coI,EcçÃo PoESTA

OBNAS COMPLETAS

coLEcçÃo PoEsrA
lundada Por
LUÍS DE MONTALVOR'

DE

FERNANDO PESSOd

I-FOESIAS de Fernando Pesod II POESIAS de ÁIuaro de Co,ntpos III - POEMAS de Alberto Caeiro fV - ODES de nrcard,o neis V - MENSAGEM de Fernnnd,o Pessoa vI - POEMAS DRAMÁTICOS de Fernand,o Pessoo VII-POESIAS INÉDITAS (1930-1935) de Íenzand,o Pessoq VÌII*POESIAS INÉDITAS (1919-1930) de Fernando Pessoa IX-QUÂDRAS AO GOSTO POPUIÁn de ternando Pefsoa x-NOvAS POESL{S INÉDITAS de Fernando Pessoo, XI * POEMAS INGLESES de Fernnnd.o Pessoa
OBR,AS COMPLETAS

DE MÁRIO DE SÃ-CARNEINA

I_A CONFISSÃO DE LÚCIO II _ POESIÁS III_CARTAS Â F"ERNANDO PESSOA (VoI. I) CANTAS A FER,NANDO PESSOA (VOI. II) IV-CÉu EM FOGO (Novelas)
OB&AS COMPLETAS

DE SEBASTIÃO DA

GAMA

II * DIÁRIO III_CÂBO DA BOÂ ESPERANÇA IV _ CAMPO ÁBEA,TO VI_O SEGREDO É AMAR vrr-FELO SONHO É QnE
V_ITINERÁRIO
PARALELO VAMOS

I*

SER,RA.MÃE

QBNAS DE OATR,OS AATONES

ÁI;MÂS CATIVAS E POEMAS DISPERSOS de R,obefIO d,e MESSUIIt CARMINÁ ALIENÁ de Vìeíra de Alnzeid,a CLEPSIDI?A E OUTROS POEMÁS de Cdrnilo PesÁanhd DIA DO MAR, de Sophia d,e Mel\o Breqner And,resen ESTRAD SEM FIM de Anrique Pd,ço d'Arcos EU ÏTEI.DE VOLTAR, IJM DIA de Pedro Home'Ìn de MeIIo GEOCRAFIA de Sophia d,e Mello Breuner And,resen HÁ I'MA ROS NA MANHà AGRESTE de Pedro Homenx d,e MellÒ NEM TOD A NOITE A VID de Vi\orino Nemésio NóS NÃO SOMOS DESTE MUNDO de RUV Ciru.tta NóS PORTUGüESES SOMOS CASTOS de Ped.ro Hornem de Mello P.{Rv NATURÁLIA de José Bld,nc de Portuga,I PEREGRINO D NOITE de Anrique Paço d,Arcos POESIA de Sophid d,e Mello Brevfi,er And,resen
QUATRO QUAnTETOS de Neto

T. S. Eliot (eügã,o bilingue), trad. de Marla. Só DE ÁMOR ds Olga GonçalDes TANGENTES de Mertcl.a d,e Lemos  TEIIR.A SEM VIDA de T. S. Eliot (eüç6,o biltngue), t!ad. de Maria Neto vOZ NUA E DESCOBERTA de Atrique Paço d,'Arcos

ArnéIia

Amëlla

Título da ediçáo original
ATHE WASTE IÁNDII

Copyright FABER AI{D FABER
Londres

O desenho da caPa é da autoria
ALMADA NEGIiEIROS

de

INTNODUÇÃO
(O que Tirésias uê é, de facto, a substância do poema)), diz T. S. Eliot nas notas apensas a The Waste Land.. E, chamando deste modo a atenção païa o seu aspecüo visual, leva-nos implicitamente

Todos os direitos reservados para a publicação desta obra na traduçáo portuguesa por ÁTICA, s A' rì L, Lisboa

Composto e impresso nas oficinas Gráficas da Tipografia

Macarlo,

Lcìa.

-

R. Jorge Afonso,

10-A -

Tel.

76 54 00 -

Lisboa

Acabou de imprimir-so em Janeiro de

1984

a consideïar o processo de narração utilizado, que apresenta aïÌalogias com a técnica cinematográ'fíca' Na verdade, a sequência narrativa em The Waste Land., conseguida pela justaposição de imagens aï)arentemente desconexas, tem muito da lingua' gem de unìa máquina de filmar. Não deixa de ser curioso ïecordaï o que Eliot escreveu sobre Anabase, no prefácio da sua tradu' ('..qualquer ção desta obra de Saint'John Perse: poema, à primeira leitura, deve'se obscuridade do à supressão 'de 'elos na cadeia', de rnatéria explanatória e de ligaçáo, e náo a incoerência ou ao amor do erÍptograÍna.D E, rnais adiante: aEsta selecção de uma sequência de irnagens e ideias nada tem de caótico. Existe urna lógica da imaginação, assim como uma lógica 'de conceitos.n

The Waste Land.. Afinal, a Iógica da imaginaçáo é a que está na base dos movimentos iiterários e artísticos das segund.a e terceira décadas deste século. E a justaposiçáo ou colagem de lmagens absolutas, isto é, não subor'dinaclas a qualquer ordem espacial ou temporal, constitui, ccmo se sabe, uma

Eis a técnica tão soberbamente manejada em

as metrópoies modernas. aÉ possÍvel

que eu deva sobretudo a Baudelaire meia dúzia de versos das Flores clo Mal, e que o seu signifi cado para mim se resuma em:

_

observa

_

caraeterística da poesia expressionista, aliás corrrum ao surrealismo e ao imagismo' Perternce a Ezra Pound, impulsionador desta última corrente, a célebre definiçáo de imagem como (o que apresenta instantaneamente um complexo intelectual e emo,cionall (1). Sobre a autonomia da irnagem na poesia surrealista, afirma André Breton: <É mesmo permitido intÍtu1ar POEMA o que se obtém pela assoeiação tão gratuita quanto possÍve1 (observe' fitos, se assim o quiserem, a sintaxe) de títulos e de (2)' fragmentos de títulos recortados dos jornaisn que nasceu no ano de Thornas Stearns Eliot, IBBB, nos Estados Unidos, e se naturalizou inglês em 1927, entrou na Universidade de Harvard em 1906. Byron, Shelley, Keats, Rossetti e Swinburne eram já seus conheci'dos da'adolescência' Em Har" vard es:tudou Dante e Donne, que viriam a ter grande importância na sua obra' Porém, para a aprendizagem de poeta, que iniciou em 1908, con" tribuiu esPecialmente a França' Jules Laforgue foi o primeiro que o aensinou a falaru (3), isto é, a des'cobrir as potencialidades poétioas da sua própria língua. Com Baudelaire, aprendeu a fundir ao soldidamente realista e o fántasmagóricor (a), utilizan'do cotno pano'de fundo
10

Fourmillante Cité, cité pleine d,e rêaes, AÌt h spectre en plein jour raccroche
samt...y (s)

te

Dcrs_

da tfourmillante Citér:

Londres, 'de The Waste Land,, é bem o símbolo

Cidade irreal, Sob o neaoeiro castanho d,e uma madrugada d,e in_
Derno,

Uma multídãa lluía sobre a ponte de Lond,res...

E esta passagem é enriquecida com a alusáo àoueies de quem Dante diz no Inferno:

di gente, ch'io non aurei mai creduto
che morte tanta n,aaesse dìsfatta.

si.

lunga tratta

A sombra de Dante, cuja poesia T. S. Eliot considera a sua <mais persistente e profunda influên_ cial (8), paira em toda a obra eliotiana, d.esde a epÍgrafe de The Loue Song ol J. Atfred, prufrock, o primeiro d,os Collected poems, a LitUe Gidding, o último dos Four euartets. É que, para Eliot, nÁ .Diuina Comédia exprirne tudo o que o homem é capaz de experimentar como emoção, desde o de1.1

ses,pero

da depnavação à visão beatÍfica. Recorda,

portanüo, constantemente ao poeúa a obrigação de explorar, de encontrar palavras para o inarticulado, de capturar aqueles sentimentos que as pessoas mal podem até sentir, porque não têm palavras païa eles; e, ao mesrno tempo, reoorda que o expiorador para alérn das fronteiras da consciência comum só poderá regressaï e contar o que viu aos seus sernelhantes, se tiver sempre uma completa percepção das realidades que eles já conheceml (7). Depois da P'rimeira Guerra Mundial, a Europa oferecia aos olhos do nfilho do honoem)) apenas rrum monte de imagens quebr,adas>. The Waste Land fuamsmite-nos a visão'desse mundo fragïnentado, lendo-se no fim do poema, ao Ìongo do quai T. S. Eliot intercala citações de algum,as grandes obras das civilizações ocidental e oriental: Com estes lragmentos escorei as mi,nhas ruínas.
Espectadores perma,nentes do esplendor do passado e da desinteg'ração do presente, os olhos cegos de Tirésias, que pulsa aentre duas vidasl. O ritrno de The Waste Land,'a su,a subtil ortquestração e o valor encantatório de determinadas passagens permitem a comparação da obra com uma peça de músioa, designadamente com uma sinfonia. E os Four Quartets virão continuar, desenvolvendo-a, a técnica musical iá táo evidente neste poema de 1922:
12

O repouso, tal como uma jarra chinesa aind,a Se moae perpetuamente no seu repouso (s).
Passando ao simbolismo de The Waste Land,, em parte extraído do livro de Jessie L. .Weston, From Ritual to Romance, qtte analisa as diferentes versões da lenda do Graal, lembraremos que a este_ rilidade d.a terra se d.eve à perda de vitatidade do Iiei Pescador (por d.oença, feridas ou idade avançada), cuja ,cura e o ,consequente regresso da ferti_ lidade do solo dependem de um Cavaleiro, que rrliberüará as águasl. O nome do Rei parece ter a sua origem no facto de o peixe ser um símbolo de vida e de o título de pescador se encontrar frequentemente ligado a divindades com ela relacio-

