Torre Bela AZAGROsociocultural Breve Historia Utopia (im)Possivel

TORRE BELA – AZAGRO SOCIOCULTURAL – breve História de uma UTOPIA imPOSSÍVEL

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Breve História de uma utopia (im)possível

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C O O P E R A T I V

UNIÃO COOPERTIVA DE PRODUÇÃO AGRÍCOLA AZAGRO AVEIRAS DE CIMA, AZAMBUJA

AGRÍCOLA DE PRODUÇÃO FERRARIA AMEIXOEIRA

AGRÍCOLA POPULAR DA TORRE BELA

AGRO-PECUÁRIA HERDADE DO BRINÇAL (Rio Maior)

AGRÍCOLA AVEIRAS DE CIMA

A AGRÍCOLA DA MARQUESA (?)
Dossier com alguns elementos práticos de métodos, normas e orientações pedagógicas; sugestões de progressão linguÍstica, gramatical e temática recolhida de diversas experiências... PARA ENCONTROS DE FORMAÇÃO DE ANIMADORES E ALFABETIZADORES COMO ELEMENTOS BASE A SEREM COMPLENTADOS E REVISTOS PELA PRÁTICA SECÇÃ0 SÓCIO-CULTURAL A Z A G R O AVEIRAS DE CIMA, AZAMBUJA, PORTUGAL – OUTUBRO DE 1976 Responsável José Rabaça Gaspar

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AZAGRO sociocultural alguns TEXTOS DE ABERTURA

LOUVOR DO APRENDER poema de bertolt brecht versão portuguesa de paulo quintela
bertolt brecht Augsburg, 10 de Fevereiro de 1898 Berlim, 14 de Agosto de 1956

APRENDE O MAIS SIMPLES! PRA AQUELES CUJO TEMPO CHEGOU NUNCA É TARDE DEMAIS! APRENDE O ABC, NÃO CHEGA, MAS APRENDE-O! E NÃO TE ENFADES! COMEÇA! TENS DE SABER TUDO! TENS DE TOMAR A CHEFIA! APRENDE, HOMEM DO ASILO! APRENDE, HOMEM NA PRISÃO! APRENDE MULHER NA COZINHA! APRENDE SEXAGENÁRIA! TENS DE TOMAR A CHEFIA! FREQUENTA A ESCOLA, HOMEM SEM CASA! ARRANJA SABER, HOMEM COM FRIO! FAMINTO, PEGA NO LIVRO: É UMA ARMA. TENS DE TOMAR A CHEFIA!
Paulo Quintela – Bragança, 24.12.1905 – Coimbra, 09.03.1987

NÃO TE ACANHES DE PERGUNTAR, COMPANHEIRO! NÃO DEIXES QUE TE METAM PATRANHAS NA CABEÇA: VÊ C’OS TEUS PRÓRIOS OLHOS! O QUE TU MESMO NÃO SABES NÃO O SABES. VERIFICA A CONTA: ÉS TU QUE PAGAS. PÕE O DEDO EM CADA PARCELA, PERGUNTAJ COM0 APARECE ISTO AQUI? TENS DE TOMAR A CHEFIA.
Bertold Brecht, in 'Lendas, Parábolas, Crónicas, Sátiras e outros Poemas' Tradução de Paulo Quintela

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Perguntas de um Operário Letrado poema de bertolt brecht versão portuguesa de paulo quintela Quem construiu Tebas, a das sete portas? Nos livros vem o nome dos reis, Mas foram os reis que transportaram as pedras? Babilónia, tantas vezes destruida, Quem outras tantas a reconstruiu? Em que casas Da Lima Dourada moravam seus obreiros? No dia em que ficou pronta a Muralha da China para onde Foram os seus pedreiros? A grande Roma Está cheia de arcos de triunfo. Quem os ergueu? Sobre quem Triunfaram os Césares? A tão cantada Bizâncio Sò tinha palácios Para os seus habitantes? Até a legendária Atlântida Na noite em que o mar a engoliu Viu afogados gritar por seus escravos. O jovem Alexandre conquistou as Indias Sózinho? César venceu os gauleses. Nem sequer tinha um cozinheiro ao seu serviço? Quando a sua armada se afundou Filipe de Espanha Chorou. E ninguém mais? Frederico II ganhou a guerra dos sete anos Quem mais a ganhou? Em cada página uma vitòria. Quem cozinhava os festins? Em cada década um grande homem. Quem pagava as despesas? Tantas histórias Quantas perguntas

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Dificuldade de governar poema de bertolt brecht versão portuguesa de paulo quintela 1 Todos os dias os ministros dizem ao povo Como é difícil governar. Sem os ministros O trigo cresceria para baixo em vez de crescer para cima. Nem um pedaço de carvão sairia das minas Se o chanceler não fosse tão inteligente. Sem o ministro da Propaganda Mais nenhuma mulher poderia ficar grávida. Sem o ministro da Guerra Nunca mais haveria guerra. E atrever-se ia a nascer o sol Sem a autorização do Führer? Não é nada provável e se o fosse Ele nasceria por certo fora do lugar. 2 E também difícil, ao que nos é dito, Dirigir uma fábrica. Sem o patrão As paredes cairiam e as máquinas encher-se-iam de ferrugem. Se algures fizessem um arado Ele nunca chegaria ao campo sem As palavras avisadas do industrial aos camponeses: quem, De outro modo, poderia falar-lhes na existência de arados? E que Seria da propriedade rural sem o proprietário rural? Não há dúvida nenhuma que se semearia centeio onde já havia batatas. 3 Se governar fosse fácil Não havia necessidade de espíritos tão esclarecidos como o do Führer. Se o operário soubesse usar a sua máquina E se o camponês soubesse distinguir um campo de uma forma para tortas Não haveria necessidade de patrões nem de proprietários. E só porque toda a gente é tão estúpida Que há necessidade de alguns tão inteligentes. 4 Ou será que Governar só é assim tão difícil porque a exploração e a mentira São coisas que custam a aprender?

