A filosofia de Gilles Deleuze: a imagem do pensamento e os intercessores

Jorge Vasconcellos

O grande tema da filosofia de Gilles Deleuze é o pensamento. O exercício do pensamento e a possibilidade de novas formas de expressão do pensar percorrem toda sua obra. Desde seus textos monográficos até as obras derradeiras, Deleuze parece propor-nos duas questões: o que é o pensamento?; em que medida é possível dar ao pensamento novos meios de expressão? Por intermédio do tema do pensamento apresentaremos a filosofia de deleuziana, especialmente suas relações com a não-filosofia, isto é, a ciência e a arte, especialmente esta última. Formularíamos ainda esta questão de outro modo: como o universo extra-filosófico, pode levar-nos a compreender a filosofia deleuziana em seu exercício de criação de conceitos e constituição de problemas, que vê como principal tarefa de uma nova imagem do pensamento retirar a filosofia da imobilidade em que esta se encontraria colocada pela filosofia da representação? O desenvolvimento dessa questão atravessa necessariamente, o problema do pensamento, de suas imagens e de seus modos de expressão. A filosofia de Gilles Deleuze constitui-se como um pensamento diferencial, proposto pelo filósofo como nova imagem do pensamento, também denominada por ele de pensamento sem imagem, ou seja, um pensamento que privilegia a idéia de diferença para instaurar novos ângulos e perspectivas do real. Esta filosofia é um permanente diálogo e uma conjugação entre o filosófico e o não filosófico, e a não-filosofia desempenha um papel preponderante em seu pensamento, não apenas em relação ao estilo de sua escrita, mas fundamentalmente de modo problemático. Isso significa que a não-filosofia é utilizada como linha de fuga em face das armadilhas impostas pela representação clássica. Nesse sentido, mesmo quando Deleuze privilegia em seus textos encontros com filósofos consagrados, estes, por sua vez, sempre estão em uma certa zona cinzenta do cânone. São sempre os que, de uma forma ou de outra, procuraram escapar das grandes armadilhas engendradas pela filosofia da representação, como, por exemplo, os estóicos, Duns Scot, Hume, Espinosa, Leibniz, Nietzsche e Bergson. O que

os caso de pensamento segundo Deleuze. para o filósofo. mas afirmar que tanto a ciência. em última instância. e principalmente. Estamos diante do problema da imagem do pensamento na filosofia de Gilles Deleuze. Não há possibilidade de fazer filosofia. então. explicitar o problema que o levou a inventar esse conceito. importa tornar possível o pensamento. nomeada de nova imagem do pensamento ou pensamento sem imagem. Para entendermos sua filosofia. A clínica: a relação da filosofia com a não-filosofia. a arte e a filosofia são modos de pensar. para Deleuze. fazer história da filosofia é orientar-se no pensamento. deleuzianamente falando. fazer história da filosofia. só faz sentido se ela for problematizada: os problemas e seus conceitos. o problema da imagem do pensamento A obra de Gilles Deleuze compreende um esforço de crítica a um tipo de pensamento designado de “representação” e pode ser entendida como constituição de uma filosofia da “diferença”. Comecemos com o problema da imagem do pensamento. como também. privilegiar a filosofia ou mesmo a nãofilosofia (a arte e a ciência). outra. Para pintarmos o retrato de Deleuze partiremos. sem investir em um duplo campo: a constituição dos problemas e a criação dos conceitos que daí advêm. isto é. A crítica: uma filosofia da diferença que se contrapõe a um pensamento da representação. representativa. não só escolher os conceitos apropriados a fim de servir de porta de entrada à obra de um autor. partiremos de um problema geral e um conceito fundamental para equacionar teoricamente a perspectiva assumida para interpretar sua obra de Gilles Deleuze: trata-se do problema da imagem do pensamento e do conceito de intercessores. da constituição do problema da imagem do pensamento e da gênese da criação do conceito de intercessores. Fazer história da filosofia. Em suma. dogmática. a crítica e a clínica são indissociáveis em Deleuze. Já que. Tanto a crítica à representação quanto a construção de uma filosofia da diferença são duas faces de um mesmo movimento de pensamento. faz-se necessário revelar o problema e clarificar os conceitos. Esse problema aparece na obra de Deleuze sob a forma de uma distinção entre duas imagens do pensamento: uma imagem definida como moral. .importa a Deleuze não é. Para pintar o retrato do filósofo. expressões do pensamento.