Pode?n as palauras ou o, músi,ca alcançar

Apenas pela forma, pelo molde,

nadas.

respondentes aos das oartas normais. Caído hoje em descrédito, por ser principalmente utilizado na adivinhação, o seu uso original, contudo, (parece ter sido não para profetizar o Futuro em geral, n'Ìas para predizer a subida e a descida das águas que traziam fertilidade à terra.l
13

O emprego de alguns importantes símbolos de From Ritual to Romance é bem evidente no poema: â viagem, a oatrrela (a Capela perigosa, onde os cavaleiros do Graal tinham de lutar contra fo,rças demoníacas), o Tarot. Este baralho_elucida Jessie L. W'eston possui setenta e oito oaïtas, das quais vinte e duas sáo designadas como as <Chavesl, e está dividido em quatro naipes, cor_

Se T. S. Eliot afirma a sua dÍvida para oom o fascinante trabalho de antropologia de Frazer, The Golden Bough, üambém a autora de From Rituat to Romance declara, no prefácio do livro, dever a Frazet a inspiração que a lançou na estrada para o castelo do Graal. Encontrarn-se, por conseguinte, intim,amente relacionadas estas duas obras de que Eliot se serviu para delineaçáo do simbolismo de The Waste Land. Ao dedicar o poenìa aBzta pound, chamando-lhe iI miglior fabbro, T. S. Eliot quis demonstrar-lhe o seu agradeeimento pelas alterações sugeridas no manuscrito original e que o levaram a publicar a obra na form,a em que se encontra no presente volume. Durante muitos anos esse manuscrito, oferecido por Eliot ao mecenas John euinn, em 1922, foí conside,rado perdído, até que em 1g68 a Biblioteca Pública de Nova lorque anunciou que ele se encontrava em seu poder, integrado na Colecção Berg. E, em 1971, Valerie Eliot, viúva do Poeta, falecido em 1965, publico'u o famoso documento (e), possibilitando assim a comparação do texto primitivo com o que veio a lume nos anos vÍnte, mais precisamente, em Outubro de 1922, em Lond,les, na revista The Criterion, eütada pelo próprio T. S. Eliot. Em Novembro, The Di,al, revista amerioana, também insere o poema, gue, em ambos os câsos, aparece sem notas. No mês de Dezemibro é publicada em Nova forque, por Boni and Liveright, a primeira edição, co,ntendo já as notas do autor. E só em Setembro de lg23 sai finalmente a primeira edição inglesa, que se ficou
14

poema.

a dever a Virginia Woolf e seu marido, Leonard. A versáo portuguesa foi publicada em Lg72, exactamente meio séoulo depois do aparecimento do

Se, em The Waste Land, a esterilidade do Rei, por reacção simpatética, se transmite à terra, esta parece ter tornado as vidas inúteis, mecânicas, afastadas do ritmo norrnal d.a natureza. Revelador de uma união tão árida quanto a terra devastada é o diálogo entre a senhora neurótÍca, no rico boudoir, e o seu impassível inüerlocutor;
çOs meus neruos estã"o mal esta noite. Sim. mal. Fìca ao pé de mìm. <FaIa comigo. porque é que nunca. fatas? Fal.a. uEm que estds a pensar? Em que pmsas? Em quê? <<Nunca sei no que estds d pensar. psnsa.t Penso que estamos no, uieln d,os ratos Onde os mortos perderam os seus ossos.

Logo a seguir, em contraponto, a ,conversa em cockneg, no pub, em que Lil, envelhecida aos trinta e um anos: Foram os comprtmidos que tomei pdrd o d.esmnncho. di,sse ela. (EIs jd. teae cinco e quase nl,orreu quando nqsceu o Jorginho.) O farmaeêutico disse que ndo lazia mal, mas nãn uoltei a, ser o, mesrna,,

rJ

é exortada a pensar no pobre Alberto, que
Esteae rw tropa quatro anos, quer diaertir-se, E se nã,o lor contigo, serd com outras, disse eu.

um dos quais pr,ecede e o ouüro segue mente o referido Ílashback:
Frisch weht der Wlnd Der Heimat eu

-se. A confúrmá-lo, os exoertos

de Tristão e Isolda,
imediata_

Ausênoia de amor e desencantada sexualidade enconfram'os também no (romancel entre a dactilógrafa e o jovem carbunculoso:

Mein lrisch Kind,
Wo weilest du? rrD_este.me jacintos pela primeira vez há um ano; rrChamavam-me a rapariga dos jacintos.l quando - Porém,braços voltámos, tarde, d.o Jardim dos Jacintos, Os teus cheios e o cabelo molhado, eu não podia Falar, e os meus olhos velaram_se, eu náo esüava Vivo nem morto, e não sabia nada.

EIn uolta-se e olha-se un'L rnornento ao espelho, MaI se dando cohta do desaparecido amante; O seu eérebro consente urn pensdrnento semì,-formado: nOra, jd estó,: e ainda bem que acabou.l
Madame Sosostris, que, ao servir-se do Tarot, o despo;ja da dignidade do seu primitivo uso (nSe vir a querida Senhora Equitone, / Diga-lhe que eu próp,ria levo 'o horóscopol); o Senhor Eugenides, o mencador de Esmirna, com o seu duvidoso oonvite ao narrador ttpara almoçar no Cannon Street Hotel / E passar o fim.de-semana no Metrópolen; as Filhas do Tamisa (note-se a alusáo às Filhas do Reno, do Crepúsculo dos Deuses), agora três prostitutas (versos 292 a 306), eis outros exempl,os da degradação e da morte-vida em The Waste Land. Existe, todavia, uma passagem onde petpassam vultos mais misúeriosos, envoltos numa intensa e intangível olari'dade: as pers'onagens do llashback no Jar.dim dos Jacintos, símbolos do amor absoIuto e, como tal, perdido ou condenado a perder16

Espreitava o coração da luz, o silêncio. Oed' und leer das Meer.

O sinistro aviso de Madame Sosostris (aAcautele-se com a morüe na águal) dá lugar ao quarto andamento, de carácter elegÍaco, sobre phlebas, o Fenício, que:
... fui, quinze d,ias morto, Esqueceu o grito d,as gaiaotds, a, ressaco," Os ganh,os e as perd,as.
vezes em rnais do que um nÍvel de signifi,cação, para, ússo contribuindo o uso que faz da alusão e do contraste. Assim, depois da conversa no pub, e drepois de feitas as despedidas:

Eliot move-se muitas

B'noi,te BïII. B'noite Lou. B'noite MaE. B'noite. Td-td. B'nnite. B'noite.
17

resultâ infinÍüamente pungente e sugestiva a imediata justaposição do verso gue recorda a loucura de Ofélia: Boa noite, senhoras, boa noite, gentis senhoras, boa noi,te, boa noite. Por outro lado, o Tamisa, testemunha da pompa da era isabelina: Isabel e Leì'cester Retnos batendo Formaaa a PoW Uma conchn dourada
é agora um rio ,que (sua óleo e alcatrãol e as suas Filhas são, como vimos, as nninfasu com quem se divertem os <rindolentes herdeiros dos magnatesl. Deste modo, a evocação da festa nupcial de Spen' ser:

Abril é o mnis cruel dos naeses, gerand.o Lilases na terra morta, misturand,o A memória e o desejo, atìçando Raízes inertes corn o, chuaa da primaaera. O Inaerno manteue-nos quentes, cobrind,o A terra com a neue do esquecimmto, alimentanln Um pouco de aida com tubérculos secos.
Por outro lado, na abertura do terceiro andamento, ao vento atravessa a terra castanha, sem se ouvirl. E na terra gretada e na ro,cha onde não existe o sorn da água se vai desenrolar o quinto e ú1timo andamento, orÌde, mais do que em qual-

Doce Tamisa, desli.ea rnansdmente, até ao fi,m do meu canto,
ganha um patetismo que não possui quando eonslderad,a isoladâmente, Lam(l (terra) é, sem dúvida, a palavra'chave do poema. AIém de fazer parte do tÍüulo, apârece na abertura do primeiro andamenúo e é ela que intr<rdnrz a ambiência:
L8

quer outra parte do poema, e corno a próp,ria pontuaçáo sugere, a estrutura musÍcal é indissociável da visão do Poeta. Aqui a música não acompanha discretamente as palavras; faz, sim, irrornpê-las com força stravinskiana, para criar coisas e vultos com o dil,acerante e dilacerado surrealis,mo de llieronymus Bosch. E, dentro da pura técnica s,ur_ realista, o fecho do úlúimo a,ndamento (verso 428 e seguintes) é quase todo constituído por colagens. A palavra lnnds (tercas) surge no terceiro daque_ les versos, ao ser finalmente formulada a medita_ tiva pergunta do Rei pescador:

Shall I at least set my lands in onder? fPorei ao rnenos as minhas terras em ord,em?f

Logo a segu,ir, irresistivelnaente trazida por lands, criando mais do que uma sinrples aliteração, chega o eco de uma oanção de criança, bem conhecida de todos os ingleses:
19