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Thiago de Mello (Amadeu Thiago de Mello (Barreirinha, 30 de março de 1921) é um poeta brasileiro.)
ESTATUTO DO HOMEM (Ato Institucional Permanente) A Carlos Heitor Cony Artigo I Fica decretado que agora vale a verdade. agora vale a vida, e de mãos dadas, marcharemos todos pela vida verdadeira. Artigo II Fica decretado que todos os dias da semana, inclusive as terças-feiras mais cinzentas, têm direito a converter-se em manhãs de domingo. Artigo III Fica decretado que, a partir deste instante, haverá girassóis em todas as janelas, que os girassóis terão direito a abrir-se dentro da sombra; e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro, abertas para o verde onde cresce a esperança. Artigo IV Fica decretado que o homem não precisará nunca mais duvidar do homem. Que o homem confiará no homem como a palmeira confia no vento, como o vento confia no ar, como o ar confia no campo azul do céu. Parágrafo único: O homem, confiará no homem como um menino confia em outro menino. Artigo V Fica decretado que os homens estão livres do jugo da mentira. Nunca mais será preciso usar a couraça do silêncio nem a armadura de palavras. O homem se sentará à mesa com seu olhar limpo porque a verdade passará a ser servida antes da sobremesa. Artigo VI Fica estabelecida, durante dez séculos, a prática sonhada pelo profeta Isaías, e o lobo e o cordeiro pastarão juntos e a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora. Artigo VII Por decreto irrevogável fica estabelecido o reinado permanente da justiça e da claridade, e a alegria será uma bandeira generosa para sempre desfraldada na alma do povo. Artigo VIII Fica decretado que a maior dor sempre foi e será sempre não poder dar-se amor a quem se ama e saber que é a água que dá à planta o milagre da flor. Artigo IX Fica permitido que o pão de cada dia tenha no homem o sinal de seu suor. Mas que sobretudo tenha sempre o quente sabor da ternura. Artigo X Fica permitido a qualquer pessoa, qualquer hora da vida, o uso do traje branco. Artigo XI Fica decretado, por definição, que o homem é um animal que ama e que por isso é belo, muito mais belo que a estrela da manhã. Artigo XII Decreta-se que nada será obrigado nem proibido, tudo será permitido, inclusive brincar com os rinocerontes e caminhar pelas tardes com uma imensa begônia na lapela. Parágrafo único: Só uma coisa fica proibida: amar sem amor. Artigo XIII Fica decretado que o dinheiro não poderá nunca mais comprar o sol das manhãs vindouras. Expulso do grande baú do medo, o dinheiro se transformará em uma espada fraternal para defender o direito de cantar e a festa do dia que chegou. Artigo Final. Fica proibido o uso da palavra liberdade, a qual será suprimida dos dicionários e do pântano enganoso das bocas. A partir deste instante a liberdade será algo vivo e transparente como um fogo ou um rio, e a sua morada será sempre o coração do homem. Thiago de Mello Santiago do Chile, abril de 1964

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Breve História de uma utopia (im)possível Em “Canção para os fonemas da alegria”, dedicado ao Paulo Freire, o poeta declara seu amor pelas palavras, mostrando o método de alfabetização criado pelo educador: “porque unindo pedaços de palavras aos poucos vai unindo argila e orvalho, tristeza e pão, cambão e beija-flor, e acaba por unir a própria vida no seu peito partida e repartida afinal descobre num clarão” O homem, florescido com as palavras, cresce com o conhecimento, chama seus companheiros e espalha o pólen do seu aprendizado. O poeta encerra seu canto com a alegria presente nos fonemas: “canção de amor geral que eu vi crescer nos olhos do homem que aprendeu a ler.”

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CONSCIENTIZAÇÃO
J. Roberto S. Ribeiro (Sociólogo /Estatístico /Mestrado /Professor - http://pt.scribd.com/doc/54684335/CONSCIENTIZACAO5 Canção Para os Fonemas da Alegria Thiago de Mello Peço licença para algumas coisas. Primeiramente para desfraldar este canto de amor publicamente. Sucede que só sei dizer amor quando reparto o ramo azul de estrelas que em meu peito floresce de menino. Peço licença para soletrar, no alfabeto do sol pernambucano, a palavra ti-jo-lo, por exemplo, e poder ver que dentro dela vivem paredes, aconchegos e janelas, e descobrir que todos os fonemas são mágicos sinais que vão se abrindo constelação de girassóis gerando em círculos de amor que de repente estalam como flor no chão da casa. Às vezes nem há casa: é só o chão. Mas sobre o chão quem reina agora é um homem diferente, que acaba de nascer: porque unindo pedaços de palavras aos poucos vai unindo argila e orvalho, tristeza e pão, cambão e beija-flor, e acaba por unir a própria vida no seu peito partida e repartida quando afinal descobre num clarão que o mundo é seu também, que o seu trabalho não é a pena que paga por ser homem, mas um modo de amar - e de ajudar o mundo a ser melhor. Peço licença para avisar que, ao gosto de Jesus, este homem renascido é um homem novo: ele atravessa os campos espalhando a boa-nova, e chama os companheiros a pelejar no limpo, fronte a fronte, contra o bicho de quatrocentos anos, mas cujo fel espesso não resiste a quarenta horas de total ternura. Peço licença para terminar soletrando a canção de rebeldia que existe nos fonemas da alegria: canção de amor geral que eu vi crescer nos olhos do homem que aprendeu a ler. Santiago do Chile,verão de 1964.

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alfabetização de adultos thiago de mello dia de s. nicolau, berlim, 74 faço hoje, agora, aqui, o que é preciso e acho que sei fazer. Não farei mais, só pelo turvo gosto do esplendor (acaso oculto no fundo do ventrículo) o que a hora não pede e a circunstância regeita abertamente. se me chamam para amarrar o mar, só ajudarei se servir a alegria da menina que me ensina a ser claro sobre o chão. não faço oque não amo. e me preparo para amanhã faz er o que amanhã vai ser preciso: e pra melhor fazer, aprendo no que errei fazendo agora. é por isso que aqui não faço nada, a não ser aprender, porque é preciso (já algo consigo), a ler na escuridão.

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O Operário Em Construção Vinicius de Moraes

Camponês que se Cultiva Zé da Serra (deNómio de José Rabaça Gaspar)

E o Diabo, levando-o a um alto monte, mostroulhe num momento de tempo todos os reinos do mundo. E disse-lhe o Diabo: - Dar-te-ei todo este poder e a sua glória, porque a mim me foi entregue e dou-o a quem quero; portanto, se tu me adorares, tudo será teu. E Jesus, respondendo, disse-lhe: - Vai-te, Satanás; porque está escrito: adorarás o Senhor teu Deus e só a Ele servirás. Lucas, cap. V, vs. 5-8. Era ele que erguia casas Onde antes só havia chão. Como um pássaro sem asas Ele subia com as casas Que lhe brotavam da mão. Mas tudo desconhecia De sua grande missão: Não sabia, por exemplo Que a casa de um homem é um templo Um templo sem religião Como tampouco sabia Que a casa que ele fazia Sendo a sua liberdade

29 de Setembro de 1976, ao ouvir o poema "operário em construção" de Vinicius de Morais e tendo pela frente os problemas e conflitos dos camponeses e trabalhadores das cooperativas do ribatejo azambuja, Zé da Serra.

