/33, exarada em sessão do Tribunal Pleno de 19 de abril de 1993, que deve ser observada integralmente pelas Unidades Administrativas. (TCE-SC, Pré-julgado nº 264)

A exigência em edital de licitação da documentação relativa à regularidade fiscal, conforme o caso, consistirá na elencada

nos incisos I, II, III e IV, do artigo 29 da Lei Federal n° 8.666/93, sob pena de inibir ou frustrar o caráter competitivo do

certame, estando portanto, afastada a exigência de comprovantes de contribuição sindical.(TCE-SC, Prejulgado nº 373)

EDITAL. Cláusula restritiva. Qualificação técnica. Anulação e tomada de preços. Requisitos de comprovação de qualificação técnica em confronto com os ditames legais constituem violação ao princípio da isonomia, não podendo prosperar o certame que padece de vício da ilegalidade. A exigência de apresentação de carta ou declaração de credenciamento lavrado pelo fabricante dos equipamentos, no sentido de que as firmas licitantes estão aptas a prestar serviços objeto da licitação, além de não encontrarem amparo legal, frustra o caráter competitivo do certame, na medida em que se submete os concorrentes de menor porte à boa vontade dos fabricantes, normalmente competidores em uma mesma licitação. (TCU. Rep. TC-013.568.95-7. Rel. Min. Adhemar Paladini Ghisi. 11.10.95. BDM, mar-96, p. 147).

27

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Com efeito, é forçoso convir que a inclusão da cópia da Convenção Coletiva de Trabalho no rol de documentos exigidos para a habilitação da proponente não se reveste de nenhuma relevância aparente, uma vez que, em se tratando a Convenção Coletiva de fonte de normas e regras a serem observadas pelas empresas do ramo de limpeza e conservação, há presunção de seu conhecimento e aceitação por parte dos demais licitantes. Ainda que assim não fosse, não é lícito à Administração exigir documento de tal natureza, sem amparo na legislação pertinente” (TCU, TC 004.590/00-3, Decisão nº

935/00).

“Habilitação. Filiação a sindicato de classe. Exigência ilegal. Tomada de preços ( Ofensa ao princípio da liberdade

)

sindical. A exigência editalina quanto à obrigatoriedade de ser filiado a sindicato de classe para concorre a processo licitatório constitui-se em ofensa ao princípio da liberdade sindical” (TRF da 5º Região, Remessa ex officio nº 50.195, BLC nº 11, 1996, p. 571).

“(

cláusula discriminatória em edital contendo, para habilitação e avaliação da capacidade técnica dos licitantes,

)

exigência de comprovação de certo nível de faturamento anteriormente pactuado com outros contratantes, em total desconformidade com o disposto no inciso XXI, in fine, do artigo 37 da Constituição Federal” (TCU, Decisão nº 110/96).

A exigência de apresentação de amostras como condição de habilitação dos licitantes, não obstante sejam razoáveis as preocupações da ECT/PR quanto à qualidade dos produtos que desejava adquirir, não encontra amparo na Lei n° 8.666/93, consoante já decidiu este Tribunal (TCU, Decisão 201/1999, Plenário).

10.4. Habilitação Jurídica

Trata-se da capacitação jurídica, isto é, se o licitante pode, aos olhos do Direito, celebrar o contrato. Ora, o Poder Público não pode contratar alguém que não existe ou em situação irregular.

10.4.1. Jurisprudência

“Licitação - Exigência, no requisito referente à comprovação de personalidade jurídica, de ser objeto constante do contrato social da interessada o dedicar-se exclusivamente a determinada atividade - Ilegalidade da exigência, até mesmo sob o aspecto de comprovação de capacidade técnica - Decreto-lei 200/67, art. 131 -Recurso extraordinário conhecido e provido em parte” (STF - RE nº 86211). PARTICIPAÇÃO DE FIRMA INDIVIDUAL EM LICITAÇÕES. Representação formulada por firma individual, nos termos do disposto no art. 113, § 1o, da Lei 8.666/93. Conhecimento. Improcedência. Decadência do direito de impugnar falhas no processo de licitação quando lícito era exerce-lo na forma do art. 41, § 2o, da Lei 8.666/93. Inexistência de óbice legal que restringe a participação de firmas individuais em processos licitatórios. Determinação à entidade no sentido de adaptar suas normas internas aos preceitos contidos no Estatuto das Licitações. Ciência a interessado. Arquivamento do processo (TCU. TC-273.039/96-0. Rel. Min. Humberto Guimarães Souto. 5.6.96. BLC n°12, dez/96, p. 601).

10.5. Regularidade Fiscal

10.5.1. Desvio de Finalidade

A parte final do inciso XXI do artigo 37 da Constituição Federal prescreve: “exigências de qualificação técnica e econômica

indispensáveis à garantia do cumprimento das obrigações”. Percebe-se que o constituinte não autorizou a qualificação

fiscal. Ademais, as exigências fiscais são utilizadas como forma indireta de cobrança de tributos.

10.5.2.

Exigências

a) CPF ou CNPJ

b) Inscrição no cadastro de contribuintes estadual e municipal relativo à sede ou domicílio do licitante.

c) Prova de regularidade para com a Fazenda Federal, Estadual e Municipal do domicílio ou da sede do licitante.

d) Prova de regularidade do INSS e FGTS.

10.5.2.1. Jurisprudência

A validade de Certidão Negativa de Débito junto ao INSS e a Fazenda Federal, obtida junto a Internet está condicionada a posterior verificação em endereço específico na rede mundial de computadores, em consonância com o disposto na Ordem de Serviço n.° 207/99, do Instituto Nacional de Seguro Social e na Portaria n.° 414/98, da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional. A nova forma de obtenção e apresentação de documentos necessários a habilitação em processo licitatório dispensam assinaturas ou autenticação em cartório. (TCE-SC, Pré-Julgado nº 747)

10.5.3. Quitação x Regularidade

A Lei refere-se à regularidade e não-quitação. Quer dizer que créditos, cuja exigibilidade esteja suspensa, não são o

bastante para comprometer a habilitação de licitantes.

10.5.3.1. Jurisprudência

OS FORNECEDORES participantes dos processos licitatórios que apresentarem certidão negativa de débito para com a Fazenda Pública Estadual, constando nesta que o débito encontra-se parcelado e com o respectivo pagamento de cada parcela vencida quitada no vencimento ou, constando que o débito está ajuizado e garantido com penhora de bens, fazem

Curso de Licitação Pública e Contrato Administrativo

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prova de sua regularidade para com a Fazenda, nos termos do inciso III, do artigo 29, da Lei 8.666/93, combinado com os artigos 205 e 206, do Código Tributário Nacional-Lei 5.172/66 (TC-SC. Origem: Companhia Catarinense de Águas e Saneamento- CASAN. Processo: 22387/30. Parecer n° COG-950/93. Decisão: 9.2.94).

