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VI Congresso Brasileiro de Engenharia Química em Iniciação Científica

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PROJETO/ANÁLISE DE COLUNAS DE DESTILAÇÃO BINÁRIA ASSISTIDOS POR COMPUTADOR – FASE 1: MÉTODO McCABE-THIELE

Souza, L. C. 1 , Lossávaro, D. C. 2 , Motta Lima, J. M. 3 , Barros, M. A. S. D. 3

1 Aluno - DEQ/UEM , 2 Ex-aluno - DEQ/UEM , 3 Professor - DEQ/UEM Departamento de Engenharia Química - DEQ/UEM Av. Colombo, 5790, BL D-90 ; Maringá-PR ; CEP: 87020-900 e-mail: oswaldo@deq.uem.br

RESUMO - A destilação binária, apesar de uma menor aplicação no âmbito industrial, é amplamente utilizada nos cursos de graduação em engenharia química e de alimentos, tendo em vista sua simplicidade e a maior facilidade de exposição aos alunos dos conceitos de destilação. Entretanto, os métodos gráficos quase sempre se tornam inconvenientes quando da análise de diferentes situações operacionais. Assim, este trabalho apresenta um programa didático, desenvolvido em DELPHI, para substituir o processo manual de cálculo gráfico do número de estágios teóricos pela metodologia de McCabe-Thiele, sem prejuízos para a visualização e análise dos resultados, principais atrativos do método em questão. Como resultado, constrói o diagrama McCabe-Thiele, determinando o número de estágios teóricos e permitindo a visualização “em tempo real” de modificações propostas pelo usuário. A utilização de programas deste tipo permite uma melhor discussão dos conceitos apresentados em sala de aula e a exploração de diferentes situações pelo professor e os alunos.

1. INTRODUÇÃO

Colunas de destilação são equipamentos de ampla utilização nas indústrias química e de alimentos, sendo, por isso, parte importante das disciplinas de Operações Unitárias desses cursos de engenharia. A destilação binária, apesar de uma menor aplicação no âmbito industrial, é amplamente utilizada nos cursos de graduação em engenharia química e de alimentos, tendo em vista sua simplicidade e a maior facilidade de exposição aos alunos dos conceitos de destilação. Neste contexto, os já estabelecidos métodos gráficos de McCabe-Thiele e Ponchon- -Savarit (McCabe et al. (1985/2001); Perry e Chilton (1980); Coulson e Richardson (1968); Blackadder e Nedherman (1971); Foust et al. (1982)) têm sido utilizados, tanto no cálculo do número de estágios teóricos de colunas binárias, quanto na análise do desempenho

de colunas já existentes, permitindo uma fácil visualização e uma compreensão adequada do processo. Entretanto, estes métodos quase sempre se tornam cansativos e inconvenientes quando do projeto de colunas de grande porte ou na análise de diferentes configurações operacionais, principalmente se levarmos em conta as restrições de tempo normalmente impostas na atividade profissional. Sendo assim, este trabalho faz parte de uma proposta de desenvolvimento de programas didáticos que venham a substituir o processo manual de cálculo gráfico do número de estágios teóricos por aquelas metodologias, melhorando sua precisão e o tempo de resposta, sem prejuízos para a visualização e análise dos resultados. Os programas serão desenvolvidos em uma linguagem de programação visual, no caso

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a linguagem DELPHI (Pacheco e Teixeira, 2000), tendo, como premissa básica, a facilidade de utilização e interação com o usuário. Nesta primeira fase do trabalho, foi desenvolvido um programa didático baseado na metodologia de McCabe-Thiele (Motta Lima e Pereira,1999), com aplicação em sistemas binários cuja volatilidade relativa possa ser considerada constante. Finalmente, a utilização deste tipo de programa possibilitaria uma melhor discussão dos conceitos apresentados em sala de aula e a exploração de diferentes situações pelo professor e seus alunos, proporcionando aos futuros engenheiros uma melhor fixação do assunto e uma maior capacidade de ação ao enfrentar novos problemas, tanto em sala de aula, quanto, posteriormente, no exercício profissional.