...era camponês e filho de gerações de camponeses assim o dizem todas as respostas a todos os inquéritos. já os avós nasceram e morreram no campo e os nossos filhos terão,o mesmo destino. a vida deles era sempre igual amanhar o bocado cavar a vinha esperar a colheita esperar que o tempo e a má sorte não dêem cabo de tudo andar à procura do trabalho escravo de

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Era a sua escravidão. De fato, como podia Um operário em construção Compreender por que um tijolo Valia mais do que um pão? Tijolos ele empilhava Com pá, cimento e esquadria Quanto ao pão, ele o comia... Mas fosse comer tijolo! E assim o operário ia Com suor e com cimento Erguendo uma casa aqui Adiante um apartamento Além uma igreja, à frente Um quartel e uma prisão: Prisão de que sofreria Não fosse, eventualmente Um operário em construção. Mas ele desconhecia Esse fato extraordinário: Que o operário faz a coisa E a coisa faz o operário. De forma que, certo dia À mesa, ao cortar o pão O operário foi tomado De uma súbita emoção Ao constatar assombrado Que tudo naquela mesa - Garrafa, prato, facão Era ele quem os fazia Ele, um humilde operário, Um operário em construção. Olhou em torno: gamela Banco, enxerga, caldeirão Vidro, parede, janela Casa, cidade, nação! Tudo, tudo o que existia Era ele quem o fazia Ele, um humilde operário Um operário que sabia Exercer a profissão. Ah, homens de pensamento Não sabereis nunca o quanto Aquele humilde operário Soube naquele momento! Naquela casa vazia Que ele mesmo levantara Um mundo novo nascia De que sequer suspeitava. O operário emocionado Olhou sua própria mão Sua rude mão de operário De operário em construção E olhando bem para ela trabalhar p'rós outros... levantar cedo ir para a praça expor-se como mercadoria esperar ser comprado ou regeitado e voltar ao outro dia depois de ter afogado a regeição em álcool sem nunca saber a sorte que o espera dependente dum favor ou dum truque... ...talvez consiga ir no meio dum grupo, ...mais um no meio dum rancho e estar semlpre inseguro incerto com a casa (a casa?) ...o buraco cada vez mais velho Sem economias para o renovar...! os outros iguais partiram. foram para as franças e “araganças” ou para as alemanhas... foram-se vender a outros... fartos de serem vendidos fartos de serem regeitados fartos de serem pobres fartos de amanhar as terras dos outros fartos de ver as terras dos outros por cultivar... e ele sem terra para cultivar!!! e ele sem passar da cepa torta... e ele sem saber uma letra do tamanho dum comboio... sem saber fazer contas... a receber o que lhe dão sem poder pôr o dedo na conta e dizer: isto 'stá mal! e a pagar o que lhe pedem e sempre a ver que nunca chega o que lhe pagam, para o que lhe pedem para pagar... é sempre mais o que lhe pedem pelo pão do que o que lhe dão por ser ele a cultivar, ceifar debulhar e ensacar o pão... até que um dia ao entrar na casa do patrão o que lhe pagava os míseros tostões pelo trabalho da jorna

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Teve um segundo a impressão De que não havia no mundo Coisa que fosse mais bela. Foi dentro da compreensão Desse instante solitário Que, tal sua construção Cresceu também o operário. Cresceu em alto e profundo Em largo e no coração E como tudo que cresce Ele não cresceu em vão Pois além do que sabia - Exercer a profissão O operário adquiriu Uma nova dimensão: A dimensão da poesia. E um fato novo se viu Que a todos admirava: O que o operário dizia Outro operário escutava. E foi assim que o operário Do edifício em construção Que sempre dizia sim Começou a dizer não. E aprendeu a notar coisas A que não dava atenção: Notou que sua marmita Era o prato do patrão Que sua cerveja preta Era o uísque do patrão Que seu macacão de zuarte Era o terno do patrão Que o casebre onde morava Era a mansão do patrão Que seus dois pés andarilhos Eram as rodas do patrão Que a dureza do seu dia Era a noite do patrão Que sua imensa fadiga Era amiga do patrão. E o operário disse: Não! E o operário fez-se forte Na sua resolução. Como era de se esperar As bocas da delação Começaram a dizer coisas Aos ouvidos do patrão. Mas o patrão não queria Nenhuma preocupação - "Convençam-no" do contrário Disse ele sobre o operário e nem o "justado" lhe pagava... havia sempre uns descontos... - um "cortel" descontado porque o capataz o vira no campo a “desfazer nas ordes" e a desorganizar o rancho... um dia chegou mais tarde... um dia saíu mais cedo... um dia não fez o trabalho todo... e então... um dia... ele olhou a casa do senhor a mesa farta os pratos cheios pr'a cada um dos da família um prato e um talher e um copo e um pano (p’ra que seria o pano ao lado do prato?)... e a comida farta e o vinho sem medida... e viu viu que era o vinho que ele mesmo cavara... podara... fizera a empa... colhera... carregara e pisara... e fizera a transfega para as dornas e pipas e tonéis... e que era o pão que ele mesmo semera e ceifara... e viu as couves que ele mesmo plantara e os grelos que ele mesmo regara e as batatas que ele mesmo arrancara e viu tudo o que ele amanhara na casa do patrão que não mecheu uma palha e olhou, de repente, num clarão, a sua casa a casa? - o seu buraco... e olhou os seus braços negros e secos e olhou as mãos mãos com calos mãos tortas / deformadas e viu que era tudo o que tinha e um corpo branco, .comido, quase raquítico só a marca em V no cimo do peito denunciava o ardor do sol que suportara!... pobre,desprezível... mas viu mais viu que aquilo que os seu braços

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E ao dizer isso sorria. Dia seguinte, o operário Ao sair da construção Viu-se súbito cercado Dos homens da delação E sofreu, por destinado Sua primeira agressão. Teve seu rosto cuspido Teve seu braço quebrado Mas quando foi perguntado O operário disse: Não! Em vão sofrera o operário Sua primeira agressão Muitas outras se seguiram Muitas outras seguirão. Porém, por imprescindível Ao edifício em construção Seu trabalho prosseguia E todo o seu sofrimento Misturava-se ao cimento Da construção que crescia. Sentindo que a violência Não dobraria o operário Um dia tentou o patrão Dobrá-lo de modo vário. De sorte que o foi levando Ao alto da construção E num momento de tempo Mostrou-lhe toda a região E apontando-a ao operário Fez-lhe esta declaração: - Dar-te-ei todo esse poder E a sua satisfação Porque a mim me foi entregue E dou-o a quem bem quiser. Dou-te tempo de lazer Dou-te tempo de mulher. Portanto, tudo o que vês Será teu se me adorares E, ainda mais, se abandonares O que te faz dizer não. Disse, e fitou o operário Que olhava e que refletia Mas o que via o operário O patrão nunca veria. O operário via as casas E dentro das estruturas Via coisas, objetos Produtos, manufaturas. Via tudo o que fazia O lucro do seu patrão E em cada coisa que via Misteriosamente havia cavavam as suas mãos arrancavam da terra e o seu corpo carregava ia tudo p'ra casa do outro daquele que lhe pagava mal e descontava e ele pobre e sem nada sem pão e sem casa... “sem cabeça para se governar” como dizia o feitor... sem dinheiro que chegasse p'ra comprar o que os filhos precisavam e desde aí o camponês cada vez que vergado cultivava a terra era ele que se cultivava... e enquanto antes vergado ficava de boina na mão em frente do duque. em frente do rico... agora diferente olhava nos olhos de olhos abertos e era ele que falava... e cada vez que curvado amanhava o campo ao peso da enxada de novo se erguia e depé gritava seu grito de guerra: baaaaaaasta! se estes braços podem dar riquezaza aos outros dar vinho e dar pão dar sopa feijão batatas e grão e uma casa farta p’ró ríco senhor... também pode dar p’ra mim e p’rós meus e p’rós meus igiais homens do campo... camponêses como eu se juntos unirmos nossos braços e mãos jamais daremos

