AFORISMOS Wittgenstein Inicio: Citação de Santo Agostinho Esclarecimento: tradição metafísica platônica – visão do universal divino, uno, na qual

a essência da linguagem seria da mesma fonte. Aforismo 1 Cada palavra tem uma significação. Esta significação é agregada á palavra. È o objeto que a palavra substitui.”

Referência a Representação e associando esta à linguagem. O problema ressalta é que Agostinho vê a afirmativa citada como um sistema de comunicação. Aforismo 3 Santo Agostinho descreve, podemos dizer, um sistema de comunicação; só que esse sistema não é tudo aquilo que chamamos de linguagem.

Wittgenstein a vê como uma possibilidade, um caminho, um jogo de linguagem delimitado por um contexto e aplicado conforme seu uso. A representação seria apenas um dos modos de linguagem, mas não todos os modos. Aforismo 3 É como se alguém explicasse: “jogar consiste em empurrar coisas, segundo certas regras, numa superfície ...” – e nos lhe respondêssemos: “você parece pensar nos jogos de tabuleiro, mas nem todos os jogos são assim. Você pode retificar sua explicação, limitando-a expressamente a esses jogos.”

Linguagem primitiva Trabalha com ela para avaliar o funcionamento da linguagem e o conceito de significação Aforismo 5 Tais formas primitivas da linguagem emprega a criança, quando aprende a falar. O ensino da linguagem não é aqui nenhuma explicação, mas sim um treinamento.

Aforismo 7 Chamarei também de jogos de linguagem o conjunto da linguagem e das atividades com as quais está interligada. pensa-se logo no fato de que. Só que no caso de habermas. quando a criança ouve a palavra. chama a atenção da criança para eles. estabelece uma ligação associativa entre a palavra e a coisa: no entanto. a imagem da coisa surge perante seu espírito. e para reagir assim ás palavras dos outros. uma competência universal que prove as condições básicas para a participação em sistemas de interação independente de uma cultura ou contexto. pronunciando então uma palavra . o significado é agora articulado em termos do seu uso e da prática de seguir regras Aforismo 130 Os jogos de linguagem figuram muito mais como objetos de . Mas pode não ser finalidade das palavras despertar representações. Aforismo 7 Witt – menciona também o processo de denominar objetos e de repetir palavras. Na práxis do uso da linguagem um parceiro enuncia as palavras. A todos esses processos witt chama de jogos de linguagem.. o autor busca de universais. Esse ensino ostensivo das palavras pode-se dizer.. Witt – teoria contextualista da significação – baseada no pragmatismo.Treinamento – usado no sentido de adquirir domínio sobre uma técnica Diferente do conceito de competência de habermas (competência lingüística e interativa). Ao invés de limitar a "significação" ao que é significado na denominação de objetos. É essa a finalidade da palavra? Pode ser.. Uma parte importante deste treinamento consistira no fato de que quem ensina mostra os objetos. Aforismo 6 As crianças são educadas para executar essas atividades. Para o autor estas atividades que a linguagens esta interligada pode ser tb não lingüísticas. o outro age de acordo com elas. para usar essas palavras ao executa-las.

algo é semelhante a colocar uma Aforismo 26 Acredita-se que o aprendizado da linguagem consiste no fato de que se dá nomes aos objetos: homens. “A força ilocucionária do ato de falar consiste em revestir o enunciado de uma pretensão de verdade aceita pelo ouvinte e incorporada na sua ação social. Neste sentido.. números. dores.comparação. etc. Como foi dito – o denominar é . witt distancia-se de uma linguagem referencial do significado.. Aponta para a questão da intersubjetividade – que constitui no fundamento do pragmatismo. Desta forma. devem lançar luz sobre as relações de nossa linguagem. estados de espírito. o significado da linguagem estaria interligado ao outro subjetivo. cores. ou seja. Os sentidos se constroem na relação intersubjetiva. que. pois as palavras como sinais públicos necessitam do outro para a sua significação. :denominar etiqueta numa coisa. formas. ao proferir um enunciado estabelecem-se relações sociais. Por isto mesmo. Esta abordagem propicia a construção da teoria da ação comunicativa de Habermas: o entendimento intersubjetivo entre agentes capazes de ação e linguagem. o outro age de acordo com elas. através de semelhanças e dissemelhanças. sendo esta baseada na linguagem inserida num contexto de interação. criando um vínculo. A interação com o outro – o uso da linguagem para denotar as verdades propostas nestes jogos verbais.. não existem jogos de linguagens particulares. Aforismo 7 Na práxis do uso da linguagem um parceiro enuncia as palavras. Necessita-se do outro para que a nossa verdade seja apresentada.” Função da representação: Aforismo 15 Designar .