London Bridge ús fatting down falling down falling down lA Ponte de Londres estd a cair estd a eair estd a

cairl

O regresso à infância em tempos de destruição é admiravelmente sugerido pela introdução de vo. zes infantis neste contexto apocalíptico. Assinale -se que na pr,imeira edição do poema, ao conürário do que sucede agora, o verso se encontrava desta_ cado do precedente e do s;ubsequente. A traduçáo, ou melhor, a transposição de
Sha,Il I at least set my land,s in ord,er? London Bridge is fa\ling d,own falíing d,own faUing
doasn

tnldo encantatório. Todavia, a forçra do texto e e força da músioa impuseram espontaneamente, no mo'mento da sua necriação em português, um binómio que, de modo assaz curioso, é p,ormitido pela üotrlonímia de Lon'dres e, mais do que isso, pelo contexto do andamento, corno adiante demonstraremos. Esse binómio é terras / Torre d.e Landres.
Assim:

Porei o,o menos as minhns terras em ord,em? A Torre de Londres estti a eair estd a cair estd cair

a

seguinte.

põe evidenternente um pro:blema (10), se tivermos em conta a importância que representa na estrutura musúcal da passagem o binómio \and,s / London Bridge. Quer dizer: seria desejável, embora aparentemente utópico, ,reoriar, no caso de o permitirern as línguas para que,o poema seja vertido, um binómio correspondente, que mostre corno a palavra lands (terras), tão carregada de significado, é responsável petro apanecimento do verso

Isto é, se em po,rtuguês existisse uma canção de criança cujo refrão fosse este segundo verso, a palavra tercas poderia acordar a lembrança das vozes inÍantis. Traúa-se, afinal, de um caso paradigrnático da clógica da irnaginaçãor, de que fala Eliot. Tal canção, porém, não existe, e, se se aceita o binómio que a nossa lÍngua impõe, é sobretudo p'orìque, oomo atrás se disse, o contexto em inglês

o consente. Vejamos:

1.') Na seguinte passagem o poeta emprega duas vezes a úmagem das torres derrubadas:
Que cidade é esta nas montanhas Que se fende e relorma e rebenta no o,r aioleta Tomes caindo Jerusalém Atenas Alexandria Viena Londres

Em português não existe qualquer relação mu_ sical entre terras e ponte d,e Londres. Acresce ainda que os dois sons nasalados e a co,nsoante explosiva p tornariam muito pesado, digamos antes, faniam tropegar um verso que se quer acima de
20

Irreais Uma mulher purou o seu longo cabelo negro
21

E tocou hessas cord,as uma músi,ca ern sussurro E morcegos corn rosúos d.e bebé na luz aioteta

E rastejaaatn de cabeça para bairo numa
enegrecida

Sibilnaam e batiam ds asds

pared,e

inaertid,as Sinos rerniniscentes que datsam as horas E aozes cantando em ci,sternas aazias e em poços sem dgua.

E no ar hauia torres

2..) O quinto veïso antes do fim do poema é constituído por estoutro de EI Desdichado. de Gérard de Nerval:
Le prince d,Aquitaine à ta tour abotie.
Ora, a mais sinistra carta do Tarot é r<A Torre fulminada pelos Raiosn, como o;bserva Hugh ïìoss \Milliamson (11), ao co,mentar precisam,ente a ooia_ gem constituída por esüe verso do soneto de Gé_ rard de Nerval. Es,cusad.o é lembrar que o Tarot é um dos mais impo,rtantes símbolos do poema.

3.") O refrão do nursery rhEme, cujo eco T. S. Eliot utiliza, é: London Bridge is broken down Dance oaer rnA lndE \ee,
tendo o Poeta substituído broken d,own por failing dow,n. Trata-se, por conseguinte, de uma colagem reto,cada, e, aqui, não podemos deixar de recordar
22

que, no conüexto já citado, o Po,eta usa a expressáo t'alling towers (torres caindo ). Portanto, quase poderíamos sugerir, sem queïermos, no enüanto, ir longe de mais, que a imagem de destruição que verdadeira,mente importa, não apenas peia oonotação bíblica â que Eliot terá sido certamente sensÍvel, mas também pela simbologia do Tarot, tão viva no poema, é a d,a torre derrubada. Só que ele pôde, em inglês, jogar com dois planos de significação, tornand.o, assím, invulgarmente patética a arespostaD ao ïìei pescador: à imagem de destruição que vem utilizando, sobrepõe-se outra, idêntica, que a palavra tand,s, palavrachave do poema, faz acordar (como, aliás, faria acordar London Tower is fatting dolnn, se este Íosse o refrão ou um eco do refrão) e que oferece a singular particularidade de ter sido entoada descuidadamente por muiüas gerações de crianças. Foi a orquestração e.m The Waste Land, que levou f. A. Richards a classificar de amúsica de ideiasu a poesia eliotiana. Seja-nos permiüido, porém, chamar a atenção para a simultaneidade de muitas das anotasl ou dos nsinaisl captados. É que a visão de T. S. E1iot leva-o à mais remota fronteira do dizível e a não raras incursões no indizível, e aquilo gue o nosso subconsciente, iluminado pelo poderoso clarão das suas imagens, insüintivarnente aê e tem como certo desdobra-se em múltiplos asinaisl, 'quando queremos neconstituir, racÍonalmente ou quase, o caminho sem fempo gue percornemos.
23

Alguns anos após ter peroorrido o oaminho aqui traçado (12), a, autora destas l,inhas encontrou num trabaiho que Â. D. Mood.y acabava de publi_ car (13) a seguinte aproximação entre as imagens de destruiçáo da ponte de Londres e das tones: And Lond,on Bridge, in the (Jnreal Citg, with the laUing towers (nE a ponte de is falting na Cidade lrreal, cai oom as torres que Londres, caeml). Mais adiante, diz ainda Moody: Finahg, the poet,s own tower is down uith that of d.e Nertsal,s EI Desdichado: an image signifging, cabali.sticailg, that he is d,riaen out lrom the earthlg paradise {aEinalmente, a própria torre do poeta é derru_ bada oom a de El Desdi,chado, de lterval: uma imagem que signifioa, cabalisticamente, que ele é expulso do paraÍso úerrestrel). The Waste Land, é uma terra onde não existe água e onde não existe am,or. mo qulnto e último andamento, já depois de atingida L capeta, uma rajada húmida anuncia a chuva, e nas palavras do trovão, Datta, Dayadhuam, Damgata, que signifi cam em sânscrito <dá, oondóite, conürolal, parece encontrar-se o cam,inho para rta paz que o entendimentot>, s,hantih. É repetúo ultrapassa três vezes esta bônção sânscrita, à m,aneira de uma Upanishad, que o poerna termina lentamenre. Se Ul3lsses, ,a admirável obra de James Joyce, ofenece em mais de setecentas páginas uma visão do homem e do rmrndo,, em que; [assaco e o pïe_ sente se interpenetram, The Waste Land,, o maÍ,s famoso dos poemas modernos, consegue em ape24

nas 433 versos transm-itir uma idêntica visão. Só a grande Foesia permite uma tal síntese.
MAR,IA AMÉLÏA NETO

NOTAS

evidência a posteriorì. (r1) Hugh Ross Williarnson, The poetrg ol T. S. Eliot, Londres, Hodder & Stoughton Limited, 1932, p. 150. (12) Os comentários precedentes, sugerid.os pela importância da palavra land, foram extraÍdos, por amável permissão da Revista Colóquio/Letras, de um artigo publicado pela tradutora naquela Revista (n.. 15, de Seúembro

(r) Poetrg (Março de 19i3). (2) Primeiro Manilesto do Surrealismo ú92D. (3) What Dante means to rne, conferência proferida por I. S. Eliot no Instituto ltaliano de Londres. em 19b0 ?o Cràticize the Critic (Faber). (a) Idem, (5) Idem. (6) Idem. (7) Idem. (8) Burnt Norton. (e) TIIE WASTE LAND, a facsimile & transcript of the original drafts including the annotations of. Ezra pound, edi,ted by Valerie Eliot (Faber). (10) Devo confessar que o problema não foi por mim resolvido ao nÍvel do consciente, e que só reconheci a sua

de 19?3), sob o tíüulo Qs Cinquenta Anos de <The Waste
Landn. (13) A. D. Moody, Thomas Stearns
104.

fïniversity Press, 1979, p.

Eliotlpoet, Cambridge

25

The Waste Land
1922

A Terra setn Vida
1922

'Nam Sibyllam quidem Cumis ego ipse oculús meis vidi in arnpulla pendere, et cum ilti pueri dicerent: 2ípv),),2 rí 0é),i4; respondebat illa: anollrve?v 0éÌro.,

'Nam Sibyllam quidem Cumis ego ipse ocul s meis vidi in arnpulla pendere, et cum illi pueri dicerent: ZíBv)'),a ti Oéìirç ; respondebat il a: àro}zvaiv }'e),,,t.,
Para Ezra Pound i.l mi,gli.or fabbro.

iI m,igíi;or

For Ezra

pound.

fabbro.

26

27

L The Burial of the Dead
April is the cruellest month, breeding Lilacs out of the dead land, mixing Mernory and desire, stirring Dull roots with spring rain.

I. O Enterramento

d,os Mortos

\Ã/inter kept us warm, covelÍng Earth in forrgetful snow, feed,ing A little li,fe with dried tubers. Summer surprised us, coming over the Starnbergersee \4rith a shower of rain; we stopped in the colonnáde, And went on in sunl,ight, into the Hofgarten, 10 And drank coffee, and talked. for an hour. Bin gar keine Russin, stamm' aus Litauen, echt deutsch. And when we were_ children, staying at the arch-duke,s, My cousin,s, he took rne out on a slõd, And I was frightened. He said,, Marie, Marie, hotd on tight. And down \4/e rü/ent. In the mountains, there you feel free. f read, much o,f the night, and go south in the winter.