subordinou a “diferença” à “identidade”. principalmente. para pensar. isto é. que nos fariam cair no erro. em sua filosofia. todas da década de 1960. Diferença e repetição (de 1968).A filosofia da representação. interesses sensíveis). Essa imagem racionalista. basta pensar “verdadeiramente” para pensar com veracidade – a natureza reta do pensamento. paixões. O pensamento não pensa sozinho e por si mesmo. que pensar é o exercício natural de uma faculdade. Aristóteles. Sob esse aspecto é possível destacar três obras. precisamos apenas de um método. Deleuze apresenta as três teses essenciais que constituem a imagem dogmática do pensamento. A terceira nos diz que. a adesão ao senso comum. como também não é perturbado por forças que lhe permaneceriam exteriores. desde Sócrates. Deleuze propõe ler a história da filosofia a contrapelo. um método que nos faça pensar bem e verdadeiramente. Ainda segundo Deleuze. a tarefa da filosofia. Pensar não é o exercício natural de uma faculdade. A reversão dessa imagem dogmática do pensamento é. destacando o papel dos filósofos e das correntes filosóficas que se contrapunham ao socrático-platonismo e ao pensamento aristotélico: são os filósofos da diferença. é . Grupo do qual nosso filósofo faz parte. reverteu essa imagem moral do pensamento e propôs uma nova imagem ao introduzir as noções de sentido e valor no exercício do pensar. favorecendo os processos de recognição. como pensador. o a priori dos conceitos. quer e ama o verdadeiro – a veracidade do pensador. A primeira nos diz que o pensador. tomar o falso pelo verdadeiro – o erro como efeito das forças externas a se oporem ao pensamento. Platão e. segundo Deleuze. Pensar depende necessariamente das forças que se apoderam do pensamento. Em Proust e os signos. o bom senso universalmente compartilhado. foi aquela que. que o pensamento possui formalmente o verdadeiro – o inatismo da idéia. Nietzsche. para Deleuze. Proust e os signos (de 1964). em que o problema é especialmente elaborado: Nietzsche e a filosofia (publicado em 1962). Em Nietzsche e a filosofia. Deleuze analisa o tema do tempo na Recherche du temps perdu e apresenta a imagem dogmática do pensamento como uma imagem racionalista da filosofia. que pode também ser chamada de moral e representativa. A segunda tese nos diz que somos desviados do verdadeiro por forças estranhas ao pensamento (corpo.

quer o verdadeiro. contrapõe uma nova imagem do pensamento.93). 96) Essa gênese deve implicar alguma coisa que violente o pensamento. O segundo supõe que o bom senso e o senso comum apresentam o pensamento como uma potência compartilhada por todos os homens de modo natural. O signo é objeto de um encontro. 1976. o pensador como pensador. de suas abstrações. interpretar. mas é precisamente a contingência do encontro que garante a necessidade daquilo que ele faz pensar.constituída de pressupostos. que o retire de seu natural estupor. O pensamento possui formalmente o verdadeiro e o quer materialmente. decifrar. o pensamento é apresentado como exercício natural de uma faculdade: há uma boa vontade do pensador e uma natureza reta do pensamento. procura naturalmente o verdadeiro. além disso. os quais retomam o que Deleuze já havia trabalhado em Nietzsche e a filosofia: “O filósofo pressupõe de bom grado que o espírito como espírito. O primeiro postulado é o princípio Cogitatio natura universalis. a qual está implícita no pensamento conceitual filosófico. Os encontros têm como objeto o signo. que terá como maior característica a relação entre as forças externas que fazem o pensamento sair de sua imobilidade. é sofrer a ação de forças externas que o mobilizem. Nesse postulado. a única criação verdadeira. desenvolver. Pensar é romper com a passividade. ama ou deseja o que é verdadeiro. traduzir signos. O livro apresenta quatro postulados da imagem do pensamento.” (Deleuze. Ele antecipadamente se confere uma boa vontade de pensar. Deleuze apresenta as relações entre signos. 1976. . na leitura deleuziana. Dito de outro modo. Pensar é. intercessões.” (Deleuze. O ato de pensar não decorre de uma simples possibilidade natural. pensar é explicar. o tema deleuziano da imagem do pensamento é elaborado com base no problema dos pressupostos em filosofia. de sua imobilidade. pensamento e criação: “O que nos força a pensar é o signo. p. ao contrário. provocando encontros. Em Diferença e repetição. Na nova imagem do pensamento desenvolvida em Proust e os signos. À imagem racionalista da filosofia. da imagem dogmática do pensamento. Proust. A criação é a gênese do ato de pensar no próprio pensamento. p. ele é.

