STF julga constitucional a “Lei da Ficha Limpa” - entenda

O Supremo Tribunal Federal julgou hoje (16/02/2012) que a Lei da Ficha Limpa (Lei Complementar n.° 135/2010) é CONSTITUCIONAL. Com a decisão, os dispositivos desta Lei passam a valer para as eleições municipais de outubro deste ano. O resultado da votação foi 7 a 4. Veja como votaram os Ministros: FAVORÁVEIS CONTRÁRIOS à Lei da Ficha Limpa à Lei da Ficha Limpa Min. Luiz Fux (Relator) Min. Dias Toffoli Min. Rosa Weber Min. Gilmar Mendes Min. Cármen Lúcia Min. Celso de Mello Min. Joaquim Barbosa Min. Cezar Peluso. Min. Ricardo Lewandowski Min. Carlos Ayres Britto Min. Marco Aurélio A Lei da Ficha Limpa torna inelegíveis políticos que tenham condenação por determinados crimes, por algumas práticas ilícitas eleitorais ou por ato de improbidade administrativa, em decisão proferida por órgão colegiado (Tribunal de Justiça, Tribunal Regional Federal ou mesmo Tribunal do Júri). Também ficam impedidos de concorrer a cargos públicos eletivos os políticos cassados ou que tenham renunciado para evitar a cassação. A declaração de constitucionalidade da Lei ocorreu no julgamento conjunto de três ações: ADC n. 29: proposta pelo Partido Popular Socialista (PPS) ADC n. 30: proposta pela OAB. ADI n. 4578: proposta pela CNPL (Confederação Nacional dos Profissionais Liberais) O que pediam as ações e o que foi decidido: As duas Ações Declaratórias de Constitucionalidade (ADC) pediam que fosse reconhecida a constitucionalidade integral da Lei. A Ação Direta de Inconstitucionalidade, por sua vez, pugnava pela declaração de inconstitucionalidade do dispositivo da Lei que torna inelegíveis os profissionais que tenham sido excluídos do exercício da profissão por órgão de classe competente (exs: OAB, CREA). O STF julgou procedentes as ADC’s propostas e improcedente a ADI, reconhecendo, assim, a constitucionalidade da Lei na íntegra. Iniciativa popular

A Lei Complementar mencionada pelo § 9º do art. em seu art.. cargo ou emprego na administração direta ou indireta. 14 é a Lei Complementar n.° 64/90.6 milhões de assinaturas. à Lei Orgânica do DF ou à Lei Orgânica do Município (ex: Governador que sofreu impeachment) Pessoa que for condenada em representação eleitoral por abuso do poder econômico ou político. Casos de inelegibilidade disciplinados pela Lei da Ficha Limpa: Não podem ser eleitos para nenhum cargo as pessoas que estiverem nas seguintes situações: Governador (e Vice-Governador) ou Prefeito (e Vice-Prefeito) que. Entenda melhor em que consiste a Lei da Ficha Limpa A Constituição Federal.. que teve como objetivo alterar a LC 64/90. § 9º dispõe que uma Lei Complementar deverá estabelecer casos de inelegibilidade a fim de proteger: a probidade administrativa a moralidade para exercício de mandato considerada a vida pregressa do candidato e a normalidade e legitimidade das eleições contra a influência do poder econômico ou o abuso do exercício de função. 16 da CF/88: Art. . o STF entendeu que não poderia ser aplicada naquele pleito com base no que dispõe o art.A Lei da Ficha Limpa (Lei Complementar 135) foi proposta ao Congresso por iniciativa popular. Inelegibilidade = impossibilidade jurídica de ser candidato. 16. foi aprovada a Lei da Ficha Limpa (LC 135/2010). incluindo novas hipóteses de inelegibilidade para proteger a probidade administrativa e a moralidade no exercício do mandato. Como não entrou em vigor um ano antes das eleições gerais de 2010. Em 2010. Lei não foi aplicada em 2010 A Lei Complementar 135 foi promulgada em 4 de junho de 2010. A inelegibilidade consiste na ausência de capacidade eleitoral passiva. 14. perderam seus cargos eletivos por violação à Constituição Estadual. A lei que alterar o processo eleitoral entrará em vigor na data de sua publicação. não se aplicando à eleição que ocorra até um ano da data de sua vigência. registrando mais de 1.

