FUNDAMENTOS DA CIÊNCIA DOS MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

Prof. Dario de Araújo Dafico, Dr.

Versão: Mar/2012

1 UM MODELO PARA REPRESENTAÇÃO DA MATÉRIA E PREVISÃO DE SUAS PROPRIEDADES – O ÁTOMO – OS ELEMENTOS QUÍMICOS 1.1 A MECÂNICA QUÂNTICA
1.1.1- O princípio da incerteza de Heinsenberg O princípio da incerteza, desenvolvido pelo físico alemão Werner Heisenberg, estabelece que é impossível conhecer simultaneamente a posição e a energia de uma partícula tal como o elétron. Isso porque, para se estudar uma partícula, é preciso interagir de alguma maneira com esta partícula. Nenhum instrumento pode "sentir" ou "ver" um elétron sem influenciar intensamente o seu movimento. Se, por exemplo, construíssemos um microscópio tão poderoso, capaz de localizar um elétron, teríamos de usar uma radiação com um comprimento de onda muito menor que o da luz. (Para que um objeto diminuto possa ser visto num microscópio, o comprimento da luz utilizado deve ser menor que o diâmetro do objeto.) Esse supermicroscópio imaginário deveria, para isso, usar raios x ou raios γ. Mas a energia destas radiações é tão grande que modificaria a velocidade e, consequentemente, o momento do elétron, numa quantidade grande e incerta. O princípio da incerteza pode ser assim interpretado: quanto mais de perto tentarmos olhar uma partícula diminuta, tanto mais difusa se torna a visão da mesma. 1.1.2- Os níveis eletrônicos de energia Segundo a teoria de Bohr, a mecânica quântica deduz um conjunto de níveis de energias eletrônicas quantizadas, que os elétrons podem possuir. Cada elétron de um átomo possui um conjunto de posições provável de estar em relação ao núcleo. Esse conjunto de posições mais prováveis de encontrar o elétron em torno do núcleo do átomo pode ser imaginado como uma “nuvem difusa” formada por pontos no espaço. Quanto maior a distância média deste “nuvem” de posições prováveis de um elétron em relação ao núcleo maior a sua energia. Um átomo com muitos elétrons então possui várias dessas “nuvens” com diferentes formas, cada nuvem dessas é formada pelas localizações mais prováveis de um ou dois elétrons e são denominadas orbitais. Um conjunto de orbitais forma uma subcamada (s, p d, f) de elétrons de um átomo, e um conjunto de sub-camadas forma uma camada (K, L, M, N, O, P, Q). 1.1.2.1) Camadas ou níveis de energia: Um agrupamento de orbitais forma uma sub-camadas cujo agrupamento forma uma camada ou nível de energia. Todos os elétrons de uma camada estão quase com a mesma distância média do núcleo do átomo. Por isso são menores as diferenças de energia dos elétrons pertencentes a uma mesma camada. Entre uma camada e outra a diferença de energia é muito maior. As camadas são numeradas a partir do núcleo (1, 2, 3, 4, 5, 6, 7...) e podem ser também representadas pelas letras K, L, M, N, O, P, Q... respectivamente. 1.1.2.2) Sub-camadas ou sub-níveis de energia: Os orbitais em um átomo são agrupados em sub-camadas e, na ausência de qualquer campo magnético aplicado externamente, todos os elétrons de uma mesma sub-camada têm a mesma energia. Em átomos no seu estado fundamental podem existir quatro tipos de sub-camadas, designadas pelas letras s , p , d , f , que consistem em 1, 3, 5 e 7 orbitais, respectivamente. Costuma-se representar os orbitais nas sub-camadas por quadrados como a ilustração abaixo:

s

p

d

f

1

e só pode assumir valores inteiros e positivos 1. e a força no átomo devido à presença deste elétron produz o desvio do feixe. As substâncias que possuem um ou mais elétrons desemparelhados são fracamente atraídas em um campo magnético. átomos não têm carga elétrica. M. 4. O. Cada orbital acomoda no máximo dois elétrons e. 2 . estão em uma direção. Os átomos com todos os elétrons emparelhados não sofrem desvio. A intensidade da atração depende. Com alguns metais não houve desvio do feixe. Contudo. Em uma terminologia química. Entretanto. O fato de que o feixe de átomos é dividido em dois componentes mostra que numa metade dos átomos os spins. P. Número quântico principal (n) . atraídas em campo magnético.3) Orbitais: Os orbitais correspondem a regiões do átomo com maior probabilidade de se encontrar determinado elétron (maior manifestação eletrônica). quando os elétrons ocupam um mesmo orbital. 2. Aquelas que não possuem elétrons desemparelhados. Um átomo de sódio possui 11 elétrons dos quais 10 estão emparelhados em cinco orbitais.4) Spin eletrônico: Evidências de que os elétrons podem apresentar movimento de rotação em dois sentidos diferentes foram obtidas em 1921 pelos físicos alemães Otto Stern e Walther Gerlach. 5. logicamente. indica a camada em o elétron se encontra. seus spins estão em direções opostas. são chamadas diamagnéticas. Esses números identificam cada elétron do átomo. portanto. havendo assim uma compensação de forças magnéticas. L. Quando dois elétrons estão emparelhados num orbital. do número de elétrons desemparelhados na substância. 6 e 7 referentes às camadas K. o último elétron do sódio está desemparelhado em um sexto orbital.3.1.2.O número quântico principal. sofreram desvio. inclusive do elétron desemparelhado.1. 1. 1. vaporizados.1. a sub-camada e o orbital de um elétron podemos utilizar os números quânticos . representado por “n”. Estas substâncias são chamadas paramagnéticas. são ditos emparelhados. Eles empregaram uma séries de experimentos. Q. enquanto outros. não sendo. N. dois elétrons com spins em direções opostas são ditos spins antiparalelos. por um campo magnético não-homogêneo.1. não existem dois elétrons com o mesmo conjunto de números quânticos (princípio da exclusão de Pauli). como o sódio.2. e na outra metade os spins estão na direção oposta. Era sabido que um feixe de partículas como elétrons ou íons. como o ilustrado abaixo: A experiência reproduzida na figura acima consiste na passagem de um feixe de átomos metálicos. foram atribuídos aos elétrons dois possíveis sentidos de rotação. porém.Os números quânticos Para designar a camada. chamados spins. sofre desvio ao passar por um campo magnético. 3. Para explicar esse fenômeno.

Geralmente. Por exemplo. Fazendo a distribuição eletrônica nos orbitais para o potássio. quando existem dois elétrons. Veja um exemplo: para o átomo de enxofre (16S): 2 2 6 2 4 16S 1s 2s 2p 3s 3p Os números sobrescritos na letra correspondem ao número de elétrons existentes na subcamada. 1. Nesse caso. f. no diagrama de Linus Pauling. Número quântico spin (ms) . cinco valores que correspondem aos cinco orbitais da subcamada d. especifica a subcamada. Número quântico magnético (mL) .As configurações eletrônicas Até hoje são conhecidas sete camadas eletrônicas. especifica o spin do elétron e possui o valor +1/2 ou -1/2. correspondentes às subcamadas s . cada orbital dessa subcamada recebe inicialmente apenas um elétron. de modo a ter emparelhados todos os seus elétrons. em cada orbital. p . 0.1. d . para uma subcamada d (L = 2). e suas subcamadas estão descritas abaixo.O número quântico spin. onde a ordem crescente de preenchimento dos elétrons está indicado pelas setas: Os elétrons são distribuídos em um átomo segundo uma regra conhecida como regra de Hund : Ao ser preenchida uma subcamada. Pode assumir valores inteiros entre +L a -L. fornece informações sobre a forma e orientação de um orbital no espaço.O número quântico azimutal. representado por “L”. Perceba que. ficará com 3 orbitais incompletos na sub-camada 3p ao invés de 2 orbitais incompletos quando o átomo está eletricamente 3 . somente depois de o último orbital dessa subcamada ter recebido seu primeiro elétron começa o preenchimento de cada orbital semicheio com o segundo elétron. Pode assumir os valores 0. teremos: ↑↓ 1s 2 ↑↓ 2s2 ↑↓ ↑↓ ↑↓ 2p 6 ↑↓ 3s2 ↑↓ ↑ 3p 4 ↑ Cada seta indica um elétron.4. os átomos se ligam uns aos outros. são sempre de spins opostos. juntamente com as informações anteriores. mL pode ser igual a -2. 1. 2 e 3. representado por “ms” . se o enxofre perder seu elétron 3p4. representado por “mL” . +1 ou +2. -1.O número quântico magnético.Número quântico secundário ou azimutal (L) .