10.6.4. Domicílio ou Sede

Problema: Se há mais de um domicílio ou sede? O Código Tributário Nacional prescreve que é livre a eleição do domicílio fiscal. Não é obrigatório que seja no local das principais atividades ou na residência habitual. Art. 127, § 2º, CTN- possibilidade de recusar domicílio eleito. Art. 127, § 1º, CTN- “domicílio será o lugar da situação dos bens ou da ocorrência dos atos ou fatos que derem origem à obrigação.”

10.6.5. Jurisprudência

O MUNICÍPIO não poderá dispensar a apresentação da certidão negativa de débito- CND, ao contratar sociedade de economia mista da qual é detentor de 99,99% das ações, em face da vedação constante no artigo 195, § 3o , da Constituição Federal, que proíbe a pessoa jurídica em débito com o sistema da seguridade social de contratar com o Poder Público (TC-SC. Origem: Associação dos Municípios do Médio Vale do Itajaí. Relator: auditora Thereza Marques. Processo; 0060100/86. Parecer n COG-134/98. Decisão: 25.5.98). ADMINISTRATIVO. Licitação. Concorrência pública. Alvará vencido. Regularidade fiscal. Declaração superveniente de fato impeditivo de habilitação. Inexigibilidade. A existência de informação de alvará vencido, em certidão negativa de débito municipal, não descaracteriza a regularidade fiscal da empresa licitante, uma vez que esta diz respeito a tributos, enquanto aquele se refere ao poder de polícia administrativa. Inexistindo débito para com a fazenda Pública Federal, Estadual ou Municipal, há regularidade fiscal ad empresa licitante. A Lei 8.666/93 exige declaração de existência de fato superveniente impeditivo da habilitação, mas não a sua negativa (TRF. 4o Região. Decisão: 4.12.1997. Proc: REO 0441698/97-PR. 3a Turma. DJ de 4.3.98, p. 512. Rel. Juiz Amir Finocchiaro Sarti).

10.6. Capacitação Técnica

10.6.1. Documentos exigidos

a) Registro ou inscrição na entidade profissional competente. Somente nos casos em que a execução do objeto contratado

requerer profissional especialmente habilitado, cujo exercício dependa de referido registro ou inscrição (inciso I do artigo

30).

b) Comprovação, fornecida pelo órgão licitante, de que recebeu os documentos (inciso III do artigo 30).

c) Comprovação de que o licitante tomou conhecimento de todas as informações e das condições locais para o

cumprimento das obrigações objeto da licitação. Trata-se do popular “atestado de vistoria”. (inciso III do artigo 30).

d) Indicação das instalações e do aparelhamento para a execução do contrato (inciso II do artigo 30). Essas exigências

devem ser atendidas mediante a apresentação de relação explícita e da declaração formal da sua disponibilidade, sob as penas cabíveis, vedada exigências de propriedade e de localização prévia (§ 6º do artigo 30)

Jurisprudência “Licitação. Proposta. Disponibilidade de equipamento. A disponibilidade de equipamento que garantam a execução do contrato não é exigível na habilitação, mas na celebração do contrato” (TJSP, Ap. civ. 247.960, RDA, 204/271).

e) Em casos de licitação de grande vulto, de alta complexidade técnica, poderá a Administração exigir metodologia de

execução (§ 8º do artigo 30). Essa exigência não é obrigatória para todos os casos.

f) CAPACITAÇÃO TÉCNICO-PROFISSIONAL, isto é, indicação do pessoal técnico adequado e disponível para a

realização do objeto da licitação, bem como a qualificação de cada um dos membros da equipe técnica que se responsabilizará pelos trabalhos (inciso II do artigo 30). Para obras e serviços de engenharia, a capacitação técnico profissional consiste: “comprovação do licitante de possuir em seu quadro permanente, na data prevista para entrega da proposta, profissional de nível superior ou outro devidamente reconhecido pela entidade competente, detentor de atestado de responsabilidade técnica por execução de obra ou serviço de características semelhantes, limitadas estas exclusivamente às parcelas de maior relevância e valor significativo do objeto da licitação, vedadas as exigências de quantidades mínimas ou prazos máximos” (inciso I do § 1º do artigo 30) Veja-se que o § 6º do mesmo artigo 30 dispõe que a comprovação do pessoal técnico deve ser feita mediante a apresentação de relação explícita e da declaração formal de sua disponibilidade, sob as penas cabíveis. Os profissionais indicados efetivamente devem participar da execução do objeto, admitindo-se a substituição por outro de experiência equivalente ou superior (§ 10 do artigo 30).

29

Curso de Licitação Pública e Contrato Administrativo

g) CAPACITAÇÃO TÉCNICO OPERACIONAL - comprovação de aptidão para desempenho de atividade pertinente e

compatível em características, quantidades e prazos com o objeto da licitação (inciso II do artigo 30). Trata-se da capacitação da empresa, não dos profissionais que dela fazem parte. Há corrente que sustenta a ilicitude dessa exigência, especialmente em razão do veto ao inciso II do § 1º do artigo 30 e de restrições à competitividade. Hoje é admitida por todos os tribunais. Confira-se: TCU, TC 004.797/95-7 e STJ, Resp nº 17232, Ag. Reg. nº 632-DF, Resp.

155861-SP.

10.6.2. Considerações sobre os atestados:

podem exigir quantitativos limitados às parcelas de maior relevância é vedada exigência de locais específicos e delimitação de tempo é vedado restringir o somatório de atestados

10.6.3. Jurisprudência

Não comete violação ao art. 30, II, da Lei nº 8.666/93, quando, em procedimento licitatório, exige-se a comprovação, em nome da empresa proponente, de atestados técnicos emitidos por operadores de telefonia no Brasil de execução, no País, em qualquer tempo, de serviço de implantação de cabos telefônicos classes ‘l’ e ‘c’ em período consecutivo de 24 meses, no volume mínimo de 60.000 HXh, devidamente certificados pela entidade profissional competente. O exame do disposto no art. 37, XXI, da Constituição Federal, em sua parte final, referente a ‘exigências de qualificação técnica e econômica indispensáveis à garantia do cumprimento das obrigações’ revela que o propósito aí objetivado é oferecer iguais oportunidades de contratação com o Poder Público, não a todo e qualquer interessado, indiscriminadamente, mas, sim, apenas a quem possa evidenciar que efetivamente dispõe de condições para executar aquilo a que se propõe (Adilson Dallari) Mandado de segurança denegado em primeiro e segundo graus (STJ, Resp. nº 172.232, Rel. Min. José Delgado)

Representação de equipe de auditoria. Obras da “Via Expressa Sul/SC”. Edital de licitação restritivo. Exigência de comprovação de habilitação técnica relativa à execução de serviços de pequena representatividade no conjunto do empreendimento. Justificativas incapazes de descaracterizar a ilegalidade do procedimento adotado. Procedência da representação. Determinação para que os órgãos e entidades integrantes da Administração Pública Federal não repassem recursos para o referido empreendimento (TCU, TC 004.912/2002-5).