contra a vida e a dignidade sexual. em tempo de paz.. 142. de lavagem ou ocultação de bens. contra a economia popular. A pessoa condenada por: corrupção eleitoral captação ilícita de sufrágio doação. A pessoa que for declarada indigna do oficialato. . de redução à condição análoga à de escravo. Obs: se a decisão que rejeitou as contas tiver sido suspensa ou anulada pelo Poder Judiciário. 7.. para os quais a lei comine pena privativa de liberdade. que renunciarem a seus mandatos.A pessoa que for condenada pelos seguintes crimes: 1. Deputados ou Vereadores . a fé pública.. terrorismo e hediondos. Obs: segundo a CF/88. praticados por organização criminosa. contra o patrimônio privado. 6. o oficial só perderá o posto e a patente se for julgado indigno do oficialato ou com ele incompatível. III). § 3º. a administração pública e o patrimônio público. de tráfico de entorpecentes e drogas afins. quadrilha ou bando. contra o meio ambiente e a saúde pública. captação ou gastos ilícitos de recursos de campanha ou por conduta vedada aos agentes públicos em campanhas eleitorais que impliquem cassação do registro ou do diploma Presidente da República Governador Prefeito Senadores. de abuso de autoridade.. 5. . que tiverem sido condenados por beneficiarem a si ou a terceiros. ou de tribunal especial. e 10. racismo. 4. Os detentores de cargo na administração pública direta. ou com ele incompatível. tortura.. Administrador público que tiver suas contas rejeitadas por irregularidade insanável que configure ato doloso de improbidade administrativa. 8. Esta inelegibilidade não se aplica aos crimes culposos e àqueles definidos em lei como de menor potencial ofensivo. 9. o mercado de capitais e os previstos na lei que regula a falência. em tempo de guerra (art. 2.. 3. por decisão de tribunal militar de caráter permanente. eleitorais. pelo abuso do poder econômico ou político. o sistema financeiro. nos casos em que houver condenação à perda do cargo ou à inabilitação para o exercício de função pública. indireta ou fundacional. nem aos crimes de ação penal privada. desde o oferecimento de representação ou petição capaz de autorizar a abertura de processo de perda do mandato. não incidirá a inelegibilidade. direitos e valores.

tenham perdido o cargo por sentença ou tenham pedido exoneração ou aposentadoria voluntária na pendência de processo administrativo disciplinar. TRF). Basta que tenha sido proferida por órgão colegiado (exs: TRE. e simula que se divorcia da sua esposa para que esta se candidate ao governo do estado. 14 da CF. Observações importantes sobre as hipóteses de inelegibilidade acima listadas: 1) Não é necessário que a decisão condenatória tenha transitado em julgado. Magistrados e membros do Ministério Público que: foram aposentados compulsoriamente por decisão sancionatória. ficará inelegível por 8 anos. Ex: advogado condenado pelo Tribunal de Ética da OAB. Assim. Pessoa física e os dirigentes de pessoas jurídicas responsáveis por doações eleitorais julgadas ilegais pela Justiça Eleitoral. Ex: marido é governador. Pessoa que for demitida do serviço público em decorrência de processo administrativo ou judicial. Pessoa que for condenada por ter desfeito ou simulado desfazer vínculo conjugal ou de união estável para evitar caracterização de inelegibilidade. por decisão sancionatória do órgão profissional competente. Polêmica porque muitos argumentavam que isso violava o princípio da presunção de inocência. burlando a proibição do § 7º do art.A pessoa que for condenada à suspensão dos direitos políticos por ato doloso de improbidade administrativa que importe lesão ao patrimônio público e enriquecimento ilícito. Inovação porque o trânsito em julgado de uma decisão condenatória criminal demora muito tempo para ocorrer. Ex2: engenheiro condenado pelo CREA. já reeleito. em decorrência de infração ético-profissional. se um prefeito for condenado pelo Tribunal de Justiça por peculato. . 3) Estas inelegibilidades irão perdurar pelo prazo de 8 anos. 2) A desnecessidade de trânsito em julgado é a maior inovação e era a maior polêmica da Lei. contados da decisão. TJ. Pessoa que for excluída do exercício da profissão. ainda que tenha recorrido desta decisão e ainda esteja aguardando o julgamento do recurso. por exemplo. isto quando não acontece antes a extinção do processo pela prescrição. do cumprimento da pena (no caso da condenação criminal) ou do término do mandato.