Abril é o m,ais cruel dos meses, gerando Lilases na terra morta, misüurando A mernória e o desejo, atiçando Raízes inertes com a chuva da primavera. C) inverno manteve-nos quentes, cobrindo A terra com a neve'do esquecimento, alimentando Um pouco de vida corn tubér,culos secos. O verão surpreendeu-nos, ao passarmos por Starnbergersee, Com um aguaceir,o; parámos na colunata tr seguimos já com sol, para Hofgarten, E tomámos café, e conversámos uma hora. Bin gar keine Russin, stamm'aus Litauen, echt deutsch.

10

E quando éramos pequenos e estávamos em casa do arquiduque, Meu primo, ele levou-me num trenó, E eu assusteí-me. Ele disse, Marie, Marie, segura-te bem. E fomos por ali abaixo. Nas montanhas, aí sentimo-nos livres. Eu leio quase toda a noite e vou para o sul no inverno.
Quais são as raízes que estão presas, que ïamos crescem Neste amontoado de pedras? Filho do homem, Tu não sabes rdizer nem supor, pois apenas conheces Um monte de imagens quebradas, onde o sol bate, E a árvore morta não'oferece abrigo, nem o grilo trégua, Nem a pedra seca o som da água. Só Há sombna debaixo desta rocha vermelha (Vem para a sornbra desta ro'cha vermelha), E mostrar-te"eÍ algo d'iferente quer da Tua sombra de manhã,, dando largos passos atrás de ti,
29

What are the roo,ts that clutch, what branches grow Out of this stony rubbish? Son o,f man, 20 You ,cannot say, or guess, for you know only A heap of broken images, where the sun beats, And the dead tree gives no shelter, the cricket no - ----- rerief And ühe dry stone no sound of waüer. Only There is shadow under this red ro,ck, (Come in under the shadow of thÍs red rock), And I will show you something different from either Your shadow at morning striding behind you
28

20

Or 5rour shadow at evening rising üo meet you; I wilt show you fear in a handÍul of dust. 30 Frisch weht der Wi,nd Der Heimat zu Mein lrisch I{ind, Wo weilest du? 'You gave me hyacinths first a year ago; 'They called me the hyaeinth girt., Yet when we 'carne back, late, from the Hyacinth garden, Your arms full, and your hair wet, I could not Sp,eak, and my eyes failed, ï was neither Living nor dead, and I knew nothing, 40 Looking into the heart of light, the silence. Oed' und \eer das Meer.
Madame Sosostris, famous clairvoyante, Had a bad cold, nevertheless ï,s known to be the wisest rvr/oman in Europe, With a wicked pack of oands. IIere, said she, Is your card, the drowned Phoenician Sailor, (Those are pearls that were his eyes. Look!) Here is Belladonna, the Lady of the Iüocks, The lady of situations. Here is the naan with three staves, and here the rfi/heel, And here is the one-eyed rnerchant, and this card, Which is blank, is something he carries on tris back, Which I am forbidden to see. I do not find The Hanged Man. Fear death by water. I see crowds of people, walking round in a ring. Thank yotr. If you see dear Mrs. Equitone,

Ou da tua sombra ao cair da tarde, levantando-se para te üocar; 30 Mostrar-te-ei me'do num punhado de pooira. Fri,sch weht der Wind Der Heimat zu Mein Irisch Kittd, Wo wei,lest du? rrDeste-me jacintos pela prirneita vez há um ano; rrChamavam-rne a rapar'iga dos jacintos.l dos Jacintos, - Porém, quando voltámos, tarde, do Jardim não podia Os íeus braços cheios e o cabelo molhado, eu Falar, e os meus olhos velaram-se, eu não esüava Vivo nem morto, e não sabia nada, 40 Espreitava o coração da luz, o silêncio. Oed' und leer das Meer.

50

Madame Sosostris, vidente famosa, Constipou-se bastante, e no entanto É tida pela maÍs sábia mulher da Europa, Com um perverso baralho de cartas. Aqui, disse ela, Está a sua carta, o Marinheir'o Fenício afogado, (Aquelas são pérolas que eram os seus olhos. Veja!) Aqui está Belladonna, a Senhora das IUochas, A senhora dos rnaus mornentos. Aqui está o homem dos três bordões, e aqui a IÌ,oda, E aqui o mercador zarolho, e esta cattà, Que é branca, é algo que ele leva às costas E que me é interdito ver. Não encontro O Enforcado. Acautele-se com a m'orte na água. Vejo multidões carninhando em cílculo. Obrigada. Se vir a querida Senhora Equitone,
,11

50

s0

TelI her I bring the horoscope myself: One must be so careful these daYs.
60 Unreai City, Under the brown fog of a winter dawn, A crowd flowed over London Bridge, so many, I had not thought death had undone so rnany. Sighs, short and infrequent, were exhaled, And each man fixed his eyes before his feet. Flowed up the hill and down King'William Street, To whene Saint Mary \Moolnoth kept the hours 'útrith a dead sound on the final stroke of nine. There I saw one I knew, and stopped him, crying: 'Stetson! 70 'YÇu who were with me in the ships at Mylae! year in your garden, 'That corpse you planted last 'Has it begun to sprout? \Mill it bloorn this year? 'Or has the sudden frost disturbed its bed? 'Oh keep the Dog far hence, that's friend to men, 'Or with his nails he'll dig it up again! 'You! hypocrite lecteur! mon semblable, mon frère!'

Diga-lhe que eu própria levo o horósoopo: Tem de se ter tanto cuidado hoje em dia' Cidade irreal, Sob o nevooiro castanho d'e uma madrugada de inverno' Uma multidão fluía sobre a Ponte de Londres, tantos' Eu não pensava que a morte tivesse destruído tantos' Suspiros, raros e curtos, eram exalados, E cacla homem tinha os olhos fixos diante dos pés' Fluíam pela cotrina acima e'desciam King'William Streeb' Até onde Saint Mary Wootnoth dá as horas Com um som mortiço na últirna badalada das nove' Aí vi alguém que conhecia e fi-lo parar' gritando: aStetson! 70 r<Tu, que estiveste cornigo na frota em Mile! passado no teu jadim <Aquele cadáver que plantaste o ano rtJá começou a despontar? Dará flor este ano? r<Ou a súbita geada perturbou o seu canteiro? tOh mantém o Cáo afastado, que é amigo dos homens' rOu ele com as unhas desenterra-o outra vez! semblable,-mon frèreltt trTul hypocrite lecteur!
60

-

-

-mon

32

33

II. A Game of

Chess

lI.

Uma Partid,a d,e Xad,rez

The Chair she sat in, like a burnished throne, Glowed on the marble, where the glass Held up by standards wror.lght with fruited vines B0 From which a golden Cupúdon peeped out (Another hid his eyes behind his wing) Doubled the flames of sevenbranched candelabra IleflectÍng light upon the table as The glitter of her jewels rose to rne'et it, From satin cases poured in rich profusion; In vials of ivory and colou,rod glass Unstoppered, lurked her strange synthetic perfumes, troubled, confused Unguent, powdered, or liquid And drowned the sense in odours; stirred by the air That freshened frorn the window, these asoended 90 In fattening the prolonged candle-flames, Flung their smoke into the laquearia, Stirring the pattern on the coffered ceiling. Huge se,a-w,ood fed with co per Burned green and orange, framed by the coloured stone, In which sad light a carvèd dolphin srü/am. Above the antique manüel was displayed As though a window gave uporì the sylvan scene The change of Philomel, by the barbarous king 100 So rudely fonced; yet there the nightingale Filled all the des'ert with inviolable voice And still she cried, and still the world pttïsues, 'Jug Jug' to dirty ears. And other withered stumps of time 'Were told upon the walls; staring forms
34

A Cadeira em que ela se senfava, como um trono polido, Cintilava no mármore, onde o espelho Suportado por colunas lavradas com videiras g0 De onde espreitava um Cupido dourado (Outro tapava os olhos oom a asa) Dobrava as chamas de candelabros de sete velas, Reflectindo a luz sobre a mesa quando A ela subia o brilho das jóias Profusamente derramadas de estojos de oeüim. Em frascos de marfim e vidro colorído Destapados, escondiam-se os seus estranhos e sintéticos perfumes, Unguentos, pós ou líquidos perturbando, confundindo E afogando os sentidos em aromas; impelidos pelo ar g0 Que soprava pela janela, elevavam-se, Avolumando a chama alongadra das velas, Lançando o fumo parà a laquearia E agitando os desenhos do tecto ern caixotões. Enormes lenhos de navio guarneoidos a cobre Ardia,m verde e I'aranja, emoldurados pela pedra oolorida, Em cuja luz triste nadava um golfinho cinzelado. Podia ver-se na prateleira do fogão antigo Como se uma janela desse para a cena silvestre A meüamorfose de Filomela, tão rudemente forçada Pelo bárbaro rei; no entanto, ali o rouxinol 100 Enchia todo o deserto com a sua voz invioiável E ela continuava a griüar e o mundo continua sempre nChac Chaor aos ouvidos -imundos. E outros definhados cepos de ternpo Encontravam-se narrados nas paredes; figuras de olhos fixos
35

Leaned out, leaning, hushing the roorn enclosed. Footsteps shuffted on the stair. Unrder the firelight, und.er the brush, her hair Spread out in fiery points Glowed inüo words, then would be savagely still.

110

lX)bruçavamse, impondo silêncio à sala fechada. Arrastaram-se passos na escada. fu a luz do fogo, sob a escova, o oabelo del,a Alastravâ em pontos de lume, l,'rrndia-se em palavras e depois caía numa quietude feroz.