) (

abstendo-se de exigir número mínimo ou número certo de atestados de capacitação técnica, de acordo com entendimento desta Corte firmado nas Decisões Plenárias nº 134/98 e nº 192/ 98. 8.2.3 - cumpra rigorosamente o disposto no § 5º do art. 30 da Lei 8.666/93, nas licitações que realizar, abstendo-se de exigir atestados de capacidade técnica com limitação de

locais específicos ou mesmo de inabilitar concorrentes com base em tal limitação;(

8.2.2 - observe, nos futuros certames que realizar, as disposições contidas no § 1º do art. 30 da Lei nº 8.666/93,

)

(TCU, Plenário, Decisão 392/2001)

contratação de

vigilância armada em andamento, no que se refere ao subitem 5.1.12, as condições que impedem o somatório de

atestados de capacitação técnico-operacional, restritivas ao caráter competitivo do certame (

420/1996).

(TCU, Plenário, Decisão

(

)

b) adote providências no sentido de excluir das Notas de Esclarecimentos das licitações para

)

) (

expressões como a constante da letra ‘c.1’ do item 3.3.1 do edital da Tomada de Preços nº 4/97, no sentido de que os atestados de capacidade técnico-profissional devam ser emitidos por diferentes pessoas jurídicas, uma vez constituir-se em

determine à Diretoria-Geral da Câmara dos Deputados que se abstenha de incluir, nos futuros editais de licitação,

exigência não prevista na Lei nº 8.666/93 e que poderá resultar em restrição ao caráter competitivo da licitação. (TCU, Plenário, Decisão 101/98)

No caso em tela, a administração, ao exigir a apresentação de 2 (dois) atestados de aptidão técnica, contrariou o disposto no § 5º do art. 30 da Lei nº 8.666/93, o qual veda a exigência de comprovação de atividade ou aptidão com limitações de tempo ou época ou ainda em locais específicos, ou quaisquer outras não previstas no referido texto legal, que inibam a participação na licitação (TCU, Decisão 134/98).

10.7. Qualificação Econômica Financeira

10.7.1. Documentos Exigidos

a) Balanço Patrimonial e demonstrações contábeis do último exercício social, já exigíveis e apresentadas na forma da lei,

que comprovem a boa situação financeira da empresa, vedada a sua substituição por balancetes ou balanços provisórios,

podendo ser atualizados por índices oficiais quando encerrado há mais de 3 meses da data de apresentação da proposta (inciso I do artigo 31).

Se a empresa não completou um exercício financeiro, deve apresentar o balanço de abertura ou, até mesmo, o contrato

Curso de Licitação Pública e Contrato Administrativo

30

social.

O dever de apresentar o balanço também se impõe às empresas que optaram pelo SIMPLES, muito embora possam estar

dispensadas de o apresentarem para efeitos tributários.

Em razão do balanço, a Administração condiciona a habilitação do licitante à satisfação de certos índices contábeis fixados por ela no edital. De acordo com o § 1º do artigo 31, “as exigências de índices limitar-se-á à demonstração da capacidade financeira do licitante com vistas aos compromissos que terá que assumir caso lhe seja adjudicado o contrato, vedada a exigência de valores mínimos de faturamento anterior, índices de rentabilidade ou lucratividade”.

O § 5º do artigo 31 prescreve: “A comprovação de boa situação da empresa será feita de forma objetiva, através de cálculo

de índices contábeis previstos no edital e devidamente justificados no processo administrativo da licitação que tenha dado início ao certame licitatório, vedada a exigência de índices e valores não usualmente adotados para correta avaliação de situação financeira suficiente ao cumprimento das obrigações decorrentes da licitação”.

Jurisprudência

LICITAÇÃO. REQUISITOS DE QUALIFICAÇÃO ECONÔMICO- FINANCEIRA. ÍNDICES CONTÁBEIS. VALOR DO ÍNDICE DE LIQUIDEZ GERAL SUPERIOR AO USUALMENTE ADOTADO PARA AVALIAR A SITUAÇÃO FINANCEIRA DOS

PROPONENTES,

JUSTIFICATIVAS PLAUSÍVEIS PARA A EXIGÊNCIA, QUE ESTIVESSEM ADEMAIS CONTIDAS NO PROCESSO ADMINISTRATIVO CORRESPONDENTE A LICITAÇÃO. ILEGALIDADE. DETERMINADA A CORREÇÃO DO EDITAL, NAQUILO QUE NECESSÁRIO. (Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, acórdão TC-001845/007/02, Pleno, rel. Cons. ROBSON MARINHO, julg. 31.7.2002, publ. DOESP 7.8.2002);

DE

CONSIDERADAS

AS

OBRIGAÇÕES

DECORRENTES

DA

LICITAÇÃO.

AUSÊNCIA

LICITAÇÃO - APURAÇÃO DA IDONEIDADE ECONÔMICO-FINANCEIRA DOS LICITANTES - INDICES DE LIQUIDEZ CORRENTE E DE LIQUIDEZ GERAL ACIMA DOS USUAIS - AUSENCIA DE JUSTIFICAÇÃO - RESTRIÇÃO A COMPETITIVIDADE DA DISPUTA – IRREGULARIDADE COMPROMETE A COMPETITIVIDADE DA LICITAÇÃO O ESTABELECIMENTO, SEM JUSTIFICAÇÃO BASTANTE DE INDICES NÃO USUAIS PARA DEFERIÇÃO DA IDONEIDADE ECONÔMICO-FINANCEIRA DOS LICITANTES. PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO - DECISÃO RECONSIDERANDA PROFERIDA PELO TRIBUNAL PLENO EM SEDE DE RECURSO ORDINÁRIO - NÃO CONHECIMENTO (Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, acórdão TC-514/003/96, Pleno, rel. Cons. EDUARDO BITTENCOURT CARVALHO, julg. 6.4.1999, publ. DOESP 14.4.1999, p. 24).

RECURSO ORDINÁRIO. ILEGALIDADE DE TOMADA DE PREÇOS E CONTRATO. ORÇAMENTO ACIMA DOS PREÇOS DE MERCADO E ÍNDICE DE LIQUIDEZ CORRENTE IGUAL A 2,50. SITUAÇÃO AGRAVADA POR DESRESPEITO AO PRINCÍPIO DA VINCULAÇÃO. JURISPRUDÊNCIA. CONHECIDO E NÃO PROVIDO. V. U.” (Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, processo 827/003/98, rel. Cons. EDGARD CAMARGO RODRIGUES, 2ª Câmara, julg. 13.6.2000, publ. DOESP 21.6.2000, p. 13).