chamada densidade de probabilidade. Assim.uma série de linhas próximas umas das outras. A expressão de Planck E = hν relaciona a energia de uma onda com sua frequência. já prontas para o uso. mais importante é o valor de Ψ2 . O valor de Ψ corresponde à amplitude da onda do elétron. por meio de ângulos específicos. Essa equação ficou conhecida como equação de Schrödinger . O físico austríaco Erwin Schrödinger. Materiais cristalinos podem servir como grade de difração. que de acordo com a mecânica quântica. que seus comprimentos de onda são extremamente pequenos.1. grades apropriadas. cada solução de uma equação de onda para o elétron em um átomo de hidrogênio. escreveu uma equação de onda para descrever o elétron num átomo de hidrogênio. todas as partículas deveriam ter propriedades ondulatórias. Essa probabilidade é dada por unidade de volume. 1. por exemplo.neutro. é o último elétron distribuído no preenchimento dos orbitais. A função de onda é representada pela letra grega Ψ (psi). Os objetos relativamente grandes como bolas de futebol e automóveis provavelmente têm propriedades de ondas. corresponde a um nível quantizado de energia. De acordo com a relação de De Broglie. 4 . Os valores do eixo X representam a distância à partir do núcleo do átomo e os valores do eixo Y representam a densidade de probabilidade. onde c é a velocidade da luz no vácuo (constante). é obtida quando a luz é transmitida ou refletida por uma grade de difração . encontramos: mλc = h .6.5. estão disponíveis na natureza na forma de cristais. e seu caráter ondulatório é desprezível. chamada função de onda . pois suas camadas de átomos estão situadas muito próximas umas das outras. sendo por isso. uma relação é obtida entre a massa de um fóton de energia eletromagnética e sua frequência ou comprimento de onda: mc2 = hν . ou seja. traçar uma grade de linhas com distâncias tão pequenas (menos de um milionésimo de polegada) é impossível. Em 1924. regularmente distanciadas e traçadas na superfície de um plano transparente ou um espelho. o físico francês Louis de Broglie atentou para o seguinte fato: da combinação das expressões de Einstein e Planck. Como c = νλ . Segundo Schrödinger. Porém. Logo. o fenômeno de difração só pode ser explicado em termos do movimento da onda. demonstrada por Einstein. que é função da distância em relação ao núcleo atômico.A dualidade partícula-onda do elétron A energia de qualquer partícula está relacionada com a sua massa pela equação E = mc2 . 1.1. No caso do enxofre o elétron 3p4. o número percentual de aparecimentos do elétron por unidade de volume. e o uso desta solução possibilita a determinação das propriedades ondulatórias do elétron naquele nível. Nas figuras abaixo pode-se ver gráficos de função de densidade de probabilidade de alguns orbitais e os respectivas desenhos esquematizados das projeções no plano das nuvens de elétrons. em 1926. Frequentemente usamos um índice para sua identificação. O elétron de maior energia. estes objetos têm massas tão grandes comparativamente à constante de Planck (h). A curvatura ou a reflexão da luz . A difração da luz se dá quando seu comprimento de onda é aproximadamente igual à distância entre as linhas traçadas. representa a probabilidade de se encontrar um elétron numa estreita região específica do espaço. de acordo com a regra de Hund. Felizmente. Substituindo-se c (velocidade da luz) por v (velocidade de um elétron) obtemos a relação de De Broglie: λ = h / mv De Broglie tentou associar a natureza dualista da luz ao comportamento do elétron. Porém. chamado elétron de diferenciação. O ângulo de difração depende do comprimento de onda da luz. De fato. Ψ2p representa a função de onda para um elétron da subcamada 2p. O comprimento de onda do elétron é mais de 3 mil vezes menor que o da luz. sustentando que é possível conseguir a difração dos elétrons. Mais tarde essa hipótese foi demonstrada experimentalmente.As equações de onda e os orbitais atômicos É possível descrever qualquer movimento ondulatório por um tipo de equação matemática chamada equação de onda .

orbital 1s orbital 2s 5 .

orbital 2p orbital 3s 6 .

Portanto. Os orbitais s . Eles são importantes apenas para a química dos elementos lantanóides e actinóides. a probabilidade de encontrar um elétron s diminui com a distância do núcleo.A subcamada d consiste de cinco orbitais. Os orbitais p têm a forma de haltere. não significa que não exista elétrons nesta região. dz . isto é. Entretanto. em todas as direções. atingindo o zero. A forma da curva da densidade de probabilidade para um elétron s independe da direção.Do gráfico da densidade de probabilidade Ψ21s em função da distância do núcleo. py e pz. Significa que nesta região um elétron não pode assumir o comportamento de um elétron 1s. esses três orbitais têm a mesma energia e a mesma densidade de probabilidade para o elétron. r . podemos dizer que a distribuição da densidade de probabilidade para um elétron s é esfericamente simétrica. 2 -y e dz2.É importante ressaltar uma coisa: Quando dizemos que a probabilidade se encontrar um elétron 1s em determinada região é zero. Os orbitais d . nada impede que exista um elétron 3p nessa mesma região. a subcamada p tem 3 orbitais. Usando um sistema de coordenadas tridimensionais cartesianas podemos representar os três como: px .Como dissemos anteriormente. Os orbitais p . quando r = ∞ . da mesma maneira. representados por dx . 7 .Os orbitais f são ainda mais complexos que os orbitais d. observamos que a probabilidade de se encontrar esse elétron é grande nas proximidades do núcleo e decresce com o aumento da distância ao núcleo. com dois lobos separados por um nó. Eles diferem entre si pela sua orientação no espaço. dx2 No átomo isolado. Isso porque nessa região o elétron tem outros valores de energia e características ondulatórias diferentes de um elétron 1s. todos eles têm energias equivalentes. dy . Os orbitais f . No átomo isolado.

apresenta 6 elétrons na última camada. A classificação de Mendeleyev. que está no grupo 6A. Cada coluna vertical é denominada grupo ou família e cada fila horizontal é denominada período. 8 . cujo subnível de maior energia de seus átomos é s ou p. L. Esta é uma configuração muito estável e os gases nobres têm pouca tendência a reagir.3.2. A primeira classificação realmente útil surgiu em 1869 com base nos trabalhos apresentados por Lothar Meyer e. Muitos elementos adquirem estabilidade através do octeto. Quando oito elétrons estão presentes na camada de valência. no entanto. apresentava alguns problemas. Assim. Com efeito. que possui 2 elétrons na camada de valência.1. Assim. que constituem os elementos de transição interna. Os grupos são divididos em A e B.As configurações eletrônicas Na tabela periódica os átomos são organizados na ordem crescente de seus números atômicos. principalmente. Nas famílias A (representativos) e nos grupos IB e IIB. os quais seriam preenchidos com elementos descobertos posteriormente. 1. A configuração ns2 np6 é chamada octeto. P ou Q) do elemento químico. o oxigênio. o fósforo está localizado no 3o período. 1. Procurava-se então uma maneira de selecionar os elementos em conjuntos de propriedades semelhantes. da esquerda para a direita. mais externa. Ou seja. cujo subnível mais energético de seus átomos é f. A periodicidade nas propriedades dos elementos é resultado da periodicidade nas configurações eletrônicas de seus átomos.2 A PERIODICIDADE QUÍMICA DOS ELEMENTOS 1.2.2. denominada camada de valência. observou-se semelhanças entre as propriedades físicas e químicas em determinados grupos desses elementos. Mendeleyev pôde prever algumas propriedades desses elementos desconhecidos. elétrons de valência são todos aqueles elétrons pertencentes à última camada (K. no entanto. o cobalto e o níquel ficariam em posições contrárias às atuais. por exemplo.A classificação atual dos elementos A atual tabela periódica dos elementos é dividida em grupos e períodos. Os grupos A são enumerados de IA até VIIA. O período em que um elemento está localizado indica o número de níveis do elemento. Moseley lançou o conceito de número atômico e a tabela de Mendeleyev foi reorganizada. tem 3 camadas (ou níveis principais de energia). mais o grupo VIIIA (chamado também de grupo 0). Por exemplo.1. por exemplo. O. Os períodos são enumerados de 1 a 7 e as duas fileiras localizadas à parte da tabela são os elementos actinóides e lantanóides. Um dos méritos desta classificação foi a previsão da existência de alguns elementos. Mendeleyev inclusive afirmou que outro critério de classificação ainda iria ser criado para sanar essas falhas. recomenda atualmente. porque consiste em um total de oito elétrons. embora não exclusivamente. A IUPAC. Assim. Dmitri Mendeleyev. e a generalização desta configuração de especial estabilidade é conhecida como regra do octeto . e o subnível de maior energia de seus átomos é d.2. O grande cientista russo Mendeleyev propôs a disposição dos elementos em ordem crescente de massa atômica e colocou-os em grupos ou famílias de tal modo que cada grupo apresentasse elementos com propriedades química semelhantes. o número da coluna indica o número de elétrons da camada de valência do elemento. Única exceção é o gás hélio. sua configuração é ns2 np6 e o elemento é um gás nobre. Os elementos desses grupos são conhecidos como elementos representativos. responsáveis pela maneira dos átomos se combinarem entre si. Os grupos B são enumerados de IB até VIIIB. a numeração dos grupos em algarismos arábicos de 1 a 18. N. se fossem colocados em ordem crescente de massa atômica. Os elétrons da camada de valência são grandemente. Mendeleyev organizou sua classificação para 60 elementos existentes na época e ficavam alguns "buracos". Os elementos destes grupos são chamados elementos de transição. M. Os elementos foram dispostos em ordem crescente de número atômico e então praticamente chegou-se à tabela atual. Pode-se dizer que cada período é iniciado pela adição de um elétron a uma nova camada.Uma breve história da tabela periódica À medida que os elementos químicos foram sendo descobertos. em 1913. logo.