110

'My nerves are bad to,night. yes, bad. Stay with me. 'Speak üo me. Why do you never speak. Speak. 'What are you thinking of? \4/hat thinking? lVhat? never know what you are think,ing. Think., 'I

(Os meus nervos estão mal esüa noite. Sim, mal. Fica ao pé de n:rim. rrli'ala comigo. Porque é que nunca falas? Faia. aEr-n que estás a pensar? Em que pensas? Em quê? rtNunca sei no que estás a pensar. Pensa.>

I think we are in rats, alley Where the dead. men lost their bones.
'What is that noise?,

(

lÌ)nso que estamos na viela dos ratos )nde os mortos perderam os seus ossos.

ïhe wind under the door. 'What is that noise now? What is the wind doing?,
Nothing again nothing.
.Do

rr()ue ruído é
r(Jr-re

este?n

t20

vento sob a norta. ruÍdo é este agora? O que esta o vento a fazer?t Nada de novo nada.
aNáo

120

'You know nothing? Do you see nothing? Do you remember 'Nothing?'

rrSabes nada? Não vês nada? Não
rr

te lembras

l)c nada?u
Lembro-me

ï romember Those are pearls that were his eyes. 'Are you aiive, or not? Is there nothing in your head?, But O O O O that Shakespeherian Rag _ It's so elegant So intelligent 130 'What shall I do now? What shall I do?, 'I shall rush out as I am, and walk the street 'With my hair down, so. What shall we do tomorrow?

(Jrre aquelas são pérolas que eram os seus olhos. rrlilstás vivo ou náo? Náo há nada na üua cabeça?r

Mas
t

)Ìr Oh Oh Oh essa t;; tão elegante

Ária Shakespeariana
130

'l'úo inteligente <Que hei-de faz,er agora? Que heide eu fazer?n rrVou saircomo estou e andarei na rura <Com o cabelo caído, pronto. Que vamos faz,er amanhã?

óí

'What shall we ever d.o?' The hot water at ten. .A,nd if it rains, a closed,car ât four. And we shall play a game of chess. Pressing lidless eyes and waiting Íor a knock upon the door.
\Mhen Lil's husband got demobbed,

() que havemos de fazer alguma

vez?n dez.

I jogaremos uma parüida de xadrez, )o'mprimindo os olhos sem pálpebras e e,sperando uma pancada na Ìl,orta.
ndo o marido da Lil saiu da tro,pa. eu disse -_ ão tive papas na língua, disse-lho eu própria, 140 )trspAcHEM-SE pOR FAVOïì QUE ESTÁ NA HORA gora que o Alberto 'es,tf, 616 volta, vê se tratas de ti. ,lle há-de querer saber o que fizeste ao dinheiro que te deu 'rrÌ'a pores os dentes. Deu, sim senhor, eu esüava lá. 'ira-os todos, Lil, e arranja uma boa dentadura, )isse ele, palavra que não posso olhar para üi. om eu tãoçouco, disse eu, e pensa no pobre Alberto, isleve na tropa quatro anos, queï divertir-se, i se não for contigo, será com outrras. disse eu. Ir, sim, disse ela. É possível, disse eu. 150 'irrÍ,ão saberei a qtrem agradecer, disse ela, e olhou-me bem d.e frente. )t';spAcHEM-sE poR FAVOR QIIE ESTÁ NA HORA ir: não gostas, tanto faz, d,isse eu. lri mais quem queira, se tu não queres.
l,l cla só tem trinta e um anos.) é minha a culpa, disse ela, desanimada, ,'.)rrìrn os comprimidos que tomei para o desmancho, diss,e ela. r l'lla já teve cinco e quase morreu quando nasceu o Jorginho.) 160

A água quente às i quando chove, um carro fechado às quatro.

140 HURRY UP PLEASE ITS TIME Now Albert,s coming back, make yourself a Ìrit smart. He'll want to know what you donó with that money he gave you To get yourself some teeth. He did, f was there. You have them atl out, Lil, and get a nice s,et, He said, f swear, f can't bear to look at you. And no more,can,t ï, f said, and think of poor Albert, He's been in the ârmy four years, he v/ants good a time, {14 it you don't give it him, there,s others will, ï said. Oh is there, she said. Something o, that, I said. 150 Then I'll know who to thank, shL said, and give me a straight look. HURRY UP PLEASE ITS TIME If you don,t like it you can get on with it, I said. Others can pick and choose if you cant. But if Albert makes off, it won,t be for lack of telling. You ought to be ashamed, I s,aid, to look so antiquel (And her only thirty-one.) f can't help it, she said, pulling a long face, It's them pills I took, to bring it off, she said. (She's had five already, and nearly died of young George.) 160

I,didn't minoe my words, I said to her myself,

f

said

_

38

39

The chemist said it would be all right, but f,ve never been the same. You are a proper fooÌ, I said. Well, if Albert won't leave you alone, there it is, ï said, what you get married for if you don't want children? HURRY UF PLEASE ITS TIME Well, that Sunday Albert was home, they haci a hot
gammo,n,

O farmacêutico disse que não fazia ma1, mas não voltei a ser a mesma. -ús rnesrno parva, disse eu. Se o Alberto não te deixa em paz,, pois bem, d,isse eu,

And they asked me in to d.inner, to get the beauty of it hot _ HUR,RY UP PLI]ASE ITS TIME HUR,R,Y UP PLEASE ITS TIME Goonight Bilt. Goonight Lo'. Goonight May. Goonight. 1?0 Ta ta. Goonight. Goonight. Good night, ladies, good night, sweet iadies, good night, good night.

Porque é que te casaste se náo querias filhos? DESPACHEM-SE POR, FAVOR QUE ESTÁ NA HOR,A Pois naquele domingo o Alberto estava em casa e eles tinham uma perna de porco E disseram-me que fosse lá jantar, para a saborear ainda

DESPACHEM-SE POR, FAVOR QUE ESTÁ NA HORA DESPACHEM-SE POR, FAVOR QUE ESTÁ NA HORA B'noiüe Bill. B'noite Lou. B'no,ite May. B'noite. 1?0 Tá-tá". B'noite. B'noite. Boa noite, senhoras, boa noite, gentis senhoras, boa noite, boa noite.

quenúe

40

41

il[.

The Fire Serrnon

ruL. O Sermão do Fogo
Rompeu-se a tenda do r'io: os últirnos dedos das folhas Agarram-se e afundam-se na margem molhada. C vento Âtravessa a terra castanha, sern se ouvir. As ninfas partiram. Doce Tamisa, desliza mansarnente, até ao fim do meu oanto. Náo há no rio garrafas vazias, papéis de sanduíches, Lenços de seda, caixas de cartão, pontas de cigarro ( )Ll outros testemunhos das noites de veráo. As ninfas partirarn. lÌ os seus amigos, os indolentes herdeiros dos magnates, 180 Partiram sem deixar endereço. .Iunto às águas do Léman sentei-rne e chorei... Doce Tamisa, deslj.za mansamente, até ao fim do meu canto, I)oce Tamisa, desliza mansarnente, que eu não falo alto nem por muito tempo. Mas ouço atrás de mirn, numa gélida rajada, () chocalhar dos ossos e o riso rasgado de orelha a orelha. um rato rastejou levemente entre a verdura, Arrastando nla ma gem o seu ventre visooso, llnqu'anto eu pescava no canal sombrio 190 Numa noite de inveïno, por detrás do gasómetro, Meditando no naufrágio do rei meu irmão tr na morte do rei rneu pai anües dele. Corpos brancos e nus no chão húmido e baixo E ossos lançados na mansarda seca e um pouco baixa Que só os pés dos raüos fazem chocalhar, ano após ano. Mas atrás de mim ouço de vez em quando O som de buzinas e rnotores, que há-de tr'azer Sweeney à Senhora Porter na primavera. Oh a lua rebrilhava na Senhora Porter

The river's tent is broken: the last fingers of leaf Clutch and sink into the r.vet bank. The wind Crosses the brown land, unheand. The nyrnphs are departed. Sweet Thames, run sofily, till I end my song. The river bears no empty botiles, sandwich papers, Silk handkerchiefs, cardboard boxes, cigarette ends Or other testimony of summer nights. The nymphs are departed. And their friends, the loitering heirs of city directors; 1g0 Departed, have left no addresses. By the waters of Leman I sat down and wept... Sweet Thames, run sofily till I end my song, Sweet Thames, run sofily, for I speak not úud or long. Eut at my back in a cold blast I hear The rattle of the bones, and chuchÌe spread from ear to ear. A rat crept sofily through the vegetation Dragging its stimy belty on the bãnk While I was fúshing in the dull canal On a winter evening round behind the gashouse f90 Musing upon the king my brother,s ,,Ã/reck And on the king my fatherrs death before him. \ÃIhite bodies naked on the low damp ground And bones aast in a litile low dry garret, Rattled by the rat's foot only, year to year.' Eut at my back from time to time I hear The sound of horns and motors, which shall bring Sweeney to Mrs. porter in the spring. O the moon shone bright on Mrs. porter

,,

43

wash their feet in soda water Et O ces aoh d,enfants, chantant dans ta coupole! Jug jug jug jug jug jug So rudely forc,d. Tereu

l1d on her daughter They

200

Twit twit twit

E na sua filha É ern soda que ambas I'avam os pés Et O ces aoix d'enfants, chantant dans la eoupole! Piu piu piu Chac chac chac chac chac chac Tão rudemente forçada.
Tereu