O ponto fulcral de discussão nos autos recai sobre a infringência do artigo 31, §5º da Lei 8666/93, uma vez que o edital exigiu índices para comprovação da qualificação econômico-financeira da empresa – de liquidez igual ou superior a 2,50

A

jurisprudência desta Corte sobre o tema é pacífica e condena quocientes de 1,5 para cima, a exemplo do decidido nos autos dos TCs 514/003/96, 517/003/96, 37211/026/96, 13571/026/98, 21649/026/98, 13677/026/98, dentre outros(Acórdão TC 031546/026/99, 1ª Câmara, rel. Cons. EDGARD CAMARGO RODRIGUES, julg. 13.8.2002, publ. DOE

e de endividamento superior a 0,75%, configurando-se abusivos e coibidores da livre participação no pleito. (

)

27.8.2002).

b)

Certidão negativa de falência (inciso II do artigo 31). Recorrendo à interpretação conforme a Constituição, advirta-se que

a

certidão é de falência decretada, não apenas de pedido de falência.

c)

Certidão negativa de concordata (inciso II do artigo 31), conquanto haja polêmica na doutrina. Veja-se, a propósito, que o

§

2º do artigo 80 da mesma Lei nº 8.666/93 autoriza a manutenção de contrato com empresa concordatária.

Jurisprudência LICITAÇÃO. Empresa concordatária. Em princípio, as empresas sob regime de concordata preventiva não estão alijadas das competições licitatórias realizadas pelo Poder Público. Cada caso deve ser examinado, atendidas suas peculiaridades, inclusive das concordatárias licitantes, cabendo à administração pública decidir dentro de sua justa e

prudente discrição, buscando sempre cercar-se das garantias que cad situação exija, para tanto, fazendo incluir nos editais

e contratos resultantes cláusulas específicas asseguradoras e garantidoras da execução do objeto licitado (TCU. TC- 015.759/85-7. Rel. Min. Luciano Brandão, 31.7.86. DOU 27.8.86, p. 12.858).

d) Certidão negativa de execução patrimonial contra pessoa física (inciso II do artigo 31). Recorrendo à interpretação

conforme a Constituição, a execução patrimonial certificada precisa revelar estado de insolvência civil ou incapacidade para

assumir os ônus financeiros do contrato. Em tempo, o inciso IX do artigo 78 da Lei nº 8.666/93 prescreve a rescisão de contrato celebrado com pessoa física em insolvência civil.

e) Garantia, nas mesmas modalidades e critérios previstos no caput do § 1º do art. 56 desta Lei, limitada a 1% do valor

31

Curso de Licitação Pública e Contrato Administrativo

Espécie de capacitação objetiva. Ou seja, quem não tem condições de oferecer garantia limitada a 1% do valor estimado do contrato, não tem condições financeiras de arcar com os ônus dele decorrentes. Trata-se de exigência facultativa, conforme o § 2º do artigo 31.

A garantia em habilitação só é permitida nas compras para a entrega futura e na execução de obras e serviços.

As modalidades do artigo 56 são as seguintes: caução em dinheiro ou títulos da dívida pública, seguro-garantia, fiança bancária. Para alguns autores a exigência de garantia em habilitação é inconstitucional. De todo modo, trata-se de mecanismo que restringe a competição e onera a proposta.

O lado positivo da garantia em habilitação é o de tornar séria a participação de licitante, uma vez que quem desiste no

curso do procedimento a perde em favor da Administração. Jurisprudência LICITAÇÃO. Exigência de caução para habilitação. Constitucionalidade. A garantia prevista na Lei 8.666/93 não apresenta qualquer conflito com a norma constitucional. O depósito caucional, diante do permissivo legal, pode ser trazido como um elemento, entre as exigências de caráter econômico, para avaliação da capacidade financeira das licitantes (TCE/SP. TC-7.065/026/95. Rel. Cons. Antônio Roque Citadini, 15.5.96. DOE/SP de 4.6.96, p. 14)

f) Capital social mínimo ou patrimônio líquido mínimo, nas compras para a entrega futura ou nas execuções de obras e

serviços (§ 2º do artigo 31), que não poderá exceder a 10% do valor estimado para a contratação (§ 3º do artigo 31). Trata-

se de exigência facultativa.

g) Relação de compromissos assumidos pelo licitante que importe diminuição da capacidade operativa ou absorção de disponibilidade financeira (§ 4º do artigo 30).

10.8. Cumprimento ao Inciso XXXIII do art. 7º da Constituição Federal

Inciso XXXIII do artigo 7º da Constituição Federal - “proibição de trabalho noturno, perigoso ou insalubre a menores de 18 (dezoito) e de qualquer trabalho a menores de 16 (dezesseis) anos, salvo na condição de aprendiz, a partir de 14 (quatorze) anos”.

Decreto Federal nº 4.358/02 - a comprovação de atendimento ao inciso XXXIII do artigo 7º da Constituição Federal dá-se através de declaração firmada pelo próprio licitante.

10.9. Participação de Cooperativas

A respeito da participação de cooperativas em licitação pública existem três correntes:

A corrente preponderante admite amplamente a participação de cooperativas em licitação pública. Segundo ela, a

Constituição quis privilegiar as cooperativas, portanto não cabe ao legislador ou aos agentes administrativos pretender

frustrar tal intento, impedindo-as de celebrar contratos administrativos ou as equiparando com empresas privadas. Essa tese é sufragada pelo Tribunal de Contas da União (Confira-se: processo nº 4.908/95-3).

É necessário tomar cuidado com pretensas cooperativas que, na verdade, são intermediadoras de mão-de-obra. Sucede

que a Justiça do Trabalho vem reconhecendo a responsabilidade subsidiária da Administração Pública pelos encargos trabalhistas não recolhidos. Cumpre analisar se os serviços contratados são prestados por cooperados ou por empregados, avaliando os requisitos legais para reconhecer vínculo de emprego, estampados no artigo 3º da Consolidação das Leis Trabalhistas. De todo modo, a cooperativa só pode ser contratada para as suas atividades fins.

10.9.1. Jurisprudência

É vedado à administração municipal contratar mão-de-obra através de cooperativas, para a realização de serviços que

constituam atividade fim da administração pública ou cujas funções sejam próprias de cargos integrantes do Quadro de Pessoal do Órgão, face o disposto no artigo 37, II da Constituição Federal. À administração municipal é facultado contratar

serviços através de empresas ou cooperativas para atendimento de atribuições da atividade meio do órgão público, mediante lei municipal reguladora e observado o procedimento licitatório, conforme artigo 37, inciso XXI da CF e artigos 2°

e 6° da Lei Federal n° 8.666/93. (TCE-SC, Pré-julgado nº 533).