Esta é a imagem moral ou dogmática do pensamento. Pensar é garantir ao pensamento sua possibilidade mais radical: criar conceitos. a única a tirá-lo de seu estupor natural ou de sua eterna . os conceitos designam tão-somente possibilidades. isto é. de uma violência original feita ao pensamento. Deleuze mesmo nos diz. imaginado. ao semelhante. Deleuze faz fulgurar o tema da imagem do pensamento e as possibilidades para o exercício do pensar. ao análogo e ao oposto . a oposição na determinação do conceito.)”. Como vimos. ancorados em um plano de imanência. lembrado. a semelhança no objeto. O quarto postulado nos diz que os elementos da representação têm. em relação aos conceitos e à impossível docilidade da prática do pensamento: “Na verdade. (Deleuze. Os quatro postulados da imagem dogmática ou moral do pensamento retomam em Diferença e repetição o que Deleuze já havia desenvolvido em Nietzsche e a filosofia e em Proust e os signos. tocado.. que nada mais é que romper os pressupostos da representação e diluir seus principais elementos. fazer alianças com o extra-filosófico e produzir uma violenta onda de forças que nos faça pensar. retirá-lo de sua imobilidade. p. Essa imagem que está em afinidade com o verdadeiro pressupõe que nós já pensamos.221) Deleuze apresenta a imagem dogmática do pensamento fundada sobre o modelo recognitivo. basta nos abrirmos aos problemas para que as soluções venham a aparecer. o qual coloca a identidade do “Eu Penso” na concordância de todas as faculdades e seu acordo na forma de um objeto suposto como sendo o Mesmo.Partindo do ideal do senso comum. Em toda sua obra. de toda a filosofia do porvir. que nada precisamos fazer para pensar. de uma estranheza. isto é. tirada do senso comum. Deleuze nos alerta para a existência de uma imagem do pensamento que é pré-filosófica e natural. a analogia no juízo. garantindo a unidade de todas as faculdades. o “Eu Penso”. livre e espontaneamente. Conceitos que possam. Há uma quádrupla sujeição desse princípio: ao idêntico.que são definidos pelos elementos gerais da representação: a identidade no conceito.. deve ser aquela de colocar movimento no pensamento. de uma inimizade. que seria a da necessidade absoluta. A tarefa da filosofia. como princípio geral. Falta-lhes uma garra. concebido (. Deleuze apresenta o terceiro postulado da imagem do pensamento: o modelo da recognição que “se define pelo exercício concordante de todas as faculdades sobre um objeto suposto como sendo o mesmo: é o mesmo objeto que pode ser visto. 1988.

” (Deleuze. a fim de elevar e instalar a necessidade absoluta de um ato de pensar. plantas. melhor dizendo de intercessores. coagido no pensamento. Não se trata de dizer que os . tudo parte de uma misosofia.possibilidade: tanto quanto só há pensamento involuntário. p. animados ou inanimados. ele é o que propicia condições de resolução do problema colocado: a imagem do pensamento. Podem ser pessoas – para um filósofo. isto é. ao contrário. Sem eles não há pensamento: “O essencial são os intercessores.230) E Deleuze continua. para um cientista. por arrombamento. com mais forte razão é absolutamente necessário que ele nasça. suscitado. Os intercessores se fazem em qualquer encontro que possibilita ao pensamento sair de sua imobilidade natural. O que é primeiro no pensamento é o arrombamento. 1988.” (Deleuze. e nada supõe a Filosofia. gênese do ato de pensar no próprio pensamento. apontando para as condições de uma verdadeira crítica e para uma boa clínica em filosofia. pois a única referência explícita se encontra no trecho acima. artistas ou cientistas.” (Deleuze. Sem os intercessores não há criação. pelo combate à imagem dogmática ou moral e pela construção de uma nova imagem do pensamento: “As condições de uma verdadeira crítica e de uma verdadeira criação são as mesmas: destruição da imagem de um pensamento que pressupõe a si própria. A criação são os intercessores. filósofos ou artistas – mas também coisas. Não contemos com o pensamento para fundar a necessidade relativa do que ele pensa. Os intercessores atuam no plano de imanência da filosofia deleuziana como um conceito. do fortuito no mundo. de seu estupor. 1988. necessariamente. com a contingência de um encontro com aquilo que força a pensar. essa noção é fundamental para dar conta do método e do pensamento deleuzianos.230-231). é preciso fabricar seus próprios intercessores. p. até animais. como em Castañeda. é o inimigo. contemos. 1992. o que passa.156) Embora Deleuze não tenha desenvolvido em artigo ou texto a noção de intercessor. a violência. p. Fictícios ou reais. o conceito de intercessores A clínica na obra de Gilles Deleuze pode ser pensada a partir da idéia de intercessor. de uma paixão de pensar.