2. MÉTODO MCCABE-THIELE 2.1. Introdução

O cálculo do número de pratos de uma coluna de destilação normalmente se baseia no conceito de pratos teóricos (ou estágios de equilíbrio). Um prato teórico é aquele em que as correntes que saem do prato estão em equilíbrio, ou seja, houve tempo e contato suficientes para que as correntes que chegam no prato interajam, e atinjam o equilíbrio, antes de deixarem o prato. Na realidade, os pratos reais se desviam deste comportamento de acordo com sua forma e tipo, sendo este desvio denominado rendimento ou eficiência do prato. (Motta Lima e Pereira, 1999). Na determinação do número de estágios de uma coluna de destilação binária como a mostrada na Figura 1, são analisadas, normalmente, duas situações:

a diferença entre as temperaturas do fundo e do topo da coluna é pequena (10 a 50 ºC);

a diferença de temperatura entre o fundo e o topo da coluna é grande (> 50 ºC).

Quando a diferença de temperaturas é pequena, geralmente pode-se considerar as propriedades térmicas da mistura que se deseja separar como aproximadamente

constantes, em cada prato da coluna. Desta forma, as vazões molares de líquido e vapor são constantes em todos os pratos da seção de retificação (SR) e, também, na seção de esgotamento (SE), diferindo, no entanto, das vazões existentes na seção de retificação.

VI Congresso Brasileiro de Engenharia Química em Iniciação Científica 2/7 a linguagem DELPHI (Pacheco e

Figura1: Coluna de destilação

As diferenças encontradas entre as vazões nas seções de retificação (SR) e de esgotamento (SE) estão intimamente relacionadas com a vazão e com a situação física da alimentação que é introduzida na coluna, o que pode ocorrer de um dos seguintes modos:

como líquido “frio” ou sub-resfriado; como líquido saturado no ponto de bolha; como vapor úmido (mistura líquido/vapor); como vapor saturado no ponto de orvalho; como vapor seco ou superaquecido.

2.2. Método McCabe-Thiele

O método “McCabe-Thiele” consiste na aplicação das considerações feitas no item anterior para o cálculo da destilação de misturas binárias em que a diferença de temperatura entre o topo e o fundo é pequena, por meio de um processo gráfico

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desenvolvido sobre um diagrama de equilíbrio. Este gráfico tem as seguintes propriedades:

  • - os pontos do gráfico que representam as composições do líquido e do vapor em

equilíbrio que saem de um mesmo estágio estão situados sobre a curva de equilíbrio;

  • - os pontos do gráfico que representam a

composição do vapor procedente de um estágio, em função da composição do líquido que desce do estágio imediatamente acima, estão situados sobre as retas de operação das seções de retificação e esgotamento

(correntes que se cruzam).

A metodologia de McCabe-Thiele pode ser descrita conforme se segue (Motta Lima & Pereira, 1999):

I. Sobre o diagrama (curva) de equilíbrio do sistema binário em estudo, traçar a linha de alimentação ou linha (q), a partir de (x F , x F ) e de sua inclinação. A equação da linha q é:

y = - φ x / (1 - φ) + x F / (1 - φ)

(1)

sendo φ (fração líquida da alimentação) definido como a relação existente entre a parcela da alimentação que entra na coluna como líquido e a vazão total de alimentação, estando relacionado com a condição térmica da alimentação, conforme mostrado a seguir:

alimentação como líquido frio: φ > 1; alimentação como líquido saturado: φ = 1; alimentação como vapor úmido: 0 < φ < 1; alimentação como vapor saturado: φ = 0; alimentação de vapor superaquecido: φ < 0.

II. Localizar o ponto de coordenadas (x D , x D ) na diagonal do diagrama.

III. Traçar a ROR unindo o ponto (x D , x D ) ao ponto de coordenadas [ 0, x D / (R D + 1)].

IV. Localizar o ponto de coordenadas (x B , x B ) na diagonal do diagrama.

V. Traçar a ROE a partir do ponto (x B , x B ) até o ponto determinado pela interseção da ROR com a linha de alimentação (q). Este procedimento é mostrado na Figura 2.