10.10. Processamento da Habilitação

Caput do artigo 32 da Lei nº 8.666/93 - “Os documentos necessários à habilitação poderão ser apresentados em original, por qualquer processo de cópia autenticada por cartório competente ou por servidor da administração ou publicação em órgão da imprensa oficial”.

para a habilitação de que trata este artigo, prévio recolhimento de taxas ou

emolumentos, salvo os referentes a fornecimento do edital, quando solicitado, com os seus elementos constitutivos,

limitados ao valor do custo efetivo da reprodução gráfica da documentação fornecida”.

§

do

artigo 32

- “Não

se exigirá,

Inciso I do artigo 43 - “A licitação será processada e julgada com observância dos seguintes procedimentos: I - abertura dos envelopes contendo a documentação relativa à habilitação dos concorrentes, e sua apreciação”.

§ 1º do artigo 43 - “A abertura dos envelopes contendo a documentação para habilitação e as propostas será realizada em

Curso de Licitação Pública e Contrato Administrativo

32

ato público previamente designado, do qual se lavrará ata circunstanciada, assinada pelos licitantes presentes e pela Comissão”.

§ 3º do artigo 41 - “É facultada à Comissão ou autoridade superior, em qualquer fase da licitação, a promoção de diligência destinada a esclarecer ou a complementar a instrução do processo, vedada a inclusão posterior de documento ou informação que deveria constar originariamente da proposta”.

§ 1º do artigo 109 - A Comissão precisa intimar os licitantes da decisão sobre a habilitação através de publicação na

imprensa oficial, salvo se presentes os prepostos dos licitantes no ato em que foi adotada a decisão, quando poderá ser feita por comunicação direta aos interessados e lavrada em ata. Entende-se que, se todos estiverem presentes e se todos abrirem mão do prazo para o recurso, a Comissão de licitação, já imediatamente, pode passar ao julgamento das propostas.

Alínea “a” do inciso I do artigo 109 - Da decisão da Administração sobre a habilitação cabe recurso no prazo de 5 dias úteis.

§ 2º do artigo 109 - O recurso interposto terá efeito suspensivo.

§ 3º do artigo 109 - “Interposto, o recurso será comunicado aos demais licitantes, que poderão impugná-lo no prazo de 5 dias úteis”

§ 6º do artigo 109 - Em se tratando de convite, os prazos são de 2 dias úteis.

Jurisprudência Em licitação, a reabilitação de concorrente que juntou

inabilitadora irrecorrida é ilegal - Assim, por ser vinculada a atuação da comissão julgadora, não podendo alterar critérios quando da fase de habilitação, clara é a ofensa ao direito líquido e certo dos demais concorrentes de exigir a aplicação

os documentos faltantes intempestivamente, após a decisão

geral da norma, devendo ser concedido o mandado de segurança (TJSP, Ap. nº 107.565-1)

.

11. (In) Exeqüibilidade das Propostas

11.1. Licitação Interesse Público Proposta Contrato

Interesse Público (Concreta) Proposta pode ser cumprida? É exeqüível?

11.2. Marcelo Caetano As propostas devem ser sérias, firmes e concretas

Administração não pode aceitar proposta de cumprimento impossível ou fortemente improvável

11.3. Princípios

Indisponibilidade do interesse público

Eficiência

Proposta Excepcional ? Eficiência Linha Tênue

11.4.

Normas: art. 40, X; art. 44, § 3º, art. 48, inc. II.

11.9.

Lei nº 9.648/98 – art. 48, § 1º

– Não priva validade e eficácia das demais

– Menor preço – engenharia

Ex:

PROPOSTA

VALOR

A 830.000,00

 

B 640.000,00

 

C 570.000,00

 

D 480.000,00

 

E 475.000,00

 

Valor Orçado: R$ 1.000.000,00

1º Passo média aritmética das propostas acima de 50% do valor orçado

R$ 680.000,00 (se o valor orçado fosse menor que essa média = valor orçado)

2º Passo inexeqüível proposta inferior a 70% desse valor = R$ 476.000,00

E = inexeqüível

D = melhor proposta

33

Curso de Licitação Pública e Contrato Administrativo

11.10. TRATA-SE DE PRESUNÇÃO juris et de juri ou juris tantum?

12. Garantia Adicional

12.1. Art. 48, § 2º

Entre 70% e 80%

Valor – diferença entre resultante do § anterior e correspondente proposta

1a questão – Qual o valor resultante do § anterior Média aritmética ou 70% desta média Diferença entre resultante e proposta – proposta superior – diferença negativa

Média = 100.000,00 70% = 70.000,00 Proposta = 75.000,00

70.000,00

75.000,00

- 5.000,00

sem sentido -

Se fosse invertido

Quanto maior a proposta, maior a garantia

2a questão – "Igual à diferença" – valor da garantia ou valor a ser garantido Diferença entre R$100.000,00 e 75.000,00 = 25.000,00

Garantia básica – 5% – 3.750,00 Garantia adicional – 25.000,00 = 28.750,00 = 38% valor Irrazoável e desproporcional

13. Critérios de Julgamento

13.1. Princípio do Julgamento Objetivo (Art. 44)

13.2. Menor Preço (Art. 45, § 1º, Inc. I)

– Critério mais objetivo.

– Aspectos técnicos devem ser incluídos na descrição do objeto.

Jurisprudência

considerar regular a inserção nos instrumentos convocatórios das licitações a que se refere o item anterior, para efeito de aferição da proposta mais vantajosa, do critério de julgamento baseado no maior desconto oferecido pelas agências de viagens sobre o valor de suas comissões, devendo ser levados em conta, ainda, os preços efetivamente praticados pelas concessionárias dos serviços em questão, inclusive aqueles promocionais” (TCU – TC 018.716/94-9)

(

)

13.3. Melhor técnica (Art. 46, § 1º)

1a passo – Apreciação das propostas técnicas de acordo com critério e pontuação estabelecidos no edital. 2a passo – As propostas que atingirem pontuação mínima passam à próxima fase. 3a passo – Negociação do preço com proponente que tiver obtido a melhor nota técnica visando a alcançar o menor preço ofertado dentre aqueles que atingiram a pontuação técnica mínima. 4a passo – Se o proponente com a melhor nota técnica não concordar em baixar o preço, passa-se a negociar com o segundo melhor qualificado e assim sucessivamente até que algum dos qualificados concorde em reduzir o seu preço.

Conclusão O preço é mais importante do que a técnica, desnaturando o critério "melhor técnica".

13.4. Técnica e Preço (Art. 46, § 2º)

Conjuga os fatores técnica e preço, escolhendo o vencedor através da média ponderada entre eles.

Curso de Licitação Pública e Contrato Administrativo

34

O fator técnica ou o de preço podem receber pesos diferenciados.

13.5. Maior Lance e Oferta

Para alienação de bens e concessão real de uso.

