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Aula Oito Produção Executiva
Produção Executiva – financiamento - leis de incentivo – televisão - acordos de co-produção – orçamento - características técnicas - alguns aspectos orçamentário.

Produção Executiva: conceito
A Produção Executiva é exercida pelo Produtor-Executivo e sua equipe de assistentes. Ela consiste basicamente no chamado trabalho de escritório. A realização de um filme envolve uma imensa quantidade de tarefas burocráticas e administrativas relativas a dois aspectos importantes da produção de qualquer filme, seja ele um modesto curta-metragem ou uma super-produção:

- Organização administrativa:

diz respeito ao trabalho de sistematizar a execução da produção, o que envolve organizar de forma eficaz a infinidade de informações e dados que os diversos setores necessitam levantar e ter à mão para a execução de suas tarefas específicas. Todo este trabalho se faz em papel, como os orçamentos e as listas de dados e requisitos de cada setor que são processados pela produção executiva. Há um trânsito de informações permanente entre os vários setores que cabe à produção executiva organizar.

- Oficialização: consiste na legalização da produção e diz respeito a todos
os atos, a maioria dos quais de caráter legal e jurídico, que precisam ser executados para que a produção possa vir a ser reconhecida oficialmente pelo poder público e por terceiros. Ou seja, para que o filme possa vir a “existir” oficialmente. Estas medidas visam principalmente a resguardar os direitos da produção, dos autores e dos técnicos, o que exige, em contrapartida, que a produção cumpra com os deveres que lhe cabem junto aos diversos órgãos públicos e privados, como empresas, sindicatos, bancos, ministérios federais, juizado de menores, polícia e outros. Os contratos assinados com entidades patrocinadoras, técnicos, atores, fornecedores de equipamentos e serviços também representam uma parte considerável do trabalho da produção-executiva. Ela cuida das

receitas

(entradas de dinheiro) e das despesas (saídas de dinheiro) da produção, envolvendo negociações que têm implicações econômicas para o filme. Tudo é regulado através de acordos e contratos que podem ser feitos “de boca”, para coisas pouco importantes e rápidas, (mas assim mesmo os acordos de boca devem ser evitados), ou através de troca de cartas e elaborados e complexos contratos que devem contar com assessoria

jurídica especializada.

que é como se chamam os técnicos. na medida em que todas as despesas precisam ser comprovadas perante o Banco Central. A vida e a exploração futura de um filme são determinados pelos contratos que durante a produção se assinam. Assim. Uma vez assinados. isto é. É necessário que eles sejam discutidos e analisados através de sucessivas minutas. que envolvem remessa de dinheiro estrangeiro (divisas). a sua execução deve ser acompanhada pelos produtores para que sejam corretamente cumpridos. por último. A contabilidade do filme é responsabilidade do produtor-executivo. Este trabalho é feito através do controle dos pagamentos para inúmeras pessoas jurídicas (as empresas) e pessoas físicas. O produtor-executivo deve comprovar que todos os recursos previstos nos contratos de co-produção ou patrocínio do filme foram corretamente recebidos e administrados. por fim. Uma das funções de mais importância desempenhadas pela produção-executiva é a de zelar pelo cumprimento dos limites orçamentários do filme. O total dos gastos deve corresponder ao total dos recibos. Como a vigência dos contratos é de longa duração. a empresa produtora precisa ter organização para manter arquivo e registro de todos eles ao longo do tempo. um dos mais importantes fatores para uma boa produção-executiva é a colaboração da assessoria jurídica que deve ser especializada em produção audiovisual e artística. o recibo que comprova que o pagamento foi efetivamente feito. artistas e fornecedores de bens e serviços que recebem em caráter pessoal. O controle das despesas deve ser feito dia-a-dia e de acordo com os orçamentos. isto é. Toda produção-executiva segue religiosamente o princípio de que todo pagamento deve corresponder a um comprovante (recibo) legal e válido perante a Receita Federal (Ministério da Fazenda). surge o chamado “caixa dois”. cujos comprovantes não têm valor perante as autoridades fiscais e portanto podem vir a representar um grande prejuízo para a empresa em termos de impostos e multas. não através de firmas. que em geral se faz acompanhar de uma Fatura e às vêzes de uma Duplicata (que é um título de crédito) e. os comprovantes devem ser organizados segundo os itens constantes dos orçamentos.75 Os contratos são tão importantes que representam um item à parte na produção executiva de um filme. . Isto é particularmente sério nas co-produções internacionais e nos serviços que são contratados no exterior. a organiza dentro da contabilidade geral da firma para fins de declaração à Receita Federal. Os documentos legais comprobatórios de despesas por excelência são a Nota Fiscal (que comprova que o serviço foi executado ou o bem entregue ao comprador). é importante ter em mente que existe uma contabilidade do filme e outra da empresa. Isto exige um acompanhamento diário e atento dos gastos do filme. Caso contrário. Como é evidente. Toda essa documentação é encaminhada ao contador da produção que. que age em nome do produtor.

