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1 O poder disciplinar público consiste na possibilidade de aplicar sanções correctivas aos agentes que pelo seu procedimento embaracem

ou de qualquer modo prejudiquem o perfeito funcionamento dos serviços, expulsando-os até se for caso disso. Na sua origem e sua razão de ser reside no interesse e na necessidade de aperfeiçoamento do serviço público, assumindo uma posição mais repressiva actualmente, vem-se a assistir a uma posição mais preventiva, em paralelo com o maior acervo de garantias constitucionais dos funcionários e agentes, assim como a consciência dos mesmos no cumprimento da legalidade e do dever de boa administração. O poder disciplinar desdobra-se em duas faculdades: Uma relativa à competência para exercer o respectivo poder, ou seja: a acção disciplinar; outra relativa à competência para aplicar sanções, sendo neste sentido que se refere que, “(...) Se a competência para aplicar sanções pertence a um superior hierárquico temos a disciplina hierarquizada”. Uma última questão que se prende com o poder disciplinar público, é a de saber a quem cabe a titularidade da competência disciplinar sobre o contingente de funcionários requisitados ou destacados para empresas municipais: caberá aos conselhos de administração das empresas municipais, que têm competência para exercer a acção disciplinar sobre os trabalhadores do seu quadro de pessoal, de exercer também sobre os funcionários requisitados ou destacados, os quais, embora trabalhem para si nesses regimes, pertencem ao quadro de pessoas colectivas Municipais)? DEVERES (a) (b) (c) (d) (e) (f) (g) (h) (i) (j) (k) (l)
A QUE ESTÃO OBRIGADOS OS FUNCIONÁRIOS E AGENTES:

públicas

diferentes

(designadamente,

das

respectivas

Câmaras

Dever de prossecução do interesse público; Dever de boa administração; Dever de obediência; Dever de lealdade; Dever de assiduidade; Dever de zelo; Dever de sigilo; Dever de correcção: Dever de pontualidade; Dever de isenção; Dever de custódia; Dever de cooperação;

Assim. deve o procedimento disciplinar igualmente obediência aos princípios gerais (a que deve estar sujeita qualquer actuação da Administração) contidos no CPA e portanto também aplicáveis ao processo disciplinar. e por isso previsto em lei especial. passando a distinção fundamental a ser feita entre trabalhadores e agentes não trabalhadores. trabalhadores da Administração Pública serão todas as pessoas físicas que. abrindo assim caminho à intervenção dos tribunais. que é o disciplinar) 8) Princípio da decisão Haverá responsabilidade disciplinar aquando da violação dos deveres por parte dos funcionários/agentes. o que se pretende é proibir favoritismos ou perseguições e vedar a intervenção de certos trabalhadores em decisões em que sejam parte interessada. PRINCÍPIOS CPA GERAIS DO APLICADOS AO PROCESSO DISCIPLINAR Como procedimento administrativo. sendo que a sua violação pode ser causa de um pedido de suspeição de instrutor) 5) 6) 7) Princípio da boa-fé Princípio da colaboração da Administração com os particulares Princípio da participação (a defesa do arguido em processo disciplinar é a consagração deste direito de audiência antes da tomada de decisão neste foro específico. na categoria de agentes não trabalhadores. . com uma concreta tramitação. levando à aplicação de determinadas penas/sanções. incluem-se os agentes políticos. aquilo que ela tem de mais intrinsecamente seu e que não pode ser usurpado por ninguém.Pública deve estar exclusivamente ao serviço do interesse público. pois estes têm o dever de fazer cumprir a lei que a Administração incumpriu). 3) 4) Princípios da igualdade e da proporcionalidade Princípios da justiça e da imparcialidade (quanto à imparcialidade. que pode ser considerado como a impressão digital de toda a função administrativa. salvo no caso limite de erro grosseiro nessa avaliação. os membros dos gabinetes ministeriais e equiparados e o pessoal dirigente. 1) 2) Princípio da legalidade Princípio da prossecução do interesse público e da protecção dos direitos e interesses dos cidadãos (toda a actuação dos trabalhadores da Adm. contra uma retribuição. prestam actividade de trabalho sob a autoridade e direcção» de uma entidade pública.2 A tradicional distinção entre agentes funcionários e agentes não funcionários ficou privada de sentido útil. independentemente do carácter público ou privado do título pelo qual é exercida essa actividade. Por outro lado. se bem que especial porque sancionatório.