13.6. Desempate

a) Art. 3º, § 2º

Preferência – bens e serviços

1

produzidos ou prestados por empresas brasileiras de capital nacional

2

produzidos no país

3

produzidos ou prestados por empresas brasileiras

b)

Sorteio art. 45, § 2º

14. Adjudicação (Art. 38, Inc. VII e Art. 43, Inc. VI)

14.1. Finalidade

O julgamento

convocatório, as propostas são avaliadas e postas em ordem de classificação. Além de colocá-las em ordem, é necessário escolher uma delas. Essa é a finalidade da adjudicação.

serve

para

classificar

as

propostas.

Mediante

critérios

objetivos

pré-determinados

no

instrumento

14.2. Adjudicação Compulsória

O melhor classificado, atendendo às condições do edital, tem direito à adjudicação.

14.3. Efeitos da Adjudicação

Quem obteve a adjudicação pode apenas exigir que, se o contrato for firmado, que seja com ele. Quem obteve a adjudicação não pode ser preterido. Quem obteve a adjudicação tem direito de exigir juízo de homologação, bem como o de contestá-lo.

15. Homologação

A adjudicação encerra os trabalhos da comissão de licitação. Depois disso, é necessário que a autoridade competente

(quem assina o contrato) homologue tudo o quanto se fez, mediante a análise da legalidade do procedimento e do mérito

da contratação (art. 49).

A

homologação não depende do livre-arbítrio da autoridade competente. A não-homologação requer justa causa, motivação

e

prazo para que os interessados contraditem as razões apontadas (art. 49, § 3º).

Homologada a licitação surge vínculo obrigacional.

15.1. Juízo de Legalidade

Ilegalidade afeta apenas interesse privado – depende da manifestação do ofendido Ilegalidade afeta o interesse público – dever de anular Art. 48, §1º – anulação não gera obrigação de indenizar CF, art. 37, § 6º – responsabilidade objetiva da administração pública

15.2. Juízo de Conveniência

Para instaurar a licitação, a autoridade competente já analisou sua conveniência. Portanto, a revogação de licitação

só ocorre diante de fatos supervenientes.

PREGÃO

1. O que é o pregão?

Sentido comum - A palavra provém do latim “praiconium”, que significa apregoar, proclamar. Segundo Plácido e Silva, “designa as palavras ditas em alta voz, para que se anuncie ou se proclame alguma notícia ou se faça algum aviso”. Refere

à proclamação de lances em alta voz nas hastas públicas.

Sentido específico - O pregão é uma nova modalidade de licitação pública, que visa à agilidade e à eficiência, destinada a contratos de aquisição de bens e de prestação de serviços, ambos considerados comuns, cujo julgamento das propostas antecede a fase de habilitação, admitindo que os licitantes de melhor classificação renovem as suas propostas.

35

Curso de Licitação Pública e Contrato Administrativo

2. Histórico

Em 1997, o Governo Federal publicou no Diário Oficial da União anteprojeto da nova lei de licitação pública e contrato administrativo, requisitando sugestões da comunidade jurídica a fim de aperfeiçoá-lo, antes que fosse remetido definitivamente ao Congresso Nacional.

Anteriormente a isso, o § 5º do artigo 42 da Lei nº 8.666/93 permitia e ainda permite que as licitações para contratos financiados por organismos internacionais sejam regidas por seus próprios regulamentos internos, afastando a incidência

da

legislação nacional, desde que não conflitante com o princípio do julgamento objetivo. Ocorre que muitos regulamentos

de

organismos internacionais prevêem que o julgamento das propostas deve anteceder a fase de habilitação, de modo a

inverter o procedimento seguido pela Lei nº 8.666/93. Então, alguns autores com experiência em licitação internacional, propuseram que se adotasse o modelo desses organismos internacionais, isto é, propuseram a inversão das fases tal qual dispostas na Lei nº 8.666/93. Da mesma forma, também serviu de inspiração a esses autores o procedimento já adotado para a realização de concursos para a investidura em cargo público, uma vez que neles a habilitação dos candidatos é analisada após a correção das provas.

O fato é que propostas foram encaminhadas ao Governo Federal, merecendo destaque a de inverter as fases do

procedimento licitatório previsto na Lei nº 8.666/93. Aliás, o anteprojeto do Governo Federal não vingou, haja vista tantas

críticas e sugestões a ele lançadas. Inspirado por essas sugestões e críticas, o pregão surgiu através da Lei nº 9.472, de 16 de junho de 1997, aplicado exclusivamente no âmbito da ANATEL. Depois disso, o Regulamento Geral de Contratações da ANATEL (Resolução nº 005/98) regrou em detalhes essa nova modalidade de licitação.

Em vista das anunciadas vantagens do pregão realizado pela ANATEL, o Presidente da República expediu a Medida Provisória nº 2.026, de 04 de maio de 2000, estendendo a nova modalidade à União. Desde então essa medida provisória vem sendo reeditada mês a mês, tendo sofrido algumas modificações substanciais. Essa medida provisória foi novamente numerada e passou a apresentar-se sob o nº 2.182, até que foi convertida na Lei Federal nº 10.520, de 17 de julho de 2002, permitindo a incidência da modalidade aos estados, Distrito Federal e municípios.

A Medida Provisória do pregão foi regulamentada pelo Decreto nº 3.555, de 08 de agosto de 2000, que é dividido em dois

anexos, o primeiro estabelece questionáveis normas complementares a respeito do pregão e o seguindo traz a lista dos bens e serviços a serem qualificados como comuns. Esse Decreto foi alterado pelos Decretos nº 3.693, de 20 de dezembro

de 2000, e nº 3.784, de 06 de abril de 2001.

Em meio a isso, o Presidente da República expediu o Decreto nº 3.697, de 21 de dezembro de 2000, que institui o pregão eletrônico. Em Santa Catarina, o Governador promulgou a Lei Estadual nº 12.337, de 5 de julho de 2002, que autoriza a aplicação da modalidade pregão pela Administração estadual. Essa Lei foi regulamentada pelo Decreto estadual nº 5.798, de 14 de outubro de 2002, o qual subordina a Administração direta, autárquica e fundacional do Poder Executivo Estadual, as empresas públicas, as sociedades de economia mista e as entidades controladas direta ou indiretamente pelo Estado.

3. Quais as normas aplicáveis ao pregão?

Lei Federal nº 10.520/02 - norma geral Lei Estadual nº 12.337/02 – norma estadual Decreto Federal nº 3.555/00 – aplicável somente no âmbito federal Decreto Federal nº 3.697/00 - pregão eletrônico - aplicável, em princípio, somente no âmbito federal. Pode ser utilizado, também, pelas sociedades de economia mista, empresas públicas e entidades controladas direta ou indiretamente pelo Estado de Santa Catarina Lei nº 8.666/93 De acordo com o artigo 9º da Lei nº 10.520/02: “Aplicam-se subsidiariamente, para a modalidade pregão, as normas da Lei nº 8.666, de 26 de julho de 1993”.

4. Relações entre Lei e os Decretos

> Inciso II do artigo 5º da Constituição Federal - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei.