ao contrário do ditado popular.76 Semanalmente. é o de não se medir esforços. isto é. as cenas com “valor de produção” e que são aquelas de grande espetáculo com muitos figurantes. o que constitui um desastre cujas conseqüências são inacreditavelmente perversas. isto é. em tradução literal. nunca faça hoje o que você pode fazer amanhã. isto é. o que demonstra como a produção-executiva e a produção em geral são uma arte de unir opostos ou. o que basicamente significa crédito na praça. Uma questão bastante comum que envolve discussões de caráter artístico e de produção são as referentes às cenas com production-value. uma vez que os recursos financeiros são sempre escassos. Atores famosos e efeitos especiais são também exemplos de fatores de produção que são avaliados em função do productionvalue. muita ação e que por isso mesmo são caras de produzir. . que são aspectos que. de um lado. o diretor de produção e os demais membros da equipe. Na produção-executiva. de outro. Ganho aqui deve ser entendido sempre como ganho de caráter artístico ou econômico. de dar nó em pingo d’água. o que requer capacidade de análise atenta com competência. senão. está presente na administração de qualquer atividade e que significa que o custo de algo deve sempre ser medido em função dos ganhos e gastos que acarretará para a produção. enquanto o produtor as considera do ponto de vista das vantagens que elas podem trazer para o sucesso comercial do filme. se quisermo. que. junto a bancos e fornecedores. A isto chama-se botar o filme na lata. experiência e serenidade. a chave. O primeiro requisito para se bem negociar é a capacidade de determinação de prioridades. Um deles é o critério do custo-benefício. de um bom trabalho de equipe reside na capacidade de negociação com o outro. administra a utilização desses recursos de forma a atender às prioridades da produção com vistas a que. O diretor as avalia em função dos seus atributos de significado artístico. Os estouros de orçamento são em geral a principal causa das paralisações da produção. além de profissionais de cinema. mas que sem dúvida minimiza os piores efeitos da paralização de um filme. você estará deixando de fazer hoje o que somente hoje pode e deve ser feito. ela não corra o risco de interromper-se e. que não é de modo algum recomendável. para terminar a etapa da produção. se opõem. Todos dependem de todos entre si e de terceiros. de uma maneira geral. Uma tática muito empregada. em geral. Por isso é importante que os produtores. Assim. Ou seja. tenham empresas com solidez econômica. inclusive com o produtor contraindo empréstimos. num trabalho de permanente negociação com o produtor. simplesmente porque. sejam empresários. deve-se dar um quadro da situação do orçamento para o produtor a fim de que se evitem os chamados estouros de orçamento. alguns pressupostos e algumas condições de praxe se verificam. as intenções artísticas não se prejudiquem. o produtorexecutivo. Talvez em nenhum outro setor da produção de um filme se sinta como o segredo. da filmagem.