Porém. que supostamente seria dada por 0. o raio covalente. Isso nos mostra que o raio efetivo do átomo não é constante. na molécula de H2. Quando comparamos um átomo neutro com seu íon. um ânion é sempre maior do que o átomo neutro que o originou. Outras comparações não teriam sentido. isto é. Já para um mesmo grupo. pois o número de prótons não se altera. mas compartilhar. Como resultado. o volume atômico. aproximando-os do núcleo. Os resultados demonstram uma variação periódica dos raios atômicos em função do número atômico. Por exemplo. o que leva à redução do raio. Apesar das dificuldades. o cloro. Além disso. o núcleo contém mais prótons. como o número de elétrons em um íon é sempre diferente do número de elétrons do átomo neutro.074 nm). e não é uma coisa fácil de ser calculada. mas à interpretação dos resultados.154 nm (0. No entanto. isto é. Define-se raio atômico como o raio de um átomo de um elemento químico não ligado (num plasma). ganhar ou perder elétrons. raio covalente e do raio iônico. Isso contribui para uma expansão da nuvem eletrônica. o raio iônico corresponde ao raio de um íon. devido ao fato de o átomo não receber elétrons. ou seja. Como visto. corresponde ao raio de um átomo que forma uma ligação covalente. o átomo é maior. É importante ressaltar que só se deve fazer comparações entre íons isoeletrônicos ou entre um íon e seu átomo neutro. Isso se deve ao fato de que ao longo de um período o número atômico aumenta. em parte. contribuindo para a redução do raio. O raio atômico em geral decresce ao longo do período e cresce abaixo em cada grupo. o raio atômico corresponde ao raio do átomo em seu estado neutro. Não por dificuldades devido às técnicas experimentais. Um caso interessante que devemos denotar em relação ao raio de um átomo é a alteração no tamanho deste quando o átomo se transforma em um íon. o raio atômico diminui.1. que aumenta o raio iônico. Isso provoca um aumento na força de atração exercida sobre os elétrons. é possível reunir um conjunto de dados de raios atômicos aproximados. Por exemplo. Por outro lado. Para exemplificar o conceito de raio de Van der Waals vamos imaginar uma substância diatômica no estado sólido. das propriedades dos átomos. 0.2. No diamante.110 nm. ou seja. cuja configuração é 1s2 2s2 2p6 3s1. A contribuição de cada átomo na distância de ligação total depende da natureza da ligação. fazendo com que a expansão da nuvem eletrônica seja menos intensa. Os métodos empregados são bem precisos e a discrepância de 0. aumenta seu número de elétrons e. quanto mais embaixo na tabela periódica. 9 . maior o número de camadas e.034 nm + 0. o que aumenta a carga nuclear. sem se combinar. ocorrerá uma diferença no raio atômico decorrente dessa situação. O raio covalente é menor que o raio iônico. por exemplo. Portanto.034 nm por átomo (1/2 da distância entre os núcleos dos dois átomos ligados que é de 0. podemos ainda falar em raio de Van der Waals. logicamente. quando perde seu elétron 3s . depende. perde também a terceira camada. é de 0. ou seja. obtidos principalmente de deduções a partir de medidas de distâncias interatômicas. consequentemente. as repulsões inter-eletrônicas na sua camada 2p .004 nm não pode ser desprezada. um átomo de sódio.4. raio covalente como a metade da distância entre os núcleos de dois átomos ligados (variável para um mesmo elemento químico em função da estrutura cristalina) e raio iônico como o raio de um átomo de elemento química após ser ionizado. O raio de um íon é chamado raio iônico . quando recebe um elétron. Além do raio atômico. Podemos generalizar que um cátion é sempre menor do que o átomo neutro que o originou.O raio atômico O raio de um átomo nos informa o seu "tamanho". ou seja. a carga efetiva do núcleo sobre os elétrons permanece constante. o raio covalente é 0.077 nm. Nesse estado as moléculas "encostam-se" umas às outras.114 nm. O raio de Van der Waals é a metade da distância entre os núcleos de dois átomos encostados de duas moléculas distintas. o menor número de elétrons facilita a atração nuclear sobre a nuvem eletrônica. a distância de ligação entre dois átomos de carbono é de 0.077 nm por átomo). cuja configuração é 1s2 2s2 2p5 . a distância entre um átomo de carbono e um átomo de hidrogênio. na molécula de CH4 . consequentemente. já que o elétron não pertence somente a um átomo. logicamente. do átomo que forma uma ligação iônica. que por sua vez.

Dois elétrons ocupando um mesmo orbital repelem-se com maior intensidade do que se estivessem em orbitais diferentes. a primeira energia de ionização é mais baixa do que o esperado. o termo implica um átomo no estado gasoso e sem formar ligações (plasma). Trata-se de uma distância intermolecular. Isso. maior a atração dos elétrons pelo núcleo. No caso do oxigênio. Portanto.6 . Esse processo é normalmente acompanhado por uma liberação de energia e tal energia mede o quão fortemente o elétron se liga ao átomo. O mesmo vale para o oxigênio comparado com o nitrogênio.o raio covalente é a metade da distância entre os dois núcleos atômicos Veja na figura que o raio de Van der Waals corresponde à metade da distância entre os núcleos de dois átomos da substância que se encostam e pertencem a moléculas diferentes.5. Irregularidades análogas às encontradas no boro e no oxigênio são igualmente explicáveis nos demais períodos sucessivos. 1. porém. quanto maior a carga nuclear do elemento. os elétrons 2s do boro podem blindar parte dessa carga do seu elétron 2p. a energia de ionização tende a aumentar através do período. originando um íon positivo (cátion). o que conduz à menor energia de ionização do boro. Para o segundo elétron. Como a energia é liberada. recebe um elétron. A repulsão inter-eletrônica facilita a remoção do elétron. a quantidade de energia para o processo é negativa (das convenções termoquímicas). o elétron pode ser completamente removido do átomo. Se a energia fornecida for suficiente. enquanto que no berílio está no orbital 2s. e varia com o número atômico. no seu estado fundamental. Um elétron 2s está mais firmemente preso ao núcleo do que um elétron 2p. Portanto. não impede que alguns elementos tenham afinidade eletrônica positiva. Além disso. Já o raio covalente é muito menor porque os núcleos atômicos de dois átomos que compartilham um mesmo elétron–orbital estão muito mais próximos. Uma vez que um átomo isolado está livre da influência de átomos vizinhos. tornando-se um íon negativo (ânion). No caso de íons com mais de um elétron removível dizemos que a energia necessária para remover o primeiro elétron é a primeira energia de ionização . absorve energia. formando um ânion. A energia de ionização é a energia mínima necessária para remover um elétron de um átomo isolado. 10 . em seu estado fundamental. e mais difícil é a sua ionização. mesmo com maior carga nuclear. o elétron a ser removido está no orbital 2p. e assim por diante. quanto mais negativo for o valor da afinidade eletrônica. porque o elétron é removido de um orbital 2p que contém um segundo elétron. no seu estado fundamental. O elétron mais facilmente removível é aquele que possui maior energia (último a ser distribuído segundo as regras de Hund). maior é a tendência do átomo receber o elétron. o que indica uma baixíssima tendência a receber elétrons. 1.A energia de ionização Quando um átomo isolado. O boro. e está menos atraído pelo núcleo. Estas irregularidades podem ser explicadas da seguinte maneira: no boro.A afinidade eletrônica Um átomo pode receber um elétron. existem casos que fogem a essa regra. No átomo de nitrogênio não há tal repulsão. A energia de ionização geralmente é dada em kJ / mol (quilojoules por mol). É o caso do berílio e do magnésio. a segunda energia de ionização . Contudo. o elétron pode se transferir de um nível energético quantizado para outro.2. Em geral. A afinidade eletrônica de um átomo é definida como a quantidade de energia envolvida no processo em que um átomo isolado gasoso. tem energia de ionização menor do que a do berílio. A energia de ionização também é uma propriedade periódica. por exemplo.2.