> Caput do artigo 37 da Constituição Federal - Administração Pública deve obediência ao princípio da legalidade.

> Inciso IV do artigo 84 da Constituição Federal - compete privativamente ao Presidente da República: sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução.

> Caput do artigo 68 da Constituição Federal - As leis delegadas serão elaboradas pelo Presidente da República, que

deverá solicitar a delegação ao Congresso Nacional.

> Caput do artigo 25 dos Atos das Disposições Constitucionais Transitórias - Ficam revogados, a partir de cento e oitenta

dias da promulgação da Constituição, sujeito a este prazo a prorrogação por lei, todos os dispositivos legais que atribuam

ou

deleguem a órgão do Poder Executivo competência assinalada pela Constituição ao Congresso Nacional, especialmente

no

que tange a: I - ação normativa.

5.

Qual a abrangência territorial do pregão?

Pela redação da antiga MP nº 2.182 e do Decreto nº 3.555/00, o pregão é restrito aos órgãos federais. No entanto, criar modalidade de licitação pública é norma geral, compreendida como normas nacionais, cuja aplicação dá-se em todo território nacional, por todos os entes da Federação. Então, mesmo antes da Lei nº 10.520/02, vinha se entendendo que os Estados, Distrito Federal e Municípios também poderiam adotar a modalidade pregão, desde que produzissem legislação

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própria. Nesse sentido, inclusive, é que foi elaborada a Lei Estadual nº 12.337/02. Atualmente, a Lei nº 10.520/02 resolveu

a

questão, prescrevendo abrangência nacional à modalidade.

6.

Discricionariedade na adoção do pregão

artigo 1º da Lei nº 10.520: “para a aquisição de bens e serviços comuns, poderá ser adotada a licitação na modalidade pregão, que será regida por esta Leiartigo 3º do Decreto Federal 3.555/00: a modalidade pregão deve ser adotada prioritariamente para a aquisição de bens e serviços comuns

7. Objeto do pregão - bens e serviços comuns

§ 1º do artigo 1º da Lei nº 10.520 - “Consideram-se bens e serviços comuns, para os fins e efeitos deste artigo, aqueles

cujos padrões de desempenho e qualidade possam ser objetivamente definidos pelo edital, por meio de especificações usuais no mercado”. Todos os objetos licitados precisam ser descritos objetivamente nos respectivos instrumentos convocatórios (inciso I do artigo 40 da Lei nº 8.666/93). Portanto, a definição dada pelo § 1º do artigo 1º é absolutamente imprestável. Costuma-se dizer que bens e serviços comuns são os de aquisição habitual, cujo objeto seja descrito através de padrões usuais do mercado.

Para Marçal Justen Filho, os bens e serviços comuns dizem respeito aos bens padronizados, que diferem dos bens sob encomenda. Leiam-se as suas próprias palavras: “Ou seja, há casos em que a Administração necessita de bens que estão disponíveis no mercado, configurados em termos mais ou menos invariáveis. São hipóteses em que é público o domínio das técnicas para produção do objeto e seu fornecimento ao adquirente (inclusive à Administração), de tal modo que não existe dificuldade em localizar um universo de fornecedores em condições de satisfazer plenamente o interesse público. Em outros casos, o objeto deverá ser produzido sob encomenda ou adequado às configurações de um caso concreto”.

O

Anexo II do Decreto Federal enumera quais os bens e serviços reputados comuns.

>

Essa classificação é exaustiva ou exemplificativa?

>

Todos os bens e serviços considerados comuns são efetivamente comuns?

8.

Pregão como forma de evitar restrições decorrentes do parcelamento indevido da licitação

Não depende do valor do contrato O que importa é que o bem ou serviço licitado seja de natureza comum, independente do preço. Isso evita o parcelamento indevido da licitação pública, uma das questões mais delicadas na Lei nº 8.666/93.

9. Inconformidade do pregão para licitações julgados por critérios técnicos.

Somente para licitações julgadas pelo menor preço. O inciso X do artigo 4º da Lei nº 10.520/02 prescreve: “para julgamento e classificação das propostas, será adotado critério de menor preço, observados os prazos máximos para fornecimento, as especificações técnicas e parâmetros mínimos de desempenho e qualidade definidos no edital”.

10. Inconformidade do pregão com alienações, obras e serviços de engenharia e locações imobiliárias.

Artigo 5º do Decreto nº 3.555/00: “A licitação na modalidade pregão não se aplica às contratações de obras e serviços de engenharia, bem como às locações imobiliárias e alienações em geral, que serão regidas pela legislação geral da Administração”.

11. Agentes administrativos envolvidos no pregão

11.1. Autoridade competente

É o responsável pela licitação púbica e pela celebração do futuro contrato. Costuma ser o agente que reúne competência

para assinar o contrato, isto é, representar a entidade administrativa.

Inciso I do artigo 3º da Lei nº 10.520: “a autoridade competente justificará a necessidade de contratação e definirá o objeto do certame, as exigências de habilitação, os critérios de aceitação das propostas, as sanções por inadimplemento e as cláusulas do contrato, inclusive com fixação dos prazos para fornecimento”. Artigo 7º do Decreto nº 3.555/00: compete à autoridade competente: (I) determinar a abertura da licitação; (II) designar o pregoeiro e os componentes da equipe de apoio; (III) decidir os recursos contra atos do pregoeiro; (IV) homologar o resultado da licitação e promover a celebração do contrato. Inciso III do Artigo 8º do Decreto nº 3.555/00: compete à autoridade competente: (I) definir o objeto do certame; (II) estimativa do valor do objeto em planilhas; (III) justificar a necessidade da aquisição; (IV) estabelecer os critérios de aceitação das propostas; (V) exigências de habilitação; (VI) sanções administrativas aplicáveis por inadimplemento; (VII) as cláusulas do futuro contrato; (VIII) designar o pregoeiro e a sua equipe de apoio.

11.2.

Pregoeiro

Designado pela autoridade competente

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> não pode recusar;

> não recebe a mais;

> pode ser para um pregão ou para todos;

Servidor: estatutários, empregados públicos e servidores temporários.

artigo 7º do Decreto 3.555/00 - pregoeiro deve realizar capacitação específica.

Atribuições

> De acordo com a Lei nº 10.520:

Inciso IV do artigo 3º: recebimento das propostas e lances, a análise de sua aceitabilidade e sua classificação, bem como a habilitação e a adjudicação do objeto do certame ao licitante vencedor. Inciso XXI do artigo 4º: “Decididos os recursos, a autoridade competente fará a adjudicação do objeto da licitação ao licitante vencedor”.