isto é. quando possível. em geral nos setores da “pesada” e que são remunerados de acordo com as tabelas sindicais.77 Na maioria das produções. Enquanto não tivermos uma indústria forte e capitalizada é inútil esperar que as relações entre o capital e o trabalho. A maioria dos profissionais aceita esse sistema com exceção dos técnicos que exercem funções menos qualificadas. Bons produtores e diretores são os que sabem encontrar bons profissionais entre os que não estejam naquele momento empregados e constantemente solicitados. mas limitado apenas a duas semanas de prestação de serviços. Em geral. os produtores não são proprietários dos bens e equipamentos que utilizam na produção do filme. aceito pelo Sindicato dos Técnicos da Indústria Cinematográfica (STIC). como férias. A maioria dos membros da equipe é constituída de artistas e trabalhadores free-lance. isto é. praticamente a totalidade da mão-de-obra empregada é contratada temporariamente pelo período da produção e da execução das tarefas específicas de cada profissional. pago em parcelas ou de cachês pagos por semanas ou dias de filmagem. estabelecendo acordos de firma para firma. contratando técnicos como Pessoas Jurídicas. De . exame criterioso das circunstâncias de cada uma. o que exige precisão na avaliação das tarefas a serem executadas para que não se contrate gente antes ou além do tempo exigido para o seu cumprimento. Estar atento a ambas as realidades. Todas essas participações quer de técnicos quer de elenco se traduzem no plano jurídico em contratos que abrangem todo o período de filmagem mediante o pagamento de um salário único. que é um processo mais simples. procura-se trabalhar com as mesmas equipes. se empresarie. não há como impedir que um técnico que adquira a capacidade de barganha de estabelecer sua remuneração em função de seu nome no mercado. se resolvam satisfatoriamente. opte por ser contratado como Pessoa Jurídica em lugar de como Profissional Autônomo. Por um lado é importante que a lei ampare os direitos dos técnicos e trabalhadores da indústria. entre patrões e empregados. como tantas outras. por outro. descontos para a previdência. exceto aquelas empreendidas por grandes produtoras. 13º salário. aviso prévio e pagamento de horas extras. os mais bem "cotados" na praça. As produtoras preferem contratar os profissionais como Pessoas Jurídicas. e respeitando as disposições sindicais para a contratação dos técnicos como autônomos. isto é. conhecidos como “frilas”. A contratação da equipe é feita pelo produtor e pelo diretor que recebem sugestões dos profissionais já contratados. quando necessário. A permanente taxa de desemprego no setor gera a situação de só os melhores trabalharem sempre. Da mesma forma. Isto é feito para fugir da burocracia e do chamado vínculo empregatício que envolve obrigações trabalhistas. Existe ainda o sistema de contratação através das chamadas Notas Contratuais. A questão sindical e trabalhista na indústria cinematográfica e na produção de vídeos no Brasil ainda está para ser equacionada adequadamente em função das características da produção em nosso país. é uma dentre as muitas atribuições do Produtor Executivo que requer. como ocorre no caso dos pequenos papeis.

principalmente os de baixo orçamento. como se diz. Financiamento: Como qualquer atividade econômica empresarial e profissionalmente estruturada. O financiamento pode ser privado ou público. Ela vem permitindo desde a sua criação em 1992 que os filmes brasileiros. O princípio dessas leis. e a Lei do Audiovisual. consiste em permitir que as pessoas físicas e jurídicas apliquem uma certa porcentagem dos impostos devidos em projetos culturais. mas rarissimamente dinheiro vivo. As federais são a Lei Rouanet.C. a aparição de um simples figurante constitui sempre uma relação contratual a partir da necessidade da formalização de uma cessão de uso de imagem.S. nacionais e estrangeiras que constituem a maioria dos investidores que as utilizam. No Brasil. que se destina especificamente aos projetos cinematográficos.). em princípio.S. Como empresa distribuidora. investe seu próprio capital financeiro na produção. São Paulo e Bahia. As leis municipais permitem dedução do Imposto sobre Serviços (I.78 qualquer forma. Por isso é necessário. Na cidade do Rio de Janeiro. assim como algum equipamento e serviços. Investe-se trabalho. que beneficia projetos culturais de uma maneira geral. uma empresa ou um capitalista investe dinheiro no filme ou os recursos financeiros advêm de um programa governamental de apoio à cultura ou à produção cinematográfica. que é uma empresa distribuidora de filmes nacionais e que foi criada para suprir em parte a lacuna que a extinção da Embrafilme deixou. o sistema usual vigente é o da captação dos recursos através da leis de incentivo fiscal que são de três tipos: federais. O inconveniente das leis de incentivo fiscal é que as grandes empresas públicas e privadas. existe a Rio-Filme. é “levantado na praça”. tal como ocorria até 1990 quando o governo Collor extinguiu a Embrafilme. a produção cinematográfica e audiovisual no Brasil se financia com recursos de terceiros. ela .M. nenhum produtor. O financiamento.). estaduais e municipais. em geral tendem a dirigir seus investimentos para projetos que atendem a seus interesses de marketing. que em outros países chama-se sistema de mecenato. Uma outra modalidade de financiamento da produção cinematográfica é o da aplicação de um percentual do imposto de renda das empresas distribuidoras estrangeiras na produção de filmes nacionais. como Rio de Janeiro. que o Estado tenha programas de fomento ao cinema que prevejam investimentos diretos na produção.S. isto é. têm para amparo de projetos culturais e cujos recursos advêm do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (I. e muito. nenhuma empresa. como ocorre nos países da União Européia e da América Latina. modalidade esta prevista na Lei do Audiovisual (Art 3º). As estaduais são as leis que os Estados. Seus recursos se originam do Imposto de Renda que é como se sabe um tributo federal. isto é. sejam minimamente distribuídos e levados ao público.