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A marca de sua mão. E o operário disse: Não! - Loucura! - gritou o patrão Não vês o que te dou eu? - Mentira! - disse o operário Não podes dar-me o que é meu. E um grande silêncio fez-se Dentro do seu coração Um silêncio de martírios Um silêncio de prisão. Um silêncio povoado De pedidos de perdão Um silêncio apavorado Com o medo em solidão. Um silêncio de torturas E gritos de maldição Um silêncio de fraturas A se arrastarem no chão. E o operário ouviu a voz De todos os seus irmãos Os seus irmãos que morreram Por outros que viverão. Uma esperança sincera Cresceu no seu coração E dentro da tarde mansa Agigantou-se a razão De um homem pobre e esquecido Razão porém que fizera Em operário construído O operário em construção. de borla aos patrões aquilo que é nosso que a terra nos dá c’o nosso trabalho para sermos homens e vivermos em paz.

29 de Setembro de 1976 aniversário da Eduarda a companheira desta loucura de ter deixado a Alemanha e a relativa segurança económica... dedicada a todos os trabalhadores das cooperativas e das terras em redor... que, concordando ou discordando, ajudando ou dificultando percebendo ou contestando... afinal são eles que podem dar sentido a esta aventura, em que, deixando tudo, nos metemos. Valeu a pena? Zé da Serra Torre Bela Já com os papéis metidos para concorrer ao ensino oficial... os sinais recebidos indicavam que não podíamos sustentar-nos e manter a nossa indepedência e liberdade...

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Arrouquelas, Arrifana, Manique do Intendente, 24/8/76 Perguntas dum camponês que se cultiva (um trabalhador da HERDADE DO BRINÇAL) Quem fez do Brinçal a Herdade modelo? Com estradas alcatroadas e sistema de irrigação requintada? Muita gente daqui nem sequer conhecia isto... e “isto” era baldio do povo!!! Quem vendeu a Herdade ao Cardoso? E a quem a comprou, quem a vendeu ao Cardoso? Alguém que a quis roubar ao Povo? Ou foi ele próprio que a roubou? E quem abriu os poços e construiu o depósito? Um depósito donde, no cimo, se avia ta toda a quinta e com uma capacidade que a maioria das aldeias de Port,ucal não têm e fornece água para as moradias e para regar os jardins, os campos e as hortas de toda a imensa quinta... E quem ergueu o silo? (importado da américa? à custa de quê e de quem?) e com distribuiçãomecânica por toda a longa mangedoura? E quem construiu o Pavilhão, o palácio residencial dos senhores, com piscina, e caves e subterrâneos? E a adega quem a construiu? Com mais de uma dezena de depósitos e cada um com capacidade de mais de sessenta pipas!!! ...e que, desde que as uvas entram em cima um homem não precisa mais de lhe mecher até sair em vinho e aguardente e mosto... E a cavalariça? Uma casa para cavalos Mais bem construída e ornamentada que a casa de qualquer caseiro, Que a casa de qualquer família das aldeias em redor... Com bebedouros automáticos nas mangedouras e bustos de bronze com cavalos junto a cada porta com as argolas para os prender e ficarem protegidos pelas arcadas que rodeiam todo o edifício... E as fábricas inacabadas da pólvora? Quem as construía... e para quê? E os depósitos? E os grandes portões de ferro? Foi o Cardoso? Foi a madame, a mulher do Cardoso? Ou o filho? Foram eles que alcatroaram as estradas e montaram os canos e as bocas de irrigação? Foram eles que trabalharam com as duas dezeuas de máquinas,

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Buldozers, escavadoras, retro-escavadoras, catrepares E arrotearam os baldios... E plantaram as vinhas? E donde veio tanto dinheiro para investir em benefício duma família? Ou afianl não era bem (só) para benefício da família... e era um reduto para a organização para que trabalhava?... Para investir em Arrouquelas Ond a gente vive em casas térreas não têm água canalizada nas casas e andam de burro d e carroça ou a pé e onde não há estradas alcatroadas nen ruas calcetadas mas só buracos, areia e pó... Não têm esgotos nem casas de banbo... Onde os camponeses têm uma courelas pelas encostaa servidas de carreiros por onde têm de carregar as sementes os adubos os estrumes e amochar ao peso das- colheitas... que mais dá vontade a um homem de as deixar por lá... para inestir em benefício dum povo, não. Não há dinheiro que somos um país pobre e agora em vias de reconstrução... Pobre povo que fazes tudo para os patrões e não tens nada! que fazes tudo com os míseros tostões que os donos do dinheiro te pagam ao fim da semana e para ti não fazes não fazes ruas, nem abres poços nem canalizas a água, nem abres esgotos... Pobre povo que és capaz de fazer aumentar o dinheiro dos ricos Que já o têm e muito... e tu ficas cada vez maia pobre!!! Nunca serás capaz de constrnir para ti? Nunca serás capaz de descobrir a tua força? Nunca serás capaz de ver aquilo que és capaz de tazer e tazê-lo em teu proveito e do dos teus iguais? Do cimo do depósito de água da Herdad e do Brinçal Olhando a riqueza da Herdade e a miséria da aldeia - “uma aldeia riscada do mapa pelos governantes, a não ser para ‘quebrar’ impostos e nos virem chatear...” Num domingo. 15 de Agostp de 76. ao dar conta das dificuldades daquela gente se organizar em cooperativa e a sentir os defensores da “Liberdade em Segurança” Os nossos governantes A abrirem as portas e a bolsa aos “Cardosos” aos “Spínolas” & Compª Ldª E a fecharem o povo nas cadeias da sua miséria!!! http://rio-maior-cidadania.blogspot.pt/2009/12/apesar-de-ser-um-empreendimento-privado.html

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Torre Bela – AZAGRO sociocultural Alguns elementos colhidos duma experiência de um “COLECTIVO DE ALALFABETIZAÇÃO” “FALAR LER ESCREVER LUTAR VIVER” editado peLa Francois Maspero, 1 Place Paul Painlevé Paris 1972 especialmente concebido para alfabetizar emigrantes em França sobretudo os idos da Argélia e Portugal.

Da experiência feita publicaram: - um volume com textos de apoio pedagógico - outro com fichas de informação e formação sobre os problemas mais importantes - e um caderno facultativo para uso dos alfabetizandos (Nestes documentos, deste opúculo, uns são textos dos livros citados, outros são já adaptados, numa tentativa de aplicação às cooperativas da AZAGRO...)