não é uma torrente de enunciados. que já não são mais pré-filosóficos como o plano de imanência. ele possui componentes. O procedimento deleuziano de reivindicar literatos. Os intercessores são um conceito da filosofia de Gilles Deleuze. Isso porque. é desenvolvida uma zona de vizinhança necessária com outros conceitos. Um conceito é formado por uma multiplicidade de elementos. isto é. Em quarto lugar. um incorporal no sentido estóico. por sua vez. mas pró-filosóficos. no habitat do conceito – seu plano de imanência –. segundo Deleuze. Em terceiro lugar. O que é então o conceito? A ferramenta do filosofar. mas não só. mas de mostrar sua importância. Os livros sobre a arte cinematográfica liberaram conceitos de ordem filosófica para pensar o cinema. A literatura. músicos e artistas em geral como intercessores de seu pensamento é um dos mais marcantes preceitos de sua . constituem conceitos estritamente filosóficos. que é seu habitat. apesar de eles constituírem-se como tal. ele é um ato de pensamento. cada conceito deve ser considerado como o ponto de coincidência. Quando Deleuze se propôs a discutir com base em saberes não estritamente filosóficos. que. em suas personificações conceituais (os personagens conceituais). o conceito não é discursivo. estabelecendo uma relação de composição em rede: é o devir do conceito. não há um conceito simples. um conceito pode ser definido valendo-se de cinco características. e os próprios conceitos. poetas. Em primeiro lugar. ele opera sobre o plano a partir das condições que o problema em questão lhe impõe. o conceito congrega em si o nível absoluto e relativo ao plano do qual se delimita e aos problemas que se supõe resolver. O recurso da utilização do conceito de intercessores se aplica às suas análises sobre o cinema. escritores. apesar da presença de enunciações em sua forma “linguageira”. e estão presentes em seus três elementos: no plano de imanência. Por último. de condensação ou de acumulação de seus próprios componentes: os conceitos organizam-se ordenadamente de modo intensivo. reciprocamente. fugindo das facilidades da compreensão da tentação da extensão.intercessores são apenas alianças. o que estava em jogo eram questões e problemas de orientação filosófica. por isso. isso porque ele não encadeia proposições. o teatro e a pintura também podem ser identificados como intercessores da filosofia da diferença. Em segundo lugar. encontros. o instrumento da filosofia.