a expressão facial.. etc Jogo de linguagem Aforismo 23 Quantas espécies de frases existem? Há inúmeras de tais espécies.. Por isso representar uma linguagem é representar uma forma de vida Diferença das formas de enunciação em relação a significação: Aforismo 21 Qual é pois a diferença entre a informação ou afirmação ‘cinco lajotas’ e o comando ‘cinco lajotas’? Ora o papel que o pronunciar dessas palavras desempenha no jogo de linguagem .. E muitas outras...algo análogo a pregar uma etiqueta numa coisa. . novos jogos de linguagem nascem e outros envelhecem e são esquecidos. O papel no jogo da linguagem + o tom. contar histórias. Pode-se chamar isso de preparação para o uso de uma palavra. O termo ‘ jogo de linguagem’ deve aqui salientar que o falar da linguagem é uma parte de uma atividade ou de uma forma de vida. A linguagem não tem a função apenas de designar e descrever um objeto ou fenômeno. Mas sobre que se dá a preparação? Outras funções da linguagem: Aforismo 19 Pode-se representar facilmente uma linguagem que consiste apenas de comandos e informações durante a batalha. cantar. – ou uma linguagem que consiste apenas de perguntas e de uma expressão de afirmação e de negação. – E representar uma linguagem significa representar-se uma forma de vida. Esta pressupõe uma forma de vida compartilhada intersubjetivamente.. Ela serve também para dar ordens. etc. . e essa pluralidade não é nada fixo. inúmeras espécies diferentes de empregos . e que a diferença reside somente no emprego..

quando já é claro qual o seu papel na linguagem. . E a significação de um nome elucida-se muitas vezes apontando para o seu portador.F. Aforismo 33 Não é verdade que alguém deva dominar um jogo de linguagem para compreender uma definição ostensiva. ‘Este é o rei do xadrez’ não se elucida por meio disso o uso dessa figura. a menos que alguém já conheça as regras do jogo. donde as I.Aforismo 30 Aforismo 31 A definição ostensiva elucida o uso – a significação – da palavra. obtém os mais variados exemplos e fundamentos para a nova concepção de linguagem. ou seja.teoria contextualista da significação Dessa afirmação feita pelo investigador filosófico vai surgir a teoria dos Jogos de Linguagem. mas sim deve apenas – evidentemente – saber (ou adivinhar) para o que aponta aquele que elucida! Aforismo 43 Pode-se para uma grande classe de casos de utilização da palavra ‘significação’ – se não todos os casos de sua utilização -. ate esta ultima determinação: a forma de uma figura de rei. explica-la assim: a significação de uma palavra é seu uso na linguagem.. se tem o domínio do seu uso em um contexto qualquer interacional (jogo). basta saber o que esta sendo apontado pelo falante.. e não porque já tem o conhecimento das regras de seu uso naquele contexto (jogo). Wit refere-se por analogia ao fato de que só aprende o uso dos instrumentos da linguagem quando se está preparado. . No caso da definição ostensiva: não se precisa dominar um jogo de linguagem para compreende-la. Caminho ligado ao pragmatismo .