200

Unreal City Under the brown fog of a winter noon Mr. Eugenides, the Smyrna *"""út Unshaven, with a pocket full of zI0 C.i.f. London: docurnents at sight, ",rrÀt" Asked me in demotic French To luncheon at the Cannon Street Hotel Followed by a weekend at the Metropole. At the violet hour, when the eyes and back Turn upward from the desk, when the human engine waits Like a taxi throbbing waiüing, I Tiresias, though !lir9, ttrroúfing berween two lives, Old man with wrinkled female n"ãastr, can At the violet hour, the evenine hou;-th,at see strives ZZ0 Homeward, ,and brings the saft,o, fro*" frorn sea, The typist honae at üeatime, clears her nreakfast, lights Itrer stove, and lays out food in tins. Out of the window perilously spread Her drying combinatinns toutfrea nV tfr" sun,s last rays, 9" th" divan are piled (at night frer"UeOl Stockings, slippers, camisoles, and stays. I Tires,ias, old man with wrinkled dugs Perc'eived the soene, and foreúold the resr _
44

Cidade irreal Sob o nevoeir,o oastanho de um rneio-dia de inverno O Senhor Eugenides, o rner.,cador d.e Esmirna, Por barbear, com uma algibeira cheira de passas 2t0 C.i.f. Londres: do'cum,entos à vista, Convidou.me em francês demótioo Para almoçar no Cannon Street Hotel E passar o fim-de-sermana no Metrópole. Na hora violeta, quando os olhos e as costas Se levantam da secretária, quando a máquina humana espera Como um táxi espenando, palpitante, Eu, Tirésias, emb,ora cego, palpitando entre duas vidas, Velho de seios femininos enrugados, posso ver Na hora violeta, a hora da noite que nos arrasta 220 Para oasa, e ttaz o m,arinheiro do mar, A dactilógrafa de volta à hora do chá, arrumando a louça do p'equeïlo almoço, aoendendO O fogão e abrindo as latas de'conserva. a janela, perigosamente estendirdas, As suas cornbinações secam, tocadas pelos últimos raios de sol, No divã (à noite, a cama) empilham-se Meias, chinelas, corpetes e espar,tilhos. Eu, Tirésias, velho de tetas enrugadas, Observei a oena e adivinhei o resto

-

45

too awaited the expected guest. 230 He, the young man carÌouncular, arrives, A small house agont's clerk, with one bold stare, One of the low on whom assurance sits As a silk hat on a Bradford millionaire. The time is now propitious, ,as he guesses, The meal is ended, she is bored and tirecl, Endeavours to engage her in caresses Which still are unreproved, if undesired. Flushed and decided, he assaults at once: Exploring hands encounter no d.efence i 240 His vanity requires no ïesponse, And rnakes a weicome of indifferenoe. (And I Tiresias have foresuffersd all Enacted on this sarne divan or bed; I who have sat by Thebes below the watl And walked among the lowest of the dead.) Bestows one final patronising kiss, And gropes his way, finding the stairs unlit...
She turns and looks a moment in the glass, Hardly aware of her doparted lover; 250 Her br,ain allor,vs one half-formed thought to pass: ''lVell now that's done: and f'm glad it,s over., rfr/hen lovely r,)voman stoops to folly and Paces about her ro,om again, alone, She smoothes her hair with automatic hand, And puts a record on ühe gramophone.

I

'l';rrnbém eu aguardei o esperado visitante. 230 I,ìlc chega, o jovem carbunculoso, l'cqueno empregado de uma agência imobilúária, de olhar atrevido, tlm dos de baixa oondição em quem a arrogância assenta ( iomo um chapéu de seda num milionário de Bradford. Â alt-ura é agora propícia, como ele ponsa, A refeição acabou, ela está cansada e aborrecida, 'l'enta captá-la aom carÍcias, (Jue não são repelidas, embora não sejam desejadas. l,lxcitado e decidido, ataca de repente; suas mãos pesquisadoras não encontram defesa; 240 ^r; A vaidade dele não exige retribuição l,l toma a indiferença por bom acolhimento. r lÌ eu, Tirésias, iá pré-sofri tu o isto lÌ,r:presentado neste mesmo divã ou carna; l,lu, que me sentei em Tebas junto às muralhas l,l canr-inhei entre os rnais baixos dos mortos.) (:()ncede um último beijo proüector l,l procura o caminho às apalpadelas, na escada sem luz...
I,lla volta-se e olha-se um momen'to ao espelho, Mal se dando conta do desaparecido amante; ( ) seu cérebro oonsente um pensamento semi-formado: rrOra, já está: e ainda bem que acabou.D (ìuando urna linda mulher se entrega a loucuras e, I)e novo só, caminha de um lado para o outro no quarto,
r

250

)ornpõe automaticamen-te o cabelo fJ põe um disoo no gramofone.

'This music crept by me upon the waters' And along the Strrand, up eueen Victoria Street.
4t)

aEsta música deslizou a meu lado sobre as águasl

E ao longo do Strand, subindo Queen Victoria Street.
*t

O Ci,ty city, I can sometimes hear Beside a public bar in Lower Thames Street, 260 The pieasant whining of a mandoline And a clatter and a chatter from within 'Where fishrnen lounge at noon: where the walls Of Magnus Martyr hold Inexplicable sple,ndour of Ionian white and gold. The river sweats Oil and tar The barges drift \Mith the turning tide Red
\Mide

Cidade cidade, por vezes ouço Ao lado de um bar, em Lower Thames Street, 260 O agradável lamento de um bandolÍm E o ruído de pratos e das coïìversas 1á dentro, Onde os peixeiros se reúnem ao meiodia: onde as paredes De Magnus Martyr abrigam Um inexplicável esplendor de branco e ouro da Jónia.

o

O rio sua oleo e alcatrão
As barcas flutuam Com a mudança da maré
270

sails

Vela,s

vermelhas

270

To leewar.d, swing on the heavy spar. The barges wash

Drifting logs
Down Greenwich reach Past the Isle of Dogs. Weialala leia Wallala leialala Elizabeth and Leicesrer Beating oars The stern was formed A gilded sheil Re'd and gold The brisk swell Iìippled both shores Southwest wind Carried down stream

Soltas Fara sortavento, balouçarrn no mastro pesado. As barcas ernpurrarn Toros à deriva Para o braço de Greenwich, Passando a llha dos Cães. \MeÍalala leia Wallala leialala

2g0

Isabel e Leicester Rqnos batendo Formava a popa Uma concha do'urada Vermelho e ouro A ondulação viva Encrespava as duas margens O vento sudoeste Levou corrente abaixo

280

48

49

The peal of bells IMhite towers
\Meialala leia
290

Wailala leiatata 'Trams and dusty trees. Highbury bore rne. ïlichrnond and Kew Undid me. By Rich,mond. I raised my knees Supine on the floo,r of a namow canoe.o

O repique dos sinos Torres brancas Weialala leia \Mallala leialala

290

r<Eléctricos e árvores poeirentas. Highbury criou-me. Richmond e Kew Perderam-me. Em frente de Richmond levanüei os joelhos. Supina, no fundo de uma canoa estreiüa.n
<Os meus pés estáo em Moorgate, e o meu coraçáo Sob os meus pés. Dopois do caso Ele chorou. Prometeu ó(,ootÌtêÇâï de novo." Não fiz cornentários. Porque havia de levar a mal?l
300

'My feet are at Moorgate, and my heart Under my feet. After the event I{e wept. He pr,ornised ..a new start." I made no comment. \4rhat shoutd f resent?o
'On Margate Sands. can connect Nothing with no,thing. The broken fingernails of dirty hands. My people humble people who expect

I

Nothing.'

tNas areias de Margate. Não sou capaz de ligar Nada a nada. As unhas quebradas de máos sujas. Minha genüe humilde gente que nã,o espera
Nada.n
1á, tá"

300

la la
To Carthage then

I

came

Cheguei então a Cartago

Burning burning burning burning O Lord Thou pluckest me out O ï-iord T?rou phlckest
burning

310

Ardendo ard,endo ardendo ardendo ó Senhor, Tu despojas-me ó Senhor, Tu despojas
ardendo

310

50

q1

lV.

Death

by

Water

U. Morte nu Ág""
Phlebas, o Fenício, há quÍnze dias rnorto, Esqueoeu o griüo dras gaivotas, a ressaoa, Os ganhos e as pendas.

Phlebas the Phoenici'an, a Íorhright dead, Forgot the cry of ,gulls, and the deep sea swell And the profit and loss.

A current under sea in whispers. As he rose and fell He passed the stages o,f his age and youth Entering the whirlpool.
Pickect his bone,s

Uma corrente sob o mar
Soparou os seus ossos num murmúrio. Enq'Lranto se elevava e descia, Passonr as fases de adulto e de j,overn, Entrando no remoinho. Gentio ou Judeu, ó tu que voltas o leme e olhas no direcção do vento, 320 Pensa em Phlebas, que foi em tetrìpos alto e belo como tu.

Gentile or Jew O you who turn the wheel and iook to windward, 820 Consider Phlebas, wkro was once handsome and, tall as yo.u.