.2.Tende a ser negativa quando no átomo neutro necessário fornecer energia a um átomo neutro ou há sub-camadas ainda não totalmente que já tenha perdido elétrons para liberar mais preenchidas como nos metais alcalinos.Energia fornecida ao átomo neutro ou com elétrons para liberar mais elétrons. em geral. a eletronegatividade decresce à medida que a camada de valência se torna mais afastada do núcleo e à medida que o efeito de blindagem compensa amplamente o aumento da carga nuclear. pois é sempre ..As afinidades eletrônicas..7 . Como a energia de ionização. Veja abaixo um esquema geral da variação das propriedades periódicas na tabela: 11 .A eletronegatividade Numa ligação covalente.Energia fornecida ao átomo neutro ou com falta de . resultando numa competição pelos elétrons. a eletronegatividade apresenta algumas irregularidades no crescimento da esquerda para a direita. O esquema abaixo explica melhor a energia de ionização e a afinidade eletrônica: o o - .. a afinidade eletrônica também é expressa em kJ / mol. A eletronegatividade tende a crescer da esquerda para a direita através de um período na tabela periódica devido ao aumento da carga nuclear. o par eletrônico é compartilhado entre dois átomos. e a blindagem da camada interna é efetiva na compensação do aumento da carga nuclear. têm valores menos negativos ao longo de um grupo (descendo). Essa tendência é geralmente uniforme entre os elementos representativos. excesso de elétrons para aceitar mais elétrons. Assim. Indo para baixo num grupo. Isto significa que o par é atraído simultaneamente para o núcleo de ambos os átomos. Perde elétrons elétrons 3e 2e Átomo Neutro 1oe- 1oe- 2oeRecebe 3oe- Potencial de Ionização Afinidade Eletrônica . resultantes da variação na efetividade do efeito de blindagem. Através de uma série de transição. porque a camada de valência está progressivamente mais distante do núcleo. Entretanto tende a ser positiva quando o átomo neutro já possui sub-camadas totalmente preenchidas como no caso dos alcalinos terrosos. os elementos com maior eletronegatividade são os ametais à direita. particularmente os que se encontram na parte inferior esquerda da tabela periódica. 1. que é definida como a tendência relativa de um átomo em atrair o par de elétrons da ligação. Os elementos com as mais baixas eletronegatividades são os metais. Esta atração é medida por uma quantidade chamada eletronegatividade.É um número sempre positivo. particularmente os da parte superior direita da tabela periódica. . elétrons..

1.2.8 A TABELA PERIÓDICA – PROPRIEDADES DE GRUPOS ELEMENTOS QUÍMICOS TABELA PERIÓDICA IUPAC Grupo Período 1 2 3 4 5 6 7 8 IA IIA IIIB IVB VB VIB VIIB 9 10 VIII B 11 17 18 VII VIII IB IIB IIIA IVA VA VIA A A He2 12 13 14 15 16 1 2 3 4 5 6 7 H1 Li3 Be4 B5 C6 N7 P15 O8 Na11 Mg12 Al13 Si14 F9 Ne10 S16 Cl17 Ar18 I53 Xe54 K19 Ca20 Sc21 Ti22 V23 Cr24 Mn25 Fe26 Co27 Ni28 Cu29 Zn30 Ga31 Ge32 As33 Se34 Br35 Kr36 Rb37 Sr38 Y39 Zr40 Nb41 Mo42 Tc43 Ru44 Rh45 Pd46 Ag47 Cd48 In49 Sn50 Sb51 Te52 Fr87 Ra88 Ac** Rf104 Db105 Sg106 Bh107 Hs108 Mt109 Uun110 Cs55 Ba56 La* Hf72 Ta73 W74 Re75 Os76 Ir77 Pt78 Au79 Hg80 Ti81 Pb82 Bi83 Po84 At85 Rn86 Lantanídeos* Actinídeos** La57 Ce58 Pr59 Nd60 Pm61 Sm62 Eu63 Gd64 Te65 Dy66 Ho67 Er68 Tm69 Yb70 Lu71 Am9 Cm9 Fm10 Md10 No10 103 Ac89 Th90 Pa91 U92 Np93 Pu94 5 Bk97 Cf98 Es99 0 6 1 2 Lr IUPAC Grupo Período CLASSIFICAÇÃO DOS TIPOS DE ELEMENTOS DA TABELA 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 VIII VII VIII IA IIA IIIB IVB VB VIB VIIB IB IIB IIIA IVA VA VIA B A A A B B B B B B C C C C C C D D * ** D D D D I I D D D D I I D D D D I I D D D D I I D D D D I I D D D D I I D D D D I I I I I I I I I I I I I I I I I I D D 1 2 3 4 5 6 7 H E D D D D D D D F E E D D F F E E D F F F E E G G G G G H H H H H D Lantanídeos* Actinídeos** (A) Hidrogênio (D) Metais de Transição (G) Halogênios (B) Metais Alcalinos (E) Semi-Metais (H)Gases Nobres (C) Metais Alcalino-Terrosos (F) Ametais (I) Metais de Transição Interna 12 .

.Elementos combinam violentamente com metais alcalinos para formarem sais. Grupo VIA . Cr e Mn. A sequência Ti.XO2 e XO3.Possuem o nome de gases nobres porque são pouco reativos.Inclui o alumínio (o metal mais abundante na Terra). A valência “mais provável” de um elemento. . V. Poucos princípios em ciências naturais têm implicações tão amplas quanto o da periodicidade dos elementos. . . Examinaremos.Reagem com oxigênio na fórmula geral XO (onde O é oxigênio e X é o elemento deste grupo). Grupo VA .Inclui metais e não metais. .Todos os compostos com oxigênio possuem fórmula XO2.Inclui o oxigênio.São altamente reativos. VB. aparecem variações. IIA e IIIA apresentam regularmente números de valência 1. . Nunca encontrados livres na natureza.Vai de não metais no topo da coluna a metais na base.Forma compostos com oxigênio na formula X2O3. embora 13 .Grupo IA - Conhecidos como metais alcalinos. dos raios covalentes e iônico e da escala de eletronegatividade.Conhecidos como metais alcalinos terrosos. .Ocorrem somente em compostos. 2 e 3. agora. nos grupos B. . VIB e VIIB. Os elementos dos Grupos IA.Todos os elementos são gases. é um dos itens mais óbvios que podem ser deduzidos da tabela periódica. Muito reativos.Chamados de halogênios que significa formadores de sais. Por sua vez. Existe uma natureza periódica das energias de ionização. compostos com oxigênio deste grupo possuem fórmulas O2 . Grupo VIIA . mostra números de valência (ou números de oxidação) correspondentes.Metalóides (ou metais de transição). Reagem rapidamente com a água. . diversas propriedades específicas dos elementos que refletem a utilidade básica da periodicidade. da afinidade por elétrons. Grupo VIIIA . os metais lantanídeos (terras raras) são essencialmente membros do Grupo IIIB e. um dos elementos mais abundantes na natureza. nos Grupos IVB. . . quer eles sejam ou não os mais comuns ou estáveis.São todos metais. Grupo IIIA .Grupo menos reativo. Grupo IIA . Grupo IVA . . respectivamente.Geralmente.Pouco abundantes na Terra. Entretanto. Todos os elementos dos grupos A apresentam números de valências iguais aos seus números de grupo.Todos elementos formam compostos com oxigênio ou enxofre nas fórmulas X2O3 ou X2S3. . para esses metais.