. É de realçar que. por se revestirem de publicidade. (iii) as circunstâncias de modo (como tiveram lugar). deve ser entendida apenas como as manifestações da sua vida particular que. se a entidade competente mandar arquivar o procedimento. a contrariedade do facto à lei. hora e local. relativa a uma potencial infracção do trabalhador e termina com a emissão de um despacho liminar por parte daquela. cuja violação é susceptível de gerar responsabilidade disciplinar por parte destes trabalhadores da Administração Pública.). ou seja: aquando da instauração de um procedimento disciplinar. Esta fase tem uma relevância essencialmente formal. • Um comportamento do trabalhador: a infracção disciplinar é meramente formal ou de simples conduta. (v) A indicação da prova disponível (testemunhas. (ii) As circunstâncias de tempo e lugar em que ocorreram (dia. Esta fase inclui duas subfases: (i) Participação stricto sensu: A participação deve mencionar: (i) Os factos que dão suporte à infracção disciplinar. sendo que o Estado é o sujeito passivo e o titular do interesse ofendido. Esta fase é anterior à fase de instrução stricto sensu. possam originar escândalo e pôr em causa a dignidade e o prestígio do trabalhador ou da função exercida. a não ser que a lei assim o exija. O procedimento disciplinar inicia-se com uma participação de terceiros à entidade competente. • A ilicitude: ou seja. nenhum efeito daí decorrerá para o trabalhador. Mas esta vida privada. (iv) A identificação do trabalhador (nome e outros elementos identificadores). muito embora a participação fique registada apenas para efeitos da entidade empregadora. A sua verificação não depende da produção de resultados prejudiciais ao serviço. A conduta do trabalhador pode ser uma acção ou omissão. ou a inobservância de deveres gerais ou especiais inerentes à função exercida ALGUMAS FUNÇÃO PÚBLICA: NOTAS SOBRE PROCEDIMENTO DISCIPLINAR NA 1. Podem também existir os chamados deveres da vida privada. Infringir disciplinarmente é desrespeitar um dever geral ou especial decorrente da função exercida. documentos. pois esta (instrução) pressupõe o início de um procedimento disciplinar. etc.3 ELEMENTOS • ESSENCIAIS DA INFRACÇÃO DISCIPLINAR: Ser trabalhador da Administração Pública: é este o sujeito activo da infracção disciplinar. se possível). no sentido de arquivar ou mandar instaurar o procedimento (artº 50º EDFA). para efeitos disciplinares.