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Torre Bela – AZAGRO sociocultural PLANO DA PROGRESSÃO FONÉTICA E SILÁBICA A PARTIR DE TEMAS - - - LISTA DE PALAVRAS - - - SÍLABAS - - - LETRAS - - - SONS CALCULADAS PARA 25 ENCONTROS (3 meses x 2 vezes por semana). (...mas cada grupo terá de encontrar o seu ritmo...) Mais do que nenhum outro este plano é para rever, verificar o rigor ou lógica da progressão, escolha dos temas a partir da evolução dos problemas candentes e a escolha de palavras a partir da carga geradora que possam ter em determinado grupo ou situação.)
Nº TEMA LISTA DE PALAVRAS SÍLABAS LETRAS SONS riscos e rabiscos para dominar o material... m n

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Conversa informalapresentações Ver dados do inquérito... A origem das pessoas e sua situação - marca histórica...

material nc.caderno-lápis... livro, porque não...

1.

2.

Como vivem as pessoas

3.

O trabalho no meio, certo ou não como arranjam trabalho...

4.

Revisão, recapitulação

5.

Trabalho do campo Trabalho na fábrica e outros (sasonal)

6.

7.

Trabalho – Homem / Mulher Igual / ddesigual... O quê Tempos livres

MURO - (T.B. e Ameixoeira) CANO - (Manique e Maçussa – nome que dão ao canal do alviela que abastece Lisboa pelo aqueduto das Águas livres...) TERRA – BOCADO - CAMPO RIBATEJO TAPADA (Veados, Javalis, etc.) CASA TIJOLO? PEDRA BURACO ENXADA ARADO FERRA (começar o trabalho) TRABALHO PRAÇA( imp.mas difícil) CONVERSA BATE PAPO DISCUSSÃO CONFLITO TERRENO (Terra) REGA VINHA OPERÁRIO TOMATE SUGAL – Fábrica de tomate na Azambuja... PANELA COZINHA IGUALDADE / DIFERENÇA(?) TELEVISÃO( previsão – nome popular...) JORNAL

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é - verbo

i n/m p

u f g o ão

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CINEMA NOTÍCIA RÁDIO 8. 9. Revisão – tema à escolha a partir de sugestões Alimentação e... j

10.

Trabalho Conflitos Divisões Greve Tempos livres, festa...

11.

COMIDA FOME “MANJA2 SOPA REFEITÓRIO (imp. coop.)... HOMEM MULHER DINHEIRO LUTA OCUPAÇÃO DANÇA FESTA MÚSICA TEATRO VINHO SA(]DE TOSSE (febre / gripe).

ele ela o / a (artigo)

h c / l /n / h

ú v ç

12. 13.

Revisão, recapitulação Trabalho e saúde, previdência saúde, casa do povo

14.

Trabalho assalariado ou não... - mercado de trabalho

PRAÇA JORNA COOPERATIVA TRACTOR REBOQUE CARRO BICICLETA MOTORIZADA COMBÓIO CAMIONETA CARREIRA

15.

Trabalho e transportes...

s ss (vogais) a/e/i/o/u oo ç ss a/e/i/o/u ct rr a/e/i/o/u

16. 17.

Revisão, recapitulação... Do mais complicado... Trabalho e organização...

18.

Habitação, como se vive, na terra., país...

19.

Trabalho e segurança, acidentes, filhos etc...

QUARTEL (1/4 do dia...) “cortel” – “descontaram-me um cortel...” SECTORES ESCALA RIQUEZA MÁQUINA ALDEIA BAIRRO CASAIS (toda a zona está cheia de casais... algumas viraram povoações...) RUA GOVERNO PAÍS SEGURO PREVIDÊNCIA ABONO CASA DO POVO (ambiguidade)

c q que que qui quo qu

í (n. dit.) ai ei ...

en em tem/têm

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20. 21. 22. Revisão, recapitulação... Capitalismo e socialismo luta de classes, emigração Trabalho rural, dignificação fuga / futuro br gr fr ENXADA RANCHO CAMPANHA (do tomate...) x ch xa / xe = cha / che a/e/i/o/u +n/m ga go gu ge gi=j j + (vogais)

23.

A guerra, antigas colónias... militares...

24.

Trabalho e organização dos trabalhadores...

25.

Balanço final...

ÁFRICA GUErrA GOVERNO EXPLORAÇÃO GENTE SINDICATO COMISSÃO DE TRABALHADORES GESTÃO CONSELHO LUTA GREVE “LOCK OUT” ALFABETIZAÇÃO

Z

Nota: Todo um trabalho a rever pela prática e adaptar, conforme o ritmo e o número de encontros... Numa fase mais avançada, na 2º - 3º fase, podem-se usar os mesmos temas com pessoas que já sabem ler e escrever, mas não têm ainda a prática, que lhes permita usá-la correcta e oportunamente... Nas fases seguintes usar, sobretudo, textos feitos pelos trabalhadores a partir das discussões...

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LINGUAGEM utilizada no TRABALHO RURAL para completar e ir melhorando àté dar origem a textos recolhidos dos diversos sectores e já criados pelas pessoas em processo de alfabetização... (Com analfabetos é importante usar o gravador nas recolhas para não trair e assim não ceder à emenda institiva que acontece com muitos alfabetizadores menos treinados...) Sectores de trabalho o responsável o animador o contável FERRAR – pegar ao trabalho Desferrar VINHA videira / vide cepa / vara vinho / vindima podar / empar / esparrar / gemer / curvar enxertar / enxertia / bacelo / junca / tabúa? sobreiro / cortiça / rolha / cabaça / cocho (caço ou tarro – alentejo?) / gamela o latifúndio(ário) o dono o feitor o abegão o guarda o maioral o encarregado Enxofrar / curar Tesoura / podão Pulverizador (previsaprevisador) ) Tropilla (trepila)

SOBRO E OLIVAL

SEMENTEIRAS

PECUÁRIA PORCUÁRIA como muitos dizem...

oliveira / azeitona / azeite apanha: apanha d’azeitona – colher / ripar / varejar... limpar / ensacar / moer machado (grupo de 20 homens panos / varas / sacos / com machados...) ceiras / prensa... Azeitona para comer: cortar / tirar / carregar pisada / esmagada / retalhada / escaldada (escaldões) / para curtir... mudar as águas... Preparar: com sal, louro, óregãos, casca de laranja, piripiri? ... terra / tractor / arado / grade amanhar de discos / frese (fresar) / lavrar corta mato / charrua / arar reboque... cavar leira / alqueiva / terreno de semear regadio, de sequeiro / folha... gradar forcado / forquilha / enxada, colher enxado... / ancinho... ceifar gado (salamantinas leite / queijo / coalho... holandesas...) rês... forragem... ração vaca / boi / touro / bezerro / ordenha... panela para vitelo / vitela... amornar...

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rebanho (vara): cabras / ovelhas / bodes... maioral / pastor / abegão / almocreve... porcos / marrã / marrão / leitão pocilga vianda / ração ma tar / sangrar / chamuscar / desmanchar / esquartejar FLORESTA varas / varolas / paus de vinha... horto caseiro / horto industrial / canteiros...