os halogênios. As formas cristalinas dos elementos. os pontos de fusão e os pontos de ebulição dos metais representativos (grupos A) aumentam dentro de um grupo. o carbono. Por exemplo. Podemos esperar maior semelhança entre as propriedades do berílio e do alumínio. do Grupo IV. com razoável segurança. são coloridos. Historicamente. O elemento mais denso é o ósmio (d = 22. O raio iônico do íon berílio é 0. Para o estudante de ciência dos materiais. Os números de valência desses elementos correspondem a seus grupos. às vezes denominados “metais leves”. Por exemplo.38 Å e sua carga é 2+. nessa parte da tabela periódica. seu potencial iônico é 5. e a tabela não pode mais indicar elementos desconhecidos. a partir de sua posição na tabela periódica.26. no Grupo IB. As cores dos elementos acham-se menos especificamente relacionadas com a tabela periódica. à medida que subimos numa coluna. números de valência 6. todos têm 3 como número de valência típico. seu caráter ácido básico e suas propriedades físicas estão relacionados de maneira irregular ou em diagonal.às vezes denominada densidade de carga) desses pares diagonais. o próprio Mendeleyev predisse a existência do germânio. mais comumente. A maioria dos metais são brancos.84 g/cm3). ser correlacionadas com suas posições na tabela periódica. Em regra. Eles são. sílicio e germânio. A relação entre as posições dos elementos mais leves. podemos predizer. naturalmente. a tabela periódica serviu admiravelmente para predizer a existência de elementos desconhecidos e suas propriedades. tais como o oxigênio.exibam outros números de valência. Por outro lado. e o boro e o sílicio têm muito em comum. dentro de um grupo. e suas propriedades químicas. na continuidade dos números atômicos. As densidades dos elementos estão geralmente relacionadas com as suas posições na tabela. entre aqueles que têm maior massa e menor volume nas partes inferiores do meio da tabela. Ag e Au) acham-se juntos. do que se poderia se esperar entre elementos de dois grupos diferentes.77. todos os espaços vazios. enxofre. porém os dos não metais aumentam quando descemos numa coluna. Aqueles que têm densidades menores em cada período estão nos Grupos IA e IIA. 14 . o berílio (Grupo IIA) se assemelha ao alumínio (Grupo IIIA) em muitos aspectos. eletronegatividade e tipo de ligação. exceto aqueles que possam ser acrescentados no fim da tabela. na tabela. às vezes. e as propriedades desse elemento são notavelmente semelhantes às do elemento imaginado por ele. como os halogênios do Grupo VIIA. têm. e os do Grupo VI. porém os compostos que eles formam. é. Conseqüentemente. porém. Os elementos mais densos encontram-se. 19 anos antes que o elemento fosse realmente descoberto. Os não metais. Atualmente. a importância da tabela reside em sua capacidade para acomodar e resumir uma grande parte da química descritiva. Muitas propriedades físicas dos elementos poderiam entretanto.52 ou 5. o número de valência mais provável de um elemento. o estudante deve procurar associar o máximo possível de informação química com a tabela periódica e com a sólida estrutura da química que ela representa. tendem a ser semelhantes devido a semelhanças nos números de valência. porém os amarelados (Cu. exceto que todos os elementos do Grupo VIIA. O potencial iônico do alumínio é 3/0. são quase sempre tetravalentes. apresentam números de valência de 7. a tabela deve ser usada mais como um guia do que como uma regra infalível. Em vista disso. foram preenchidos. selênio e telúrio. A razão dessa irregularidade é a semelhança dos potenciais iônicos (carga iônica dividida pelo raio iônico . irregular.

2. dependendo da estrutura cristalina IUPAC Grupo Período 1 2 3 4 5 6 7 8 IA IIA IIIB IVB VB VIB VIIB 9 10 VIII B 11 17 18 VII VIII IB IIB IIIA IVA VA VIA A A 12 13 14 15 16 1 2 3 4 5 6 7 Li3 Be4 B5 C6 N7 P15 O8 S16 Na11 Mg12 Al13 Si14 K19 Ca20 Sc21 Ti22 V23 Cr24 Mn25 Fe26 Co27 Ni28 Cu29 Zn30 Ga31 Ge32 Rb37 Sr38 Y39 Zr40 Nb41 Mo42 Tc43 Ru44 Rh45 Pd46 Ag47 Cd48 In49 Sn50 Sb51 Cs55 Ba56 La* Hf72 Ta73 W74 Re75 Os76 Ir77 Pt78 Au79 Hg80 Ti81 Pb82 Bi83 Fr87 Ra88 Ac** Rf104 Db105 Sg106 Bh107 Hs108 Mt109 Uun110 Lantanídeos* Actinídeos** La57 Ce58 Pr59 Nd60 Pm61 Sm62 Eu63 Gd64 Te65 Dy66 Ho67 Er68 Tm69 Yb70 Lu71 Am9 Cm9 Fm10 Md10 No10 103 Ac89 Th90 Pa91 U92 Np93 Pu94 5 Bk97 Cf98 Es99 0 6 1 2 Lr 15 . Note que os elementos silício (Si) e germânio (Ge) estão incluídos com os metais nesta figura mas não estavam na figura anterior. Isto é porque.1. Si e Ge se comportam como semicondutores. na forma elementar. Os materiais cerâmicos são formados pela combinação de elementos metálicos (letra normal) com elementos não metálicos (em negrito). Estanho elementar (Sn) também pode se comportar como metal ou semicondutor.9 TIPOS DE MATERIAIS DE ENGENHARIA E A TABELA PERIÓDICA METAIS Na tabela periódica abaixo estão aqueles elementos que são inerentemente metálicos IUPAC Grupo Período 1 2 3 4 5 6 7 8 IA IIA IIIB IVB VB VIB VIIB 9 10 VIII B 11 17 18 VII VIII IB IIB IIIA IVA VA VIA A A 12 13 14 15 16 1 2 3 4 5 6 7 Li3 Be4 B5 Al13 Na11 Mg12 K19 Ca20 Sc21 Ti22 V23 Cr24 Mn25 Fe26 Co27 Ni28 Cu29 Zn30 Ga31 Rb37 Sr38 Y39 Zr40 Nb41 Mo42 Tc43 Ru44 Rh45 Pd46 Ag47 Cd48 In49 Sn50 Sb51 Cs55 Ba56 La* Hf72 Ta73 W74 Re75 Os76 Ir77 Pt78 Au79 Hg80 Ti81 Pb82 Bi83 Fr87 Ra88 Ac** Rf104 Db105 Sg106 Bh107 Hs108 Mt109 Uun110 Lantanídeos* Actinídeos** La57 Ce58 Pr59 Nd60 Pm61 Sm62 Eu63 Gd64 Te65 Dy66 Ho67 Er68 Tm69 Yb70 Lu71 Am9 Cm9 Fm10 Md10 No10 103 Bk97 Cf98 Es99 0 Ac89 Th90 Pa91 U92 Np93 Pu94 5 6 1 2 Lr CERÂMICAS E VIDRO Na tabela periódica abaixo estão os elementos químicos relacionados à formação de compostos cerâmicos.

são simples compostos de hidrogênio e carbono. CdS) IUPAC Grupo Período 1 2 3 4 5 6 7 8 IA IIA IIIB IVB VB VIB VIIB 9 10 VIII B 11 17 18 VII VIII IB IIB IIIA IVA VA VIA A A 12 13 14 15 16 1 2 3 4 5 6 7 Lantanídeos* Actinídeos** 16 Al13 Si14 P15 O8 S16 Zn30 Ga31 Ge32 As33 Se34 Cd48 In49 Sn50 Sb51 Hg80 .POLÍMEROS Em cinza os elementos mais importantes associados aos polímeros de uso comerciais. outros elementos. Outros contêm eleveda quantidade de oxigênio (p.: acrílicos). flúor (fluorplásticos). como o enxofre (borracha) ou o cloro (PVA) estão presentes em muitos polímeros de engenharia. GaAs) ou das colunas IIA e VIA (p. e silício (silicones). nitrogênio (nylons). Apesar de não marcados na tabela.ex.ex. Muitos polímeros importantes. Os compostos semicondutores são formados por pares de elementos das colunas IIIA e VA (p. presentes em menor quantidade.ex. IUPAC Grupo Período 1 2 3 4 5 6 7 8 IA IIA IIIB IVB VB VIB VIIB 9 10 VIII B 11 17 18 VII VIII IB IIB IIIA IVA VA VIA A A 12 13 14 15 16 1 2 3 4 5 6 7 H1 C6 Si14 N7 O8 F9 Lantanídeos* Actinídeos** SEMICONDUTORES Na tabela periódica abaixo os elementos semicondutores (em negrito) e aqueles elementos que formam compostos semicondutores em letra normal. incluindo o polietileno.