concluindo pelo arquivamento ou pela acusação: se deduzir acusação. relativamente à acusação. 2. 4. pelo que. finda a instrução. concluímos assim que a decisão a que se reporta o preceito é a decisão sobre o mérito e não sobre a oportunidade. consubstanciando nulidade por omissão no caso inverso. mas deve o instrutor ouvi-lo sempre que tiver dúvidas quanto aos factos sobre que foi indiciado na participação. não devendo aquele prestar juramento durante o interrogatório. Na fase de instrução não é obrigatório ouvir o arguido (artº 55º/2 EDFA). o motivo mais determinante de procedência de impugnação do procedimento disciplinar nos Tribunais é o da acusação ser feita em termos vagos e genéricos. se o instrutor ficar com dúvidas sobre a existência dos factos ou sobre se foi o arguido o seu agente. testemunhal. de forma a simplificar a sua defesa. poderá ser feita nova acusação ou um aditamento à anterior desde que se dê ao arguido novo prazo para a defesa. sendo conhecidos novos factos posteriores à acusação. deve ser elaborado um relatório que permita conhecer do historial do procedimento disciplinar. Note-se que é à Administração que cabe o ónus da prova os factos. A prescrição é de conhecimento oficioso. Note-se que. de tempo. modo e lugar. sob pena de incumprimento do princípio da audiência e de defesa do arguido. 3.4 (ii) Despacho Liminar (artº 50º EDFA): Importa aqui questionar saber se a decisão de instaurar ou não o procedimento disciplinar (n. entre outros) da existência dos factos e da pessoa dos seus autores e determinar a sua responsabilidade. podendo ser suscitada pelo instrutor sem necessidade de alegação pelo trabalhador. esta deve ser articulada. incluindo as circunstâncias atenuantes. deve propor o arquivamento dos autos. A instrução tem por finalidade reunir os elementos de prova (documental. só os factos constantes na acusação podem ser tidos em conta na decisão. Com a . agravantes ou dirimentes. Os trâmites destinados à preparação da defesa são os seguintes: Acusação Cópia da acusação  Comunicação ao arguido  Defesa Assim. o EDFA exige a referência aos preceitos legais e às penas que lhes correspondem. verificamos que a acusação/nota de culpa deverá ser clara (daí o articulado) e concisa permitindo ao trabalhador compreender exactamente daquilo que vem sendo acusado. Concluída a instrução. determinando a pena aplicar e o respectivo quantitativo. Note-se ainda que. correspondendo cada facto a um só artigo. de forma clara e concisa.º 1) é um poder discricionário ou vinculado? O facto de os dirigentes estarem obrigados a proceder disciplinarmente (artº 27º/1ª)) leva-nos a concluir pela segunda hipótese.

pois de outro modo todos os seus vícios repercutir-se-ão na decisão. na maior parte das vezes. o trabalhador adquire a qualidade de parte no processo. podendo conduzir à revogação ou alteração da decisão proferida. dir-se-á que em matéria de audição de testemunhas. A pena começa a produzir os seus efeitos legais a partir do dia da notificação do trabalhador ou 15 dias depois da publicação no DR. 7. 9. Atenção: O arguido não pode pura e simplesmente alegar que não teve tempo para consultar o processo se dentro do prazo que foi fixado para a defesa não pediu a sua prorrogação. 8. Em matéria de produção de prova. mas se o tiver feito e sido indeferida a sua pretensão já aquele argumento poderá ser relevante.5 acusação. da decisão proferida cabe recurso contencioso (artº 73º EDFA).: Câmara Municipal). pelo o que se justifica o maior cuidado na elaboração e fundamentação da proposta. sendo ainda admitida a revisão do procedimento disciplinar (a todo o tempo). Por fim. desde que se verifiquem circunstâncias ou meios de prova susceptíveis de demonstrar a inexistência dos factos que determinaram a condenação e que não pudessem ser utilizados pelo trabalhador no procedimento disciplinar. sendo de especial importância realçar que. não quanto à matéria constante na acusação. as testemunhas devem ser inquiridas. Se a decisão for concordante com a proposta apresentada pelo instrutor não há necessidade de fundamentar o despacho já que este avoca as razões naquele referidos. 11. esta é uma formalidade essencial cuja inobservância acarreta quase sempre a diminuição das garantias de defesa do arguido (daí a nulidade insuprível). Nada impede que o arguido arrole na defesa as mesmas testemunhas que foram já ouvidas na fase de instrução. o relatório final pode concluir pelo arquivamento do processo. . que tomada pelo órgão executivo (v. Depois da fase de instrução e de defesa segue-se a fase de decisão. se não puder ser notificado. a entidade decisória a ele adere. mas antes quanto à matéria alegada na defesa. 10. Note-se porém.g. 6. desde que a pena não seja agravada (artº 78º/1-2 EDFA). Não obstante. 5. uma vez que. a necessidade de fundamentação só existe quando a decisão não seja concordante com a proposta do instrutor. pelo o que este deve ser remetido à entidade competente que mandou instaurar o procedimento (artº 39º EDFA). e que terá por base o relatório final do instrutor. propondo que se arquive (artº 57º/1 EDFA).