HORTA

acincho... / coador (pano branco para coar...) 7 empesga (pano branco para moldar...) ferrada / tacho / cardo / francela / coalhar / queijaria (rouparia no Alentejo...) onde vai reimando (limpando até à) / cura... limpar moto-serrA / machada / machado cavar / mexer / remexer... plantar / regar / o balde / o regador / o apanhador...

DISTRIBUIÇÃO ANTIGA DO TRABALHO DO CAMPO... REFEIÇÕES... De manhã, depois do café (pequeno almoço, mata-bicho)... as pessoas ferravam (pegavam ao trabalho), conforme as regiões, as épocas do ano e tipo de trabalhos... às tantas?!!! Horas (nascer do sol?)... Depois do primeiro "corteI" quartel do dia, faziam a primeira pausa e comiam a bucha... faziam o segundo "corteI" até ao almoço... Os que chegavam atarsados ou cometiam alguma falta que o encarregado, o feitor ou o abegão visse, era-lhe descontado um "corteI" ou dois... Depois do almoço começava o terceiro "corteI" da tarde... No verão, como um homem não aguentava até ao pôr do sol, jantava a meio da tarde (noutras zonas merendavam) e à noite ao voltar para casa ceavam... Agora, com estas mudanças, fazem-se praticamente dois "cortéis" / quartés... Quando é de verão há sempre um aguadeiro ou uma mulher, aguadeira, que distribui a água e/ ou a pinga...

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NOTAS SOBRE TEMAS PALAVRAS-CHAVE... por ORDEM ALFABÉTlCA para ir substituindo ou completando os temas, no decorrer dos ENCONTROS e aplicar e usar nas fases seguintes... A B C Alfabetização, Arado, Aldeia, Alimentação, Alcoolismo, Acidentes, Alienação, Água, Arte, Artesanato, Assistência, África... Batatas, bem-estar, bolota... “boleta”... barato... Camaradagem, Cooperativa, Cultura (terra e saber) Classes, Capital, Cidade, Campo, Capitalismo, Comida, Casa... Cortel... Casa de banho... Cantina... Chuva, clima... Cinema... Comissão... Caro... Comida... Ceia... curro... curral... Doença, Dinheiro, Despedimento... Educação, Escola, Economia... Emprego... Férias, Família, Fome, Folclore, Festa, Fábrica, Firma, Farmácia... Fonte... Greve, Gado... Governo... Gente... Habitação... Irrigação... Intendente... Juventude, jogo, justiça, jorna, Jornal... Jantar... Kilo, Kilómetro (quilo, quilómetro) Latifúndio, Latifundiário, Luz... Mulher, militar, Médico, Medicina... Máquina... Manique... Mão... Natureza, Nação... Ordenado, ordem, organização... olheiro... Profissão, Política, Planificação, Poder, Povo, Poluição, Paz... Partidos... Poço... Pedra... Pão... Pobreza... Pesca... Quilo, quilómetro (Kilo, Kilómetro) Que... Racismo, Reforma Agrária, Riqueza, Remédio... Refeitório... Rega... Saúde, Sexo, Sexualidade, Salário, Social, Sindicalismo... Sapato... Tijolo, Televisão, Tempo, Trabalho, Terra, Terreno, Transporte, Técnica, Teatro, Tractor... Uva... Vestuário, Vida, Vinho, Vinha... WC! Xícara... Ypsilon... YIN / YANG
(chinês yang) - s. m. [Filosofia] Princípio filosófico da cultura chinesa, associado, entre outras coisas, ao masculino, à actividade, ao calor e à luz, sendo oposto e complemento do yin. (chinês yin) - s. m. [Filosofia] Princípio filosófico da cultura chinesa, associado, entre outras coisas, ao feminino, à passividade, ao frio e ao escuro, sendo oposto e complemento do yang.

D E F G H I J K L M N O P Q R S T U V W X Y

Z

Zero...

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Torre Bela – AZAGRO sociocultural Enquadramento histórico abrangente no país Notas sobre uma NOVA PERSPECTIVA HISTÓRICA – para tentar enquadrar o momento histórico actual – como estudar a História de Portugal – para tenatr dar sentido ao levantamento histórico / cultural / económico / social da zona onde se está a trabalhar... Portugal uma Perspectiva da sua História Flausino Torres Afrontamento, 1970 O volume que agora se publica carece de algumas palavras, introdutórias não tanto para referenciar ou apresentar o seu autor, mas sobretudo para lhe traçar os limites e explicar as razões da sua publicação. Flausino Torres leccionou a cadeira de Cultura Portuguesa durante alguns anos, na Universidade Karlova em Praga, Checoslováquia. A necessidade de dotar o curso que regia com um instrumento de trabalho levaram-no a elaborar uma síntese da história da cultura e da civilização portuguesa; essa síntese acabou por transformar-se num pequeno manual ciclostilado que constituiu um primeiro ponto de partida para a reflexão e discussão sobre a evolução global da sociedade portuguesa. Este volume é, assim e fielmente o pequeno manual de que, em 1970, se serviram os estudantes de cultura portuguesa daquela Universidade.

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Um RESUMO da HISTÓRIA DE PORTUGAL... NOTAS SOBRE UMA NOVA PERSPECTIVA DA HISTÓRIA PARA TENTAR ENQUADRAR O MOMENTO HISTÓRICO ACTUAL - como estudar a história de Portugal (para depois ter sentido o levantamento histórico- econômico-social da zona...) Apontamentos do livro de Flausino Torres 1. Nos últimos decénios gerações e gerações passaram pelos bancos das escolas e liceus estudando a História de Portugal mais para justificar o presente (o fascismo) e para decorar "datas e nomes gloriosos” sem estudarem a história dum POVO. Ora o que é urgente e necessário é estudar a História dePortugal para compreender a trama real que, amalgamando os homens, a terra e as coisas, desde há milénios, vêm caracterizar e marcar o que se passa nos nossos dias. Temos sido obrigados a estudar a história como se ela fosse quase uma “criação" de reis, príncepes ou "outros notáveis deste reino". Ora o que é preciso é saber ler e compreender TODA A COMPLEXIDADE DO PROCESSO SOCIAL e descobrir o peso e a influência das intervenções colectivas do Povo. É preciso dar conta que, muitas vezes, esses “reis e notáveis do reino" serviram para limitar e abafar o ritmo das intervenções e das lutas do POVO e faziam isso em nome de concepções providencialistas e messiânicas. Temos estudado a história como uma obrigação enfadonha e sem interesse. Mas, o que é importante é fazer com que o conhecimento da hitória portuguesa seja a descoberta do direito que cada um tem de ser cidadão (parte integrante dum Povo) e, como tal, tem de intervir e fazer a história. A HISTÓRIA - não é uma ciência ou uma cultura acabada. A HISTÓRIA ESTAMO-LA CONSTRUINDO E ESCREVENDO TODOS. Estudando a História da maneira clássica, a história só baseada em grandes figuras notáveis, negamos o direito de cada um se sentir CONSTRUTOR, ELEMENTO ACTIVO DA HISTÓRIA. Assim, alienamos as pessoas e negamos-lhe o direito de participar. A história é como um edifício que se está a construir ou a completar ou a alargar e todos intervêm - todos os homens e mulheres, todo o POVO. Mesmo aqueles que pareceem nada fazerem, intervêm porque não contribuiram para que a construção andasse mais depressa ou fosse mais rica ou mais perfeita. Intervêm mesmo aqueles que parece deitarem abaixo o que os outros estão erguendo ou destruiram para construir depois o edifício mais sólido e até aqueles que enecheram o edifício de buracos e ruínas. CONSTROEM A HISTÓRIA, -Tanto aqueles que inventaram máquinas, como os que cultivam a terra e plantam árvores que crescem lentamente... - constroem e escrevem a história aqueles que lutaram e estão a lutar pela defesa dos nossos direitos de povo independente e livre; os que escrevem como Camões e Eça ou Aquilino obras que fotografam o povo e criam beleza e contribuem para a transformação dos seres; tanto os que pintam como Grão Vasco ou Nuno Gonçalves ou Vieira da Silva e nos dão retratos, caras da gente do povo e das terras e cidades e