como previa a regra do octeto. mas não se aplica aos elementos de transição (Grupo B). AS LIGAÇÕES QUÍMICAS 2. os orbitais 3p e um orbital 3d. 17 . em que o par eletrônico é cedido por apenas um dos átomos da ligação. Por exemplo.2. mesmo no grupo de compostos de elementos representativos. 2. partindo do átomo que cede o par eletrônico para o átomo que o recebe. dizemos que a camada de valência se expandiu. e não 8. O número total de elétrons de valência para o fósforo nesse caso é 10.1 . Veja alguns exemplos: A estrutura de Lewis procura mostrar a validade da chamada regra do octeto.1.2 . na qual o átomo de fósforo é ligado por covalência a cinco átomos de cloro. Tal regra pode ser útil para explicar a formação dos compostos de elementos representativos (Grupo A da tabela pereiódica). na qual se distribui os elétrons da camada de valência em torno de cada átomo da ligação. Entretanto. que diz que os átomos tendem a se estabilizar completando sua camada de valência com oito elétrons. quando um átomo não pode mais efetuar ligações covalentes por já ter atingido o seu octeto. As camadas de valência dos elementos químicos pertencentes ao primeiro ou segundo período da tabela periódica não podem ser expandidas porque não existem sub-camadas tipo “d” nos átomos desses elementos. e às vezes é representada por uma seta. efetuar ligações covalentes coordenadas (ou dativas). Essa expansão só é possível em átomos que possuem orbitais de sub-camadas tipo “d” que podem ser usados além dos orbitais das sub-camadas tipo “s” e “p”. existem diversos casos que não seguem a regra do octeto.1 – Ligação covalente comum A ligação covalente consiste no compartilhamento de pares eletrônicos entre dois átomos e pode ser representada por meio da estrutura de Lewis. Os orbitais ocupados pelos cinco pares são o orbital 3s. assemelhandose à configuração eletrônica de um gás nobre. Nesse caso. Essa ligação é feita para completar o octeto do átomo que ainda precisa se estabilizar. Os elétrons podem também ser substituídos por traços que representam os pares eletrônicos compartilhados. de maneira a acomodar os cinco pares de elétrons. considerando a molécula PCl5. se ainda houverem pares disponíveis. pode.Ligação coordenada (covalente dativa) As ligações covalentes comuns são efetuadas de maneira que cada átomo contribui com um elétron do par compartilhado.A LIGAÇÃO COVALENTE 2.1. No entanto.

"Comum" e "coordenada" são apenas termos convenientes para indicar a origem dos elétrons do par compartilhado. pois o par eletrônico estará distribuído assimetricamente. Polaridade e Energia de ligação Numa ligação covalente. Isso significa que. Uma molécula não-polar é aquela em que a posição média de todas as cargas positivas coincide com a posição média de todas as cargas negativas. mais próximo do átomo mais eletronegativo. ou seja. apesar da molécula ser eletricamente neutra.3 . teremos duas metades com um núcleo e um elétron.Cl): agora os centros de carga não coincidem. 2. o par eletrônico é compartilhado entre dois átomos. Esse par eletrônico pode então servir para estabilizar um átomo ionizado de hidrogênio. Quando os átomos ligados por covalência são idênticos não há diferença de eletronegatividade. Isto significa que o par é atraído simultaneamente para o núcleo de ambos os átomos. dizemos que a ligação é covalente não-polar.A LIGAÇÃO IÔNICA Uma ligação iônica envolve forças eletrostáticas que atraem íons de cargas opostas. Esse tipo de ligação geralmente ocorre entre um átomo ou agrupamento de átomos que tem tendência a ceder elétrons e um átomo ou agrupamento de átomos que tem tendência a receber elétrons. Dizemos que a molécula é polar. que é definida como a tendência relativa de um átomo em atrair o par de elétrons da ligação. Numa molécula polar existe uma separação de cargas. apesar de já estar com o seu octeto completo.2 . Esta atração é medida por uma quantidade chamada eletronegatividade. O par eletrônico compartilhado está igualmente distante de ambos. o par eletrônico é igualmente atraído pelos dois átomos. Se houver diferença de eletronegatividade entre dois átomos.H): os centros de carga positiva são os dois núcleos. se traçarmos um plano que divida a molécula exatamente ao meio. Se traçarmos um plano que divida a molécula exatamente ao meio. existe um pólo positivo e um pólo negativo.1. 2. portanto. Os compostos 18 •• . Isso significa que entre os dois átomos de hidrogênio não existe diferença de eletronegatividade. A molécula é apolar. os dois centros de carga não coincidem. elemento que necessita de apenas dois elétrons. que é mais eletronegativo. a molécula de hidrogênio (H . Tomemos como primeiro exemplo. resultando numa competição pelos elétrons.Entretanto. a ligação será covalente polar. A atração exercida por um átomo sobre o par de elétrons na sua camada de valência depende da carga nuclear efetiva (a carga nuclear menos o efeito de blindagem das camadas internas) e da distância entre os núcleos e a camada de valência. Uma com o núcleo do hidrogênio e outra com o núcleo do cloro e com o par eletrônico compartilhado. Nesse caso. portanto. O centro de cargas negativas se encontra mais próximo do átomo de cloro. teremos duas metades diferentes. A situação é diferente na molécula de cloreto de hidrogênio (H . adquirindo configuração eletrônica semelhante à do gás nobre hélio. ou um dipolo.Eletronegatividade. é importante deixar claro que uma ligação covalente coordenada não é diferente de uma ligação covalente comum. ou seja. ambos os átomos atraem o par eletrônico com a mesma intensidade. O conceito de polaridade também é útil para descrevermos moléculas que exibem uma separação parcial de cargas. Veja o exemplo abaixo: H •• H+ + • H • + H • • N •• H • H • ⇒ H • • N •• H Perceba que o nitrogênio possui um par eletrônico disponível.

sua afinidade eletrônica é negativa. entretanto. justamente por ser caótico. melhor a condução se dá. ou seja. Neste tipo de cristal os elétrons livres servem de meio de propagação do calor .+ X) => M + + X- 2. então todo o processo pode ser representado por: M + X => (M+ + e-) + X = > M+ + (e-) + X => M+ + (e. conforme a natureza das partículas: • Íon . Enquanto certos materiais apresentam-se com os elétrons bem presos aos átomos. 2. os elétrons livres adquirem um movimento ordenado: passam a mover-se do pólo negativo para o pólo positivo. em termos de condutibilidade elétrica. • Íon . Isso ocasionará um aumento nos pontos de fusão e ebulição da substância. isto é.3 .Dipolo permanente: Atração entre um íon (um átomo) e uma molécula polar (dipolo). A perda de um elétron por um átomo leva à formação de um íon positivo (cátion).chocam-se com os átomos mais velozes. os materiais condutores dos materiais isolantes. portanto. depende da presença de elétrons livres no cristal.Forças de Van der Waals: São divididas em vários tipos. como X é um ametal. isto é.4.3. mas sempre próximos uns aos outros. possui uma tendência em ganhar elétrons e formar um íon negativo (ânion). em outros. apesar de predominarem íons positivos e elétrons livres. quando é aplicada uma diferença de potencial. em todas as direções.4 – AS LIGAÇÕES SECUNDÁRIAS (INTERMOLECULARES) As moléculas de uma substância sólida ou líquida se mantêm unidas através da atração existente entre elas. As forças intermoleculares são freqüentemente classificadas em dois tipos: Força de Van der Waals e Ligação de hidrogênio (ou ponte de hidrogênio). se o elétron perdido por M é ganho por X. Por isso os gases apresentam baixo ponto de ebulição e extrema facilidade de se expandir. Nos materiais condutores muitos dos elétrons se movimentam livremente no cristal. A causa para a ocorrência de uma ligação deste tipo é a polarização da molécula. aceleram-se e vão aumentar a oscilação dos mais lentos. formando um fluxo eletrônico orientado no interior do metal. Os elétrons aumentam suas oscilações e a energia se propaga aos átomos mais internos. os átomos estão dispostos de maneira variada. A possibilidade de melhor condutividade térmica.A LIGAÇÃO METÁLICA Num sólido. são simultaneamente atraídos por outros cátions. é necessário pouca energia para remover um elétron do átomo M.um metal M e um ametal X: como M é um metal. diz-se que os átomos de um metal são eletricamente neutros. Os átomos de um metal têm grande tendência a perder elétrons da última camada e transformar-se em cátions.Dipolo induzido: Atração entre um íon (um átomo) e uma molécula apolar. Podemos exemplificar a ligação iônica com um caso típico entre dois átomos hipotéticos . isto é. por meio de uma fonte elétrica às paredes de um cristal metálico. E. compondo um retículo cristalino. causando uma 19 . colocam-se em agitação os átomos que a formam e os que lhe estão próximos. O íon causa uma atração ou repulsão eletrônica com a nuvem eletrônica da molécula apolar. Aquecendo-se a ponta de uma barra de metal. Quanto mais elétrons livres no condutor. Por isso. 2.1 . É o que diferencia. sua energia de ionização é baixa. esse movimento não resulta em qualquer deslocamento de carga de um lado a outro do cristal. nota-se que. Estudando-se o fenômeno da condutibilidade elétrica. Quanto maior for a força de atração maior será a coesão entre as moléculas. são sólidos duros e quebradiços e solubilizam-se facilmente em solventes polares. alguns desses elétrons permanecem com certa liberdade de se movimentarem no cristal. As moléculas dos gases praticamente não exercem forças de atração entre si. Se estes processos são interligados.iônicos em geral apresentam altos pontos de fusão e ebulição. Esses elétrons. que logo o perdem novamente e assim por diante. Por outro lado. comentado no item 1. de forma desordenada. possibilitando a existência de forças de atração de polos de cargas elétricas opostas.

CH2 .• • • deformação da nuvem eletrônica na molécula apolar e provocando a formação de dipolos (induzidos). O e N em relação ao número de prótons dos núcleos desses átomos. em relação aos hidretos das respectivas famílias. provocando a formação de dipolos induzidos. quanto maior o número de grupos OH ou NH.4. Dipolo permanente . O dipolo causa atração entre seu pólo positivo e a nuvem eletrônica da molécula apolar e uma repulsão entre esta nuvem e seu pólo negativo. Efeito de dispersão: Em todas as moléculas e nos átomos de todos os gases nobres. A principal força intermolecular existente entre as moléculas dos álcoois é a ligação de hidrogênio. As ligações de hidrogênio são atrações muito fortes e contribuem de modo decisivo na ligação intermolecular total. Nos álcoois. são um caso especial da atração entre dipolos permanentes. As moléculas podem apresentar mais de um tipo de força intermolecular. Outra consideração importante é que. uma polarização momentânea ocorre como resultado do movimento ao acaso dos elétrons. mas não desprezíveis.Dipolo induzido: Atração entre uma molécula polar e uma molécula apolar. Veja abaixo a representação das principais forças de Van der Waals: 2.Ligações de hidrogênio Também conhecidas como pontes de hidrogênio. que então se interagem para aumentar a coesão entre as moléculas. Isso causa uma deformação da nuvem eletrônica na molécula apolar.OH) tem PE = 78. resulta um maior ponto de ebulição. Devido às pequenas dimensões de F.2 . As atrações interatômicas resultantes são fracas. mas como a molécula de etanol é maior. em relação ao metanol.4º C. as dispersões de London são mais intensas. maior será a intensidade das ligações de hidrogênio e maior será o ponto de ebulição. Como o hidrogênio não é muito eletronegativo por ter apenas 1 próton para atrair elétrons. Logo. Esta polarização flutuante ao acaso tem sido denominada de Força de Dispersão de London (ou ainda de dipolo induzido – dipolo induzido).OH) tem PE = 64. O. Os dipolos atraem-se pelos polos opostos (positivo-negativo). N). NH3 e HF.Dipolo permanente: Atração entre duas moléculas polares. o que explica os pontos de ebulição anormalmente altos de moléculas como H2O.6º C e o etanol (H3C . a diferença de eletronegatividade entre (F. esses elementos são muito eletronegativos. O ou N) e o hidrogênio é bem grande. As ligações de hidrogênio são atrações intermoleculares anormalmente intensas e ocorrem entre moléculas que apresentam ligações entre hidrogênio e átomos muito eletronegativos (F. 20 . da interação das duas forças. por exemplo. proporcionando a ocorrência de pólos intensos em pequenos volumes. Dipolo permanente . como é evidenciado pelo fato de moléculas simétricas e gases monoatômicos se condensarem em temperaturas suficientemente baixas. o metanol (H3C .

onde as ligações iônica e covalente convivem em igualdade de participação. mesmo nestes casos. que explica suas piores condutividades térmica e elétrica. óxido de magnésio e óxido de zircônio. A condutividade térmica é maior para os materiais com ligações metálicas. o que explica os maiores pontos de fusão e ebulição. Foi comentado anteriormente que muitas propriedades dos materiais podem ser relacionadas qualitativamente às características das ligações atômicas. As temperaturas de fusão e de ebulição podem ser correlacionadas com o valor absoluto do desnível de energia. Quanto maior a força de atração entre os átomos. tais como óxido de alumínio (alumina). Também nestes casos. assim como suas maiores resistências mecânicas e mais altos pontos de fusão. Entretanto é importante destacar que. tais como o germânio. Contudo. silício e selênio apresentam caráter covalente predominante com relação ao metálico. tais como carboneto de silício. Exceções destas generalizações podem surgir quando mais de um tipo de ligação está presente. Isso demonstra que o módulo de elasticidade depende essencialmente da intensidade e do número e direção das forças de ligação dos átomos do material. pelo raio atômico e pelo grau de empacotamento. eles apresentam um certo grau de covalência. exibem um certo caráter covalente. Al2O3. Os materiais cerâmicos. pois nesses casos a ligação metálica é reforçada por ligações covalentes. os materiais mais duros: por exemplo. Alguns metais como tais como o níquel. Os coeficientes de dilatação térmica também são explicados pela intensidade. 21 . ferro. os tipos de ligações seguem a seguinte seqüência: Covalente => Iônica => Metálica => Wan der Waals Muitas das propriedades dos materiais podem ser relacionadas qualitativamente às características das ligações atômicas. Observamos que materiais com altos pontos de fusão são. Nos semicondutores as suas condutividades também são controladas pela liberdade de movimento de seus elétrons. aqui. freqüentemente. A densidade é controlada pela massa atômica. Outros materiais cerâmicos. Tanto os materiais iônicos como os covalente são condutores extremamente fracos. pois os elétrons livres são transportadores muito eficientes de energia térmica. como na grafita e nas argilas. mais de um tipo de ligação atua em um material. os elétrons livres dos metais podem se mover facilmente quando sujeitos a um gradiente de potencial elétrico. que é a base da maioria dos vidros. TiC e diamante. A condutividade elétrica é muito dependente das ligações atômicas. porque os elétrons não estão livres para deixar os átomos a que pertencem. este último fortemente influenciado pelo tipo de ligação. maior a força mecânica externa necessária para produzir uma deformação no material e maior a força necessária para produzir a ruptura das ligações. apresentam uma parcela apreciável de ligações covalentes. Apesar disso. Os materiais semicondutores. apresentam caráter covalente predominate. Os materiais metálicos. Por outro lado. plásticos. em materiais com ligações mais fracas. assim como de energia elétrica. Um exemplo é o caso da sílica. no ponto de equilíbrio das distâncias interatômicas.2. O módulo de elasticidade pode ser calculado a partir da inclinação da curva força x distância interatômica bem como da inclinação da curva de ensaio de tração (ou compressão) tensão x deformação. Por outro lado. geralmente. poliméricos e metálicos) e os tipos de ligação.5 – AS FORÇAS DAS LIGAÇÕES E AS PROPRIEDADES DOS MATERIAIS Da mais forte para a mais fraca. embora sempre apresentem caráter metálico predominante. apresentam caráter iônico predominante. gelo e graxa. tentar-se-á. tungstênio e vanádio. número e direção das forças de ligação entre os átomos do material. nitreto de silício e nitreto de boro. há uma relação entre a pequena dureza e o ponto de fusão baixo: por exemplo chumbo. Os materiais poliméricos apresentam ligação covalente (forte) entre os átomos na cadeia da macromolécula e ligação secundária (fraca) intercadeia. A resistência mecânica está também correlacionada com a força de atração entre os átomos de um material. os materiais não apresentam um tipo exclusivo de ligação e eles exibem um certo caráter iônico. estabelecer algumas relações entre grupos de materiais (cerâmicos. Átomos ligados por forças de ligação mais fortes possuem distâncias de equilíbrio menores (ficam mais próximos) e por isso há necessidade de mais energia para separá-los.

1.3. OS MATERIAIS DE ENGENHARIA 3. Prata. Algumas Propriedades dos metais: .C.1. Ruhr) “Ciência e Engenharia de Materiais é a área da atividade humana associada com a geração e com a aplicação de conhecimentos que relacionem composição.Início dos estudos de microestrutura através de microscópio óptico de superfícies metálicas polidas e atacadas com ácido 22 . 1856 . Un.Henry Bessemner descobre que a redução do teor de carbono na liga Ferro-Carbono ainda líquido produz um material mais homogêneo e de melhores propriedades. . estruturas. . porém deformáveis. escrita. . 3.Materiais Poliméricos (ou plásticos). O Núcleo desta ciência é o estudo da microestrutura dos materiais” (Erhard Hornbogen. MIT) Materiais Sólidos (Foco de atenção da ciência dos materiais) Uma classificação baseada na estrutura atômica e nas ligações químicas predominantes: . inaugurando a idade do Aço Moderno.Materiais Metálicos.Invenção do arado. embarcações à vela.Muito utilizados em estruturas. . Estanho.Materiais Compósitos.1 DEFINIÇÕES E CLASSIFICAÇÃO 3.São excelentes condutores de calor e eletricidade. MIT) “ A Ciência dos Materiais se ocupa com as relações entre a microestrutura e as propriedades dos materiais. estrutura e processamento às suas propriedades e usos” (Morris Cohen. dispositivos e produtos” (Morris Cohen. carroça. Chumbo. onde os elétrons da última camada estão livres. Ouro. 1863 .Não são transparentes à luz. ou seja. . Os metais na História 5000 – 3000 a. Muitas das propriedades dos metais são atribuídas à ligação metálica. – Desenvolvimento do forno de Alta temperatura para fundir metais (Cobre. não pertencem à nenhum átomo isoladamente. .Quando polidos refletem eficientemente a luz. os quais são 70 entre os 92 elementos da tabela periódica tradicional.2 Materiais metálicos São substâncias compostas essencialmente de elementos metálicos.1 Materiais “Materiais são substâncias com propriedades que as tornam úteis na construção de máquinas. Ferro e Mercúrio) e fabricação de algumas ligas com esses metais. .São resistentes.Materiais Cerâmicos. .

1895 .Duros. porcelanas. carbonetos e boretos de alta pureza) Cerâmica na História 8000 a. outros.Descoberta dos Raios-X 1911 . 3. Em termos de composição química os argilominerais são principalmente silicatos hidratados de alumínio. cerâmicos e poliméricos. Isso significa que certos materiais cerâmicos possuem tanto ligações iônicas (metal com não-metal) quanto ligações covalente (não-metal com não-metal) na estrutura cristalina. com enorme impacto na vida do homem. alguns materiais se situam nas fronteiras divisórias entre essas classes de materiais. Determinação de estruturas cristalinas. Análise Térmica. pirofilita. cuja camada de valência é incompleta. . particularmente quando aparecem elementos semi-metálicos na estrutura cristalina. nitretos. haloisita.Resistentes a altas temperaturas.Cerâmica Branca: azulejos. . que são substâncias com estruturas cristalinas complexas formadas em solução aquosa através do intemperismo da água sobre as rochas. Além disso há uma superposição considerável entre os materiais metálicos. Exemplos de materiais cerâmicos: Óxidos.São tipicamente isolantes térmicos e elétricos. Algumas Propriedades . Vidro. porém geralmente frágeis (quebradiços) devido a defeitos na microestrutura.Vidro comum. montmorilonita. Nitretos.Cerâmica Vermelha: telhas.Cerâmicas Avançadas: feitas de óxidos. . Exemplos : Caulinita. . tijolos e manilhas. . 23 . Argilo-minerais. aparelhos sanitários. A argila é a matéria-prima encontrada na natureza composta essencialmente por argilominerais.1. Difração de Raios-X. – Queima (sinterização) da argila para fabricação de potes. isto é. Relembremos da teoria das ligações químicas que os poucos elétrons de valência de um átomo metálico podem ser transferidos para um átomo de um não-metal. Cimento.C. Classificação dos materiais cerâmicos: .Utilização da Difração de Raios-X para estudos das estruturas cristalinas dos materiais Século 20 – Desenvolvimemnto das técnicas de Metalografia Óptica e Eletrônica.3 Materiais cerâmicos Em princípio materiais cerâmicos são substâncias compostas por combinações de elementos metálicos com elementos não metálicos. observação : O óxido de ferro (ferrugem) é o material que confere a cor vermelha da cerêmica vermelha. Desse modo as ligações químicas são predominantemente iônicas.Resistentes a ambientes quimicamente agressivos. panelas e outros utensílios cerâmicos. Carbonetos. Correlação Microestruturas X Propriedades. outras) Caracterização de microestruturas. . Entretanto são muitas as possibilidades de combinações de átomos formando estruturas cristalinas complexas.

PVC. manganês ou ferro causam grandes mudanças de cor. podendo ter origem natural ou sintética.).1. polipropileno. Século 20 . Sintéticas => plásticos orgânicos (polietileno. .C. etc. marfim. etc. oxigênio e nitrogênio. .Invenção das fibras ópticas. Exemplo : 0. borracha sintética. Vidro Veneziano = Sílica + Cal + Soda Cáustica Pequenas adições de íons de cobalto.) 99 % da produção atual de vidros são de 3 tipos: SiO2 (sílica) – Na2O (soda) – CaO (cal) PbO – SiO2 B2O3 – SiO2 – Na2O – CaO (desenvolvido no século 20) Propriedades dos vidros .C. Polímero significa muitas partes (vários meros). PVA. cromo. etc. madeira. etc.15 % de CoO confere ao vidro de carbonato de sódio a cor azul escura. etc.Podem ser formulados para absorver ou transmitir determinados comprimentos de onda da luz. 3. A ligação entre os átomos da cadeia de um polímero é covalente (forte) e entre as cadeias é de Van der Waals (fraca). lã.Isolantes térmicos e elétricos.). plásticos inorgânicos (siliconas. nailon.Invenção da fibra de vidro. alta resistência ao impacto. – Já existiam vidros decorativos no Egito 1500 a. Naturais => couro. . algodão. . . 24 . – Produção de vidros já estava bem desenvolvida 1200 – Veneza era a “Capital do Vidro” 1292 – Para proteger sua tecnologia contra Ingleses e Franceses os Venezianos transferem sua produção para a ilha de Murano. Os polímeros orgânicos são constituídos essencialmente por cadeias carbono-carbono mais ligações laterais de átomos de carbono com átomos de hidrogênio.Estruturas amorfas (ausência de ordem de longo alcance na estrutura atômica). mas outros elementos freqüentemente estão presentes em menores proporções. . alta resistência ao choque térmico.Amolecem vagarosamente antes de fundir. sendo que meros são as unidades de repetição de uma cadeia polimérica.Cerâmicas avançadas (cerâmicas supercondutoras. cobre. geralmente orgânicas (baseadas no elemento carbono).Transparência à luz visível. borracha natural.4000 a.4 Materiais poliméricos São substâncias constituídas por macromoléculas.

Leves. Ex. policloreto de vinila – PVC.5 Materiais compósitos Materiais compostos de dois ou mais materiais de modo a conjugar características de mais de um material. polipropileno. ou seja. etc.Baixa resistência ao calor. poliestireno. Uma classificação dos polímeros: Termoplásticos => Podem ser repetidamente conformados através de calor (polietileno.Nos polímeros inorgânicos um outro elemento não metálico substitui o carbono na construção das cadeias poliméricas. concreto. madeira. 3. . Algumas Propriedades: .1. etc.Flexíveis.: fibra de vidro com resina de poliestireno.) Termorígidos => São conformáveis plasticamente somente durante a fabricação (baquelite. metais reforçados com fibras. 25 . São elásticos. poliésteres e poliuretanos) Elastômetos => São conformáveis plasticamente durante a fabricação. O caso mais comum são as siliconas onde as ligações entre átomos de silício formam longas cadeias poliméricas. . podem ser alongados de maneira acentuada e retornar naturalmente às sua dimensões originais.Boa resistência ao ataque químico. .Isolantes elétricos e térmicos. resinas epoxílicas. . cerâmicas reforçadas.

3 Qual o sub-tipo de ligação do tipo Van Der Waals que liga duas moléculas de água? 4. cada um. Explique porque a molécula de água é polar como função da densidade de probabilidade de se encontrar os elétrons compartilhados.2 Como se caracterizam os compostos iônicos em geral? 4. a um mesmo átomo de oxigênio através de uma ligação covalente. hidrogênio e oxigênio? 4.5 O que são óxidos? 26 .1 A molécula de água é formada por dois átomos de hidrogênio ligados. QUESTIONÁRIO 4. 4.4 A quais grupos da tabela periódica pertencem respectivamente os elementos cálcio. silício.4.

7 Como se caracterizam os materiais metálicos? 4.4.10 Como se caracterizam os materiais compósitos? 27 .6 A que classe de material um óxido pertence? 4.9 Como se caracterizam os materiais poliméricos? 4.8 Como se caracterizam os materiais cerâmicos? 4.

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