As ações. querer dizer e pensar. Analogia clara do que é regra: Aforismo 83 Podemos muito bem imaginar que pessoas se divertem num campo jogando bola e de tal modo que comecem diferentes jogos existentes. e portanto descobrir a significação é desvendar este conjunto de práticas. segundo determinadas regras. E não se da tb o caso em que jogamos e – make up the rules as we go along? E também o caso em que as modificamos – as we go along. *Fazemos as regras conforme prosseguimos. a cada jogada. podem e devem ser parte da linguagem.. não joguem muitos deles até o fim. etc. não naquilo que determinadas palavras designam ou nomeiam. com exigências diferentes. contextos. ou como no caso de jogos de linguagem. ou em idéias ocultas trazidas à mente ao ouvirmos ruídos”. necessitamos do outro para que nossa verdade seja apresentada. atirando a bola. atirem a bola entrementes para o alto ao acaso. Cada jogo tem suas regras. persigam-se mutuamente por brincadeira. tanto quanto as palavras. . “É nos usos da linguagem que encontramos a significação desta. Em questões de linguagem. Seguir uma regra significa observar a mesma regra e fazer jogadas ou proferimentos onde as palavras tem seu significado entrelaçado na regra e viceversa. Regras Aforismo 81 . maior clareza sobre os conceitos de compreender. nem em alguma correspondência das coisas com as palavras. sempre interagimos com o outro para que o conhecimento aconteça. Então alguém diz: durante todo o tempo aquelas pessoas jogaram um jogo e se comportaram.Jogos de linguagem: possibilita a reflexão acerca das relações lingüísticas diferenciadas presentes em nossa época. Pelo simples fato de fazer o uso da linguagem para denotar as verdades propostas no jogo. Pois então se tornará claro o que pode nos levar (e que me levou) a pensar que quem pronuncia uma frase e lhe dá significação ou a compreende realiza com isto um calculo segundo regras determinadas.

Aforismo 85 Uma regra se apresenta como um indicador de direção. Pois parecemos em algum sentido não compreender isto. existe uma intersubjetividade de sentido. . apesar de compartilhar com uma comunidade um sistema conceitual em que as experiências se baseiam. que se volta para as coisas perceptíveis ou eventos e a experiência comunicativa ou compreensão.No jogo de bola a todo momento as pessoas tem seu comportamento analisado mutuamente. mas se origina de um esforço para compreender o fundamento ou essência de tudo que pertence á experiência. Aforismo 89 Witt está preocupado com o conceito de compreender. mesmo que esta esteja sendo modificada durante o próprio jogo. A experiência sensorial ou observação. o cientista opera sozinho. Queremos compreender algo que já esteja diante de nossos olhos. Ou ainda a experiência é uma atividade individual de um sujeito solitário. pois. em relação a seguir a regra. dizer que o indicador de direção não deixa subsistir nenhuma duvida. Na primeira. Através da analise da dúvida witt chega a questão da exatidão e da lógica. que tem que ser suposta para que haja a compreensão de sentido. Em que medida a lógica é sublime? Ela não se origina de um interesse pelos fatos que acontecem na natureza nem da necessidade de apreender conexões causais. Aproxima-se muito da analise de Habermas: Seguindo a tradição hermenêutica de polarizar entre a descrição cientifica dos fatos (explicar) e a explicação do sentido dos acontecimentos (compreender). mas não devêssemos descobrir com isto novos fatos: é muito mais essencial para nossa investigação não querer aprender com ela nada de novo. Ou muito mais: algumas vezes deixa duvida. que se direciona para o sentido dos proferimentos. Na segunda. enquanto a compreensão se revela como uma atividade comunicativa. outras não. Não deixaria nenhuma duvida sobre o caminho que eu tenho que seguir? Posso. mesmo que esteja sozinho com um livro ou obra de arte.

para poder compreende-lo. menciona os processos característicos da compreensão (que não são anímicos).Procedimentos empírico-analiticos das ciências nomológicos X procedimentos reconstrutivos de outras ciências. quando compreendeu o sistema. (Habermas) Aforismo 90 Refletimos sobre o modo das asserções que fazemos sobre os fenômenos. interprete se restringe a compreender o conteúdo de uma expressão simbólica ou de um contexto (expressão dos autores). Queremos compreender algo que já esteja diante de nossos olhos. Em que medida a lógica é sublime? Na medida em que não se interessa pelos fatos que acontecem na natureza Mas pela compreensão do fundamento ou essência de tudo que pertence á experiência. Compreender é a explicação do sentido dos proferimentos ou acontecimentos. É neste momento que Habermas configura uma pragmática universal. Apoio nas relações de sentido conhecidas e domínio do sistema de regras da língua e sua aplicação. talvez então tenha sido uma vivencia particular – para nos são as circunstâncias nas quais teve tal vivencia que o . Aqui o objeto do conhecimento que o interprete deve tentar explicitar é a consciência intuitiva das regras que um falante competente tem de sua própria língua. interprete não só partilha desse conhecimento “implícito do falante competente. Wit fala do momento em que se adquire a compreensão do sistema. 2. mas que devido a certas circunstancias o autorizam a dizer “agora posso continuar”: Aforismo 155 Quando de repente soube continuar. mas. Habermas menciona: o objeto do conhecimento que o interprete deve tentar explicitar é a consciência intuitiva das regras. deve buscar descobrir reconstrutivamente as estruturas generativas subjacentes à produção das formações simbólicas. Explicação do sentido – existem dois níveis em que esta tarefa se realiza: 1.

Witt – encerra o argumento da linguagem privada quando discorre sobre a regra. pois cada modo de agir deveria estar em Aforismo 199 Aforismo 201 . senão. onde é discutido o chamado "paradoxo cético". dar uma ordem. a dor/o besouro de outrem).. E daí não podermos seguir a regra 'privadamente'.autorizou a dizer. em tal caso.. Não é possível que apenas uma única vez tenha sido feita uma comunicação. etc. fazer uma comunicação. jogar uma partida de xadrez são hábitos (costumes. Apesar de nenhum destes conceitos ser explicitamente articulado neste parágrafo. em particular do ' 143 ao ' 242. instituições. seguido uma regra. Compreender uma linguagem significa dominar uma técnica. acreditar seguir a regra seria o mesmo que seguir a regra". O que chamamos de seguir a regra é algo que apenas uma pessoa pudesse fazer apenas uma vez na vida? . Compreensão em dois níveis: Aforismo 199 Compreender uma frase significa compreender uma linguagem. Aforismo 202 "Eis porque "seguir a regra" é uma praxis. dada ou compreendida uma ordem. uma única vez. porque. – seguir uma regra. E acreditar seguir a regra não é seguir a regra. As seções seguintes seriam apenas uma aplicação do argumento ao caso especial das sensações. que compreende. que sabe continuar. não pode ser que apenas uma pessoa tenha. O verdadeiro argumento da linguagem privada se encontra nas seções que precedem o ' 243. Entre as passagens mais intrigantes que tratam dos conceitos de significado e compreensão em conexão com o argumento da "linguagem privada" estão as duas situações no ' 293 (a minha dor/o meu besouro. Nosso paradoxo era: uma regra não poderia determinar um modo de agir. ambos são supostos para "saber o que a palavra 'dor' significa" ou o que é designado por "besouro" .

pois.(' 154) ." (' 244) Jogos de linguagem implicam. (A diminuição e o aumento de uma sensação de dor. a compreensão não é um processo anímico. Ao invés de limitar a "significação" ao que é significado na denominação de objetos. No sentido em que há processos (também processos anímicos) característicos da compreensão. 'agora sei continuar'? Quero dizer. quando a fórmula me veio ao espírito. Mas perguntese: em que espécie de caso. da palavra 'dor'. portanto. A fim de compreendermos a concepção de significado no "segundo" Wittgenstein. pode também contradizê-la. pelo menos uma vez. o significado é agora articulado em termos do seu uso e da prática de seguir regras: "A questão 'o que é realmente uma palavra?' é análoga a 'o que é uma peça de xadrez?'" (' 108) "Mas como é estabelecida a ligação entre o nome e o denominado? A questão é a mesma que: como um homem aprende o significado dos nomes de sensações? Por exemplo. na compreensão como 'processo mental'/'anímico' --Pois este é o modo de falar que o confunde. Disto resultaria não haver aqui nem conformidade nem contradições". partiremos da sua crítica a três concepções errôneas que tendem a identificar a significação com um processo mental. um contexto prático onde o significado é determinado pelo uso de signos. a audição de uma melodia. Tese 1: O significado não é um processo mental "Não pense. sob que espécies de circunstâncias dizemos.conformidade com a regra. com uma interpretação particular e com a formulação de razões pelas quais seguimos uma regra. A resposta era: cada modo de agir deve estar em conformidade com a regra. de uma frase: processos anímicos)".