52

53

Y, What the Thunder *aid
After the torchl,ight red on sweaty faces After the frosty silence in the gardens After the agony in s,tony places The shouting and ühe crying Prison and palace and reve,rberatio,n Of thunder of spring over distant naountains He who was living is now dead We who where living are now dnng \Mith a little patience

V. O que disse .o Trooã,o
Depois do verrnelho das toohas nos rostos suados Depois do silêncio gelado nos jardins Depois da agonia nos lugares de pedra Griüos e choros

Prisáoepalácioeoeco
Do trováo da primavera nas monüanhas distantes O que esüava vivo está agora morto Nós que vivíamos morreïnos agora Com um pouco de paciência

BB0

BB0

Here is no water but only rock Rock and no water and the sandy road The road winding above ãmong the mounüains Whdch are mounüains of rock without water If there were water we should stop and drink Arnongst the rock one cannot süop or think Sweat is dry and Íeet are in the sand If there were only waüer amongst the rock Dead rnounüain motrth ,of carious teeth that cannot spit Here one can neither stand nor lie nor sit g40 There is not even silence in the mountains But dry süerúle thunder without rain There is not even solitude in the mountains But red sullen faces sneer and s,narl From doors of mudcnacked houses If there were water And no rock If there were rock And also water
54

Aqui náo existe água mas apenâs rocha Rocha e não água e a estrada arenosa A estrada serpenteando lá em cima entre as montanhas Que são montanhas de ro,cha sem água Se houvesse á,gua parávarnos e bebÍarnos No meio das rochas não se po,de parrar ou pensar O suor é seco e os pés enteruam-se ,na areia Se ao menos houvesse água entre as ro,chas Boca de montanha rnorta de dentos cariados que não pode cuspir Aqui náo se pode estar de pé nem deitado nem sentad.o 340 Não há sequer silêncio nas rnontanhas Mas o trovão seco e es'téril sem chuva Não há sequer solidão nas m,ontanhas Mas rostos hostis e verrnelhos que escaïnecem e ïosnam as porrtas de casas de lama gretada Se houvesse água E não rocha Se houvosse r.ocha E üambem água

And water
A spring

E
350

água
350

If there were the sound of water onlv Not the cicada And dry grass singing But sound of water over a rock 'Where the herrn-it,thrush sings in the pine trees Drip drop drip drop drop drop drop But there is no water
Who is the third who walks always beside you? When f count, there ar,e only you and I together But when I look ahead up the white road There Ís always another one walking beside you Gliding wrapt in a brown manile, lrooded I do not know whether a man oï a r,r/oman - But who is that on the other side of you? What is that sound high in the air Murmur of maternal larnentation
360

A p,ool among the rock

Uma nascente Um lago na rocha Se houvesse apeÍÌas o som da água Não a cigarra E o canto da erva seca Mas o sorn da água sobre a rocha Onde o tordo-eremita canta nos pinheiros Drip drop drip drop drop drop drop Mas não existe água

-

Quem é o terceiro que caminha sempre a teu lado? Quando conto, só vejo nós dois 860 Mas quando olho adiante na estrada branca Há sempre outr,o caminhando a teu lado, Deslizando envolvido num manto castanho, embuçado, Não sei se homem ou mulher Mas quem é que caminha a teu lado?

'Who are those hooded hordes swarming Over endless plains, strrmbling in cracked earth Ringed by the flat horizon only What is the city over the mountains Cracks and reforms and bursts in the violet air Falli'ng towers Jerusalem Athens Alexandr.ia Vienna London Unreal A woman drew her long black hair out tight

370

Que som é este tão alto no ar Murmúrio de larnentação nraterna Que hordas embuçadas são estas enxameando Planícies intermináveis, tropeçando na terra gretada Que só o horizonte plano rordeia Que cidade é esta nas montanhas Que se fonde e reforma e rebenta no Torres oaindo Jerusalém Atenas Alexandria Viena Londres

B?0

ar violeta

Irreais Uma mulheï puxou o seu longo cabelo negro

56

And fiddled whisper music on those strings And bats with baby faces in the violet light 'Whisiled, and beat their wings Bg0 And crawled head downward down a blacke,ned wall And upside down in air were towers Tolling reminis,oen^t bells, that kept the hours And voices singing out of empty cisterns and exhausted
wells.

E toeou nessas cordas uma música em sussurro E morcegos com rostos de bebé na luz violeta Sibilavam e batiam as asas 380 E rastejavam de cabeça para baixo numa parede enegrecida E no ar havia torres invertidas
E vozes cantando em cisternas vazias e em poços sem água.
Neste deoadente buraco entre as montanhas No pálido luar, a erva canta Nas sepulturas em desordem, à volta da capela Eis a capela vazia, só a casa do vento. Não tem janelas, e a porta oscitra, Ossos seoos nã,o fazem mal a ninguém. Bg0 Apenas um galo se empoleirava na trave Có có ricó có có ricó No clarão de um relâmpago. Depois uma rajada húmida Anunciando a chuva O Ganges baixara, e as folhas fláoidas Espenavam a chuva, enquanto as nìuvens negras Se juntavam muito ao longe, sobre o Himavant. A selva curvou-se, arqueada em silênoio. Então falou o trovão
4oo

Sinos reminiscentes que davam as horas

Over the tumbled graves, about the chapel There is the empty chapel, only the windt It has no windows, and the door swings, home. Dry bones ean harm no one. only a cock stooà on the rooÍtree Co co rico co co rico fn a flash of lighüning. Then a damp gust Bringing rain
Ganga was sunken, and the limp leaves \üaited for raür, while úhe black ctouCs Gathered far distant, over Himavant. The jungle crouched, humped in silence. Then spoke the thunder DA

In this decayed hole among the mountains In the faint moonlight, the grass is singing

390

Datta: what have we given? My friend, blood shaking my heart The awful daring of a móment,s surrender ,ân age of prudence can neveï reÍract Iftri9l By this, and this only, we have existeã

400

DA

Datta: o que demos nós? Meu amigo, o sangì.le que faz bater o meu coração A terrível terneridade da entrega de um mornento Que uma era de prudência não pode resgatar Por isto, e só por isto, temos existido

58 59

\ühich is not to be found. in our obituaries Or in memories draped by the beneficent spider Or under seals broken ny the lean solicitor fn our empty rooms
DA
Dagad,htsant:

Turn in the door once and turn once onÌy We think of the key, each in hÍs priuon Thinking of the key, each confirms a prison lnlV at nightfail, aether,eal rumours I?evive for a moment a broken Coriolanus DA Damgata: The boat responded Gaily, to the hand expert with sail and oa,r sea was calm, your heart would have responcled 420 Jhg Gaily, when invited, beating ofeCút To contro,lling hands

I

have heard the

key

410

DA

O que não se encontra nos nossos obituários Nem nas recordações disfarçadas pela aranha beneficente Nem sob os selos quebrados pelo magro procurad,or Nas nossas salas vazias
410

Dayadhuam: ouvi a chave Voltar-se urna vez na po'rüa e só uma vez Nós pensannos na chave, cada u'm na sua prisáo Pensando na chave, cada um confirma urna prisão Apenas ao cair da noite, rumores etéreos Fazem reviver poï um m,omento um Coriolano derrotado DA Darnyata: O barco nespondeu Alegremente à mão experrinaentada nas velas e nos remos O rnar estava calmo, o teu coração teria respondido Alegremente ao convite, batendo obediente Às mãos que dirigem Sentei-me na rnargem A pescar, tendo atrás de mim a planície árida Porei ao menos as minhas terras em ordem? A Torre de Londres está a cair está a cair está a cair Poi s'ascose nel loco che gli affi.na Quando liam uti chelidon- ó andorinha andorinha Le Prince d'Aquitaine d la tour abolie

420

tfl:n the shore Fishing, wfth rhe arid plain ,:d:l Shall ï at least set my lands in order? London Bridge is falling down fall,ing down falling down P^oi s'ascose nel loco che gli aïÍina Quando liam uti chelid,on_ O swallow swailow Le Prince d,Aqui,taine d Ia tour abolie These fragments ï have shored. Why then lle fit you. Hieronymot, mad "gui*t my ruins 480 againe. Datta. Dayadhvam. Damyaüa. Shantih shantih shantih

*

Com estes fragmentos escorei as minhas ruínas 430 À fé que vos darei o que é devido. Jerónimo está de novo louco. Datta. Dayadhvam. Damyaüa. Shantih shantih shantih

* V. na Introdução a análise sobre a transposição
guês. 6A 61

deste verso para portu-

ffotas sobre <A Terra sem Vida>r*
Náo apenas o título, mas também o plano e urna boa parte do simbolisrno acidental do poeÍna ïoram sugeridos pelo livro de Miss Jessie L. lil'eston sobre a lenda do Graal: From Rì.tua| to Romnnce (Cambridge). Na verdade, de tal modo me sinto em dívida que o livro de M'iss \Mesüon elucidará muito melhor as dificuldades do poema do que as minhas notas poderão fazê-Lo1' e recomendo-o (independentemente do gr,ande inüeresse do livro em si) aos que acharem que o poema rnerece urna tal elucidação. Para corn outro trabalho de antropologia me sinto, de uma rnaneira geral, em dívida, urn que tem influenciado profundarnente a nossa geração; refiro-rne a The Golden Bough, de que util,izei especialmente os dois volumes Adonis, Attis, Osiris. Os que estão familiarizados oom estas obras irnediatamente reconhecerão no poema cerüas referênci'as a ritos de vegetação.

* Redigidas por T. S. Etiot.
63

I. O Enterramento dos Mortos
Verso 20. Cf. rrEzequiell,
23. Ct. nEclesiastesl,
31. 42.

ll,

Uma Partid,a de Xad,rez

II,
r'.

i.

77. Cf.. António e Cleópatra,

II, ii, verso

lg0.

XII,

92. Laquearia. Y. Eneid.a, L, 126:
5-8.

V. aTristã.o e Isoldal. I. versos

Id. III. verso

dependant lychni laquearibus aureis incensi, et noctem flammis funalia vincunt.
98. Cena silvestre. V. 99.
100.

24,

46. Não conheço a constituição exacta do Ìoar"aiho de cartas

Milton, paradise Lost, IV, I40.