VI. Determinação gráfica do número de estágios. A partir da coordenada (x D , x D ) é traçada uma reta horizontal até a curva de equilíbrio, determinando a composição do

vapor que sai do topo da torre (estágio 1) (y 1 ), que está em equilíbrio com o líquido de composição (x 1 ). Do ponto (x 1 ), traça-se uma reta vertical até a ROR e, novamente, uma reta horizontal até a curva de equilíbrio, determinando a composição do vapor que sai do segundo estágio (y 2 ), em equilíbrio com o líquido de composição (x 2 ). Estes passos são repetidos até se cruzar a linha de alimentação, quando passam a ter como reta base a ROE, terminando-se quando for atingida, ou ultrapassada, a composição desejada para o produto de fundo, x B .

VI Congresso Brasileiro de Engenharia Química em Iniciação Científica 3/7 desenvolvido sobre um diagrama de

Figura 2: Linha (q) e Retas de Operação (ROR e ROE)

O número de estágios necessários é determinado a partir do número de degraus formados pela construção gráfica em cima do diagrama. A Figura 3 traz o resultado para uma coluna hipotética, em que foram encontrados 4 pratos teóricos.

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VI Congresso Brasileiro de Engenharia Química em Iniciação Científica 4/7 Figura 3: Número de pratos

Figura 3: Número de pratos teóricos - Método McCabe-Thiele

3. PROGRAMA DIDÁTICO

Conforme exposto anteriormente, nesta primeira fase do trabalho, foi desenvolvido um programa didático em linguagem DELPHI baseado na metodologia de McCabe-Thiele, com aplicação em sistemas binários cuja volatilidade relativa possa ser considerada constante (normalmente um valor médio) e, desta forma, a curva de equilíbrio do sistema binário estudado possa ser representada analiticamente pela Equação 2.

y =

1

+

(

α x

α −

1) x

(2)

sendo α a volatilidade relativa média do componente mais volátil. O usuário deve fornecer as informações necessárias à solução dos balanços de massa da coluna (em diferentes configurações), a volatilidade relativa média (para construção do diagrama/curva de equilíbrio), a condição térmica da alimentação e a razão de refluxo. Posteriormente, pretende-se ampliar o programa a partir de novos itens, como, por exemplo, a definição da razão de refluxo

por meio da condição de refluxo mínimo e a determinação do número de pratos reais com base na sua eficiência. O programa admite que exista apenas um refervedor, uma entrada (alimentação), duas saídas (topo e fundo) e um condensador, i. e., colunas como a mostrada na Figura 1. Uma diferença em relação a softwares equivalentes com a mesma finalidade que o desenvolvido neste trabalho, é que o diagrama McCabe-Thiele e os cálculos de balanço são feitos on the fly (i.e., em tempo

real). Este recurso permite que o usuário visualize, no mesmo instante, as alterações feitas nas variáveis envolvidas nos cálculos de destilação binária, reduzindo os tempos de projeto e simulação. Como resultado, o programa resolve o balanço de massa conforme proposto pelo usuário e constrói o diagrama de McCabe- Thiele, determinando o número de estágios (pratos teóricos) necessários para efetuar a separação desejada.

3.1. Telas de Entrada do Programa

Na

Figura

4

é

mostrada a tela

de

entrada do software, com os campos nos

quais o usuário deverá informar:

− α: volatilidade relativa média, para a curva de equilíbrio conforme Equação 2;

− φ: fração líquida da alimentação, de acordo com sua condição térmica, conforme visto anteriormente;

Rd: o valor da razão de refluxo.

A Figura 4 também mostra as barras deslizantes para a definição pelo usuário das composições molares do componente mais volátil na alimentação, x F (%), no destilado, x D (%), e no produto de fundo, x B (%). Em seu lado direito, a tela traz o respectivo diagrama McCabe-Thiele gerado on the fly para os dados de entrada escolhidos.

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VI Congresso Brasileiro de Engenharia Química em Iniciação Científica 5/7 Figura 4: Especificação de entrada

Figura 4: Especificação de entrada

Por meio das barras deslizantes da Figura 5, o usuário pode definir as vazões

fixar, e o programa resolve o balanço de massa para as demais, de acordo com as

totais de alimentação, destilado e produto de fundo, restando-lhe escolher qual delas

composições informadas na tela de entrada (Figura 4).

