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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM
ENGENHARIA ELÉTRICA
RETIFICADORES TRIFÁSICOS DE PONTE
COMPLETA CONTROLADOS
André Pires Nóbrega Tahim
Marcos Tadeu Coelho
Prof. Arnaldo Jose Perin
Florianópolis, 15 de abril de 2010.
Sumário
Lista de Figuras iii
Lista de Tabelas iv
Lista de Abreviaturas e Siglas v
Lista de Símbolos vi
1 Introdução 1
1.1 Tiristor . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1
1.1.1 Comutação dos Tiristores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2
1.1.2 Polarização dos Tiristores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2
1.2 Circuitos de Acionamento de Porta (Gate) do Tiristor . . . . . . . . . . . . 3
2 Retificador Controlado de Onda Completa em Ponte (seis-pulsos) 4
2.1 Retificador Conectado a uma Carga Resistiva . . . . . . . . . . . . . . . . 5
2.1.1 Análise do Grupo Positivo (T
1
, T
3
e T
5
) . . . . . . . . . . . . . . . 5
2.1.2 Análise do Grupo Negativo (T
2
, T
4
e T
6
) . . . . . . . . . . . . . . . 6
2.1.3 Análise da Tensão na Carga V
L
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6
2.1.4 Análise da Tensão nos Tiristores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7
2.1.5 Análise da Corrente nos Tiristores . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7
2.1.6 Controle da Tensão Média de Saída . . . . . . . . . . . . . . . . . 8
2.1.7 Correntes do Circuito Retificador Controlado . . . . . . . . . . . . 11
2.2 Retificador Conectado a uma Carga Indutiva (sem diodo de circulação) . . . 14
3 Efeitos da Comutação nos Retificadores Controlados 19
4 Conclusão 23
Referências Bibliográficas 24
Lista de Figuras
1.1 Representação simbólica do tiristor. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1
1.2 Característica volt-ampere de um tiristor. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2
1.3 Circuito simples de disparo de um tiristor. . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3
2.1 Circuito retificador controlado de seis-pulsos em ponte. . . . . . . . . . . . 4
2.2 Ângulo de disparo dos tiristores no circuito retificador de ponte completa. . 5
2.3 Formas de tensão do grupo positivo, negativo e carga. . . . . . . . . . . . . 6
2.4 Tensão sobre o tiristor T
1
em um ciclo de operação. . . . . . . . . . . . . . 8
2.5 Corrente sobre o tiristor T
1
em um ciclo de operação. . . . . . . . . . . . . 9
2.6 Forma de onda de corrente dos tiristores T
1
e T
4
. . . . . . . . . . . . . . . 9
2.7 Forma de onda da corrente de fase i
A
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10
2.8 Tensão de saída V
L
com um ângulo de disparo de 60

. . . . . . . . . . . . . 11
2.9 Tensão de saída V
L
com um ângulo de disparo de 100

. . . . . . . . . . . . 12
2.10 Característica de controle (carga puramente resistiva) . . . . . . . . . . . . 12
2.11 Tensão de saída do retificador com carga RL e α = 45

. . . . . . . . . . . 14
2.12 Tensão de saída do retificador com carga RL e α = 90

. . . . . . . . . . . 15
2.13 Característica de controle de uma carga R (preto) e RL (vermelho). . . . . 16
2.14 Tensão de saída do retificador com carga RL e α = 75

. . . . . . . . . . . 17
2.15 Forma de onda da tensão sobre o tiristor T
1
(α = 75

). . . . . . . . . . . . 17
2.16 Forma de onda da corrente nos tiristores T
1
(em preto) e T
4
(em azul). . . . 18
2.17 Forma de onda da corrente de fase i
A
(α = 75

). . . . . . . . . . . . . . . . 18
3.1 Processo de comutação dos tiristores. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19
3.2 Variação do valor médio de tensão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 21
3.3 Corrente nos tiristores durante a comutação. . . . . . . . . . . . . . . . . . 22
3.4 Circuito equivalente para o conversor. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22
Lista de Tabelas
2.1 Tensão na carga para cada intervalo de chaveamento dos tiristores. . . . . . 7
Lista de Abreviaturas e Siglas
PIV Peak Inverse Voltage
PRV Peak Reverse Voltage
HVDC High Voltage Direct Current
SCR Silicon Controlled Rectifier
CC Corrente Contínua
DC Direct Current
AC Alternating Current
RMS Root Mean Square
KCL Kirchoff Current Law
Lista de Símbolos
α Ângulo de disparo do tiristor
I
F
Forward Current - Corrente direta RMS que o SCR suporta.
I
GT
DC Gate Trigger Current - mínima corrente necessária para mudar o estado
do tiristor do estado não-condutor para o estado condutor
I
H
Holding Current - Corrente mínima para manter o SCR no estado ligado
I
L(rms)
Corrente eficaz de carga (saída)
I
L
Corrente de carga
I
T(avg)
Tensão média no tiristor
R
F
Fator de ondulação
T
i
Tiristor i
t
q
Commutated-Turn-Off-Time
V
A
Tensão de fase A
V
B
Tensão de fase B
V
C
Tensão de fase C
V
KG
Tensão de linha. Tensão formada pela subtração das fases V
K
e V
G
V
L(rms)
Tensão eficaz de carga (saída)
V
L
avg
max
Tensão média máxima da carga
V
L
avg
Tensão média da carga (saída)
V
Linha
Tensão máxima de linha do circuito trifásico
V
L
Tensão de carga
V
n
Tensão normalizada
Capítulo 1
Introdução
Os circuitos trifásicos geralmente são mais adequados quando uma grande quanti-
dade de potência está envolvida. Dessa forma, mesmo as cargas monofásicas de alta potência
em corrente contínua comumente são alimentadas por meio de retificadores trifásicos.
Entre os retificadores trifásicos, o de ponte completa controlado provavelmente é o
mais utilizado conversor de eletrônica de potência para aplicações de média e alta tensão [1].
Tais retificadores obtêm uma tensão Direct Current (DC) com um menor conteúdo harmô-
nico, logo de filtragem mais simples. São largamente utilizados em sistema de transmissão
High Voltage Direct Current (HVDC), carregamento de baterias, processos de eletrólise,
operação de motores DC, fontes de potência controlada, sistemas de iluminação controlada
e equipamentos de tração.
Para analisar a operação dos retificadores de ponte completa controlados, faz-se ne-
cessário compreender como opera o tiristor. Esse é um dispositivo utilizado para o controle
do fluxo de potência para a carga em retificadores completamente controlados.
1.1 Tiristor
Os tiristores são dispositivos semicondutores com capacidade de chaveamento. En-
tre os tiristores mais conhecidos está o Silicon Controlled Rectifier (SCR) [3]:
• O SCR é um dispositivo de três terminais; um anodo, um catodo (como um diodo) e
um terminal adicional de controle ou gate (Fig. 1.1). É capaz de bloquear corrente na
polarização direta e reversa, sendo que na polarização direta pode tornar-se condutor
aplicando-se uma corrente Corrente Contínua (CC) ao terminal de controle gate de-
nominada (I
GT
). A corrente I
GT
é a mínima corrente DC necessária para chavear o
tiristor do estado não-condutor para o estado condutor ou ligado.
Gate
Anodo Catodo
Fig. 1.1: Representação simbólica do tiristor.
• Disparando-se uma tensão ao terminal gate com o tiristor polarizado diretamente, o
sinal de disparo pode ser removido e o SCR continuará conduzindo até a extinção da
corrente que flui através do dispositivo.
André P. N. Tahim
Marcos Tadeu Coelho 2
1.1.1 Comutação dos Tiristores
Para que um SCR seja desligado, a corrente que flui através do dispositivo deve
ser interrompida, ou caia a um valor de corrente mínima, denominada Holding Current (I
H
)
por um curto período de tempo. Tal período é tipicamente de 10 a 20 µs, conhecido como
Commutated-Turn-Off-Time (t
q
) . A Fig. 1.2 ilustra a curva característica volt-ampere de
um SCR. O eixo vertical representa a corrente que flui e o horizontal a tensão aplicada nos
terminais anodo e catodo do SCR. O parâmetro I
F
(forward current) define a corrente direta
Polarização Direta Polarização Reversa
A corrente não
flui até que o disparo
na porta ocorra.
A corrente flui após
o disparo da porta.
Fig. 1.2: Característica volt-ampere de um tiristor.
Root Mean Square (RMS) que o SCR pode suportar no estado ligado, enquanto V
R
define a
tensão que a unidade é capaz de bloquear no estado desligado.
1.1.2 Polarização dos Tiristores
Ao aplicar uma tensão externa ao semicondutor estamos polarizando o dispositivo.
Tal polarização determina em que região da curva volt-ampere estamos operando.
1.1.2.1 Operação em polarização direta:
• Uma polarização direta (lado direito do eixo vertical na Fig. 1.2) é obtida quando
aplica-se uma diferença de potencial positiva entre o anodo e o catodo.
• Mesmo após a aplicação de uma polarização direta, o dispositivo continua não condu-
zindo corrente até que uma tensão de disparo positiva sobre o gate seja aplicada.
• Caso o dispositivo esteja polarizado diretamente e uma tensão de gatilho seja dispa-
rada, o dispositivo torna-se de baixa impedância e a corrente flui através da unidade.
A unidade continua conduzindo mesmo que a tensão de gatilho seja removida. O
dispositivo continua no estado ligado até que a corrente cai do valor I
H
.
1.1.2.2 Operação em polarização reversa:
• A polarização reversa é instituída quando a tensão do catodo é mais positiva do que a
do anodo (lado esquerdo do eixo vertical da Fig. 1.2.
André P. N. Tahim
Marcos Tadeu Coelho 3
• Na condição de polarização reversa o dispositivo não conduz corrente, independente
da existência de tensão no terminal gate. Nesta situação deve-se projetar o circuito
para que a tensão de polarização reversa não extrapole os limites do dispositivo, evi-
tando que esse seja destruído. Tal tensão é denominada Peak Inverse Voltage (PIV) ou
Peak Reverse Voltage (PRV). Costuma-se projetar o circuito para que a tensão reversa
máxima sobre o componente não seja maior do que
1
3
PIV.
1.2 Circuitos de Acionamento de Porta (Gate) do Tiristor
Os circuitos de acionamento devem fornecer um sinal de disparo no tempo correto,
além de possuir uma duração mínima para que os tiristores possam passar para o estado
ligado e operar adequadamente. Em geral o circuito de disparo deve atender alguns critérios:
1. produzir um sinal na porta de amplitude adequada e com um tempo de subida menor
do que o especificado ao dispositivo;
2. o sinal de disparo na porta deve possuir uma duração adequada;
3. deve existir um controle de disparo para evitar que perturbações não acabem na não
sincronia dos disparos e consequentemente no mau funcionamento do circuito;
4. assegurar que o acionamento não ocorra em decorrência de sinais falsos ou de ruído;
5. em sinais AC, o dispositivo de controle de disparo deve assegurar que o acionamento
ocorra quando o tiristor estiver diretamente polarizado;
6. em circuitos trifásicos, fornecer pulsos defasados de 120