Tarot, de que obviamente me afastei segundo as minhas conveniências. O Enforcado. membro do baralho tradicional, serve o meu fim de dois modos: porque está no meu espírito associado ao Deus Enforcaclo de Frazer e porque o associo à figura embuçada da passagem dos discÍpulos a oaminho de Emaús, na Parte V. O Mari nheiro Fenício e o Mercador aparecem mais tarde; as rtmultidõesu também, e a Morte na Água tem lugar na Parte IV. O Homem dos Três Bordões (membro autêntico do baralho Tarot) associo, bastante arbitrariamente, ao próprio Rei Pescador.
60. Cf. Baudelaire:

V. Ovídio, Metamorfoses, VI, Filomela.
Cf. Parte verso verso
204. 195.

III, 115. Cf. Parte III,
118. Cf. Webster:

nls the wind in that door still?r (ttO vento está ainda nessa porta?l) Cf. Parüe

126. 138.

I,

versos 87, 48.

de Middleton.

Cf. a partida de xadrez em Wom,en bewqre Women.

trFourmillante cité, cité pleine de rôves, aOü le spectre en plein jour raccroehe le passant.l
63. Cf. alnfernou,

III,

55-5?:

di
64.

<si hrnga tratta gente, ch'io non avrei mai creduto
che morte üanta n'avesse disfatta.l
25-27:

lll. O Sermã,o d.o Fogo
176.

V. Spenser, prothalamion.

Cf. trfnfernol, IY,
r<che

L92. Cf.. The Tempest,

I,

ii.

r<Quivi, secondo che per ascoltare, (non avea pÍanto, ma' che di sospiri,

i96. CÍ. Marvell,
aWhen

To His CoE Mistress.

l'aura eterna facevan tremare.l

197. Cf. Day, Parliament

68.

Um fenómeno que muitas vezes tenho notado. 74. Cf,. a Endecha em White Deuil, de lffebster.
?6. V. Baudelaire, Prefácio das Flores d.o MaI.

ol Bees: of the sudden, listening, you shall hear, (A noise of horns and hunting, which shall bring aActaeon to Diana in the spring, (\ryhere all shall see her naked skin...> (<Quando, ao escutar, ouvirás de repente
OD

64

(O ruído de trompas e de caça, que trará aActéon a Diana na primavera,
aE todos verão a sua pele nua...tr)
199.

Não sei qual a origem da balada de onde Íoram tiraV. Verlaine, ParsiÍal

dos estes versos: mandaram-ma de Sydney, Áustrália.

202.

210. As passas eram cotadas

a um preço incluindo fransporte e seguro até Londres; e o conhecimento de embarque, etc,, devia ser entregue ao comprador contra pagamento da letra à vista.
Tirésias, embora um simples espectador e náo de facto uma (personagemn, é no entanto a figura mais importante do poema, unindo tudo o resto. Tal como o mercador zarolho, vendedor de passas, se funde no Marinheiro Feníoio e este não é toüalmente distinto de Fernando, Príncipe de Nápoles, assim também todas as mulheres são uma mulher e os dois sexos se confundem em Tirésias. O que TÍrésias aê é, de facto, a substância do poema. Toda a passagem de OvÍdio d de grande interesse antropológico: a... Cum lunone iocos et maior vestra profecto est
Quam, quae contingit maribusl, dixisse, tvoluptas.r Illa negat; placuit quae sit sententia docti Quaerere Tiresiae: venus huic erat utraque notâ. Nam duo magnorum viridi coeuntia silva Corpora serpentum baculi violaverat ictu Deque viro faotus, mirabile, femina sepüem Egerat au'tumnos; ootavo ruÍsus eosdem Vidit et <rest vestrae si tanta potentia plagaer, Dixit rrut auctoris sortem in contraria mutet, Nunc quoque vos feriamll percussis anguibus isdem

218.

At pater omnipotens (neque enim licet inrita cuiquam Facta dei fecÍsse deo) pro lumine adempto Scire futura dedit poenamque levavit honor€, 22I. Isto pode náo parecer tão exacto como os versos de Safo, mas eu üinha em mente o pescador costeiro ou de dóri, que regressâ ao cair da noite. 253. V. Goldsmith, a canção em The Vicar ol Wakefield. 257. V. The Tempesú, como acÍma. 264. O interior de St. Magnus Martyr é, quanto a mim, um dos mais belos de Wren. Ver The Proposed Demoli' tion oÍ Nineteen CitE Clturches: (P. S. King & Son, Ltd.). 266. A Canção das (três) Filhas do Tamisa começa aqui. Do verso 292 ao 306 inclusive, falam uma por umâ. \t. Giitterddrnrnerung, III, i: as Filhas do Reno. 279. V. Froude, Elizabeth, Vol. I, cap. iv, carta de De Quadra a Filipe de Espanha: r<À tarde enoontrávamo-nos numa barca, observando os jogos no rio. (A rainha) estava só com Lord Robert e comigo na popa, quando eles começaram a gracejar, e de tal modo que Lord Robert foi ao ponto de dizer, diante de mim, que não via razáo para não se casarem se à rainha aprouvesse.)) 293. Cf. Purgatório, V, 133: cRicorditi di me, che son la Pia; rrSiena mi fe', disfecemi Maremma.D 307. V. as Confissões, de Santo Agostinho: acheguei então a Cartago, onde uma caldeira de amores pecaminosos me cantava aos ouvidos.l 308. O texto completo do Sermáo do Fogo do Buda (que
zido em Buddhism in Translatioz (Harvard Oriental Series) do falecido Henry Clarke Warren. Mr. \ilarren foi um dos grandes pioneiros dos estudos budistas no
Ocidente. 67 corresponde em importância ao Sermão da Montanha), de onde são tiradas estas palavras, encontra-se tradu-

Forma prior rediit genetivaque venit imago. Arbiter hic igitur sumptus de lite iocosa Dicta lovis firmat; gravius Saturnia iusto Nec pro materia fertur doluisse suique

Iudicis aeterna damnavit lurnina nocte,
ob

309. Novamente das Conlàssões

tal e ocidental, como culminância desta parte do ma, não é casualidade.

de Santo Agostturho. A colocação destes dois representantes clo ascetÍsmo orienpoe_

40?. Cf. Websüer, The White Deuit.

y.

Make

Ere the worm pierce your winding-sheet, ere the spider

vi: <...they,ll remarry

a thin curtain for your

epitaphs.,,

V. O que d,ísse o

Troaão

Na primeira parte da parte V são empregados três temas: a viagem para Emaús, a aproximação da Capela perigosa (ver o livro de Miss lMeston) e a presente decadência da Europa oriental.
35?.

Antes que o que a aranha Teça uma fina cortina pâra o teu epitáfio.>r)
411. Cf.

ítr...eles tornarão a casar_se verme âtravesse a tua mortalha, antes

É o Turdus aonalaschkae pallasii, o tordo.eremita, que ouvi na província de euébec. Chapman diz (IIand.book ol Birds ol Ea,stern North Anzerica./ agosta es_ pecialmente dos bosques isolados e <j,as matas cerradas. ...á,s suas notâs não se evidenciam nem pela variedade nem pelo volume, mas em pureza e doçura de tom, krem como em fina modulação, não têm rival.l A sua <canção das gotas de águar é justamente célebre.
424.

na realidade se podia contar. 366-?6. CÍ. Hermann Hesse, Blick ins Chaos: <Schon ist halb Europa, schon ist zumindest der halbe Osten Europas auf dem \4/ege zum Chaos, fâhrt betrunken im heiligen Wahn am Abgrund enilang und singt dazu, singt betrunken und hyrnnisch wie Dmitri Karamasoff sang. Ueber diese Lieder lacht der Bürger beleidigt, der Heilige und Seher hõrt sie mit Trânen.> 401. uDatta, dayadhvam, damyatal (Dá", condói-te, con. trola). A fábula do signifioad.o do Trovão encontra-se na Brihadarangaka-tlp,anishad., S, I. Está traduzid.a
em Secheig Apanishad,s des Veda, de Deussen, páe.489. 68

360. Os versos seguintes foram inspirados pela narração de uma das expedições ao Antárctico (esqueci_me de qual, mas penso que é uma de Shaekleton): cliz-se aí oue os exploradores, completamente exaustos, tinharn- a consüante ilusão de havey mais um mernbro do que

Inlerno, XXXïïI, 46: io sentii chiavar I'useio di sotto all'orribile torre.l Também F. H. Bradley, Appearence and ReatitE, pág. 346: aAs minhas sensações exteriores não são para mim menos íntimas que os meus pensamentos ou sentimentos. Em qualquer dos casos, a rninha expe_ riência contém-se no meu próprio círculo, um círculo fechado por fora; e, com todos os seus elementos idênticos, cada esfera é opaca para as outras que a rodeiam... Resurnindo, consid.erado como uma exis_ tência que se manifesta numa alma, o mundo inteiro, pârâ cada um, é peculiar e particular para essa alma.l
sed
o

V. \Ã/eston: From Ritual to Romance; capÍtulo sobre Rei Pescador.

427.

V. Purgatório, XXVI, 148: .(Ara vos prec per aquella valor (que vos guida al som de I'escalina, (sovegna vos a temps de ma dolor.l Poi s'ascose nel foco che gli affina.'

428. V. Peruigilium Veneris. Cf. Filomela nas partes

ïI e III.

V. Gérard de Nerval, Soneto Et Desdichaclo. 431. V. Spanish Tragedg, de Kyd.
429.

433. Shantih. Repetido como aqui,

fim formal de uma Upa. nishad. <A Paz que ultrapassa o entendimentor é o nosso equivalente para esta palavra.
69

ÍNDIÕE
Pá9.

Introdução

o

I. O Enierramenfo dos lvlortos II. ÌJma Partida de Xadrez III. O Sermão do
IV. Morte na Água
Fogo
...

...

29

Áa

...

V. O que disse o Trovão

...

55 63

Notas sobre uA TERII,A SEM VIDAT

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful