O CNJ NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL O CNJ é um órgão que foi criado e introduzido no nosso ordenamento constitucional recentemente com a emenda

constitucional nº45/2004,conhecida popularmente como a reforma do Judiciário.Foram treze anos de tramitação até a sua aprovação no Senado Federal,e ela tinha como principais finalidades agilizar e modernizar o poder Judiciário e também conferir maior transparência a este,tentando assim combater o corporativismo do qual era acusado nosso Judiciário,dentre outros motivos que já foram explanados. Dentre as várias mudanças trazidas pela EC nº.45/2004,cabe destacar:a garantia a todos de uma razoável duração do processo(art.5º,LXXVIII),a ‘’constitucionalização’’ de tratados internacionais sobre direitos humanos desde que aprovados pelo quorum qualificado das emendas constitucionais(art.5º,§3º),a criação da Súmula Vinculante do STF(art.103-A) e claro a criação do Conselho Nacional de Justiça(art.103-B) que é o alvo dessa nossa análise. O CNJ está previsto no inciso I-A do art.92 da nossa Constituição como um dos órgãos do poder judiciário,na EC nº.45/2004 ele foi estabelecido como um órgão de cúpula administrativa do poder em questão,já que o conselho não goza de nenhum tipo de atribuição jurisdicional,não podendo portanto emitir julgados.Está plenamente disposto e regulado no art.103-B,CF/88,o qual foi alterado recentemente pela EC n.61/2009 e tem o seguinte teor: ‘’ Art. 103-B. O Conselho Nacional de Justiça compõe-se de 15 (quinze) membros com mandato de 2 (dois) anos, admitida 1 (uma) recondução, sendo: I - o Presidente do Supremo Tribunal Federal II - um Ministro do Superior Tribunal de Justiça, indicado pelo respectivo tribunal; III - um Ministro do Tribunal Superior do Trabalho, indicado pelo respectivo tribunal; IV - um desembargador de Tribunal de Justiça, indicado pelo Supremo Tribunal Federal; V - um juiz estadual, indicado pelo Supremo Tribunal Federal; VI - um juiz de Tribunal Regional Federal, indicado pelo Superior Tribunal de Justiça; VII - um juiz federal, indicado pelo Superior Tribunal de Justiça; VIII - um juiz de Tribunal Regional do Trabalho, indicado pelo Tribunal Superior do Trabalho; IX - um juiz do trabalho, indicado pelo Tribunal Superior do Trabalho;

receber e conhecer das reclamações contra membros ou órgãos do Poder Judiciário. ou recomendar providências. além de outras atribuições que lhe forem conferidas pelo Estatuto da Magistratura: I . depois de aprovada a escolha pela maioria absoluta do Senado Federal. cabendo-lhe.zelar pela autonomia do Poder Judiciário e pelo cumprimento do Estatuto da Magistratura. XII . § 1º O Conselho será presidido pelo Presidente do Supremo Tribunal Federal e. indicado pelo Procurador-Geral da República. § 4º Compete ao Conselho o controle da atuação administrativa e financeira do Poder Judiciário e do cumprimento dos deveres funcionais dos juízes. podendo avocar processos disciplinares em curso e determinar a remoção. § 3º Não efetuadas. III . as indicações previstas neste artigo. serventias e órgãos prestadores de serviços notariais e de registro que atuem por delegação do poder público ou oficializados. no prazo legal.X .dois cidadãos. no âmbito de sua competência. XI um membro do Ministério Público estadual. sem prejuízo da competência do Tribunal de Contas da União. podendo expedir atos regulamentares. indicados um pela Câmara dos Deputados e outro pelo Senado Federal. XIII . nas suas ausências e impedimentos. § 2º Os demais membros do Conselho serão nomeados pelo Presidente da República. indicados pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil. de notável saber jurídico e reputação ilibada. de ofício ou mediante provocação.dois advogados. a disponibilidade ou a aposentadoria com subsídios ou proventos proporcionais ao tempo de serviço e aplicar outras sanções administrativas. sem prejuízo da competência disciplinar e correicional dos tribunais. . pelo Vice-Presidente do Supremo Tribunal Federal. escolhido pelo Procurador-Geral da República dentre os nomes indicados pelo órgão competente de cada instituição estadual. II .zelar pela observância do art. a legalidade dos atos administrativos praticados por membros ou órgãos do Poder Judiciário. inclusive contra seus serviços auxiliares. 37 e apreciar. revê-los ou fixar prazo para que se adotem as providências necessárias ao exato cumprimento da lei. assegurada ampla defesa. caberá a escolha ao Supremo Tribunal Federal. podendo desconstituí-los.um membro do Ministério Público da União.