que nos são oferecidos sob o pretexto de que é isso o que se paga aos filmes americanos. que nas pouquíssimas ocasiões em que filmes brasileiros são exibidos nas redes nacionais têm quase sempre alcançado. é o divórcio que existe entre o cinema e a televisão. comprovados pelos números do IBOPE. exatamente pelo caráter popular do público dessas redes. deram origem ao que se chamou de Nova Política de Cinema. O Brasil é o único país do mundo onde o Estado não mediou compromissos da televisão com o cinema. em Porto Alegre. em junho de 2000: Em todo o mundo. a Rio-Filme recebe uma comissão de distribuição sobre a renda do filme..Conselho Superior de Cinema . Os III e o IV Congressos Brasileiros de Cinema. e. a crescente importância da internet e o futuro digital. professores. durante a produção. o dvd. atores. com a participação de sete ministros de Estado e de cinco representantes do setor. . sobretudo as televisões aberta e a cabo. à disposição de todos . respectivamente. o laserdisc. a televisão se desenvolveu estabelecendo. núcleos prósperos da economia do audiovisual e da publicidade. se não o maior. distribuidores.em 2001.. Um dos grandes problemas do cinema brasileiro. críticos e organizadores de festivais. diretores. além disso. é comum exigir a amortização da quantia referente ao adiantamento sobre a distribuição antes dos produtores receberem a parte deles. em geral de 20% e. aliás. através de legislação específica. realizados. mas também o homevideo. no Rio de Janeiro. as inúmeras formas alternativas de difusão que conhecemos hoje. em 2000. exibidores. em contrapartida. de um modo geral. pesquisadores.79 opera através de uma modalidade de financiamento à produção conhecida como adiantamento sobre a distribuição.órgão colegiado. no Brasil. apenas cerca de 25% da receita total de um filme vem de sua renda nas salas de exibição. sólidos vínculos com o cinema que hoje tem nas emissoras a principal base de sustentação de sua estrutura de funcionamento. nossos filmes estão condenados a apenas aqueles 25% de sua renda potencial. pela distribuição do filme. Os outros 75% são realizados nos chamados mercados ancilares. Nos países do primeiro mundo. Vejam o que disse o cineasta Cacá Diegues. somos obrigados a aceitar preços vis e humilhantes. Quando raramente nos dão a oportunidade desse acesso. Registre-se. Como distribuidora. através de 40 entidades. índices de audiência impressionantes. que tem como competência definir a política nacional do cinema e aprovar diretrizes a serem executadas pela Agência Nacional de Cinema (ANCINE). que consiste na liberação aos produtores de recursos financeiros previamente ao término do filme. técnicos. com a representação de todos os segmentos da atividade cinematográfica: produtores. Mas. num depoimento à Comissão de Cinema do Senado Federal. com a qual foram criados os: . já que os mercados ancilares estão todos neutralizados pela ausência de consumo popular e não temos acesso às televisões aberta e a cabo. isto é.

dizendo quanto deve ser a porcentagem máxima e mínima do produtor majoritário e do produtor minoritário. levando em consideração tanto a visão . elementos são fundamentais para que se possa desencadear uma produção: o roteiro e o orçamento. Acordos de Co-produção: Outra forma de financiamento às produções cinematográficas muito utilizada em todo o mundo. Esses acordos estabelecem condições para que produtores de dois ou mais países se unam para produzir filmes. a começar pelo esquema de captação dos recursos. Orçamento: A feitura do orçamento. com preços. Mas não se pense que o orçamento se limita a ser uma simples itemização de bens. o orçamento é o filme em números. isto é. o produtor majoritário é o do país da nacionalidade do diretor. como se verá. os completion-bonds ou garanties-de-bon-fin que prevêm o pagamento de um seguro que garanta o término da produção no caso de eventuais problemas que ameacem a paralisação da produção. na medida em que é a partir daí que ele traça as linhas da política de produção. Com isso o filme pode se beneficiar das leis de proteção ao cinema em cada um dos países diversificando fontes de recursos e mercados de exibição. lado a lado. em termos de custos. é a decorrente dos Acordos Internacionais de Co-produção. é uma das etapas mais complexas e críticas da produção. isto é. mas infelizmente ainda pouco praticada entre nós. Montar um orçamento é uma tarefa técnica na qual o produtorexecutivo é assessorado por outros técnicos para fins de determinar os preços. Da mesma forma que o roteiro é o filme em palavras. o cálculo de quanto o filme vai custar. diz respeito ao produtor. o custo dos vários itens e sub-itens necessários à realização do filme. Em geral. O Brasil mantém acordos de coprodução com inúmeros países do mundo. ao longo da produção. equipamentos e serviços. cujo total representaria o custo do filme. inicialmente.80 . Daí ser necessário que o produtor-executivo ao elaborar o orçamento seja capaz de interpretar o roteiro. Os sistemas de co-produções cinematográficas internacionais exigem um alto grau de especialização da produção em virtude da complexidade de seus instrumentos e funcionamento. como as exigências de utilização de seguros de produção. Esta é uma tarefa por excelência da produção-executiva e que. Sua função é adequar as intenções criativas do diretor aos tetos de recursos materiais postos à disposição da produção pelo produtor. A mais importante característica dos filmes feitos em regime de coprodução é que os filmes adquirem o estatuto de dupla nacionalidade. regulação e fiscalização da indústria cinematográfica e videofonográfica nacional. Na verdade. ambos Dois mantêm uma relação estreita e ambos caminham.Agência Nacional de Cinema – ANCINE: órgão de fomento.

isto é. Um bom orçamento deve ser um instrumento para garantir esses pressupostos. etapa que significa “por o filme na lata”.81 do diretor quanto do produtor. Ao se fazer o orçamento de um filme. o que significa pela cotação da praça. compreendendo os aspectos criativos e materiais. mas apenas a título de aperfeiçoamento do que praticamos porque. e os demais. significando literalmente os custos acima e abaixo da “linha”. como de resto tudo num filme. o que se traduz margem de risco custo/benefício. suscetíveis de avaliação objetiva. A realização de um filme. como se frisou. existem determinadas praxes que se desenvolvem a partir de cada universo de produção cinematográfica. Nos cinemas industriais. como por exemplo. inventado pelos americanos. o quanto se terá que pagar para utilizálos. Aqui. dependendo para sua avaliação de critérios subjetivos e relativos. devemos relacionar os itens e quantidades necessários para a produção do filme. O orçamento. Tudo deve ser feito para que esse processo não saia de controle mas o esforço nesse sentido não deve tolher o pleno aproveitamento criativo do diretor e da sua equipe enquanto artistas e criadores. “linha” significaria uma divisão entre aqueles itens que têm um custo indeterminável por fatores objetivos. fazer um orçamento não é a mesma coisa que fazer uma lista de compras. deve levar em conta fatores diversos dos que consideramos quando levantamos os custos da pos-produção. na medida em que. consiste em dividir os custos em above the line e below the line. pode-se dizer que ele tenha um peso efetivo maior. na prática. tende a modificar-se ao longo da produção. os below the line. Da mesma forma. isto é. busca-se o máximo de controle do processo de produção. Above the line seriam o . Por exemplo. é uma interpretação de uma dada realidade. o salário de uma atriz de grande popularidade ou os direitos autorais de um livros de grande sucesso. o orçamento tende a ser relativizado. como já se disse. é interessante se conhecer como se faz um orçamento na França ou nos Estados Unidos. cada país desenvolve seus próprios modelos que refletem as condições econômicas e de produção do país. analisar o item elenco exige determinado tipo de consideração diverso da análise do item material de câmera ou cenografia. segundo critérios de mercado. Nas cinematografias independentes e artesanais que nos caracterizam. Assim. em diminuir a e aumentar a relação Um conceito preliminar de técnica orçamentária. Mas. a primeira preocupação deve ser com a composição do orçamento. é um processo. o cálculo dos custos da produção. Na montagem de um orçamento. Em segundo lugar. repetimos. assim como muitas vêzes o próprio roteiro que o acompanha. que envolve infinitas operações que consomem tempo e dinheiro em grandes quantidades. que são os above the line. Cada item deve ser analisado em função de determinados aspectos específicos de cada um. Em tudo. atribuemse valores a esses itens e sub-itens.