VI Congresso Brasileiro de Engenharia Química em Iniciação Científica 5/7 Figura 4: Especificação de entrada

Figura 5: Tela para o balanço de massa global

4. RESULTADOS & DISCUSSÃO

Como exemplo de sua utilização, o programa foi testado na separação de Benzeno/Tolueno, conforme exemplo proposto

em Motta Lima & Pereira (1999), no qual se deseja determinar o número de pratos teóricos de uma coluna de destilação com razão de refluxo de 3,5 e uma alimentação

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na forma de líquido no ponto de bolha, para os seguintes dados:

vazão e condição da alimentação: 30000 lbm/h, líquido saturado (φ = 1) composição da alimentação: benzeno (bz) 40% (p/p) e tolueno (tl) 60% (p/p) composição do destilado: 97% (p/p) (bz) composição do fundo: 98% (p/p) (tl) volatilidade relativa: α = 2,47 razão de refluxo externa: 3,5 condensador total

O resultado do problema a partir da utilização do software proposto é mostrado na Figura 6. O número de pratos teóricos (n) é igual a 12, estando de acordo com o resultado obtido manualmente/graficamente por Motta Lima & Pereira (1999).

5. CONCLUSÕES

O programa didático desenvolvido como alternativa para o método gráfico de McCabe- Thiele mostrou-se de fácil implementação

e manuseio, permitindo uma rápida obtenção de resultados confiáveis. Uma diferença importante deste programa em relação a outros softwares com a mesma finalidade, é que o diagrama de McCabe-Thiele e os cálculos de balanço são feitos no mesmo instante (on the fly), das modificações propostas, permitindo que os usuários visualizem continuamente as alterações feitas nas variáveis envolvidas no projeto e/ou análise de colunas de destilação binárias, reduzindo sensivelmente os tempos de projeto e simulação. Sendo assim, o programa proposto se mostra uma ferramenta interessante para a redução do binômio tempo/esforço nos cálculos e na análise de processos de destilação binária nos quais a metodologia de McCabe-Thiele possa ser aplicada, contribuindo para uma melhor fixação do assunto em sala de aula e para uma maior capacidade de ação dos futuros engenheiros.

VI Congresso Brasileiro de Engenharia Química em Iniciação Científica 6/7 na forma de líquido no

Figura 7: Diagrama McCabe-Thiele – Sistema Benzeno/Tolueno

6. NOMENCLATURA

B

- vazão molar - produto de fundo

D

- vazão molar - destilado

F

- vazão molar - alimentação

n

- n o total de pratos teóricos

q

- linha (reta) da alimentação

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R D

- razão de refluxo

ROE - reta de operação - esgotamento

ROR - reta de operação - retificação

  • x - composição molar - fase líquida - composição molar - produto de fundo

x B

x

D

x

F

y

α

φ

- composição do destilado - composição molar - alimentação - composição molar - fase vapor - volatilidade relativa - fração de líquido na alimentação

7. BIBLIOGRAFIA

BLACKADDER, D. A. ; NEDHERMAN, R. M. A Handbook of Unit Operations. London:

Academic Press Inc. Ltd., 1971.

COULSON, J. M. ; RICHARDSON, J. F. Tecnologia Química - Volume II: Operações Unitárias, 2 a Ed., Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1968.

FOUST, A. S. ; WENZEL, L. A. ; CLUMP, C. W. ; MAUS, L. ; BRYCE ANDERSEN, L. Princípios de Operações Unitárias, 2 a Ed., Rio de Janeiro: LTC Editora, 1982.

McCABE, W. L. ; SMITH, J. C. ; HARRIOTT, P. Unit Operations of Chemical Engineering. Singapore: McGraw-Hill International Book

Co., 4 th

Ed., 1985 e 6 th Ed., 2001.

MOTTA LIMA, O. C. ; PEREIRA, N. C. Destilação, Apostila/Notas de Aula de Operações Unitárias II, Edição Interna, DEQ/UEM, Maringá-BR, 1999.

PACHECO, X. ; TEIXEIRA, S. DELPHI 5 - Guia do Desenvolvedor, 1 a Ed., São Paulo: Editora Campus, 2000.

PERRY, R. H. ; CHILTON, C. H. Manual de Engenharia Química, 5 a Ed., Rio de Janeiro: Guanabara Dois, 1980.