representar ao Ministério Público. nos diferentes órgãos do Poder Judiciário.onde este é então substituído pelo seu Vice. Importante esclarecer aqui que o CNJ é presidido pelo presidente do STF e tem como Ministro-Corregedor o ministro indicado pelo Superior Tribunal de Justiça. por ocasião da abertura da sessão legislativa. Distrito Federal e Territórios. de ofício ou mediante provocação.entre os pontos que foram alvo de mudança estão a abolição do voto do presidente do STF somente em caso de empate e também a exclusão da necessidade desse ser nomeado pelo Presidente da República. sobre a situação do Poder Judiciário no País e as atividades do Conselho.rever. e requisitar servidores de juízos ou tribunais. II exercer funções executivas do Conselho. de qualquer interessado.sua função e sua instituição. VI . criará ouvidorias de justiça.Conforme já mencionado o artigo deve sua redação alterada recentemente por uma emenda constitucional. § 5º O Ministro do Superior Tribunal de Justiça exercerá a função de MinistroCorregedor e ficará excluído da distribuição de processos no Tribunal.elaborar relatório anual. . no caso de crime contra a administração pública ou de abuso de autoridade. § 6º Junto ao Conselho oficiarão o Procurador-Geral da República e o Presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil. inclusive nos Estados. III requisitar e designar magistrados. propondo as providências que julgar necessárias. os processos disciplinares de juízes e membros de tribunais julgados há menos de um ano. delegando-lhes atribuições. inclusive no Distrito Federal e nos Territórios.IV . V .elaborar semestralmente relatório estatístico sobre processos e sentenças prolatadas. de inspeção e de correição geral. ou contra seus serviços auxiliares. relativas aos magistrados e aos serviços judiciários. as seguintes: I receber as reclamações e denúncias.’’ O referido artigo traz a maneira como a escolha dos membros deve ser feita. representando diretamente ao Conselho Nacional de Justiça. o qual deve integrar mensagem do Presidente do Supremo Tribunal Federal a ser remetida ao Congresso Nacional. VII . competindolhe. por unidade da Federação.além de que não é mais necessário ter entre trinta e cinco anos e menos de sessenta e seis para ser um membro do CNJ. § 7º A União. além das atribuições que lhe forem conferidas pelo Estatuto da Magistratura. competentes para receber reclamações e denúncias de qualquer interessado contra membros ou órgãos do Poder Judiciário.também cabe atentar para o caso de impedimento do presidente do STF.

inciso II.93.inciso I.103-B que trata da sua estrututa.§4º.sua composição apresentar maioria absoluta de membros do referido poder e possibilidade de controle de suas decisões pelo órgão máximo de cúpula do Poder Judiciário(STF).que trata claramente da possibilidade de processo e julgamento pelo Senado Federal dos membros do conselho por crime de responsabilidade no exercício de suas funções.O art.deixando bem claro que este não é um órgão de controle externo do poder Judiciário.367 proposta pela Associação dos Magistrados Brasileiros(AMB) e que tinha como fundamento a tese de que a criação do Conselho Nacional de Justiça feria a Separação de Poderes que é cláusula pétrea do nosso ordenamento previsto no art.60.VIII.O art.tratando da aposentadoria de juízes pelo conselho.’’r’’ dispõe sobre a possibilidade de impugnação pelo STF sobre as decisões tomadas pelo CNJ.também faz referência ao Conselho Nacional de Justiça.O CNJ não se faz presente na Constituição apenas no art.como é o caso do art.mas também é possível encontrar o órgão em outros dispositivos da Carta Magna.102.quando da necessidade e ocasião da causa.3. A constitucionalidade do CNJ já foi alvo de discussão no STF pela ADI.a saber:ser órgão integrante do Poder Judiciário.A corte suprema decidiu pela constitucionalidade do conselho devido principalmente a três marcantes características do órgão.nem tampouco uma última instância controladora da magistratura nacional.III.52. .

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