valendo-se de questões e problemas colocados por seus próprios domínios. de torções e conjunções com um grupo de filósofos (quase sempre filósofos que ficaram esquecidos na cartografia hegemônica da história da filosofia: estóicos. O conceito de intercessor é fundamental na démarche. quando um filósofo como Deleuze aproxima-se da literatura anglo-americana de um de um Scott Fitzgerald o que está em jogo é a idéia de trágico. O papel do filósofo é de outra natureza. sua colaboração com Carmelo Bene (publicado em 1979). megários. e os livros sobre o cinema (de 1983 e 1985) apontam firmemente nessa direção. 1977). Duns Scot. a arte e a ciência) (Deleuze e Guattari. Isto sem falar na obra dedicada a Leibniz e ao Barroco (Deleuze. comunicação (um jogo de intersubjetividade). pois em Deleuze a questão fundamental do pensamento é a criação. de intercessões com saberes não filosóficos (a literatura. pensar é fazer o novo. mas os conceitos que estas liberam à filosofia. pensar é inverter o caminho habitual da vida. isto é no seu percurso teórico da filosofia deleuziana. É por meio dele que podemos relacionar filosofia e arte. é tornar novamente o pensamento possível. essa criação de conceitos se faz valendo-se de apropriações de conceitos de outrem (um filósofo é um bom ladrão de idéias). criação de conceitos e invenção de imagens. deparamos com o problema das relações entre tempo e verdade. 1991). Esses artistas ou cientistas pensam por si. 1992). a investigação acerca de uma lógica das sensações com base na pintura de Francis Bacon (publicado em 1981). ou mesmo reflexão (uma reflexão metódica sobre um objeto determinado) – filosofar é criar conceitos. assim como um matemático não necessita recorrer à filosofia para problematizar questões que são próprias da matemática. na tentativa de pensar um teatro e uma filosofia do menos.filosofia. O que o caracteriza e o diferencia de outros criadores é o fato de ele ser um inventor de conceitos. Em todas essas imbricações da filosofia com domínios extra-filosóficos o que importa fundamentalmente não são as análises que o filósofo empreendeu sobre as obras ou as artes em questão. Sendo assim. . Fitzgerald e Borges são intercessores à filosofia de Deleuze. Spinoza ou Nietzsche). Pensar é produzir idéias. 1987) e Kafka (Deleuze e Guattari. Assim. seus livros sobre as literaturas de Proust (Deleuze. ou mesmo de um escritor como Jorge Luis Borges. Em Deleuze. A filosofia dentro dessa perspectiva não é contemplação (o caminho em direção à idéia). Deleuze mesmo o diz que um pintor não precisa de um filósofo para pensar sobre a pintura.

A tarefa da filosofia tampouco é a contemplação do mundo ou das idéias. O cinema. criados pelos artistas. é de idéias que tratam suas criações. A idéia não é dada. eles mesmos devem fazê-lo. a idéia da arte são blocos de afectos e perceptos. Assim como os cineastas não precisam dos filósofos para refletir sobre o cinema. O filósofo é um inventor de conceitos. É interessante demarcar alguns pontos para entendermos melhor a relação entre criação e idéia em Deleuze. De um cineasta a um matemático. A tarefa da filosofia é criar conceitos. antes de mais nada. a mesma no sentido platônico ou do pensamento da representação. Deleuze nos diz que a criação depende de uma idéia. o plano de referência da ciência e o plano de imanência da filosofia. Em primeiro lugar. não é uma precondição espontânea de uma faculdade. idéias. diz que a filosofia não é uma reflexão. blocos de sensações. Exemplificando: a idéia da filosofia são os conceitos criados pelos filósofos. Em segundo lugar. não é. em especial. menos ainda a contemplação do mundo das idéias. Nessa relação que se estabelecem os planos fundamentais do pensamento: o plano de composição da arte. a idéia da matemática são as funções inventadas pelos matemáticos. passando por um filósofo. .A noção de idéia para Deleuze. um matemático não precisa de ninguém para pensar por ele o que é a matemática. Os criadores criam. além de não se prestar à informação ou à comunicação. obviamente. cria blocos de movimento/duração. contudo.

Jorge. Nietzsche e a filosofia. Rio. Deleuze e o Cinema. de Luiz Orlandi e Roberto Machado. ______ e GUATTARI. Rio de Janeiro: Graal.referências bibliográficas DELEUZE. de Ruth Joffily Dias e Edmundo Fernandes Dias. 1992. 2010. ______. VASCONCELLOS. de Bento Prado Jr. Rio de Janeiro: Editora Ciência Moderna. de Peter Pál Pelbart. Guilherme. Arte. Conversações (1972-1990). Diferença e repetição. VASCONCELLOS. Rio de Janeiro: Editora 34. Jorge & CASTELO BRANCO. 1992. 1988. Félix. Rio de Janeiro: Ed. ______. O que é a filosofia?. 2006. Rio de Janeiro: Editora 34. br. Vida e Política: ensaios sobre Foucault e Deleuze. tr. br. tr. e Alberto Alonso Muñoz. br. Rio: Edições LCV-SR3/UERJ. br. tr. tr. 1976. Gilles. .

Sobre o autor Jorge Vasconcellos é doutor em Filosofia/UFRJ. Professor Da UFF. .

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