82 produtor. pagamento de royalties e direitos autorais. vídeo analógico ou digital. compra de materiais de consumo. Below the line seria o restante dos itens. contratação de fornecimento de serviços de energia elétrica. 35mm. isto é. pois há imprevistos em todas as etapas e em todas elas exige-se uma permanente criatividade para se atender às demandas da produção e da criação dentro dos tetos orçamentários e limites de tempo. compra de material virgem de imagem e som. Os elementos constitutivos de um filme são muitos e todos custam dinheiro. dvd. o roteiro. é um dos mais preocupantes fatores que podem desequilibrar todo um cronograma de produção e gastos e por isso mesmo necessita ser especificamente avaliado com cuidado em cada filme. algo que é sempre muito difícil de fazer mesmo para os melhores especialistas. aqueles que não se vêem na tela. contratação de elenco. sem contar os elementos chamados “invisíveis”. Em primeiro lugar.. 16mm. É necessário discutir aspectos como de “production value”. contratação de serviços de seguros. . aluguel de estúdios de filmagem e locações. viagens e estadias. contratação de serviços de transportes. é preciso determinar as chamadas características técnicas do filme: • • • • • documentário ou ficção. o diretor. Os custos de são as seguintes: produção costumam ser divididos em categorias que 1 – Materiais e Serviços: • • • • • • • • • • • aluguel de equipamento de imagem e de som. custos do dinheiro (juros). O tempo meteorológico. Um dos principais atributos do orçamento é a previsão. por exemplo. Como se vê o objetivo é dar competitividade é segurança ao projeto. vídeo. a duração. os atores principais e excepcionalmente algum membro da equipe. formato final: filme 35mm.. contratação de serviços de laboratório e estúdios de pós-produção e som. administração.. contratação de serviços técnicos e de criação artística. como seguros.

pesquisa e edição de som. divulgação e publicidade. . Há sempre detalhes esquecidos e imprevistos que provocam atrasos. ensaios. veículos da empresa (seguros. Não é porém fácil dividir racionalmente os custos administrativos da empresa entre os vários projetos em produção pela simples razão de os cronogramas de produção costumarem variar de filme para filme. roteiro. liberação de royalties. análise técnica. transporte. corte de negativo. O tempo é o item de maior no custo na realização de um filme exatamente por sua característica de ser o único não pode ser recuperado ou reposto. É necessário fazer cálculo de tempo para: que • • • • • • • • • • • • • • • • • pesquisa. manutenção dos prédios. equipe administrativa. Há sempre um excesso de otimismo no cálculo de tempo ou uma subestimação de sua importância. 3 – Custos administrativos (overheads): instalações (aluguel. como de refilmagens ou sucessivas modificação de roteiro.83 2 – T e m p o: Como todas as etapas da realização de um filme envolvem tarefas criativas. correio. edição. luz. argumento e para a discussão do argumento. Há discussões e brainstormings durante as várias etapas que tomam tempo. gás. taxas. manutenção e depreciação). é difícil avaliar a quantidade de tempo que cada uma consumirá. telefone. filmagem e gravação de som. escrever narração. material de escritório. há atrasos na liberação de recursos e etc. e-mail). visionamento dos copiões. É aconselhável manter um registro do tempo para execução de cada tarefa. telecinagens. Os custos administrativos em geral são divididos pelos vários projetos da produtora e o seu cálculo é semanal ou mensal. aprovação da cópia final. letreiros e programação visual inclusive filmagem. É preciso lembrar que há necessidade de repetições. depreciação de bens e equipamentos. mixagem.