as cooperativas culturais podem ser declaradas pessoas colectivas de utilidade pública. fomentarem-na e desenvolverem-na. cumulativamente. ou através de qualquer das formas de discriminação vedadas pelo artº 13º/2 CRP. cooperando com a Administração na realização dos seus . acompanhado da seguinte documentação: • parecer fundamentado da Câmara Municipal da sede. colaborar com o Estado e autarquias locais na prestação de serviços ao seu alcance e na cedência das suas instalações para a realização de actividades afins. com as assinaturas notarialmente reconhecidas na qualidade e com poderes para o acto. em termos de merecerem da parte desta administração a declaração de «utilidade pública». O registo deve ser efectuado na Conservatória do Registo Comercial da área da respectiva sede. se verificarem os seguintes requisitos: não limitarem o seu quadro de associados a estrangeiros. Estas entidades só podem ser declaradas de utilidade pública ao fim de cinco anos de efectivo e relevante funcionamento. acompanhado de fotocópia consciência da sua utilidade pública.6 PESSOAS COLECTIVAS DE UTILIDADE PÚBLICA Pessoas colectivas de utilidade pública são as associações ou fundações que prossigam fins de interesse geral ou da comunidade nacional ou de qualquer região ou circunscrição. entre outros: • • • enviar anualmente à Presidência do Conselho de Ministros o Relatório e Contas de cada exercício. Condições de atribuição do estatuto de utilidade pública: Estas entidades só podem • • ser declaradas de utilidade pública se. efectuado em impresso próprio. Procedimento A declaração de utilidade pública é da competência do Governo. prestar as informações solicitadas por quaisquer organismos oficiais ou pelas entidades que nelas superintendam. salvo se especialmente dispensadas desse prazo em razão de circunstâncias excepcionais. As cooperativas que não prossigam fins económicos lucrativos. designadamente. cooperando com a Administração Central ou a Administração Local. nos termos da respectiva regulamentação. aprovado em sessão camarária. A entidade requerente deverá apresentar um requerimento dirigido ao 1º Ministro. A emissão deste parecer deve ser solicitada através de requerimento dirigido ao Presidente da Câmara. terem fins. sendo objecto de despacho publicado no Diário da República (II Série). Deveres São deveres das pessoas colectivas de utilidade pública.

no caso de fundações). historial pormenorizado das actividades desenvolvidas. fotocópia do cartão de pessoa colectiva.g. .7 dos estatutos da pessoa colectiva.: declarações de entidades públicas com quem tenha colaborado). especificando em que se traduz essa colaboração ou esse apoio. • texto dos estatutos devidamente actualizado (e de regulamentos internos se os houver e fotocópia do cartão de identificação de pessoa colectiva actualizado). acompanhados dos respectivos pareceres do Conselho Fiscal e cópias das actas de aprovação em assembleia geral (ou prova de outra forma de aprovação.planos de Actividade e Orçamentos. • relação das entidades públicas e privadas com quem colabore ou de quem receba apoios. com especial incidência nos últimos cinco anos e indicação de eventuais projectos que se proponha realizar. • • indicação do número de associados. na prossecução dos objectivos estatutários (v. • fotocópia da publicação no Diário da República do extracto dos estatutos e suas alterações ou indicação da respectiva data. • fotocópia da escritura da constituição (ou do acto de instituição e respectivo reconhecimento. historial da organização. relatórios e Contas dos últimos cinco anos. no caso das fundações) e de posteriores alterações estatutárias. • • declarações comprovativas da regularização da situação contributiva perante a Segurança Social e do cumprimento das obrigações fiscais. documentação comprovativa da real e efectiva cooperação com órgãos da administração local ou central. .