sensações e a imaginação podem acompanhar ou não a constituição do significado --mas não podem ser ditas constitutivas da significação. a depressão. 218/211) As Investigações começam. --Não. em nenhuma destas situações compreendo o que leio. mas sim deste: cada interpretação. a mesma significação em ambas as vezes? Creio que o negaríamos". Tese 2: O significado não é uma interpretação particular. afinal. como por exemplo. (' 140) Wittgenstein rejeita a metafísica do "homem interior" em Santo Agostinho tanto na sua versão consciente (o significado como um processo mental) quanto na sua versão inconsciente (o significado como um estado do sistema nervoso). E tem."O ter-em-mente não é nenhum processo que acompanha essa palavra.(' 59) Experiências. Significado e compreensão não podem ser assimilados a experiências. As interpretações não determinam sozinhas a significação". Pois nenhum processo poderia ter as conseqüências do ter-em-mente". Assim. a excitação. paira no ar. "E o essencial. a dor. é ver que. juntamente com o interpretado. ao ouvir a palavra. no entanto. não deveria ser deste modo. o mesmo pode pairar em nosso espírito e que sua aplicação. quando observo cuidadosamente caracteres de um alfabeto desconhecido ou quando leio em voz alta sem prestar atenção ao que está escrito (como uma "máquina de leitura"). o desenho de um cubo pode me vir ao espírito quando ouço a palavra "cubo" mas não tem de ocorrer (' 139). (p. deverá estar em conformidade com a regra por meio de uma interpretação qualquer. "Como pode uma regra ensinar-me o que fazer neste momento? Seja o que for que faça. ela não pode servir de apoio a este. embora meus processos mentais pareçam contradizêlo. então. E Wittgenstein conclui. (' 198) . pois. com uma crítica à linguagem agostiniana precisamente porque tal concepção mentalista do significado confunde o "que é significado" com acompanhamentos experienciais que podem ocorrer ou não na constituição do significado. pode ser outra.[7] Assim.

do hebraico em letras latinas). relatar um acontecimento. "traduzir de uma língua para outra". mas com o fenômeno de seguir regras que permitam a produção de significado na leitura de uma escritura que não seja imediatamente reconhecida. esta também seria a razão pela qual pessoas bilíngües podem naturalmente mudar de uma língua para outra sem recorrer a traduções na sua mente. 213). seria mais um jogo de linguagem. como "comandar e agir segundo comandos. que "uma regra não poderia determinar um modo de agir. então poderíamos ter assimilado a ação de "ler" uma escrita desconhecida à sua mera transliteração em caracteres conhecidos (por exemplo.Wittgenstein denomina "nosso paradoxo". Assim. Wittgenstein enfatiza que a tradução e a interpretação sempre implicam o ato de pensar. Wittgenstein solapa toda eficiência essencial de significados que subjazem aos cursos de ações. Assim. maldizer. tanto a tradução como a interpretação já pressupõem a produção de significado. Na verdade. saudar. inventar uma história. poderíamos emitir os sons correspondentes a um sistema de escritura desconhecida sem compreendermos o sentido de tal escritura. neste exemplo. Assim. a saber. se alguém pronunciasse ou cantasse "hineh mah tov u-mah nayim". A alusão ao "corpo de significação"no ' 559 corrobora a autocrítica do "segundo" Wittgenstein com relação ao Tractatus. Afinal.(' 201) Ao contrário do uso ostensivo da linguagem associado ao "olhar interno" agostiniano que revela o que permanece "escondido" em camadas profundas de significação. pois cada modo de agir deveria estar em conformidade com a regra". agradecer.(' 23) Sem dúvida. seria insuficiente traduzir tal expressão do hebraico para o português "como é bom e agradável". Se a interpretação fosse entendida como "a substituição de uma expressão da regra por outra"(' 201). fazer. uma anedota. mas . cantar uma cantiga. De fato. dependendo da equivalência fonética adotada. com a compreensão do que está sendo lido. pedir. como se tal tradução ou interpretação bastasse para explicar a constituição de seu significado. O significado é constituído de um modo prático tal que não pressupõe nenhuma teoria. Wittgenstein não estaria preocupado. orar". O que é questionado aqui é precisamente que uma transliteração seja suficiente para a constituição de significado. formando uma hipótese acerca da melhor maneira de traduzir um signo de tal forma a ser compreendido (p.

Como Kripke observa. que o signo '+' denota uma função quais[8]. Tese 3: Seguir uma regra não se fundamenta em razões. como pode ele saber como fazê-lo por si próprio? --Ora. a necessidade implicada no ato de seguir uma regra (isto é.apenas requer prática e envolvimento em jogos de linguagem. por que será que dizemos "obrigado" ao agradecer alguém por ter-nos feito um favor ou simplesmente cumprido com o seu dever? Por que chamamos a cor vermelha de "vermelho"? Segundo Wittgenstein. '68 + 57 = 5'. o que está sendo questionado pelo cético é o que tinha sido constituído como significado pelo hábito: . Todavia. O que é paradoxal acerca disto reside na força da regra que alguém tacitamente obedece ao constituir tal significado.(' 219) Para Kripke. Ele poderia argumentar. "quando sigo uma regra não escolho. Assim. a saber. quando solicitado para calcular '68 + 57' o cético pode muito bem responder '5' e não '125' de modo a questionar o significado do signo '+' (sinal de adição). Por exemplo. A constituição de significado deve ser compreendida como uma expressão de regras que tacitamente seguimos ao participarmos de certos jogos de linguagem. 5. comunicar-se com alguém. Sigo a regra cegamente". E agirei então sem razões". é aqui que devemos situar o contexto imediato do "paradoxo cético" wittgensteiniano. caso contrário obteremos a constante '5'. por exemplo. uma vez consumada a ação que produz significado. como eu sei? --Se isto significa: 'tenho razões?'. então a resposta é: logo não terei mais razões. que uma regra determina uma linha de ação) não é uma premissa lógica mas algo a ser paradoxalmente encontrado no final. que nenhum fato pode constituir um significado em detrimento de um outro significado. Por isso. dizer um palavrão ou pedir um favor. "Seja como for que você o ensine a continuar a faixa decorativa. (' 211) Não há nenhuma razão fundamental pela qual alguém segue uma regra ao usar certas palavras para exprimir um pensamento. de acordo com a qual obtemos a adição convencional 'x+y' se e somente se 'x' e 'y' forem menores do que '57'.

[9] A argumentação de Kripke está baseada no que Wittgenstein denominaria "gramática do compreender" (cf. Compreender uma linguagem significa dominar uma técnica". .008. nas instruções do jogo. .5.002.004. o modo particular como alguém reage a um certo signo. '' 180 ss.2.. 1.. naturalmente. 1. como perguntaríamos a um estudante se ele compreendeu a série de números naturais 0.3...1. uma anotação sobre a gramática da expressão 'seguir a regra'.. eu devo responder '125'. isso mostra como assumimos mais do que devíamos quanto ao significado de signos que usamos tão freqüentemente. 1.Onde é feita a ligação entre o sentido das palavras 'joguemos uma partida de xadrez!' e todas as regras do jogo? Ora. ' 145) segundo um ordenamento do tipo '+ 1'. eu responderei '125'. Isto nos traz à tese positiva do "segundo" Wittgenstein sobre significado e seguir regras: "Pois dizemos que não há nenhuma dúvida de que compreendemos esta palavra.008. na prática diária do jogo ". Wittgenstein levanta a questão de relacionar a "expressão da regra" a ações. mas o jogo de xadrez é este jogo devido a todas as suas regras (e assim por diante).A relação do significado e da intenção com a ação futura é normativa.. seu uso comum ou costume."A questão não é que se eu quis dizer adição com '+'. ele procede para problematizar o conceito de "regramento" como costume em função de uma prática privada: "O que chamamos 'seguir uma regra' é algo que apenas uma pessoa pudesse fazer apenas uma vez na vida? --E isto é.. Compreender uma frase significa compreender uma linguagem.012. . mas que se quiser concordar com meu significado no passado de '+'.000. 1.006. por outro lado. a conclusão de Wittgenstein acerca da impossibilidade de obedecer uma regra privadamente significa que o argumento da linguagem . Assim. por exemplo. que sua significação reside no seu emprego.).. Wittgenstein não está primariamente preocupado com conexões causais mas com o "uso regular" (de sinais. (' 197) Imediatamente após. Não há dúvida de que agora quero jogar xadrez.4.. Se ao ser requisitado para continuar a série '+2' depois de 1. Por exemplo..000. na lição de xadrez. 1. 1. mas. no lugar dos esperados 1. (cf. e não descritiva". 1.. o aluno escreve 1...006.004. (' 199) Para Kripke... .

o pato-coelho de Jastrow. Sem incorrer numa reconstituição genética do desenvolvimento de tais concepções. o chamado "ceticismo de regra". Creio. p. Afinal. McGinn não descarta a importância de uma interpretação comunitária mas critica Kripke por reduzir a problemática das Investigações ao uso comunitário da linguagem. Acima de tudo. a concepção do significado como uso. para ilustrar sua concepção de descrição. consiste em haver articulado o problema da significação com o ato de seguir regras num mesmo nível lingüístico que solapa a metafísica do sujeito transcendental do Tractatus. McGinn acusa Kripke de forçar tal leitura do texto de Wittgenstein. por outro lado. escreve McGinn. O contexto imediato é obviamente o da gramática do verbo "ver". À guisa de conclusão. Mas no contexto maior. em particular quanto à solução cética ao paradoxo do ' 201. O maior mérito do artigo de Kripke. necessariamente. em voga desde as publicações de Frege e Russell. pode implicar por um lado uma correlação entre lógica e ontologia e. assinale-se apenas que o abandono do atomismo lógico não traduz. assim como o fizeram Baker e Hacker. esta "mudança de paradigma" é assinalada pelo próprio autor na sua crescente insatisfação face a teorias referenciais logicistas. 6. impondo-lhe significações que não constam na superfície. oferece boas razões para suspeitarmos o que Kripke denomina "a nova forma de ceticismo" supostamente inventada por Wittgenstein. portanto.privada deve ser encontrado nas seções que precedem o ' 243 --onde é explicitamente discutido o uso privativo da linguagem. creio que McGinn. Wittgenstein reproduz a figura da "cabeça PC". o ' 202 não pode constituir o argumento conclusivo empregado por Wittgenstein contra a possibilidade de linguagem privada. nas Investigações. embutida na crítica que Wittgenstein empreende a Frege e a Russell. entre a teoria do significado no Tractatus e sua reformulação crítica nas Investigações. xi.[10] Se realmente existe algo como uma "ruptura epistemológica" entre o "primeiro Wittgenstein" e o "segundo". uma ruptura com uma teoria do significado no "segundo Wittgenstein". ou de forma mais precisa. torna-se difícil separar tal versão de ceticismo de um ceticismo metodológico humiano. Numa das suas ilustrações mais conhecidas (PU Parte II. da investigação filosófica . Embora rompendo com uma concepção figurativa da linguagem. que já no Tractatus encontra-se antecipada a concepção tardia do significado como uso. 194/189). uma atitude cética de ordem prático-regulativa. além de dissipar a suspeita de behaviorismo nas Investigações.