o filme revelado. Sem som direto. animais ou eventos aleatórios e incontroláveis. ou 16mm. A ASA do filme (velocidade do filme) também é levada em consideração para fins de custo. por exemplo. ou fita de vídeo (analógica ou digital) Além disso.. é necessário calcular a perda de pontas. como quando se filma com crianças.. geradores etc. • Royalties: são pagos a sociedades arrecadadoras (ECAD) variando se a obra é de fins educativos. em 16mm. Além disso. de edição (ilhas de AVID). se o filme será rodado em película 35mm. • Seguros: é fundamental hoje em dia para a paz de espírito de todos e como precaução econômica. • Viagens e estadias: é vantajoso fazer orçamento em separado deste item pelo alto valor que muitas vezes representam e por certas características específicas do serviço. Em 35mm. publicidade. efetivamente aproveitado ( 2/3:1). É necessário mantê-los em uso com aluguel para produções de terceiros. a . Algumas empresas maiores porém têm equipamentos de câmera (Arri BL 535. será explorada no estrangeiro. por exemplo). de iluminação. Donde o gasto com revelação e serviços de laboratório também aumenta. com som direto.84 Alguns aspectos orçamentários: • Cálculo de material virgem: depende de fatores que necessitam ser determinados. Em 35mm. o que incide no consumo de eletricidade. havendo filme especial para filmagens durante o dia com luz natural (daylight) e para filmagens com luz artificial. se o filme tem sincronismo labial e será filmado com som direto ou não. • Aluguel de equipamentos: a política usual das empresas pequenas é não imobilizar capital em equipamentos por serem de alto custo e necessitarem de permanente reposição tecnológica. se gastam duas vezes e meia mais filme que em 16mm. 120 mts. pode ser calculado em 4/5:1 ou até 8/10:1. Se o filme for gravado em vídeo. o cálculo de filme pode ser de 2 a 3 takes por 1. como poder ser estabelecido com maior precisão que outros itens ou poder ser objeto de patrocínio e descontos. como em certos documentários nos quais o consumo de filme tem que ser necessariamente alto. e a 10 mins. comerciais ou não comerciais. Territórios e tempo são os fatores que fazem diferenciar os custos dos royalties. se consome mais filme por causa da velocidade de funcionamento da câmera. Incide sobre equipamentos. equivale a 3 a 4 mins. em 35mm. o custo de consumo de material virgem é menor porque o vídeo é de custo mais baixo que o filme além de poder ser reaproveitado. Sempre se fazem contratos específicos no tocante ao aluguel dos equipamentos que determinam tempo de utilização e forma de pagamento. institucionais. Se a cópia final será em película (cinema) ou vídeo (televisão). como.

Iluminação. os patrocinadores ou o MinC: o orçamento é parte integrante dos contratos de financiamento da obra. Sub Totais. alimentação. Administração (5 a 10%). documentários.85 produção (completion bond). sendo que a discriminação dos itens da produção deve ser seguida para a organização da prestação de contas ou auditoria. Produção (transporte. produção (2/3 meses). comerciais. Total Geral . que especifica o cronograma de desembolso e de recebimento das parcelas do financiamento do projeto. As taxas de remuneração da produtora são calculadas percentualmente sobre o valor total do orçamento. Seguros. educativos. Total. Encargos Sociais. pos-produção (2/3 meses. • Estrutura do orçamento: pré-produção (3/4 meses). Laboratório de Imagem e Estúdios de Som. Material Sensível (ou virgem). • Ítens: Mão-de-obra (técnica e artística). institucionais. Som. Agenciamento. • Acompanhamento do Custo: o produtor-executivo deve fazer o acompanhamento do gastos da produção em função do orçamento real aprovado. As taxas de lucro se expressam sob a forma de taxas de produção que se diferenciam tratando-se de longas ou curtas-metragens. e está previsto nos contratos de aluguel. A pos-produção deve começar ainda durante a filmagem. comunicação). quanto a produtora ganha. Imprevistos (10%). muitas vezes chegando a 6 meses nos longasmetragens). pessoais (contra acidentes). • Apresentação do orçamento para o cliente. Existem corretores e seguradoras especializadas. • Taxas de Lucro: isto é. Taxa de Produção. Equipamentos de Imagem.