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aldeias... como aqueles que húmidos de suor e molhados da chuva serram rolos de pinheiros, semeiam campos, os ceifam e colhem, os que malham os cereais e descascam o milho, plantam, podam e curam as vinhas e colhem as uvas e as esmagam e as transformam em vinho, e os que colhem.e ripam e varejam a azeitona e a transformam em azeite... Estes e os que vivem em casas de miséria sem condições, como os que habitam em palácios como os de Queluz e os das grandes quintas, todos constroem a história... Constroem a história aqueles que ergueram pontes arrojadas como a de D.Luís no Porto ou a de Vila Franca e a de Lisboa ou como a ponte romana que atravessa o Tâmega em Chaves, os que a conceberam e os que Iá trabalharam, como os que estão furando o metropolitano de Lisboa... Constoem a história tanto os que fizeram grandes obras como o aquduto das águas livres, como aqueles que acumularam pedras sobre pedras e nos deixaram muros, muralhas ou pequenas defesas ou pequenas levadas que saem dos riachos e levam a água para as terras cultiváveis... estes, como os que constroem grandes barragens que dão energia para todos... Tanto estes como os que cavam as vinhas ou fazem muros de suporte pelas encostas acima... e os que se atascam nos arrozais, como os que regam as terras ressequidas... tanto os que esmagam o vinho como os que o saboreiam... todos constroem a história. Tanto os que secam os figos no Algarve como os que arrancam a cortiça dos troncos dos sobreiros no Alentejo... tanto estes como os que escrevem sem mesa e sem luz e não têm tempo de rever e emendar aquilo que escreveram, como os que escreveram grandes obras cuidadosarnente... Construíram a nossa história, tanto os que aqui sempre continuaram e lutaram passaram fome ou abundância como os que emigraram para o Brajsil, América,. França, Suiça ou Alemanha e vieram ou não e construíram casas e vivendas com o dinheiro ganho lá fora e transformaram a paisagem e as condições de vida. Todos os que viveram antes, contribuíram para fazer de Portugal aquilo aue é. E todos os que vivem hoje estão a fazer de Portugal aquilo que virá a ser. Tanto os militares que sairam para a rua no 19 de Março e foram presos como os que saíram no 25 de Abril e venceram, como a multidão que cantou LIBERDADE no 1º de Maio, como todos os que nas fábricas, nos campos e nos bairros e nas cooperativas estão a lutar e a construir, a protestar e a exigir e a trabalhar todos têm uma participação activa. Estudar a HISTÓRIA, portanto não é ler sonolentamente páginas recheadas de “nomes gloriosos" e "datas importantes”... ESTUDAR A HISTÓRIA É

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- Percorrer o país de norte a sul, ver o que está feito e procurar saber tudo o que há para o modificar... - E conhecer a história de todos os que aí habitaram e habitam hoje connosco e saber o que houve antes e porquê e o que há agora e porquê para saber a melhor forma de fazer a HISTÓRIA HOJE. Claro que é importante saber como viveram e se relacionaram os homens de outras eras, pois para se saber a segurança da casa em que habitamos é preciso saber como estão os alicerces... mas o importante é de facto saber o que se está a fazer e como, e o que se vai fazer a seguir e como. Saber nomes e datas isoladas, mesmo importantes, isso não serve de lada. Aprendê-los vale a pena se forem úteis para marcarem pontos de referência ou servirem de pontos de orientação e a partir daí saber: - que não foi D. Afonso Henriques sozinho que se revoltou, mas o povo que não suportava a opressão dos fidalgos amigos da mãe e não suportava o orgulho dos bispos e dos senhores feudais e que ele incarnou, como muitos bispos que incarnaram a revolta do povo con- tra fidalgos e senhores feudais que os roubavam e exploravam... - e que não foi D. Afonso Henriques sozinho que tomou Lisboa aos mouros... nem D. João I e Nun'Álvares que mudaram o ritmo da história sozinhos, mas o povo que estava decidido a acabar com o feudalismo... - Nem foi D. João IV e o Mestre de Avis, sós, que nos libertaram da opressão de Castela... pois o importante e perceber que o fundamental não era criar inimizades com Castela e vencer, tratava-se sim do povo que não queria ser oprimido por reis e senhores que estavam longe dos seus problemas e se serviam dele... - E os descobrimentos não foram só obra de D.Henrique e dos navegadores, Vasco da Gama, Cabral e Albuquerque... - Nem a República, obra de bandidos perseguidos em 1910... - Nem o 25 de Abril obra de capitães revoltados, mas obra de um povo oprimido durante 48 anos... e pelas lições colhidas durante os dois primeiros anos aí temos a prova... OU O POVO FAZ A REVOLUÇÃO ou não há revolução, pois há forças interessadas em fazer recuar a história que caminha a favor do povo...

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OBRAS que serviram de BASE ao estudo e elaboração de planos... 1. Paulo Freire – Acção Cultural para a Liberdade
«O livro é uma coletânea de textos em que Paulo Freire reflete sobre a alfabetização, criticando a proposta simplificadora que se limita ao repetir mecânico de idéias alheias e à memorização de palavras e letras, condenando, também, o projeto educacional que a executa. Na concepção do autor, o processo de alfabetização deve permitir ao alfabetizando a compreensão do ato de ler, de estudar, ensinando-o a pensar a partir da realidade social que o cerca, estimulando, assim, a prática de um diálogo conscientizador e gerador de uma reflexão crítica e libertadora.» http://www.olivreiro.com.br/livros/1464240-aaaao-cultural-para-a-liberdade

2.

Paulo Freire – Educação como Prática da Liberdade

O Apêndice contém as 10 situações e as 17 palavras – chave...
http://www.dhnet.org.br/direitos/militantes/paulofreire/livro_freire_educacao_pratica_liber dade.pdf 3.