ao nosso senso comum do que afirmar que sei 'p' no sentido de que creio 'p'. é que "pode-se vê-la como cabeça de lebre ou como cabeça de pato".não poderia fundamentar a descrição na constitituição do significado e de sua compreensão --em particular na relação entre sujeito cognoscente e o chamado "mundo exterior. --Portanto. "podemos desconfiar dos próprios sentidos mas não da própria crença". A discussão imediata gira em torno da experiência de "notar um aspecto" . antes mesmo de descrevê-lo como jogo de linguagem ou algum tipo de brincadeira. inclusive as socialmente constitutivas.190/185) Afinal. Wittgenstein observa que a mesma figura pode suscitar diferentes interpretações. ora como outra coisa. dependendo da experiência visual daquele que a percebe. ou uma coisa engraçada. este parente mais próximo da descrição. que Wittgenstein assim o enuncia: "A expressão 'creio que isto está assim' é empregada de modo semelhante à afirmação 'isto está assim'.sobre a significação. "vi um coelho porque tive um coelhinho quando criança"). "O que é isso?" ou "o que você vê aí?" parece exigir.(p. dependendo de como a vemos em diferentes contextos: "podemos também ver a ilustração ora como uma. Antes mesmo de identificá-lo como "uma figura L". uma descrição do que percebemos. implica uma pré-imersão no mundo de significações. que Wittgenstein questiona nas Investigações e nas anotações Sobre a Certeza. Chegamos assim ao contexto da discussão sobre a prova do mundo exterior. devemos ainda admitir que o que vemos depende de nosso "horizonte de expectações" . Sem incorrermos num reducionismo mentalista (por exemplo. nós a interpretamos e a vemos como a interpretamos". como afirma no mesmo capítulo.(193/188) O que nos aparece como "algo". apesar de aparentarmos 'saber' e 'ver' e opormos 'saber' e 'crer'. num contexto de vivências cotidianas. a possibilidade de responder "uma cabeça de lebre" ou "uma cabeça de coelho". um pato. trata-se de mostrar como "ver"--assim como "saber" e "crer"-. O que tem de interessante. Trata-se do paradoxo de Moore. na percepção imediata de uma lebre. à primeira vista. e contudo a suposição de que creio que isto está assim não é empregada do mesmo modo que a suposição de que isto está assim". um coelho." Afirmar que sei 'p' no sentido de que vejo 'p' não seria mais evidente. nossa primeira palavra de identificação intuitiva. mais do que um problema de tradução . Comecemos pela figura de Jastrow.

Depois. --posso dizer que aí o aspecto L e o aspecto P são vistos de modo inteiramente diferente do que quando os reconhecera no emaranhado de traços? Não". simplesmente como cabeça de lebre. uma experiência espontânea da visão. se alguém retrucasse: "O que é que eu devo ver aí?". .Wittgenstein parece ter em vista não tanto uma "descrição indireta" posterior à interpretação quanto uma descrição do que é visto imediatamente. finalmente. (199/193) Devemos. aliás. uma com a cabeça L-P cercada de cabeças de pato. noto-a na figura. Todavia. e nisto não preciso ainda saber que ambas as vezes tratava-se da mesma linha. concluir que seria equívoco dizer que o que vemos é o que cremos ver. Percebo as mudanças de aspectos: "Mas o que é diferente: minha impressão? Meu ponto de vista?-Posso dizê-lo? Descrevo a mudança como uma percepção. Poderei até mesmo propor que uma terceira possibilidade. exatamente como se o objeto tivesse se alterado diante dos meus olhos". serei obrigado a explicar as regras do jogo e falar das duas possibilidades: "cabeça de lebre" e/ou "cabeça de pato". Devemos também distinguir entre a "visão permanente" de um aspecto e a "revelação" de um aspecto. Se. antes de mais nada. olho a mesma figura e noto as mesmas linhas. (193/190) Suponha que duas figuras me sejam mostradas. vejo o aspecto mudar. seria a partir de então incorporada ao nosso imaginário cotidiano. outra cercada de cabeças de lebre. "a cabeça L-P". Primeiro. mais tarde. e assim por diante. diferenciar estas duas situações imaginárias? "Imagine a cabeça L-P escondida sob um emaranhado de traços. mas como pato. Como poderíamos.

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