> De acordo com o Decreto nº 3.555/00:

artigo 9º: (I) credenciamento dos interessados; (II) recebimento dos envelopes das propostas de preços e da documentação de habilitação; (III) abertura dos envelopes das propostas de preços, o seu exame e a classificação dos proponentes; (IV) a condução dos procedimentos relativos aos lances e à escolha da proposta ou do lance de menor preço; (V) a adjudicação da proposta de menor preço; (VI) a elaboração da ata; (VII) a condução dos trabalhos da equipe de apoio; (VIII) o recebimento, o exame e a decisão sobre recursos; (IX) e o encaminhamento do processo devidamente instruído, após a adjudicação, à autoridade superior, visando a homologação e a contratação. Inciso III do artigo 7º - cabe à autoridade competente: decidir os recursos contra atos do pregoeiro.

> Excesso de poderes e de responsabilidades

11.3. Equipe de Apoio

§ 1º do artigo 3º da Lei nº 10.520: “A equipe de apoio deverá ser integrada em sua maioria por servidores ocupantes de cargo efetivo ou emprego da Administração, preferencialmente pertencentes ao quadro permanente do órgão ou da entidade promotora do evento”. Atribuições - Parte final do artigo 10 do Decreto nº 3.555/00: “prestar a necessária assistência ao pregoeiro”.

12. Procedimento para elaboração do edital - Fase Interna do Pregão

12.1. Relevância

> princípio da vinculação ao instrumento convocatório

> definir com objetividade e clareza todas as condições do certame.

12.2. Atos necessários:

passo > requisição

passo > a requisição deve estar acompanhada do termo de referência (inciso I do artigo 8º do Decreto nº 3.555/00);

O

termo de referência, de acordo com inciso II do mesmo artigo 8º, “é o documento que deverá conter elementos capazes

de propiciar a avaliação do custo pela Administração, diante do orçamento detalhado, considerando os preços praticados no mercado, a definição dos métodos, a estratégia de suprimento e o prazo de execução do contrato”. O inciso II do artigo

9º do Decreto estadual nº 5.798/02 guarda redação análoga.

Nota-se que a alínea “a” do inciso III do artigo 8º do Decreto nº 3.555/00 prescreve que o termo de referência é elaborado pelo requisitante, em conjunto com o órgão de compras. Portanto, o termo de referência já acompanha a própria requisição.

3º passo > justificativa da autoridade competente a respeito da necessidade da contratação (inciso I do artigo 3º da Lei nº

10.520);

passo > definição do objeto da licitação (inciso I do artigo 3º da Lei nº 10.520);

passo> definição das condições para a habilitação dos licitantes(inciso I do artigo 3º da Lei nº 10.520);

passo > definição dos critérios de aceitação das propostas - conformidade com o edital e controle dos preços (inciso I do

artigo 3º da Lei nº 10.520);

7º passo > definição das sanções por inadimplemento (inciso I do artigo 3º da Lei nº 10.520);

8º passo > definição das cláusulas do futuro contrato, elaborando minuta dele, inclusive com fixação dos prazos para o fornecimento (inciso I do artigo 3º e inciso III do artigo 4º da Lei nº 10520);

9º passo > justificativa das definições discricionárias (inciso II do artigo 3º da Lei nº 10.520);

10º passo > estipulação do prazo de validade das propostas, que, em regra, deve ser de 60 dias (artigo 6º da Lei nº

10.520);

11º passo > orçamento (inciso III do artigo 3º da Lei nº 10.520/02);

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13º passo > Se o pregão implica criação, expansão ou aperfeiçoamento da ação governamental que acarrete aumento de despesa, deve ser precedida de:

a) estimativa do impacto orçamentário-financeiro no exercício em que deva entrar em vigor e nos dois subseqüentes;

b) declaração do ordenador da despesa de que o aumento tem adequação orçamentária e financeira com a lei

orçamentária anual e compatibilidade com o plano plurianual e com a lei de diretrizes orçamentárias (§ 4º do artigo 16 da

Lei Complementar nº 101/00);

14º passo > designação do pregoeiro e da equipe de apoio (inciso IV do artigo 3º da Lei nº 10.520/02); 15º passo > parecer do consultor jurídico (inciso VI do artigo 38 da Lei nº 8.666/93); 16º passo > assinatura do edital.

13. Publicidade do edital

Segundo o inciso I do artigo 4º da Lei nº 10.520, “a convocação dos interessados será efetuada por meio de publicação de

aviso no diário oficial do respectivo ente federado ou, não existindo, em jornal de circulação local, e facultativamente, por meios eletrônicos e conforme o vulto da licitação,, em jornal de grande circulação, nos termos do regulamento de que trata

o

art. 2º”

O

prazo entre a publicidade do edital e a data da apresentação das propostas é de, no mínimo, 8 (oito) dias úteis (inciso V

do

artigo 4º da Lei).

O

inciso I do artigo 11 do Decreto nº 3.555/00 estabelece as condições de publicidade em consonância aos seguintes

limites:

> até R$ 160.000,00 - Diário Oficial da União e internet;

> acima de R$ 160.000,00 e até R$ 650.000,00 - Diário Oficial da União, Internet e jornal de grande circulação local;

> acima de R$ 650.000,00 - Diário Oficial da União, internet e jornal de grande circulação regional ou nacional;

> em se tratando de órgão ou integrante do Sistema de Serviços Gerais - SISG, a íntegra do edital deverá estar disponível

no

site www.comprasnet.gov.br <http://www.comprasnet.gov.br>, independente do valor estimado.

14.

Impugnação do edital

Recorde-se que, na forma do § 1º do artigo 41 da Lei nº 8.666/93, os não licitantes podem impugnar o edital em até 5

(cinco) dias úteis antes da data fixada para a abertura dos envelopes, devendo a Administração manifestar-se em até 3 (três) dias úteis. Já os licitantes, desta vez com arrimo no § 2º do mesmo artigo, devem impugnar o edital até o segundo dia

útil

que anteceder a abertura das propostas, sem que a Administração tenha prazo para se manifestar.

O

artigo 12 do Decreto nº 3.555/00, por sua vez, preceitua que qualquer pessoa pode solicitar esclarecimentos,

providências e impugnar o edital do pregão, desde que em até dois dias úteis da data fixada para o recebimento das propostas. Além disso, o § 1º do artigo 12 do Decreto assinala que cabe ao pregoeiro decidir sobre a impugnação no prazo de 24 horas.

15. Atos preparatórios ao julgamento

A sessão em que se realiza o julgamento do pregão é pública (inciso VI do artigo 4º da Lei nº 10.520), uma vez que não é

lícito restringir o acesso de participantes ou de particulares. Na data e no horário marcado, os participantes devem se identificar e os seus representantes comprovar a existência de

poderes para a formulação das propostas e para a prática de todos os demais atos inerentes ao certame (inciso VI do artigo

da Lei nº 10.520). Essa comprovação é denominada de credenciamento e deve ser levada a cabo com a apresentação

do

contrato social ou documento constitutivo do licitante, acompanhado de procuração ou carta de preposição.