Paulo Freire – Uma educação para a Liberdade
«Se, na concepção bancária, o educador é sempre quem educa, e o educando é quem é educado, a realização da superação, na concepção humanista, faz surgir: a) não mais um educador do educando; b) não mais um educando do educador; c) mas um educador-educando com um educando-educador. Isso significa: 1) que ninguém educa a ninguém; 2) que ninguém tampouco se educa sozinho; 3) que os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo.»
http://www.projetomemoria.art.br/PauloFreire/obras/artigos/6.html

4.

Paulo Freire – pedagogia do oprimido «Acredito que a maior contribuição da Pedagogia do Oprimido é esta “utopia”, que nos faz repensar o significado daquilo que vivemos e daqueles com quem vivemos, para juntos lutarmos por nossa libertação.» «Nos posicionando enquanto parte importante e constituinte do mundo, reconhecendo nossa ingenuidade para a partir daí criticar aquilo a que somos submetidos.» «E para além das palavras, a esperança nos homens para que se façam donos dos seus caminhos.»
http://portal.mda.gov.br/portal/saf/arquivos/view/ater/livros/Pedagogia_do_Oprimido.pdf

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5.

FALAR LER ESCREVER LUTAR VIVER Permitir aos trabalhadores estrangeiros uma aprendizagem rápida e eficaz duma lingua, francês, alemão etc. LINGUAGEM, LEITURA e ESCRITA, sem reforçar a sua integração na Alemanha (França no texto) ao lado das camadas mais exploradas, mas ao contrário, dando-lhe a possibilidade de se situar e agir na e com a classe operária do país de acolhimento e do país de origem; permitr a animadoes, uma progressão pedagógica, idealógica e política através duma confrontaçao TEORIAPRÁTICA, em particular na ALFABETIZAÇÃO, tais sãao os objectivos principais da obra elaborada pelo "COLECTIVO DE ALFABETIZAÇÃO".

6.

Este livro (O ANTERIOR) para o animador, FALAR, LER, ESCREVER, LUTAR, VIVER não é senão a primeira parte, (a mais técnica) do conjunto. Uma segunda parte (ESTA) é formada por um caderno, (Fascículo para o trabalhador), concebido para o nílel do primeiro grau, mas de emprego facultativo. NOTA: esta é a apresentaçao na contra capa do livro de "collectif d'alphabétisation" parler lire écrire luter / vivre (Textes `al’appui pédagogique) François Maspero, editeur, 1, place Paul-Painlevé, Paris Ve A terceira parte, completamente indispensável para a primeira, é uma brochura, FICHAS DE INFORMAÇÃO E DE FORMAÇÃO/EMIGRAÇÃO; que consta de fichas de trabalho (a aprofundar e a completar) sobre o fenómeno migratório e a sua significação na luta de classes. Esta obra é simplesmente um utensílio de trabalho e não pode, só por si, responder aos objectivos expostos. Só poderá ser eficaz se for utilizado por animadores militantes que trabalhem num quadro de acção mais vasto, locais de trabalho, lugares de alojamento, etc. ...

7.

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8.

íNDICE INTRODUÇãO Uma história exemplar - 9 PLANOS DE ALFABETIZAÇÃO Critérios adoptados - 23 CAMPANHA MUNDIAL CONTRA O ANALFABETISMO - 31 ALFABETIZAÇÃO FUNCIONAL - 49 ALFABETIZAÇAO FUNCIONAL Projecto do Irão - 67 ALFABETIZAÇÃO-LIBERTAÇÃO (Segundo Paulo Freire) - 83 ALFABETIZAÇÃO-LIBERTAÇÃO Nos Açores - 119
O objectivo principal deste pequeno trabalho é, aproveitando as experiências em curso no que respeita aos problemas da educação nos meios rurais, definir as linhas de força das acções educativas. É nsentido que, a visão global da problemática do desenvolvimento rural nele esboçada, assume particular importância. Sobretudo em Portugal. Neste momento. Num país onde tudo está ainda por fazer neste domínio, eis um livro que – acreditamos – nos poderá trazer algumas propostas de reflexão e ensinamento.

9.

10.

A presente publicação dirige-se àqueles que realizam um trabalho de educação popular, no campo e na cidade, com jovens e adultos. Não pretendemos oferecer uma obra teórica sobre a educação popular, mas somente uma série de métodos e técnicas que podem facilitar o trabalho no meio popular, torná-lo mais eficaz e interessante. Ao mesmo tempo, proporcionam-se os elementos indispensáveis para um trabalho educativo bem realizado, os conhecimentos básicos sobre fenómenos de relação em grupo, de comunicação, etc., desejando, deste modo, contribuir também para a necessária transformal}ão de mentalidade dos educadores. ... Trudy y Enrique Schulze

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11.

íNDICE PARA UMA DISCUSSÃO SOBRE A FRENTE CULTURAL REVOLUOLONÁRIA EM PORTUGAL - 7 PARA UM NOVO MODELO DE SOCIEDADE SOCIALISTA EM PORTUGAL - 13 MOVIMENTO CULTURAL DE COMBATE NOS PRIMEI(ROS ANOS DA REVOLUÇÃO SOVIÉTLCA - 25 O MOVIMENTO CULTURAL DE AGITAÇÃO E PROPAGANDA NA ALEMANHA DOS ANOS VINTE - 37

12.

Foi o colonialismo que criou o patriotismo dos colonizados. Mantidos por um sistema opressivo ao nível do animal, não se Ihes deu nenhum direito, nem mesmo o de viver, e a sua condição piorou cada dia; quando o povo não tem outro recurso senão o de escolher o seu género de morte, quando não recebeu dos seus opressores mais do que uma dádiva, o desespero, que lhe resta ainda perder? É a sua infelicidade que se transformará em coragem; dessa eterna recusa que a colonização lhe opõe ele fará a recusa absoluta da colonização. O segredo do proletariado, disse um dia Marx, é que leva em si a destruição da sociedade burguesa. É necessário estar grato a Memmi por nos ter lembrado que o colonizado também tem o seu próprio segredo, e que nós assistimos à atroz agonia do colonialismo. Jean-Paul Sartre 4. DUCAÇÃO E CONSCIENTIZAÇÃO APÊNDICE - COM AS SITUAÇÕES: 1 – homem... Cultura e Natureza 2 – Diálogo mediado pela Natureza 3 – Caçador iletrado 4 – Caçador letrado (Cultura letrada9 5 – Caçador gato 6 – o Homem transforma a matéria... trabalho... 7 - JARRO –produto do trabalho... 8 – POESIA 9 – Padrões de comportamento 10 Círculo de Cultura – Síntese das Discussões anteriores...

13.

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TORRE BELA – AZAGRO SOCIOCULTURAL – breve História de uma UTOPIA imPOSSÍVEL

«CULTURA - TUDO nasce da BASE, como TUDO nasce da TERRA» jrg...

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