em relação ao ponto de refe-
rência no terminal porta.
7. assegurar o acionamento simultâneo dos tiristores ligados em série ou em paralelo.
Três tipos de sinais básicos de disparo de porta costumam ser utilizados: sinais DC,
sinais pulsados e sinais Alternating Current (AC). Neste trabalho nos limitaremos ao circuito
Fig. 1.3: Circuito simples de disparo de um tiristor.
de disparo utilizando sinais AC, visto que é mais simples criar o sinal de disparo a partir da
fonte do sinal que é um circuito trifásico (AC). Um circuito resistivo de disparo simples é
mostrado na Fig. 1.3. Durante o semiciclo positivo, o tiristor está no estado de bloqueio
direto. Em um determinado valor de V
s
, a corrente de porta será alta o bastante para levar
o tiristor ao estado ligado. Um circuito RC produz o sinal de porta. A tensão em C estará
atrasada em relação à tensão de alimentação por um ângulo de fase que depende do valor
de (R
1
+ R
2
) e de C. O acréscimo de R
2
faz com que aumente o tempo que o V
c
leva para
alcançar o nível no qual haja corrente de porta suficiente para levar o tiristor ao estado ligado.
Capítulo 2
Retificador Controlado de Onda
Completa em Ponte (seis-pulsos)
Como mostra a Fig. 2.1, ele é projetado com dois retificadores trifásicos de três-
pulsos, ligados em série. Os tiristores T
1
, T
3
e T
5
recebem o nome de grupo positivo [1],
uma vez que são disparados durante o semiciclo positivo da tensão de fases às quais estão
conectados. Da mesma forma, os tiristores T
2
, T
4
e T
6
são disparados durante os ciclos
Fig. 2.1: Circuito retificador controlado de seis-pulsos em ponte.
negativos das tensões de fase formando o grupo negativo. Para que exista um caminho para
a corrente entre a fonte e a carga, necessariamente dois tiristores devem estar conduzindo,
um do grupo positivo e outro do grupo negativo. Portanto, dois pulsos, separados por 60

,
são aplicados a cada tiristor no ciclo. Quando um tiristor do grupo positivo e um do grupo
negativo estão conduzindo, uma tensão de linha V
L
é aplicada à carga. Por exemplo, se T
1
e
T
6
conduzem de maneira simultânea, então a tensão de linha V
AB
é aplicada à carga. Dessa
forma, a tensão e a corrente médias são controladas pelo ângulo de disparo α dos tiristores.
A análise do retificador trifásico, como apresentado na Fig. 2.1, é dividido em três
partes para facilitar a compreensão de sua operação. A primeira parte da análise, considera-
mos que existe uma carga puramente resistiva (L = 0 e E = 0). A segunda existe uma carga
RL (apenas E = 0) e a última o retificador está conectado a uma carga RLE.
André P. N. Tahim
Marcos Tadeu Coelho 5
2.1 Retificador Conectado a uma Carga Resistiva
Umcircuito retificador de ponte completa (seis pulsos) pode ser analisado pela com-
posição de dois grupos de três pulsos em série [4]. Uma forma simples de analisar tal circuito
consiste em obter a saída para cada grupo de três pulsos e então somá-las. Quando os tiris-
tores são acionados assim que estão diretamente polarizados, o circuito se comporta como
um retificador em ponte a diodo e o seu ângulo de disparo é 0

. O ângulo de disparo α de
cada tiristor é medido a partir do ponto de cruzamento de sua respectiva tensão de fase. Por
exemplo, o α para o tiristor T
1
é dado pelo cruzamento da tensão de linha V
A
(em que ele
está conectado) e a tensão V
C
, como apresentado na Fig. 2.2 para um α igual a 25

. Para
0 30 55 90 150 210 270 330 390 450 480
−311.0852
−179.6051
0
179.6051
311.0852
Fig. 2.2: Ângulo de disparo dos tiristores no circuito retificador de ponte completa.
facilitar a compreensão do circuito, considera-se que o ângulo de disparo α é 0

e a carga é
puramente resistiva.
2.1.1 Análise do Grupo Positivo (T
1
, T
3
e T
5
)
Observando as Figs. 2.1 e 2.3, no intervalo de 30

a 150

, o tiristor T
1
está conectado
à tensão de fase positiva mais alta V
A
. Visto que o ângulo de disparo é contado a partir do
ponto de cruzamento de sua respectiva tensão de fase, emα igual a 0

o tiristor T
1
vai disparar
aos 30

e iniciar sua condução, conectando a tensão V
A
à carga. É apresentado na Fig. 2.3 o
momento de disparo do tiristor T
1
e o sua respectiva duração, que é de 120

.
De modo semelhante, de 150

a 270

, o tiristor T
3
passa para o estado ligado e
conecta a tensão de fase V
B
à carga. No intervalo de 270

a 390

, a carga é conectada à
André P. N. Tahim
Marcos Tadeu Coelho 6
0 30 90 150 210 270 330 390 450 480
−311.0852
−179.6051
0
179.6051
311.0852
Fig. 2.3: Formas de tensão do grupo positivo, negativo e carga.
tensão de fase V
C
e o ciclo se repete.
2.1.2 Análise do Grupo Negativo (T
2
, T
4
e T
6
)
O grupo negativo está conectado ao outro extremo da carga. Observando a Fig. 2.3,
no intervalo de 90

a 210

o tiristor T
2
está conectado à tensão de fase mais negativa V
C
.
Nesse intervalo o tiristor T
2
é disparado e passa a conduzir durante os 120

subsequentes.
De maneira semelhante, os tiristores T
4
e T
6
conduzem durante o intervalo de 210

a 330

e
de 330

a 450

respectivamente.
2.1.3 Análise da Tensão na Carga V
L
A tensão na carga V
L
é dada pela diferença de tensões do grupo positivo e o grupo
negativo, uma vez que cada grupo está ligado a uma extremidade da carga. Dessa forma,
percebe-se que a carga vai estar sempre submetida a uma tensão de linha. O descrito ante-
riormente está graficamente representado na Fig. 2.3 e nota-se que a ponte completa possui
seis pulsos durante um ciclo. Devido a tal característica o retificador de ponte completa con-
trolado também é conhecido como retificador de seis pulsos. A frequência de ondulação na
saída é seis vezes a frequência AC na linha e a amplitude máxima que pode ser alcançada é
igual ao valor máximo de tensão de linha. Cada tiristor conduz durante um período de 120

e bloqueia durante os 240

subsequentes em cada ciclo. Faz-se necessário que dois tiristores
conduzam simultaneamente, um do grupo positivo e outro do grupo negativo. Estabelecida a
André P. N. Tahim
Marcos Tadeu Coelho 7
sequência de fase como apresentado na Fig. 2.3 a ordem dos disparos dos tiristores é T
1
, T
2
,
T
3
, T
4
, T
5
e T
6
em um ciclo. Os tiristores são disparados com 60

de defasagem entre eles.
Isso permite que dois tiristores sempre estejam em condução, visto que cada tiristor conduz
durante 120

(Fig. 2.3).
É apresentado na Tabela 2.1 os intervalos e as respectivas tensões geradas pelo
grupo positivo, grupo negativo e a tensão resultante na carga V
L
.
Intervalo Grupo Positivo Grupo Negativo Tensão na Carga V
L
30

a 90

V
A
V
B
V
AB
90

a 150

V
A
V
C
V
AC
150

a 210

V
B
V
C
V
BC
210

a 270

V
B
V
A
V
BA
270

a 330

V
C
V
A
V
CA
330

a 390

V
C
V
B
V
CB
390

a 450

V
A
V
B
V
AB
Tabela 2.1: Tensão na carga para cada intervalo de chaveamento dos tiristores.
2.1.4 Análise da Tensão nos Tiristores
Durante o projeto de um circuito retificador controlado é importante determinar as
tensões e correntes de operação para especificar corretamente os tiristores. A tensão que os
tiristores estão submetidos durante um ciclo de operação pode ser determinado analisando
a Tabela 2.1. Observe que durante o ciclo de 30

a 150

a tensão do grupo positivo na
carga é V
A
, o que indica que nesse intervalo o tiristor T
1
está conduzindo, logo não existe
tensão sobre ele. No intervalo de 150

a 270

a tensão do grupo positivo na carga é V
B
.
Uma vez que o anodo do tiristor T
1
está conectado à tensão de linha V
A
e o catodo à saída
do grupo positivo, a tensão sobre o tiristor T
1
nesse intervalo é a tensão de linha V
AB
. De
maneira semelhante, no intervalo de 270

a 390

o tiristor fica submetido a tensão de linha
V
AC
. Apresenta-se na Fig. 2.4 a tensão que o tiristor T
1
é submetido durante um ciclo de
operação.
Pode ser observado na Fig. 2.4 que a tensão inversa máxima em um tiristor é igual
a amplitude instantânea máxima da tensão de linha. Além disso, é importante notar que o
tiristor deve ser capaz de bloquear tensões diretas e a amplitude dessa tensão depende do
ângulo de disparo. Um ângulo de disparo maior do que zero, acarreta na polarização direta
do diodo, porém sem o disparo do gatilho. Assim, a medida que aumentamos o ângulo de
disparo, o tiristor fica submetido a tensões diretas maiores, chegando ao extremo de uma
polarização direta igual a tensão de linha. Portanto, a capacidade de bloqueio de polarização
direta é uma característica importante quando o tiristor é utilizado em circuitos retificadores
de ponte completa.
2.1.5 Análise da Corrente nos Tiristores
A corrente em cada tiristor pode ser determinada avaliando novamente a Tabela
2.1. O tiristor T
1
, por exemplo, esta conectado a tensão de fase V
A
e a tensão de saída do
grupo positivo. Quando a tensão de grupo positivo é igual a V
A
, significa que o tiristor T
1
está conduzindo. Percebe-se assim pela tabela, que apenas no intervalo de 30

a 150

existe
corrente fluindo através do tiristor T
1
. A corrente que flui no intervalo de 30

a 90

é a
V
AB
R
.
No intervalo entre 90

a 150

a corrente sobre T
1
é
V
AC
R
. A Fig. 2.5 apresenta graficamente a
corrente fluindo no tiristor T
1
em um ciclo de operação.
André P. N. Tahim
Marcos Tadeu Coelho 8
0 30 90 150 210 270 330 390 450 480
−311.0852
−179.6051
0
179.6051
311.0852
Fig. 2.4: Tensão sobre o tiristor T
1
em um ciclo de operação.
Observe que a corrente no tiristor é sempre positiva, pois o dispositivo é unidireci-
onal para a corrente. Vale notar no entanto, que cada fase está conectada entre um tiristor do
grupo positivo e outro do grupo negativo. Sendo assim, por meio da Fig.2.1 pode-se obter
cada corrente de fase aplicando-se a Kirchoff Current Law (KCL) :
i
A
= i
1
−i
4
(2.1)
i
B
= i
3
−i
6
(2.2)
i
C
= i
5
−i
2
(2.3)
A corrente de fase i
A
é dada pela subtração da corrente do tiristor T
1
e o tiristor T
4
,
como apresentado nas Figs. 2.6 e 2.7.
Da Fig. 2.7 pode-se observar que as correntes de fase, geralmente do lado secundá-
rio do transformador são não-lineares. Além das descontinuidades, diferentemente da carga,
as correntes de fase invertem de sentido durante o ciclo e possuem valor médio nulo.
2.1.6 Controle da Tensão Média de Saída
O controle da tensão média de saída é realizado pela variação do ângulo de disparo
α. Para a carga puramente resistiva ou carga indutiva com diodo de roda livre, pode-se
calcular o valor médio da tensão de carga V
L
a partir da Fig. 2.3.
Para 0 ≤ α ≤ 60

a tensão e corrente de saída são contínuas, o que significa que
não existe intervalos de tensão e corrente nula na carga. Pode-se verificar que o ângulo
André P. N. Tahim
Marcos Tadeu Coelho 9
0 30 90 150 210 270 330 390 450 480
0
Fig. 2.5: Corrente sobre o tiristor T
1
em um ciclo de operação.
0 30 90 150 210 270 330 390 450 480
0
Fig. 2.6: Forma de onda de corrente dos tiristores T
1
(em preto) e T
4
(em azul).
André P. N. Tahim
Marcos Tadeu Coelho 10
0 30 90 150 210 270 330 390 450 480
0
Fig. 2.7: Forma de onda da corrente de fase i
A
.
de disparo de 60

é o limite da condução contínua para a carga puramente resistiva, como
apresenta a Fig. 2.8.
A tensão média de saída V
L
avg
para 0 ≤ α ≤ 60

é dada por:
V
L
avg
=
3
π
_
α+
π
2
α+
π
6
V
Linha
· sin
_
wt +
π
6
_
d(wt). (2.4)
V
L
avg
= −
3
π
V
Linha
_
cos
_
α +

6
_
−cos
_
α +
π
3
_
_
(2.5)
V
L
avg
= −
3
π
V
Linha
· cos(α) (2.6)
em que V
Linha
é a tensão máxima de linha do circuito trifásico. Para o intervalo
60 ≤ α ≤ 120

obtém-se o valor médio da seguinte forma (veja Fig. 2.9):
V
L
avg
=
3
π
_ 5π
6
α+
π
6
V
Linha
· sin
_
wt +
π
6
_
d(wt). (2.7)
V
L
avg
= −
3
π
V
Linha
_
cos (π) −cos
_
α +
π
3
__
(2.8)
V
L
avg
=
3
π
V
Linha
·
_
1 + cos
_
α +
π
3
__
(2.9)
Para 120 ≤ α ≤ 180

os disparos ocorrem quando as tensões de linha possuem
valores negativos, ocorrendo o não disparo dos tiristores devido a polarização inversa que
esses estão submetidos. Logo, para essa faixa de ângulo de disparo, a carga não é alimentada.
Visto que possuímos as tensões médias para cada ângulo de disparo, podemos cons-
truir a característica de controle da tensão média de saída em função do ângulo de disparo
α. Primeiramente normalizamos a tensão média de cada faixa pela tensão média máxima
V
L
avg
max
.
André P. N. Tahim
Marcos Tadeu Coelho 11
0 30 55 90 150 210 270 330 390 450 480
−311.0852
−179.6051
0
179.6051
311.0852
Fig. 2.8: Tensão de saída V
L
com um ângulo de disparo de 60

.
Como
V
L
avg
max
=
3 · V
Linha
π
,
obtêm-se os seguintes valores de tensão normalizados para cada faixa de ângulo de disparo.
Para 0 ≤ α ≤ 60

: V
n
= cos(α)
Para 60 ≤ α ≤ 120

: V
n
= 1 + cos
_
α +
π
3
_
Para 120 ≤ α ≤ 180

: V
n
= 0
A partir da tensão normalizada V
n
podemos plotar a característica de controle da tensão
média de saída, como apresentado na Fig. 2.10.
A curva característica nos permite concluir que o circuito em ponte controlada ja-
mais pode funcionar como inversor se a carga é puramente resistiva ou indutiva com um
diodo de circulação. Isso se deve a impossibilidade de existir uma tensão negativa na carga.
Além disso, caso o ângulo de disparo seja 60

(limite da condução contínua), temos um valor
de tensão médio na carga igual a metade do valor máximo (α = 0

).
2.1.7 Correntes do Circuito Retificador Controlado
A corrente média de cada tiristor I
T(avg)
é dada por:
André P. N. Tahim
Marcos Tadeu Coelho 12
0 30 90 150 210 270 330 390 450 480
−311.0852
−179.6051
0
179.6051
311.0852
Fig. 2.9: Tensão de saída V
L
com um ângulo de disparo de 100

.
0 20 40 60 80 100 120
0
0.1
0.2
0.3
0.4
0.5
0.6
0.7
0.8
0.9
1
Fig. 2.10: Característica de controle (carga puramente resistiva)
I
T(avg)
=
I
L(avg)
3
(2.10)
André P. N. Tahim
Marcos Tadeu Coelho 13
Tal equação pode ser obtida observando a Fig. 2.5, em que nota-se que a a corrente
que passa por cada tiristor é apenas
1
3
da corrente de ciclo da carga I
L
.
O valor RMS (ou eficaz) da corrente de saída I
L(rms)
é obtido por:
I
L(rms)
=
V
L(rms)
R
(2.11)
Para 0 ≤ α ≤ 60

:
I
L(rms)
=
¸
3
π
_
α+
π
2
α+
π
6
_
V
Linha
sin
_
wt +
π
6
__
2
R
(2.12)
Para 60 ≤ α ≤ 120

:
I
L(rms)
=
¸
¸
¸
_
3
π
_ 5π
6
α+
π
6
_
V
Linha
sin
_
wt +
π
6
__
2
R
(2.13)
O valor eficaz das correntes de linha da fonte para ambas as faixas de operação do
ângulo de disparo é dado por:
i
A(rms)
=
_
2
3
· I
L
(avg)
(2.14)
A frequência de ondulação da saída é seis vezes a frequencia da fonte. O fator de
ondulação R
F
pode ser obtido da seguinte maneira:
R
F
=
¸
¸
¸
_
I
2
L(rms)
I
2
L(avg)
−1 (2.15)
A potência dissipada é obtida a partir da corrente eficaz na carga:
P
L
= I
2
L(rms)
R (2.16)
André P. N. Tahim
Marcos Tadeu Coelho 14
2.2 Retificador Conectado a uma Carga Indutiva (sem diodo de circulação)
O retificador de seis pulsos em ponte geralmente é utilizado em aplicações em que
a carga é altamente indutiva. Nesta seção descreve-se o efeito dessa indutância nas correntes
e tensões do circuito de saída. Vale lembrar que o circuito retificador é exatamente o mesmo,
não importando o tipo de carga, no entanto mostra-se aqui que o comportamento das tensões
e correntes variam bastante entre uma carga resistiva e uma indutiva.
Considere o circuito da Fig. 2.1 com uma carga RL e E nulo. Para um ângulo de
disparo dos tiristores entre 0 ≤ α ≤ 60

, a tensão de saída é sempre positiva e a condução é
contínua independente do tipo de carga. É apresentado na Fig. 2.11 um exemplo da tensão
de saída quando o disparo dos tiristores ocorre em 45

.
0 30 90 150 210 270 330 390 450 480
−311.0852
−179.6051
0
179.6051
311.0852
Fig. 2.11: Tensão de saída do retificador com carga RL e α = 45

A tensão de saída varia de acordo com o ângulo de disparo dos tiristores e possui o
seu valor máximo quando α é 0

. À medida que aumentamos o ângulo de disparo, a tensão
média de saída diminui e se torna zero em 90

, visto que a indutância de carga permite que
os tiristores continuem conduzindo para tensões negativas da fonte. A Fig. 2.12 apresenta a
forma de onda da tensão de saída quando o ângulo de disparo dos tiristores é igual a 90

.
Percebe-se das Figs. 2.11 e 2.12 que o circuito com carga indutiva atua como um
retificador para ângulos de disparo entre 0 ≤ α ≤ 90

e como inversor para ângulos de
disparo acima de 90

. Isso ocorre porque a tensão média de saída para tais ângulos de disparo
torna-se negativa. A tensão DC média atinge seu máximo negativo (modo inversor) quando o
ângulo de disparo é de 180

. No modo inversor o circuito em ponte transfere potência do lado
da carga para o lado da fonte AC. Vale ressaltar que para operar no modo inversor a carga
deve possuir indutância, visto que é impossível uma carga puramente resistiva transferir
André P. N. Tahim
Marcos Tadeu Coelho 15
0 30 55 90 150 210 270 330 390 450 480
−311.0852
−179.6051
0
179.6051
311.0852
Fig. 2.12: Tensão de saída do retificador com carga RL e α = 90

potência para a fonte. A variação da tensão média de disparo é mostrada na Fig. 2.13. Em
vermelho destaca-se a tensão média de acordo com o ângulo de disparo para uma carga RL,
enquanto em preto para uma carga resistiva pura. Nota-se pela característica de controle que
na carga RL temos a possibilidade de disparar os tiristores na faixa de 0 ≤ α ≤ 180

, e que
o ângulo de 90

(tensão média nula) representa o limiar entre a operar no modo retificador
ou inversor. Uma grande diferença entre uma carga puramente resistiva e uma carga RL está
na corrente de carga. Se a indutância da carga RL for suficientemente grande em relação a
R, a corrente de saída tende a permanecer constante durante a condução. O valor da corrente
média de cada tiristor é dado por:
I
T(avg)
=
I
L(avg)
3
(2.17)
Para cargas cuja indutância é muito maior do que a parte resistiva, podemos fazer a
seguinte consideração:
I
L(rms)
= I
L(avg)
(2.18)
O valor RMS de cada tiristor é
I
T(rms)
=
I
L(avg)
3
(2.19)
Para ângulos de disparo entre 60 ≤ α ≤ 120

, a tensão de saída se torna negativa
para algumas partes do ciclo. A tensão média de saída nessa faixa de disparo é dada por:
V
L(avg)
=
3 · V
L
π
_
1 + cos
_
α +
π
3
__
(2.20)
André P. N. Tahim
Marcos Tadeu Coelho 16
0 20 40 60 80 100 120 140 160 180
−1
−0.8
−0.6
−0.4
−0.2
0
0.2
0.4
0.6
0.8
1
Fig. 2.13: Característica de controle de uma carga R (preto) e RL (vermelho).
A tensão normalizada é obtida dividindo-se a tensão de saída média pela tensão de
saída média máxima, como apresenta a equação abaixo:
V
n
=
V
L(avg)
V
L(avg)
max
=
_
1 + cos
_
α +
π
3
__
(2.21)
A corrente média no tiristor para ângulos de disparo entre 60 ≤ α ≤ 120

é dada
por:
I
T(avg)
=
I
L(avg)
3
(2.22)
Um exemplo do retificador funcionando na faixa de disparo entre 60 ≤ α ≤ 120

está representado pela Fig. 2.14. Com esse ângulo de disparo o circuito ainda opera como
retificador, no entanto a tensão de saída torna-se negativa a cada disparo.
Supondo que a indutância é grande quando comparada à resistência de carga, a
corrente que flui em cada tiristor e na linha é aproximadamente constante. A Fig. 2.15
apresenta a tensão que é submetida o tiristor durante um ciclo de operação.
As correntes que fluem nos tiristores T
1
e T
4
para o mesmo ângulo de disparo (α =
75

) estão representados na Fig. 2.16. A corrente de linha i
A
que é resultado da composição
das correntes i
1
e
4
é apresentada na Fig. 2.17.
André P. N. Tahim
Marcos Tadeu Coelho 17
0 30 55 90 150 210 270 330 390 450 480
−311.0852
−179.6051
0
179.6051
311.0852
Fig. 2.14: Tensão de saída do retificador com carga RL e α = 75

0 30 90 150 210 270 330 390 450 480
−311.0852
−179.6051
0
179.6051
311.0852
Fig. 2.15: Forma de onda da tensão sobre o tiristor T
1
(α = 75

).
André P. N. Tahim
Marcos Tadeu Coelho 18
0 30 90 150 210 270 330 390 450 480
−311.0852
−179.6051
0
179.6051
311.0852
Fig. 2.16: Forma de onda da corrente nos tiristores T
1
(em preto) e T
4
(em azul).
0 30 90 150 210 270 330 390 450 480
−311.0852
−179.6051
0
179.6051
311.0852
Fig. 2.17: Forma de onda da corrente de fase i
A
(α = 75

).
Capítulo 3
Efeitos da Comutação nos Retificadores
Controlados
Os conversores foram analisados até o momento assumindo-se que o processo de
comutação é instantânea nos retificadores controlados a tiristor. Na prática, existe um in-
tervalo de tempo para que ocorra a transferência de corrente entre os ramos do conversor
após o disparo do gatilho dos tiristores. Esse intervalo de tempo, denominado intervalo de
sobreposição, depende da tensão de linha entre os tiristores que participam do processo de
comutação e da indutância L
s
entre o conversor e a fonte. Durante o intervalo de sobreposi-
ção, dois tiristores conduzem ocorrendo um curto entre duas tensões de fase. Dessa forma, a
tensão de linha (fase-fase) é toda aplicada às indutâncias L
s
, como apresentado na Fig. 3.1.
A partir da Fig. 3.1 e assumindo que a corrente I
L
é aproximadamente constante, pode-se
Fig. 3.1: Processo de comutação dos tiristores.
deduzir a seguinte relação:
2L
s
·
di
sc
dt
=

2 · V
f−f
sin(ωt) = V
A
−V
B
(3.1)
André P. N. Tahim
Marcos Tadeu Coelho 20
em que V
A
e V
B
são fontes senoidais com um valor de pico V
max
entre a fase e o neutro. A
corrente i
sc
é a corrente do tiristor sendo disparado durante o processo de comutação (tiristor
T
3
na Fig. 3.1). Isolando o valor da corrente em (3.1) temos:
i
sc
= −

2
2L
s
· V
f−f
cos(ωt)
ω
+C (3.2)
A constante C de (3.2) pode ser obtida por meio das condições iniciais previamente
conhecidas. No momento que o tiristor T
3
é disparado (ωt = α), a corrente i
sc
ainda é nula.
Substituindo tais condições iniciais em (3.2) temos:
C =
V
f−f

2ωL
s
cos(α) (3.3)
Substituindo (3.3) em (3.2) temos a equação que determina a corrente durante a
comutação
i
sc
=
V
f−f

2ωL
s
(cos(α) −cos(ωt)) (3.4)
Antes da comutação, a corrente I
L
é fornecida pelo tiristor T
1
(ver Fig. 3.1). Du-
rante a comutação, a corrente de carga I
L
permanece constante. Isso indica que a medida que
a corrente i
sc
cresce, a corrente sobre o tiristor T
1
diminui, levando-o ao bloqueio quando i
sc
se iguala a corrente de carga I
L
. Nesse momento de bloqueio, o intervalo de sobreposição
termina e a corrente de carga I
L
é totalmente fornecida pelo tiristor T
3
. A duração da sobre-
posição é medida em ângulo e é conhecido como ângulo de sobreposição (overlap angle) e
representado neste trabalho por µ. Quando ωt = α + µ, a corrente i
sc
= I
L
. Substituindo
esta condição final em (3.4) obtém-se o a corrente I
L
em função da indutância da fonte, do
ângulo de disparo e do ângulo de sobreposição µ.
I
L
=
V
f−f

2ωL
s
(cos(α) −cos(α +µ)) (3.5)
Durante a comutação, os dois tiristores conduzem ao mesmo tempo, que significa
que existe um curto-circuito instantâneo entre as duas fontes de tensão que participam do
processo. Na Fig. 3.1 os tiristores T
1
e T
3
durante a comutação dão um curto nas fases A
e B. Supondo que as indutâncias nas fases são iguais (L
s
), a corrente i
sc
produz a mesma
queda de tensão em cada indutância de fonte L
s
. Contudo, como a corrente flui em cada
indutância em direções opostas, as tensões das indutâncias da fonte possuem sinais opostos.
A fase que possui a maior tensão instantânea sofre uma queda de tensão −∆v e a fase com
menor tensão instantânea sofre um aumento de +∆v. Tal situação afeta a tensão DC na
carga, reduzindo o seu valor de uma quantidade ∆V
med
. A Fig. ?? destaca o momento de
comutação dos tiristores devido ao ângulo de disparo e a variação média de tensão (∆V
med
)
resultante do tempo em que dois tiristores conduzem simultaneamente. Apresenta-se na Fig.
?? as correntes nos tiristores durante o intervalo de comutação. A queda de tensão ∆v (para
indutâncias de fonte iguais) é dada por:
∆v =
V
A
−V
B
2
=

2 · V
f−f
sin(ωt)
2
(3.6)
Integrando (3.6) durante o período de 60

(período entre disparos) e o intervalo de
µ obtém-se a variação do valor médio devido ao intervalo de comutação.
∆V
med
=
3
π
·
1
2
_
α+µ
α

2 · V
f−f
sin(ωt) · dωt (3.7)
André P. N. Tahim
Marcos Tadeu Coelho 21
Fig. 3.2: Variação do valor médio de tensão devido ao intervalo de comutação dos tiristores.
∆V
med
=
3
π
·
V
f−f

2
[cos(α) −cos(α +µ)] (3.8)
Subtraindo ∆V
med
do valor médio do retificador trifásico de onda completa sobre a
carga temos:
V
L(avg)
=
3

2V
f−f
π
cos(α) −∆V
med
(3.9)
V
L(avg)
=
3

2V
f−f

[cos(α) + cos(α +µ)] (3.10)
As equações (3.5) e (3.10) podem ser escritas em função da tensão do enrolamento
primário, visto que o retificador trifásico geralmente está conectado a um transformador.
Sendo a a razão de transformação entre o secundário e o primário temos:
I
L
=
a · V
prim
f−f

2ωL
s
[cos(α) −cos(α +µ)] (3.11)
V
L(avg)
=
3

2aV
prim
f−f

[cos(α) + cos(α +µ)] (3.12)
André P. N. Tahim
Marcos Tadeu Coelho 22
Fig. 3.3: Corrente nos tiristores durante a comutação.
Fazendo V
L(avg)
em função de I
L
obtemos:
V
L(avg)
=
3

2aV
prim
f−f
π
cos(α) −
3I
L
ωL
s
π
(3.13)
Aequação (3.13) nos evidencia que o conversor pode ser substituído por umcircuito
equivalente simples, como mostrado na Fig. 3.4.
Fig. 3.4: Circuito equivalente para o conversor.
É importante notar que a resistência equivalente de tal circuito não dissipa potência
e assim é considerada virtual. Além disso, observa-se que para altas frequências ou altas
indutâncias na fonte, a queda de tensão pode ser significativa, retirando completamente o
valor médio do valor projetado, caso o intervalo de comutação seja desconsiderado.
Capítulo 4
Conclusão
O retificador em ponte completa a tiristores pode prover uma tensão de saída DC
controlada de um circuito trifásico utilizando uma única unidade em vez de três autotrans-
formadores e uma ponte de diodo retificadora. O controle da tensão de saída é obtido
controlando-se o intervalo de condução de cada tiristor. Além disso, uma vez que os tiristo-
res podem bloquear a tensão em ambas as direções, o circuito pode operar como retificador
ou inversor, dependendo do ângulo de disparo utilizado. Dessa forma, é possível reverter a
polaridade da tensão de saída DC e transferir potência da carga para a fonte alternada (apenas
se a carga for indutiva).
Apesar do retificador controlado nos prover de controle sobre a tensão média na
carga, a medida que reduzimos o valor médio da tensão de saída, aumentamos a quantidade
de harmônicas na carga. Uma outra desvantagem é quando existe uma alta indutância do
lado da fonte
1
, ou quando opera para sinais de alta frequência. Para tais casos, o intervalo
de comutação pode reduzir significativamente o valor médio de saída além de introduzir
harmônicas indesejadas, tendo assim que ser considerado durante o projeto do conversor.
1
Tal caso é comum, visto que o retificador trifásico geralmente está ligado às bobinas de um transformador.
Referências Bibliográficas
[1] AHMED, A. Eletrônica de Potência. Prentice Hall, 2000.
[2] BARBI, I. Eletrônica de Potência. Edição do Autor, Brasil, 2006.
[3] GILLILAND, E. Scr - silicon controlled rectifier. In Electrical Contractor Magazine,
1982.
[4] RASHID, M. H. Power Electronics Handbook. Academic Press, USA, 2001.

Sumário
Lista de Figuras Lista de Tabelas Lista de Abreviaturas e Siglas Lista de Símbolos 1 Introdução 1.1 Tiristor . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1.1.1 Comutação dos Tiristores . . . . . . . . . . . 1.1.2 Polarização dos Tiristores . . . . . . . . . . 1.2 Circuitos de Acionamento de Porta (Gate) do Tiristor iii iv v vi 1 1 2 2 3 4 5 5 6 6 7 7 8 11 14 19 23 24

. . . .

. . . .

. . . .

. . . .

. . . .

. . . .

. . . .

. . . .

. . . .

. . . .

. . . .

. . . .

2 Retificador Controlado de Onda Completa em Ponte (seis-pulsos) 2.1 Retificador Conectado a uma Carga Resistiva . . . . . . . . . . . . . 2.1.1 Análise do Grupo Positivo (T1 , T3 e T5 ) . . . . . . . . . . . . 2.1.2 Análise do Grupo Negativo (T2 , T4 e T6 ) . . . . . . . . . . . . 2.1.3 Análise da Tensão na Carga VL . . . . . . . . . . . . . . . . . 2.1.4 Análise da Tensão nos Tiristores . . . . . . . . . . . . . . . . 2.1.5 Análise da Corrente nos Tiristores . . . . . . . . . . . . . . . 2.1.6 Controle da Tensão Média de Saída . . . . . . . . . . . . . . 2.1.7 Correntes do Circuito Retificador Controlado . . . . . . . . . 2.2 Retificador Conectado a uma Carga Indutiva (sem diodo de circulação) 3 Efeitos da Comutação nos Retificadores Controlados 4 Conclusão Referências Bibliográficas

. . . . . . . . .

. . . . . . . . .

. . . . . . . . .

Lista de Figuras
1.1 1.2 1.3 2.1 2.2 2.3 2.4 2.5 2.6 2.7 2.8 2.9 2.10 2.11 2.12 2.13 2.14 2.15 2.16 2.17 3.1 3.2 3.3 3.4 Representação simbólica do tiristor. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Característica volt-ampere de um tiristor. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Circuito simples de disparo de um tiristor. . . . . . . . . . . . . . . . . . . Circuito retificador controlado de seis-pulsos em ponte. . . . . . . . . . . Ângulo de disparo dos tiristores no circuito retificador de ponte completa. Formas de tensão do grupo positivo, negativo e carga. . . . . . . . . . . . Tensão sobre o tiristor T1 em um ciclo de operação. . . . . . . . . . . . . Corrente sobre o tiristor T1 em um ciclo de operação. . . . . . . . . . . . Forma de onda de corrente dos tiristores T1 e T4 . . . . . . . . . . . . . . Forma de onda da corrente de fase iA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Tensão de saída VL com um ângulo de disparo de 60◦ . . . . . . . . . . . . Tensão de saída VL com um ângulo de disparo de 100◦ . . . . . . . . . . . Característica de controle (carga puramente resistiva) . . . . . . . . . . . Tensão de saída do retificador com carga RL e α = 45◦ . . . . . . . . . . Tensão de saída do retificador com carga RL e α = 90◦ . . . . . . . . . . Característica de controle de uma carga R (preto) e RL (vermelho). . . . Tensão de saída do retificador com carga RL e α = 75◦ . . . . . . . . . . Forma de onda da tensão sobre o tiristor T1 (α = 75◦ ). . . . . . . . . . . Forma de onda da corrente nos tiristores T1 (em preto) e T4 (em azul). . . Forma de onda da corrente de fase iA (α = 75◦ ). . . . . . . . . . . . . . . Processo de comutação dos tiristores. . . . Variação do valor médio de tensão . . . . . Corrente nos tiristores durante a comutação. Circuito equivalente para o conversor. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1 2 3 4 5 6 8 9 9 10 11 12 12 14 15 16 17 17 18 18 19 21 22 22

. .1 Tensão na carga para cada intervalo de chaveamento dos tiristores. . 7 . .Lista de Tabelas 2. .

Lista de Abreviaturas e Siglas PIV PRV Peak Inverse Voltage Peak Reverse Voltage HVDC High Voltage Direct Current SCR CC DC AC RMS KCL Silicon Controlled Rectifier Corrente Contínua Direct Current Alternating Current Root Mean Square Kirchoff Current Law .

DC Gate Trigger Current . Tensão formada pela subtração das fases VK e VG Tensão eficaz de carga (saída) Tensão média máxima da carga Tensão média da carga (saída) Tensão máxima de linha do circuito trifásico Tensão de carga Tensão normalizada .mínima corrente necessária para mudar o estado do tiristor do estado não-condutor para o estado condutor Holding Current .Corrente mínima para manter o SCR no estado ligado Corrente eficaz de carga (saída) Corrente de carga Tensão média no tiristor Fator de ondulação Tiristor i Commutated-Turn-Off-Time Tensão de fase A Tensão de fase B Tensão de fase C Tensão de linha.Lista de Símbolos α IF IGT IH IL(rms) IL IT(avg) RF Ti tq VA VB VC VKG VL(rms) VLavg max VLavg VLinha VL Vn Ângulo de disparo do tiristor Forward Current .Corrente direta RMS que o SCR suporta.

um anodo. .1). • Disparando-se uma tensão ao terminal gate com o tiristor polarizado diretamente. Esse é um dispositivo utilizado para o controle do fluxo de potência para a carga em retificadores completamente controlados. sistemas de iluminação controlada e equipamentos de tração. o sinal de disparo pode ser removido e o SCR continuará conduzindo até a extinção da corrente que flui através do dispositivo. um catodo (como um diodo) e um terminal adicional de controle ou gate (Fig. carregamento de baterias. mesmo as cargas monofásicas de alta potência em corrente contínua comumente são alimentadas por meio de retificadores trifásicos. Entre os retificadores trifásicos. Tais retificadores obtêm uma tensão Direct Current (DC) com um menor conteúdo harmônico. operação de motores DC.1: Representação simbólica do tiristor. fontes de potência controlada. Entre os tiristores mais conhecidos está o Silicon Controlled Rectifier (SCR) [3]: • O SCR é um dispositivo de três terminais. 1. É capaz de bloquear corrente na polarização direta e reversa. processos de eletrólise. logo de filtragem mais simples. faz-se necessário compreender como opera o tiristor. Gate Anodo Catodo Fig.1 Tiristor Os tiristores são dispositivos semicondutores com capacidade de chaveamento.Capítulo 1 Introdução Os circuitos trifásicos geralmente são mais adequados quando uma grande quantidade de potência está envolvida. 1. São largamente utilizados em sistema de transmissão High Voltage Direct Current (HVDC). 1. Para analisar a operação dos retificadores de ponte completa controlados. Dessa forma. sendo que na polarização direta pode tornar-se condutor aplicando-se uma corrente Corrente Contínua (CC) ao terminal de controle gate denominada (IGT ). A corrente IGT é a mínima corrente DC necessária para chavear o tiristor do estado não-condutor para o estado condutor ou ligado. o de ponte completa controlado provavelmente é o mais utilizado conversor de eletrônica de potência para aplicações de média e alta tensão [1].

1 Operação em polarização direta: • Uma polarização direta (lado direito do eixo vertical na Fig. 1.2) é obtida quando aplica-se uma diferença de potencial positiva entre o anodo e o catodo. • Mesmo após a aplicação de uma polarização direta.2 Polarização dos Tiristores Ao aplicar uma tensão externa ao semicondutor estamos polarizando o dispositivo. O eixo vertical representa a corrente que flui e o horizontal a tensão aplicada nos terminais anodo e catodo do SCR.1.2 Operação em polarização reversa: • A polarização reversa é instituída quando a tensão do catodo é mais positiva do que a do anodo (lado esquerdo do eixo vertical da Fig. 1. 1.2.1 Comutação dos Tiristores Para que um SCR seja desligado. enquanto VR define a tensão que a unidade é capaz de bloquear no estado desligado. Tal polarização determina em que região da curva volt-ampere estamos operando. conhecido como Commutated-Turn-Off-Time (tq ) . 1. Tal período é tipicamente de 10 a 20 µs. 1.1.2. Polarização Reversa Polarização Direta Fig. O dispositivo continua no estado ligado até que a corrente cai do valor IH . A Fig. A unidade continua conduzindo mesmo que a tensão de gatilho seja removida. O parâmetro IF (forward current) define a corrente direta A corrente flui após o disparo da porta.1. a corrente que flui através do dispositivo deve ser interrompida. 1.1. N. . Tahim Marcos Tadeu Coelho 2 1. A corrente não flui até que o disparo na porta ocorra.2 ilustra a curva característica volt-ampere de um SCR.André P. ou caia a um valor de corrente mínima. denominada Holding Current (IH ) por um curto período de tempo.2: Característica volt-ampere de um tiristor. Root Mean Square (RMS) que o SCR pode suportar no estado ligado.2. 1. • Caso o dispositivo esteja polarizado diretamente e uma tensão de gatilho seja disparada. o dispositivo continua não conduzindo corrente até que uma tensão de disparo positiva sobre o gate seja aplicada. o dispositivo torna-se de baixa impedância e a corrente flui através da unidade.

o tiristor está no estado de bloqueio direto. Tahim Marcos Tadeu Coelho 3 • Na condição de polarização reversa o dispositivo não conduz corrente.André P. Em um determinado valor de Vs . sinais pulsados e sinais Alternating Current (AC). evitando que esse seja destruído. a corrente de porta será alta o bastante para levar o tiristor ao estado ligado. Neste trabalho nos limitaremos ao circuito Fig. o sinal de disparo na porta deve possuir uma duração adequada. 1. o dispositivo de controle de disparo deve assegurar que o acionamento ocorra quando o tiristor estiver diretamente polarizado. 4. 5. deve existir um controle de disparo para evitar que perturbações não acabem na não sincronia dos disparos e consequentemente no mau funcionamento do circuito. Costuma-se projetar o circuito para que a tensão reversa 1 máxima sobre o componente não seja maior do que 3 PIV. 6.2 Circuitos de Acionamento de Porta (Gate) do Tiristor Os circuitos de acionamento devem fornecer um sinal de disparo no tempo correto. 1. Um circuito RC produz o sinal de porta. Três tipos de sinais básicos de disparo de porta costumam ser utilizados: sinais DC. N. Em geral o circuito de disparo deve atender alguns critérios: 1. O acréscimo de R2 faz com que aumente o tempo que o Vc leva para alcançar o nível no qual haja corrente de porta suficiente para levar o tiristor ao estado ligado. 1. Tal tensão é denominada Peak Inverse Voltage (PIV) ou Peak Reverse Voltage (PRV). em circuitos trifásicos. assegurar que o acionamento não ocorra em decorrência de sinais falsos ou de ruído.3. de disparo utilizando sinais AC. . além de possuir uma duração mínima para que os tiristores possam passar para o estado ligado e operar adequadamente.3: Circuito simples de disparo de um tiristor. assegurar o acionamento simultâneo dos tiristores ligados em série ou em paralelo. A tensão em C estará atrasada em relação à tensão de alimentação por um ângulo de fase que depende do valor de (R1 + R2 ) e de C. visto que é mais simples criar o sinal de disparo a partir da fonte do sinal que é um circuito trifásico (AC). em sinais AC. Durante o semiciclo positivo. Um circuito resistivo de disparo simples é mostrado na Fig. produzir um sinal na porta de amplitude adequada e com um tempo de subida menor do que o especificado ao dispositivo. fornecer pulsos defasados de 120◦ em relação ao ponto de referência no terminal porta. independente da existência de tensão no terminal gate. 2. Nesta situação deve-se projetar o circuito para que a tensão de polarização reversa não extrapole os limites do dispositivo. 7. 3.

como apresentado na Fig. Os tiristores T1 . necessariamente dois tiristores devem estar conduzindo. A análise do retificador trifásico. ligados em série. um do grupo positivo e outro do grupo negativo. uma tensão de linha VL é aplicada à carga. uma vez que são disparados durante o semiciclo positivo da tensão de fases às quais estão conectados. A primeira parte da análise. Para que exista um caminho para a corrente entre a fonte e a carga. os tiristores T2 .1. negativos das tensões de fase formando o grupo negativo. 2. então a tensão de linha VAB é aplicada à carga. Quando um tiristor do grupo positivo e um do grupo negativo estão conduzindo. A segunda existe uma carga RL (apenas E = 0) e a última o retificador está conectado a uma carga RLE. . T4 e T6 são disparados durante os ciclos Fig. se T1 e T6 conduzem de maneira simultânea.1: Circuito retificador controlado de seis-pulsos em ponte. Portanto. Por exemplo. 2. consideramos que existe uma carga puramente resistiva (L = 0 e E = 0).Capítulo 2 Retificador Controlado de Onda Completa em Ponte (seis-pulsos) Como mostra a Fig. separados por 60◦ . dois pulsos. Da mesma forma. 2. ele é projetado com dois retificadores trifásicos de trêspulsos. Dessa forma. são aplicados a cada tiristor no ciclo. T3 e T5 recebem o nome de grupo positivo [1].1. é dividido em três partes para facilitar a compreensão de sua operação. a tensão e a corrente médias são controladas pelo ângulo de disparo α dos tiristores.

N. O ângulo de disparo α de cada tiristor é medido a partir do ponto de cruzamento de sua respectiva tensão de fase.1 e 2.2 para um α igual a 25◦ .1.3 o momento de disparo do tiristor T1 e o sua respectiva duração. 2. o tiristor T1 está conectado à tensão de fase positiva mais alta VA . como apresentado na Fig.0852 179.1 Retificador Conectado a uma Carga Resistiva Um circuito retificador de ponte completa (seis pulsos) pode ser analisado pela composição de dois grupos de três pulsos em série [4]. a carga é conectada à . T3 e T5 ) Observando as Figs. em α igual a 0◦ o tiristor T1 vai disparar aos 30◦ e iniciar sua condução. o tiristor T3 passa para o estado ligado e conecta a tensão de fase VB à carga.2: Ângulo de disparo dos tiristores no circuito retificador de ponte completa. o circuito se comporta como um retificador em ponte a diodo e o seu ângulo de disparo é 0◦ .1 Análise do Grupo Positivo (T1 . 2. De modo semelhante. considera-se que o ângulo de disparo α é 0◦ e a carga é puramente resistiva.0852 0 30 55 90 150 210 270 330 390 450 480 Fig. no intervalo de 30◦ a 150◦ . 2. de 150◦ a 270◦ . o α para o tiristor T1 é dado pelo cruzamento da tensão de linha VA (em que ele está conectado) e a tensão VC . 2. Uma forma simples de analisar tal circuito consiste em obter a saída para cada grupo de três pulsos e então somá-las.André P.3.6051 0 −179. Quando os tiristores são acionados assim que estão diretamente polarizados. É apresentado na Fig. Visto que o ângulo de disparo é contado a partir do ponto de cruzamento de sua respectiva tensão de fase. facilitar a compreensão do circuito. Para 311. que é de 120◦ .6051 −311. No intervalo de 270◦ a 390◦ . 2. Por exemplo. Tahim Marcos Tadeu Coelho 5 2. conectando a tensão VA à carga.

3 e nota-se que a ponte completa possui seis pulsos durante um ciclo.André P. Dessa forma. Cada tiristor conduz durante um período de 120◦ e bloqueia durante os 240◦ subsequentes em cada ciclo. Estabelecida a . Observando a Fig. tensão de fase VC e o ciclo se repete.6051 −311.0852 179.1.3 Análise da Tensão na Carga VL A tensão na carga VL é dada pela diferença de tensões do grupo positivo e o grupo negativo. 2.3. 2. um do grupo positivo e outro do grupo negativo. 2.6051 0 −179.2 Análise do Grupo Negativo (T2 . Devido a tal característica o retificador de ponte completa controlado também é conhecido como retificador de seis pulsos.3: Formas de tensão do grupo positivo.0852 0 30 90 150 210 270 330 390 450 480 Fig. no intervalo de 90◦ a 210◦ o tiristor T2 está conectado à tensão de fase mais negativa VC . O descrito anteriormente está graficamente representado na Fig. Faz-se necessário que dois tiristores conduzam simultaneamente. Tahim Marcos Tadeu Coelho 6 311. Nesse intervalo o tiristor T2 é disparado e passa a conduzir durante os 120◦ subsequentes. negativo e carga. percebe-se que a carga vai estar sempre submetida a uma tensão de linha. De maneira semelhante. T4 e T6 ) O grupo negativo está conectado ao outro extremo da carga. 2. A frequência de ondulação na saída é seis vezes a frequência AC na linha e a amplitude máxima que pode ser alcançada é igual ao valor máximo de tensão de linha.1. N. uma vez que cada grupo está ligado a uma extremidade da carga. os tiristores T4 e T6 conduzem durante o intervalo de 210◦ a 330◦ e de 330◦ a 450◦ respectivamente. 2.

Intervalo 30◦ a 90◦ 90◦ a 150◦ 150◦ a 210◦ 210◦ a 270◦ 270◦ a 330◦ 330◦ a 390◦ 390◦ a 450◦ Grupo Positivo VA VA VB VB VC VC VA Grupo Negativo VB VC VC VA VA VB VB Tensão na Carga VL VAB VAC VBC VBA VCA VCB VAB Tabela 2.1: Tensão na carga para cada intervalo de chaveamento dos tiristores. Apresenta-se na Fig.5 Análise da Corrente nos Tiristores A corrente em cada tiristor pode ser determinada avaliando novamente a Tabela 2. Um ângulo de disparo maior do que zero. Observe que durante o ciclo de 30◦ a 150◦ a tensão do grupo positivo na carga é VA .3). Quando a tensão de grupo positivo é igual a VA . Isso permite que dois tiristores sempre estejam em condução. porém sem o disparo do gatilho. Os tiristores são disparados com 60◦ de defasagem entre eles. a tensão sobre o tiristor T1 nesse intervalo é a tensão de linha VAB . . por exemplo. significa que o tiristor T1 está conduzindo. T2 . Portanto.André P. 2. T3 . A tensão que os tiristores estão submetidos durante um ciclo de operação pode ser determinado analisando a Tabela 2.4 que a tensão inversa máxima em um tiristor é igual a amplitude instantânea máxima da tensão de linha. É apresentado na Tabela 2. De maneira semelhante.1.5 apresenta graficamente a corrente fluindo no tiristor T1 em um ciclo de operação.3 a ordem dos disparos dos tiristores é T1 .1. é importante notar que o tiristor deve ser capaz de bloquear tensões diretas e a amplitude dessa tensão depende do ângulo de disparo. 2. T4 . Além disso. a capacidade de bloqueio de polarização direta é uma característica importante quando o tiristor é utilizado em circuitos retificadores de ponte completa. Assim. chegando ao extremo de uma polarização direta igual a tensão de linha. acarreta na polarização direta do diodo. esta conectado a tensão de fase VA e a tensão de saída do grupo positivo. VAC ◦ ◦ No intervalo entre 90 a 150 a corrente sobre T1 é R .1. 2. No intervalo de 150◦ a 270◦ a tensão do grupo positivo na carga é VB . 2. T5 e T6 em um ciclo.1. 2. O tiristor T1 . no intervalo de 270◦ a 390◦ o tiristor fica submetido a tensão de linha VAC .4 Análise da Tensão nos Tiristores Durante o projeto de um circuito retificador controlado é importante determinar as tensões e correntes de operação para especificar corretamente os tiristores.4 a tensão que o tiristor T1 é submetido durante um ciclo de operação. grupo negativo e a tensão resultante na carga VL . o tiristor fica submetido a tensões diretas maiores. A corrente que flui no intervalo de 30◦ a 90◦ é a VR . 2. Uma vez que o anodo do tiristor T1 está conectado à tensão de linha VA e o catodo à saída do grupo positivo. A Fig. Pode ser observado na Fig.1 os intervalos e as respectivas tensões geradas pelo grupo positivo. que apenas no intervalo de 30◦ a 150◦ existe AB corrente fluindo através do tiristor T1 . a medida que aumentamos o ângulo de disparo. 2. o que indica que nesse intervalo o tiristor T1 está conduzindo. N. Percebe-se assim pela tabela. Tahim Marcos Tadeu Coelho 7 sequência de fase como apresentado na Fig. visto que cada tiristor conduz durante 120◦ (Fig. logo não existe tensão sobre ele.

1) (2. o que significa que não existe intervalos de tensão e corrente nula na carga. 2.3.André P. Sendo assim. como apresentado nas Figs. Para a carga puramente resistiva ou carga indutiva com diodo de roda livre.1 pode-se obter cada corrente de fase aplicando-se a Kirchoff Current Law (KCL) : iA = i1 − i4 iB = i3 − i6 iC = i5 − i2 (2.6 e 2. Da Fig. Para 0 ≤ α ≤ 60 ◦ a tensão e corrente de saída são contínuas.6051 0 −179. diferentemente da carga.6051 −311.0852 0 30 90 150 210 270 330 390 450 480 Fig.0852 179. por meio da Fig. as correntes de fase invertem de sentido durante o ciclo e possuem valor médio nulo. Além das descontinuidades. 2. N. 2.1.2. Vale notar no entanto.4: Tensão sobre o tiristor T1 em um ciclo de operação.7.6 Controle da Tensão Média de Saída O controle da tensão média de saída é realizado pela variação do ângulo de disparo α. Tahim Marcos Tadeu Coelho 8 311.2) (2. geralmente do lado secundário do transformador são não-lineares. que cada fase está conectada entre um tiristor do grupo positivo e outro do grupo negativo. Observe que a corrente no tiristor é sempre positiva. 2. pode-se calcular o valor médio da tensão de carga VL a partir da Fig. pois o dispositivo é unidirecional para a corrente.7 pode-se observar que as correntes de fase. 2.3) A corrente de fase iA é dada pela subtração da corrente do tiristor T1 e o tiristor T4 . Pode-se verificar que o ângulo .

2. . N. 2.André P.5: Corrente sobre o tiristor T1 em um ciclo de operação. 0 0 30 90 150 210 270 330 390 450 480 Fig. Tahim Marcos Tadeu Coelho 9 0 0 30 90 150 210 270 330 390 450 480 Fig.6: Forma de onda de corrente dos tiristores T1 (em preto) e T4 (em azul).

7) (2.7: Forma de onda da corrente de fase iA .6) 4π 3 VLavg = − VLinha cos α + π 6 3 VLavg = − VLinha · cos(α) π − cos α + em que VLinha é a tensão máxima de linha do circuito trifásico. Tahim Marcos Tadeu Coelho 10 0 0 30 90 150 210 270 330 390 450 480 Fig. π 3 (2. Primeiramente normalizamos a tensão média de cada faixa pela tensão média máxima VLavg max . de disparo de 60 ◦ é o limite da condução contínua para a carga puramente resistiva. 2.5) (2. 2. podemos construir a característica de controle da tensão média de saída em função do ângulo de disparo α.4) (2. N. Visto que possuímos as tensões médias para cada ângulo de disparo.André P.9) π 3 VLavg = − VLinha cos (π) − cos α + π 3 3 π VLavg = VLinha · 1 + cos α + π 3 Para 120 ≤ α ≤ 180 ◦ os disparos ocorrem quando as tensões de linha possuem valores negativos. Para o intervalo 60 ≤ α ≤ 120 ◦ obtém-se o valor médio da seguinte forma (veja Fig. . para essa faixa de ângulo de disparo. A tensão média de saída VLavg para 0 ≤ α ≤ 60 ◦ é dada por: VLavg 3 = π α+ π 2 α+ π 6 VLinha · sin wt + π 6 d(wt). como apresenta a Fig. Logo. ocorrendo o não disparo dos tiristores devido a polarização inversa que esses estão submetidos. (2.9): VLavg 3 = π 5π 6 α+ π 6 VLinha · sin wt + π 6 d(wt).8) (2. a carga não é alimentada.8. 2.

10. N.0852 0 30 55 90 150 210 270 330 390 450 480 Fig. VLavg max = Para 0 ≤ α ≤ 60 ◦ : Vn = cos(α) Para 60 ≤ α ≤ 120 ◦ : Vn = 1 + cos α + Para 120 ≤ α ≤ 180 ◦ : Vn = 0 A partir da tensão normalizada Vn podemos plotar a característica de controle da tensão média de saída. Além disso. Isso se deve a impossibilidade de existir uma tensão negativa na carga. π obtêm-se os seguintes valores de tensão normalizados para cada faixa de ângulo de disparo. como apresentado na Fig.8: Tensão de saída VL com um ângulo de disparo de 60◦ .6051 0 −179.1.André P. caso o ângulo de disparo seja 60◦ (limite da condução contínua). Como 3 · VLinha . π 3 2.0852 179. 2.6051 −311. 2. temos um valor de tensão médio na carga igual a metade do valor máximo (α = 0◦ ). A curva característica nos permite concluir que o circuito em ponte controlada jamais pode funcionar como inversor se a carga é puramente resistiva ou indutiva com um diodo de circulação.7 Correntes do Circuito Retificador Controlado A corrente média de cada tiristor IT(avg) é dada por: . Tahim Marcos Tadeu Coelho 11 311.

9 0.10) .6051 −311. 2.8 0.André P.3 0.2 0.6 0.4 0.0852 0 30 90 150 210 270 330 390 450 480 Fig.5 0. N.7 0.1 0 0 20 40 60 80 100 120 Fig. Tahim Marcos Tadeu Coelho 12 311.0852 179.6051 0 −179. 1 0.10: Característica de controle (carga puramente resistiva) IT(avg) = IL(avg) 3 (2. 2.9: Tensão de saída VL com um ângulo de disparo de 100◦ .

11) Para 0 ≤ α ≤ 60 ◦ : 3 π α+ π 2 α+ π 6 VLinha sin wt + R IL(rms) = Para 60 ≤ α ≤ 120 ◦ : π 6 2 (2. N. em que nota-se que a a corrente que passa por cada tiristor é apenas 1 da corrente de ciclo da carga IL .14) 3 A frequência de ondulação da saída é seis vezes a frequencia da fonte. Tahim Marcos Tadeu Coelho 13 Tal equação pode ser obtida observando a Fig. O fator de ondulação RF pode ser obtido da seguinte maneira: RF = 2 IL(rms) 2 IL(avg) −1 (2.12) 3 π IL(rms) = 5π 6 VLinha sin wt + R α+ π 6 π 6 2 (2. 3 O valor RMS (ou eficaz) da corrente de saída IL(rms) é obtido por: IL(rms) = VL(rms) R (2.5.15) A potência dissipada é obtida a partir da corrente eficaz na carga: 2 PL = IL(rms) R (2.16) . 2.André P.13) O valor eficaz das correntes de linha da fonte para ambas as faixas de operação do ângulo de disparo é dado por: 2 iA(rms) = · IL(avg) (2.

A Fig. Tahim Marcos Tadeu Coelho 14 2. 2.12 apresenta a forma de onda da tensão de saída quando o ângulo de disparo dos tiristores é igual a 90◦ . N. Vale lembrar que o circuito retificador é exatamente o mesmo.2 Retificador Conectado a uma Carga Indutiva (sem diodo de circulação) O retificador de seis pulsos em ponte geralmente é utilizado em aplicações em que a carga é altamente indutiva. 2.11 um exemplo da tensão de saída quando o disparo dos tiristores ocorre em 45◦ . não importando o tipo de carga. visto que é impossível uma carga puramente resistiva transferir .12 que o circuito com carga indutiva atua como um retificador para ângulos de disparo entre 0 ≤ α ≤ 90◦ e como inversor para ângulos de disparo acima de 90◦ . 2. É apresentado na Fig. A tensão DC média atinge seu máximo negativo (modo inversor) quando o ângulo de disparo é de 180◦ . Considere o circuito da Fig.1 com uma carga RL e E nulo. a tensão de saída é sempre positiva e a condução é contínua independente do tipo de carga.6051 −311.André P. Para um ângulo de disparo dos tiristores entre 0 ≤ α ≤ 60 ◦ .6051 0 −179. Isso ocorre porque a tensão média de saída para tais ângulos de disparo torna-se negativa. no entanto mostra-se aqui que o comportamento das tensões e correntes variam bastante entre uma carga resistiva e uma indutiva. 311.0852 179. a tensão média de saída diminui e se torna zero em 90◦ . 2. Vale ressaltar que para operar no modo inversor a carga deve possuir indutância. À medida que aumentamos o ângulo de disparo.11: Tensão de saída do retificador com carga RL e α = 45◦ A tensão de saída varia de acordo com o ângulo de disparo dos tiristores e possui o seu valor máximo quando α é 0◦ . Nesta seção descreve-se o efeito dessa indutância nas correntes e tensões do circuito de saída.0852 0 30 90 150 210 270 330 390 450 480 Fig.11 e 2. No modo inversor o circuito em ponte transfere potência do lado da carga para o lado da fonte AC. visto que a indutância de carga permite que os tiristores continuem conduzindo para tensões negativas da fonte. Percebe-se das Figs. 2.

Tahim Marcos Tadeu Coelho 15 311. Em vermelho destaca-se a tensão média de acordo com o ângulo de disparo para uma carga RL.6051 0 −179.20) . a corrente de saída tende a permanecer constante durante a condução.0852 179. Se a indutância da carga RL for suficientemente grande em relação a R. podemos fazer a seguinte consideração: IL(rms) = IL(avg) (2.12: Tensão de saída do retificador com carga RL e α = 90◦ potência para a fonte.0852 0 30 55 90 150 210 270 330 390 450 480 Fig. N.18) IT(avg) = O valor RMS de cada tiristor é IL(avg) (2.13.André P. e que o ângulo de 90◦ (tensão média nula) representa o limiar entre a operar no modo retificador ou inversor.19) 3 Para ângulos de disparo entre 60 ≤ α ≤ 120◦ . A tensão média de saída nessa faixa de disparo é dada por: IT(rms) = VL(avg) = 3 · VL π 1 + cos α + π 3 (2. a tensão de saída se torna negativa para algumas partes do ciclo. Nota-se pela característica de controle que na carga RL temos a possibilidade de disparar os tiristores na faixa de 0 ≤ α ≤ 180◦ . enquanto em preto para uma carga resistiva pura. A variação da tensão média de disparo é mostrada na Fig. 2. Uma grande diferença entre uma carga puramente resistiva e uma carga RL está na corrente de carga.17) 3 Para cargas cuja indutância é muito maior do que a parte resistiva. 2.6051 −311. O valor da corrente média de cada tiristor é dado por: IL(avg) (2.

21) por: A corrente média no tiristor para ângulos de disparo entre 60 ≤ α ≤ 120◦ é dada IT(avg) = IL(avg) (2. N. 2. 2. A Fig. 2.15 apresenta a tensão que é submetida o tiristor durante um ciclo de operação.4 −0. A tensão normalizada é obtida dividindo-se a tensão de saída média pela tensão de saída média máxima.13: Característica de controle de uma carga R (preto) e RL (vermelho). no entanto a tensão de saída torna-se negativa a cada disparo.14.2 −0.6 0.8 0. A corrente de linha iA que é resultado da composição das correntes i1 e 4 é apresentada na Fig.17.22) 3 Um exemplo do retificador funcionando na faixa de disparo entre 60 ≤ α ≤ 120◦ está representado pela Fig. . Supondo que a indutância é grande quando comparada à resistência de carga.6 −0. Com esse ângulo de disparo o circuito ainda opera como retificador.16. As correntes que fluem nos tiristores T1 e T4 para o mesmo ângulo de disparo (α = 75◦ ) estão representados na Fig. Tahim Marcos Tadeu Coelho 16 1 0. a corrente que flui em cada tiristor e na linha é aproximadamente constante.8 −1 0 20 40 60 80 100 120 140 160 180 Fig. 2.4 0.André P.2 0 −0. 2. como apresenta a equação abaixo: Vn = VL(avg) VL(avg)max = 1 + cos α + π 3 (2.

N. Tahim Marcos Tadeu Coelho 17 311. 2.0852 0 30 90 150 210 270 330 390 450 480 Fig. .15: Forma de onda da tensão sobre o tiristor T1 (α = 75◦ ).0852 179.6051 −311.André P.0852 0 30 55 90 150 210 270 330 390 450 480 Fig.6051 0 −179.6051 −311.6051 0 −179.14: Tensão de saída do retificador com carga RL e α = 75◦ 311.0852 179. 2.

16: Forma de onda da corrente nos tiristores T1 (em preto) e T4 (em azul). .6051 −311. 2. Tahim Marcos Tadeu Coelho 18 311.0852 179.0852 0 30 90 150 210 270 330 390 450 480 Fig.17: Forma de onda da corrente de fase iA (α = 75◦ ).6051 0 −179. N.0852 179.André P.0852 0 30 90 150 210 270 330 390 450 480 Fig.6051 −311.6051 0 −179. 2. 311.

1. denominado intervalo de sobreposição. 3. depende da tensão de linha entre os tiristores que participam do processo de comutação e da indutância Ls entre o conversor e a fonte. deduzir a seguinte relação: 2Ls · disc √ = 2 · Vf−f sin(ωt) = VA − VB dt (3. dois tiristores conduzem ocorrendo um curto entre duas tensões de fase.Capítulo 3 Efeitos da Comutação nos Retificadores Controlados Os conversores foram analisados até o momento assumindo-se que o processo de comutação é instantânea nos retificadores controlados a tiristor. 3. Durante o intervalo de sobreposição. como apresentado na Fig. A partir da Fig.1: Processo de comutação dos tiristores. Dessa forma. Na prática. Esse intervalo de tempo. 3.1) . existe um intervalo de tempo para que ocorra a transferência de corrente entre os ramos do conversor após o disparo do gatilho dos tiristores.1 e assumindo que a corrente IL é aproximadamente constante. a tensão de linha (fase-fase) é toda aplicada às indutâncias Ls . pode-se Fig.

No momento que o tiristor T3 é disparado (ωt = α). A Fig.1) temos: √ 2 cos(ωt) +C (3.2) pode ser obtida por meio das condições iniciais previamente conhecidas. Isso indica que a medida que a corrente isc cresce. Vf−f IL = √ (cos(α) − cos(α + µ)) (3. 3.1). as tensões das indutâncias da fonte possuem sinais opostos. a corrente de carga IL permanece constante. os dois tiristores conduzem ao mesmo tempo.7) . ?? destaca o momento de comutação dos tiristores devido ao ângulo de disparo e a variação média de tensão (∆Vmed ) resultante do tempo em que dois tiristores conduzem simultaneamente. A corrente isc é a corrente do tiristor sendo disparado durante o processo de comutação (tiristor T3 na Fig. A duração da sobreposição é medida em ângulo e é conhecido como ângulo de sobreposição (overlap angle) e representado neste trabalho por µ.4) obtém-se o a corrente IL em função da indutância da fonte. o intervalo de sobreposição termina e a corrente de carga IL é totalmente fornecida pelo tiristor T3 . a corrente isc produz a mesma queda de tensão em cada indutância de fonte Ls .4) isc = √ 2ωLs Antes da comutação.3) C=√ 2ωLs Substituindo (3. a corrente sobre o tiristor T1 diminui.2) · Vf−f isc = − 2Ls ω A constante C de (3.André P. Tahim Marcos Tadeu Coelho 20 em que VA e VB são fontes senoidais com um valor de pico Vmax entre a fase e o neutro.2) temos: Vf−f cos(α) (3. Substituindo tais condições iniciais em (3. Substituindo esta condição final em (3. Supondo que as indutâncias nas fases são iguais (Ls ).2) temos a equação que determina a corrente durante a comutação Vf−f (cos(α) − cos(ωt)) (3. Quando ωt = α + µ. levando-o ao bloqueio quando isc se iguala a corrente de carga IL .6) 2 2 Integrando (3. que significa que existe um curto-circuito instantâneo entre as duas fontes de tensão que participam do processo.3) em (3. 3. N. do ângulo de disparo e do ângulo de sobreposição µ. ∆Vmed 3 1 = · π 2 α+µ α √ 2 · Vf−f sin(ωt) · dωt (3.1).6) durante o período de 60◦ (período entre disparos) e o intervalo de µ obtém-se a variação do valor médio devido ao intervalo de comutação.1 os tiristores T1 e T3 durante a comutação dão um curto nas fases A e B. Contudo. a corrente IL é fornecida pelo tiristor T1 (ver Fig. 3. Nesse momento de bloqueio. A fase que possui a maior tensão instantânea sofre uma queda de tensão −∆v e a fase com menor tensão instantânea sofre um aumento de +∆v. ?? as correntes nos tiristores durante o intervalo de comutação. Isolando o valor da corrente em (3. como a corrente flui em cada indutância em direções opostas. Apresenta-se na Fig. a corrente isc = IL .5) 2ωLs Durante a comutação. a corrente isc ainda é nula. A queda de tensão ∆v (para indutâncias de fonte iguais) é dada por: √ VA − VB 2 · Vf−f sin(ωt) ∆v = = (3. reduzindo o seu valor de uma quantidade ∆Vmed . Durante a comutação. Na Fig. Tal situação afeta a tensão DC na carga.

André P.2: Variação do valor médio de tensão devido ao intervalo de comutação dos tiristores. Sendo a a razão de transformação entre o secundário e o primário temos: ∆Vmed = prim a · Vf−f IL = √ [cos(α) − cos(α + µ)] 2ωLs √ prim 3 2aVf−f [cos(α) + cos(α + µ)] VL(avg) = 2π (3.11) (3.5) e (3. 3.8) · √ [cos(α) − cos(α + µ)] π 2 Subtraindo ∆Vmed do valor médio do retificador trifásico de onda completa sobre a carga temos: √ 3 2Vf−f VL(avg) = cos(α) − ∆Vmed (3. N.12) .9) π √ 3 2Vf−f VL(avg) = [cos(α) + cos(α + µ)] (3. 3 Vf−f (3.10) podem ser escritas em função da tensão do enrolamento primário. visto que o retificador trifásico geralmente está conectado a um transformador. Tahim Marcos Tadeu Coelho 21 Fig.10) 2π As equações (3.

André P. . a queda de tensão pode ser significativa. observa-se que para altas frequências ou altas indutâncias na fonte. 3.4. Tahim Marcos Tadeu Coelho 22 Fig.3: Corrente nos tiristores durante a comutação. 3. É importante notar que a resistência equivalente de tal circuito não dissipa potência e assim é considerada virtual. caso o intervalo de comutação seja desconsiderado. como mostrado na Fig.13) nos evidencia que o conversor pode ser substituído por um circuito equivalente simples. 3.4: Circuito equivalente para o conversor. Fig. Além disso. retirando completamente o valor médio do valor projetado. Fazendo VL(avg) em função de IL obtemos: √ prim 3 2aVf−f 3IL ωLs cos(α) − VL(avg) = π π (3.13) A equação (3. N.

. O controle da tensão de saída é obtido controlando-se o intervalo de condução de cada tiristor. Apesar do retificador controlado nos prover de controle sobre a tensão média na carga. visto que o retificador trifásico geralmente está ligado às bobinas de um transformador. o intervalo de comutação pode reduzir significativamente o valor médio de saída além de introduzir harmônicas indesejadas. a medida que reduzimos o valor médio da tensão de saída. Dessa forma. é possível reverter a polaridade da tensão de saída DC e transferir potência da carga para a fonte alternada (apenas se a carga for indutiva). o circuito pode operar como retificador ou inversor. ou quando opera para sinais de alta frequência. uma vez que os tiristores podem bloquear a tensão em ambas as direções. dependendo do ângulo de disparo utilizado. Para tais casos. Uma outra desvantagem é quando existe uma alta indutância do lado da fonte1 . Além disso.Capítulo 4 Conclusão O retificador em ponte completa a tiristores pode prover uma tensão de saída DC controlada de um circuito trifásico utilizando uma única unidade em vez de três autotransformadores e uma ponte de diodo retificadora. aumentamos a quantidade de harmônicas na carga. tendo assim que ser considerado durante o projeto do conversor. 1 Tal caso é comum.

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